As Cartas Católicas (Estudo)

Animo, uma nova Catequese (Encontro 17/40 – Jesus Cristo – Complemento 11)

Cartas-catolicas

Epístolas: ler e entender

As epístolas são cartas, mas não como eram conhecidas até pouco tempo atrás, hoje seriam emails ou quem sabe até uma mensagem longa. Estas cartas não eram dirigidas a uma comunidade em particular mas sim a um conjunto de igrejas (na verdade seriam regiões onde na época em que foram escritas, praticavam o cristianismo). Ao todo são sete escritos os chamados Epístolas Católicas :

  1. Epístola de Tiago : Comprovadamente foi escrita por Tiago, chamado “irmão do Senhor “(Gl 2,6-12) e que presidia, como Bispo de Jerusalém, a importante reunião dos apóstolos em 49 d.C. na cidade de Jerusalém. Ele escreve sua carta toda penetrava no espírito do Sermão da Montanha, contendo conselhos para a vida moral: Piedade, justiça e caridade. Serve como guia para o cristão fervoroso. Possui 5 capítulos. TIAGO
  2. Primeira Epístola de Pedro: Esta carta fala sobre a alegria do cristão batizado e a união dos cristãos em Jesus (1 e 2), a carta é dirigida principalmente aos cristãos que sofrem por sua fé e dá ânimo através do exemplo da Paixão de Cristo (3). Apesar de ser atribuída a São Pedro existem dúvidas sobre a verdadeira autoria já que o suposto autor não gostava muito de deixar escritos e preferia a pregação oral. O provável autor seria Silvano, ex seguidor de Paulo e que depois seguirá Pedro e é (auto) citado no capitulo 5,12. Possui 5 capítulos.    PRIMEIRA DE PEDRO
  3. Segunda Epístola de Pedro: Tem como principal objetivo combater os falsos profetas que começam a tentar semear ideias de vida dissoluta no meio dos cristãos. Mais uma vez seu autor parece não ser o próprio São Pedro e sim ser o mesmo autor da Epístola de Judas. Possui 3 capítulos.   SEGUNDA DE PEDRO
  4. Primeira, Segunda e Terceira Epístolas de João: Estas cartas datam do final do primeiro século, e são escritas por João o discípulo que Jesus mais amava,  autor do Evangelho e do Apocalipse. A ideia central da primeira carta é: Deus é amor e Luz. Em consequência o cristão deve conduzir-se como filho da luz: fugir da concupiscência, guardar os mandamentos,  sobretudo o da caridade, e arrepender-se sinceramente, se lhe acontecer cair em pecado. A segunda carta, na verdade um bilhete, foi dirigida a uma comunidade da Ásia  (velada sobre o nome de Kyria -a eleita) e a terceira, também um bilhete, a uma comunidade chamada Gaio e tratam de questões particulares. A primeira tem 5 capítulos, a segunda apenas 13 versículos, a terceira tem 15 versículos.  CARTAS DE JOÃO
  5. Epístola de Judas : Segue a mesma orientação da Segunda Epístola de Pedro com o objetivo de refutar as falsas doutrinas que alguns profetas falsos de vida dissoluta começavam a semear. São um encorajamento premente à fidelidade e ao amor de Deus. Estudos mostram que também neste caso o autor seria o discípulo Judas Tadeu e sim um seguidor de Pedro. Esta carta tem apenas 25 versículos.

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Os discípulos

  • São Tiago: foi um dos discípulos de Jesus Cristo nascido em Betsaida da Galileia. No Novo Testamento é sempre citado entre os quatro primeiros junto com Pedro, André e seu irmão mais novo João. Filho de Zebedeu e de Salomé, pescador, estava com o irmão nas margens do lago Genesaré, quando Jesus os chamou. Testemunhou a ressurreição da filha de Jairo, a transfiguração e a agonia de Jesus no horto do Getsêmani. Chamado junto com seu irmão João de Filhos do Trovão (ou Irmãos Boanerges) por falarem alto e serem mais impacientes.Procurou viver com fidelidade o seu discipulado. No entanto, foi somente após a vinda do Espírito Santo em Pentecostes que São Tiago correspondeu concretamente aos desígnios de Deus. No livro dos Atos dos Apóstolos, vemos o belo testemunho de São Tiago, o primeiro dentre os doze apóstolos a derramar o próprio sangue pela causa do Evangelho: “Por aquele tempo, o rei Herodes tomou medidas visando maltratar alguns membros da Igreja. Mandou matar à espada Tiago, irmão de João” (At 12,1-2). Segundo uma tradição, antes de ser martirizado, São Tiago abraçou um carcereiro desejando-lhe “a Paz de Cristo”. Este gesto converteu o carcereiro que, assumindo a fé em Jesus, foi martirizado juntamente com o apóstolo. Existe ainda outra tradição sobre os lugares em que São Tiago passou, levando a Boa Nova do Reino. De acordo com o Bispo Isidoro de Sevilha, após a ascensão de Jesus, Tiago teria sido o primeiro a evangelizar a Espanha, tornando-se depois seu patrono. Para revigorar esta tradição, no século IX o bispo Teodomiro, da cidade de Iria, afirmou ter reencontrado as relíquias do apóstolo e desde aquela época, a cidade que depois mudaria o nome para Santiago de Compostela, tornou-se importante rota de peregrinação. Conta-se também que após a morte de Jesus, Tiago permaneceu em Jerusalém, junto a Pedro. Foi executado por ordem do rei Herodes Agripa, provavelmente em 44 d.C. muito tempo depois da ascensão de Jesus. Tiago foi o primeiro mártir entre os apóstolos de Cristo.   Seu dia é comemorado em 25 de julho.
S. Tiago Maior - Apóstolo e Mártir

São Tiago (Maior)

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  • São Pedro: nasceu em Betsaida, um pequeno vilarejo às margens do lago de Genesaré, ou Mar da Galiléia, no norte de Israel. Seu nome de nascimento era Simão. Quando conheceu Jesus, Simão era casado (os Evangelhos falam da cura da sogra de Pedro) e morava em Cafarnaum, importante cidade às margens do lago de Genesaré. Era filho de Jonas e tinha um irmão, André. Este foi quem o apresentou a Jesus. Os dois se tornaram discípulos de Jesus e mais tarde apóstolos. São Pedro era pescador e possuía um barco, em sociedade com seu irmão. Ambos trabalhavam no Mar da Galiléia, um lago de água doce formado pelo Rio Jordão, na região da Galiléia em Israel. Quando Jesus conheceu Simão, disse a ele uma frase que mudaria sua vida: Você será pescador de homens. A partir daí, Simão começou seguir Jesus. Num determinado momento, Simão confessou a Jesus: Tu és o Messias, o Filho de Deus. Por isso, Jesus disse que, daquele momento em diante, seu nome seria Pedro, Cefas, Kefas em aramaico, palavra que significa Pedra.  Mais tarde o significado disso ficou claro: Pedro foi o primeiro Papa da Igreja, tornou-se a Pedra onde a Igreja encontra sua unidade. Pedro foi escolhido como o chefe da cristandade aqui na terra: “E eu te digo: Tu és pedra e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares sobre a terra, será ligado também nos céus”. Convertido, despontou como líder dos doze apóstolos, foi o primeiro a perceber em Jesus o filho de Deus.

 

Depois de Pentecostes, São Pedro reunia multidões em suas pregações. Ele tinha o dom da cura de tal forma que as pessoas queriam tocar em seu manto, ou passar sob sua sombra para que fossem curados e libertados, como nos atesta o livro dos Atos dos Apóstolos. Ele escreveu duas cartas que estão no novo testamento, animando e exortando a Igreja nascente.

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São Pedro, o primeiro papa

Depois de Pentecostes, Pedro passou a ser um evangelizador por todos os lugares onde passava. Sua autoridade como o líder da Igreja nascente sempre foi respeitada e atestada por vários documentos da Igreja. Nunca foi questionada. De fato, São Pedro assumiu as chaves da Igreja e seus sucessores, os Papas, são continuadores de sua autoridade e de sua missão dada pelo próprio Jesus cristo.

Devoção e morte de São Pedro

Por pregar o Evangelho destemidamente, São Pedro foi preso várias vezes. Uma vez, em Jerusalém, um anjo de Deus o libertou da prisão passando por vários guardas. Depois de evangelizar e animar a Igreja em vários lugares, Pedro foi para Roma. Lá, liderou a Igreja que sempre crescia, apesar das perseguições.

Assim, os romanos descobriram seu paradeiro, prenderam-no e condenaram-no à morte de cruz por ser o líder da Igreja de Jesus Cristo. No derradeiro momento,São  Pedro pediu para ser crucificado de cabeça para baixo, por não se julgar digno de morrer como seu Mestre.

Seu pedido foi atendido e ele foi morto na região onde hoje é o Vaticano. Seus restos mortais estão no altar da Igreja de São Pedro em Roma. A festa de São Pedro é celebrada no dia 29 de junho.

 

  • São João: Viveu entre 6-103 d.C. e foi um dos doze apóstolos de Cristo. O mais jovem deles. Junto com seu irmão Thiago, foi convidado a seguir Jesus em suas peregrinações. É o autor do quarto e último Evangelho Canônico, pertencente ao Novo Testamento, o “Evangelho segundo João”. Escreveu a primeira, a segunda e a terceira Epístola de João. Foi o “discípulo amado” de Jesus. Foi o único apóstolo que acompanhou Cristo até a sua morte. O Evangelho de João menciona que antes de Jesus morrer, confiou Maria aos seus cuidados. Arqueólogos encontraram no Egito, fragmentos de um papiro, em grego, que pertence ao Evangelho de João. A maior parte do Evangelho relata a vida de Jesus até a sua morte.São João Evangelista (6-103) nasceu em Betsaida na Galileia. Filho do pescador Zebedeu e de Maria Salomé, uma das mulheres que auxiliaram os discípulos de Jesus . João e seu irmão mais velho Tiago, foram convidados a seguir Jesus, logo depois dos apóstolos Pedro e André.

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Quando Jesus se transfigurou, foi João, juntamente com Pedro e Tiago, que estava lá. João é sempre o homem da elevação espiritual, mas não era fantasioso e delicado, tanto que Jesus chamou a ele e a seu irmão Tiago de Boanerges, que significa “filho do trovão”, por terem um temperamento mais exaltado e falar mais alto.

João esteve desterrado em Patmos, por ter dado testemunho de Jesus. Deve ter isto acontecido durante a perseguição de Domiciano (81-96 d.C). O sucessor deste, o benigno e já quase ancião Nerva (96-98), concedeu anistia geral; em virtude dela pôde João voltar a Éfeso (centro de sua atividade apostólica durante muito tempo, conhecida atualmente como Turquia). Lá o coloca a tradição cristã da primeiríssima hora, cujo valor histórico é irrecusável.

O Apocalipse e as três cartas de João testemunham igualmente que o autor vivia na Ásia e lá gozava de extraordinária autoridade. E não era para menos. Em nenhuma outra parte do mundo, nem sequer em Roma, havia já apóstolos que sobrevivessem. E é de imaginar a veneração que tinham os cristãos dos fins do século I por aquele ancião, que tinha ouvido falar o Senhor Jesus, e O tinha visto com os próprios olhos, e Lhe tinha tocado com as próprias mãos, e O tinha contemplado na sua vida terrena e depois de ressuscitado, e presenciara a sua Ascensão aos céus. Por isso, o valor dos seus ensinamentos e o peso de das suas afirmações não podiam deixar de ser excepcionais e mesmo únicos. São João, já como um ancião, depara-se com uma terrível situação para a Igreja, Esposa de Cristo: perseguições individuais por parte de Nero e perseguições para toda a Igreja por parte de seu sucessor, o Imperador Domiciano.

Além destas perseguições, ainda havia o cúmulo de heresias que desentranhava o movimento religioso gnóstico, nascido e propagado fora e dentro da Igreja, procurando corroer a essência mesma do Cristianismo.

Nesta situação, Deus concede ao único sobrevivente dos que conviveram com o Mestre, a missão de ser o pilar básico da sua Igreja naquela hora terrível. E assim o foi. Para aquela hora, e para as gerações futuras também. Com a sua pregação e os seus escritos ficava assegurado o porvir glorioso da Igreja, entrevisto por ele nas suas visões de Patmos e cantado em seguida no Apocalipse.

Completada a sua obra, o santo evangelista morreu quase centenário, sem que nós saibamos a data exata, mas provavelmente foi no ano de 103 d.C. , na cidade de Éfeso, onde foi sepultado. Foi no fim do primeiro século ou, quando muito, nos princípios do segundo, em tempo de Trajano (98-117 d.C). Três são as obras saídas da sua pena incluídas no cânone do Novo Testamento: o quarto Evangelho, o Apocalipse e as três cartas que têm o seu nome. O seu dia é comemorado em 27 de dezembro.

  • São Judas Tadeu: um dos doze, era chamado também Tadeu ou Lebeu, que São Jerônimo interpreta como homem de senso prudente. Judas Tadeu foi quem, na Última Ceia, perguntou ao Senhor: “Senhor, como é possível que tenhas de te manifestar a nós e não ao mundo?” (Jo 14,22). Era primo irmão de Jesus. Sua mãe Maria era prima de Maria Santíssima e o pai Alfeu era irmão de São José. A pregação e o testemunho de Judas Tadeu impressionava os pagãos que se convertiam. Nasceu em Caná de Galileia, na Palestina. Era filho de Alfeu e Maria Cleófas. Era irmão de Thiago, José, Simão e Maria Salomé. Thiago foi um dos doze apóstolos, que se tornou o primeiro bispo de Jerusalém. José era conhecido como o justo. Simão foi o segundo Bispo de Jerusalém.Nas Escrituras, João Evangelista relata que na última ceia, São Judas perguntou ao seu mestre: “Senhor, por que razão hás de manifestar-te a nós e não ao mundo?” Jesus lhe responde afirmando que teriam manifestações dele todos os que guardassem suas palavras e permanecessem fies a seu amor. Um dos discípulos a quem Jesus apareceu no caminho de Emaús no dia da ressurreição.judas tadeu

    É um dos doze citados nominalmente por Mateus e Marcos, em seus Evangelhos, e um dos mais fervorosos do grupo. Depois da ascensão de Jesus e que os Apóstolos receberam o Espírito Santo, no Cenáculo em Jerusalém, iniciou a pregação de sua fé no meio dos maiores sofrimentos e perseguições, pela Galileia. Depois viajou para a Samaria e outras populações judaicas divulgando o Evangelho. Tomou parte no primeiro Concílio de Jerusalém e em seguida passou evangelizando pela Mesopotâmia, atual Pérsia, Edessa, Arábia e Síria. Destacou-se principalmente na Armênia, Síria e Norte da Pérsia, sendo o primeiro a manifestar apoio ao rei estrangeiro, Algar de Edessa.

    Na Mesopotâmia ganhou a companhia de outro apóstolo, Simão o Zelota, aparentemente viajando em companhia de quinto Apóstolo a ir ao Oriente. Segundo relata São Jerônimo, ambos foram martirizados cruelmente quando estavam na Pérsia, mortos a golpes de machado, desferidos por sacerdotes pagãos, por se recusarem a prestar culto à deusa Diana. Assim, na igreja ocidental, os dois santos são celebrados juntos em 28 de outubro. A Igreja Ortodoxa Grega, contudo, distingue Judas de Tadeu, celebrando Judas, “irmão” de Jesus, em 19 de junho, e o apóstolo Tadeu em 21 de agosto.

     

     

     

    SaoJudasTadeu2É invocado como advogado das causas desesperadas e dos supremos momentos de angústia. Essa devoção surgiu na França e na Alemanha no fim do século XVIII. No Brasil, a devoção a esse santo é muito popular e surgiu no início do século XX. Devido à forma como foi martirizado, sempre é representado em suas imagens segurando um livro, simbolizando a palavra que anunciou, e uma machadinha, o instrumento de seu martírio. Suas relíquias atualmente são veneradas na Basílica de São Pedro, em Roma.

    Sua festa litúrgica celebra-se, todos os anos, na provável data de sua morte: 28 de outubro.

    Temos uma epístola de Judas “irmão de Tiago”, que foi classificada como uma das epístolas católicas. Parece ter em vista convertidos, e combate seitas corrompidas na doutrina e nos costumes. Começa com estas palavras: “Judas, servo de Jesus Cristo, e irmão de Tiago, aos chamados e amados por Deus Pai, e conservados para Jesus Cristo: misericórdia, paz e amor vos sejam concedidos abundantemente”. Orígenes achava esta epístola “cheia de força e de graça do céu”.

Apoio de Leitura:

 

Evangelho Segundo São Lucas

Animo, uma nova Catequese (Encontro 13/40 – Jesus Cristo – Complemento 8)

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A Boa Nova de Lucas

O terceiro evangelho dos chamados sinóticos (semelhantes entre si, que incluem ainda os evangelhos escritos por Mateus e Marcos) é também o evangelho que mais da atenção as mulheres do tempo de Jesus, o Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas.

O livro de Lucas, ou sua primeira parte tem muitas coisas em comum com Mateus e Marcos, contudo a obra é bem diferente no seu todo.

Em primeiro lugar, por seu caráter grego. Usa a língua grega melhor que os outros, embora não elimine todos os semitismos tradicionais, em grande parte devida à influência do Antigo Testamento.  Dirige-se a leitores desligados de questões judaicas. Oferece uma mensagem mais imediatamente acessível a leitores pagãos. Em segundo lugar, apresenta-se como historiador de estilo grego: cuidadoso ao consultar os fatos, curtidas em viagens, especialmente marítimas.  Menciona um círculo de testemunhas oculares: depois, um grupo de narradores (que poderiam ser os mesmos).  Atrás vem ele para recolher e ordenar. Sem deixar de proclamar a fé, quer fazer obra de historiador. Na hora de compor suas cenas, não é puramente grego: depende de tradições evangélicas escritas e muito provavelmente orais, e segue a grande tradição narrativa hebraica.

E em terceiro lugar porque seu evangelho é nada mais que a primeira parte de uma obra maior, que continua nos Atos dos Apóstolos, também escrito por Lucas provavelmente até antes do próprio evangelho. (Introdução ao Evangelho Segundo Lucas – Bíblia do Peregrino).

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Quadro  cronológico

O plano de escrita de Lucas retoma as grandes linhas do texto de Marcos com algumas transposições ou omissões.  Alguns episódios são deslocados (Lc 3,19-20; 4,16-3; 5,1-11; 6,12-19; 22,31-34 etc…), ora por influência de outras tradições, entre as quais deve-se notar a que se reflete igualmente no quarto evangelho. Outros episódios são omitidos, seja com O menos interessantes para os leitores pagãos (cf. Mc 9,11-13), seja para evitar duplicatas (cf. Mc 12,28-34 em comparação com Lc 10,25-28). Notar-se-á, sobretudo a ausência de um correspondente de Mc 6,45-8,26. A diferença mais notável em relação ao segundo evangelho é a longa seção mediana, formada por 9,51-18,14, que é apresentada sob a forma de subida para Jerusalém com auxílio de notações repetidas (Lc 9,51; 13,22; 17,11; cf. Mc 10,1) e onde se verá menos a lembrança real de diferentes viagens do que a insistência proposital sobre uma ideia teológica proposital cara a Lucas: A cidade Santa é o lugar em que se deve realizar a salvação (9,31; 13,33; 18,31; 19,11), foi nela que o evangelho começou (1,5s) e é lá que deve terminar (24,52s) por meio de aparições e conversão que não tem lugar na Galiléia (24,13-51, comparar 24,6 com Mc 16,7 e Mt 28,7.16-20) e é de Jerusalém que deve partir a evangelização do mundo ( Lc 24,47 e At 1,8). Em sentido mais Largo, é a subida de Jesus e do cristão para Deus. (Introdução a Lucas – Bíblia de Jerusalém)

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Lucas pintado como médico

Segundo as tradições Lucas teria sido um médico, Vale ressaltar que a medicina da época era rudimentar e ainda influenciada pelas crenças religiosas dos seus praticantes (veja o quadro descrevendo a Medicina da época).

Sabe-se que ele não era judeu e jamais teve contato direto com Jesus.

No prólogo do seu evangelho ele declara que escreveu baseado nos relatos dos Apóstolos e em pesquisas.

 

Tanto Lucas como Paulo fala de Teófilo e existem duas possíveis explicações Sobre quem seria este personagem.

  1. Poderia ser o financiador da escrita do evangelho. Afinal escrever em manuscritos de papiro ou pergaminho ficava muito caro naquela época.
  2. A tradução do nome Teófilo vem do grego “amigo de Deus” e pode indicar que os textos são escritos a qualquer cristão. Indo bem na direção da filosofia de Lucas e Paulo que se preocupavam em levar a mensagem a qualquer pessoa que aceitasse Jesus.

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Lucas teria sido um seguidor de Paulo, e por isso mesmo é lembrado em diversas cartas, inclusive em 2Tm 4 quando diz que está preso em companhia de Lucas ( este estaria prestando auxílio a Paulo preso em Cesárea – hoje Palestina) e pede que seja trazido Marcos.

Conta à tradição que ele foi perseguido pelos romanos e morreu enforcado pelos pagãos em Beócia, regia da Grécia Antiga. Ele teria 84 anos à época.

São Lucas é o padroeiro dos solteiros, pois segundo a tradição nunca se casou.

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Na liturgia:

Lucas: Símbolo: Touro. Pois logo no início de sua narrativa ele fala de Zacarias que tinha a função de ordenar os sacrifícios no templo. Lc 1,5-25

Como cada ano é dedicado a um dos evangelhos sinóticos, dentro do ciclo de 3 anos o Evangelho de Lucas é o do ano C (sendo A o de Mateus, B o de Marcos e o de João na quaresma e tempo pascal, além de vários tempos dentro da igreja)

 

A Medicina no primeiro século

Os médicos do início do cristianismo tinham ideias muito diferentes das atuais. A menstruação era considerada impura, horrorizada médicos da época e obrigava as mulheres a ficarem reclusão.

A Bíblia mostra claramente essa situação em passagens como esta:

Certa mulher que havia doze anos tinha um fluxo de sangue e muito sofrerá na mão de vários médicos. (Mc 5,25).

Não é a toa que Jesus diz: “Médico, cura-te a ti mesmo.” (Lc 4,23) e Lucas a reproduz no seu evangelho.

“TODA e qualquer doença de pele, contagiosa ou não, era considerada incurável, desde uma espinha ou mancha superficial”, escrevem Luigi Schiavo e Valmor da Silva, no livro Jesus Milagreiro e Exorcista. Seus portadores sofriam preconceito e eram isolados da família. “Aos males físicos associavam-se sentimentos de culpa.” As enfermidades eram consideradas como castigos pelos pecados cometidos e o sofrimento era a única possibilidade de cura. Mesmo assim, a melhor a só ocorria mediante a intervenção de Deus.

“Não foram raros os casos em que os doentes apanharam ou foram colocados na fogueira para ficarem livres dos pecados e dos males”, afirma o biólogo Décio Cassiano Altimari, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Texto extraído do livro Discípulos – Coleção Grandes Heróis Bíblicos – Vol. VI Revista das Religiões  (2005) – Editora Abril

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Página original do Evangelho de Lucas

Fontes:images (4)

 

  • Bíblia do Peregrino
  • Bíblia de Jerusalém
  • Bíblia Sagrada CNBB
  • Bíblia Católica Online
  • Wikipedia
  • Livro: Um Santo para Cada Dia – Edições Paulinas

Evangelho Segundo São Marcos

Animo, uma nova Catequese (Encontro 12/40 – Jesus Cristo – Complemento 7)

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O Evangelho de Jesus Cristo segundo São Marcos é o mais antigo dos 4 evangelhos aceitos pela igreja como oficiais. Foi escrito provavelmente em Roma por volta de 65 d.C. época em que Pedro foi preso e depois martirizado. Esta data de composição é confirmada pelas alusões a Guerra Judaica e à destruição de Jerusalém (66-73 d.C) que podem se reconhecer no capitulo 13 de seu evangelho (onde Jesus faz a profecia da destruição do templo e Marcos usou de uma forma de parábola para comparar o que acontecia com as pregações do mestre). Se levarmos em conta a probabilidade de Marcos ser um jovem adolescente quando Jesus foi elevado aos céus e a época em que escreve seu evangelho, ele poderia ter cerca de 35 a 40 anos de idade.

Marcos decidiu registrar a história e os ensinamentos do mestre porque nestes anos, as testemunhas e os discípulos diretos de Jesus, pregadores do evangelho oral, estavam desaparecendo (muitos presos, outros já mortos). Marcos então registra os ensinamentos deles por escrito, criando o gênero literário do evangelho escrito. Respondeu assim às dúvidas que rodeavam a comunidade e forneceu ao mesmo tempo um “manual” para o novo impulso missionário e a expansão da comunidade. As explicações de usos judaicos (Mc 7) mostram que entre seus leitores havia pessoas que não eram de origem judaica também.

“A melhor maneira de sustentar a fé da comunidade é esclarecê-la. Para tanto é preciso voltar sempre àquilo que Jesus disse e fez. Repetindo o primeiro anúncio. Marcos “reevangeliza” a comunidade em crise. Mostra que Jesus não é um messias de sucesso fácil (o “Messias esperado”), mas um messias diferente (o “Messias inesperado”). Nem mesmo seus discípulos o compreenderam, até que ele levasse a termo sua obra. Jesus é o Filho do Homem, o Filho de Deus fiel até a morte por amor e exaltado por Deus na ressurreição, para conduzir novamente o seu rebanho, na “Galiléia” do mundo. [Cf. Mc 16,7].” (introdução ao Evangelho Segundo Marcos – Bíblia da CNBB). Apenas este texto já daria uma grande reflexão, e vou postar futuramente algo sobre isso.

Conteúdo Geral

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Quadro Cronológico do Evangelho de Marcos

Índice do Evangelho (assunto de cada capitulo)

Capitulo 1: Jesus e João Batista

Capitulo 2: A cura de um paralítico e as respostas de Jesus aos discípulos de João e aos fariseus.

Capitulo 3: Jesus cura multidões, chama seus discípulos e ensina sobre o pecado imperdoável

Capitulo 4: As parábolas de Jesus

Capitulo 5: Vários milagres

Capitulo 6: A missão dos doze discípulos, João Batista é morto. Outros milagres de Jesus

Capitulo 7: Jesus, os escribas e fariseus

Capitulo 8: Outros milagres e a confissão de Pedro

Capitulo 9: A transfiguração e diversos ensinos

Capitulo 10: O divórcio, as crianças, as riquezas, o poder e outros ensinos

Capitulo 11: Jesus em Jerusalém

Capitulo 12: Os impostos, a ressurreição, o maior mandamento e outros ensinos

Capitulo 13: O ensino de Jesus sobre o fim dos tempos

Capitulo 14: A ceia do Senhor, Jesus é preso e Pedro nega a Jesus

Capitulo 15: Jesus, Pilatos, Barrabás, a coroa de espinhos, a crucificação, morte e sepultamento de Jesus.

Capitulo 16: A ressurreição de Jesus e sua subida ao céu.

 

Parábolas 

O Sermão da Montanha

O Ministério na Galileia

Primeiro período

Discurso das Parábolas

(As parábolas a seguir são conhecidas como Discurso das Parábolas)

No Caminho de Jerusalém

O Ministério na Judeia

O Ministério final em Jerusalém

Milagres no Evangelho de marcos quadro

Vida e morte de Marcos

san marcusNos livros do Novo Testamento , Marcos é lembrado dez vezes, com o nome hebraico de João, com o nome romano de Marcos ou com o duplo nome de João Marcos (At 12, 12; 13,5; 15, 36-39Cl 4,10; Fm 1, 24; 2Tm 4, 11; 1Pd 5,13). Ele era filho daquela Maria em cuja casa reuniam-se os primeiros cristãos de Jerusalém e onde foi se refugiar o próprio Pedro após a libertação prodigiosa do cárcere (At 12, 1-25).

Marcos era hebreu de origem, nasceu provavelmente fora da Palestina, em uma família abastada. Pedro que o chama de “meu filho”, o teve certamente consigo em suas viagens a Roma, onde Marcos teria escrito seu evangelho. A antiguidade cristã, a começar por Pápias (130 d.C.), chama-o de “intérprete de Pedro”, pois ele escreve exatamente tudo aquilo de que se lembrava. Escreveu porém, o que o Senhor disse ou fez, não segundo uma ordem. Marcos não escutou diretamente o Senhor, nem o acompanhou, mas ele ouviu de Pedro tudo que dispunha de seus ensinamentos conforme as necessidades. Porém existe uma forte corrente de estudiosos que teorizam a probabilidade de a última ceia, e alguns encontros anteriores de Jesus e seus discípulos terem sido realizados na casa de Marcos, então uma criança. Se levarmos em consideração que apenas pessoas de altas posses teriam casas grandes o suficiente para abrigar 13 homens, mais algumas mulheres e alguns seguidores e ainda servir refeição a todos e em alguns casos até abrigo, também considerarmos que a família era amiga de Pedro e tudo indica ser uma família que logo seguiu os ensinamentos de Jesus e era rica, as evidências destas possibilidades se tornam muito mais palpáveis. Então na verdade Marcos teria sim tido uma convivência, mesmo que não tão intensa, com Jesus. Não podemos desconsiderar que Jesus gostava de ensinar também as crianças.saint-mark-1621

Além da familiaridade com São Pedro, o evangelista Marcos poderia orgulhar-se de uma longa convivência com o apóstolo Paulo, com quem se encontrou pela primeira vez em
44, quando Paulo e Barnabé levaram para Jerusalém a generosa coleta da comunidade de Antioquia. De volta Barnabé levou consigo seu sobrinho, o jovem Marcos. Após a evangelização em Chipre, quando Paulo planejou uma viagem mais trabalhosa e arriscada ao coração da Ásia Menor, entre as populações pagãs de Tauro, Marcos – conforme lemos no At –  se separou de Paulo e Barnabé e voltou a Jerusalém. Depois Marcos voltou ao lado de Paulo quando este estava prisioneiro em Roma.

images (1) Em 66 São Paulo nos dá a última informação sobre marcos, escrevendo da prisão romana a Timóteo: “”Só Lucas está comigo. Toma contigo Marcos e traze-o, porque me é bem útil para o ministério” (2Tm 4, 11). Os dados cronológicos da vida de São Marcos permanecem duvidosos. Ele morreu provavelmente em 68 de morte natural, segunda uma tradição, mas conforme outra tradição, foi mártir em Alexandria do Egito , onde teria sido arrastado pelas ruas até a morte.

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Os Atos de Marcos (alguns chamam de Evangelho Secreto de Marcos), um escrito do século IV, referem que Marcos, no dia 24 de abril, foi arrastado pelos pagãos pelas ruas de Alexandria, amarrado com cordas ao pescoço. Jogado ao cárcere, no dia seguinte, sofreu o mesmo tormento atroz e sucumbiu. A venda de seu corpo por parte de dois comerciantes e mercadores de Veneza não passa de uma lenda surgida em 828 d.C. Porém é justamente graças a esta lenda que, de 976 a 1071 foi construída a estupenda basílica veneziana dedicada a São Marcos.

 

Cada evangelista tem um simbolo

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Marcos: Símbolo : Leão . Seu evangelho começa falando do deserto. Geralmente as savanas possuem leões, além do símbolo de Roma ser um leão do Império ter adotado o cristianismo como religião. Mc 1,2-3

Na Liturgia

Na liturgia da Igreja Católica cada ano é dedicado a um dos evangelhos, mais o evangelho de João em épocas especificas. Marcos é o evangelho do ano B, seguindo o cânon da Bíblia, sendo Mateus ano A e Lucas ano C

O dia de São Marcos é 25 de Abril

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São Marcos(detalhe da Catedral Metropolitana de Campinas)

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Imagem de São Marcos na Paróquia São Marcos, O Evangelista

A Paróquia São Marcos, O Evangelista fica em Campinas, SP, e é a única paróquia dedicada a São Marcos em toda a Arquidiocese de Campinas e uma das poucas no Brasil

É também a Paróquia em que cresci na fé, primeiro com uma breve passagem pela Comunidade São Francisco de Assis (Jardim Campineiro), depois exercendo ministério e várias funções na Comunidade Nossa Senhora Aparecida (Jardim São Marcos) e por último sendo coordenador e depois catequista da Comunidade Santo Antonio de Santana Galvão (CDHU San Martins) todas essas comunidades além das Comunidades São José da Esperança (Vila Esperança), Divino Espírito Santo – Matriz (Jardim São Marcos) e Santa Clara de Assis (Vila Olímpia) e Capela da Mãe da Misericórdia (Recanto Fortuna) fazem parte da Paróquia São Marcos e estão situadas na região norte de Campinas. Faço parte desta paróquia.

 

 

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Paróquia São Marcos, O Evangelista (Campinas) ainda em fase de obras

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Paróquia São Marcos, O Evangelista

Rua Adelino de Abreu, 166
Jardim São Marcos – CampinasSP
CEP: 13082-230

Fontes:

  • Bíblia Sagrada  – Edição da CNBB
  • Catecismo da Igreja Católica
  • Livro: Um Santo Para Cada Dia – Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini – Edições Paulinas
  • Links da Bíblia Católica Online
  • Imagens da Internet e fotos pessoais

Creio em Deus-Pai todo poderoso (CIC 142-184) História e Transcrição

Série: Animo, uma nova Catequese (Complemento 4 – Estudo)

Este post trata-se da transcrição do texto do CIC 142-184 Primeira parte -Profissão de Fé e contém uma breve história do Credo Niceno-Constantinopolitano

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Ícone do Concílio de Niceia em 325 d.C.

A RESPOSTA DO HOMEM A DEUS (Transcrição do Catecismo da Igreja Católica)

  1. Pela sua revelação, Deus invisível, na riqueza do seu amor, fala aos homens como amigos e convive com eles, para os convidar e admitir à comunhão com Ele. A resposta adequada a este convite é a fé.
  2. Pela fé, o homem submete completamente a Deus a inteligência e a vontade; com todo o seu ser, o homem dá assentimento a Deus revelador. A Sagrada Escritura chama obediência da fé a esta resposta do homem a Deus revelador.

ARTIGO 1

EU CREIO

  1. A obediência da fé
  2. Obedecer (ob-audire) na fé é submeter-se livremente à palavra escutada, por a sua verdade ser garantida por Deus, que é a própria verdade. Desta obediência, o modelo que a Sagrada Escritura nos propõe é Abraão. A sua realização mais perfeita é a da Virgem Maria.

ABRAÃO – O PAI DE TODOS OS CRENTES

  1. A Epístola aos Hebreus, no grande elogio que faz da fé dos antepassados, insiste particularmente na fé de Abraão: Pela fé, Abraão obedeceu ao chamamento de Deus, e partiu para uma terra que viria a receber como herança: partiu, sem saber para onde ia (Heb 11, 8). Pela fé, viveu como estrangeiro e peregrino na terra prometida . Pela fé, Sara recebeu a graça de conceber o filho da promessa. Pela fé, finalmente, Abraão ofereceu em sacrifício o seu filho único .
  2. Abraão realiza assim a definição da fé dada pela Epístola aos Hebreus: A fé constitui a garantia dos bens que se esperam, e a prova de que existem as coisas que não se vêem (Heb 11, 1). Abraão acreditou em Deus, e isto foi-lhe atribuído como justiça (Rm 4, 3). Fortalecido por esta fé (Rm 4, 20), Abraão tornou-se o pai de todos os crentes (Rm 4, 11. 18).
  3. O Antigo Testamento é rico em testemunhos desta fé. A Epístola aos Hebreus faz o elogio da fé exemplar dos antigos, que lhes valeu um bom testemunho (Heb 11, 2. 39). No entanto, para nós, Deus previra destino melhor: a graça de crer no seu Filho Jesus, guia da nossa fé, que Ele leva à perfeição (Heb 11, 40; 12, 2).

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MARIA – FELIZ AQUELA QUE ACREDITOU

  1. A Virgem Maria realiza, do modo mais perfeito, a obediência da fé. Na fé, Maria acolheu o anúncio e a promessa trazidos pelo anjo Gabriel, acreditando que a Deus nada é impossível (Lc 1, 37) e dando o seu assentimento: Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra (Lc 1, 38). Isabel saudou-a: Feliz aquela que acreditou no cumprimento de quanto lhe foi dito da parte do Senhor (Lc 1, 45). É em virtude desta fé que todas as gerações a hão-de proclamar bem-aventurada .
  2. Durante toda a sua vida e até à última provação , quando Jesus, seu filho, morreu na cruz, a sua fé jamais vacilou. Maria nunca deixou de crer no cumprimento da Palavra de Deus. Por isso, a Igreja venera em Maria a mais pura realização da fé.
  3. Eu sei em quem pus a minha fé (2 Tm 1, 12)

CRER SÓ EM DEUS

  1. Antes de mais, a fé é uma adesão pessoal do homem a Deus. Ao mesmo tempo, e inseparavelmente, é o assentimento livre a toda a verdade revelada por Deus. Enquanto adesão pessoal a Deus e assentimento à verdade por Ele revelada, a fé cristã difere da fé numa pessoa humana. É justo e bom confiar totalmente em Deus e crer absolutamente no que Ele diz. Seria vão e falso ter semelhante fé numa criatura.

CRER EM JESUS CRISTO, FILHO DE DEUS

  1. Para o cristão, crer em Deus é crer inseparavelmente n’Aquele que Deus enviou – no seu Filho muito amado em quem Ele pôs todas as suas complacências : Deus mandou-nos que O escutássemos . O próprio Senhor disse aos seus discípulos: Acreditais em Deus, acreditai também em Mim (Jo 14, 1). Podemos crer em Jesus Cristo, porque Ele próprio é Deus, o Verbo feito carne: A Deus, nunca ninguém O viu. O Filho Unigênito, que está no seio do Pai, é que O deu a conhecer (Jo 1, 18). Porque viu o Pai (Jo 6, 46), Ele é o único que O conhece e O pode revelar .

CRER NO ESPÍRITO SANTO

  1. Não é possível acreditar em Jesus Cristo sem ter parte no seu Espírito. É o Espírito Santo que revela aos homens quem é Jesus. Porque ninguém é capaz de dizer: “Jesus é Senhor”, a não ser pela ação do Espírito Santo (1 Cor 12, 3). O Espírito penetra todas as coisas, até o que há de mais profundo em Deus […]. Ninguém conhece o que há em Deus senão o Espírito de Deus (1 Cor 2, 10-11). Só Deus conhece inteiramente Deus. Nós cremos no Espírito Santo, porque Ele é Deus.

A Igreja não cessa de confessar a sua fé num só Deus, Pai, Filho e Espírito Santo.

III. As características da fé

A FÉ É UMA GRAÇA

  1. Quando Pedro confessa que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo, Jesus declara-lhe que esta revelação não lhe veio «da carne nem do sangue, mas do seu Pai que está nos Céus (Mt 16, 17) . A fé é um dom de Deus, uma virtude sobrenatural infundida por Ele. Para prestar esta adesão da fé, são necessários a prévia e concomitante ajuda da graça divina e os interiores auxílios do Espírito Santo, o qual move e converte o coração para Deus, abre os olhos do entendimento, e dá “a todos a suavidade em aceitar e crer a verdade”.

A FÉ É UM ATO HUMANO

  1. O ato de fé só é possível pela graça e pelos auxílios interiores do Espírito Santo. Mas não é menos verdade que crer é um ato autenticamente humano. Não é contrário nem à liberdade nem à inteligência do homem confiar em Deus e aderir às verdades por Ele reveladas. Mesmo nas relações humanas, não é contrário à nossa própria dignidade acreditar no que outras pessoas nos dizem acerca de si próprias e das suas intenções, e confiar nas suas promessas (como, por exemplo, quando um homem e uma mulher se casam), para assim entrarem em mútua comunhão. Por isso, é ainda menos contrário à nossa dignidade prestar, pela fé, submissão plena da nossa inteligência e da nossa vontade a Deus revelador e entrar assim em comunhão intima com Ele.
  2. Na fé, a inteligência e a vontade humanas cooperam com a graça divina: Credere est actas intellectus assentientis veritati divinae ex imperio voluntatis, a Deo motae per gratiam”Crer é o ato da inteligência que presta o seu assentimento à verdade divina, por determinação da vontade, movida pela graça de Deus.

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A FÉ E A INTELIGÊNCIA

  1. O motivo de crer não é o fato de as verdades reveladas aparecerem como verdadeiras e inteligíveis à luz da nossa razão natural. Nós cremos por causa da autoridade do próprio Deus revelador, que não pode enganar-se nem enganar-nos. Contudo, para que a homenagem da nossa fé fosse conforme à razão, Deus quis que os auxílios interiores do Espírito Santo fossem acompanhados de provas exteriores da sua Revelação. Assim, os milagres de Cristo e dos santos, as profecias, a propagação e a santidade da Igreja, a sua fecundidade e estabilidade são sinais certos da Revelação, adaptados à inteligência de todos, motivos de credibilidade, mostrando que o assentimento da fé não é, de modo algum, um movimento cego do espírito.
  2. A fé é certa, mais certa que qualquer conhecimento humano, porque se funda na própria Palavra de Deus, que não pode mentir. Sem dúvida, as verdades reveladas podem parecer obscuras à razão e à experiência humanas; mas a certeza dada pela luz divina é maior do que a dada pela luz da razão natural. Dez mil dificuldades não fazem uma só dúvida.
  3. A fé procura compreender: é inerente à fé o desejo do crente de conhecer melhor Aquele em quem acreditou, e de compreender melhor o que Ele revelou; um conhecimento mais profundo exigirá, por sua vez, uma fé maior e cada vez mais abrasada em amor. A graça da fé abre os olhos do coração (Ef 1, 18) para uma inteligência viva dos conteúdos da Revelação, isto é, do conjunto do desígnio de Deus e dos mistérios da fé, da íntima conexão que os Liga entre si e com Cristo, centro do mistério revelado. Ora, para que a compreensão da Revelação seja cada vez mais profunda, o mesmo Espírito Santo aperfeiçoa sem cessar a fé, mediante os seus dons. Assim, conforme o dito de Santo Agostinho, eu creio para compreender e compreendo para crer melhor.
  4. Fé e ciência. Muito embora a fé esteja acima da razão, nunca pode haver verdadeiro desacordo entre ambas: o mesmo Deus, que revela os mistérios e comunica a fé, também acendeu no espírito humano a luz da razão. E Deus não pode negar-Se a Si próprio, nem a verdade pode jamais contradizer a verdade. É por isso que a busca metódica, em todos os domínios do saber, se for conduzida de modo verdadeiramente científico e segundo as normas da moral, jamais estará em oposição à fé: as realidades profanas e as da fé encontram a sua origem num só e mesmo Deus. Mais ainda: aquele que se esforça, com perseverança e humildade, por penetrar no segredo das coisas, é como que conduzido pela mão de Deus, que sustenta todos os seres e faz que eles sejam o que são, mesmo que não tenha consciência disso.

A LIBERDADE DA FÉ

  1. Para ser humana, a resposta da fé, dada pelo homem a Deus, deve ser voluntária. Por conseguinte, ninguém deve ser constrangido a abraçara fé contra vontade. Efetivamente, o ato de fé é voluntário por sua própria natureza. E certo que Deus chama o homem a servi-Lo em espírito e verdade; mas, se é verdade que este apelo obriga o homem em consciência, isso não quer dizer que o constranja […]. Isto foi evidente, no mais alto grau, em Jesus Cristo. De facto, Cristo convidou à fé e à conversão, mas de modo nenhum constrangeu alguém. Deu testemunho da verdade, mas não a impôs pela força aos seus contraditores. O seu Reino […] dilata-se graças ao amor, pelo qual, levantado na cruz, Cristo atrai a Si todos os homens.

A NECESSIDADE DA FÉ

  1. Para obter a salvação é necessário acreditar em Jesus Cristo e n’Aquele que O enviou para nos salvar . Porque “sem a fé não é possível agradar a Deus” (Heb 11, 6) e chegar a partilhar a condição de filhos seus; ninguém jamais pode justificar-se sem ela e ninguém que não “persevere nela até ao fim” (Mt 10, 22; 24, 13) poderá alcançar a vida eterna.

A PERSEVERANÇA NA FÉ

  1. A fé á um dom gratuito de Deus ao homem. Mas nós podemos perder este dom inestimável. Paulo adverte Timóteo a respeito dessa possibilidade: Combate o bom combate, guardando a fé e a boa consciência; por se afastarem desse princípio é que muitos naufragaram na fé (1 Tm 1, 18-19). Para viver, crescer e perseverar até ao fim na fé, temos de a alimentar com a Palavra de Deus; temos de pedir ao Senhor que no-la aumente ; ela deve agir pela caridade (Gl 5, 6) , ser sustentada pela esperança e permanecer enraizada na fé da Igreja.

A FÉ – VIDA ETERNA INICIADA

  1. A fé faz que saboreemos, como que de antemão, a alegria e a luz da visão beatifica, termo da nossa caminhada nesta Terra. Então veremos Deus face a face (1 Cor 13, 12), tal como Ele é (1 Jo 3, 2). A fé, portanto, é já o princípio da vida eterna:

Enquanto, desde já, contemplamos os benefícios da fé, como reflexo num espelho, é como se possuíssemos já as maravilhas que a nossa fé nos garante havermos de gozar um dia .

164. Por enquanto porém, caminhamos pela fé e não vemos claramente (2 Cor 5, 7), e conhecemos Deus como num espelho, de maneira confusa, […] imperfeita (1 Cor, 13, 12). Luminosa por parte d’Aquele em quem ela crê, a fé é muitas vezes vivida na obscuridade, e pode ser posta à prova. O mundo em que vivemos parece muitas vezes bem afastado daquilo que a ,fé nos diz: as experiências do mal e do sofrimento, das injustiças e da morte parecem contradizer a Boa-Nova, podem abalar a fé e tornarem-se, em relação a ela, uma tentação.

  1. É então que nos devemos voltar para as testemunhas da fé: Abraão, que acreditou, esperando contra toda a esperança (Rm 4, 18); a Virgem Maria que, na peregrinação da fé, foi até à noite da fé, comungando no sofrimento do seu Filho e na noite do seu sepulcro ; e tantas outras testemunhas da fé: envoltos em tamanha nuvem de testemunhas, devemos desembaraçar-nos de todo o fardo e do pecado que nos cerca, e correr com constância o risco que nos é proposto, fixando os olhos no guia da nossa fé, o qual a leva à perfeição (Heb 12, 1-2).

ARTIGO 2

NÓS CREMOS

  1. A fé é um ato pessoal, uma resposta livre do homem à proposta de Deus que Se revela. Mas não é um ato isolado. Ninguém pode acreditar sozinho, tal como ninguém pode viver só. Ninguém se deu a fé a si mesmo, como ninguém a si mesmo se deu a vida. Foi de outrem que o crente recebeu a fé; a outrem a deve transmitir. O nosso amor a Jesus e aos homens impele-nos a falar aos outros da nossa fé. Cada crente é, assim, um elo na grande cadeia dos crentes. Não posso crer sem ser amparado pela fé dos outros, e pela minha fé contribuo também para amparar os outros na fé.
  2. Eu creio: é a fé da Igreja, professada pessoalmente por cada crente, principalmente por ocasião do Batismo. Nós cremos: é a fé da Igreja, confessada pelos bispos reunidos em Concílio ou, de modo mais geral, pela assembleia litúrgica dos crentes. Eu creio: é também a Igreja, nossa Mãe, que responde a Deus pela sua fé e nos ensina a dizer: Eu creio, Nós cremos.
  3. Olhai, Senhor, para a fé da vossa Igreja
  4. É, antes de mais, a Igreja que crê, e que assim suporta, nutre e sustenta a minha fé. É primeiro a Igreja que, por toda a parte, confessa o Senhor (Te per orbem terrarum sancta confitetur Ecclesia – A Santa Igreja anuncia por toda a terra a glória do vosso nome» – como cantamos no Te Deum). Com ela e nela, também nós somos atraídos e levados a confessar: Eu creio, Nós cremos. É da Igreja que recebemos a fé e a vida nova em Cristo, pelo Batismo. No Ritual Romano, o ministro do Batismo pergunta ao catecúmeno: Que vens pedir à Igreja de Deus? E ele responde: – A fé. – Para que te serve a fé? – Para alcançar a vida eterna.
  5. A salvação vem só de Deus. Mas porque é através da Igreja que recebemos a vida da fé, a Igreja é nossa Mãe. Cremos que a Igreja é como que a mãe do nosso novo nascimento, mas não cremos na Igreja como se ela fosse a autora da nossa salvação. É porque é nossa Mãe, é também a educadora da nossa fé.
  6. A linguagem da fé
  7. Não acreditamos em fórmulas, mas sim nas realidades que as fórmulas exprimem e que a fé nos permite tocar. O ato [de fé] do crente não se detém no enunciado, mas na realidade [enunciada]. No entanto, é através das fórmulas da fé que nos aproximamos dessas realidades. As fórmulas permitem-nos exprimir e transmitir a fé, celebrá-la em comunidade, assimilá-la e dela viver cada vez mais.
  8. A Igreja, que é coluna e apoio da verdade (1 Tm 3, 15), guarda fielmente a fé transmitida aos santos de uma vez por todas . É ela que guarda a memória das palavras de Cristo. É ela que transmite, de geração em geração, a confissão de fé dos Apóstolos. Tal como uma mãe ensina os seus filhos a falar e, dessa forma, a compreender e a comunicar, a Igreja, nossa Mãe, ensina-nos a linguagem da fé, para nos introduzir na inteligência e na vida da fé.

III. Uma só fé

  1. Desde há séculos, através de tantas línguas, culturas, povos e nações, a Igreja não cessa de confessar a sua fé única, recebida de um só Senhor, transmitida por um só Batismo, enraizada na convicção de que todos os homens têm apenas um só Deus e Pai. Santo Irineu de Lião, testemunha desta fé, declara:
  2. A Igreja, embora dispersa por todo o mundo até aos confins da Terra, tendo recebido dos Apóstolos e dos seus discípulos a fé, […] guarda [esta pregação e esta fé] com tanto cuidado como se habitasse numa só casa; nela crê de modo idêntico, como tendo um só coração e uma só alma; prega-a e ensina-a e transmite-a com voz unânime, como se tivesse uma só boca.
  3. Através do mundo, as línguas diferem: mas o conteúdo da Tradição é um só e o mesmo. Nem as Igrejas estabelecidas na Germania têm outra fé ou outra tradição, nem as que se estabeleceram entre os Iberos ou entre os Celtas, as do Oriente, do Egito ou da Líbia, nem as que se fundaram no centro do mundo. A mensagem da Igreja é verídica e sólida, porque nela aparece um só e o mesmo caminho de salvação, em todo o mundo.
  4. Esta fé, que recebemos da Igreja, guardamo-la nós cuidadosamente, porque sem cessar, sob a ação do Espírito de Deus, tal como um depósito de grande valor encerrado num vaso excelente, ela rejuvenesce e faz rejuvenescer o próprio vaso que a contém.

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Resumindo:

  1. A fé é uma adesão pessoal, do homem todo, a Deus que Se revela. Comporta uma adesão da inteligência e da vontade à Revelação que Deus fez de Si mesmo, pelas suas ações e palavras.
  2. Crer tem, pois, uma dupla referência: à pessoa e à verdade; à verdade, pela confiança na pessoa que a atesta.
  3. Não devermos crer em mais ninguém senão em Deus, Pai, Filho e Espírito Santo.

179.  A fé é um dom sobrenatural de Deus. Para crer, o homem tem necessidade dos auxílios interiores do Espírito Santo.

  1. Crer é um ato humano, consciente e livre, que está de acordo com a dignidade da pessoa humana.
  2. Crer é um ato eclesial. A fé da Igreja precede, gera, suporta e nutre a nossa fé. A Igreja é a Mãe de todos os crentes. Ninguém pode ter a Deus por Pai, se não tiver a Igreja por Mãe.
  3. Nós cremos em tudo quanto está contido na Palavra de Deus, escrita ou transmitida, e que a Igreja propõe à nossa fé como divinamente revelado.
  4. A fé é necessária para a salvação. O próprio Senhor o afirma: Quem acreditar e for baptizado salvar-se-á, mas quem não acreditar será condenado (Mc 16, 16).
  5. A fé é um antegozo do conhecimento que nos tornará felizes na vida futura.

CREDO

SÍMBOLO DOS APÓSTOLOS CREDO DE NICEIA–CONSTANTINOPLA 
Creio em Deus, Pai todo-poderoso,
Criador do Céu e da Terra;
Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso,
Criador do Céu e da Terra,
de todas as coisas visíveis e invisíveis.
e em Jesus Cristo, seu único Filho,
nosso Senhor,
Creio em um só Senhor, Jesus Cristo,
Filho Unigénito de Deus,
nascido do Pai antes de todos os séculos:
Deus de Deus, luz da luz,
Deus verdadeiro de Deus verdadeiro;
gerado, não criado, consubstancial ao Pai.
Por Ele todas as coisas foram feitas.
E por nós, homens, e para nossa salvação
desceu dos Céus.
que foi concebido pelo poder
do Espírito Santo;
nasceu da Virgem Maria;
E encarnou pelo Espírito Santo,
no seio da Virgem Maria,
e Se fez homem.
padeceu sob Pôncio Pilatos,
foi crucificado, morto e sepultado;
desceu à mansão dos mortos;
ressuscitou ao terceiro dia;
subiu aos Céus;
está sentado à direita de Deus Pai
todo-poderoso, de onde há-de vir a julgar
os vivos e os mortos.
Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos;
padeceu e foi sepultado.

Ressuscitou ao terceiro dia,
conforme as Escrituras;
e subiu aos Céus, onde está sentado
à direita do Pai.
De novo há-de vir em sua glória,
para julgar os vivos e os mortos;
e o seu Reino não terá fim.

Creio no Espírito Santo; Creio no Espírito Santo,
Senhor que dá a vida,
e procede do Pai e do Filho;
e com o Pai e o Filho é adorado
e glorificado:
Ele que falou pelos profetas.
na santa Igreja Católica;
na comunhão dos Santos;
Creio na Igreja una, santa,
católica e apostólica.
na remissão dos pecados;
na ressurreição da carne;
na vida eterna.
Amém
Professo um só Batismo
para remissão dos pecados.
E espero a ressurreição dos mortos,
e a vida do mundo que há-de vir.
Amém.
(CIC 142-184)

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História

O Credo niceno-constantinopolitano, ou Símbolo niceno-constantinopolitano, é uma declaração de fé cristã aceita pela Igreja Católica, Igreja Ortodoxa, Igrejas Ortodoxas Orientais, Igreja Anglicana e pela maioria das denominações protestantes.

O nome “niceno-constantinopolitano” indica uma suposta relação com o Primeiro Concílio de Niceia 325 d.C.), no qual foi adaptado um credo semelhante (o Credo Niceno), e com o Primeiro Concílio de Constantinopla (381 d.C.), o qual teria revisto o texto de 325.

Na Igreja Católica Romana, o Credo de Niceia faz parte da profissão de fé. Tradicionalmente, o Credo niceno-constantinopolitano é considerado uma revisão, feita pelo Primeiro Concílio de Constantinopla em 381, do Credo Niceno de 325. Porém, desde mais de um século, se levantam dúvidas sobre esta explicação da origem do Credo niceno-constantinopolitano. Os atos do concílio de 381 não são conservados, e não existe nenhum documento com o texto do Credo niceno-constantinopolitano mais antigo dos atos do Concílio de Calcedônia de 451. No ano 431, o Primeiro Concílio de Éfeso citou o Credo Niceno de 325, e declarou que “é ilícito para qualquer um para apresentar, ou escrever, ou compor uma fé diversa (ἑτέραν – no sentido de “contraditório” e não de “adicional”) da estabelecida pelos Santos Padres reunidos com o Espírito Santo em Niceia” (ou seja, o Credo de 325). A falta de menção do Credo niceno-constantinopolitano nos escritos do intervalo entre 381 (Primeiro Concílio de Constantinopla) e 451 (Concílio de Calcedônia), particularmente nos atos deste Concílio de Éfeso, até tem inspirado a alguns a ideia de que o texto foi apresentado ao Concílio de Calcedônia para superar o problema da proibição efesino de novas formulações. Porém, segundo a Enciclopédia Britannica e outros estudiosos, é mais provável a autoria ou aprovação do Concílio de Constantinopla, mas sobre a base não do Credo niceno, senão de um Credo batismal local, talvez de Jerusalém, de Cesareia, de Antioquia ou de Constantinopla.

Uso Litúrgico

Na missa do rito romano, recita-se todos os domingos e nas festas principais (“solenidades”) o Credo, normalmente o Credo niceno-constantinopolitano, mas desde 2002 está permitido na Quaresma e no Tempo Pascal substituí-lo com “o Símbolo batismal da Igreja romana, conhecido como o Credo dos Apóstolos”. Já no rito bizantino, como em todos os ritos não latinos, usa-se unicamente o Credo niceno-constantinopolitano. Na Divina Liturgia, ele é cantado em certos lugares pelo coro ou a assembléia, em outros é o cantor que o recita ou uma pessoa proeminente leigo (por exemplo, o prefeito, um ministro do governo, o presidente do país, é convidado a fazê-lo, como no passado foi prerrogativa do imperador bizantino, quem falava em nome de todo o seu povo.

Comparação dos dois credos

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O Credo Niceno termina com as palavras “(Cremos) no Espírito Santo” e com um anátema contra os arianos. Há também muitas outras diferenças. São poucos os estudiosos que acreditam que o Credo niceno-constantinopolitano seja uma amplificação do Credo de 325. Só num sentido lato o Credo posterior pode ser chamado niceno, isto é, em conformidade com a fé proclamada em Niceia.

 

Na seguinte tabela abaixo, letras negritas indicam as partes do Credo Niceno omitidas ou movidas no Niceno-constantinopolitano, e letras cursivas as frases presentes no Niceno-constantinopolitano mas não no Niceno.

Credo Niceno (325) Credo niceno-constantinopolitano (381?)
Πιστεύομεν εἰς ἕνα θεὸν πατέρα παντοκράτορα, πάντων ὁρατῶν τε και ἀοράτων ποιητήν. Πιστεύομεν εἰς ἕνα θεὸν πατέρα παντοκράτορα, ποιητὴν οὐρανοῦ καὶ γῆς, ὁρατῶν τε πάντων καὶ ἀοράτων·
Καὶ εἰς ἕνα κύριον Ἰησοῦν Χριστόν, τὸν υἱὸν τοῦ θεοῦ, γεννηθέντα ἐκ τοῦ πατρὸς μονογενῆ, τοὐτέστιν ἐκ τῆς οὐσίας τοῦ πατρός, καὶ εἰς ἕνα κύριον Ἰησοῦν Χριστόν, τὸν υἱὸν τοῦ θεοῦ τὸν μονογενῆ, τὸν ἐκ τοῦ Πατρὸς γεννηθέντα πρὸ πάντων τῶν αἰώνων,
θεὸν ἐκ θεοῦ, φῶς ἐκ φωτός, θεὸν ἀληθινὸν ἐκ θεοῦ ἀληθινοῦ, γεννηθέντα, οὐ ποιηθέντα, ὁμοούσιον τῷ πατρί φῶς ἐκ φωτός, θεὸν ἀληθινὸν ἐκ θεοῦ ἀληθινοῦ, γεννηθέντα οὐ ποιηθέντα, ὁμοούσιον τῷ πατρί,
δι’ οὗ τὰ πάντα ἐγένετο, τά τε ἐν τῷ οὐρανῷ καὶ τὰ ἐω τῇ γῇ δι’ οὗ τὰ πάντα ἐγένετο,
τὸν δι’ ἡμᾶς τοὺς ἀνθρώπους καὶ διὰ τὴν ἡμετέραν σωτηρίαν κατελθόντα καὶ σαρκωθέντα καὶ ἐνανθρωπήσαντα, τὸν δι’ ἡμᾶς τοὺς ἀνθρώπους καὶ διὰ τὴν ἡμετέραν σωτηρίαν κατελθόντα ἐκ τῶν οὐρανῶν καὶ σαρκωθέντα ἐκ πνεύματος ἅγίου καὶ Μαρίας τῆς παρθένου καὶ ἐνανθρωπήσαντα
παθόντα, καὶ ἀναστάντα τῇ τρίτῃ ἡμέρᾳ, ἀνελθόντα εἰς τοὺς οὐρανούς, σταυρωθέντα τε ὑπὲρ ἡμῶν ἐπὶ Ποντίου Πιλάτου καὶ παθόντα καὶ ταφέντα καὶ ἀναστάντα τῇ τρίτῃ ἡμέρα κατὰ τὰς γραφάς καὶ ἀνελθόντα εἰς τοὺς οὐρανούς καὶ καθεζόμενον ἐκ δεξιῶν τοῦ πατρός
καὶ ἐρχόμενον κρῖναι ζῶντας καὶ νεκρούς. καὶ πάλιν ἐρχόμενον μετὰ δόξης κρῖναι ζῶντας καὶ νεκρούς·
οὗ τῆς βασιλείας οὐκ ἔσται τέλος.
Καὶ εἰς τὸ ἅγιον πνεῦμα. καὶ εἰς τὸ πνεῦμα τὸ ἅγιον, τὸ κύριον, καὶ ζῳοποιόν, τὸ ἐκ τοῦ πατρὸς ἐκπορευόμενον, τὸ σὺν πατρὶ καὶ υἱῷ συμπροσκυνούμενον καὶ συνδοξαζόμενον, τὸ ἐκλαλῆσαν διὰ τῶν προφητῶν·
Τοὺς δὲ λέγοντας· ἦν ποτε ὅτε οὐκ ἦν, καὶ πρὶν γεννηθῆναι οὐκ ἦν, καὶ ὅτι ἐξ οὐκ ὄντων ἐγένετο, ἢ ἐξ ἑτέρας ὑποστάσεως ἢ οὐσίας φάσκοντας εἶναι, ἢ κτιστόν ἢ τρεπτὸν ἢ ἀλλοιωτὸν τὸν υἱὸν τοῦ θεοῦ, ἀναθεματίζει ἡ καθολικὴ ἐκκλησία. Εἰς μίαν ἁγίαν καθολικὴν καὶ ἀποστολικὴν ἐκκλησίαν· ὁμολογοῦμεν ἓν βάπτισμα εἰς ἄφεσιν ἁμαρτιῶν· προσδοκοῦμεν ἀνάστασιν νεκρῶν, καὶ ζωὴν τοῦ μέλλοντος αἰῶνος. ἀμήν.

Numa tradução portuguesa as diferenças aparecem assim:

Credo Niceno (325) Credo niceno-constantinopolitano (381?)
Cremos em um só Deus, Pai todo-poderoso, criador de todas as coisas visíveis e invisíveis. Cremos em um só Deus, Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis.
Ε em um só Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, gerado unigênito do Pai, isto é, da substância do Pai; E em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho unigênito de Deus, gerado do Pai antes de todos os séculos
Deus de Deus, luz de luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não feito, consubstancial ao Pai; luz de luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não feito, consubstancial ao Pai,
por quem foram feitas todas as coisas que estão no céu ou na terra. por que, foram feitas todas as coisas.
O qual por nós homens e para nossa salvação, desceu, se encarnou e se fez homem. O qual por nós homens e para a nossa salvação, desceu dos céus: se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem.
Padeceu e ressuscitou ao terceiro dia e subiu aos céus Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos e padeceu e foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia conforme as Escrituras, e subiu aos céus, onde está assentado à direita do Pai.
Ele virá para julgar os vivos e os mortos. Ele virá novamente, em glória, para julgar os vivos e os mortos;
e o Seu reino não terá fim.
E no Espírito Santo. E no Espírito Santo, Senhor e fonte de vida, que procede do Pai; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: Ele falou pelos profetas.
E quem quer que diga que houve um tempo em que o Filho de Deus não existia, ou que antes que fosse gerado ele não existia, ou que ele foi criado daquilo que não existia, ou que ele é de uma substância ou essência diferente (do Pai), ou que ele é uma criatura, ou sujeito à mudança ou transformação, todos os que falem assim, são anatematizados pela Igreja Católica. E na Igreja, una, santa, católica e apostólica. Confessamos um só batismo para remissão dos pecados. Esperamos a ressurreição dos mortos; e a vida do mundo vindouro. Amém.

Os textos litúrgicos do Credo niceno-constantinopolitano não correspondem exatamente ao que teria adotado o Primeiro concílio de Constantinopla. Nas liturgias grega e latina os verbos no plural “cremos”, “confessamos”, “esperamos” são alteradas para o singular “creio”, “confesso”, “espero”. Assim acentua-se o carácter pessoal de recitar o Credo. As Igrejas ortodoxas orientais conservam o plural, como no texto original.

O texto litúrgico latina, além disso, acrescenta duas frases: “Deus de Deus” e “e do Filho”. A liturgia armênia introduz no texto muitas outras variações. Nunca houve controvérsia sobre “Deus de Deus” (em latim, Deum de Deo), mas “e do Filho” (em latim, Filioque) continua ainda constituir um problema nas relações entre las Igrejas católica e ortodoxa (ver artigo Cláusula Filioque. A Igreja católica professa a tradição da Igreja latina e da Igreja de Alexandria, que falavam da procedência do Espírito Santo do Pai e do Filho ou pelo Filho (filioquismo), enquanto a preferência da Igreja ortodoxa é para a tradição dos Padres Capadócios, que Fócio formulou em termos de procedência do Pai sozinho (monopatrismo). Segundo alguns estudiosos de ambas as Igrejas, a dificuldade nasce da diversidade de significado de palavras gregas e latinas. Os gregos falavam da procedência do Espírito em relação ao verbo ἐκπορεύεσθαι (“τὸ ἐκ τοῦ Πατρὸς ἐκπορευόμενον”), que indica a fonte original, e os latinos falavam em relação ao verbo procedere (qui ex Patre Filioque procedit), que tem um sentido mais extenso e que corresponde melhor ao verbo grego προϊέναι.

Na seguinte tabela, letras negritas indicam as mudanças das liturgias grega e latina.

Concílio de Constantinopla (381) Texto litúrgico grego Texto litúrgico latino

Πιστεύομεν εἰς ἕνα Θεόν
πατέρα παντοκράτορα,
ποιητὴν οὐρανοῦ καὶ γῆς,
ὁρατῶν τε πάντων καὶ ἀοράτων,
καὶ εἰς ἕνα Κύριον Ἰησοῦν Χριστόν,
τὸν υἱὸν τοῦ Θεοῦ τὸν μονογενῆ,
τὸν ἐκ τοῦ πατρὸς γεννηθέντα
πρὸ πάντων τῶν αἰώνων,

φῶς ἐκ φωτός,
Θεὸν ἀληθινὸν ἐκ Θεοῦ ἀληθινοῦ,
γεννηθέντα οὐ ποιηθέντα,
ὁμοούσιον τῷ πατρί,
δι’ οὗ τὰ πάντα ἐγένετο,
τὸν δι’ ἡμᾶς τοὺς ἀνθρώπους
καὶ διὰ τὴν ἡμετέραν σωτηρίαν
κατελθόντα ἐκ τῶν οὐρανῶν,
καὶ σαρκωθέντα ἐκ Πνεύματος Ἁγίου
καὶ Μαρίας τῆς παρθένου,
καὶ ἐνανθρωπήσαντα,
σταυρωθέντα τε ὑπὲρ ἡμῶν ἐπὶ Ποντίου Πιλάτου
καὶ παθόντα καὶ ταφέντα
καὶ ἀναστάντα τῇ τρίτῃ ἡμέρᾳ κατὰ τὰς Γραφὰς
καὶ ἀνελθόντα εἰς τοὺς οὐρανοὺς
καὶ καθεζόμενον ἐκ δεξιῶν τοῦ πατρὸς
καὶ πάλιν ἐρχόμενον μετὰ δόξης
κρῖναι ζῶντας καὶ νεκρούς,
οὗ τῆς βασιλείας οὐκ ἔσται τέλος·
καὶ εἰς τὸ Πνεῦμα τὸ Ἅγιον,
τὸ κύριον, τὸ ζωοποιόν,
τὸ ἐκ τοῦ πατρὸς ἐκπορευόμενον,
τὸ σὺν πατρὶ καὶ υἱῷ
συμπροσκυνούμενον καὶ συνδοξαζόμενον,
τὸ λαλῆσαν διὰ τῶν προφητῶν·
εἰς μίαν, ἁγίαν, Καθολικὴν
καὶ Ἀποστολικὴν Ἐκκλησίαν.
Ὁμολογοῦμεν ἓν βάπτισμα εἰς ἄφεσιν ἁμαρτιῶν·
προσδοκοῦμεν ἀνάστασιν νεκρῶν
καὶ ζωὴν τοῦ μέλλοντος αἰῶνος. Ἀμήν.

Πιστεύω εἰς ἕνα Θεόν,
Πατέρα, Παντοκράτορα,
ποιητὴν οὐρανοῦ καὶ γῆς,
ὁρατῶν τε πάντων καὶ ἀοράτων.
Καὶ εἰς ἕνα Κύριον Ἰησοῦν Χριστόν,
τὸν Υἱὸν τοῦ Θεοῦ τὸν μονογενῆ,
τὸν ἐκ τοῦ Πατρὸς γεννηθέντα
πρὸ πάντων τῶν αἰώνων·

φῶς ἐκ φωτός,
Θεὸν ἀληθινὸν ἐκ Θεοῦ ἀληθινοῦ,
γεννηθέντα οὐ ποιηθέντα,
ὁμοούσιον τῷ Πατρί,
δι’ οὗ τὰ πάντα ἐγένετο.
Τὸν δι’ ἡμᾶς τοὺς ἀνθρώπους
καὶ διὰ τὴν ἡμετέραν σωτηρίαν
κατελθόντα ἐκ τῶν οὐρανῶν
καὶ σαρκωθέντα ἐκ Πνεύματος Ἁγίου
καὶ Μαρίας τῆς Παρθένου
καὶ ἐνανθρωπήσαντα.
Σταυρωθέντα τε ὑπὲρ ἡμῶν ἐπὶ Ποντίου Πιλάτου,
καὶ παθόντα καὶ ταφέντα.
Καὶ ἀναστάντα τῇ τρίτῃ ἡμέρᾳ κατὰ τὰς Γραφάς.
Καὶ ἀνελθόντα εἰς τοὺς οὐρανοὺς
καὶ καθεζόμενον ἐκ δεξιῶν τοῦ Πατρός.
Καὶ πάλιν ἐρχόμενον μετὰ δόξης
κρῖναι ζῶντας καὶ νεκρούς,
οὗ τῆς βασιλείας οὐκ ἔσται τέλος.
Καὶ εἰς τὸ Πνεῦμα τὸ Ἅγιον,
τὸ κύριον, τὸ ζωοποιόν,
τὸ ἐκ τοῦ Πατρὸς ἐκπορευόμενον,
τὸ σὺν Πατρὶ καὶ Υἱῷ
συμπροσκυνούμενον καὶ συνδοξαζόμενον,
τὸ λαλῆσαν διὰ τῶν προφητῶν.
Εἰς μίαν, Ἁγίαν, Καθολικὴν
καὶ Ἀποστολικὴν Ἐκκλησίαν.
Ὁμολογῶ ἓν βάπτισμα εἰς ἄφεσιν ἁμαρτιῶν.
Προσδοκῶ ἀνάστασιν νεκρῶν.
Καὶ ζωὴν τοῦ μέλλοντος αἰῶνος. Ἀμήν.

Credo in unum Deum,
Patrem omnipotentem,
Factorem caeli et terrae,
visibilium omnium et invisibilium.
Et in unum Dominum Iesum Christum,
Filium Dei unigenitum
et ex Patre natum
ante omnia saecula.
Deum de Deo,
Lumen de Lumine,
Deum verum de Deo vero,
genitum, non factum,
consubstantialem Patri:
per quem omnia facta sunt;
qui propter nos homines
et propter nostram salutem,
descendit de caelis,
et incarnatus est de Spiritu Sancto
ex Maria Virgine,
et homo factus est,
crucifixus etiam pro nobis sub Pontio Pilato,
passus et sepultus est,
et resurrexit tertia die secundum Scripturas,
et ascendit in caelum,
sedet ad dexteram Patris,
et iterum venturus est cum gloria,
iudicare vivos et mortuos;
cuius regni non erit finis.
Et in Spiritum Sanctum,
Dominum et vivificantem,
qui ex Patre Filioque procedit,
qui cum Patre et Filio
simul adoratur et conglorificatur,
qui locutus est per prophetas.
Et unam sanctam catholicam
et apostolicam Ecclesiam.
Confiteor unum Baptisma in remissionem peccatorum.
Et expecto resurrectionem mortuorum,
et vitam venturi saeculi. Amen.

Texto armênio com tradução, e texto português

Texto  armênio Tradução em português Conferência Episcopal Portuguesa

Հավատում ենք մեկ Աստծո `ամենակալ Հորը,
երկնքի եւ երկրի, երեւելիների եւ աներեւույթների Արարչին:
Եւ մեկ Տիրոջ` Հիսուս Քրիստոսին, Աստծո Որդուն,
ծնված Հայր Աստծուց Միածին, այսինքն `Հոր էությունից:
Աստված` Աստծուց, լույս `լույսից,
ճշմարիտ Աստված` ճշմարիտ Աստծուց ,
ծնունդ եւ ոչ թե `արարած:
Նույն ինքը` Հոր բնությունից,
որի միջոցով ստեղծվեց ամեն
ինչ երկնքում եւ երկրի
վրա `երեւելիներն ու անեւերույթները:
Որ հանուն մեզ` մարդկանց ու մեր փրկության համար
`իջավ երկնքից,
մարմնացավ, մարդացավ,
ծնվեց կատարելապես Ս. Կույս Մարիամից Ս. Հոգով:
Որով `ճշմարտապես, եւ ոչ կարծեցյալ կերպով առավ մարմին,
հոգի եւ միտք եւ այն ամենը, որ կա մարդու մեջ:
Չարչարվեց, խաչվեց, թաղվեց, երրորդ օրը Հարություն առավ,
նույն մարմնով բարձրացավ երկինք, նստեց Հոր աջ կողմում:
Գալու է նույն մարմնով եւ Հոր փառքով
դատելու ողջերին եւ մահացածներին:
Նրա թագավորությունը չունի վախճան:
Հավատում ենք նաեւ Սուրբ Հոգուն` անեղ եւ կատարյալ,
որը խոսեց Օրենքի, մարգարեների եւ ավետարանների միջոցով:
Որն իջավ Հորդանանի վրա,
քարոզեց առաքյալների միջոցով եւ բնակություն հաստատեց սրբերի մեջ:
Հավատում ենք նաեւ մեկ, ընդհանրական եւ առաքելական եկեղեցու,
մի մկրտության, ապաշխարության,
մեղքերի քավության եւ թողության:
Մեռելների հարության,
հոգիների եւ մարմինների հավիտենական դատաստանի,
երկնքի արքայության եւ հավիտենական կյանքի:

Cremos em um só Deus, Pai Todo-Poderoso,
Criador do céu e da terra, das coisas visíveis e invisíveis.
E em um só Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus,
o Unigênito de Deus o Pai, que é da essência do Pai.
Deus de Deus, Luz de Deus,
Luz verdadeiro de Deus verdadeiro,
gerado e não feito;
da natureza mesma do Pai,
por quem todas as coisas vieram a existir,
no céu e na terra,
visíveis e invisíveis.
Quem por nós os homens e para nossa salvação
desceu dos céus,
se encarnou, foi feito homem,
nasceu perfeitamente da Santíssima Virgem Maria pelo Espírito Santo.
Por quem, verdadeiramente e não na aparência,
Ele tomou corpo, alma e mente, e tudo o que é humano.
Ele sofreu, foi crucificado, foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia,
subiu ao céu com o mesmo corpo, [e] se sentou à direita do Pai.
Ele está para vir com o mesmo corpo e com a glória do Pai,
para julgar os vivos e os mortos;
o Seu reino não tem fim.
Cremos no Espírito Santo, no incriado e perfeito,
que falou através da Lei, os profetas, e os Evangelhos;
que desceu sobre a Jordânia,
pregou pelos apóstolos, e viveu nos santos.
Cremos também em una, católica, e apostólica Igreja
e em um batismo de arrependimento,
para a remissão e perdão dos pecados
e na ressurreição dos mortos,
no julgamento eterno das almas e corpos,
no Reino dos Céus e na vida eterna.

Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso,
Criador do Céu e da Terra,
De todas as coisas visíveis e invisíveis.
Creio em um só Senhor, Jesus Cristo,
Filho Unigênito de Deus,
nascido do Pai antes de todos os séculos:
Deus de Deus, luz da luz,
Deus verdadeiro de Deus verdadeiro;
gerado, não criado, consubstancial ao Pai.
Por Ele todas as coisas foram feitas.
E por nós, homens, e para nossa salvação
desceu dos Céus.
E encarnou pelo Espírito Santo,
no seio da Virgem Maria.
e se fez homem.
Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos;
padeceu e foi sepultado.
Ressuscitou ao terceiro dia,
conforme as Escrituras;
e subiu aos Céus,
onde está sentado à direita do Pai.
De novo há-de vir em sua glória
para julgar os vivos e os mortos;
e o seu Reino não terá fim.
Creio no Espírito Santo,
Senhor que dá a vida,
e procede do Pai e do Filho;
e com o Pai e o Filho
é adorado e glorificado:
Ele que falou pelos Profetas.
Creio na Igreja,
Una, Santa, Católica e Apostólica.
Professo um só batismo para a remissão dos pecados.
E espero a ressurreição dos mortos
e vida do mundo que há-de vir.
Amém.

Fontes:

9788515021529

 

 

Jesus: Discípulos, Apóstolos, Seguidores e Fãs

Série: Animo, uma nova Catequese (Jesus Cristo – Complemento 3)

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Baseado na pintura original de Michelangelo

Jesus era judeu, seu nome de batismo era Emanuel (que quer dizer “Deus conosco”) e aos 33 anos ele foi morto, sepultado, ressuscita e se eleva aos céus. Pouca coisa do que eu disse é novidade, e nem era para ser mesmo, mas está vida tem detalhes que parecem escapar aos olhos quanto mais o tempo vai passando. Vou tentar jogar um pouquinho mais de luz em alguns pontos, claro que nem tudo pode ser esclarecido por um leigo como eu, mas…

Judeu e bom judeu

Jesus nasceu em uma família judia. Maria era judia e segundo os livros apócrifos foi educada entre as virgens do templo (naquela época era uma espécie de Colégio Interno para as moças, mas não para todas, deveria se ter uma posição social, digamos assim, especial e ainda segundo os apócrifos, era o caso do pai de Maria, Joaquim e sua mãe Ana).  Maria só sairia do templo para se casar.

José era também judeu, de uma família que praticava a religião. Por isso atendeu a convocação dos sacerdotes e se apresentou no templo entre os solteiros (e aqui entra uma controvérsia sobre José ser muito mais velho e talvez viúvo ) para ser o consorte da jovem Maria e acabou sendo escolhido quando o seu galho de árvore dos que foram entregues a cada um, floresceu (Leia minha série de post De Nazaré).

Então Jesus, o filho de Deus nasce em uma família tradicionalmente judia, e porque?  Porque Deus já tinha uma aliança com o povo judeu, afinal eles eram os escolhidos como seu povo.

Este menino cresceu na religião judaica, foi apresentado no templo, foi circuncidado e educado nas leis daquela religião. Imagine que ele passou pela catequese, frequentou as celebrações e fez parte dos grupos da igreja (claro que os judeus são um pouco diferentes, mas é isso: Jesus  viveu sua fé ).

Ele era um bom judeu, que respeitava os preceitos e a tradição. Mas uma hora sua missão acabou entrando em rota de colisão com o radicalismo de alguns com o preceito. Por exemplo:

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A primeira seguidora

Maria, sua mãe foi sua primeira seguidora, se levarmos em conta que apenas ela sabia quem era na verdade seu filho, já que José morreu quando Jesus era ainda um adolescente. Foi justamente Maria quem deu o primeiro impulso para que ele começasse sua missão quando no casamento de parentes de Maria pediu que Jesus intercedesse pois o vinho acabará no episódio que ficou para a posteridade como As Bodas de Caná, na Galiléia.

Alguns estudiosos dizem que e existe a possibilidade de Simão e seu irmão Tiago estarem presentes neste a festa como convidados de Jesus.

Pregando

 Existe um X numa questão : Jesus começou a pregar quando?

Ainda menino.

Basta lembrar que em uma das peregrinações da família ao Templo de Salomão em Jerusalém, eles perceberam que o ainda menino Jesus não estava no meio da caravana e ao voltarem para procurar, encontraram a criança nos arredores do templo pregando para muitos ouvintes, entre eles vários sacerdotes que estavam impressionados com sua sabedoria.

Novamente recorrendo aos livros apócrifos, vamos nos deparar com vários relatos de pregações e prodígios feitos por Jesus ainda criança e adolescente.

Pensando friamente, deveria ser impossível para alguém como Jesus ficar totalmente quieto até por volta dos 25 a 30 anos.

Quando Jesus chegou na região de Jerusalém já existia um grande pregador e profeta (lembrando que o profeta é também aquele que denuncia as mazelas do povo) chamado João, o batista  (João Batista ) que tinha praticamente a mesma idade dele e na verdade seria um primo seu de segundo grau, pois ele era filho de Isabel e Zacarias primos de Maria.

Apesar da Bíblia não registrar oficialmente,  mas naquela época tinham outros profetas pregando por toda a Palestina e João Batista era um dos mais famosos porque batizada já informando que viria outro que não batizaria com água mas sim com no fogo. Foi nesta época que Jesus foi até as margens do Rio Jordão e foi batizado, mesmo ante a quase recusa de João que na hora reconhecera que aquele jovem seria na verdade o que ele anunciava a anos. Praticamente depois disso a missão de João Batista se encerrava (pouco depois ele fora capturado e decapitado por Herodes) e começava de forma mais efetiva a missão de Jesus.

Discípulos, Apóstolos e Seguidores

Na Primavera do ano 27 d.C. quando Jesus deu início mais declarado a sua pregação muitos pensaram que ele continuaria apenas a missão de João Batista. Só que não.

Primeiro que ele não era essênio  ( eles gostavam de viver no deserto, tipo ermitão ), não batizaria ninguém e entraria nas cidades. João pregava quando determinado número de pessoas se reunia ao seu redor, já Jesus ia ao encontro das pessoas e geralmente acabava reunindo multidões. Hoje em dia ele seria alvo de diversas reportagens pois começava a fazer sucesso, apesar de não estar em busca de fama.

Hoje já existe quase um consenso de que Jesus estava residindo em Cafarnaum, uma pequena cidade próxima ao Lago de Genesaré, provavelmente morava na casa de Simão Pedro, que residia vizinho a sinagoga construída por um prosélito romano. Era desta cidade que Jesus saía para pregar e foi lá que ele realizou uma das suas primeiras curas, onde libertou um possuído.

Praticamente todos os primeiros seguidores de Jesus eram jovens.

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Provavelmente a ordem que cada discípulo foi chamado foi esta:

  1. André Bar-Jonas (filho de Jonas apesar de algumas fontes darem conta de que seu pai se chamaria João)
  2. Pedro seu nome era na verdade Simão Bar-Jonas (filho de Jonas apesar de algumas fontes darem conta de que seu pai se chamaria João) ganhou o nome de Kefas (ou Cefas) que significa pedra ou rocha, no grego Petros (Pedro). Irmão de André Era pescador e o mais velho dos discípulos.  Também era o líder do grupo e acolhedor de Jesus na sua casa. Se tornou o fundador da Igreja Católica, sendo considerado o primeiro Papa (apesar de que na época não tinha esta distinção politica)
  3. Tiago filho de Zebedeu que era pescador e Salomé que também se juntaria aos seguidores de Jesus. Junto com seu irmão João alimentava o desejo de ocuparem os primeiros lugares junto ao trono celeste de Jesus. Ficou conhecido posteriormente como Tiago Maior.
  4. João irmão de Tiago. Era praticamente um adolescente e depois foi chamado do discípulo mais amado. Tanto ele como o irmão eram seguidores de João Batista. Como era muito enérgico e falava alto como seu irmão Tiago ganhariam o apelido de Boanerges (Filhos do Trovão) Lc 9,51-56
  5. Mateus foi chamado em Cafarnaum pois lá ficava uma espécie de alfândega, ele era um publicano (cobrador de impostos) e se chamava na verdade Levi. No evangelho de Marcos ele é chamado de filho de Alfeu, mas Lucas o chama apenas de Levi (cf. Mt 9,9 ;Mc 2,13-15; Lc 5,27-29)
  6. Felipe amigo de Bartolomeu, morava em Betsaida e falava fluentemente o grego
  7. Natanael Bar-Tolomeu (filho de Tolomeu) que ficou para nós como Bartolomeu. Era da cidade de Caná
  8. Tomé (em grego Dídimo que significa gêmeo ), algumas tradições dizem que o primeiro nome dele era Judas (aliás um nome popular como Jesus era na época). Era uma pessoa cética e prática, apesar de ter andado com Jesus só acreditava no que via ou tocava. Foi ele quem fez a declaração : Meu Senhor e meu Deus, logo após ter tocado as feridas de Jesus após a ressurreição
  9. Tiago filho de Alfeu era irmão de Judas Tadeu e ficou conhecido posteriormente como Tiago Menor
  10. Judas Tadeu também filho de Alfeu com seu irmão tinham um parentesco não especificado com Jesus
  11. Simão,  o Cananeu que era da Cananeia e fazia parte dos zelote (guerrilheiros que lutavam contra a dominação romana e eram como terroristas ), mas abandonou o grupo para seguir Jesus, andava armado com uma espada e cortou a orelha do soldado do templo chamado Malco no momento da prisão de Jesus no Getsêmani e foi repreendido pelo mestre: Aquele que vive pela espada, morrerá pela espada. (Mt 26,51-54; Lc 22, 49-51)
  12. Judas de Simão, da cidade de Kerioth, e o único que não era galileu, sua cidade ficava mais ao Sul do país. Era chamado de Judas Ish-Keriot (Judas Iscariotes ). Ficou responsável por controlar o dinheiro do grupo, e entrou para a história como o traidor do Mestre por 30 moedas. E cometeu suicídio. Também tinha sido zelote

Jesus tinha muitos seguidores e com o aumento considerável de pessoas que o seguiam ele decidiu escolher 12 para serem mais próximos e cumprirem algumas missões.  Cada um tinha funções dentro do grupo, e acabavam também servindo de seguranças e organizadores.

Mas mesmo com esta escolha, muitos seguidores ainda acompanhavam o Mestre, entre estes temos:

  1. Maria sua mãe
  2. Maria de Magdala ( Maria Madalena)
  3. Salomé
  4. Maria de Cleófas
  5. As irmãs Marta e Maria
  6. Nicodemos que era um Mestre da lei do Sinédrio
  7. Matias que após a ressurreição de Jesus fora escolhido como substituto de Judas Iscariotes (At 1, 21-26)

Existe uma confusão em relação aos evangelistas pois apenas 2 teriam sido discípulos diretos de Jesus: Mateus e João.

Já Lucas e Marcos seriam na verdade seguidores de Paulo e Pedro sucessivamente.

Algumas tradições dão conta de que foi na casa do ainda menino Marcos (João Marcos) que Jesus e seus discípulos celebraram a última ceia. Marcos teria sido o primeiro a transcrever os fatos da história de Jesus e foi copiado em muitas passagens por Lucas e Mateus.

Lucas escreveu também os Atos dos Apóstolos e acompanhou Paulo em muitas viagens.

João escreveu o único evangelho que não bebeu da fonte de Marcos, e também escreveu 3 epístolas e o Livro da Revelação (Apocalipse). É curioso que no Evangelho dele a cena da prisão de Jesus narra o ferimento do guarda do templo, mas diz que fora Pedro o desferidor do golpe (Jo 18,9-11)

Tiago Menor e seu irmão Judas Tadeu escreveram também cartas apostólicas.

Pedro escreveu 2 epístolas.

Alguns evangelhos apócrifos e outros textos também apócrifos são creditados a outros discípulos e seguidores de Jesus, mas como a maioria só possuem versões em grego estão fora da lista oficial da Bíblia. Até Maria e Maria Madalena tem livros supostamente escritos por elas

Vale ressaltar que a maioria dos discípulos de Jesus não era pobre, dispunham de certos recursos econômicos  e era capaz de prover também as necessidades dos mais carentes. Muitos eram pescadores e possuíam barcos e na época era uma profissão rentável.

As pessoas que Jesus chamou para si, no começo só entendiam parcialmente quem era o Mestre e a que ele se propunha. Mas ele educava os discípulos com paciência e se regozijava toda vez que eles compreendiam alguma coisa.

Curiosidades

Foram escolhidos 12 para se representar as 12 tribos de Israel que formaram o povo eleito de Deus desde Moisés

Dos discípulos 3 pares eram irmãos :

  • Pedro e André
  • Tiago e João
  • Tiago de Alfeu e Judas Tadeu

Podemos dividir os discípulos em 3 grupos:

  • Grupo de Pedro: Pedro, André, Tiago e João que eram os mais próximos
  • Grupo de Felipe : Felipe, Bartolomeu, Tomé, Mateus
  • Grupo de Tiago de Alfeu: Tiago, Tadeu, Simão e Judas Iscariotes

Isso não quer dizer que eles brigavam mas sempre existem em um grupo pessoas que acabam se identificando mais com alguns do que com outros.

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Existem listas com os nomes dos apóstolos em:

Saulo era um perseguidor da Comunidade de Nazaré, nunca conheceu Jesus pessoalmente,  Mas o viu quando tentava capturar mais seguidores dele. A visão o derrubou do cavalo, o deixou cego, sendo cuidado por nazarenos (cristãos) até que se convertera e voltando a enxergar se tornou o responsável por levar as palavras de Jesus para outras comunidades além da Judéia, adotou seu nome romano: Paulo

Ficou mais conveniente fazer uma separação na nomenclatura entre discípulos apóstolos, apesar de que em muitas publicações esta distinção não existe, mas fica claro que apóstolos são aqueles que pregaram a palavra de Jesus mesmo sem tê-lo conhecido ou apenas por tê-lo visto por um tempo e discípulos ficaram aqueles que conviveram e foram escolhidos diretamente por Jesus.

Polêmica

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Maria Madalena aos pés da cruz

Dentro da Bíblia (cânon oficial) Maria Madalena aparece em várias passagens , mas em nenhum momento é colocada como uma das discípulas de Jesus. Porém é a ela que o mestre aparece primeiro após a ressurreição e ninguém explica como ela poderia ter a localização do esconderijo dos discípulos que estavam amedrontados após a morte de Jesus. Algumas correntes afirmam que ela era sim um dos discípulos. Mas oficialmente isso nunca chegou a ser dito. Uma explicação é o fato daquela sociedade ser extremamente machista e relegar a mulher um papel secundário.

Um fato que muitas vezes passa batido é que Maria Madalena não era a mulher adúltera (Jo 8) que os judeus queriam apedrejar e Jesus pediu que quem não tivesse pecado a primeira pedra. Isso é bem evidente, mas ainda é objeto de controvérsias.

A primeira citação de Maria Madalena como uma prostituta aconteceu em um sermão do papa Gregório, o grande, no ano 591 d.C. Provavelmente essa idéia é o resultado da confusão entre Lucas 7 e 8. Pois em (Lc 7) temos a presença de uma pecadora na casa de Simão, o leproso, quando do jantar que ele ofereceu a Jesus. E logo a seguir, no capítulo 8, Lucas registra o nome de Maria madalena, o que explica o motivo da confusão e o equívoco de alguns que chegam a pensar que aquela pecadora era Maria Madalena. Mas vale lembrar que não temos nenhuma base bíblica ou mesmo histórica para defender ou provar essa ideia. E por outro lado, aquela pecadora é simplesmente uma anônima e, portanto, nada tem a ver com Maria Madalena.

Talvez, esse equívoco deve-se ao fato dela, no passado, haver sido possuída por sete demônios, os quais foram expelidos por Jesus (Lc 8,2). Ora, a mulher adúltera foi assim denominada porque desonrou os votos do matrimônio; o que comprova, naturalmente, que ela tinha marido. Mas quanto a Maria Madalena, não há nenhuma passagem bíblica que, explícita ou implicitamente, possa comprovar que ela fosse casada. Portanto, fica dessa forma descartada a hipótese dela ser a mulher adúltera descrita por João, o evangelista.

Pelo fato da Bíblia estar cheia de homônimos, ou seja, de pessoas que, apesar de diferentes, possuem um mesmo nome, é muito natural que as vezes, por um pequeno descuido possamos fazer confusão entre os personagens bíblicos. Maria, como já vimos, há no novo testamento, seis mulheres com esse nome. Entre as quais, Maria de Betânia, a irmã de Lázaro e Maria Madalena, duas personagens totalmente distintas. Vejamos algumas diferenças entre ambas:

  • Maria Madalena: era de Magdala, na região da Galileia;
  • Maria, irmã de Lázaro, era de uma aldeia em Betânia, na região da Judéia;
  • Maria Madalena não é apresentada como tendo irmãos; Maria de Betânia tinha dois irmãos: Marta e Lázaro.
  • E para finalizar, diferente de Maria de Betânia, Maria Madalena ajudou a sustentar o ministério de Jesus, esteve ao pé da cruz no dia da crucificação do Mestre, esteve no sepulcro de Jesus no dia do sepultamento e no da ressurreição, e foi a primeira a ver Jesus ressuscitado e a tocar nele, e anunciar a sua ressurreição aos discípulos.

E definitivamente Maria Madalena não foi casada com Jesus Cristo

Se Jesus fosse casado não haveria nenhum problema ou motivo para que os discípulos ou os evangelistas omitissem esse fato. Não obstante, nenhum deles faz alusão a esse suposto casamento;

As mulheres tinham seus nomes geralmente ligados ao de um homem, marido ou parente. Maria Madalena é exceção à regra. Se ela fosse casada com Jesus, seu nome deveria vir ligado ao dele pelo menos uma vez, o que de fato não acontece. Pois ela, conforme os relatos dos evangelistas, é conhecida, apenas, pelo seu lugar de origem , a saber, Magdala. Daí chamar-se Maria Madalena, ou seja, de Magdala

 

Leia também:

  • Série De Nazaré parte 1, parte 2, parte 3, parte 4, parte 5
  • Livro: Jesus, Mestre de Nazaré – Aleksandr Mien
  • Bíblia Sagrada – CNBB
  • Bíblia de Jerusalém
  • Bíblia Sagrada- Edição Pastoral – Paulus
  • Bíblia do Peregrino

 

8º Encontro (Catequese) – Profetas

Série : Animo, uma nova catequese (Encontro -8/40)

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Os lábios de Isaías tocados pelo fogo, por Benjamim West

Chegamos ao nosso oitavo encontro, ou melhor a sugestão de encontro desta série. É hora de falarmos dos profetas, e eles foram muitos na história da fé, e podem incluir desde Noé (que avisou e tentou salvar o povo), passando por Moisés (que libertou o povo do Egito), seguindo pelos chamados Profetas Maiores e os Profetas Menores e também Jesus (que para nós é o filho de Deus mas para outras religiões como o Judaísmo e Islamismo foi sim e apenas um dos maiores profetas que existiram). A sugestão (e vale salientar é apenas minha sugestão, mas como sempre fica a critério de cada equipe de catequese) é falar de dois dos maiores profetas da Bíblia: Isaías e Jeremias e fazermos assim um grande paralelo sobre a importância da sua pregação e a história do povo de Deus.

Faremos uma boa conversa e tomando como primícia o que diz o Catecismo Jovem da Igreja Católica YouCat: “Se houvessem dois deuses, um seria a fronteira do outro. Nenhum dos dois seria infinito: nenhum perfeito. Portanto, nenhum seria Deus. A experiência fundamental de Deus feita por Israel está assim expressa: Escuta, Israel! O Senhor nosso Deus é único! [Dt 6,4]. Os profetas exortavam continuamente a deixar os falsos deuses e a virar-se para o único Deus: Eu sou Deus e mais ninguém. [Is 45,22YouCat 30

 

Nosso encontro 

Como podemos melhorar nossa vivência de fé? Essa é uma pergunta que devemos nos fazer já a esta altura da caminhada. Por vezes os encontros podem parecer chatos e até cansativos, por isso devemos sempre tentar fazer algo diferente. Sugiro então que seja preparado um café da manhã (ou café da tarde se for o caso ou um lanche da noite também se for o caso). A idéia é descontrair um pouco, nada de exagerado, mas sim um café, leite, suco, pão, bolachas, margarina (ou manteiga), água, açúcar (levando em consideração que alguns gostam de café ou suco sem açúcar), presunto e queijo. Nada de refrigerante. Claro que tudo depende das possibilidades de cada comunidade, mas pode ter certeza que não é um gasto a toa e sim um investimento.

Nossa oração inicial será a Invocação ao Espírito Santo (Vinde Espírito Santo) e deve ser feita na mesa deste café. Depois da oração todos comem (cuidar dos que tem mais timidez) e neste momento de descontração é aconselhável que os catequistas se aproximem mais perguntem sobre como foi a semana e estreitem mais os laços, será importante para o futuro. Uma boa ideia é já começar a organizar o almoço (ou jantar) que deverá ser realizado com a presença das famílias num futuro próximo. Perguntar aos catequizandos o que eles acham da idéia e se eles acham que seus familiares viriam. Esta conversa deve ser feita ainda próximo a mesa. Reservar uns 20 minutos para esta parte. Acredite, é bom cuidar do tempo para não se perder o foco.

No segundo momento, vamos fazer o canto inicial (nada impede que ele possa ser feito ainda antes do café). Sugiro Me faz profeta da Comunidade Doce Mãe de Deus, que é uma música fácil e muito bonita além de ir ao encontro do tema.

No terceiro momento vamos desenvolver o tema. Falaremos um pouco sobre o que é ser profeta e quais são os profetas da Bíblia. Sugiro que falemos principalmente dos profetas Isaías e Jeremias, mas é claro que o a equipe de catequese tem a liberdade para falar de outros ou mais profetas e se for o caso falar apenas de uma forma geral. No aprofundamento do catequista falarei mais sobre o assunto.

Dinâmica: A Escolha

O objetivo desta dinâmica é ver as escolhas de cada um, mas não existe o certo ou errado, apenas o porquê cada um escolheu quem escolheu. O catequista deve perguntar o porque, mas não deve querer mudar a opinião de cada um. Deus deixa que cada pessoa faça suas escolhas. Seria interessante os catequistas se absterem de escolher e administrar se houverem discordâncias de outros catequizandos. Falar sobre o respeitar a escolha de cada um e também de como Deus nos dá o livre arbítrio para fazermos o que achamos melhor, mas que Ele sempre coloca na nossa vida pessoas para nos ajudar na escolha do caminho da paz e da fé.

Um guerra acabou de ser declarada e esta cidade será bombardeada dentro de 1 hora. Existe um abrigo subterrâneo, onde cabem apenas mais 6 pessoas além de você, entretanto, tem 12 que precisam e querem  entrar. Entre estas 12, quais são as seis pessoas que você escolheria e por quê?

PESSOAS INTERESSADAS EM IR PARA O ABRIGO

( ) Um violinista, com 40 anos, narcótico viciado.
( ) Um advogado, com 25 anos, HIV +.
( ) a mulher do advogado, com 24 anos, que acaba de sair do manicômio. Ambos preferem ficar juntos no abrigo, ou fora dele.
( ) Um sacerdote com 75 anos
( ) Uma prostituta, com 34 anos.
( ) Um ateu com 20 anos, autor de vários assassinatos.
( ) Uma universitária que fez voto de castidade
( ) Um físico, 28 anos, que só aceita entrar no abrigo se puder levar consigo uma arma.
( ) Um declamador fanático, com 21 anos.
( ) Uma menina de 12 anos, e baixo Q.I.
( ) Um homossexual, com 47 anos.
( ) Um excepcional, com 32 anos, que sofre de ataques epilépticos

 

Dinãmica A Escolha - Abrigo Subterrâneo

Depois das plenárias vamos ao nosso canto final, sugiro A Ele a Glória do grupo Mensagem Brasil, grande música de louvor e agradecimento e em seguida faremos a oração final.

Aprofundamento para o catequista:

No caminho de Israel e ao longo de toda a história do povo, Deus chamou, suscitou e às vezes até arrancou homens do meio do povo e os enviou, para que falassem em seu nome e anunciassem a sua mensagem. Os profetas são os verdadeiros porta-vozes de Deus. São homens que conheciam a situação do seu país e também o projeto de Deus. À luz da razão e da fé interpretam o momento presente com o olhar voltado para o futuro. Com o testemunho de sua própria vida, por suas palavras e com gestos e sinais despertam a consciência do povo e provocam a conversão do coração e a transformação social para que o povo de Deus persevere fiel no caminho. Os profetas são como que a ponte entre Deus e o povo, entre o céu e a terra. São os que sabem ler e interpretar os sinais dos tempos.

Os profetas defendem os direitos de Deus e dos homens e promovem a justiça aqui na terra. Por isso, o profetismo de Israel foi mais intenso e vigoroso na época dos reis, quando a concentração do poder e das riquezas destruía o projeto de Deus (talvez fosse necessário a volta dos profetas hoje em dia) e enchia de opressão e injustiça a Terra Prometida – a terra de Deus e do povo que verteria leite e mel. O profetismo em Israel  enfraqueceu muito na época da restauração, quando o país já vivia a condição de estrangeiro em sua própria terra, sob o domínio das potências estrangeiras. O movimento profético tem relação com os movimentos sociais, é o núcleo da Teologia de Israel: Reino de Israel Ungido = Rei-Servo.

Na nossa cultura bíblica os profetas normalmente são divididos em dois grupos: os profetas maiores e os menores.
Profetas maiores: Isaías, Jeremias, Ezequiel (aos quais é acrescentado Daniel, Baruc e as lamentações)
Profetas menores: Amós, Oséias, Miquéias, Naum, Sofonias, Habacuc, Abdias, Ageu, Zacarias, Malaquias, Joel e Jonas.

Essa apresentação, embora clássica, apresenta alguns problemas. Primeiro de tudo se trata de profetas que têm um livro bíblico com o seu nome. Existem, contudo, outros profetas que não dão o nome a um livro específico, como Elias e Eliseu, cuja história aparece no livro dos reis. Em segundo lugar existe a tradição hebraica, que inclui entre os profetas também os livros de Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis. Esses livros narram a história de Israel, mas provavelmente são considerados pelos judeus como proféticos por que a história precisa ser lida dentro de uma perspectiva profética. De fato, na concepção bíblica, o conceito de profeta não se limita aquelas pessoas que têm visões e prevêem o futuro, mas são mensageiros de Deus, pessoas escolhidas (é muito importante a vocação, o chamado) para conduzir o povo para a estrada do Senhor.

Isaías 

” Consolem, consolem o meu povo, diz o Deus de vocês. Falem ao coração de Jerusalém, gritem para ela que já se completou o tempo da sua escravidão, que seu crime já foi perdoado, que ela já recebeu da mão de Javé o castigo em dobro por todos os seus pecados.” (Is 40, 1-2)

A grande maioria dos estudiosos da Bíblia concluiu que o livro de Isaías na verdade foi escrito por 3 pessoas diferentes, provavelmente 3 discípulos do profeta Isaías original. Existem diferenças entre os textos que denunciaram esta possibilidade:

  1. Primeiro Isaías: Capítulos 1 a 39. Fala da atividade do profeta em Judá e Jerusalém, após a morte do rei Ozias (740 a.C.)
  2. Segundo Isaías: Capítulos 40 a 55. Fala da atividade do profeta que continuou o trabalho do primeiro, no período do exílio entre 586 a 538 a.C.
  3. Terceiro Isaías: Capítulos 56 a 66. Fala do período posterior ao exílio, tempo da restauração e reconstrução de Jerusalém.

O Livro de Isaías é um livro profético do Antigo Testamento, vem depois do livro de Cantares e antes do Livro de Jeremias. É uma peça central da literatura profética do Antigo Testamento, na Bíblia.Sua importância é refletida também no Novo Testamento, considerando-se que há mais de 400 referências diretas ao livro, feitas pelos evangelistas e apóstolos.

O forte caráter e ênfase messiânicos percebidos em toda a extensão do documento, muito provavelmente colaboraram para conceder ao livro tamanha proporção referencial entre os autores do Novo Testamento. Por causa disto também, Isaías recebeu o epíteto de “o quinto evangelista“.

Em seus dias, Isaías viveu e narrou a tensão política e militar que o território de Israel experimentava, com eventos decorrentes principalmente de um panorama marcado por intensas e contínuas atividades bélicas e expansionistas que estavam sendo realizadas pela monarquia egípcia, ao sul, e pelos caldeus, ao Leste.

O início do ministério profético de Isaías situa-se em 754 A.C., coincidindo com 2 datas históricas precisas: a morte do Rei Uzias de Judá, e a fundação de Roma.

Ler:

Duas passagens clássicas do livro de Isaías fazem alusão (quase 600 anos antes) da vinda de Jesus, seu nascimento por uma virgem e também sobre todo o martírio que ele iria passar. Claro que foi à partir desta profecia que o povo judeu ficou ( e ainda está) esperando um rei messiânico, mas a coincidência do relato deixa claro que este rei é Jesus Cristo

Is 7, 14-16 Fala sobre a concepção de um rei por uma virgem e de dois reis. Por uma comparação podemos associar esta profecia com a virgem Maria e com a situação da Palestina que tinha dois reis (na verdade o de Roma era um imperador) Cesar e Herodes.

Is 53, 1- 12 Fala sobre um homem que foi condenado e sofreu por causa do pecado dos outros. Muito interessante se for comparado com a história de Jesus. No versículo 7: “Foi maltratado e resignou-se; não abriu a boca, como um cordeiro que se conduz ao matadouro, e uma ovelha muda nas mãos do tosquiador. (Ele não abriu a boca.)” e no versículo 12: “…porque ele próprio deu sua vida, e deixou-se colocar entre os criminosos, tomando sobre si os pecados de muitos homens, e intercedendo pelos culpados.” A comparação histórica pode ser feita de maneira bem satisfatória nestas passagens.

Jeremias

“Eu me dizia, não pensarei mais nele, não falarei mais no seu nome. Era como se houvesse no meu coração um fogo ardente…” (Jr 20,9)

Jeremias era pesquisador e historiador, além de profeta. Acredita-se que tenha sido ele o autor do livro que leva seu nome e possivelmente os dois livros de Reis (tenha escrito adicionando-lhe relativos dados por Natã e Gade ( I Crônicas 29:29) e outros escritores. É a história dos reis de Judá e Israel, desde Davi até Acabe e Jeosafá, num período de 118 a 125 anos), abrangendo a história de ambos os reinos (Judá e Israel) desde o ponto em que os livros de Samuel a deixaram (isto é, na última parte do reinado de Davi sobre todo o Israel), até o fim de ambos os reinos, e após, a queda de Jerusalém, teria escrito o Livro das Lamentações.

Os relatos biográficos em terceira pessoa que encontramos no Livro de Jeremias, que são atribuídos a Baruc, não se encontram em ordem cronológica, entretanto, por meio da seguinte sequência de trechos: 19:1-20:6; 26; 45; 28-29; 51:59-64; 34:8-22; 37-44, pode-se fazer uma leitura destes relatos na ordem cronológica

A atividade profética de Jeremias se iniciou entre os anos de 626 ou 627 a.C. (1:2; 25:3), quando ele ainda era jovem (1:6), razão pela qual teria demonstrado receio ao assumir tal tarefa, e prosseguiu até 586 AC, podendo ser dividida em quatro períodos:

  1. Primeiro período: durante o reinado de Josias (627 a 609 AC)

  2. Segundo período: durante o reinado de Joaquim (609 a 598 AC)

  3. Terceiro período: durante o reinado de Zedequias (597 a 586 AC)

  4. Quarto período: depois da queda de Jerusalém (a partir de 586 AC)

Segundo o apócrifo Vida dos Profetas, escrito por um judeu da Palestina no séc. I d.C. Jeremias foi apedrejado e morto por seus conterrâneos quando residia no Egito

Pode-se dizer que a missão de Jeremias fracassou em querer que seu povo retornasse à genuína aliança com Deus. Ele se tornou uma espécie de Moisés fracassado, que viu seu povo perder suas instituições e a própria terra. Se apresenta como um grande solitário (15:17), incompreendido e perseguido até pelos membros de sua família (12:6; 20:10; 16:5-9), nunca chegou a ser pai (16:1-4), foi arrastado contra a sua vontade para o Egito, nenhum vestígio restará de sua tumba.

No entanto, sua confiança no Deus que é sempre fiel lhe deu a capacidade de mostrar, ao povo e a nós, que esse mesmo Deus manterá seu relacionamento conosco, sem precisar de instituições mediadoras (31,31-34). Ao colocar em primeiro plano os valores espirituais, destacando o relacionamento íntimo que a alma deve ter com Deus, ele antecipou elementos da Nova Aliança; e sua vida de sofrimentos a serviço de Deus.

Leia mais:

Folha modelo base - Copy (2)

Sugestão de folha de encontro

A literatura profética pode ser dividida de várias maneiras. A mais tradicional e comum, entre os cristãos, é a divisão em profetas maiores e profetas menores. Não porque uns sejam mais importantes que outros, mas simplesmente pela extensão de seus escritos. Os profetas maiores são quatro: Isaías, Jeremias (que também escreveu Lamentações), Ezequiel, Daniel. Os menores são doze: Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias,[18] cabendo observar que o Livro de Baruc, que é relacionado entre os livros proféticos na Septuaginta, nas Bíblia adotadas pela Igreja Católica e pelas Igrejas Ortodoxas, é Deuterocanônico, ou seja, não constam na Bíblia Hebraica e não são aceitos pelas Igrejas que adotam a Bíblia proposta por Lutero.

Por sua vez, a Bíblia Hebraica agrupa os livros de Isaías, Jeremias, Ezequiel e os dos doze profetas sob o título de “Profetas Posteriores” e os coloca após os “Profetas Anteriores”: (Josué, Juízes, I Samuel, II Samuel, I Reis, II Reis), enquanto que a Septuaginta (tradução do Antigo Testamento para o Grego Koiné, cuja estrutura é utilizada por maior parte das Igrejas Cristãs) apresenta os livros proféticos depois dos Livros Históricos, destacando-se que a Bíblia Hebraica não inclui o Lamentações e Daniel entre os “Profetas Posteriores”, mas entre os “Escritos” (Kethuvim)

_518d960fc51bf5e8b8a1afcfd1cfbb1f257d14b7Uma boa opção de pesquisa é o Livro O caminho de Israel – Pe. Javier Saravia, s.j. – Paulinas editora que fala sobre a história de Israel de uma maneira simples e fácil de entender.

Fontes pesquisadas:

  • Bíblia da CNBB
  • Wikipedia
  • Bíblia.org
  • YouCat – Catecismo Jovem da Igreja Católica
  • Catecismo da Igreja Católica
  • Compêndio do CIC

Bíblia, diferenças na igualdade

Série : Animo, uma nova catequese (Encontro -4/40 – Complemento 1)

 

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Pintura de Claudio Pastro

Este complemento é o 1º de pelo menos 20 que publicarei (até mais se houver necessidade) e serve como fonte de pesquisa para um “aprofundamento” do catequista (e/ou catequizando) sobre um assunto, que ao meu ver é praticamente inesgotável: A Bíblia.

Na sugestão do nosso 4º encontro iniciamos o tema Bíblia, mas será um tema presente ao longo de toda esta vivência na fé.

A Bíblia (apesar de apresentar o que na nossa fé é a Palavra de Deus) tem diversas configurações conforme a religião.

Vale lembrar que o Antigo Testamento (Primeira Coleção de Livros) tem toda a origem do povo de Deus, os escolhidos pelo Pai em primeiro lugar foram os hebreus, que logo seriam conhecidos (como até hoje) como Judeus (descendentes da Tribo de Judá), por isso mesmo os 5 primeiros livros da Bíblia são especiais para o povo de Israel que professam a fé no judaísmo, mas também é importante para todos os fiéis (hoje cristãos).

Mesmo para a religião cristã (que acreditam que Jesus Cristo é o Messias, filho unigênito de Deus) existem divisões e diferenças entre as versões da Bíblia.

Os Católicos Apostólicos Romanos (religião que tem a sede em Roma, com o Papa Francisco (hoje) à frente da Igreja) base deste blog, tem mais livros na Bíblia que nossos irmãos protestantes (que participaram dos cisma da igreja na idade média liderados por Lutero e Calvino) e como protestantes podemos incluir os pentecostais e o neo-pentecostais atualmente (tema para um post futuro), assim como a Bíblia da Igreja Católica Ortodoxa Oriental (não confunda com os japoneses ou chineses).

Veja o quadro que preparei, baseado em um quadro da Bíblia da CNBB:

Bíblia  Hebraica

TaNaK

hebraica – judaica *

Septuaginta**

Base das igrejas orientais

Nova Vulgata

Base Católica

Bíblia  Protestante
Torá ou lei :

Gn, Ex, Lv, Nm,  Dt

Lei ou Pentateuco:

Gn, Ex, Lv, Nm,  Dt

Lei ou Pentateuco:

Gn, Ex, Lv, Nm,  Dt

Lei ou Pentateuco:

Gn, Ex, Lv, Nm,  Dt

Neblin ou Profetas:

Anteriores: Js, Jz,

1 e 2 Sm, 1 e 2 Rs

Posteriores : Is, Jr, Ez, e os 12 Profetas Menores  (Os, Jl, Am, Ab, Jn, Mq, Na, Hab, Sf, Ag, Zc, Ml)

 

Livros históricos :

Js, Jz, Rt, 1/2Rs (=1/2Sm ), 3/4Rs (=1/2Rs), 1/2 Paralipômenos (=1/2Cr), [1 (ou 3) Esd], 2Esd (=Esd/Ne)

Est (+fragmentos deuterocanônicos), Jl, Tb, 1/2 Mc, [3/4Mc]

Livros históricos : Js, Jz, Rt, 1/2 Sm, 1/2Rs,1/2 1/2Cr, Esd, Ne, Est (+fragmentos deuterocanônicos), Jt, Tb, 1/2Mc Livros históricos : Js, Jz, Rt, 1/2 Sm, 1/2Rs,1/2 1/2Cr, Esd, Ne, Est
Kelubim ou Escritos:

Sl, Jó,Pr, Rt, Ct, Ecl,Lm, Est, Dn,

Esd-Ne, 1 e 2 Cr

Livros Sapienciais: Sl**; [Odes], Pr, Ecl, Ct, Jó, Sb, Eclo, [Salmos de Salomão] Livros Sapienciais :

SL**, Pr, Ecl, Ct, Jó, Sb, Eclo

Livros Sapienciais :

SL, Pr, Ecl, Ct, Jó

Livros Proféticos : Is, Jr, Lm, Br + Carta de Jeremias, Ez, Dn (+ fragmentos deuterocanônicos) e os 12 Profetas  Menores: Os, Am, Mq, Jl, Ab, Jn, Na, Hab, Sf, Ag, Zc, Ml Livros Proféticos : Is, Jr, Lm, Br + Carta de Jeremias, Ez, Dn (+ fragmentos deuterocanônicos) e os 12 Profetas  Menores: Os, Am, Mq, Jl, Ab, Jn, Na, Hab, Sf, Ag, Zc, Ml Livros Proféticos : Is, Jr, Lm, Ez, Dn  e os 12 Profetas  Menores: Os, Am, Mq, Jl, Ab, Jn, Na, Hab, Sf, Ag, Zc, Ml
Base: hebraica Base: grego Base: hebraica  (grego para os deuterocanônicos ) Base: hebraica

*Com as iniciais das 3 categorias firma-se TaNaK que indica a Bíblia hebraica /judaica

**Na Septuaginta e nos livros litúrgicos das Igrejas Orientais e da Igreja Católica, a numeração dos Salmos é levemente diferente e Ester e Daniel contém fragmentos deuterocanônicos

Salmos: Se agrupam em 5 livros: Sl 1-41, Sl 42-72, Sl 73-89, Sl 90-106, Sl 107-150

Ao serem traduzidos para o grego, dois Salmos foram divididos ao meio e outros quatro foram reunidos 2 a 2 criando uma numeração diferente quase sempre uma unidade atrás da original.

A grande maioria das edições modernas da Bíblia, inclusive na Nova Vulgata,  conservam a numeração grega entre parênteses

Correspondência das 2 numerações:

Hebraico Grego
1-8

9-10

11-113

114-115

116

117-146

147

148-150

1-8

9

10-112

113

114-115

116-145

146-147

148-150

Na edição da Editora Ave Maria da Bíblia Sagrada encontramos a numeração hebraica entre parenteses e a grega sendo a numeração principal, diferente das demais edições. Isso pode confundir um pouco na hora de citar um Salmo, mas não atrapalha no geral

A grosso modo a Bíblia Protestante excluiu 7 livros no Antigo Testamento:  Tobias, Judite, 1 e 2 Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico e Baruc e mais alguns trechos de Daniel, Ester e Jeremias. Porque estes livros e trechos só tem versões escritas em grego e nenhuma em hebraico, então os protestantes seguiram a linha definida por Lutero que por sua vez seguiu a linha da Bíblia Judaica que não considera inspirados por Deus os livros que não foram escritos originalmente em hebraico.

Apócrifos:

Provavelmente você gostaria que falássemos um pouco dos apócrifos (pseudo-epígrafes segundo os protestantes), livros que não foram excluídos da Bíblia, mas sim, não foram incluídos. É necessário distinguir entre apócrifos do Antigo Testamento e apócrifos do Novo Testamento. Eles são numerosos.

Do Antigo Testamento temos livros como Enoch, 3 e 4 Esdras, o Salmo 151, Jubileus, Testamento dos 12 patriarcas, Vida de Adão e Eva, Apocalipse de Moisés e outros; são livros cujo o conteúdo não abrange o âmbito do Novo Testamento. Sobre eles curiosamente não existem polêmicas e quase não conhecemos a sua existência. Invés, graças a inúmeras campanhas através dos meios de comunicação, às vezes sem nenhum fundamento científica, conhecemos diversos livros apócrifos que tratam de temas inerentes ao Novo Testamento.

  • Porém esses livros não podem ser considerados da mesma forma. Há livros importantes, escritos até mesmo no primeiro século da era cristã, que são fundamentais para conhecer a vida da igreja nascente. São apócrifos como Pastor de Hermas, Didascália, Carta de Barnabé, Carta 1 e 2 de Clemente, Constituições Apostólicas e Evangelho de Pedro. Mas não são esses os livros apócrifos dos quais escutamos falar frequentemente nas reportagens escandalosas. Normalmente os apócrifos em questão são aqueles ligados com o gnosticismo, uma seita do início do cristianismo, tais como o Evangelho de Maria Madalena ou o Evangelho de Tomás.
    Falando brevemente, os gnósticos diziam possuir conhecimentos secretos. Esse conhecimento lhes ensinava, por exemplo, que existiam dois deuses, um completo, visível no Novo Testamento e outro imperfeito, que deriva do Antigo Testamento. Este ambiente produziu muita literatura, a partir do II século depois de Cristo. A maior parte dos apócrifos do Novo Testamento tem origem nesse movimento. Obviamente a igreja nunca aceitou tal doutrina e nem mesmo os seus escritos, pois profundamente influenciados por suas idéias filosóficas e evidente longe da verdade histórica. De qualquer forma a leitura de tais obras é interessante, mas deve ser feita dentro de uma ótica que tenha presente esse contexto. É completamente errado pretender fundar teses históricas baseados em tais obras.  É uma leitura mais aconselhável para quem já esteja integrado a vida na igreja e já tenha feito um estudo da Bíblia na sua edição canônica (ou podemos chamar de oficial).

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Formação do Cânone Bíblico:

Os 73 livros da bíblia católica, ou os 66 da bíblia protestante, foram escritos em um período de aproximadamente 1000 anos; por volta do ano 900 antes de Cristo apareceram os primeiros textos do Antigo Testamento e só lá pelo ano 100 depois de Cristo foi escrito o último livro do Novo Testamento. Portanto os primeiros cristãos não tinham em mãos a Bíblia como temos hoje. Só mais tarde foi possível recolher todos os livros em um único volume e formar a Bíblia.
O processo que conduziu à formação da Bíblia é complexo. Primeiro de tudo é preciso dizer que os livros que aparecem nas diferentes Bíblias estão ali porque foram considerados como inspirados, divinos, pelos respectivos grupos que defendem tais bíblias. A lista de livros que forma cada uma das bíblias é chamada Cânon. Existe o cânon católico, aquele protestante e ainda outros. O cânon é fruto de uma decisão que foi tomada em um determinado período histórico. Os judeus, por exemplo, definiram a lista oficial dos livros da sua Bíblia somente cerca do ano 100 depois de Cristo. Aceitaram como inspirados apenas os livros escritos em hebraico e por isso na Bíblia Hebraica, que coincide com o nosso Antigo Testamento, não encontramos livros escritos em grego, tais como Tobias, Judite, 1 e 2 Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico e Baruc e mais alguns trechos de Daniel, Ester e Jeremias. Esses 7 livros já existiam no tempo de Cristo, mas a discussão para saber se eram inspirados ou não ainda não havia terminada. Os cristãos demoraram muito tempo para estabelecer a sua lista (cânon). Em linhas gerais, quanto ao Antigo Testamento, foram aceitos os 39 livros definidos pela lista dos judeus e ainda os 7 livros apenas citados, escritos em grego. Quanto aos livros do Novo Testamento, a discussão foi veemente no que se refere sobretudo aos livros do Apocalipse e da Carta aos Hebreus, mas com o tempo também eles entraram na lista e assim se formou o conjunto de 27 livros. Todavia, para exemplificar o problema, no final do Século IV uma parte considerável da Igreja Oriental utilizava um Novo Testamento que continha apenas 22 livros, onde não compareciam as cartas 2 Pedro, 2 e 3 João e Judas e também o Apocalipse. A decisão final da igreja católica foi tomada somente no Concílio de Trento, em 1546. Essa lista contém 46 livros no Antigo Testamento e 27 no Novo Testamento. As igrejas ortodoxas orientais fixaram a sua lista no sínodo de Jerusalém, em 1676 e é praticamente igual àquela católica. Porém em 1950, o santo sínodo da igreja ortodoxa acrescentou a esta lista os livros 3 Macabeus, 4 Macabeus e o salmo 151. Os cristãos da Etiópia incluem no Novo Testamento Sínodo, Livro da aliança, três cartas de Clemente e a Didascália. Os protestantes, por sua vez, nunca tomaram uma decisão sobre a sua lista. Isto por que não têm uma autoridade universal capaz de falar em nome de todos os ramos. Porém, normalmente, nas edições modernas são excluídos do Antigo Testamento os livros que não fazem parte da Bíblia Hebraica: Tobias, Judite, 1 e 2 Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico e Baruc. Os protestantes chamam esses livros de apócrifos e os católicos os denominam deuterocanônicos, para diferenciar dos protocanônicos, que entraram por primeiro no cânon. Para os católicos os apócrifos, invés, são livros que não foram incluídos na Bíblia. Esses são chamados de pseudo-epígrafe pelos protestantes. O Novo Testamento dos protestantes, invés, é idêntico aquele dos católicos e consta de 27 livros. Feita a soma, como já dissemos acima, a Bíblia católica tem 73 livros enquanto aquela dos protestantes tem 66.
A questão dos livros que compõe a Bíblia protestante é uma questão complicada. Existem diferentes edições da Bíblia e normalmente, sobretudo aquelas mais populares, não trazem os 7 livros citados. Porém existem outras edições, sobretudo mais científicas, que colocam os 7 livros no fim do Antigo Testamento. Essa é uma prática que tem raízes no pai da reforma, Lutero. Na sua bíblia em alemão, de 1534, ele inseriu os 7 livros em questão entre os dois testamentos com a seguinte observação: “Apócrifos: estes são livros que não são considerados Sagrada Escritura, mas são igualmente úteis e bons para ler”. Tais livros foram invés completamente excluídos das edições somente no século XIX, pelas Sociedades Bíblicas.
Quanto ao Novo Testamento, como já dito, as edições atuais dos católicos e protestantes coincidem, inclusive a ordem é igual. Não era assim na versão de Lutero. Ele classificou os livros do Novo Testamento de acordo com sua importância. Nesse caso atribuiu uma importância menor a Hebreus, Tiago, Judas e Apocalipse, que, portanto, foram colocados no final da sua bíblia. Com o tempo, porém, as reservas de Lutero não foram mais consideradas e hoje os protestantes, em geral, não colocam em questão o valor dos escritos do Novo Testamento. (texto retirado do site A Bíblia.Org)

Bíblia Católica

Antigo Testamento

Abreviação do Livro Livro Bíblico Quantidade de Capítulos
Gn Gênesis 50
Êx Êxodo 40
Lv Levítico 27
Nm Números 36
Dt Deuteronômio 34
Js Josué 24
Jz Juízes 21
Rt Rute 4
1 Sm 1º Samuel 31
2 Sm 2º Samuel 24
1Rs 1º Reis 22
2Rs 2º Reis 25
1Cr 1º Crônicas 29
2Cr 2º Crônicas 36
Esd Esdras 10
Ne Neemias 13
Tb Tobias 14
Jt Judite 16
Est Ester 10
1 Mc 1º Macabeus 16
2 Mc 2º Macabeus 15
42
Sl Salmos 150
Pr Provérbios 31
Ecl Eclesiastes (Coélet) 12
Ct Cântico dos Cânticos 8
Sb Sabedoria 19
Eclo Eclesiástico (Sirácida) 51
Is Isaías 66
Jr Jeremias 52
Lm Lamentações 5
Br Baruc 6
Ez Ezequiel 48
Dn Daniel 14
Os Oséias 14
Jl Joel 4
Am Amós 9
Ab Abdias
Jn Jonas 4
Mq Miquéias 7
Na Naum 3
Hab Habacuc 3
Sf Sofonias 3
Ag Ageu 2
Zc Zacarias 14
Ml Malaquias 3

Novo   Testamento

Abreviação do Livro Livro Bíblico Quantidade de Capítulos
Mt Mateus 28
Mc Marcos 16
Lc Lucas 24
Jo João 21
At Atos dos Apóstolos 28
Rm Romanos 16
1Cor 1ª Coríntios 16
2Cor 2ª Coríntios 13
Gl Gálatas 6
Ef Efésios 6
Fl Filipenses 4
Cl Colossenses 4
1Ts 1ª Tessalonicenses 5
2Ts 2ª Tessalonicenses 3
1Tm 1ª Timóteo 6
2Tm 2ª Timóteo 4
Tt Tito 3
Fm Filemom
Hb Hebreus 13
Tg Tiago 5
1Pd 1ª Pedro 5
2Pd 2ª Pedro 3
1Jo 1ª João 5
2Jo 2ª João
3Jo 3ª João
Jd Judas
Ap Apocalipse 22

Lista dos Livros Apócrifos

Antigo Testamento (divididos em 4 sub categorias

Apocalipses:

Apocalipse di Abramo
Apocalipse de Adão
Apocalipse de Baruc
Apocalipse greca de Baruc
Apocalipse de Daniele
Apocalipse de Elia (copta)
Apocalipse de Elias (hebraico)
Apocalipse de Esdras ou 4 Esdras
Apocalipse de Sedrach
Apocalipse de Moisés
Apocalipse de Sofonias

Testamentos

Testamento de Abraão
Testamento de Adão
Testamento dos 12 patriarcas
Testamento de Isaac
Testamento de Jacó
Testamento de Jó
Testamento de Moisés ou Assunão de Moisés
Testamento de Salomão

Outros textos apócrifos do Antigo Testamento:
Ascenção de Isaías
4 Baruc o Omissões de Jeremias
Perguntas de Esdras
1 Enoch ou livro de Enoch Etíope
2 Enoch ou Enoch Eslavo
3 Enoch ou Apocalipse hebraica de Enoch
Livro dos Jubileus
Livro de Iannes e Iambres
Livro de José e Asseneth
Livro di Noé
5 Maccabeus
Odes de Salomão
Oráculos sibilinos
Oração de José
História de Achikar
História dos Recabitas
Vida de Adão e Eva
Visão de Esdras
Vidas dos profetas

Apócrifos presentes na LXX
Esdras grego
Odes
Oração de Manassés
Terceiro livro dos Macabeus
Quarto livro dos Macabeus
Salmo 151
Salmos 152-155
Salmos de Salomão

Textos considerados apócrifos pelos protestantes, mas presentes na bíblia católica (partes em complementos de textos)

Judite
Tobias
1Macabeus
2Macabeus
Sabedoria
Eclesiástico ou Sirácide
Baruc
Carta de Jeremias
Oração de Azarias (Daniel)
História de Susana (Daniel)
Bel e o Dragão
Versão grega de Ester

Apócrifos do Novo Testamento

Evangelhos apócrifos

Evangelhos da infância de Jesus
Proto-Evangelho de Tiago ou Evangelho da Infância de Tiago ou Evangelho de Tiago
Código Arundel 404
Evangelho da infância de Tomás ou Evangelho do Pseudo-Tomás
Evangelho dello pseudo-Matteo ou Evangelho dell’infanzia de Matteo
Evangelho árabe da infância
Evangelho armênio da infância
Livro sobre o nascimento de Maria
História de José o carpinteiro

Evangelhos Judeu-Cristãos
Evangelho dos Ebionitas
Evangelho dos Nazareus ou Evangelho dos Nazarenos
Evangelho dos hebreus

Evangelhos gnósticos
Apocrifo de João ou Livro de João Evangelista ou Revelação Segreta de João
Diálogo do Salvador
Livro segreto de Tiago ou Apócrifo de Tiago
Livro de Tomás
Pistis Sophia ou Livro do Salvador
Evangelho de Apel
Evangelho de Bardesane
Evangelho de Basilide
Evangelho copto dos Egípcios
Evangelho grego dos Egípcios
Evangelho de Eva
Evangelho segundo Filipe
Evangelho de Judas
Evangelho de Maria ou Evangelho de Maria Madalena
Evangelho de Matias ou Tradição de Matias
Evangelho da Perfeição
Evangelho dos 4 ramos celestes
Evangelho do Salvador ou Evangelho de Berlim
Sabedoria de Jesus Cristo ou Sofia de Jesus Cristo
Evangelho de Tomás ou Evangelho de Dídimo Thomás ou Quinto Evangelho
Evangelho da Verdade

Evangelhos da Paixão
Evangelho de Gamaliel
Evangelho de Nicodemos
Evangelho de Pedro
Declaração de José de Arimatéia

Outros evangelhos
Interrogatio Johannis ou Ceia segreta ou Livro de João Evangelista
Evangelho de Barnabás
Evangelho de Bartolomeu ou Questões de Bartolomeu
Evangelho de Tadeu

Fragmentos de evangelhos
Papiro de Ossirinco 840
Papiro de Ossirinco 1224
Evangelho Egerton
Papiro de Fayyum
Papiro de Berlim

Evangelhos perdidos, mas citados por outras fontes
Pregação de Pedro
Evangelho de André
Evangelho de Cerinto
Evangelho dos Doze
Evangelho de Mani
Evangelho de Marcião
Evangelho segreto de Marcos
Evangelho dos Setenta

Atos apócrifos
Atos de André
Atos de André e Matias
Capitolo 29 dos Atos dos Apóstolos
Atos de Barnabé
Atos de Bartolomeu ou Martírio de Bartolomeu
Atos de Santippe e Polissena
Atos de Felipe
Atos de João
Atos de Marcos
Atos de Mateus
Atos de Paulo
Atos de Paulo e Tecla
Atos de Pedro
Atto de Pedro
Atos de Pedro e André
Atos de Pedro e dos Doze
Atos de Pedro e Paulo
Atos de Pilatos
Atos de Simão e Judas
Atos de Tadeu
Atos de Timóteo
Atos de Tito
Atos de Tomás

Cartas apócrifas
Carta dos Apóstolos
Carta de Barnabé
Lettere de Inácio
Carta dos Coríntios a Paulo
Carta ai Laodicesi
Lettere de Paulo e Sêneca
Terza Carta de Paulo aos Coríntios
Carta de Pedro a Felipe
Carta de Pedro a Tiago Maior
Caras de Jesus Cristo e do rei Abgar de Edessa
Carta de Publio Lentulo

Apocalipses apócrifos
Primeira Apocalipse de Tiago
Segunda Apocalipse de Tiago
Apocalipse da Virgen (etíope)
Apocalipse da Virgen (grego)
Apocalipse de Pedro (grego)
Apocalipse de Pedro (copto)
Apocalipse de Paulo (grego)
Apocalipse de Paulo (copto)
Apocalipse de Estêvão
Apocalipse de Tomás

Ciclo de Pilatos
Sentença de Pilatos
Anáfora de Pilatos
Paradosis de Pilatos
Cartas de Pilatos e Erodee
Cartas de Pilatos e Tiberio
Vingança do Salvador
Morte de Pilatos
Cura de Tibério

Outros apócrifos
Descina ao inferno (de Jesus)
Doutrina de Addai
Duas vias ou Juízo de Pedro
Doutrina de Paulo
Doutrina de Pedro
Martírio de André apóstolo
Martírio de Mateus
Risurreição de Jesus Cristo (de Bartolomeu)
Testamento de Jesus
Tradição de Matias
Dormição da Beata Maria Virgem ou Trânsito de Maria de João o Teólogo
Trânsito da Beata Maria Virgem de José de Arimatéia
Vida de João Batista de Seapião de Alexandria

Literatura sub-apostólica (Documentos Históricos)

Didachè
Primeira Carta de Clemente
Segonda Carta de Clemente
Carta de Inácio aos Efésios
Carta de Inácio aos Magnesios
Carta de Ignazio ai Tralianos
Carta de Inácio aos Romanos
Carta de Inácio aos Filadelfenses
Carta de Inácio aos Esmirnenses
Carta de Inácio a Policarpo
Primeira Carta de Policarpo aos Filipenses
Segunda Primeira Carta de Policarpo aos Filipenses
Martírio de são Policarpo
Papia de Gerapoli (fragmentos)
Carta de Barnabé
Homilia do pseudo-Clemente
Pastor de Hermas
Carta a Diogneto

Escritos de Qumran

  1. A Nova Jerusalém (5Q15)
  2. A Sedutora (4Q184)
  3. Antologia Messiânica (4Q175)
  4. Bênção de Jacó (4QPBl)
  5. Bênçãos (1QSb)
  6. Cânticos do Sábio (4Q510-4Q511)
  7. Cânticos para o Holocausto do Sábado (4Q400-4Q407/11Q5-11Q6)
  8. Comentários sobre a Lei (4Q159/4Q513-4Q514)
  9. Comentários sobre Habacuc (1QpHab)
  10. Comentários sobre Isaías (4Q161-4Q164)
  11. Comentários sobre Miquéias (1Q14)
  12. Comentários sobre Naum (4Q169)
  13. Comentários sobre Oséias (4Q166-4Q167)
  14. Comentários sobre Salmos (4Q171/4Q173)
  15. Consolações (4Q176)
  16. Eras da Criação (4Q180)
  17. Escritos do Pseudo-Daniel (4QpsDan/4Q246)
  18. Exortação para Busca da Sabedoria (4Q185)
  19. Gênesis Apócrifo (1QapGen)
  20. Hinos de Ação de Graças (1QH)
  21. Horóscopos (4Q186/4QMessAr)
  22. Maldições de Satanás e seus Partidários (4Q286-4Q287/4Q280-4Q282)
  23. Melquisedec, o Príncipe Celeste (11QMelq)
  24. O Triunfo da Retidão (1Q27)
  25. Oração Litúrgica (1Q34/1Q34bis)
  26. Orações Diárias (4Q503)
  27. Orações para as Festividades (4Q507-4Q509)
  28. Os Iníqüos e os Santos (4Q181)
  29. Os Últimos Dias (4Q174)
  30. Palavras das Luzes Celestes (4Q504)
  31. Palavras de Moisés (1Q22)
  32. Pergaminho de Cobre (3Q15)
  33. Pergaminho do Templo (11QT)
  34. Prece de Nabonidus (4QprNab)
  35. Preceito da Guerra (1QM/4QM)
  36. Preceito de Damasco (CD)
  37. Preceito do Messianismo (1QSa)
  38. Regra da Comunidade (1QS)
  39. Rito de Purificação (4Q512)
  40. Salmos Apócrifos (11QPsa)
  41. Samuel Apócrifo (4Q160)
  42. Testamento de Amran (4QAm)

Outros escritos

  1. História do Sábio Ahicar
  2. Livro do Pseudo-Filon

 

papiro-46-contendo-2-corintios

Papiro 46 : 2Cor 11,33-12, 1-9

33 Mas, por uma janela, me desceram num cesto, muralha abaixo. E, assim, escapei das suas mãos.
Experiências místicas
12  1 Será preciso gloriar-se? Na verdade, não convém. No entanto, passarei a falar das visões e revelações do Senhor. 2 Conheço um homem, em Cristo, que, há quatorze anos, foi arrebatado até ao terceiro céu – se com o corpo ou sem o corpo, não sei, Deus sabe. 3 Sei que esse homem – se com o corpo ou sem o corpo, não sei, Deus sabe – 4 foi arrebatado ao paraíso e lá ouviu palavras inefáveis, que homem nenhum é capaz de falar. 5 Quanto a esse homem, eu me gloriarei, mas, quanto a mim mesmo, não me gloriar. 6 No entanto, se eu quisesse gloriar-me, não seria louco, pois só estaria dizendo a verdade. Mas evito gloriar-me, para que ninguém faça de mim uma ideia superior àquilo que vê em mim ou ouve de mim.  7 E para que a grandeza das revelações não me enchesse de orgulho, foi-me dado um espinho na carne, um anjo de Satanás, para me esbofetear, a fim de que eu não me torne orgulhoso. 8 A esse respeito, roguei três vezes ao Senhor que ficasse longe de mim. 9 Mas o Senhor disse-me: “Basta-te a minha graça; pois é na fraqueza que a força se realiza plenamente”. Por isso, de bom grado, me gloriarei das minhas fraquezas, para que a força de Cristo habite em mim;

Fontes para se ler:

(Observação: Exceto o CIC – Catecismo da Igreja Católica e o seu Compêndio, todas as outras fontes são apenas para podermos ter uma ideia básica sobre o assunto, recomendo a leitura de diversas fontes incluindo alguns livros físicos)

Catálogo de livros bíblicos da Paulus Editora PDF (sugestões de livros)