17º Encontro (Catequese) – Apocalipse de João

Série: Animo, uma nova Catequese (Encontro 17/40)

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Sugestão de Folha para o encontro

Dezessete encontros. A nossa caminhada avança. Neste encontro iremos falar das Cartas Católicas de Tiago, Pedro, João e Judas e do tão famoso livro do Apocalipse escrito por São João.

Como de costume vamos sugerir que seja feito a saudação, com uma oração a escolha da equipe. Uma boa pedida é pedir que um ou mais catequizandos façam esta oração. Depois podemos cantar a bela música Minha Benção.

Como terceiro momento podemos lembrar das cartas escritas pelos discípulos diretos de Jesus. Lembrando que não foi somente Paulo quem escreveu cartas, e estas cartas também tinham seu destino pastoral para animar a comunidade. Basicamente a mesma missão das cartas paulinas. O interessante de citarmos estas cartas está no fato de podermos associar as intenções de todos com a formação do povo.

No quarto momento é hora de falar sobre o livro do Apocalipse ou Livro da Revelação, como também é chamado. Importante que seja lido antes as mensagens que o livro contém para não entrarmos nas questões de que o livro seria um texto de condenação, mas sim um texto de anunciação e revelação. Não se pode esquecer do contexto em que foi escrito:

  1. O discípulo preso
  2. Os nazarenos (cristãos) perseguidos ferozmente pelos judeus e por Roma
  3. A espera da volta de Cristo (que não voltava pois eles não entendiam que esta volta não seria tão cedo, fazia poucos anos que Jesus ascendera)
  4. O discípulo teve a visão de que Deus interviria e esta intervenção abalaria todas as estruturas e impérios (não esqueça que Roma cairia depois e a própria Jerusalém seria destruída)
  5. O final dos tempos descrito no livro falava também do final do império romano, do pecado e das injustiças praticadas contra os cristãos.

Justamente em Ap 14, 6-7 a volta de Jesus é anunciada, só não existe uma data, mas é bem claro que os cristãos da época ansiavam esta volta. Hoje continuamos a esperar, afinal o tempo de Deus é contado diferente do nosso.

Podemos então fazer uma oração, ou alguma atividade com os catequizandos (se houver tempo). Como anto final sugiro Quem não te louvará, uma bela música que serve também como reflexão. Depois podemos pedir que cada um fale de uma intenção que estará rezando durante a semana e terminar com o Vinde Espírito Santo.

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Aprofundamento para o Catequista

Visão geral do livro de Apocalipse

  • 1,1-9 : Introdução

  • 1,10–3,22 : Mensagens de Jesus às sete congregações.

  • 4,1-11 : Uma visão de Deus em seu trono nos céus.

  • Uma sequência de visões onde cada uma introduz a próxima:

  1. 5,1–8,6 : Os Sete selos.
  2. 8,7–14,20 : As Sete trombetas(as três últimas anunciam três ‘ais’ ,dores)
  3. 15,1–16,21 : Sete tigelas, cada qual com uma praga que representa um julgamento divino que será derramado sobre a Terra.
  4. 17,1–20,10 :Visões sobre a destruição dos inimigos de Deus.
  5. 20,11–22,5 : Visões das bênçãos de Deus sobre os céus e a Terra

 

São João Apóstolo e Evangelista (3)

“O Apocalipse foi escrito pelo Apóstolo São João, já no final de sua vida, por volta do ano 100, sob a forma de uma carta escrita às Igrejas da Ásia menor, que viviam tempos difíceis de perseguição romana. É um livro bastante enigmático e difícil de ser entendido, e que pode gerar muitos erros de interpretação como já ocorreu muitas vezes na história da Igreja se não observarmos com cuidado como a Igreja o interpreta. O imperador romano Domiciano (81-96) moveu forte perseguição aos cristãos, tendo deportado São João, que era o bispo de Éfeso, para a ilha de Patmos.

Ao mesmo tempo os cristãos eram hostilizados pelo judeus e aguardavam a volta de Cristo, que não acontecia, para livrá-los de todos os males. Foi neste contexto que o Apóstolo escreveu o Apocalipse para confortar e animar os cristãos das já inúmeras comunidades da Ásia Menor. Apocalipse, em grego “apokálypsis”( revelação), era um gênero literário que se tornou usual entre os judeus após o exílio da Babilônia (587-535 a.C.), e descreve os fins dos tempos onde Deus vai julgar os homens. Essa intervenção de Deus abala a natureza (fenômenos cósmicos), com muita simbologia e números. O Apocalipse não pretende dar uma descrição antecipada dos acontecimentos do futuro, mas de apresentar uma mesma realidade sob vários símbolos diferentes; e tudo é feito com uma linguagem intencionalmente figurada para despertar a atenção do leitor, que estava acostumado ao gênero apocalíptico usado pelos judeus.

Alguns símbolos tem significado preciso: o Cordeiro simboliza o Cristo; a mulher, a Igreja ou a Virgem Maria; o dragão, as forças hostis ao reino de Deus; as duas feras (capitulo 13), o império romano e o culto imperial; a fera (capitulo 17), simboliza Nero; Babilônia, a Roma pagã; as vestes brancas, a vitória; o número três e meio, coisa nefasta ou caduca. Mas esses símbolos não são exclusivos; o Cristo é, às vezes representado como “filho do homem”ou cavaleiro. O Apocalipse é uma revelação sobrenatural, velada, sob símbolos, representando tanto o passado, quanto o presente da Igreja, e também o futuro. Se refere a um período indefinido que separa a Ascensão de Cristo de sua volta gloriosa.

O Apocalipse é, basicamente, “o livro da esperança cristã” ou da confiança inabalável no Senhor Jesus e nas suas promessas de vitória. Ele quer anunciar a “vitória do Bem sobre o mal”, do reino de Cristo sobre o reino do Mal.

Nem todo o livro do Apocalipse está redigido em estilo apocalíptico. Compreende duas partes anunciadas em Ap 1,19-3,22: revisão de vida das sete comunidades da Ásia Menor às quais São João escreve em estilo sapiencial e pastoral; 4,1-22,15: as coisas que devem acontecer depois. Esta é a parte apocalíptica propriamente dita para a qual se volta a nossa atenção: 4,1-5,14: a corte celeste, com sua liturgia. O Cordeiro “de pé, como que imolado” (5,6), recebe em suas mãos o livro da história da humanidade. Tudo o que acontece no mundo está sob o domínio do Senhor, que é o Rei dos séculos. A parte apocalíptica do livro se abre com uma grandiosa cena de paz e segurança; qualquer quadro de desgraça está subordinado a isso.” (Professor Filipe Aquino)

APOCALIPSE

Quadro Cronológico do Livro do Apocalipse

Leia mais: 

 

  • As Cartas Católicas – acesse o link e se aprofunde no tema (click aqui)
  • Livro: Como ler o Apocalipse – José Bortolini – Paulus
  • Livro: Como ler a Carta de Tiago – Ivo Storniolo – Paulus
  • Livro: Como ler as Cartas de João – José Bortolini e Paulo Bazaglia- Paulus
  • Livro: Como ler As Cartas de Pedro – Paulo Augusto de Souza Nogueira – Paulus
  • Bíblia Sagrada – Paulus
  • Bíblia Católica Online
  • Catecismo da Igreja Católica
  • As cartas de Paulo, Tiago, Pedro e Judas – Maurice Carrez / Pierre Dornier / Marcel Dumais / Michel Trimaille – Paulus

As Cartas Católicas (Estudo)

Animo, uma nova Catequese (Encontro 17/40 – Jesus Cristo – Complemento 11)

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Epístolas: ler e entender

As epístolas são cartas, mas não como eram conhecidas até pouco tempo atrás, hoje seriam emails ou quem sabe até uma mensagem longa. Estas cartas não eram dirigidas a uma comunidade em particular mas sim a um conjunto de igrejas (na verdade seriam regiões onde na época em que foram escritas, praticavam o cristianismo). Ao todo são sete escritos os chamados Epístolas Católicas :

  1. Epístola de Tiago : Comprovadamente foi escrita por Tiago, chamado “irmão do Senhor “(Gl 2,6-12) e que presidia, como Bispo de Jerusalém, a importante reunião dos apóstolos em 49 d.C. na cidade de Jerusalém. Ele escreve sua carta toda penetrava no espírito do Sermão da Montanha, contendo conselhos para a vida moral: Piedade, justiça e caridade. Serve como guia para o cristão fervoroso. Possui 5 capítulos. TIAGO
  2. Primeira Epístola de Pedro: Esta carta fala sobre a alegria do cristão batizado e a união dos cristãos em Jesus (1 e 2), a carta é dirigida principalmente aos cristãos que sofrem por sua fé e dá ânimo através do exemplo da Paixão de Cristo (3). Apesar de ser atribuída a São Pedro existem dúvidas sobre a verdadeira autoria já que o suposto autor não gostava muito de deixar escritos e preferia a pregação oral. O provável autor seria Silvano, ex seguidor de Paulo e que depois seguirá Pedro e é (auto) citado no capitulo 5,12. Possui 5 capítulos.    PRIMEIRA DE PEDRO
  3. Segunda Epístola de Pedro: Tem como principal objetivo combater os falsos profetas que começam a tentar semear ideias de vida dissoluta no meio dos cristãos. Mais uma vez seu autor parece não ser o próprio São Pedro e sim ser o mesmo autor da Epístola de Judas. Possui 3 capítulos.   SEGUNDA DE PEDRO
  4. Primeira, Segunda e Terceira Epístolas de João: Estas cartas datam do final do primeiro século, e são escritas por João o discípulo que Jesus mais amava,  autor do Evangelho e do Apocalipse. A ideia central da primeira carta é: Deus é amor e Luz. Em consequência o cristão deve conduzir-se como filho da luz: fugir da concupiscência, guardar os mandamentos,  sobretudo o da caridade, e arrepender-se sinceramente, se lhe acontecer cair em pecado. A segunda carta, na verdade um bilhete, foi dirigida a uma comunidade da Ásia  (velada sobre o nome de Kyria -a eleita) e a terceira, também um bilhete, a uma comunidade chamada Gaio e tratam de questões particulares. A primeira tem 5 capítulos, a segunda apenas 13 versículos, a terceira tem 15 versículos.  CARTAS DE JOÃO
  5. Epístola de Judas : Segue a mesma orientação da Segunda Epístola de Pedro com o objetivo de refutar as falsas doutrinas que alguns profetas falsos de vida dissoluta começavam a semear. São um encorajamento premente à fidelidade e ao amor de Deus. Estudos mostram que também neste caso o autor seria o discípulo Judas Tadeu e sim um seguidor de Pedro. Esta carta tem apenas 25 versículos.

JUDAS

Os discípulos

  • São Tiago: foi um dos discípulos de Jesus Cristo nascido em Betsaida da Galileia. No Novo Testamento é sempre citado entre os quatro primeiros junto com Pedro, André e seu irmão mais novo João. Filho de Zebedeu e de Salomé, pescador, estava com o irmão nas margens do lago Genesaré, quando Jesus os chamou. Testemunhou a ressurreição da filha de Jairo, a transfiguração e a agonia de Jesus no horto do Getsêmani. Chamado junto com seu irmão João de Filhos do Trovão (ou Irmãos Boanerges) por falarem alto e serem mais impacientes.Procurou viver com fidelidade o seu discipulado. No entanto, foi somente após a vinda do Espírito Santo em Pentecostes que São Tiago correspondeu concretamente aos desígnios de Deus. No livro dos Atos dos Apóstolos, vemos o belo testemunho de São Tiago, o primeiro dentre os doze apóstolos a derramar o próprio sangue pela causa do Evangelho: “Por aquele tempo, o rei Herodes tomou medidas visando maltratar alguns membros da Igreja. Mandou matar à espada Tiago, irmão de João” (At 12,1-2). Segundo uma tradição, antes de ser martirizado, São Tiago abraçou um carcereiro desejando-lhe “a Paz de Cristo”. Este gesto converteu o carcereiro que, assumindo a fé em Jesus, foi martirizado juntamente com o apóstolo. Existe ainda outra tradição sobre os lugares em que São Tiago passou, levando a Boa Nova do Reino. De acordo com o Bispo Isidoro de Sevilha, após a ascensão de Jesus, Tiago teria sido o primeiro a evangelizar a Espanha, tornando-se depois seu patrono. Para revigorar esta tradição, no século IX o bispo Teodomiro, da cidade de Iria, afirmou ter reencontrado as relíquias do apóstolo e desde aquela época, a cidade que depois mudaria o nome para Santiago de Compostela, tornou-se importante rota de peregrinação. Conta-se também que após a morte de Jesus, Tiago permaneceu em Jerusalém, junto a Pedro. Foi executado por ordem do rei Herodes Agripa, provavelmente em 44 d.C. muito tempo depois da ascensão de Jesus. Tiago foi o primeiro mártir entre os apóstolos de Cristo.   Seu dia é comemorado em 25 de julho.
S. Tiago Maior - Apóstolo e Mártir

São Tiago (Maior)

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  • São Pedro: nasceu em Betsaida, um pequeno vilarejo às margens do lago de Genesaré, ou Mar da Galiléia, no norte de Israel. Seu nome de nascimento era Simão. Quando conheceu Jesus, Simão era casado (os Evangelhos falam da cura da sogra de Pedro) e morava em Cafarnaum, importante cidade às margens do lago de Genesaré. Era filho de Jonas e tinha um irmão, André. Este foi quem o apresentou a Jesus. Os dois se tornaram discípulos de Jesus e mais tarde apóstolos. São Pedro era pescador e possuía um barco, em sociedade com seu irmão. Ambos trabalhavam no Mar da Galiléia, um lago de água doce formado pelo Rio Jordão, na região da Galiléia em Israel. Quando Jesus conheceu Simão, disse a ele uma frase que mudaria sua vida: Você será pescador de homens. A partir daí, Simão começou seguir Jesus. Num determinado momento, Simão confessou a Jesus: Tu és o Messias, o Filho de Deus. Por isso, Jesus disse que, daquele momento em diante, seu nome seria Pedro, Cefas, Kefas em aramaico, palavra que significa Pedra.  Mais tarde o significado disso ficou claro: Pedro foi o primeiro Papa da Igreja, tornou-se a Pedra onde a Igreja encontra sua unidade. Pedro foi escolhido como o chefe da cristandade aqui na terra: “E eu te digo: Tu és pedra e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares sobre a terra, será ligado também nos céus”. Convertido, despontou como líder dos doze apóstolos, foi o primeiro a perceber em Jesus o filho de Deus.

 

Depois de Pentecostes, São Pedro reunia multidões em suas pregações. Ele tinha o dom da cura de tal forma que as pessoas queriam tocar em seu manto, ou passar sob sua sombra para que fossem curados e libertados, como nos atesta o livro dos Atos dos Apóstolos. Ele escreveu duas cartas que estão no novo testamento, animando e exortando a Igreja nascente.

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São Pedro, o primeiro papa

Depois de Pentecostes, Pedro passou a ser um evangelizador por todos os lugares onde passava. Sua autoridade como o líder da Igreja nascente sempre foi respeitada e atestada por vários documentos da Igreja. Nunca foi questionada. De fato, São Pedro assumiu as chaves da Igreja e seus sucessores, os Papas, são continuadores de sua autoridade e de sua missão dada pelo próprio Jesus cristo.

Devoção e morte de São Pedro

Por pregar o Evangelho destemidamente, São Pedro foi preso várias vezes. Uma vez, em Jerusalém, um anjo de Deus o libertou da prisão passando por vários guardas. Depois de evangelizar e animar a Igreja em vários lugares, Pedro foi para Roma. Lá, liderou a Igreja que sempre crescia, apesar das perseguições.

Assim, os romanos descobriram seu paradeiro, prenderam-no e condenaram-no à morte de cruz por ser o líder da Igreja de Jesus Cristo. No derradeiro momento,São  Pedro pediu para ser crucificado de cabeça para baixo, por não se julgar digno de morrer como seu Mestre.

Seu pedido foi atendido e ele foi morto na região onde hoje é o Vaticano. Seus restos mortais estão no altar da Igreja de São Pedro em Roma. A festa de São Pedro é celebrada no dia 29 de junho.

 

  • São João: Viveu entre 6-103 d.C. e foi um dos doze apóstolos de Cristo. O mais jovem deles. Junto com seu irmão Thiago, foi convidado a seguir Jesus em suas peregrinações. É o autor do quarto e último Evangelho Canônico, pertencente ao Novo Testamento, o “Evangelho segundo João”. Escreveu a primeira, a segunda e a terceira Epístola de João. Foi o “discípulo amado” de Jesus. Foi o único apóstolo que acompanhou Cristo até a sua morte. O Evangelho de João menciona que antes de Jesus morrer, confiou Maria aos seus cuidados. Arqueólogos encontraram no Egito, fragmentos de um papiro, em grego, que pertence ao Evangelho de João. A maior parte do Evangelho relata a vida de Jesus até a sua morte.São João Evangelista (6-103) nasceu em Betsaida na Galileia. Filho do pescador Zebedeu e de Maria Salomé, uma das mulheres que auxiliaram os discípulos de Jesus . João e seu irmão mais velho Tiago, foram convidados a seguir Jesus, logo depois dos apóstolos Pedro e André.

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Quando Jesus se transfigurou, foi João, juntamente com Pedro e Tiago, que estava lá. João é sempre o homem da elevação espiritual, mas não era fantasioso e delicado, tanto que Jesus chamou a ele e a seu irmão Tiago de Boanerges, que significa “filho do trovão”, por terem um temperamento mais exaltado e falar mais alto.

João esteve desterrado em Patmos, por ter dado testemunho de Jesus. Deve ter isto acontecido durante a perseguição de Domiciano (81-96 d.C). O sucessor deste, o benigno e já quase ancião Nerva (96-98), concedeu anistia geral; em virtude dela pôde João voltar a Éfeso (centro de sua atividade apostólica durante muito tempo, conhecida atualmente como Turquia). Lá o coloca a tradição cristã da primeiríssima hora, cujo valor histórico é irrecusável.

O Apocalipse e as três cartas de João testemunham igualmente que o autor vivia na Ásia e lá gozava de extraordinária autoridade. E não era para menos. Em nenhuma outra parte do mundo, nem sequer em Roma, havia já apóstolos que sobrevivessem. E é de imaginar a veneração que tinham os cristãos dos fins do século I por aquele ancião, que tinha ouvido falar o Senhor Jesus, e O tinha visto com os próprios olhos, e Lhe tinha tocado com as próprias mãos, e O tinha contemplado na sua vida terrena e depois de ressuscitado, e presenciara a sua Ascensão aos céus. Por isso, o valor dos seus ensinamentos e o peso de das suas afirmações não podiam deixar de ser excepcionais e mesmo únicos. São João, já como um ancião, depara-se com uma terrível situação para a Igreja, Esposa de Cristo: perseguições individuais por parte de Nero e perseguições para toda a Igreja por parte de seu sucessor, o Imperador Domiciano.

Além destas perseguições, ainda havia o cúmulo de heresias que desentranhava o movimento religioso gnóstico, nascido e propagado fora e dentro da Igreja, procurando corroer a essência mesma do Cristianismo.

Nesta situação, Deus concede ao único sobrevivente dos que conviveram com o Mestre, a missão de ser o pilar básico da sua Igreja naquela hora terrível. E assim o foi. Para aquela hora, e para as gerações futuras também. Com a sua pregação e os seus escritos ficava assegurado o porvir glorioso da Igreja, entrevisto por ele nas suas visões de Patmos e cantado em seguida no Apocalipse.

Completada a sua obra, o santo evangelista morreu quase centenário, sem que nós saibamos a data exata, mas provavelmente foi no ano de 103 d.C. , na cidade de Éfeso, onde foi sepultado. Foi no fim do primeiro século ou, quando muito, nos princípios do segundo, em tempo de Trajano (98-117 d.C). Três são as obras saídas da sua pena incluídas no cânone do Novo Testamento: o quarto Evangelho, o Apocalipse e as três cartas que têm o seu nome. O seu dia é comemorado em 27 de dezembro.

  • São Judas Tadeu: um dos doze, era chamado também Tadeu ou Lebeu, que São Jerônimo interpreta como homem de senso prudente. Judas Tadeu foi quem, na Última Ceia, perguntou ao Senhor: “Senhor, como é possível que tenhas de te manifestar a nós e não ao mundo?” (Jo 14,22). Era primo irmão de Jesus. Sua mãe Maria era prima de Maria Santíssima e o pai Alfeu era irmão de São José. A pregação e o testemunho de Judas Tadeu impressionava os pagãos que se convertiam. Nasceu em Caná de Galileia, na Palestina. Era filho de Alfeu e Maria Cleófas. Era irmão de Thiago, José, Simão e Maria Salomé. Thiago foi um dos doze apóstolos, que se tornou o primeiro bispo de Jerusalém. José era conhecido como o justo. Simão foi o segundo Bispo de Jerusalém.Nas Escrituras, João Evangelista relata que na última ceia, São Judas perguntou ao seu mestre: “Senhor, por que razão hás de manifestar-te a nós e não ao mundo?” Jesus lhe responde afirmando que teriam manifestações dele todos os que guardassem suas palavras e permanecessem fies a seu amor. Um dos discípulos a quem Jesus apareceu no caminho de Emaús no dia da ressurreição.judas tadeu

    É um dos doze citados nominalmente por Mateus e Marcos, em seus Evangelhos, e um dos mais fervorosos do grupo. Depois da ascensão de Jesus e que os Apóstolos receberam o Espírito Santo, no Cenáculo em Jerusalém, iniciou a pregação de sua fé no meio dos maiores sofrimentos e perseguições, pela Galileia. Depois viajou para a Samaria e outras populações judaicas divulgando o Evangelho. Tomou parte no primeiro Concílio de Jerusalém e em seguida passou evangelizando pela Mesopotâmia, atual Pérsia, Edessa, Arábia e Síria. Destacou-se principalmente na Armênia, Síria e Norte da Pérsia, sendo o primeiro a manifestar apoio ao rei estrangeiro, Algar de Edessa.

    Na Mesopotâmia ganhou a companhia de outro apóstolo, Simão o Zelota, aparentemente viajando em companhia de quinto Apóstolo a ir ao Oriente. Segundo relata São Jerônimo, ambos foram martirizados cruelmente quando estavam na Pérsia, mortos a golpes de machado, desferidos por sacerdotes pagãos, por se recusarem a prestar culto à deusa Diana. Assim, na igreja ocidental, os dois santos são celebrados juntos em 28 de outubro. A Igreja Ortodoxa Grega, contudo, distingue Judas de Tadeu, celebrando Judas, “irmão” de Jesus, em 19 de junho, e o apóstolo Tadeu em 21 de agosto.

     

     

     

    SaoJudasTadeu2É invocado como advogado das causas desesperadas e dos supremos momentos de angústia. Essa devoção surgiu na França e na Alemanha no fim do século XVIII. No Brasil, a devoção a esse santo é muito popular e surgiu no início do século XX. Devido à forma como foi martirizado, sempre é representado em suas imagens segurando um livro, simbolizando a palavra que anunciou, e uma machadinha, o instrumento de seu martírio. Suas relíquias atualmente são veneradas na Basílica de São Pedro, em Roma.

    Sua festa litúrgica celebra-se, todos os anos, na provável data de sua morte: 28 de outubro.

    Temos uma epístola de Judas “irmão de Tiago”, que foi classificada como uma das epístolas católicas. Parece ter em vista convertidos, e combate seitas corrompidas na doutrina e nos costumes. Começa com estas palavras: “Judas, servo de Jesus Cristo, e irmão de Tiago, aos chamados e amados por Deus Pai, e conservados para Jesus Cristo: misericórdia, paz e amor vos sejam concedidos abundantemente”. Orígenes achava esta epístola “cheia de força e de graça do céu”.

Apoio de Leitura:

 

16º Encontro (Catequese) – As Cartas de São Paulo

Série: Animo, uma nova Catequese (Encontro 16/40)

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Sugestão para folha de encontro

Dezesseis encontros se passaram, como está a nossa vivência na fé? Já notou mudanças nos catequizandos, na comunidade ou em você mesmo? Para os catequistas muito trabalho já foi feito, para os catequizandos muita coisa nova deve ter sido absorvida. Avalie você:

  1. Estou conseguindo passar tudo o que quero? De uma forma descontraída?
  2. Os catequizandos estão gostando?
  3. Estou cumprindo os horários?
  4. A Bíblia já se tornou familiar para todos?
  5. Como estão os preparativos para os eventos extra-catequese (Batismo, Primeira Comunhão, almoço/janta com os familiares,conversas com o padre)?
  6. Já conseguiu convidados para alguns encontros?* (essa é novidade)

*A sugestão do item 6 é trazer convidados para falar sobre encontros específicos, tais como:

  • Sacramento do Matrimônio –  Um ou dois casais, casados na igreja para dar testemunho sobre esta experiência. Seria legal se fosse um casal de mais idade e um mais jovem,mas o requisito básico é que eles participem ativamente da igreja e possam trazer uma bela mensagem. Grupos de ECC (Encontros de Casais com Cristo) costumam ter casais interessantes para isso.
  • Sacramento da Ordem – O próprio padre da Paróquia ou um indicado por ele, ou até um seminarista (de repente os dois) para falar sobre esta vocação
  • Música Litúrgica – Ou a banda da comunidade ou um(a) cantor(a) do coral para falar sobre a música católica e as diferenças entre música de missa e música de louvor e adoração. Se você escolher bem este pode ser um encontro muito descontraído.

Estes são apenas exemplos de como a participação de convidados pode enriquecer os encontros, respeitando é claro o tempo. Para dar certo,é claro, precisa-se de preparação, então o convite não pode ser em cima da hora. Mesmo porque nestes encontros é recomendado que se faça uma pequena recepção, de repente com um café da manhã.

Décimo sexto encontro

Neste dia iremos falar de São Paulo apóstolo e suas cartas (epístolas). Seria ótimo começar com a nossa oração inicial: Pai Nosso, Ave Maria e o Vinde Espírito Santo. No segundo momento cantar a linda e tradicional canção Pelos Prados e Campinas (Salmo 23) – Padre Zezinho

Já no terceiro momento a história de Saulo deve ser contada (ou repetida já que no último encontro foi falada). Depois falaremos das cartas enviadas por Paulo. Uma pequena divisão de grupos pode ser feita e trechos de cartas devem ser estudados.

  1. Rm 13, 7 – 14
  2. 2Tm 1, 6-18
  3. 1Cor 13, 1-13
  4. 1Ts 4, 1-18
  5. Gl 3, 1-29
  6. Ef 4, 1-18

Depois dos grupos, da leitura e da plenária para explicar e ler para os demais cada leitura, vamos a um momento mais descontraído onde perguntaremos sobre o que cada um tem sentido nesta altura da vivência da fé. Também proponho uma dinâmica para responder a uma cruzadinha bíblica com as cartas de São Paulo

CARTAS DE PAULO

Depois das respostas podemos cantar novamente Pelos Prados e Campinas (Salmo 23) – Padre Zezinho , rezarmos de novo o Pai Nosso, Ave Maria e Vinde Espírito Santo e nos despedirmos com um forte braço da paz.

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Aprofundamento para o catequista

São Paulo foi um dos maiores divulgadores dos ensinamentos cristãos de todos os tempos, podemos com certeza aceitar que foi por causa dele que hoje podemos nos declarar católicos, já que pela sua disposição e disponibilidade em viajar e levar os ensinamentos do amor de Jesus, que tudo isso foi levado aos quatro cantos do mundo.

de perseguidor implacável dos cristãos até o dia em que galopava com seu cavalo no encalço de cristãos e ouviu um forte voz que parecia vir do próprio céu: – Saulo porque me persegues. – ele caiu imediatamente do cavalo e viu uma luz tão fulgurante que o cegou, ficou sendo tratado por um cristão e pouco a pouco recobrava a visão conforme começava a creditar em Jesus. Um erro que muitos irmãos protestantes pregam é que Paulo recebeu a graça ao acreditar em Deus, na verdade ele já acreditava em Deus mas perseguia os seguidores do próprio filho de Deus, Jesus Cristo.

Paulo além de viajar deixava sempre cartas (epístolas) para as comunidades que visitava, com orientações e exortações de fé. Repare que até hoje este exemplo é seguido quando o Papa deixa suas cartas como documentos de reflexão e orientação a igreja.

Cartas Paulinas autênticas:

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1 – Romanos

2 – Primeira Coríntios

3 – Segunda Coríntios

4 – Gálatas

5 – Filipenses

6 – Filemon

7 – Primeira Tessalonicenses

Cartas deuteropaulinas paulinas :

1 – Segunda Tessalonicenses

2 – Efésios

3 – Colossenses

Cartas Pastorais (também consideradas deuteropaulinas):

1 – Tito

2 – Primeira de Timóteo

3 – Segunda de Timóteo

4 – Hebreus*

Total de cartas paulinas: 14 no cânon oficial.

*No passado existia o costume de atribuir também a Paulo a carta aos Hebreus. Mas hoje os exegetas são unânimes em afirmar que essa carta não foi escrita por ele, mas por um autor anônimo e seria uma espécie de sermão.

Há alguma discussão também sobre a autoria de algumas das cartas atribuídas a Paulo. Talvez não saíram do seu próprio punho, mas de seus discípulos ou, de qualquer forma, pessoas muito próximas dele. Discute-se sobre a autoria de Colossenses, Segunda aos Tessalonicenses, Efésios, Primeira e Segunda a Timóteo e Tito. Muitas cartas também são um conjunto de varias cartas, reunidas em uma só. Por isso são longas e possui assuntos diversos. Dificilmente naquela época se escrevia longas cartas. Sabemos que o pergaminho feito de couro de carneiro, que eram escritas as cartas era muito caro. Uma típica carta do tempo de Paulo esta na carta a Filemon. Destaca-se apenas um assunto em uma página servindo para modelo de compreensão como seriam as cartas neste tempo.

Um outro exemplo é a carta aos Filipenses que demonstra ser uma junção de 3 cartas.

1 – uma cartinha de agradecimento

2- Carta principal falando da situação.

3 – Uma carta alertando dos intrusos na comunidade.

Outro exemplo a destacar é a primeira carta aos Coríntios que aborda vários assuntos, que foram contidos em varias cartas e no final juntados em uma só carta.

 

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Quem foi São Paulo afinal?

Este tema já foi iniciado no último encontro quando falamos de atos dos Apóstolos, mas calha melhor ainda aqui. Para isso vou me servir de um texto do professor Filipe Aquino no Blog Canção Nova:

“A festa litúrgica de 25 de janeiro foi instituída pela Igreja para dar graças a Deus pelos imensos benefícios que ela recebeu de Deus através de São Paulo. O seu martírio é celebrado junto com São Pedro no dia 29 de junho. Em primeiro lugar a Igreja quer agradecer a Deus a sua conversão, depois, a sua vocação e a missão de pregar o Evangelho aos Gentios.

São Paulo (ou Saulo) nasceu em Tarso (Município de Roma) na Cilícia (Ásia menor) no início da era cristã, de família israelita, da tribo de Benjamim; muito fiel à doutrina e à tradição judaica; seu pai comprara a cidadania romana, o que era possível naquele tempo, então Saulo nasceu como cidadão romano, legalmente.

Aos 15 anos de idade foi enviado para Jerusalém onde recebeu a formação do rabino Gamaliel (At 22,3; 26,4; 5,34), e foi formado na arte rabínica de interpretar as Escrituras, e deve ter aprendido a profissão de curtidor de couro, seleiro.
Por volta do ano 36 era severo perseguidor dos cristãos, mas se converteu espetacularmente quando o próprio Senhor lhe apareceu na estrada de Jerusalém para Damasco, onde foi batizado por Ananias. Em seguida permaneceu num lugar perto de Damasco chamado Arábia.

São Paulo esteve no apedrejamento de Santo Estevão, e sem dúvida as orações desse Santo na hora da morte foram fundamentais para a graça da conversão de São Paulo.

No ano 39 se encontrou com Pedro e Tiago em Jerusalém (Gl 1,18) e depois voltou para Tarso (At 9,26-30) acabrunhado pelo fracasso do seu trabalho em Jerusalém. Ali ficou por cerca de 5 anos, até o ano 43. Nesta época, Barnabé, seu primo, que era discípulo em Antioquia, importante comunidade cristã fundada por S.Pedro, o levou para lá.

Em 44 Paulo e Barnabé foram encarregados pela comunidade de Antioquia para levar a ajuda financeira aos irmãos pobres de Jerusalém. No ano 45, por inspiração do Espírito Santo, Paulo e Marcos (o evangelista) foram enviados a pregar aos gentios (At 13,1-3).

A primeira viagem durou cerca de 3 anos (45-48) percorrendo a ilha de Chipre e parte da Ásia Menor. No ano de 49 Paulo e Barnabé vão a Jerusalém para o primeiro Concílio da Igreja, para resolver a questão da circuncisão, surgida em Antioquia. Esta presença de São Paulo em Jerusalém foi fundamental para que o Cristianismo não ficasse dependente do antigo judaísmo, como uma “seita” a mais. Graças a ele os pagãos ficaram livres da circuncisão e o Cristianismo surgiu com nova força.

A segunda viagem apostólica de São Paulo foi de 50 a 53, durante a qual Paulo escreveu, em Corinto, as duas Cartas aos Tessalonicenses (At 15,36-18,22). São as primeiras Cartas de Paulo.

A terceira viagem foi de 53 a 58. Neste período ele escreveu “as grandes epístolas”, Gálatas e I Coríntios, em Éfeso; II Coríntios, em Filipos; e aos Romanos, em Corinto. No final desta viagem Paulo foi preso por ação dos judeus e entregue ao tribuno romano Cláudio Lísias, que o entregou ao procurador romano Felix, em Cesaréia. Aí Paulo ficou preso dois anos (58-60), onde apelou para ser julgado em Roma; tinha direito a isso por ser cidadão romano. Partiu de Cesaréia no ano 60 e chegou em Roma em 61, após sério naufrágio perto da ilha de Malta.

Em Roma ficou preso domiciliar até 63. Neste período ele escreveu as chamadas “cartas do cativeiro” (Filemon, Colossenses, Filipenses e Efésios). Depois deste período Paulo deve ter sido libertado e ido até  a Espanha, “os confins do mundo” (Rm 15,24), como era seu desejo. Em seguida deve ter voltado da Espanha para o oriente, quando escreveu as Cartas pastorais a Tito e a Timóteo, por volta de 64-66.

Foi novamente preso no ano 66, no  oriente, e enviado a Roma, sendo morto em 67 face à perseguição de Nero contra os cristãos desde o ano 64. S. Paulo foi um dos homens mais importantes do cristianismo. Deixou-nos 14 Cartas.

A festa litúrgica da conversão de São Paulo apareceu no século VI e é própria da Igreja latina. O martírio do Apóstolo dos gentios é comemorado no dia 29 de junho. A celebração do dia 25 de janeiro tem por finalidade considerar as várias facetas do Apóstolo por excelência. Ele diz de si mesmo: “Eu trabalhei mais que todos os apóstolos…”, mas também: “Eu sou o menor dos apóstolos… não sou digno de ser chamado apóstolo”.

Apresenta, ele mesmo, as credenciais: viu o Senhor, Cristo ressuscitado lhe apareceu, ele é testemunho da Ressurreição de Cristo, foi enviado diretamente por Cristo. É como um dos Doze. Pertence a Jesus desde aquela hora em que, no caminho de Damasco, vencido por Cristo e prostrado em terra perguntou-lhe: “Senhor, que queres que eu faça?” Paulo então passou a pregar e propagar a fé que desejava exterminar. Em poucos segundos de contato direto Jesus o transformou de um ferrenho perseguidor no maior Apóstolo do seu Evangelho em todos os tempos.

São Paulo tirou da sua experiência esta consoladora conclusão: “Jesus veio a esta mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o primeiro. Precisamente por isso encontrei misericórdia. Em mim especialmente Jesus Cristo quis mostrar toda a sua longanimidade, para que eu sirva de exemplo a todos aqueles que pela fé nele alcançarão a vida eterna.” “Conheço um homem em Cristo que foi arrebatado até ao terceiro céu. Se no corpo ou fora do corpo, não sei. Deus o  sabe. Só sei que esse homem ouviu palavras inefáveis…” (2Cor 12,2).

São Paulo foi um Apóstolos de “fogo”; apaixonado por Jesus Cristo até a última fibra do seu corpo. Cristo era tudo para ele: “Para mim no viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Fl 1, 21). “Tudo posso Naquele que me dá forças” (Fl 4,13). “Estou pregado à cruz de Cristo. Eu vivo, mas já não sou que vivo, é Cristo que vive em mim”. (Gl 2, 19-20).

Terminou a vida dizendo: “Combati o bom combate, terminei minha carreira, guardei a fé” (1Tm 4,7) São Pedro e São Paulo foram as grandes colunas da Igreja em Roma; martirizados pelo mesmo Nero derramaram o seu sangue em Roma. Desde então a Sede da Igreja está em Roma.

Prof. Felipe Aquino”

 

Atos dos Apóstolos: Que novidade é essa?

Animo, uma nova Catequese (Encontro 15/40 – Jesus Cristo – Complemento 10)

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Folheando os evangelhos em sua superfície, temos a impressão de estarmos lendo a história de Jesus. Do mesmo jeito, o livro Atos dos Apóstolos parece, à primeira vista, uma história dos primeiros seguidores de Jesus. De fato esses escritos são documentos importantes para conhecermos a época e a situação em que Jesus é os apóstolos viveram. São a expressão original da proclamação de fé das primeiras gerações de seguidores de Jesus. (Introdução – Que novidade é essa – Ser Igreja no Novo Milênio).

A história descrita nos Atos além de contar os passos dos primeiros cristãos se confunde com a própria história de Paulo. Mas logo em AT 1,8 já aparece qual é o tema e o programa do livro, Atos é por excelência o livro do Espírito Santo, o mesmo que estava em Jesus e que estará agora com os apóstolos e logo depois com todo e qualquer cristão batizado em nome do Pai, Filho e Espirito Santo. Em outras palavras, o Evangelho ou testemunho de Jesus penetrará todos os tempos e lugares.

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No livro dos Atos escrito provavelmente por Lucas, antes mesmo do seu evangelho, o que se vê é a tentativa de mostrar o destino de cada discípulo, mas depois de um tempo a conversão de Saulo, que sai de perseguidor e se transforma (de certo modo) no maior divulgador da fé cristã nos anos seguintes, acaba tomando conta de boa parte do relato, principalmente porque aparentemente o autor passa a ser seguidor de Paulo (nome adotado por Saulo, ou melhor apenas assumido já que se tratava do seu nome romano apenas).  Mesmo assim não há um prejuízo para a narrativa já que naquela época seria praticamente impossível “dar notícias “de todos os apóstolos pois alguns acabaram seguindo para outras partes do mundo.

Um dos pontos que abrem o texto é logo a narração da ascensão de Jesus e também o recebimento do Espírito Santo (Pentecostes) por todos os seguidores do Mestre.

A história de Pedro e suas pregações também é bastante explorada, sendo assim fica um livro interessante que relata bem as dificuldades da caminhada de muitas comunidades (até hoje é assim) e por isso mesmo é um ótimo livro para ser lido em mutirão usando-o como base para um grande círculo bíblico.

No espaço que temos para falar na catequese não é possível aprofundarmos o tanto que deveríamos dentro do livro, mas não podemos deixar de estudá-lo a luz da nossa vivência na fé.

Conteúdo do Livro

  • At 1
    • Palavras iniciais a Teófilo (1-5)
    • Testemunhas até os confins da terra (6-8)
    • Jesus sobe ao céu (9-11)
    • Discípulos se reúnem de comum acordo (12-14)
    • Matias é escolhido para substituir Judas (15-26)
  • At 2
    • Espírito santo é derramado durante Pentecostes (1-13)
    • Discurso de Pedro (14-36)
    • Multidões aceitam as palavras de Pedro (37-41)
      • Batizados 3.000 (41)
    • Companheirismo cristão (42-47)
  • At 3
    • Pedro cura um mendigo manco (1-10)
    • Discurso de Pedro no Pórtico de Salomão (11-26)
      • “Restabelecimento de todas as coisas” (21)
      • Profeta semelhante a Moisés (22)
  • At 4
    • Pedro e João são presos (1-4)
      • Os que acreditaram chegam a 5.000 homens (4)
    • Julgamento perante o Sinédrio (522)
      • “Não podemos parar de falar” (20)
    • Oração pedindo coragem (23-31)
    • Discípulos compartilham o que têm (32-37)
  • At 5
    • Ananias e Safira (1-11)
    • Apóstolos realizam muitos sinais (12-16)
    • Presos e libertados (17-21a)
    • Levados novamente perante o Sinédrio (21b-32)
      • ‘Obedecer a Deus em vez de a homens’ (29)
    • Conselho de Gamaliel (33-40)
    • Pregação de casa em casa (41, 42)
  • At 6
    • Sete homens escolhidos para servir (1-7)
    • Estêvão é acusado de blasfêmia (8-15)
  • At 7
    • Discurso de Estêvão perante o Sinédrio (1-53)
      • Época dos patriarcas (2-16)
      • Liderança de Moisés; idolatria de Israel (17-43)
      • Deus não mora em templos feitos por humanos (44-50)
    • Apedrejamento de Estêvão (54-60)
  • At 8
    • Saulo persegue a congregação (1-3)
    • Ministério produtivo de Filipe em Samaria (4-13)
    • Pedro e João enviados a Samaria (14-17)
    • Simão tenta comprar espírito santo (18-25)
    • Eunuco etíope (26-40)
  • At 9
    • Saulo a caminho de Damasco (1-9)
    • Ananias enviado para ajudar Saulo (10-19a)
    • Saulo prega sobre Jesus em Damasco (19b-25)
    • Saulo vai a Jerusalém (26-31)
    • Pedro cura Eneias (32-35)
    • A generosa Dorcas é ressuscitada (36-43)
  •  At 10
    • Cornélio tem uma visão (1-8)
    • Pedro tem uma visão de animais purificados (9-16)
    • Pedro visita Cornélio (17-33)
    • Pedro declara as boas novas aos gentios (34-43)
      • “Deus não é parcial” (34, 35)
    • Gentios recebem espírito santo e são batizados (44-48)
  • At 11
    • Relato de Pedro aos apóstolos (1-18)
    • Barnabé e Saulo em Antioquia da Síria (19-26)
      • Discípulos chamados de cristãos pela primeira vez (26)
    • Ágabo prediz fome (27-30)
  • At 12
    • Tiago é morto; Pedro é preso (1-5)
    • Pedro libertado milagrosamente (6-19)
    • Herodes ferido por um anjo (20-25)
  • At 13
    • Barnabé e Saulo enviados como missionários (1-3)
    • Ministério em Chipre (4-12)
    • Discurso de Paulo em Antioquia da Pisídia (13-41)
    • Ordem profética de se voltarem para as nações (42-52)
  • At 14
    • Crescimento e oposição em Icônio (1-7)
    • Considerados deuses em Listra (8-18)
    • Paulo sobrevive a apedrejamento (19, 20)
    • Fortalecendo as congregações (21-23)
    • Volta a Antioquia da Síria (24-28)
  • At 15
    • Discussão em Antioquia sobre a circuncisão (1, 2)
    • O assunto é levado a Jerusalém (3-5)
    • Anciãos e apóstolos se reúnem (6-21)
    • Carta do corpo governante (22-29)
    • Abster-se de sangue (28, 29)
    • Congregações encorajadas pela carta (30-35)
    • Paulo e Barnabé se separam (36-41)
  •  At 16
    • Paulo escolhe Timóteo (1-5)
    • Visão sobre o homem macedônio (6-10)
    • Conversão de Lídia em Filipos (11-15)
    • Paulo e Silas presos (16-24)
    • O carcereiro e os da sua casa são batizados (25-34)
    • Paulo exige uma retratação oficial (35-40)
  • At 17
    • Paulo e Silas em Tessalônica (1-9)
    • Paulo e Silas em Bereia (10-15)
    • Paulo em Atenas (16-22a)
    • Discurso de Paulo no Areópago (22b-34)
  • At 18
    • Ministério de Paulo em Corinto (1-17)
    • Volta a Antioquia da Síria (18-22)
    • Paulo parte para a Galácia e a Frígia (23)
    • O eloquente Apolo recebe ajuda (24-28)
  • At 19
    • Paulo em Éfeso; alguns são batizados novamente (1-7)
    • Atividades de ensino de Paulo (8-10)
    • Bons resultados apesar do demonismo (11-20)
    • Tumulto em Éfeso (21-41)
  • At 20
    • Paulo na Macedônia e na Grécia (1-6)
    • Ressurreição de Êutico em Trôade (7-12)
    • De Trôade a Mileto (13-16)
    • Paulo se reúne com anciãos de Éfeso (17-38)
      • Ensino de casa em casa (20)
      • “Mais felicidade em dar” (35)
  • At 21
    • A caminho de Jerusalém (1-14)
    • Chegada a Jerusalém (15-19)
    • Paulo segue o conselho dos anciãos (20-26)
    • Tumulto no templo; Paulo é preso (27-36)
    • Paulo recebe permissão de falar à multidão (37-40)
  • At 22
    • Defesa de Paulo perante a multidão (1-21)
    • Paulo usa sua cidadania romana (22-29)
    • O Sinédrio é reunido (30)
  • At 23
    • Paulo fala perante o Sinédrio (1-10)
    • Paulo encorajado pelo Senhor (11)
    • Conspiração para matar Paulo (12-22)
    • Paulo transferido para Cesareia (23-35)
  • At 24
    • Acusações contra Paulo (1-9)
    • Defesa de Paulo perante Félix (10-21)
    • O caso de Paulo é adiado por dois anos (22-27)
  • At 25
    • Julgamento de Paulo perante Festo (1-12)
      • “Apelo para César!” (11)
    • Festo apresenta o caso ao rei Agripa (13-22)
    • Paulo perante Agripa (23-27)
  •  At 26
    • Defesa de Paulo perante Agripa (1-11)
    • Paulo descreve sua conversão (12-23)
    • Reações de Festo e de Agripa (24-32)
  • At 27
    • Paulo navega para Roma (1-12)
    • Tempestade atinge o navio (13-38)
    • Naufrágio (39-44)
  • At 28
    • Na ilha de Malta (1-6)
    • Curado o pai de Públio (7-10)
    • Continua a viagem para Roma (11-16)
    • Paulo fala com os judeus em Roma (17-29)
    • Paulo prega com coragem por dois anos (30, 31)

Pontos interessantes:

  • Após At 1,13 nenhum outro discípulo, exceto Pedro e João tem seu nome citado no texto
  • Existem 32 citações do Antigo Testamento no livro
  • Atos dos Apóstolos em grego: Πράξεις των Αποστόλων; transliteração.: ton praxeis apostolon; em latim: Acta Apostolorum
  • É o quinto livro do Novo testamento dentro do cânon oficial

15º Encontro (Catequese) – Atos dos Apóstolos

Série: Animo, uma nova Catequese (Encontro 15/40)

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Sugestão para Folha de Encontro

Décimo quinto encontro e chegamos num ponto muito interessante, pois trataremos de parte da base do Crisma, que é o sacramento do Espírito Santo, nada melhor que o próprio livro do Espírito Santo para começar a ilustrar isso.

Para abrir o encontro além dos cumprimentos tradicionais, a sugestão é iniciarmos cantando a bela música Vinde Espírito Santo – Vida Reluz, uma boa canção para também refletirmos sobre a importância do espírito santo na comunidade. Logo em seguida oremos a Invocação ao Espírito Santo (Vinde Espírito Santo)

Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso Amor. Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra.
Oremos: Ó Deus que instruíste os corações dos vossos fiéis, com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos da sua consolação.Por Cristo Senhor Nosso. Amém

Depois poderemos entrar diretamente no tema, contando a história dos Atos dos Apóstolos apontando sempre os principais pontos. depois poderemos dedicar uma à parte para contar a história de São Paulo. (Veja o Aprofundamento ao Catequista)

Uma sugestão neste momento é fazer uma grande oração reflexiva. Com a música O Céu se Abre – Adoração e Vida, bom para que todos fechem os olhos e com a música tocando de fundo, os catequistas (ou um apenas) reflete sobre todos os pedidos que poderiam ser feitos para Deus,pedindo sempre que o Espírito Santo possa repousar sobre cada um. Reserve no minimo 10 minutos para este momento e depois com todos já de olhos abertos cantem a música e no final todos de mãos dadas podem estar rezando o Pai Nosso e uma Ave Maria.

 

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Aprofundamento para o catequista

Os Atos dos Apóstolos [At](Actos dos Apóstolos) (em grego: Πράξεις των Αποστόλων; transl.: ton praxeis apostolon; em latim: Acta Apostolorum) é o quinto livro do Novo Testamento. Geralmente conhecida apenas como Atos, ele descreve a história da Era Apostólica. O autor é tradicionalmente identificado como Lucas, o Evangelista. O Evangelho de Lucas e o livro de Atos formavam apenas dois volumes de uma mesma obra. O objetivo desse livro é mostrar a ação do Espírito Santo na primeira comunidade cristã e, por ela, no mundo em redor. O conteúdo do livro não corresponde ao seu título, porque não se fala de todos os apóstolos, mas somente de Pedro e de Paulo. João e Filipe aparecem apenas como figurantes. Entretanto, não são os atos desses apóstolos que achamos no livro, mas antes a história da difusão do Evangelho, de Jerusalém até Roma, pela ação do Espírito Santo. Um dos pontos importantes é o Pentecostes onde todos os seguidores foram banhados pelo fogo do Espírito Santo após a ascensão de Jesus. Outro ponto é a conversão de Saulo, um dos maiores perseguidores dos cristãos, que se tornaria Paulo e este por sua vez levaria a palavra de Deus para todos do mundo. Os detalhes do inicio da comunidade de fé, com suas dificuldades e tudo o mais também são muito interessantes e provam o quanto a fé deve ser perseverante.

Lucas e o seu conhecimento sobre Jesus é tirado sobretudo do contato com Paulo, de quem foi discípulo. O apóstolo Paulo o cita em várias passagens de suas cartas:

  • Fm 1, 24 – É um dos companheiros de trabalho
  • Cl 4, 14 – O chama de “caro médico”
  • 2Tm 4, 11 – Paulo escreve a Timóteo dizendo que todos o abandonaram, exceto um: “somente Lucas está comigo”, era um momento em que o apóstolo estava preso.

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A obra de Lucas

No complexo, as obras de Lucas se complementam e ao mesmo tempo se distinguem. O Evangelho coloca o seu foco em Jerusalém, que é o ponto de chegada de Cristo, onde ele viverá a paixão, a sua morte e ressurreição. Por outro lado os Atos dos Apóstolos mostram como a mensagem de Cristo, chegada a Jerusalém, se difunde, a partir de Jerusalém, da Pentecostes, a toda  a terra, entre os gentios, chegando no centro do mundo de então, isto é, Roma.

 

 

Objetivo dos Atos dos Apóstolos

No primeiro capítulo da obra, contando a ascensão de Cristo aos céus, Lucas (Atos 1,8) coloca na boca de Jesus as seguintes palavras, dirigidas aos seus discípulos:

“Recebereis uma foraça,  a do Espírito Santo que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e a Samaria, e até os confins da terra”.

O plano dos Atos dos Apóstolos é mostrar como essa missão dada por Jesus aos apóstolos se realiza:

  • A fé se implanta em Jerusalém (capítulos 15)
  • Depois do martírio de Estêvão começa a expansão do cristianismo, graças aos gentios, pagãos convertidos (6,18,3)
  • O Evangelho chega a Samaria (8,4-25)
  • Também em Cesareia, onde os pagãos (gentios) entram pela primeira vez na Igreja (8,2611,18)
  • A mensagem de Cristo chega à Antioquia (11,19 seguintes)
  • Primeira viagem de Paulo leva o Evangelho a Chipre e Ásia Menor (13 14)
  • Na segunda e terceira viagens de Paulo, a Palavra de Jesus chega à Macedônia e Grécia (15,3618,22) e a Éfeso (18,2321,17)
  • Finalmente a mensagem cristã chega em Roma (27 28), que, vista desde Jerusalém, significa “os confins da terra” e Lucas pode encerrar assim o seu livro.

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De Saulo a Paulo?

“Então Saulo, chamado também Paulo, cheio do Espírito Santo, cravou nele os olhos e disse-lhe…” (At 13 ) 

Saulo nunca mudou de nome

Lucas usa pela primeira vez o nome romano Paulo, e a partir deste ponto do texto em todos os seus escritos usa sempre Paulo. Lucas neste momento faz a transferência de Paulo para o primeiro plano na evangelização dos gentios; quer dizer ele não é mais um simples auxiliar de Barnabé, mas é o verdadeiro chefe da missão. É verdadeiramente Paulo seguidor de Cristo. Um judeu convertido ao cristianismo que se chamava Saulo, Batizados por Ananias em Damasco, e que deste momento em diante é o chefe da missão. (a Bíblia.org)

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Significado do nome Saulo:

 A origem do nome Saulo é hebraico, vem de Saul que passa a ser Saulo na literatura grega. O significado do nome Saulo é: “Aquele que foi conseguido por meio de orações”.

Saulo era de Tarso.

Ele não mudou de nome na verdade.

Muitos supõem equivocadamente que Deus mudou o nome de Saulo para Paulo após Saulo se converter do judaísmo para o Cristianismo, o que aconteceu durante seu encontro com Cristo no caminho para Damasco (At 9, 1-9).  Ao contrario da mudança que Jesus fez do nome de “Simão” para “Pedro”, significando o papel especial que ele teria na Igreja (Mt 16,18), no caso de Paulo não houve nenhuma mudança.

Paulo de Tarso nasceu judeu, “circuncidado no oitavo dia, da raça de Israel, da tribo de Benjamim, um hebreu parente dos hebreus, em observância da lei dos fariseus” (Fl 3,5)

O nome hebreu dado de seus pais a ele era Saulo, mas, como seu pai era um cidadão romano (e, no entanto, Saulo herdou a cidadania romana), Saulo também tinha o nome latino “Paulo” (At 16,37), o costume de dois nomes começou a se tornar comum nessa época.

Como ele nasceu em um ambiente fariseu rigoroso, o nome Saulo era o nome mais adequado para usar. Mas depois de sua conversão, Saulo decidiu mudar seu nome para anunciar o Evangelho aos gentios, então ele “limpou” o seu nome romano e se tornou conhecido como Paulo, nome que era conhecido entre os gentios.

Usando o nome romano Paulo ele tinha acesso a alguns lugares em que os judeus sem a cidadania romana não tinham e poderia assim fazer as viagens que fez. Vale salientar que a cidadania romana só era dada a quem não houvesse nascido romano a quem fizesse parte do seu exército, se casasse com um concidadão romano, tivesse alguma influência politica forte ou simplesmente comprasse. No último caso comprar a cidadania romana era muito caro o que mostra que Paulo vinha de uma família de posses.

Não podemos deixar de acreditar de que no meio dos nazarenos (como eram chamados então) Paulo era chamado de Saulo, mas a posterioridade acabou ficando com o primeiro nome, afinal qual foi uma das nações mais poderosas do mundo? Roma. Mas Paulo fez um trabalho muito importante, ele estendeu a pregação das palavras de Jesus para além da Palestina e entendeu que o amor de Cristo deveria e poderia ser compartilhado com todo o mundo.

Leia Mais:

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Evangelho Segundo São João

Animo, uma nova Catequese (Encontro 14/40 – Jesus Cristo – Complemento 9)

 

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A Boa Nova segundo João

João é considerado o autor do que se tornou o quarto evangelho no cânon oficial da Bíblia. Esta posição no livro só se lhe foi dada porque ele descreve de forma diferente dos anteriores (Mateus, Marcos e Lucas) a missão de Jesus. Além de ter convivido diretamente com o filho de Deus, ele se autodenomina como “o discípulo mais amado”, João seria hoje um teólogo e seu texto reflete isso.

João também é o autor de mais 3 epístolas (cartas de João 1, 2 e 3) e do livro da Revelação ou Apocalipse (como ficou mais conhecido).

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Mateus (Mt 4,18-22, repetido por Marcos 1,16-20 e Lucas 5,1-11) narra que Jesus chamou primeiro Pedro e André e logo depois Tiago e João para segui-lo. Já no evangelho de João (Jo 1,35-51) esse chamado tem outra ordem e deixa claro que tanto André como o próprio João eram seguidores de João Batista e quando este indicou quem realmente seria o enviado de Deus (no caso Jesus) eles seguram-no imediatamente e teriam sido então os primeiros a seguidores do Messias. Esqueceu-se até de citar seu próprio irmão Tiago no restante da narrativa.

Mas em particular esta passagem traz algo até mais significativo: são as primeiras palavras ditas por Jesus neste evangelho. É ele as tem todo um significado especial (quase como um prelúdio do que viria): O que vocês estão procurando? (Jo 1,38). Esta é a pergunta feita até hoje a todos que pretendem seguir a Jesus. Nós queremos saber quem é Jesus, onde está, onde fica e ele nos pergunta sobre o que buscamos na nossa vida.

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Fragmento do Evangelho de João

Evangelista

O livro de João não é composto de breves histórias, como nos outros evangelhos, mas sim de grandes episódios, em que se misturam narrativa, diálogo e discurso, assumindo, muitas vezes forma de teatro. Segue um esquema geográfico e cronológico peculiar, mencionando diversas viagens de Jesus a Jerusalém e três páscoas, diferente dos outros 3 evangelhos que só narram uma. (Introdução a João – Bíblia Sagrada -CNBB)

No evangelho de João encontramos apenas 7 milagres, que ele chama de sinais e alguns discursos que se desenvolvem lentamente repetindo sempre os mesmos temas-chave. Seu evangelho é uma espécie de meditação, que procura aprofundar e mostrar o conteúdo da catequese existente em sua comunidade. Seu evangelho visa a despertar e a alimentar a fé em Jesus Cristo o filho de Deus, a fim de que os homens tenham a vida. (Jo 20,30-31). (Introdução ao Evangelho Segundo São João – Bíblia Sagrada – Paulus)

É o único dos evangelhos em que Jesus é Deus e homem ao mesmo tempo.

São João Apóstolo e Evangelista (3)

Em Patmos escrevendo o Apocalipse

Existe também alguns fatos em que o texto de João chega a contradizer o texto dos demais evangelistas. Além de João citar a celebração de três páscoas, algo que condiz com a possibilidade de que Jesus fez sua pregação em três anos. Os evangelhos sinóticos dizem que a última ceia ocorreu numa quinta-feira, o de João antecipa a data em um dia e com isso faz com que a morte de Jesus coincida com a hora em que se sacrificavam o cordeiro como oferenda no Templo de Jerusalém durante a páscoa judaica. Apesar de morrer na Cruz o Salvador aparece como vitorioso.

O evangelho de João é por excelência o texto que nos fala da divindade de Jesus. É como ele teria o poder de nos salvar.

quadro cronológico do evangelho segundo joão

Quadro cronológico

Prólogo 1,1-8
I. O ministério público de Jesus 1,19-12,50

Preparação 1,19-51
As bodas em Caná 2,1-12
Ministério em Jerusalém 2,13-3,36
Jesus e a mulher de Samaria 4,1-42
A cura do filho de um oficial do rei 4,43-54
A cura de um paralítico em Betsaida 5,1-15
Honrando o Pai e o Filho 5,16-29
Testemunhas do Filho 5,30-47
Ministério na Galiléia 6,1-71
Conflito em Jerusalém 7,1-9,41
Jesus, o bom Pastor 10,1-42
Ministério em Betânia 11,1-12,11
Entrada triunfal em Jerusalém 12,12-19
Rejeição final: descrença 12,20-50

II. O ministério de Jesus aos discípulos 13,1-17,26

Servir— um modelo 13,1-20
Pronunciamento de traição e negação 13,21-38
Preparação para a partida de Jesus 14,1-31
Produtividade por submissão 15,1-17
Lidando com rejeição 15,18-16,4
Compreendendo a partida de Jesus 16,5-33
A oração de Jesus por seus discípulos 17,1-26

III. Paixão e ressurreição de Jesus 18,1-21,23

A prisão de Jesus 18,1-14
Julgamento perante o sumo sacerdote 18,15-27
Julgamento perante Pilatos 18,28-19,16
Crucificação e sepultamento 19,17-42
Ressurreição e aparições 20,1-21,23

Epílogo 21,24-25

 

Um homem chamado João

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João era um dos filhos de Zebedeu e Salomé, junto com seu irmão Tiago (Maior) eles eram pescadores. Ele era responsável pelo conserto das redes de pesca também. Morava em Betsaida com os pais João também gostava de ouvir a pregação de João Batista e provavelmente foi um dos muitos batizados pelo profeta. Tanto por terem a mesma profissão, como por viverem na mesma região João e seu irmão já conheciam Pedro e André e este último também fora um seguidor do Batista.

Na Bíblia não existe nenhuma citação sobre a constituição de uma família pelo apóstolo ou seja provavelmente ele nunca se casou.

Tanto João como Tiago ganharam o apelido de Filhos do Trovão ou irmãos Boanerges (literalmente irmãos do trovão) provavelmente por falarem alto e serem muito agitados. O temperamento de ambos seria mais esquentados e alguns episódios falam sobre isso (cf. Mc 9,38; 10,35-40 e Lc 9,51-56) e Jesus acaba dando alguns puxões de orelha neles. Isso depõe contra algumas descrições que dão relatos de que o apóstolo seria muito amoroso e tranquilo. Ele era bem explosivo inclusive na defesa da sua fé.

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A teoria de que João seria um dos discípulos mais jovens de Jesus vem de vários pontos mas se evidência principalmente no capítulo 20,1-10 quando a narrativa da descoberta por Maria Madalena (ele não cita outras mulheres acompanhando ela como nos evangelhos sinóticos) do túmulo vazio de Jesus. João narra que ele é Pedro saíram correndo quando Maria avisa que o sepulcro está vazio (note que ele fala de Pedro e o discípulo que Jesus mais amava, ou seja ele João, já que é a denominação assumida por ele), mas ele chega primeiro (o que demonstra que ele tinha mais fôlego, por ser mais jovem) só que ao chegar ele não entrou e esperou por Pedro e só depois deste ter entrado é que João entra. Isso não foi por medo e sim pelo respeito aos mais velhos (eles deveriam tomar a frente) e também respeito pela posição de liderança exercida por Pedro. Um discípulo mais velho, teria entrado ou não teria conseguido chegar antes. Por ele ser o mais jovem recebia grande atenção do Mestre pois tinha muitas perguntas a fazer.

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Com tudo isso João foi diversas vezes citado nos outros evangelhos, em especial no de Marcos que parece gostar mais ainda das ações dele. João esteve sempre presente em momentos importantes da vida de Jesus, um destes fatos é que somente ele, Tiago e Pedro puderam testemunhar a ressurreição da filha de Jairo (Mc 5,37) e depois serão apenas os 3 a presenciarem a transfiguração de Jesus. Também presenciam a agonia do Mestre no Monte das Oliveiras antes de ser preso. É João o único discípulo a se postar próximo da Cruz junto com a Virgem Maria e Maria Madalena e é a ele entregue a missão de cuidar da mãe do Cristo.

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Maria Madalena, Maria mãe de Jesus e João

 

Após a ressurreição e ascensão de Jesus, Lucas narra os passos de João junto de Pedro pregando por toda a Judéia. É de como o discípulo teve destaque de liderança e autoridade também. Paulo narra um encontro com João em sua terceira visita a Jerusalém (após ter sido convertido) na epístola aos Gálatas (que também é o último registro dos passos do apóstolo fora seus próprios escritos)

Estudiosos especulam que João permaneceu em Jerusalém durante a Guerra Judaica até a destruição do templo pelos romanos (70 d.C. durante a chamada Primeira Guerra judaico-Romana), depois teria se mudado para Éfeso e já com uma idade avançada teria sido preso pelo imperador Domiciano e exilado na Ilha de Patmos e lá teria escrito o livro do Apocalipse (está última parte é praticamente um consenso).

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O escritor cristão Tertuliano de Cartago (155 d.C. A 220 d,C,) escreve que o imperador romano Domiciano (51-96 d.C.) prendeu o apóstolo João na Ásia durante a sua perseguição aos nazarenos (futuramente chamados como cristãos) e levou-o a Roma onde ele foi jogado em óleo fervente mas saiu ileso.

Outros historiadores (na versão mais aceita) dizem que após a prisão e depois de um tempo em Roma o apóstolo foi isolado na Ilha de Patmos, na Grécia que servia também de prisão. Porém João teria sido deixado em uma gruta onde ele usava uma pedra como travesseiro e teria escrito o livro do Apocalipse. Segundo uma lenda todo o texto foi escrito seguindo as revelações de Deus dadas por uma fenda no teto da caverna. Muitos visitam todo ano o local e conseguem ver até a pedra usada como travesseiro e a fenda no teto. Esta fenda se divide em três e foi relacionada posteriormente à Santíssima Trindade.

Tudo indica que tenha morrido de morte natural com 94 anos em Éfeso.  Porém não existe uma explicação de como chegou até lá.

Uma das maiores controvérsias de todos os tempos

Pedro recebendo a missão de apascentar as ovelhas de Jesus percebe que o jovem João está presente e pergunta o que será dele e o Mestre deixa no ar que João não iria (ou irá) morrer até que Ele volte (Parusia seria o termo correto e tema de um futuro post). Trocando em miúdos Jesus anuncia que João não vai morrer. (Jo 21,18-25). Se for feita uma interligação com o que escreve Mateus no capítulo 16,28 onde Jesus anuncia que entre os que estavam ali (presentes no momento) existia os que não passariam pela morte até que vissem vir o Filho do Homem no seu reino. Fica extremamente intrigado com todas estas declarações. Por um lado a nossa racionalidade não consegue aceitar que alguém possa estar vivo a mais de 2000 anos, por outro lado como duvidar do poder de Deus em se tratando de fé? Acreditamos que Jesus fez milagres, curas, ressurreições e ele próprio ressuscitou e se elevou de corpo e alma para o céu, então seria um contrassenso não acreditarmos que Jesus possa ter dado a João a possibilidade de permanecer vivo até quando o Mestre retornar.

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Fato ainda mais controverso são os escritos de Policrates de Éfeso, um Bispo que viveu em 190 d.C. e também complementados por Eusébio de Cesaréia em História Eclesiástica 5,24 que falam sobre a morte de João, mas frisar que após o falecimento e sepultamento do apóstolo, alguns anos depois o imperador romano Constantino (convertido ao cristianismo) decidiu erigir uma igreja para João e ao abrir sua tumba para o translado do corpo está estava vazia. Detalhe os selos não haveriam sido removidos até aquele momento. Fica o mistério e a controvérsia.

 Curiosidade

 Jo 21, 20 fala da posição que João se sentou a mesa na última ceia e serviu de base para a pintura de Michelangelo  

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Detalhe de uma das muitas versões do quadro

Liturgia

  • João : Símbolo: Águia. Era o maior teólogo entre todos e seu evangelho fala sempre da Divindade e dos mistérios do altíssimo, do Filho de Deus que veio dos céus. Inicia dizendo que no princípio era o verbo e o verbo estava junto de Deus. Como a águia é o animal que voa mais alto ficou como símbolo dele. Jo 1,1-5
  • Evangelho de São João é reservado para as ocasiões especiais, principalmente as grandes Festas e Solenidades, para este evangelho não existe um ano litúrgico.
  • Festa 27 de Dezembro

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Leia Mais:

 

 

14º Encontro (Catequese) – Evangelho de João

Série: Animo, uma nova Catequese (Encontro 14/40)

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João retratado na Santa Ceia

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus.” (Jo 1)

Dentro dos evangelhos, João foi o único a não se basear no livro de Marcos e escreve o seu de maneira independente, apesar de contar a história do mesmo personagem. Por isso mesmo o Evangelho de Jesus Cristo segundo São João não faz parte dos chamados Evangelhos Sinóticos (ou semelhantes) como os de Mateus, Marcos e Lucas, e é um livro mais teológico, preocupado em mostrar a divindade do seu mestre. Junto com seu irmão Tiago (que ficaria conhecido como Tiago Maior) fez parte dos 4 primeiros discípulos a serem convidados por Jesus para segui-lo. Só a abertura do seu evangelho já mostra como João iria tratar a história de Jesus (veja na abertura da postagem). lembrando que ele também escreveu 3 cartas apostólicas e mais o Apocalipse.

Bem vindos ao nosso 14º encontro.

Espero que as sugestões destes encontros possa ajudar você ou o grupo no desenvolvimento desta proposta de vivência na fé que é a catequese. É bem difícil suavizar e modernizar a maneira de falar (escrever no meu caso) mas como eu tenho certeza de que cada catequista tem o seu jeito de falar fico até tranquilo quanto a isso.

Minha proposta é que no primeiro momento seja pedido que todos se cumprimentem com o abraço da paz, incluindo catequistas. Depois seria interessante que a oração inicial seja espontânea onde cada um possa estar falando pelo que está rezando neste momento (claro que sem forçar a barra e nem deixando este momento constrangedor).

Dependendo das condições de cada comunidade sugiro que seja deixado colado embaixo de cada cadeira um bombom (pode ser bala) ou que se ofereça bombons para eles diretamente na caixa (vale um toque: se for comprado bombons em pacotes ao invés de caixa, sai mais em conta e pode se ter a opção de todos os bombons serem iguais). Logo de cara proponho uma dinâmica, antes mesmo de entrarmos no tema.

Dinâmica Quem é Deus?

Consiste em se dar para cada catequizando uma tira de cartolina e um canetão (ou canetinha) onde cada um vai escrever a resposta em uma palavra da pergunta: Quem é Deus? Todos escrevem e colocam próximo a cruz ou a vela, ou o que tiver como ambientação no chão. Apenas próximo ao final do encontro será feito a plenária, onde cada um pega de volta a sua resposta e responde o porque escreveu esta definição.

No momento seguinte entramos no tema falando sobre João. Como se deu o seu chamado, porque ele se autodenominava “o discípulo que Jesus mais amava”, e também porque o evangelho dele é diferente dos demais.

Pedir que os catequisandos se dividam em grupos (dar o limite de pessoas para cada grupo) e dar leituras para eles lerem e dividirem entre eles como um jogral. Sugiro 5 grupos (mas dependendo do número de pessoas podem ser mais ou até menos grupos). Sugiro as leituras:

  1. Bodas de Cana: Jo 2,1-11;
  2. Cura do filho do funcionário real: Jo 4,46-54;
  3. Multiplicação dos pães: Jo 6,5-14;
  4. Cura do cego de nascença: Jo 9,1-16;
  5.  Ressurreição de Lázaro: Jo 11,1-44

Após este momento é hora de acertar as pendências como documentos para os sacramentos e sugiro que seja fechada uma data para um almoço ou jantar com os pais dos catequisandos, catequistas e o padre. A família é um eixo importante na vivência na fé. Também penso ser um bom momento para propor que eles façam a preparação de uma missa (ou celebração) onde eles serão leitores, comentaristas e farão parte das procissões que tiverem na missa (respeitando os costumes de cada comunidade e conversando com a equipe de liturgia) deste tipo de ação sempre aparecem cantores novos ou tocadores de algum instrumento, bons leitores também, além de pessoas que vão se integrar mais facilmente aos trabalhos da comunidade. Para quem é de fora parece que a Liturgia é algo muito distante da realidade e isso deve ser quebrado. Também é muito importante que os catequizandos se integrem cada vez mais com a missa, outro eixo fundamental da catequese.

Depois é o momento de fazermos a plenária da dinâmica, já como parte da oração. Cada um fala o porque definiu Deus com aquela palavra e fica em silêncio após isso. Sugiro que façamos a oração de São João Evangelista, junto com um Pai Nosso e cantemos o nosso canto final : Recado de Deus e depois podemos partir com a missão de transmitir a paz para que encontrarmos.

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Sugestão para folha de encontro

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João Batista aponta para João e André quem é o verdadeiro enviado de Deus

 

Aprofundamento para o catequista

O quarto evangelho, a princípio tem a mesma estrutura dos evangelhos sinóticos: inicialmente mostra o testemunho de João Batista sobre Jesus, depois apresenta várias passagens e acontecimentos da vida de Cristo, e termina com os relatos de sua paixão, morte e ressurreição. No entanto destaca milagres ou aspectos da pregação de Jesus que não são relatados pelos sinóticos: o início da vida pública de Jesus nas bodas de Cana; a ressurreição de Lázaro; o lava pés; a questão do paráclito; o longo discurso sobre o pão da vida que vem após a multiplicação dos pães; é o único a apresentar as três grandes festas judaicas; Jesus toma posse da fórmula “Eu sou”, que é própria de Deus. O evangelho segundo João é o evangelho mais puro, o mais radical, o mais teológico, com uma cristologia mais desenvolvida que se preocupa em apresentar a divindade de Cristo.

Para o povo judeu do AT a fé está na lei de Moisés, no culto centrado em Deus efetuado no templo, João vai colocar o eixo em Jesus. Jesus é a Lei, Jesus substitui o templo e a fé está na pessoa de Cristo.

O Autor

A tradição antiga da Igreja identificou a autoria deste evangelho como sendo de João o discípulo amado de Cristo. “Este é o discípulo que dá testemunho dessas coisas e foi quem as escreveu: e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro” (21,24).

Santo Ireneu de Lyon (+/- 125/140 d.C) é o autor mais antigo que afirma a autoria do quarto evangelho à João: “Em seguida, o discípulo do Senhor, o mesmo que repousou sobre o seu peito, publicou também o evangelho durante sua estada em Éfeso”. Provavelmente o livro foi escrito no final do primeiro século, entre os anos 90 e 100 d.C. na localidade de Éfeso. (Para nós abrasileiramos o nome do santo para Irineu de Lião)

Destinatário

Diferente dos evangelhos sinóticos que tem um destinatário concreto, Marcos escreve para Romanos, Mateus para Judeus e Lucas para Gregos, João tem um destino universal, pois escreve não para uma comunidade específica, mas para todas as comunidades cristãs.

Objetivo de João

O propósito de João é inspirar nos leitores a fé em Jesus e está claro nas conclusões finais do capítulo 20,30-31: Crer que Jesus é o Filho de Deus para se ter vida

“Eu Sou”

A fórmula “Eu Sou” como a vemos no livro do Êxodo quando Deus se apresenta à Moisés dizendo “Eu sou aquele é”, é própria do Criador, no entanto Jesus toma posse desta expressão para auto-definir-se:

  • 6,35 “Eu sou o pão da vida”
  • 9,5 “Eu sou a luz do mundo”
  • 10,7-9 “Eu sou a porta”
  • 10,11-14 “Eu sou o bom pastor”
  • 11,25 “Eu sou a ressurreição”
  • 14,6 “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”
  • 15,1 “Eu sou a videira”

O Paráclito

João não usa a palavra Espírito Santo mas a expressão Paráclito várias vezes nos discursos de despedidas dos discípulos, no entanto diferente do evangelho de Lucas que apresente Jesus como cheio do Espírito Santo para João é pelo Espírito Santo que se perpetua a presença de Jesus entre seus seguidores, é o Espírito que nos ilumina e nos dá a conhecer profundamente a pessoa de Jesus.(Espírito = Paráclito, Espírito da Verdade, Espírito Santo).

1- Espírito enviado pelo Pai: 14,15-17: “e rogai ao Pai e ele vos dará outro Paráclito, para que convosco permaneça para sempre”;

2- Espírito enviado por Cristo: 16,7: “se eu não for o Paráclito não virá a vós, mas se for envia-lo-ei à vós”;

3- Para recordar todas as coisas: 14,26: “mas o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que vos disse”;

4- Para revelar as coisas futuras e glorificar a Jesus: 16,13: “quando vier o Espírito da Verdade, ele vos guiará na verdade plena…e vos anunciará as coisas futuras”;

5- Para testemunhar a Cristo: 15,26: “quando vier o Paráclito…dará testemunho de mim”.

Conforme a tradução da Bíblia Ave Maria paráclito é uma palavra grega que significa advogado, intercessor.

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Os milagres de Jesus

João não utiliza a palavra milagres para falar das grandes realizações de Jesus mas utiliza-se da expressão grega “semeion” que significa sinais.

Sinais significam o indício revelador de alguma coisa, pode ser um milagre ou não. João apresenta seis sinais como forma de provar que Jesus é o enviado do Pai e que o que interessa realmente não é o sinal em si mas o autor deste:

Bodas de Cana: 2,1-11;

Cura do filho do funcionário real: 4,46-54;

Cura do enfermo na piscina de Betsaida: 5,2ss

Multiplicação dos pães: 6,5-14;

Cura do cego de nascença: 9,1-16;

Ressurreição de Lázaro: 11,1-44;

Sendo que o grande sinal, o de número sete, é sua própria Ressurreição (Jo 20), como forma de apresentar a perfeição dos tempos no Cristo ressuscitado.

Para o povo da Bíblia os números são muito significativos, o número 7 significa: perfeição. Por isso quando Pedro pergunta à Jesus: quantas vezes devemos perdoar, 7? Jesus responde não 7 mas, deveis perdoar 70 x 7.

Eucaristia

Para os sinóticos Jesus instituiu a Eucaristia na quinta-feira santa. João coloca na quarta-feira o relato do lava-pés, para dizer que a Eucaristia deve levar à um gesto concreto, mostra Jesus como aquele que serve, como escravo. (diakonia em grego = serviço).

Para João a Eucaristia se dá no capítulo 6,11 (multiplicação dos pães) onde o que importa e dar graças e distribuir.

Jesus é o templo

Os evangelhos sinóticos narram a expulsão dos vendilhões do Templo como acontecida na última Páscoa, no final do mistério de Jesus. Para João este fato está na primeira Páscoa (2,13ss), quando Jesus começa a pregar, pois para encontrar Deus o lugar não é mais o Templo, mas a própria figura de Jesus. A partir de agora se adora em Espírito e Verdade.

As três páscoas em João

O Evangelista João mostra que conhece profundamente a cultura judaica, apresentando no ministério de Jesus três Páscoas (três anos de vida pública), além das outras principais festas Judaicas, como o Pentecostes, Tendas e a Festa da Dedicação.

1ª Páscoa: Jo 2,13-22; acontece após o início de seu ministério com as bodas de Cana.

Festa de Pentecostes: Jo 5,1, embora o texto não revele que era pentecostes, subentende-se por que se dá logo após a descrição da primeira Páscoa. (Pentecostes em grego significa quinquagésimo, é a festa da colheita ou das primícias realizada pelos judeus cinqüenta dias após a Páscoa).

2ª Páscoa: Jo 6,4; é a Páscoa precedida da multiplicação dos pães.

Festa das Tendas ou Tabernáculos: Jo 7,2, recordava os quarenta anos de permanência do povo no deserto quando saíram do Egito.

Festa da Dedicação: Jo 10,22, dedicação ou purificação do Templo que havia sido profanado no ano 200 a.C.

3ª Páscoa: Jo 11,55; 12,1 e 13, 1, é a Páscoa da morte e Ressurreição de Jesus, esta é apresentada pelos quatro evangelistas.

Com este estilo teológico de escrever João quer mostrar que com a vinda de Jesus termina o culto antigo representado pelas festas e pelo Templo. O novo Templo agora é Jesus e a Ele se deve o culto, este é o sentido da vida de Cristo.

Jesus é o Logos

Para os sinóticos a divindade de Jesus vai se revelando aos poucos.

João apresenta Jesus desde o princípio como o messias o filho de Deus (1,1-2,14).

João ainda usa a palavra verbo para dar dinâmica a Jesus.

Títulos de Jesus

Mateus: Emanuel (1,2328,20);

Marcos: Filho de Deus (1,115,39);

Lucas: não há título específico mas Jesus é o possuído pelo Espírito Santo;

João apresenta Jesus como o cordeiro de Deus 1,2919,36.

O discípulo que Jesus amava

A expressão “o discípulo que Jesus amava” aparece em João cinco vezes, isto é um fato enigmático:

  1. No anúncio da traição (13,22): “Estava à mesa, ao lado de Jesus, um de seus discípulos, aquele que Jesus amava”;
  2. Aos pés da cruz (19,25-26): “Perto da cruz de Jesus permaneciam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria mulher de Cleofas, e Maria Madalena. Jesus, então, vendo sua mãe, e perto dela, o discípulo a quem amava”;
  3. No sepulcro (20,2): “Maria Madalena…corre, então e vai a Simão Pedro e ao outro discípulo, que Jesus amava”;
  4. Reconhece Jesus a beira do lago de Tiberíades (21,7): “Aquele discípulo que Jesus amava disse então a Pedro: É o Senhor”;
  5. Pedro vê o discípulo (21,20): “Pedro, voltando-se, viu que o seguia o discípulo que Jesus amava”.

Os que falavam com Jesus

Ao invés das parábolas João usa de vários diálogos com Jesus. Conta diversos encontros do mestre com outros personagens. Seus principais interlocutores são: Nicodemos, a Samaritana, a multidão, as irmãs de Lázaro….

Oração

Mateus e Lucas apresentam o Pai nosso.

Lucas mostra Jesus orante em muitos momentos decisivos.

João apresenta a Oração sacerdotal no capítulo 17: oração pelos 12

“Pai, é chegada a hora. Glorifica teu Filho, para que teu Filho glorifique a ti; 2.e para que, pelo poder que lhe conferiste sobre toda criatura, ele dê a vida eterna a todos aqueles que lhe entregaste. 3.Ora, a vida eterna consiste em que conheçam a ti, um só Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo que enviaste. 4.Eu te glorifiquei na terra. Terminei a obra que me deste para fazer. 5.Agora, pois, Pai, glorifica-me junto de ti, concedendo-me a glória que tive junto de ti, antes que o mundo fosse criado. 6.Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste. Eram teus e deste-mos e guardaram a tua palavra. 7.Agora eles reconheceram que todas as coisas que me deste procedem de ti. 8.Porque eu lhes transmiti as palavras que tu me confiaste e eles as receberam e reconheceram verdadeiramente que saí de ti, e creram que tu me enviaste. 9.Por eles é que eu rogo. Não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. 10.Tudo o que é meu é teu, e tudo o que é teu é meu. Neles sou glorificado. 11.Já não estou no mundo, mas eles estão ainda no mundo; eu, porém, vou para junto de ti. Pai santo, guarda-os em teu nome, que me encarregaste de fazer conhecer, a fim de que sejam um como nós. 12.Enquanto eu estava com eles, eu os guardava em teu nome, que me incumbiste de fazer conhecido. Conservei os que me deste, e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura. 13.Mas, agora, vou para junto de ti. Dirijo-te esta oração enquanto estou no mundo para que eles tenham a plenitude da minha alegria. 14.Dei-lhes a tua palavra, mas o mundo os odeia, porque eles não são do mundo, como também eu não sou do mundo. 15.Não peço que os tires do mundo, mas sim que os preserves do mal. 16.Eles não são do mundo, como também eu não sou do mundo. 17.Santifica-os pela verdade. A tua palavra é a verdade. 18.Como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. 19.Santifico-me por eles para que também eles sejam santificados pela verdade. 20.Não rogo somente por eles, mas também por aqueles que por sua palavra hão de crer em mim. 21.Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste. 22.Dei-lhes a glória que me deste, para que sejam um, como nós somos um: 23.eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e o mundo reconheça que me enviaste e os amaste, como amaste a mim. 24.Pai, quero que, onde eu estou, estejam comigo aqueles que me deste, para que vejam a minha glória que me concedeste, porque me amaste antes da criação do mundo. 25.Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu te conheci, e estes sabem que tu me enviaste. 26.Manifestei-lhes o teu nome, e ainda hei de lho manifestar, para que o amor com que me amaste esteja neles, e eu neles.” São João, 17 

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