As 3 faces de Maria Madalena

Curiosidades Bíblico- Cientificas

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Originalmente publicado na Revista Super Interessante

As 3 faces de Maria Madalena

Esposa de Jesus. Santa. Prostituta. Maria Madalena é a figura mais misteriosa do Novo Testamento – e quase tudo que é dito sobre ela é puro mito. Os evangelhos apócrifos, porém, jogam luz sobre uma nova faceta de Madalena e, de quebra, ajudam a explicar o papel da Igreja Católica na criação da lenda que a tornou tão popular.

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A Bíblia fala pouco sobre Maria Madalena. E não diz nada que justifique sua reputação – nem como promíscua, nem como penitente. (Estevan Silveira/Superinteressante)

 

“Seu corpo resplandece em maravilhosa beleza. Uma beleza brilhante, porém, raramente se une à castidade.”

É assim que Maria Madalena aparece descrita num texto do século 12, escrito por monges do norte da Europa. E é assim que boa parte dos cristãos a conhece hoje: uma figura bela e promíscua. Uma mulher que, após uma vida de pecados, se lança aos pés de Jesus em busca de redenção. Essa história de arrependimento e iluminação é motivo de fascínio entre crentes e não crentes há gerações. Só tem um detalhe: nada disso está nos evangelhos.

Uma série de documentos religiosos do início do cristianismo, inclusive, mostram uma Madalena bem diferente: uma líder religiosa, superior aos próprios apóstolos de Cristo – e mais amada por Ele do que qualquer outra pessoa.

Como essa personagem proeminente acabou reduzida à figura silenciosa da “Madalena arrependida”? É o que vamos ver a seguir.

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A Madalena dos evangelhos

Para separar as Marias do Novo Testamento e evitar confusão, todas são identificadas por um parentesco masculino: elas são sempre mães, irmãs ou esposas de alguém. Todas, com exceção de uma. Maria Madalena nunca aparece atrelada a uma figura masculina.Portanto, precisou de outro tipo de apelido. É quase consenso que “Madalena” identifica sua cidade de origem, Magdala, a 7 quilômetros de Cafarnaum, o vilarejo que servia de quartel-general para Jesus nas margens do Mar da Galileia.E a Bíblia não diz muito mais sobre quem foi Madalena. Em três dos evangelhos, ela é mencionada na crucificação e no sepultamento de Jesus. Nos quatro livros (Mateus, Marcos, Lucas e João), ela é testemunha da tumba vazia, símbolo da ressurreição de Cristo. E em dois deles é a primeira a ver Jesus ressuscitado.O único evangelho a falar dela antes da crucificação é o de Lucas: Madalena, junto a Joana, Susana e outras que acompanhavam Jesus desde a Galileia, usava seus bens para financiar o ministério de Cristo. Aliás, também é só em Lucas que surge algum indício de um passado mais infame: Madalena teria sido libertada de sete demônios. (O trecho de Marcos que a menciona assim é um anexo, adicionado depois da versão original do manuscrito.) E é isso. Nada mais é dito sobre Maria Madalena. Isso não quer dizer, porém, que o Novo Testamento não dê pano para a manga.

Grande parte da confusão sobre a figura dela veio por conta de uma tentativa de harmonizar todos os evangelhos. Mas a verdade é que isso não é possível. Os quatro livros foram escritos em épocas diferentes, com propósitos diferentes. O mais antigo deles, segundo as evidências históricas, é Marcos. O relato dele teria servido como base para grande parte de Mateus e Lucas. Por último, vem o evangelho que teria sido escrito por João, composto anos depois, entre 90 e 110 d.C. Essas diferenças importam porque, às vezes, as descrições dos evangelhos sobre o mesmo episódio contradizem umas às outras. E isso acontece em dois episódios vitais para a história de Maria Madalena.

Primeiro, vamos ao ápice da carreira dela no Novo Testamento: a ressurreição de Jesus. Em todas as versões da história, ela está presente na morte de Cristo e presencia seu sepultamento. Madalena ainda volta ao sepulcro de Cristo no domingo de manhã. Mas, para sua surpresa, ela encontra a tumba vazia.

A partir daqui, todos os evangelhos diferem. Marcos é o mais curto e grosso: Madalena e outras mulheres encontram anjos, que explicam que o Senhor ressuscitou. Elas são enviadas para contar aos discípulos, mas ficam com medo e não dizem nada. Em Mateus, elas aceitam a missão, amedrontadas, mas felizes – e o próprio Jesus aparece a elas.

João traz a cena mais íntima de todas. Madalena encontra o sepulcro vazio e se desespera. Corre a chamar os discípulos, mas só dois a acompanham. Eles veem a sepultura vazia, não entendem nada e voltam para casa. Madalena fica. Jesus aparece, só para ela, e pergunta: “Por que choras?” Maria não o reconhece. Na realidade, pensa que é o jardineiro. É só quando Jesus a chama pelo nome que ela percebe quem ele é. Ele pede que Madalena vá aos apóstolos contar sobre a ressurreição. E a história dela termina com a frase apoteótica “Eu vi o Senhor!”.

Em apenas um dos evangelhos não é Madalena quem vê Jesus após a ressurreição. No livro de Lucas, ela e outras mulheres só ficam sabendo que Jesus voltou à vida por um recado de anjos. Quando elas vão levar a mensagem aos discípulos, nenhum deles acredita. “As palavras daquelas mulheres pareciam delírio”, diz o texto.

A primeira aparição de Jesus ressurreto, em Lucas, acontece para Simão Pedro. Pedro, você sabe, é o mais proeminente dos apóstolos. Primeiro líder cristão em Roma, é tradicionalmente considerado o primeiro papa. “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja”, diz Jesus, no Evangelho de Mateus. E é essa passagem que a Igreja Católica usa para justificar a autoridade de Pedro acima de qualquer outro líder religioso. Essa substituição em Lucas, portanto, é importante – e um prenúncio da rivalidade entre Pedro e Madalena, que veremos mais à frente.

A partir desse ponto, dá para levantar o cartão amarelo para o relato de Lucas sobre Maria Madalena. Primeiro, ele é o único a descrevê-la como endemoniada. Depois, é o único a remover dela o título de primeira testemunha do Jesus ressuscitado. E não para por aí. No capítulo 7, Lucas descreve uma cena que aparece em todos os evangelhos: uma mulher vem ungir Jesus. Em Marcos e Mateus, quem faz isso é uma figura anônima, que unge a cabeça do mestre, como se fazia com líderes importantes. O ato é interpretado como quase profético, antecipatório da morte de Jesus. Em João, a mesma coisa, só que a unção é menos prestigiosa, feita nos pés de Cristo, e a responsável por ela é Maria, irmã de Lázaro – aquele a quem Jesus ressuscitou.

Em Lucas, de novo, é tudo diferente: quem unge os pés de Jesus é uma “mulher da cidade, uma pecadora” – eufemismo para prostituta. A ação dela é de arrependimento e amor. Imediatamente depois, Lucas apresenta ao leitor as seguidoras de Jesus, a primeira delas “Madalena, da qual saíram sete demônios”. A consequência direta é a mistura das personagens na cabeça do leitor – Madalena, a prostituta anônima e a irmã de Lázaro são fundidas em uma pessoa só.

O teólogo Robert Price argumenta, ainda, que a tal “possessão demoníaca” de Maria, mais do que dar uma história de origem à personagem, retrata uma polêmica maior sobre o papel de Madalena nos primeiros anos do cristianismo. Uma polêmica que não está no Novo Testamento, mas aparece muito bem documentada nos evangelhos apócrifos. Vamos a eles.

Pseudobiografia

A Lenda Dourada foi um sucesso medieval. Essa coletânea de pseudobiografias de santos, escrita no século 13, traz uma versão colorida e aventureira de Maria Madalena – que acabou ressuscitada em O Código da Vinci. Na Lenda Dourada, ela é irmã de Lázaro e Marta. Todos são ricos, com títulos de nobreza, mas Madalena se entrega à prostituição. O motivo? O casamento de Caná, aquele em que Jesus transforma água em vinho. Madalena seria a noiva, prestes a se casar com ninguém menos que o apóstolo João. O rapaz larga tudo para seguir Jesus. Madalena, rejeitada, se dedica aos “prazeres carnais”, até se converter, tempos depois.

A história continua após 14 anos (e segue absurda): os irmãos são exilados e chegam, por acidente, a Marselha, no sul da França. Madalena se isola em uma caverna por 30 anos de reclusão e penitência. A caverna de Ste. Baume é, até hoje, lugar de peregrinação para os fiéis de Madalena. Ok, mas e o sexo? E a conspiração para esconder os filhos com Jesus? Essa história é bem mais recente.

 A Madalena dos apócrifos

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A Maria Madalena dos apócrifos tem tanta autoridade quanto São Pedro. Aluna-prodígio de Cristo, conquista a afeição do mestre – e a inveja dos outros discípulos. (Estevan Silveira/Superinteressante)

Se você abrir uma Bíblia cristã em qualquer lugar do mundo, vai encontrar sempre os mesmos livros, qualquer que seja a língua ou versão. Mas o que você conhece hoje como o conjunto sólido e imutável do Novo Testamento não reflete em nada o ambiente do início do cristianismo. Do século 1 ao século 4, aliás, não existia nem cristianismo consolidado, nem livros oficiais, mas, sim, uma série de comunidades cristãs, cada uma com suas prioridades doutrinárias – e até com diferentes evangelhos. Quando a Igreja começou a unificar o cristianismo, escolheu dentre os manuscritos mais antigos aqueles que seriam considerados oficiais, inspirados por Deus. São esses os livros que todo mundo conhece, copiados e recopiados fielmente pelo clero e preservados até hoje.Mas eles não são os únicos textos do cristianismo primitivo que existem. Aos outros livros, que não passaram pelo pente-fino da Igreja, se dá o nome de apócrifos. Eles são, em sua maioria, menos antigos que os evangelhos oficiais (ou canônicos). Por não terem sido tão bem preservados (a maioria deles foi encontrada dentro de vasos, onde foram mantidos por séculos), eles são fragmentados, com sérios prejuízos ao texto causados pelo tempo. Também são, porém, o retrato mais fiel que temos sobre a diversidade que existia nos primórdios do cristianismo.É nesses textos que encontramos uma Madalena diferente. Ela serve de porta-voz dos discípulos junto a Cristo, uma espécie de “aluna-prodígio”, que entende os ensinamentos melhor que os demais seguidores e, sim, aparece ali como uma mulher bem mais íntima de Jesus do que os evangelhos canônicos dão a entender.O apócrifo de Filipe, escrito nos anos 200 d.C., é o mais citado por quem defende que Jesus foi casado com Madalena. Ela é citada, pela primeira vez, entre outras duas Marias da vida de Jesus: “Andavam com o Senhor três Marias. Uma, sua mãe, outra sua irmã e a outra sua companheira”.

Pouco depois, o texto chega à sua frase mais polêmica. Como em outros apócrifos, há trechos pouco legíveis. Alguns deles, representados entre colchetes, foram preenchidos por especialistas. Diz Filipe: “A companheira do [Salvador] é […] Maria Madalena […amava] a ela mais do que aos discípulos […e costumava] beijá-la [muito] em sua […]”. A palavra que designa onde o beijo é dado não está nítida – mas, para aliviar o suspense, as únicas alternativas levadas a sério pelos acadêmicos são a testa e a boca.

O interessante aqui é que o termo em grego que Filipe usa para “companheira” é koinonôs. Na Bíblia, ele tem uma série de sentidos – pode, sim, significar esposa, apesar de ser um uso incomum. Também aparece indicando parceiros de evangelização, companheiros de fé, sócios, amigos. O essencial é que o termo transmite a noção de compartilhar algo. Em nenhum dos outros apócrifos Madalena é chamada assim. Por outro lado, nenhum outro personagem é chamado de koinonôs de Jesus.

A favor dos que defendem Madalena e Jesus como casal, há ainda outro detalhe. Logo depois que o Evangelho de Filipe descreve a relação entre os dois, o texto passa a falar sobre sexo – “tentações carnais”, no caso. Ele diz: “Não temam a carne, nem amem-na. Se a temerem, ela ganhará domínio sobre vocês. Se a amarem, ela irá engoli-los e paralisá-los”. É como se Madalena, como companheira de Jesus, fosse a introdução para a discussão sobre a pureza/impureza do sexo, que Filipe encerra sem se comprometer com nenhum lado.

Em resumo, desse texto só dá para concluir mesmo que Madalena era alguém especial para Cristo – até porque isso volta a aparecer nesse apócrifo, dessa vez na boca dos discípulos, que perguntam, na lata: “Por que você a ama mais que a nós?”.

Jesus responde com uma miniparábola: “Por que eu não amo a vocês como amo a ela? Quando um homem cego e um que enxerga estão juntos no escuro, um não é diferente do outro. Mas, quando chega a luz, aquele que enxerga a vê. O cego, porém, permanece na escuridão”. A interpretação mais óbvia é que há algo que Maria compreende que os discípulos não são capazes de entender. E isso fica ainda mais claro no ponto alto dela nos apócrifos – o próprio evangelho de Maria Madalena.

A versão original do Evangelho de Maria teria sido escrita entre 125 d.C. e 175 d.C. – e não por ela. Aliás: o nome de um evangelho, seja ele apócrifo ou canônico, nem sempre designa o autor, mas em geral um personagem proeminente na narrativa, como é o caso aqui.

Das 19 páginas que compõem o texto, dez estão perdidas. No que restou do manuscrito, encontramos Jesus dando suas últimas instruções para os discípulos, ordenando que preguem sobre o Reino dos Céus. Depois, os deixa para sempre. O curioso aqui é que a reação dos apóstolos é completamente diferente de qualquer episódio pós-ressurreição visto na Bíblia. Eles se acovardam. Com medo, lamentam: “Como podemos ir até os gentios (não judeus) e pregar? Se eles não O pouparam, como poderão poupar-nos?”

No instante de desânimo, surge Maria Madalena. Ela abraça a todos, e garante que a graça de Jesus vai protegê-los: “Vamos louvar a grandeza dele, pois ele nos preparou”.

Os discípulos se acalmam e voltam a se dedicar à missão que Jesus lhes deixou. Nessa hora, Pedro faz um pedido. “Irmã, sabemos que o Salvador te amava mais do que às outras mulheres. Dize-nos as palavras do Salvador que recordas, aquelas que conheces e nós não conhecemos.” Maria, então, se dispõe a contar “aquilo que foi ocultado” deles.

Aqui temos uma interrupção, por conta das páginas desaparecidas. Quando a narrativa é retomada, Maria está falando de um confronto entre a alma humana e vários poderes espirituais malignos, tipo de história corrente nos apócrifos.

O que vale para nós é que esse trecho todo indica uma sabedoria de Maria que os discípulos não tinham. E o manuscrito deixa claro: eles não gostam nada disso. Quando ela termina de falar, começa uma discussão. André, irmão de Pedro, diz aos demais: “Eu não creio que o Salvador tenha dito essas coisas”. Pedro aproveita a deixa: “Por que deveríamos escutar essa mulher? Será que o Senhor realmente falou com uma mulher em segredo, e não abertamente? Teria preferido ela a nós?”. Nessa hora, o discípulo Levi sai em defesa de Maria, dizendo que Jesus a amava mais do que a todos eles porque a conhecia profundamente. Note que é o mesmo tipo de relação descrita no Evangelho de Filipe.

Preste atenção também na postura de Pedro: ele é quem pede a Maria para ensinar o que eles não sabem, porque ela é amada “mais que as outras mulheres”. Mas então parece mudar de ideia – quem sabe porque ela sabia mais do que ele esperava, ou porque ela era amada acima deles próprios.
Não é a última vez nos apócrifos que Madalena é vista como ameaça por outros discípulos – especialmente por Pedro. Em Pistis Sophia, um apócrifo do século 3, é ela quem interpreta a maior parte dos ensinamentos de Jesus, e seu entendimento é elogiado pelo mestre: “Maria Madalena e João serão superiores a todos os meus discípulos […] eles estarão na minha mão direita e na esquerda, eu sou eles e eles são eu”.

No Livro Maniqueu de Salmos, apócrifo do século 4, Madalena é colocada como parte dos apóstolos: “Maria é a jogadora de redes, caçando os outros 11 que estão perdidos”. A metáfora parece com o famoso “farei de vocês pescadores de homens”, pescando as almas perdidas. Só que, no caso, Madalena estaria salvando os próprios apóstolos, espalhados depois da morte de Jesus.

Com tanta exaltação à figura de Maria, surge uma rivalidade com Pedro. Em Pistis Sophia, o apóstolo apela a Jesus: “Meu Senhor, não podemos tolerar mais essa mulher. Ela não permite que nenhum de nós diga uma palavra, enquanto ela fala com frequência”. A reclamação tem efeito porque, na segunda parte do texto, Maria está preocupada. “Tenho medo de Pedro, pois ele me ameaça e odeia nossa raça.” Raça, aqui, é genos: Pedro odeia o gênero feminino como um todo.

Não se trata de exagero interpretativo. Atos de Filipe, outro apócrifo, diz que Pedro “foge de todos os lugares onde haja uma mulher”. Na quarta parte de Pistis Sophia, Pedro volta a perder a linha: “Meu Senhor, que as mulheres parem de perguntar, para que nós também possamos perguntar”. Jane Schaberg (1938-2012), que foi professora de religião na Universidade de Detroit, associava essa fala a um trecho de 1 Timóteo, um dos livros do Novo Testamento: “Que a mulher aprenda em silêncio, em total submissão. Não permito que mulher alguma ensine ou exerça autoridade sobre um homem. Esteja, portanto, em silêncio”.

Em resumo, a Madalena dos apócrifos é a grande rival de Pedro, que dialoga de igual para igual com os apóstolos, quando não em posição superior no que tange ao conhecimento espiritual e ao afeto de Jesus.

Mas por que a imagem de Maria Madalena que acabou cristalizada na liturgia cristã não tem nada a ver com essa que vimos agora? Não é só por causa dos evangelhos canônicos, que mal a mencionam, mas também culpa de uma feroz disputa ideológica que explode no cristianismo primitivo.

A linhagem sagrada

O controverso enredo de O Código da Vinci – que reacendeu as polêmicas sobre Madalena na cultura popular – é inspirado por outro livro: O Santo Graal e a Linhagem Sagrada, de 1982. A Lenda Dourada funciona como ponto de partida. Ali, Madalena também vai para o sul da França, mas para esconder os filhos que teve com Cristo. Eles teriam se misturado às famílias nobres e se tornado, eventualmente, a dinastia Merovíngia, protegida por uma sociedade secreta chamada Priorado de Sião. O livro se pretendia uma obra de não ficção, baseada em fontes históricas. O problema é que as tais fontes eram os Dossiers Secrets d’Henri Lobineau, documentos forjados na década de 1960. O criador dos “dossiês secretos”, Pierre Plantard, inventou tudo para justificar que ele próprio seria descendente de Cristo. Quanta humildade.

 A Madalena medieval

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A Maria Madalena sinônimo de luxúria e arrependimento surge apenas no século 4, com a ascensão da Igreja em Roma. (Estevan Silveira/Superinteressante)

A imagem de Madalena como prostituta arrependida ganhou território no século 4. No mesmo período, o cristianismo se transformava em religião oficial do Império Romano. Com isso, a facção cristã de Roma ganha um poder sem precedentes em relação às comunidades tão diversas do cristianismo primitivo.Uma das consequências disso foi justamente a oficialização de alguns evangelhos e o abandono de outros textos, cultuados pelos grupos cristãos não romanos. Mas, para apagar as tradições dessas seitas, não bastava jogar seus livros para escanteio. Era preciso dissipar seus símbolos. E um deles, como os apócrifos deixam claro, era Maria Madalena.Um dos motivos para isso é a visão que o cristianismo romano tinha de Cristo. Os bispos entendiam Jesus como um asceta – alguém completamente dedicado à espiritualidade, que rejeita os prazeres da carne. Logo, deixar que se espalhasse uma tradição que dizia que Jesus amava uma mulher acima de qualquer outra pessoa era um belo desserviço.Bem mais importante que isso, porém, é o fato de a Madalena dos apócrifos desafiar abertamente a primazia e a autoridade de Pedro, o grande patriarca do cristianismo romano. É dele que emana toda a autoridade papal – até hoje. Para que um símbolo pudesse reinar sozinho, era preciso sumir com o outro. E, nisso, quem acabou de fora foi Madalena.

Morria a líder dos apóstolos, nascia o mito da prostituta arrependida. Essa “nova Maria” chegou a ser oficializada por Sua Santidade: em 591, o papa Gregório Magno declara que Madalena, a prostituta de Lucas e a irmã de Lázaro são uma só pessoa.

A imagem de Maria Madalena como prostituta se fortalece na Idade Média. Num mundo sem novelas nem seriados, uma das poucas diversões disponíveis eram as vitas dos santos. Eram pseudobiografias, que tentavam saciar a sede por detalhes que não estavam nos evangelhos – mais ou menos como acontece hoje com as fanfics. E, também como nas fanfics atuais, as histórias de maior sucesso eram as que tinham a ver com sexo. Logo, Madalena virou personagem favorita dessas pseudobiografias. A mais famosa delas é a Lenda Dourada, uma coleções de tradições orais escrita por Jacobus de Varagine, arcebispo de Gênova, em 1260. Ali, Madalena é uma moça linda e rica, que é abandonada pelo noivo. Rejeitada, se entrega à prostituição. Depois, se converte e se torna seguidora íntima de Jesus. No fim da vida, ela se isola em penitência e é alimentada diariamente por anjos até a sua morte.

O enredo é de blockbuster: o herói sofre um trauma e vai parar no fundo do poço. Só escapa graças à ajuda de um grande mestre. Então retorna mais forte e encontra a vitória, a suprema redenção. São esses elementos narrativos – que estão em Star WarsKill BillRockyKaratê Kid… – que tornam a Maria Madalena medieval tão irresistível. E o sucesso da aventura da prostituta redimida foi o golpe final para relegar ao esquecimento a líder política do cristianismo primitivo.

Mas qual dessas Madalenas é a real? Não há como saber o que aconteceu de fato na Galileia do século 1. Mal dá para cravar que essa mulher existiu. Todos esses textos – apócrifos, canônicos, vitas – são obras de doutrinação, não livros de história. Mas, assim como a história, a religião foi escrita pelos vitoriosos. A figura distorcida de Madalena é vestígio de uma luta que muitas comunidades cristãs primitivas perderam. E, junto com elas, foi-se o símbolo de uma companheira de Cristo bem mais forte do que a que acabou impressa nos evangelhos – e nas nossas mentes.

Revista Super Interessante edição nº 381 – outubro / 2017 (Editora Abril)

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Capa da Edição original

Leia também: A verdade sobre Maria Madalena (Revista Super Interessante)

Edição 381 PDF

Quadragésima die (Daqui a quarenta dias)

Catequese, Vivência na Fé

Quadragésima die Christus pro nobis tradétur (No quadragésimo dia Cristo será entregue por nós)

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Estamos no tempo da Quaresma, que é a preparação para a semana santa onde rememoramos (e não revivemos) o Mistério Pascal da condenação, morte e ressurreição de Jesus Cristo. A semana santa que se inicia no domingo de Ramos e termina no domingo de Páscoa.

A Quaresma para a liturgia da igreja é um dos Tempos Litúrgicos e faz parte do Ciclo da Páscoa. Interrompe o Tempo Comum e quando termina abre o Tempo Pascal.

É tempo de reflexão e maior recolhimento. Tempo que a maioria dos católicos escolhe para fazer jejum e reflexões, além de acamparem a Campanha da Fraternidade.

Também comercialmente é tempo em que as peixarias vendem muito peixe, já que nos países de maioria católica (caso do Brasil) a tradição de evitar a carne é muito forte e de comer peixe nas quartas e sexta-feiras resiste.

O tempo da quaresma seria então um tempo de preparação e acima de tudo de muita oração, sendo celebrado por algumas igrejas cristãs, dentre as quais a Católica, a Ortodoxa, a Anglicana, a Luterana.

Mas um dos pontos interessantes é a questão dos 40 dias e seus porquês?

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O número 40 nas páginas da Bíblia.

O número quarenta aparece tanto no Antigo Testamento e Novo Testamento, em diferentes formas e maneiras observemos:

O número 40 é muitas vezes conhecido como o “número de provação ou julgamento”. Por exemplo, os israelitas vagaram durante 40 anos (Deuteronômio 8,2-5); Moisés ficou no monte durante 40 dias (Êxodo 24,18); Jonas advertiu Nínive de que o julgamento viria após 40 dias (Jonas 3,4); Jesus foi tentado por 40 dias (Mateus 4,2), houve 40 dias entre a ressurreição e a ascensão de Jesus (Atos 1,3).

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A numerologia bíblica é o estudo dos números na Bíblia. Dois dos números mais comumente repetidos na Bíblia são 7 e 40. O número 7 significa conclusão ou perfeição (Gênesis 7,2-4; Apocalipse 1,20). É muitas vezes chamado do “número de Deus” já que Ele é o único que é perfeito e completo (Apocalipse 4,5, 5,1, 5 56). Acredita-se que o número 3 também seja o número da perfeição divina: a Trindade consiste do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Um outro número repetido na Bíblia é 4, o qual é conhecido como o número da criação: norte, sul, leste, oeste; quatro estações do ano. Acredita-se que o número 6 seja o número do homem: o homem foi criado no dia 6; o homem trabalha seis dias apenas. Um outro exemplo da Bíblia usando um número para significar algo se encontra em Apocalipse capítulo 13, o qual diz que o número do Anticristo é 666. (extraído do site Got Questions.org)

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1. A palavra quaresma. É pura erudição saber que a palavra quaresma era, antigamente, um simples adjetivo em latim. Ela se encontrava no início de uma frase e passou a denominar um período todo do ano litúrgico. Eis a frase em questão: Quadragésima die Christus pro nobis tradétur, que se traduz assim: Daqui a 40 dias (no quadragésimo dia) Cristo será entregue por nós, para a nossa salvação. Quaresma é abreviação de quadragésima. Na frase latina, em questão, quadragésima está no feminino porque, em latim dia, além de masculino, é também feminino. A língua portuguesa manteve a palavra no feminino.

2. O período da Quaresma. Quaresma é, portanto, a palavra utilizada para designar o período de quarenta dias no qual os católicos realizam a preparação para a Páscoa, a mais importante festa do calendário litúrgico cristão, que celebra a Ressurreição de Jesus, a base principal da fé cristã. Neste período, que começa na quarta-feira de cinzas e termina na quarta-feira da Semana Santa, os fiéis são convidados a fazerem um confronto especial entre suas vidas e a mensagem cristã expressa nos Evangelhos. Este confronto deve levar o cristão a aprofundar sua compreensão da Palavra de Deus e a intensificar a prática dos princípios essenciais de sua fé.

3. Quando surgiu a Quaresma. Por volta do ano 350 d. C., a Igreja decidiu aumentar o tempo de preparação para a Páscoa, que era de três dias, que permaneceram como o Tríduo Sagrado da Semana Santa: quinta feira santa, sexta feira santa e sábado santo. A preparação para a Páscoa passou, então, a ter quarenta dias. Isto aconteceu porque os cristãos perceberam que três dias eram insuficientes para que se pudesse preparar adequadamente tão importante e central evento. Surgia, assim, a Quaresma.

4. O numero 40. O número quarenta é bastante significativo dentro das Sagradas Escrituras. O dilúvio teve a duração de quarenta dias e quarenta noites e foi a preparação para uma nova humanidade, purificada pelas águas. Durante quarenta anos o povo hebreu caminhou pelo deserto rumo à terra prometida, tendo atravessado o mar vermelho. Antes de receber o perdão de Deus, os habitantes da cidade de Nínive fizeram penitência por quarenta dias. O profeta Elias caminhou quarenta dias e quarenta noites para chegar à montanha de Deus. Preparando-se para cumprir sua missão entre os homens, Jesus jejuou durante quarenta dias e quarenta noites. Moisés havia feito o mesmo. Os povos antigos atribuíam ao número quarenta diversos significados. Um deles tem importância especial para os cristãos: um tempo de intensa preparação a acontecimentos marcantes na História da Salvação

5. Quaresma no Brasil. A partir da década de 70 a Igreja no Brasil colocou na devoção dos fiéis, que tradicionalmente acompanham, com muita piedade, a caminhada de Jesus para a Páscoa, um reforço à vivência do amor, da caridade que liberta, visto que Jesus deu sua vida para nos salvar. Ao colocar a Campanha da Fraternidade no período da Quaresma, ela quer que sua organização e realização sejam uma mediação, muito prática, para a vivência da caridade; desenvolver e aprofundar a fraternidade, segundo o mandamento do amor: “amar o próximo como Jesus nos amou”. Cada ano um tema é tratado no espírito quaresmal de conversão, através da meditação, da oração, do jejum, da esmola – no sentido de caridade que liberta. Para facilitar a Igreja oferece um texto base no esquema Ver, Julgar, Agir, e diversos subsídios de apoio, motivando e estimulando os fiéis a levarem a meditação sobre Jesus perseguido e sofredor, e as demais práticas da Quaresma, para atitudes concretas em favor do outro, privilegiadamente os sofredores. (Redação: Irmão Nery, FSC, Fonte: CNBB, Formação Canção Nova)

Cores Litúrgicas da Quaresma

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As cores usadas nas missas da Quaresma são o Roxo (1º, 2º, 3º e 5º Domingo) e o Rosa (4º Domingo). Então todos os paramentos e a estola dos padres estarão nestas cores. É interessante observar pois todos os lugares onde se tiver uma missa quaresmal estas cores estarão presentes.

Roxo: Representa a serenidade e a penitência

Rosa: Representa a proximidade de uma grande alegria (é utilizado apenas no 4º Domingo da Quaresma e no 3º Domingo do Advento)

Todos sabemos que a Quaresma é um tempo penitencial, de oração, esmola e caridade, onde a cor litúrgica é o roxo. Todavia, temos, no decorrer deste tempo, um momento de júbilo, onde a cor litúrgica passa do roxo para o rosa. É o chamado “Domingo Laetare”, ou “Domingo da Alegria”, Mas, você sabe o porque?

O IV Domingo da Quaresma recebe estes nomes porque assim começa, neste dia, a Antífona de Entrada da Eucaristia: Laetare, Ierusalem, et conventum facite omnes qui diligites eam; gaudete cum laetitia, qui in tristitia fuistis; ut exsultetis, et satiemini ab uberibus consolationis vestrae” (“Alegrai-vos, Jerusalém, reuni-vos, todos que a amais; regozijai-vos com alegria, vós que estivestes na tristeza; exultai e sereis saciados com a consolação que flui de seu seio”), conforme Isaías 66, 10-11.

A cor litúrgica passa do roxo para o rosa para representar a alegria pela proximidade da Páscoa.

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Parte da Homilia do Papa Bento XVI na Quarta-feira de Cinzas de 2012

“O número quarenta aparece antes de tudo na história de Noé.
Por causa do dilúvio, este homem justo transcorre quarenta dias e quarenta noites na arca, juntamente com a sua família e com os animais que Deus lhe tinha dito que levasse consigo. E espera outros quarenta dias, depois do dilúvio, antes de tocar a terra firme, salva da destruição (cf. Gn 7, 4.12; 8, 6). Depois, a próxima etapa: Moisés permanece no monte Sinai, na presença do Senhor, quarenta dias e quarenta noites, para receber a Lei. Durante todo este tempo, jejua (cf. Êx 24, 18). Quarenta são os anos de viagem do povo judeu do Egito para a Terra prometida, tempo propício para experimentar a fidelidade de Deus. “Recorda-te de toda essa travessia de quarenta anos que o Senhor, teu Deus, te fez sofrer no deserto… As tuas vestes não envelheceram sobre ti, e os teus pés não se magoaram durante estes quarenta anos”, diz Moisés no Deuteronômio, no final destes quarenta anos de migração (Dt 8, 2.4). Os anos de paz de que Israel goza sob os Juízes são quarenta (cf. Jz 3, 11.30) mas, transcorrido este tempo, começa o esquecimento dos dons de Deus e o retorno ao pecado. O profeta Elias emprega quarenta dias para chegar ao Horeb, o monte onde se encontra com Deus (cf. 1 Rs 19, 8). Quarenta são os dias durante os quais os cidadãos de Nínive fazem penitência para obter o perdão de Deus (cf. Gn 3, 4). Quarenta são também os anos dos reinos de Saul (cf. At 13, 21), de David (cf. 2 Sm 5, 4-5) e de Salomão (cf. 1 Rs 11, 41), os três primeiros reis de Israel. Também os Salmos apresentam o significado bíblico dos quarenta anos, como por exemplo o Salmo 95, do qual ouvimos um trecho: “Se ouvísseis hoje a sua voz: “Não endureçais os vossos corações como em Meriba, como no dia de Massá no deserto, quando os vossos pais me provocaram e me puseram à prova, apesar de terem visto as minhas obras. Durante quarenta anos essa geração desgostou-me, e Eu disse: é um povo de coração obstinado, que não compreendeu os meus caminhos!”” (vv. 7c-10). No Novo Testamento Jesus, antes de começar a vida pública, retira-se no deserto por quarenta dias, sem comer nem beber (cf. Mt 4, 2): alimenta-se da Palavra de Deus, que utiliza como arma para derrotar o diabo. As tentações de Jesus evocam as que o povo judeu enfrentou no deserto, mas que não soube vencer. Quarenta são os dias durante os quais Jesus ressuscitado instrui os seus, antes de subir ao Céu e enviar o Espírito Santo (cf. At 1, 3).
Com este recorrente número quarenta é descrito um contexto espiritual que permanece atual e válido, e a Igreja, precisamente mediante os dias do período quaresmal, tenciona conservar o seu valor perdurável e fazer com que a sua eficácia esteja presente. A liturgia cristã da Quaresma tem a finalidade de favorecer um caminho de renovação espiritual, à luz desta longa experiência bíblica e sobretudo para aprender a imitar Jesus, que nos quarenta dias transcorridos no deserto ensinou a vencer a tentação com a Palavra de Deus. Os quarenta anos da peregrinação de Israel no deserto apresentam atitudes e situações ambivalentes. Por um lado, eles são a estação do primeiro amor com Deus e entre Deus e o seu povo, quando Ele falava ao seu coração, indicando-lhe continuamente o caminho a percorrer. Deus tinha, por assim dizer, feito morada no meio de Israel, precedia-o dentro de uma nuvem ou de uma coluna de fogo, providenciava cada dia à sua alimentação, fazendo descer o maná e brotar a água da rocha. Portanto, os anos que Israel passou no deserto podem ser vistos como o tempo da eleição especial de Deus e da adesão a Ele por parte do povo: o tempo do primeiro amor. Por outro lado, a Bíblia mostra também mais uma imagem da peregrinação de Israel no deserto: é inclusive o tempo das tentações e dos maiores perigos, quando Israel murmura contra o seu Deus e gostaria de voltar ao paganismo e constrói para si os próprios ídolos, porque sente a exigência de venerar um Deus mais próximo e tangível. É também o tempo da revolta contra o Deus grande e invisível.
Esta ambivalência, tempo da proximidade especial de Deus – tempo do primeiro amor – e tempo da tentação – tentação da volta ao paganismo – encontramo-la de modo surpreendente no caminho terreno de Jesus, naturalmente sem qualquer compromisso com o pecado. Depois do baptismo de penitência no Jordão, no qual assume sobre Si o destino do Servo de Deus que renuncia a Si mesmo e vive pelos outros e insere-se entre os pecadores para assumir sobre si o pecado do mundo, Jesus vai ao deserto para aí permanecer por quarenta dias em profunda união com o Pai, repetindo assim a história de Israel, todos aqueles ritmos de quarenta dias ou anos aos quais me referi. Esta dinâmica é uma constante na vida terrena de Jesus, que procura sempre momentos de solidão para rezar ao seu Pai e permanecer em íntima comunhão, em íntima solidão com Ele, em comunhão exclusiva com Ele, e depois voltar para o meio do povo. Mas neste tempo de “deserto” e de encontro especial com o Pai, Jesus encontra-se exposto ao perigo e é acometido pela tentação e pela sedução do Maligno, que lhe propõe um caminho messiânico diferente, distante do desígnio de Deus, porque passa através do poder, do sucesso e do domínio, e não através do dom total na Cruz. Eis a alternativa: um messianismo de poder, de sucesso, ou um messianismo de amor, de doação de si.
Esta situação de ambivalência descreve inclusive a condição da Igreja a caminho no “deserto” do mundo e da história. Neste “deserto” nós, crentes, temos certamente a oportunidade de fazer uma profunda experiência de Deus, que fortalece o espírito, confirma a fé, alimenta a esperança e anima a caridade; uma experiência que nos torna partícipes da vitória de Cristo sobre o pecado e sobre a morte mediante o Sacrifício de amor na Cruz. Mas o “deserto” é também o aspecto negativo da realidade que nos circunda: a aridez, a pobreza de palavras de vida e de valores, o secularismo e a cultura materialista, que fecham a pessoa no horizonte mundano da existência, subtraindo-o a qualquer referência à transcendência. Este é também o ambiente em que o céu acima de nós está obscuro, porque coberto com as nuvens do egoísmo, da incompreensão e do engano. Não obstante isto, também para a Igreja contemporânea o tempo do deserto pode transformar-se em tempo de graça, porque temos a certeza de que até da rocha mais dura Deus pode fazer brotar a água viva que sacia e revigora. Caros irmãos e irmãs, nestes quarenta dias que nos conduzirão à Páscoa de Ressurreição podemos encontrar nova coragem para aceitar com paciência e com fé todas as situações de dificuldade, de aflição e de prova, na consciência de que das trevas o Senhor fará nascer o novo dia. E se formos fiéis a Jesus, seguindo-O no caminho da Cruz, o mundo luminoso de Deus, o mundo da luz, da verdade e da alegria ser-nos-á como que restituído: será a nova aurora criada pelo próprio Deus. Bom caminho de Quaresma para todos vós! No final da audiência geral, o Sumo Pontífice dirigiu-se aos fiéis presentes, pronunciando em português as seguintes palavras.

A minha saudação amiga para o grupo escolar da Lourinhã e todos os peregrinos presentes de língua portuguesa. A Virgem Maria tome cada um pela mão e vos acompanhe durante os próximos quarenta dias que servem para vos conformar ao Senhor ressuscitado. A todos desejo uma boa e frutuosa Quaresma! “

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Batismo (Formação) Parte 3 – Final

Pastoral do Batismo (Formação 3/3) 

Ultimo Encontro – Porque batizar? Como será a cerimônia? Orientações.

Ambientação: Flores, velas, Bíblia, água

Apoio: Mesa com café, suco, água, bolacha, bolo

No primeiro momento podemos começar com o Abraço da Paz para que todos se descontraiam.

Depois fazer uma oração do Pai Nosso e Ave Maria e colocar uma música para se refletir, onde todos podem ler a letra enquanto a música toca e depois dizer rapidamente uma frase que chamou atenção na música. Sugiro Deus é mais.

Depois podemos com todos sentados entrar no tema:

Porque batizar?

Quem vem pedir o Batismo para seus filhos e quem aceita a missão de ser padrinho ou madrinha deve ter a certeza no seu coração de estar fazendo a escolha certa, e não porque é uma tradição familiar. O Batismo não tem poderes mágicos, a criança não vai parar de ser bagunceira ou estar livre de qualquer doença. Para ela parar de ser bagunceira os pais devem educá-la e brincar com ela. Para evitar doenças devem levar para vacinar e cuidar com o tempo frio agasalhando, com o calor dando água.

O Batismo é sim a porta de entrada para a igreja, para a casa de Deus, e dai por diante se construir uma vida baseada nos ensinamentos de Cristo.

O que vemos são alguns, nem todos, pais ou padrinhos que vem na igreja para o batizado, filmam, tiram fotos e tudo se acaba ai. Cadê a participação nas missas? Cadê a participação efetiva na vida dos afilhados? Cadê a amizade?

Deus sempre vai te dar a oportunidade de se estar na casa dele, mas resta a cada um fazer isso.

A celebração do Batismo é feita geralmente durante a missa justamente para que toda a comunidade conheça seus novos membros e seja testemunha.

Importante prestar atenção no dia da Celebração do Batismo

Todos devem chegar no mínimo com 30 minutos de antecedência e de preferência os pais e padrinhos devem chegar juntos para evitar contratempos.

O Batizando, principalmente se for criança, deve tomar água antes, ir no banheiro antes, estar alimentada e descansada. Também deve estar com uma roupa confortável. Muita gente coloca uma roupa apertada na criança ou uma roupa que faz calor demais ou que não aquece (em dias frios). A veste deve ser branca ou clara, mas não pode causar desconforto na criança.

Pais e padrinhos devem evitar roupas mais escuras ou que não condizem com o ambiente da missa (no caso das mulheres decotes ou roupas curtas e homens com bermudas ou shorts ou camiseta regata), além de roupas com símbolos ou estampas que não não estejam de acordo com a igreja.

Fotos e filmagens

Vivemos sempre a questão das fotos e filmagens, e com a ascensão dos celulares a mania de se querer filmar ou fotografar tudo. nada impede que isso seja feito, porém de maneira ordeira. O aconselhável é que não seja nem os pais e nem os padrinhos que atuem como fotógrafos ou câmeras- mans, então deve-se escolher algum amigo ou parente para fazer isso e que não atrapalhe a celebração jã que ela é o ponto mais importante de tudo. Por isso deve-se respeitar os momentos de se tirar fotos, já vi gente levantando no meio da missa para fazer pose, e gente pedindo para o padre repetir o momento do batizado porque “perdeu” a chance de filmar (ridículo e atrapalha os demais).

Duração da Celebração

Um conselho: Não vá com pressa para a celebração do Batismo!

Primeiro porque é um dia importante para sua família, padrinhos e seu filho.

Reserve no mínimo 2h30min para isso.

Muita gente prepara uma festa (justa até) e fica mais preocupada com ela do que com a festa da celebração. Ai não presta atenção e perde a chance de vivenciar algo especial, acaba estressado e frustado. A missa vai durar o tempo necessário e devemos nos preparar para isso

Que elementos são usados no Batismo e o que significam?

Água, óleo, roupas brancas, círio: conheça o significado de cada um destes elementos e sua importância ao longo de toda a vida dos batizados

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É muito necessário explicar o sentido dos elementos materiais usados no rito do batismo. A linguagem verbal, as palavras, leituras e cânticos da celebração do batismo são excelentes, abundantes e fáceis de compreender, ainda que às vezes precisem de explicações.

No entanto, a linguagem não verbal, ou seja, dos sinais, gestos simbólicos e elementos como a água, o óleo e a luz precisam de uma explicação detalhada para que se compreenda por que são usados e que efeitos espirituais produzem em quem os recebe com fé.

Convém explicar estes símbolos para descobrir as realidades espirituais que significam e realizam realmente. Tais sinais precisam ser autênticos, verdadeiros e não fictícios, “adaptados à capacidade dos fiéis e, em geral, não devem requerer muitas explicações” (SC 34).

No batismo, são utilizados, além da água: o óleo dos catecúmenos, o crisma, a veste branca e o círio aceso. São sinais claros que simbolizam realidades espirituais.

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água é a principal matéria do batismo. O óleo dos catecúmenos recorda aquele utilizado pelos atletas antes das competições, para ficar mais fortes, ágeis e alegres.
Este óleo aplicado no peito é como um escudo que afasta o demônio e defende a fé. Tudo o que se recebe no batismo não é apenas simbólico, mas real, e vai se tornando eficaz ao longo da vida.

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crisma é o óleo perfumado, consagrado pelo bispo na Páscoa, e serve para consagrar e marcar o cristão como pessoa sagrada, pertencente à família de Deus.

Tal óleo é usado no batismo, na confirmação e na ordenação sacerdotal. Em teologia, diz-se que ele “imprime caráter”, ou seja, marca, sela para sempre; por isso, estes são sacramentos que não se repetem.

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roupa branca às vezes é representada apenas por um véu sobre a cabeça. Para expressar seu sentido, deveria ser um vestido novo ou túnica branca, que recorda as túnicas brancas que os batizados recebiam na Páscoa, nos primeiros tempos do cristianismo. As vestes brancas simbolizam a limpeza e a dignidade de vida do cristão, ajudado pela palavra e pelo exemplo dos seus.

vela acesa que se entrega aos padrinhos lhes recorda e dá a capacidade para fazer que Cristo, que é a luz do mundo, ilumine o afilhado com a fé, por meio das palavras, do exemplo e da ajuda dos padrinhos.

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compromisso dos padrinhos é muito sério, pois eles devem substituir os pais, caso cheguem a faltar, na parte material e espiritual, para que seus afilhados mantenham a fé.

Rito do Batismo

(o rito do batismo consta do Missal Romano mas pode ser adaptado a diversas situações conforme o padre determinar, obedecendo as partes essenciais)

Vale relembrar o Batismo pode ser realizado durante á celebração da Santa Missa após a homilia e o Credo ou fora da Santa Missa.

Canto de entrada

Acolhida aos pais, padrinhos, familiares, amigos e assembleia


O Sacerdote aos pés do altar diz:

Celebrante: Irmãos caríssimos:
Invoquemos a misericórdia de Nosso Senhor Jesus
Cristo para estas crianças, que vão receber a graça do
Batismo, e também para seus pais e padrinhos e para
todos os batizados.

Queridos pais e mães, vocês transmitiram a vida a estas crianças e as
receberam  como um dom de Deus, um verdadeiro presente. Que nome vocês escolheram para elas?

(Pais ou os padrinhos diz o nome da criança em voz alta, casos de adultos estes mesmos o fazem)

Celebrante: Queridos pais e mães, o que vocês pedem à Igreja de Deus para os seus filhos?

Resposta dos pais e padrinhos: o Batismo.

Celebrante: Pelo Batismo essas crianças vão fazer parte da Igreja. Vocês querem ajuda-las a crescer na fé, observando os Mandamentos e vivendo na comunidade dos seguidores de Jesus?

Resposta dos pais e padrinhos: Sim, queremos.

Celebrante:  Padrinhos e madrinhas, vocês estão dispostos a colaborar com os pais em sua missão?

Resposta dos pais e padrinhos: Sim, estamos.

Celebrante: E todos vocês, queridos irmãos e irmãs aqui reunidos, querem ser uma comunidade de fé e de amor para essas crianças?

Todos: Sim, queremos.

Celebrante: Pelo mistério da vossa morte e ressurreição, fazei renascer estas crianças nas águas do Batismo e agregai-as à santa Igreja.

Todos: Amém. 

O celebrante faz o Sinal da Cruz no batizando

Rito da Palavra

1ª Leitura: Gl 3, 26-28  – “Vós todos que fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo…”

Salmo Responsorial – Sl 22 – O Bom Pastor.

Evangelho – Jo 3,1-6 – “Em verdade Eu vos digo se alguém não nasce da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus”

(Toda esta parte é feita se for uma celebração fora da missa diária ou dominical, algumas Paróquias realizam a Celebração do Batismo em horários e dias diferentes dos horários das Missas ordinárias)

O Sacerdote unge á Criança no peito e reza a seguinte oração:

Celebrante: Deus todo-poderoso e eterno, que enviastes ao mundo o vosso filho
para expulsar de nós o poder de Satanás, espírito do mal, e transferir o homem,
arrebatado às trevas, para o reino admirável da vossa luz, humildemente vos pedimos que estas crianças, seja sinal do mistério da salvação de nosso Senhor Jesus Cristo
Por Cristo nosso Senhor.

Todos: Amém.

Celebrante: O poder de Cristo Salvador vos fortaleça, Ele que vive e reina por todos os séculos.

T: Amém.

O Sacerdote abençoa a água dizendo:

Celebrante: Senhor nosso Deus: Pelo vosso poder invisível, realizais maravilhas nos vossos sacramentos. Ao longo dos tempos preparastes a água para manifestar a graça do Batismo.

Logo no princípio do mundo, o vosso Espírito pairava sobre as águas,
prefigurando o seu poder de santificar e purificar.  Por Isto nos vos suplicamos,
que abençoeis esta água sinal de vossa Graça.Por Cristo nosso Senhor.

Todos: Amém

O Sacerdote ira questionar aquele que será batizado dizendo:

Celebrante: Caríssimo,no sacramento do Batismo, as crianças por vós apresentadas
vão receber do amor de Deus uma vida nova, pela água e pelo Espírito Santo.

Celebrante: Dizei-me, pois: Renunciais a Satanás E a todas as suas obras ?

Resposta dos pais e padrinhos: Sim,renuncio.

Celebrante: Dizei-me, pois: Renunciais ao pecado, para viverdes na liberdade dos filhos de Deus?

Resposta dos pais e padrinhos: Sim,renuncio.

Celebrante: Credes em um só Deus pai todo poderoso Criador do céu e da terra e suas obras ?

Resposta dos pais e padrinhos: Sim,Creio

Celebrante: Credes no Espírito Santo, na santa Igreja católica, esposa de Cristo ?

Resposta dos pais e padrinhos: Sim,Creio

Celebrante: Prometes lealdade e obediência aquele que é o sucessor de São Pedro o Papa Francisco e a santa Igreja em seus ensinamentos ?

Resposta dos pais e padrinhos: Sim,Prometo

O Sacerdote conclui com a seguinte oração:

Celebrante: Esta é a nossa fé. Esta é a fé da Igreja, que nos gloriamos de professar,
em Jesus Cristo, Nosso Senhor e para o bem do ministério apostólico.

Todos: Amém

O Sacerdote batiza,derramando a água sobre a cabeça do jovem,dizendo:

Celebrante: Nome do batizando, eu te batizo em nome do Pai, e do Filho , e do Espírito Santo.

Neste momento é costume de muitas paróquias presentear o batizado com uma toalhinha branca para secar a cabeça e esta fica de lembrança, caso não seja costume na comunidade deve-se lembrar de pedir para os pais ou padrinhos trazerem uma toalhinha.

Unção pós-batismal

Celebrante: Eu te batizo para que seja Sacerdote, Profeta e Rei. Unção com o óleo perfumado do Santo Crisma sobre a fronte do batizado, significa que as crianças pelo Batismo, se tornaram Sacerdotes (consagraram suas vidas a Deus), Profetas (anunciadores do Evangelho) e Reis (herdeiros do Reino dos Céus).

O Sacerdote ascendendo a vela no círio e entregando ao batizado (em casos de crianças são os padrinhos quem seguram a vela) diz:

Celebrante: Recebei a luz de Cristo.

O Sacerdote reza a seguinte oração:

Celebrante: O Senhor Jesus, que fez ouvir os surdos e falar os mudos, vos dê a graça de, em breve, poderdes ouvir a sua palavra e professar a fé,para louvor e glória de Deus Pai.
Por Cristo nosso Senhor

Todos: Amém

Celebrante: Revesti-vos do Cristo,sejais o Cristo vai e anuncia o evangelho a todas as nações.

O Sacerdote da a bênção final,caso seja fora da santa missa:

Celebrante: O Senhor esteja convosco!

Todos. Ele está no meio de nós.

Celebrante: Abençoe-vos o Deus Todo-poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo.

Todos. Amém.

Celebrante: O Divino Auxílio permaneça sempre convosco!

Todos. E com nossos irmãos e irmãs ausentes.

Celebrante: Ide em paz e o Senhor vos acompanhe!

Todos: Graças a Deus.

Caso o batismo seja durante a santa missa, esta prossegue da preces dos fieis.

O Batizado pode usufruir da palavra após a oração pós-comunhão. (em casos de adultos,e combinados com o padre)

Alguns padres ainda usam estas duas ultimas partes porém não tem sido comum

Entrega
do sal (opcional) – Vocês são o sal da terra e a luz do mundo.

Éfeta (opcional)
– O celebrante tocando a boca e os ouvidos da criança diz: ” O Senhor Jesus que
fez os surdos ouvirem e os mudos falarem, lhes conceda que possa logo ouvir sua
Palavra e professar a fé para louvor e glória de Deus Pai.” Amém.

Canto final: Perto Quero Estar

Oração final e despedida.

Aprofundamento:

O Símbolo Batismal mais importante é a “Água”.

No início do mundo o ESPÍRITO DE DEUS pairava sobre as águas, das quais emergem a terra e todos os seres vivos. À semelhança do que aconteceu na criação, das águas do Batismo santificadas pelo ESPÍRITO SANTO emerge uma nova criatura. A Mãe Igreja, pelas águas do Batismo, fecundadas pelo Divino ESPÍRITO SANTO, dá à luz novos filhos. JESUS fala deste novo nascimento no diálogo com Nicodemos. (Jo 3, 1-13)

A imagem do dilúvio e do Mar Vermelho confere outro significado à água do Batismo: a água destrói, mata, mas ao mesmo tempo é meio de salvação. Como as águas do dilúvio submergiram um mundo pecador, e como as águas do Mar Vermelho afogaram a cavalaria do Faraó que perseguia o povo que fugia da escravidão, assim também as águas batismais destroem o pecado, afogam o inimigo, exterminam e cancela o mal.

A destruição por sua vez é via para a libertação. No dilúvio foram poupados os justos; e das águas do Mar Vermelho saiu um povo livre e em festa. Da mesma forma, das águas do Batismo sai uma pessoa purificada das culpas, libertada da escravidão do pecado e do demônio (terá as tentações do maligno como todas as criaturas, mas não será escravo de satanás).

Assim, a “Água” é apenas um Símbolo, ela não tem a força e nem o poder de purificar o pecado. É o ESPÍRITO SANTO que nela atua em todos os acontecimentos e no momento do Batismo, ELE, com a força e o poder Divino destrói todo o mal que existe e proporciona a alegria de uma nova vida.

“Sinal da Cruz”.

Após o diálogo introdutório em que os Pais pedem o Batismo para a criança, o sacerdote convida-lhes a traçarem o “Sinal da Cruz” na fronte da criança. Este gesto tem grande significação. Ele quer exprimir o primeiro encontro da criança com a fé em JESUS CRISTO e na Salvação pela morte redentora do SENHOR na Cruz. Porque foi pela morte DELE que nos reconciliamos com o PAI ETERNO e fomos inseridos na amizade da SANTÍSSIMA TRINDADE. O Sinal da Cruz relembra esta verdade histórica.

Assim, convidando os Pais a realizarem aquele gesto, o sacerdote está dizendo que a salvação de DEUS vem à criança através da fé dos pais, pois eles, pelo Sacramento do Matrimônio, são constituídos mediadores entre DEUS e o filho, exercendo a função sacerdotal. Os Pais receberam de DEUS pela própria missão criadora e pela graça do Sacramento do Matrimônio, o poder de abençoar os filhos. Por isso, eles são convidados por DEUS a adquirirem o costume de abençoarem os seus filhos enquanto pequenos e quando crescidos.

“Anúncio da Palavra de DEUS”:

Ela ilumina com a verdade revelada os candidatos e a assembléia, suscitando uma resposta de fé. Como o Batismo significa libertação do pecado e do demônio, durante a celebração o celebrante pronuncia um ou vários exorcismos sobre o candidato.

“Unção com Óleo”.

Há dois ritos de Unção no Batismo. A primeira “Unção” é feita antes da “infusão da água”, durante as preces após a Liturgia da Palavra. É a Unção com óleo chamado dos Catecúmenos. O sacerdote unge o peito da criança, dizendo: “O CRISTO SALVADOR te dê sua força. Que ela penetre em tua vida como este óleo em teu peito”.

Este rito pode ser substituído por uma imposição das mãos do celebrante, sobre a cabeça da criança, dizendo as palavras: “O CRISTO SALVADOR te dê Sua força”. É uma invocação ao ESPÍRITO SANTO para que o batizando renuncie ao mal e faça uma boa profissão de fé.

Na parte final do Batizado é feita a segunda “Unção com Óleo da Crisma”. No Antigo Testamento era comum ungir os sacerdotes, reis e profetas. Também CRISTO foi ungido pelo ESPÍRITO SANTO de um modo muito especial. Então esta Unção quer significar que pelo Batismo nos tornamos participantes do poder messiânico de JESUS. E também, conforme a primeira epístola de São Pedro (1 Pd 2, 9-10) nos tornamos raça eleita com CRISTO, reis (rainhas), sacerdotes (sacerdotisas) e profetas (profetisas).

Profetas, porque participantes da salvação em CRISTO, que deveremos anunciar a humanidade por palavras e exemplos de vida. Mostrar que DEUS é Amor através do verdadeiro amor pessoal. Tornamo-nos sacerdotes. Não possuímos o sacerdócio ministerial com o poder de fazer a Consagração na Santa Missa. Mas nos tornamos participantes do sacerdócio de JESUS, pois participamos do novo povo de DEUS na Nova Aliança, sendo assim, parte de um povo sacerdotal capaz de oferecer sacrifícios com CRISTO. Isto porque, recebemos nossa vida como precioso dom de DEUS e assim, devemos oferecê-la em retribuição, em ação de graças ao CRIADOR. Todo cristão pode e deve, em sua vida, orientar todas as coisas para DEUS.

Por fim, pelo Batismo nos tornamos reis, possuidores do Reino de DEUS. Com JESUS vencemos a morte e o pecado e podemos participar da própria vida de DEUS.

“Veste Branca”.

Entre os gestos complementares do Batismo encontramos a entrega da veste branca. Este gesto tem sua origem no Batismo dos Adultos na Igreja primitiva. Ao chegarem à fonte, antes de descerem à água, as pessoas se despiam de suas vestes e eram ungidas. Após professarem sua fé e serem batizadas na piscina, saíam da água e eram revestidas de uma veste branca, simbolizando uma vida nova, despidos de seus pecados e paixões, tornando-se uma criatura nova em CRISTO.

A veste branca ou a veste nova no Batismo quer expressar que pelo Sacramento entramos numa nova vida e esperamos levar esta nova vida até a participação do banquete celestial, onde o SENHOR nos quer encontrar com a veste nupcial da amizade de DEUS.

“A Vela Acesa”.

É um gesto muito significativo. Na cerimônia do Batizado, o celebrante convida os Pais a acenderem no Círio Pascal a vela da sua criança e ele reza a oração: “Pais e Padrinhos, esta luz vos é entregue para que a alimenteis. Por isso, esforçai-vos para que esta criança caminhe na vida iluminada por CRISTO, como filho da luz. Perseverando na fé, possa com todos os santos ir ao encontro do SENHOR, quando Ele vier. Recebei a luz de CRISTO!”

Pelo Batismo somos iluminados, participamos da Luz que é CRISTO. Não mais andamos nas trevas, pois somos filhos de DEUS. A vela acesa pode significar também a nossa fé. Ela mantendo-se acesa mostra que não caminhamos nas trevas do inimigo.

Os Pais se tornam responsáveis para que a criança se torne luz para os outros em sua vida.

“Rito do Éfeta”.

É um rito facultativo, realizado logo após a entrega da vela acesa. É uma palavra aramaica que significa “abre-te”. O Celebrante toca os ouvidos e a boca da criança, dizendo: “O SENHOR JESUS que fez os surdos ouvir e os mudos falar, te conceda que possas logo ouvir a sua palavra e professar a fé, para louvor e glória de DEUS PAI”.

Pelo Batismo, o SENHOR através do ESPÍRITO SANTO, abre os ouvidos do batizando para que ouça e entenda a Palavra de DEUS, solta a sua língua e lhe abre a boca para poder professar a sua fé. Os Pais são os instrumentos desta mensagem, que por sua mediação deverão fazê-la chegar às crianças. Na continuidade, os filhos atingindo o uso da razão poderão dizer: agora eu creio, porque eu mesmo conheço o SENHOR JESUS CRISTO.

“O Sal”.

Na vida das famílias o Sal tem duas grandes finalidades: “dar sabor” e “conservar” os alimentos. Como Símbolo religioso o Sal significa: “ser o tempero, ser o exemplo” que estimulará os irmãos a caminhar na estrada do direito, da justiça e do amor fraterno; “dando sabor” ao apetite humano, para ter fome da Palavra de DEUS.

Todavia, o novo Rito do Batismo de Crianças aboliu o Rito do Sal. A razão principal é por motivo de higiene.

Como derradeira notícia, no Catecismo da Igreja Católica está escrito: “JESUS Mesmo afirma que o Batismo é necessário para a salvação”. Tanto é verdade, que ELE ordenou a seus Discípulos que anunciassem o Evangelho e batizassem todas as nações conforme está escrito no Novo Testamento: Mt 28, 18-20, Mc 16, 15-16, Lc 24, 46-47.

A Igreja não conhece outro meio senão o Batismo para garantir êxito aos que querem entrar na bem-aventurança eterna.

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Leia mais:

Fraternidade e Superação da Violência: Campanha da Fraternidade 2018

Chegou a quarta-feira de cinzas, depois da famigerada festa da carne (Carnaval) é hora de entrarmos de vez na Quaresma, tempo de oração, jejum, reflexão e recolhimento. Diferente da ideia comercial de que temos que comer peixe a todo custo (com isso as peixarias e mercados sobem o preço do alimento), a quaresma é um tempo para estarmos ainda mais unidos a ideia de igreja.

Afinal é a preparação para a memória que fazemos do sacrifício de Jesus Cristo que morreu como cordeiro por nossos pecados e ressuscitou ao terceiro dia.

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Cartaz oficial da CF 2018

Também é na quarta de cinzas que se inicia oficialmente a campanha da Fraternidade, e este ano o tema é: Fraternidade e Superação da Violência com o lema: Vós sois todos irmãos (Mt 23,8).

CF 2018 – FRATERNIDADE E SUPERAÇÃO DA VIOLÊNCIA – “Vós sois todos irmãos” (Mateus 23,8)

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2018

Tema: FRATERNIDADE E SUPERAÇÃO DA VIOLÊNCIA

Lema: “Vós sois todos irmãos” (Mt 23,8)

CRONOGRAMA DA CF 2018

14 de fevereiro de 2018 – QUARTA FEIRA DE CINZAS: Lançamento da CF 2018 em todo o Brasil, em âmbito nacional, regional, diocesano e paroquial, com a mensagem do Papa, da Presidência da CNBB e programas especiais.

REALIZAÇÃO DA CF 2018 – 14 de fevereiro a 25 de março de 2018

DOMINGO DE RAMOS – 25 DE MARÇO DE 2018 – Coleta Nacional da solidariedade (60% para o Fundo Diocesano de Solidariedade e 40% para o Fundo Nacional da Solidariedade).

AVALIAÇÃO DA CF 2018 (POR REGIÕES)– abril a junho de 2018 – no âmbito paroquial de 09 de abril a 13 de maio de 2018. No âmbito Diocesano de 14 de maio a 10 de junho de 2018. No âmbito regional de 11 de junho a primeiro de julho de 2018.

Avaliação nacional da CF 2018: em julho de 2018 

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OBJETIVO GERAL DA CF 2018:

Construir a fraternidade, promovendo a cultura da paz, da reconciliação e da justiça, à luz da Palavra de Deus, como caminho de superação da violência. 

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

  • Anunciar a Boa Nova da fraternidade e da paz, estimulando ações concretas que expressem a conversão e a reconciliação no espírito quaresmal.
  • Analisar as múltiplas formas de violência, especialmente as provocadas pelo tráfico de drogas considerando suas causas e consequências na sociedade brasileira.
  • Identificar o alcance da violência, nas realidades urbana e rural de nosso país, propondo caminhos de superação a partir do diálogo, da misericórdia e da justiça, em sintonia com o Ensino Social da Igreja.
  • Valorizar a família e a escola como espaços de convivência fraterna, de educação para a paz e de testemunho do amor e do perdão.
  • Identificar, acompanhar e reivindicar políticas públicas para a superação da desigualdade social e da violência.
  • Estimular as comunidades cristãs, pastorais, associações religiosas e movimentos eclesiais ao compromisso com ações que levem à superação da violência.
  • Apoiar os centros de direitos humanos, comissões de justiça e paz, conselhos paritários de direitos e organizações da sociedade civil que trabalham para a superação da violência. 

HINO DA CF 2018 

  • Neste tempo quaresmal, ó Deus da vida, a tua Igreja se propõe a superar a violência que está nas mãos do mundo e sai do íntimo de quem não sabe amar (Mc 7,21).

REFRÃO: Fraternidade é superar a violência (Mt 14,1-12-E derramar, em vez de sangue, mais perdão (Jo 20,21-23-É fermentar na humanidade o amor fraterno (Mt 13.33/:Pois Jesus disse que: “somos todos irmãos” (Mt 23,28)

  • Quem plantar a paz e o bem pelo caminho, e cultivá-los com carinho e proteção, não mais verá a violência em sua terra (Is 59,6). Levar a paz é compromisso do cristão (Ef 6,15)
  • Exclusão que leva à morte tanta gente (EG n.59) corrompe vidas e destrói a criação (LS n.70). “ Basta de guerra e violência, ó Deus clemente” (Mq 2,2). É o clamor dos filhos teus em oração.
  • Venha a nós, Senhor, teu Reino de justiça, pleno de paz, de harmonia e unidade (Mt 6,10 e Rm 15,17-15). Sonhamos ver um novo céu e nova terra: Homens na roda da feliz fraternidade (Ap 21,1-7).
  • Tua Igreja tem o coração aberto (EG n.46-49) e nos ensina o amor a cada irmão. Em Jesus Cristo, acolhe e perdoa, quem faz o mal, caiu em si, e quer perdão (Mt 18,21)

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ORAÇÃO DA CF 2018 

Deus e Pai, nós vos louvamos pelo vosso infinito amor e vos agradecemos por ter enviado Jesus, o Filho Amado, nosso irmão.

Ele veio trazer paz e fraternidade à terra e , cheio de ternura e compaixão, sempre viveu relações repletas de perdão e misericórdia.

Derrama sobre nós o Espírito Santo, para que, com o coração convertido, acolhamos o projeto de Jesus e sejamos construtores de uma sociedade justa e sem violência, para que, no mundo inteiro, cresça o vosso Reino de liberdade, verdade e de paz.

RESUMO DO TEXTO BASE CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2018

 VER A REALIDADE DA VIOLÊNCIA

Tendo suas residências guardadas por cercas elétricas, guaritas e vigias, cada vez mais também as pessoas se isolam e sentem nisso uma falsa sensação de segurança. O outro é afastado. Mantêm-se distância não só do inimigo, mas também dos possíveis amigos, como os vizinhos. Eis aí um dos maiores desafios contemporâneos no campo da segurança pública: garantir que as políticas públicas tenham em vista o aumento da solidariedade entre as pessoas, ao invés de enclausurá-las, criando empecilhos ou mesmo impedindo relações interpessoais humanizadas.

UM ALERTA PARA A SOCIEDADE BRASILEIRA:   Apesar de possuir menos de 3% da população mundial, o Brasil responde por quase 13% dos assassinatos do planeta. Em 2014 foram 59.627 mortes (conforme Ipea: consulta em http://www,ipea.gov.br/portal///index.php?option=com_content&id=27412)

AS DIVERSAS FACES DA VIOLÊNCIA – ONDE HÁ PAZ E ONDE HÁ GUERRA NO BRASIL

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 PRIMEIRO FATOR DA PAZ OU DA GUERRA:

Este número expressivo (59.627 mortes violentas no Brasil, em 2014) revela a contradição da imagem que se tem das terras brasileiras como espaço de povo pacato e ordeiro. Normalmente esta ideia surge onde o Estado se faz presente, justamente nos lugares onde residem pessoas endinheiradas, que podem pagar por segurança particular, também  contam com maior presença da segurança estatal. Nas periferias há ausência da segurança estatal ou só acontece quando há uma operação de combate a isso ou aquilo. Nestes ambientes os moradores são entregues a grupos armados, ao tráfico de drogas, etc.

 SEGUNDO FATOR DA SEGURANÇA OU INSEGURANÇA: O dinheiro demarca onde há paz ou guerra no Brasil. Quem pode pagar por segurança privada tem privilégios no espaço urbano. Visto nesta perspectiva, a segurança se torna um privilégio para poucos.

TERCEIRO FATOR DA VIOLÊNCIA NO BRASIL: O acesso à Justiça, na plenitude que a palavra “justiça” pode abarcar, acontece somente para aqueles que podem pagar bons advogados.

UM DADO ALARMANTE PARA REFLETIR:   Mais da metade da população carcerária,  mesmo depois de anos presa, ainda não compareceu diante de um juiz para julgamento.

A CULTURA DA VIOLÊNCIA:  Na cultura da violência costuma-se atribuir a culpa à vítima. Por exemplo, a estuprada é vista como mulher que se veste de forma imoral ou por não se dar ao respeito. O adolescente, por ser drogado, sofre o que merece e, muitas vezes, a morte. A cultura da violência tende a separar os bons dos maus. Comumente os maus estão nas classes inferiores ou em indivíduos situados em circunstâncias muito particulares, tais como imigrantes, migrantes ou os que têm orientação sexual diferenciada.

A CULTURA DA VIOLÊNCIA QUE GERA A POLÍTICA PAUTADA NA VIOLÊNCIA

Existem hoje, no Congresso Nacional, parlamentares identificados com segmentos econômicos e sociais fortemente interessados em propostas potencialmente geradoras de violência. Eis alguns exemplos:

Políticos defendem o uso de arma de fogo pela população civil sustentando tratar-se de um direito natural, o da autopreservação.

A corrupção é a expressão de que o dinheiro está em primeiro lugar, colocando em segundo plano a dignidade da vida humana.

Não há da parte da maioria dos políticos uma efetiva conscientização da população para que participe da atividade política para além do voto. Para inibir a maioria da população na participação política, vários políticos criminalizam os movimentos sociais que têm pontos de vista diversos daqueles que desejam aprovar projetos mais voltados aos interesses econômicos (dinheiro) que ao bem comum dos cidadãos.

AS VÍTIMAS DA VIOLÊNCIA NO BRASIL HOJE

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No mapa da violência 2016 constata-se que morrem muito mais pessoas negras que brancas. Isso pode ser verificado nos homicídios cometidos contra jovens. Em 2011 houve quase 28.000 assassinatos de jovens. Destes, quase 20.000 vítimas eram compostas por jovens negros.

As vítimas mulheres também são significativas na violência. Em 2013 houve 4.762 assassinatos de mulheres, o que significa 13 mulheres mortas por dia no Brasil naquele ano. Numa lista de 83 países, o Brasil ocupa a quinta posição entre as nações que mais assassinam mulheres.  O que é mais preocupante é que grande parte destes assassinatos acontecem no âmbito doméstico.

A pobreza – miséria, na verdade – é uma das piores formas de violência que uma criança pode enfrentar. Toda criança necessita na primeira infância de recursos educacionais, alimento, ambiente saudável e, principalmente, carinho. Infelizmente há casas sem banheiro, onde não se come nem duas vezes por dia. Uma coisa básica: não se tem guarda-roupa para organizar as vestes, que ficam jogadas pelo chão. É desta camada da população que os traficantes de pessoas encontram suas vítimas para a exploração sexual, comércio de órgãos, pornografia infantil, tornando o ser humano numa mercadoria.

Outra face da violência do Brasil atual é o narcotráfico. Os barões internacionais do tráfico são poupados. Pobres, negros e usuários das drogas são presos e jogados em prisões que jamais vão recuperá-los por não ser esta a preocupação central. Os presídios e cadeias brasileiros estão com superlotação de pequenos traficantes com idade entre 18 e 29 anos, cuja maioria não completou o ensino fundamental. Quase 70% das mulheres presas no Brasil estão nos cárceres por conta do tráfico de drogas.

Infelizmente o Brasil não tem uma política pública eficaz de combate às drogas porque a reduziu somente às investidas nos morros ou favelas, esquecendo que a promoção de emprego, cultura, educação e lazer para adolescentes e jovens são elementos vitais para este combate.

INEFICIÊNCIA DO APARATO JUDICIAL PARA O COMBATE À VIOLÊNCIA NO BRASIL

O sistema judicial brasileiro é moroso e seletivo, o que produz resultados negativos como a sensação de impunidade. Por outro lado, são mais de 650 mil presos no Brasil vivendo em condições degradantes e, grande parte, sem uma sentença definitiva por conta da morosidade judicial ou porque, sem recursos, são assessorados por defensores públicos.. Dentro das prisões progridem as organizações criminosas, que se aproveitam da inoperância do sistema judicial cedendo favores e privilégios àqueles que os obedecem na prática dos delitos dentro e fora das prisões.

POLÍCIA E VIOLÊNCIA

Não de pode negar que uma parcela da população deseja uma polícia violenta. São aquelas pessoas que julgam fazer parte da parte “boa” da sociedade. Por isso vibram quando enxergam um criminoso morto. A partir desta ideia muitos policiais reagem de forma violenta, mas muitos terminam mortos por vários fatores. Primeiro porque o Estado lhes oferece equipamentos obsoletos (armas de calibre inferior aos dos meliantes e veículos sem blindagem). Há denúncias, inclusive de coletes à prova de balas vencidos ou de baixa qualidade. Outro fator do aumento do número das mortes de policiais se dá pela baixa remuneração. Muitos militares assumem trabalhos complementares (os bicos de segurança em supermercados, lojas, etc.). Sem os equipamentos, embora obsoletos, quando estão na tropa, sem eles nos trabalhos privados ficam muito mais expostos à possibilidade da morte, uma vez que enfrentam criminosos com fuzis e outras armas potentes.

RELIGIÃO E VIOLÊNCIA:  Infelizmente no Brasil se tem constatado o aumento da violência religiosa promovida pelo fanatismo e a intolerância. As religiões de matiz africanas são as que mais sofrem perseguições e intolerância. O Brasil teve 697 denúncias de intolerância religiosa entre 2011 e 2015. Isso significa que a cada três dias houve algum tipo de violência contra as práticas religiosas africanas no Brasil.

TRÂNSITO E VIOLÊNCIA:  Todo ano, no Brasil, perto de 50.000 pessoas morrem vitimadas pelo trânsito. Muitas destas mortes poderiam ter sido evitadas obedecendo a algumas regras básicas tais como:

  • Se beber não dirija.     
  • Não use celular ao volante. 
  • Respeite o pedestre na faixa de segurança

Porém um dos fatores maiores da violência é a impunidade. Lembremos-nos da morosidade da justiça e dos inúmeros recursos possíveis para levar um julgamento por anos a fio sem que o culpado seja efetivamente punido.

JULGAR A VIOLÊNCIA PELO OLHAR BÍBLICO

  • ANTIGO TESTAMENTO

O primeiro ato de violência apresentado na Bíblia é o rompimento da relação do homem com Deus no paraíso. Este rompimento conduz à convivência violenta manifestada no assassinato de Abel pelo irmão Caim (Gn 4,1-16). A partir deste homicídio, a violência de espalha. Tudo o que foi criado por Deus, que considerou bom, ficou maculado pelo pecado e pela violência do ser humano. Lembremos que Caim ao ser perguntado por seu irmão, respondeu a Deus: “Acaso sou o guarda do meu irmão?” (Gn 4,9). Portanto, podemos concluir que a violência somente poderá ser superada pela reconciliação do homem com Deus e consequente inversão da frase de Caim, entendendo-nos todos como responsáveis uns pelos outros.

Vários textos bíblicos irão proibir o assassinato (Ex 20,13; Dt 5,17) bem como a cobiça da mulher e dos bens alheios (Ex 20,14.17; Dt 5,18.21). Para superar a violência, o ser humano deverá estar sempre com a verdade (Ex 20,16; Dt 5,20). A Lei de talião (olho por olho, dente por dente – Ex 21,24; Lv 24,20) estabeleceu uma justiça proporcional ao mal praticado, sem que houvesse uma vingança exagerada.

Outros textos da Sagrada Escritura motivam à acolhida ao estrangeiro (Ex 23,9), assim como a superar o ódio contra o irmão (Lv 19,17). O que Jesus falou, já havia sido dito tempos antes: “Amarás a teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19,18).

Os profetas é que irão refletir com mais propriedade a violência estabelecendo suas causas e eventuais remédios para combatê-la.  Ao enfrentar a violência muitos profetas a sofreram, como foi o caso de Jeremias mantido numa cisterna como prisioneiro (Jr 37-38). Elias teve que fugir para o deserto para escapar (1Rs 19,2). Amós foi expulso do santuário de Betel (Am 7.10-17). Para a superação da violência os profetas convidam seus contemporâneos para a prática da justiça e da compaixão (Am 5,24; Jr 22,3). Isaías apresenta a receita do remédio para a violência de forma explícita: “Lavai-vos, limpai-vos, tirai da minha vista as injustiças que praticais. Parai de fazer o mal, aprendei a fazer o bem, buscai o que é correto, defendei o direito do oprimido, fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva” (Is 1,16-17). Mais adiante Isaías diz que o fruto da justiça será a paz, que trará tranquilidade e segurança duradouras (Is 32,16-18).

Os livros Sapienciais apresentam de forma mais madura a superação da violência:

“Não trames o mal contra o amigo, quando ele vive contigo cheio de confiança. Não abras processo contra alguém sem motivo, se não te fez mal algum. Não invejes a pessoa injusta e não imites nenhuma de suas atitudes, pois o Senhor detesta o perverso” (Pr 3,29-32). Veja também Pr 4,14; 12,20; 13,2; 25,21).

Quase um terço dos 150 Salmos da Bíblia trata sobre a violência individual e testemunham a dor e a devastação causada pelos violentos (Veja como exemplo os Sl 7,2-3; Sl 10,7-8; Sl 27,12).

  • NOVO TESTAMENTO

À luz da palavra definitiva de Deus que nos é dada por Jesus é que toda a delicada temática da violência e da vingança na Bíblia recebe uma palavra definitiva. Jesus diz:

“Ouvistes o que foi dito: amarás a teu próximo e odiarás a teu inimigo. Eu vos digo: Amai os vossos inimigos e orais pelos que vos perseguem. Assim vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus; pois ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e cair a chuva sobre injustos e justos. Se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Os publicanos não fazem a mesma coisa? E se saudais somente os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? Sede, portanto, perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,43-48).

A perfeição solicitada em Mateus é dita no Evangelho de Lucas como misericórdia (Lc 6,35). Jesus propõe algo maior que a mera vingança. Diz o Filho de Deus:

Ouvistes o que foi dito: olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo: não ofereçais resistência ao malvado. Pelo contrário, se alguém te bater na face direita. Oferece-lhe também a esquerda” (Mt 5,38-42).

Nas bem-aventuranças, Jesus declara que aqueles que promovem a paz serão chamados filhos de Deus (Mt 5,9). A promoção da paz se torna ministério de todo cristão, uma paz deixada por Jesus:

“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou. Não é à maneira do mundo que eu a dou” (Jo 14,27).

Nas palavras de Jesus podemos encontrar a fonte da qual nasce a violência:

“Nada que, de fora, entra na pessoa pode torná-la impura. O que sai da pessoa é que a torna impura. Pois é de dentro do coração humano que saem as más intenções: imoralidade sexual, roubo, homicídios, adultérios, ambições desmedidas, perversidades, fraude, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, insensatez. Todas estas coisas saem de dentro e são elas que tornam alguém impuro” (Mt 7,14-15.21-23).

É, pois, o coração do homem que precisa ser pacificado para que possa superar a ideia que o outro é um risco a ser eliminado. A superação da violência passa necessariamente pela conversão dos atos do homem que pressupõe uma conversão do seu coração. A espiritualidade é apontada como um instrumento necessário para este processo:

“Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem” (Mt 5,44).

“…brilhe a vossa luz diante das pessoas, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,16).

Em todos estes casos a oração e a confiança em Deus são as únicas armas utilizadas pelos não violentos.

O FILHO VENCE A VIOLÊNCIA PELO AMOROSO DOM DE SI

Para os cristãos, a superação da violência se baseia em sua profissão de fé, que começa afirmando:

“Creio em Deus, Pai todo poderoso, criador do céu e da terra”.

A confissão de fé em um Pai comum é a semente da fraternal convivência entre os seres humanos. Malaquias já anunciava esta comum paternidade dizendo:

“Acaso não temos nós o mesmo Pai? Não foi o mesmo Deus quem nos criou? Por que, então, nos enganamos uns aos outros?” (Ml 2,10.16b)

A violência testemunhada desde o fratricídio de Abel por Caim é assumida por Jesus em seu corpo. Ele transforma a violência sofrida em amor ofertado. Diz São Pedro:

“Quando injuriado, não retribuía as injurias; atormentado, não ameaçava. Carregou nossos pecados em seu próprio corpo, sobre a cruz, a fim de que, mortos para os pecados, vivamos para a justiça” (1 Pd 2,23-24).

A IGREJA CONVIDA A PROMOVER A CULTURA DO DIÁLOGO

O Concílio Vaticano II diz:

“Para edificar a paz é preciso eliminar as causas das discórdias entre os homens, que são as que alimentam as guerras e, sobretudo, as injustiças. Muitas delas provêm das excessivas desigualdades econômicas e do atraso em lhes dar os remédios necessários. Outras nascem do espírito de dominação e do desprezo pelas pessoas” (GS n. 83).

Preocupado com a violência crescente, o então Papa Paulo VI, agora beatificado, criou em 1968 a comemoração do dia mundial pela paz, celebrado sempre no primeiro dia do ano. Na mensagem para o primeiro dia mundial da paz o Beato Paulo VI falou da necessidade de um espírito novo, um novo modo de pensar o homem e seus deveres e o seu destino, o qual por sua vez, se constrói com uma nova pedagogia: a educação das novas gerações para o respeito mútuo, para a fraternidade e para a colaboração entre as pessoas, em vista do progresso e do desenvolvimento. Nesta ocasião, em vista disso, indica um conjunto de valores: a sinceridade, a justiça, o amor, a liberdade das pessoas e dos povos, o reconhecimento dos direitos da pessoa humana e da independência das nações. E proclama com convicção:

“… do Evangelho pode brotar a paz, não para tornar os homens fracos e moles, mas para substituir nas suas almas os impulsos da violência e da prepotência pelas virtudes viris da razão e do coração dum humanismo verdadeiro!”

Na celebração do dia mundial da paz de 2017 o Papa Francisco disse:

“Todos nós desejamos a paz; muitas pessoas a constroem todos os dias com pequenos gestos; muitos sofrem e suportam pacientemente a dificuldade de tantas tentativas para construí-la”.

A campanha da fraternidade deste ano nos convoca a viver a prática de Jesus no exercício dos pequenos gestos que o Papa Francisco destaca na ação do Filho de Deus:> a escuta, a saída missionária, o acolhimento, o diálogo, o anúncio da paz e a denúncia da violência na dimensão pessoal e social. A lógica do amor é o único instrumento eficaz diante das ações violentas

Na busca da superação da violência como seguimento de Jesus Cristo vale lembrar que em 2007 foi beatificado como mártir o leigo austríaco Franz Jagerstatter, casado e pai de família. Ele rejeitou prestar qualquer tipo de colaboração e de apoio aos nazistas, Foi por isso condenado à morte e decapitado em 09/08/1943. Sua beatificação repropõe o convite a resistir a toda forma de violência e a consagrar todos os esforços possíveis pela causa da paz.

AGIR – AÇÕES PARA A SUPERAÇÃO DA VIOLÊNCIA

Um agir que supera a violência tem como fundamento o Evangelho que aponta para a grandeza da vida e a beleza do viver. Testemunhar a beleza da vida e a graça de vivermos todos como irmãos! Essa verdade do Evangelho deveria ecoar em nossos corações, em nossas comunidades e em nossa sociedade.

Por isso, a Campanha da Fraternidade de 2018 nos convoca a viver a prática de Jesus no exercício da escuta, da saída missionária, do acolhimento, do diálogo, do anúncio e da denúncia da violência na dimensão pessoal e social. A lógica do amor é o único instrumento eficaz diante das ações violentas.

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PISTAS DE AÇÃO CONCRETA:

A Igreja está intimamente ligada às pessoas, à sua história e aos acontecimentos que marcam a vida de todos. Fiel a Jesus Cristo, que quer que todos os povos sejam seus discípulos e vivam o mandamento do amor, para isso é preciso trilhar um caminho feito de passos como:

– A comunidade insira o tema da paz em sua liturgia e oração

– Articular por meio do Ecumenismo e do diálogo inter-religioso, momentos de oração pela paz em lugares simbólicos.

– Conhecer as realidades próximas da comunidade que apresentem conflitos, para um discernimento sobre as melhores soluções e contribuições possíveis.

– Acompanhar famílias, jovens, grupos de bairros rivais, escolas com incidência de conflitos em vista de superá-los.

– Incluir o tema da superação da violência nos programas de formação para a Iniciação Cristã, Catequese e Pastoral Juvenil.

– Promover uma Pastoral Familiar capaz de ajudar cada família a superar os problemas da violência doméstica.

– Utilizar os meios de formação como homilia, catequese, encontros, cursos, escolas da fé, para aprofundar temas relativos à superação da violência, a fim de atingir as pessoas que participam da vida da comunidade cristã.

CONCLUSÃO

Fraternidade e superação da violência indica um caminho. A misericórdia, sem dúvida, indica caminhos novos e desafiadores: “Amai os vossos inimigos e fazei o bem aos que vos odeiam. Falai bem dos que falam mal de vós e orai por aqueles que vos caluniam. Se alguém te bater numa face, oferece também a outra. Amai os vossos inimigos, fazei o bem e prestai ajuda sem esperar nada em troca. Sereis filhos do Altíssimo, porque Ele é bondoso também para com os ingratos e maus. Sede misericordiosos como vosso pai é misericordioso” (Lc 6,27-29.35-36).

A Campanha da Fraternidade, abordando a realidade, nos provoca a sermos construtores da paz e gestores da fraternidade. Superar a violência é tarefa de todo cristão, pois recebemos o mandamento do amor como vocação e missão. Fomos em Cristo adotados como filhos e filhas, recebemos a dignidade filial (Gl 4,5). Superamos a violência quando fomos tomados pela paternidade de Deus e pela filiação em Jesus. Em Cristo, somos todos irmãos.

(Extraído do Texto de apoio para estudo Paroquial – Padre Tarcísio Spirandio – Paróquia Santo Antonio e Nossa Senhora Aparecida – Itatiba Diocese de Bragança Paulista – SP. )

Leia também:

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Na história do desenvolvimento da Campanha da Fraternidade seguiu-se dentro de algumas fases que se confundem também com a História da Igreja Católica e com a História recente da sociedade brasileira.

1ª Fase: Em busca da Renovação Interna da Igreja

Renovação da Igreja

ANO TEMA LEMA
1964 Igreja em Renovação Lembre-se: Você também é Igreja
1965 Paróquia em Renovação Faça de sua paróquia uma comunidade de fé, culto e amor

Renovação do Cristão

ANO TEMA LEMA
1966 Fraternidade Somos responsáveis uns pelos outros
1967 Co-responsabilidade Somos todos iguais, somos todos irmãos
1968 Doação Crer com as mãos!
1969 Descoberta Para o outro, o próximo é você
1970 Participação Ser Cristão é Participar
1971 Reconciliação Reconciliar
1972 Serviço e Vocação Descubra a felicidade de servir

2ª Fase: A Igreja preocupa-se com a realidade social do povo, denunciando o pecado social e promovendo a justiça

ANO TEMA LEMA
1973 Fraternidade e libertação O egoísmo escraviza, o amor liberta
1974 Reconstruir a casa Onde está teu irmão?
1975 Fraternidade é repartir Repartir o Pão
1976 Fraternidade e Comunidade Caminhar juntos
1977 Fraternidade na Família Comece em sua casa
1978 Fraternidade no mundo do trabalho Trabalho e justiça para todos
1979 Por um mundo mais humano Preserve o que é de todos
1980 Fraternidade no mundo das Migrações, Exigência da Eucaristia Para onde vais?
1981 Saúde e Fraternidade Saúde para todos
1982 Educação e Fraternidade A verdade vos libertará
1983 Fraternidade e Violência Fraternidade sim, violência não
1984 Fraternidade e Vida Para que todos tenham vida

3ª Fase: A Igreja volta-se para situações existenciais do povo Brasileiro

ANO TEMA LEMA
1985 Fraternidade e Fome Pão para quem tem fome
1986 Fraternidade e Terra Terra de Deus, Terra de irmãos
1987 Fraternidade e o Menor Quem acolhe o menor, a mim acolhe
1988 Fraternidade e o Negro Ouvi o clamor deste povo!
1989 Fraternidade e a Comunicação Comunicação para a verdade e a paz
1990 Fraternidade e a Mulher Mulher e Homem: Imagem de Deus
1991 A Fraternidade e o Mundo do Trabalho Solidários na dignidade do Trabalho
1992 Fraternidade e Juventude Juventude – caminho aberto
1993 Fraternidade e Moradia Onde moras?
1994 Educação e a Família A Família, como vai?
1995 A Fraternidade e os Excluídos Eras tu, Senhor?!
1996 Fraternidade e Política Justiça e Paz se abraçarão
1997 A Fraternidade e os Encarcerados Cristo liberta de todas as prisões
1998 Fraternidade e Educação A Serviço da Vida e da Esperança
1999 Fraternidade e os desempregados Sem trabalho…Por quê?
2000 Dignidade Humana e Paz (ecumênica) Novo Milênio sem Exclusões
2001 Fraternidade e as Drogas Vida sim, Drogas não
2002 Fraternidade e Povos Indígenas Por uma terra sem males
2003 Fraternidade e Pessoas Idosas Vida, Dignidade e Esperança
2004 Fraternidade e Água Água, fonte de Vida
2005 Solidariedade e Paz (ecumênica) Felizes os que promovem a Paz
2006 Fraternidade e Pessoas com Deficiência Levanta-te, vem para o meio!
2007 Fraternidade e Amazônia Vida e Missão neste chão
2008 Fraternidade e Defesa da Vida Escolhe, pois, a Vida
2009 Fraternidade e Segurança Pública A Paz é fruto da Justiça
2010 Economia e Vida (ecumênica) Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro
2011 Fraternidade e a Vida no Planeta A criação geme em dores de parto
2012 Fraternidade e saúde pública Que a saúde se difunda sobre a terra!
2013

Fraternidade e Juventude

Eis-me aqui, envia-me!
2014 Fraternidade e Tráfico Humano É para a liberdade que Cristo nos libertou
2015 Fraternidade: Igreja e Sociedade Eu vim para servir
2016 Casa Comum, Nossa Responsabilidade Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca
2017 Fraternidade: Biomas brasileiros e defesa da vida Cultivar e guardar a criação

Batismo (Formação) Parte 2

Pastoral do Batismo (Formação 2/3)

Primeiro Encontro – Documentação, O compromisso dos pais e padrinhos

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A Documentação

Um dos grandes problemas quando alguém pede o  Sacramento do Batismo é providenciar a documentação necessária para se habilitar o batizado. Estes problemas não querem dizer que são coisas difíceis, mas sempre se esbarra nos próprios pais e padrinhos, que como eu disse anteriormente, muitas vezes desconhecessem como funciona a igreja burocraticamente, e acham que dá para fazer tudo de qualquer jeito.

Importante se perguntar:

Quando a pessoa vai solicitar um RG, CPF ou tirar sua CNH os órgãos competentes aceitam que se traga este ou aquele documento depois? Não! Então porque a igreja teria que aceitar?

Quando pedem o batismo, a documentação deve ser providenciada o mais rápido possível. E hoje em dia quem faz isso (este pedido e organização) são as secretárias paroquiais que tem mais esta responsabilidade. Vale salientar que são dois momentos distintos para se trazer os documentos: 1º para o Curso de Batismo e 2º para o recebimento do Sacramento, mas todos estes momentos devem acontecer com bastante antecedência ao Curso e depois ao Batizado. Interessante se ater a todas as datas e a agenda do padre .

É função da Pastoral do Batismo estar com todas as informações, fazer um bom planejamento anual com o padre e a secretaria e colaborar para o bom andamento da Pastoral.

Então nada de achismos  (“eu acho que pode…”) ou tentar inventar regras para favorecer esta ou aquela pessoa (isso vale para alguns padres também que exercem o seu cargo para algumas coisas que a longo prazo atrapalham, sem generalizar ). As dúvidas devem ser sanadas com a secretaria paroquial.

É comum algumas pessoas querendo fugir da preparação  (o curso) vierem com a desculpa de não terem tempo, dos padrinhos morarem longe, reclamarem da duração do curso… todas estas pessoas tem que fazer um exame de consciência e lembrarem que a Igreja Católica Apostólica Romana não é “oba-oba” e sim uma instituição séria e com regras. Quem se dispõe a querer introduzir os filhos na nossa igreja tem que começar a se colocar como membro efetivo e não turista.

Claro que se o pai, a mãe ou os padrinhos trabalham em horários que impeçam de participarem do curso, e isso possa ser comprovado, a igreja vai entender e dar um jeito de não deixar de atender estas pessoas , o que não dá para fazer é ser conivente com quem não quer ter o compromisso.

Muito importante verificar todas as pendências de documentos, conferir nomes de pais, padrinhos e batizado, endereços , logo no primeiro encontro para resolver bem antes e não sobrecarregar a secretaria.

Documentação

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DOCUMENTOS NECESSÁRIOS PARA A PREPARAÇÃO DE BATISMO (Participar do curso)
Cópia (Xerox):
1. Certidão de Nascimento ou RG da Criança
2. Certidão de Casamento Religioso dos Pais e Padrinhos
3. Comprovante de endereço dos Pais e Padrinhos

DOCUMENTOS NECESSÁRIOS PARA O BATIZADO (Celebração do Sacramento do Batismo )
Xerox:
1. Certidão de Nascimento ou RG da criança
2. Comprovante de preparação dos Pais e Padrinhos
3. Certidão de Casamento Religioso dos Pais e Padrinhos
4. RG dos Pais e Padrinhos
5. Comprovante de endereço dos Pais e Padrinhos
6. Taxa (conforme tabela da Cúria de cada Arquidiocese )

(Informações Fabiana Aparecida, secretária da Paróquia Sagrado Coração de Jesus – Sumaré -SP)

Algumas regras:

  • Toda criança de zero a 6 anos poderá receber o batismo quando seus pais desejarem. Para isso, país e padrinhos devem se inscrever na secretaria paroquial  (em algumas localidades existem um plantão da Pastoral do Batismo ) para a preparação do Batismo e participar da vida da comunidade ou até de outra paróquia da igreja Católica Apostólica Romana. Os padrinhos devem ter 18 anos completo a mais.
  • A criança pode ter um casal de padrinhos  (que é o mais comum, e neste caso estes não podem viver uma união estável sem serem casados no Civil e religioso ou serem solteiros, exemplos irmãos e amigos, ou se forem padrinhos distintos e um ser casado este deve ser casado no religioso), todos devem ter recebido os Sacramentos do Batismo, Eucaristia e Crisma e levem uma vida de acordo com a responsabilidade que pretendem assumir.

Pais e mães não podem ser padrinhos da própria criança  (acreditem tem pessoas que tentam).

  • Toda criança comida de de 7 anos, adolescente ou jovem até 17 anos que não recebeu o sacramento do Batismo deve se preparar por meio da catequese seja de Adultos ou do crisma.
  • Toda pessoa adulta à partir dos 18 anos que não recebeu o batismo e deseja receber deve participar da preparação própria para a catequese de adultos ou crisma .
  • Casos especiais devem ser comunicados a secretaria e depois ao pároco

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Preparação de Batismo (Curso)

Tenho duas ideias para o Curso de Preparação de Batismo, sendo a primeira mais fácil e a segunda mais dificil , mas não impossível :

1. Três dias de preparação : 1 missa e 2 dias de formação  (podem ser seguidos ou alternados).

Com esta opção no mínimo as pessoas que estiverem a mais tempo longe da igreja ( o que não deveria acontecer) poderão voltar a ter contato e relembrar o que os leva a serem católicos.

Logo depois da inscrição no curso são convidados a irem participar das missas e a missa anterior ao Curso pode ser uma missa de envio (tudo combinado com o padre), onde pode acontecer já uma apresentação prévia de quem estará iniciando o curso, apenas para uma acolhida da comunidade e mostrar como é importante o sacramento.

Depois mais 2 dias de curso podendo ser dias seguidos ou alternados.  Exemplo: sábado e domingo, dois sábados,  dois domingos ou dias na semana.

Depois disso sim viria a missa do Batizado conforme combinado.

As famílias estariam quatro a cinco dias envolvidas mais diretamente. E não duas horas e só.

Também é importante prestar atenção nos horários de começo e fim do curso e evitar mais de 2h00min de curso.

Uma boa acolhida com água, café,  alguma coisa para se comer lembrando que muitas vezes as crianças vão junto. Um lugar arejado, limpo e decorado.

2. Um mês de preparação : para mim seria o ideal. Em um mês poderiam ser realizados 5 encontros com a participação das famílias em pelo menos 4 missas.

Seriam 4 encontros de formação com duração de 1h30, podendo ser após a missa, dependendo dos horários. E um encontro de oração que poderia ser na igreja ou na casa de um membro

As famílias estariam em 1 mês inteiro envolvidas mais diretamente. E não duas horas e só.

Também é importante prestar atenção nos horários de começo e fim do curso e evitar mais de 2h00min de curso. Uma boa acolhida com água, café,  alguma coisa para se comer lembrando que muitas vezes as crianças vão junto. Um lugar arejado, limpo e decorado.

Depois disso viria a missa do batizado.

Por enquanto está segunda sugestão parece mais difícil de ser implementada, então vou trabalhar a primeira idéia.

Lembrando que o objetivo destas postagens é sempre sugerir, cabe a cada pastoral adaptar a sua realidade local.

 

Preparação de Batismo

Primeiro Encontro : o compromisso de País e Padrinhos

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Ambientação : Flores, vela, Bíblia. Cadeiras em forma de arco. Se for possível é muito importante disponilizar água,  suco, café, bolachas ou bolo.

Disponilizar pasta com conteúdo para os encontros. Letras das músicas,  textos e citações, estas pastas podem ser entregues no último dia.

Após os cumprimentos iniciais todo a de pé são convidados a rezarem um Pai Nosso e uma Ave Maria.

Sugiro que todos reflitam a música Pelos Prados e Campinas

No primeiro momento é hora das apresentações  (muito importante que na Pastoral do Batismo tenham mais membros para que ao menos 1 seja quem secretarie). Uma boa dinâmica é evitar a tal lista de chamadas e incentivar que cada um se apresente espontaneamente. Falando quem é,  idade e se é pai, mãe ou padrinhos e o nome do batizando.

Duas boas perguntas podem ser feitas neste momento :

  • Para os pais: porque querem batizar seus filhos e porque escolheram estes padrinhos?
  • Para os padrinhos: como conheceram a família e porque aceitaram ser padrinhos?

O Sacramento do Batismo faz parte dos Sacramentos da Iniciação Cristã (Batismo, Eucaristia, Confirmação [Crisma]) é a porta de entrada na igreja de Cristo e sua importância não pode ser medida apenas pela simples celebração, mas sim como sacramento para toda a vida, não se batiza novamente, apenas uma vez e pronto. A marca é indelével e é para sempre.

O padrinho deve acompanhar o seu afilhado com a presença, com o bom testemunho de cristão

“O santo batismo é o fundamento de toda a vida cristã, o pórtico da vida no Espírito e a porta que abre o acesso aos demais sacramentos. Pelo batismo somos libertados do pecado e regenerados como filhos de Deus, tornamos-nos membros de Cristo, e somos incorporados à Igreja e feitos participantes da sua missão: o batismo é o sacramento da regeneração pela água na Palavra” (CIC § 1213).

O cuidado na escolha dos padrinhos

O sacramento do batismo é tão importante, por isso exige um cuidado com aquele que vai apadrinhar o batizando. Costuma-se dizer que o padrinho ou a madrinha faz,  muitas vezes, o “papel” do pai ou da mãe. O que esses fazem ou deveriam fazer? Educar o filho na fé católica, nos bons costumes, nos bons valores, deve educar para a responsabilidade e para a vida. Os padrinhos devem acompanhar o seu afilhado com a presença, com o bom testemunho de cristão, inúmeras vezes assumir a responsabilidade de pais ou auxiliar aos pais em suas faltas.

Como é sério ser padrinho ou madrinha, não é verdade? Conforme o ensinamento da Igreja, a pessoa precisa viver o batismo, ou seja, ser católica, ser crismada e ter uma vida de Comunhão Eucarística. Uma pessoa assim está, provavelmente, inserida na vida da igreja paroquial, vai à Missa aos domingos, busca confissão periódica, é uma pessoa que busca, a todo custo, a santidade. Essa pessoa é santa? Não! Mas se percebe nela a sede de ser santa

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7 ideias sobre a missão que você tem com seu afilhado(a)

É sempre um presente maravilhoso ser convidado a apadrinhar alguém, pois este é um serviço de amor. Mas será que temos claro o que isso realmente significa?

Se você foi convidado a ser padrinho de batismo ou crisma de alguém, vale a pena compreender qual é sua missão e colocá-la nas mãos de Deus, que lhe dará todas as graças necessárias para acompanhar seu afilhado no caminho da fé que o próprio Senhor nos convidou a trilhar.

Apresentamos, a seguir, 7 ideias sobre a missão que você tem como padrinho/madrinha:

1. Sua vida é seu currículo

Seu testemunho de vida é fundamental para iluminar a vida do seu afilhado em seu caminho cristão.

2. Dê o melhor presente

O melhor presente que você pode dar para o seu afilhado não é algo material no aniversário ou no Natal, e sim um acompanhamento sincero da sua vida espiritual e da sua relação com Jesus.

3. Você não é um pai/mãe substituto(a)

Faz parte da sua missão acompanhar também os pais do seu afilhado, fazer parte dessa família espiritual unida pela fé.

4. Compartilhe o que você tem de melhor

Os padrinhos compartilham sua fé; portanto é preciso alimentá-la e fazê-la crescer, estar preparados para responder às dúvidas do afilhado e acompanhá-lo em seus momentos de escuridão, iluminados especialmente pela Palavra de Deus.

5. Pratique o que você ensina

Os padrinhos são chamados a ser assíduos em sua paróquia, comprometidos com sua fé e com a vida da Igreja, especialmente no que diz respeito à vivência dos sacramentos.

6. Mantenha-se próximo

Procure criar um laço afetivo real com seu afilhado e sua família, compartilhando o tempo juntos, conhecendo seu processo e seu desenvolvimento como pessoa e como cristão.

7. Assuma sua responsabilidade plenamente

O batismo abre as portas do céu ao batizado, que se torna parte da Igreja, filho de Deus e com vocação à vida eterna. Quem aceita ser padrinho ou madrinha o faz de forma permanente, como demonstração de amor, mas também como um serviço a Deus, acompanhando esse novo cristão em seu desenvolvimento e amadurecimento.

Quem aceita este desafio e esta responsabilidade o faz para sempre, pois a condição de filho de Deus é eterna; portanto sua tarefa de amor, companhia, cuidado e orientação não acaba quando seu afilhado se torna adulto, mas continua durante a vida inteira.

Pais

A escolha de bons padrinhos não exime os pais da responsabilidade de educar seus filhos na igreja e na vida, todos os 7 pontos acima também servem para os pais.

No terceiro momento deve-se liberar para o café enquanto se confere os dados dos pais, padrinhos e catecúmenos conferindo nomes e endereços corretos

Depois podemos reforçar o convite para o próximo e último encontro e refletir sobre a leitura de Jo 1, 4-11:

“4.João Batista apareceu no deserto e pregava um batismo de conversão para a remissão dos pecados. 5.E saíam para ir ter com ele toda a Judéia, toda Jerusalém, e eram batizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados. 6.João andava vestido de pêlo de camelo e trazia um cinto de couro em volta dos rins, e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. 7.Ele pôs-se a proclamar: “Depois de mim vem outro mais poderoso do que eu, ante o qual não sou digno de me prostrar para desatar-lhe a correia do calçado. 8.Eu vos batizei com água; ele, porém, vos batizará no Espírito Santo.” 9.Ora, naqueles dias veio Jesus de Nazaré, da Galiléia, e foi batizado por João no Jordão. 10.No momento em que Jesus saía da água, João viu os céus abertos e descer o Espírito em forma de pomba sobre ele. 11.E ouviu-se dos céus uma voz: “Tu és o meu Filho muito amado; em ti ponho minha afeição.””
São Marcos, 1 – Bíblia Católica Online

Coloca-se uma música de fundo (pode ser Fonte de água viva) e de olhos fechados pede-se que cada um fale o nome do filho ou afilhado e depois reza-se um Pai Nosso e uma Ave Maria.

Despede-se.

Aprofundamento

O Santo Batismo é o fundamento de toda a vida cristã

O batismo é o nascimento. Como a criança que nasce depende dos pais para viver, também nós dependemos da vida que Deus nos oferece. No batismo, a Igreja reunida celebra a experiência de sermos dependentes, filhos de Deus. Por meio desse sacramento, participamos da vida de Cristo. Jesus Cristo é o grande sinal de que Deus cuida de nós.

O santo batismo é o fundamento de toda a vida cristã, a porta da vida no Espírito, que abre o acesso aos demais sacramentos. Por meio dele, somos libertados do pecado e regenerados como filhos de Deus, tornamo-nos membros de Cristo, incorporados à Igreja e feitos participantes de sua missão: “Baptismus est sacramentum regenerationis per aquam in verbo (o batismo é o sacramento da regeneração pela água na Palavra)”.

Quando recebemos o sacramento do batismo, transformamo-nos de criaturas para filhos amados de Deus. Muitos pensam que os sacramentos em geral são obras eclesiásticas, ou seja, “invenções” da Igreja. Isso não é verdade, os sacramentos são, sem sombra de dúvidas, criados por Jesus Cristo, o próprio Deus Encarnado.

O profeta João Batista, primo de Jesus, que veio ao mundo para preparar os caminhos para a vinda do Messias, foi quem batizou as pessoas para a vinda de Cristo (cf. Mc 1,2s). Ele sabia que o seu batismo era temporário, pois logo depois dele viria seu primo Jesus, que batizaria no Espírito Santo, ou seja, o profeta batizava com água e Jesus batizava com o Espírito Santo. A Bíblia sugere o batismo de todos, o que inclui as crianças. ““Disse-lhes Pedro: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados. E recebereis o dom do Espírito Santo” (Atos 2, 38-39). A promessa diz respeito a vós, a vossos filhos e a todos os que estão longe – a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar.

Para que existe o batismo?

Adão e Eva pecaram gravemente, desobedecendo a Deus, querendo ser iguais a Ele. Foram, por isso, expulsos do Paraíso, passaram a sofrer e morreram. Deus os castigou e transmitiu a todos os filhos de Adão, ou seja, a todos os homens, o pecado original. Mas o Senhor prometeu a Adão e Eva que enviaria Seu próprio Filho, segunda Pessoa da Santíssima Trindade, que seria igualmente homem, para morrer na Cruz e pagar assim o pecado de Adão e Eva e todos os outros pecados. Não basta, entretanto, que Jesus tenha morrido na cruz. É preciso ainda que Sua morte seja aplicada sobre as almas, para que elas reencontrem a amizade de Deus, ou seja, tornem-se filhos d’Ele e tenham apagado o pecado original. Foi então para aplicar Seu Sangue derramado na cruz sobre nossas almas que Jesus instituiu esse sacramento.

Quando foi que Jesus instituiu o batismo?

Jesus o instituiu logo no início de Sua pregação, quando entrou no rio Jordão para ser batizado por São João Batista. O batismo de João não era um sacramento. Apenas quando Jesus santificou as águas do Jordão com Sua presença e que a voz do Pai se faz ouvir “”Este é meu Filho bem amado, em quem pus minhas complacências”, e que o Espírito Santo aparece sob a forma de uma pomba” (foi então uma visão da Santíssima Trindade), é que fica instituído o batismo. Essa instituição é confirmada por Jesus quando Ele diz a Seus apóstolos: ““Ide e ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.” Leia, na Bíblia, o Evangelho de São Mateus 3,13. 

Os efeitos do batismo

O batismo nos dá, pela primeira vez, a graça santificante, que é a amizade e a presença de Deus no nosso coração. Junto com a graça recebemos o dom da fé, da esperança e da caridade, assim como todas as demais virtudes que devemos procurar proteger no nosso coração. O batismo apaga o pecado original, apaga os pecados atuais e todas as penas ligadas aos pecados, ele imprime na nossa alma o caráter de cristão, fazendo de nós, filhos de Deus, membros da Santa Igreja Católica e herdeiros do Paraíso, tornando-os capazes de receber os outros sacramentos. Por isso tudo, vemos que ser batizado é absolutamente necessário para a salvação.

 

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