Evangelho Segundo São Lucas

Animo, uma nova Catequese (Encontro 13/40 – Jesus Cristo – Complemento 8)

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A Boa Nova de Lucas

O terceiro evangelho dos chamados sinóticos (semelhantes entre si, que incluem ainda os evangelhos escritos por Mateus e Marcos) é também o evangelho que mais da atenção as mulheres do tempo de Jesus, o Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas.

O livro de Lucas, ou sua primeira parte tem muitas coisas em comum com Mateus e Marcos, contudo a obra é bem diferente no seu todo.

Em primeiro lugar, por seu caráter grego. Usa a língua grega melhor que os outros, embora não elimine todos os semitismos tradicionais, em grande parte devida à influência do Antigo Testamento.  Dirige-se a leitores desligados de questões judaicas. Oferece uma mensagem mais imediatamente acessível a leitores pagãos. Em segundo lugar, apresenta-se como historiador de estilo grego: cuidadoso ao consultar os fatos, curtidas em viagens, especialmente marítimas.  Menciona um círculo de testemunhas oculares: depois, um grupo de narradores (que poderiam ser os mesmos).  Atrás vem ele para recolher e ordenar. Sem deixar de proclamar a fé, quer fazer obra de historiador. Na hora de compor suas cenas, não é puramente grego: depende de tradições evangélicas escritas e muito provavelmente orais, e segue a grande tradição narrativa hebraica.

E em terceiro lugar porque seu evangelho é nada mais que a primeira parte de uma obra maior, que continua nos Atos dos Apóstolos, também escrito por Lucas provavelmente até antes do próprio evangelho. (Introdução ao Evangelho Segundo Lucas – Bíblia do Peregrino).

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Quadro  cronológico

O plano de escrita de Lucas retoma as grandes linhas do texto de Marcos com algumas transposições ou omissões.  Alguns episódios são deslocados (Lc 3,19-20; 4,16-3; 5,1-11; 6,12-19; 22,31-34 etc…), ora por influência de outras tradições, entre as quais deve-se notar a que se reflete igualmente no quarto evangelho. Outros episódios são omitidos, seja com O menos interessantes para os leitores pagãos (cf. Mc 9,11-13), seja para evitar duplicatas (cf. Mc 12,28-34 em comparação com Lc 10,25-28). Notar-se-á, sobretudo a ausência de um correspondente de Mc 6,45-8,26. A diferença mais notável em relação ao segundo evangelho é a longa seção mediana, formada por 9,51-18,14, que é apresentada sob a forma de subida para Jerusalém com auxílio de notações repetidas (Lc 9,51; 13,22; 17,11; cf. Mc 10,1) e onde se verá menos a lembrança real de diferentes viagens do que a insistência proposital sobre uma ideia teológica proposital cara a Lucas: A cidade Santa é o lugar em que se deve realizar a salvação (9,31; 13,33; 18,31; 19,11), foi nela que o evangelho começou (1,5s) e é lá que deve terminar (24,52s) por meio de aparições e conversão que não tem lugar na Galiléia (24,13-51, comparar 24,6 com Mc 16,7 e Mt 28,7.16-20) e é de Jerusalém que deve partir a evangelização do mundo ( Lc 24,47 e At 1,8). Em sentido mais Largo, é a subida de Jesus e do cristão para Deus. (Introdução a Lucas – Bíblia de Jerusalém)

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Lucas pintado como médico

Segundo as tradições Lucas teria sido um médico, Vale ressaltar que a medicina da época era rudimentar e ainda influenciada pelas crenças religiosas dos seus praticantes (veja o quadro descrevendo a Medicina da época).

Sabe-se que ele não era judeu e jamais teve contato direto com Jesus.

No prólogo do seu evangelho ele declara que escreveu baseado nos relatos dos Apóstolos e em pesquisas.

 

Tanto Lucas como Paulo fala de Teófilo e existem duas possíveis explicações Sobre quem seria este personagem.

  1. Poderia ser o financiador da escrita do evangelho. Afinal escrever em manuscritos de papiro ou pergaminho ficava muito caro naquela época.
  2. A tradução do nome Teófilo vem do grego “amigo de Deus” e pode indicar que os textos são escritos a qualquer cristão. Indo bem na direção da filosofia de Lucas e Paulo que se preocupavam em levar a mensagem a qualquer pessoa que aceitasse Jesus.

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Lucas teria sido um seguidor de Paulo, e por isso mesmo é lembrado em diversas cartas, inclusive em 2Tm 4 quando diz que está preso em companhia de Lucas ( este estaria prestando auxílio a Paulo preso em Cesárea – hoje Palestina) e pede que seja trazido Marcos.

Conta à tradição que ele foi perseguido pelos romanos e morreu enforcado pelos pagãos em Beócia, regia da Grécia Antiga. Ele teria 84 anos à época.

São Lucas é o padroeiro dos solteiros, pois segundo a tradição nunca se casou.

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Na liturgia:

Lucas: Símbolo: Touro. Pois logo no início de sua narrativa ele fala de Zacarias que tinha a função de ordenar os sacrifícios no templo. Lc 1,5-25

Como cada ano é dedicado a um dos evangelhos sinóticos, dentro do ciclo de 3 anos o Evangelho de Lucas é o do ano C (sendo A o de Mateus, B o de Marcos e o de João na quaresma e tempo pascal, além de vários tempos dentro da igreja)

 

A Medicina no primeiro século

Os médicos do início do cristianismo tinham ideias muito diferentes das atuais. A menstruação era considerada impura, horrorizada médicos da época e obrigava as mulheres a ficarem reclusão.

A Bíblia mostra claramente essa situação em passagens como esta:

Certa mulher que havia doze anos tinha um fluxo de sangue e muito sofrerá na mão de vários médicos. (Mc 5,25).

Não é a toa que Jesus diz: “Médico, cura-te a ti mesmo.” (Lc 4,23) e Lucas a reproduz no seu evangelho.

“TODA e qualquer doença de pele, contagiosa ou não, era considerada incurável, desde uma espinha ou mancha superficial”, escrevem Luigi Schiavo e Valmor da Silva, no livro Jesus Milagreiro e Exorcista. Seus portadores sofriam preconceito e eram isolados da família. “Aos males físicos associavam-se sentimentos de culpa.” As enfermidades eram consideradas como castigos pelos pecados cometidos e o sofrimento era a única possibilidade de cura. Mesmo assim, a melhor a só ocorria mediante a intervenção de Deus.

“Não foram raros os casos em que os doentes apanharam ou foram colocados na fogueira para ficarem livres dos pecados e dos males”, afirma o biólogo Décio Cassiano Altimari, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Texto extraído do livro Discípulos – Coleção Grandes Heróis Bíblicos – Vol. VI Revista das Religiões  (2005) – Editora Abril

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Página original do Evangelho de Lucas

Fontes:images (4)

 

  • Bíblia do Peregrino
  • Bíblia de Jerusalém
  • Bíblia Sagrada CNBB
  • Bíblia Católica Online
  • Wikipedia
  • Livro: Um Santo para Cada Dia – Edições Paulinas

13º Encontro (Catequese) – Evangelho de Lucas

Série: Animo, uma nova Catequese (Encontro 13/40)  

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Sugestão de folha de encontro

São Lucas, o Evangelista (do grego antigo Λουκᾶς, Loukás) é, segundo, a tradição, o autor do Evangelho de São Lucas e dos Atos dos Apóstolos – o terceiro e quinto livros do Novo Testamento. É o santo padroeiro dos pintores, médicos, genealogistas e curandeiros. É celebrado no dia 18 de Outubro. Chamado por Paulo de “O Médico Amado” (Colossenses 4,14), pode ter sido um dos cristãos do primeiro século que conviveu pessoalmente com os doze apóstolos. Lucas foi um médico grego que viveu na cidade grega de Antioquia, na Síria Antiga. A primeira referência a Lucas encontra-se na Epístola a Filemon de Paulo de Tarso, no versículo 24. É mencionado também na epístola aos Colossenses, 4,14 , bem como na segunda epístola a Timóteo 4,11. De todos os evangelhos é justamente o de Lucas que mais fala das mulheres que acompanhavam Jesus, sua mãe Maria e todas as outras.

Neste nosso encontro a sugestão é dinamizar um pouco mais a forma de passarmos o tema e também a integração pela dinâmica. Em tempo também é hora de começar a organizar os catecúmenos que passarão pelo Batismo, já que o tempo urge.

Sugiro sempre o inicio de uma maneira mais alegre, por isso após os cumprimentos vamos cantar  e hoje a canção também faz parte da oração. A sugestão é a bela música Cordeiro Imolado Comunidade Doce Mãe de Deus e assim que cantarmos já entramos na oração inicial que pode ser Pai Nosso, Ave Maria e o Vinde Espírito Santo.

Falar um pouco sobre as documentações e preparação para o Batismo dos que precisarão receber este sacramento. Se possível já ter a data dos cursos de pais e padrinhos e a data do recebimento do sacramento, por se tratar de adultos (jovens e adultos) é importante que seja em uma missa separada do batismo das crianças. Lembrar que isso depende da agenda que a Pastoral tiver fechado com a igreja e o padre. Então a minha sugestão é para que não seja deixado para última hora prejudicando o trabalho a ser desenvolvido. Alerto que pela minha experiência o melhor a fazer é sempre deixar tudo acertado antes porque se algum catequizando acaba sendo prejudicado por perder um sacramento isto reflete em como ele(a) verá a própria comunidade e isto também afeta a família. É importante levarmos em conta os sentimentos gerados por uma frustração desse tipo. Estamos fazendo uma vivência na fé e só será possível à partir da organização séria, primeiro da Pastoral da Catequese e depois da própria comunidade (Paróquia) onde o grupo está inserido. Não sejamos levianos ou inocentes de achar que a preparação para os sacramentos é algo que pode ser feito de forma amadora (tem que ter seriedade e muita, afinal se trata de fiéis e irmãos da nossa igreja), tudo tem que ser organizado.

Como quarto momento vamos direto ao tema. Quem foi Lucas? Acho importante frisar que na sociedade machista da época as mulheres não tinham voz, e quando iam no templo ficavam em uma edicula (espaço reservado) separado dos homens que iam prestar o culto. Falar sobre como foi Lucas quem dos evangelistas mais citou a participação das mulheres na missão de Jesus.

Citar como exemplo todo o texto de Lucas 1. Frisando Lc 1, 26-38 (Anunciação) e Lc 1, 57-66 (Zacarias acolhe a vontade de Isabel). O ideal é ler o texto todo e depois relermos estes dois pontos. Primeiro que se trata do anúncio da vinda de Jesus e depois do nascimento do último profeta antes da vinda do salvador com o detalhe de que não era comum uma mulher poder escolher o nome do filho e geralmente o nome do primogênito seguia o nome do pai e mais incomum ainda era o homem acolher a sugestão da mulher ainda mais em se tratando de um alto sacerdote do templo, caso de Zacarias. Isso já mostra como Lucas trataria a história de Jesus. Também sugiro que seja lido Lucas 24. Frisando Lc 24, 1-11 (As mulheres são as primeiras a saberem da ressurreição), depois de ler o texto releia o trecho e perceba que bem no final do seu evangelho Lucas ainda fala das mulheres e nomeia as que estavam acompanhando a missão de Jesus e descobriram que o mestre havia ressuscitado, detalhe importante “”Então elas se lembraram das palavras de Jesus” (Lc 24, 8) o que deixa claro que além dos 12 escolhidos e outros seguidores estas mulheres aprenderam diretamente com Jesus, preste atenção que Maria Madalena é citada sempre.

Mas e as mulheres tem a igualdade nos tempos de hoje?

Sugiro que seja feito esta discussão logo após falarmos de Lucas e de seu evangelho. Citar a desigualdade salarial, a violência sofrida pelas mulheres, a exploração sexual (tanto das que vão para a prostituição como das exploradas todos os dias), a exploração visual onde a mulher é vista como objeto e exposta na televisão e internet apenas como algo sexy. Qual é a opinião dos jovens e adultos que estão nesta vivência na fé. É importante uma preparação para abordagem do tema porque existe também a questão das mulheres não serem ordenadas presbíteras (padres) na nossa igreja e isso ser um dogma que precisa ainda de muita oração e compreensão, difícil. Então é um tema interessante para ser discutido pois teoricamente são estes catequizandos que estarão futuramente a frente da igreja

Dinâmica do Corpo Humano

O principal objetivo é a interação e trabalho em grupo de todos a fim de atingir a meta final.

Material: folha sulfite , cartolina de varias cores ,lápis de cor, fita crepe, tesoura sem ponta, canetinhas,  lápis de cera.

Procedimento: Para essa atividade os candidatos deverá se agrupar em 3 equipes.  Dependendo do numero de pessoas  faça  mais  ou  menos  grupos. Sempre  aplicar  com  mais de 9 pessoas, de  no  mínimo 3 pessoas por  grupo para  um melhor  resultado.

As equipes deverão desenhar em  15 minutos uma das partes do  corpo humano indicadas a seguir:

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1º grupo: cabeça e pescoço; tronco;

2º grupo : braço direito; perna direita;

3º grupo: braço esquerdo; perna esquerda.

Se o grupo for muito numeroso faça mais equipes. É muito divertido. Você deve adaptar as partes do corpo de acordo com o número de grupos, use a  criatividade.

Finalizada a tarefa, um representante de cada grupo deverá se levantar e colar com fita crepe num painel ou  parede  ou  até  mesmo  no  chão as partes desenhadas compondo o corpo humano num todo, como  um  quebra  cabeça.

Em debate coletivo argumentem sobre o resultado do trabalho que as equipes elaboraram individualmente. Pensem em estratégias que facilitem o trabalho coletivo. Faça  vários  questionamentos,  como:

  • Porque as  partes  estão  diferente se uma  parte  é  complemento  da  outra.
  • Por  que uma  equipe não   se  interagiu  com  a  outra   para um  melhor  resultado? Não foi dito que não poderiam conversar.
  • Por que agiram como se fosse uma competição?
  • Porque quem terminou primeiro não ofereceu ajuda aos outros?
  • Como  esta  dinâmica pode  te ajudar  na sua vida?

A questão é que em tudo na vida pode ser encarado como uma competição. Na verdade a ideia de ser da comunidade é justamente agirmos como irmãos, onde um auxilia o outro no objetivo maior que é seguir a Jesus. Foi o próprio Jesus quem disse que devemos amar uns aos outros como a nós mesmos. Fica a dica: ás vezes é melhor se unir a outras pessoas do que simplesmente tentar algo sozinho. Deus quer a união acima de tudo.

Depois da dinâmica podemos fazer o nosso canto final, como oração também. Primeiro rezemos a oração de São Lucas (veja no destaque) e depois vamos escutar de olhos fechados a música Restauração Padre Zeca e refletir interiormente no silêncio como poderemos ser pessoas novas. Depois podemos partir na paz.

Oração a São Lucas Evangelista


Ó São Lucas, glorioso apóstolo e evangelista, eu vos saúdo pelo Coração de Jesus; e pela alegria e doçura que o vosso coração sentiu ao ensinar, do Divino Mestre, o Pai Nosso aos apóstolos.

Alcançai-me a graça de seguir com fidelidade a Jesus, pelo seu caminho, com a sua verdade em favor da vida.

Ó meu bom São Lucas, médico, que com vossas santas mãos, invocando o nome de Deus, curastes tantos enfermos de tão graves enfermidades, rogai ao bom Jesus que me livre das enfermidades do corpo e do espírito, se for do agrado de Deus. E para maior glória por toda a eternidade.

Amém

Aprofundamento para o Catequista

São Lucas

O terceiro evangelho no cânon oficial da Bíblia é conferido a São Lucas e faz parte também dos chamados Evangelhos Sinóticos (junto com os livros de Mateus e Marcos).

Lucas foi o companheiro de Paulo, e segundo a quase unânime crença da antiga igreja, escreveu o evangelho que é designado pelo seu nome, e também os Atos dos Apóstolos.
Ele é mencionado somente três vezes pelo seu nome no Novo Testamento (Cl 4,14 – 2 Tm 4,11 – Fm 24). Pouco se sabe a respeito da sua vida. Têm alguns estudos que dão conta de que ele fez parte dos setenta discípulos, mandados por Jesus a evangelizar (Lc 10,1) – outros pensam que foi um daqueles gregos que desejavam vê-lo (Jo 12,20) – e também considerando que Lucas é uma abreviação de Lucanos, já têm alguns querendo identificá-lo com Lúcio de Cirene (At 13,1).
Dois dos Pais da igreja dizem que era sírio, natural de Antioquia. Na verdade não parece ter sido de nascimento judaico (Cl 4,11).
Era médico (Cl 4,14). Ele não foi testemunha ocular dos acontecimentos que narra no Evangelho (Lc 1,2), embora isso não exclua a possibilidade de ter estado com os que seguiam a Jesus Cristo.
Todavia, muito se pode inferir do emprego do pronome da primeira pessoa na linguagem dos Atos. Parece que Lucas se juntou a Paulo em Trôade (At 16,10), e foi com ele até à Macedônia – depois viajou com o mesmo Apóstolo até Filipos, onde tinha relações, ficando provavelmente ali por certo tempo (At 17,1).
Uns sete anos mais tarde, quando Paulo, dirigindo-se a Jerusalém, visitou Filipos, Lucas juntou-se novamente com ele (At 20,5). Se Lucas era aquele ‘irmão’, de que se fala em 2 Cor 8,18, o intervalo devia ter sido preenchido com o ativo ministério. Lucas acompanhou Paulo a Jerusalém (At 21,18) e com ele fez viagem para Roma (At 21,1). E nesta cidade esteve com o Apóstolo durante a sua primeira prisão (Cl 4,14 – Fm 24) – e achava-se aí também durante o segundo encarceramento, precisamente pouco antes da morte de Paulo (2 Tm 4,11). Uma tradição cristã apresenta como pregando o Evangelho no sul da Europa, encontrando na Grécia a morte de um mártir.

Jesus chama Maria apenas de mulher e não de mãe. Por quê?

A dura pedagogia de Jesus com sua Mãe na Sua infância, na Sua vida pública, e na Paixão do Senhor, provém da sabedoria divina, que não é compreendida por todos os homens (cf. Mt 11, 25). “Maria é a obra-prima por excelência do Altíssimo, cujo conhecimento e domínio ele reservou para si. Maria é a Mãe admirável do Filho, a quem aprouve humilhá-la e ocultá-la durante a vida para lhe favorecer a humildade, tratando-a de “Mulher” (Jo 2, 4; 19, 26), como a uma estrangeira, conquanto em seu Coração a estimasse e amasse mais que todos os anjos e homens”

Assim, Santo Agostinho e São Luís Maria Grignion de Montfort nos ajudam a compreender porque Jesus por vezes parece ser duro e desprezar sua Mãe. Agostinho nos ajuda a entender que longe de ser mal educado com a Virgem Maria, o Mestre queria chamar a nossa atenção para o fato de que Ele é Deus e pode realizar o impossível, ainda que não seja o tempo. Por sua vez, São Luís Maria nos ensina que tratando sua Mãe por “mulher”, Jesus favorecia a humildade de Nossa Senhora. Como verdadeiro pai espiritual, Jesus Cristo ensinou e continua a nos ensinar que Ele é Deus e que favoreceu a humildade da Virgem Maria em vista da sua maternidade espiritual sobre os filhos de Deus.

Monsenhor Jonas Abib fundador da Canção Nova nos traz que:

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“Quando Jesus chama Maria de mulher, está dizendo que ela é a mulher do Gênesis, a prometida que esmagaria a cabeça da serpente. Isso me facilitou, abriu o caminho para que entendesse as vezes que Jesus a chama assim. Houve outra situação em que Jesus a chamou de mulher, quando Ele estava na cruz e Ele a entregou a João: “Mulher, eis aí teu filho”. Com isso ele está dizendo: “Mulher, assim você está esmagando a cabeça da serpente”. Depois, fui verificar que, no livro do Apocalipse, Maria também é chamada de “mulher”. Esse foi o triunfo da mulher do Gênesis, aquela que tem  a vitória junto a Jesus. Maria é a mulher do Gênesis, do Apocalipse, das Bodas de Caná e dos pés da cruz. Nós também podemos chamá-la de ‘mulher’ como Jesus a chamou.

Se você já teve seu encontro com o Senhor, sabe do que eu estou falando; mas se ainda não teve essa graça, peça-a a Virgem de Nazaré. Foi necessário que eu saísse do seminário para ter um encontro com Cristo. Peçamos que a Mulher do Gênesis ao Apocalipse interceda por seu encontro pessoal com Jesus. Se você já o teve, que ela interceda pela renovação e manutenção desse encontro.”

Avaliando (isso por mim) é importante lembrar que a própria sociedade no tempo de Jesus relegava as mulheres um papel secundário e até submisso, e ele era um judeu comum apesar de toda a sua divindade, seguia a tradição como parte humana de Deus. Mas os estudos que os teólogos fazem e falam da possibilidade de que Jesus só tratava sua mãe assim para esconder sua importância é realmente interessante

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Alguns estudiosos também dizem que Lucas era um excelente pintor

 

 

Fontes:

Evangelho Segundo São Marcos

Animo, uma nova Catequese (Encontro 12/40 – Jesus Cristo – Complemento 7)

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O Evangelho de Jesus Cristo segundo São Marcos é o mais antigo dos 4 evangelhos aceitos pela igreja como oficiais. Foi escrito provavelmente em Roma por volta de 65 d.C. época em que Pedro foi preso e depois martirizado. Esta data de composição é confirmada pelas alusões a Guerra Judaica e à destruição de Jerusalém (66-73 d.C) que podem se reconhecer no capitulo 13 de seu evangelho (onde Jesus faz a profecia da destruição do templo e Marcos usou de uma forma de parábola para comparar o que acontecia com as pregações do mestre). Se levarmos em conta a probabilidade de Marcos ser um jovem adolescente quando Jesus foi elevado aos céus e a época em que escreve seu evangelho, ele poderia ter cerca de 35 a 40 anos de idade.

Marcos decidiu registrar a história e os ensinamentos do mestre porque nestes anos, as testemunhas e os discípulos diretos de Jesus, pregadores do evangelho oral, estavam desaparecendo (muitos presos, outros já mortos). Marcos então registra os ensinamentos deles por escrito, criando o gênero literário do evangelho escrito. Respondeu assim às dúvidas que rodeavam a comunidade e forneceu ao mesmo tempo um “manual” para o novo impulso missionário e a expansão da comunidade. As explicações de usos judaicos (Mc 7) mostram que entre seus leitores havia pessoas que não eram de origem judaica também.

“A melhor maneira de sustentar a fé da comunidade é esclarecê-la. Para tanto é preciso voltar sempre àquilo que Jesus disse e fez. Repetindo o primeiro anúncio. Marcos “reevangeliza” a comunidade em crise. Mostra que Jesus não é um messias de sucesso fácil (o “Messias esperado”), mas um messias diferente (o “Messias inesperado”). Nem mesmo seus discípulos o compreenderam, até que ele levasse a termo sua obra. Jesus é o Filho do Homem, o Filho de Deus fiel até a morte por amor e exaltado por Deus na ressurreição, para conduzir novamente o seu rebanho, na “Galiléia” do mundo. [Cf. Mc 16,7].” (introdução ao Evangelho Segundo Marcos – Bíblia da CNBB). Apenas este texto já daria uma grande reflexão, e vou postar futuramente algo sobre isso.

Conteúdo Geral

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Quadro Cronológico do Evangelho de Marcos

Índice do Evangelho (assunto de cada capitulo)

Capitulo 1: Jesus e João Batista

Capitulo 2: A cura de um paralítico e as respostas de Jesus aos discípulos de João e aos fariseus.

Capitulo 3: Jesus cura multidões, chama seus discípulos e ensina sobre o pecado imperdoável

Capitulo 4: As parábolas de Jesus

Capitulo 5: Vários milagres

Capitulo 6: A missão dos doze discípulos, João Batista é morto. Outros milagres de Jesus

Capitulo 7: Jesus, os escribas e fariseus

Capitulo 8: Outros milagres e a confissão de Pedro

Capitulo 9: A transfiguração e diversos ensinos

Capitulo 10: O divórcio, as crianças, as riquezas, o poder e outros ensinos

Capitulo 11: Jesus em Jerusalém

Capitulo 12: Os impostos, a ressurreição, o maior mandamento e outros ensinos

Capitulo 13: O ensino de Jesus sobre o fim dos tempos

Capitulo 14: A ceia do Senhor, Jesus é preso e Pedro nega a Jesus

Capitulo 15: Jesus, Pilatos, Barrabás, a coroa de espinhos, a crucificação, morte e sepultamento de Jesus.

Capitulo 16: A ressurreição de Jesus e sua subida ao céu.

 

Parábolas 

O Sermão da Montanha

O Ministério na Galileia

Primeiro período

Discurso das Parábolas

(As parábolas a seguir são conhecidas como Discurso das Parábolas)

No Caminho de Jerusalém

O Ministério na Judeia

O Ministério final em Jerusalém

Milagres no Evangelho de marcos quadro

Vida e morte de Marcos

san marcusNos livros do Novo Testamento , Marcos é lembrado dez vezes, com o nome hebraico de João, com o nome romano de Marcos ou com o duplo nome de João Marcos (At 12, 12; 13,5; 15, 36-39Cl 4,10; Fm 1, 24; 2Tm 4, 11; 1Pd 5,13). Ele era filho daquela Maria em cuja casa reuniam-se os primeiros cristãos de Jerusalém e onde foi se refugiar o próprio Pedro após a libertação prodigiosa do cárcere (At 12, 1-25).

Marcos era hebreu de origem, nasceu provavelmente fora da Palestina, em uma família abastada. Pedro que o chama de “meu filho”, o teve certamente consigo em suas viagens a Roma, onde Marcos teria escrito seu evangelho. A antiguidade cristã, a começar por Pápias (130 d.C.), chama-o de “intérprete de Pedro”, pois ele escreve exatamente tudo aquilo de que se lembrava. Escreveu porém, o que o Senhor disse ou fez, não segundo uma ordem. Marcos não escutou diretamente o Senhor, nem o acompanhou, mas ele ouviu de Pedro tudo que dispunha de seus ensinamentos conforme as necessidades. Porém existe uma forte corrente de estudiosos que teorizam a probabilidade de a última ceia, e alguns encontros anteriores de Jesus e seus discípulos terem sido realizados na casa de Marcos, então uma criança. Se levarmos em consideração que apenas pessoas de altas posses teriam casas grandes o suficiente para abrigar 13 homens, mais algumas mulheres e alguns seguidores e ainda servir refeição a todos e em alguns casos até abrigo, também considerarmos que a família era amiga de Pedro e tudo indica ser uma família que logo seguiu os ensinamentos de Jesus e era rica, as evidências destas possibilidades se tornam muito mais palpáveis. Então na verdade Marcos teria sim tido uma convivência, mesmo que não tão intensa, com Jesus. Não podemos desconsiderar que Jesus gostava de ensinar também as crianças.saint-mark-1621

Além da familiaridade com São Pedro, o evangelista Marcos poderia orgulhar-se de uma longa convivência com o apóstolo Paulo, com quem se encontrou pela primeira vez em
44, quando Paulo e Barnabé levaram para Jerusalém a generosa coleta da comunidade de Antioquia. De volta Barnabé levou consigo seu sobrinho, o jovem Marcos. Após a evangelização em Chipre, quando Paulo planejou uma viagem mais trabalhosa e arriscada ao coração da Ásia Menor, entre as populações pagãs de Tauro, Marcos – conforme lemos no At –  se separou de Paulo e Barnabé e voltou a Jerusalém. Depois Marcos voltou ao lado de Paulo quando este estava prisioneiro em Roma.

images (1) Em 66 São Paulo nos dá a última informação sobre marcos, escrevendo da prisão romana a Timóteo: “”Só Lucas está comigo. Toma contigo Marcos e traze-o, porque me é bem útil para o ministério” (2Tm 4, 11). Os dados cronológicos da vida de São Marcos permanecem duvidosos. Ele morreu provavelmente em 68 de morte natural, segunda uma tradição, mas conforme outra tradição, foi mártir em Alexandria do Egito , onde teria sido arrastado pelas ruas até a morte.

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Os Atos de Marcos (alguns chamam de Evangelho Secreto de Marcos), um escrito do século IV, referem que Marcos, no dia 24 de abril, foi arrastado pelos pagãos pelas ruas de Alexandria, amarrado com cordas ao pescoço. Jogado ao cárcere, no dia seguinte, sofreu o mesmo tormento atroz e sucumbiu. A venda de seu corpo por parte de dois comerciantes e mercadores de Veneza não passa de uma lenda surgida em 828 d.C. Porém é justamente graças a esta lenda que, de 976 a 1071 foi construída a estupenda basílica veneziana dedicada a São Marcos.

 

Cada evangelista tem um simbolo

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Marcos: Símbolo : Leão . Seu evangelho começa falando do deserto. Geralmente as savanas possuem leões, além do símbolo de Roma ser um leão do Império ter adotado o cristianismo como religião. Mc 1,2-3

Na Liturgia

Na liturgia da Igreja Católica cada ano é dedicado a um dos evangelhos, mais o evangelho de João em épocas especificas. Marcos é o evangelho do ano B, seguindo o cânon da Bíblia, sendo Mateus ano A e Lucas ano C

O dia de São Marcos é 25 de Abril

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São Marcos(detalhe da Catedral Metropolitana de Campinas)

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Imagem de São Marcos na Paróquia São Marcos, O Evangelista

A Paróquia São Marcos, O Evangelista fica em Campinas, SP, e é a única paróquia dedicada a São Marcos em toda a Arquidiocese de Campinas e uma das poucas no Brasil

É também a Paróquia em que cresci na fé, primeiro com uma breve passagem pela Comunidade São Francisco de Assis (Jardim Campineiro), depois exercendo ministério e várias funções na Comunidade Nossa Senhora Aparecida (Jardim São Marcos) e por último sendo coordenador e depois catequista da Comunidade Santo Antonio de Santana Galvão (CDHU San Martins) todas essas comunidades além das Comunidades São José da Esperança (Vila Esperança), Divino Espírito Santo – Matriz (Jardim São Marcos) e Santa Clara de Assis (Vila Olímpia) e Capela da Mãe da Misericórdia (Recanto Fortuna) fazem parte da Paróquia São Marcos e estão situadas na região norte de Campinas. Faço parte desta paróquia.

 

 

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Paróquia São Marcos, O Evangelista (Campinas) ainda em fase de obras

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Paróquia São Marcos, O Evangelista

Rua Adelino de Abreu, 166
Jardim São Marcos – CampinasSP
CEP: 13082-230

Fontes:

  • Bíblia Sagrada  – Edição da CNBB
  • Catecismo da Igreja Católica
  • Livro: Um Santo Para Cada Dia – Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini – Edições Paulinas
  • Links da Bíblia Católica Online
  • Imagens da Internet e fotos pessoais

Grupos de morte na Internet – Quem é o administrador?

Refletindo sobre o Mundo com a visão da fé (Visão Leiga)

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Grupos de morte na Internet (Quem é o administrador?)

Por Milton Cesar de Souza Alves (fidesomnium.wordpress.com)

“Enfurecido por causa da Mulher, o Dragão foi então guerrear contra o resto de seus descendentes.” (Ap 12,17)

Estamos em 2017 em meio a mil problemas no mundo. Neste exato momento podemos estar próximos a Terceira Guerra Mundial, ou no mínimo a um conflito de enormes proporções.

Ainda assim, temos jovens morrendo por desafios sem sentido pela Internet. Temos jovens mutilando-se por desafios em grupos de redes sociais. Pior ainda, não é a primeira vez, ao contrário nos últimos anos tem se tornado uma constante. Uma rotina macabra onde jovens (quase sempre são os jovens) acabam machucados, feridos, ferem, se suicidam, matam ou se mutilam por nada.

Mais estranho ainda é o fato de que ninguém descobre quem administra tais grupos, quem inventa isso e chama cinicamente de “brincadeira”. Um desses desafios feitos é o Blue Whale (Baleia Azul) que deu suas primeiras noticias de suicídios entre jovens na Rússia e invadiu o mundo.

Pense um pouco, têm países que conseguem monitorar todos nos computadores ou celulares que quiserem, a tecnologia chegou a tal ponto que o simples digitar de uma palavra no Google já faz com que você seja monitorado. E ninguém descobre quem começa esse tipo de grupo, que começa, atinge seus objetivos macabros e logo somem.

Eu fiquei pensando em meio a muitas fotos que recebi vai Whatsapp e até e-mail, de jovens mutilados por aceitarem estes desafios horrendos por estes grupos de morte da internet. Existem pessoas que tem certa morbidez (quiçá um prazer em compartilhar este tipo de imagem, eu detesto, mas infelizmente acabo recebendo), juntando a isso vi uma reportagem onde uma mãe relatava que o filho tentou o suicídio duas vezes e só depois disso ela descobriu que o filho estava em um grupo da dita Baleia Azul, e também estava com os braços mutilados cheios de cortes profundos. Esta mãe não havia percebido as mudanças de comportamento do próprio filho. Sem querer julgar ninguém, mas isso acontece muito já que hoje em dia é comum todos os moradores de uma casa passarem seu tempo juntos mexendo no celular, conectados na internet sem trocar uma só palavra, sejam pais, filhos ou irmãos. Esta mesma mulher se perguntava quem poderia estar fazendo isso (comandando estes grupos de morte) e por quê?

Foi esta pergunta, de uma mãe desesperada que me fez refletir após eu ir rezar pela saúde deste jovem e de todos os outros que estão sendo vitimados. Neste mesmo dia após alguns minutos uma nova reportagem dava conta de que dois jovens universitários foram encontrados mortos dentro de um hotel. Cometeram suicídio após um pacto de morte. Não usavam drogas, o namoro era permitido e apoiado pelas famílias e eles eram bem sucedidos e nunca tinham sequer falado sobre morrerem nem tiveram casos de depressão ou percas recentes.

A pergunta daquela mãe ecoou em mim, e chego a uma conclusão, baseada na minha fé, e não ligo para o que vão dizer, mas o administrador destes grupos só pode ser o Demônio.

O mal existe?

O mal existe! Não tem como negar. É não se trata de algo psicológico ou de índole. É algo verdadeiro.

Vou aproveitar o que me disse o Valdecir Pires, um grande amigo meu, compadre e uma pessoa que tem muita fé, além de ser um grande estudioso da Palavra de Deus e da Igreja:

“Sempre pensam no anti-Cristo como uma pessoa, mas penso que é um pensamento coletivo que muitos vão aderindo de um grupo”. Exemplo: Hitler e seus seguidores.

Haja visto o julgamento de Cristo, onde foram induzidos pelos líderes políticos e religiosos da época  (um grupo) a escolherem pela crucificação…”

“Neste pedido, o Mal não é uma abstração, mas designa uma pessoa, Satanás, o Maligno, o anjo que se opõe a Deus. O” diabo “(“diabolos”) é aquele que” se atira no meio” do plano de Deus e de sua “obra de salvação” realizada em Cristo. (CIC 2851) “Homicida desde o princípio, mentiroso e pai da mentira (Jo 8,44)”.

“Instigado pelo Maligno, desde o inicio da história o homem abusou da própria liberdade. O homem está dividido em si mesmo. Por esta razão, toda a vida humana, individual e coletiva, apresenta-se como uma luta dramática entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas”. (CIC 1707)

O mal parece estar agindo mais ainda no mundo, em vários pontos e lugares. Pior ainda está tentando desvirtuar os jovens.

A Bíblia nos diz que no final dos tempos o Diabo será aprisionado em definitivo. “Então ele ira fazer de tudo para levar muitos, já que ele foi vencido na cruz e com a segunda volta de Jesus, será definitivamente derrotado. Também não devemos esquecer que a terceira parte dos anjos foi expulsa do paraíso junto com ele (Lúcifer) então pergunto: Onde estarão eles? Já que acreditamos nas milícias celestes, que assistem e foram obedientes ao plano de Deus. Como a própria palavra de Deus diz que: existem mais mistérios entre o céu e a terra do que podemos entender.” palavras ainda do meu amigo Valdecir. Da conversa que tive com um padre (que acha melhor ficar anônimo) ficou uma constatação: Se existe uma força do inferno agindo nestes casos, é porque os próprios jovens estão permitindo. Falta abrirem o coração para a misericórdia de Deus e a oração.

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Foto de jovem amplamente divulgada nas redes sociais como o Whatsapp

Só age se for convidado

O demônio só terá poder sobre sua vida se você o convidar, se você o aceitar.

Hoje tudo depende de aceitar as coisas. Até estes grupos de morte que os jovens estão vitimados só são efetivados assim que você aceita entrar (seja através de um convite ou de se auto convidar). Isso é estratégico porque são as regras do mal sendo colocadas e aceitas de bom dado por grupos de jovens.

A ascensão das redes sociais fez com que este tipo de grupo de morte se espalhe numa velocidade assombrosa e entre na vida de muito mais jovens, e mate ainda mais rápido.

Na antiguidade era preciso fazer pactos fechados em grupos pequenos de pessoas para que o Mal entrasse, agora é só uma questão de aceitar ou não.

A modernidade tem, cada vez mais, feito o impossível para que seja ignorada a presença  do mal na sociedade. Mas será que realmente este tipo de coisa não existe.

Santo Agostinho já escrevia, séculos atrás, que “um hábito incontrolado se transforma em uma necessidade”. E isso é bem visto numa dependência louca que os jovens (mas não só eles) têm demonstrado do mundo virtual. Ninguém faz mais nada sem o auxilio da internet.

Seria normal isso?

Tudo tem dois lados. O lado bom desta modernidade toda. Mas também o lado ruim que é fazer com que as pessoas se isolem e fiquem totalmente presas as telas dos smartphones (antes era dos desktops, depois notebooks, tablets e agora celulares ultramodernos), conte quantas pessoas você consegue ver que não estão com um celular nas mãos, usando, olhando ou apenas segurando.

Racionalmente é quase impensável que exista alguma força que possa de uma maneira direta ou indireta afetar as nossas ações. Já teologicamente essa realidade é bem crível e digna de nota e atenção.

Tem pessoas que pregam a existência da “força da atração” ou “Lei da Atração” (vide o best-seller O Segredo) que prega que a cada pensamento insistente em algo, isto acontecerá ou será atraído para a nossa vida. Claro que neste livro (que, diga-se de passagem, faz parte da extensa lista de livros de autoajuda existentes hoje em dia) não se fala de atrair nada de ruim, apesar de deixar claro que pensamentos derrotistas não te ajudam. Basicamente a lei é “semelhante atrai semelhante” e essa métrica é à base da grande maioria dos livros de autoajuda (em praticamente todos) pregam algo bom que realmente ajuda (mesmo que eu ainda considere a Bíblia muito melhor, mas opinião é opinião, sempre servirá em algum momento um livro desses). Pois bem, então porque pensamentos em coisas ruins, em desejos de mal a outras pessoas ou até pensamentos de autodestruição não atrairiam o que tem de ruim para a sua própria vida?

Em outro livro chamado Ed & Lorraine Warren (duas pessoas consideradas no mundo inteiro como o maior casal de Demonologistas dos últimos tempos, um deles ainda vive e trabalha até hoje) falam que: “Como extensão da “Lei da Atração”, acrescenta Lorraine, “o espírito demoníaco também pode ser trazido como resultado das ações de uma pessoa”. A atração também pode ocorrer quando um indivíduo demonstra um lapso ao permitir que o seu autocontrole vacile. Como coloca Ed: “Se você não consegue se controlar então alguma coisa vai controlá-lo”. “Ódio, ira, desespero, tristeza profunda, embriaguez e uma sensação de inferioridade com tendências suicidas vão atrair o demoníaco em um estalar de dedos”. O homem não recebe nenhum buquê do demônio: esse espírito está ali apenas para promover a destruição dele”. Em suma, o espírito demoníaco costuma ser atraído por ações e tendências de pensamento incompatíveis com o bem-estar saudável e positivo.

“Pela Lei do Convite”, prossegue Ed, “a coisa é” peça e receberás’. Uma pessoa pode deliberadamente invocar o espírito demoníaco por meio de um ritual ou via um canal de comunicação sincero. Portanto, pessoas que fazem coisas negativas ou claramente contrárias à natureza estão basicamente ‘fazendo o trabalho do Diabo por ele’ e, de fato, atraem espíritos negativos para junto de si.

 “Porque o lema do espírito demoníaco é anonimato”

Ódio, obscenidade e morte fortalecem o espírito demoníaco; Derramamento de sangue e lesões físicas são elementos fundamentais do fenômeno. Ele ajuda o malvado e o ignorante; ele ataca o inocente, o incauto e o piedoso. Ele é traiçoeiro, dissimulado e vem como um ladrão na noite. Ele oculta a sua presença com mentiras e preserva o seu anonimato por meio de duplicidade e invisibilidade. Como já disseram escritores religiosos: ‘Não há nada de positivo na natureza do espírito; seu ser baseia-se na ausência de algo que seja bom’. “Existem coisas que ocorrem neste mundo que são deliberadamente mantidas em segredo — coisas que alguém só descobre pela experiência.” (trecho do Livro Ed & Lorraine Warren Demonologistas)

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Os chamados Satanistas falam até de como entrar em contato e servir ao próprio Diabo e esperam que ele assuma de vez (frisando eles não estão esperando que Lúcifer venha e domine o mundo, eles consideram que ele já age no mundo e que só falta à humanidade aceitar este ser e abandonar Deus) o controle da terra e do povo. Mas isso só pode acontecer quando deixarmos de acreditar em Deus e aceitarmos o demônio como líder. Aleister Crowley fundou esta seita e ela tem aumentado muito, apesar de alguns tentarem manter isso em segredo. A seita foi fundada por Crowley e sua esposa ainda jovens e seu maior seguidor e divulgador foi um jovem

Citei estes exemplos (exceto Santo Agostinho) de literatura popular que pode ser comprada e lida como forma de entretenimento

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Jovem que se automutilou por causa do desafio da Baleia Azul

A Igreja fala sobre isso

Geralmente a sociedade dita moderna tenta ignorar ou pelo menos desacreditar a igreja através de possibilidades cientificas e explicações até psiquiatras para estes fenômenos que atingem os jovens com estes grupos de morte que tem assolado o mundo todo, vitimando tantas vidas. Porém não tem todas as explicações.

A igreja por sua vez, ante ao aumento descontrolado de seitas que se autodenominam igrejas e que por sua vez tem ridicularizado a questão que envolve a ação do Diabo, com encenações de exorcismos e expulsões do demônio (pense um pouco: todos os dias tem que tirar o demônio do corpo de alguém, então ele não vai embora nunca daquele local), tem se calado ou pelo menos mantido em sigilo este tipo de ação. A Igreja Católica trata de modo sério isso, mas não é algo para ser divulgado.

Veja tudo o que diz no Catecismo da Igreja Católica:

II – A queda dos anjos

– 391. Por trás da opção de desobediência de nossos primeiros pais há uma voz sedutora que se opõe a Deus e que, por inveja, os faz cair na morte. A Escritura e a Tradição da Igreja vêem neste ser um anjo destronado, chamado Satanás ou Diabo. A Igreja ensina que ele tinha sido anteriormente um anjo bom, criado por Deus. “Diabolus enim et alii daemones a Deo quidem natura creati sunt boni, sed ipsi per se facti sunt mali – Com efeito, o Diabo e outros demônios foram por Deus criados bons em (sua) natureza, mas se tornaram maus por sua própria iniciativa.”

– 392. A Escritura fala de um pecado desses anjos. Esta “queda” consiste na opção livre desses espíritos criados, que rejeitaram radical e irrevogavelmente a Deus e seu Reino. Temos um reflexo desta rebelião nas palavras do Tentador ditas a nossos primeiros pais: “E vós sereis como deuses” (Gn 3,5). O Diabo é “pecador desde o princípio” (1Jo 3,8), “pai da mentira” (Jo 8,44).

– 394. A Escritura atesta a influência nefasta daquele que Jesus chama de “o homicida desde o princípio” (Jo 8,44) e que até chegou a tentar desviar Jesus da missão recebida do Pai. “Para isto é que o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do Diabo” (1Jo 3,9). A mais grave dessas obras, devido as suas consequências, foi à sedução mentirosa que induziu o homem a desobedecer a Deus.

– 395. Contudo, o poder de Satanás não é infinito. Ele não passa de uma criatura, poderosa pelo fato de ser puro espírito, mas sempre criatura: não é capaz de impedir a edificação do Reino de Deus. Embora Satanás atue no mundo por ódio contra Deus e seu Reino em Jesus Cristo, e embora a sua ação cause graves danos – de natureza espiritual e, indiretamente, até de natureza física – para cada homem e para a sociedade, esta ação é permitida pela Divina Providência, que com vigor e doçura dirige a história do homem e do mundo. A permissão divina da atividade diabólica é um grande mistério, mas “nós sabemos que Deus coopera em tudo para o bem daqueles que o amam” (Rm 8,28).

O PRIMEIRO PECADO DO HOMEM

 – 397. O homem, tentado pelo Diabo, deixou morrer em seu coração a confiança em seu Criador e, abusando de sua liberdade, desobedeceu ao mandamento de Deus. Foi nisto que consistiu o primeiro pecado do homem. Todo pecado, daí em diante, ser uma desobediência a Deus e uma falta de confiança em sua bondade.

– 398. Neste pecado, o homem preferiu a si mesmo a Deus, e com isso menosprezou a Deus: optou por si mesmo contra Deus, contrariando as exigências de seu estado de criatura e consequentemente de seu próprio bem. Constituído em um estado de santidade, o homem estava destinado a ser plenamente “divinizado” por Deus na glória. Pela sedução do Diabo, quis “ser como Deus”, mas “sem Deus, e antepondo-se a Deus, e não segundo Deus”.

UM DURO COMBATE…

– 407. A doutrina sobre o pecado original ligada à doutrina da Redenção por meio de

Cristo propicia um olhar de discernimento lúcido sobre a situação do homem e de sua ação no mundo. Pelo pecado dos primeiros pais, o Diabo adquiriu certa dominação sobre o homem, embora este último permaneça livre. “O pecado original acarreta a ‘‘servidão debaixo do poder daquele que tinha o império da morte, isto é, do Diabo”. Ignorar que o homem tem uma natureza lesada, inclinada ao mal, dá lugar a graves erros no campo da educação, da política, da ação social e, dos costumes.

– 409. Esta situação dramática do mundo, que “inteiro está sob o poder do Maligno” (1Jo 5,19), faz da vida do homem um combate:

Uma luta árdua contra o poder das trevas perpassa a história universal da humanidade. Iniciada desde a origem do mundo vai durar até o último dia, segundo as palavras do Senhor. Inserido nesta batalha, o homem deve lutar sempre para aderir ao bem; não consegue alcançar a unidade interior senão com grandes labutas e o auxílio da graça de Deus.

– 413. “Deus não fez a morte, nem tem prazer em destruir os viventes… Foi pela inveja do Diabo que a morte entrou no mundo” (Sb 1,13, 2,24).

– 414. Satanás ou o Diabo, bem como os demais demônios, são anjos decaídos por terem se recusado livremente a servir a Deus a seu desígnio. Sua opção contra Deus é definitiva. Eles tentam associar o homem à sua revolta contra Deus.

– 415. “Constituído por Deus em estado de justiça, o homem, instigado pelo Maligno, desde o início da história, abusou da própria liberdade. Levantou-se contra Deus, desejando atingir seu objetivo fora dele.”

– 421. “Segundo a fé dos cristãos, este mundo foi criado e conservado pelo amor do Criador; na verdade, este mundo foi reduzido à servidão do pecado, mas Cristo crucificado e ressuscitado quebrou o poder do Maligno e libertou o mundo…”.

– 447. Jesus mesmo atribui-se de maneira velada este título quando discute com os fariseus sobre o sentido do Salmo 110, mas também de modo explícito dirigindo-se a seus apóstolos. Ao longo de toda a sua vida pública, seus gestos de domínio sobre a natureza, sobre as doenças, sobre os demônios, sobre a morte e o pecado demonstravam sua soberania divina.

– 517. Toda a vida de Cristo é mistério de Redenção. A Redenção nos vem antes de tudo pelo sangue da Cruz, mas este mistério está em ação em toda a vida de Cristo: já em sua Encarnação, pela qual, fazendo-se pobre, nos enriqueceu por sua pobreza; em sua vida oculta, que, por sua submissão, serve de reparação para nossa insubmissão; em sua palavra, que purifica seus ouvintes; em suas curas e em seus exorcismos, pelos quais “levou nossas fraquezas e carregou nossas doenças” (Mt 8,17); em sua Ressurreição, pela qual nos justifica.

A TENTAÇÃO DE JESUS

– 538. Os Evangelhos falam de um tempo de solidão de Jesus no deserto, imediatamente após seu Batismo por João: “Levado pelo Espírito” ao deserto, Jesus ali fica quarenta dias sem comer, vive com os animais selvagens e os anjos o servem [a78]. No final dessa permanência, Satanás o tenta por três vezes procurando questionar sua atitude filial para com Deus. Jesus rechaça esses ataques que recapitulam as tentações de Adão no Paraíso e de Israel no deserto, e o Diabo afasta-se dele “até o tempo oportuno” (Lc 4,13).

– 539. Os evangelistas assinalam o sentido salvífico desse acontecimento misterioso. Jesus é o novo Adão, que ficou fiel onde o primeiro sucumbiu à tentação. Jesus cumpre à perfeição a vocação de Israel: contrariamente aos que provocai outrora a Deus durante quarenta anos no deserto, Cristo se revela como o Servo de Deus totalmente obediente à vontade divina. Nisso Jesus é vencedor do Diabo: ele “amarrou o homem forte” para retomar lhe a presa. A vitória de Jesus sobre o tentador no deserto antecipa a vitória da

Paixão, obediência suprema de seu amor filial ao Pai.

– 540. A tentação de Jesus manifesta a maneira que o Filho de Deus tem de ser Messias o oposto da que lhe propõe Satanás e que os homens desejam atribuir-lhe. E por isso que Cristão venceu o Tentador por nós: “Pois não temos um sumo sacerdote incapaz de compadecer-se de nossas fraquezas, pois Ele mesmo foi provado em tudo como nós, com exceção do pecado” (Hb 4,15). A Igreja se une a cada ano, mediante os quarenta dias da Grande Quaresma, ao mistério de Jesus no deserto.

– 550. O advento do Reino de Deus é a derrota do reino de Satanás: “Se é pelo Espírito de Deus que eu expulso os demônios, então o Reino de Deus já chegou a vós” (Mt 12,28). Os exorcismos de Jesus libertam homens do domínio dos demônios. Antecipam a grande vitória de Jesus sobre “o príncipe deste mundo”. E pela Cruz de Cristo que o Reino de Deus ser definitivamente estabelecido: “Regnavit a ligno Deus  – Deus reinou “do alto do madeiro”.

– 566. A tentação no deserto mostra Jesus, Messias humilde que triunfa sobre Satanás por sua total adesão ao desígnio de salvação querido pelo Pai.

– 635. Cristo desceu, portanto, no seio da terra, a fim de que “os mortos ouçam a voz do Filho de Deus e os que a ouvirem vivam” (Jo 5,25). Jesus, “o Príncipe da vida”, “destruiu pela morte o dominador da morte, isto é, O Diabo, e libertou os que passaram toda a vida em estado de servidão, pelo temor da morte” (Hb 2,5). A partir de agora, Cristo ressuscitado “detém a chave da morte e do Hades” (Ap 1,18), e “ao nome de Jesus, todo joelho se dobra no Céu, na Terra e nos Infernos” (Fl 2,10).

Um grande silêncio reina hoje na terra, um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio porque o Rei dorme. A terra tremeu e acalmou-se porque Deus adormeceu na carne e foi acordar os que dormiam desde séculos… Ele vai procurar Adão, nosso primeiro Pai, a ovelha perdida. Quer ir visitar todos os que se assentaram nas trevas e à sombra da morte. Vai libertar de suas dores aqueles dos quais é filho e para os quais é Deus: Adão acorrentado e Eva com ele cativa. “Eu sou teu Deus, e por causa de ti me tornei teu filho. Levanta-te, tu que dormes, pois não te criei para que fiques prisioneiro do Inferno: Levanta –te dentre os mortos, eu sou a Vida dos mortos.”

– 636. Na expressão “Jesus desceu à mansão dos mortos”, o símbolo confessa que Jesus morreu realmente e que, por sua morte por nós, venceu a morte e o Diabo, “o dominador da morte”. (Hb 2,14)

… A PARTIR DA IGREJA DOS APÓSTOLOS…

– 1086. “Assim como Cristo foi enviado pelo Pai, da mesma forma Ele mesmo enviou os apóstolos, cheios do Espírito Santo, não só para pregarem o Evangelho a toda criatura, anunciarem que o Filho de

Deus, por sua Morte e Ressurreição, nos libertou do poder de Satanás e da morte e nos transferiu para o reino do Pai, mas ainda para levarem a efeito o que anunciavam: a obra da salvação por meio do sacrifício e dos sacramentos, em tomo dos quais gravita toda a vida litúrgica”.

– 1237. Visto que o Batismo significa a libertação do pecado e de seu instigador, o Diabo pronuncia-se um (ou vários) exorcismo(s) sobre o candidato. Este é ungido com o óleo dos catecúmenos ou então o celebrante impõe-lhe a mão, e o candidato renuncia explicitamente a satanás. Assim preparado, ele pode confessar a fé da Igreja, à qual será “confiado” pelo Batismo.

CURAI OS ENFERMOS…

– 1506. Cristo convida seus discípulos a segui-lo, tomando cada um sua cruz. Seguindo-o, adquirem uma nova visão da doença e dos doentes. Jesus os associa á sua vida pobre e de servidor. Faz com que participem de seu ministério de compaixão e de cura: “Partindo, eles pregavam que todos se arrependessem. E expulsavam muitos demônios e curavam muitos enfermos, ungindo-os com óleo” (Mc 6,12-13).

– 1673. Quando a Igreja exige publicamente e com autoridade, em nome de Jesus Cristo, que uma pessoa ou objeto seja protegido contra a influência do maligno e subtraído a seu domínio, fala-se de exorcismo. Jesus o praticou, é dele que a Igreja recebeu o poder e o encargo de exorcizar. Sob uma forma simples, o exorcismo é praticado durante a celebração do Batismo. O exorcismo solene, chamado “grande exorcismo”, só pode ser praticado por um sacerdote, com a permissão do bispo. Nele é necessário proceder com prudência, observando estritamente as regras estabelecidas pela Igreja. O exorcismo visa expulsar os demônios ou livrar da influência demoníaca, e isto pela autoridade espiritual que Jesus confiou à sua Igreja. Bem diferente é o caso de doenças, sobretudo psíquicas, cujo tratamento depende da ciência médica. É importante, pois, verificar antes de celebrar o exorcismo se se trata de uma presença do maligno ou de uma doença.

– 1707. “Instigado pelo Maligno, desde o inicio da história o homem abusou da própria liberdade.” Sucumbiu à tentação e praticou o mal. Conserva o desejo do bem, mas sua natureza traz a ferida do pecado original. Tornou-se inclinado ao mal e sujeito ao erro: O homem está dividido em si mesmo. Por esta razão, toda a vida humana, individual e coletiva, apresenta-se como uma luta dramática entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas.

– 1708. Por sua paixão, Cristo livrou-nos de Satanás e do pecado. Ele nos mereceu a vida nova no Espírito Santo. Sua graça restaura o que o pecado deteriorou em nós.

– 2113. A idolatria não diz respeito somente aos falsos cultos do paganismo. Ela é uma tentação constante da fé. Consiste em divinizar o que não é Deus. Existe idolatria quando o homem presta honra e veneração a uma criatura em lugar de Deus, quer se trate de deuses ou de demônios (por exemplo, o satanismo), do poder, do prazer, da raça, dos antepassados, do Estado, do dinheiro etc. “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro”, diz Jesus (Mt 6,24). Numerosos mártires morreram por não adorar “a Besta”, recusando-se até a simular seu culto. A idolatria nega o senhorio exclusivo de Deus; é, portanto, incompatível com a comunhão divina.

– 2116. Todas as formas de adivinhação hão de ser rejeitadas: recurso a Satanás ou aos demônios, evocação dos mortos ou outras práticas que erroneamente se supõe “descobrir” o futuro. A consulta aos horóscopos, à astrologia, a quiromancia, a interpretação de presságios e da sorte, os fenômenos de visão, o recurso a médiuns escondem uma vontade de poder sobre o tempo, sobre a história e, finalmente, sobre os homens, ao mesmo tempo em que um desejo de ganhar para si os poderes ocultos. Essas práticas contradizem a honra e o respeito que, unidos ao amoroso temor, devemos exclusivamente a Deus.

– 2117. Todas as práticas de magia ou de feitiçaria com as quais a pessoa pretende domesticar os poderes ocultos, para colocá-los a seu serviço e obter um poder sobrenatural sobre o próximo – mesmo que seja para proporcionar a este a saúde – são gravemente contrárias à virtude da religião. Essas práticas são ainda mais condenáveis quando acompanhadas de uma intenção de prejudicar a outrem, ou quando recorrem ou não à intervenção dos demônios. O uso de amuletos também é repreensível. O espiritismo implica frequentemente práticas de adivinhação ou de magia. Por isso a Igreja adverte os fiéis a evitá-lo. O recurso aos assim chamados remédios tradicionais não legitima nem a invocação dos poderes maléficos nem a exploração da credulidade alheia.

– 2119. A ação de tentar a Deus consiste em pôr â prova, em palavras ou em atos, sua bondade e sua onipotência. Foi assim que Satanás quis conseguir que Jesus se atirasse do alto do templo e obrigasse Deus, desse modo, a agir. Jesus opõe-lhe a Palavra de Deus: “Não tentarás o Senhor teu Deus” (Dt 6,16). O desafio contido em tal “tentação de Deus” falta com o respeito e a confiança que devemos a nosso Criador e Senhor. Inclui sempre uma dúvida a respeito de seu amor, sua providência e seu poder.

– 2583. Depois de ter aprendido a misericórdia em seu retiro á margem da torrente do Carit, ensina à viúva de Sarepta a fé na palavra de Deus, fé que ele confirma por sua oração insistente: Deus devolve à vida o filho da viúva. Por ocasião do sacrifício no monte Carmelo, prova decisiva para a fé do povo de Deus, foi por sua súplica que o fogo do Senhor consumiu o holocausto, “na hora em que se apresenta a oferenda da tarde”: “Responde-me, Senhor, responde-me!”, são as mesmas palavras de Elias que as Liturgias orientais repetem na Epiclese eucarística [a60]. Por fim, retomando o caminho do deserto para o lugar em que o Deus vivo e verdadeiro se revelou a seu povo, Elias se escondeu, como Moisés, “na fenda do rochedo”, até que “passasse” a Presença misteriosa de Deus. Mas somente na montanha da Transfiguração se revelará Aquele cuja face buscam; o conhecimento da Glória de Deus está na face Cristo crucificado e ressuscitado.

VII. MAS LIVRAI-NOS DO MAL

 – 2850. O último pedido ao nosso Pai aparece também na oração de Jesus: “Não te peço que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno” (Jo 17,15). Diz respeito a cada um de nós pessoalmente, mas somos sempre “nós” que rezamos em comunhão com toda a Igreja e pela libertação de toda a família humana. A Oração do Senhor não cessa de abrir-nos para as dimensões da economia da salvação. Nossa interdependência no drama do pecado e da morte se transforma em solidariedade no Corpo de Cristo, na “comunhão dos santos”.

– 2851. Neste pedido, o Mal não é uma abstração, mas designa uma pessoa, Satanás, o Maligno, o anjo que se opõe a Deus. O “diabo” (“diabolos”) é aquele que “se atira no meio” do plano de Deus e de sua “obra de salvação” realizada em Cristo.

– 2852. “Homicida desde o princípio, mentiroso e pai da mentira” (Jo 8), “Satanás, sedutor de toda a terra habitada” (Ap 12,9), foi por ele que o pecado e a morte entraram no mundo e é por sua derrota definitiva que a criação toda será “liberta da corrupção do pecado e da morte”.

“Nós sabemos que todo aquele que nasceu de Deus não peca; o Gerado por Deus se preserva e o Maligno não o pode atingir”. “Nós sabemos que Somos de Deus e que o mundo inteiro está sob o poder do Maligno” (1 Jo 5,18-19). O Senhor, que arrancou vosso pecado e perdoou vossas faltas, tem poder para vos proteger e vos guardar contra os ardis do Diabo que Vos combate, a fim de que o inimigo, que costuma engendrar a falta, não vos surpreenda. Quem se entrega a Deus não teme o Demônio. “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm 8,31).

– 2853. A vitória sobre o “príncipe deste mundo” foi alcançada, de unia vez por todas, na hora em que Jesus se entregou livremente à morte para nos dar sua vida. É o julgamento deste mundo, e o príncipe deste mundo é “lançado fora”, “Ele põe-se a perseguir a Mulher”, mas não tem poder sobre ela: a nova Eva, “cheia de graça” por obra do Espírito Santo, é preservada do pecado e da corrupção da morte (Imaculada Conceição e Assunção da Santíssima Mãe de Deus, Maria, sempre virgem). “Enfurecido por causa da Mulher, o Dragão foi então guerrear contra o resto de seus descendentes” (Ap 12,17). Por isso o Espírito e a Igreja rezam: “Vem, Senhor Jesus” (Ap 22,17.20), porque a sua Vinda nos livrará do Maligno.

– 2854. Ao pedir que nos livre do Maligno, pedimos igualmente que sejamos libertados de todos os males, presentes, passados e futuros, dos quais ele é autor ou instigador. Neste último pedido, a Igreja traz toda a miséria do mundo diante do Pai. Com a libertação dos males que oprimem a humanidade, ela implora o dom precioso da paz e a graça de esperar perseverantemente o retorno de Cristo. Rezando dessa forma, ela antecipa, na humildade da fé, a recapitulação de todos e de tudo naquele que “detém as chaves da Morte e do Hades” (Ap 1,18), “o Todo Poderoso, Aquele que é, Aquele que era Aquele que vem” (Ap 1,8): Livrai-nos de todos os males, ó Pai, e dai-nos hoje a vossa paz. Ajudados por vossa misericórdia, sejamos sempre livres do pecado e protegidos de todos os perigos, enquanto, vivendo a esperança, aguardamos a vinda do Cristo Salvador

 

(Transcrição do Catecismo da Igreja Católica)

A igreja não ignora a existência de uma força que tenta se contrapuser a força do amor de Deus, e esta força só tem poder quando nos abrimos espaço para ela, e me desculpem os céticos e ditos ateus, nós temos andado com uma janela aberta para nossa vida e a todo o momento nos expomos mais e mais.

Não estou dizendo para ninguém se privar dos benefícios da tecnologia, mas que tenhamos prudência e discernimento ao usá-la. Não dá para aceitar tudo porque é moda ou porque um monte de idiotas já faz isso. Temos que cuidar da nossa vida.

Fazer o quê?

O que mais nos atrai ou nos leva as armadilhas destes grupos de morte é o isolamento, o sentimento de vazio. Em sua primeira Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (Alegria do Evangelho) o Papa Francisco já falava sobre muito do que acontecia:

“2. O grande risco do mundo atual, com sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada. Quando a vida interior se fecha nos próprios interesses, deixa de haver espaço para os outros, já não entram os pobres, já não se ouve a voz de Deus, já não se goza da doce alegria do seu amor, nem fervilha o entusiasmo de fazer o bem. Este é um risco, certo e permanente, que correm também os crentes. Muitos caem nele, transformando-se em pessoas ressentidas, queixosas, sem vida. Esta não é a escolha duma vida digna e plena, este não é o desígnio que Deus tem para nós, esta não é a vida no Espírito que jorra do coração de Cristo ressuscitado. 7. A tentação apresenta-se, frequentemente, sob forma de desculpas e queixas, como se tivesse de haver inúmeras condições para ser possível a alegria. Habitualmente isto acontece, porque «a sociedade técnica teve a possibilidade de multiplicar as ocasiões de prazer; no entanto ela encontra dificuldades grandes no engendrar também a alegria». Posso dizer que as alegrias mais belas e espontâneas, que vi ao longo da minha vida, são as alegrias de pessoas muito pobres que têm pouco a que se agarrar. Recordo também a alegria genuína daqueles que, mesmo no meio de grandes compromissos profissionais, souberam conservar um coração crente, generoso e simples. De várias maneiras, estas alegrias bebem na fonte do amor maior, que é o de Deus, a nós manifestados em Jesus Cristo. Não me cansarei de repetir estas palavras de Bento XVI que nos levam ao centro do Evangelho: «Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo».

  1. Somente graças a este encontro – ou reencontro – com o amor de Deus, que se converte em amizade feliz, é que somos resgatados da nossa consciência isolada e da auto-referencialidade. Chegamos a ser plenamente humanos, quando somos mais do que humanos, quando permitimos a Deus que nos conduza para além de nós mesmos a fim de alcançarmos o nosso ser mais verdadeiro. Aqui está a fonte da ação evangelizadora. Porque, se alguém acolheu este amor que lhe devolve o sentido da vida, como é que pode conter o desejo de comunicá-lo aos outros? – 2 .A doce e reconfortante alegria de evangelizar
  2. O bem tende sempre a comunicar-se. Toda a experiência autêntica de verdade e de beleza procura, por si mesma, a sua expansão; e qualquer pessoa que viva uma libertação profunda adquire maior sensibilidade face às necessidades dos outros. E, uma vez comunicado, o bem radica-se e desenvolve-se. Por isso, quem deseja viver com dignidade e em plenitude, não tem outro caminho senão reconhecer o outro e buscar o seu bem. Assim, não nos deveriam surpreender frases de São Paulo como estas: “O amor de Cristo nos absorve completamente” (2Cor 5, 14); “ai de mim, se eu não evangelizar!” (1Cor 9, 16).” (Texto extraído na integra de trecho da Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium)

Cuidar de nossos filhos, nossos jovens é um dever acima de tudo de quem ama. Mas cuidar para que o mal não entre nas nossas casas, não cause estragos e não acabe levando a vida de tantos e tantos jovens, é um dever nosso, que não podemos nos dar ao luxo de ignorar, digam o que quiserem dizer.

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Uma ideia de morte

De tanto pensar, conversar, rezar, ler e tentar entender através da minha própria ignorância sobre o assunto. Das boas e reflexivas conversas que tive com meu amigo e irmão na fé Valdecir. Algumas palestras e documentários que vi. A conclusão, talvez até tão óbvia que fique oculta, é que na verdade tudo o que se prega sobre o dito Anti-Cristo não é uma pessoa em si, mas sim uma ideia. Digo mais, um conjunto de idéias que levará ao mesmo fim: o pecado de dizer não a Deus.

Dizer não a Deus é abandonar o amor pelo próximo e o amor por si mesmo. Isso só pode levar a um caminho: a morte. E não é a morte na paz, mas a morte violenta e cruel de alguém que não tem mais esperança de encontrar a paz em Jesus.

Hoje existem muitas idéias com potencial para isso, e todas, sem exceção se revestem de liberdade, mas na verdade são armadilhas para prender cada vez as pessoas.

“É em nome da liberdade total, que a pessoa acaba se aprisionando mais ainda.” (Infelizmente não posso ser justo e dizer quem falou isso por eu não lembrar neste momento). Esta frase resume muita coisa, pois todas as ideias de liberdade total (e veja bem não estou falando que devemos ser prisioneiros, mas temos deveres também com o mundo e estes deveres não permitem, por exemplo, que podemos poluir o mundo) pregam um abandono a Deus, mas logo depois a pessoa é aprisionada pela tal “liberdade” tão almejada.

Liberdade para mim é o poder ir e vir, escolher o que quero fazer, ler, ver, ouvir sem que para isso eu desrespeite o direito do outro de ser, fazer e viver o que ele quer viver.

Vou dar um exemplo mais direto de como uma dessas ideias são utópicas: A pessoa prega que quer a liberação das drogas, porque cada um tem que ter liberdade para escolher o que quer ou não fazer e também para ter a liberdade de “expandir a mente” (sempre achei que o conhecimento expandia a mente, mas vamos lá), porém esta dita “liberdade” logo se torna uma prisão, pois o que era apenas uma “diversão” se torna um vício que destrói ano após ano famílias inteiras e a vida de muitas e muitas pessoas que se entregam a esta ideia.

Então o Anti-Cristo seria, em minha opinião, um conjunto de ideias (os grupos da morte na internet são apenas uma dessas ideias) que levarão ao final dos tempos. E essas ideias já estão em curso, divulgadas em todos os meios de comunicação para questionar desde valores éticos, morais e até naturais pregando a falsa liberdade que no fim levará a um cárcere ainda mais doloroso.

 

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A bizarrice da automutilação por um desafio que não tem um prêmio real

Oculto até mesmo quando não parece

Ano passado (2016), um jovem de 21 anos, chamado Philip Budeikin, foi preso pela polícia. Ele é acusado de ser um dos chefes por trás do jogo, já que ele foi responsável por organizar oito grupos, entre 2013 e 2016, nos quais ele promovia o suicídio. Acredita-se que 15 adolescentes cometeram suicídio seguindo suas ordens, enquanto que outros cinco conseguiram ser salvos de última hora, de acordo com as acusações feitas contra Budeikin. Sabe o mais estranho, ele diz não saber de nada e ainda não se conseguiu chegar a provas definitivas

Philip Budeikin no momento da sua prisão, em detalhe e fotos dos braços de uma jovem vitima

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Charlie Charlie a ideia é conversar com um demônio

Deixo claro que todo o texto compartilhado é o que penso e não uma declaração da Igreja Católica Apostólica Romana, da qual sou um fiel leigo e não ordenado. Mas baseado e alicerçado nos livros e estudos que fiz e também na experiência e reflexões próprias.

Leia mais:

 

12º Encontro (Catequese) – Evangelho de Marcos

Série: Animo, uma nova Catequese (Encontro 12/40)

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Sugestão de folha de encontro (novo modelo)

 

Nosso encontro de número 12. É hora de perguntarmos como vai indo nossa vivência na fé. Momento oportuno para conversarmos e descobrirmos se estamos no caminho certo e se realmente estamos conseguindo transmitir tudo o que desejamos.

Como tem sido costume sempre indico que se comece com uma oração e nada melhor que se faça a oração do Pai Nosso, uma Ave Maria e o Vinde Espírito Santo, e logo depois possamos cantar uma música, como sugestão deixo Primeiro Passo de Agnaldo Moreno.

Depois podemos fazer um exercício de fé que consiste em dois momentos:

  1. Questionário para saber o que eles estão achando dos encontros e as sugestões
  2. Carta de intenção

Então vou explicar:

Questionário:

  • Nome
  • O que levou você a vir para a catequese? (deixar espaço para resposta)
  • Toda a sua família é católica? (deixar espaço para resposta)
  • Você é: batizado: Sim ( ) Não ( )    Fez a 1ª Eucaristia: Sim ( ) Não ( )
  • O que mais gosta nos encontros? (deixar espaço para resposta)
  • O que menos gosta? (deixar espaço para respostas)
  • O que gostaria que tivesse?(deixar espaço para resposta)
  • Sugestões de temas? (deixar espaço para resposta)
  • Entende o que os catequistas dizem? Sempre ( ) Nunca ( ) às vezes ( )
  • Cite o(s) encontro(s) que mais gostou até agora? (deixar espaço para resposta)
  • Você reza na sua casa? Sim ( ) Não ( )
  • Comenta sobre o que tem vivenciado com as outras pessoas? Sim ( ) Não ( )

O questionário serve como baliza para o grupo de catequistas e não para julgar ou avaliar os catequizandos, então a partir das respostas o grupo da Pastoral da Catequese deve se reunir e se autoavaliar levando em conta cada resposta e fazer as mudanças necessárias no modo de falar, se expressar e tudo o mais. Talvez nem seja preciso mudar nada, ou talvez seja necessário mudar muita coisa.

Carta de Intenção

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Esta é mais uma brincadeira que deve ser feita assim que terminar o questionário. Consiste em cada um escrever de próprio punho o que pretende mudar até o final da caminhada da catequese. A pessoa inicia escrevendo: Meu amigo Jesus até o final eu pretendo… Ai cada um coloca a data e depois colocam as cartas num envelope, coloca o próprio nome e lacra. Os catequistas pegam um envelope grande (tipo de documentos) colocam a data e todas as cartas dentro e também lacram. Este envelope só será aberto no penúltimo encontro da catequese e entregue carta por carta para que eles leiam e vejam se conseguiram atingir as mudanças que pretendiam.

No próximo momento a sugestão é desenvolver o tema, falando sobre a história de São Marcos e toda a história de seu evangelho. (Ver Aprofundamento para o Catequista e também os posts sobre estudo). Uma parte das sugestões é refletir a parábola que Jesus contou sobre o Buraco da Agulha

Na sequência é o momento de fazer o nosso canto final, e a sugestão de hoje é a bela Mensageiro da Paz (Jean Carlos) e logo depois é hora de fazer a nossa oração final, com a oração de São Marcos.

Letras das músicas sugeridas

(após pesquisa na internet não encontrei as letras publicadas por isso estou publicando neste espaço para facilitar a quem for produzir folhas de encontro)

Primeiro Passo/ Agnaldo Moreno

Vai-se o tempo e vem a certeza

De um dia te encontrar

Pra falar de coisas boas

Que me levaram a te amar

Caminhei por estradas loucas

Mas sabia que ia chegar

Ao teu lado pai querido

Para sempre me entregar

O caminho estava à frente

Mas não dava pra enxergar

Caminhei pelo relento

Como quis te encontrar

Mas Jesus foi me mostrando

Filho ai não podes ficar

Meu amor por ti é tanto

Me dê a mão vou te levar

Hoje tenho minha vida

Este amor pra te mostrar

Se Jesus me deu a mão

Porque pra ti ele não dará

Ele te ama aceite isso

É o primeiro passo para chegar

Ele te ama aceite isso,

É o primeiro , É o primeiro passo

Primeiro passo pra chegar

Mensageiro da Paz / Jean Carlos

Quando sinto o teu amor que me invade

E em meu peito a vontade

De dizer que és meu rei

Quero ser o teu filho querido,

Te dizer que és bendito

E a tua paz irei cantar

Quando o teu povo desanima

E em meu peito se aproxima

A vontade de chorar

Quero ser um simples mensageiro

De tua paz ao mundo inteiro

Teu amor irei levar

Sei que tudo pode ser real

Todo o povo sempre unido

Em um mesmo ideal

Quero ver o amanhã

Sempre a proclamar

Que a paz de Cristo está neste lugar

Aprofundamento para o catequista

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O objetivo do Evangelho de São Marcos é explicar: Quem é Jesus. Trazendo literalmente a tradução da palavra evangelho (boa nova) para a realidade. Esta boa noticia era a vida e obra de Jesus Cristo.

A tradição (e quando falo isso quero dizer a tradição oral e algumas coisas trazidas pelos evangelhos apócrifos) dão conta de que Marcos era primo de Barnabé que conhecia Jesus. O nome dele na verdade seria João Marcos e ele era praticamente uma criança quando Jesus pregava.

A casa dele foi lugar de muitos encontros de Jesus e seus discípulos pois a família dele era amiga de Pedro e por consequência ficou amiga do mestre. Seu primo Barnabé mais tarde seria um dos primeiros a confiar em Paulo. A tradição traz que teria sido na casa dele que foi realizada a última ceia.

Marcos tinha dinheiro e depois da ressurreição e ascensão de Cristo foi um dos primeiros companheiros de Pedro e Paulo, até que os dois se separaram por divergências sobre qual o melhor caminho para a evangelização. Marcos então se tronou seguidor de Pedro.

Os historiadores não tem dúvidas de que o primeiro evangelhos ser escrito foi o dele. Tanto que o texto de Lucas usou 2/3 e Mateus 95% do texto de Marcos para comporem seus respectivos evangelhos. Apesar disso o Evangelho de Marcos só tem 16 capítulos e é o mais curto de todos.

A igreja colocou Mateus primeiro, Marcos em segundo e Lucas em terceiro porquê estes 3 evangelhos são chamados de sinóticos (semelhantes ou iguais), já o evangelho de João é diferente destes apesar de se tratar dos mesmos fatos.

Marcos é representado por um leão porque começa narrando sua história pelo deserto, lugar onde este tipo de animal se encontra naquela região.

O dia de São Marcos é celebrado pela Igreja em 25 de abril, que teria sido o dia em que ele foi arrastado pelas ruas de Alexandria no seu martírio. Ele também é o padroeiro da cidade de Veneza, na Itália e lá sua igreja é considerada uma das mais belas e fantásticas igrejas já construídas.

Os Católicos Apostólicos Ortodoxos Gregos consideram Marcos o fundador da sua religião e o alicerce da sua igreja (assim como Pedro é o dos Católicos Apostólicos Romanos).

Mc 10, 17-27 O buraco da agulha

As cidades fortificadas tinham uma abertura que só os moradores conheciam chamada “agulha” que mediante uma senha o viajante montado em um cavalo ou camelo tinha que passar. Como era muito pequena e o animal tinha que se abaixar e passar quase rastejando. Então era muito difícil e só a usavam quem tinha viajado e desprevenido chegava altas horas da noite quando a muralha já estava fechada

Imagens Basílica de São Marcos em Veneza

 

 

 

 

Ressuscitou ao terceiro dia

Série: Animo, uma nova Catequese (Jesus Cristo – Complemento 5)

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Imagine a cena:

Você teve um amigo assassinado, e por alguma circunstância teme pela sua própria vida, mas mesmo assim você não sai da cidade, ao contrário fica escondido com mais alguns amigos que também tem medo. Todos os movimentos fora da casa te deixam apreensivos, você acha que a qualquer momento alguém vai invadir a casa e tudo estará perdido. De repente entra uma mulher correndo e diz que o corpo do seu amigo sumiu de onde deveria estar. Você não pensa duas vezes e dispara correndo até o local, nem percebe que tem mais pessoas com você e se depara com o local onde o corpo deveria estar vazio. O que aconteceu?

Foi mais ou menos isso o que ocorreu com Maria Magdalena e também com Pedro e os discípulos que correram até o local onde Jesus Cristo deveria estar sepultado. Eles nem se lembraram das palavras do próprio Cristo que anunciara várias vezes que voltaria dos mortos.

Mas como isso pode ter acontecido?

O maior dos mistérios de Deus

Até hoje existem controvérsias sobre o que realmente aconteceu naqueles dias e como isso ficou marcado na história do mundo até  nossos tempos. Basta pensarmos que até a contagem dos anos passou a ser antes e depois de Cristo, dada a tamanha importância deste homem, que eu acredito sim ser o Filho de Deus.

São Paulo que jamais conheceu Jesus pessoalmente escreveu a comunidade de Corinto:

“Se Cristo não foi ressuscitado, nós não temos nada para anunciar e vocês não tem nada para crer(…) Se Cristo não foi ressuscitado, a fé que vocês tem é uma ilusão (…) Se Cristo não ressuscitou, os que morreram crendo nele estão perdidos (…) Se a nossa esperança em Cristo só vale para esta vida, nós somos as pessoas mais infelizes deste mundo.”

Já parou para pensar friamente nisso?

Toda a nossa fé é baseada na história de Cristo e principalmente na sua ressurreição, pois a partir é construído todo o cristianismo (no início chamado de Nazarenos) e é nesta base que é erguida a Igreja Católica.

Ao contrário do que querem dizer alguns irmãos de outras denominações a Igreja Católica Apostólica Romana segue um Deus vivo na figura do Pai, Filho (Jesus Cristo vivo e ressuscitado, elevado aos céus) e Espírito Santo. A trindade santa de um Deus uno. Nosso Jesus não é o da cruz, mas também é o da cruz pois serve para nunca esquecermos até onde fomos condenando o próprio Deus na figura do filho. Por isso é hora de deixar a hipocrisia de lado e saber que O Jesus Cristo da Igreja Católica está vivo  e foi elevado aos céus de corpo e alma.

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Ícone da Santíssima Trindade por Claudio Pastro

 

O que acontece com o corpo quando a pessoa morre

Jesus sofreu torturas desde o momento em que foi preso pelos guardas do templo, e nas mãos dos romanos também foi castigado e humilhado. A morte na cruz também á algo extremamente doloroso e agonizante, não foi rápida nem indolor, pelo contrário foi muito pior do que qualquer filme ou pintura pode mostrar. Inimaginável.

Mas quando a pessoa morre imediatamente o corpo começa a se decompor. Vou enumerar o que acontece abaixo:

1 – Suas células ficam abertas

Da mesma forma que a digestão começa assim que você coloca um alimento em sua boca, a decomposição é um processo que tem início minutos depois da morte. Logo após seu coração resolver parar de bater, a temperatura do seu corpo vai cair quase 10 °C em um intervalo de uma hora até ficar em temperatura ambiente. O sangue fica mais ácido, o que faz com que as células se abram e enviem todas as suas enzimas para os tecidos, que começam um processo de autodigestão.

2 – Você fica branco e roxo

E isso acontece graças aos efeitos da gravidade, que fazem com que o sangue do corpo siga para as áreas mais próximas ao chão – isso acontece porque não existe mais circulação sanguínea. O resultado dessa descontinuidade de fluxo sanguíneo é uma coleção de manchas roxas sobre as regiões mais baixas do seu corpo. Essas manchas são chamadas de “livor mortis” e, quando médicos legistas as estudam, conseguem saber a hora exata em que uma pessoa morreu.

3 – Seus músculos contraem

Seu corpo começa a ficar mais rígido após quatro horas de morte, atingindo pico de rigidez doze horas depois e perdendo essa característica após 48 horas. Isso acontece porque há bombas em nossas membranas musculares que regulam cálcio e, quando essas bombas param de trabalhar em decorrência da morte, o cálcio inunda as células, fazendo com que os músculos se contraiam e fiquem enrijecidos.

4 – Seus órgãos vão se auto digerir

Depois dos processos citados acima, seu corpo vai entrar em estado de putrefação, que é, basicamente, a decomposição total. Enzimas do seu pâncreas vão fazer com que o órgão de auto degenere e, enquanto isso, micro-organismos vão atacar essas enzimas, deixando seu corpo com uma coloração verde a partir do umbigo. O fato é que todo ser humano vive um relacionamento sério com aproximadamente 100 trilhões de bactérias durante a vida – essas bactérias, na maioria das vezes, usam nosso corpo como moradia e não nos causam problemas. Porém, quando elas são os únicos vestígios de vida, fazem a festa e acabam, literalmente, conosco. É graças a elas e à capacidade que elas têm de liberar as enzimas putrescina e cadaverina que um corpo morto não tem um cheiro muito agradável.

Pela ação das bactérias, os órgãos desprendem-se da estrutura do corpo e desmancham. Os que se decompõem mais rápido são os pulmões (que têm tecidos finos), os intestinos (que já possuem bactérias que ajudam na digestão) e o pâncreas (cujas enzimas agem na decomposição). Um dos que mais demoram é o fígado, pois ele é um dos maiores órgãos do corpo humano.

5 – Você pode virar cera

Depois da putrefação, não demora para que seu corpo se transforme apenas em esqueleto. No entanto, alguns corpos – especialmente aqueles que entram em contato com água ou terra gelada – podem desenvolver o que é conhecido como adipocere, um material adiposo formado nos tecidos do seu corpo, atuando como um conservante natural dos órgãos, fazendo com que você demore muito mais para apodrecer totalmente. É possível que, por algum tempo, depois de morto, você pareça um boneco de cera.

Agora pense um pouco:

Jesus morreu e ficou três dias morto, então aconteceu praticamente tudo que escrevi acima com seu corpo. Para que Jesus pudesse ressuscitar todos os órgãos, o sangue, o tecido e a temperatura do corpo teve que voltar ao seu estado anterior, de quando ele estava vivo. Apenas um ato de Deus poderia traze-lo de volta a vida, e foi o que aconteceu.

Impossível? Talvez. Não se você tiver falando de fé. Afinal o próprio Jesus trouxe alguém a vida depois de 4 dias morto e já sepultado, é só ver a história de Lázaro narrada no Evangelho de João (Jo 11, 1-48)

Uma nova Páscoa

Foi a ressurreição de Jesus, apesar de todos os prodígios que já havia realizado que deu a certeza a seus seguidores de que ele era realmente o filho de Deus. Para que tudo fosse ainda mais confirmado, Jesus faz sua ascensão aos céus na frente de todos os seus seguidores após o Pentecostes onde os Espírito Santo é dado a todos que tiveram fé. Até Tomé acostumado a só acreditar se visse, ou tocasse teve que crer pois seus olhos testemunharam aquele fato extraordinário e único.

Com a ressurreição e a entrega da missão a cada um dos discípulos e seguidores começou realmente todo o movimento cristão e com a inclusão do antes perseguidor de nazarenos Saulo, transformado em Paulo e um dos maiores propagadores da fé em Cristo, seguindo a máxima dos que , como nós, acreditam sem ter visto, que a igreja de Jesus foi tomando forma até se tornar religião do Império Romano e depois a maior religião do mundo.

Afinal Jesus foi um rei messiânico, que libertou o povo cativo, só que não quis derramar uma gota de sangue que não o próprio. O messias esperado e anunciado por Isaías que veio salvar a todos, anunciando sua volta um dia (assunto para um artigo próximo).

Nossa fé, toda ela é baseada na passagem do Deus feito homem pela terra. Jesus não foi um profeta, um pregador, um líder ou um personagem fictício. Jesus é real e ainda vive no céu, de onde se prepara para voltar a terra e levar aqueles que realmente tem fé. Por isso a perseverança é nosso lema.

Jesus Cristo, nasceu e viveu para nos colocar no caminho de Deus. Fez milagres, e um milagre não é um ato isolado e passageiro, mas sim algo duradouro e definitivo. Curou pessoas, e vale salientar que estas pessoas não estavam apenas doentes fisicamente, mas também estavam doentes espiritualmente, pois assim que creram em Jesus foram curadas. Um exemplo é o servo do rei que veio procurar Jesus pois seu filho estava praticamente morto, e Jesus apenas perguntou da fé deste homem e sem tocar na criança, mas enviando um pai que acreditava fez o milagre que tanto este homem ansiava (Jo 4, 47-54). Também teve a cura do servo do centurião romano (um soldado) que acreditava em Jesus (Lc 7, 1-10) Tudo pela fé real da pessoa. Mais do que o gesto, é a fé das pessoas que cura, e esta fé está intimamente ligada a algo maior, ligada a figura de Jesus Cristo, que ressuscitou apenas para poder voltar ao céu, e também para que aqueles que ainda tinham dúvidas pudessem ter a certeza de que aquele não era um homem, não era um simples ser humano, mas sim o próprio Deus.

Tem um Rap que diz:

Todo homem quer ser rei, todo rei quer ser Deus. Mas só Deus quis ser homem.

Eu sou Católico Apostólico Romano e meu Deus é está vivo para sempre.

Narrativa bíblica

Epístolas paulinas (Cartas de São Paulo)

Os mais antigos registros escritos da morte e ressurreição de Jesus são as cartas de Paulo, que foram escritas por volta de duas décadas após a morte de Jesus e mostram que, neste período, os cristãos acreditavam firmemente no evento. Alguns estudiosos acreditam que elas tenham incorporado credos e hinos primitivos, escritos apenas uns poucos anos após a morte de Jesus e originados na comunidade cristã de Jerusalém. Estes credos, mesmo inseridos nos textos do Novo Testamento, são uma fonte importante sobre este período do cristianismo primitivo (vide abaixo):

  • «acerca de seu Filho (que veio da descendência de Davi quanto à carne, e que foi com poder declarado Filho de Deus quanto ao espírito de santidade, pela ressurreição dos mortos), Jesus Cristo nosso Senhor» (Rm 1, 3-4).
  • «Lembra-te de Jesus Cristo, ressuscitado dentre os mortos, descendente de Davi, segundo o meu Evangelho» (II Tm 2,8).
  • «Pois eu vos entreguei primeiramente o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e que foi ressuscitado ao terceiro dia segundo as Escrituras e que apareceu a Cefas e então aos doze. Depois apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma vez, dos quais a maior parte permanece até agora, mas alguns já dormiram; depois apareceu a Tiago, então a todos os apóstolos;» (I Cor 15,3-7).

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Estas aparições neste último credo incluem aquelas aos membros mais proeminentes entre os seguidores de Jesus e, posteriormente, da igreja de Jerusalém, incluindo Tiago, irmão de Jesus, e os apóstolos, nomeando apenas Pedro (Cefas). O credo também faz referências a aparições para pessoas cujo nome não é citado. Hans Von Campenhausen e A. M. Hunter afirmaram, separadamente, que o texto deste credo cumpre os rigorosos critérios de historicidade e confiabilidade de origem.

 

Evangelhos

Os Evangelhos Sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) e o de João mostram algumas versões diferentes até entre si da narrativa da descoberta do túmulo vazio de Jesus. Marcos e Lucas falam de 3 mulheres, mas uma delas é diferente nos dois casos. Um fala de Salomé e o outro diz que foi Joana. Mateus diz que foram apenas 2 mulheres, ignorando tanto Salomé como Joana. João fala apenas de 1 mulher que seria Maria Madalena (ou Maria de Magdala como alguns traduzem). O fato é que todos não negam que Maria Madalena foi uma das primeiras a descobrir o túmulo vazio. Isso mostra como Maria Madalena fazia parte do círculo quase fechado de discípulos de Jesus, pois ela tinha acesso até aos mais próximos do mestre. Futuramente vou postar algo sobre isso.

Marcos

Logo após o nascer do sol no dia seguinte ao sabbath, três mulheres, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e Salomé, foram ungir o corpo de Jesus imaginando como é que conseguiriam rolar a pesada pedra que fechava o túmulo. Porém, elas a encontraram já rolada e viram um jovem sentado no túmulo que lhes contou que Jesus havia ressuscitado e que elas deveriam contar para Pedro e os apóstolos que Ele iria se encontrar com eles na Galileia, “como havia prometido”. As mulheres correram e não contaram para ninguém    (Mc 16).

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Mateus

Logo após o nascer do sol no dia seguinte ao sabbath, Maria Madalena e “a outra Maria” foram espiar o túmulo. Acompanhado de um terremoto, um anjo desceu dos céus e rolou a pedra na entrada. Ele diz para elas não terem medo e pede que elas contem aos discípulos que Jesus ressuscitou e que irá encontrá-los na Galileia. As mulheres se regojizaram e correram para contar as novidades aos discípulos, mas Jesus apareceu e repetiu o que foi dito pelo anjo. Os discípulos então foram para a Galileia e lá viram Jesus. Os soldados que guardavam o túmulo ficaram aterrorizados com o anjo e informaram aos sumo-sacerdotes. Furiosos, eles pagaram para que eles espalhassem a informação mentirosa de que os discípulos de Jesus haviam roubado o corpo “e esta notícia se há divulgado entre os judeus até o dia de hoje” (Mt 28).

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Porque procura entre os mortos o que está vivo?

Lucas

Logo após o nascer do sol no dia seguinte ao sabbath algumas mulheres (Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago) foram ungir o corpo de Jesus. Eles encontraram a pedra já rolada e o túmulo vazio. Repentinamente, dois homens apareceram atrás delas e disseram que Jesus havia ressuscitado. As mulheres contaram aos discípulos, que não acreditaram nelas, com exceção de Pedro, que correu até a tumba. Ele descobriu a mortalha no túmulo e foi embora imaginando o que poderia ter acontecido.

No mesmo dia, Jesus apareceu para dois seguidores na estrada para Emaús. Eles só o reconheceram quando ele partiu o pão e deu graças, desaparecendo em seguida. Os dois imediatamente seguiram para Jerusalém, onde encontraram os discípulos excitados com a aparição de Jesus a Pedro. Quando eles começaram a contar a história, Jesus apareceu para todos eles, que ficam assustados, mas ele os convidou a tocarem no seu corpo, comerem com ele e explicou que nele as profecias se realizaram (Lc 24).

Atos dos Apóstolos

Na continuação do relato de Lucas, Jesus apareceu para diversas pessoas por quarenta dias, dando muitas provas de sua ressurreição e instruindo os apóstolos a não deixarem Jerusalém antes de serem batizados pelo Espírito Santo (At 1).

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Ascensão

João

Bem cedo no dia após o sabbath, antes do nascer do sol, Maria Madalena visitou o túmulo de Jesus e encontrou a pedra já rolada. Ela contou a Pedro e ao “discípulo amado”, que correram para lá, encontraram apenas a mortalha e foram para casa. Maria viu dois anjos e Jesus, que ela não reconheceu de imediato. Ele pediu a ela que contasse aos discípulos que Jesus irá ascender ao Pai, o que ela se apressou para fazer.

Naquela tarde, Jesus apareceu entre eles, mesmo as portas estando trancadas, e lhes conferiu o poder sobre o pecado e o de perdoar. Uma semana depois, ele apareceu para Tomé, que não tinha acreditado até então. Quando ele tocou as chagas de Jesus, disse “Meu senhor, meu Deus”, ao que Jesus respondeu “Creste, porque me viste? Bem-aventurados os que não viram e creram” (Jo 20).

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Tomé toca as chagas de Jesus

No Catecismo da Igreja Católica (638-645)

AO TERCEIRO DIA, RESSUSCITOU DOS MORTOS

638. «Nós vos anunciamos a Boa-Nova de que a promessa feita aos nossos pais, a cumpriu Deus para nós, seus filhos, ao ressuscitar Jesus» (Act 13, 32-33). A ressurreição de Jesus é a verdade culminante da nossa fé em Cristo, acreditada e vivida como verdade central pela primeira comunidade cristã, transmitida como fundamental pela Tradição, estabelecida pelos documentos do Novo Testamento, pregada como parte essencial do mistério pascal, ao mesmo tempo que a cruz:

«Cristo ressuscitou dos mortos.
Pela Sua morte venceu a morte,
e aos mortos deu a vida» (542).

I. Acontecimento histórico e transcendente

639. O mistério da ressurreição de Cristo é um acontecimento real, com manifestações historicamente verificadas, como atesta o Novo Testamento. Já São Paulo, por volta do ano 56, pôde escrever aos Coríntios: «Transmiti-vos, em primeiro lugar, o mesmo que havia recebido: Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras: a seguir, apareceu a Pedro, depois aos Doze» (1 Cor 15, 3-4). O Apóstolo fala aqui da tradição viva da ressurreição, de que tinha tomado conhecimento após a sua conversão, às portas de Damasco (543).

O TÚMULO VAZIO

640. «Por que motivo procurais entre os mortos Aquele que está vivo? Não está aqui, ressuscitou» (Lc 24, 5-6). No quadro dos acontecimentos da Páscoa, o primeiro elemento que se nos oferece é o sepulcro vazio. Isso não é, em si, uma prova directa. A ausência do corpo de Cristo do sepulcro poderia explicar-se doutro modo (544). Apesar disso, o sepulcro vazio constitui, para todos, um sinal essencial. A descoberta do facto pelos discípulos foi o primeiro passo para o reconhecimento do facto da ressurreição. Foi, primeiro, o caso das santas mulheres (545), depois o de Pedro (546). «O discípulo que Jesus amava» (Jo 20, 2) afirma que, ao entrar no sepulcro vazio e ao descobrir «os lençóis no chão» (Jo 20, 6), «viu e acreditou» (547); o que supõe que ele terá verificado, pelo estado em que ficou o sepulcro vazio “‘, que a ausência do corpo de Jesus não podia ter sido obra humana e que Jesus não tinha simplesmente regressado a uma vida terrena, como fora o caso de Lázaro (549).

AS APARIÇÕES DO RESSUSCITADO

641. Maria Madalena e as santas mulheres, que vinham para acabar de embalsamar o corpo de Jesus (550), sepultado à pressa por causa do início do «Sábado», no fim da tarde de Sexta-feira Santa (551), foram as primeiras pessoas a encontra-se com o Ressuscitado (552). Assim, as mulheres foram as primeiras mensageiras da ressurreição de Cristo para os próprios Apóstolos (553). Em seguida, foi a eles que Jesus apareceu: primeiro a Pedro, depois aos Doze (554). Pedro, incumbido de consolidar a fé dos seus irmãos (555), vê, portanto, o Ressuscitado antes deles e é com base no seu testemunho que a comunidade exclama: «Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão» (Lc 24, 34.36).

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642. Tudo quanto aconteceu nestes dias pascais empenha cada um dos Apóstolos – e muito particularmente Pedro – na construção da era nova, que começa na manhã do dia de Páscoa. Como testemunhas do Ressuscitado, eles são as pedras do alicerce da sua Igreja. A fé da primeira comunidade dos crentes está fundada no testemunho de homens concretos, conhecidos dos cristãos e, a maior parte, vivendo ainda entre eles. Estas «testemunhas da ressurreição de Cristo» (556) são, em primeiro lugar, Pedro e os Doze. Mas há outros: Paulo fala claramente de mais de quinhentas pessoas às quais Jesus apareceu em conjunto, além de Tiago e de todos os Apóstolos (557).

643. Perante estes testemunhos, é impossível interpretar a ressurreição de Cristo fora da ordem física e não a reconhecer como um facto histórico. Resulta, dos factos, que a fé dos discípulos foi submetida à prova radical da paixão e morte de cruz do seu Mestre, por este de antemão anunciada (558). O abalo provocado pela paixão foi tão forte que os discípulos (pelo menos alguns) não acreditaram imediatamente na notícia da ressurreição. Longe de nos apresentar uma comunidade tomada de exaltação mística, os evangelhos apresentam-nos os discípulos abatidos (de «rosto sombrio»: Lc 24, 17) e apavorados (559). Foi por isso que não acreditaram nas santas mulheres, regressadas da sua visita ao túmulo, e «as suas narrativas pareceram-lhe um desvario» (Lc 24, 11) (560). Quando Jesus apareceu aos onze, na tarde do dia de Páscoa, «censurou-lhes a falta de fé e a teimosia em não quererem acreditar naqueles que O tinham visto ressuscitado» (Mc 16, 14).

644.  Mesmo confrontados com a realidade de Jesus Ressuscitado, os discípulos ainda duvidam (561) de tal modo isso lhes parecia impossível: julgavam ver um fantasma (562). «Por causa da alegria, estavam ainda sem querer acreditar e cheios de assombro» (Lc 24, 41). Tomé experimentará a mesma provação da dúvida (563), e quando da última aparição na Galileia, referida por Mateus, «alguns ainda duvidavam» (Mt 28, 17).É por isso que a hipótese, segundo a qual a ressurreição teria sido um «produto» da fé (ou da credulidade) dos Apóstolos, é inconsistente. Pelo contrário, a sua fé na ressurreição nasceu — sob a acção da graça divina da experiência directa da realidade de Jesus Ressuscitado.

O ESTADO DA HUMANIDADE RESSUSCITADA DE CRISTO

645. Jesus Ressuscitado estabeleceu com os seus discípulos relações directas, através do contacto físico (564) e da participação na refeição (565). Desse modo, convida-os a reconhecer que não é um espírito (566), e sobretudo a verificar que o corpo ressuscitado, com o qual se lhes apresenta, é o mesmo que foi torturado e crucificado, pois traz ainda os vestígios da paixão (567). No entanto, este corpo autêntico e real possui, ao mesmo tempo, as propriedades novas dum corpo glorioso: não está situado no espaço e no tempo, mas pode, livremente, tornar-se presente onde e quando quer (568), porque a sua humanidade já não pode ser retida sobre a terra e já pertence exclusivamente ao domínio divino do Pai (569). Também por este motivo, Jesus Ressuscitado é soberanamente livre de aparecer como quer: sob a aparência dum jardineiro (570) ou «com um aspecto diferente» (Mc 16, 12) daquele que era familiar aos discípulos; e isso, precisamente, para lhes despertar a fé (571).

646. A ressurreição de Cristo não foi um regresso à vida terrena, como no caso das ressurreições que Ele tinha realizado antes da Páscoa: a filha de Jairo, o jovem de Naim e Lázaro. Esses factos eram acontecimentos milagrosos, mas as pessoas miraculadas reencontravam, pelo poder de Jesus, uma vida terrena «normal»: em dado momento, voltariam a morrer. A ressurreição de Cristo é essencialmente diferente. No seu corpo ressuscitado, Ele passa do estado de morte a uma outra vida, para além do tempo e do espaço. O corpo de Cristo é, na ressurreição, cheio do poder do Espírito Santo; participa da vida divina no estado da sua glória, de tal modo que São Paulo pode dizer de Cristo que Ele é o «homem celeste» (572).

(transcrição na integra do CIC)

Fontes:

A Via Crucis (As 15 estações)

Falando de Jesus Cristo – Estudo

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Jesus após ser preso, torturado pelo Sinédrio, depois foi levado a Herodes e depois mandado de volta para Caifás e por ultimo enviado para o julgamento do prefeito romano da Judéia Pôncio Pilatos. O sofrimento não acabaria ai, pois ainda foi chicoteado e depois de ser interrogado (existe uma controvérsia sobre este interrogatório ter ou não acontecido, mas isso é outro assunto) ainda teve que ouvir o mesmo povo que o aclamara dias antes como rei, escolher o zelote Barrabás (que por um acaso chamava-se Jesus Barrabás) para ser solto enquanto Jesus Cristo seria condenado.

Depois de tudo isso ainda teria que carregar o patibulum  (a trave da cruz) até o Monte Calvário, pelas ruas estreitas e irregulares de Jerusalém, acompanhado de uma multidão (uns arrependidos, outros apenas por um prazer cínico de ver o sofrimento alheio).

Cada passo desta caminhada ficou conhecida como a Via Crucis ou (Via Sacra). “Os franciscanos que marcam presença em Jerusalém desde 1300, estabeleceram um roteiro deste caminho de Jesus que tem uma distância de 500 a 600 metros. Este caminho hoje segue o traçado das ruas da cidade antiga de Jerusalém, portanto esta vários metros acima da Jerusalém do tempo de Jesus. A caminhada de Jesus tem inicio na saída do Pretório que localizado ao lado da Mesquita de Omar, no Pátio da Escola para a Comunidade Árabe da cidade velha de Jerusalém. Segue o caminho descendo pela chamada via dolorosa até encontrar a rua que dá para a porta de Damasco. (Neste ponto se pode visualizar, as pedras romanas do calçamento da via que por ai passava).  A partir deste ponto se sobe por ruas estreitas, até o Calvário.”(ABíblia.org)

É comum nas procissões católicas na Sexta-feira Santa que cada uma das 13 passagens da Via Sacra seja relembrada com paradas e momentos de oração.

Primeira estação: Jesus é condenado à morte

primeira estação

Do evangelho segundo São Mateus 27,22-23.26:
“Retorquiu-lhes Pilatos: ‘E que hei de fazer de Jesus que é chamado Messias?’. Replicaram todos: ‘Seja crucificado!’. Pilatos insistiu: ‘Então, que mal fez Ele?’. Mas eles gritavam mais ainda: ‘Seja crucificado!’. Soltou-lhes então Barrabás. E a Jesus, depois de tê-lo mandado açoitar, entregou-O para ser crucificado.”

Meditação

O Juiz do Mundo, que um dia voltará para nos julgar a todos, está ali, aniquilado, insultado e inerme diante do juiz terreno. Pilatos não é um monstro de malvadez. Sabe que o condenado diante dele é inocente; procura um modo de libertá-Lo. Mas seu coração está dividido. E, no fim, faz prevalecer sua posição, faz prevalecer a si mesmo, sobre o direito. Também os homens que gritam e pedem a morte de Jesus não são monstros cruéis. Muitos deles, no dia de Pentecostes, sentir-se-ão “emocionados até ao fundo do coração” (At 2,37), quando Pedro lhes disser: “Jesus de Nazaré, Homem acreditado por Deus junto de vós, vós O matastes, cravando-O na cruz pela mão de gente perversa” (At 2,22.23). Mas naquele momento sofrem a influência da multidão. Gritam porque os outros gritam e como gritam os outros. E, assim, a justiça é espezinhada pela covardia, pela pusilanimidade, pelo medo da mentalidade predominante. A voz sutil da consciência fica sufocada pelos brados da multidão. A indecisão e o respeito humano dão força ao mal.

Oração

Senhor, fostes condenado à morte porque o medo do olhar alheio sufocou a voz da consciência. E, assim, acontece que, sempre ao longo de toda a história, inocentes são maltratados, condenados e mortos. Quantas vezes também nós preferimos o sucesso à verdade, nossa reputação à justiça. Dai força, na nossa vida, à voz sutil da consciência, à Vossa voz. Olhai-me como olhastes para Pedro depois de Vos ter negado. Fazei com que o Vosso olhar penetre em nossas almas e indique a direção para nossa vida. Àqueles que na Sexta-feira Santa gritaram contra Vós, no dia de Pentecostes destes a contrição do coração e a conversão. E assim destes esperança a todos nós. Não cesseis de dar também a nós a graça da conversão. Pai nosso…

Segunda estação: Jesus é carregado com a cruz

segunda estação

Do evangelho segundo São Mateus 27,27-31:
“Então, os soldados do governador levaram Jesus consigo para o Pretório e reuniram junto dele toda a companhia. Depois de O terem despido, envolveram-No em um manto encarnado. Teceram uma coroa de espinhos, que lhe puseram na cabeça, e, na mão direita, colocaram-Lhe uma cana. Ajoelharam-se diante dEle e escarneceram- No dizendo: ‘Salve, ó rei dos Judeus!’. Depois, cuspiram nEle, pegaram a cana e puseram-se a bater com ela na cabeça de Jesus. Depois de O terem escarnecido, despiram- Lhe o manto, vestiram-Lhe as roupas e levaram-No para ser crucificado.”

Meditação

Jesus, condenado como pretenso rei, é escarnecido, mas precisamente na troça aparece cruelmente a verdade. Quantas vezes as insígnias do poder trazidas pelos poderosos deste mundo são um insulto à verdade, à justiça e à dignidade do homem! Quantas vezes seus rituais e suas grandes palavras não passam, na realidade, de pomposas mentiras, uma caricatura do dever que lhes incumbe por força de seu cargo, ou seja, colocar-se a serviço do bem. Por isso mesmo, Jesus, Aquele que é escarnecido e que traz a coroa do sofrimento, é o verdadeiro rei. Seu cetro é justiça (cf. Sl 45/44,7). O preço da justiça é sofrimento neste mundo: Ele, o verdadeiro rei, não reina por meio da violência, mas através do amor com que sofre por nós e conosco. Ele carrega a cruz, a nossa cruz, o peso de sermos homens, o peso do mundo. É assim que Ele nos precede e mostra como encontrar o caminho para a vida verdadeira.

Oração

Senhor, deixastes que Vos escarnecessem e ultrajassem. Ajudai-nos a não fazer coro com aqueles que escarnecem quem sofre e quem é frágil. Ajudai-nos a reconhecer o Vosso rosto em quem é humilhado e marginalizado. Ajudainos a não desanimar perante as zombarias do mundo quando a obediência à Vossa vontade é ridicularizada. Carregastes a cruz e convidastesnos a seguir-Vos por este caminho (Mt 10,38). Ajudai-nos a aceitar a cruz, a não fugir dela, a não lamentar nem deixar que nossos corações se abatam com as provas da vida. Ajudai-nos a percorrer o caminho do amor e, obedecendo às suas exigências, a alcançar a verdadeira alegria. Pai nosso…

Terceira estação: Jesus cai pela primeira vez

terceira estação

Do livro do profeta Isaías 53,4-6:
“Eram os nossos males que Ele suportava, e as nossas dores que trazia sobre Si. Mas víamos nele um homem castigado, ferido por Deus e sujeito à humilhação. Ele foi trespassado por causa de nossas culpas, esmagado devido às nossas faltas. O castigo que nos salva caiu sobre Ele, e, por causa de suas chagas, fomos curados. Todos nós, como ovelhas, andávamos errantes, seguindo cada qual seu caminho. E o Senhor fez cair sobre Ele as faltas de todos nós.”

Meditação

O homem caiu e continua a cair: quantas vezes ele se torna a caricatura de si mesmo, já não é a imagem de Deus, mas algo que põe em ridículo o Criador. Aquele que, ao descer de Jerusalém para Jericó, embateu nos ladrões que o despojaram deixando-o meio morto, sangrando à beira da estrada, não é porventura a imagem por excelência do homem? A queda de Jesus sob a cruz não é apenas a queda do homem Jesus já extenuado pela flagelação. Aqui aparece algo de mais profundo, como diz Paulo na Carta aos Filipenses: “Ele, que era de condição divina, não reivindicou o direito de ser equiparado a Deus. Mas despojou-Se a Si mesmo tomando a condição de servo, tornando-Se semelhante aos homens […] humilhou-Se a Si mesmo, feito obediente até à morte e morte de cruz” (Fl 2,6-8). Na queda de Jesus sob o peso da cruz, é visível todo Seu itinerário: Sua voluntária humilhação para nos levantar de nosso orgulho. E ao mesmo tempo aparece a natureza de nosso orgulho: a soberba pela qual desejamos emancipar- nos de Deus sendo apenas nós mesmos, pela qual cremos não ter necessidade do amor eterno; queremos organizar nossa vida sozinhos. Nessa revolta contra a verdade, nessa tentativa de nos tornarmos deus, de sermos criadores e juízes de nós mesmos, caímos e acabamos por nos autodestruir. A humilhação de Jesus é a superação de nossa soberba: com Sua humilhação, Ele nos faz levantar. Deixemos que Ele nos levante. Despojemo- nos de nossa auto-suficiência, de nossa errada teimosia em sermos autônomos, e aprendamos o contrário d’Aquele que se humilhou, ou seja, aprendamos a encontrar nossa verdadeira grandeza, humilhando-nos e voltando-nos para Deus e para os irmãos espezinhados.

Oração

Senhor Jesus, o peso da cruz Vos fez cair por terra. O peso de nosso pecado, o peso de nossa soberba Vos joga ao chão. Mas Vossa queda não é sinal de um destino adverso, nem é a pura e simples fraqueza de quem é espezinhado. Quisestes vir até junto de nós, que, por nossa soberba, jazemos por terra. A soberba de pensar que somos capazes de produzir o homem fez com que os homens se tenham tornado uma espécie de mercadoria para se comprar e vender, como que uma reserva de material para nossas experiências, pelas quais esperamos, por nós mesmos, superar a morte, quando, na verdade, conseguimos apenas humilhar cada vez mais profundamente a dignidade do homem. Senhor, vinde em nossa ajuda, porque caímos. Ajudainos a abandonar nossa soberba devastadora e, aprendendo da Vossa humildade, a nos colocarmos novamente de pé. Pai nosso…

Quarta estação: Jesus encontra sua mãe

quarta estação

Do evangelho segundo São Lucas 2,34-35.51:
“Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: ‘Ele foi estabelecido para a queda e o reerguimento de muitos em Israel, e para ser sinal de contradição; e uma espada há de traspassar a tua alma. Assim se deverão revelar os intentos de muitos corações’. Sua mãe guardava no coração todas essas recordações.”

Meditação

Na Via-Sacra de Jesus, aparece também Maria, Sua Mãe. Durante sua vida pública, ela teve de ficar de lado para dar lugar ao nascimento da nova família de Jesus, a família de seus discípulos. Teve também de ouvir estas palavras: “Quem é a minha Mãe e quem são os meus irmãos? Todo aquele que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe” (Mt 12,48.50). Pode-se agora constatar que Ela é a Mãe de Jesus não só no corpo, mas também no coração. Ainda antes de tê-lo concebido no corpo, por sua obediência ela O concebera no coração. Fora-Lhe dito: “Hás de conceber no teu seio e dar à luz um filho. Ele será grande, o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi” (Lc 1,31-32). Mas algum tempo depois ouvira da boca do velho Simeão uma palavra diferente: “Uma espada Te há de trespassar a alma” (Lc 2,35). Nessa ocasião, Ela deve ter se lembrado de certas palavras pronunciadas pelos profetas, tais como: “Foi maltratado e resignou-se, não abriu a boca, como cordeiro levado ao matadouro” (Is 53,7). Agora tudo isso se torna realidade. No coração, tinha sempre conservado as palavras que o anjo Lhe dissera quando tudo começou: “Não tenhas receio, Maria” (Lc 1,30). Os discípulos fugiram; Ela não foge. Ela está ali, com a coragem de mãe, com a fidelidade de mãe, com a bondade de mãe, e com sua fé, que resiste na escuridão: “Feliz daquela que acreditou” (Lc 1,45). “Mas, quando o Filho do Homem voltar, encontrará fé sobre a terra?” (Lc 18,8). Sim, agora Ele o sabe: encontrará fé. E essa é, naquela hora, sua grande consolação.

Oração

Santa Maria, Mãe do Senhor, permanecestes fiel quando os discípulos fugiram. Tal como acreditastes quando o anjo Vos anunciou o que era incrível – que haverias de ser Mãe do Altíssimo –, assim também acreditastes no momento de Sua maior humilhação. E foi assim que, na hora da cruz, na hora da noite mais escura do mundo, Vos tornastes Mãe dos que crêem, Mãe da Igreja. Nós Vos pedimos: ensinainos a acreditar e ajudai-nos para que a fé se torne coragem de servir e gesto de um amor que socorre e sabe partilhar o sofrimento. Pai nosso…

Quinta estação: Jesus é ajudado pelo cireneu a levar a cruz

quinta estação

Do evangelho segundo São Mateus 27,32; 16,24:
“Ao saírem, encontraram um homem de Cirene, chamado Simão, e requisitaram-no para levar a cruz de Jesus. Jesus disse aos discípulos: ‘Se alguém quiser seguir-Me, renegue-se a si mesmo, pegue sua cruz e siga-Me’.”

Meditação

Simão de Cirene regressa do trabalho, está a caminho de casa quando cruza com aquele triste cortejo de condenados – para ele talvez fosse um espetáculo habitual. Os soldados valem- se de seu direito de coação e colocam a cruz às costas dele, robusto homem do campo. Que aborrecimento não deverá ter sentido ao ver-se inesperadamente envolvido no destino daqueles condenados! Faz o que deve fazer, mas certamente com grande relutância. E todavia o evangelista Marcos nomeia, juntamente com o cireneu, também seus filhos, que evidentemente eram conhecidos como cristãos, como membros daquela comunidade (Mc 15,21). Do encontro involuntário, brotou a fé. Acompanhando Jesus e compartilhando o peso da cruz, o cireneu compreende que é uma graça poder caminhar junto com aquele Crucificado e assisti-Lo. O mistério de Jesus, que sofre calado, toca-lhe o coração. Jesus, cujo amor divino era o único que podia – e pode – redimir a humanidade inteira, quer que compartilhemos Sua cruz para completar o que ainda falta a Seus sofrimentos (Cl 1,24). Sempre que, bondosamente, vamos ao encontro de alguém que sofre, alguém perseguido e inerme, partilhando seu sofrimento ajudamos a levar a própria cruz de Jesus. E assim obtemos salvação e podemos, nós mesmos, contribuir para a salvação do mundo.

Oração

Senhor, abristes a Simão de Cirene os olhos e o coração, dando-lhe, na partilha da cruz, a graça da fé. Ajudai-nos a assistir nosso próximo que sofre, ainda que esse chamado seja contrário a nossos projetos e nossas simpatias. Concedei-nos reconhecer que é uma graça poder partilhar a cruz dos outros e experimentar que dessa forma estamos a caminhar convosco. Fazei-nos reconhecer com alegria que é precisamente pela partilha do Vosso sofrimento e dos sofrimentos deste mundo que nos tornamos ministros da salvação, podendo assim ajudar a construir o Vosso corpo, a Igreja. Pai nosso…

Sexta estação: Verônica limpa o rosto de Jesus

sexta estação

Do livro do profeta Isaías 53,2-3:
“O meu Servo cresceu sem distinção nem beleza que atraia o nosso olhar, nem aspecto agradável que possa cativar-nos. Desprezado e repelido pelos homens, homem de dores, afeito ao sofrimento, é como aquele a quem se volta a cara, pessoa desprezível, da qual se não faz caso.”
Do livro dos Salmos 27/26,8-9:
“Meu coração fala convosco confiante, e os meus olhos Vos procuram. Senhor, é Vos sa face que eu procuro; não me escondais a Vossa face! Não afasteis em Vossa ira o Vosso servo, sois Vós o meu auxílio! Não me esqueçais nem me deixeis abandonado, meu Deus e Salvador.”

Meditação

Verônica – Berenice, segundo a tradição grega – encarna este anseio que irmana todos os indivíduo piedosos do Antigo Testamento: o anseio que todos os homens crentes têm de verem o rosto de Deus. Em todo caso, na Via-Sacra de Jesus, Verônica inicialmente se limitara a prestar um serviço de gentileza feminina: oferecer um lenço a Jesus. Não se deixa contagiar pela brutalidade dos soldados, nem imobilizar pelo medo dos discípulos. É a imagem da mulher bondosa que, perante a perturbação e a escuridão dos corações, mantém a coragem da bondade, não permite que seu coração permaneça na escuridão: “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” – dissera o Senhor no Sermão da Montanha (Mt 5,8). No princípio, Verônica via apenas um rosto maltratado e marcado pela dor. Mas o ato de amor imprime em seu coração a verdadeira imagem de Jesus: no rosto humano, coberto de sangue e de feridas, ela vê o Rosto de Deus e de Sua bondade, que nos acompanha mesmo na dor mais profunda. Somente com o coração podemos ver Jesus. Apenas o amor nos torna capazes de ver e nos torna puros. Só o amor nos faz reconhecer Deus, que é o próprio amor.

Oração

Senhor, dai-nos a inquietação do coração que procura Vosso rosto. Protegei-nos da escuridão do coração que vê apenas a superfície das coisas. Concedei-nos aquela generosidade e pureza de coração que nos tornam capazes de ver Vossa presença no mundo. Quando não pudermos realizar grandes coisas, dai-nos a coragem de uma bondade humilde. Imprimi Vosso rosto em nossos corações, para podermos Vos encontrar e mostrar ao mundo Vossa imagem. Pai nosso…

Sétima estação: Jesus cai pela segunda vez

sétima estação

Do livro das Lamentações 3,1-2.9.16:
“Eu sou o homem que conheceu a miséria sob a vara do seu furor. Ele me guiou e me fez andar nas trevas e não na luz. Bloqueou meus caminhos com blocos de pedra, obstruiu minhas veredas. Ele quebrou meus dentes com cascalho, mergulhou-me na cinza.”

Meditação

A tradição da tríplice queda de Jesus sob o peso da cruz recorda a queda de Adão – o ser humano caído que somos nós – e o mistério da associação de Jesus a nossa queda. Na história, a queda do homem assume sempre novas formas. Em sua primeira carta, São João fala duma tríplice queda do homem: a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida. Assim interpreta ele a queda do homem e da humanidade, no horizonte dos vícios de seu tempo com todos os seus excessos e depravações. Mas, olhando a história mais recente, podemos também pensar por que a cristandade, cansada da fé, abandonou o Senhor: as grandes ideologias, com a banalização do homem, que já não crê em nada e se deixa simplesmente ir à deriva, construíram um novo paganismo – um paganismo pior que o antigo –, o qual, desejoso de marginalizar definitivamente Deus, acabou por perder o homem. Eis o homem que jaz no pó. O Senhor carrega esse peso e cai, cai para poder chegar até nós; Ele nos olha para que em nós volte a palpitar o coração; cai para nos levantar.

Oração

Senhor Jesus Cristo, carregastes nosso peso e continuais a nos carregar. É nosso peso que Vos faz cair. Mas sois Vós a nos levantar, porque, sozinhos, não conseguimos nos erguer do pó. Livrai-nos do poder da concupiscência. Em vez do coração de pedra, dai-nos novamente um coração de carne, um coração capaz de ver. Destruí o poder das ideologias, para os homens poderem reconhecer que estão permeadas de mentiras. Não permitais que o muro do materialismo se torne intransponível. Fazei com que Vos ouçamos de novo. Tornai-nos sóbrios e vigilantes para podermos resistir às forças do mal e ajudainos a reconhecer as necessidades interiores e exteriores dos outros, e a socorrê-las. Erguei-nos, para podermos levantar os outros. Concedei-nos esperança no meio de toda esta escuridão, para podermos ser portadores de esperança no mundo. Pai nosso…

Oitava estação: Jesus encontra as mulheres de Jerusalém que choram por Ele

 

oitava estação (1)

Do evangelho segundo São Lucas 23,28-31:
“Jesus voltou-Se para elas e disse-lhes: ‘Mulheres de Jerusalém, não choreis por Mim; chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos. Pois dias virão em que se dirá: “Felizes as estéreis, as entranhas que não tiveram filhos e os peitos que não amamentaram”. Nessa altura, começarão a dizer aos montes: “Caí sobre nós”, e às colinas: “Cobri-nos”. Porque, se fazem assim no madeiro verde, que será no madeiro seco?’.”

Meditação

As palavras com que Jesus adverte as mulheres de Jerusalém que O seguem e choram por Ele fazem-nos refletir. Como entender tais palavras? Não se trata porventura de uma advertência contra uma piedade puramente sentimental, que não se torna conversão e fé vivida? De nada serve lamentar, por palavras e sentimentalmente, os sofrimentos deste mundo, se nossa vida continua sempre igual. Por isso, o Senhor nos adverte do perigo em que nós próprios nos encontramos. Mostra-nos a seriedade do pecado e a seriedade do juízo. Apesar de todas as nossas palavras de horror diante do mal e dos sofrimentos dos inocentes, não somos nós porventura demasiadamente inclinados a banalizar o mistério do mal? Da imagem de Deus e de Jesus, no fim das contas, não admitimos apenas o aspecto terno e amável, enquanto tranquilamente cancelamos a dimensão do juízo? Como poderia Deus fazer-Se um drama com nossa fragilidade – pensamos conosco –, não passamos de simples homens?! Mas, fixando os sofrimentos do Filho, vemos toda a seriedade do pecado, vemos como tem de ser expiado até o fim para poder ser superado. Não podemos continuar a banalizar o mal, quando vemos a imagem do Senhor que sofre. Também a nós, diz Ele: Não choreis por Mim, chorai por vós próprios… porque, se tratam assim o madeiro verde, que será do madeiro seco?

Oração

Senhor, às mulheres que choravam, falastes de penitência, do Dia do Juízo, quando nos encontrarmos diante da Vossa face, a face do Juiz do Mundo. Chamais-nos a sair da banalização do mal que nos deixa tranqüilos para podermos continuar nossa vida de sempre. Mostrai-nos a seriedade de nossa responsabilidade, o perigo de sermos encontrados, no Juízo, culpados e estéreis. Fazei com que não nos limitemos a caminhar ao Vosso lado oferecendo apenas palavras de compaixão. Convertei-nos e dai-nos uma vida nova; não permitais que acabemos por ficar como um madeiro seco, mas fazei que nos tornemos ramos vivos em Vós, a videira verdadeira, e produzamos fruto para a vida eterna (Jo 15,1-10). Pai nosso…

Nona estação: Jesus cai pela terceira vez

nona estação

Do livro das Lamentações 3,27-32:
“É bom para o homem suportar o jugo desde sua juventude. Que esteja solitário e silencioso quando o Senhor o impuser sobre ele; que ponha sua boca no pó: talvez haja esperança! Que dê sua face a quem o fere e se sacie de opróbrios. Pois o Senhor não rejeita para sempre: se Ele aflige, Ele se compadece segundo sua grande bondade.”

Meditação

E que dizer da terceira queda de Jesus sob o peso da cruz? Pode talvez fazer-nos pensar na queda do homem em geral, no afastamento de muitos de Cristo, caminhando à deriva para um secularismo sem Deus. Mas não deveríamos pensar também em tudo quanto Cristo tem sofrido em sua própria Igreja? Quantas vezes se abusa do Santíssimo Sacramento da Sua presença! Freqüentemente como está vazio e ruim o coração onde Ele entra! Tantas vezes celebramos apenas nós próprios, sem nem sequer nos darmos conta dEle! Quantas vezes se distorce Sua Palavra! Quantas vezes se abusa de Sua Palavra! Quão pouca fé existe em tantas teorias, quantas palavras vazias! Quanta sujeira há na Igreja, e precisamente entre aqueles que, no sacerdócio, deveriam pertencer completamente a Ele! Quanta soberba, quanta auto-suficiência! Respeitamos tão pouco o sacramento da reconciliação, em que Ele está a nossa espera para nos levantar de nossas quedas! Tudo isso está presente em Sua paixão. A traição dos discípulos, a recepção indigna de seu Corpo e de seu Sangue são certamente o maior sofrimento do Redentor, o que Lhe trespassa o coração. Nada mais podemos fazer que dirigir-Lhe, do mais profundo da alma, este grito: Kyrie, eleison! – Senhor, salvai-nos! (Mt 8,25).

Oração

Senhor, muitas vezes Vossa Igreja parecenos uma barca que está para afundar, uma barca em que entra água por todos os lados. E, mesmo no Vosso campo de trigo, vemos mais cizânia que trigo. O vestido e o rosto tão sujos de Vossa Igreja muitas vezes nos horrorizam. Mas somos nós mesmos que os sujamos! Somos nós mesmos que Vos traímos sempre, depois de todas as nossas grandes palavras, os nossos grandes gestos. Tende piedade de Vossa Igreja: também dentro dela, Adão continua a cair. Com nossa queda, nós Vos jogamos no chão, e Satanás se põe a rir porque espera que não mais conseguireis levantar-Vos daquela queda; espera que Vós, tendo sido arrastado na queda de Vossa Igreja, ficareis por terra, derrotado. Mas Vos erguereis. Vós Vos levantastes, ressuscitastes e podeis levantar-nos também a nós. Salvai e santificai Vossa Igreja. Salvai e santificai a todos nós. Pai nosso…

Décima estação: Jesus é crucificado

décima estação

Do evangelho segundo São Mateus 27,33-36:
“Chegando a um lugar chamado Gólgota – que quer dizer ‘Lugar do Crânio’ –, deram-Lhe a beber vinho misturado com fel. Mas Jesus, quando o provou, não quis beber. Depois de O terem crucificado, repartiram entre si as suas vestes, tirando-as à sorte, e ficaram ali sentados a guardá-Lo.”

Meditação

Jesus é despojado de suas vestes. A roupa confere ao homem sua posição social, dá-lhe seu lugar na sociedade e o faz sentir-se alguém. Ser despojado em público significa que Jesus já não é ninguém, nada mais é que um marginalizado, desprezado por todos. O momento do despojamento nos recorda também a expulsão do Paraíso: o homem ficou sem o esplendor de Deus; agora está ali, nu e exposto, desnudado e envergonhado. Desse modo, Jesus assume mais uma vez a situação do homem caído. Jesus despojado recorda-nos o fato de que todos perdemos a “primeira veste”, isto é, o esplendor de Deus. Junto da cruz, os soldados lançam sortes para repartirem entre si aqueles míseros haveres, as vestes de Jesus. Os evangelistas narram esse episódio com palavras tiradas do Salmo 22,19 e assim afirmam-nos o mesmo que Jesus há de dizer aos discípulos de Emaús: tudo aconteceu “conforme as Escrituras”. Não se trata aqui de pura coincidência: tudo o que acontece está contido na Palavra de Deus e conforme Seu desígnio divino. O Senhor experimenta todos os graus da perdição dos homens, e cada um deles é, com toda a sua amargura, um passo da redenção: é precisamente assim que Ele traz de volta para casa a ovelha perdida. Recordemos ainda que, segundo diz São João, o objeto do sorteio era a túnica de Jesus, a qual, “toda tecida de alto a baixo, não tinha costura” (Jo 19,23). Podemos considerar isso uma alusão à veste do sumo sacerdote, que era “tecida como um todo”, sem costura (Flávio Josefo, Antiguidades judaicas, III, 161). Ele, o Crucificado, é realmente o verdadeiro sumo sacerdote.

Oração

Senhor Jesus, fostes despojado de Vossas vestes, exposto à desonra, expulso da sociedade. Assumistes sobre Vós a desonra de Adão, sanando-a. Assumistes os sofrimentos e as necessidades dos pobres, daqueles que são expulsos do mundo. Deste modo é que realizais a palavra dos profetas. É precisamente assim que dais significado àquilo que não tem significado. Assim mesmo nos dais a conhecer que estais nas mãos do Vosso Pai – Vós, nós e o mundo. Concedei-nos um respeito profundo pelo homem em todas as fases de sua existência e em todas as situações em que o encontrarmos. Dainos a veste luminosa de Vossa graça. Pai nosso…

Décima primeira estação: Jesus promete seu Reino ao bom ladrão

décima primeira estação

Do evangelho segundo São Mateus 27,37-42:
“Puseram acima da cabeça de Jesus um letreiro escrito com a causa da condenação: ‘Este é Jesus, o Rei dos Judeus’. Foram então crucificados com Ele dois ladrões, um à direita e outro à esquerda. Os que passavam dirigiam-Lhe insultos, abanavam a cabeça e diziam: ‘Tu, que demolias o Templo e o reedificavas em três dias, salva-Te a Ti mesmo, se és Filho de Deus, e desce da cruz!’. Também os sumos sacerdotes zombavam, juntamente com os escribas e os anciãos, dizendo: ‘Salvou os outros e a Si mesmo não pode salvar-Se! É Rei de Israel! Desça agora da cruz, e acreditaremos nele’.”

Meditação

Jesus é pregado na cruz. O sudário de Turim permite formar uma idéia da crueldade incrível desse processo. Jesus não toma a bebida anestesiante que Lhe fora oferecida: conscientemente assume todo o sofrimento da crucifixão. Todo Seu corpo é martirizado; cumpriram-se as palavras do Salmo: “Eu, porém, sou um verme e não um homem, o opróbrio dos homens rebotalho do povo” (Sl 22/21,7). “Como um homem diante do qual se tapa o rosto, menosprezado e desestimado. Na verdade Ele tomou sobre Si as nossas doenças, carregou as nossas dores” (Is 53,3-4). Detenhamos-nos diante dessa imagem de sofrimento, diante do Filho de Deus sofredor. Olhemos para Ele nos momentos de presunção e de prazer, para aprendermos a respeitar os limites e a ver a superficialidade de todos os bens puramente materiais. Olhemos para Ele nos momentos de calamidade e de angústia, para reconhecermos que precisamente assim estamos perto de Deus. Procuremos reconhecer Seu rosto naqueles que tendemos a desprezar. Diante do Senhor condenado, que não quer usar Seu poder para descer da cruz, mas antes suporta os sofrimentos da cruz até o fim, pode assomar ainda outro pensamento. Inácio de Antioquia, ele mesmo preso com cadeias por sua fé no Senhor, elogiou os cristãos de Esmirna pela fé inabalável deles: afirma que estavam, por assim dizer, pregados com a carne e o sangue à cruz do Senhor Jesus Cristo (1,1). Deixemo-nos pregar a Ele, sem ceder a qualquer tentação de nos separarmos nem ceder às zombarias que pretendem levar-nos a fazê-lo.

Oração

Senhor Jesus Cristo, fizestes-Vos pregar na cruz, aceitando a crueldade terrível desse tormento, a destruição de Vosso corpo e Vossa dignidade. Fizestes-Vos pregar, sofrestes sem evasões nem descontos. Ajudai-nos a não fugir perante o que somos chamados a realizar. Ajudainos a nos ligar estreitamente a Vós. Ajudai-nos a desmascarar a falsa liberdade que nos quer afastar de Vós. Ajudai-nos a aceitar Vossa liberdade “ligada” e a encontrar nessa estreita ligação convosco a verdadeira liberdade. Pai Nosso…

Décima segunda estação: Jesus na cruz, a mãe e o discípulo

décima segunda estação

Do evangelho segundo São Mateus 27,45-50.54:
“A partir do meio-dia, houve trevas em toda a região, até às três horas da tarde. E, pelas três horas da tarde, Jesus bradou com voz forte: ‘Eli, Eli, lamá sabachthani’, quer dizer, ‘Meu Deus, Meu Deus, por que Me abandonaste?’. Alguns dos presentes ouviram e disseram: ‘Está a chamar por Elias’. E logo um deles correu a pegar numa esponja, ensopou-a em vinagre, pô-la numa cana e deu-Lhe a beber. Mas os outros disseram: ‘Deixa lá! Vejamos se Elias vem salvá-Lo’. E Jesus, dando novamente um forte brado, expirou. Entretanto, o centurião e os que estavam com ele de guarda a Jesus, ao verem o tremor de terra e o que estava a suceder, ficaram aterrados e disseram: ‘Ele era, na verdade, Filho de Deus’.”

Meditação

No cimo da cruz de Jesus – nas duas línguas do mundo de então, o grego e o latim, e na língua do povo eleito, o hebraico – está escrito quem Ele é: Rei dos Judeus, o Filho prometido a Davi. Pilatos, o juiz injusto, tornou-se profeta sem querer. Perante a opinião pública mundial é proclamada a realeza de Jesus. O próprio Jesus não tinha aceito o título de Messias, pois isso daria ensejo a uma idéia errada, humana, de poder e salvação. Mas, agora, o título pode estar escrito ali publicamente sobre o Crucificado. Ele, assim, é verdadeiramente o rei do mundo. Agora foi verdadeiramente “elevado”. Em sua descida, Ele subiu. Agora cumpriu radicalmente o mandamento do amor, cumpriu a oferta de Si próprio, e precisamente desse modo Ele é agora a manifestação do verdadeiro Deus, daquele Deus que é amor. Agora sabemos quem é Deus. Agora sabemos como é a verdadeira realeza. Jesus reza o Salmo 22, que começa com estas palavras: “Meu Deus, meu Deus, por que Me abandonaste?” (Sl 22/21,2). Assume em Si mesmo todo o Israel, a humanidade inteira, que sofre o drama da escuridão de Deus e faz com que Deus Se manifeste justo onde parece estar definitivamente derrotado e ausente. A cruz de Cristo é um acontecimento cósmico. O mundo fica na escuridão quando o Filho de Deus sofre a morte. A terra treme. E junto da cruz tem início a Igreja dos pagãos. O centurião romano reconhece, compreende que Jesus é o Filho de Deus. Da cruz, Ele triunfa sem cessar.

Oração

Senhor Jesus Cristo, na hora de Vossa morte, o sol escureceu. Sois pregado na cruz sem cessar. Precisamente nesta hora da história, vivemos na escuridão de Deus. Pelo sofrimento sem medida e pela maldade dos homens, o rosto de Deus, Vosso rosto, aparece obscurecido, irreconhecível. Mas foi precisamente na cruz que Vos fizestes reconhecer. Precisamente enquanto sois Aquele que sofre e que ama, sois Aquele que é elevado. Foi precisamente lá que triunfastes. Ajudai-nos, nesta hora de escuridão e confusão, a reconhecer Vosso rosto. Ajudai-nos a crer em Vós e a seguir-Vos precisamente na hora da escuridão e da privação. Mostrai-Vos novamente ao mundo nesta hora. Fazei com que Vossa salvação se manifeste. Pai nosso…

Décima terceira estação: Jesus morre na cruz

décima terceira estação

Do evangelho segundo São Mateus 27,54-55:
“O centurião e os que estavam com ele de guarda a Jesus, ao verem o tremor de terra e o que acontecia, ficaram aterrados e disseram: ‘Ele era, na verdade, Filho de Deus’. Estavam ali, a observar de longe, muitas mulheres, que tinham seguido Jesus desde a Galiléia, para O servirem.”

Meditação

Jesus morreu, seu coração é trespassado pela lança do soldado romano e dele brotam sangue e água: misteriosa imagem do rio dos sacramentos, do Batismo e da Eucaristia, dos quais, em virtude do coração trespassado do Senhor, renasce incessantemente a Igreja. E não Lhe são quebradas as pernas, como aos outros dois crucificados; desse modo Ele aparece como o verdadeiro cordeiro pascal, ao qual nenhum osso deve ser quebrado (Ex 12,46). E, agora que tudo suportou, vemos que Ele, apesar de toda a confusão dos corações, apesar do poder do ódio e da covardia, não ficou sozinho. Os fiéis existem. Junto da cruz, estavam Maria, sua Mãe; a irmã de sua Mãe, Maria; Maria de Magdala e o discípulo que Ele amava. Agora chega também um homem rico, José de Arimatéia: o rico encontra o modo de passar pelo buraco de uma agulha, porque Deus lhe dá a graça. Sepulta Jesus em seu túmulo ainda intacto, num jardim: o cemitério onde jaz o corpo de Jesus transforma-se em jardim – no jardim donde fora expulso Adão quando se separara da plenitude da vida, de seu Criador. O túmulo no jardim nos faz saber que o domínio da morte está para terminar. E chega também um membro do Sinédrio, Nicodemos, a quem Jesus tinha anunciado o mistério do renascimento pela água e pelo Espírito. Até mesmo no Sinédrio, que tinha decidido pela crucificação de Cristo, há alguém que acredita, que conhece e reconhece Jesus após Sua morte. Sobre a hora do grande luto, da grande escuridão e do desespero, aparece misteriosamente a luz da esperança. O Deus escondido permanece em qualquer circunstância o Deus vivo e próximo. O Senhor morto permanece em qualquer circunstância o Senhor e nosso Salvador, mesmo na noite da morte. A Igreja de Jesus Cristo, Sua nova família, começa a se formar.

Oração

Senhor, Vós descestes à escuridão da morte. Mas Vosso corpo é recolhido por mãos bondosas e envolvido num cândido lençol (Mt 27,59). A fé não está completamente morta, não se pôs totalmente o sol. Quantas vezes parece que Vós estais dormindo. Como é fácil a nós, homens, afastar-nos dizendo para nós mesmos: Deus morreu. Fazei com que, na hora da escuridão, reconheçamos que em qualquer circunstância Vós estais lá. Não nos deixeis sozinhos quando tendemos a desanimar. Ajudai-nos a não Vos deixar sozinho. Dai-nos uma fidelidade que resista no desânimo e um amor que Vos acolha no momento mais extremo de Vossa necessidade, como Vossa Mãe, que Vos abraçou de novo em seu regaço. Ajudai-nos, ajudai os pobres e os ricos, os simples e os sábios, a ver através dos medos e preconceitos e a oferecer-Vos nossa capacidade, nosso coração, nosso tempo, preparando assim o jardim no qual possa dar-se a ressurreição. Pai nosso…

Décima quarta estação: Jesus é depositado no sepulcro

décima quarta estação

Do evangelho segundo São Mateus 27,59-61:
“José pegou no corpo de Jesus, envolveu-o num lençol limpo e depositou-o no seu túmulo novo, que tinha mandado escavar na rocha. Depois, rolou uma grande pedra para a porta do túmulo e retirou-se. Entretanto, estavam ali Maria de Magdala e a outra Maria, sentadas em frente do sepulcro.”

Meditação

Jesus, depois de ter sido desonrado e ultrajado, é deposto com todas as honras num túmulo novo. Nicodemos traz uma mistura de mirra e aloés de cem libras destinada a emanar um perfume precioso. Agora na oferta do Filho revela-se, como sucedera já na unção de Betânia, um excesso que nos recorda o amor generoso de Deus, a “superabundância” de Seu amor. Deus faz generosamente oferta de Si próprio. Se a medida de Deus é superabundante, também para nós nada deveria ser demasiado para Deus. Foi o que o próprio Jesus nos ensinou no Sermão da Montanha (Mt 5,20). Mas é preciso lembrar também as palavras de São Paulo: Deus “por nosso meio faz sentir em todos os lugares o perfume de seu conhecimento. Somos, para Deus, o bom odor de Cristo” (2Cor 2,14-15). Na putrefação das ideologias, nossa fé deveria ser de novo o perfume que reconduz às pegadas da vida. No momento da deposição, começa a realizar-se a palavra de Jesus: “Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto” (Jo 12,24). Jesus é o grão de trigo que morre. Do grão de trigo morto começa a grande multiplicação do pão que dura até o fim do mundo. Ele é o pão de vida capaz de saciar em medida superabundante a humanidade inteira e dar-lhe o alimento vital: o Verbo eterno de Deus, que Se fez carne e também pão, para nós, através da cruz e da ressurreição. Sobre a sepultura de Jesus resplandece o mistério da Eucaristia.

Oração

Senhor Jesus Cristo, na sepultura fizestes Vossa a morte do grão de trigo, Vos tornastes o grão de trigo morto que produz fruto ao longo de todos os tempos até a eternidade. Do sepulcro brilha em cada tempo a promessa do grão de trigo, do qual provém o verdadeiro maná, o pão de vida em que Vós Vos ofereceis a nós. A Palavra eterna, através da encarnação e da morte, tornou-se a Palavra próxima: Vós Vos colocais em nossas mãos e nossos corações para que a Vossa Palavra cresça em nós e produza fruto. Dais-Vos a Vós através da morte do grão de trigo, para que nós tenhamos a coragem de perder nossa vida para encontrá-la; para que também nós nos fiemos da promessa do grão de trigo. Ajudai-nos a amar cada vez mais Vosso mistério eucarístico e a venerá-lo – a viver verdadeiramente de Vós, Pão do Céu. Ajudai-nos a nos tornar Vosso “odor”, a tornar palpáveis os vestígios de Vossa vida neste mundo. Do mesmo modo que o grão de trigo se eleva da terra como caule e espiga, assim também Vós não podeis ficar no sepulcro: o sepulcro está vazio porque Ele – o Pai – não Vos “abandonou na habitação dos mortos nem permitiu que a Vossa carne conhecesse a decomposição” (cf. At 2,31; Sl 16,10). Não, Vós não experimentastes a corrupção. Ressuscitastes e destes espaço à carne transformada no coração de Deus. Fazei com que possamos nos alegrar com essa esperança e possamos levá-la jubilosamente pelo mundo; fazei com que nos tornemos testemunhas de Vossa ressurreição. Pai nosso….

A Décima Quinta Estação: A Ressurreição de Jesus

décima quinta estação

Houve um forte tremor de terra, que fez rolar a pedra que fechava o túmulo do SENHOR, ao mesmo tempo em que uma luz brilhante veio de dentro e projetou no chão os soldados, como se estivessem mortos, paralisados contra o solo, enquanto JESUS ressuscitava gloriosamente envolvido numa esplendorosa luz.

No domingo bem cedo as mulheres foram ao túmulo, mas JESUS não estava lá. Próximo ao sepulcro elas viram dois homens com vestes claras e brilhantes, e eles lhes perguntaram:

“Por que procurais entre os mortos AQUELE que está vivo?” “ELE não está aqui, mas ressuscitou”.(Lc 24, 5-6) E a notícia da Ressurreição se espalhou rapidamente entre os discípulos. E foi no meio dos Discípulos que o SENHOR manifestou a sua presença.  Antes de subir para junto do PAI, JESUS disse aos seus Discípulos:

“Toda autoridade sobre o Céu e sobre a Terra ME foi entregue. Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do PAI, do FILHO e do ESPÍRITO SANTO e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei. E eis que EU estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos!” (Mt 28, 18-20)

Hoje o Cristo ressuscitado manifesta a sua presença através de todas as pessoas que vivem a fé e se comprometem na luta pela construção de um mundo novo, onde o amor, a justiça e a fraternidade são os sinais de que nós estamos com ELE, e ELE permanece conosco.

SENHOR, que a nossa família seja a Vossa família. Que a nossa casa seja a Vossa casa. E que a nossa vida seja uma continuação da Vossa presença no mundo.

PAI NOSSO:

PAI NOSSO que está nos Céus, santificado seja o Vosso Nome, venha a nós o Vosso reino, seja feita a Vossa Vontade assim na Terra como no Céu; o pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.

AVE MARIA:

Ave MARIA, cheia de graças, o SENHOR é convosco. Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre JESUS. Santa MARIA, MÃE DE DEUS, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.

GLÓRIA:

Glória ao PAI, ao FILHO e ao ESPÍRITO SANTO, como era no princípio, agora e sempre. Amém.

 

A Via-Sacra segundo os Evangelhos

O Santo Padre João Paulo II introduziu nova seqüência das cenas na Via Sacra que promove no Coliseu, em Roma, optando pelas narrações dos Evangelistas. É esta sucessão que estamos propondo aqui, com as próprias palavras da Sagrada Escritura.

As novas Estações são:

1. Jesus ora no Horto de Getsêmani, Monte das Oliveiras
Mt 26,36-46; Mc 14,32; Lc 22,39; Jo 18,1

2. Jesus, traído por Judas, é aprisionado
Mt 26,47-56; Mc 14,43; Lc 22,47; Jo 18,2

3. A condenação de Jesus perante o Sinédrio
Mt 26,57-66; Mc 14,53; Lc 22,54; Jo 18,19

4. As negações do Apóstolo Pedro
Mt 26,69-75; Mc 14,66; Lc 22,55; Jo 18,15

5. Jesus entregue a Pilatos
Jo 18,28; Mt 27,11; Mc 15,2; Lc 23,2

6. A flagelação e a coroação de espinhos de Jesus. Ludíbrio.
Jo 19,1; Mt 27,24; Mc 15,15; Lc 23,24

7. Jesus carrega a Cruz
Lc 22,26; Mt 27,31; Mc 15,20; Jo 19,16

8. Jesus e Simão Cirineu
Lc 22,26; Mt 27,32; Mc 15,21

9. O encontro de Jesus com as mulheres de Jerusalém
Lc 22,27; Mt 27,33

10. A crucificação de Jesus
Jo 19,18; Mt 27,35; Mc 15,24; Lc 23,33

11. Jesus e o bom ladrão
Lc 23,35; Mt 27,39; Mc 15,29; Lc 23,35

12. Maria Santíssima e o Apóstolo João ao pé da Cruz de Jesus
Jo 19,25-27

13. A morte de Jesus
Mt 27,45; Mc 15,33; Lc 23,44; Jo 19,28

14. Jesus deposto no sepulcro
Mc 15,42; Mt 27,57; Lc 23,50; Jo 19,38

 

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Ilustrações :

  • Claudio Pastro
  • Revista Superinteressante

Fontes pesquisadas:

Evangelho Segundo São Mateus

Animo, uma nova Catequese (Encontro 11/40 – Jesus Cristo – Complemento 6)

sao-mateus O Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus é o primeiro a aparecer no Novo Testamento, não porque foi o primeiro a ser escrito, mas sim por ser considerado o mais completo (tem 28 capítulos). “Composto conforme um plano bem claro, presta-se muito bem para a catequese. Imbuído de uma preocupação constante com a comunidade de fé, é o evangelho eclesial por excelência. A forma do evangelho que atualmente conhecemos, parece ter sido concebida para fortalecer na fé os cristãos de origem judaica, os quais estavam sendo pressionados para integrar o judaísmo que estava reorganizando-se depois da destruição do templo (70 d.C.). Mateus conscientiza os cristãos de que eles é que constituem o verdadeiro Israel, pois em Jesus a herança de Israel se tornou universal.” (Introdução ao Evangelho Segundo Mateus – Bíblia Sagrada – tradução da CNBB)

É importante frisar que Mateus foi um dos 12 apóstolos e juntamente com João foram os únicos dos evangelistas a realmente beberem da fonte da sabedoria de Jesus e a conviver com ele naqueles anos, praticamente desde o início da sua missão.

quadrocronológico do evangelho de mateus

Quadro cronológico do Evangelho de Mt

Uma das principais características deste evangelho são os 5 sermões que logo depois da narração da infância (ou parte dela) de Jesus (capítulos 1 e 2) permeiam a narração da vida, morte e ressurreição (capítulos 3 a 28). Uma curiosidade é que já existem estudos que falam sobre uma alusão destes sermões com os cinco rolos da Lei de Moisés já que praticamente todo o evangelho tenta mostrar que ser discípulo de Jesus  é a verdadeira maneira de realizar o objetivo da Lei: viver segundo a vontade de Deus. Jesus ensina a compreensão plena da Lei. (Mt 5, 17-20)

“Mateus usou como fonte o Evangelho de Marcos, composto por volta do ano 70. O autor relê e reescreve Marcos, abreviando ou acrescentando outros escritos (cf. Mc 6,30-44; Mt 14,13-21).

Em Mt 21,41 e 22,7, o autor alude a pormenores concretos da destruição de Jerusalém, a cidade santa, pelo exército romano em torno do ano 70.

No decorrer dos anos, com base na experiência e na vivência da comunidade, o Evangelho de Mateus considera, desenvolve e interpreta o desastre nacional como castigo de Deus, causado pelo pecado das elites religiosas ao rejeitar Jesus como Filho de Deus (Mt 24,1-31).

O capítulo 23 do Evangelho de Mateus evidencia o forte conflito dessas comunidades com os judeus fariseus (Mt 5,11-12; 10,17-23; 24,9-14). Mas o evangelho não chega a mencionar a expulsão dos judeu-cristãos da sinagoga, o que pode ter ocorrido por volta do ano 90 (cf. Lc 6,22; Jo 9,22; 16,2).

No fim do século I, as autoridades judaicas começaram a intensificar sua perseguição contra os grupos de judeus de tendências e tradições diferentes, especialmente contra os grupos cristãos da diáspora. As comunidades destinatárias do Evangelho de Mateus provavelmente viviam na Síria, em Antioquia. Eis alguns elementos que confirmam essa posição:

a) Em Mt 4,24, o autor relê Mc 1,28.39 e corrige “por toda a Síria”, ao invés de “por toda a Galileia”.

b) Inácio, bispo de Antioquia, martirizado por volta do ano 107 d.C., cita os textos de Mateus em suas cartas (cf. a Carta a Policarpo 2,2 e Mt 10,16b).

c) Até o momento atual, não há provas da existência de sinagogas na Galileia no primeiro século, nem antes desse período. As sinagogas surgiram fora da Palestina, na diáspora.

d) O Evangelho de Mateus atribui um papel importante a Pedro (Mt 14,28-31; 15,15; 16,22-23; 17,24-27; 18,21; 19,27), que atuou na igreja de Antioquia (cf. Gl 2,11-14).

2. Quem escreveu e para quem?

O Evangelho de Mateus é o primeiro livro do Novo Testamento, mas não foi o primeiro a ser escrito. Ele anuncia que Jesus é a realização das promessas do Antigo Testamento. Esse texto, provavelmente, constituiu a base de um conjunto de comunidades cristãs que chegaram até o fim do século II. E, por ter sido posto em primeiro lugar no cânon do Novo Testamento, deve ter sido um evangelho importante para aquele setor do cristianismo que se tornou religião oficial do império romano.

No grupo de Jesus, havia um discípulo que se chamava Mateus, nome que, em hebraico, significa “presente de Deus” e, em grego, é semelhante a mathetés, cujo sentido literal é “aprendiz”. Segundo a tradição da Igreja, o autor do evangelho seria esse Mateus. Pápias, bispo de Hierápolis, cidade da Ásia Menor, por volta do ano 130, atribui ao apóstolo Mateus a composição das palavras de Jesus. A discussão, porém, ainda continua em aberto.

A questão do nome do autor não é tão importante, pois, antes de sua redação final, os evangelhos foram ensinamentos catequéticos, orais ou escritos, sobre as palavras e os atos de Jesus. A forma como o evangelho chegou até nós é obra de um redator que organizou os documentos já existentes e elaborados comunitariamente. No caso de Mateus, o grupo de redatores seriam alguns escribas que no texto recebem destaque e são apresentados como discípulos de Jesus (Mt 8,19; 23,34).

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Estrutura do evangelho

A estruturação mais comum do Evangelho de Mateus é em cinco livros, com uma introdução sobre as origens de Jesus, os capítulos 1 e 2, e uma conclusão, com a narrativa da sua morte e ressurreição, nos capítulos 26 a 28. Cada um dos cinco livros contém uma parte narrativa e um discurso. Ao todo são dez partes. É uma forma de Mateus relembrar às suas comunidades o Pentateuco (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio) e as dez palavras do Sinai ou os dez mandamentos, apresentando Jesus como o novo Moisés.

Visualizando a estrutura:

– Introdução (1-2)

– Jesus dentro da história do povo de Deus (1,1-17).

– Jesus: um novo começo dentro de um novo Êxodo (1,18-2,23).

Primeira parte: A justiça do Reino de Deus (37)

Narração: Jesus traz o Reino de Deus (3-4).

Discurso: O sermão da montanha (5-7) – condições para entrar no Reino.

Segunda parte: Uma justiça que liberta os pobres (810)

Narração: os milagres, sinais do Reino (8-9).

Discurso: A missão (10) – como anunciar o Reino.

Terceira parte: Uma justiça que provoca conflitos (11,1-13,52)

Narração: as reações diante da prática de Jesus (1112).

Discurso: As parábolas do Reino (13,1-52) – o mistério do Reino.

Quarta parte: O novo povo de Deus (13,53-18,35)

Narração: o seguimento de Jesus (13,53-17,27).

Discurso: A comunidade dos seguidores (18,1-35) – sinal do Reino.

Quinta parte: A vinda definitiva do Reino (19-25)

Narração: o Reino é para todos os que se converterem (19-23).

Discurso: a vigilância (24-25) – o futuro do Reino.

Conclusão: A páscoa da libertação (2628).

6. Principais mensagens do Evangelho de Mateus

No Evangelho de Mateus, Jesus é o Emanuel (Mt 1,23) e se faz presente na comunidade reunida em oração: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles” (Mt 18,20). Ele garante a sua presença constante na vida das pessoas: “E eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28,20). Jesus é o Mestre que nos convida a viver a justiça e a misericórdia! Com base em alguns textos exclusivos do Evangelho de Mateus, é possível entender o projeto das comunidades que receberam esse evangelho e alguns dos principais ensinamentos de Jesus transmitidos por elas e dirigidos também às nossas comunidades hoje.” (Extraído do site Vida Pastoral)

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É neste evangelho que encontramos a lista mais bem elaborada do chamado dos discípulos.

  • Sermão da Montanha (Mt 5-7)
  • Sermão da Missão (Mt 10)
  • Sermão das Parábolas (Mt 13)
  • Sermão da Comunidade (Mt 18)
  • Sermão Escatológico (Mt 24-25)

Na liturgia o Evangelho de Mateus é o lido no ano A do tempo comum.

Parábolas:

Mateus traz várias parábolas, sendo apenas 11 exclusivas (sem registro nos evangelhos sinóticos de Lucas e Marcos)

  1. As bodas (Mt 22,1-14);
  2. A lâmpada embaixo da mesa (Mt 4, 21-23)
  3. A casa vazia (Mt 12,43-45);
  4. Coisas novas e velhas (Mt 13, 51-52);
  5. O credor incompassivo (Mt 18,23-35);
  6. As dez virgens (Mt 25,1-13);
  7. Os dois alicerces (Mt 7.24- 27)
  8. Os dois filhos (Mt 21,28-32);
  9. O fermento (Mt 13,33);
  10. A figueira (Mt 24,32-33);
  11. O joio (Mt 13,24-30,36-43);
  12. Os lavradores maus (Mt 21,33-46);
  13. Os meninos na praça (Mt 11,16-19);
  14. O pai vigilante (Mt 24,42-44);
  15. A pedra rejeitada (Mt 21,42-44);
  16. A pérola de grande valor (Mt 13,45-46);
  17. A rede (Mt 13,47-50);
  18. O semeador (Mt 13,3-9,18-23);
  19. A semente de mostarda (Mt 13,31-32)
  20. A ovelha perdida (Mt 18, 12-14)
  21. O servo fiel (Mt 24,45-51);
  22. Os talentos (Mt 25,14-30);
  23. O tesouro escondido (Mt 13,44);
  24. Os trabalhadores da vinha (Mt 20,1-16);
  25. As ovelhas e as cabras (Mt 25,31-36)
  26. Um cego que guia outro cego (Mt 15,14)
  27. Remendo novo, vinho novo (Mt 9, 16-17)

A palavra portuguesa parábola deriva-se do termo grego parabolh, ; parabolé, ou seja, “pôr ao lado de”, “comparar”. A palavra hebraica é lv’m’ ; mashal, tem sua raiz etimológica derivada de um verbo hebraico que quer dizer “ser como”, denotando uma símile ou analogia; tudo indica que no Antigo Testamento a palavra poderia ser também aplicada para “historias curtas”, mas também possui outros significados.

Vários ícones medievais sobre Mateus

Curas e Milagres

Encontramos também no Evangelho de Mateus uma grande exposição de ensinos sobre curas e milagres. Alguns dos grandes milagres operados por Jesus e relatados nesse Evangelho são:

Cura do leproso 8,1-4
Cura do servo do centurião 8,5-13
Cura da sogra de Pedro 8,14-17
Exorcismo ao anoitecer 8,16-17
Acalmando a tempestade 8,23-27
Endemoniado gadareno 8,28-34
Paralítico em Cafarnaum 9,1-8
Filha de Jairo 9,18-26
Mulher com sangramento 9,20-22
Dois cegos da Galileia 9,27-31
Exorcismo do mudo 9,32-34
Homem com a mão mirrada 12,9-13
Exorcismo de homem cego e mudo 12,22-28
Alimentando 5000 pessoas 14,13-21
Caminhando sobre as águas 14,22-33
Cura em Genesaré 14,34-36
Filha da mulher canaanita 15,21-28
Alimentando os 4000 seguidores 15,32-39

Transfiguração de Jesus 17,1-13
Menino possuído pelo Demônio 17,14-21
Moeda na boca do peixe 17,24-27
Cego próximo a Jericó 20,29-34
Amaldiçoando a figueira 21,18-22

Cada um dos evangelistas é identificado por um simbolo. Estes quatro símbolos se encontram na visão que o profeta Ezequiel teve  (Ez 1, 5 – 12). O profeta vislumbra a Glória de Deus sobre um carro (em hebraico: merkabah). E o carro tinha quatro rodas imensas que iam da terra ao céu. E em cada roda havia uma figura: a de um anjo, a de um leão, a de um boi, e a de uma águia.

 

O texto esta Assim descrito:

Distinguia-se no centro a imagem de quatro seres que aparentavam possuir forma humana. Cada um tinha quatro faces e quatro asas. Suas pernas eram direitas e as plantas de seus pés se assemelhavam às do touro, e cintilavam como bronze polido. De seus quatro lados mãos humanas saíam por debaixo de suas asas. Todos os quatro possuíam rostos, e asas. Suas asas tocavam uma na outra. Quando se locomoviam, não se voltavam: cada um andava para a frente. Quanto ao aspecto de seus rostos tinham todos eles figura humana, todos os quatro uma face de leão pela direita, todos os quatro uma face de touro pela esquerda, e todos os quatro uma face de águia. Eis o que havia no tocante as suas faces. Suas asas estendiam-se para o alto; cada qual tinha duas asas que tocavam às dos outros, e duas que lhe cobriam o corpo. Cada qual caminhava para a frente: iam para o lado aonde os impelia o espírito; não se voltavam quando iam andando.

Com o passar do tempo a tradição cristã conferiu aos evangelistas o simbolismo desses quatro animais. São Jerônimo, tradutor da Bíblia do Hebraico para o Latim viu neste simbolismo com clareza, o indicativo dos quatro Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João).

Interessante que na Catedral Metropolitana de Campinas, uma das igrejas mais antigas do estado de São Paulo e uma das poucas que restam feitas sobre taipa de pilão os quatro evangelistas estão representados no alto da igreja, junto com seus respectivos símbolos. (Veja a foto da fachada e o detalhe de Mateus).

Quem foi Mateus

O Evangelho segundo Marcos conta assim a chamada de Mateus: E tornou a sair para a beira-mar, e toda a multidão ia até ele; e ele os ensinava. Ao passar, viu Levi, o filho de Alfeu, sentado na coletoria, e disse-lhe: “segue-me”. Ele se levantou e o seguiu (Marcos 2,13-14). O seu nome aparece nas 3 listas dos apóstolos que temos (Mateus 10,3; Marcos 3,18 e Lucas 6,15). Além disso, ele também é mencionado em Atos 1,13 como membro da comunidade que continuou perseverante após a morte de Cristo.
Mateus era um cobrador de impostos. O império romano tinha pessoas espalhadas pelo reino encarregadas de recolher as taxas que o povo devia ao imperador. Essas pessoas, obviamente, não eram bem-vistas pelos próprios conterrâneos. Muitas vezes eram exploradores e cometiam injustiças. Além disso, os sacerdotes, por respeito ao primeiro mandamento, proibiam aos judeus de tocarem as moedas do império, pois traziam a imagem do imperador. Por conseqüência, os cobradores de impostos, que as tocavam com freqüência, eram considerados pecadores.

Da atividade de Mateus após o Pentecostes, logo depois da ascensão de Jesus ao céu, conhecemos muito pouco. Existe algumas correntes que dizem que o discipulo ficou na região da Judéia por mais 15 anos pregando e depois foi para a Etiópia. Recorrendo a uma tradição antiga que relata Mateus como chefe missionário. Ele não teria comparecido diante dos juízes para dar testemunho. Outras fontes, ao invés, menos verídicas, difundem-se na narração dos sofrimentos e do martírio de Mateus, dando conta de que ele foi apedrejado, queimado e decapitado na Etiópia, de onde as relíquias teriam sido transportadas, primeiro para Paetum, no Golfo de Salerno e no século X para Salerno, onde até hoje são honradas

O dia oficial de São Mateus é 21 de Setembro

São Mateus, Mateus Evangelista ou Mateus Apóstolo (מתי/מתתיהו, “Dom de Javé ou “Presente de Deus”, hebraico padrão e vocalização de Tibérias: Mattay ou Mattiyahu; grego da Septuaginta Ματθαιος, Matthaios; grego moderno: Ματθαίος, Matthaíos) é, pelo relato dos Padres da Igreja, o autor do Evangelho de Mateus e um dos Doze Apóstolo

Fontes pesquisadas:

  • Vida Pastoral
  • Bíblia Sagrada – CNBB
  • Wikipedia
  • Livro: Como Ler os evangelhos – Félix Moracho – Paulus Editora
  • Livro: Como Ler o Evangelho de Mateus – Ivo Storniolo – Paulus Editora
  • Catecismo da Igreja Católica
  • Bíblia.org
  • Livro: Um Santo Para Cada Dia – Mario Sgarbosa e Luigi Giovannini – Edições Paulinas

11º Encontro (Catequese) – Evangelho de Mateus

Série: Animo, uma nova Catequese (Encontro 11/40)

Folha modelo base - Copy (4)

Sugestão de folha de encontro

 

Neste encontro vamos falar sobre o primeiro evangelho no cânon oficial da Bíblia católica, o Evangelho de Jesus Cristo Segundo Mateus. O nome pomposo seria esse mesmo, mas nos referimos sempre com O evangelho de São Mateus.

São Mateus porque foi canonizado como Santo pela Igreja Católica.

É uma boa oportunidade para promover o encontro dos catequisandos com a Palavra de Deus, lembrando sempre que a Bíblia deve ser nosso porto seguro nesta vivência de fé que será nossa caminhada até os sacramentos.

Dito isso podemos iniciar com a oração do Pai Nosso, Ave Maria e o Vinde Espírito Santo e logo depois fazermos o nosso canto que eu sugiro Se Compreendesses o Dom de Deus da Adriana.

No terceiro momento poderia ser explicado o que são os evangelhos e sobre quem foi Mateus e uma breve explanação sobre seu Evangelho

Num quarto momento seria muito interessante que se separasse em duplas ou trios e cada um recebesse uma leitura do livro de Mateus (tem muitas passagens sobre milagres e sermões, fica a critério da equipe a escolha) só não use o Sermão da Montanha porque será usado na reflexão.

Depois que cada dupla (ou trio) ler, é feito uma pequena apresentação para os demais catequizandos, pode ser uma leitura do texto ou eles contarem sobre o fato, o importante é ser apresentado e melhor ainda se tiverem perguntas. Para isso os catequistas devem ter lido previamente tudo e depois refletirem com o grupo.

O quinto momento é a reflexão  do Sermão da Montanha (Mt 5-7). Coloca-se uma música de fundo, bem baixinha, todos sentados em silêncio para a oração  (reflexão). Cada catequista lê um trecho do texto, de pé, circulando por trás da roda. Deve ser uma leitura calma e clara. Ao final da leitura um dos catequistas faz uma breve reflexão, em forma de perguntas (exemplos : Quem nunca julgou as ações de outras pessoas sem saber ao certo o porquê? Quantas vezes você critica o outro e não admite seus defeitos?, etc…). São perguntas para que todos reflitam mas não é preciso esperar por respostas naquele momento.

Depois é dados os avisos da comunidade, cobrado novamente os documentos dos que serão batizados (como expliquei no último encontro).

Ai vem o canto final e a minha sugestão é Eis que Faço Novas Todas as Coisas

De oração final A Oração de São Mateus ( se possível em cartões para eles levarem embora depois)

Oração de São Mateus

São Mateus que deixastes a riqueza para seguir com entusiasmo o chamado do Mestre, fazendo da pobreza um hino de louvor a Jesus, intercedei por mim, que me encontro em aflição. Vós que ouvistes do Mestre as palavras: “Não ajunteis para vós os tesouros da terra, a onde a traça e o caruncho os destroem, e onde os ladrões arrombam e roubam, mas ajuntai para vós os tesouros dos céus!” Ensinai-me ó São Mateus o verdadeiro valor das coisas terrenas e não permiti que a ganância e a soberba dirijam meus atos. Protegei o que é meu e de minha família da ganância e do alcance alheio, para que as minhas posses não lhes causem cobiça nem ensejem atos ilícitos desvairados. Ensinai-me por fim, a ajuntar tesouros no céu e a servir a Deus e não ao dinheiro. Amém!

Regnier_Matthieu

Pintura de Mateus e o anjo

Aprofundamento para o Catequista

Evangelho numa tradução direta significa Boa Nova, então trata-se da “ Boa notícia “ trazida” da missão do Filho de Deus na terra.

Na lista dos evangelhos Os 3 primeiros são chamados de sinóticos, literalmente iguais. É consenso que Marcos foi o primeiro a escrever um evangelho e que tanto Lucas como Mateus usaram desta Fonte para escrever as suas versões do evangelho. Então Mateus é o mais completo e foi colocado no início.  Já o evangelho segundo João é totalmente diferente dos primeiros três e fala mais da divindade de Jesus, do mistério  É da sua vida pastoral. Se fôssemos levar me conta, apenas Mateus e João podem ser realmente considerados por terem sido apenas os dois discípulos diretos de Jesus, mas não se pode negar que tanto Lucas como Marcos tiveram boas fontes para escreverem seus textos.

Os evangelhos foram escritos por homens que estiveram entre os primeiros a ter fé e que queriam compartilhá-la com outros. Depois de terem conhecido na fé quem foi Jesus, puderam ver os traços de seu mistério em toda a sua vida terrestre. Desde os paninhos de sua atividade até o vinagre de sua Paixão e o sudário de sua Ressurreição,  tudo na vida de Jesus é sinal de seu Mistério. Por meio de seus gestos, de seus milagres, de suas palavras, foi revelado que “ nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade “(Cl 2,9). Sua humanidade aparece, a assim,como o “ sacramento”, isto é, o sinal e o instrumento de sua divindade e da salvação que ele traz: o que havia de visível em sua vida terrestre apontava para o mistério invisível de sua filiação divina e de sua missão redentora. CIC 515

Mateus foi um dos primeiros discípulos chamados por Jesus. Ele era um publicano que recebia os impostos. Detalhe quase sempre deixado de lado é que ele recebia os impostos e não cobrava, ou seja ele tinha uma cadeira com uma tenda próxima ao templo. Outro detalhe, era que Mateus cobrava impostos para o templo e este repassada para Roma. Como as moedas tinha a efígie do imperador romano Cesar os doutores da lei não gostavam de ter contato com o dinheiro romano e Mateus tinha este emprego e por isso mesmo era discriminado e tratado como impuro. Simplificando : Mateus era também um trabalhador que exercia um serviço mal visto.

Porém nesta função ele também tinha a possibilidade de desviar somas de dinheiro para ele mesmo, e algumas tradições falam que ele se tornará um homem rico por isso.

Jesus ao passar perto de Mateus (em algumas passagens chamado de Levi)  o chama dizendo simplesmente : Vem e me segue. É ele abandonou tudo e o seguiu. Pouco se fala sobre ele na Bíblia , mas a sua importância não pode ser negada já que um dos Evangelhos é de sua autoria. Tudo indica que Mateus teve acesso ao evangelho de Marcos, pois grande parte do seu texto tem equivalente no de Marcos, mas como discípulo Mateus decidiu escrever o seu evangelho cobrindo as lacunas deixadas por Marcos que não tinha sido realmente discípulo. Então de todos os evangelhos chamados sinóticos o de Mateus é o mais completo e por isso figura como o primeiro na lista.

Na liturgia da Igreja Católica cada ano é dedicado a um dos evangelhos sinóticos e a João em tempos específicos. Mateus é do ano A e ao final de cada 3 anos o ciclo recomeça.

Na simbologia que vem desde as igrejas orientais e também por estudos de Santo Irineu (por volta de 203 d.C.) e depois por Santo Agostinho  (por volta de 439 d.C.) cada evangelista tem um símbolo e Mateus é simbolizado por um anjo, o que remete a uma profecia de Ezequiel (Ex 1,1-4;10,14) e também em Ap 4,6-7.

Também seu evangelho após toda a narração da descendência de Jesus já inicia falando do anjo que veio confirmar com José que Maria estava grávida pelo poder do Espírito Santo (cf. MT 1, 20-25)

Para um aprofundamento ainda maior leia Evangelho Segundo São Mateus (clique na palavra)

Fiquem com Deus

Sermão da Montanha – Completo

Evangelho segundo São Mateus – Capítulo 5

  1. Jesus, pois, vendo as multidões, subiu ao monte; e, tendo se assentado, aproximaram-se os seus discípulos,
  2. e ele se pôs a ensiná-los, dizendo:
  3. Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.
  4. Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.
  5. Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra.
  6. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça porque eles serão fartos.
  7. Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia.
  8. Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus.
  9. Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.
  10. Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.
  11. Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós por minha causa.
  12. Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram aos profetas que foram antes de vós.
  13. Vós sois o sal da terra; mas se o sal se tornar insípido, com que se há de restaurar-lhe o sabor? Para nada mais presta, senão para ser lançado fora, e ser pisado pelos homens.
  14. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte;
  15. nem os que acendem uma candeia a colocam debaixo do alqueire, mas no velador, e assim ilumina a todos que estão na casa.
  16. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.
  17. Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir.
  18. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da lei um só jota ou um só til, até que tudo seja cumprido.
  19. Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus.
  20. Pois eu vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus.
  21. Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e, Quem matar será réu de juízo.
  22. Eu, porém, vos digo que todo aquele que se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e quem disser a seu irmão: Raca, será réu diante do sinédrio; e quem lhe disser: Tolo, será réu do fogo do inferno.
  23. Portanto, se estiveres apresentando a tua oferta no altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti,
  24. deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai conciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem apresentar a tua oferta.
  25. Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele; para que não aconteça que o adversário te entregue ao guarda, e sejas lançado na prisão.
  26. Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último centavo.
  27. Ouvistes que foi dito: Não adulterarás.
  28. Eu, porém, vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela.
  29. Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno.
  30. E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que vá todo o teu corpo para o inferno.
  31. Também foi dito: Quem repudiar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio.
  32. Eu, porém, vos digo que todo aquele que repudia sua mulher, a não ser por causa de infidelidade, a faz adúltera; e quem casar com a repudiada, comete adultério.
  33. Outrossim, ouvistes que foi dito aos antigos: Não jurarás falso, mas cumprirás para com o Senhor os teus juramentos.
  34. Eu, porém, vos digo que de maneira nenhuma jureis; nem pelo céu, porque é o trono de Deus;
  35. nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei;
  36. nem jures pela tua cabeça, porque não podes tornar um só cabelo branco ou preto.
  37. Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não; pois o que passa daí, vem do Maligno.
  38. Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente.
  39. Eu, porém, vos digo que não resistais ao homem mau; mas a qualquer que te bater na face direita, oferece-lhe também a outra;
  40. e ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa;
  41. e, se qualquer te obrigar a caminhar mil passos, vai com ele dois mil.
  42. Dá a quem te pedir, e não voltes as costas ao que quiser que lhe emprestes.
  43. Ouvistes que foi dito: Amarás ao teu próximo, e odiarás ao teu inimigo.
  44. Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem;
  45. para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus; porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos.
  46. Pois, se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo?
  47. E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis demais? Não fazem os gentios também o mesmo?
  48. Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial.

Evangelho segundo São Mateus – Capítulo 6

  1. Guardai-vos de fazer as vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles; de outra sorte não tereis recompensa junto de vosso Pai, que está nos céus.
  2. Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa.
  3. Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita;
  4. para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.
  5. E, quando orardes, não sejais como os hipócritas; pois gostam de orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa.
  6. Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.
  7. E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque pensam que pelo seu muito falar serão ouvidos.
  8. Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes.
  9. Portanto, orai vós deste modo: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome;
  10. venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu;
  11. o pão nosso de cada dia nos dá hoje;
  12. e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também temos perdoado aos nossos devedores;
  13. e não nos deixes entrar em tentação; mas livra-nos do mal. [Porque teu é o reino e o poder, e a glória, para sempre, Amém.]
  14. Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós;
  15. se, porém, não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai perdoará vossas ofensas.
  16. Quando jejuardes, não vos mostreis tristes como os hipócritas; porque eles desfiguram os seus rostos, para que os homens vejam que estão jejuando. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa.
  17. Tu, porém, quando jejuares, unge a tua cabeça, e lava o teu rosto,
  18. para não mostrar aos homens que estás jejuando, mas a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.
  19. Não ajunteis para vós tesouros na terra; onde a traça e a ferrugem os consomem, e onde os ladrões minam e roubam;
  20. mas ajuntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem os consumem, e onde os ladrões não minam nem roubam.
  21. Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração.
  22. A luz do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo teu corpo terá luz;
  23. se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes são tais trevas!
  24. Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.
  25. Por isso vos digo: Não estejais ansiosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer, ou pelo que haveis de beber; nem, quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestuário?
  26. Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não valeis vós muito mais do que elas?
  27. Qual de vós, por mais que se esforce, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida?
  28. E pelo que haveis de vestir, por que andais ansiosos? Olhai para os lírios do campo, como crescem; não trabalham nem fiam;
  29. contudo vos digo que nem mesmo Salomão em toda a sua glória se vestiu como um deles.
  30. Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé?
  31. Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que havemos de comer? ou: Que havemos de beber? ou: Com que nos havemos de vestir?
  32. (Pois a todas estas coisas os gentios procuram.) Porque vosso Pai celestial sabe que precisais de tudo isso.
  33. Buscai, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas de acréscimo.
  34. Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã; porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. A cada dia basta o seu cuidado.

      Evangelho segundo São Mateus – Capítulo 7

  1. Não julgueis, para que não sejais julgados.
  2. Porque com o juízo com que julgais, sereis julgados; e com a medida com que medis vos medirão a vós.
  3. E por que vês o argueiro no olho do teu irmão, e não reparas na trave que está no teu olho?
  4. Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu?
  5. Hipócrita! tira primeiro a trave do teu olho; e então verás bem para tirar o argueiro do olho do teu irmão.
  6. Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis aos porcos as vossas pérolas, para não acontecer que as calquem aos pés e, voltando-se, vos despedacem.
  7. Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei e abrir-se-vos-á.
  8. Pois todo o que pede, recebe; e quem busca, acha; e ao que bate, abrir-se-lhe-á.
  9. Ou qual dentre vós é o homem que, se seu filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra?
  10. Ou, se lhe pedir peixe, lhe dará uma serpente?
  11. Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhas pedirem?
  12. Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-o também vós a eles; porque esta é a lei e os profetas.
  13. Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela;
  14. e porque estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz à vida, e poucos são os que a encontram.
  15. Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores.
  16. Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos?
  17. Assim, toda árvore boa produz bons frutos; porém a árvore má produz frutos maus.
  18. Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má dar frutos bons.
  19. Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo.
  20. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis.
  21. Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.
  22. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres?
  23. Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade.
  24. Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática, será comparado a um homem prudente, que edificou a casa sobre a rocha.
  25. E desceu a chuva, correram as torrentes, sopraram os ventos, e bateram com ímpeto contra aquela casa; contudo não caiu, porque estava fundada sobre a rocha.
  26. Mas todo aquele que ouve estas minhas palavras, e não as põe em prática, será comparado a um homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia.
  27. E desceu a chuva, correram as torrentes, sopraram os ventos, e bateram com ímpeto contra aquela casa, e ela caiu; e grande foi a sua queda.
  28. Ao concluir Jesus este discurso, as multidões se maravilhavam da sua doutrina;
  29. porque as ensinava como tendo autoridade, e não como os escribas.

Creio em Deus-Pai todo poderoso (CIC 142-184) História e Transcrição

Série: Animo, uma nova Catequese (Complemento 4 – Estudo)

Este post trata-se da transcrição do texto do CIC 142-184 Primeira parte -Profissão de Fé e contém uma breve história do Credo Niceno-Constantinopolitano

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Ícone do Concílio de Niceia em 325 d.C.

A RESPOSTA DO HOMEM A DEUS (Transcrição do Catecismo da Igreja Católica)

  1. Pela sua revelação, Deus invisível, na riqueza do seu amor, fala aos homens como amigos e convive com eles, para os convidar e admitir à comunhão com Ele. A resposta adequada a este convite é a fé.
  2. Pela fé, o homem submete completamente a Deus a inteligência e a vontade; com todo o seu ser, o homem dá assentimento a Deus revelador. A Sagrada Escritura chama obediência da fé a esta resposta do homem a Deus revelador.

ARTIGO 1

EU CREIO

  1. A obediência da fé
  2. Obedecer (ob-audire) na fé é submeter-se livremente à palavra escutada, por a sua verdade ser garantida por Deus, que é a própria verdade. Desta obediência, o modelo que a Sagrada Escritura nos propõe é Abraão. A sua realização mais perfeita é a da Virgem Maria.

ABRAÃO – O PAI DE TODOS OS CRENTES

  1. A Epístola aos Hebreus, no grande elogio que faz da fé dos antepassados, insiste particularmente na fé de Abraão: Pela fé, Abraão obedeceu ao chamamento de Deus, e partiu para uma terra que viria a receber como herança: partiu, sem saber para onde ia (Heb 11, 8). Pela fé, viveu como estrangeiro e peregrino na terra prometida . Pela fé, Sara recebeu a graça de conceber o filho da promessa. Pela fé, finalmente, Abraão ofereceu em sacrifício o seu filho único .
  2. Abraão realiza assim a definição da fé dada pela Epístola aos Hebreus: A fé constitui a garantia dos bens que se esperam, e a prova de que existem as coisas que não se vêem (Heb 11, 1). Abraão acreditou em Deus, e isto foi-lhe atribuído como justiça (Rm 4, 3). Fortalecido por esta fé (Rm 4, 20), Abraão tornou-se o pai de todos os crentes (Rm 4, 11. 18).
  3. O Antigo Testamento é rico em testemunhos desta fé. A Epístola aos Hebreus faz o elogio da fé exemplar dos antigos, que lhes valeu um bom testemunho (Heb 11, 2. 39). No entanto, para nós, Deus previra destino melhor: a graça de crer no seu Filho Jesus, guia da nossa fé, que Ele leva à perfeição (Heb 11, 40; 12, 2).

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MARIA – FELIZ AQUELA QUE ACREDITOU

  1. A Virgem Maria realiza, do modo mais perfeito, a obediência da fé. Na fé, Maria acolheu o anúncio e a promessa trazidos pelo anjo Gabriel, acreditando que a Deus nada é impossível (Lc 1, 37) e dando o seu assentimento: Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra (Lc 1, 38). Isabel saudou-a: Feliz aquela que acreditou no cumprimento de quanto lhe foi dito da parte do Senhor (Lc 1, 45). É em virtude desta fé que todas as gerações a hão-de proclamar bem-aventurada .
  2. Durante toda a sua vida e até à última provação , quando Jesus, seu filho, morreu na cruz, a sua fé jamais vacilou. Maria nunca deixou de crer no cumprimento da Palavra de Deus. Por isso, a Igreja venera em Maria a mais pura realização da fé.
  3. Eu sei em quem pus a minha fé (2 Tm 1, 12)

CRER SÓ EM DEUS

  1. Antes de mais, a fé é uma adesão pessoal do homem a Deus. Ao mesmo tempo, e inseparavelmente, é o assentimento livre a toda a verdade revelada por Deus. Enquanto adesão pessoal a Deus e assentimento à verdade por Ele revelada, a fé cristã difere da fé numa pessoa humana. É justo e bom confiar totalmente em Deus e crer absolutamente no que Ele diz. Seria vão e falso ter semelhante fé numa criatura.

CRER EM JESUS CRISTO, FILHO DE DEUS

  1. Para o cristão, crer em Deus é crer inseparavelmente n’Aquele que Deus enviou – no seu Filho muito amado em quem Ele pôs todas as suas complacências : Deus mandou-nos que O escutássemos . O próprio Senhor disse aos seus discípulos: Acreditais em Deus, acreditai também em Mim (Jo 14, 1). Podemos crer em Jesus Cristo, porque Ele próprio é Deus, o Verbo feito carne: A Deus, nunca ninguém O viu. O Filho Unigênito, que está no seio do Pai, é que O deu a conhecer (Jo 1, 18). Porque viu o Pai (Jo 6, 46), Ele é o único que O conhece e O pode revelar .

CRER NO ESPÍRITO SANTO

  1. Não é possível acreditar em Jesus Cristo sem ter parte no seu Espírito. É o Espírito Santo que revela aos homens quem é Jesus. Porque ninguém é capaz de dizer: “Jesus é Senhor”, a não ser pela ação do Espírito Santo (1 Cor 12, 3). O Espírito penetra todas as coisas, até o que há de mais profundo em Deus […]. Ninguém conhece o que há em Deus senão o Espírito de Deus (1 Cor 2, 10-11). Só Deus conhece inteiramente Deus. Nós cremos no Espírito Santo, porque Ele é Deus.

A Igreja não cessa de confessar a sua fé num só Deus, Pai, Filho e Espírito Santo.

III. As características da fé

A FÉ É UMA GRAÇA

  1. Quando Pedro confessa que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo, Jesus declara-lhe que esta revelação não lhe veio «da carne nem do sangue, mas do seu Pai que está nos Céus (Mt 16, 17) . A fé é um dom de Deus, uma virtude sobrenatural infundida por Ele. Para prestar esta adesão da fé, são necessários a prévia e concomitante ajuda da graça divina e os interiores auxílios do Espírito Santo, o qual move e converte o coração para Deus, abre os olhos do entendimento, e dá “a todos a suavidade em aceitar e crer a verdade”.

A FÉ É UM ATO HUMANO

  1. O ato de fé só é possível pela graça e pelos auxílios interiores do Espírito Santo. Mas não é menos verdade que crer é um ato autenticamente humano. Não é contrário nem à liberdade nem à inteligência do homem confiar em Deus e aderir às verdades por Ele reveladas. Mesmo nas relações humanas, não é contrário à nossa própria dignidade acreditar no que outras pessoas nos dizem acerca de si próprias e das suas intenções, e confiar nas suas promessas (como, por exemplo, quando um homem e uma mulher se casam), para assim entrarem em mútua comunhão. Por isso, é ainda menos contrário à nossa dignidade prestar, pela fé, submissão plena da nossa inteligência e da nossa vontade a Deus revelador e entrar assim em comunhão intima com Ele.
  2. Na fé, a inteligência e a vontade humanas cooperam com a graça divina: Credere est actas intellectus assentientis veritati divinae ex imperio voluntatis, a Deo motae per gratiam”Crer é o ato da inteligência que presta o seu assentimento à verdade divina, por determinação da vontade, movida pela graça de Deus.

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A FÉ E A INTELIGÊNCIA

  1. O motivo de crer não é o fato de as verdades reveladas aparecerem como verdadeiras e inteligíveis à luz da nossa razão natural. Nós cremos por causa da autoridade do próprio Deus revelador, que não pode enganar-se nem enganar-nos. Contudo, para que a homenagem da nossa fé fosse conforme à razão, Deus quis que os auxílios interiores do Espírito Santo fossem acompanhados de provas exteriores da sua Revelação. Assim, os milagres de Cristo e dos santos, as profecias, a propagação e a santidade da Igreja, a sua fecundidade e estabilidade são sinais certos da Revelação, adaptados à inteligência de todos, motivos de credibilidade, mostrando que o assentimento da fé não é, de modo algum, um movimento cego do espírito.
  2. A fé é certa, mais certa que qualquer conhecimento humano, porque se funda na própria Palavra de Deus, que não pode mentir. Sem dúvida, as verdades reveladas podem parecer obscuras à razão e à experiência humanas; mas a certeza dada pela luz divina é maior do que a dada pela luz da razão natural. Dez mil dificuldades não fazem uma só dúvida.
  3. A fé procura compreender: é inerente à fé o desejo do crente de conhecer melhor Aquele em quem acreditou, e de compreender melhor o que Ele revelou; um conhecimento mais profundo exigirá, por sua vez, uma fé maior e cada vez mais abrasada em amor. A graça da fé abre os olhos do coração (Ef 1, 18) para uma inteligência viva dos conteúdos da Revelação, isto é, do conjunto do desígnio de Deus e dos mistérios da fé, da íntima conexão que os Liga entre si e com Cristo, centro do mistério revelado. Ora, para que a compreensão da Revelação seja cada vez mais profunda, o mesmo Espírito Santo aperfeiçoa sem cessar a fé, mediante os seus dons. Assim, conforme o dito de Santo Agostinho, eu creio para compreender e compreendo para crer melhor.
  4. Fé e ciência. Muito embora a fé esteja acima da razão, nunca pode haver verdadeiro desacordo entre ambas: o mesmo Deus, que revela os mistérios e comunica a fé, também acendeu no espírito humano a luz da razão. E Deus não pode negar-Se a Si próprio, nem a verdade pode jamais contradizer a verdade. É por isso que a busca metódica, em todos os domínios do saber, se for conduzida de modo verdadeiramente científico e segundo as normas da moral, jamais estará em oposição à fé: as realidades profanas e as da fé encontram a sua origem num só e mesmo Deus. Mais ainda: aquele que se esforça, com perseverança e humildade, por penetrar no segredo das coisas, é como que conduzido pela mão de Deus, que sustenta todos os seres e faz que eles sejam o que são, mesmo que não tenha consciência disso.

A LIBERDADE DA FÉ

  1. Para ser humana, a resposta da fé, dada pelo homem a Deus, deve ser voluntária. Por conseguinte, ninguém deve ser constrangido a abraçara fé contra vontade. Efetivamente, o ato de fé é voluntário por sua própria natureza. E certo que Deus chama o homem a servi-Lo em espírito e verdade; mas, se é verdade que este apelo obriga o homem em consciência, isso não quer dizer que o constranja […]. Isto foi evidente, no mais alto grau, em Jesus Cristo. De facto, Cristo convidou à fé e à conversão, mas de modo nenhum constrangeu alguém. Deu testemunho da verdade, mas não a impôs pela força aos seus contraditores. O seu Reino […] dilata-se graças ao amor, pelo qual, levantado na cruz, Cristo atrai a Si todos os homens.

A NECESSIDADE DA FÉ

  1. Para obter a salvação é necessário acreditar em Jesus Cristo e n’Aquele que O enviou para nos salvar . Porque “sem a fé não é possível agradar a Deus” (Heb 11, 6) e chegar a partilhar a condição de filhos seus; ninguém jamais pode justificar-se sem ela e ninguém que não “persevere nela até ao fim” (Mt 10, 22; 24, 13) poderá alcançar a vida eterna.

A PERSEVERANÇA NA FÉ

  1. A fé á um dom gratuito de Deus ao homem. Mas nós podemos perder este dom inestimável. Paulo adverte Timóteo a respeito dessa possibilidade: Combate o bom combate, guardando a fé e a boa consciência; por se afastarem desse princípio é que muitos naufragaram na fé (1 Tm 1, 18-19). Para viver, crescer e perseverar até ao fim na fé, temos de a alimentar com a Palavra de Deus; temos de pedir ao Senhor que no-la aumente ; ela deve agir pela caridade (Gl 5, 6) , ser sustentada pela esperança e permanecer enraizada na fé da Igreja.

A FÉ – VIDA ETERNA INICIADA

  1. A fé faz que saboreemos, como que de antemão, a alegria e a luz da visão beatifica, termo da nossa caminhada nesta Terra. Então veremos Deus face a face (1 Cor 13, 12), tal como Ele é (1 Jo 3, 2). A fé, portanto, é já o princípio da vida eterna:

Enquanto, desde já, contemplamos os benefícios da fé, como reflexo num espelho, é como se possuíssemos já as maravilhas que a nossa fé nos garante havermos de gozar um dia .

164. Por enquanto porém, caminhamos pela fé e não vemos claramente (2 Cor 5, 7), e conhecemos Deus como num espelho, de maneira confusa, […] imperfeita (1 Cor, 13, 12). Luminosa por parte d’Aquele em quem ela crê, a fé é muitas vezes vivida na obscuridade, e pode ser posta à prova. O mundo em que vivemos parece muitas vezes bem afastado daquilo que a ,fé nos diz: as experiências do mal e do sofrimento, das injustiças e da morte parecem contradizer a Boa-Nova, podem abalar a fé e tornarem-se, em relação a ela, uma tentação.

  1. É então que nos devemos voltar para as testemunhas da fé: Abraão, que acreditou, esperando contra toda a esperança (Rm 4, 18); a Virgem Maria que, na peregrinação da fé, foi até à noite da fé, comungando no sofrimento do seu Filho e na noite do seu sepulcro ; e tantas outras testemunhas da fé: envoltos em tamanha nuvem de testemunhas, devemos desembaraçar-nos de todo o fardo e do pecado que nos cerca, e correr com constância o risco que nos é proposto, fixando os olhos no guia da nossa fé, o qual a leva à perfeição (Heb 12, 1-2).

ARTIGO 2

NÓS CREMOS

  1. A fé é um ato pessoal, uma resposta livre do homem à proposta de Deus que Se revela. Mas não é um ato isolado. Ninguém pode acreditar sozinho, tal como ninguém pode viver só. Ninguém se deu a fé a si mesmo, como ninguém a si mesmo se deu a vida. Foi de outrem que o crente recebeu a fé; a outrem a deve transmitir. O nosso amor a Jesus e aos homens impele-nos a falar aos outros da nossa fé. Cada crente é, assim, um elo na grande cadeia dos crentes. Não posso crer sem ser amparado pela fé dos outros, e pela minha fé contribuo também para amparar os outros na fé.
  2. Eu creio: é a fé da Igreja, professada pessoalmente por cada crente, principalmente por ocasião do Batismo. Nós cremos: é a fé da Igreja, confessada pelos bispos reunidos em Concílio ou, de modo mais geral, pela assembleia litúrgica dos crentes. Eu creio: é também a Igreja, nossa Mãe, que responde a Deus pela sua fé e nos ensina a dizer: Eu creio, Nós cremos.
  3. Olhai, Senhor, para a fé da vossa Igreja
  4. É, antes de mais, a Igreja que crê, e que assim suporta, nutre e sustenta a minha fé. É primeiro a Igreja que, por toda a parte, confessa o Senhor (Te per orbem terrarum sancta confitetur Ecclesia – A Santa Igreja anuncia por toda a terra a glória do vosso nome» – como cantamos no Te Deum). Com ela e nela, também nós somos atraídos e levados a confessar: Eu creio, Nós cremos. É da Igreja que recebemos a fé e a vida nova em Cristo, pelo Batismo. No Ritual Romano, o ministro do Batismo pergunta ao catecúmeno: Que vens pedir à Igreja de Deus? E ele responde: – A fé. – Para que te serve a fé? – Para alcançar a vida eterna.
  5. A salvação vem só de Deus. Mas porque é através da Igreja que recebemos a vida da fé, a Igreja é nossa Mãe. Cremos que a Igreja é como que a mãe do nosso novo nascimento, mas não cremos na Igreja como se ela fosse a autora da nossa salvação. É porque é nossa Mãe, é também a educadora da nossa fé.
  6. A linguagem da fé
  7. Não acreditamos em fórmulas, mas sim nas realidades que as fórmulas exprimem e que a fé nos permite tocar. O ato [de fé] do crente não se detém no enunciado, mas na realidade [enunciada]. No entanto, é através das fórmulas da fé que nos aproximamos dessas realidades. As fórmulas permitem-nos exprimir e transmitir a fé, celebrá-la em comunidade, assimilá-la e dela viver cada vez mais.
  8. A Igreja, que é coluna e apoio da verdade (1 Tm 3, 15), guarda fielmente a fé transmitida aos santos de uma vez por todas . É ela que guarda a memória das palavras de Cristo. É ela que transmite, de geração em geração, a confissão de fé dos Apóstolos. Tal como uma mãe ensina os seus filhos a falar e, dessa forma, a compreender e a comunicar, a Igreja, nossa Mãe, ensina-nos a linguagem da fé, para nos introduzir na inteligência e na vida da fé.

III. Uma só fé

  1. Desde há séculos, através de tantas línguas, culturas, povos e nações, a Igreja não cessa de confessar a sua fé única, recebida de um só Senhor, transmitida por um só Batismo, enraizada na convicção de que todos os homens têm apenas um só Deus e Pai. Santo Irineu de Lião, testemunha desta fé, declara:
  2. A Igreja, embora dispersa por todo o mundo até aos confins da Terra, tendo recebido dos Apóstolos e dos seus discípulos a fé, […] guarda [esta pregação e esta fé] com tanto cuidado como se habitasse numa só casa; nela crê de modo idêntico, como tendo um só coração e uma só alma; prega-a e ensina-a e transmite-a com voz unânime, como se tivesse uma só boca.
  3. Através do mundo, as línguas diferem: mas o conteúdo da Tradição é um só e o mesmo. Nem as Igrejas estabelecidas na Germania têm outra fé ou outra tradição, nem as que se estabeleceram entre os Iberos ou entre os Celtas, as do Oriente, do Egito ou da Líbia, nem as que se fundaram no centro do mundo. A mensagem da Igreja é verídica e sólida, porque nela aparece um só e o mesmo caminho de salvação, em todo o mundo.
  4. Esta fé, que recebemos da Igreja, guardamo-la nós cuidadosamente, porque sem cessar, sob a ação do Espírito de Deus, tal como um depósito de grande valor encerrado num vaso excelente, ela rejuvenesce e faz rejuvenescer o próprio vaso que a contém.

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Resumindo:

  1. A fé é uma adesão pessoal, do homem todo, a Deus que Se revela. Comporta uma adesão da inteligência e da vontade à Revelação que Deus fez de Si mesmo, pelas suas ações e palavras.
  2. Crer tem, pois, uma dupla referência: à pessoa e à verdade; à verdade, pela confiança na pessoa que a atesta.
  3. Não devermos crer em mais ninguém senão em Deus, Pai, Filho e Espírito Santo.

179.  A fé é um dom sobrenatural de Deus. Para crer, o homem tem necessidade dos auxílios interiores do Espírito Santo.

  1. Crer é um ato humano, consciente e livre, que está de acordo com a dignidade da pessoa humana.
  2. Crer é um ato eclesial. A fé da Igreja precede, gera, suporta e nutre a nossa fé. A Igreja é a Mãe de todos os crentes. Ninguém pode ter a Deus por Pai, se não tiver a Igreja por Mãe.
  3. Nós cremos em tudo quanto está contido na Palavra de Deus, escrita ou transmitida, e que a Igreja propõe à nossa fé como divinamente revelado.
  4. A fé é necessária para a salvação. O próprio Senhor o afirma: Quem acreditar e for baptizado salvar-se-á, mas quem não acreditar será condenado (Mc 16, 16).
  5. A fé é um antegozo do conhecimento que nos tornará felizes na vida futura.

CREDO

SÍMBOLO DOS APÓSTOLOS CREDO DE NICEIA–CONSTANTINOPLA 
Creio em Deus, Pai todo-poderoso,
Criador do Céu e da Terra;
Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso,
Criador do Céu e da Terra,
de todas as coisas visíveis e invisíveis.
e em Jesus Cristo, seu único Filho,
nosso Senhor,
Creio em um só Senhor, Jesus Cristo,
Filho Unigénito de Deus,
nascido do Pai antes de todos os séculos:
Deus de Deus, luz da luz,
Deus verdadeiro de Deus verdadeiro;
gerado, não criado, consubstancial ao Pai.
Por Ele todas as coisas foram feitas.
E por nós, homens, e para nossa salvação
desceu dos Céus.
que foi concebido pelo poder
do Espírito Santo;
nasceu da Virgem Maria;
E encarnou pelo Espírito Santo,
no seio da Virgem Maria,
e Se fez homem.
padeceu sob Pôncio Pilatos,
foi crucificado, morto e sepultado;
desceu à mansão dos mortos;
ressuscitou ao terceiro dia;
subiu aos Céus;
está sentado à direita de Deus Pai
todo-poderoso, de onde há-de vir a julgar
os vivos e os mortos.
Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos;
padeceu e foi sepultado.

Ressuscitou ao terceiro dia,
conforme as Escrituras;
e subiu aos Céus, onde está sentado
à direita do Pai.
De novo há-de vir em sua glória,
para julgar os vivos e os mortos;
e o seu Reino não terá fim.

Creio no Espírito Santo; Creio no Espírito Santo,
Senhor que dá a vida,
e procede do Pai e do Filho;
e com o Pai e o Filho é adorado
e glorificado:
Ele que falou pelos profetas.
na santa Igreja Católica;
na comunhão dos Santos;
Creio na Igreja una, santa,
católica e apostólica.
na remissão dos pecados;
na ressurreição da carne;
na vida eterna.
Amém
Professo um só Batismo
para remissão dos pecados.
E espero a ressurreição dos mortos,
e a vida do mundo que há-de vir.
Amém.
(CIC 142-184)

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História

O Credo niceno-constantinopolitano, ou Símbolo niceno-constantinopolitano, é uma declaração de fé cristã aceita pela Igreja Católica, Igreja Ortodoxa, Igrejas Ortodoxas Orientais, Igreja Anglicana e pela maioria das denominações protestantes.

O nome “niceno-constantinopolitano” indica uma suposta relação com o Primeiro Concílio de Niceia 325 d.C.), no qual foi adaptado um credo semelhante (o Credo Niceno), e com o Primeiro Concílio de Constantinopla (381 d.C.), o qual teria revisto o texto de 325.

Na Igreja Católica Romana, o Credo de Niceia faz parte da profissão de fé. Tradicionalmente, o Credo niceno-constantinopolitano é considerado uma revisão, feita pelo Primeiro Concílio de Constantinopla em 381, do Credo Niceno de 325. Porém, desde mais de um século, se levantam dúvidas sobre esta explicação da origem do Credo niceno-constantinopolitano. Os atos do concílio de 381 não são conservados, e não existe nenhum documento com o texto do Credo niceno-constantinopolitano mais antigo dos atos do Concílio de Calcedônia de 451. No ano 431, o Primeiro Concílio de Éfeso citou o Credo Niceno de 325, e declarou que “é ilícito para qualquer um para apresentar, ou escrever, ou compor uma fé diversa (ἑτέραν – no sentido de “contraditório” e não de “adicional”) da estabelecida pelos Santos Padres reunidos com o Espírito Santo em Niceia” (ou seja, o Credo de 325). A falta de menção do Credo niceno-constantinopolitano nos escritos do intervalo entre 381 (Primeiro Concílio de Constantinopla) e 451 (Concílio de Calcedônia), particularmente nos atos deste Concílio de Éfeso, até tem inspirado a alguns a ideia de que o texto foi apresentado ao Concílio de Calcedônia para superar o problema da proibição efesino de novas formulações. Porém, segundo a Enciclopédia Britannica e outros estudiosos, é mais provável a autoria ou aprovação do Concílio de Constantinopla, mas sobre a base não do Credo niceno, senão de um Credo batismal local, talvez de Jerusalém, de Cesareia, de Antioquia ou de Constantinopla.

Uso Litúrgico

Na missa do rito romano, recita-se todos os domingos e nas festas principais (“solenidades”) o Credo, normalmente o Credo niceno-constantinopolitano, mas desde 2002 está permitido na Quaresma e no Tempo Pascal substituí-lo com “o Símbolo batismal da Igreja romana, conhecido como o Credo dos Apóstolos”. Já no rito bizantino, como em todos os ritos não latinos, usa-se unicamente o Credo niceno-constantinopolitano. Na Divina Liturgia, ele é cantado em certos lugares pelo coro ou a assembléia, em outros é o cantor que o recita ou uma pessoa proeminente leigo (por exemplo, o prefeito, um ministro do governo, o presidente do país, é convidado a fazê-lo, como no passado foi prerrogativa do imperador bizantino, quem falava em nome de todo o seu povo.

Comparação dos dois credos

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O Credo Niceno termina com as palavras “(Cremos) no Espírito Santo” e com um anátema contra os arianos. Há também muitas outras diferenças. São poucos os estudiosos que acreditam que o Credo niceno-constantinopolitano seja uma amplificação do Credo de 325. Só num sentido lato o Credo posterior pode ser chamado niceno, isto é, em conformidade com a fé proclamada em Niceia.

 

Na seguinte tabela abaixo, letras negritas indicam as partes do Credo Niceno omitidas ou movidas no Niceno-constantinopolitano, e letras cursivas as frases presentes no Niceno-constantinopolitano mas não no Niceno.

Credo Niceno (325) Credo niceno-constantinopolitano (381?)
Πιστεύομεν εἰς ἕνα θεὸν πατέρα παντοκράτορα, πάντων ὁρατῶν τε και ἀοράτων ποιητήν. Πιστεύομεν εἰς ἕνα θεὸν πατέρα παντοκράτορα, ποιητὴν οὐρανοῦ καὶ γῆς, ὁρατῶν τε πάντων καὶ ἀοράτων·
Καὶ εἰς ἕνα κύριον Ἰησοῦν Χριστόν, τὸν υἱὸν τοῦ θεοῦ, γεννηθέντα ἐκ τοῦ πατρὸς μονογενῆ, τοὐτέστιν ἐκ τῆς οὐσίας τοῦ πατρός, καὶ εἰς ἕνα κύριον Ἰησοῦν Χριστόν, τὸν υἱὸν τοῦ θεοῦ τὸν μονογενῆ, τὸν ἐκ τοῦ Πατρὸς γεννηθέντα πρὸ πάντων τῶν αἰώνων,
θεὸν ἐκ θεοῦ, φῶς ἐκ φωτός, θεὸν ἀληθινὸν ἐκ θεοῦ ἀληθινοῦ, γεννηθέντα, οὐ ποιηθέντα, ὁμοούσιον τῷ πατρί φῶς ἐκ φωτός, θεὸν ἀληθινὸν ἐκ θεοῦ ἀληθινοῦ, γεννηθέντα οὐ ποιηθέντα, ὁμοούσιον τῷ πατρί,
δι’ οὗ τὰ πάντα ἐγένετο, τά τε ἐν τῷ οὐρανῷ καὶ τὰ ἐω τῇ γῇ δι’ οὗ τὰ πάντα ἐγένετο,
τὸν δι’ ἡμᾶς τοὺς ἀνθρώπους καὶ διὰ τὴν ἡμετέραν σωτηρίαν κατελθόντα καὶ σαρκωθέντα καὶ ἐνανθρωπήσαντα, τὸν δι’ ἡμᾶς τοὺς ἀνθρώπους καὶ διὰ τὴν ἡμετέραν σωτηρίαν κατελθόντα ἐκ τῶν οὐρανῶν καὶ σαρκωθέντα ἐκ πνεύματος ἅγίου καὶ Μαρίας τῆς παρθένου καὶ ἐνανθρωπήσαντα
παθόντα, καὶ ἀναστάντα τῇ τρίτῃ ἡμέρᾳ, ἀνελθόντα εἰς τοὺς οὐρανούς, σταυρωθέντα τε ὑπὲρ ἡμῶν ἐπὶ Ποντίου Πιλάτου καὶ παθόντα καὶ ταφέντα καὶ ἀναστάντα τῇ τρίτῃ ἡμέρα κατὰ τὰς γραφάς καὶ ἀνελθόντα εἰς τοὺς οὐρανούς καὶ καθεζόμενον ἐκ δεξιῶν τοῦ πατρός
καὶ ἐρχόμενον κρῖναι ζῶντας καὶ νεκρούς. καὶ πάλιν ἐρχόμενον μετὰ δόξης κρῖναι ζῶντας καὶ νεκρούς·
οὗ τῆς βασιλείας οὐκ ἔσται τέλος.
Καὶ εἰς τὸ ἅγιον πνεῦμα. καὶ εἰς τὸ πνεῦμα τὸ ἅγιον, τὸ κύριον, καὶ ζῳοποιόν, τὸ ἐκ τοῦ πατρὸς ἐκπορευόμενον, τὸ σὺν πατρὶ καὶ υἱῷ συμπροσκυνούμενον καὶ συνδοξαζόμενον, τὸ ἐκλαλῆσαν διὰ τῶν προφητῶν·
Τοὺς δὲ λέγοντας· ἦν ποτε ὅτε οὐκ ἦν, καὶ πρὶν γεννηθῆναι οὐκ ἦν, καὶ ὅτι ἐξ οὐκ ὄντων ἐγένετο, ἢ ἐξ ἑτέρας ὑποστάσεως ἢ οὐσίας φάσκοντας εἶναι, ἢ κτιστόν ἢ τρεπτὸν ἢ ἀλλοιωτὸν τὸν υἱὸν τοῦ θεοῦ, ἀναθεματίζει ἡ καθολικὴ ἐκκλησία. Εἰς μίαν ἁγίαν καθολικὴν καὶ ἀποστολικὴν ἐκκλησίαν· ὁμολογοῦμεν ἓν βάπτισμα εἰς ἄφεσιν ἁμαρτιῶν· προσδοκοῦμεν ἀνάστασιν νεκρῶν, καὶ ζωὴν τοῦ μέλλοντος αἰῶνος. ἀμήν.

Numa tradução portuguesa as diferenças aparecem assim:

Credo Niceno (325) Credo niceno-constantinopolitano (381?)
Cremos em um só Deus, Pai todo-poderoso, criador de todas as coisas visíveis e invisíveis. Cremos em um só Deus, Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis.
Ε em um só Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, gerado unigênito do Pai, isto é, da substância do Pai; E em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho unigênito de Deus, gerado do Pai antes de todos os séculos
Deus de Deus, luz de luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não feito, consubstancial ao Pai; luz de luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não feito, consubstancial ao Pai,
por quem foram feitas todas as coisas que estão no céu ou na terra. por que, foram feitas todas as coisas.
O qual por nós homens e para nossa salvação, desceu, se encarnou e se fez homem. O qual por nós homens e para a nossa salvação, desceu dos céus: se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem.
Padeceu e ressuscitou ao terceiro dia e subiu aos céus Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos e padeceu e foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia conforme as Escrituras, e subiu aos céus, onde está assentado à direita do Pai.
Ele virá para julgar os vivos e os mortos. Ele virá novamente, em glória, para julgar os vivos e os mortos;
e o Seu reino não terá fim.
E no Espírito Santo. E no Espírito Santo, Senhor e fonte de vida, que procede do Pai; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: Ele falou pelos profetas.
E quem quer que diga que houve um tempo em que o Filho de Deus não existia, ou que antes que fosse gerado ele não existia, ou que ele foi criado daquilo que não existia, ou que ele é de uma substância ou essência diferente (do Pai), ou que ele é uma criatura, ou sujeito à mudança ou transformação, todos os que falem assim, são anatematizados pela Igreja Católica. E na Igreja, una, santa, católica e apostólica. Confessamos um só batismo para remissão dos pecados. Esperamos a ressurreição dos mortos; e a vida do mundo vindouro. Amém.

Os textos litúrgicos do Credo niceno-constantinopolitano não correspondem exatamente ao que teria adotado o Primeiro concílio de Constantinopla. Nas liturgias grega e latina os verbos no plural “cremos”, “confessamos”, “esperamos” são alteradas para o singular “creio”, “confesso”, “espero”. Assim acentua-se o carácter pessoal de recitar o Credo. As Igrejas ortodoxas orientais conservam o plural, como no texto original.

O texto litúrgico latina, além disso, acrescenta duas frases: “Deus de Deus” e “e do Filho”. A liturgia armênia introduz no texto muitas outras variações. Nunca houve controvérsia sobre “Deus de Deus” (em latim, Deum de Deo), mas “e do Filho” (em latim, Filioque) continua ainda constituir um problema nas relações entre las Igrejas católica e ortodoxa (ver artigo Cláusula Filioque. A Igreja católica professa a tradição da Igreja latina e da Igreja de Alexandria, que falavam da procedência do Espírito Santo do Pai e do Filho ou pelo Filho (filioquismo), enquanto a preferência da Igreja ortodoxa é para a tradição dos Padres Capadócios, que Fócio formulou em termos de procedência do Pai sozinho (monopatrismo). Segundo alguns estudiosos de ambas as Igrejas, a dificuldade nasce da diversidade de significado de palavras gregas e latinas. Os gregos falavam da procedência do Espírito em relação ao verbo ἐκπορεύεσθαι (“τὸ ἐκ τοῦ Πατρὸς ἐκπορευόμενον”), que indica a fonte original, e os latinos falavam em relação ao verbo procedere (qui ex Patre Filioque procedit), que tem um sentido mais extenso e que corresponde melhor ao verbo grego προϊέναι.

Na seguinte tabela, letras negritas indicam as mudanças das liturgias grega e latina.

Concílio de Constantinopla (381) Texto litúrgico grego Texto litúrgico latino

Πιστεύομεν εἰς ἕνα Θεόν
πατέρα παντοκράτορα,
ποιητὴν οὐρανοῦ καὶ γῆς,
ὁρατῶν τε πάντων καὶ ἀοράτων,
καὶ εἰς ἕνα Κύριον Ἰησοῦν Χριστόν,
τὸν υἱὸν τοῦ Θεοῦ τὸν μονογενῆ,
τὸν ἐκ τοῦ πατρὸς γεννηθέντα
πρὸ πάντων τῶν αἰώνων,

φῶς ἐκ φωτός,
Θεὸν ἀληθινὸν ἐκ Θεοῦ ἀληθινοῦ,
γεννηθέντα οὐ ποιηθέντα,
ὁμοούσιον τῷ πατρί,
δι’ οὗ τὰ πάντα ἐγένετο,
τὸν δι’ ἡμᾶς τοὺς ἀνθρώπους
καὶ διὰ τὴν ἡμετέραν σωτηρίαν
κατελθόντα ἐκ τῶν οὐρανῶν,
καὶ σαρκωθέντα ἐκ Πνεύματος Ἁγίου
καὶ Μαρίας τῆς παρθένου,
καὶ ἐνανθρωπήσαντα,
σταυρωθέντα τε ὑπὲρ ἡμῶν ἐπὶ Ποντίου Πιλάτου
καὶ παθόντα καὶ ταφέντα
καὶ ἀναστάντα τῇ τρίτῃ ἡμέρᾳ κατὰ τὰς Γραφὰς
καὶ ἀνελθόντα εἰς τοὺς οὐρανοὺς
καὶ καθεζόμενον ἐκ δεξιῶν τοῦ πατρὸς
καὶ πάλιν ἐρχόμενον μετὰ δόξης
κρῖναι ζῶντας καὶ νεκρούς,
οὗ τῆς βασιλείας οὐκ ἔσται τέλος·
καὶ εἰς τὸ Πνεῦμα τὸ Ἅγιον,
τὸ κύριον, τὸ ζωοποιόν,
τὸ ἐκ τοῦ πατρὸς ἐκπορευόμενον,
τὸ σὺν πατρὶ καὶ υἱῷ
συμπροσκυνούμενον καὶ συνδοξαζόμενον,
τὸ λαλῆσαν διὰ τῶν προφητῶν·
εἰς μίαν, ἁγίαν, Καθολικὴν
καὶ Ἀποστολικὴν Ἐκκλησίαν.
Ὁμολογοῦμεν ἓν βάπτισμα εἰς ἄφεσιν ἁμαρτιῶν·
προσδοκοῦμεν ἀνάστασιν νεκρῶν
καὶ ζωὴν τοῦ μέλλοντος αἰῶνος. Ἀμήν.

Πιστεύω εἰς ἕνα Θεόν,
Πατέρα, Παντοκράτορα,
ποιητὴν οὐρανοῦ καὶ γῆς,
ὁρατῶν τε πάντων καὶ ἀοράτων.
Καὶ εἰς ἕνα Κύριον Ἰησοῦν Χριστόν,
τὸν Υἱὸν τοῦ Θεοῦ τὸν μονογενῆ,
τὸν ἐκ τοῦ Πατρὸς γεννηθέντα
πρὸ πάντων τῶν αἰώνων·

φῶς ἐκ φωτός,
Θεὸν ἀληθινὸν ἐκ Θεοῦ ἀληθινοῦ,
γεννηθέντα οὐ ποιηθέντα,
ὁμοούσιον τῷ Πατρί,
δι’ οὗ τὰ πάντα ἐγένετο.
Τὸν δι’ ἡμᾶς τοὺς ἀνθρώπους
καὶ διὰ τὴν ἡμετέραν σωτηρίαν
κατελθόντα ἐκ τῶν οὐρανῶν
καὶ σαρκωθέντα ἐκ Πνεύματος Ἁγίου
καὶ Μαρίας τῆς Παρθένου
καὶ ἐνανθρωπήσαντα.
Σταυρωθέντα τε ὑπὲρ ἡμῶν ἐπὶ Ποντίου Πιλάτου,
καὶ παθόντα καὶ ταφέντα.
Καὶ ἀναστάντα τῇ τρίτῃ ἡμέρᾳ κατὰ τὰς Γραφάς.
Καὶ ἀνελθόντα εἰς τοὺς οὐρανοὺς
καὶ καθεζόμενον ἐκ δεξιῶν τοῦ Πατρός.
Καὶ πάλιν ἐρχόμενον μετὰ δόξης
κρῖναι ζῶντας καὶ νεκρούς,
οὗ τῆς βασιλείας οὐκ ἔσται τέλος.
Καὶ εἰς τὸ Πνεῦμα τὸ Ἅγιον,
τὸ κύριον, τὸ ζωοποιόν,
τὸ ἐκ τοῦ Πατρὸς ἐκπορευόμενον,
τὸ σὺν Πατρὶ καὶ Υἱῷ
συμπροσκυνούμενον καὶ συνδοξαζόμενον,
τὸ λαλῆσαν διὰ τῶν προφητῶν.
Εἰς μίαν, Ἁγίαν, Καθολικὴν
καὶ Ἀποστολικὴν Ἐκκλησίαν.
Ὁμολογῶ ἓν βάπτισμα εἰς ἄφεσιν ἁμαρτιῶν.
Προσδοκῶ ἀνάστασιν νεκρῶν.
Καὶ ζωὴν τοῦ μέλλοντος αἰῶνος. Ἀμήν.

Credo in unum Deum,
Patrem omnipotentem,
Factorem caeli et terrae,
visibilium omnium et invisibilium.
Et in unum Dominum Iesum Christum,
Filium Dei unigenitum
et ex Patre natum
ante omnia saecula.
Deum de Deo,
Lumen de Lumine,
Deum verum de Deo vero,
genitum, non factum,
consubstantialem Patri:
per quem omnia facta sunt;
qui propter nos homines
et propter nostram salutem,
descendit de caelis,
et incarnatus est de Spiritu Sancto
ex Maria Virgine,
et homo factus est,
crucifixus etiam pro nobis sub Pontio Pilato,
passus et sepultus est,
et resurrexit tertia die secundum Scripturas,
et ascendit in caelum,
sedet ad dexteram Patris,
et iterum venturus est cum gloria,
iudicare vivos et mortuos;
cuius regni non erit finis.
Et in Spiritum Sanctum,
Dominum et vivificantem,
qui ex Patre Filioque procedit,
qui cum Patre et Filio
simul adoratur et conglorificatur,
qui locutus est per prophetas.
Et unam sanctam catholicam
et apostolicam Ecclesiam.
Confiteor unum Baptisma in remissionem peccatorum.
Et expecto resurrectionem mortuorum,
et vitam venturi saeculi. Amen.

Texto armênio com tradução, e texto português

Texto  armênio Tradução em português Conferência Episcopal Portuguesa

Հավատում ենք մեկ Աստծո `ամենակալ Հորը,
երկնքի եւ երկրի, երեւելիների եւ աներեւույթների Արարչին:
Եւ մեկ Տիրոջ` Հիսուս Քրիստոսին, Աստծո Որդուն,
ծնված Հայր Աստծուց Միածին, այսինքն `Հոր էությունից:
Աստված` Աստծուց, լույս `լույսից,
ճշմարիտ Աստված` ճշմարիտ Աստծուց ,
ծնունդ եւ ոչ թե `արարած:
Նույն ինքը` Հոր բնությունից,
որի միջոցով ստեղծվեց ամեն
ինչ երկնքում եւ երկրի
վրա `երեւելիներն ու անեւերույթները:
Որ հանուն մեզ` մարդկանց ու մեր փրկության համար
`իջավ երկնքից,
մարմնացավ, մարդացավ,
ծնվեց կատարելապես Ս. Կույս Մարիամից Ս. Հոգով:
Որով `ճշմարտապես, եւ ոչ կարծեցյալ կերպով առավ մարմին,
հոգի եւ միտք եւ այն ամենը, որ կա մարդու մեջ:
Չարչարվեց, խաչվեց, թաղվեց, երրորդ օրը Հարություն առավ,
նույն մարմնով բարձրացավ երկինք, նստեց Հոր աջ կողմում:
Գալու է նույն մարմնով եւ Հոր փառքով
դատելու ողջերին եւ մահացածներին:
Նրա թագավորությունը չունի վախճան:
Հավատում ենք նաեւ Սուրբ Հոգուն` անեղ եւ կատարյալ,
որը խոսեց Օրենքի, մարգարեների եւ ավետարանների միջոցով:
Որն իջավ Հորդանանի վրա,
քարոզեց առաքյալների միջոցով եւ բնակություն հաստատեց սրբերի մեջ:
Հավատում ենք նաեւ մեկ, ընդհանրական եւ առաքելական եկեղեցու,
մի մկրտության, ապաշխարության,
մեղքերի քավության եւ թողության:
Մեռելների հարության,
հոգիների եւ մարմինների հավիտենական դատաստանի,
երկնքի արքայության եւ հավիտենական կյանքի:

Cremos em um só Deus, Pai Todo-Poderoso,
Criador do céu e da terra, das coisas visíveis e invisíveis.
E em um só Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus,
o Unigênito de Deus o Pai, que é da essência do Pai.
Deus de Deus, Luz de Deus,
Luz verdadeiro de Deus verdadeiro,
gerado e não feito;
da natureza mesma do Pai,
por quem todas as coisas vieram a existir,
no céu e na terra,
visíveis e invisíveis.
Quem por nós os homens e para nossa salvação
desceu dos céus,
se encarnou, foi feito homem,
nasceu perfeitamente da Santíssima Virgem Maria pelo Espírito Santo.
Por quem, verdadeiramente e não na aparência,
Ele tomou corpo, alma e mente, e tudo o que é humano.
Ele sofreu, foi crucificado, foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia,
subiu ao céu com o mesmo corpo, [e] se sentou à direita do Pai.
Ele está para vir com o mesmo corpo e com a glória do Pai,
para julgar os vivos e os mortos;
o Seu reino não tem fim.
Cremos no Espírito Santo, no incriado e perfeito,
que falou através da Lei, os profetas, e os Evangelhos;
que desceu sobre a Jordânia,
pregou pelos apóstolos, e viveu nos santos.
Cremos também em una, católica, e apostólica Igreja
e em um batismo de arrependimento,
para a remissão e perdão dos pecados
e na ressurreição dos mortos,
no julgamento eterno das almas e corpos,
no Reino dos Céus e na vida eterna.

Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso,
Criador do Céu e da Terra,
De todas as coisas visíveis e invisíveis.
Creio em um só Senhor, Jesus Cristo,
Filho Unigênito de Deus,
nascido do Pai antes de todos os séculos:
Deus de Deus, luz da luz,
Deus verdadeiro de Deus verdadeiro;
gerado, não criado, consubstancial ao Pai.
Por Ele todas as coisas foram feitas.
E por nós, homens, e para nossa salvação
desceu dos Céus.
E encarnou pelo Espírito Santo,
no seio da Virgem Maria.
e se fez homem.
Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos;
padeceu e foi sepultado.
Ressuscitou ao terceiro dia,
conforme as Escrituras;
e subiu aos Céus,
onde está sentado à direita do Pai.
De novo há-de vir em sua glória
para julgar os vivos e os mortos;
e o seu Reino não terá fim.
Creio no Espírito Santo,
Senhor que dá a vida,
e procede do Pai e do Filho;
e com o Pai e o Filho
é adorado e glorificado:
Ele que falou pelos Profetas.
Creio na Igreja,
Una, Santa, Católica e Apostólica.
Professo um só batismo para a remissão dos pecados.
E espero a ressurreição dos mortos
e vida do mundo que há-de vir.
Amém.

Fontes:

9788515021529