Quando Jesus te toca mais uma vez

Reflexão

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Não sou um jovem de idade, sou aquilo que eu mesmo costumo chamar “jovem a mais tempo”. Já vivi muitas experiências na igreja. Já fui catequista, coordenador de Grupo de Jovens, coordenador de comunidade, coordenador da Pastoral do Dízimo e Ministro da Palavra e Eucaristia. Lá se foram 20 anos da minha vida. Hoje sou até mais importante, sou um fiel católico que vai nas missas e grupos de oração  (confesso que até queria ir mais).

A um mês atrás fui convidado por uma das pessoas mais importantes na minha vida, a participar de um evento chamado Summer Beats DNJ 2018 (DNJ de Dia Nacional da Juventude) em São Paulo. Fomos com todas as dificuldades que tentam te tirar do seu intento.

Chegamos relativamente cedo e ao longo do dia (de um calor intenso e depois a noite de um frio maior ainda) o evento foi ficando lotado de jovens. Não sei, mas acredito que tinha umas cem mil pessoas, na sua maioria jovens.católicos. Bandas fizerem shows, o Cardeal Dom Odílio Scherer celebrou a missa, tinha o Santíssimo exposto e um espaço para confissão.

Eu fui pouco a pouco sendo tocado por Jesus novamente.

Porquê digo novamente ?

Porque por vezes as agruras da vida te fazem seguir no automático. Você ama a Deus mas já não fala isso, pois ele sabe. Mas como você pode falar: Eu te amo Jesus? – apenas na sua oração e no seu agir. Ir na igreja é apenas um ponto disso tudo. Num casamento muitas vezes o casal vai se esquecendo de afirmar o amor, perde aquele momento de dizer Eu Te Amo e com o tempo as dúvidas e o desgaste aparecem. É preciso e saudável sempre mostrar-se apaixonado.

Com Jesus é a mesma coisa. Não que Ele cobre, mas é para que não fiquemos no automático. Uma oração sempre repetida não tem emoção e acaba ficando apenas pragmática e sem sentido.

Pois bem, quando eu participei deste evento (dia 16 de setembro de 2018) eu senti novamente o fogo do Espírito Santo me queimando. Mais uma vez senti o toque de Jesus.

Devo confessar que tenho dedicado meu tempo a muitas coisas, sendo uma delas produzir e dividir o conteúdo neste blog, mas faltava alguma coisa. Sinceramente esse sentimento toma conta de mim desde aquele dia. Eu não dormi quando cheguei às 23h30min, e estou com algo ardendo no meu peito. Uma necessidade tremenda de fazer mais pela minha fé. Uma renovação de forças.

Talvez estar cercado de tanta energia jovem tenha me feito sentir o que tenho sentido. Queimar ao sol e depois congelar no frio de São Paulo me fez ver algo que a muito tempo eu não via: Como é lindo ser de Jesus.

Eu estou compartilhando esta emoção apenas por entender que muitas vezes o que precisamos é uma nova perspectiva do que fazemos ou cremos. Estamos sim sendo fiéis, acompanhando e vivendo a vida da igreja, na nossa comunidade, mas é muito importante também vivenciarmos novas experiências. De verdade fiquei muito emocionado com o que vivi. Muito emocionado acompanhando o show da banda Adoração e Vida e da Comunidade Colo de Deus, mas o principal é saber que fui novamente tocado por Jesus.

O que virá em seguida?

Com certeza algo bom vai acontecer nesta minha renovação de fé.

Mas fica a experiência e a dica:

Devemos sempre estar atentos para os sinais de Deus, as oportunidades de entender a nossa própria fé, nossos limites, emoções e todo o nosso amor. Porque assim são aqueles que acreditam em Jesus, que vivem da graça. Viver uma rotina, esquecendo de que o que nos move sempre é o fogo do Espírito Santo e este não para.

Paz e bem da parte do Senhor Jesus

Milton Cesar

Te chamam de Deus e de Senhor
Te chamam de Rei, de SalvadorE eu me atrevo a Te chamar de meu AmorTe chamam de Deus e de Senhor
Te chamam de Rei, de Salvador
E eu me atrevo a Te chamar de meu Amor

Yeshua, Yeshua
Tu és tão lindo
Que eu nem sei me expressar
Yeshua, Tu és tão lindo

Atos dos Apóstolos (Círculo Bíblico – 10/10)

Círculo Bíblico: Atos dos Apóstolos – Encontro 10/10

Este é o décimo (e último) de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o livro dos Atos dos Apóstolos. A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o livro dos Atos dos Apóstolos (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja e ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia.

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

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Um milagre em meio a tempestade

At 27, 1 – 44

Atos 27 inicia o relato da última viagem de Paulo para Roma saindo de Cesareia Marítima, onde foi julgado e apelou para César. O grupo, que era liderado por “Júlio, um centurião” e tinha também Aristarco de Tessalônica, embarcou num navio de Adramício que seguia para a Ásia Menor e passou por Sidon, onde Paulo recebeu autorização para visitar seus amigos. Passaram ainda por Chipre e costearam a Cilícia e a Panfília terminando finalmente em Mira, na Lícia. Dali mudaram para um navio de Alexandria que seguia para a Itália romana. Sem sorte com os ventos, a embarcação chegou com dificuldade até Cnido e seguiu para Creta até chegar «a um lugar chamado Bons Portos, perto do qual estava a cidade de Laseia.

Depois de esperarem muito tempo, Paulo profetizou o naufrágio que se sucederia mais adiante: “Senhores, vejo que a viagem vai ser com avaria e muita perda, não somente da carga e do navio, mas também das nossas vidas.” (At 27, 10). Mas ninguém desejava passar o inverno em Laseia e decidiram então seguir para Fenícia, em Creta, com duzentas e setenta e seis pessoas a bordo (At 27,37).

Na costa de Creta, a embarcação de Paulo enfrentou uma enorme tempestade que duraria vários dias. À deriva e passando por diversos lugares, a tripulação começou a jogar ao mar mantimentos e até mesmo os aparelhos náuticos que precisavam até que, afinal, perderam “toda a esperança de sermos salvos” (At 27,12-20). Temendo que perdessem a coragem, Paulo contou-lhes sobre a visão que teve e profetizou: Desde muito tempo ninguém havia comido nada. Paulo levantou-se no meio deles e disse: Amigos, deveras devíeis ter-me atendido e não ter saído de Creta, e assim evitar esse perigo e essas perdas. 22.Agora, porém, vos admoesto a que tenhais coragem, pois não perecerá nenhum de vós, mas somente o navio. 23.Esta noite apareceu-me um anjo de Deus, a quem pertenço e a quem sirvo, o qual me disse: 24.Não temas, Paulo. É necessário que compareças diante de César. Deus deu-te todos os que navegam contigo. 25.Por isso, amigos, coragem! Eu confio em Deus que há de acontecer como me foi dito. 26.Vamos dar a uma ilha.” Atos dos Apóstolos, 27 – Bíblia Católica Online

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Depois de quatorze dias no mar, alguns marinheiros tentaram fugir, mas Paulo alertou que se o fizessem, todos morreriam e o centurião os impediu lançando o bote do navio ao mar. Na manhã seguinte, Paulo pediu que todos se alimentassem, pois estavam este tempo todo sem comer e reafirmou que “nenhum de vós perderá um só cabelo da cabeça”: ““Tendo dito isso, tomou do pão, pronunciou uma bênção na presença de todos e, depois de parti-lo, começou a comer. 36.Com isso, todos cobraram ânimo e puseram-se igualmente a comer. 37.No navio éramos ao todo duzentas e setenta e seis pessoas. 38.Depois de terem comido à vontade, aliviaram o navio, atirando o trigo ao mar”
Atos dos Apóstolos, 27 – Bíblia Católica Online

Na manhã seguinte, chegaram numa praia. O centurião, desejando poupar Paulo, impediu que os guardas matassem os prisioneiros e ordenou que todos se lançassem ao mar em direção da praia, uns nadando e outros segurando em tábuas e destroços. Todos se salvaram

É interessante notar como Lucas faz um paralelo entre esta viagem de Paulo num navio, com a viagem de Jesus em companhia dos discípulos. Ambos correm risco de morte e ambos se viram às voltas com uma tempestade. Claro que Lucas não quis demonstrar ou fazer uma equiparação de Paulo com Jesus, mas ele mostra que o apóstolo também está agindo pela graça e em nome de Jesus. Enquanto o mestre acalma a tempestade, Paulo consegue fazer com que todos os tripulantes da embarcação se salvem ao clamar a Deus.

At 28, 1 –  31

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Trecho de Atos 28 no Codex Alexandrinus

Depois de descobrir que a ilha onde naufragara se chamava Malta, Paulo se juntou aos nativos e acendeu uma fogueira. Uma víbora o mordeu, mas nada de mal lhe aconteceu e os nativos começaram a imaginar se ele seria um deus. No dia seguinte, Paulo seguiu até as terras de Públio, que os hospedou por três dias, período no qual aproveitou para curar o pai dele, que estava com “febre e disenteria”. A fama de Paulo se espalhou e ele realizou muitas curas na ilha, na qual ficou por três meses. Paulo partiu num navio de Alexandria , o qual tinha por insígnia Castor e Pólux em direção a Siracusa, na Sicília. Dali, foram costeando até chegar em Régio da Calábria, já no continente italiano, depois Poteoli e finalmente Roma.

Depois de três dias, Paulo convocou os mais importantes entre os judeus da cidade e novamente defendeu sua inocência. Afirmou ter sido preso pelos romanos a pedido dos sacerdotes em Jerusalém, mas eles queriam soltá-lo por não haver em mim crime algum que merecesse morte. Impedidos de fazê-lo pelos judeus, Paulo contou que foi obrigado a apelar a César, dado que era um cidadão romano. Terminou dizendo que nada tinha para acusar seu povo perante o imperador. Os judeus, que afirmaram nada saber sobre Paulo por não terem recebidos notícias da Judeia, pediram que Paulo lhes falasse sobre os cristãos.

No dia combinado, muitos judeus foram à casa de Paulo para ouvi-lo pregar sobre Jesus, seu reino e a Lei de Moisés. Nem todos se convenceram, mas, quando iam embora, Paulo lhes falou sobre a profecia de Isaías sobre os judeus (leia Isaías 6, 9-10) ““Vai, pois, dizer a esse povo, disse ele: Escutai, sem chegar a compreender, olhai, sem chegar a ver. 10.Obceca o coração desse povo, ensurdece-lhe os ouvidos, fecha-lhe os olhos, de modo que não veja nada com seus olhos, não ouça com seus ouvidos, não compreenda nada com seu espírito. E não se cure de novo.” Isaías, 6, 9-10 – Bíblia Católica Online

Os Atos dos Apóstolos terminam afirmando que Paulo viveu em Roma por mais dois anos e durante todo este tempo ensinou sobre o “as coisas concernentes ao Senhor Jesus Cristo”, sem informar o destino final de Paulo. Tradicionalmente acredita-se que ele tenha sido decapitado no mesmo dia que Pedro em Roma por ordens do imperador Nero que teria colocado fogo em Roma e acusado os cristãos.

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O polêmico Versículo 29?

O versículo 29: .[Havendo dito isso, saíram dali os judeus, discutindo animosamente entre si.]” Atos dos Apóstolos, 28, 29 – Bíblia Católica Online

Que aparece logo depois da profecia de Isaías, não aparece em todas as traduções da Bíblia para o português. Quando aparece, está entre chaves ou seguido de uma nota de rodapé. O motivo é que ele não aparece nos manuscritos mais antigos de Atos 28. Por exemplo: Na Bíblia Sagrada da Editora Ave Maria o versículo 29 está presente, já na Bíblia Sagrada – Edição Pastoral da Editora Paulus , ele é suprimido. A Bíblia Sagrada da CNBB simplesmente muda o capitulo 29 colocando o que seria o capitulo 30 e termina os Atos com o capitulo 30 (que seria originalmente o capítulo 30), ou seja capitulo 29 (seria o 30 na da Ave Maria) e o 30 (seria o 31). Nas versões da Bíblia do Peregrino e Bíblia de Jerusalém publicadas pela Paulus o versículo está lá entre chaves.

Refletindo

Chegamos ao final deste Círculo Bíblico, o que não significa que não possamos ler e reler o livro dos Atos dos Apóstolos. Como parte do ensinamento deste livro podemos ficar com a questão dos seus textos trazerem muito do que se enfrenta no dia a dia das comunidades católicas pelo mundo. Afinal a igreja é sempre Divina e Humana. Somos nós fiéis lutando para sermos mais santos aos olhos de Deus, mas para isso é necessário também uma mudança interior.

Ficam algumas questões pertinentes:

  1. A leitura serviu de quê?
  2. A nossa comunidade tem pontos em comum com as comunidades dos Atos?
  3. Conseguimos ser evangelizadores como Paulo, Pedro e os discípulos foram?
  4. O que fazer para sermos melhores na fé?
  5. Como foi a experiência desta vivência na fé do Círculo Bíblico?

Fiquem em paz

Milton Cesar

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São Pedro e São Paulo

Pedro, que tinha como primeiro nome Simão, era natural de Betsaida, irmão do Apóstolo André. Pescador, foi chamado pelo próprio Jesus e, deixando tudo, seguiu ao Mestre, estando presente nos momentos mais importantes da vida do Senhor, que lhe deu o nome de Pedro.

Em princípio, fraco na fé, chegou a negar Jesus durante o processo que culminaria em Sua morte por crucifixão. O próprio Senhor o confirmou na fé após Sua ressurreição (da qual o apóstolo foi testemunha), tornando-o intrépido pregador do Evangelho através da descida do Espírito Santo de Deus, no Dia de Pentecostes, o que o tornou líder da primeira comunidade. Pregou no Dia de Pentecostes e selou seu apostolado com o próprio sangue, pois foi martirizado em uma das perseguições aos cristãos, sendo crucificado de cabeça para baixo a seu próprio pedido, por não se julgar digno de morrer como seu Senhor, Jesus Cristo. Escreveu duas Epístolas e, provavelmente, foi a fonte de informações para que São Marcos escrevesse seu Evangelho.

Paulo, cujo nome antes da conversão era Saulo ou Saul, era natural de Tarso. Recebeu educação esmerada “aos pés de Gamaliel”, um dos grandes mestres da Lei na época. Tornou-se fariseu zeloso, a ponto de perseguir e aprisionar os cristãos, sendo responsável pela morte de muitos deles.

Converteu-se à fé cristã no caminho de Damasco, quando o próprio Senhor Ressuscitado lhe apareceu e o chamou para o apostolado. Recebeu o batismo do Espírito Santo e preparou-se para o ministério.

Tornou-se um grande missionário e doutrinador, fundando muitas comunidades. De perseguidor passou a perseguido, sofreu muito pela fé e foi coroado com o martírio, sofrendo morte por decapitação. Escreveu treze Epístolas e ficou conhecido como o “Apóstolo dos gentios”.

São Pedro e São Paulo, rogai por nós!

São Pedro e São Paulo, pequenos e grandes

Seus apóstolos e discípulos percorreram a mesma estrada. Simão Pedro, aquele que foi posto como referência para os demais, diante da pesca milagrosa, caiu de joelhos diante de Jesus, dizendo: “Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um pecador!” (cf. Lc 5,8-11). Pequeno e frágil tornou-se testemunha qualificada da Ressurreição do Senhor, mesmo depois de tê-lo negado três vezes. E, nós o vemos representado em sua festa, celebrada nestes dias, com as chaves nas mãos. Até hoje Seus sucessores trazem em sua missão o poder das chaves!

Ao seu lado, a Igreja comemora São Paulo, o Apóstolo das Gentes. Seu nome quer dizer “pequeno” e, reconhece-se assim, em narrativas de sua vocação: “Do evangelho eu fui feito ministro, pelo dom da graça que Deus me concedeu segundo a força de seu poder. A mim, o menor de todos os santos, foi concedida a graça de anunciar a todos a riqueza insondável de Cristo” (Ef 3,7-9). Nas coisas de Deus existe uma inversão total quando o pequeno e insignificante é feito grande pela graça!

A Igreja vai pelo caminho da pequenez

E, a Igreja, no seu conjunto anunciadora e servidora do Reino, vai pelo caminho da pequenez, enfrentando as vicissitudes da história, apanhando de todo lado, mas segura de que as portas do inferno não vão prevalecer. A todos os cristãos se dirige a Palavra do Senhor: “Buscai o Reino de Deus e a Sua justiça e, essas coisas vos serão dadas por acréscimo. Não tenhas medo, pequeno rebanho, pois foi do agrado do vosso Pai dar-vos o Reino” (cf. Lc 12,31-32). O mundo em que vivemos não é mais aquele da cristandade, com de maioria católica, respiramos a diversidade, com tudo o que pode ter de positivo e de negativo. E a Igreja se torna servidora de todos, testemunha da verdade do Reino de Deus, a Igreja do lava-pés, atenta de modo especial aos mais pobres, sofredores e pecadores.

Quando celebramos os Santos Pedro e Paulo, a Igreja pode oferecer, também, ao mundo a figura do sucessor de Pedro, no qual também o zelo missionário de Paulo se expressa de modo exemplar em nosso tempo. A grandeza daquele que se faz servo dos servos de Deus, sucessor de Pedro, o Papa Francisco, nos permite ouvir e praticar o que se segue: “Saiamos para oferecer a todos a vida de Jesus Cristo! Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças” (cf. Evangelii Gaudium, 49).

Trecho do texto de Dom Alberto Taveira Corrêa para Formação Canção Nova

O CAMINHO DA MISSÃO

 

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Introdução

O livro dos Atos dos Apóstolos foi escrito provavelmente entre 80 e 90 d.C. Seu autor é o mesmo do terceiro Evangelho; desde o séc. II, a tradição o identifica com Lucas, o médico que acompanhou Paulo (cf. Cl 4,14; Fm 24).

De fato, é continuação do Evangelho de Lucas. Ambos formam, segundo o autor, o caminho da salvação: o Evangelho apresenta o caminho de Jesus; o livro dos Atos apresenta o caminho da Igreja, que prolonga o caminho de Jesus «até os extremos da terra». O relato que une as duas obras é a ascensão, que coroa a vida de Jesus (Lc 24,51) e funda a missão universal da Igreja (At 1,8). A atividade missionária da Igreja é apresentada como a grande viagem de Jerusalém até Roma, centro do mundo na época. Por isso, a evangelização é vista como caminhada e a vida cristã recebe o nome de Caminho (9,2; 19,9.23; 24,22).

Podemos dizer que o livro dos Atos é o Evangelho do Espírito. Aí se conta que o Espírito Santo prometido faz nascer a comunidade cristã e a impulsiona para o testemunho aberto e corajoso do nome de Jesus, isto é, para anunciar a palavra e ação libertadora de Jesus.

Esse testemunho provoca o surgimento da grande novidade que tende a transformar pessoas, relações e estruturas da sociedade, provocando alternativas que se chocam frontalmente com os interesses sociais vigentes. A novidade desperta conflitos dentro da Igreja e no relacionamento desta com a sociedade. Dentro surge o conflito de tendências (6,1-6) entre convertidos de origens diversas (15,1-35) e entre o centro e a periferia (15,1-2). Na relação da Igreja com a sociedade surge o conflito frente ao poder político romano, conflito que perpassa o livro todo, de modo velado e como que prolongando o conflito de Jesus com as estruturas políticas do seu tempo; finalmente, um dos conflitos básicos é o econômico (5,1-11; 13,4-12.50-51; 16,16-24; 19,23-40). Pode-se dizer que Atos é o livro da novidade e, portanto, também dos conflitos. Numa sociedade corroída pelo interesse e egoísmo, qualquer proposta de alternativa mais fraterna e igualitária provoca oposições e confrontos.

Em Atos, a Igreja aparece como dinamismo polarizado no testemunho e na missão. Livre do jurisdicismo, sua estruturação é ainda bastante carismática e suas instituições só vão sendo criadas à medida que se tornam meios eficazes para atender às necessidades internas e exigências da missão (cf. 6,1-6). Tanto pela vida comunitária, como pelo empenho apostólico, a Igreja apresentada nos Atos é o modelo utópico; frente a ele as comunidades de todos os tempos e lugares podem fazer uma revisão, a fim de redescobrir sua própria identidade. (Introdução ao livro dos Atos dos Apóstolos Bíblia Sagrada Edição Pastoral – Paulus editora)

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Como base de estudo foi usado:

9788534908412

Este livro foi muito utilizado para pesquisas neste círculo Está a venda nas livrarias Paulus 

 

Atos dos Apóstolos (Círculo Bíblico – 9/10)

Círculo Bíblico: Atos dos Apóstolos – Encontro 9/10

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Pintura de São Paulo feita por Rembrandt

Este é o nono de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o livro dos Atos dos Apóstolos. A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o livro dos Atos dos Apóstolos (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja e ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia.

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

Jesus é o caminho

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São Paulo preso

At 24, 1 – 27

Chegamos em um ponto muito interessante do nosso Círculo Bíblico. Podemos começar tentando responder a algumas questões enquanto a leitura vai se desenvolvendo:

  1. O cristianismo é subversivo? Por que?
  2. O cristianismo é a mensagem da ressurreição. Como isso pode se tornar sério para a vida que vivemos hoje em dia?
  3. Quais as corrupções que atrapalham a justiça? Comente casos concretos e compare com a mensagem de Jesus.

Lucas fixa o texto principalmente na prisão de Paulo. Ele próprio acompanhou estes fatos. No processo de São Paulo estão jogo três coisas: o cristianismo (na figura de Paulo), o judaísmo e o próprio império romano. Lucas mostra que o judaísmo não é mais o lugar dos cristãos e indica que o futuro do cristianismo está no mundo romano, de onde de fato o futuro fará a mensagem de Jesus se espalhar pelo mundo todo.

Mas os judeus sentem que Paulo é uma ameaça. Três acusações são apresentadas contra Paulo: 1. Paulo (figurando todo o cristianismo) está perturbando a ordem em todo o mundo (romano), vale lembrar que esta é uma das acusações que pesaram contra o próprio Jesus (Lc 23, 2). 2. Paulo é considerado o líder do Partido dos Nazireus (este partido nem existia, mas os judeus chamavam assim os cristãos), o próprio Jesus era considerado um nazireu, radical e subversivo, então todos seus seguidores já eram considerados perigosos para o sistema vigente. E 3. Paulo teria profanado o Templo de Jerusalém ao introduzir pagãos no recinto sagrado (21,28).

O destino de Paulo pode ser o destino do próprio cristianismo. Mas a palavra de Jesus seria um caminho para a humanidade toda.

Paulo se defende: 1. Lembra que ficou poucos dias em Jerusalém e questiona como ele poderia causar tanta agitação em sete dias? 2. Paulo não podia negar pertencer ao partido dos Nazireus, pois o voto de nazireu (não cortar o cabelo durante um período) o fazia ser considerado membro do tal partido. Porém Paulo se defende negando que o cristianismo seja apenas uma seita radicalista dentro do judaísmo. Paulo usa o termo caminho, pois Jesus era justamente uma opção. 3. Paulo diz que foi ao templo oferecer esmolas.

Paulo se defende, mas não ataca. O governador romano Félix considerou Paulo e o cristianismo inocentes de todas as acusações e também não representavam perigo para o império romano. Assim decidiu pelo adiamento de causa. “Félix conhecia bem esta religião e, adiando a questão, disse: Quando descer o tribuno Lísias, então examinarei a fundo a vossa questão. 23.Ordenou ao centurião que o guardasse e o tratasse com brandura, sem proibir que os seus o servissem.”
Atos dos Apóstolos, 22, 22 – 23 – Bíblia Católica Online

Um dos motivos porque Felix também não condenou Paulo, foi o fato dele estar amasiado com Drusila, uma judia que se divorciara para ficar com o governador. Feliz também se interessava pelo cristianismo, apesar de não assumir. O governador também queria que Paulo lhe desse dinheiro em troca da liberdade. Como não conseguiu deixou o apóstolo preso por dois anos quando Pórcio Festo assumiu o cargo de Félix.

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São Paulo diante de Festo e Agripa

At 25, 1 – 27

Lucas mostra que os romanos não condenaram Paulo. O tribuno Lísias, o governador Félix e depois o novo governador  Festo  fazem declarações de inocência do apóstolo e por definição de toda a religião dos cristãos. Paulo também será julgado com a presença do Rei Agripa. O apóstolo apela a César, como cidadão romano teria que ser atendido, a pressão dos judeus é enorme. O que fazer.

Vale questionarmos ao ler este capítulo as semelhanças com o que acontece hoje em dia: 1. Os inocentes são julgados com justiça?

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Diante de Felix

At 26, 1 – 32

Paulo é enviado ao Rei Agripa e vai acompanhado do governador Festo e de algumas “autoridades” judaicas. Agripa não pertencia ao Sinédrio mas é uma figura extremamente importante, um rei.

Paulo então conta como foi a sua conversão e vai demonstrar passo a passo a importância de Jesus e sua mensagem. Festo, Agripa e os demais chegam a um consenso da inocência de Paulo e só não o soltam por ele ter apelado ao imperador César.

O livro dos Atos está praticamente na reta final e vale sempre a reflexão: 1. Nós católicos aproveitamos toda as ocasiões boas ou más para anunciarmos a nossa fé?

Refletindo

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Trecho de papiro dos Atos dos Apóstolos Codex Laudianus

É um exemplo muito claro de como a nossa fé pode ser posta a prova em momentos adversos. Ser fiel a Jesus é acima de tudo defender com coragem e sabedoria aquilo que acreditamos. Hoje vemos muitos católicos que acabam não defendendo a própria fé. Muitas vezes por não gostarem de ler ou procurar por um entendimento maior da fé, outras vezes por falhas de quem está a frente da comunidade de fé que não promove grupos de estudos ou fazem da catequese e grupos da igreja um lugar de evangelização e vivência na fé continuas. Paulo pelo contrário não muda uma virgula na sua defesa da fé em Jesus Cristo e mesmo sabendo que vai pagar por isso, não admite ser convencido do contrário.

Nas nossas comunidades existem muitos desafios a serem enfrentados, mas eles só serão vencidos com a defesa da nossa fé. Sempre em Cristo.

Milton Cesar

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São Marcos

Marcos pertencente a tribo de Levi, era judeu de origem e de uma família tão Cristã que sempre acolheu Jesus, Maria e os apóstolos em sua casa: ‘Ele se orientou e dirigiu-se para a casa de Maria, mãe de João, chamado Marcos; estava lá uma numerosíssima assembléia a orar‘ (Atos 12, 12).

A tradição nos leva a crer que na casa de São Marcos teria acontecido a Santa Ceia celebrada por Jesus, assim com o dia de Pentecostes, onde ‘inaugurou’ a Igreja Católica. Encontramos na Bíblia que o Santo de hoje acompanhou inicialmente São Barnabé e São Paulo em viagens apostólicas, e depois São Pedro em Roma.

São Pedro, que o chama de ‘meu filho’, o teve certamente consigo em suas viagens a Roma, onde Marcos teria escrito o Evangelho. A antigüidade cristã, a começar por Pápias, chama-o de ‘intérprete de Pedro’. ‘Marcos, um intérprete de Pedro, escreveu exatamente tudo aquilo que se lembrava. Escreveu, porém, o que o Senhor disse ou fez, não segundo uma ordem. Marcos não escutou diretamente o Senhor, nem o acompanhou; ele ouvia São Pedro, que dispunha seus ensinamentos conforme as necessidades’.

Além da familiaridade com São Pedro, o evangelista Marcos pode orgulhar-se de uma longa convivência com o apóstolo São Paulo, com quem se encontrou pela primeira vez em 44, quando Paulo e Barnabé levaram a Jerusalém a generosa coleta da comunidade de Antioquia. De volta, Barnabé, levou consigo o jovem sobrinho Marcos. Após a evangelização de Chipre, quando Paulo planejou uma viagem mais trabalhosa e arriscada ao coração da Ásia Menor, entre as populações pagãs do Tauro, Marcos – conforme lemos nos Atos dos Apóstolos – ‘se separou de Paulo e Barnabé e voltou a Jerusalém’. Depois Marcos voltou ao lado de Paulo quando este estava prisioneiro em Roma.

Em 66 São Paulo nos dá a última informação sobre Marcos, escrevendo da prisão romana a Timóteo: ‘Traga Marcos com você. Posso necessitar de seus serviços‘. Os dados cronológicos da vida de São Marcos permanecem duvidosos. Ele morreu provavelmente em 68 de morte natural, segundo uma tradição e, conforme outra tradição, foi mártir em Alexandria do Egito. Os Atos de Marcos, um escrito da metade do século IV, referem que Marcos, no dia 24 de abril, foi arrastado pelos pagãos pelas ruas de Alexandria, amarrado com cordas ao pescoço. Jogado ao cárcere, no dia seguinte, sofreu o mesmo tormento atroz e sucumbiu. A venda do seu corpo por parte de dois comerciantes e mercadores de Veneza não passa de lenda (828). Porém, é graças a esta lenda que, de 976 a 1071, foi construída a estupenda basílica veneziana dedicada ao autor do segundo Evangelho, simbolizado pelo Leão. As relíquias do corpo de São Marcos estão localizadas na cidade de Veneza desde 815.

São Marcos que na Igreja primitiva fez um lindo trabalho missionário, que não deu fim diante da prisão e morte dos amigos São Pedro e São Paulo, por isso evangelizou no Poder do Espírito Alexandria, Egito e Chipre, lugar onde fundou Comunidades. Conhecido principalmente por ter sido agraciado com o carisma da inspiração e vivência comunitária que deram origem ao Evangelho querigmático de Jesus Cristo segundo Marcos.

A Igreja e o mundo precisam de cristãos como Marcos Evangelista, sendo modelo de: cristão em profunda comunhão com Deus e com os irmãos;
• missionário que anuncia e testemunha a boa nova de Jesus;
• articulador de novas comunidades e pastor dedicado ao Reino;
• escritor que procura transmitir ao mundo a vida, obra e ensinamentos de Jesus, nosso Salvador, Mestre e Senhor.

fides - Copia

Como base de estudo foi usado:

 

Atos dos Apóstolos (Círculo Bíblico – 8/10)

Círculo Bíblico: Atos dos Apóstolos – Encontro 8/10

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Este é o oitavo de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o livro dos Atos dos Apóstolos. A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o livro dos Atos dos Apóstolos (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja e ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia.

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

Seja feita a vontade do Senhor

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At 21, 1 – 40

Jerusalém, a cidade da Paz, hoje conhecida como a cidade Santa (mesmo em meio a uma guerra de anos ou séculos) foi o destino de Paulo. Mesmo sabendo que estava sendo procurado, assim como todos os lideres cristãos, ele tinha uma missão de honra e honestidade que era levar a coleta das comunidades asiáticas para as comunidades pobres de Jerusalém.

Em 21, 1 – 14 é contado sobre sua viagem e as passagens por Mileto (local do ultimo discurso), Cós, Rodes, Pátara e Tiro (onde passou sete dias com as comunidades daquela localidade) e em todos estes lugares os fiéis tentaram convencer Paulo do perigo de se ir para Jerusalém, mas mesmo que estes alertas sejam inspirados pelo Espírito Santo, a decisão de Paulo também é. O Espírito Santo inspira cada um de um jeito. O apóstolo sai de Tiro e segue para Ptolemaida e então Cesaréia onde foi hospedado na casa de Filipe, um dos sete mencionados em Atos 6, interessante que Lucas entra em detalhes sobre o discípulo contando que Filipe tinha quatro filhas que profetizavam. Paulo permanece vários dias na casa de Filipe, e um profeta chamado Ágabo faz uma pantomima, mostrando o que vai acontecer com o apóstolo em Jerusalém: pés e mãos acorrentados.

A comunidade mais uma vez tenta tirar Paulo do caminho de Jerusalém e o apóstolo entra em aflição não por medo, mas pelo choro e tristeza dos irmãos, de qualquer maneira ele está pronto para o martírio e como o próprio Jesus ele não recusava e dizia: Seja feita a vontade do Senhor.

Já em 21, 15 – 26 Paulo chega a Jerusalém em meio a uma verdadeira confusão, numa Palestina que fervia de revolta, porque os judeus se preparavam para enfrentar o poder romano e desconfiavam de tudo e todos que vinham de fora. Paulo acabava sendo suspeito por vir de fora e por exercer intensa atividade entre os pagãos. Ai entendemos  o conselho do discípulo Tiago e de toda a igreja de Jerusalém quando colocam Paulo a par do que acontece em Jerusalém, e de que os judeus convertidos ao cristianismo pensam sobre ele, pois acham que Paulo está enfraquecendo o judaísmo, ensinando os judeus que vivem fora da Palestina a não observarem a Lei de Moisés e a não praticarem mais a circuncisão. Nós sabemos hoje que Paulo jamais fez isso, ele não obrigava os pagãos a serem judeus, mas nunca desobrigou os judeus dos seus costumes. Uma calúnia que levaria Paulo a ser preso.

Tiago tinha um plano e Paulo se sujeitou humildemente a este plano que era pagar pelo voto de nazireato de quatro judeus pobres, um voto caro. Com este plano Paulo seria visto no Templo, colaborando com os judeus e tudo poderia ser resolvido. Porém na sequência (21, 27 – 40) Paulo é avistado por alguns judeus da Ásia, agarrado e levado para fora do Templo, depois foi acusado e logo preso. Logo no final do capítulo Paulo pede a palavra.

Paulo é preso no templo em Jerusalém (5)

Paulo preso no Templo de Jerusalém

At 22, 1 -30

No meio do conflito Paulo pede a palavra e faz um discurso a multidão. É muito improvável que tenha ocorrido este discurso já que as autoridades judaicas não deixariam que ele se pronunciasse. No discurso de Paulo narrado por Lucas, ele conta como foi sua conversão e o porque toda a sua missão em nome de Jesus. Já no fim do discurso, os judeus começaram a gritar e pedir a morte de Paulo. O tribuno então ordenou que ele fosse açoitado e torturado para entender o porque os judeus estavam tão irritados com ele. Porém Paulo perguntou a um centurião se um cidadão romano (caso dele) poderia ser açoitado sem ter sido julgado, e com isso escapou do castigo e foi levado ao grande conselho.

Este ponto do Círculo Bíblico é para se refletir em algumas perguntas:

  • O Espírito Santo age de muitas formas, em cada uma das pessoas. Como podemos discernir o que ele quer?
  • Estamos conscientes de que Jesus não se encontra apenas na igreja, mas em todo lugar em que o seu nome é invocado? Então qual é o motivo de frequentar a comunidade?

paulotarso

 

At 23, 1 – 35

Julgamento de Paulo pelo Sinédrio

Quando começou a falar perante o Sinédrio, Ananias, que era o sumo sacerdote, mandou que lhe batessem na boca (At 23, 2) que era um sinal de desaprovação,  e Paulo o amaldiçoa: “Deus te ferirá também a ti, hipócrita! Tu estás aí assentado para julgar-me segundo a lei, e contra a lei mandas que eu seja ferido? 4.Os assistentes disseram: Tu injurias o sumo sacerdote de Deus.” (At 23,3 – 4). Em seguida, Paulo se aproveitou da divisão dos judeus entre fariseus e saduceus e declarou o que acreditava ser o motivo de seu julgamento: “Paulo sabia que uma parte do Sinédrio era de saduceus e a outra de fariseus e disse em alta voz.: Irmãos, eu sou fariseu, filho de fariseus. Por causa da minha esperança na ressurreição dos mortos é que sou julgado. 7.Ao dizer ele estas palavras, houve uma discussão entre os fariseus e os saduceus, e dividiu-se a assembléia. 8.(Pois os saduceus afirmam não haver ressurreição, nem anjos, nem espíritos, mas os fariseus admitem uma e outra coisa.)”
Atos dos Apóstolos, 23, 6 – 9 – Bíblia Católica Online

Uma enorme confusão se seguiu, pois os saduceus, que afirmavam que não existiam anjos e nem espíritos, queriam condená-lo enquanto os fariseus defendiam sua inocência. Com medo de Paulo ser ferido, o tribuno romano o levou de volta para a cidadela. Preso, Paulo teve uma nova visão e foi reconfortado com a previsão de que daria seu testemunho em Roma como já havia feito em Jerusalém.

Complô para assassinar Paulo

Quando Paulo estava preso, um grupo de mais de quarenta judeus articulou para assassiná-lo através de um estratagema. Eles pediram aos sacerdotes e anciãos que mandassem buscar Paulo sob o pretexto de «investigar com mais precisão a sua causa» (At 23,15), mas a intenção real era matá-lo assim que se apresentasse. Um”filho da irmã de Paulo” descobriu o plano e contou para o tio, que pediu que ele falasse com o tribuno. Este, depois de orientar que o rapaz guardasse segredo sobre o que havia lhe revelado, decidiu que Jerusalém não era mais segura (At 23,11-23).

De Jerusalém a Cesareia

Escoltado por uma verdadeira tropa formada de duzentos soldados de infantaria, setenta de cavalaria e duzentos lanceiros (At 23,23), Paulo foi enviado para o governador romano da Judeia, Félix, juntamente com uma carta do tribuno, que chamava-se “Lísias”. Os soldados acompanharam-no até Antipátrida e retornaram, deixando-o com a cavalaria. Ao chegar em Cesareia, o governador descobriu que Paulo era da Cilícia (região onde estava Tarso) mandou prendê-lo no “Pretório de Herodes” enquanto aguardava a chegada de seus acusadores, que mandou buscar em Jerusalém (At 23,24-35).

Refletindo

A perseguição por causa da fé. Mais que isto, uma perseguição por causa de uma fé diferente da sua. A comunidade cristã florescendo no tempo dos Atos vive todos os seus problemas, dilemas e questões e vê um dos seus maiores lideres (sem nos esquecermos dos discípulos) ser perseguido e preso por ter a coragem de falar do amor de Jesus.

Temos esta coragem hoje?

Mais ainda, acreditamos realmente que Jesus Cristo é a nossa salvação? Vivemos de forma plena o Evangelho?

O que vejo são pessoas turistas da fé, que hoje estão numa igreja, amanhã em outra e nunca são verdadeiros apóstolos de religião nenhuma. É comodo dizer que é católico, evangélico, protestante (para ficar nas religiões cristãs) e se declarar não praticante, ou frequentador de vez em quando. Deste comodismo nenhum discípulo ou apóstolo verdadeiro viveu ou vive. Então repito a pergunta para que cada um possa pensar:

Temos esta coragem hoje? A coragem de sermos fiéis como Paulo.

Milton Cesar

São Timóteo de Éfeso

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São Timóteo, conheceu e foi discípulo de Nosso Senhor seguindo as pegadas do Evangelista João

Timóteo (em gregoΤιμόθεος – Timótheos, que significa “honrando a Deus” ou “honrado por Deus”) foi um bispo cristão do século I d.C. que morreu por volta do ano 80 d.C. O Novo Testamento indica que Timóteo esteve com Paulo de Tarso, que era seu mentor, durante as suas viagens missionárias. Ele é considerado como sendo o destinatário das Epístolas a Timóteo. Ele está listado como um dos Setenta Discípulos.

Sua vida foi marcada pela evangelização, pela santidade de São Paulo e também de São João Evangelista. A respeito dele, certa vez, São Paulo escreveu em uma de suas cartas: “A Timóteo, filho caríssimo: graça, misericórdia, paz, da parte de Deus Pai e de Jesus Cristo, Nosso Senhor!” (II Timóteo 1,2).

Nesta carta, vamos percebendo que ele foi fruto de uma evangelização que atingiu não somente a ele, mas também sua família: “Quando me vêm ao pensamento as tuas lágrimas, sinto grande desejo de te ver para me encher de alegria. Confesso a lembrança daquela tua fé tão sincera que foi primeiro a de tua avó Lóide e de tua mãe, Eunice e, não tenho a menor dúvida, habita em ti também”. (II Timóteo 1,4-5) Por isso, São Paulo foi marcado pelo testemunho de São Timóteo, que se deixou influenciar também por São Paulo. Tornou-se, mais tarde, além de um apóstolo, um companheiro de São Paulo em muitas viagens.

Primeiro bispo de Éfeso, foi neste contexto que ele conheceu e foi discípulo de Nosso Senhor seguindo as pegadas do Evangelista João.

Conta-nos a tradição que, no ano de 95, o santo havia sido atingido por pagãos resistentes à Boa Nova do Senhor e, por isso, martirizado. São Timóteo, homem de oração, um apóstolo de entrega total a Jesus Cristo. Viveu a fé em família, mas também propagou a fé para que todos conhecessem Deus que é paz.

Peçamos a intercessão desse grande santo para que sejamos apóstolos nos tempos de hoje.

São Timóteo, rogai por nós!

 

fides - Copia

Como base de estudo foi usado:

Atos dos Apóstolos (Círculo Bíblico – 7/10)

Círculo Bíblico: Atos dos Apóstolos – Encontro 7/10

Este é o sétimo de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o livro dos Atos dos Apóstolos. A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o livro dos Atos dos Apóstolos (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja e ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia.

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)
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Lucas e Paulo (cena do filme Paulo, Apóstolo de Cristo)

Não temas! Fala e não te cales.

At 18, 1 – 28

Bem no início do capítulo temos o relato de que Paulo chega a Corinto vindo de Atenas. E também descobrimos que ele é um “fabricante de tendas”, profissão lucrativa que também explica de onde veio o dinheiro para sua família comprar o titulo de cidadão romano que ele carregava. Paulo com certeza era de família judia rica, o que por si só explica a sua formação. Descobrimos a profissão do apóstolo ao sermos apresentados as figuras de Áquila e sua esposa Priscila que também eram fabricantes de tendas e acolheram Paulo deixando que ele trabalhasse junto a eles.

Áquila e Priscila tinham vindo recentemente da Itália aparentemente fugindo da perseguição imposta por Cláudio que ordenara a retirada de todos os judeus de Roma. Paulo ficou pregando todos os sábados na sinagoga convertendo gregos e judeus, até que Timóteo e Silas chegaram a Corinto, vindos de sua missão na Macedônia. Paulo se irritou com tantas acusações e blasfêmias que sofreu enquanto pregava e anunciou que iria pregar apenas aos gentios já que os judeus não o ouviam e foi para a casa de um prosélito de nome Tício Justo. Mas sem que soubesse o próprio chefe da sinagoga de nome Crispo foi convertido junto com sua família e depois disso muitos do povo de Corinto também foi convertido.

Paulo ainda inflexível e irritado com os judeus. “Numa noite, o Senhor disse a Paulo em visão: Não temas! Fala e não te cales. 10.Porque eu estou contigo. Ninguém se aproximará de ti para te fazer mal, pois tenho um numeroso povo nesta cidade. 11.Paulo deteve-se ali um ano e seis meses, ensinando a eles a palavra de Deus.”
(Atos dos Apóstolos, 18, 9 – 11 – Bíblia Católica Online)

Mais uma vez os judeus se juntaram e tentaram condenar Paulo a morte levando ele a presença de Galião procônsul de Caia (a autoridade romana da região), mas este não quis se meter nos assuntos da comunidade e não encostou em Paulo, porém os judeus espancaram o chefe local da sinagoga.

Depois de um tempo Paulo vai para Éfeso. Interessante que o relato de Lucas traz alguns detalhes, como o corte de cabelo de Paulo em Cêncris, já que seu voto de Nazireu havia acabado.

Nazireu (do hebraico nazir נזיר da raiz nazar נזר “consagrado”, “separado”), dentro da Torá é o termo que designa uma pessoa para serviços de Deus. Segundo a Bíblia, a marca mais comum da separação desta pessoa – que podia ser um homem ou uma mulher – era o uso do cabelo não cortado e a abstinência do consumo de vinho ou qualquer outro alimento feito de uva. O voto de nazireado (ou nazireato), foi institucionalizado e regulamentado na Torá no Livro de Números 6,1-21. Em virtude desta consagração, o nazireu devia abster-se de tomar certos alimentos e bebidas fermentadas, de cortar o cabelo e tocar em cadáveres, além de não comer carne em muitas circunstancias, Romanos 14,21 mostra uma carta de Paulo, em seu tempo nazireato. Estas exigências particulares parecem traduzir os seguintes princípios: manter-se mentalmente são (“abster-se de vinho e de bebida fermentada”) e em sujeição a Deus (simbolizado pelo não cortar o cabelo) e manter-se cerimonialmente puro (não tocar em cadáveres).

João Batista teria sido também um nazireu, embora o Novo Testamento nunca se refira a ele usando diretamente este termo. O seu estatuto de nazireu deduz-se devido ao seu estilo de vida ascético; em Lucas 1,15 o anjo informa a Zacarias, pai de João, que a sua mulher dará à luz um filho que “não beberá vinho nem bebida alcoólica”.

O apóstolo Paulo, junto com outros cristãos, fizeram também um voto temporário de nazireato (Atos 18,18 até Atos 21,23-26).

Este tipo de consagração é considerado pelos teólogos católicos como modelo precursor do monasticismo cristão. Já outras denominações cristãs, encaram-no como precursor do ministério religioso por tempo integral. Embora depois da destruição do segundo templo de Jerusalém o voto Nazireu oficialmente foi extinto pois ele era possível somente com o templo em funcionamento, O Segundo Templo foi o templo que o povo judeu construiu após o regresso a Jerusalém, após o Cativeiro Babilônico, no mesmo local onde o Templo de Salomão existira antes de ser destruído. Manteve-se erguido entre 515 a.C. e 70 d.C. quando foi destruído pelos Romanos, tendo sido, durante este período, o centro de culto e adoração do Judaísmo.                                                                        (Wikipedia)

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At 19, 1 -41

Neste ponto começa a terceira viagem missionária de Paulo. Ele sai de Jerusalém e vai para a Antioquia, que havia se tornado seu ponto de partida e chegada em todas as suas viagens. De Antioquia o apóstolo vai para Éfeso.

No relato de Lucas, ele fica mais focado nos desvios religiosos que ameaçavam os cristãos, um exemplo está em At 19, 13-17 onde ele fala de pessoas usando o nome de Jesus em vão para beneficio próprio e para arregimentar fiéis (lembra alguns comportamentos em certas seitas por ai hoje em dia?).

Mas é interessante saber que historicamente essa viagem de Paulo a Éfeso foi de intensa atividade, nesta cidade foram escritas muitas epístolas:

Apesar do texto de Lucas não citar, Paulo foi preso nesta época e sofreu bastante. (ver 2 Cor 1,8 e Fl)

Éfeso devia ser um centro importante de maio-cristãos judeus. Por isso Paulo acaba se encontrando com cerca de 12 seguidores de João Batista. Aparentemente Lucas quer mostrar que é preciso mais que apenas o batismo realizado por João seria preciso também ser batizado no Espírito Santo em nome de Jesus. Comparando com a prática da nossa igreja Católica, onde além do Batismo é necessário também a Confirmação (Crisma) que é o batismo no Espírito Santo, Lucas parece direcionar o que se tornou prática na igreja nascente na comunidade dos Atos. Neste capitulo também acontece o que ficou conhecido pelos teólogos como o terceiro Pentecostes (lembrando que o primeiro foi em At 2 e o segundo em At 10), mas não existe um consenso se foi apenas uma maneira de Lucas exemplificar o que seria uma norma na igreja.

O combate a idolatria aparece no final deste capitulo com a confusão causada pelos ourives, que faziam lembrancinhas Ártemis e ganhavam muito dinheiro, porém começavam a enfrentar problemas pela mensagem dos cristãos.

Uma boa pergunta para ser respondida durante o círculo bíblico seria:

Servir-se hoje da religião para explorar o povo. Isso acontece ainda hoje? Porque?

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O apóstolo Paulo

At 20, 1 – 38

Neste capitulo Paulo parte de Éfeso e mostra como o centro da fé em Jesus Cristo está na Eucaristia. Também mostra que a comunidade tem que ajudar os que mais precisam. Alguns lugares a sede da igreja (a Paróquia) tem condições de ajudar os irmãos de outras comunidades menores mas não saem de seus lugares para não perderem o status.

Justamente nos versículos 17 a 38 Paulo praticamente encerra toda a sua vida  missionária com seu discurso de despedida aos presbíteros de Éfeso. Depois de sair de Éfeso ele irá para Jerusalém onde será preso, julgado e depois levado a Roma onde seria decapitado (mas isso é para os próximos capítulos). Lucas narra o discurso de Paulo pois ele foi muito importante também para o apóstolo.

O DISCURSO FINAL DE PAULO

  1. Convocação dos presbíteros de Éfeso: Paulo quer ouvir e falar com os anciãos responsáveis pelas comunidades de Éfeso.  At 20, 17-18a
  2. A atividade de Paulo na Ásia: O apóstolo relembra toda a sua atividade nestes anos e conclui que ele fez duas coisas (como ponto principal): Serviu ao Senhor e Anunciou a sua Palavra. At 20, 18b-21
  3. Momento decisivo: Paulo se prepara para um futuro sombrio. Parece saber que está chegando seu fim.Sabe que sua ida para Jerusalém pode ser decisiva. Ele foi alertado sobre os perigos em Jerusalém, mas ele é impulsionado pelo Espírito Santo. At 20, 22-24
  4. Primeira exortação e despedida: O apóstolo sabe que cumpriu seu dever sem se omitir e tem certeza de que não voltará mais a sua comunidade na Ásia. No versículo 28 ele exorta os presbíteros a serem os guardiões da fé e cuidarem da comunidade. At 20, 25-28
  5. Qual o futuro da comunidade e uma nova exortação: Paulo faz uma previsão dos dois perigos para a comunidade, um externo e um interno. 1. Lobos, ou seja, falsos profetas que tentarão dividir a comunidade. 2. Membros da comunidade que se desviarão e tentarão desviar outros na comunidade. Os dois perigos atingirão a comunidade da mesma forma: procurando desvirtuar a comunidade do caminho da fé. Paulo orienta a que todos vigiem. At 20, 29 -31
  6. Recomendação ao Senhor: Paulo entrega a comunidade ao Senhor e à sua Palavra. Quem dirige de fato a igreja é o Evangelho. At 20, 32
  7. Outras exortações: o apóstolo propõe o seu modo de vida como exemplo a ser seguido pela comunidade de fé. De quem o pastor, o líder, o presbítero deve depender? Nem da acumulação de bens, nem da sustentação oferecida pela comunidade, Paulo orienta que o líder religioso (como ele) sobreviva à custa do seu trabalho. Lembrando que o próprio apóstolo trabalhava. At 20, 33-35
  8. Última despedida: Todos de joelhos na praia fazem uma oração em comum. E aí temos o maior ensinamento de todos: é a oração que traz força e confiança para todos que foram chamados ao pastoreio das comunidades. At 20, 36-38
Baseado em parte do livro: Como Ler Os Atos dos Apóstolos – Ivo Storniolo (Paulus Editora)

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17″Mas de Mileto mandou a Éfeso chamar os anciãos da igreja. 18.Quando chegaram, e estando todos reunidos, disse-lhes: Vós sabeis de que modo sempre me tenho comportado para convosco, desde o primeiro dia em que entrei na Ásia. 19.Servi ao Senhor com toda a humildade, com lágrimas e no meio das provações que me sobrevieram pelas ciladas dos judeus. 20.Vós sabeis como não tenho negligenciado, como não tenho ocultado coisa alguma que vos podia ser útil. Preguei e vos instruí publicamente e dentro de vossas casas. 21.Preguei aos judeus e aos gentios a conversão a Deus e a fé em nosso Senhor Jesus. 22.Agora, constrangido pelo Espírito, vou a Jerusalém, ignorando a que ali me espera. 23.Só sei que, de cidade em cidade, o Espírito Santo me assegura que me esperam em Jerusalém cadeias e perseguições. 24.Mas nada disso temo, nem faço caso da minha vida, contanto que termine a minha carreira e o ministério da palavra que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho ao Evangelho da graça de Deus. 25.Sei agora que não tornareis a ver a minha face, todos vós, por entre os quais andei pregando o Reino de Deus. 26.Portanto, hoje eu protesto diante de vós que sou inocente do sangue de todos, 27.porque nada omiti no anúncio que vos fiz dos desígnios de Deus. 28.Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastorear a Igreja de Deus, que ele adquiriu com o seu próprio sangue. 29.Sei que depois da minha partida se introduzirão entre vós lobos cruéis, que não pouparão o rebanho. 30.Mesmo dentre vós surgirão homens que hão de proferir doutrinas perversas, com o intento de arrebatarem após si os discípulos. 31.Vigiai! Lembrai-vos, portanto, de que por três anos não cessei, noite e dia, de admoestar, com lágrimas, a cada um de vós. 32.Agora eu vos encomendo a Deus e à palavra da sua graça, àquele que é poderoso para edificar e dar a herança com os santificados. 33.De ninguém cobicei prata, nem ouro, nem vestes. 34.Vós mesmos sabeis: estas mãos proveram às minhas necessidades e às dos meus companheiros. 35.Em tudo vos tenho mostrado que assim, trabalhando, convém acudir os fracos e lembrar-se das palavras do Senhor Jesus, porquanto ele mesmo disse: É maior felicidade dar que receber! 36.A essas palavras, ele se pôs de joelhos a orar. 37.Derramaram-se em lágrimas e lançaram-se ao pescoço de Paulo para abraçá-lo, 38.aflitos, sobretudo pela palavra que tinha dito: Já não vereis a minha face. Em seguida, acompanharam-no até o navio.” Atos dos Apóstolos, 20, 17-38 – Bíblia Católica Online

Refletindo

Quanto mais adentramos no livro dos Atos dos Apóstolos, mais notamos as semelhanças com as dificuldades em se viver em comunidade, com as perseguições por causa da nossa fé. Mas também temos confirmadas algumas práticas que a igreja mantém, seguindo sempre os exemplos da comunidade dos Atos. Em particular podemos fazer um paralelo com os Sacramentos do Batismo, da Eucaristia e da Confirmação (Crisma) quando notamos que na pregação e orientação de Paulo e seus companheiros sempre existe a recomendação do batismo, da confirmação no Espírito santo e do partir do pão. Nota-se também como Paulo aponta o verdadeiro comportamento de quem vai ser um líder religioso, que não tem nada a ver com o que notamos em muitas igrejas, onde o líder é quem enriquece e busca sempre os privilégios. O apóstolo Paulo fala de se sustentar com seu trabalho, e servir a igreja sem cobrar por isso. Ou seja, o líder deve ter um trabalho comum e formal e doar o seu tempo sobressalente ao anúncio da palavra. Isso por si só já deveria demover tantos (e tantas) que se autodenominam lideres religiosos e ficam sendo sustentados pela igreja, sendo que muitos tiram mais que o sustento e se tornam empresários da fé.

Milton Cesar

Silas,_apostle

São Silas (em grego: Σίλας ou Σιλουανός), também chamado por vezes de São Silvano, foi um personagem proeminente do cristianismo primitivo e que depois acompanhou Paulo em algumas de suas viagens. Ele é contado entre os Setenta Discípulos.

Há alguma disputa sobre a forma correta de seu nome. Apesar de consistentemente ser chamado de “Silas” nos Atos dos Apóstolos, seu nome em latim era Silvanus, que significa “da floresta”, e é assim que ele é saudado por Paulo (por exemplo em 2 Coríntios 1,191 Tessalonicenses 1,1 e 2 Tessalonicenses 1,1) e na Primeira Epístola de Pedro (1 Pedro 5,12). É possível que Silvanus seja a forma romanizada do original “Silas”, ou que “Silas” seja o apelido grego para Silvanus. Fitzmyer nota que Silas é a versão grega do aramaico “Seila”, uma versão do Hebreu “Saul”, que aparece em algumas inscrições palmirenses.

No entanto, uma tradição posterior distingue os Silas e Silvano e o faz bispo de Corinto e Tessalônica. Silas aparece pela primeira vez nos Atos dos Apóstolos no final da narrativa sobre Concílio de Jerusalém (At 15,22-35). Após a discussão ocorrida no concílio a respeito da controvérsia da circuncisão, os fiéis ali reunidos e mais os apóstolos decidem escolher, por eleição, os companheiros de Paulo e Barnabé na viagem até Antioquia para levar o resultado do encontro. Esta eleição foi necessária para que não houvesse dúvidas sobre a isenção dos mensageiros a respeito da mensagem, algo que temiam os judeu-cristãos, liderados por Tiago, irmão de Jesus. Os eleitos então foram Silas e Judas, “chamado Barsabá”. Ambos era consideradas importantes entre os fiéis, talvez por serem profetas (At 15,32), uma virtude tão estimada que mesmo Paulo os coloca logo depois dos apóstolos e antes dos doutores e evangelistas em sua enumeração feita em 1 Coríntios 12,28 e Efésios 4,11. Paulo, Barnabé, Judas e Silas então partem de Jerusalém levando os decretos dos apóstolos aos irmãos em Antioquia e nas províncias romanas da Síria e Cilícia. Chegando em Antioquia, eles cumprem a missão que lhes foi dada. Judas retorna para Jerusalém e desaparece da história, enquanto Silas permanece na cidade.

A partir deste momento Silas sempre aparecerá ao lado de Paulo, pela Síria e Cilícia, incentivando os cristãos. Em Listra, a eles se junta Timóteo. Eles seguem viajando, passando pela FrígiaGalácia e, através da Mísia, chegam até Trôade. Em seguida, eles passam para a Grécia e em Filipos são vítimas de uma manifestação hostil incitada pelos proprietários de uma pobre escrava que tinham exorcizado (e que dava enormes lucros aos seus patrões). Eles são presos, mas acabam libertados quando se descobre que entre eles havia dois cidadãos romanos (At 16,30). Em Tessalônica, novamente são atacados, desta vez pelos judeus, e só se salvam pelas mãos de Jasão, o senhorio da casa onde estavam hospedados, que lhes paga uma fiança. Em seguida, em Bereia, Paulo segue para Atenas, deixando ali Silas e Timóteo (At 17,14).

Como Paulo havia lhes mandado avisar para que se juntassem a ele tão logo quanto possível (At 17, 15), é possível que eles o tenham feito e ido até Atenas. A partir dali, Timóteo foi enviado à Tessalônica e Silas para Filipos ou para Bereia. O encontro em Corinto (At 18,5) seria já na volta destas viagens.

Pedro e Silas

E esta é a última vez que o nome de Silas aparece nos Atos. Ele não está entre os companheiros de Paulo em sua terceira viagem. É possível que ele tenha ido com Paulo e Timóteo até Antioquia, onde teria se encontrado com Pedro (1 Pd 5,12), que o chama de “fiel irmão” (como Silvano).

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Como base de estudo foi usado:

Atos dos Apóstolos (Círculo Bíblico – 4/10)

Círculo Bíblico: Atos dos Apóstolos – Encontro 4/10

Este é o quarto de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o livro dos Atos dos Apóstolos. A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o livro dos Atos dos Apóstolos (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja e ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia.

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

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Não existe fiel não praticante, ou é ou não é

At 9, 1-30

O circulo bíblico é uma reflexão que nos instiga a ler a Bíblia com uma visão aberta e conhecimentos de pormenores que não dispensam a leitura orante da palavra, mas ajuda em alguns quesitos para que se entenda e se possa transmitir este entendimento de uma maneira eficaz.

Pois bem. Chegamos a um capitulo quase que central dos Atos, aqui veremos o que acontece com Saulo, o próprio vai descrever estes fatos em suas epístolas Gl 1,11-16; 1Cor 15,8-10; Fl 3,6-12, mas nota-se que o relato dele difere em muitos pontos do relato de Lucas em At 9, o que não deixa de ser óbvio pelo fato de Lucas ter ouvido falar e ele ter vivido a experiência. Vale a pena ler este capitulo e depois lermos as cartas citadas, vale como aprendizado, deveras valioso. Como acontece até hoje, quem conta aumenta um ponto.

Saulo deveria ter 28 anos quando trabalhava como perseguidor dos  cristãos. Era considerado pelo Sinédrio , pois perseguia cristãos bem distante de Jerusalém. Damasco ficava 220 Km de Jerusalém.

“Durante a viagem, estando já perto de Damasco, subitamente o cercou uma luz resplandecente vinda do céu. 4.Caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? 5.Saulo disse: Quem és, Senhor? Respondeu ele: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. [Duro te é recalcitrar contra o aguilhão. 6.Então, trêmulo e atônito, disse ele: Senhor, que queres que eu faça? Respondeu-lhe o Senhor:] Levanta-te, entra na cidade. Aí te será dito o que deves fazer. 7.Os homens que o acompanhavam enchiam-se de espanto, pois ouviam perfeitamente a voz, mas não viam ninguém. 8.Saulo levantou-se do chão. Abrindo, porém, os olhos, não via nada. Tomaram-no pela mão e o introduziram em Damasco, 9.onde esteve três dias sem ver, sem comer nem beber.” (Atos dos Apóstolos, 9, 3-9 – Bíblia Católica Online)
No relato de Lucas, Saulo é atingido por uma luz. Mas que luz seria essa? Podemos especular que seria uma percepção interior, pois os outros que o acompanhavam não viram nada. Porém há o detalhe destes acompanhantes ouvirem a voz, mas não verem a luz. Teria sido apenas Saulo convertido? O texto não revela isso, porém mostra que tão logo Saulo volta a enxergar e os judeus do Sinédrio descobrem que ele mudou de lado, a primeira ação é tentar mata-lo.

Saulo fica cego ao entrar me contato com a luz de Jesus Cristo. Castigo? Não. Aquilo que ele enxergava antes (o ódio aos cristãos) tornou-se escuridão, que só vai voltar a se tornar clara (voltar a enxergar) de novo quando entrar em contato com a comunidade de fé em Jesus através da intervenção de Ananias e por ele ser acolhido como um irmão (At 9,17). Seguindo o ensinamento de Cristo de perdoar 70 vezes 7, Saulo foi perdoado.

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Durante 3 dias Saulo ficou cego, e não comeu nem bebeu nada. depois deste tempo chegou Ananias um apóstolo importante em Damasco e veio conversar com ele, impõe-lhe as mãos e curá-lo. Saulo converteu-se e foi batizado, provavelmente seus companheiros também, apesar de não haver o relato. Lucas aqui como  bom escritor que era faz um paralelo entre a cegueira de Saulo ( 3 dias sem ver a luz) e a morte de Jesus (3 dias até a ressurreição). Saulo fica 3 dias para ver a luz e ter uma vida nova, assim como Cristo.

Sai da condição de um dos maiores perseguidores de cristãos para ser no futuro próximo um dos maiores apóstolos de Cristo. Quem fez sofrer, agora sofrerá por causa do nome de Jesus. E isso lembra da radicalidade da fé. Deus não gosta de meia fé ou de jeitinhos ou gente em cima do muro (não existe o católico não praticante, ou é ou não é). Deus faz grandes transformações e não mudanças de discursos. Saulo sim pode dizer que encontrou Jesus, pois ele estava sem fé e perseguia os que tinham fé e acabou convertido de verdade. Não trocou uma sigla, mudou totalmente de vida.

Lucas narra o encontro de Paulo com Pedro e Tiago (At 9, 26-30), existe uma divergência entre o relato de Lucas neste trecho dos Atos e o do próprio Paulo em Gl 1, 16-24 que dá como data deste encontro quase três anos de diferença (não podemos esquecer que de Damasco a Jerusalém são mais de 220 km de distância e Paulo era procurado na Cidade Santa). Mas é claro que Lucas não escreve um relato histórico, mas sim um livro que tem a intenção de mostrar como a comunidade era unida.

A comunidade de Jerusalém reage como reagiu a de Damasco no inicio da conversão de Saulo, eles tem medo e desconfiança, mas com a intervenção de Barnabé contando como Paulo pregara em Damasco, faz com que o aceitem. Mesmo assim os helenistas ainda desconfiados querem matá-lo, e por isso ele parte para sua cidade natal Tarso depois de passar por Cesaréia.

As contradições entre as declarações de Lucas, e o que Paulo vai escrever em algumas de suas cartas, são interessantes, mas não ao ponto de desqualificar o texto dos Atos.

O que há de mais importante na leitura orante dos Atos dos Apóstolos, é o fato de que as comunidades primitivas enfrentavam problemas como as comunidades cristãs atuais. Desde as opiniões diferentes quanto a questões de interpretação da mensagem de Jesus. Assim como naquela época temos os que fazem muito, e outros que não se importam tanto, assim como inveja de uns poucos das figuras de destaque.

No final do capitulo (At 9,31-43), temos algumas ações de Pedro, e a constatação de que ele ficava circulando de cidade em cidade. Lucas descreve a cura de um paralítico em Lida e a ressurreição de uma mulher chamada Tabita, em Jope (cidade próxima de Lida) .

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At 10, 1- 48

No inicio deste capitulo vemos a narrativa de um centurião, já temente a Deus que acaba se encontrando com Pedro depois de um sonho premonitório, talvez seja a primeira vez que um convertido ( exceto o etíope) era estrangeiro e seria convertido logo por Pedro, que tinha sérias restrições aos não judeus. Pedro tem que comer na casa deste homem, e pela lei judaica (ainda não abandonada por Pedro), muitas comidas eram proibidas. Dentro deste capitulo temos que destacar os versículos 14-16 que mostram Pedro sendo questionado 3 vezes, assim como ele foi no julgamento de Jesus, e ele resistindo mais uma vez. Logo depois Pedro percebe que Deus não faz distinções entre as pessoas. (At 10, 34-36)

Aqui com certeza nasce o cristianismo que seria aberto a todos os povos do mundo. Se Paulo seria o maior divulgador do cristianismo, coube a Pedro ser o 1° a aceitar outros povos na nova religião. Em Jope, onde Pedro se localizava, todo o povo percebeu que ele estava na casa de um “pagão” .

Deus com certeza escolheu Pedro para converter alguém que não era hebreu-judeu, por ele ser o que mais tinha resistências a conversão do povo pagão.

“Estando Pedro ainda a falar, o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviam a (santa) palavra. 45.Os fiéis da circuncisão, que tinham vindo com Pedro, profundamente se admiraram, vendo que o dom do Espírito Santo era derramado também sobre os pagãos; 46.pois eles os ouviam falar em outras línguas e glorificar a Deus. 47.Então Pedro tomou a palavra: Porventura pode-se negar a água do batismo a estes que receberam o Espírito Santo como nós? 48.E mandou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo. Rogaram-lhe então que ficasse com eles por alguns dias.” (Atos dos Apóstolos, 10, 45 – 48 – Bíblia Católica Online)
No versículo 45 vemos Lucas afirmar nas palavras de Pedro que o Espírito Santo é para todos, sem nenhuma distinção. Engraçado vemos este tipo de afirmação, e analisarmos o comportamento de muitas comunidades que ainda impõe a cada membro modos de agir e limites. Alguns são impedidos de trabalharem onde queiram, por certas convenções. Não quero dizer que cada um pode fazer o que quer, já que a igreja segue algumas normas importantes.

At 11, 1-30

Neste capitulo vemos as discussões em relação a conversão de Cornélio, basicamente este capitulo trata deste tema.

A conversão dos pagãos colocava em cheque uma questão que os cristãos da comunidade dos Atos ainda não haviam entendido:

“Basta converter-se a Boa Nova de Jesus e comprometer-se com ele ou primeiro seria necessário converter-se ao judaísmo e observar sua práticas?

São questões colocadas pelos que já eram judeus e encontravam uma nova fé em Jesus, porém ainda não tinham claro que era preciso escolher um lado e acolher os demais, mesmo os chamados pagãos (que não eram judeus).

Pedro volta  para Jerusalém e encontra a comunidade em alvoroço, cheia de questionamentos. Até então todos os convertidos eram de origem judaica (hebreus, gregos, a conversão de Cornélio e sua família é um fato novo. Os judeus-cristãos (se é que podemos chamar assim) não entendiam que não precisavam mais seguir duas religiões e sim só uma, mas questionaram pedro por ele ter quebrado  a lei judaica duas vezes ao entrar na casa de incircuncisos e comer com eles, eles achavam que perderiam a identidade por terem que conviver com pagãos, comer com eles, participar do mesmo teto, celebrar a partilha do pão (Eucaristia). O episódio das viúvas parecia não ter servido de aprendizado e até os antes discriminados , agora discriminavam.

Seria preciso fundar duas comunidades diferentes? A igreja dos judeus-cristãos, que seria uma igreja de primeira classe e com observância estrita da lei judaica e cristã e uma igreja pagã-cristã, que seria de segunda classe e mais livre para a entrada de “qualquer pessoa”. Esse era o desejo de Jesus?

Se levarmos em consideração esta reflexão podemos encaixar isso hoje em muitas comunidades e igrejas, onde os novos fiéis são relegados ao segundo plano por uma divisão de classes de quem já estava antes da chegada dos novos membros. É aquela questão de acharem-se donos da igreja. Eu tenho medo de quem quer dar ordens a Jesus.

Pedro não dá explicações. Relato o que aconteceu e de como toda as suas ações foram tomadas por Deus, desde a sua visão (11,5-10; 10, 11-20), o encontro com os enviados de Cornélio (11,13-14; 10, 17-24), a visão de Cornélio (11-13-14 ;10, 3-8) e a catequese com a ação do Espírito Santo entre os pagãos (11, 15-17 ;10, 34-48). Parece apenas a repetição do capitulo 10 porém tem muitos detalhes a serem levados em conta. Pedro então dá o motivo de sua liderança ao intervir na discussão: “Ele (Pedro) te dirá as palavras pelas quais serás salvo tu e toda a tua casa. 15.Apenas comecei a falar, quando desceu o Espírito Santo sobre eles, como no princípio descera também sobre nós. 16.Lembrei-me então das palavras do Senhor, quando disse: João batizou em água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo. 17.Pois, se Deus lhes deu a mesma graça que a nós, que cremos no Senhor Jesus Cristo, com que direito me oporia eu a Deus?”(Atos dos Apóstolos, 11, 14-17– Bíblia Católica Online)
Em palavras mais simples: Se a decisão foi de Deus, o que o homem pode fazer?

É justamente neste ponto que a comunidade começa a compreender que a vontade de Deus é para que todos sejam agraciados com a luz do Evangelho

At 11, 19-30

Chega-se a um ponto no capitulo onde logo após a confirmação de Pedro, os até então nazarenos começam a pregar a Boa Nova de Jesus a todos os povos. Lucas fala de Saulo novamente numa breve citação e no versículo 26 fala que foi a primeira vez que os judeus convertidos e todos os novos seguidores de Cristo passam a serem chamados de cristãos e isso acontece na comunidade de Antioquia, durante um ano de intensa pregação. Saulo e Barnabé saem em missão ao final do capitulo.

“Durante um ano inteiro eles tomaram parte nas reuniões da comunidade e instruíram grande multidão, de maneira que em Antioquia é que os discípulos, pela primeira vez, foram chamados pelo nome de cristãos. 27.Por aqueles dias desceram alguns profetas de Jerusalém a Antioquia. 28.Um deles, chamado Ágabo, levantou-se e deu a entender pelo Espírito que haveria uma grande fome em toda a terra. Esta, com efeito, veio no reinado de Cláudio. 29.Os discípulos resolveram, cada um conforme as suas posses, enviar socorro aos irmãos da Judéia. 30.Assim o fizeram e o enviaram aos anciãos por intermédio de Barnabé e Saulo.”
(Atos dos Apóstolos, 11,26-30 – Bíblia Católica Online)

Milton Cesar

Refletindo

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São Paulo

 

A leitura da Bíblia num Círculo Bíblico, tem que ser antes de tudo orante. Todas as informações que escrevo aqui são importantes apenas como base, mas a reflexão de cada um, com a interpretação baseada na oração, de como funcionava as primeiras comunidades, tem um valor ainda maior. Qual é o nosso papel como agentes e membros da comunidade de fé? Não é ditar regras ou modos de agir, mas sim auxiliar no crescimento pessoal de cada irmã e irmão, acolher e saber entender os desígnios de Deus.

Imagine quanto de surpresa houve entre a comunidade ao se depararem com alguém cujo o propósito sempre foi acabar com os cristãos, e essa pessoa ter sido mudada radicalmente pelo amor de Deus. Pense como foi difícil isso não só para a comunidade, mas também para o próprio Paulo. E ainda mais como foi aceitar que uma pessoa não fiel (caso do centurião Cornélio) adentrasse a comunidade acreditando em Jesus.

Vale avaliar se estamos dando espaço para as novas pessoas nas nossas comunidades e igrejas. O “nossa comunidade” dá a se entender que é de todos e não “minha apenas”. Será que damos espaço para quem chega se sentir acolhido, a vontade para participar ativamente da liturgia da igreja, ler, cantar e mais ainda celebrar. Ou resistimos?

Jesus acolheu a todos sem distinção e esta é a máxima. Nos Atos vemos as dificuldades da comunidade e isso deve servir para sermos ainda mais acolhedores.

Milton Cesar

Um homem chamado Paulo

 

Pintura mais antiga do rosto de Paulo, encontrada nas catacumbas romanas

Pintura mais antiga conhecida sobre São Paulo (Século IV)

Eram os primeiros anos da Igreja. Saulo, judeu da tribo de Benjamin, nascido em Tarso na Cilícia, foi fulgurado pelo encontro com o Cristo. Saulo é fariseu, mas goza de todos os direitos de cidadão romano. Educado em Jerusalém por Gamaliel, inimigo declarado de Jesus Cristo, é um dos perseguidores do diácono Estevão. Depois da morte de Estevão, participa com fúria tenaz da perseguição insurgida pelos judeus contra a Igreja de Jerusalém. Retira os cristãos e os faz aprisionar. Ele mesmo pede ao sumo sacerdote que lhe dê cartas de apresentação para as sinagogas de Damasco para conduzir prisioneiros a Jerusalém os cristãos daquela cidade.

Enquanto se encontrava na estrada de Damasco para iniciar a sua empreitada, uma luz fulgurante o derruba por terra e uma voz o interroga: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” Saulo derrubado, chega cego à cidade. Ananias, avisado por revelação divina sobre o acontecimento, o batizará. Paulo começa nas sinagogas a anunciar a ouvintes estupefatos que Jesus é o Filho de Deus, conforme a narração no livro dos Atos dos Apóstolos 9,1-22.

“Quem és, Senhor?”, havia perguntado Saulo à voz que o tinha derrubado do cavalo. “Eu sou Jesus que tu persegues”. A evidência da fulguração transformou o perseguidor dos cristãos: “Senhor, que queres que eu faça?” Do ódio ao amor o passo é breve, Jesus de Nazaré se mostra o Cristo e abate o orgulho do homem, fazendo-o instrumento escolhido para levar o seu nome aos gentios. O preço é um só: “Mostrar-te-ei quanto deverás sofrer por meu nome”. Mas absorvido no mistério de Cristo morto e ressuscitado, Paulo não verá mais a cruz senão como transfiguração da glória.

O episódio narrado não pode ser reduzido à experiência puramente interior: também os companheiros de Paulo o perceberam e ouviram “a voz”. Paulo recordou repetidamente o acontecimento: Jesus lhe aparecera (1Cor 15,8); tinha visto o Senhor (9,1), com o vulto envolvido pela glória divina (2Cor 4,6); a aparição de Damasco equivalia para ele às aparições que tiveram os apóstolos depois da ressurreição de Jesus.

Sobre o batismo de Paulo (Atos 9, 1-21), o Senhor manda Ananias, para que Paulo recupere a vista e seja batizado. Para convencer Ananias, compreensivelmente hesitante, o Senhor lhe manifesta a excepcional missão destinada a Paulo: a de ser seu mensageiro em todo o mundo, diante dos pagãos, das autoridades e dos próprios judeus.

Ele é grande modelo, seguidor de Jesus, anunciando com ardor o Evangelho.

Paulo tem plena consciência de que é servo, chamado a ser apóstolo, escolhido para o Evangelho de Deus. Com esta apresentação, começa sempre suas cartas. Ele afirmou uma vez: “Sei em quem acreditei”. Faz incansável profissão de fé em Cristo Jesus, crucificado e ressuscitado, vivo entre nós.
Neste ano Paulino, vale a pena reconhecer Paulo especialmente através de suas cartas.

São João Crisóstomo, bispo de Constantinopla, faz um retrato de Paulo e revela o traço mais sugestivo e fascinante do Apóstolo dos gentios: o seu amor a Cristo, à paixão por ele, caminho para a ressurreição e a glória: “Paulo tudo suportou por amor a Cristo. Gozar do amor de Cristo era a sua vida, o seu mundo, o seu reino, a sua promessa, tudo. O que é o homem, quão grande é a dignidade da nossa natureza e de quanta virtude é capaz a criatura humana, Paulo o demonstrou mais do que qualquer outro. É o que aprendemos de suas próprias palavras: ‘Esquecendo o que fica para trás, eu me lanço para o que está na frente’. As fraquezas, as injúrias, as necessidades, as perseguições são as armas da justiça, mostrando que delas lhe vinha grande proveito.”

A aparição no caminho de Damasco muda, em um segundo, todo o modo de pensar e de agir de Saulo, até então ardente inimigo da cruz. Nesse encontro excepcional com o Senhor, Saulo vê que o messias dos cristãos está verdadeiramente ressuscitado e glorificado, que Deus Pai aprovou a sua obra, e tudo o que Jesus disse e fez, é o cumprimento das profecias, enquanto as autoridades de seu povo erraram na interpretação das Escrituras.
Paulo descobre a “loucura” de cruz: verdade e sabedoria, porque envolve Deus mesmo e é, com a ressurreição do Senhor, a última palavra da revelação divina aos homens. (fonte Formação Canção Nova)

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Saulo é o nome hebraico usado até o capitulo 13 dos Atos. Paulo é o  nome romano que servirá para que ele circule livremente por toda a Palestina e Judéia, lembrando que sua família comprou a cidadania romana, o que era comum entre os abastados da época. A mudança de nome ocorre no capitulo 13, e simboliza uma nova vida e o apostolado entre os cristãos. Pedro também mudara o nome. Nos Atos, Saulo é citado 12 vezes como perseguidor dos cristãos, talvez Lucas tenha tido a intenção de fazer um paralelo :12 tribos de Israel, 12 discípulos de Jesus, 12 perseguições antes da conversão.

Saulo é um judeu autêntico, que sempre defendeu com ardor os mandamentos da Torá. Sabemos que a maioria das religiões são focadas nas suas tradições, e que ensinam seus filhos os valores de cada preceito. Algo louvável, que precisa ser feito, ante o ataque de outros meios de comunicação que tem ensinado valores deturpados para os jovens e crianças, e até alguns adultos, pregando a concorrência desleal, e a busca de um lucro em decorrência da desgraça do outro.

Saulo, assim como os judeus da época (talvez até hoje), esperava um rei messiânico, um messias grandioso que livraria a nação judaica do domínio romano, e não um messias que pregaria a paz e o amor ao próximo, e depois morreria de forma humilhante na cruz. É fácil notar que Judas Iscariotes também  pensava assim, e por isso mesmo entregou Jesus, na esperança de que os seguidores dele se revoltassem e libertassem o mestre.

Vale dizer que na edição 2110 de 8/7/2009 da Revista Veja, foi publicada uma reportagem que dizia :O Vaticano acredita ter encontrado, na segunda maior Basílica de Roma, os restos mortais do apóstolo Paulo, martirizado no século I. (leia a reportagem na integra no box final deste post)

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Como base de estudo foi usado:

 

Em 2018 foi lançado o filme Paulo, Apóstolo de Cristo que passou quase despercebido por muitos nos cinemas e conta a história dos últimos dias de Paulo já preso e condenado que recebe as visitas de Lucas.

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Para baixar: Paulo, Apóstolo de Cristo – Dual Audio 720P MKV – Torrent

O Vaticano acredita ter encontrado, na segunda maior basílica de Roma, os restos mortais do apóstolo Paulo, martirizado no século I

Bento XVI anunciou no domingo 28 uma descoberta que lança luz sobre os primeiros anos da Igreja Católica. Amostras retiradas da ossada existente numa tumba no subsolo da segunda maior basílica de Roma foram submetidas a testes de datação, e as conclusões são de que se trata dos restos de uma pessoa que viveu entre os séculos I e II. Elas “parecem confirmar a unânime e incontestável tradição de que são os restos mortais do apóstolo Paulo”, festejou o papa. A relevância da descoberta não está em fornecer evidências materiais sobre o homem que expandiu o cristianismo para além das fronteiras estreitas de uma seita judaica da periferia do Império Romano. Não há necessidade disso. A vida e a obra do Apóstolo dos Gentios são as mais bem documentadas entre os primeiros santos do cristianismo. O valor religioso do exame científico está em atestar a consistência da tradição católica e reforçar a Basílica de São Paulo Fora dos Muros como um local de veneração. No século IV, o imperador Constantino mandou erguer a igreja sobre um antigo cemitério romano, do lado externo das muralhas que protegiam a cidade dos bárbaros, exatamente porque o lugar era conhecido como o do túmulo de São Paulo.

Pintura mais antiga do rosto de Paulo, encontrada nas catacumbas romanas

Pintura do rosto de Paulo Século IV

Não foi a única novidade sobre o santo. No mesmo domingo, foi revelada a mais antiga imagem de São Paulo, um afresco do século IV encontrado durante as obras de restauração das catacumbas de Santa Tecla, a alguns quarteirões de distância da basílica. A pintura foi descoberta no teto de um pequeno aposento que esteve soterrado por séculos. A identificação do apóstolo foi imediata porque coincide com as características físicas descritas em textos dos primeiros cristãos, como a barba escura e fina na ponta, a calvície, o nariz grande e os olhos expressivos. Um afresco de São Pedro também foi encontrado, mas em muito pior estado de conservação.

Segundo a tradição, a Basílica de São Pedro, no Vaticano, foi erguida sobre o túmulo do primeiro papa. Essa crença foi posta à prova por arqueólogos que exploraram um túmulo existente no subsolo da construção. Submetido a testes de datação, o conteúdo revelou os restos de alguém que tinha entre 60 e 70 anos e viveu no século I. Em 1968, o papa Paulo VI anunciou com estardalhaço que se tratava, sem dúvida, dos restos de São Pedro. Paulo e Pedro foram contemporâneos e ambos morreram como mártires da Igreja. Acredita-se que São Pedro tenha sido crucificado (de cabeça para baixo, segundo a tradição) no ano 64, por ordem do imperador Nero. Graças à cidadania romana, São Paulo escapou da cruz, para ser decapitado em algum momento entre os anos 65 e 67. Reza a tradição que o corpo e a cabeça do santo foram sepultados em locais diferentes – a cabeça estaria na Basílica de São João de Latrão, também em Roma.

Em 2002, ainda sob João Paulo II, arqueólogos iniciaram a escavação do túmulo sob a Basílica de São Paulo, onde descobriram uma urna e uma placa com a inscrição “Paulo Apóstolo Mártir”. Eles fizeram um minúsculo furo numa das laterais de mármore e inseriram uma pequena sonda, que recolheu amostras da ossada que está lá dentro. O material extraído foi submetido ao teste de carbono 14, técnica utilizada para calcular a idade de materiais antigos. Junto aos restos mortais foram encontrados também alguns grãos de incenso e dois pedaços de tecido de linho, um de cor púrpura com bordados de ouro e outro azul – ambos identificados como peças luxuosas, o que reforça a suposição da existência de ricos entre os primeiros cristãos.

São Paulo era um judeu nascido entre os anos 4 e 8, possivelmente em Tarso, então uma grande cidade grega na rota entre a Europa e a Ásia. Seus pais eram escravos libertos, mas ricos o suficiente para mandar o filho estudar com um grande rabino em Jerusalém. Adulto, ele se tornou um perseguidor implacável da seita crist㠖 ainda que não esteja claro por que agia assim. Ele próprio deixou relatos sobre sua conversão, ocorrida no caminho para Damasco, depois de uma visão. Após se converter, Paulo dedica-se, com enorme sucesso, à tarefa de expandir a fé pelo Império Romano, especialmente por seu coração, Roma.

Ainda mais importante, foi ele quem formulou a doutrina de maneira teológica e separou o cristianismo do judaísmo. Para São Paulo, os pagãos não precisavam submeter-se aos rituais judaicos, como a circuncisão e as regras dietéticas, pois bastavam o batismo e a fé em Cristo. “Paulo deu ao cristianismo um caráter universal”, diz o teólogo Geraldo Hackmann, o único brasileiro na Comissão Teológica Internacional do Vaticano. A influência de São Paulo sobre a cristandade pode ser medida numericamente. Dos 27 livros do Novo Testamento, treze são atribuídos ao apóstolo. Desses, sete são considerados realmente autênticos, e os demais, escritos em seu nome por seguidores. Quase metade do livro dos Atos dos Apóstolos, escrito pelo evangelista Lucas, relata as viagens evangelizadoras de Paulo. As descobertas envolvendo seu túmulo reforçam sua presença na tradição cristã.

VEJA edição 2110 de 8/7/2009

Atos dos Apóstolos (Círculo Bíblico – 3/10)

Círculo Bíblico: Atos dos Apóstolos – Encontro 3/10

Este é o terceiro de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o livro dos Atos dos Apóstolos. A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o livro dos Atos dos Apóstolos (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja e ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia.

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

 

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A compreensão do que é comunidade

At 5, 1- 16,

No inicio do capitulo 5 vemos o relato de que um homem chamado Ananias e sua esposa Safira caírem mortos aos pés de Pedro, por quererem fazer parte da comunidade, mas se negarem a repartir os bens, escondendo parte do lucro com a venda de um terreno e tentando enganar a comunidade de fé. Aqui existe uma espécie de parábola para mostrar que o crime não está no fato de não partilhar algo que é seu, mas sim na mentira ao tentar enganar a Deus. A mão de Deus pesa como no Antigo Testamento. A morte aqui pode ser entendida como espiritual. Existe para cada um de nós um questionamento: enganamos a Deus ou tentamos? Mas não conseguimos esconder nada de Deus. O relato não quer mostrar que Deus vai matar por dinheiro, mas você vai morrer espiritualmente tentando enganar o Senhor.

As primeiras comunidades cristãs eram formadas de pobres e ricos. Então como entender as exigências do Evangelho? É mais fácil para um pobre entender o conceito de dividir para todos terem? Ou do rico entender que vai ficar mais pobre dividindo para todos terem?

Cuidado! A sua resposta pode estar contaminada por algum conceito pessoal que talvez não se aplique aqui.

Para nenhum dos dois é fácil a compreensão do Evangelho. E ai estava o embate das comunidades nos primórdios da fé em Jesus Cristo. No final do capítulo 4 é citado que um homem de nome José vendeu um campo e entregou o dinheiro para ser dividido entre todos (At 4, 36 -37) esse homem recebeu o sobrenome de Barnabé e entendeu o significado do ser comunidade . Lucas cita Barnabé no final de um capítulo e ao entrar neste já fala sobre Ananias e Safira para servir de contraponto entre os dois exemplos.

At 5,17-42

A perseguição aos nazarenos começa a ser narrada mais intensamente à partir desta parte do livro.

Os Saduceus aprisionaram os apóstolos que pregavam em Jerusalém, porque eles faziam curas em plena praça pública. Mas durante a noite um anjo foi e soltou todos eles, sem abrir as portas. Esse mesmo anjo disse que eles deveriam continuar a pregar, só que desta vez no Templo. Ao chegarem na manhã seguinte foi convocado todo o Sinédrio para que esses apóstolos fossem julgados, note que assim como Jesus sofreu um julgamento as pressas, a intenção dos sacerdotes era a mesma, julgar os apóstolos sem direito a defesa, e depois pedir aos romanos que executassem todos eles. O interessante está na surpresa da descoberta da fuga milagrosa dos apóstolos e mais ainda da estranheza de que a cela estava totalmente trancada e a chave em poder de um sacerdote.

Mesmo ante isso, e a descoberta de que os apóstolos estavam no Templo, desafiando a lei onde só os sacerdotes poderiam pregar . Lógico que foram novamente trazidos ao Sinédrio e desafiaram os sacerdotes (At 5,27-32). A simples citação do nome de Jesus já fez com os sacerdotes ansiassem por matarem aqueles homens, mas surpreendentemente, um fariseu de nome Gamaliel, doutor da lei estimado intercedeu pelos apóstolos, não por concordar com a fé deles , mas por achar que a religião deles morreria em breve, e fez comparações com outros supostos messias que juntaram seguidores mas caíram no esquecimento. Mas algo que Gamaliel disse deve ser levado em conta : “Agora, pois, eu vos aconselho: não vos metais com estes homens. Deixai-os! Se o seu projeto ou a sua obra provém de homens, por si mesma se destruirá; mas se provier de Deus, não podereis desfazê-la. Vós vos arriscaríeis a entrar em luta contra o próprio Deus. ” (Atos dos Apóstolos, 5, 38 -39 – Bíblia Católica Online)
Mesmo não acreditando naqueles homens, ele tinha um certo temor, pelo fato da história do sumiço do corpo de Jesus e sua suposta ressurreição ainda serem recentes.

Estranhamente os apóstolos foram açoitados, e libertos e ainda saíram contentes por sofrerem insultos e agressões em nome de Jesus.

 

At 6, 1 -15

Chegamos a um ponto onde muitos fiéis foram acolhidos na comunidade, mas também aconteceram as primeiras divergências mais sérias. Como muitos dos novos fiéis eram de origem grega entraram em atrito com os de origem Hebraica. Vemos isso muitas vezes nas comunidades atuais onde novos membros sofrem da desconfiança dos mais velhos, e estes não aceitam de pronto novas idéias.

Aqui vale uma observação

Lucas tenta mostrar a harmonia entre a comunidade nascente, porém como em todos os lugares onde existem pessoas diferentes, o conflito é sempre eminente. No próprio grupo de discípulos de Jesus já existiam conflitos de idéias diferentes. Logo do inicio deste capítulo o que notamos é um conflito de culturas diferentes. Vale explicar o que acontecia. Parecia uma reclamação simples : as viúvas dos cristãos gregos não estão sendo atendidas pela comunidade. Não devemos esquecer que estamos falando das comunidades do inicio do cristianismo, onde a mulher ainda não era reconhecida como importante e capaz de prover o próprio sustento. Desde os relatos do Antigo Testamento a questão da mulher e principalmente das mulheres viúvas é debatido sem sucesso à época (que fique claro). Faltava gente para atender as viúvas gregas? Faltava tempo? Nenhuma destas opções.

Devemos entender que desde o começo das comunidades nos Atos haviam hebreus (cristãos de origem judaica, fiéis à Lei Judaica e ainda frequentadores do Templo e que só liam as escrituras em hebraico); helenistas (cristãos de origem grega, que viviam fora da Palestina, não eram afeitos a Lei Judaica, principalmente no que dizia respeito a circuncisão e ao Templo onde eram proibidos de entrar, sendo relegados muitas vezes ao Pátio dos Pagãos – espaço para os que não eram judeus de sangue, e liam as escrituras em grego; e prosélitos (pagãos de origem grega convertidos ao cristianismo e simpatizantes da religião judaica; além de alguns estrangeiros que seguiam apenas o evangelho de Jesus.

O maior problema é que os hebreus não comiam na mesma mesa que os helenistas e prosélitos, pois segundo a lei judaica (mesmo eles seguindo também os ensinamentos de Jesus) ficavam impuros. Os hebreus também frequentavam o Templo onde os demais grupos não podiam entrar.

Mas porque o problema declarado é em relação as viúvas gregas?

Muitos judeus helenistas vinham passar os últimos dias de vida em Jerusalém, ali acabavam morrendo e suas viúvas ficavam na miséria (em casos que não fossem ricos ou por parentes do homem morto se apossarem dos bens da família principalmente em casos que não tivessem um filho homem responsável). A comunidade cristã de Jerusalém tinha sim um caixa para cuidar das viúvas e inclusive refeições comunitárias para os pobres. É neste ponto que o problema maior começa, por causa do conflito cultural (que hoje parece sem sentido, mas na época era normal) as viúvas dos helenistas (gregos) não eram recebidas nestas refeições ou ajudadas financeiramente, justamente por causa da separação entre os judeus e os outros.

Numa comparação simples podemos ver isso hoje em dia quando imigrantes tentam uma nova vida em outros países e são barrados por causa da etnia ou até mesmo de religião.

A decisão não fica clara no relato de Lucas porém nas entrelinhas dá para se entender que o “problema” foi equacionado quando os Doze apóstolos decidem escolher 7 homens para cuidar destas questões mais materiais e econômicas. Dentre estes nenhum era hebreu (6 eram gregos: Estêvão, Filipe, Prócoro, Nicanor. Timão e Pármenas, e 1 era prosélito Nicolau de Antioquia), com isso a ajuda as viúvas e todos os necessitados independentes de religião poderia ser mais justa. 

Aqui também acontece a escolha de novos ministérios, com mais apóstolos para a acolhida e ainda assim houve muita discussão. É neste ponto do relato que ouvimos falar pela primeira vez de Estêvão, Lucas vai descrevê-lo como o modelo ideal de cristão, e ele terá papel muito importante durante parte do livro. Estêvão aqui é vitima de algo que faz mal ainda na sociedade, e dentro da comunidade é um câncer que destrói e muito,  a fofoca e a inveja. Como Estêvão se tornou um apóstolo de destaque dentro da comunidade, ele foi traído por membros que apesar de estar ali, não haviam recebido o Espírito Santo, ou não acreditavam realmente naquilo. Assim como Judas Iscariotes, estes também traíram. Estêvão então foi preso e levado ao Sinédrio.

LAPESTEV

“E apedrejavam Estêvão, que orava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito. Posto de joelhos, exclamou em alta voz: Senhor, não lhes leves em conta este pecado… A estas palavras, expirou.”
Atos dos Apóstolos, 7, 56-60

 

At 7, 1-60

No interrogatório de Estêvão a história de Moisés é recontada e serve também como comparação a história do próprio Jesus. A história do povo hebreu é o ponto de partida, o que dá a entender  que Estêvão era um estudioso da fé, mas no texto é como se ele falasse pelo Espírito Santo.

A comparação da história de Moisés com a de Jesus é bem óbvia:

  • A fuga para escapar do massacre das crianças.
  • Vieram libertar o povo pela palavra, enviados por Deus.
  • Não agiram sozinhos.
  • Subiam as montanhas para falar com Deus.

At 7,35-37 narra estes fatos mas mostra que os sacerdotes do Sinédrio condenam Estêvão, que acusa os sacerdotes de não serem fiéis a lei. Em At 7,54-60 Estêvão é apedrejado e entrega o seu espírito a Deus. Também vemos pela primeira vez a citação de um jovem que segurava os mantos dos assassinos de Estêvão e assistia impassível a tudo. Lucas aqui quis mostrar que alguém importante da comunidade saia de cena, no caso Estêvão e alguém que teria papel decisivo entrava em foco, por isso citou Saulo.

Saulo aparece discretamente no capitulo anterior, não há uma citação direta sobre ele ter ou não atirado alguma pedra em Estêvão, mas a sua participação como cúmplice é bem evidente.

ESTEVÃO

Estêvão clama a Deus enquanto é apedrejado

At 8, 1-40

Aqui a perseguição a comunidade dos Nazarenos fica declarada. O capitulo começa com Saulo e fica bem claro a posição dele assim como a dos judeus. A comunidade se dispersava por toda a região Judéia. Filipe foi para uma cidade da Samaria (hoje temos certeza de que ele foi para Cesaréia)  lá um mago de nome Simão, famoso e rico tentou comprar os dons de profecia e cura dos apóstolos, e procurou Filipe primeiro para aderir a comunidade (se não pode vencê-lo junte-se a ele ),depois com a chegada de Pedro e  João à cidade, e deles começarem a impor as mãos sobre aqueles que seriam apóstolos, ele ofereceu muito dinheiro, mas o discípulo não aceitou e ainda dispensou o mago. A riqueza muitas vezes faz com que os abastados pensem que estão acima de tudo e que seu dinheiro pode pagar até a fé e os dons dados pelo espírito santo. Existem hoje pessoas que se dizem “celebridades” que a todo momento evocam sua suposta importância, para tentarem algum tipo de vantagem ou humilhar algumas pessoas. Simão fazia parte destas pessoas, mas foi colocado no devido lugar por Filipe, Pedro e João. O capitulo 8 praticamente fala só de Filipe, e mostra sua sabedoria, deixando um pouco de lado os outros apóstolos. É interessante ver os prodígios dele e a conversão de um eunuco no fim do capitulo.

A Samaria não foi escolhida ao acaso para ser à primeira a ser evangelizada, depois de Jerusalém. Existia um ódio muito grande entre judeus e samaritanos, mas Lucas diz que os samaritanos tem um bom espírito ( vide Lc 10,25-37;17,16-18), e quem foi enviado na frente foi Filipe que é helenista (judeu-cristão de língua grega), ou seja que tinha pouca coisa a ver com as tradições judias. Ele preparou o terreno para a chegada de Pedro e João. Se tivesse sido enviado um hebreu tradicional, talvez não tivesse conquistado tantos.

Refletindo

É importante notarmos os sinais que existem na comunidade nascente nos relatos dos Atos dos Apóstolos. Mesmo numa época em que a passagem de Jesus ainda se fazia, digamos, muito aquecida, a comunidade de fé estava sempre tendo conflitos. Hora eram opiniões divergentes, hora eram conflitos de culturas e até de gerações. Os relatos que dão conta da condenação de Estêvão mostram que existiam ainda dois dos maiores problemas enfrentados em todas as comunidades de fé, algo que não deveria existir mais, mas é claro que estão presentes: a inveja e a fofoca. Como nos tornarmos Santos diante destes desafios?

Estamos falando de abandonar este tipo de sentimento (inveja) e este tipo de ação (fofoca), e viver em comum-unidade respeitando os exemplos de Cristo. É só fazermos um exame de consciência na nossa própria comunidade e analisarmos se isso não acontece ainda. Se não acontece na sua comunidade, dê Glórias a Deus, mas infelizmente eu não acredito muito que não aconteça.

Porém não é algo absoluto. 

É algo a se mudar, pois só assim vamos ser verdadeiros fiéis em Jesus Cristo. A oração é sempre o caminho.

Um círculo bíblico também deve servir para se refletir sempre sobre o crescimento saudável da igreja.

Milton Cesar

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Santo Estêvão, primeiro mártir de toda a história católica

Nos capítulos 6 e 7 dos Atos dos Apóstolos encontramos um longo relato sobre o martírio de Estêvão, que é um dos sete primeiros Diáconos nomeados e ordenados pelos Apóstolos. Santo Estêvão é chamado de Protomártir, ou seja, ele foi o primeiro mártir de toda a história católica. O seu martírio ocorreu entre o ano 31 e 36 da era cristã. Eis a descrição, tirada do livro dos Atos dos Apóstolos:

“Estêvão, porém, cheio de graça e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo. Levantaram-se então alguns da sinagoga, chamados dos Libertos e dos Cirenenses e dos Alexandrinos, e dos da Cicília e da Ásia e começaram a discutir com Estêvão, e não puderam resistir à sabedoria e ao Espírito com que ele falava. Subornaram então alguns homens que disseram: ‘Ouvimo-lo proferir palavras blasfematórias contra Moisés e contra Deus’. E amotinaram o povo e os Anciãos e Escribas e apoderaram-se dele e conduziram-no ao Sinédrio; e apresentaram falsas testemunhas que disseram: ‘Este homem não cessa de proferir palavras contra o Lugar Santo e contra a Lei; pois, ouvimo-lo dizer que Jesus, o Nazareno, destruirá este Lugar e mudará os usos que Moisés nos legou’. E todos os que estavam sentados no Sinédrio, tendo fixado os olhares sobre ele, viram o seu rosto como o rosto de um anjo”.

Num longo discurso, Estêvão evoca a história do povo de Israel, terminando com esta veemente apóstrofe:

“‘Homens de cerviz dura, incircuncisos de coração e de ouvidos, resistis sempre ao Espírito Santo, vós sois como os vossos pais. Qual dos profetas não perseguiram os vossos pais, e mataram os que prediziam a vinda do Justo que vós agora traístes e assassinastes? Vós que recebestes a Lei promulgada pelo ministério dos anjos e não a guardastes’. Ao ouvirem estas palavras, exasperaram-se nos seus corações e rangiam os dentes contra ele. Mas ele, cheio do Espírito Santo, tendo os olhos fixos no céu, viu a glória de Deus e Jesus que estava à direita de Deus e disse: ‘Vejo os céus abertos e o Filho do homem que está à direita de Deus’. E levantando um grande clamor, fecharam os olhos e, em conjunto, lançaram-se contra ele. E lançaram-no fora da cidade e apedrejaram-no. E as testemunhas depuseram os seus mantos aos pés de um jovem, chamado Saulo. E apedrejavam Estêvão que invocava Deus e dizia: ‘Senhor Jesus, recebe o meu espírito’. Depois, tendo posto os joelhos em terra, gritou em voz alta: ‘Senhor, não lhes contes este pecado’. E dizendo isto, adormeceu”.

Santo Estêvão, rogai por nós!

Fonte: Santos – Canção Nova

fides - Copia

Como base de estudo foi usado:

  • Bíblia do Peregrino- Paulus
  • Bíblia de Jerusalém – Paulus
  • Bíblia da CNBB
  • Livro: Como ler os Atos dos Apóstolos- O caminho do Evangelho- Ivo Storniolo -Paulus Editora
  • Bíblia Católica Online (nos links)