Igreja Católica Apostólica Romana

Série : Animo, uma nova catequese (Encontro 35/40 – Complemento 18)

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Igreja Católica Apostólica Romana

No Credo Niceno- Constantinopolitano é dito: “Creio na igreja uma, santa, católica e apostólica.” – A pergunta a ser feita seria: Qual de nós somos católicos?

A nossa igreja é a Igreja Católica Apostólica Romana.

Nenhum católico verdadeiro é católico brasileiro (ou de qualquer país que seja), somos Católicos Apostólicos Romanos que por ventura estamos no Brasil. O Papa Bento XVI saudava assim: “Minha benção aos fiéis católicos do Brasil.”

A palavra Católico quer dizer Universal. Vem da palavra latina katholikos e o seu sentido é “estar em todo o universo” (universal). Todo o universo porque em todo o mundo a igreja católica está (mesmo onde o governo não quer, ela existe, nem que seja escondida) e o resto do universo pertence a Deus.

Apostólico: ´´e pelo fato de sermos apóstolos de Jesus cristo. Ele escolheu 12 discípulos para que o seguissem e depois estes levassem o evangelho (a boa nova, a boa notícia) a todos. Paulo foi um dos inúmeros seguidores que mesmo sem conhecer Jesus (nunca andou com ele ou o viu em carne e osso) se tornou um apóstolo dele. Cada um de nós que acredita em Cristo (mesmo sem ter visto) e que leva a sua palavra (até mesmo numa conversa informal) é um apóstolo (seguidor, na tradução mais literal)

Romano: Porque a sede da igreja é no Vaticano, em Roma (Itália). O Vaticano é um país dentro de uma cidade, onde o presidente é o Papa (hoje Papa Francisco) e de lá ele anuncia e nos guia. O Papa é o sucessor de São Pedro. O primeiro discípulo de Jesus a ser martirizado (morto) em Roma foi Pedro. A sede da igreja acabou sendo em Roma porque os romanos dominaram o mundo por muitos anos e o imperador Constantino (senhor do mundo e de Roma) acabou se curvando as palavras de Jesus e abraçou a fé cristã.

Nós católicos somos 2, 5 bilhões no mundo (só de Católicos Apostólicos Romanos). Seguidos pela segunda maior religião que é o Islã (cerca de 1,5 bilhões). Os outros 3 bilhões de pessoas se dividem entre Judeus, Budistas, Hindus, Ateus e outras religiões.

 

A igreja como organização

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A igreja se organiza assim:

  • Comunidades (são as igrejas que ficam em cada região) e que na cidade geralmente tem uma Basílica (normalmente a igreja do centro da cidade). Para citar Campinas, SP existe no centro da cidade a Catedral de Nossa Senhora da Conceição (a cidade cresceu em torno da igreja que é uma das últimas feitas em taipa de pilão existente no mundo). Existem Catedrais e Basilicas.
  • Paróquias: reúnem as comunidades de uma certa região para a coordenação comum de um pároco ou administrador paroquial (um padre ou em raros casos um diácono)
  • Forania: é a reunião das paróquias de uma grande região ou mais regiões.
  • Diocese: Reúne todas as Forania, paróquias, igrejas, basílica de uma cidade (em alguns casos até de mais de uma cidade, casos em que a cidade vizinha é um município pequeno e possui uma ou duas comunidades apenas). Geralmente é comandada por um Bispo
  • Arquidiocese: Reúne as dioceses de várias cidades de uma região. (Exemplo: a Arquidiocese de Campinas reúne as dioceses de Campinas, Elias Fausto, Hortolândia, Indaiatuba, Monte-Mor, Paulínia, Sumaré, Valinhos e Vinhedo num universo de quase 3 milhões de pessoas) comandada por um Arcebispo.
  • CNBB: Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, como o nome já diz é um órgão que reúne os Bispos (e Arcebispos) do Brasil para encontros de discussão sobre a situação e desafios a se enfrentar pela igreja. Geralmente solta documentos que ajudam a normatizar o trabalho de evangelização.
  • Vaticano: Sede da igreja, onde se reúnem os cardeais (apesar de os cardeais estarem sempre no seu pais de origem eles acabam tendo encontros importantes lá). No Vaticano fica a Basílica de São Pedro que equivale a basílica base da igreja como um todo. O Vaticano é um estado (país) neutro e independente por isso na 2ª Guerra Mundial não foi bombardeado.

 Pentecostes - Nascimento da Igreja - Copy - Copy

Hierarquia

A base da hierarquia da igreja é bem definida, porém em certos pontos pode parecer um tanto complicada; Veja a divisão Teórica da hierarquia:

 

Fiéis (leigos)* Todos os fiéis, incluindo os que só participam das missas, os agentes de pastoral, catequistas, cantores, ministros, etc. Sem o fiel não existe a igreja
Diácono

A tradução literal é ajudante

Existe o Diácono permanente (pessoa casada a pelo menos 10 anos que estuda e vive plenamente a vida na igreja, convidado pelo bispo ou indicado pela comunidade se prepara e recebe os votos). Usa sobre a casula uma batina (ou faixa) transversal.

Existe o diácono temporário que é o seminarista que passou pelos quase 10 anos de estudo, recebeu os votos e está se preparando para ser padre.

Nenhum dos dois casos fazem a consagração da comunhão

Padre (sacerdote, presbítero)

Seria aquele que preside

Passa por estudos que podem levar de 9 a 10 anos. Recebe os votos permanentes e pode ser (ou não) pároco de uma comunidade. Alguns padres recebem o título de Monsenhor (honraria concedida pelo Papa), Vigário Geral (tem o poder executivo da diocese, em nome do Bispo), Cônego (vive sob regra de vida em catedrais e colégios), Cura (pároco de uma Catedral), Capelão (padre militar ou dirigente de uma capela)
Bispo (tradução seria supervisor) Um padre que escolhido pelo Vaticano se torna Bispo para comandar uma diocese. Podem receber o título de Arcebispo e passarem a comandar uma Arquidiocese. Em alguns casos passa a ser Arcebispo Primaz (título de honra concedido pelo Papa a alguns prelados, geralmente o arcebispo da arquidiocese mais antiga do país/região)
Cardeal Bispos eleitos para serem os representantes de cada país no Vaticano. Também são membros do colégio cardinalício, e elegem o Papa (aliás podem se tornar Papas dependendo da eleição)
Papa O Bispo de Roma, sucessor de Pedro (não é São Pedro reencarnado, mas sim um sucessor). O Papa é o chefe da igreja, o presidente do Vaticano (como chefe de estado é recebido por outros presidentes)
Vida Consagrada

(Irmãs, Freiras, Frades, Consagrados) * entram também na parte de fiéis leigos

Existem as mulheres e homens que fazem parte de ordens religiosas e servem como frei/freira, monge/monja ou frade/frater de um convento ou mosteiro que professou votos perpétuos.

Também pessoas que se consagram em Comunidades Vidas (Pantokrator, Shalon, Canção Nova, etc.) e vivem uma vida normal cotidiana, mas aos finais de semana (ou épocas em especial) estão sempre fazendo o trabalho de evangelização dentro da comunidade.

 

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A igreja Católica Apostólica Romana no Brasil faz parte do CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs) que fazem o Ecumenismo (um diálogo entre as igrejas cristãs, sem uma disputa). Fazem parte deste conselho:

  • Igreja Católica Apostólica Romana
  • Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
  • Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil
  • Igreja Presbiteriana Unida
  • Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia
  • Aliança de Batistas do Brasil

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A igreja física

A igreja não é uma casa, um prédio. Nem apenas o Papa, Bispos, Padres estão a “serviço” da igreja. A Igreja somos todos nós.

Claro que o prédio (a igreja construída) é importante no sentido de se acolher o fiel, de se ter um local mais estruturado para se realizar a catequese, os grupos de oração e celebrar a missa. Mas a igreja continua na nossa casa, no dia a dia, na nossa vida.

1Cor 12, 20 “Há, pois, muitos membros, mas um só corpo.”

At 12,1-11.18-19 “Por aquele mesmo tempo, o rei Herodes mandou prender alguns membros da Igreja para os maltratar. 2.Assim foi que matou à espada Tiago, irmão de João. 3.Vendo que isto agradava aos judeus, mandou prender Pedro. Eram então os dias dos pães sem fermento. 4.Mandou prendê-lo e lançou-o no cárcere, entregando-o à guarda de quatro grupos, de quatro soldados cada um, com a intenção de apresentá-lo ao povo depois da Páscoa. 5.Pedro estava assim encerrado na prisão, mas a Igreja orava sem cessar por ele a Deus. 6.Ora, quando Herodes estava para o apresentar, naquela mesma noite dormia Pedro entre dois soldados, ligado com duas cadeias. Os guardas, à porta, vigiavam o cárcere. 7.De repente, apresentou-se um anjo do Senhor, e uma luz brilhou no recinto. Tocando no lado de Pedro, o anjo despertou-o: Levanta-te depressa, disse ele. Caíram-lhe as cadeias das mãos. 8.O anjo ordenou: Cinge-te e calça as tuas sandálias. Ele assim o fez. O anjo acrescentou: Cobre-te com a tua capa e segue-me. 9.Pedro saiu e seguiu-o, sem saber se era real o que se fazia por meio do anjo. Julgava estar sonhando. 10.Passaram o primeiro e o segundo postos da guarda. Chegaram ao portão de ferro, que dá para a cidade, o qual se lhes abriu por si mesmo. Saíram e tomaram juntos uma rua. Em seguida, de súbito, o anjo desapareceu. 11.Então Pedro tornou a si e disse: Agora vejo que o Senhor mandou verdadeiramente o seu anjo e me livrou da mão de Herodes e de tudo o que esperava o povo dos judeus.” “Chegaram a Éfeso, onde os deixou. Ele entrou na sinagoga e entretinha-se com os judeus.”

Mt 16, 18 “E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela.”

O nome de Pedro era Simão Bar-Jonas (filho de Jonas). Era costume devido a ocupação romana as pessoas usarem um nome hebraico e um equivalente grego. Por exemplo: a pessoa é Pedro (em português) e Peter (inglês). Simão em hebraico é Kefas (pedra rocha) e Pedro (pedra, rocha) é o equivalente em romano. Jesus dá a missão a Pedro, e isso tem um significado especial: Jerusalém (a Palestina) é uma região de cheia de grutas (pequenas cavernas) e os pastores de ovelhas passavam semanas cuidando delas nos pastos afastados da cidade e acabavam se refugiando nestas grutas durante as chuvas ou no frio (característica do deserto), assim como alguns viajantes faziam o mesmo.

Pense: Pedro (a rocha) hoje representado pelo Papa Francisco, seria o abrigo dos pastores e viajantes. Este abrigo é a igreja, os pastores (os padres) e os viajantes (cada um de nós).

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São Pedro e São Paulo

A igreja católica é cheia de fatos tão interessantes e significativos que mesmo falando durante 1000 encontros não se esgotariam. A igreja foi e é perseguida. Sempre será porque nós nunca nos calamos diante do que quer que seja. Seja polêmico para uns ou não. Sempre existirão os detratores da igreja, e os que tentam a todo custo desmoralizar e atacar uma igreja que sobrevive a pelo menos 2000 anos, fundada sobre a rocha (Pedro) e sobre a vocação de levar a palavra onde for de Paulo. Tantas pessoas foram mártires porque pregavam a sua fé católica sem medo dos que não querem ouvir a boa nova.

Hoje algumas das polêmicas da igreja se tratam de:

– Contra o uso de preservativo: a igreja acredita que as pessoas vão ter relações saudáveis e não promiscuas (parceiros e parceiras aleatórios) e principalmente que estas relações aconteceram entre pessoas que receberam o sacramento do matrimônio. A lógica está em se confiar na pessoa que se tem como companheiro (a). Não existe uma proibição, mas uma orientação, recomendação e explicação. Ninguém é obrigado a seguir, mas dá para se pensar.

– Casamento entre pessoas do mesmo sexo: Como a igreja vive sob a égide da Bíblia e nela não existe nada sobre isso a igreja acaba sendo contra. Porém todos são livres para terem a vida que bem entenderem, mas não receberão o sacramento do Matrimônio na Igreja Católica apostólica Romana.

– Casamento dos Padres: O Padre faz votos de castidade ao receber o Sacramento da Ordem, tendo plena consciência disto. Se por ventura ele quiser em dado momento da vida deixar estes votos e contrair Matrimônio ele pode, basta pedir para abandonar a batina (popularmente), fazer a comunicação ao bispo e deixar de ser sacerdote (o título de padre ele não perde, mas deixa de exercer as funções de presbítero e também deixa de receber salário através da igreja).

– Pedofilia na igreja: Um pedófilo comete um crime e como tal deve ser julgado criminalmente, seja padre ou não. A igreja não compactua com estes desvios e este tipo de crime. O Papa Francisco tem cada vez mais combatido isso. E o número de casos dentro da igreja é bem menor do que em outras áreas.

 

A igreja no Brasil

Cebs

Aqui no Brasil a igreja cresceu muito mais nos anos 70 com as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Antes a igreja se concentrava mais nas grandes basílicas e igrejas mais estruturadas. A CEBs, que era um grupo de muitos fiéis, pediram aos bispos autorização e começaram a juntar as pessoas nos bairros para pedirem a presença de padres, que vinham para celebrar nas escolas, campos e futebol, sedes de bairro, e assim pouco a pouco foram construídas comunidades (terrenos foram doados, comprados com a ajuda de todos) pela mão de obra dos próprios fiéis que doavam seu tempo e força de trabalho em mutirão. Enfim a igreja deixou de ser apenas de catedrais e foi para mais perto do povo. Por isso são chamadas de comunidades (comum –unidade). A CEBs acabou também se tornando celeiro de muitas lutas por melhorias em bairros mais carentes e também surgiram líderes políticos que se aproveitaram deste cenário para se lançarem nas carreiras políticas.

Mas o tempo acabou tirando um dos pilares da CEBs do foco: a oração. A CEBs acabava se tornando um bom lugar para se discutir e lutar e se esquecia que a base da igreja é também rezar. Por isso em meados dos anos 80, um movimento iniciado nos Estados Unidos chegou ao Brasil, como resgate da fé, era a Renovação Carismática Católica (RCC), ficou muito conhecida pelos grupos de oração. Muitos padres aceitaram de bom grado este movimento, outros não. A RCC sempre foi mais adepta do louvor e adoração, sempre falando de Nossa Senhora e também do Espírito Santo (esta última parte foi confundida com o que os protestantes faziam).

RCC

Houve então um choque entre a CEBs e a RCC.

A CEBs achava que a RCC só sabia rezar e esquecia de lutar pelo povo como Jesus fazia, por outro lado a RCC considerava que a CEBs só se preocupava com a política (vale lembrar que dentro da CEBs nasceram alguns partidos políticos) e esquecia que Jesus orava antes de mais nada. Foram criando rusgas quase inalteráveis e inimizades.

Vale ressaltar que para qualquer movimento poder usar o título de Movimento Católico tem que ter a aprovação do próprio Papa com a recomendação das confederações dos bispos e os dois grupos possuíam este direito. Então no final dos anos 90 o Papa João Paulo II, ciente deste “problema” no Brasil deu uma “bronca” e ameaçou dissolver os dois movimentos se não houvesse um entendimento. Pouco a pouco este entendimento ganhou corpo e acabaram entendendo que a palavra oração é orar e agir (orar-ação).Hoje a CEBs atua principalmente no Nordeste e a RCC tomou corpo e cresceu bastante atuando em quase todas as comunidades.

Transcrição do CIC

«Redemptor noster unam se personam cum sanctam Ecelesiam, quam assumpsit, exhibuit – O nosso Redentor apresentou-Se a Si próprio como uma única pessoa unida à santa Igreja, que Ele assumiu».

«Caput et membra, quasi una persona mystica – Cabeça e membros são, por assim dizer, uma só e mesma pessoa mística»

777.A palavra «Igreja» significa «convocação». Designa a assembleia daqueles que a Palavra de Deus convoca para formar o seu povo, e que, alimentados pelo Corpo de Cristo, se tornam, eles próprios, Corpo de Cristo.

778. A Igreja é, ao mesmo tempo, caminho e meta do desígnio de Deus: prefigurada na criação, preparada na antiga Aliança, fundada pelas palavras e atos de Jesus Cristo, realizada pela sua Cruz redentora e pela sua ressurreição, manifesta-se como mistério de salvaçãopela efusão do Espírito Santo. Será consumada na glória do céu como assembleia de todos os resgatados da terra .

779. A Igreja é, ao mesmo tempo, visível e espiritual, sociedade hierárquica e Corpo Místico de Cristo. É una, mas formada por um duplo elemento: humano e divino. Aí reside o seu mistério, que só a fé pode acolher.

780.A Igreja é, neste mundo, o sacramento da salvação, o sinal e o instrumento da comunhão de Deus e dos homens.

805. A Igreja é o Corpo de Cristo. Pelo Espírito e pela sua acção nos sacramentos, sobretudo na Eucaristia, Cristo morto e ressuscitado constitui como seu Corpo a comunidade dos crentes.

806. Na unidade deste Corpo, existe diversidade de membros e de funções. Mas todos os membros estão unidos uns aos outros, parti­cularmente àqueles que sofrem, aos pobres e aos perseguidos.

807. A Igreja é este Corpo, cuja Cabeça é Cristo: ela vive d’Ele, n’Ele e para Ele; e Ele vive com ela e nela.

808. A Igreja é a Esposa de Cristo: Ele amou-a e entregou-Se por ela. Purificou-a pelo seu sangue. Fez dela a mãe fecunda de todos os filhos de Deus.

809. A Igreja é o Templo do Espírito Santo. O Espírito é como que a alma do Corpo Místico, princípio da sua vida, da unidade na diversidade e da riqueza dos seus dons e carismas.

810. «A Igreja universal aparece, assim, como “um povo que vai buscar a sua unidade à unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo“»

A IGREJA É UNA, SANTA, CATÓLICA E APOSTÓLICA

811. «Esta é a única Igreja de Cristo, que no Credo confessamos ser una, santa, católica e apostólica» . Estes quatro atributos, inseparavelmente ligados entre si indicam traços essenciais da Igreja e da sua missão. A Igreja não os confere a si mesma; é Cristo que, pelo Espírito Santo, concede à sua Igreja que seja una, santa, católica e apostólica, e é ainda Ele que a chama a realizar cada uma destas qualidades.

812. Só a fé pode reconhecer que a Igreja recebe estas propriedades da sua fonte divina. Mas as manifestações históricas das mesmas são sinais que também falam claro à razão humana. «A Igreja, lembra o I Concílio do Vaticano, em razão da sua santidade, da sua unidade católica, da sua invicta constância, é, por si mesma, um grande e perpétuo motivo de credibilidade e uma prova incontestável da sua missão divina».

I. A Igreja é una

«O SAGRADO MISTÉRIO DA UNIDADE DA IGREJA»

813.A Igreja é una, graças à sua fonte: «O supremo modelo e princípio deste mistério é a unidade na Trindade das pessoas, dum só Deus, Pai e Filho no Espírito Santo». A Igreja é una graças ao seu fundador: «O próprio Filho encarnado […] reconciliou todos os homens com Deus pela sua Cruz, restabelecendo a unidade de todos num só povo e num só Corpo» . AIgreja é una graças à sua «alma»: «O Espírito Santo que habita nos crentes e que enche e rege toda a Igreja, realiza esta admirável comunhão dos fiéis e une-os todos tão intimamente em Cristo que é o princípio da unidade da Igreja». Pertence, pois, à própria essência da Igreja que ela seja una:

«Que admirável mistério! Há um só Pai do universo, um só Logos do universo e também um só Espírito Santo, idêntico em toda a parte; e há também uma só mãe Virgem, à qual me apraz chamar Igreja».

814. Desde a origem, no entanto, esta Igreja apresenta-se com uma grande diversidade, proveniente ao mesmo tempo da variedade dos dons de Deus e da multiplicidade das pessoas que os recebem. Na unidade do povo de Deus, juntam-se as diversidades dos povos e das culturas. Entre os membros da Igreja existe uma diversidade de dons, de cargos, de condições e de modos de vida. «No seio da comunhão da Igreja existem legitimamente Igrejas particulares, que gozam das suas tradições próprias». A grande riqueza desta diversidade não se opõe à unidade da Igreja. No entanto, o pecado e o peso das suas consequências ameaçam constantemente o dom da unidade. Também o Apóstolo se viu na necessidade de exortar a que se guardasse «a unidade do Espírito pelo vínculo da paz» (Ef 4, 3).

815. Quais são os vínculos da unidade? «Acima de tudo, a caridade, que é o vínculo da perfeição» (Cl 3, 14). Mas a unidade da Igreja peregrina é assegurada também por laços visíveis de comunhão:

– a profissão duma só fé, recebida dos Apóstolos;
– a celebração comum do culto divino, sobretudo dos sacramentos;
– a sucessão apostólica pelo sacramento da Ordem, que mantém a concórdia fraterna da família de Deus .

816. «A única Igreja de Cristo […] é aquela que o nosso Salvador, depois da ressurreição, entregou a Pedro, com o encargo de a apascentar, confiando também a ele e aos outros apóstolos a sua difusão e governo […]. Esta Igreja, constituída e organizada neste mundo como uma sociedade, subsiste (subsistit in) na Igreja Católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos bispos em comunhão com ele».

O decreto do II Concílio do Vaticano sobre o Ecumenismo explicita: «Com efeito, só pela Igreja Católica de Cristo, que é “meio geral de salvação”, é que se pode obter toda a plenitude dos meios de salvação. Na verdade, foi apenas ao colégio apostólico, de que Pedro é o chefe, que, segundo a nossa fé, o Senhor confiou todas as riquezas da nova Aliança, a fim de constituir na terra um só Corpo de Cristo, ao qual é necessário que sejam plenamente incorporados todos os que, de certo modo, pertencem já ao povo de Deus» .

817. De facto, «nesta Igreja de Deus una e única, já desde os primórdios surgiram algumas cisões, que o Apóstolo censura asperamente como condenáveis. Nos séculos posteriores, porém, surgiram dissensões mais amplas. Importantes comunidades separaram-se da plena comunhão da Igreja Católica, às vezes por culpa dos homens duma e doutra parte» . As rupturas que ferem a unidade do Corpo de Cristo (a saber: a heresia, a apostasia e o cisma) devem-se aos pecados dos homens:

«Ubi peccata, ibi est multitudo, ibi schismata, ibi haereses, ibi discussiones. Ubi autem virtus, ibi singularitas, ibi unio, ex quo omnium credentium erat cor unum et anima una — Onde há pecados, aí se encontra a multiplicidade, o cisma, a heresia, o conflito. Mas onde há virtude, aí se encontra a unicidade e aquela união que faz com que todos os crentes tenham um só coração e uma só alma» .

818. Os que hoje nascem em comunidades provenientes de tais rupturas, «e que vivem a fé de Cristo, não podem ser acusados do pecado da divisão. A Igreja Católica abraça-os com respeito e caridade fraterna […]. Justificados pela fé recebida no Batismo, incorporados em Cristo, é a justo título que se honram com o nome de cristãos e os filhos da Igreja Católica reconhecem-nos legitimamente como irmãos no Senhor» .

819.  Além disso, existem fora das fronteiras visíveis da Igreja Católica, «muitos elementos de santificação e de verdade»: «a Palavra de Deus escrita, a vida da graça, a fé, a esperança e a caridade, outros dons interiores do Espírito Santo e outros elementos visíveis». O Espírito de Cristo serve-Se destas Igrejas e comunidades eclesiais como meios de salvação, cuja força vem da plenitude da graça e da verdade que Cristo confiou à Igreja Católica. Todos estes bens provêm de Cristo e a Ele conduzem e por si mesmos reclamam «a unidade católica».

A CAMINHO DA UNIDADE

820. A unidade, «Cristo a concedeu à sua Igreja desde o princípio. Nós cremos que ela subsiste, sem possibilidade de ser perdida, na Igreja Católica, e esperamos que cresça de dia para dia até à consumação dos séculos». Cristo dá sempre à sua Igreja o dom da unidade. Mas a Igreja deve orar e trabalhar constantemente para manter, reforçar e aperfeiçoar a unidade que Cristo quer para ela. Foi por esta intenção que Jesus orou na hora da sua paixão e não cessa de orar ao Pai pela unidade dos seus discípulos: «…Que todos sejam um. Como Tu, ó Pai, és um em Mim e Eu em Ti, assim também eles sejam um em Nós, para que o mundo creia que Tu Me enviaste» (Jo 17, 21). O desejo de recuperar a unidade de todos os cristãos é um dom de Cristo e um apelo do Espírito Santo.

821. Para lhe corresponder de modo adequado, exige-se:

– uma renovação permanente da Igreja, numa maior fidelidade à sua vocação. Essa renovação é a força do movimento a favor da unidade ;
– a conversão do coração, «com o fim levar uma vida mais pura segundo o Evangelho», pois o que causa as divisões é a infidelidade dos membros ao dom de Cristo;
– a oração em comum, porque «a conversão do coração e a santidade de vida. unidas às orações, públicas e privadas, pela unidade dos cristãos, devem ser tidas como a alma de todo o movimento ecumênico, e com razão podem chamar-se ecumenismo espiritual»;
– o mútuo conhecimento fraterno;
– a formação ecumênica dos fiéis, e especialmente dos sacerdotes;
– o diálogo entre os teólogos, e os encontros entre os cristãos das diferentes Igrejas e comunidades (290);
– a colaboração entre cristãos nos diversos domínios do serviço dos homens ».

822. A preocupação com realizar a união «diz respeito a toda a Igreja, fiéis e pastores». Mas também se deve «ter consciência de que este projeto sagrado da reconciliação de todos os cristãos na unidade duma só e única Igreja de Cristo, ultrapassa as forças e capacidades humanas». Por isso, pomos toda a nossa esperança «na oração de Cristo pela Igreja, no amor do Pai para connosco e no poder do Espírito Santo» .

II. A Igreja é santa

823. «A Igreja é […], aos olhos da fé, indefectivelmente santa. Com efeito, Cristo, Filho de Deus, que é proclamado «o único Santo», com o Pai e o Espírito, amou a Igreja como sua esposa, entregou-Se por ela para a santificar, uniu-a a Si como seu Corpo e cumulou-a com o dom do Espírito Santo para glória de Deus» . A Igreja é, pois, «o povo santo de Deus», e os seus membros são chamados «santos» .

824. A Igreja, unida a Cristo, é santificada por Ele. Por Ele e n’Ele toma-se também santificante. «Todas as obras da Igreja tendem, como seu fim, para a santificação dos homens em Cristo e para a glorificação de Deus». É na Igreja que se encontra «a plenitude dos meios de salvação» . É nela que «nós adquirimos a santidade pela graça de Deus».

825. «Na terra, a Igreja está revestida duma verdadeira, ainda que imperfeita, santidade». Nos seus membros, a santidade perfeita é ainda algo a adquirir: «Munidos de tantos e tão grandes meios de salvação, todos os fiéis, seja qual for a sua condição ou estado, são chamados pelo Senhor à perfeição do Pai, cada um pelo seu caminho».

826. A caridade é a alma da santidade à qual todos são chamados: «É ela que dirige todos os meios de santificação, lhes dá alma e os conduz ao seu fim»:

«Compreendi que, se a Igreja tinha um corpo composto de diferentes membros, o mais necessário, o mais nobre de todos não lhe faltava: compreendi que a igreja tinha um coração, e que esse coração estava ardendo de amor.Compreendi que só o Amor fazia agir os membros da Igreja; que se o Amor se apagasse, os apóstolos já não anunciariam o Evangelho, os mártires recusar-se-iam a derramar o seu sangue… Compreendi que o Amor encerra todas as vocações, que o Amor é tudo, que abarca todos os tempos e lugares … numa palavra, que ele é Eterno» .

827. «Enquanto que Cristo, santo e inocente, sem mancha, não conheceu o pecado, mas veio somente expiar os pecados do povo, a Igreja, que no seu próprio seio encerra pecadores, é simultaneamente santa e chamada a purificar-se, prosseguindo constantemente no seu esforço de penitência e renovação» . Todos os membros da Igreja, inclusive os seus ministros, devem reconhecer-se pecadores . Em todos eles, o joio do pecado encontra-se ainda misturado com a boa semente do Evangelho até ao fim dos tempos. A Igreja reúne, pois, em si, pecadores abrangidos pela salvação de Cristo, mas ainda a caminho da santificação:

A Igreja «é santa, não obstante compreender no seu seio pecadores, porque ela não possui em si outra vida senão a da graça: é vivendo da sua vida que os seus membros se santificam; e é subtraindo-se à sua vida que eles caem em pecado e nas desordens que impedem a irradiação da sua santidade. É por isso que ela sofre e faz penitência por estas faltas, tendo o poder de curar delas os seus filhos, pelo Sangue de Cristo e pelo dom do Espírito Santo».

828. Ao canonizar certos fiéis, isto é, ao proclamar solenemente que esses fiéis praticaram heroicamente as virtudes e viveram na fidelidade à graça de Deus, a Igreja reconhece o poder do Espírito de santidade que está nela, e ampara a esperança dos fiéis, propondo-lhes os santos como modelos e intercessores. «Os santos e santas foram sempre fonte e origem de renovação nos momentos mais difíceis da história da Igreja ». «A santidade é a fonte secreta e o padrão infalível da sua atividade apostólica e do seu dinamismo missionário».

829. «Na pessoa da Santíssima Virgem, a Igreja alcançou já aquela perfeição, sem mancha nem ruga, que lhe é própria. Mas os fiéis de Cristo têm ainda de trabalhar para crescer em santidade, vencendo o pecado. Por isso, levantam os olhos para Maria»: nela, a Igreja é já plenamente santa.

liturgia

III. A Igreja é católica

QUE QUER DIZER «CATÓLICA»?

830. A palavra «católico» significa «universal» no sentido de «segundo a totalidade» ou «segundo a integridade». A Igreja é católica num duplo sentido:

É católica porque Cristo está presente nela: «onde está Jesus Cristo, aí está a Igreja Católica» . Nela subsiste a plenitude do Corpo de Cristo unido à sua Cabeça , o que implica que ela receba d’Ele a «plenitude dos meios de salvação»  que Ele quis: confissão de fé recta e completa, vida sacramental integral e ministério ordenado na sucessão apostólica. Neste sentido fundamental, a Igreja era católica no dia de Pentecostes e sê-lo-á sempre até ao dia da Parusia.

831. É católica, porque Cristo a enviou em missão à universalidade do gênero humano :

«Todos os homens são chamados a fazer parte do povo de Deus. Por isso, permanecendo uno e único, este povo está destinado a estender-se a todo o mundo e por todos os séculos, para se cumprir o desígnio da vontade de Deus que, no princípio, criou a natureza humana na unidade e decidiu enfim reunir na unidade os seus filhos dispersos […]. Este carácter de universalidade que adorna o povo de Deus é dom do próprio Senhor. Graças a tal dom, a Igreja Católica tende a recapitular, eficaz e perpetuamente, a humanidade inteira, com todos os bens que ela contém, sob Cristo Cabeça, na unidade do Seu Espírito .

CADA UMA DAS IGREJAS PARTICULARES É «CATÓLICA»

832. «A Igreja de Cristo está verdadeiramente presente em todas as legítimas comunidades locais de fiéis que, unidas aos seus pastores, recebem, também elas, no Novo Testamento, o nome de Igrejas […]. Nelas, os fiéis são reunidos pela pregação do Evangelho de Cristo e é celebrado o mistério da Ceia do Senhor […]. Nestas comunidades, ainda que muitas vezes pequenas e pobres ou dispersas, está presente Cristo, por cujo poder se constitui a Igreja una, santa, católica e apostólica».

833. Entende-se por Igreja particular, que é em primeiro lugar a diocese (ou «eparquia»), uma comunidade de fiéis cristãos em comunhão de fé e de sacramentos com o seu bispo, ordenado na sucessão apostólica. Estas Igrejas particulares «são formadas à imagem da Igreja universal; é nelas e a partir delas que existe a Igreja Católica una e única».

834. As Igrejas particulares são plenamente católicas pela comunhão com uma de entre elas: a Igreja Romana, «que preside à caridade» . «Com esta Igreja, mais excelente por causa da sua origem, deve necessariamente estar de acordo toda a Igreja, isto é, os fiéis de toda a parte». «Desde que o Verbo Encarnado desceu até nós, todas as Igrejas cristãs de todo o mundo tiveram e têm a grande Igreja que vive aqui (em Roma)como única base e fundamento, porque, segundo as próprias promessas do Salvador, as portas do inferno nunca prevalecerão sobre ela».

835. «A Igreja universal não deve ser entendida como simples somatório ou, por assim dizer, federação de Igrejas particulares […]. Mas é antes a Igreja, universal por vocação e missão, que lançando raiz numa variedade de terrenos culturais, sociais e humanos, toma em cada parte do mundo aspectos e formas de expressão diversos» . A rica variedade de normas disciplinares, ritos litúrgicos, patrimônios teológicos e espirituais, próprios das Igrejas locais, «mostra da forma mais evidente, pela sua convergência na unidade, a catolicidade da Igreja indivisa».

QUEM PERTENCE À IGREJA CATÓLICA?

836. «Todos os homens são chamados […] à unidade católica do povo de Deus; de vários modos a ela pertencem, ou para ela estão ordenados, tanto os fiéis católicos como os outros que também acreditam em Cristo e, finalmente, todos os homens sem excepção, que a graça de Deus chama à salvação» :

837. «Estão plenamente incorporados na sociedade que é a Igreja aqueles que, tendo o Espírito de Cristo, aceitam toda a sua organização e todos os meios de salvação nela instituídos, e que, além disso, pelos laços da profissão de fé, dos sacramentos, do governo eclesiástico e da comunhão, estão unidos no todo visível da Igreja, com Cristo que a dirige por meio do Sumo Pontífice e dos bispos. Mas a incorporação não garante a salvação àquele que, por não perseverar na caridade, está no seio da Igreja «de corpo» mas não «de coração» .

838. «Com aqueles que, tendo sido baptizados, têm o belo nome de cristãos, embora não professem integralmente a fé ou não guardem a unidade de comunhão com o sucessor de Pedro, a Igreja sabe-se unida por múltiplas razões» . «Aqueles que crêem em Cristo e receberam validamente o Batismo encontram-se numa certa comunhão, embora imperfeita, com a Igreja Católica» . Quanto às Igrejas Ortodoxas, esta comunhão é tão profunda «que bem pouco lhes falta para atingir a plenitude, que permita uma celebração comum da Eucaristia do Senhor» .

A IGREJA E OS NÃO-CRISTÃOS

839. «Aqueles que ainda não receberam o Evangelho estão também, de uma de ou outra forma, ordenados ao povo de Deus» :

A relação da Igreja com o Povo Judaico. A Igreja, povo de Deus na nova Aliança, ao perscrutar o seu próprio mistério, descobre o laço que a une ao povo judaico, «a quem Deus falou primeiro». Ao invés das outras religiões não cristãs, a fé judaica é já uma resposta à revelação de Deus na antiga Aliança. É ao povo judaico que «pertencem a adoção filial, a glória, as alianças, a legislação, o culto, as promessas […] e os patriarcas; desse povo Cristo nasceu segundo a carne» (Rm 9, 4-5); porque «os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis» (Rm 11, 29).

840. Aliás, quando se considera o futuro, o povo de Deus da Antiga Aliança e o novo povo de Deus tendem para fins análogos: a esperança da vinda (ou do regresso) do Messias. Mas a esperança é, dum lado, a do regresso do Messias, morto e ressuscitado, reconhecido como Senhor e Filho de Deus: do outro, a da vinda no fim dos tempos do Messias, cujos traços permanecem velados – expectativa acompanhada pelo drama da ignorância ou do falso conhecimento de Cristo Jesus.

841. Relações da Igreja com os muçulmanos. «O desígnio de salvação envolve igualmente os que reconhecem o Criador, entre os quais, em primeiro lugar, os muçulmanos que declarando guardar a fé de Abraão, connosco adoram o Deus único e misericordioso que há-de julgar os homens no último dia» .

842.A ligação da Igreja com as religiões não cristãs é, antes de mais, a da origem e do fim comuns do género humano:

«De fato, todos os povos formam uma única comunidade; têm uma origem única, pois Deus fez que toda a raça humana habitasse à superfície da terra; têm também um único fim último, Deus, cuja providência, testemunhos de bondade e desígnio de salvação se estendem a todos, até que os eleitos sejam reunidos na cidade santa» .

843. A Igreja reconhece nas outras religiões a busca, «ainda nas sombras e sob imagens», do Deus desconhecido mas próximo, pois é Ele quem a todos dá vida, respiração e todas as coisas e quer que todos os homens se salvem. Assim, a Igreja considera tudo quanto nas outras religiões pode encontrar-se de bom e verdadeiro, «como uma preparação evangélica e um dom d’Aquele que ilumina todo o homem, para que, finalmente, tenha a vida».

844. Mas no seu comportamento religioso, os homens revelam também limites e erros que desfiguram neles a imagem de Deus:

«Muitas vezes, enganados pelo Maligno, transviaram-se nos seus raciocínios, trocando a verdade de Deus pela mentira. Preferindo o serviço da criatura ao do Criador, ou vivendo e morrendo sem Deus neste mundo, expuseram-se ao desespero final» .

845. Foi para reunir de novo todos os seus filhos, desorientados e dispersos pelo pecado, que o Pai quis reunir toda a humanidade na Igreja do seu Filho. A Igreja é o lugar onde a humanidade deve reencontrar a sua unidade e a salvação. Ela é «o mundo reconciliado»; é a nau que «navega segura neste mundo, ao sopro do Espírito Santo, sob a vela panda da Cruz do Senhor» . Segundo uma outra imagem, querida aos Padres da Igreja, ela é figurada pela arca de Noé, a única que salva do dilúvio.

«FORA DA IGREJA NÃO HÁ SALVAÇÃO»

846. Como deve entender-se esta afirmação, tantas vezes repetida pelos Padres da Igreja? Formulada de modo positivo, significa que toda a salvação vem de Cristo-Cabeça pela Igreja que é o seu Corpo:

O santo Concílio «ensina, apoiado na Sagrada Escritura e na Tradição, que esta Igreja, peregrina na terra, é necessária à salvação. De facto, só Cristo é mediador e caminho de salvação. Ora, Ele torna-Se-nos presente no seu Corpo, que é a Igreja. Ao afirmar-nos expressamente a necessidade da fé e do Batismo, Cristo confirma-nos, ao mesmo tempo, a necessidade da própria Igreja, na qual os homens entram pela porta do Batismo. É por isso que não se podem salvar aqueles que, não ignorando que Deus, por Jesus Cristo, fundou a Igreja Católica como necessária, se recusam a entrar nela ou a nela perseverar» .

847. Esta afirmação não visa aqueles que, sem culpa da sua parte, ignoram Cristo e a sua igreja:

«Com efeito, também podem conseguir a salvação eterna aqueles que, ignorando sem culpa o Evangelho de Cristo e a sua Igreja, no entanto procuram Deus com um coração sincero e se esforçam, sob o influxo da graça, por cumprir a sua vontade conhecida através do que a consciência lhes dita» .

848. «Muito embora Deus possa, por caminhos só d’Ele conhecidos, trazer à fé, «sem a qual é impossível agradar a Deus» , homens que, sem culpa sua, ignoram o Evangelho, a Igreja tem o dever e, ao mesmo tempo, o direito sagrado, de evangelizar» todos os homens.

IV. A Igreja é apostólica

857. A Igreja é apostólica, porque está fundada sobre os Apóstolos. E isso em três sentidos:

– foi e continua a ser construída sobre o «alicerce dos Apóstolos» (Ef 2, 20), testemunhas escolhidas e enviadas em missão pelo próprio Cristo;

– guarda e transmite, com a ajuda do Espírito Santo que nela habita, a doutrina , o bom depósito, as sãs palavras recebidas dos Apóstolos ;

-continua a ser ensinada, santificada e dirigida pelos Apóstolos até ao regresso de Cristo, graças àqueles que lhes sucedem no ofício pastoral: o colégio dos bispos, «assistido pelos presbíteros, em união com o sucessor de Pedro, pastor supremo da Igreja»:

«Pastor eterno, não abandonais o vosso rebanho, mas sempre o guardais e protegeis por meio dos santos Apóstolos, para que seja conduzido através dos tempos, pelos mesmos chefes que pusestes à sua frente como representantes do vosso Filho, Jesus Cristo» .

 

Resumindo:

866. A Igreja é una: tem um só Senhor, professa uma só fé, nasce dum só Batismo e forma um só Corpo, vivificado por um só Espírito, em vista duma única esperança , no termo da qual todas as divisões serão superadas.

867A Igreja é santa: é seu autor o Deus santíssimo; Cristo, seu Esposo, por ela Se entregou para a santificar; vivifica-a o Espírito de santidade. Embora encerra pecadores no seu seio, ela é «a sem-pecado feita de pecadores». Nos santos brilha a sua santidade; em Maria, ela é já totalmente santa.

868. A Igreja é católica: anuncia a totalidade da fé, tem à sua disposição e administra a plenitude dos meios de salvação; é enviada a todos os povos; dirige-se a todos os homens; abrange todos os tempos; «é, por sua própria natureza, missionária».

869A Igreja é apostólica: está edificada sobre alicerces duradouros, que são «os Doze apóstolos do Cordeiro»; é indestrutível é infalivelmente mantida na verdade: Cristo é quem a governa por meio de Pedro e dos outros apóstolos, presentes nos seus sucessores, o Papa e o colégio dos bispos.

870. «A única Igreja de Cristo, da qual professamos no Credo que é una, santa, católica e apostólica, […] é na Igreja Católica que subsiste, governada pelo sucessor de Pedro e pelos bispos que estão em comunhão com ele, embora numerosos elementos de santificação e de verdade se encontrem fora das suas estruturas» .

 

Ler:

  1. CREIO NA SANTA IGREJA CATÓLICA
  2. A IGREJA – POVO DE DEUS, CORPO DE CRISTO, TEMPLO DO ESPÍRITO SANTO

 

 

 

 

 

12º Encontro (Catequese) – Evangelho de Marcos

Série: Animo, uma nova Catequese (Encontro 12/40)

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Sugestão de folha de encontro (novo modelo)

 

Nosso encontro de número 12. É hora de perguntarmos como vai indo nossa vivência na fé. Momento oportuno para conversarmos e descobrirmos se estamos no caminho certo e se realmente estamos conseguindo transmitir tudo o que desejamos.

Como tem sido costume sempre indico que se comece com uma oração e nada melhor que se faça a oração do Pai Nosso, uma Ave Maria e o Vinde Espírito Santo, e logo depois possamos cantar uma música, como sugestão deixo Primeiro Passo de Agnaldo Moreno.

Depois podemos fazer um exercício de fé que consiste em dois momentos:

  1. Questionário para saber o que eles estão achando dos encontros e as sugestões
  2. Carta de intenção

Então vou explicar:

Questionário:

  • Nome
  • O que levou você a vir para a catequese? (deixar espaço para resposta)
  • Toda a sua família é católica? (deixar espaço para resposta)
  • Você é: batizado: Sim ( ) Não ( )    Fez a 1ª Eucaristia: Sim ( ) Não ( )
  • O que mais gosta nos encontros? (deixar espaço para resposta)
  • O que menos gosta? (deixar espaço para respostas)
  • O que gostaria que tivesse?(deixar espaço para resposta)
  • Sugestões de temas? (deixar espaço para resposta)
  • Entende o que os catequistas dizem? Sempre ( ) Nunca ( ) às vezes ( )
  • Cite o(s) encontro(s) que mais gostou até agora? (deixar espaço para resposta)
  • Você reza na sua casa? Sim ( ) Não ( )
  • Comenta sobre o que tem vivenciado com as outras pessoas? Sim ( ) Não ( )

O questionário serve como baliza para o grupo de catequistas e não para julgar ou avaliar os catequizandos, então a partir das respostas o grupo da Pastoral da Catequese deve se reunir e se autoavaliar levando em conta cada resposta e fazer as mudanças necessárias no modo de falar, se expressar e tudo o mais. Talvez nem seja preciso mudar nada, ou talvez seja necessário mudar muita coisa.

Carta de Intenção

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Esta é mais uma brincadeira que deve ser feita assim que terminar o questionário. Consiste em cada um escrever de próprio punho o que pretende mudar até o final da caminhada da catequese. A pessoa inicia escrevendo: Meu amigo Jesus até o final eu pretendo… Ai cada um coloca a data e depois colocam as cartas num envelope, coloca o próprio nome e lacra. Os catequistas pegam um envelope grande (tipo de documentos) colocam a data e todas as cartas dentro e também lacram. Este envelope só será aberto no penúltimo encontro da catequese e entregue carta por carta para que eles leiam e vejam se conseguiram atingir as mudanças que pretendiam.

No próximo momento a sugestão é desenvolver o tema, falando sobre a história de São Marcos e toda a história de seu evangelho. (Ver Aprofundamento para o Catequista e também os posts sobre estudo). Uma parte das sugestões é refletir a parábola que Jesus contou sobre o Buraco da Agulha

Na sequência é o momento de fazer o nosso canto final, e a sugestão de hoje é a bela Mensageiro da Paz (Jean Carlos) e logo depois é hora de fazer a nossa oração final, com a oração de São Marcos.

Letras das músicas sugeridas

(após pesquisa na internet não encontrei as letras publicadas por isso estou publicando neste espaço para facilitar a quem for produzir folhas de encontro)

Primeiro Passo/ Agnaldo Moreno

Vai-se o tempo e vem a certeza

De um dia te encontrar

Pra falar de coisas boas

Que me levaram a te amar

Caminhei por estradas loucas

Mas sabia que ia chegar

Ao teu lado pai querido

Para sempre me entregar

O caminho estava à frente

Mas não dava pra enxergar

Caminhei pelo relento

Como quis te encontrar

Mas Jesus foi me mostrando

Filho ai não podes ficar

Meu amor por ti é tanto

Me dê a mão vou te levar

Hoje tenho minha vida

Este amor pra te mostrar

Se Jesus me deu a mão

Porque pra ti ele não dará

Ele te ama aceite isso

É o primeiro passo para chegar

Ele te ama aceite isso,

É o primeiro , É o primeiro passo

Primeiro passo pra chegar

Mensageiro da Paz / Jean Carlos

Quando sinto o teu amor que me invade

E em meu peito a vontade

De dizer que és meu rei

Quero ser o teu filho querido,

Te dizer que és bendito

E a tua paz irei cantar

Quando o teu povo desanima

E em meu peito se aproxima

A vontade de chorar

Quero ser um simples mensageiro

De tua paz ao mundo inteiro

Teu amor irei levar

Sei que tudo pode ser real

Todo o povo sempre unido

Em um mesmo ideal

Quero ver o amanhã

Sempre a proclamar

Que a paz de Cristo está neste lugar

Aprofundamento para o catequista

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O objetivo do Evangelho de São Marcos é explicar: Quem é Jesus. Trazendo literalmente a tradução da palavra evangelho (boa nova) para a realidade. Esta boa noticia era a vida e obra de Jesus Cristo.

A tradição (e quando falo isso quero dizer a tradição oral e algumas coisas trazidas pelos evangelhos apócrifos) dão conta de que Marcos era primo de Barnabé que conhecia Jesus. O nome dele na verdade seria João Marcos e ele era praticamente uma criança quando Jesus pregava.

A casa dele foi lugar de muitos encontros de Jesus e seus discípulos pois a família dele era amiga de Pedro e por consequência ficou amiga do mestre. Seu primo Barnabé mais tarde seria um dos primeiros a confiar em Paulo. A tradição traz que teria sido na casa dele que foi realizada a última ceia.

Marcos tinha dinheiro e depois da ressurreição e ascensão de Cristo foi um dos primeiros companheiros de Pedro e Paulo, até que os dois se separaram por divergências sobre qual o melhor caminho para a evangelização. Marcos então se tronou seguidor de Pedro.

Os historiadores não tem dúvidas de que o primeiro evangelhos ser escrito foi o dele. Tanto que o texto de Lucas usou 2/3 e Mateus 95% do texto de Marcos para comporem seus respectivos evangelhos. Apesar disso o Evangelho de Marcos só tem 16 capítulos e é o mais curto de todos.

A igreja colocou Mateus primeiro, Marcos em segundo e Lucas em terceiro porquê estes 3 evangelhos são chamados de sinóticos (semelhantes ou iguais), já o evangelho de João é diferente destes apesar de se tratar dos mesmos fatos.

Marcos é representado por um leão porque começa narrando sua história pelo deserto, lugar onde este tipo de animal se encontra naquela região.

O dia de São Marcos é celebrado pela Igreja em 25 de abril, que teria sido o dia em que ele foi arrastado pelas ruas de Alexandria no seu martírio. Ele também é o padroeiro da cidade de Veneza, na Itália e lá sua igreja é considerada uma das mais belas e fantásticas igrejas já construídas.

Os Católicos Apostólicos Ortodoxos Gregos consideram Marcos o fundador da sua religião e o alicerce da sua igreja (assim como Pedro é o dos Católicos Apostólicos Romanos).

Mc 10, 17-27 O buraco da agulha

As cidades fortificadas tinham uma abertura que só os moradores conheciam chamada “agulha” que mediante uma senha o viajante montado em um cavalo ou camelo tinha que passar. Como era muito pequena e o animal tinha que se abaixar e passar quase rastejando. Então era muito difícil e só a usavam quem tinha viajado e desprevenido chegava altas horas da noite quando a muralha já estava fechada

Imagens Basílica de São Marcos em Veneza

 

 

 

 

Evangelho Segundo São Mateus

Animo, uma nova Catequese (Encontro 11/40 – Jesus Cristo – Complemento 6)

sao-mateus O Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus é o primeiro a aparecer no Novo Testamento, não porque foi o primeiro a ser escrito, mas sim por ser considerado o mais completo (tem 28 capítulos). “Composto conforme um plano bem claro, presta-se muito bem para a catequese. Imbuído de uma preocupação constante com a comunidade de fé, é o evangelho eclesial por excelência. A forma do evangelho que atualmente conhecemos, parece ter sido concebida para fortalecer na fé os cristãos de origem judaica, os quais estavam sendo pressionados para integrar o judaísmo que estava reorganizando-se depois da destruição do templo (70 d.C.). Mateus conscientiza os cristãos de que eles é que constituem o verdadeiro Israel, pois em Jesus a herança de Israel se tornou universal.” (Introdução ao Evangelho Segundo Mateus – Bíblia Sagrada – tradução da CNBB)

É importante frisar que Mateus foi um dos 12 apóstolos e juntamente com João foram os únicos dos evangelistas a realmente beberem da fonte da sabedoria de Jesus e a conviver com ele naqueles anos, praticamente desde o início da sua missão.

quadrocronológico do evangelho de mateus

Quadro cronológico do Evangelho de Mt

Uma das principais características deste evangelho são os 5 sermões que logo depois da narração da infância (ou parte dela) de Jesus (capítulos 1 e 2) permeiam a narração da vida, morte e ressurreição (capítulos 3 a 28). Uma curiosidade é que já existem estudos que falam sobre uma alusão destes sermões com os cinco rolos da Lei de Moisés já que praticamente todo o evangelho tenta mostrar que ser discípulo de Jesus  é a verdadeira maneira de realizar o objetivo da Lei: viver segundo a vontade de Deus. Jesus ensina a compreensão plena da Lei. (Mt 5, 17-20)

“Mateus usou como fonte o Evangelho de Marcos, composto por volta do ano 70. O autor relê e reescreve Marcos, abreviando ou acrescentando outros escritos (cf. Mc 6,30-44; Mt 14,13-21).

Em Mt 21,41 e 22,7, o autor alude a pormenores concretos da destruição de Jerusalém, a cidade santa, pelo exército romano em torno do ano 70.

No decorrer dos anos, com base na experiência e na vivência da comunidade, o Evangelho de Mateus considera, desenvolve e interpreta o desastre nacional como castigo de Deus, causado pelo pecado das elites religiosas ao rejeitar Jesus como Filho de Deus (Mt 24,1-31).

O capítulo 23 do Evangelho de Mateus evidencia o forte conflito dessas comunidades com os judeus fariseus (Mt 5,11-12; 10,17-23; 24,9-14). Mas o evangelho não chega a mencionar a expulsão dos judeu-cristãos da sinagoga, o que pode ter ocorrido por volta do ano 90 (cf. Lc 6,22; Jo 9,22; 16,2).

No fim do século I, as autoridades judaicas começaram a intensificar sua perseguição contra os grupos de judeus de tendências e tradições diferentes, especialmente contra os grupos cristãos da diáspora. As comunidades destinatárias do Evangelho de Mateus provavelmente viviam na Síria, em Antioquia. Eis alguns elementos que confirmam essa posição:

a) Em Mt 4,24, o autor relê Mc 1,28.39 e corrige “por toda a Síria”, ao invés de “por toda a Galileia”.

b) Inácio, bispo de Antioquia, martirizado por volta do ano 107 d.C., cita os textos de Mateus em suas cartas (cf. a Carta a Policarpo 2,2 e Mt 10,16b).

c) Até o momento atual, não há provas da existência de sinagogas na Galileia no primeiro século, nem antes desse período. As sinagogas surgiram fora da Palestina, na diáspora.

d) O Evangelho de Mateus atribui um papel importante a Pedro (Mt 14,28-31; 15,15; 16,22-23; 17,24-27; 18,21; 19,27), que atuou na igreja de Antioquia (cf. Gl 2,11-14).

2. Quem escreveu e para quem?

O Evangelho de Mateus é o primeiro livro do Novo Testamento, mas não foi o primeiro a ser escrito. Ele anuncia que Jesus é a realização das promessas do Antigo Testamento. Esse texto, provavelmente, constituiu a base de um conjunto de comunidades cristãs que chegaram até o fim do século II. E, por ter sido posto em primeiro lugar no cânon do Novo Testamento, deve ter sido um evangelho importante para aquele setor do cristianismo que se tornou religião oficial do império romano.

No grupo de Jesus, havia um discípulo que se chamava Mateus, nome que, em hebraico, significa “presente de Deus” e, em grego, é semelhante a mathetés, cujo sentido literal é “aprendiz”. Segundo a tradição da Igreja, o autor do evangelho seria esse Mateus. Pápias, bispo de Hierápolis, cidade da Ásia Menor, por volta do ano 130, atribui ao apóstolo Mateus a composição das palavras de Jesus. A discussão, porém, ainda continua em aberto.

A questão do nome do autor não é tão importante, pois, antes de sua redação final, os evangelhos foram ensinamentos catequéticos, orais ou escritos, sobre as palavras e os atos de Jesus. A forma como o evangelho chegou até nós é obra de um redator que organizou os documentos já existentes e elaborados comunitariamente. No caso de Mateus, o grupo de redatores seriam alguns escribas que no texto recebem destaque e são apresentados como discípulos de Jesus (Mt 8,19; 23,34).

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Estrutura do evangelho

A estruturação mais comum do Evangelho de Mateus é em cinco livros, com uma introdução sobre as origens de Jesus, os capítulos 1 e 2, e uma conclusão, com a narrativa da sua morte e ressurreição, nos capítulos 26 a 28. Cada um dos cinco livros contém uma parte narrativa e um discurso. Ao todo são dez partes. É uma forma de Mateus relembrar às suas comunidades o Pentateuco (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio) e as dez palavras do Sinai ou os dez mandamentos, apresentando Jesus como o novo Moisés.

Visualizando a estrutura:

– Introdução (1-2)

– Jesus dentro da história do povo de Deus (1,1-17).

– Jesus: um novo começo dentro de um novo Êxodo (1,18-2,23).

Primeira parte: A justiça do Reino de Deus (37)

Narração: Jesus traz o Reino de Deus (3-4).

Discurso: O sermão da montanha (5-7) – condições para entrar no Reino.

Segunda parte: Uma justiça que liberta os pobres (810)

Narração: os milagres, sinais do Reino (8-9).

Discurso: A missão (10) – como anunciar o Reino.

Terceira parte: Uma justiça que provoca conflitos (11,1-13,52)

Narração: as reações diante da prática de Jesus (1112).

Discurso: As parábolas do Reino (13,1-52) – o mistério do Reino.

Quarta parte: O novo povo de Deus (13,53-18,35)

Narração: o seguimento de Jesus (13,53-17,27).

Discurso: A comunidade dos seguidores (18,1-35) – sinal do Reino.

Quinta parte: A vinda definitiva do Reino (19-25)

Narração: o Reino é para todos os que se converterem (19-23).

Discurso: a vigilância (24-25) – o futuro do Reino.

Conclusão: A páscoa da libertação (2628).

6. Principais mensagens do Evangelho de Mateus

No Evangelho de Mateus, Jesus é o Emanuel (Mt 1,23) e se faz presente na comunidade reunida em oração: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles” (Mt 18,20). Ele garante a sua presença constante na vida das pessoas: “E eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28,20). Jesus é o Mestre que nos convida a viver a justiça e a misericórdia! Com base em alguns textos exclusivos do Evangelho de Mateus, é possível entender o projeto das comunidades que receberam esse evangelho e alguns dos principais ensinamentos de Jesus transmitidos por elas e dirigidos também às nossas comunidades hoje.” (Extraído do site Vida Pastoral)

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É neste evangelho que encontramos a lista mais bem elaborada do chamado dos discípulos.

  • Sermão da Montanha (Mt 5-7)
  • Sermão da Missão (Mt 10)
  • Sermão das Parábolas (Mt 13)
  • Sermão da Comunidade (Mt 18)
  • Sermão Escatológico (Mt 24-25)

Na liturgia o Evangelho de Mateus é o lido no ano A do tempo comum.

Parábolas:

Mateus traz várias parábolas, sendo apenas 11 exclusivas (sem registro nos evangelhos sinóticos de Lucas e Marcos)

  1. As bodas (Mt 22,1-14);
  2. A lâmpada embaixo da mesa (Mt 4, 21-23)
  3. A casa vazia (Mt 12,43-45);
  4. Coisas novas e velhas (Mt 13, 51-52);
  5. O credor incompassivo (Mt 18,23-35);
  6. As dez virgens (Mt 25,1-13);
  7. Os dois alicerces (Mt 7.24- 27)
  8. Os dois filhos (Mt 21,28-32);
  9. O fermento (Mt 13,33);
  10. A figueira (Mt 24,32-33);
  11. O joio (Mt 13,24-30,36-43);
  12. Os lavradores maus (Mt 21,33-46);
  13. Os meninos na praça (Mt 11,16-19);
  14. O pai vigilante (Mt 24,42-44);
  15. A pedra rejeitada (Mt 21,42-44);
  16. A pérola de grande valor (Mt 13,45-46);
  17. A rede (Mt 13,47-50);
  18. O semeador (Mt 13,3-9,18-23);
  19. A semente de mostarda (Mt 13,31-32)
  20. A ovelha perdida (Mt 18, 12-14)
  21. O servo fiel (Mt 24,45-51);
  22. Os talentos (Mt 25,14-30);
  23. O tesouro escondido (Mt 13,44);
  24. Os trabalhadores da vinha (Mt 20,1-16);
  25. As ovelhas e as cabras (Mt 25,31-36)
  26. Um cego que guia outro cego (Mt 15,14)
  27. Remendo novo, vinho novo (Mt 9, 16-17)

A palavra portuguesa parábola deriva-se do termo grego parabolh, ; parabolé, ou seja, “pôr ao lado de”, “comparar”. A palavra hebraica é lv’m’ ; mashal, tem sua raiz etimológica derivada de um verbo hebraico que quer dizer “ser como”, denotando uma símile ou analogia; tudo indica que no Antigo Testamento a palavra poderia ser também aplicada para “historias curtas”, mas também possui outros significados.

Vários ícones medievais sobre Mateus

Curas e Milagres

Encontramos também no Evangelho de Mateus uma grande exposição de ensinos sobre curas e milagres. Alguns dos grandes milagres operados por Jesus e relatados nesse Evangelho são:

Cura do leproso 8,1-4
Cura do servo do centurião 8,5-13
Cura da sogra de Pedro 8,14-17
Exorcismo ao anoitecer 8,16-17
Acalmando a tempestade 8,23-27
Endemoniado gadareno 8,28-34
Paralítico em Cafarnaum 9,1-8
Filha de Jairo 9,18-26
Mulher com sangramento 9,20-22
Dois cegos da Galileia 9,27-31
Exorcismo do mudo 9,32-34
Homem com a mão mirrada 12,9-13
Exorcismo de homem cego e mudo 12,22-28
Alimentando 5000 pessoas 14,13-21
Caminhando sobre as águas 14,22-33
Cura em Genesaré 14,34-36
Filha da mulher canaanita 15,21-28
Alimentando os 4000 seguidores 15,32-39

Transfiguração de Jesus 17,1-13
Menino possuído pelo Demônio 17,14-21
Moeda na boca do peixe 17,24-27
Cego próximo a Jericó 20,29-34
Amaldiçoando a figueira 21,18-22

Cada um dos evangelistas é identificado por um simbolo. Estes quatro símbolos se encontram na visão que o profeta Ezequiel teve  (Ez 1, 5 – 12). O profeta vislumbra a Glória de Deus sobre um carro (em hebraico: merkabah). E o carro tinha quatro rodas imensas que iam da terra ao céu. E em cada roda havia uma figura: a de um anjo, a de um leão, a de um boi, e a de uma águia.

 

O texto esta Assim descrito:

Distinguia-se no centro a imagem de quatro seres que aparentavam possuir forma humana. Cada um tinha quatro faces e quatro asas. Suas pernas eram direitas e as plantas de seus pés se assemelhavam às do touro, e cintilavam como bronze polido. De seus quatro lados mãos humanas saíam por debaixo de suas asas. Todos os quatro possuíam rostos, e asas. Suas asas tocavam uma na outra. Quando se locomoviam, não se voltavam: cada um andava para a frente. Quanto ao aspecto de seus rostos tinham todos eles figura humana, todos os quatro uma face de leão pela direita, todos os quatro uma face de touro pela esquerda, e todos os quatro uma face de águia. Eis o que havia no tocante as suas faces. Suas asas estendiam-se para o alto; cada qual tinha duas asas que tocavam às dos outros, e duas que lhe cobriam o corpo. Cada qual caminhava para a frente: iam para o lado aonde os impelia o espírito; não se voltavam quando iam andando.

Com o passar do tempo a tradição cristã conferiu aos evangelistas o simbolismo desses quatro animais. São Jerônimo, tradutor da Bíblia do Hebraico para o Latim viu neste simbolismo com clareza, o indicativo dos quatro Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João).

Interessante que na Catedral Metropolitana de Campinas, uma das igrejas mais antigas do estado de São Paulo e uma das poucas que restam feitas sobre taipa de pilão os quatro evangelistas estão representados no alto da igreja, junto com seus respectivos símbolos. (Veja a foto da fachada e o detalhe de Mateus).

Quem foi Mateus

O Evangelho segundo Marcos conta assim a chamada de Mateus: E tornou a sair para a beira-mar, e toda a multidão ia até ele; e ele os ensinava. Ao passar, viu Levi, o filho de Alfeu, sentado na coletoria, e disse-lhe: “segue-me”. Ele se levantou e o seguiu (Marcos 2,13-14). O seu nome aparece nas 3 listas dos apóstolos que temos (Mateus 10,3; Marcos 3,18 e Lucas 6,15). Além disso, ele também é mencionado em Atos 1,13 como membro da comunidade que continuou perseverante após a morte de Cristo.
Mateus era um cobrador de impostos. O império romano tinha pessoas espalhadas pelo reino encarregadas de recolher as taxas que o povo devia ao imperador. Essas pessoas, obviamente, não eram bem-vistas pelos próprios conterrâneos. Muitas vezes eram exploradores e cometiam injustiças. Além disso, os sacerdotes, por respeito ao primeiro mandamento, proibiam aos judeus de tocarem as moedas do império, pois traziam a imagem do imperador. Por conseqüência, os cobradores de impostos, que as tocavam com freqüência, eram considerados pecadores.

Da atividade de Mateus após o Pentecostes, logo depois da ascensão de Jesus ao céu, conhecemos muito pouco. Existe algumas correntes que dizem que o discipulo ficou na região da Judéia por mais 15 anos pregando e depois foi para a Etiópia. Recorrendo a uma tradição antiga que relata Mateus como chefe missionário. Ele não teria comparecido diante dos juízes para dar testemunho. Outras fontes, ao invés, menos verídicas, difundem-se na narração dos sofrimentos e do martírio de Mateus, dando conta de que ele foi apedrejado, queimado e decapitado na Etiópia, de onde as relíquias teriam sido transportadas, primeiro para Paetum, no Golfo de Salerno e no século X para Salerno, onde até hoje são honradas

O dia oficial de São Mateus é 21 de Setembro

São Mateus, Mateus Evangelista ou Mateus Apóstolo (מתי/מתתיהו, “Dom de Javé ou “Presente de Deus”, hebraico padrão e vocalização de Tibérias: Mattay ou Mattiyahu; grego da Septuaginta Ματθαιος, Matthaios; grego moderno: Ματθαίος, Matthaíos) é, pelo relato dos Padres da Igreja, o autor do Evangelho de Mateus e um dos Doze Apóstolo

Fontes pesquisadas:

  • Vida Pastoral
  • Bíblia Sagrada – CNBB
  • Wikipedia
  • Livro: Como Ler os evangelhos – Félix Moracho – Paulus Editora
  • Livro: Como Ler o Evangelho de Mateus – Ivo Storniolo – Paulus Editora
  • Catecismo da Igreja Católica
  • Bíblia.org
  • Livro: Um Santo Para Cada Dia – Mario Sgarbosa e Luigi Giovannini – Edições Paulinas