Parte V – Eis que surge a Luz

De Nazaré 5/5

Uma longa viagem. O nascimento da luz. Um rei menino. O filho de Deus. Saudamos o rei dos judeus?

A Natividade 1

A nossa história poderia ser considerada como tendo um prologo entre 700 ou 600 anos, quando o rei era Acaz e o primeiro profeta a usar o nome de Isaías, teve uma visão (que ficou eternizada nos livros proféticos judaicos e depois na Bíblia como a conhecemos) e disse: Eis que uma virgem conceberá e dará a luz um filho e o chamará de Emanuel. Ele comerá coalhada e mel, até que aprenda a rejeitar o mal e acolher o bem.

De Roma partira a ordem direta do imperador Cesar Augusto para que todas as nações sob o julgo romano fizessem um recenseamento. O decreto intimava todo o povo a registrar-se na cidade de onde procedesse sua família, quem não o fizesse poderia (e seria) punido. Seria a maneira do império colocar em ordem os impostos sabendo a riqueza de cada um. Coisa bem de governo mesmo.

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Maria estava na 40 semana de gestação. Havia engordado, tinha dores nas costas, enjoos e os pés inchados e doloridos, mesmo assim José teve que trazê-la a cidade de Belém, pois sua terra natal era esta.

Imagine uma mulher grávida de praticamente 9 meses tendo que montar num burrico e seguir uma viagem que devido as condições dela durou quase 2 dias.

Chegando a Belém encontraram uma cidade lotada de pessoas, mais do que sua capacidade devido a necessidade de se fazer o registro. José encontrou-se com um problema, tinha dinheiro para pagar a hospedagem mas não encontrava vagas. Até que um dono de pensão, sentiu pena do casal e vendo a situação delicada de Maria ofereceu um espaço dentro de uma gruta que ele usava também como estrebaria e ficava nas proximidades da cidade. José inquieto levou Maria até lá. Saiu a procura de uma parteira, já era tarde, Simeão seu filho mais novo estava junto e foi com o pai.

Maria começou a sentir as contratações do parto, sentiu a bolsa se romper (embora não tivesse ideia disso) e apesar das dores intensas, percebeu que a gruta começou a se aquecer e encher de luz.

Segundo os escritos antigos a gruta ficava próxima da sepultura de Raquel, esposa de Jacó, mãe dos patriarcas Benjamin e José, terra sagrada para o povo, mas que andava quase esquecida.

José não encontrava uma parteira e decidiu voltar com seu filho para a gruta, mas quando saia da cidade não deu mais um passo, de repente percebeu que tudo havia parado. Cessaram as vozes, o frio, o vento. Tudo parecia estático, congelado ( como se o pause tivesse sido acionado, a titulo de comparação). José conseguia mexer os olhos e viu alguns trabalhadores sentados prontos para comerem, uns tinha a boca aberta, outros pareciam levar comida a boca e outros apenas levando as mãos a copos. Um pastor conduzindo ovelhas que não se moviam. O rio não fluía. Não se sabe quanto tempo José ficou ali estupefato, mas como um sussurro ele ouvira uma voz que já conhecia, a voz do mesmo anjo que o visitara antes, a voz disse:

“- Segue José, tudo está consumado.”

José segurou a mão de Simeão e começou a andar rapidamente, minutos depois tudo voltou ao seu normal e a Terra voltava a movimentação.

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Enquanto isso já na terra palestina os 3 reis que saíram meses antes em busca do rei-menino perceberam o que aconteceu e reparam uma nova estrela no céu. Pararam a comitiva e se reuniram para traçar mapas celestes e tentarem descobrir em que direção deveriam seguir realmente (GPS faz falta). A viagem já tinha sido longa até ali e com certeza ainda duraria mais uns dias.

José adentrou a gruta e encontrou uma mulher que logo se identificou como parteira, explicando que era aprendiz de uma velha parteira da cidade, que recebeu a visita de um jovem apressado que indicou o caminho para que fossem assistir o parto de uma jovem mulher. Ela veio na frente e sua mestra vinha atrás. Mas ao chegar a parteira havia descoberto que Maria dera a luz a um menino sozinha.

Quando a parteira idosa chegou deparou-se com uma gruta muito iluminada, teve medo, mas o senso do dever a fez ir ver a jovem mãe. Era estranho pois a criança estava limpa, com o cordão umbilical cortado, mas a primeira parteira negava ter feito este trabalho. Olhando para a criança, ambas se prostraram, levantando se despediram e foram embora em silêncio.

Os animais que ficaram dentro da gruta estavam todos sentados ou deitados em silêncio. De repente irromperam na gruta alguns pastores dando conta de que viram um coral de anjos cantando e seguiram o brilho intenso de uma estrela e estavam ali para visitar o menino. Mesmo que José se sentisse impelido a impedir isto, ele não o fez, pois percebia a bondade em cada gesto destes homens simples.

Passou três dias até que José conseguiu um lugar para ficar com Maria. Conseguiu alugar uma pequena casa, e alojou-se com Maria, Emanuel e Simeão. Fizeram o registro, e seguiram viagem até Jerusalém e 8 dias depois apresentaram a criança ao templo, onde um velho sacerdote de nome Simeão louvou a Deus dizendo que já poderia morrer pois havia visto o salvador.

Quarenta dias depois o menino foi circuncidado, como é a tradição judaica. E durante alguns meses tudo corria tranquilo com aquela família.

Em Belém uma grande comitiva chegara vinda da Pérsia, eram os reis que saíram a procura da criança. Procuraram em quase toda a cidade até que juntaram o grande número de relatos de um carpinteiro e uma jovem esposa que estiveram na cidade a quase 1 ano e tiveram um filho em condições extraordinárias e a história se espalhara, mas a informação que as pessoas tinham era de que esta família fora em direção a Jerusalém.

A Família na Historia da Salvação

Uma grande comitiva assim chamou atenção do rei Herodes e imediatamente ele pediu que estes nobres visitantes fossem até seu castelo para uma recepção.  Um dos principais motivos do convite foi o boato de que estes homens procuravam o “Rei dos  Judeus”. Mas como seria isso se o rei era Herodes (apesar dele ter sido imposto por Roma e não ser realmente um herdeiro do trono).

Dá para se ter uma ideia de como esses boatos perturbaram Herodes, ele já tinha 70 anos e a muito tempo vinha massacrando quem o questionasse.

Recebeu os forasteiros e numa conversa um tanto tensa descobriu que se tratava de um menino recém-nascido, mas que ninguém sabia ao certo a quanto tempo. Herodes achando que poderia usar de astúcia, fez de conta que também gostaria de conhecer este menino rei, e pediu que os visitantes encontrassem a criança e depois o avisassem para que ele mesmo pudesse adorá-lo.

Os Reis Magos saíram e foram a procura da criança. Depois de certo tempo descobriram que uma família estava morando próximo a Belém e eles tinham um recém-nascido, encaminharam-se para lá e não demorou para que eles achassem a família na periferia da cidade. Então os reis dispensaram a grande comitiva orientando que os esperassem na saída da cidade para não assustarem a família.

Saudaram José e explicaram o motivo da visita.  Os Magos ofereceram três presentes ao menino : Ouro, Incenso e Mirra, cujo significado tem um simbolismo espiritual. O ouro pode representar a realeza. O incenso pode representar a fé, pois o incenso era usado nos templos para simbolizar a oração que chega a Deus assim como a fumaça sobe ao céu (Sl 141,2). A mirra, resina antisséptica usada em embalsamamentos desde o Egito antigo, nos remete ao gênero do futuro martírio, sendo que um composto de mirra e aloés era usado nos embalsamamentos.

Após a visita os reis resolveram sair por outro caminho e na calada da noite foram embora por uma saída mais discreta da cidade.

Enquanto isso José foi alertado por um anjo de que sua família corria perigo, e preparou-se para mudar. Decidiu que iria para o Egito lugar fora do alcance de Herodes ou de quem quer que fosse . Em dois dias após a visita dos reis, saiu mais uma vez para uma dura jornada com sua esposa e o menino Jesus.

Demorou quase uma semana até que Herodes percebesse que os Reis não voltariam, e num acesso de fúria mandou que todas as crianças de até 2 anos fossem mortas em Belém e nas cidadezinhas vizinhas. Foi um dia inteiro de tristeza e violência naquela região tão marcada pelo sofrimento. Mas o menino Jesus não estava mais lá e escapou… Mesmo a custa do sangue de tantos inocentes.

A família só retornaria a região meses depois, quando Herodes morrera. E a história se seguiria quase sem que ninguém notasse até chegar a hora… Enquanto isso em Nazaré tudo corria como manda a vida, com um menino extraordinário crescendo, brincando e aprendendo…

Mas isso… é uma outra história.

 

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Parte IV-José, Pai do filho de Deus?

De Nazaré -4/5

Traição ou milagre? José seria humilhado. A prova do poder de Deus.Uma virgem e grávida? Como seria possível?

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Maria retornara da casa de Isabel e Zacarias ainda com o pensamento no que sua prima dissera logo na sua chegada:

“-Ave Cheia de Graça. Bendita é você entre todas as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. O Senhor está em ti. Assim que eu te vi a criança pulou em meu ventre…”5abd9b26bd25865b8c776d7798cebff1

Como estas palavras soaram como uma benção a ela, e porque foram pronunciadas por sua prima tão imediatamente na sua chegada. E mais, como ela sabia da gravidez dela. Mas logo estas questões foram deixadas de lado, Maria chegou em casa e sua aparência tinha mudado, os sinais da gravidez estavam cada dia mais evidente e logo ela recebeu a noticia de que José estava nos arredores da cidade.

 

Seis meses haviam se passado desde que José deixara sua prometida e fora trabalhar fora da cidade. Maria preparara uma refeição especial e recebeu José com dois sentimentos distintos, um misto de alegria mas também de preocupação. Eles sentaram a mesa e comeram contentes, contando como foram estes dias fora. Maria falou da visita que fez a Isabel e Zacarias e José contou dos trabalhos realizados longe de casa. Após a refeição José deitou-se em uma espécie de sofá que ficava em um canto da casa na intenção de tirar uma sesta, foi quando reparou um pouco mais em Maria. Notou que sua fisionomia não estava tranquila e seus movimentos eram mais nervosos, e perguntou:

“-Aconteceu alguma coisa nestes dias? Você parece diferente?”

“-Por que essas perguntas?” – cortou Maria.

“-A tua resposta me soa estranha… Alguém a ofendeu enquanto estive fora?” – perguntou José.

Maria nMãe de Deus Grávidaão respondeu. José sentou no sofá e fixou o olhar nela.Percebeu que seu corpo havia mudado. E logo em seguida percebeu que ela parecia grávida, aliás ele teve certeza de que ela estava . Levantou abruptamente e saiu da casa. Começou a pensar que ela o traíra, ou que fora violada sem consentimento. O problema para ele era que Maria lhe fora entregue sob custódia até quando chegasse o tempo do casamento, era virgem e ele não conseguira guardá-la.

Importante lembrarmos que naquela época os costumes daquele povo em particular eram esses e por mais que nos soem estranhos, eram normais para eles, devemos ler e tentar ver com os olhos da época.

Pensou então em repudiar Maria, mas queria evitar denunciá-la ao templo, o que fatalmente a levaria ao apedrejamento, talvez ele próprio também fosse condenado. José tinha medo de encarar os sacerdotes e também de como seria tripudiado pelo povo.

Naquela noite ele demorou a dormir e quando estava cochilando, sentiu um forte calor próximo dele e levou um susto ao despertar com um ser de luz ao teu lado. Era o anjo de Deus que veio e explicou para ele tudo o que acontecera com Maria, e disse que ele não tivesse medo pois daquele momento em diante ele também estaria protegido.

José não esperou o dia amanhecer e foi até Maria e com lágrimas nos olhos explicou a visita do anjo e de como não a abandonaria.

Para evitar o falatório de um lugar pequeno como Nazaré, decidiu mudar-se para Jerusalém, mesmo sabendo do perigo de estar tão perto do templo.

Apesar da mudança, pouco a pouco a noticia de que Maria estaria grávida e fora violada por José foi tomando corpo, e um “linguarudo”, desculpe uma pessoa que era mais próxima a família, se fingindo de amigo correu e deu a notícia aos sacerdotes. Anás que era um dos escribas saiu da sinagoga e foi fazer uma “visita” surpresa a José e ficou esperando a oportunidade de prestar atenção em Maria e assim que teve certeza, se despediu ansioso, quase sem palavras e correu para o templo dando o alarme. Contou do suposto delito de José (Maria era virgem e não poderia ser tocada até que o casamento fosse efetivado. O sumo sacerdote teve dúvidas pois conhecia José e ainda mais Maria.

Agora imagine a cena:

Saiu do templo uma comitiva de sacerdotes quase correndo (todos eram idosos) em direção a casa da família. Praticamente entraram sem bater e assim que perceberam a gravidez de Maria (ela já estaria com 7 meses a esta altura), deterão José e levaram ao templo, levaram Maria também mas ela teve que esperar fora do local sagrado.

Dentro do templo o sumo sacerdote começou a injuriar José, e mesmo que ele negasse que tinha tido relações com Maria, eles não acreditavam. À esta altura um grande número de curiosos acorreram ao local. O sumo sacerdote então disse que faria José beber da “água da prova do Senhor “(dizem alguns relatos quase esquecidos da época que se tratava da água de um manancial nos arredores do templo, só que esta água era envenenada, seria hoje imprópria para o consumo por conter algum tipo de contaminação, e ninguém que bebera dela havia sobrevivido) que servia para que as pessoas interrogadas no templo e que se diziam inocentes sem conseguirem provar fossem desafiadas a beber desta água e se fossem inocentes de verdade provavelmente Deus não deixaria que nada de mal acontecesse.

Loucura?

A maioria das pessoas colocadas a prova eram mulheres acusadas de traição e que negavam o ato, o que não deixava de ser uma crueldade pois ou bebiam e eram envenenadas ou admitiam ser adúlteras o que levava ao apedrejamento.

Voltando a José, agora desafiado ante uma multidão, o sacerdote colheu a água com uma tigela de barro, colocou um pouco de pó tirado das paredes do centro do templo e deu a ele, contando que José recuaria. Mas ele tomou a água toda, sem medo, na certeza da promessa do anjo de Deus. Foi mandado dar 7 voltas no altar e enviado ao deserto por cerca de 2 horas. Depois disso José voltou são e salvo.

Qual a conclusão?

A mentirosa e adúltera seria Maria.

José protestou e tentou contar a história do anjo. Disse que não acusava Maria de nada e pela lei era o esposo quem poderia fazer tal acusação. Mas existia um detalhe: José ainda não era esposo dela ainda. Mesmo a contragosto o sumo sacerdote interrogou Maria no átrio do templo e diante da insistência dela em ser inocente e as evidências da gravidez, fez o mesmo desafio da água, e o resultado foi o mesmo. Maria bebeu, não deu as 7 voltas no altar já que ela era “mulher” (e na tradição machista deles indigna e impura para tal ato) e foi enviada ao deserto, voltando sã e salva.

Como poderia ser isso? Ali estava uma mulher grávida e ainda virgem? Houve surpresa, sustos, pessoas que viram um milagre de Deus e outros que não conseguiram acreditar.

Restou aos sacerdotes deixarem que José e Maria fossem embora, e o assunto foi pouco a pouco sendo evitado.

O tempo foi passando e logo chegaria a hora da virgem conceber e dar a luz a um menino, que seria grande diante do altíssimo, como profetizara Isaías a mais de 600 anos antes.

Parte III-Alegra-te cheia de graça

De Nazaré 3/5

Quando o anjo apareceu. O sim de pura fé. A prova em uma parente.

Anunciação do Anjo Gabriel a Maria

José viajava muito a trabalho.

Maria ficava cuidando das tarefas domésticas e continuava a tecer parte do manto do templo, incumbência que só cabia as virgens e puras que já moraram ou moravam no templo.

Num dia aparentemente tranquilo, com o sol aquecendo tudo, ela sentiu a presença de alguém em sua casa e ao virar-se deparou com uma luz intensa emanando da figura que parecia de pé ao teu lado.

Temerosa, ela prostrou-se com o rosto no chão evitando sequer olhar de soslaio para o ser brilhante. Mas então ouviu a voz calma e serena:

“-Não tenha medo, Maria. Alegra-te cheia de graça. O Senhor está convosco.”

A figura estendeu a mão e fez com que Maria se levantasse.

“- Você irá conceber, e dará à luz um menino que se chamará Emanuel, e será grande entre o povo, pois será chamado filho do altíssimo. Ele reinará para sempre.”

Maria balbuciou:

“-Mas, como pode ser isso? Eu não conheço homem algum.”

“-O Espírito Santo vai repousar sobre você e conceberás o próprio filho de Deus.”

O anjo anunciou esta sentença e anunciou também a gravidez da prima de Maria, de nome Isabel e seu esposo Zacarias, ambos de idade avançada e antes estéril, já que para Deus nada seria impossível.

Maria não titubeou e aceitou a missão dizendo:

“-Eis a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua vontade.”

Imediatamente foi envolta por uma luz muito forte, que emanava um calor que aqueceu todo seu corpo. Depois o sono a envolveu e Maria adormeceu sem ter ideia quanto tempo permanecera assim.

As dúvidas só chegaram depois, e a preocupação com o que poderia acontecer-lhe se fez presente, já que não sabia como explicar para José o que acontecera. Mas cada interrogação era precedida por uma calma que tomava seu coração.

Então ela saiu e foi para a casa de Isabel grávida de 7 meses e que precisava de sua ajuda.

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Foi neste mesmo dia que um anjo do Senhor foi até a Pérsia e anunciou aos 3 reis mais poderosos do lugar, que também estudavam as estrelas e por vezes atuavam como profetas. Eles profetizavam já há bastante tempo o nascimento de um rei na região da Palestina, que seria precedido pela passagem de uma estrela (ou um cometa como dizem alguns estudiosos).

Estes 3 homens eram conhecidos na Pérsia (poderosa na época) como Reis Magos, e nesta ocasião todos haviam se reunido numa assembleia familiar e assim que receberam o aviso celestial começaram os preparativos para a longa viagem até Palestina. Corria o dia 15 do mês de Nisã, o que seria o dia 6 ou 7 de Abril no nosso calendário gregoriano.

Para que não fujamos dos nomes estes reis eram: Melchior governante dos persas, Baltazar governante dos hindus e Gaspar que governava os árabes e saíram dias depois em uma grande comitiva para conhecerem o menino-rei que nas profecias deles mudaria o mundo.

Medalhão da Sagrada Família

Tudo parecia correr bem, mas faltava José saber que seria pai sem ser de verdade. E como ele reagiria a isso? Enquanto isso 6 meses se passaram… Maria auxiliou sua prima Isabel a ter seu filho João (que mais tarde seria conhecido como o Batista) também concebido sob a promessa de Deus. Viu seu primo Zacarias voltar a falar por ter duvidado de que conseguiria gerar um filho na velhice e ter visto o milagre com os próprios olhos… Chegara a hora de ela voltar e ai sim enfrentar as consequências que até aquele momento eram imprevisíveis.

José por sua vez estava voltando para casa após quase 6 meses de trabalho distante. E agora?

Parte II- O sinal no cajado de José

De Nazaré – 2/5

Eis que a virgem não queria sair do Templo. Eis que o viúvo não queria se casar de novo. Eis que Deus age mais uma vez.

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Se nos fizéssemos presentes em Nazaré naqueles últimos anos do reinado do Rei Herodes (imposto por Roma) seriamos agraciados com a visão de uma centena de casinhas brancas de teto achatado, emolduradas por vinhas e olivais, do alto as cadeias azuis das montanhas, as colinas verdes e os campos cultivados. Os tempos passaram, algumas paisagens mudaram, mas ainda assim Nazaré tem seus encantos, pois acaba sendo um lugar impar na Terra Santa, chegando até a ser chamada de “rosa da montanha”. Lugar até hoje de ar puro, que depois das chuvas do inverno as encostas dos montes da cidade tornam-se um imenso jardim, coberto por uma infinidade de flores (lírios, tulipas, anêmonas) coloridas. Na primavera o canto das cotovias se fazem presentes e bandos de pelicanos cor-de-rosa revoam no azul intenso do céu. Um lugar isolado, mas belo.

Passaram 12 ou 13 anos desde que Maria estava aos cuidados do templo, e chegara a hora dela ser escolhida como esposa, para que ela gerasse herdeiros do povo israelita. Mas ela não queria. Os sacerdotes se encontravam com um problema. Primeiro: Maria mostrava uma dedicação incomum aos afazeres do templo, e entre a tradição das jovens e virgens ficarem aos cuidados das mulheres do templo, ela se destacou e muito. Ela não tinha desejo de sair do templo e muito menos de se casar. Segundo: Havia o receio dela atingir a maturidade e ter sua primeira menstruação, o que na tradição deles macularia o templo, por causa do sangue. E não queriam introduzir um novo costume para o povo e a tradição considerava uma obrigação para com Deus, casar e ter descendentes, gerando assim os novos filhos da aliança.

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Depois de muita discussão os sacerdotes pediram que Deus lhe indicasse o que fazer, e assim Zacarias (sim o futuro pai de João Batista) ou Abiatar (os escritos divergem sobre quem entrou, em uns dizem que foram ambos, mas o mais provavel é que tenha sido apenas um) entrou no Santo dos Santos (lugar sagrado dentro do templo, onde poucos poderiam adentrar por se considerar o lugar onde Deus ficava) e recebeu de um anjo a ordem para convocar todos os viúvos da Tribo de Judá (eu não questiono, mas não é fácil entender o porquê só viúvos) que trouxessem um cajado e se apresentassem no templo dentro de 3 dias.

A ordem foi anunciada, e todos os viúvos tementes a Deus e tementes ao templo, acorreram ao local sagrado, sem saber ao certo o motivo.

Os sacerdotes pegaram os cajados de cada viúvo, existia uma grande quantidade deles. Cada cajado foi identificado com o nome de seu dono e levado para dentro do templo. Todos os viúvos ficaram no átrio esperando, já era o final da tarde e o movimento do templo era muito menor, assim os viúvos foram orientados a esperar o tempo que fosse necessário. Fizeram uma refeição e ficaram ali.

Os sacerdotes entraram no templo e permaneceram em oração a noite toda, numa vigília tão intensa que somente os mantras eram ouvidos como que sussurros.

De manhã, após os trabalhos iniciais do templo, o Sumo Sacerdote foi até onde os demais sacerdotes oravam, e juntos levaram todos os cajados a seus donos. Nada acontecia. Qual seria o sinal? Ele seria visível a todos, assim disse o anjo. Quando foi entregue o ultimo, e as esperanças já pareciam acabadas, eis que o cajado seco floresceu parecendo ter acabado de crescer, e uma grande flor branca brotou e se abriu exalando um perfume que se espalhou por todo o templo e logo por todos os arredores. Uma pomba veio planou sobre a cabeça do dono do cajado. E os sacerdotes entenderam que este era o sinal, anunciando:

“- Coube a ti a sorte de desposar e receber em custódia a virgem do Senhor! Alegra-te.”

O dono do cajado chamava-se José, e não ficou feliz naquele momento.

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José era viúvo e no seu primeiro casamento tivera 6 filhos, sendo 4 homens e 2 mulheres. Vivia triste pela morte prematura da esposa, e não queria casar-se novamente, morava em Belém, uma cidade pequena e agradável próxima ao deserto da Judéia, trabalhava como carpinteiro e não tinha vontade de arrumar “complicações” para sua vida (na opinião dele), agora recebera a noticia de que teria uma nova esposa. Tentou argumentar com os sacerdotes, pois se achava muito velho para isso e não concordava mais ainda, pois a sua esposa seria uma menina e não uma mulher completa. O sumo sacerdote o repreendeu e explicou que Maria estaria, primeiro sob seus cuidados até que chegasse o tempo certo para o casamento e ele, José, deveria obedecer os desígnios de Deus.

José aceitou e levou Maria para casa, ela tinha cerca de 15 anos enquanto que ele beirava os 60.

Na casa dele moravam ainda seus filhos Tiago e Simeão, criancinhas de tudo. Pouco tempo depois José, Maria e seus filhos se mudaram para Nazaré.

Como Maria cuidou dos filhos de José como uma verdadeira mãe, todos na cidade achavam ser ela a mãe de sangue. O que se explica não se sabe se por um arranjo dos escritores ou por verdade, o fato de acharem que Maria tivera outros filhos…

O tempo passava até a visita de um misterioso ser. Que definitivamente mudaria a história desta família, e do mundo…

 

 

Parte I – De onde brotas, Maria?

De Nazaré – 1/5

Clique aqui e leia a : Introdução ao Texto

Quem é esta jovem de nome Maria?  Quem são seus pais?Nossa Senhora das Dores ou das Lágrimas

Encravado em meio às colinas da Galileia, quase escondido, praticamente desconhecido, exceto pelas aldeias vizinhas que tinham tanto em tamanho como em importância a mesma insignificância para todo o resto da Judéia, ficava Nazaré. Cidade que com o passar dos séculos se tornaria tão conhecida que hoje é estranho dizer que não passava de uma aldeia esquecida naquele tempo. Podemos dizer que seria uma daquelas cidadezinhas que até hoje vivem isoladas pelo Brasil e pelo mundo, onde todos conhecem todos e qualquer fato novo se torna noticia…

Nazaré não poderia ser chamada hoje de cidade, na verdade muitos bairros são maiores que ela, para ser sincero, muitos condomínios de hoje são maiores que ela. Mas ela ficava próxima da Galiléia, ai sim um lugar mais importante por seu grande lago, chamado erroneamente de Mar da Galiléia.

O ponto da história em que estamos seria justamente o tempo em que a importância deste lugar começa (mesmo sem se ter uma ideia na época) a mudar de rumos.

A Bíblia nos priva desta história, mas ela não desaparece pela sua importância, e os chamados Livros Apócrifos a trazem.

Antigos e quase totalmente perdidos arquivos das 12 Tribos de Israel, registram que viveu em Jerusalém (a Cidade Luz) um homem rico, temente a Deus, que tinha muita piedade e bondade, excedendo até seus contemporâneos, que dava o dobro de oferendas ao Templo e dividia seus bens em 3 partes: 1 para si mesmo, 1 para o pessoal consagrado do Templo (seriam hoje Padres, Rabinos ou Pastores a título de comparação) e 1 para viúvas, órfãos e pobres (estas pessoas eram sempre discriminadas naquela sociedade. Bem em parte até hoje os idosos, órfãos e mais pobres ainda o são). Por tudo isso Deus recompensava e triplicava suas posses. Ele chegou a ter os maiores rebanhos de ovelhas de Jerusalém.

Seu nome, antes que eu me esqueça, era Joaquim.

Aos 20 anos de idade ele casou-se com a filha de Isacar, Ana, como era uma tradição da mesma tibo que ele, da descendência do Rei Davi.

Porém, em 20 anos de casamento, Joaquim e Ana não conseguiram gerar herdeiros. Esse fato foi motivo de humilhação durante uma celebração da Festa da Colheita (onde era celebrada a aliança com Deus durante os 40 anos no deserto comandados por Moisés). Seu próprio sogro Isacar, sacerdote do templo, o repreendeu em público justamente quando Joaquim iria depositar suas ofertas, dizendo que não era lícito que ele fosse o primeiro a dar ofertas porque ele não tinha gerado um descendente em Israel. Dizia que Deus o considerava indigno de ter posteridade e que segundo as escrituras, veria que ele era considerado maldito por não ter gerado um varão. Aqui vemos mais uma vez alguém que se arvora de ter o consentimento e a sabedoria da palavra a usando de forma errada, fora a discriminação por considerar uma benção apenas se fosse filho homem.

Joaquim saiu humilhado e injuriado pelo insulto. Verificou as escrituras e concluiu que nenhum dos considerados “Justos de Israel” tinha sido condenado a esterilidade e se considerou realmente amaldiçoado. Atormentado e muito triste ele não procurou sua mulher naquela noite, e de manhã se retirou para uma região distante onde estavam seus rebanhos, para jejuar e orar. Segundo o que chega da história, Joaquim ficou mais de 5 meses fora de casa, e suas orações serviram de comida e bebida. Ana por sua vez entrava em desespero, pois não tinha notícias de seu esposo. Lembrando que naquela época não tinha carro, internet ou celular para se comunicar. Ela ficava chorando e elevava sua voz ao céu, queixando-se a Deus: “Por que, depois de negar-me filhos, tiras meu marido?” – ela não sabia se o marido estava morto. Já decidira sair à procura de um novo esposo quando recebeu a visita de uma figura de luz que se anunciou como um anjo do Senhor e disse estava ali para atender as preces de Ana, e que sua prole seria consagrada ao serviço do templo, e desapareceu. Ela ficou assustada e quase que imediatamente foi para sua cama e dormiu todo o dia e a noite.

No mesmo instante em que Ana vivia esta experiência, Joaquim viu um jovem perambulando pela planície onde ele se retirara e pastoreava seus rebanhos. Este jovem perguntou por que Joaquim estava ali sozinho e ele explicou tudo, mesmo sem ter um motivo claro para fazer isso. Imediatamente o jovem se revestiu de vestes brilhantes e anunciou-se como o anjo do Senhor, ordenando a Joaquim que descesse da montanha e que fosse ter com sua esposa, a prole que ele tanto queria e que essa seria inigualável.

Ele acreditou naquele anjo e desceu a montanha. No terceiro dia já estava às portas da cidade e fora recebido por Ana que avisada por 2 mensageiros foi esperar o esposo na Porta Áurea (uma das entradas da cidade).

Assim feito, meses depois Ana se encontrava grávida e dera à luz a uma menina, que seguindo as ordens de uma nova visita do anjo (agora aos dois), foi chamada de Maria, que significa na língua hebraica “exaltada por Deus”. A criança foi apresentada no Templo, e Joaquim pode voltar a dar suas ofertas. O manuscrito relata que Joaquim e Ana tiveram outra filha, também batizada de Maria e esta menina se tornara mais tarde a esposa de Cleófas.

Quando Maria tinha 5 anos morre Joaquim e meses depois Ana. As meninas então foram entregues aos cuidados do Templo. Mas a história não ficaria por aqui…

De Nazaré (Introdução)

Série em 5 capítulos contando a história do nascimento de Jesus.

Como uma virgem adolescente de uma cidadezinha ficou grávida sem ser tocada?

Como um homem de idade mais avançada foi escolhido para ser pai de Deus?

Quem foram estas pessoas e como tudo aconteceu?

Um relato diferente de uma história tão conhecida. Seria possível ainda contar algo novo nesta história bíblica?

 

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Prepare-se e descubra o que não esta na Bíblia, mas está no evangelho.

Depois de quase 6 meses buscando a melhor forma de contar a mesma história com pontos distintos, escrevi este pequeno conto onde a história da concepção e nascimento de Jesus traz tintas diferentes, por vezes polêmicas, mas que não foi nada inventado por mim, a história da fé.

Sou Católico Apostólico Romano, já atuei como catequista, Ministro da Palavra e Eucaristia, Coordenador de Comunidades e estudo muito a palavra de Deus. Não desejo chocar ninguém, mas trago a quem ainda não conhece, uma boa parte do que dizem os Evangelhos Apócrifos, aqueles que não foram aceitos no Cânone Oficial, de uma maneira leve e tenho certeza de que a sua fé continuará a mesma ou aumentará.

Boa leitura.

Milton Cesar