Fazer ecoar


T3

A palavra catequese vem do grego Kat – ekhéo que quer dizer “fazer ecoar”. Então a catequese em si deve fazer ecoar (levar pra lugares longínquos) a palavra de Jesus Cristo. A evangelização é dever de todos sejam catequistas infantis ou adultos, sejam ministros da palavra e eucaristia, ou dos enfermos, sejam os pregadores do grupo de oração, ou diáconos ou ainda mais os padres.

Tudo é ou deveria ser uma catequese permanente, pois muitas pessoas que fizeram a iniciação quando criança não lembram ou não aprenderam tudo o que se deve saber. O catequista é esse espelho, que evangeliza não pela sua cabeça mas sim pelo que ele aprendeu e principalmente pela doutrina da nossa igreja. Se ele não acredita no que prega, ele não pode ser um bom catequista, e nem deve. Acreditar no que fala é condição fundamental para um bom catequista. Acredite existem catequistas que não acreditam totalmente na doutrina da igreja, que duvidam dos milagres. que ignoram os santos e a VIRGEM MARIA, e ainda por cima acham que a morte e ressurreição de Cristo não foi real.

Como uma pessoa assim pode ser catequista? Muitos o são pelo fato de muitos amigos estarem nesta missão e pelo status (aparecer) de estar ali como pessoa importante dentro da comunidade. E a missão da catequese de fazer ecoar fica em segundo plano.

O catequizando (seja de qualquer idade) está sempre de olho nas atitudes do catequista. Como se comporta nas missas(se vai), como se veste, roupas extravagantes, curtas demais, apertadas demais, decotadas demais. Como age na missa: conversa, não presta atenção, atende o celular várias vezes. Se faz escândalo na rua, se briga, se bebe demais, se dança funk na rua como se estivesse em um show, se fuma, se usa drogas, se destrói coisas, fofoca, fala dos outros, não dá lugar no ônibus para idosos e grávidas (fingindo que está dormindo), se fica pelo lado de fora da igreja só para poder papear.

O catequizando precisa de um modelos de fé, pois muitas vezes não o acha na própria casa (pais, irmãos, família, amigos), é através destes catequizandos que haverá a conquista de muitas outra pessoas.

Não sou hipócrita eu trabalho com números (quanto mais melhor), e afirmo o jovem costuma permanecer (frequentar) um lugar onde encontra a maioria de seus amigos. Se um jovem tem 10 amigos e só ele faz a catequese (isso no caso de adolescentes e jovens) ele vai sair (lógico que existem casos #) ainda mais se a catequese não agradar. Mas se a catequese for interessante, dinâmica e alegre ele convencerá mais amigos para participarem.

O catequista não precisa saber tudo, mas ele tem por obrigação procurar saber.

Ler a Bíblia. pesquisar nos livros, pedir ajuda.

Os encontros devem ter preparação e acima de tudo muito amor

Assim vamos construir uma catequese melhor e mais significativa,  e que vai ser um ponto de mudança de vida dos catequizandos.

No próximo post vou iniciar um circulo bíblico sobre os Atos dos Apóstolos, e continuar esse bate papo.

A fé de todos (fides omnium)

Estou abrindo meu primeiro blog para compartilhar as minhas opiniões e a minha experiência (sem pretensão nenhuma) na Igreja Católica, principalmente nas catequeses e nos grupos de jovens.

Aqui pretendo comentar e compartilhar temas relacionados a palavra de Deus através da Bíblia e tópicos para as catequeses em geral ( eucaristia e crisma).

Ao buscar um nome para este blog achei algo muito interessante dentro do Catecismo da Igreja Católica , uma citação que dizia em latim:

Fides omnium christianorum in Trinitate consistit ( a fé de todos os cristãos consiste na Trindade) -CIC 232, algo interessante que declara na continuação do texto que os cristãos são batizados em nome do Pai e do Filho e do Espirito Santo e não no nome destes três, pois só existe um Deus, o pai todo poderoso, seu filho único e o Espirito Santo: a santíssima trindade. O mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé da vida cristã. É o mistério de Deus em si mesmo. (CIC 233-234). Essa é uma afirmação tão poderosa que nem mesmo nossos irmãos protestantes ousam questionar, ou simplesmente ignorar, pois ao falarem também do Espírito Santo, não conseguem diferenciar onde um acaba e outro começa, isso porque eles são um só. A face divina e soberana de Deus pai criador, a face espiritual no Deus Espirito Santo,e a face humana em Deus filho, Jesus Cristo.

Partindo desse ponto escolhi parte da frase para nomear o meu Blog, e por isso mesmo neste primeiro post resolvi compartilhar a minha experiência em escolher um nome. Lembrando que Deus nos conhece pelo nome. Usar essa ferramenta moderna de comunicação, me fez quebrar a minha própria resistência a toda essa modernidade, mas hoje é impossível ficar alheio ao poder de penetração da Internet, por isso mesmo estou aqui, usando a ideia do nosso Santo Papa João Paulo II, que incentivava usar todos os meios de comunicação para a evangelização.

Espero contar com a sua atenção e os seus comentários nesta empreitada.

Paz e bem da parte do senhor Jesus.

Respeito pela fé

Opinião 

riscos

Conversando com alguns catequisandos (pessoas que estão se preparando para receberem os sacramentos da Eucaristia e/ou Crisma), não que fazem formação comigo já que neste momento não estou com grupo nenhum, mas de várias comunidades, num desses dias em que Deus te coloca numa situação interessante para te chamar a atenção. Me deparei com algumas questões que me trouxeram uma inquietação enorme.

Para dividir com cada um: durante mais de quinze anos fui catequista, e também fui coordenador de Grupo de Jovens. Trabalhei todo este tempo com jovens e adultos catequisandos e crismandos e fui não só dividindo o que eu sabia, mas sempre aprendendo com cada novo grupo. Na minha formação eu sempre fui buscando me atualizar, pesquisar e ler muito, além de tirar minhas duvidas com os mais experientes da comunidade e o próprio padre. No meu caso o Padre Luiz Roberto Teixeira Di Lascio me ajudou muito incentivando e indicando livros incluindo o melhor livro para a catequese que é o Catecismo da Igreja Católica e também diversos outros livros. Eu tenho por mim que para ser um bom catequista no mínimo esta pessoa deve estar disposta a ler e se aprofundar no assunto, além de frequentar a igreja e ter fé.

Bom voltando ao que me causou inquietação. Conversando com estes catequisandos me deparei com perguntas que no mínimo deveriam ser respondidas na preparação e outras atitudes que não tem o mínimo de cabimento. Fui perguntado:

  1. Quando a pessoa confessa já pode comungar?
  2. Preciso ir na missa?
  3. O bom de ser católico é que pode se fazer tudo.

Respondi:

  1. Neste caso quem perguntou ainda estava fazendo a preparação para receber o Sacramento da Eucaristia (Primeira Comunhão), então a resposta foi “não”. Para se comungar é necessário que o padre confira o sacramento da Primeira Eucaristia primeiro e só depois comungar normalmente.
  2. O local por excelência do encontro dos católicos é justamente a Missa. Então quem é católica deve ser reservar um tempo para celebrar a sua fé na missa.. Participar dos demais grupos da igreja é importante, mas mesmo assim o local onde convergem todos os católicos é sempre a missa.
  3. Nesta última questão, que é muito séria, a frase foi dita por um catequista que obviamente não está preparado para ser catequista, deveria voltar a fazer catequese. São Paulo já escreveu: “Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma.”                  (I Coríntios, 6, 12). Então vale entender que para todas as pessoas tudo seria permitido, mas nem tudo dever ser feito ou aceito. Porém a igreja católica não é uma religião de oba-oba, faz o que quiser como algumas pessoas acham. Pelo contrário a religião católica é cheia de dogmas e regras para nós fiéis. Não se pode fazer o que quiser, deve-se sempre seguir alguns preceitos, costumes e respeito.

Dito tudo isso eu estou realmente inquieto com tudo isso. Algumas dessas pessoas que me procuraram são pessoas que estão buscando a fé já numa idade mais adulta e estão tentando ser firmes na igreja, mas se deparam com pessoas que não estão comprometidas de verdade com a catequese, e estão lá porque gostam de dizerem que são catequistas ou veem algum status nisso. Devemos ser humildes e buscarmos sempre a sabedoria.

Assim está escrito: “Porque aqueles que santamente observarem as santas leis serão santificados, e os que as tiverem estudado poderão justificar-se. 11.Anelai, pois, pelas minhas palavras, reclamai-as ardentemente e sereis instruídos. 12.Resplandescente é a Sabedoria, e sua beleza é inalterável: os que a amam, descobrem-na facilmente. 13.Os que a procuram encontram-na. Ela antecipa-se aos que a desejam. 14.Quem, para possuí-la, levanta-se de madrugada, não terá trabalho, porque a encontrará sentada à sua porta. 15.Fazê-la objeto de seus pensamentos é a prudência perfeita, e quem por ela vigia, em breve não terá mais cuidado. 16.Ela mesma vai à procura dos que são dignos dela; ela lhes aparece nos caminhos cheia de benevolência, e vai ao encontro deles em todos os seus pensamentos, 17.porque, verdadeiramente, desde o começo, seu desejo é instruir, e desejar instruir-se é amá-la. 18.Mas amá-la é obedecer às suas leis, e obedecer às suas leis é a garantia da imortalidade. 19.Ora, a imortalidade faz habitar junto de Deus; 20.assim o desejo da Sabedoria conduz ao Reino!” Sabedoria, 6,10-20 – Bíblia Católica Online

Não é o dizer as coisas sem uma base teológica apenas porque acha e pronto. Não existem achismos na Igreja Católica, ou você sabe, ou não sabe, ou vai procurar saber. Você não acha nada.

Existem livros e mais livros da CNBB sobre diversos aspectos da formação de catequistas, existe o Catecismo da Igreja Católica, existem catequistas mais experientes e sempre existe o padre para se tirar dúvidas.

Eu não sei tanto quanto gostaria, mas sei quando algo pode e deve ser melhor trabalhado. O respeito a fé é sempre a primeira coisa. Ser catequista é algo sério, de compromisso e de fé. Um catequista influencia avida de seus catequisandos por isso antes de tudo ele deve ser espelho.

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Tenho me debruçado sobre o Catecismo da Igreja Católica e vou começar uma série sobre Catequese baseado unicamente sobre o catecismo, que espero servir e colaborar para a formação dos catequistas e também auxilie catequisandos. A série começa em janeiro de 2019 com postagens diárias. Peço que comentem.

Milton Cesar

Livro de Jonas (Círculo Bíblico – 4/4)

Círculo Bíblico: Livro de Jonas – 4/4

Este é o quarto de uma série de 4 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o Livro de Jonas. A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o Livro de Jonas (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja e ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia.

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)
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12 Profetas, conjunto de esculturas barrocas do artista Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, produzidas em pedra-sabão entre 1795 e 1805, em Minas Gerais. Este é o profeta Jonas no Santuário Bom Jesus de Matosinhos – MG

Capitulo 4 – A Lição de Jonas

“1.Jonas ficou profundamente indignado com isso e, muito irritado, dirigiu ao Senhor esta prece: Ah, Senhor, era bem isto que eu dizia quando estava ainda na minha terra! É por isso que eu tentei esquivar-me, fugindo para Társis, 2.porque sabia que sois um Deus clemente e misericordioso, de coração grande, de muita benignidade e compaixão pelos nossos males. 3.Agora, Senhor, toma a minha alma, porque me é melhor a morte que a vida. 4.O Senhor respondeu-lhe: (Julgas que) tens razão para te afligires assim? 5.Então saiu Jonas da cidade e fixou-se a oriente da mesma cidade. Fez uma cabana para si e lá permaneceu, à sombra, esperando para ver o que aconteceria à cidade. 6.O Senhor Deus fez crescer um pé de mamona, que se levantou acima de Jonas, para fazer sombra à sua cabeça e curá-lo de seu mau humor. Jonas alegrou-se grandemente com aquela mamoneira. 7.Mas, no dia seguinte, ao romper da manhã, mandou Deus um verme que roeu a raiz da mamona, e esta secou. 8.Quando o sol se levantou, Deus fez soprar um vento ardente do oriente, e o sol dardejou seus raios sobre a cabeça de Jonas, de forma que o profeta, desfalecido, desejou a morte, dizendo: Prefiro a morte à vida. 9.O Senhor disse a Jonas: (Julgas que) fazes bem em te irritares por causa de uma planta? Jonas respondeu: Sim, tenho razão de me irar até a morte. 10.Tiveste compaixão de um arbusto, replicou-lhe o Senhor, pelo qual nada fizeste, que não fizeste crescer, que nasceu numa noite e numa noite morreu. 11.E então, não hei de ter compaixão da grande cidade de Nínive, onde há mais de cento e vinte mil seres humanos, que não sabem discernir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda, e uma inumerável multidão de animais?…”
Jonas, 4 – Bíblia Católica Online

Jn-4

 

O que podemos refletir sobre isso

O livro de Jonas termina abruptamente. Mas uma coisa dá para se perceber, o profeta não fica contente com o desfecho. Lembra muito aquelas pessoas que gostam de “dar ordens a Deus” (tenho medo destas pessoas) e julgam as outras pessoas com sentenças que parecem pragas, sentenças de dor e morte. Muitas vezes essas pessoas julgam por uma questão de religião e outras apenas por atitudes diferentes. Mas onde está a fé de cada um? Não é no coração? E quem conhece o coração de cada um? Deus e a própria pessoa!

Posso afirmar que Jonas não percebeu o grande milagre que operou guiado pelo próprio Deus, salvou cerca de 150 mil habitantes que viviam na cidade na época (3 vezes mais o número de habitantes de Babilônia). Ele não entendeu que Deus sinalizava que estava ali para todos e não apenas para um séquito de pessoas. Hoje vemos muito isso: pessoas de certas igrejas ou até mesmo de certos grupos na própria igreja julgarem que a salvação chegará apenas para elas, deveriam ler mais cuidadosamente o Livro de Jonas e perceber que Deus quer salvar a todos.

No final do livro de Jonas, não ficamos sabendo o que aconteceu com ele. Será que o motivo é para que nós escrevamos o final com a nossa própria vida?

Segundo o Livro de Jonas, os habitantes de Nínive (e povoados dependentes) mais dados à superstição e ao temor das divindades, teriam mostrado-se arrependidos de sua conduta sanguinária fazendo jejum e vestidos de sacos sarapilheira. Jonas se mostra desgostoso pela não destruição de Nínive e acaba por ser repreendido por isso.

Cerca de cem anos depois, Naum, profeta israelita do Antigo Testamento, avisa que Nínive será destruída. Interessante ver como o tempo muda as coisas e uma nova geração de pessoas volta a cometer os mesmos erros.

Milton Cesar

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Nínive era a florescente capital do império Assírio (2Reis 19,36); e foi, ostensivamente, a casa do Rei Senaqueribe, Rei da Assíria, durante o reinado bíblico do rei Ezequias e da carreira profética de Isaías. De acordo com as escrituras, Nínive foi também o lugar onde Senaqueribe morreu nas mãos de seus dois filhos,após derrota de seu numeroso exercito(segundo a bíblia por apenas um anjo enviado por Deus [2Cr 32,21] seus filhos fugiram para a terra de Ararate. O livro do profeta Naum é quase exclusivamente uma coleta de denúncias e profecias contra essa cidade.

Quem foi Jonas

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Santuário Bom Jesus de Matosinhos – MG – Brasil

 

Jonas (do hebraico יוֹנָה [Yonah]; em latim Ionas) foi, segundo a Bíblia, um profeta israelita da Tribo de Zebulom, filho de Amitai, natural de Gete-Héfer. Profetizou durante o reinado de Jeroboão II, Rei de Israel Setentrional. (II Reis 14:25; Jonas 1:1) Crê-se que tenha sido o escritor do livro bíblico do Antigo Testamento que leva o seu nome.

O Livro de Jonas é um livro profético e faz parte dos chamados profetas menores, mas isso não quer dizer que ele tenha menos importância que os demais, trata-se sim do tamanho do livro. Por exemplo o Livro de Jonas tem apenas 4 capítulos já o livro de Isaías tem 66 capítulos e este pertence ao grupo dos profetas maiores.

 

 

CATEQUESE do Papa Francisco
Sala Paulo VI – Vaticano
Quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Boletim da Santa Sé
Tradução livre: Jéssica Marçal

Queridos irmãos e irmãs, bom dia,

Na Sagrada Escritura, entre os profetas de Israel, aparece uma figura um pouco anormal, um profeta que tenta escapar do chamado do Senhor rejeitando colocar-se a serviço do plano divino da salvação. Trata-se do profeta Jonas, de quem se narra a história em um pequeno livro de apenas quatro capítulos, uma espécie de parábola portadora de um grande ensinamento, aquele da misericórdia de Deus que perdoa.

Jonas é um profeta “em saída” e também um profeta em fuga! É um profeta em saída que Deus envia “à periferia”, em Nínive, para converter os moradores daquela grande cidade. Mas Nínive, para um israelita como Jonas, representava uma realidade ameaçadora, o inimigo que colocava em perigo a própria Jerusalém e, portanto, a destruir, não a salvar. Por isso, quando Deus manda Jonas para rezar naquela cidade, o profeta, que conhece a bondade do Senhor e o seu desejo de perdoar, procura escapar da sua tarefa e foge.

Durante a sua fuga, o profeta entra em contato com alguns pagãos, os marinheiros do navio no qual ele embarcou para se afastar de Deus e da sua missão. E foge para longe, porque Nínive ficava na região do Iraque e ele foge para a Espanha, foge sério. E é justamente o comportamento daqueles homens pagãos, como depois será dos moradores de Nínive, que nos permite hoje refletir um pouco sobre esperança que, diante do perigo e da morte, se exprime em oração.

De fato, durante a travessia do mar, surge uma tremenda tempestade, e Jonas desce para o porão do navio e se abandona ao sono. Os marinheiros, em vez disso, vendo-se perdidos, “invocaram cada um o próprio deus”: eram pagãos (Jn 1, 5). O capitão do navio acorda Jonas dizendo-lhe: “O que fazes dormindo? Levanta-te, invoca o teu Deus! Talvez Deus vai pensar em nós e não pereceremos” (Jn 1, 6).

A reação destes “pagãos” é a justa reação diante da morte, diante do perigo; porque é então que o homem faz completa experiência da própria fragilidade e da própria necessidade de salvação. O instintivo horror de morrer desperta a necessidade de esperar no Deus da vida. “Talvez Deus pensará em nós e não pereceremos”: são as palavras da esperança que se torna oração, aquela súplica cheia de angústia que sai dos lábios do homem diante de um iminente perigo de morte.

Muito facilmente nós desdenhamos o dirigir-se a Deus na necessidade como se fosse apenas uma oração interessada, e por isso imperfeita. Mas Deus conhece a nossa fraqueza, sabe que nos recordamos Dele para pedir ajuda, e com o sorriso indulgente de um pai, Deus responde com benevolência.

Quando Jonas, reconhecendo as próprias responsabilidades, se joga ao mar para salvar os seus companheiros de viagem, a tempestade se acalma. A morte iminente levou aqueles homens pagãos à oração, fez com que o profeta, apesar de tudo, vivesse a própria vocação a serviço dos outros aceitando sacrificar-se por eles, e agora conduz os sobreviventes ao reconhecimento do verdadeiro Senhor e ao louvor. Os marinheiros, que tinham rezado com medo dirigindo-se aos seus deuses, agora, com sincero temor do Senhor, reconhecem o verdadeiro Deus e oferecem sacrifícios e votos. A esperança que os tinha induzido a rezar para não morrer, se revela ainda mais poderosa e trabalha uma realidade que vai também além do que eles esperavam: não somente não perecem na tempestade, mas se abrem ao reconhecimento do verdadeiro e único Senhor do céu e da terra.

Sucessivamente, também os moradores de Nínive, diante da perspectiva de serem destruídos, rezarão, movidos pela esperança no perdão de Deus. Farão penitência, invocarão o Senhor e se converterão a Ele, a começar pelo rei que, como o capitão do navio, dá voz à esperança dizendo: “Quem sabe Deus se arrependerá […] e deixará de nos perder!” (Jn 3, 9). Também para eles, como para a tripulação na tempestade, ter enfrentado a morte e ter saído salvos os levou à verdade. Assim, sob a misericórdia divina e ainda mais à luz do mistério pascal, a morte pode se tornar, como foi para São Francisco de Assis, “nossa irmã morte” e representar, para cada homem e para cada um de nós, a surpreendente ocasião de conhecer a esperança e de encontrar o Senhor. Que o Senhor nos faça entender essa relação entre oração e esperança. A oração te leva adiante na esperança e quando as coisas se tornam escuras, é preciso mais oração! E haverá mais esperança. Obrigado. 

Radicais islâmicos destroem tumba do profeta Jonas em 2014

Jornal Correio do Vale -26/07/2014

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O grupo radical Estado Islâmico (EL), que domina partes do Iraque e da Síria, destruiu na quinta-feira uma mesquita histórica em Mosul, no norte do Iraque, segundo residentes. O local é sagrado por abrigar a tumba do profeta Jonas, que foi engolido por uma baleia nas tradições islâmicas e judaico-cristã. A mesquita foi construída sobre um sítio arqueológico do século 8 a.C.

Os militantes do EI alegaram que o local era usado para apostasia e não para oração. O EI já explodiu outros locais sagrados sunitas em Mosul. No mês passado, destruiu sete lugares de culto xiita na cidade de Tal Afar, segundo a Human Rights Watch. O EI criou um califado (Estado islâmico) nas áreas que domina nos dois países, impondo as leis segundo determina a tradição islâmica. Em Mosul, o grupo tem advertido as mulheres de que agora são obrigadas a usar véus que cubram todo o rosto, do contrário sofrerão severas punições.

fonte: Jornal Correio do Vale -26/07/2014

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Como era o local

 

 

Livro de Jonas (Círculo Bíblico 3/4)

Círculo Bíblico: Livro de Jonas – 3/4

Este é o terceiro de uma série de 4 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o Livro de Jonas. A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o Livro de Jonas (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja e ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia.

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

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Capítulo 3: Pregação e Conversão

“1.A palavra do Senhor foi dirigida pela segunda vez a Jonas nestes termos: 2.Vai a Nínive, a grande cidade, e faze-lhe conhecer a mensagem que te ordenei. 3.Jonas pôs-se a caminho e foi a Nínive, segundo a ordem do Senhor. Nínive era, diante de Deus, uma grande cidade: eram precisos três dias para percorrê-la. 4.Jonas foi pela cidade durante todo um dia, pregando: Daqui a quarenta dias Nínive será destruída. 5.Os ninivitas creram (nessa mensagem) de Deus, e proclamaram um jejum, vestindo-se de sacos desde o maior até o menor. 6.A notícia chegou ao conhecimento do rei de Nínive; ele levantou-se do seu trono, tirou o manto, cobriu-se de saco e sentou-se sobre a cinza. 7.Em seguida, foi publicado pela cidade, por ordem do rei e dos príncipes, este decreto: Fica proibido aos homens e aos animais, tanto do gado maior como do menor, comer o que quer que seja, assim como pastar ou beber. 8.Homens e animais se cobrirão de sacos. Todos clamem a Deus, em alta voz; deixe cada um o seu mau caminho e converta-se da violência que há em suas mãos. 9.Quem sabe, Deus se arrependerá, acalmará o ardor de sua cólera e deixará de nos perder! 10.Diante de uma tal atitude, vendo como renunciavam aos seus maus caminhos, Deus arrependeu-se do mal que resolvera fazer-lhes, e não o executou.”
Jonas, 3 – Bíblia Católica Online

O que podemos refletir sobre isso

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Padre Roger Araújo da Comunidade Canção Nova escreve em sua homilia da quaresma de 2014: “Nos dias de hoje, nós precisamos ser como Jonas e pregar nas cidades, nos bairros, nas igrejas, nos povoados, onde o pecado e a resistência à Palavra de Deus acontecem e dizer às pessoas que a salvação não é para um grupo apenas, não é apenas para as pessoas que estão na Igreja, que frequentam a igreja. Não, a salvação de Deus é para todos nós! Assim como a pregação de Jonas foi eficaz e o povo deixou os pecados para se voltar para Deus, a nossa pregação também precisa ser eficaz, pregação que vai com exemplo de vida e que aponta para os outros que a salvação está em Jesus. …assim como o povo de Nínive viveu quarenta dias de penitência, nós somos chamados a viver a penitência não só por nós, pela nossa conversão; pela conversão da nossa casa, da nossa família, da nossa penitência, o nosso jejum, mas sim pelos outros. Os nossos atos de misericórdia devem ser para atingir tantos outros que estão longe dos caminhos do Senhor. Tantos que vivem nas “Nínives” da vida em busca de um sentido para a própria vida. A nossa oração e a nossa penitência devem alcançar a todos quantos for possível!”

Interessante que o número 40 aparece aqui (como em muitas outras oportunidades nos livros bíblicos) e demonstra que a oração incessante e a conversão é muito eficaz. Mais interessante ainda é ver que o povo de Nínive aceitou a pregação de Jonas com mais facilidade do que ele próprio quando recebeu sua missão. Devemos sempre acreditar que nada é impossível para Deus. Tem pessoas que evitam fazer algo pela comunidade pois se sentem derrotados antes mesmo da batalha começar.

Milton Cesar

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Quem foi Jonas

Jonas (do hebraico יוֹנָה [Yonah]; em latim Ionas) foi, segundo a Bíblia, um profeta israelita da Tribo de Zebulom, filho de Amitai, natural de Gete-Héfer. Profetizou durante o reinado de Jeroboão II, Rei de Israel Setentrional. (II Reis 14:25; Jonas 1:1) Crê-se que tenha sido o escritor do livro bíblico do Antigo Testamento que leva o seu nome.

O Livro de Jonas é um livro profético e faz parte dos chamados profetas menores, mas isso não quer dizer que ele tenha menos importância que os demais, trata-se sim do tamanho do livro. Por exemplo o Livro de Jonas tem apenas 4 capítulos já o livro de Isaías tem 66 capítulos e este pertence ao grupo dos profetas maiores.

”Com efeito, assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim também será o Filho do Homem para esta geração” (Lucas 11,30).

 

Livro de Jonas (Círculo Bíblico – 2/4)

Círculo Bíblico: Livro de Jonas – 2/4

Este é o segundo de uma série de 4 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o Livro de Jonas. A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o Livro de Jonas (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja e ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia.

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

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Capítulo 2 – O Peixe

“1.O Senhor fez que ali se encontrasse um grande peixe para engolir Jonas, e este esteve três dias e três noites no ventre do peixe. 2.Do fundo das entranhas do peixe, Jonas fez esta prece ao Senhor, seu Deus: 3.Em minha aflição, invoquei o Senhor, e ele ouviu-me. Do meio da morada dos mortos, clamei a vós, e ouvistes minha voz. 4.Lançastes-me no abismo, no meio das águas e as ondas me envolviam. Todas as vossas vagas e todas as vossas ondas passavam sobre mim. 5.E eu já dizia: fui rejeitado de diante de vossos olhos. Acaso me será dado ainda rever vosso santo templo?! 6.As águas envolviam-me até a garganta, o abismo me cercava. As algas envolviam-me a cabeça. 7.Eu tinha descido até as raízes das montanhas, até a terra cujos ferrolhos eternos (se fecharam) sobre mim. 8.Quando desfalecia a minha vida, pensei no Senhor; minha oração chegou a vós, no vosso santo templo. 9.Os que servem a ídolos vãos abandonam a fonte das graças. 10.Eu, porém, oferecerei um sacrifício com cânticos de louvor, e cumprirei o voto que fiz. Do Senhor vem a salvação. 11.Então o Senhor ordenou ao peixe, e este vomitou Jonas na praia.”
Jonas, 2 – Bíblia Católica Online

O podemos refletir sobre isso

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A fuga de Jonas durou pouco, perto do que ele planejava. Logo quando caiu no mar aberto, pensou que morreria afogado, e dá para se imaginar o desespero ainda maior quando um peixe (a Bíblia não diz qual peixe, mas por convenção ficou uma como sendo uma baleia já que é o único ser possível e conhecido, capaz de engolir um homem inteiro no mar sem mastigá-lo, apesar de ser um mamífero marinho e não um peixe) o engole e ele fica por dias e noites achando que logo estaria morto. É o famoso sair da frigideira e cair no fogo.

Infelizmente Jonas só aceita o amor de Deus no momento de desespero. Assim como muitas pessoas que só entendem o verdadeiro significado de se estar na presença de Deus nos piores momentos da sua vida. Existe uma frase que diz: “Você vai para Deus pelo amor ou pela dor. ” – pena que tanta gente só encontra o amor de Deus pela dor. Por isso vemos tantas pessoas dizendo que “encontraram Jesus” ou “aceitaram a Jesus”, na verdade o amor de Jesus sempre esteve ali, mas nos momentos de alegria, muita gente não enxerga isso, já na dor, no desespero esse amor é mais fácil de se ver. Jonas é um destes. Apesar de ter ouvido o chamado de Deus, ele finge-se de surdo e tenta fugir. Mas quando enfrenta a morte por duas vezes ele finalmente se converte.

Uma boa reflexão seria cada um responder: Quando foi que você se converteu? Lembra-se como e porque?

Não é para julgar, mas para entendermos como funciona os desígnios de Deus

Milton Cesar

Quem foi Jonas

Jonas (do hebraico יוֹנָה [Yonah]; em latim Ionas) foi, segundo a Bíblia, um profeta israelita da Tribo de Zebulom, filho de Amitai, natural de Gete-Héfer. Profetizou durante o reinado de Jeroboão II, Rei de Israel Setentrional. (II Reis 14:25; Jonas 1:1) Crê-se que tenha sido o escritor do livro bíblico do Antigo Testamento que leva o seu nome.

O Livro de Jonas é um livro profético e faz parte dos chamados profetas menores, mas isso não quer dizer que ele tenha menos importância que os demais, trata-se sim do tamanho do livro. Por exemplo o Livro de Jonas tem apenas 4 capítulos já o livro de Isaías tem 66 capítulos e este pertence ao grupo dos profetas maiores.

”Com efeito, assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim também será o Filho do Homem para esta geração” (Lucas 11,30).

 

Livro de Jonas (Círculo Bíblico – 1/4)

Círculo Bíblico: Livro de Jonas – 1/4

Este é o primeiro de uma série de 4 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o Livro de Jonas. A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o Livro de Jonas (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja e ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia.

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

Quem foi Jonas

Jonas (do hebraico יוֹנָה [Yonah]; em latim Ionas) foi, segundo a Bíblia, um profeta israelita da Tribo de Zebulom, filho de Amitai, natural de Gete-Héfer. Profetizou durante o reinado de Jeroboão II, Rei de Israel Setentrional. (II Reis 14:25; Jonas 1:1) Crê-se que tenha sido o escritor do livro bíblico do Antigo Testamento que leva o seu nome.

O Livro de Jonas é um livro profético e faz parte dos chamados profetas menores, mas isso não quer dizer que ele tenha menos importância que os demais, trata-se sim do tamanho do livro. Por exemplo o Livro de Jonas tem apenas 4 capítulos já o livro de Isaías tem 66 capítulos e este pertence ao grupo dos profetas maiores.

”Com efeito, assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim também será o Filho do Homem para esta geração” (Lucas 11,30).

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Capitulo 1 – A Fuga de Jonas

O livro de Jonas é além de um ensinamento poderoso, uma grande aventura também.

PROFECIA DE JONAS – A FUGA
1. A palavra do Senhor veio a Jonas, filho de Amati: 2. “Levanta-te! Vai a Nínive, aquela grande cidade, e denuncia suas injustiças, que chegaram à minha presença”.3. Jonas partiu então, mas com a intenção de escapar da presença do Senhor, fugindo para Tarsis. Desceu até Jope, onde encontrou um navio que estava de partida para lá. Pagou a passagem e embarcou, para tentar escapar da presença do Senhor. 4. Mas o Senhor mandou sobre o mar um vento forte que provocou grande agitação com ondas violentas que, parecia, iam arrebentar o navio. 5. Os marinheiros ficaram com medo e puseram-se a orar, cada qual ao próprio deus. Jogaram ao mar a carga que o navio transportava, a fim de aliviar-lhe o peso. Jonas tinha descido ao porão e, deitado, dormia a sono solto. 6. Indo até onde ele estava, o capitão disse-lhe: “Como podes estar dormindo? Levanta-te! Ora ao teu deus! Quem sabe ele se lembra de nós e não nos deixa morrer!” 7. Depois disseram uns aos outros: “Vamos tirar a sorte para ver quem é o culpado dessa desgraça que está nos acontecendo!” Tiraram a sorte, que caiu sobre Jonas. 8. Disseram-lhe, então: “Dize-nos porque nos aconteceu essa desgraça! Qual é a tua profissão? De onde vens? Qual a tua terra? Qual a tua gente?” 9. Jonas respondeu: “Sou hebreu. Adoro o Senhor, o Deus do céu e da terra, aquele que fez o mar e a terra firme”.10. Os homens ficaram muito assustados e disseram: “Mas por que fizeste isso?” Eles entenderam que Jonas estava fugindo da presença do Senhor, pois ele próprio lhes havia contado tudo. 11. Disseram-lhe: “Que vamos fazer contigo para o mar se acalmar?” O mar estava cada vez mais agitado. 12. Jonas respondeu: “Vamos! Atirai-me ao mar e ele ficará todo calmo ao vosso derredor, porque eu sei que foi por minha causa que vos veio tão forte temporal”. 13.Tentaram remar para se aproximarem de terra firme, mas não conseguiam porque o mar estava ficando cada vez mais agitado, o vento soprando em sentido contrário. 14. Clamaram, pois, ao Senhor: “Ah! Senhor, não queremos perder a vida junto com este homem! Não faças cair sobre nós um castigo indevido. Tu és o Senhor e fazes tudo o que queres”.15.Pegaram Jonas e o atiraram fora do navio. Imediatamente o mar se acalmou. 16.Aqueles homens passaram a temer muito ao Senhor, oferecendo-lhe sacrifícios e fazendo-lhe promessas.

Jonas é chamado por Deus para converter uma cidade onde o pecado estava instalado. Era uma mensagem do Criador para que todos pudessem ser salvos, porém Jonas tenta fugir, mas não consegue.

O Papa Francisco escreve em sua catequese de janeiro de 2017: “Jonas é um profeta “em saída” e também um profeta em fuga! É um profeta em saída que Deus envia “à periferia”, em Nínive, para converter os moradores daquela grande cidade. Mas Nínive, para um israelita como Jonas, representava uma realidade ameaçadora, o inimigo que colocava em perigo a própria Jerusalém e, portanto, a destruir, não a salvar. Por isso, quando Deus manda Jonas para rezar naquela cidade, o profeta, que conhece a bondade do Senhor e o seu desejo de perdoar, procura escapar da sua tarefa e foge. Durante a sua fuga, o profeta entra em contato com alguns pagãos, os marinheiros do navio no qual ele embarcou para se afastar de Deus e da sua missão. E foge para longe, porque Nínive ficava na região do Iraque e ele foge para a Espanha, foge sério. E é justamente o comportamento daqueles homens pagãos, como depois será dos moradores de Nínive, que nos permite hoje refletir um pouco sobre esperança que, diante do perigo e da morte, se exprime em oração.

De fato, durante a travessia do mar, surge uma tremenda tempestade, e Jonas desce para o porão do navio e se abandona ao sono. Os marinheiros, em vez disso, vendo-se perdidos, “invocaram cada um o próprio deus”: eram pagãos (Jn 1, 5). O capitão do navio acorda Jonas dizendo-lhe: “O que fazes dormindo? Levanta-te, invoca o teu Deus! Talvez Deus vai pensar em nós e não pereceremos” (Jn 1, 6).

A reação destes “pagãos” é a justa reação diante da morte, diante do perigo; porque é então que o homem faz completa experiência da própria fragilidade e da própria necessidade de salvação. O instintivo horror de morrer desperta a necessidade de esperar no Deus da vida. “Talvez Deus pensará em nós e não pereceremos”: são as palavras da esperança que se torna oração, aquela súplica cheia de angústia que sai dos lábios do homem diante de um iminente perigo de morte.

Muito facilmente nós desdenhamos o dirigir-se a Deus na necessidade como se fosse apenas uma oração interessada, e por isso imperfeita. Mas Deus conhece a nossa fraqueza, sabe que nos recordamos Dele para pedir ajuda, e com o sorriso indulgente de um pai, Deus responde com benevolência.

Quando Jonas, reconhecendo as próprias responsabilidades, se joga ao mar para salvar os seus companheiros de viagem, a tempestade se acalma. A morte iminente levou aqueles homens pagãos à oração, fez com que o profeta, apesar de tudo, vivesse a própria vocação a serviço dos outros aceitando sacrificar-se por eles, e agora conduz os sobreviventes ao reconhecimento do verdadeiro Senhor e ao louvor. Os marinheiros, que tinham rezado com medo dirigindo-se aos seus deuses, agora, com sincero temor do Senhor, reconhecem o verdadeiro Deus e oferecem sacrifícios e votos. A esperança que os tinha induzido a rezar para não morrer, se revela ainda mais poderosa e trabalha uma realidade que vai também além do que eles esperavam: não somente não perecem na tempestade, mas se abrem ao reconhecimento do verdadeiro e único Senhor do céu e da terra.”

Ensinamento

Jonas é um dos ápices do ensinamento do Antigo Testamento. Ele rompe até mesmo com os ensinamentos clássicos dos profetas, mostrando que as ameaças de Deus, na verdade, são expressões de uma vontade misericordiosa, que só espera a manifestação do arrependimento para dispensar o perdão. Deus quer a conversão.

Além disso, outro elemento importante é o universalismo. Os personagens pagãos (marinheiros, rei assírio, até os animais de Nínive) são bem vistos; o inimigo mais terrível de Israel (a Assíria destruiu a Samaria!) entra nos planos de Deus. Deus não é só dos judeus, mas também dos pagãos!

Qual reflexão podemos ter deste capitulo?

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Muitas vezes insistimos em não ouvir a vontade de Deus, e não atendemos seu chamado. Na comunidade de fé, algumas pastorais estão sempre lotadas de voluntários e outras não. Será que todos realmente estão escutando a voz de Deus e se pondo em missão ou estão apenas onde acham mais fácil? Lembre-se que seguir a Deus nem sempre é pelo caminho fácil. Vejo muitas paróquias formadas de muitas comunidades, e algumas destas comunidades com muita dificuldade de achar voluntários para o trabalho, enquanto outras já mais estabelecidas com pessoas se acotovelando para o serviço. É valido isso? Sim e não. Sim porque é trabalhar para Deus de qualquer forma, Não, porque é preciso socorrer a todos. A messe é grande e precisa de operários.

Milton Cesar

Onde fica Nínive

Foi uma cidade muito importante do Império Assírio. Foi destruída em 612 antes de Cristo. Ficava às margens do rio Tigre, na região norte da Mesopotâmia, no atual Iraque. A imagem acima mostra claramente onde estava a cidade. Uma “cidade excessivamente grande”, como é chamada no Livro de Jonas, jazia na margem oriental do rio Tigre, na antiga Assíria. Nínive (Ninawa) era um grande amontado de vários vilarejos ao longo do rio tigre. Onde atualmente existe a cidade moderna de Mossul, no estado de Ninawa do Iraque.

Onde fica Társis

Uma cidade do Leste, na costa do Oceano Índico, com base em que navios de Társis saíram de Eziongeber, no Mar Vermelho. Cartago. Um porto fenício na Espanha, localizado entre as duas bocas do rio Guadalquivir. Esta era a localização destino do navio que levou o profeta Jonas, quando ele navegou de Jope.

Onde fica Jope

A cidade bíblica de Jope é hoje conhecida como Jaffa. Este foi o principal porto da costa antes de os israelitas construírem os portos de Haifa e Ashdod. A moderna cidade de Tel Aviv foi fundada nos arredores de Jafa em 1909 e hoje abrange a antiga cidade. Tel Aviv significa ” Colina da Primavera” e mantém o mesmo nome que tinha a cidade durante o período do exílio em Babilônia (Ez 3:15). Hoje a área de Tel Aviv é a maior área metropolitana em Israel. É uma antiga cidade portuária de Israel, tida como uma das mais antigas do mundo. A partir de 1950, Jaffa foi incorporada a Tel Aviv, formando uma única municipalidade e, por esta razão, a cidade israelense leva o nome oficial de Tel Aviv-Yafo.

 

 

Quando Jesus te toca mais uma vez

Reflexão

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Não sou um jovem de idade, sou aquilo que eu mesmo costumo chamar “jovem a mais tempo”. Já vivi muitas experiências na igreja. Já fui catequista, coordenador de Grupo de Jovens, coordenador de comunidade, coordenador da Pastoral do Dízimo e Ministro da Palavra e Eucaristia. Lá se foram 20 anos da minha vida. Hoje sou até mais importante, sou um fiel católico que vai nas missas e grupos de oração  (confesso que até queria ir mais).

A um mês atrás fui convidado por uma das pessoas mais importantes na minha vida, a participar de um evento chamado Summer Beats DNJ 2018 (DNJ de Dia Nacional da Juventude) em São Paulo. Fomos com todas as dificuldades que tentam te tirar do seu intento.

Chegamos relativamente cedo e ao longo do dia (de um calor intenso e depois a noite de um frio maior ainda) o evento foi ficando lotado de jovens. Não sei, mas acredito que tinha umas cem mil pessoas, na sua maioria jovens.católicos. Bandas fizerem shows, o Cardeal Dom Odílio Scherer celebrou a missa, tinha o Santíssimo exposto e um espaço para confissão.

Eu fui pouco a pouco sendo tocado por Jesus novamente.

Porquê digo novamente ?

Porque por vezes as agruras da vida te fazem seguir no automático. Você ama a Deus mas já não fala isso, pois ele sabe. Mas como você pode falar: Eu te amo Jesus? – apenas na sua oração e no seu agir. Ir na igreja é apenas um ponto disso tudo. Num casamento muitas vezes o casal vai se esquecendo de afirmar o amor, perde aquele momento de dizer Eu Te Amo e com o tempo as dúvidas e o desgaste aparecem. É preciso e saudável sempre mostrar-se apaixonado.

Com Jesus é a mesma coisa. Não que Ele cobre, mas é para que não fiquemos no automático. Uma oração sempre repetida não tem emoção e acaba ficando apenas pragmática e sem sentido.

Pois bem, quando eu participei deste evento (dia 16 de setembro de 2018) eu senti novamente o fogo do Espírito Santo me queimando. Mais uma vez senti o toque de Jesus.

Devo confessar que tenho dedicado meu tempo a muitas coisas, sendo uma delas produzir e dividir o conteúdo neste blog, mas faltava alguma coisa. Sinceramente esse sentimento toma conta de mim desde aquele dia. Eu não dormi quando cheguei às 23h30min, e estou com algo ardendo no meu peito. Uma necessidade tremenda de fazer mais pela minha fé. Uma renovação de forças.

Talvez estar cercado de tanta energia jovem tenha me feito sentir o que tenho sentido. Queimar ao sol e depois congelar no frio de São Paulo me fez ver algo que a muito tempo eu não via: Como é lindo ser de Jesus.

Eu estou compartilhando esta emoção apenas por entender que muitas vezes o que precisamos é uma nova perspectiva do que fazemos ou cremos. Estamos sim sendo fiéis, acompanhando e vivendo a vida da igreja, na nossa comunidade, mas é muito importante também vivenciarmos novas experiências. De verdade fiquei muito emocionado com o que vivi. Muito emocionado acompanhando o show da banda Adoração e Vida e da Comunidade Colo de Deus, mas o principal é saber que fui novamente tocado por Jesus.

O que virá em seguida?

Com certeza algo bom vai acontecer nesta minha renovação de fé.

Mas fica a experiência e a dica:

Devemos sempre estar atentos para os sinais de Deus, as oportunidades de entender a nossa própria fé, nossos limites, emoções e todo o nosso amor. Porque assim são aqueles que acreditam em Jesus, que vivem da graça. Viver uma rotina, esquecendo de que o que nos move sempre é o fogo do Espírito Santo e este não para.

Paz e bem da parte do Senhor Jesus

Milton Cesar

Te chamam de Deus e de Senhor
Te chamam de Rei, de SalvadorE eu me atrevo a Te chamar de meu AmorTe chamam de Deus e de Senhor
Te chamam de Rei, de Salvador
E eu me atrevo a Te chamar de meu Amor

Yeshua, Yeshua
Tu és tão lindo
Que eu nem sei me expressar
Yeshua, Tu és tão lindo

Atos dos Apóstolos (Círculo Bíblico – 10/10)

Círculo Bíblico: Atos dos Apóstolos – Encontro 10/10

Este é o décimo (e último) de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o livro dos Atos dos Apóstolos. A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o livro dos Atos dos Apóstolos (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja e ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia.

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

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Um milagre em meio a tempestade

At 27, 1 – 44

Atos 27 inicia o relato da última viagem de Paulo para Roma saindo de Cesareia Marítima, onde foi julgado e apelou para César. O grupo, que era liderado por “Júlio, um centurião” e tinha também Aristarco de Tessalônica, embarcou num navio de Adramício que seguia para a Ásia Menor e passou por Sidon, onde Paulo recebeu autorização para visitar seus amigos. Passaram ainda por Chipre e costearam a Cilícia e a Panfília terminando finalmente em Mira, na Lícia. Dali mudaram para um navio de Alexandria que seguia para a Itália romana. Sem sorte com os ventos, a embarcação chegou com dificuldade até Cnido e seguiu para Creta até chegar «a um lugar chamado Bons Portos, perto do qual estava a cidade de Laseia.

Depois de esperarem muito tempo, Paulo profetizou o naufrágio que se sucederia mais adiante: “Senhores, vejo que a viagem vai ser com avaria e muita perda, não somente da carga e do navio, mas também das nossas vidas.” (At 27, 10). Mas ninguém desejava passar o inverno em Laseia e decidiram então seguir para Fenícia, em Creta, com duzentas e setenta e seis pessoas a bordo (At 27,37).

Na costa de Creta, a embarcação de Paulo enfrentou uma enorme tempestade que duraria vários dias. À deriva e passando por diversos lugares, a tripulação começou a jogar ao mar mantimentos e até mesmo os aparelhos náuticos que precisavam até que, afinal, perderam “toda a esperança de sermos salvos” (At 27,12-20). Temendo que perdessem a coragem, Paulo contou-lhes sobre a visão que teve e profetizou: Desde muito tempo ninguém havia comido nada. Paulo levantou-se no meio deles e disse: Amigos, deveras devíeis ter-me atendido e não ter saído de Creta, e assim evitar esse perigo e essas perdas. 22.Agora, porém, vos admoesto a que tenhais coragem, pois não perecerá nenhum de vós, mas somente o navio. 23.Esta noite apareceu-me um anjo de Deus, a quem pertenço e a quem sirvo, o qual me disse: 24.Não temas, Paulo. É necessário que compareças diante de César. Deus deu-te todos os que navegam contigo. 25.Por isso, amigos, coragem! Eu confio em Deus que há de acontecer como me foi dito. 26.Vamos dar a uma ilha.” Atos dos Apóstolos, 27 – Bíblia Católica Online

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Depois de quatorze dias no mar, alguns marinheiros tentaram fugir, mas Paulo alertou que se o fizessem, todos morreriam e o centurião os impediu lançando o bote do navio ao mar. Na manhã seguinte, Paulo pediu que todos se alimentassem, pois estavam este tempo todo sem comer e reafirmou que “nenhum de vós perderá um só cabelo da cabeça”: ““Tendo dito isso, tomou do pão, pronunciou uma bênção na presença de todos e, depois de parti-lo, começou a comer. 36.Com isso, todos cobraram ânimo e puseram-se igualmente a comer. 37.No navio éramos ao todo duzentas e setenta e seis pessoas. 38.Depois de terem comido à vontade, aliviaram o navio, atirando o trigo ao mar”
Atos dos Apóstolos, 27 – Bíblia Católica Online

Na manhã seguinte, chegaram numa praia. O centurião, desejando poupar Paulo, impediu que os guardas matassem os prisioneiros e ordenou que todos se lançassem ao mar em direção da praia, uns nadando e outros segurando em tábuas e destroços. Todos se salvaram

É interessante notar como Lucas faz um paralelo entre esta viagem de Paulo num navio, com a viagem de Jesus em companhia dos discípulos. Ambos correm risco de morte e ambos se viram às voltas com uma tempestade. Claro que Lucas não quis demonstrar ou fazer uma equiparação de Paulo com Jesus, mas ele mostra que o apóstolo também está agindo pela graça e em nome de Jesus. Enquanto o mestre acalma a tempestade, Paulo consegue fazer com que todos os tripulantes da embarcação se salvem ao clamar a Deus.

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Trecho de Atos 28 no Codex Alexandrinus

Depois de descobrir que a ilha onde naufragara se chamava Malta, Paulo se juntou aos nativos e acendeu uma fogueira. Uma víbora o mordeu, mas nada de mal lhe aconteceu e os nativos começaram a imaginar se ele seria um deus. No dia seguinte, Paulo seguiu até as terras de Públio, que os hospedou por três dias, período no qual aproveitou para curar o pai dele, que estava com “febre e disenteria”. A fama de Paulo se espalhou e ele realizou muitas curas na ilha, na qual ficou por três meses. Paulo partiu num navio de Alexandria , o qual tinha por insígnia Castor e Pólux em direção a Siracusa, na Sicília. Dali, foram costeando até chegar em Régio da Calábria, já no continente italiano, depois Poteoli e finalmente Roma.

Depois de três dias, Paulo convocou os mais importantes entre os judeus da cidade e novamente defendeu sua inocência. Afirmou ter sido preso pelos romanos a pedido dos sacerdotes em Jerusalém, mas eles queriam soltá-lo por não haver em mim crime algum que merecesse morte. Impedidos de fazê-lo pelos judeus, Paulo contou que foi obrigado a apelar a César, dado que era um cidadão romano. Terminou dizendo que nada tinha para acusar seu povo perante o imperador. Os judeus, que afirmaram nada saber sobre Paulo por não terem recebidos notícias da Judeia, pediram que Paulo lhes falasse sobre os cristãos.

No dia combinado, muitos judeus foram à casa de Paulo para ouvi-lo pregar sobre Jesus, seu reino e a Lei de Moisés. Nem todos se convenceram, mas, quando iam embora, Paulo lhes falou sobre a profecia de Isaías sobre os judeus (leia Isaías 6, 9-10) ““Vai, pois, dizer a esse povo, disse ele: Escutai, sem chegar a compreender, olhai, sem chegar a ver. 10.Obceca o coração desse povo, ensurdece-lhe os ouvidos, fecha-lhe os olhos, de modo que não veja nada com seus olhos, não ouça com seus ouvidos, não compreenda nada com seu espírito. E não se cure de novo.” Isaías, 6, 9-10 – Bíblia Católica Online

Os Atos dos Apóstolos terminam afirmando que Paulo viveu em Roma por mais dois anos e durante todo este tempo ensinou sobre o “as coisas concernentes ao Senhor Jesus Cristo”, sem informar o destino final de Paulo. Tradicionalmente acredita-se que ele tenha sido decapitado no mesmo dia que Pedro em Roma por ordens do imperador Nero que teria colocado fogo em Roma e acusado os cristãos.

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O polêmico Versículo 29?

O versículo 29: .[Havendo dito isso, saíram dali os judeus, discutindo animosamente entre si.]” Atos dos Apóstolos, 28, 29 – Bíblia Católica Online

Que aparece logo depois da profecia de Isaías, não aparece em todas as traduções da Bíblia para o português. Quando aparece, está entre chaves ou seguido de uma nota de rodapé. O motivo é que ele não aparece nos manuscritos mais antigos de Atos 28. Por exemplo: Na Bíblia Sagrada da Editora Ave Maria o versículo 29 está presente, já na Bíblia Sagrada – Edição Pastoral da Editora Paulus , ele é suprimido. A Bíblia Sagrada da CNBB simplesmente muda o capitulo 29 colocando o que seria o capitulo 30 e termina os Atos com o capitulo 30 (que seria originalmente o capítulo 30), ou seja capitulo 29 (seria o 30 na da Ave Maria) e o 30 (seria o 31). Nas versões da Bíblia do Peregrino e Bíblia de Jerusalém publicadas pela Paulus o versículo está lá entre chaves.

Refletindo

Chegamos ao final deste Círculo Bíblico, o que não significa que não possamos ler e reler o livro dos Atos dos Apóstolos. Como parte do ensinamento deste livro podemos ficar com a questão dos seus textos trazerem muito do que se enfrenta no dia a dia das comunidades católicas pelo mundo. Afinal a igreja é sempre Divina e Humana. Somos nós fiéis lutando para sermos mais santos aos olhos de Deus, mas para isso é necessário também uma mudança interior.

Ficam algumas questões pertinentes:

  1. A leitura serviu de quê?
  2. A nossa comunidade tem pontos em comum com as comunidades dos Atos?
  3. Conseguimos ser evangelizadores como Paulo, Pedro e os discípulos foram?
  4. O que fazer para sermos melhores na fé?
  5. Como foi a experiência desta vivência na fé do Círculo Bíblico?

Fiquem em paz

Milton Cesar

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São Pedro e São Paulo

Pedro, que tinha como primeiro nome Simão, era natural de Betsaida, irmão do Apóstolo André. Pescador, foi chamado pelo próprio Jesus e, deixando tudo, seguiu ao Mestre, estando presente nos momentos mais importantes da vida do Senhor, que lhe deu o nome de Pedro.

Em princípio, fraco na fé, chegou a negar Jesus durante o processo que culminaria em Sua morte por crucifixão. O próprio Senhor o confirmou na fé após Sua ressurreição (da qual o apóstolo foi testemunha), tornando-o intrépido pregador do Evangelho através da descida do Espírito Santo de Deus, no Dia de Pentecostes, o que o tornou líder da primeira comunidade. Pregou no Dia de Pentecostes e selou seu apostolado com o próprio sangue, pois foi martirizado em uma das perseguições aos cristãos, sendo crucificado de cabeça para baixo a seu próprio pedido, por não se julgar digno de morrer como seu Senhor, Jesus Cristo. Escreveu duas Epístolas e, provavelmente, foi a fonte de informações para que São Marcos escrevesse seu Evangelho.

Paulo, cujo nome antes da conversão era Saulo ou Saul, era natural de Tarso. Recebeu educação esmerada “aos pés de Gamaliel”, um dos grandes mestres da Lei na época. Tornou-se fariseu zeloso, a ponto de perseguir e aprisionar os cristãos, sendo responsável pela morte de muitos deles.

Converteu-se à fé cristã no caminho de Damasco, quando o próprio Senhor Ressuscitado lhe apareceu e o chamou para o apostolado. Recebeu o batismo do Espírito Santo e preparou-se para o ministério.

Tornou-se um grande missionário e doutrinador, fundando muitas comunidades. De perseguidor passou a perseguido, sofreu muito pela fé e foi coroado com o martírio, sofrendo morte por decapitação. Escreveu treze Epístolas e ficou conhecido como o “Apóstolo dos gentios”.

São Pedro e São Paulo, rogai por nós!

São Pedro e São Paulo, pequenos e grandes

Seus apóstolos e discípulos percorreram a mesma estrada. Simão Pedro, aquele que foi posto como referência para os demais, diante da pesca milagrosa, caiu de joelhos diante de Jesus, dizendo: “Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um pecador!” (cf. Lc 5,8-11). Pequeno e frágil tornou-se testemunha qualificada da Ressurreição do Senhor, mesmo depois de tê-lo negado três vezes. E, nós o vemos representado em sua festa, celebrada nestes dias, com as chaves nas mãos. Até hoje Seus sucessores trazem em sua missão o poder das chaves!

Ao seu lado, a Igreja comemora São Paulo, o Apóstolo das Gentes. Seu nome quer dizer “pequeno” e, reconhece-se assim, em narrativas de sua vocação: “Do evangelho eu fui feito ministro, pelo dom da graça que Deus me concedeu segundo a força de seu poder. A mim, o menor de todos os santos, foi concedida a graça de anunciar a todos a riqueza insondável de Cristo” (Ef 3,7-9). Nas coisas de Deus existe uma inversão total quando o pequeno e insignificante é feito grande pela graça!

A Igreja vai pelo caminho da pequenez

E, a Igreja, no seu conjunto anunciadora e servidora do Reino, vai pelo caminho da pequenez, enfrentando as vicissitudes da história, apanhando de todo lado, mas segura de que as portas do inferno não vão prevalecer. A todos os cristãos se dirige a Palavra do Senhor: “Buscai o Reino de Deus e a Sua justiça e, essas coisas vos serão dadas por acréscimo. Não tenhas medo, pequeno rebanho, pois foi do agrado do vosso Pai dar-vos o Reino” (cf. Lc 12,31-32). O mundo em que vivemos não é mais aquele da cristandade, com de maioria católica, respiramos a diversidade, com tudo o que pode ter de positivo e de negativo. E a Igreja se torna servidora de todos, testemunha da verdade do Reino de Deus, a Igreja do lava-pés, atenta de modo especial aos mais pobres, sofredores e pecadores.

Quando celebramos os Santos Pedro e Paulo, a Igreja pode oferecer, também, ao mundo a figura do sucessor de Pedro, no qual também o zelo missionário de Paulo se expressa de modo exemplar em nosso tempo. A grandeza daquele que se faz servo dos servos de Deus, sucessor de Pedro, o Papa Francisco, nos permite ouvir e praticar o que se segue: “Saiamos para oferecer a todos a vida de Jesus Cristo! Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças” (cf. Evangelii Gaudium, 49).

Trecho do texto de Dom Alberto Taveira Corrêa para Formação Canção Nova

O CAMINHO DA MISSÃO

 

Biblia-Manuscritos

Introdução

O livro dos Atos dos Apóstolos foi escrito provavelmente entre 80 e 90 d.C. Seu autor é o mesmo do terceiro Evangelho; desde o séc. II, a tradição o identifica com Lucas, o médico que acompanhou Paulo (cf. Cl 4,14; Fm 24).

De fato, é continuação do Evangelho de Lucas. Ambos formam, segundo o autor, o caminho da salvação: o Evangelho apresenta o caminho de Jesus; o livro dos Atos apresenta o caminho da Igreja, que prolonga o caminho de Jesus «até os extremos da terra». O relato que une as duas obras é a ascensão, que coroa a vida de Jesus (Lc 24,51) e funda a missão universal da Igreja (At 1,8). A atividade missionária da Igreja é apresentada como a grande viagem de Jerusalém até Roma, centro do mundo na época. Por isso, a evangelização é vista como caminhada e a vida cristã recebe o nome de Caminho (9,2; 19,9.23; 24,22).

Podemos dizer que o livro dos Atos é o Evangelho do Espírito. Aí se conta que o Espírito Santo prometido faz nascer a comunidade cristã e a impulsiona para o testemunho aberto e corajoso do nome de Jesus, isto é, para anunciar a palavra e ação libertadora de Jesus.

Esse testemunho provoca o surgimento da grande novidade que tende a transformar pessoas, relações e estruturas da sociedade, provocando alternativas que se chocam frontalmente com os interesses sociais vigentes. A novidade desperta conflitos dentro da Igreja e no relacionamento desta com a sociedade. Dentro surge o conflito de tendências (6,1-6) entre convertidos de origens diversas (15,1-35) e entre o centro e a periferia (15,1-2). Na relação da Igreja com a sociedade surge o conflito frente ao poder político romano, conflito que perpassa o livro todo, de modo velado e como que prolongando o conflito de Jesus com as estruturas políticas do seu tempo; finalmente, um dos conflitos básicos é o econômico (5,1-11; 13,4-12.50-51; 16,16-24; 19,23-40). Pode-se dizer que Atos é o livro da novidade e, portanto, também dos conflitos. Numa sociedade corroída pelo interesse e egoísmo, qualquer proposta de alternativa mais fraterna e igualitária provoca oposições e confrontos.

Em Atos, a Igreja aparece como dinamismo polarizado no testemunho e na missão. Livre do jurisdicismo, sua estruturação é ainda bastante carismática e suas instituições só vão sendo criadas à medida que se tornam meios eficazes para atender às necessidades internas e exigências da missão (cf. 6,1-6). Tanto pela vida comunitária, como pelo empenho apostólico, a Igreja apresentada nos Atos é o modelo utópico; frente a ele as comunidades de todos os tempos e lugares podem fazer uma revisão, a fim de redescobrir sua própria identidade. (Introdução ao livro dos Atos dos Apóstolos Bíblia Sagrada Edição Pastoral – Paulus editora)

fides - Copia

Como base de estudo foi usado:

9788534908412

Este livro foi muito utilizado para pesquisas neste círculo Está a venda nas livrarias Paulus