Círculo Bíblico: Livro de Jó (9/10)

Círculo Bíblico: Livro de Jó

Este é o nono de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o Livro de Jó A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o Livro de Jó (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja mas é ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia, apenas como incentivo. 

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

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Jó 36

“1.Depois Eliú prosseguiu nestes termos: 2.“Espera um pouco e te instruirei. Tenho ainda palavras em defesa de Deus. 3.Vou buscar longe a minha ciência, para justificar aquele que me criou. 4.Pois minhas palavras não são certamente mentirosas e estás tratando com um homem de ciência sólida. 5.Deus é poderoso, mas não é arrogante, é poderoso por sua ciência. 6.Não deixa o ímpio viver, mas faz justiça aos oprimidos. 7.Não tira seus olhos do justo e os faz assentar no trono com os reis, numa glória eterna. 8.Se forem presos em grilhões e atados com os laços da pobreza, 9.ele lhes fará conhecer as suas obras e as faltas que cometeram por orgulho. 10.Abre-lhes os ouvidos para corrigi-los e diz-lhes que renunciem à iniquidade. 11.Se escutarem e obedecerem, terminarão seus dias na felicidade e seus anos em delícias. 12.Mas se não o escutarem, morrerão de um golpe e expirarão por falta de sabedoria. 13.Os ímpios de coração são entregues à cólera e não clamam a Deus quando ele os aprisiona. 14.Por isso morrem em plena mocidade e sua vida passa como a dos efeminados.* 15.Mas Deus salvará o pobre pela sua miséria e o instrui pelo sofrimento. 16.A ti também ele retirará das fauces a angústia, numa larga liberdade e no repouso de uma mesa bem guarnecida.* 17.Mas tu te comportas como um malvado, com o risco de incorrer em sentença e penalidade. 18.Toma cuidado para que a cólera não te inflija um castigo e que o tamanho do resgate não te perca. 19.Acaso levará ele em conta teu grito na aflição e todos os esforços do vigor? 20.Não suspires pela noite da morte, que arrebata os povos de seu lugar! 21.Guarda-te de declinar para a iniquidade, e de preferir a injustiça ao sofrimento. 22.Vê, Deus é sublime em seu poder! Que senhor lhe é comparável? 23.Quem lhe fixou seus caminhos? Quem pode dizer-lhe: ‘Fizeste mal?’. 24.Antes lembra-te de glorificar sua obra, que a humanidade celebra em seus cânticos. 25.Todos os homens a contemplam, mas cada um a considera de longe. 26.Deus é grande demais para que o possamos conhecer; o número de seus anos é incalculável. 27.Atrai as gotinhas de água para transformá-las em chuva no nevoeiro. 28.As nuvens espalham essas águas e as destilam sobre a multidão humana. 29.Quem pode compreender como se expandem as nuvens e o estrépito que sai de sua tenda?* 30.Espalha à sua volta sua luz e encobre as profundezas do mar. 31.É por esse meio que governa os povos e fornece-lhes abundante alimento. 32.Nas suas mãos esconde o raio e fixa-lhe o alvo a atingir. 33.O seu estrondo o anuncia e o rebanho também pressente aquele que se aproxima.”

Jó 37

“1.Por isso, tremeu o meu coração e saltou fora de seu lugar. 2.Escutai, escutai o brado de sua voz e o estrondo que sai da sua boca! 3.Enche dele toda a extensão do céu e seus relâmpagos atingem os confins da terra! 4.Por detrás dele ruge uma voz e troveja com sua voz majestosa. Não retém mais seus raios quando se ouve sua voz. 5.Deus troveja com sua voz maravilhosa, faz prodígios que não compreendemos. 6.Diz à neve: ‘Cai sobre a terra!’. E às pancadas de chuva: ‘Sede fortes!’. 7.Ele põe selos sobre as mãos dos homens, a fim de que todos os mortais reconheçam seu criador.* 8.A fera também entra em seu covil e encolhe-se em sua toca. 9.O furacão sai da câmara do sul e do norte chega o frio. 10.Ao sopro de Deus forma-se o gelo e a superfície das águas se congela. 11.Carrega as nuvens de vapor. As nuvens lançam por toda parte seus relâmpagos, 12.que vão em todos os sentidos sob sua direção, para realizar tudo quanto ele ordena na face da terra. 13.Ora é o castigo que eles trazem, ora seus benefícios. 14.Escuta isto, Jó! Para e considera as maravilhas de Deus! 15.Sabes como Deus as opera e faz brilhar o relâmpago de sua nuvem? 16.Conheces a lei do equilíbrio das nuvens e o milagre daquele cuja ciência é infinita? 17.Por que são quentes as tuas vestes, quando repousa a terra ao sopro do meio-dia? 18.Saberás, como ele, estender as nuvens e torná-las sólidas como um espelho de metal fundido? 19.Dá-me a conhecer o que lhe diremos. Mergulhados em nossas trevas, só sabemos objetar. 20.Quem lhe repetirá o que digo? Acaso pedirá um homem a sua própria perdição? 21.Agora já não se vê a luz, o sol brilha através das nuvens. Passa, porém, um vento e as varre. 22.A luz vem do norte. Deus está envolto numa majestade temível.* 23.Não podemos alcançar o Todo-poderoso. Ele é eminente em força e em equidade; grande na justiça, ele não tem a dar contas a ninguém. 24.Que os homens, pois, o reverenciem! Ele não olha aqueles que se julgam sábios!”.*”

Jó 38

“1.Então, do seio da tempestade, o Senhor deu a Jó esta resposta:* 2.“Quem é este que obscurece a Providência com discursos sem sentido? 3.Cinge os teus rins como um valente! Vou interrogar-te e tu me responderás. 4.Onde estavas, quando lancei os fundamentos da terra? Fala, se estiveres informado disso. 5.Quem lhe deu as medidas, já que o sabes? Ou quem sobre ela estendeu o cordel?* 6.Onde se assentam suas bases? Ou quem colocou nela a pedra angular, 7.sob os alegres concertos dos astros da manhã e sob as aclamações de todos os filhos de Deus? 8.Quem fechou com portas o mar, quando brotou do seio materno, 9.quando lhe dei as nuvens por vestimenta e o enfaixava com névoas tenebrosas? 10.Eu lhe tracei limites e lhe pus portas e ferrolhos, 11.dizendo: ‘Chegarás até aqui e não irás mais longe; aqui se deterá o orgulho de tuas ondas?’. 12.Algum dia na vida deste ordens à manhã, ou indicaste à aurora o seu lugar, 13.para que ela alcançasse as extremidades da terra e dela sacudisse os ímpios?* 14.A terra se molda como a argila sob o sinete e toma cor como um vestido. 15.Aos ímpios, contudo, é recusada sua luz e se rompe o braço ameaçador.* 16.Acaso chegaste até as fontes do mar ou passaste até o fundo do abismo? 17.Apareceram-te, porventura, as portas da morte, ou viste a entrada da morada tenebrosa? 18.Tens ideia da extensão da terra? Fala, se sabes tudo! 19.Onde está o caminho para a morada da luz? Quanto às trevas, onde é o seu lugar? 20.Poderias alcançá-las em seu domínio e reconhecer as veredas de sua morada? 21.Deverias sabê-lo, pois já tinhas nascido e são numerosos os teus dias!* 22.Entraste nos depósitos da neve ou visitaste os armazéns dos granizos 23.que reservo para os tempos de tormento, para os dias de luta e de batalha? 24.Por que caminho se espalha o nevoeiro e se expande o vento do oriente sobre a terra? 25.Quem abre um canal para o aguaceiro e uma rota para os relâmpagos dos trovões, 26.para fazer chover sobre uma terra desabitada e sobre um deserto sem seres humanos, 27.para regar regiões vastas e desoladas, para nelas fazer germinar a erva verdejante? 28.Terá a chuva um pai? Quem gera as gotas do orvalho? 29.De que seio sai o gelo e quem engendra a geada do céu? 30.As águas se endurecem como pedra e a superfície do abismo se congela! 31.És tu que atas os laços das Plêiades ou desatas as correntes do Órion?* 32.És tu que fazes sair a seu tempo as constelações ou conduzes a Ursa com seus filhos? 33.Conheces as leis do céu e regulas sua influência sobre a terra? 34.Levantarás a tua voz até as nuvens e o dilúvio te obedecerá? 35.Tua ordem fará os relâmpagos surgirem e te dirão: ‘Aqui estamos?’. 36.Quem pôs sabedoria nas nuvens e inteligência no meteoro?* 37.Quem pode enumerar com sabedoria as nuvens e inclinar as odres do céu, 38.para que a poeira se transforme em massa compacta e os seus torrões se aglomerem? 39.És tu que caças a presa para a leoa ou satisfazes a fome dos leõezinhos, 40.quando estão deitados em seus covis ou quando se emboscam nas covas? 41.Quem prepara ao corvo o seu alimento, quando seus filhotes gritam a Deus, quando andam de um lado para outro por não terem o que comer?”

Jó 39

“1.Sabes o tempo em que as cabras monteses dão cria nos rochedos? Observaste o parto das corças? 2.Contaste os meses de sua gravidez e sabes o tempo de seu parto? 3.Elas se agacham, dão cria e se livram de suas dores. 4.Seus filhotes tornam-se fortes e crescem nos campos, apartam-se delas e não voltam mais a elas. 5.Quem pôs o jumento selvagem em liberdade e quem rompeu os laços do asno veloz? 6.Dei-lhe o deserto por morada e a planície salgada como lugar de habitação. 7.Ele se ri do tumulto da cidade e não escuta os gritos do tropeiro. 8.Explora as montanhas da sua pastagem e nela anda buscando tudo o que é verde. 9.Quererá servir-te o boi selvagem ou passará a noite em teu estábulo? 10.Podes prendê-lo com uma corda em seu pescoço ou fenderá ele atrás de ti os teus sulcos? 11.Fiarás nele porque sua força é grande e lhe deixarás a seu cuidado o teu trabalho? 12.Confiarás nele para que te traga para a casa o que semeaste e que te encha a tua eira? 13.O avestruz bate as asas alegremente, não tem asas nem penas de bondade?* 14.Abandona os seus ovos na terra e os deixa aquecer no solo, 15.esquecendo-se que um pé poderá esmagá-los ou que animais selvagens poderão pisá-los. 16.É cruel com seus filhotes, como se não fossem seus e não se incomoda de ter sofrido em vão. 17.Pois Deus lhe negou sabedoria e não lhe concedeu inteligência. 18.Mas, quando alça voo, ri-se do cavalo e do cavaleiro. 19.És tu que dás vigor ao cavalo e foste tu que enfeitaste seu pescoço com uma crina ondulante? 20.Que o fazes saltar como um gafanhoto, relinchando terrivelmente? 21.Orgulhoso de sua força, escava a terra com a pata e atira-se à frente das armas. 22.Ri-se do medo, nada o assusta e não recua diante da espada. 23.Sobre ele ressoam a aljava, o ferro brilhante da lança e o dardo. 24.Tremendo de impaciência, devora o espaço e o som da trombeta não o deixa no lugar. 25.Ao sinal do clarim, diz: ‘Vamos!’. De longe fareja a batalha, a voz troante dos chefes e o alarido dos guerreiros. 26.É graças à tua sabedoria que o falcão alça voo e desdobra as suas asas para o sul? 27.É por tua ordem que a águia levanta voo e faz seu ninho nas alturas? 28.Ela habita nos rochedos e neles passa a noite, sobre a ponta rochosa e o cimo escarpado. 29.De lá espia sua presa, pois seus olhos penetram as distâncias. 30.Seus filhotes se alimentam de sangue e onde quer que haja cadáveres, ali está ela”.”

Eliú diz uma frase marcante: ” Mas Deus salvará o pobre pela sua miséria e o instrui pelo sofrimento.” e continua seu discurso inflamado. Até que no capitulo 38 o próprio Deus começa a falar e responder a  Jó. Fazendo perguntas, mas ainda sem deixá-lo responder. É o inicio da grande discussão que se fará entre Deus e Jó.

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“36,14. Como a dos efeminados: trata-se dos prostitutos sagrados destinados, por causa de seus vícios, a uma morte precoce. Ver Dt 23,18. 36,16. A passagem 16-21 é um texto fortemente alterado, do qual é impossível encontrar-se o sentido. Foram tentadas muitas substituições, sendo que nenhuma ainda satisfez. 36,29. Estrépito: o trovão”

“37,7. Selos: a fim de impedi-los de trabalhar fora. 37,22. A luz: outra tradução – o ouro vem do setentrião. 37,24. Não olha: outra tradução – a ele o respeito de todos os homens de coração sábio.”

“38,1. O Senhor: em resposta ao desejo de Jó de comparecer diante de Deus, o Senhor aparece, não para explicar o problema do sofrimento, mas para dar-lhe uma resposta peremptória. O universo é regido por uma inteligência infinitamente sábia: diante desse desdobramento de bondade, não cabe ao homem julgar o modo divino de proceder, mas aceitar humildemente tudo quanto Deus julga oportuno enviar-nos. 38,5. Já que o sabes: ironia. 38,13. Sacudisse: como a poeira que se sacode de um tapete. 38,15. Sua luz: é a obscuridade que é a luz dos celerados, que nunca agem em pleno dia; ver 24,13-17. 38,21. Já tinhas nascido: tom evidentemente irônico. 38,31. Que atas: és capaz de modificar as distâncias entre os astros? 38,36. Tradução incerta.”

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Círculo Bíblico: Livro de Jó (8/10)

Círculo Bíblico: Livro de Jó

Este é o oitavo de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o Livro de Jó A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o Livro de Jó (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja mas é ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia, apenas como incentivo. 

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

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Jó 32

“1.Como Jó persistisse em considerar-se como um justo, estes três homens desistiram de lhe responder. 2.Então, se inflamou a cólera de Eliú, filho de Baraquel, de Buz, da família de Ram. Sua cólera inflamou-se contra Jó, por este pretender justificar-se perante Deus. 3.Inflamou-se também contra seus três amigos, por não terem achado resposta conveniente, dando assim culpa a Deus.* 4.Como fossem mais velhos do que ele, Eliú esperou enquanto falavam com Jó. 5.Mas, quando viu que não tinham mais nada para responder, encolerizou-se. 6.Então Eliú, filho de Baraquel, de Buz, tomou a palavra nestes termos: “Sou jovem em anos, e vós sois anciãos, por isso minha timidez me impediu de manifestar-vos o meu saber. 7.Dizia comigo: ‘A idade vai falar, os muitos anos farão conhecer a sabedoria’. 8.Mas é o espírito de Deus no homem, e um sopro do Todo-poderoso que dá a inteligência. 9.Não são os mais velhos que são sábios, nem os anciãos que discernem o que é justo. 10.Por isso, é que digo: ‘Escutai-me, vou mostrar-vos o que sei’. 11.Esperei enquanto faláveis, prestei atenção em vossos raciocínios. Enquanto discutíeis, 12.segui-vos atentamente. Mas ninguém refutou a Jó, nem respondeu aos seus argumentos. 13.E não digais: ‘Encontramos a sabedoria; foi Deus e não um homem quem nos instrui’. 14.Não foi a mim que dirigiu seus discursos, mas encontrarei outras respostas diferentes das vossas. 15.Ei-los calados, já não dizem mais nada; faltam-lhes as palavras. 16.Esperei que se calassem e cessassem de responder. 17.É a minha vez de responder e vou também mostrar o que sei. 18.Pois estou cheio de palavras, o espírito que está em meu peito me oprime. 19.Meu peito é como vinho arrolhado, como um barril pronto para estourar. 20.Tenho de falar, isso me aliviará. Abrirei meus lábios para responder. 21.Não farei acepção de ninguém, nem adularei este ou aquele. 22.Pois não sei bajular, do contrário, meu Criador logo me levaria.”

Jó 33

“1.E agora, Jó, ouve as minhas palavras e atende a todos os meus discursos. 2.Eis que abro a minha boca. Minha língua, sob o céu da boca, vai falar. 3.Minhas palavras brotam de um coração reto e meus lábios falarão francamente. 4.O espírito de Deus me criou e o sopro do Todo-poderoso me deu a vida. 5.Se puderes, responde-me. Toma posição e fica firme diante de mim. 6.Em face de Deus somos iguais. Como tu, eu também fui formado do barro! 7.Assim, meu temor não te assustará e o peso de minhas palavras não te acabrunhará. 8.Pois, disseste aos meus ouvidos, e ouvi estas palavras: 9.‘Sou puro, sem pecado; sou limpo, não há culpa em mim. 10.É ele que inventa pretextos contra mim e considera-me seu inimigo. 11.Prendeu meus pés no cepo e vigiou todos os meus passos’. 12.Responderei que nisto foste injusto, pois Deus é maior do que o ser humano. 13.Por que o acusas de não dar nenhuma resposta a teus discursos? 14.Ora, Deus fala de uma maneira e de outra e não prestas atenção.* 15.Por meio dos sonhos, das visões noturnas, quando o sono profundo cai sobre os homens, enquanto dormem nos seus leitos, 16.então abre os ouvidos dos mortais e os assusta com suas aparições. 17.Isso para desviá-lo do pecado e livrá-lo do orgulho, 18.para salvar-lhe a alma da cova e sua vida, da seta mortífera. 19.Pela dor também é corrigido o homem em seu leito, quando todos os seus membros são agitados, 20.quando recebe o alimento com desgosto e já não pode suportar as iguarias mais deliciosas. 21.Sua carne se consome aos olhares e seus membros emagrecidos se desvanecem. 22.Sua alma aproxima-se da sepultura e sua vida, daqueles que estão mortos. 23.Se perto dele se encontrar um anjo, um intercessor entre mil, para ensinar-lhe o que deve fazer, 24.ter piedade dele e dizer: ‘Poupai-o de descer à cova, pois recebi o resgate de sua vida’.* 25.Sua carne retomará o vigor da mocidade e ele retornará aos dias de sua adolescência. 26.Ele rezará a Deus, que lhe será propício, contemplará com alegria sua face e restituirá ao homem sua justiça. 27.Cantará diante dos homens, dizendo: ‘Pequei, violei o direito, mas Deus não me tratou conforme meus erros. 28.Poupou minha alma de descer à cova e minha alma bem viva goza a luz!’. 29.Eis o que Deus faz duas e três vezes com o ser humano, 30.a fim de tirar-lhe a alma da cova e iluminá-la com a luz da vida. 31.Presta atenção, Jó, escuta-me, cala a boca para que eu fale! 32.Se tens alguma coisa para dizer, responde-me; fala, eu gostaria de te dar razão. 33.Se não, escuta-me, cala-te, e eu te ensinarei a sabedoria”.”

Jó 34

“1.Eliú retomou a palavra nestes termos: 2.“Sábios, ouvi meu discurso; eruditos, prestai atenção. 3.Pois o ouvido discerne o valor das palavras como o paladar saboreia as iguarias. 4.Procuremos escolher o que é justo e conhecer entre nós o que é bom. 5.Jó disse: ‘Eu sou inocente, mas Deus recusa fazer-me justiça. 6.A despeito de meu direito, passo por mentiroso; minha ferida é incurável, sem que eu tenha pecado’. 7.Existe um homem como Jó, que bebe a blasfêmia como quem bebe água, 8.que anda de par com os ímpios e caminha com os perversos? 9.Pois ele disse: ‘O homem não ganha nada em ser agradável a Deus’. 10.Ouvi-me, pois, homens sensatos: longe de Deus a injustiça, longe do Todo-poderoso a iniquidade! 11.Ele trata o homem conforme seus atos e dá a cada um o que merece. 12.Pois, Deus não é injusto e o Todo-poderoso não falseia o direito. 13.Quem lhe confiou a administração da terra? Quem lhe entregou o universo? 14.Se lhe retomasse o sopro, se lhe retirasse o alento, 15.toda a carne expiraria no mesmo instante, e o homem voltaria ao pó. 16.Se tens inteligência, escuta isto, e dá ouvidos ao som de minhas palavras! 17.Acaso um inimigo do direito poderia governar? Pode o Justo, o Poderoso cometer a iniquidade? 18.Ele que disse a um rei: ‘Malvado!’. Ou aos príncipes: ‘Celerados!’. 19.Ele não tem preferência pelos grandes, nem tem mais consideração pelos ricos do que pelos pobres, pois são todos obras de suas mãos. 20.Subitamente, perecem no meio da noite; os povos vacilam e passam, o poderoso desaparece, sem o socorro de mão alguma.* 21.Pois Deus olha para a conduta de cada um e observa todos os seus passos. 22.Não há obscuridade, nem trevas onde o iníquo possa esconder-se. 23.Pois não precisa olhar duas vezes para um homem para citá-lo em justiça consigo. 24.Abate os poderosos sem inquérito e põe outros em lugar deles. 25.Pois conhece as suas obras, derruba-os à noite e são esmagados. 26.Fere-os como ímpios no lugar onde são vistos, 27.porque se afastaram dele e não quiseram conhecer nenhum de seus caminhos. 28.Fizeram chegar até Deus o clamor do pobre e tornando-o atento ao grito do infeliz. 29.Se ele dá a paz, quem poderá censurá-lo? Se oculta sua face, quem poderá contemplá-lo? 30.Assim trata ele o povo e o indivíduo de maneira que o ímpio não venha a reinar, e já não seja uma armadilha para o povo. 31.Se alguém diz a Deus: ‘Fui seduzido, não mais pecarei, 32.ensina-me o que ignoro; se cometi o mal, não mais o farei!’. 33.Julgas, então, que ele deve punir, já que rejeitaste suas ordens? És tu quem deves escolher, não eu; dize, pois, o que sabes.* 34.As pessoas sensatas me dirão, como qualquer homem sábio que me ouve: 35.‘Jó não falou conforme a razão, falta-lhe bom senso às palavras!’. 36.Pois bem, que Jó seja provado até o fim, já que suas respostas são próprias de um ímpio. 37.Porque a seus pecados acrescenta a revolta. Entre nós, com zombaria, bate as mãos e multiplica as palavras contra Deus”.*”

Jó 35

“1.Eliú retomou ainda a palavra nestes termos: 2.“Imaginas ter razão em pretender justificar-te contra Deus? 3.Quando dizes: ‘Para que me serve isto, qual é minha vantagem em não pecar?’. 4.Pois vou responder-te, a ti e a teus amigos. 5.Contempla os céus e observa as nuvens: vê como são mais altas do que tu. 6.Se pecas, que danos lhe causas? Se multiplicas tuas faltas, que mal lhe fazes? 7.Se és justo, que vantagem lhe dás? Ou que recebe ele de tua mão? 8.Tua maldade só prejudica o homem, teu semelhante; tua justiça só diz respeito a um ser humano. 9.Sob o peso da opressão, geme-se, e clama-se sob a mão dos poderosos. 10.Mas ninguém diz: ‘Onde está Deus, meu Criador, que inspira cantos de louvor em plena noite, 11.que nos instrui mais do que aos animais selvagens e nos torna mais sábios do que as aves do céu?’.* 12.Clamam, mas não são ouvidos, por causa do orgulho dos maus. 13.Por certo, Deus não ouve palavras frívolas, e o Todo-poderoso não lhes presta atenção. 14.Quando dizes que ele não se ocupa de ti, que tua causa está diante dele e que esperas sua decisão, 15.que sua cólera não castiga e que ele ignora o pecado, 16.Jó abre a boca para palavras ociosas e derrama-se em discursos impertinentes”.”

Eliú, filho de Baraquel, estava até oculto no texto, ele é mais jovem do que os outros amigos de Jó e por isso respeita-ose não fala até ver que eles e Jó não chegam a um acordo. Percebe que Jó não dá chance e parece não escutar nada do que lhe é dito. Com uma raiva ele fala e por vezes ordena que Jó se cale para que ele despeje tudo o que sente. Muitas vezes é preciso que falemos o que nos vai ao coração diante de ouvidos surdos para a palavra.

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“32,3. A Deus – o texto hebraico diz: a Jó. Como se vê, os escribas suavizaram a frase por simples escrúpulo religioso, como se ela expressasse qualquer coisa de blasfêmia.”

“33,14. De uma maneira e de outra: pelos sonhos e pelo sofrimento. 33,24. E dizer: subentenda-se – a Deus.”

“34,20. Os povos vacilam: outra tradução – ele fere os ricos. 34,33. Suas ordens: palavras acrescentadas de acordo com o sentido do texto. Nesta passagem (29-33), muito alterada, o sentido parece ser o de que a impunidade do pecador se explica, muitas vezes, pelo arrependimento ulterior. Pretenderia Jó dizer que Deus deveria punir, apesar de tudo? 34,37. Bate as mãos: verso ininteligível.”

“35,11. Mais do que aos animais: outra tradução – pelos animais, pelos pássaros. Sentido da passagem: deveríamos ser mais sensatos: gememos, mas negligenciamos de nos dirigir àquele que pode libertar-nos. Nossos gritos não são ouvidos.”

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Círculo Bíblico: Livro de Jó (7/10)

Círculo Bíblico: Livro de Jó

Este é o sétimo de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o Livro de Jó A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o Livro de Jó (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja mas é ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia, apenas como incentivo. 

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

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Jó 28

“1.Há lugares de onde se tira a prata e lugares onde o ouro é apurado. 2.O ferro é extraído do solo e o cobre é extraído de uma pedra fundida. 3.O homem pôs fim às trevas e escavou as últimas profundidades da rocha obscura e sombria. 4.Longe dos lugares habitados, um povo estrangeiro abre galerias, que são ignoradas pelos pés dos transeuntes. Suspensos, vacilam longe dos humanos. 5.A terra, que produz o pão, é sacudida em suas entranhas como se fosse pelo fogo. 6.Suas rochas encerram jazidas de safiras que contêm pepitas de ouro. 7.A águia não conhece a vereda, nem o olho do abutre a enxergou. 8.Os animais ferozes não a pisaram, nem o leão passou por ela. 9.O homem põe a mão no sílex, derruba as montanhas pela base. 10.Abre galerias nos rochedos, o olhar atento pode ver nelas todos os tesouros. 11.Explora as nascentes dos rios e põe a descoberto o que estava escondido. 12.Mas a sabedoria onde se encontra? Onde está o lugar da inteligência? 13.O homem ignora o caminho dela, ninguém a encontra na terra dos vivos. 14.O abismo diz: ‘Ela não está em mim’. ‘Não está comigo’, diz o mar. 15.Não pode ser adquirida com ouro maciço, nem pode ser comprada a peso de prata. 16.Não pode ser posta em balança com o ouro de Ofir, nem com o ônix precioso ou a safira. 17.Não pode ser comparada nem ao ouro nem ao vidro, ninguém a troca por vaso de ouro fino. 18.Quanto ao coral e ao cristal, nem se fala. A sabedoria vale mais do que as pérolas. 19.Não pode ser igualada ao topázio da Etiópia, nem pode ser equiparada ao mais puro ouro. 20.De onde vem, pois, a sabedoria? Qual é o lugar da inteligência? 21.Um véu a oculta de todos os viventes e até das aves do céu ela se esconde. 22.Declaram o inferno e a morte: ‘Apenas ouvimos falar dela’. 23.Deus conhece o caminho para encontrá-la e é ele quem sabe o seu lugar, 24.porque ele vê até os confins da terra e vê tudo o que há debaixo do céu. 25.Quando ele fixou um peso ao vento e regulou a medida das águas, 26.quando decretou as leis para a chuva, e traçou uma rota aos relâmpagos, 27.então a viu e a descreveu, penetrou-a e escrutou-a. 28.Depois disse ao homem: ‘O temor do Senhor, eis a sabedoria! Fugir do mal, eis a inteligência’.””

Jó 29

“1.Jó continuou seu discurso nestes termos: 2.“Quem me dera tornar-me tal como antes, como nos dias em que Deus me protegia, 3.quando a sua lâmpada luzia sobre a minha cabeça e à sua luz me guiava nas trevas! 4.Tal como era nos dias de meu outono, quando Deus velava como um amigo sobre minha tenda! 5.Quando o Todo-poderoso estava ainda comigo e os meus filhos, em volta de mim! 6.Quando os meus pés se banhavam no creme e o rochedo em mim derramava ondas de azeite. 7.Quando saía para ir à porta da cidade e me assentava na praça pública. 8.Viam-me os jovens e se escondiam e os velhos levantavam-se e ficavam de pé. 9.Os chefes interrompiam suas conversas e punham a mão sobre a boca. 10.Calava-se a voz dos príncipes e sua língua se colava ao céu da boca. 11.Quem me ouvia me felicitava, quem me via dava testemunho de mim.* 12.Livrava o pobre que pedia socorro e o órfão, que não tinha apoio. 13.A bênção do moribundo vinha sobre mim e eu alegrava o coração da viúva. 14.Revestia-me de justiça e a equidade era para mim como uma roupa e um turbante. 15.Era os olhos do cego e os pés daquele que manca. 16.Era o pai dos pobres e examinava a fundo a causa dos desconhecidos. 17.Quebrava o queixo do perverso e arrancava-lhe a presa de entre os dentes. 18.E dizia: ‘Morrerei no meu ninho e meus dias serão tão numerosos quanto os da fênix’.* 19.Minha raiz atinge a água e o orvalho ficará durante a noite sobre meus ramos. 20.Minha glória sempre se renovará e meu arco se reforçará em minha mão. 21.Escutavam-me, esperavam e recolhiam em silêncio meu conselho. 22.Quando acabava de falar, não acrescentavam nada e minhas palavras eram recebidas como orvalho. 23.Esperavam-me como se espera a chuva e abriam a boca, como se fosse para a chuva de primavera. 24.Sorria para aqueles que perdiam coragem; ante o meu ar benevolente, deixavam de estar abatidos. 25.Quando ia ter com eles, tinha o primeiro lugar, era importante como um rei no meio de suas tropas, como o consolador dos aflitos.”

Jó 30

“1.Agora zombam de mim os mais jovens do que eu, aqueles cujos pais eu desdenharia de colocar com os cães do meu rebanho.* 2.De que me serviria a força de seus braços, homens cujo vigor já pereceu inteiramente? 3.Reduzidos a nada pela miséria e pela fome, roem um solo árido e desolado. 4.Colhem ervas e cascas dos arbustos, e por pão têm somente a raiz das giestas. 5.São expulsos do povo e gritam com eles como se fossem ladrões. 6.Moram em barrancos medonhos, nas cavernas da terra e dos rochedos. 7.Ouvem-se seus gritos entre os arbustos e amontoam-se debaixo das urtigas. 8.São filhos de infames e de gente sem nome, que são expulsos da terra… 9.Agora, porém, sou o assunto de suas canções, tema de seus escárnios. 10.Afastam-se de mim com horror e não receiam cuspir-me no rosto. 11.Desamarraram a corda para humilhar-me, sacudiram de si todo o freio diante de mim. 12.À minha direita levanta-se a raça deles, tentam atrapalhar meus pés e abrem diante de mim o caminho da sua desgraça.* 13.Embaralham minha vereda para me perder e trabalham para a minha ruína. 14.Penetram como por uma grande brecha e irrompem entre escombros. 15.O pavor me invade. Minha esperança é varrida como se fosse pelo vento e minha felicidade passa como uma nuvem. 16.Agora minha alma se dissolve e os dias de aflição me dominaram. 17.A noite traspassa meus ossos e consome-os. Os males que me roem não dormem. 18.Com violência agarra a minha veste e aperta-me como o colarinho de minha túnica. 19.Deus jogou-me no lodo e eu me confundo com a poeira e a cinza. 20.Clamo por ti e não me respondes. Ponho-me diante de ti, e não olhas para mim. 21.Tornaste-te cruel para comigo e atacas-me com toda a força de tua mão. 22.Tu me arrebatas e me faz cavalgar o tufão, para me aniquilar na tempestade. 23.Bem sei que me levarás à morte, ao lugar onde se encontram todos os viventes. 24.Mas não é para aquele que cai que estendi a mão quando, na ruína, pedia socorro? 25.Não chorei com os oprimidos? Não teve minha alma piedade dos pobres? 26.Esperava a felicidade e veio a desgraça, esperava a luz e vieram as trevas. 27.Minhas entranhas abrasam-se sem nenhum descanso, assaltaram-me os dias de aflição. 28.Caminho no luto, sem sol; levanto-me numa multidão de gritos. 29.Tornei-me irmão dos chacais e companheiro dos avestruzes. 30.Minha pele enegrece-se e cai, e meus ossos são consumidos pela febre. 31.Minha cítara só dá acordes lúgubres, e minha flauta sons queixosos.”

Jó 31

“1.Eu havia feito um pacto com os meus olhos, para não desejar nunca olhar para uma virgem. 2.Que parte me daria Deus lá do alto, que sorte o Todo-poderoso me enviaria do céu? 3.Acaso a infelicidade não está reservada ao injusto e o infortúnio ao iníquo? 4.Não conhece Deus os meus caminhos e não conta todos os meus passos? 5.Se caminhei com a mentira e meu pé correu atrás da fraude, 6.que Deus me pese na balança da justiça e reconhecerá a minha integridade. 7.Se meus passos se desviaram do caminho e meu coração seguiu meus olhos, e se às minhas mãos se apegou qualquer mácula, 8.que semeie eu e outro o coma, e minhas plantações sejam desenraizadas! 9.Se meu coração foi seduzido por uma mulher, se fiquei à espreita à porta de meu vizinho, 10.que minha mulher gire a mó para um outro e que estranhos a possuam! 11.Pois isso seria um crime, um delito digno de julgamento, 12.um fogo que devoraria até o abismo e que teria arruinado todos os meus bens. 13.Nunca violei o direito de meu escravo ou de minha serva, em suas discussões comigo. 14.Que farei eu quando Deus se levantar? Quando me interrogar, que lhe responderei? 15.Aquele que me criou no ventre, não o criou também a ele? Um mesmo criador nos formou! 16.Acaso recusei aos pobres aquilo que desejavam e fiz desfalecer os olhos da viúva? 17.Ou comi sozinho meu pedaço de pão, sem que o órfão tivesse a sua parte? 18.Antes, desde minha infância cuidei-o como um pai e desde o ventre materno fui o seu guia. 19.Se vi perecer um homem por falta de roupa e um pobre que não tinha com que cobrir-se, 20.sem que seus rins me tenham abençoado, aquecido como estava com a lã de minhas ovelhas; 21.se levantei a mão contra o órfão, quando me via apoiado pelos juízes,* 22.que meu ombro caia de minhas costas e meu braço seja arrancado de seu cotovelo! 23.Pois o terror de Deus me invadiu e diante de sua majestade não posso subsistir. 24.Nunca pus no ouro minha segurança e jamais disse ao ouro puro: ‘És minha esperança!’. 25.Nunca me rejubilei por ser grande a minha riqueza, nem pelo fato de minha mão ter ajuntado muito. 26.Quando via o sol brilhar e a lua levantar-se em seu esplendor, 27.jamais meu coração deixou-se seduzir em segredo e minha mão não foi levada à boca para um beijo.* 28.Isso seria um crime digno de castigo, pois eu teria renegado o Deus que está no alto. 29.Nunca me alegrei com a ruína de meu inimigo, nem exultei quando a infelicidade o feriu. 30.Não permiti que minha boca pecasse, reclamando sua morte por uma imprecação. 31.Jamais as pessoas de minha tenda me disseram: ‘Há alguém que não tenha ficado satisfeito da carne?’.* 32.O estrangeiro não passava a noite fora, eu abria a minha porta ao viajante. 33.Nunca dissimulei minha culpa aos homens, escondendo em meu peito minha iniquidade, 34.como se temesse a multidão e receasse o desprezo das famílias, a ponto de me manter quieto sem pôr o pé fora da porta. 35.Oh! Se eu tivesse alguém para me ouvir! Eis a minha assinatura: que o Todo-poderoso me responda! Que o meu adversário escreva também um memorial. 36.Por certo eu o carregaria sobre meus ombros e cingiria minha fronte com ele como de uma coroa! 37.Eu lhe prestaria contas de todos os meus passos e me apresentaria diante dele altivo como um príncipe. 38.Se minha terra clamou contra mim e seus sulcos derramaram lágrimas,* 39.se comi seus frutos sem pagar, se afligi os seus donos, 40.que em vez de trigo nasçam espinhos e joio em vez de cevada!”. Aqui terminam os discursos de Jó.*”

O primeiro capitulo estudado hoje começa com Jó clamando a Deus, num tom sempre se reclamação: “2.“Quem me dera tornar-me tal como antes, como nos dias em que Deus me protegia, 3.quando a sua lâmpada luzia sobre a minha cabeça e à sua luz me guiava nas trevas!” Mal sabe ele sobre as provações que ainda virão. Ele está coberto de chagas e perdeu tudo por isso não se conforma.

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29,11. Alguns propõem transpor os vv. 11-20 depois do 25, para uma melhor coerência do discurso. 29,18. Fênix: dizia-se na Antiguidade, que esse pássaro fabuloso vivia 500 anos; era, diziam, queimado em seu ninho e renascia de suas cinzas. Outra tradução: Numerosos como a areia.”

“30,1. Os mais jovens: trata-se da população que circula nas portas da cidade e que atormenta Jó com suas zombarias. 30,11. Texto muito incerto.”

“31,21. Pelos juízes: literalmente – à porta da cidade, onde funcionam os tribunais. 31,27. Para um beijo: gesto de adoração idolátrica. 31,31. Jamais: para a clareza, uma negação foi suprimida nos dois versos. 31,38. Os vv. do 38 ao 40 parecem fora de seu contexto. Foi proposto inseri-los ou depois do v. 12; ou depois do v. 32. 31,40. Aqui terminam: esta frase é considerada como uma adição posterior.”

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Círculo Bíblico: Livro de Jó (6/10)

Círculo Bíblico: Livro de Jó

Este é o sexto de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o Livro de Jó A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o Livro de Jó (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja mas é ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia, apenas como incentivo. 

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

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Jó 24

“1.Por que não reserva tempos para si o Todo-poderoso? E por que ignoram seus dias os que lhe são fiéis? 2.Os maus mudam as divisas das terras e fazem pastar o rebanho que roubaram. 3.Empurram diante de si o jumento dos órfãos, e tomam em penhor o boi da viúva. 4.Enxotam os pobres do caminho, todos os miseráveis da região precisam esconder-se. 5.Como asnos selvagens no deserto, saem para o trabalho, à procura do que comer, à procura do pão para seus filhos. 6.Ceifam a forragem num campo, vindimam a vinha do ímpio. 7.Passam a noite nus, sem roupa e sem cobertor contra o frio. 8.São banhados pelas chuvas das montanhas e, sem abrigo, achegam-se às rochas. 9.Arrancam o órfão do seio materno e tomam em penhor as crianças do pobre.* 10.Andam nus, por falta de roupa e esfomeados carregam feixes. 11.Espremem óleo nos celeiros, e sedentos pisam os lagares. 12.Sobe da cidade os gemidos dos moribundos. A alma dos feridos grita, mas Deus não ouve suas súplicas. 13.Outros são rebeldes à luz, não conhecem seus caminhos nem habitam em suas veredas. 14.O homicida levanta-se antes do alvorecer para matar o pobre e o indigente. O ladrão vagueia durante a noite. 15.O adúltero espreita o crepúsculo: ‘Ninguém me verá’, diz ele, e põe um véu no rosto. 16.Nas trevas, arrombam as casas. Escondem-se durante o dia, sem conhecer a luz. 17.Para eles, com efeito, a manhã é uma sombra espessa, pois estão acostumados aos terrores da noite. 18.Correm rapidamente na superfície da água, sua herança é maldita sobre a terra; já não tomarão o caminho das vinhas.* 19.Como a seca e o calor absorvem as águas da neve, assim a região dos mortos engole os pecadores. 20.O ventre que o gerou esquece-o, os vermes fazem dele as suas delícias; ninguém mais se lembrará dele. 21.A iniquidade é quebrada como uma árvore. Maltratava a mulher estéril, sem filhos e não fazia o bem à viúva. 22.Punha sua força a serviço dos poderosos. Levanta-se e já não pode mais contar com a vida. 23.Ele lhes dá segurança e apoio, mas seus olhos vigiam seus caminhos. 24.Levantam-se, subitamente já não existem; caem; como os outros, são arrebatados, são ceifados como cabeças de espigas. 25.Se assim não é, quem me desmentirá, quem reduzirá a nada as minhas palavras?”.”

Jó 25

“1.Bildad de Suás tomou então a palavra nestes termos: 2.“A ele, o poder e a majestade. Em sua alta morada faz reinar a paz. 3.Pode ser contado o número de suas legiões? Sobre quem não se levanta a sua luz? 4.Seria justo o homem diante de Deus? Seria puro aquele que nasce da mulher? 5.Se até mesmo a lua não brilha e as estrelas não são puras a seus olhos 6.quanto menos o homem, esse verme, e o filho do homem, esse vermezinho!”.*”

Jó 26

“1.Jó tomou então a palavra nestes termos: 2.“Como tens ajudado bem o fraco e socorrido o braço sem vigor! 3.Como sabes aconselhar o ignorante e dar mostras de abundante sabedoria! 4.A quem diriges este discurso? Sob a inspiração de quem falas tu? 5.As sombras agitam-se sob a terra, as águas e seus habitantes estão temerosos. 6.A região dos mortos está descoberta diante dele, os infernos estão sem véu. 7.Ele estende o firmamento sobre o vácuo e suspende a terra sobre o nada. 8.Armazena as águas em suas nuvens e as nuvens não se rasgam sob seu peso. 9.Vela a face da lua, estendendo sobre ela a sua nuvem. 10.Traçou um círculo sobre a superfície das águas, até onde a luz confina com as trevas. 11.As colunas do céu estremecem e se assustam com a sua ameaça. 12.Com sua força fendeu o mar e com sua sabedoria destruiu Raab.* 13.Seu sopro varreu os céus e sua mão feriu a serpente fugitiva.* 14.Eis que tudo isso não é mais que o contorno de suas obras e se apenas percebemos um fraco eco dessas obras, quem compreenderá o trovão de seu poder?”.”

Jó 27

“1.Jó continuou seu discurso nestes termos: 2.“Pelo Deus vivo que me recusa justiça, pelo Todo-poderoso, que enche minha alma de amargura. 3.Enquanto em mim restar alento e o sopro de Deus passar por minhas narinas, 4.meus lábios não falarão maldades e minha língua não proferirá mentiras. 5.Longe de mim dar-vos razão! Até meu último suspiro defenderei minha inocência, 6.mantenho firme minha justiça, não a abandonarei; minha consciência não acusa nenhum de meus dias. 7.Que meu inimigo seja tratado como ímpio e meu adversário, como perverso! 8.Que pode esperar o ímpio de sua oração, quando eleva para Deus a sua alma? 9.Deus escutará seu clamor, quando a angústia cair sobre ele? 10.Encontrará ele seu conforto no Todo-poderoso e invocará ele Deus em todo o tempo? 11.Eu vos ensinarei o poder de Deus, não vos ocultarei os desígnios do Todo-poderoso. 12.Mas todos vós já o sabeis; por que proferis palavras vãs? 13.Esta é a sorte que Deus reserva ao ímpio e a parte reservada ao violento pelo Todo-poderoso.* 14.Se seus filhos se multiplicam, é para a espada e seus descendentes não terão o que comer. 15.Seus sobreviventes serão sepultados na ruína e suas viúvas não os chorarão. 16.Se amontoa prata como pó e se ajunta vestimentas como barro, 17.que amontoe, mas é o justo quem as vestirá e o inocente herdará a prata. 18.Constrói sua casa como a casa da aranha, como a choupana que o vigia constrói.* 19.Deita-se rico, mas é pela última vez. Quando abre os olhos, já deixou de sê-lo. 20.O terror o invade como um dilúvio e um redemoinho o arrebata durante a noite. 21.O vento do leste o leva e o faz desaparecer, varrendo-o violentamente de seu lugar. 22.Precipitam-se sobre ele sem compaixão e é arrastado numa fuga desvairada. 23.Sua ruína é aplaudida. De sua própria casa assobiarão sobre ele.”

Nem sempre é compreensível o tanto que Jó questiona seus amigos que tentam consolá-lo, eles usam sempre da fé e falam da palavra de Deus. Jó que sempre foi um dos servos mais queridos e agraciados de Deus vacila sempre nesta fé. É importante que cada um ao ler as passagens possa comentar o que está entendendo ou não e como afetam eles pelas palavras mais irritadas de Jó.

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“25,6. A extrema brevidade do discurso de Bildad (cap. 25), por um lado, e a dificuldade de conciliar as palavras de Jó, no cap. 26, com as ideias anteriormente expostas por ele fazem supor que ou a continuação do discurso de Bildad se tenha perdido, ou que o cap. 26, erroneamente atribuído a Jó, seja sua continuação real.”  Talvez seja válido considerar que na realidade tanto o capitulo 25 quanto o 26 se tratem do discurso de Bildad

“26,12. Raab: o monstro (ver 9,13 e nota). 26,13. A serpente fugitiva: Leviatã, monstro mitológico, como se explicou em 3,8 nota.”

“27,13. Os onze versículos seguintes parecem não fazer originalmente parte do discurso de Jó. Muitos autores propõem ver neles um fragmento do discurso que falta de Sofar. Jó retoma a palavra no começo do cap. 28. 27,18. Como casa de aranha: outra tradução – Como um ninho. – Choupana: na época em que amadureciam as frutas, um guarda residia nas vinhas para vigiá-las.”

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