Atos dos Apóstolos (Círculo Bíblico – 5/10)

Círculo Bíblico: Atos dos Apóstolos – Encontro 5/10

Este é o quinto de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o livro dos Atos dos Apóstolos. A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o livro dos Atos dos Apóstolos (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja e ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia.

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

 

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Pedro sendo liberto pelo anjo

At 12, 1-25

Neste ponto temos o ápice da missão de Pedro dentro do livro dos Atos dos Apóstolos e também o fim da primeira etapa da história da Igreja, que até neste ponto estava centralizada em Jerusalém e apenas no mundo judaico. A cidade de Jerusalém vai permanecer como simbolo, mas o novo centro será a Antioquia na Síria e de lá o Evangelho se irradiará por toda a Ásia Menor e depois a Europa, principalmente à atividade missionária de Paulo. O capítulo todo é construído sobre o tema da perseguição.

A história da perseguição aos nazarenos é antiga, mas é neste ponto que os apóstolos começam a ser realmente perseguidos, e de maneira feroz.

Na Páscoa de 41 d.C. um novo rei chega para governar os judeus, mesmo que este reinado seja imposto por Roma. Os Indumeus eram inimigos dos hebreus, e Roma havia obrigado eles a tolerarem reis desta origem. Os outros reis não se importaram com a politica de agradar o povo judeu, mas este tinha outros planos. Herodes Agripa I, era neto de Herodes, Magno e como os demais membros da família, serviam aos interesses de César. A diferença crucial é que este sabia da preocupação dos judeus com a expansão dos cristãos, e decidiu perseguir os discípulos que até aquele momento podiam agir livremente na Palestina, um plano para ganhar a simpatia do povo judeu.

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O anjo liberta Pedro da prisão

Logo em seguida ele prende Pedro, mas sabe que ele é uma espécie de líder dos cristãos então decide fazer uma execução mais chamativa.

Pedro preso e a comunidade ora. Pedro reflete e dorme e é acordado por um anjo que o retira da cela sem ao menos abri-las. Algo que podemos ver parecido em Ex 12,11 quando Moisés se prepara para libertar o povo, e em 1 Rs 19, 4-8 quando Elias é socorrido por um anjo.

“Então Pedro tornou a si e disse: Agora vejo que o Senhor mandou verdadeiramente o seu anjo e me livrou da mão de Herodes e de tudo o que esperava o povo dos judeus.” (Atos dos Apóstolos, 12, 11 – Bíblia Católica Online)
Lógico que depois disso Herodes ficou furioso e executou os guardas, depois foi para outro local onde fez com que o povo o declarasse um deus, e no momento seguinte cai e morre (22-23),

Lucas então volta a falar de Paulo e que ele estava esta tempo todo em Jerusalém e depois parte com o primo de Barnabé, João Marcos (o evangelista). Nestes capítulos quase não temos ensinamentos mais intensos. Mas vale a pena refletirmos no fato de que a comunidade cristã começava a sofrer com perseguições vindas não só do Sinédrio, mas agora da realeza. Também é importante sabermos que depois desta parte da história os discípulos começam a levar a sua pregação para lugares mais distantes.

At 13, 1 – 36

Antioquia era a terceira cidade do Império Romano depois de Roma e Alexandria. Era o importante centro entre o Oriente e o Ocidente, lugar de mistura  de povos, culturas e religiões. Foi a partir dela que o cristianismo se irradiou para todos os lados, através das “viagens” dos apóstolos  (principalmente Paulo) que foi o caminho histórico, simbólico e espiritual do Evangelho. Foi evangelizada por cristãos que fugiram de Jerusalém e prosélitos que vinham de Chipre e Cirene. Antioquia torna-se o ponto de transição do cristianismo entre o mundo judaico e o mundo chamado pagão. Fica até uma questão sobre quem inventou a missão entre os pagãos, se foi Paulo ou se foi Antioquia. Talvez as duas respostas possam ser consideradas corretas.

A comunidade de Antioquia  foi dirigida por cinco homens: Paulo (ainda chamado de Saulo); Barnabé; Simeão conhecido como “o negro” (provavelmente africano); Lúcio de Cirene (ao Norte da África) e Manaém que foi amigo do rei Herodes Antipas (aquele que governava quando Jesus foi condenado). Numa reunião da comunidade o Espírito Santo mostra que Paulo e Barnabé tem uma missão especial. Depois de uma explicação com a comunidade, está abençoa os dois que saem a evangelizar outras localidades.  Aqui nota-se que mesmo os líderes da comunidade, confirmados pelo Espírito Santo submetem-se a aprovação da igreja e começam a primeira viagem missionária. Como Barnabé era de Chipre, provavelmente tenha sido este o motivo da viagem ter começado por esta localidade.

 

Em At 13, 4-12 os apóstolos se defrontam com a magia na Ilha de Pafos, com um mago chamado Élimas, cujo o nome real era Bar-Jesus  (filho de Jesus, e este nome era comum na época), mas Paulo o derrotou.  “6.Percorreram toda a ilha até Pafos e acharam um judeu chamado Barjesus, mago e falso profeta, 7.que vivia na companhia do procônsul Sérgio Paulo, homem sensato. Este chamou Barnabé e Saulo, e exprimiu-lhes o desejo de ouvir a palavra de Deus. 8.Mas Élimas, o Mago – pois assim é interpretado o seu nome -, se lhes opunha, procurando desviar da fé o procônsul. 9.Então Saulo, chamado também Paulo, cheio do Espírito Santo, cravou nele os olhos e disse-lhe: 10.Filho do demônio, cheio de todo engano e de toda astúcia, inimigo de toda justiça, não cessas de perverter os caminhos retos do Senhor! 11.Eis que agora está sobre ti a mão do Senhor e ficarás cego. Não verás o sol até nova ordem! Caíram logo sobre ele a escuridão e as trevas, e, andando à roda, buscava quem lhe desse a mão. 12.À vista deste prodígio, o procônsul abraçou a fé, admirando vivamente a doutrina do Senhor.”
Atos dos Apóstolos, 13, 6-12 – Bíblia Católica Online
Nos At 13, 13-52 Lucas faz uma síntese do Antigo Testamento. O relato não traz muitas notícias, o autor quer logo chegar a história em Antioquia. Conforme o costume inicial do próprio Paulo, ele vai primeiro aos lugares judaicos e neste caso vai a Sinagoga. Não fala das atividades de Jesus (diferente da Catequese de Pedro no capítulo 10) pois não foi testemunha ocular destes fatos, mas conta os últimos passos de Cristo e depois de tudo faz um convite a conversão.

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Prisão de Pedro

At 14, 1- 28

Este capítulo traz de modo mais intenso as perseguições que a comunidade cristã sofriam principalmente porque saira da sua zona de conforto  (Jerusalém) e ia ao encontro de outros povos par levar a palavra de Deus. Jerusalém era tranquila? Não! Mas era o ambiente que os discípulos já conheciam. A extensão para Antioquia também não foi tranquilam mas desde o momento em que o Espírito Santo suscitou no coração de Paulo e Barnabé o ímpeto missionário, toda essa perseguição aumentou ainda mais.

Este capítulo deve ser lido procurando responder a algumas perguntas  (e aqui vou me guiar pelas questões suscitadas no livro Como Ler os Atos dos Apóstolos de Ivo Storniolo – Paulus Editora):

  1. Por que o anúncio do Evangelho e sua prática causam perseguição?
  2. Nossa (a sua) comunidade já foi perseguida?
  3. Por que é preciso passar por tribulações para entrar no Reino de Deus?
  4. O que é preferível : depender dos outros ou ser livre?
  5. Quais as formas de idolatria atualmente alienam o nosso povo?

São perguntas respondidas com a leitura orante deste capítulo.

Milton Cesar 

Refletindo

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A caminhada dentro da igreja pode ser fácil ou difícil, porém sempre vão existir desafios. Os exemplos de Pedro quando libertado pelo anjo e então percebe a magnitude disso e também o exemplo de Paulo e Barnabé que não se acomodaram com uma situação confortável de liderança e imediatamente atenderam o chamado do Espírito Santo,  não sem antes respeitarem toda a comunidade passando pelo crivo e depois sendo abençoados,  mostram que não existe o “dono da igreja” e muito menos aqueles que ficam perpetuados numa posição. A igreja é de Jesus Cristo e seus membros devem sempre estarem abertos a acolhida e a missão de evangelizar.

Algumas pessoas querem ficar apenas numa pastoral ou grupo e se esquecem de cederem espaço e partirem para a missão de evangelizar também em outros espaços da igreja e da comunidade. O maior sinal de amor a Deus é levá-lo também a outras pessoas.

Milton Cesar

 

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Moeda com a éfige de Herodes Agripa I

Herodes Agripa I (c.10 a.C. – Cesareia44 d.C.) foi rei da Judeia de 41 até 44 d.C. Era neto de Herodes, o Grande, por seu filho Aristóbulo (não mencionado na Bíblia) e sua mãe se chamava Berenice.  Ele nasceu Marcus Julius Agripa, assim chamado em homenagem ao estadista romano Marco Vipsânio Agripa. Ele foi chamado o rei Herodes nos Atos dos Apóstolos, na Bíblia, “Herodes (Agripa)” (Ἡρώδης Ἀγρίππας). Ele era, de acordo com Josefo, conhecido em seu tempo como “Agripa, o Grande”. Ele foi feito tetrarca das províncias que haviam sido governadas por Lisânias, e eventualmente terminou governando todos os domínios que haviam sido sujeitos ao seu avô Herodes, governando como rei. Ele condenou o apóstolo Tiago à morte, e colocou Pedro na prisão. Durante um festival em honra ao imperador Cláudio, ele apareceu vestido de forma magnífica, e foi louvado pela multidão como um deus. Herodes Agripa veio a morrer da mesma doença que havia afetado seu avô, Herodes. Ele reinou quatro anos como tetrarca, três anos como rei de toda a Judéia, e morreu aos cinquenta e quatro anos de idade. Após sua morte, a Judéia foi incorporada à prefeitura da Síria, fazendo parte do Império Romano.

400px-Catedral,_Porta_Santa_02-03

A decapitação de Tiago

 

Como base de estudo foi usado:

fides - Copia

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