Quando Jesus te toca mais uma vez

Reflexão

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Não sou um jovem de idade, sou aquilo que eu mesmo costumo chamar “jovem a mais tempo”. Já vivi muitas experiências na igreja. Já fui catequista, coordenador de Grupo de Jovens, coordenador de comunidade, coordenador da Pastoral do Dízimo e Ministro da Palavra e Eucaristia. Lá se foram 20 anos da minha vida. Hoje sou até mais importante, sou um fiel católico que vai nas missas e grupos de oração  (confesso que até queria ir mais).

A um mês atrás fui convidado por uma das pessoas mais importantes na minha vida, a participar de um evento chamado Summer Beats DNJ 2018 (DNJ de Dia Nacional da Juventude) em São Paulo. Fomos com todas as dificuldades que tentam te tirar do seu intento.

Chegamos relativamente cedo e ao longo do dia (de um calor intenso e depois a noite de um frio maior ainda) o evento foi ficando lotado de jovens. Não sei, mas acredito que tinha umas cem mil pessoas, na sua maioria jovens.católicos. Bandas fizerem shows, o Cardeal Dom Odílio Scherer celebrou a missa, tinha o Santíssimo exposto e um espaço para confissão.

Eu fui pouco a pouco sendo tocado por Jesus novamente.

Porquê digo novamente ?

Porque por vezes as agruras da vida te fazem seguir no automático. Você ama a Deus mas já não fala isso, pois ele sabe. Mas como você pode falar: Eu te amo Jesus? – apenas na sua oração e no seu agir. Ir na igreja é apenas um ponto disso tudo. Num casamento muitas vezes o casal vai se esquecendo de afirmar o amor, perde aquele momento de dizer Eu Te Amo e com o tempo as dúvidas e o desgaste aparecem. É preciso e saudável sempre mostrar-se apaixonado.

Com Jesus é a mesma coisa. Não que Ele cobre, mas é para que não fiquemos no automático. Uma oração sempre repetida não tem emoção e acaba ficando apenas pragmática e sem sentido.

Pois bem, quando eu participei deste evento (dia 16 de setembro de 2018) eu senti novamente o fogo do Espírito Santo me queimando. Mais uma vez senti o toque de Jesus.

Devo confessar que tenho dedicado meu tempo a muitas coisas, sendo uma delas produzir e dividir o conteúdo neste blog, mas faltava alguma coisa. Sinceramente esse sentimento toma conta de mim desde aquele dia. Eu não dormi quando cheguei às 23h30min, e estou com algo ardendo no meu peito. Uma necessidade tremenda de fazer mais pela minha fé. Uma renovação de forças.

Talvez estar cercado de tanta energia jovem tenha me feito sentir o que tenho sentido. Queimar ao sol e depois congelar no frio de São Paulo me fez ver algo que a muito tempo eu não via: Como é lindo ser de Jesus.

Eu estou compartilhando esta emoção apenas por entender que muitas vezes o que precisamos é uma nova perspectiva do que fazemos ou cremos. Estamos sim sendo fiéis, acompanhando e vivendo a vida da igreja, na nossa comunidade, mas é muito importante também vivenciarmos novas experiências. De verdade fiquei muito emocionado com o que vivi. Muito emocionado acompanhando o show da banda Adoração e Vida e da Comunidade Colo de Deus, mas o principal é saber que fui novamente tocado por Jesus.

O que virá em seguida?

Com certeza algo bom vai acontecer nesta minha renovação de fé.

Mas fica a experiência e a dica:

Devemos sempre estar atentos para os sinais de Deus, as oportunidades de entender a nossa própria fé, nossos limites, emoções e todo o nosso amor. Porque assim são aqueles que acreditam em Jesus, que vivem da graça. Viver uma rotina, esquecendo de que o que nos move sempre é o fogo do Espírito Santo e este não para.

Paz e bem da parte do Senhor Jesus

Milton Cesar

Te chamam de Deus e de Senhor
Te chamam de Rei, de SalvadorE eu me atrevo a Te chamar de meu AmorTe chamam de Deus e de Senhor
Te chamam de Rei, de Salvador
E eu me atrevo a Te chamar de meu Amor

Yeshua, Yeshua
Tu és tão lindo
Que eu nem sei me expressar
Yeshua, Tu és tão lindo

Atos dos Apóstolos (Círculo Bíblico – 10/10)

Círculo Bíblico: Atos dos Apóstolos – Encontro 10/10

Este é o décimo (e último) de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o livro dos Atos dos Apóstolos. A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o livro dos Atos dos Apóstolos (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja e ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia.

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

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Um milagre em meio a tempestade

At 27, 1 – 44

Atos 27 inicia o relato da última viagem de Paulo para Roma saindo de Cesareia Marítima, onde foi julgado e apelou para César. O grupo, que era liderado por “Júlio, um centurião” e tinha também Aristarco de Tessalônica, embarcou num navio de Adramício que seguia para a Ásia Menor e passou por Sidon, onde Paulo recebeu autorização para visitar seus amigos. Passaram ainda por Chipre e costearam a Cilícia e a Panfília terminando finalmente em Mira, na Lícia. Dali mudaram para um navio de Alexandria que seguia para a Itália romana. Sem sorte com os ventos, a embarcação chegou com dificuldade até Cnido e seguiu para Creta até chegar «a um lugar chamado Bons Portos, perto do qual estava a cidade de Laseia.

Depois de esperarem muito tempo, Paulo profetizou o naufrágio que se sucederia mais adiante: “Senhores, vejo que a viagem vai ser com avaria e muita perda, não somente da carga e do navio, mas também das nossas vidas.” (At 27, 10). Mas ninguém desejava passar o inverno em Laseia e decidiram então seguir para Fenícia, em Creta, com duzentas e setenta e seis pessoas a bordo (At 27,37).

Na costa de Creta, a embarcação de Paulo enfrentou uma enorme tempestade que duraria vários dias. À deriva e passando por diversos lugares, a tripulação começou a jogar ao mar mantimentos e até mesmo os aparelhos náuticos que precisavam até que, afinal, perderam “toda a esperança de sermos salvos” (At 27,12-20). Temendo que perdessem a coragem, Paulo contou-lhes sobre a visão que teve e profetizou: Desde muito tempo ninguém havia comido nada. Paulo levantou-se no meio deles e disse: Amigos, deveras devíeis ter-me atendido e não ter saído de Creta, e assim evitar esse perigo e essas perdas. 22.Agora, porém, vos admoesto a que tenhais coragem, pois não perecerá nenhum de vós, mas somente o navio. 23.Esta noite apareceu-me um anjo de Deus, a quem pertenço e a quem sirvo, o qual me disse: 24.Não temas, Paulo. É necessário que compareças diante de César. Deus deu-te todos os que navegam contigo. 25.Por isso, amigos, coragem! Eu confio em Deus que há de acontecer como me foi dito. 26.Vamos dar a uma ilha.” Atos dos Apóstolos, 27 – Bíblia Católica Online

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Depois de quatorze dias no mar, alguns marinheiros tentaram fugir, mas Paulo alertou que se o fizessem, todos morreriam e o centurião os impediu lançando o bote do navio ao mar. Na manhã seguinte, Paulo pediu que todos se alimentassem, pois estavam este tempo todo sem comer e reafirmou que “nenhum de vós perderá um só cabelo da cabeça”: ““Tendo dito isso, tomou do pão, pronunciou uma bênção na presença de todos e, depois de parti-lo, começou a comer. 36.Com isso, todos cobraram ânimo e puseram-se igualmente a comer. 37.No navio éramos ao todo duzentas e setenta e seis pessoas. 38.Depois de terem comido à vontade, aliviaram o navio, atirando o trigo ao mar”
Atos dos Apóstolos, 27 – Bíblia Católica Online

Na manhã seguinte, chegaram numa praia. O centurião, desejando poupar Paulo, impediu que os guardas matassem os prisioneiros e ordenou que todos se lançassem ao mar em direção da praia, uns nadando e outros segurando em tábuas e destroços. Todos se salvaram

É interessante notar como Lucas faz um paralelo entre esta viagem de Paulo num navio, com a viagem de Jesus em companhia dos discípulos. Ambos correm risco de morte e ambos se viram às voltas com uma tempestade. Claro que Lucas não quis demonstrar ou fazer uma equiparação de Paulo com Jesus, mas ele mostra que o apóstolo também está agindo pela graça e em nome de Jesus. Enquanto o mestre acalma a tempestade, Paulo consegue fazer com que todos os tripulantes da embarcação se salvem ao clamar a Deus.

At 28, 1 –  31

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Trecho de Atos 28 no Codex Alexandrinus

Depois de descobrir que a ilha onde naufragara se chamava Malta, Paulo se juntou aos nativos e acendeu uma fogueira. Uma víbora o mordeu, mas nada de mal lhe aconteceu e os nativos começaram a imaginar se ele seria um deus. No dia seguinte, Paulo seguiu até as terras de Públio, que os hospedou por três dias, período no qual aproveitou para curar o pai dele, que estava com “febre e disenteria”. A fama de Paulo se espalhou e ele realizou muitas curas na ilha, na qual ficou por três meses. Paulo partiu num navio de Alexandria , o qual tinha por insígnia Castor e Pólux em direção a Siracusa, na Sicília. Dali, foram costeando até chegar em Régio da Calábria, já no continente italiano, depois Poteoli e finalmente Roma.

Depois de três dias, Paulo convocou os mais importantes entre os judeus da cidade e novamente defendeu sua inocência. Afirmou ter sido preso pelos romanos a pedido dos sacerdotes em Jerusalém, mas eles queriam soltá-lo por não haver em mim crime algum que merecesse morte. Impedidos de fazê-lo pelos judeus, Paulo contou que foi obrigado a apelar a César, dado que era um cidadão romano. Terminou dizendo que nada tinha para acusar seu povo perante o imperador. Os judeus, que afirmaram nada saber sobre Paulo por não terem recebidos notícias da Judeia, pediram que Paulo lhes falasse sobre os cristãos.

No dia combinado, muitos judeus foram à casa de Paulo para ouvi-lo pregar sobre Jesus, seu reino e a Lei de Moisés. Nem todos se convenceram, mas, quando iam embora, Paulo lhes falou sobre a profecia de Isaías sobre os judeus (leia Isaías 6, 9-10) ““Vai, pois, dizer a esse povo, disse ele: Escutai, sem chegar a compreender, olhai, sem chegar a ver. 10.Obceca o coração desse povo, ensurdece-lhe os ouvidos, fecha-lhe os olhos, de modo que não veja nada com seus olhos, não ouça com seus ouvidos, não compreenda nada com seu espírito. E não se cure de novo.” Isaías, 6, 9-10 – Bíblia Católica Online

Os Atos dos Apóstolos terminam afirmando que Paulo viveu em Roma por mais dois anos e durante todo este tempo ensinou sobre o “as coisas concernentes ao Senhor Jesus Cristo”, sem informar o destino final de Paulo. Tradicionalmente acredita-se que ele tenha sido decapitado no mesmo dia que Pedro em Roma por ordens do imperador Nero que teria colocado fogo em Roma e acusado os cristãos.

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O polêmico Versículo 29?

O versículo 29: .[Havendo dito isso, saíram dali os judeus, discutindo animosamente entre si.]” Atos dos Apóstolos, 28, 29 – Bíblia Católica Online

Que aparece logo depois da profecia de Isaías, não aparece em todas as traduções da Bíblia para o português. Quando aparece, está entre chaves ou seguido de uma nota de rodapé. O motivo é que ele não aparece nos manuscritos mais antigos de Atos 28. Por exemplo: Na Bíblia Sagrada da Editora Ave Maria o versículo 29 está presente, já na Bíblia Sagrada – Edição Pastoral da Editora Paulus , ele é suprimido. A Bíblia Sagrada da CNBB simplesmente muda o capitulo 29 colocando o que seria o capitulo 30 e termina os Atos com o capitulo 30 (que seria originalmente o capítulo 30), ou seja capitulo 29 (seria o 30 na da Ave Maria) e o 30 (seria o 31). Nas versões da Bíblia do Peregrino e Bíblia de Jerusalém publicadas pela Paulus o versículo está lá entre chaves.

Refletindo

Chegamos ao final deste Círculo Bíblico, o que não significa que não possamos ler e reler o livro dos Atos dos Apóstolos. Como parte do ensinamento deste livro podemos ficar com a questão dos seus textos trazerem muito do que se enfrenta no dia a dia das comunidades católicas pelo mundo. Afinal a igreja é sempre Divina e Humana. Somos nós fiéis lutando para sermos mais santos aos olhos de Deus, mas para isso é necessário também uma mudança interior.

Ficam algumas questões pertinentes:

  1. A leitura serviu de quê?
  2. A nossa comunidade tem pontos em comum com as comunidades dos Atos?
  3. Conseguimos ser evangelizadores como Paulo, Pedro e os discípulos foram?
  4. O que fazer para sermos melhores na fé?
  5. Como foi a experiência desta vivência na fé do Círculo Bíblico?

Fiquem em paz

Milton Cesar

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São Pedro e São Paulo

Pedro, que tinha como primeiro nome Simão, era natural de Betsaida, irmão do Apóstolo André. Pescador, foi chamado pelo próprio Jesus e, deixando tudo, seguiu ao Mestre, estando presente nos momentos mais importantes da vida do Senhor, que lhe deu o nome de Pedro.

Em princípio, fraco na fé, chegou a negar Jesus durante o processo que culminaria em Sua morte por crucifixão. O próprio Senhor o confirmou na fé após Sua ressurreição (da qual o apóstolo foi testemunha), tornando-o intrépido pregador do Evangelho através da descida do Espírito Santo de Deus, no Dia de Pentecostes, o que o tornou líder da primeira comunidade. Pregou no Dia de Pentecostes e selou seu apostolado com o próprio sangue, pois foi martirizado em uma das perseguições aos cristãos, sendo crucificado de cabeça para baixo a seu próprio pedido, por não se julgar digno de morrer como seu Senhor, Jesus Cristo. Escreveu duas Epístolas e, provavelmente, foi a fonte de informações para que São Marcos escrevesse seu Evangelho.

Paulo, cujo nome antes da conversão era Saulo ou Saul, era natural de Tarso. Recebeu educação esmerada “aos pés de Gamaliel”, um dos grandes mestres da Lei na época. Tornou-se fariseu zeloso, a ponto de perseguir e aprisionar os cristãos, sendo responsável pela morte de muitos deles.

Converteu-se à fé cristã no caminho de Damasco, quando o próprio Senhor Ressuscitado lhe apareceu e o chamou para o apostolado. Recebeu o batismo do Espírito Santo e preparou-se para o ministério.

Tornou-se um grande missionário e doutrinador, fundando muitas comunidades. De perseguidor passou a perseguido, sofreu muito pela fé e foi coroado com o martírio, sofrendo morte por decapitação. Escreveu treze Epístolas e ficou conhecido como o “Apóstolo dos gentios”.

São Pedro e São Paulo, rogai por nós!

São Pedro e São Paulo, pequenos e grandes

Seus apóstolos e discípulos percorreram a mesma estrada. Simão Pedro, aquele que foi posto como referência para os demais, diante da pesca milagrosa, caiu de joelhos diante de Jesus, dizendo: “Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um pecador!” (cf. Lc 5,8-11). Pequeno e frágil tornou-se testemunha qualificada da Ressurreição do Senhor, mesmo depois de tê-lo negado três vezes. E, nós o vemos representado em sua festa, celebrada nestes dias, com as chaves nas mãos. Até hoje Seus sucessores trazem em sua missão o poder das chaves!

Ao seu lado, a Igreja comemora São Paulo, o Apóstolo das Gentes. Seu nome quer dizer “pequeno” e, reconhece-se assim, em narrativas de sua vocação: “Do evangelho eu fui feito ministro, pelo dom da graça que Deus me concedeu segundo a força de seu poder. A mim, o menor de todos os santos, foi concedida a graça de anunciar a todos a riqueza insondável de Cristo” (Ef 3,7-9). Nas coisas de Deus existe uma inversão total quando o pequeno e insignificante é feito grande pela graça!

A Igreja vai pelo caminho da pequenez

E, a Igreja, no seu conjunto anunciadora e servidora do Reino, vai pelo caminho da pequenez, enfrentando as vicissitudes da história, apanhando de todo lado, mas segura de que as portas do inferno não vão prevalecer. A todos os cristãos se dirige a Palavra do Senhor: “Buscai o Reino de Deus e a Sua justiça e, essas coisas vos serão dadas por acréscimo. Não tenhas medo, pequeno rebanho, pois foi do agrado do vosso Pai dar-vos o Reino” (cf. Lc 12,31-32). O mundo em que vivemos não é mais aquele da cristandade, com de maioria católica, respiramos a diversidade, com tudo o que pode ter de positivo e de negativo. E a Igreja se torna servidora de todos, testemunha da verdade do Reino de Deus, a Igreja do lava-pés, atenta de modo especial aos mais pobres, sofredores e pecadores.

Quando celebramos os Santos Pedro e Paulo, a Igreja pode oferecer, também, ao mundo a figura do sucessor de Pedro, no qual também o zelo missionário de Paulo se expressa de modo exemplar em nosso tempo. A grandeza daquele que se faz servo dos servos de Deus, sucessor de Pedro, o Papa Francisco, nos permite ouvir e praticar o que se segue: “Saiamos para oferecer a todos a vida de Jesus Cristo! Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças” (cf. Evangelii Gaudium, 49).

Trecho do texto de Dom Alberto Taveira Corrêa para Formação Canção Nova

O CAMINHO DA MISSÃO

 

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Introdução

O livro dos Atos dos Apóstolos foi escrito provavelmente entre 80 e 90 d.C. Seu autor é o mesmo do terceiro Evangelho; desde o séc. II, a tradição o identifica com Lucas, o médico que acompanhou Paulo (cf. Cl 4,14; Fm 24).

De fato, é continuação do Evangelho de Lucas. Ambos formam, segundo o autor, o caminho da salvação: o Evangelho apresenta o caminho de Jesus; o livro dos Atos apresenta o caminho da Igreja, que prolonga o caminho de Jesus «até os extremos da terra». O relato que une as duas obras é a ascensão, que coroa a vida de Jesus (Lc 24,51) e funda a missão universal da Igreja (At 1,8). A atividade missionária da Igreja é apresentada como a grande viagem de Jerusalém até Roma, centro do mundo na época. Por isso, a evangelização é vista como caminhada e a vida cristã recebe o nome de Caminho (9,2; 19,9.23; 24,22).

Podemos dizer que o livro dos Atos é o Evangelho do Espírito. Aí se conta que o Espírito Santo prometido faz nascer a comunidade cristã e a impulsiona para o testemunho aberto e corajoso do nome de Jesus, isto é, para anunciar a palavra e ação libertadora de Jesus.

Esse testemunho provoca o surgimento da grande novidade que tende a transformar pessoas, relações e estruturas da sociedade, provocando alternativas que se chocam frontalmente com os interesses sociais vigentes. A novidade desperta conflitos dentro da Igreja e no relacionamento desta com a sociedade. Dentro surge o conflito de tendências (6,1-6) entre convertidos de origens diversas (15,1-35) e entre o centro e a periferia (15,1-2). Na relação da Igreja com a sociedade surge o conflito frente ao poder político romano, conflito que perpassa o livro todo, de modo velado e como que prolongando o conflito de Jesus com as estruturas políticas do seu tempo; finalmente, um dos conflitos básicos é o econômico (5,1-11; 13,4-12.50-51; 16,16-24; 19,23-40). Pode-se dizer que Atos é o livro da novidade e, portanto, também dos conflitos. Numa sociedade corroída pelo interesse e egoísmo, qualquer proposta de alternativa mais fraterna e igualitária provoca oposições e confrontos.

Em Atos, a Igreja aparece como dinamismo polarizado no testemunho e na missão. Livre do jurisdicismo, sua estruturação é ainda bastante carismática e suas instituições só vão sendo criadas à medida que se tornam meios eficazes para atender às necessidades internas e exigências da missão (cf. 6,1-6). Tanto pela vida comunitária, como pelo empenho apostólico, a Igreja apresentada nos Atos é o modelo utópico; frente a ele as comunidades de todos os tempos e lugares podem fazer uma revisão, a fim de redescobrir sua própria identidade. (Introdução ao livro dos Atos dos Apóstolos Bíblia Sagrada Edição Pastoral – Paulus editora)

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Como base de estudo foi usado:

9788534908412

Este livro foi muito utilizado para pesquisas neste círculo Está a venda nas livrarias Paulus 

 

Atos dos Apóstolos (Círculo Bíblico – 9/10)

Círculo Bíblico: Atos dos Apóstolos – Encontro 9/10

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Pintura de São Paulo feita por Rembrandt

Este é o nono de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o livro dos Atos dos Apóstolos. A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o livro dos Atos dos Apóstolos (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja e ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia.

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

Jesus é o caminho

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São Paulo preso

At 24, 1 – 27

Chegamos em um ponto muito interessante do nosso Círculo Bíblico. Podemos começar tentando responder a algumas questões enquanto a leitura vai se desenvolvendo:

  1. O cristianismo é subversivo? Por que?
  2. O cristianismo é a mensagem da ressurreição. Como isso pode se tornar sério para a vida que vivemos hoje em dia?
  3. Quais as corrupções que atrapalham a justiça? Comente casos concretos e compare com a mensagem de Jesus.

Lucas fixa o texto principalmente na prisão de Paulo. Ele próprio acompanhou estes fatos. No processo de São Paulo estão jogo três coisas: o cristianismo (na figura de Paulo), o judaísmo e o próprio império romano. Lucas mostra que o judaísmo não é mais o lugar dos cristãos e indica que o futuro do cristianismo está no mundo romano, de onde de fato o futuro fará a mensagem de Jesus se espalhar pelo mundo todo.

Mas os judeus sentem que Paulo é uma ameaça. Três acusações são apresentadas contra Paulo: 1. Paulo (figurando todo o cristianismo) está perturbando a ordem em todo o mundo (romano), vale lembrar que esta é uma das acusações que pesaram contra o próprio Jesus (Lc 23, 2). 2. Paulo é considerado o líder do Partido dos Nazireus (este partido nem existia, mas os judeus chamavam assim os cristãos), o próprio Jesus era considerado um nazireu, radical e subversivo, então todos seus seguidores já eram considerados perigosos para o sistema vigente. E 3. Paulo teria profanado o Templo de Jerusalém ao introduzir pagãos no recinto sagrado (21,28).

O destino de Paulo pode ser o destino do próprio cristianismo. Mas a palavra de Jesus seria um caminho para a humanidade toda.

Paulo se defende: 1. Lembra que ficou poucos dias em Jerusalém e questiona como ele poderia causar tanta agitação em sete dias? 2. Paulo não podia negar pertencer ao partido dos Nazireus, pois o voto de nazireu (não cortar o cabelo durante um período) o fazia ser considerado membro do tal partido. Porém Paulo se defende negando que o cristianismo seja apenas uma seita radicalista dentro do judaísmo. Paulo usa o termo caminho, pois Jesus era justamente uma opção. 3. Paulo diz que foi ao templo oferecer esmolas.

Paulo se defende, mas não ataca. O governador romano Félix considerou Paulo e o cristianismo inocentes de todas as acusações e também não representavam perigo para o império romano. Assim decidiu pelo adiamento de causa. “Félix conhecia bem esta religião e, adiando a questão, disse: Quando descer o tribuno Lísias, então examinarei a fundo a vossa questão. 23.Ordenou ao centurião que o guardasse e o tratasse com brandura, sem proibir que os seus o servissem.”
Atos dos Apóstolos, 22, 22 – 23 – Bíblia Católica Online

Um dos motivos porque Felix também não condenou Paulo, foi o fato dele estar amasiado com Drusila, uma judia que se divorciara para ficar com o governador. Feliz também se interessava pelo cristianismo, apesar de não assumir. O governador também queria que Paulo lhe desse dinheiro em troca da liberdade. Como não conseguiu deixou o apóstolo preso por dois anos quando Pórcio Festo assumiu o cargo de Félix.

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São Paulo diante de Festo e Agripa

At 25, 1 – 27

Lucas mostra que os romanos não condenaram Paulo. O tribuno Lísias, o governador Félix e depois o novo governador  Festo  fazem declarações de inocência do apóstolo e por definição de toda a religião dos cristãos. Paulo também será julgado com a presença do Rei Agripa. O apóstolo apela a César, como cidadão romano teria que ser atendido, a pressão dos judeus é enorme. O que fazer.

Vale questionarmos ao ler este capítulo as semelhanças com o que acontece hoje em dia: 1. Os inocentes são julgados com justiça?

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Diante de Felix

At 26, 1 – 32

Paulo é enviado ao Rei Agripa e vai acompanhado do governador Festo e de algumas “autoridades” judaicas. Agripa não pertencia ao Sinédrio mas é uma figura extremamente importante, um rei.

Paulo então conta como foi a sua conversão e vai demonstrar passo a passo a importância de Jesus e sua mensagem. Festo, Agripa e os demais chegam a um consenso da inocência de Paulo e só não o soltam por ele ter apelado ao imperador César.

O livro dos Atos está praticamente na reta final e vale sempre a reflexão: 1. Nós católicos aproveitamos toda as ocasiões boas ou más para anunciarmos a nossa fé?

Refletindo

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Trecho de papiro dos Atos dos Apóstolos Codex Laudianus

É um exemplo muito claro de como a nossa fé pode ser posta a prova em momentos adversos. Ser fiel a Jesus é acima de tudo defender com coragem e sabedoria aquilo que acreditamos. Hoje vemos muitos católicos que acabam não defendendo a própria fé. Muitas vezes por não gostarem de ler ou procurar por um entendimento maior da fé, outras vezes por falhas de quem está a frente da comunidade de fé que não promove grupos de estudos ou fazem da catequese e grupos da igreja um lugar de evangelização e vivência na fé continuas. Paulo pelo contrário não muda uma virgula na sua defesa da fé em Jesus Cristo e mesmo sabendo que vai pagar por isso, não admite ser convencido do contrário.

Nas nossas comunidades existem muitos desafios a serem enfrentados, mas eles só serão vencidos com a defesa da nossa fé. Sempre em Cristo.

Milton Cesar

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São Marcos

Marcos pertencente a tribo de Levi, era judeu de origem e de uma família tão Cristã que sempre acolheu Jesus, Maria e os apóstolos em sua casa: ‘Ele se orientou e dirigiu-se para a casa de Maria, mãe de João, chamado Marcos; estava lá uma numerosíssima assembléia a orar‘ (Atos 12, 12).

A tradição nos leva a crer que na casa de São Marcos teria acontecido a Santa Ceia celebrada por Jesus, assim com o dia de Pentecostes, onde ‘inaugurou’ a Igreja Católica. Encontramos na Bíblia que o Santo de hoje acompanhou inicialmente São Barnabé e São Paulo em viagens apostólicas, e depois São Pedro em Roma.

São Pedro, que o chama de ‘meu filho’, o teve certamente consigo em suas viagens a Roma, onde Marcos teria escrito o Evangelho. A antigüidade cristã, a começar por Pápias, chama-o de ‘intérprete de Pedro’. ‘Marcos, um intérprete de Pedro, escreveu exatamente tudo aquilo que se lembrava. Escreveu, porém, o que o Senhor disse ou fez, não segundo uma ordem. Marcos não escutou diretamente o Senhor, nem o acompanhou; ele ouvia São Pedro, que dispunha seus ensinamentos conforme as necessidades’.

Além da familiaridade com São Pedro, o evangelista Marcos pode orgulhar-se de uma longa convivência com o apóstolo São Paulo, com quem se encontrou pela primeira vez em 44, quando Paulo e Barnabé levaram a Jerusalém a generosa coleta da comunidade de Antioquia. De volta, Barnabé, levou consigo o jovem sobrinho Marcos. Após a evangelização de Chipre, quando Paulo planejou uma viagem mais trabalhosa e arriscada ao coração da Ásia Menor, entre as populações pagãs do Tauro, Marcos – conforme lemos nos Atos dos Apóstolos – ‘se separou de Paulo e Barnabé e voltou a Jerusalém’. Depois Marcos voltou ao lado de Paulo quando este estava prisioneiro em Roma.

Em 66 São Paulo nos dá a última informação sobre Marcos, escrevendo da prisão romana a Timóteo: ‘Traga Marcos com você. Posso necessitar de seus serviços‘. Os dados cronológicos da vida de São Marcos permanecem duvidosos. Ele morreu provavelmente em 68 de morte natural, segundo uma tradição e, conforme outra tradição, foi mártir em Alexandria do Egito. Os Atos de Marcos, um escrito da metade do século IV, referem que Marcos, no dia 24 de abril, foi arrastado pelos pagãos pelas ruas de Alexandria, amarrado com cordas ao pescoço. Jogado ao cárcere, no dia seguinte, sofreu o mesmo tormento atroz e sucumbiu. A venda do seu corpo por parte de dois comerciantes e mercadores de Veneza não passa de lenda (828). Porém, é graças a esta lenda que, de 976 a 1071, foi construída a estupenda basílica veneziana dedicada ao autor do segundo Evangelho, simbolizado pelo Leão. As relíquias do corpo de São Marcos estão localizadas na cidade de Veneza desde 815.

São Marcos que na Igreja primitiva fez um lindo trabalho missionário, que não deu fim diante da prisão e morte dos amigos São Pedro e São Paulo, por isso evangelizou no Poder do Espírito Alexandria, Egito e Chipre, lugar onde fundou Comunidades. Conhecido principalmente por ter sido agraciado com o carisma da inspiração e vivência comunitária que deram origem ao Evangelho querigmático de Jesus Cristo segundo Marcos.

A Igreja e o mundo precisam de cristãos como Marcos Evangelista, sendo modelo de: cristão em profunda comunhão com Deus e com os irmãos;
• missionário que anuncia e testemunha a boa nova de Jesus;
• articulador de novas comunidades e pastor dedicado ao Reino;
• escritor que procura transmitir ao mundo a vida, obra e ensinamentos de Jesus, nosso Salvador, Mestre e Senhor.

fides - Copia

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