Mulheres na Ressurreição de Cristo

Personagens: As Mulheres e o sepulcro vazio

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As mulheres foram as primeiras a receberem e darem a noticia da ressurreição de Jesus Cristo, fato este relatado pelos 4 evangelhos e que não pode ser contestado em nenhum momento.

A cena é sempre a mesma: o túmulo vazio, e um ou dois anjos em vestes alvas e resplandecentes, que anunciam que o Senhor está vivo e pedem às mulheres que contem a boa nova aos demais apóstolos. Quando são avisados da ressurreição, os doze discípulos não acreditam. No evangelho de João, Maria vai até Pedro e João alertá-los que o corpo de Jesus desapareceu. Os dois encontram o túmulo vazio, e apenas João tem a absoluta certeza que o Cristo renasceu dos mortos, cumprindo o que dissera. No evangelho de Lucas, apenas Pedro vai até o sepulcro.

De qualquer maneira, nos evangelhos sinópticos, podemos notar a proeminência que Maria Madalena tem sobre as demais mulheres, sendo as transmissoras da Boa Nova, ou o Evangelho, aos demais discípulos que se tornarão os apóstolos do Cristo.

Mt 28, 1 – 10 : “1.Depois do sábado, quando amanhecia o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o túmulo. 2.E eis que houve um violento tremor de terra: um anjo do Senhor desceu do céu, rolou a pedra e sentou-se sobre ela. 3.Resplandecia como relâmpago e suas vestes eram brancas como a neve. 4.Vendo isso, os guardas pensaram que morreriam de pavor. 5.Mas o anjo disse às mulheres: “Não temais! Sei que procurais Jesus, que foi crucificado. 6.Não está aqui: ressuscitou como disse. Vinde e vede o lugar em que ele repousou. 7.Ide depressa e dizei aos discípulos que ele ressuscitou dos mortos. Ele vos precede na Galileia. Lá o haveis de rever, eu vo-lo disse”. 8.Elas se afastaram prontamente do túmulo com certo receio, mas ao mesmo tempo com alegria, e correram a dar a Boa-Nova aos discípulos. 9.Nesse momento, Jesus apresentou-se diante delas e disse-lhes: “Salve!”. Aproximaram-se elas e, prostradas diante dele, beijaram-lhe os pés. 10.Disse-lhes Jesus: “Não temais! Ide dizer aos meus irmãos que se dirijam à Galileia, pois é lá que eles me verão”.” São Mateus, 28 – Bíblia Católica Online

Mc 16, 1-10:”1.Passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para ungir Jesus. 2.E no primeiro dia da semana, foram muito cedo ao sepulcro, mal o sol havia despontado.* 3.E diziam entre si: “Quem removerá a pedra do sepulcro para nós?”. 4.Levantando os olhos, elas viram removida a pedra, que era muito grande. 5.Entrando no sepulcro, viram, sentado do lado direito, um jovem, vestido de roupas brancas, e assustaram-se. 6.Ele lhes falou: “Não tenhais medo. Buscais Jesus de Nazaré, que foi crucificado. Ele ressuscitou, já não está aqui. Eis o lugar onde o depositaram. 7.Mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele vos precede na Galileia. Lá o vereis como vos disse”. 8.Elas saíram do sepulcro e fugiram trêmulas e amedrontadas. E a ninguém disseram coisa alguma por causa do medo. 9.Tendo Jesus ressuscitado de manhã, no primeiro dia da semana apareceu primeiramente a Maria de Magdala, de quem tinha expulsado sete demônios.* 10.Foi ela noticiá-lo aos que estiveram com ele, os quais estavam aflitos e chorosos.”  São Marcos, 16 – Bíblia Católica Online

Lc 24, 1 – 10 : “1.No primeiro dia da semana, muito cedo, dirigiram-se ao sepulcro com os aromas que haviam preparado. 2.Acharam a pedra removida longe da abertura do sepulcro. 3.Entraram, mas não encontraram o corpo do Senhor Jesus. 4.Não sabiam elas o que pensar, quando apareceram em frente delas dois personagens com vestes resplandecentes. 5.Como estivessem amedrontadas e voltassem o rosto para o chão, disseram-lhes eles: “Por que buscais entre os mortos aquele que está vivo? 6.Não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos de como ele vos disse, quando ainda estava na Galileia: 7.O Filho do Homem deve ser entregue nas mãos dos pecadores e crucificado, mas ressuscitará ao terceiro dia”. 8.Então, elas se lembraram das palavras de Jesus. 9.Voltando do sepulcro, contaram tudo isso aos Onze e a todos os demais. 10.Eram elas Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago; as outras suas amigas relataram aos apóstolos a mesma coisa.” 
São Lucas, 24 – Bíblia Católica Online

Jo 20, 1 – 2: “1.No primeiro dia que se seguia ao sábado, Maria Madalena foi ao sepulcro, de manhã cedo, quando ainda estava escuro. Viu a pedra removida do sepulcro. 2.Correu e foi dizer a Simão Pedro e ao outro discípulo a quem Jesus amava: “Tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram!”.” São João, 20 – Bíblia Católica Online

 

as mulheres no sepulcro

Podemos analisar as informações com atenção: Mateus diz que Maria Madalena e a “outra” Maria (sem explicar se seria Maria, mãe de Jesus) foram ao túmulo quando amanhecia o primeiro dia da semana. Já Marcos fala que no primeiro dia da semana Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé foram ao túmulo bem cedo quando o sol mal havia despontado, mas também diz que quando Jesus ressuscitou apareceu primeiro a Maria de Magdala (dando a entender que esta seria outra Maria e não Maria Madalena, mas na verdade este trecho é de um manuscrito mais antigo). Lucas fala que no primeiro dia da semana Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago foram bem cedo ao sepulcro, mas fala também que “as outras suas amigas” contaram aos discípulos então teriam outra mulheres. João é mais sucinto e fala apenas de Maria Madalena indo ao túmulo.

Podemos considerar, baseando-se nas narrativas que ocorreram três visitações das mulheres ao sepulcro e elas tiveram a primazia de descobrirem a ressurreição e também foram as primeiras a encontrar Jesus novamente vivo.

Vou usar como cronologia:

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  1. A primeira visita é a de Maria Madalena que foi narrada por João e Marcos reforça isso no versículo 9.
  2. Mateus narra a segunda visitação, quando Maria Madalena foi novamente ao
    sepulcro, mas desta vez acompanhada da outra Maria, e já estava “ficando claro”
  3. Marcos e Lucas narram a terceira visita ao sepulcro, a qual fora realizada pelas mulheres. Marcos cita Maria Madalena, Salomé e Maria, mãe de Tiago e Lucas diz que eram Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago, mas podemos concluir que sejam as mesmas por causa dos aromas que elas tinham comprado e preparado ou que ao invés de 3 eram 4 já que Lucas ainda fala de outras amigas.

Maria Madalena é citada em todos os Evangelhos, porém Maria, mãe de Jesus, não aparece em nenhum dos relatos.

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Quando as mulheres retornam do cemitério após a devoção da Páscoa, elas trouxeram notícias sobre o túmulo vazio e reportaram que “Ele não está lá e ressuscitou!”. Os apóstolos ficaram incrédulos, com alguns estudiosos atribuindo a falta de entusiasmo ao fato de a mensagem ter chegado através de mulheres. Flávio Josefo escreveu que a tradição judaica afirmava: “Não permita que evidências sejam aceitas através das mulheres por causa de sua leviandade e da temeridade de seu sexo.”

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A morte não o segurou

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“Ressuscitou como disse… Aleluia! A vida venceu a morte!”

Padre César Augusto dos Santos – Cidade do Vaticano
“Quando acreditarmos no poder de Deus e formos mais irmãos, adeptos da partilha e do serviço, perceberemos os sinais da Vida a todo momento, pois estaremos desde agora vivendo à luz de Deus. Feliz Páscoa a todos!”

O Evangelho de São João nos diz que no primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de Jesus e o encontrou vazio. João faz questão de ressaltar que era de madrugada e ainda estava escuro. Podemos perceber que o evangelista ao registrar que o fato aconteceu no primeiro dia da semana, quer fazer alusão à nova criação. O que ele vai relatar é uma novidade radical, é a vida nova de um homem, não um fato como a denominada ressurreição de Lázaro, que volta à vida, mas continua submetido à necessidade de cuidar de sua saúde, de se alimentar e que voltará a morrer.

João vai relatar a autêntica ressurreição, a vitória de Jesus sobre as limitações humanas, sobre suas fragilidades, sobre a morte. Jesus jamais voltará a morrer. A morte nunca mais terá poder sobre ele, porque ele, a Vida, a destruiu.

Contudo, Maria Madalena, apesar de ter escutado várias vezes Jesus dizer que ressuscitaria, a dor da morte é tal que ela se esquece das palavras do Mestre.

Apesar do corpo de Jesus já ter sido ungido na sexta-feira por José de Arimatéia e por Nicodemos, ela não consegue ficar longe do corpo morto do Senhor. A escuridão enfatizada no texto é um símbolo do estado interior de Maria. Ela está com uma vida sem sentido, sem alegria. Seus grande libertador, seu grande amigo está morto. Ela vai ao sepulcro quando ainda está escuro, na natureza e no seu interior. Mas seu coração está iluminado pelo amor, por isso ela vai até ao sepulcro.

Ela o encontra vazio. Sente-se despontada e mais desolada, perdida e impotente. Maria Madalena busca o cadáver de Jesus. Ela esqueceu totalmente a promessa dele de que iria ressuscitar.

Ela olha para o sepulcro vazio e vê dois anjos, um na cabeceira e outro nos pés. O evangelista quer nos recordar os dois anjos que foram colocados, um à cabeceira e outro aos pés da arca da aliança. Jesus é a nova aliança. Por isso a aliança de Jesus Cristo é eterna, pois ele ressuscitou.

Mas Madalena, abalada pela dor não reconhece os sinais e só vê o sepucro vazio. Somente após a segunda pergunta de Jesus, ao ouvi-lo pronunciar seu nome e deixar de olhar para o sepulcro e voltar-se para o lado contrário é que ela vê o ressuscitado.

Como Maria Madalena, também nós só veremos os sinais da ressurreição, quando levantarmos nossos olhos dos sinais de morte, e dirigirmos nosso coração para a VIDA. Enquanto estivermos afeiçoados àquilo que é egoísmo, ambição, ira, não perceberemos que a Vida está à nossa frente, e sofreremos as consequências da opção pelos atrativos mortais. Ao contrário, quando acreditarmos no poder de Deus e formos mais irmãos, adeptos da partilha e do serviço, perceberemos os sinais da Vida a todo momento, pois estaremos desde agora vivendo à luz de Deus.

Feliz Páscoa a todos!

Fonte: Vatican News

Verônica

Personagens da Via Crucis: Verônica

Santa-Verônica

O nome “Verônica” em si é uma forma latinizada de Berenice, um nome macedônio que significa “portador da vitória” (correspondente à em grego: phere-nikē). A etimologia popular atribui sua origem às palavras para “verdade” (em latim: vera) e “imagem” (em grego: eikon), inclusive a Enciclopédia Católica

Santa Verônica viveu no primeiro século. É a mulher de Jerusalém que enxugou a face
de Jesus com um véu branco no seu caminho para o Calvário. De acordo com a
tradição o pano ficou com a impressão da imagem da face de Jesus. Assim a
historia de Santa Verônica tornou-se uma das mais populares da tradição Cristã
e o seu véu é uma das mais amadas relíquias da Igreja. De acordo com a
tradição, Verônica levou o véu para fora da Terra Santa e teria usado para
curar o Imperador Tibérius (14-37) de uma doença. O véu foi subsequentemente
visto em Roma no século oitavo e foi transferido para a Basílica de São Pedro
em 1297 pelo Papa Bonifácio VIII (1294-1303).

Quase nada é conhecido sobre Verônica embora os “Atos de Pilatos” considerado por muito apócrifos a identificam com a mulher mencionada no Evangelho de São Mateus
(9:29-22) que teria sofrido de uma perda de sangue. O nome Verônica significa
“imagem verdadeira” como foi relatado pelo historiador e escolar bíblico
Giraldus Cambrensis (1147-1223). Além disso Matthew de Westminster fala da
impressão da imagem do Salvador como:

“Effigies Domenici vultus quae Veronica nuncupatur”.

Assim a imaginação popular tomou o nome Verônica como sendo o nome de uma pessoa.
O nome assim denotaria como uma relíquia genuína o véu de Verônica, para
diferenciá-lo de outras relíquias similares como aquelas guardadas em Milão. A relíquia é ainda preservada na Basílica de São Pedro e a memória do ato de caridade de Santa
Verônica é comemorado nas Estações da Via Sacra. Embora ela não seja incluída
na Martirologia Romana, ela é honrada pela Igreja com um dia para a sua festa.O
seu símbolo é o véu com a face de Cristo e a Coroa de Espinhos.

Sua festa é
celebrada no dia 12 de julho.

Prof. Felipe Aquino

Curiosidades sobre Verônica

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“Existe alguma passagem nos Evangelhos sobre a Verônica e o seu véu?” Nem tudo que nós católicos acreditamos como revelado por Deus esta contido na Bíblia, na nossa fé católica existem três pilares a Sagrada Escritura, a Sagrada Tradição e o Sagrado Magistério. Estes três pilares juntos nos dão uma visão completa da Revelação de Deus. Verônica é um personagem que nos veio pela Sagrada Tradição.

Uma Tradição muito antiga da Igreja diz que uma mulher enxugou o rosto de Cristo no caminho do Calvário; milagrosamente a imagem de Jesus sofredor teria sido gravada no lenço da mulher. A tradição a chama de Verônica (Veros icona – ícone verdadeiro). O Papa Bento XVI foi o primeiro Papa a visitar o Santuário do Santo Rosto de Manoppello, em agosto de 2006, onde, segundo a tradição, encontra-se o véu com o qual a Verônica teria enxugado o rosto de Cristo. (Zenit.org, Vaticano, 31 ago. 06)

É algo novo e diferente; o que terá motivado o Papa a ver o ícone de Verônica? Certamente o Papa alimenta alguma esperança de que possa ser autêntico, como o santo Sudário de Turim. O Santuário que acolhe a relíquia, conhecida antigamente como «a mãe de todos os ícones», confiada aos Freis Menores Capuchinhos, encontra-se em um pequeno povoado dos Abruptos, nos montes Asininos, a uns 200 quilômetros de Roma.

O Santo Rosto é um véu de 17×24 centímetros. Quando o se aproxima do véu, pode-se ver a imagem de um homem que sofreu, pelos golpes da paixão, como os que sofreu Cristo.

Pe. Heinrich Pfeiffer S.I., professor de iconologia e história da arte cristã na Universidade Pontifícia Gregoriana de Roma, estudou este véu durante treze anos e foi o primeiro cientista a assegurar que se trata do véu da Verônica que antes se custodiava no Vaticano.

No livro apócrifo dos Atos de Pilatos (século VI), fala-se de uma mulher, conhecida com o nome de Verônica (do nome «Vera icona», «verdadeiro ícone»), que enxugou com um véu o rosto de Cristo na Via Sacra. Apesar destas fontes incertas, que se encontram já no século IV, segundo constata o Pe. Pfeiffer, alemão, a história do Véu da Verônica está presente através dos séculos na tradição católica. Em seu filme «Jesus de Nazaré», o diretor de cinema Franco Zeffirelli a recolhe.

Por ocasião do primeiro ano santo da história, no ano 1300, o Véu da Verônicaconverteu-se em uma das «Mirabilia urbis» (maravilhas da cidade de Roma) para os peregrinos que puderam visitar a Basílica de São Pedro no Vaticano. Confirma o maior poeta da história da Itália, Dante Alighieri (1265-1321), no canto XXXI do «Paraíso» (versículos 103-111) na «Divina Comédia».

As marcas do véu da Verônica se perderam nos anos sucessivos ao Ano Santo 1600, quando o véu foi encontrado em Manoppello. O Pe. Pfeiffer explica que no véu de Manoppello, na margem inferior, pode-se ver ainda um pequeno fragmento de vidro do relicário anterior, o que demonstraria sua procedência do Vaticano.

Segundo a «Relação Histórica», escrita em 1646 pelo sacerdote capuchinho Donato de Bomba, em 1608 uma senhora, Marzia Leonelli, para tirar seu marido da prisão, vendeu por 400 escudos o Véu da Verônica, que havia recebido como dote, a Donato Antonio de Fabritius. Dado que a relíquia não se encontrava em boas condições, Fabritius a entregou em 1638 aos padres capuchinhos de Manoppello.

Frei Remigio da Rapino recortou os cantos do Véu e o colocou entre duas molduras de madeira. As molduras e os vidros são o que ainda hoje conservam o véu em Manoppello.

Esta relação, da qual não há outras provas históricas, diverge da reconstrução do Pe. Pfeiffer, narrando a história popular da chegada do ícone aos Abruzos, das mãos de um peregrino, em 1506. Até 1638, o ícone teria passado por várias mãos. Com a criação desta lenda, opinam alguns dos investigadores, se poderia ter tentado ocultar o roubo do Vaticano.

O professor Donato Vittori, da Universidade de Bari, fez um exame do véu em 1997 com raios ultravioleta, descobrindo que as fibras não têm nenhum tipo de pigmentação. Ao se observar a relíquia com o microscópio, descobre-se que não está pintada e que não está tecida com fibras de cor.

Através de sofisticadas técnicas fotográficas digitais, pôde-se constatar que a imagem é idêntica em ambos os lados do véu, como se fosse um slide. A iconógrafa Blandina Pascalis Shloemer demonstrou que a imagem do Santo Sudário de Turim se sobrepõe perfeitamente ao Santo Rosto de Manoppello (com mais de dez pontos de referência).

O Pe. Pfeiffer recolheu as principais obras artísticas da história que se inspiram no véu da Verônica, até que Paulo V proibisse sua reprodução, após o provável roubo no Vaticano, e todas parecem ter por modelo a relíquia de Manoppello.

O Pe. Pfeiffer esteve em Manoppello com o Papa, e explicou que: «Quando os diferentes detalhes se encontram reunidos em uma só imagem, esta última deve ter sido o modelo de todas as demais. Todas as demais pinturas imitam um só modelo: a Verônica de Roma. Por este motivo, podemos concluir que o Véu de Manoppello não é senão o original da Verônica de Roma». Mais informações em http://www.voltosanto.it

A Igreja não nos obriga a crer nestas relíquias e deixa a livre uso da fé de cada um; mas pelo que vimos acima há chances de que o ícone de Verônica seja verdadeiro; o que levou o Papa a ter interesse de vê-lo.

Eis o rosto ensanguentado/ Por Verônica enxugado / Que no pano apareceu / Que no pano apareceu. Pela Virgem dolorosa/ Vossa MÃE tão piedosa/ Perdoai ó meu JESUS/ Perdoai ó meu Jesus.

Minha benção fraterna+

Padre Luizinho, Com. Canção Nova.
http://twitter.com/padreluizinho

Canto de Verônica

O canto de Verônica é um trecho do Livro das Lamentações de Jeremias, referente ao versículo 12 do primeiro capítulo. O cântico de Verônica é entoado nas Igrejas em latim ou em português.

Canto da Verónica (latim) Responsorium :

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O vos omnes

Qui transitis per viam,

Attendite, et videte

Si est dolor similis sicut dolor meus.

Versus :

Attendite, universi populi

Et videte dolorem meum.

 

Canto da Verônica (português) Responsório:

Oh vós todos

Que passais pela via,

Vinde e vede:

Se há dor semelhante à minha!

Verseto :

Atentai, povos do mundo,

E vede a minha dor.

Fontes:

Blog Canção Nova

Cleófas.com

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Disponível em e-Book e livro impresso

O Peixe na Semana Santa

Catequese, Vivência na Fé

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Primeiro podemos ir buscar no Catecismo da Igreja Católica parte dos motivos para o jejum da Semana Santa e principalmente a abstinência de carne. Levando em consideração que a carne é um alimento que muitas pessoas tratam de uma forma especial, chegando ao ponto de muitos não comerem sem carne.

No artigo 7 (As Virtudes)  chegamos no CIC 1809 onde diz:

“A temperança é a virtude moral que modera a atração dos prazeres e proporciona o equilíbrio no uso dos bens criados. Assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos nos limites da honestidade. A pessoa temperante orienta para o bem os apetites sensíveis, guarda uma sã discrição e não se deixa arrastar pelas paixões do coração . A temperança é muitas vezes louvada no Antigo Testamento: «Não te deixes levar pelas tuas más inclinações e refreia os teus apetites» (Não te deixes levar pelas tuas más inclinações e refreia os teus apetites. Sir 18, 30). No Novo Testamento, é chamada «moderação», ou «sobriedade». Devemos «viver com moderação, justiça e piedade no mundo presente» (“Veio para nos ensinar a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver neste mundo com toda sobriedade, justiça e piedade,” Tt 2, 12).”

«Viver bem é amar a Deus de todo o coração, com toda a alma e com todo o proceder […], de tal modo que se lhe dedica um amor incorrupto e íntegro (pela temperança), que mal algum poderá abalar (fortaleza), que a ninguém mais serve (justiça), que cuida de discernir todas as coisas para não se deixar surpreender pela astúcia e pela mentira (prudência)» (Santo Agostinho, De moribus Ecclesiae catholicae).

Não existe então na própria Bíblia uma “ordem” para que se coma apenas peixe na Semana Santa, principalmente na Sexta-feira Santa, mas a tradição católica foi tomando forma e continua até hoje. Apesar da verdadeira exploração do comércio que sabendo que haverá uma procura maior de peixes e frutos do mar nesta época aumenta os preços visando o lucro. Cometem o pecado da avareza, e muitos ainda se dizem católicos.

Santo Tomás de Aquino diz que o “jejum foi estabelecido pela Igreja para reprimir as concupiscências da carne, cujo objeto são os prazeres sensíveis da mesa e das relações sexuais”. Importante recordar que, na época de Santo Tomás, a disciplina exigia esta prática não só na sexta-feira, mas também na quarta e, além da carne, englobava os ovos e os laticínios.

Os Santos Padres também incentivaram sobremaneira este hábito que acabou se consolidando. No entanto, na Idade Média, o Papa Nicolau I, no século IX, instituiu como lei aquilo que era somente um costume. E, assim, a penitência passou a ser obrigatória para todos os cristãos a partir da idade da razão (sete anos).

Ainda no período medieval, em honra à Nossa Senhora, as pessoas passaram a jejuar também aos sábados. Deste modo, o domingo, grande Dia do Senhor, era precedido por dois dias de penitência, em preparação à Páscoa semanal.

Mas o tempo fez com que parte dos costumes perdessem um pouco da sua força e o próprio significado acabasse ficando desconhecido. hoje mesmo algumas pessoas acabam ignorando o costume, algumas vezes por não saberem o real motivo, outras vezes por fazerem um turismo religioso entre várias denominações religiosas e acabarem voltando para a Igreja Católica perdendo o sentido das tradições e mais ainda o sentido do porque se fazer a abstinência de carne.

Com o tempo também, inclusive, os fiéis passaram a se questionar acerca da obrigatoriedade da abstinência na sexta e se a não observância desse preceito se constituía um pecado mortal ou leve. Diante disso, o Papa Inocente III, no século XIII, decretou que realmente é pecado grave. E no século XVII, o Papa Alexandre VII anatematizou quem dissesse que não era pecado grave.

Essa foi a disciplina até 1983, quando houve a promulgação do novo Código de Direito Canônico. No cânon 1251, lemos que é obrigatório fazer “abstinência de carne ou de outro alimento […] em todas as sextas-feiras do ano, a não ser que coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades”. Com relação a este cânon, a CNBB afirma que o fiel católico brasileiro pode substituir a abstinência de carne por uma obra de caridade, um ato de piedade ou ainda trocar a carne por um outro alimento (CNBB, Diretório da Liturgia e da organização da Igreja no Brasil)

Atualmente, a exigência da lei é para aqueles que já completaram catorze anos de idade e não a partir da idade da razão, como era no início, conforme o cânon 1252 do mesmo Código.

Historicamente, fazer da sexta-feira um dia penitencial é algo que afunda suas raízes na época apostólica. A Didaqué, uma espécie de catecismo dos primeiros cristãos, dá conta de que o jejum era feito na quarta e na sexta-feira. A Igreja do Oriente, inclusive, permanece com esse costume.

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O jejum

Um dos elementos que mais aparece nesse período é o jejum e a recomendação para que não se coma carne, em todas as sextas-feiras que antecedem a Páscoa, durante o tempo conhecido como quaresma. O mesmo preceito vale para a quarta-feira de cinzas, o dia em que se inaugura esse tempo de preparação para a Páscoa.

O jejum e a abstinência são sinais, também bíblicos, de conversão. O povo no tempo de Cristo jejuava sobretudo na festa da expiação. Mas há inúmeras outras passagens que lembram o jejum. Até mesmo Jesus, por ocasião das tentações no deserto, jejuou. Em atos dos Apóstolos, os responsáveis pela igreja, quando escolhiam os missionários, jejuavam (Atos 13,2-3) e Paulo, em 2 ocasiões, fala do próprio jejum (II Coríntios 6,5 e 11,27). É claro que jejum pelo jejum não tem sentido e não nos faz melhores. Basta pensar a quantos fazem jejum de maneira forçada, não porque é tempo de quaresma, mas porque não tem o que comer.

Não comer carne tem importância porque contém em si um significado, pois é, como dito acima, sinal de conversão. Não é, em si, a conversão. Quem se abstém da carne está dando um sinal que:

  • quer se afastar do pecado
  • é solidário com quem tem fome
  • sublinha a importância da Palavra de Deus como alimento para a alma
  • exprime a necessidade de colocar um freio no consumismo

Como bem lembram os profetas, o que conta, no final das contas, é a conversão do coração. Todos os gestos exteriores de nada valem se não conduzem a uma renovação do coração. Todavia eles podem ser significativos e a sua observância não deve ser motivo de gozação. Talvez não baste substituir carne por peixe, que nem sempre é mais barato, mas fazer algum gesto concreto que demonstre a nossa adesão ao projeto de Cristo, que mostre a nossa solidariedade com quem deu a vida por nós.

Gesto de conversão

Atualmente a Igreja Católica evita as palavras obrigação e proibição. Ela apenas aconselha a abstinência de carne vermelha como gesto de conversão. O jejum é uma tradição que surgiu na Idade Antiga e se consolidou na Idade Média, época em que pessoas humildes raramente provavam carne. Na época, o povo vivia em terras alheias e a carne vermelha era consumida só em banquetes, nas cortes e nas residências dos nobres. Ela tornou-se, então, símbolo da gula, associado ao pecado. Dessa forma, a Igreja orientava os fiéis a comerem carne à vontade antes da quaresma – o que deu origem aos banquetes chamados “carnevale” e ao nosso carnaval – e depois se absterem de carne, durante os 40 dias que antecediam a Páscoa. O peixe não chegou a entrar na lista da abstinência porque sua presença era irrelevante nos banquetes medievais. Com o passar dos séculos, a carne deixou de estar presente somente nos banquetes e perdeu seu caráter simbólico de pecado. A orientação atual é que os católicos que desejarem se abstenham na Quarta-Feira de Cinzas, nas sextas-feiras da Quaresma e na Sexta-Feira Santa. Pessoas enfermas, idosas e crianças são isentas dessa orientação.

Fontes: Irmã Maria Inês Carniato, da Editora Paulinas (p/ revista Galileu – Ed. Globo)

Abster-se de carne e jejuar na sexta-feira é uma prática plurissecular da Igreja e tem argumentos fortes em seu favor. O primeiro deles é que todos os cristãos precisam levar uma vida de ascese. Esta é uma regra básica da espiritualidade cristã, além de fazer bem para a vida espiritual do fiel, pode ser uma ocasião de testemunho e de catequese para outros. Recusar publicamente, por amor a Cristo, tal prazer pode ser uma forma de incutir no próximo o desejo de também conhecer o Amado, por quem se faz sacrifícios.Por fim, é importante recordar que o costume de se abster de carne na sexta-feira sempre esteve ligado à Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, portanto, é importante recuperá-lo a fim de aumentar ainda mais a devoção e a própria fé.

Peixe também é carne e sangra

348_comocriarA hemoglobina é uma proteína presente no sangue e que define sua cor, contém ferro e leva do pulmão o oxigênio necessário aos movimentos para os tecidos musculares. Nos músculos, também há outra proteína, chamada mioglobina, que ajuda a manter o oxigênio, sendo esta proteína responsável pela cor vermelha da carne”, diz a bióloga de Arraial do Cabo Leonizia Valdeci de Melo, especialista em gerenciamento socioambiental costeiro e licenciada em biologia pela Ferlagos. Os peixes possuem ainda menos mioglobina, por isso, a carne é branca. Devido à grande movimentação do atum, sua carne é avermelhada. O peixe também possui menos sangue que os outros animais, por isso ficou como uma lenda de que o “peixe não sangra, e por isso deve ser comido na sexta-feira santa”, mas na verdade o peixe também é carne e também tem sangue.

Fontes analisadas:

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Livro:

Dos ramos ao madeiro – Parte V (final)

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Uma caçada iniciava-se naquela noite, com consequências que só seriam percebidas só no futuro. Mas naquele momento vários personagens estavam ansiosos.

Não era costume deixar a casa onde era celebrada o Pessach durante a noite depois da ceia, porém Jesus quebrou esta regra. Judas Iscariotes descobriu isso ao chegar com alguns soldados na intenção de entregar o seu mestre, entrou na casa e se deparou apenas com o local vazio. Saiu e ficou pensando durante um tempo onde eles poderiam estar, e lembrou-se do local de refúgio para a oração deles. Seguiu apressado para lá.

No Jardim do Getsemani , Jesus acordava mais uma vez seus discípulos que não conseguiam orar com ele. Mas ele os despertava dizendo que era chegada a hora de que seria entregue nas mãos dos homens.

Jesus havia decido sair da casa com seus discípulos porque já sabia que seria preso e não queria arriscar também a família. Já se ouvia uma movimentação cada vez mais perto quando ele despertou os discípulos. Pedro se posicionou a frente do grupo.

E de repente eles estavam de frente a um grupo de soldados e guardas do Templo, mas o que chamou atenção dos discípulos foi a presença de Judas no meio deles. Então Jesus perguntou saindo do meio dos discípulos :

“- Quem vocês procuram ?” – “A Jesus, o nazareno.” – eles responderam.

“-Sou eu!” – respondeu Jesus. Os soldados se afastaram um pouco, como que se tivessem sofrido um susto. O que era compreensível visto que Jesus era conhecido por seus prodígios. A pergunta foi feita novamente e as mesmas respostas e reações se repetiram. Então Judas aproximou-se de Jesus e deu-lhe um beijo no rosto. Este era o sinal para que os guardas tivessem certeza de que aquele era Jesus. Imediatamente eles agarraram ele. Pedro desferiu um golpe de espada e decepou a orelha de um dos guardas. Então os soldados sacaram suas espadas prontos para matarem Pedro. E Jesus interferiu usando uma autoridade que sempre utilizava, impedindo Pedro de continuar atacando e os soldados de revidarem. Abaixou-se pegou a orelha decepada do Guarda e colocou no lugar, curando imediatamente o ferimento. Este guarda chamava-se Malco e não conseguiu se mover depois disso. Estava em choque, como aquele homem que o Sinédrio queria matar poderia tê-lo curado?

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Jesus foi levado preso. Judas fugiu. Muitos dos discípulos com medo se refugiaram em uma casa nos arredores de Jerusalém. Pedro resolveu ir acompanhar o desenrolar dos fatos. E durante este tempo Pedro fez exatamente o que o Mestre havia predito. Ele negou que conhecia Jesus três vezes, e na última o galo cantou. Eram por volta de 5  da manhã.

O sol rasgava o véu noturno. A cidade despertava sem saber que na casa de Caifás reuniu-se o Conselho restrito, composto de vinte e três pessoas, entre estas estavam sacerdotes e anciãos. Em geral quando o grande Conselho se reunia convidavam-se também representantes dos Fariseus,  mas daquela feita os juízes eram todos Saduceus. Na época romana o poder do Sinédrio estava somente nas mãos dos saduceus . Por volta de meio-dia Jesus já tinha sido interrogado, torturado e chicoteado. Mais uma vez se encontrava em frente a Pilatos e o povo gritava por Barrabas escolhendo a crucificação de Jesus .

O julgamento efetivo já tinha acontecido durante a madrugada, contrariando a própria lei judaica que proibia alguém de ser julgado durante a noite.

Mas com a assinatura de Pilatos , Jesus foi condenado a morte. E saia pelas ruas estreitas de Jerusalém carregando o patibulum da Cruz. Ao chegar ao Golgota foi pregado na cruz e crucificado em meio a 2 ladrões. Às 15h ele morreu . Por volta de 17h seu corpo foi retirado da Cruz por um sacerdote chamado Nicodemo e sepultado em um túmulo novo cedido pelo também sacerdote José de Arimateia.

Depois de 3 dias tudo seria diferente . O mundo todo mudaria quando Maria a mãe de Jesus , Maria de Magdala e a outra Maria se deparassem com a sepultura vazia.

Milton Cesar 

 

Sexta-feira Santa ou simplesmente a Paixão e Morte de Jesus. Somos levamos a contemplar e vivenciar o mistério da iniquidade humana na pessoa de Cristo sim, mas – e sobretudo – o mistério do Seu triunfo definitivo.

O rito da apresentação e adoração da cruz vem como consequência lógica da proclamação da Paixão de Cristo. A Igreja ergue, diante dos fiéis, o sinal do triunfo do Senhor, que havia dito: “Quando vocês levantarem o Filho do Homem, saberão que Eu sou” (Jo 8,28).

Enquanto apresenta a cruz, o celebrante canta por três vezes: “Eis o lenho da cruz, do qual pendeu a salvação do mundo”. A assembleia, cada vez, responde: “Vinde, adoremos!”. Durante a procissão da adoração, entoam-se cânticos apropriados.

Jesus morre no momento em que, no Templo, se imolam os cordeiros destinados à celebração da Páscoa. A Sua imolação é “real”, um sacrifício realizado de uma vez por todas, porque a vítima espiritual tornou inúteis as vítimas materiais.

Outros pormenores completam o quadro: de Jesus não são quebradas as pernas, em conformidade com as prescrições rituais (Ex 12,46); do Seu lado transpassado, jorra o sangue, com o qual são misteriosamente assinalados os que pertencem ao novo povo, aqueles que Deus salva (cf. Ex 12,7.13). Cristo crucificado é, pois, o “verdadeiro Cordeiro pascal”: Ele é a “nossa Páscoa” imolada (cf. 1Cor 5,7).

Os profetas, especialmente o Segundo Isaías (1ª leitura), descrevem o Servo do Senhor no momento em que realiza Sua missão de libertar o povo dos pecados e torná-lo agradável a Deus, como um cordeiro inocente, carregado dos delitos do seu povo, e que, em silêncio, se deixa conduzir ao matadouro. E é de sua morte, aceita livremente, que provém a justificação “para todos”.

O dramático diálogo com Pilatos mostra Jesus silencioso, enquanto a autoridade, neste momento a serviço do pecado do mundo que cega o povo, decide Sua morte e O condena.

Não seria completa a compreensão do mistério de Jesus se não contemplássemos também – como o Apocalipse de João – o Cordeiro glorioso, que está diante de Deus com os sinais das Suas chagas, dominador do mundo e da história (Ap 5,6ss); o Cordeiro que se imolou por amor da Igreja e para o qual ela tende cheia de amor. Na cruz se iniciaram as núpcias do Cordeiro, que terão sua realização plena na festa do céu (cf. Ap 19,7-9).

Neste dia, “em que Cristo, nossa Páscoa foi imolado” (1Cor 5,7), torna-se clara realidade o que desde há muito havia sido prenunciado em figura e mistério: a ovelha verdadeira substitui a ovelha figurativa, e mediante um único sacrifício realiza-se plenamente o que a variedade das antigas vítimas significava.

Com efeito, a obra da redenção dos homens e perfeita glorificação de Deus, prefigurada pelas Suas obras grandiosas no povo da Antiga Aliança, realizou-a Cristo Senhor, principalmente pelo mistério pascal da Sua bem-aventurada Paixão, Ressurreição dentre os mortos e gloriosa Ascensão, mistério este pelo qual, morrendo, destruiu a nossa morte, e ressuscitando, restaurou a nossa vida. Foi do lado de Cristo adormecido na cruz que nasceu o admirável Sacramento de toda a Igreja.

A celebração da “Paixão do Senhor” focaliza o significado original do sofrimento de Jesus que culmina em Sua morte na Cruz. Trata-se do amor em plenitude que é assumido na cruz. Mas, é importante ressaltar que, antes de assumir a cruz de madeira, Jesus assumiu outras grandes e difíceis cruzes.

Podemos ver neste mesmo dia muitas outras “cruzes” levadas por Nosso Senhor: uma é a “cruz” da traição de Judas e outra a da negação de Pedro. Há a “cruz” da condenação por parte de Pilatos e por parte do povo. E outras “cruzes” são a minha e a sua, meu irmão.

Portanto, celebrar a morte de Jesus na Cruz nos faz pensar nas muitas “cruzes” que, ainda hoje, colocamos sobre os Seus ombros através da injustiça, do egoísmo, da falta de ternura, da impiedade, da violência, dos vícios e assim por diante.

Faz-nos pensar também sobre as muitas “cruzes” que os filhos colocam sobre os ombros de seus pais; as “cruzes” que os pais colocam sobre os ombros frágeis de seus filhos; as “cruzes” que os esposos colocam-se mutuamente sobre os ombros um do outro e sobre seus próprios ombros; as “cruzes” que todos colocamos sobre os ombros da comunidade, da Igreja, da sociedade etc.

No entanto, não nos esqueçamos do mais importante: a Cruz de Cristo nos leva à glória da Ressurreição para a Vida Eterna.

Padre Bantu Mendonça (Canção Nova )

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Leia também:

A fé vertical e horizontal (Deus não é sofrimento)

Teologia Leiga

por Milton Cesar

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Dentro da fé católica o crucifixo tem uma simbologia muito grande.

Ao contrário dos detratores que dizem que nós adoramos um “símbolo de tortura” ou ainda aqueles que se apegam a frases prontas e repetidas sem a noção exata do que significa quando bradam : “o meu Deus é vivo e não está na Cruz. “, os católicos  (como eu) apenas têm na Cruz um exemplo máximo de entrega do amor de Deus pelos seus filhos.

Não homilia deste terceiro domingo da Quaresma  (04/03/2018) o padre Márcio Rogério da Paróquia Santa Mônica  (Campinas, SP) falava sobre a relação que devemos ter com a fé e que está tem que ser como a cruz, horizontal com Deus e vertical com os irmãos mas se cruzando no amor do Pai.

Então à partir deste ponto sai da missa refletindo e rezando sobre isso.

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Não foi por acaso que Cristo morreu justamente numa cruz.

A cruz é nossa relação de fé. Deus/Eu/Irmãos. Uma relação vertical do Pai e seu filho (cada um) e horizontal dos filhos com seus irmãos passando por Deus.

Vertical 

Muitas pessoas acabam mudando de religião e a primeira coisa que dizem é : “Eu aceitei Jesus agora estou salva.” Por si só a frase soa estranha já que a pessoa estava em uma igreja durante um grande período e não tinha aceitado Jesus (?)… Mas este não é o ponto é sim o fato da pessoa ter apenas uma relação vertical com a fé : “EU aceitei Jesus agora EU estou salvo.” – perceba que é uma relação apenas da pessoa com Deus, não existe a doação aos irmãos.

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Jesus um dia estava pregando e havia uma multidão ao seu redor e com o avanço do dia e o prenúncio do final da tarde alguns discípulos queriam que Jesus dispensasse a multidão já que a comida daria apenas para eles. Mas Jesus fez a multiplicação dos pães e peixes e alimentou a todos ( Mt 14,13-21; Mc 6,30-44; Lc 9,10-17Jo 6,1-13 ) . Se ele usasse a lógica destes que pregam estar salvos sozinhos ele não teria feito isso.

É muito interessante pensarmos como a cada dia mais surgem denominações religiosas pregando a salvação pessoal a um preço e como estas pessoas atacam a igreja católica por ser diferente disso .

Todos podem ter uma relação vertical com Deus. Mas tem que ser como a cruz, têm que ter o horizontal.

Horizontal 

O horizonte é o que vemos quando olhamos para a frente. Todas as vezes que nos deslocamos é sempre em direção ao horizonte .

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Jesus venceu a morte.  A cruz está vazia

Ter uma relação de fé Horizontal é estar no mesmo nível que cada irmão,  pois somos todos fiéis em busca da salvação.

Deus não vai salvar apenas o rico ou o pobre. Ele quer salvar a todos . Mas para isso devemos ter ciência de que a nossa fé é para ser dividida com todos.

Ninguém acende uma lamparina e a esconder. A luz é para todos.

Ter uma relação horizontal com nossos irmãos não quer dizer que não teremos uma relação vertical com Deus, mas sim que estas relações estão ligadas. Assim como uma cruz que a trave fica no meio do mastro. A nossa fé é onde uma relação se misturam com a outra.

Acreditar em Jesus e levar esta fé a todos.

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Deus não é sofrimento 

Não cruz morreu Jesus e 3 dias depois ele ressuscitou. O filho de Deus veio para morrer por nós para que todos os nossos pecados fossem perdoados. Porque Deus prometeu que nunca mais iria destruir a terra como fez com o dilúvio.

Porém muita gente acha que Deus gosta de ver o sofrimento e até faz com que as pessoas sofram. E pregam do alto de seus lugares de destaques que apenas ele ou aquela religião vai salvar a pessoa.

Acreditem, Deus não quer que soframos nada. Somos seus filhos e temos a liberdade  (livre arbítrio) para escolher o que fazemos.

Muitas das enfermidades que sofremos são causadas pelas nossas escolhas. Por exemplo : As pessoas bebem ou se drogam, ficam viciadas e acabam doentes ou perdem tudo o que tem incluindo família , culpam Deus. Mas de quem é a verdadeira culpa?

O mundo vive em guerra , existem injustiças e violência. Pessoas passando fome. Mas quando analisamos a fundo vemos que é o egoísmo dos próprios homens que levaram a isso.

Até alguns que se autodenominam emissários de Deus e abrem igrejas a cada esquina tem coragem de explorar a fé dos irmãos. Já vi um que pediu para que os fiéis deixassem de pagar 3 aluguéis de suas casas que receberiam uma casa de Deus . É certo isso?

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Deus não gosta do sofrimento de ninguém mas as escolhas para seguir falsos profetas ou uma igreja séria cabe a cada um.

Lembre-se da Cruz e viva a sua vida na verticalidade de Deus mas com a horizontalidade dos irmãos.

Paz e bem da parte do Senhor Jesus

Milton Cesar

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