8º Encontro (Catequese) – Profetas

Série : Animo, uma nova catequese (Encontro -8/40)

Isaiah's_Lips_Anointed_with_Fire

Os lábios de Isaías tocados pelo fogo, por Benjamim West

Chegamos ao nosso oitavo encontro, ou melhor a sugestão de encontro desta série. É hora de falarmos dos profetas, e eles foram muitos na história da fé, e podem incluir desde Noé (que avisou e tentou salvar o povo), passando por Moisés (que libertou o povo do Egito), seguindo pelos chamados Profetas Maiores e os Profetas Menores e também Jesus (que para nós é o filho de Deus mas para outras religiões como o Judaísmo e Islamismo foi sim e apenas um dos maiores profetas que existiram). A sugestão (e vale salientar é apenas minha sugestão, mas como sempre fica a critério de cada equipe de catequese) é falar de dois dos maiores profetas da Bíblia: Isaías e Jeremias e fazermos assim um grande paralelo sobre a importância da sua pregação e a história do povo de Deus.

Faremos uma boa conversa e tomando como primícia o que diz o Catecismo Jovem da Igreja Católica YouCat: “Se houvessem dois deuses, um seria a fronteira do outro. Nenhum dos dois seria infinito: nenhum perfeito. Portanto, nenhum seria Deus. A experiência fundamental de Deus feita por Israel está assim expressa: Escuta, Israel! O Senhor nosso Deus é único! [Dt 6,4]. Os profetas exortavam continuamente a deixar os falsos deuses e a virar-se para o único Deus: Eu sou Deus e mais ninguém. [Is 45,22YouCat 30

 

Nosso encontro 

Como podemos melhorar nossa vivência de fé? Essa é uma pergunta que devemos nos fazer já a esta altura da caminhada. Por vezes os encontros podem parecer chatos e até cansativos, por isso devemos sempre tentar fazer algo diferente. Sugiro então que seja preparado um café da manhã (ou café da tarde se for o caso ou um lanche da noite também se for o caso). A idéia é descontrair um pouco, nada de exagerado, mas sim um café, leite, suco, pão, bolachas, margarina (ou manteiga), água, açúcar (levando em consideração que alguns gostam de café ou suco sem açúcar), presunto e queijo. Nada de refrigerante. Claro que tudo depende das possibilidades de cada comunidade, mas pode ter certeza que não é um gasto a toa e sim um investimento.

Nossa oração inicial será a Invocação ao Espírito Santo (Vinde Espírito Santo) e deve ser feita na mesa deste café. Depois da oração todos comem (cuidar dos que tem mais timidez) e neste momento de descontração é aconselhável que os catequistas se aproximem mais perguntem sobre como foi a semana e estreitem mais os laços, será importante para o futuro. Uma boa ideia é já começar a organizar o almoço (ou jantar) que deverá ser realizado com a presença das famílias num futuro próximo. Perguntar aos catequizandos o que eles acham da idéia e se eles acham que seus familiares viriam. Esta conversa deve ser feita ainda próximo a mesa. Reservar uns 20 minutos para esta parte. Acredite, é bom cuidar do tempo para não se perder o foco.

No segundo momento, vamos fazer o canto inicial (nada impede que ele possa ser feito ainda antes do café). Sugiro Me faz profeta da Comunidade Doce Mãe de Deus, que é uma música fácil e muito bonita além de ir ao encontro do tema.

No terceiro momento vamos desenvolver o tema. Falaremos um pouco sobre o que é ser profeta e quais são os profetas da Bíblia. Sugiro que falemos principalmente dos profetas Isaías e Jeremias, mas é claro que o a equipe de catequese tem a liberdade para falar de outros ou mais profetas e se for o caso falar apenas de uma forma geral. No aprofundamento do catequista falarei mais sobre o assunto.

Dinâmica: A Escolha

O objetivo desta dinâmica é ver as escolhas de cada um, mas não existe o certo ou errado, apenas o porquê cada um escolheu quem escolheu. O catequista deve perguntar o porque, mas não deve querer mudar a opinião de cada um. Deus deixa que cada pessoa faça suas escolhas. Seria interessante os catequistas se absterem de escolher e administrar se houverem discordâncias de outros catequizandos. Falar sobre o respeitar a escolha de cada um e também de como Deus nos dá o livre arbítrio para fazermos o que achamos melhor, mas que Ele sempre coloca na nossa vida pessoas para nos ajudar na escolha do caminho da paz e da fé.

Um guerra acabou de ser declarada e esta cidade será bombardeada dentro de 1 hora. Existe um abrigo subterrâneo, onde cabem apenas mais 6 pessoas além de você, entretanto, tem 12 que precisam e querem  entrar. Entre estas 12, quais são as seis pessoas que você escolheria e por quê?

PESSOAS INTERESSADAS EM IR PARA O ABRIGO

( ) Um violinista, com 40 anos, narcótico viciado.
( ) Um advogado, com 25 anos, HIV +.
( ) a mulher do advogado, com 24 anos, que acaba de sair do manicômio. Ambos preferem ficar juntos no abrigo, ou fora dele.
( ) Um sacerdote com 75 anos
( ) Uma prostituta, com 34 anos.
( ) Um ateu com 20 anos, autor de vários assassinatos.
( ) Uma universitária que fez voto de castidade
( ) Um físico, 28 anos, que só aceita entrar no abrigo se puder levar consigo uma arma.
( ) Um declamador fanático, com 21 anos.
( ) Uma menina de 12 anos, e baixo Q.I.
( ) Um homossexual, com 47 anos.
( ) Um excepcional, com 32 anos, que sofre de ataques epilépticos

 

Dinãmica A Escolha - Abrigo Subterrâneo

Depois das plenárias vamos ao nosso canto final, sugiro A Ele a Glória do grupo Mensagem Brasil, grande música de louvor e agradecimento e em seguida faremos a oração final.

Aprofundamento para o catequista:

No caminho de Israel e ao longo de toda a história do povo, Deus chamou, suscitou e às vezes até arrancou homens do meio do povo e os enviou, para que falassem em seu nome e anunciassem a sua mensagem. Os profetas são os verdadeiros porta-vozes de Deus. São homens que conheciam a situação do seu país e também o projeto de Deus. À luz da razão e da fé interpretam o momento presente com o olhar voltado para o futuro. Com o testemunho de sua própria vida, por suas palavras e com gestos e sinais despertam a consciência do povo e provocam a conversão do coração e a transformação social para que o povo de Deus persevere fiel no caminho. Os profetas são como que a ponte entre Deus e o povo, entre o céu e a terra. São os que sabem ler e interpretar os sinais dos tempos.

Os profetas defendem os direitos de Deus e dos homens e promovem a justiça aqui na terra. Por isso, o profetismo de Israel foi mais intenso e vigoroso na época dos reis, quando a concentração do poder e das riquezas destruía o projeto de Deus (talvez fosse necessário a volta dos profetas hoje em dia) e enchia de opressão e injustiça a Terra Prometida – a terra de Deus e do povo que verteria leite e mel. O profetismo em Israel  enfraqueceu muito na época da restauração, quando o país já vivia a condição de estrangeiro em sua própria terra, sob o domínio das potências estrangeiras. O movimento profético tem relação com os movimentos sociais, é o núcleo da Teologia de Israel: Reino de Israel Ungido = Rei-Servo.

Na nossa cultura bíblica os profetas normalmente são divididos em dois grupos: os profetas maiores e os menores.
Profetas maiores: Isaías, Jeremias, Ezequiel (aos quais é acrescentado Daniel, Baruc e as lamentações)
Profetas menores: Amós, Oséias, Miquéias, Naum, Sofonias, Habacuc, Abdias, Ageu, Zacarias, Malaquias, Joel e Jonas.

Essa apresentação, embora clássica, apresenta alguns problemas. Primeiro de tudo se trata de profetas que têm um livro bíblico com o seu nome. Existem, contudo, outros profetas que não dão o nome a um livro específico, como Elias e Eliseu, cuja história aparece no livro dos reis. Em segundo lugar existe a tradição hebraica, que inclui entre os profetas também os livros de Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis. Esses livros narram a história de Israel, mas provavelmente são considerados pelos judeus como proféticos por que a história precisa ser lida dentro de uma perspectiva profética. De fato, na concepção bíblica, o conceito de profeta não se limita aquelas pessoas que têm visões e prevêem o futuro, mas são mensageiros de Deus, pessoas escolhidas (é muito importante a vocação, o chamado) para conduzir o povo para a estrada do Senhor.

Isaías 

” Consolem, consolem o meu povo, diz o Deus de vocês. Falem ao coração de Jerusalém, gritem para ela que já se completou o tempo da sua escravidão, que seu crime já foi perdoado, que ela já recebeu da mão de Javé o castigo em dobro por todos os seus pecados.” (Is 40, 1-2)

A grande maioria dos estudiosos da Bíblia concluiu que o livro de Isaías na verdade foi escrito por 3 pessoas diferentes, provavelmente 3 discípulos do profeta Isaías original. Existem diferenças entre os textos que denunciaram esta possibilidade:

  1. Primeiro Isaías: Capítulos 1 a 39. Fala da atividade do profeta em Judá e Jerusalém, após a morte do rei Ozias (740 a.C.)
  2. Segundo Isaías: Capítulos 40 a 55. Fala da atividade do profeta que continuou o trabalho do primeiro, no período do exílio entre 586 a 538 a.C.
  3. Terceiro Isaías: Capítulos 56 a 66. Fala do período posterior ao exílio, tempo da restauração e reconstrução de Jerusalém.

O Livro de Isaías é um livro profético do Antigo Testamento, vem depois do livro de Cantares e antes do Livro de Jeremias. É uma peça central da literatura profética do Antigo Testamento, na Bíblia.Sua importância é refletida também no Novo Testamento, considerando-se que há mais de 400 referências diretas ao livro, feitas pelos evangelistas e apóstolos.

O forte caráter e ênfase messiânicos percebidos em toda a extensão do documento, muito provavelmente colaboraram para conceder ao livro tamanha proporção referencial entre os autores do Novo Testamento. Por causa disto também, Isaías recebeu o epíteto de “o quinto evangelista“.

Em seus dias, Isaías viveu e narrou a tensão política e militar que o território de Israel experimentava, com eventos decorrentes principalmente de um panorama marcado por intensas e contínuas atividades bélicas e expansionistas que estavam sendo realizadas pela monarquia egípcia, ao sul, e pelos caldeus, ao Leste.

O início do ministério profético de Isaías situa-se em 754 A.C., coincidindo com 2 datas históricas precisas: a morte do Rei Uzias de Judá, e a fundação de Roma.

Ler:

Duas passagens clássicas do livro de Isaías fazem alusão (quase 600 anos antes) da vinda de Jesus, seu nascimento por uma virgem e também sobre todo o martírio que ele iria passar. Claro que foi à partir desta profecia que o povo judeu ficou ( e ainda está) esperando um rei messiânico, mas a coincidência do relato deixa claro que este rei é Jesus Cristo

Is 7, 14-16 Fala sobre a concepção de um rei por uma virgem e de dois reis. Por uma comparação podemos associar esta profecia com a virgem Maria e com a situação da Palestina que tinha dois reis (na verdade o de Roma era um imperador) Cesar e Herodes.

Is 53, 1- 12 Fala sobre um homem que foi condenado e sofreu por causa do pecado dos outros. Muito interessante se for comparado com a história de Jesus. No versículo 7: “Foi maltratado e resignou-se; não abriu a boca, como um cordeiro que se conduz ao matadouro, e uma ovelha muda nas mãos do tosquiador. (Ele não abriu a boca.)” e no versículo 12: “…porque ele próprio deu sua vida, e deixou-se colocar entre os criminosos, tomando sobre si os pecados de muitos homens, e intercedendo pelos culpados.” A comparação histórica pode ser feita de maneira bem satisfatória nestas passagens.

Jeremias

“Eu me dizia, não pensarei mais nele, não falarei mais no seu nome. Era como se houvesse no meu coração um fogo ardente…” (Jr 20,9)

Jeremias era pesquisador e historiador, além de profeta. Acredita-se que tenha sido ele o autor do livro que leva seu nome e possivelmente os dois livros de Reis (tenha escrito adicionando-lhe relativos dados por Natã e Gade ( I Crônicas 29:29) e outros escritores. É a história dos reis de Judá e Israel, desde Davi até Acabe e Jeosafá, num período de 118 a 125 anos), abrangendo a história de ambos os reinos (Judá e Israel) desde o ponto em que os livros de Samuel a deixaram (isto é, na última parte do reinado de Davi sobre todo o Israel), até o fim de ambos os reinos, e após, a queda de Jerusalém, teria escrito o Livro das Lamentações.

Os relatos biográficos em terceira pessoa que encontramos no Livro de Jeremias, que são atribuídos a Baruc, não se encontram em ordem cronológica, entretanto, por meio da seguinte sequência de trechos: 19:1-20:6; 26; 45; 28-29; 51:59-64; 34:8-22; 37-44, pode-se fazer uma leitura destes relatos na ordem cronológica

A atividade profética de Jeremias se iniciou entre os anos de 626 ou 627 a.C. (1:2; 25:3), quando ele ainda era jovem (1:6), razão pela qual teria demonstrado receio ao assumir tal tarefa, e prosseguiu até 586 AC, podendo ser dividida em quatro períodos:

  1. Primeiro período: durante o reinado de Josias (627 a 609 AC)

  2. Segundo período: durante o reinado de Joaquim (609 a 598 AC)

  3. Terceiro período: durante o reinado de Zedequias (597 a 586 AC)

  4. Quarto período: depois da queda de Jerusalém (a partir de 586 AC)

Segundo o apócrifo Vida dos Profetas, escrito por um judeu da Palestina no séc. I d.C. Jeremias foi apedrejado e morto por seus conterrâneos quando residia no Egito

Pode-se dizer que a missão de Jeremias fracassou em querer que seu povo retornasse à genuína aliança com Deus. Ele se tornou uma espécie de Moisés fracassado, que viu seu povo perder suas instituições e a própria terra. Se apresenta como um grande solitário (15:17), incompreendido e perseguido até pelos membros de sua família (12:6; 20:10; 16:5-9), nunca chegou a ser pai (16:1-4), foi arrastado contra a sua vontade para o Egito, nenhum vestígio restará de sua tumba.

No entanto, sua confiança no Deus que é sempre fiel lhe deu a capacidade de mostrar, ao povo e a nós, que esse mesmo Deus manterá seu relacionamento conosco, sem precisar de instituições mediadoras (31,31-34). Ao colocar em primeiro plano os valores espirituais, destacando o relacionamento íntimo que a alma deve ter com Deus, ele antecipou elementos da Nova Aliança; e sua vida de sofrimentos a serviço de Deus.

Leia mais:

Folha modelo base - Copy (2)

Sugestão de folha de encontro

A literatura profética pode ser dividida de várias maneiras. A mais tradicional e comum, entre os cristãos, é a divisão em profetas maiores e profetas menores. Não porque uns sejam mais importantes que outros, mas simplesmente pela extensão de seus escritos. Os profetas maiores são quatro: Isaías, Jeremias (que também escreveu Lamentações), Ezequiel, Daniel. Os menores são doze: Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias,[18] cabendo observar que o Livro de Baruc, que é relacionado entre os livros proféticos na Septuaginta, nas Bíblia adotadas pela Igreja Católica e pelas Igrejas Ortodoxas, é Deuterocanônico, ou seja, não constam na Bíblia Hebraica e não são aceitos pelas Igrejas que adotam a Bíblia proposta por Lutero.

Por sua vez, a Bíblia Hebraica agrupa os livros de Isaías, Jeremias, Ezequiel e os dos doze profetas sob o título de “Profetas Posteriores” e os coloca após os “Profetas Anteriores”: (Josué, Juízes, I Samuel, II Samuel, I Reis, II Reis), enquanto que a Septuaginta (tradução do Antigo Testamento para o Grego Koiné, cuja estrutura é utilizada por maior parte das Igrejas Cristãs) apresenta os livros proféticos depois dos Livros Históricos, destacando-se que a Bíblia Hebraica não inclui o Lamentações e Daniel entre os “Profetas Posteriores”, mas entre os “Escritos” (Kethuvim)

_518d960fc51bf5e8b8a1afcfd1cfbb1f257d14b7Uma boa opção de pesquisa é o Livro O caminho de Israel – Pe. Javier Saravia, s.j. – Paulinas editora que fala sobre a história de Israel de uma maneira simples e fácil de entender.

Fontes pesquisadas:

  • Bíblia da CNBB
  • Wikipedia
  • Bíblia.org
  • YouCat – Catecismo Jovem da Igreja Católica
  • Catecismo da Igreja Católica
  • Compêndio do CIC

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