Feliz Ano Novo em Cristo

Formação: Ano Litúrgico

O admirabile commercium! Creator generis humani, anima corpus sumens, de Virgine nasci digna tus est; et procedens homo sine semine, largitus est nobis suam deitatem.

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O Ano Litúrgico de 2019 acabou e se inicia um novo ano no dia 1 de dezembro com o Primeiro Domingo do Advento. Será o Ano A (Mateus), ou seja a grande maioria das leituras do ano será tirada do Evangelho de Mateus.

Vale dizer que o ano B é o Evangelho de Marcos e o ano C é o Evangelho de Lucas. Já o Evangelho de São João é reservado para as ocasiões especiais, principalmente as grandes Festas e Solenidades. Para este Evangelho não existe um Ano Litúrgico.

Pela tradição este é o dia correto para se montar a sua árvore de Natal e decorar sua casa. Para quem é católico pelo menos. Infelizmente as pessoas seguem o que diz os shoppings e as propagandas e começam a decorar suas casas para o Natal ainda em novembro. É pecado? Não. Apenas demonstra que está faltando mais atenção nas missas e talvez você não tenha feito uma boa catequese. Na melhor das hipóteses você se esqueceu do que aprendeu (acho difícil).

Pois bem o Advento é a preparação para o nascimento de Jesus (a memória). São 4 domingos em que a igreja se prepara de maneira especial para a segunda grande celebração do ano litúrgico: o nascimento de Jesus. A primeira é a Imaculada Conceição de Nossa Senhora (8 de dezembro).

O Advento também marca o início do novo ano da igreja Católica. Em 2019 foi no dia 1º de dezembro, em 2020 será em 29 de novembro, sempre quatro domingos antes do dia 25 de dezembro.

O ano civil continua e só termina no dia 31 de dezembro, e as pessoas comemoram muitas vezes enlouquecidamente. Pior, a maioria são católicos que não percebem que o nosso novo ano já se iniciou.

A maioria das grandes religiões tem uma data especifica para marcar o início do ano. Os judeus comemoram o  , os indianos o , budistas , muçulmanos  .

Com o início do Advento também se inicia o Ano Litúrgico, que são ciclos dentro da igreja para se rezar e evangelizar através da Palavra de Deus. Sendo que estes ciclos são divididos entre: Tempo do Advento, Tempo do Natal, Primeira Parte do Tempo Comum, Tempo da Quaresma, Tempo Pascal e Segunda Parte do Tempo Comum. O ano litúrgico termina com a Festa de Cristo Rei.

Interessante se pensar que o ano litúrgico começa logo com Maria, mãe de Jesus. “Ao celebrar o ciclo anual dos mistérios de Cristo, a santa Igreja venera com particular amor a bem-aventurada mãe de Deus, Maria, que por um vínculo indissolúvel está unida à obra salvífica de seu Filho; em Maria a Igreja admira e exalta o mais excelente fruto da redenção e a contempla com alegria como puríssima imagem do que ela própria anseia e espera ser em sua totalidade. ” (CIC 1172)

A preparação para a vinda de Jesus atravessou séculos e foi preparada de tal maneira por Deus, que cada fato na história da fé está intimamente ligada ao ápice do nascimento de Jesus. (Vide CIC 522-524).

Até mesmo a cena do nascimento numa manjedoura e numa família pobre mostra muita coisa, abre e deixa claro que a salvação é para todos e mesmo os mais humildes e pobres serão agraciados. “Tornar-se criança” em relação a Deus é a condição para entrar no Reino; para isso é preciso humilhar-se, tornar-se pequeno; mais ainda: é preciso “nascer do alto” (Jo 3,7), “nascer de Deus” para tornar-nos filhos de Deus. O mistério do Natal realiza-se em nós quando Cristo “toma forma” em nós. (CIC 525-526).

Então não é um tempo sem sentido, e a preparação deve ser ainda mais intensa.

Geralmente são realizadas novenas natalinas nas casas e assim a igreja sai do seu ponto estático (o Templo) e leva esta palavra as casas dos fiéis. Penetra nas famílias levando o Advento também para os lares. Muito como um convite a vir visitar a casa de Jesus, ou melhor, visitar e esperar o nascimento do Senhor. Assim como a estrela guiou os reis pelo deserto, as novenas e principalmente os domingos do Advento são o brilho desta estrela que repousará sobre cada um e também sobre a manjedoura que acolhe o próprio Deus encarnado como homem.

Então Feliz Ano Novo cristão.

E descubra todo o significado do Advento participando das Missas e abrindo sua casa para as novenas de Natal. O que você chama de Espírito Natalino é nada mais, nada menos que a acolhida da Sagrada Família à espera da memória do nascimento de Jesus.

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Como é Calculado o Ano Litúrgico?

Muito simples, apenas somando os algarismos do ano. Para se determinar qual é o Ano A, B ou C, procede-se da maneira seguinte: Pela letra C, designa-se o ano cujo número for divisível por três, como se o ciclo começasse no primeiro ano da contagem cristã. Deste modo, o Ano 1 teria sido o Ano A, o Ano 2 o Ano B, o Ano 3 o Ano C, e os Anos 6, 9, 12… novamente o Ano C. O ano em que a soma dos algarismos for um número múltiplo de 3 é do ciclo C.

Seguindo este critério temos: 2017 = 2+0+1+7= 10 (9, múltiplo de 3, + 1), portanto, foi Ano A. O ano seguinte, 2018, logicamente, Ano B. E o ano litúrgico de 2019 será o ano C, por ser múltiplo de 3. Não existe erro! É fácil.

É evidente que cada ciclo se desenvolve conforme a estrutura do ano litúrgico, isto é, a partir da primeira semana do Advento, que ocorre no ano civil anterior.

“As leituras Bíblicas que ocorrem nas celebrações, caracterizam-se com o chamado Ano Litúrgico, criado para acompanharmos através das leituras dos textos bíblicos (Evangelho e outros livros), a vida de Jesus em ordem cronológica do nascimento até a ascensão aos céus. Assim, ouvimos nas celebrações textos que falam do anúncio do Messias, da encarnação, de seu ministério público com milagres, do chamado ao discipulado, discursos, parábolas até culminarmos com Sua morte e ressurreição nos preparando para a Parusia, ou seja, do Cristo Rei do Universo no final do ano litúrgico.

Ano Litúrgico passa por três ciclos, também chamado de anos A, B, C. Em cada ano tem uma sequência de leituras próprias, ou seja, leituras para o ano A, para o ano B e para o ano C. A ideia desta distribuição de textos bíblicos ao longo de três anos tem como objetivo se ter uma visão e leitura de toda a Bíblia.” (trecho de texto do site Rumo a Santidade)

Constituição Sacrosanctum Concilium determinou:

«Prepare se para os fiéis, com maior abundância, a mesa da Palavra de Deus: abram se mais largamente os tesouros da Bíblia, de modo que, dentro de um período de tempo estabelecido, sejam lidas ao povo as partes mais importantes da Sagrada Escritura»

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Tempo do Natal (Catecismo da Igreja Católica)

522 A vinda do Filho de Deus à terra é um acontecimento de tal imensidão que Deus quis prepará-lo durante séculos. Ritos e sacrifícios, figuras e símbolos da “Primeira Aliança”, tudo ele faz convergir para Cristo; anuncia-o pela boca dos profetas que se sucedem em Israel. Desperta, além disso, no coração dos pagãos a obscura expectativa desta vinda. (Parágrafos relacionados: 711,762)

523 São João Batista é o precursor imediato do Senhor, enviado para preparar-lhe o caminho.

“Profeta do Altíssimo” (Lc 1,76), ele supera todos os profetas, deles é o último, inaugura o Evangelho; saúda a vinda de Cristo desde o seio de sua mãe e encontra sua alegria em ser “o amigo do esposo” (Jo 3,29), que designa como “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29). Precedendo a Jesus “com o espírito e o poder de Elias” (Lc 1,17), dá-lhe testemunho por sua pregação, seu batismo de conversão e, finalmente, seu martírio. (Parágrafos relacionados: 712,720)

524 Ao celebrar cada ano a liturgia do Advento, a Igreja atualiza esta espera do Messias: comungando com a longa preparação da primeira vinda do Salvador, os fiéis renovam o ardente desejo de sua Segunda Vinda. Pela celebração da natividade e do martírio do Precursor, a Igreja se une a seu desejo: “É preciso que Ele cresça e que eu diminua” (Jo 3,30). (Parágrafo relacionado: 1171)

O MISTÉRIO DO NATAL

525 Jesus nasceu na humildade de um estábulo, em uma família pobre; as primeiras testemunhas do evento são simples pastores. É nesta pobreza que se manifesta a glória do Céu. A Igreja não se cansa de cantar a glória dessa noite: Hoje a Virgem traz ao mundo o Eterno. (Parágrafos relacionados: 437,2443)

E a terra oferece uma gruta ao Inacessível.

Os anjos e os pastores o louvam

E os magos caminham com a estrela.

Pois Vós nascestes por nós, Menino, Deus eterno!

526 “Tornar-se criança” em relação a Deus é a condição para entrar no Reino; para isso é preciso humilhar-se, tornar-se pequeno; mais ainda: é preciso “nascer do alto” (Jo 3,7), “nascer de Deus” para tornar-nos filhos de Deus. O mistério do Natal realiza-se em nós quando Cristo “toma forma” em nós. O Natal é o mistério deste “admirável intercâmbio:

O admirabile commercium! Creator generis humani, anima corpus sumens, de Virgine nasci digna tus est; et procedens homo sine semine, largitus est nobis suam deitatem (Admirável intercâmbio! O Criador da humanidade, assumindo corpo e dignou-se nascer de uma Virgem; e, tomando-se homem intervenção do homem, nos doou sua própria divindade!)

O ANO LITÚRGICO

1168 Partindo do tríduo pascal, como de sua fonte de luz, o tempo novo da Ressurreição enche todo o ano litúrgico com sua claridade. Aproximando-se progressivamente de ambas as vertentes desta fonte, o ano é transfigurado pela liturgia. É realmente “ano de graça do Senhor”. A economia da salvação está em ação moldura do tempo, mas desde a sua realização na Páscoa de Jesus e a efusão do Espírito Santo o fim da história é antecipado, “em antegozo”, e o Reino de Deus penetra nosso tempo.

1169 Por isso, a páscoa não é simplesmente uma festa entre outras: é a “festa das festas”,

“solenidade das solenidades”, como a Eucaristia é o sacramento dos sacramentos (o grande sacramento). Santo Atanásio a denomina “o grande domingo como a semana santa é chamada no Oriente “a grande semana”. O mistério da ressurreição, no qual Cristo esmagou a morte, penetra nosso velho tempo com sua poderosa energia até que tudo lhe seja submetido.

1170 No Concílio de Nicéia (em 325), todas as Igrejas chegaram a um acordo acerca de que a páscoa cristã fosse celebrada no domingo que segue a lua cheia (14 Nisan) depois do equinócio de primavera. Por causa dos diversos métodos utilizados para calcular o dia 14 de mês de Nisan, o dia da Páscoa nem sempre ocorre simultaneamente nas Igrejas ocidentais e orientais. Por isso busca-se um acordo, a fim de se chegar novamente a celebrar em uma data comum o dia da Ressurreição do Senhor.

1171 O ano litúrgico é o desdobramento dos diversos aspectos do único mistério pascal. Isto vale muito particularmente para o ciclo das festas em tomo do mistério da encarnação (Anunciação, Natal, Epifania) que comemoram o começo de nossa salvação e nos comunicam as primícias do Mistério da Páscoa.

O SANTORAL NO ANO LITÚRGICO

1172 “Ao celebrar o ciclo anual dos mistérios de Cristo, a santa Igreja venera com particular amor a bem-aventurada mãe de Deus, Maria, que por um vínculo indissolúvel está unida à obra salvífica de seu Filho; em Maria a Igreja admira e exalta o mais excelente fruto da redenção e a contempla com alegria como puríssima imagem do que ela própria anseia e espera ser em sua totalidade. ”

1193 O domingo, “dia do Senhor”, é o dia principal da celebração da Eucaristia por ser o dia da ressurreição. É o dia da assembleia litúrgica por excelência, o dia da família cristã, o dia da alegria e do descanso do trabalho. O domingo é “o fundamento e o núcleo do ano litúrgico”.

2698 A Tradição da Igreja propõe aos fiéis ritmos de oração destinados a nutrir a oração continua. Alguns são cotidianos: a oração da manhã e da tarde, antes e depois das refeições, a Liturgia das Horas. O domingo, centrado na Eucaristia, é santificado principalmente pela oração. O ciclo do ano litúrgico e suas grandes festas são os ritmos fundamentais da vida de oração dos Cristãos.

1438 Os tempos e os dias de penitência ao longo do ano litúrgico (o tempo da

Quaresma, cada sexta-feira em memória da morte do Senhor) são momentos fortes da prática penitencial da Igreja. Esses tempos são particularmente apropriados aos exercícios espirituais, às liturgias penitenciais, às peregrinações em sinal de penitência, às privações voluntárias como o jejum e a esmola, à partilha fraterna (obras de caridade e missionárias).

Ano Litúrgico 2020

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Estudo Bíblico: Epístola de Filêmon

Estudo Bíblico: Epístola de Filêmon

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“Filêmon, 1 1.Paulo, prisioneiro de Jesus Cristo, e seu irmão Timóteo, a Filêmon, nosso muito amado colaborador, 2.a Ápia, nossa irmã, a Arquipo, nosso companheiro de armas, e à igreja que se reúne em tua casa. 3.A vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e da parte do Senhor Jesus Cristo! 4.Não cesso de dar graças a meu Deus e lembrar-me de ti nas minhas orações, 5.ao receber notícia da tua caridade e da fé que tens no Senhor Jesus e para com todos os santos, 6.para que esta tua fé, que compartilhas conosco, seja atuante e faça conhecer todo o bem que se realiza entre nós por causa de Cristo. 7.Tua caridade me trouxe grande alegria e conforto, porque os corações dos santos encontraram alívio por teu intermédio, irmão. 8.Por esse motivo, se bem que eu tenha plena autoridade em Cristo para prescrever-te o que é da tua obrigação, 9.prefiro fazer apenas um apelo à tua caridade. Eu, Paulo, idoso como estou, e agora preso por Jesus Cristo, 10.venho suplicar-te em favor deste filho meu, que gerei na prisão, Onésimo.* 11.Ele poderá ter sido de pouca serventia para ti, mas agora será muito útil tanto a ti como a mim.* 12.Torno a enviá-lo para junto de ti, e é como se fora o meu próprio coração. 13.Quisera conservá-lo comigo, para que em teu nome ele continuasse a assistir-me nesta minha prisão pelo Evangelho. 14.Mas, sem o teu consentimento, nada quis resolver, para que tenhas ocasião de praticar o bem (em meu favor), não por imposição, mas sim de livre vontade. 15.Se ele se apartou de ti por algum tempo, foi sem dúvida para que o pudesses reaver para sempre. 16.Agora, não já como escravo, mas bem mais do que escravo, como irmão caríssimo, meu e sobretudo teu, tanto por interesses temporais como no Senhor. 17.Portanto, se me tens por amigo, recebe-o como a mim. 18.Se ele te causou qualquer prejuízo ou está devendo alguma coisa, lança isso em minha conta. 19.Eu, Paulo, escrevo de próprio punho: Eu pagarei. Para não te dizer que tu mesmo te deves inteiramente a mim! 20.Sim, irmão, quisera eu receber de ti esta alegria no Senhor! Dá esta alegria ao meu coração, em Cristo! 21.Eu te escrevi, certo de que me atenderás e sabendo que farás ainda mais do que estou pedindo.* 22.Ao mesmo tempo, prepara-me pousada, porque espero, pelas vossas orações, ser-vos restituído em breve. 23.Enviam-te saudações Epa­fras, meu companheiro de prisão em Cristo Jesus, 24.assim como Marcos, Aristarco, Demas e Lucas, meus colaboradores. 25.A graça do Senhor Jesus Cristo esteja com o vosso espírito!” Filêmon, 1 – Bíblia Católica Online

“1,10. Meu filho que gerei: São Paulo, convertendo este escravo fugitivo, tornara-se seu pai espiritual, “gerando-o” para a vida da graça. Expressões figuradas frequentes em São Paulo (N. do Tr.). 1,11. Muito útil: jogo de palavras com o nome próprio Onésimo, que em grego significa útil. O escravo, que assim se chamava, tinha abandonado seu senhor Filêmon, sem dúvida levando consigo objetos de valor. Convertido por São Paulo, estava ele agora disposto a voltar a seu serviço na casa do seu antigo senhor. 1,21. Mais do que estou pedindo: libertando o escravo recuperado.”

 

Epístola a Filemon, geralmente referida apenas como Filemon (ou Filémon), é o décimo-oitavo livro do Novo Testamento da Bíblia. Faz parte do chamado corpus paulinum, o grupo de cartas escritas pelo (ou associadas ao) apóstolo Paulo.

A Carta a Filemon, ou Epístola a Filemon é uma das 13 cartas escritas por Paulo, a mais breve e pessoal é uma carta escrita de seu próprio punho, envolvendo Onésimo um escravo fugitivo e dirigida a Filemon, seu patrão. (Fm 1, 2, 19) A época mais provável da escrita desta carta é por volta de 60-61 d.C., o apóstolo Paulo tinha a esperança de ser “posto em liberdade” (v. 22) da prisão.

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Papiro 87 (nos numerais de GregoryAland), designado por {\displaystyle {\mathfrak {P}}}87, é um antigo papiro do Novo Testamento. Ele é o mais antigo manuscrito conhecido da Epístola a Filemon. Os textos que sobreviveram de Filemon são os versos 13-15, 24-25.

 

 

A carta inicia-se com uma apresentação (Fl 1,1-3). Logo após, há os agradecimentos a Filemon por seu amor e por sua  (Fl 1,4-7). A parte central da carta é o pedido feito a Filemon a respeito do escravo Onésimo. Este havia fugido e, neste ínterim, se convertido ao cristianismo. Paulo, então, pede a Filemon que perdoe Onésimo e o acolha como um irmão em Cristo (vv. 8-22) (1,8-22). Por fim, há as saudações finais (Fl 1,23) e uma bênção (Fl 1,25).

Logo nos dois primeiros versículos da carta já fica claro a quem ela foi endereçada. O destinatário principal é Filêmon, sendo também citada na Epístola a sua família (Ápia e Arquipo), além da “igreja que está em sua casa”. A forma plural “vós” presente no versículo 3 demonstra que além do destinatário principal, outras pessoas deveriam tomar conhecimento do conteúdo da carta. Talvez o Apóstolo Paulo tivesse a intenção de fazer com que a igreja soubesse do assunto tratado na carta, na esperança de que eles considerassem Filêmon responsável por atender ao pedido que ele estava fazendo.

Dois temas são explorados no conteúdo desta carta: 1. a necessidade do perdão. 2. A aplicação dos valores cristãos à realidade social (especificamente, ao problema da escravidão).

  1. O perdão é também essência dos que comungam da mesma fé. Faz parte dos ensinamentos de Cristo e como Filêmon fazia parte dos convertidos e era, sem dúvida, membro abastado da igreja que se formava, Paulo lembra e cobra sutilmente a postura do perdão que todo cristão deve ter. A expressão da espiritualidade cristã precisava ser traduzida no perdão: esta é a essência do apelo de Paulo a Filêmon. Empregando um trocadilho, o apóstolo escreve acerca de Onésimo, cujo nome significa “útil”, que Ele, antes, te foi inútil; atualmente, porém, é útil, a ti e a mim (Filêmon 1,11), ou seja, as relações mudaram: a utilidade de Onésimo para a Igreja era, agora, maior que para o próprio Filêmon. Perdoar seu escravo fugitivo era prestar um serviço à Igreja.
  2. É estranho ver Paulo falando da escravidão com tanta naturalidade. Mas devemos lembrar que ainda se tratavam de judeus e outros povos recém convertidos ao cristianismo, e a escravidão ainda era comum entre eles. Muitas vezes uma pessoa contraia uma dívida muito alta e trocava a prisão ou a morte por ser escravo (isso também causava um prejuízo grande ao ser que se sujeitava e era até comum este ser vitima de violência e humilhação). Paulo não propõe uma subversão desta instituição característica do período. O cristianismo, ao que parece, não deveria alterar os modelos sociais vigentes. Uma mudança interior de atitude era o que se requeria. Esta mudança interior em Filêmon seria mais importante do que qualquer mudança na própria instituição da escravidão. Por mais estranho e absurdo que pareça.

Há uma conexão grande entre as cartas a Filêmon e aos Colossenses. Além do estilo semelhante, as mesmas pessoas mencionadas em Filêmon (como o próprio Onésimo, Arquipo e Lucas, por exemplo) aparecem também em Colossenses. Isto leva a crer que as duas cartas foram escritas na mesma época, provavelmente entre os anos 59 e 61, período em que Paulo estava preso em Roma. Também dá margem a se imaginar que Filêmon fizesse parte da comunidade de Colossos.

Filemon é uma epístola dirigida a um indivíduo específico. Um escravo seu, chamado Onésimo, havia fugido aparentemente depois de um roubo (cf. Filêmon 1,18). Em situação desconhecida, Onésimo conheceu Paulo e, pelo testemunho deste, acabou por se converter Fl 1,10).

Paulo solicita, então, por meio da carta, que Filemon receba seu escravo fugitivo de volta não como um servo, mas como um irmão. Dois elementos são notáveis aí: Paulo não usa de sua autoridade apostólica (Fl 1, 8-14); e Paulo não pede a libertação de Onésimo. Ele apela à consciência de Filêmon para que o perdoe, ainda que o mantivesse como seu servo, porém indica que Onésimo deva ser tratado como irmão.

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Este é um Estudo Bíblico sobre o Epístola de Filêmon  A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o Epístola de Filêmon  (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja mas é ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia, apenas como incentivo. 

Lembrando que tudo isso é sugestão e a preparação de quem vai coordenar este círculo é importante.

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

 

Estudo Bíblico: Epístola de Judas Tadeu

Estudo Bíblico: Livro de Judas

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São Judas Tadeu, por Georges de La Tour. ca. 1615 – 1620

“São Judas, 1 1.Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago, aos eleitos bem-amados em Deus Pai e reservados para Jesus Cristo. 2.Que a misericórdia, a paz e o amor se realizem em vós copiosamente. 3.Caríssimos, estando eu muito preocupado em vos escrever a respeito da nossa comum salvação, senti a necessidade de dirigir-vos esta carta para exortar-vos a pelejar pela fé, confiada de uma vez para sempre aos santos. 4.Pois certos homens ímpios se introduziram furtivamente entre nós, os quais desde muito tempo estão destinados para este julgamento; eles transformam em dissolução a graça de nosso Deus e negam Jesus Cristo, nosso único Mestre e Senhor. 5.Quisera trazer-vos à memória, embora saibais todas estas coisas: o Senhor, depois de ter salvo o povo da terra do Egito, fez em seguida perecer os incrédulos. 6.Os anjos que não tinham guardado a dignidade de sua classe, mas abandonado os seus tronos, ele os guardou com laços eternos nas trevas para o julgamento do Grande Dia. 7.Da mesma forma Sodoma, Gomor­ra e as cidades circunvizinhas, que praticaram as mesmas impurezas e se entregaram a vícios contra a natureza, jazem lá como exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno. 8.Assim também estes homens, em seu louco desvario, contaminam igualmente a carne, desprezam a soberania e maldizem as glórias.* 9.Ora, quando o arcanjo Miguel discutia com o demônio e lhe disputava o corpo de Moisés, não ousou fulminar contra ele uma sentença de execração, mas disse somente: Que o próprio Senhor te repreenda!* 10.Estes, porém, falam mal do que ignoram. Encontram eles a sua perdição naquilo que não conhecem, senão de um modo natural, à maneira dos animais destituídos de razão. 11.Ai deles, porque andaram pelo caminho de Caim, e por amor do lucro caíram no erro de Balaão e pereceram na revolta de Coré.* 12.Esses fazem escândalos nos vossos ágapes. Banqueteiam-se convosco despudoradamente e se saciam a si mesmos. São nuvens sem água, que os ventos levam! Árvores de fim de outono, sem fruto, duas vezes mortas, desarraigadas! 13.Ondas furiosas do mar, que arrojam as espumas da sua torpeza! Estrelas errantes, para as quais está reservada a escuridão das trevas para toda a eternidade! 14.Também Henoc, que foi o oitavo patriarca depois de Adão, profetizou a respeito deles, dizendo: Eis que veio o Senhor entre milhares de seus santos* 15.para julgar a todos e confundir a todos os ímpios por causa das obras de impiedade que praticaram, e por causa de todas as palavras injuriosas que eles, ímpios, têm proferido contra Deus. 16.Estes são murmuradores descontentes, homens que vivem segundo as suas paixões, cuja boca profere palavras soberbas e que admiram os demais por interesse. 17.Mas vós, caríssimos, lembrai-vos das palavras que vos foram preditas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo, 18.os quais vos diziam: “No fim dos tempos virão impostores, que viverão segundo as suas ímpias paixões; 19.homens que semeiam a discórdia, homens sensuais que não têm o Espírito”.* 20.Mas vós, caríssimos, edificai-vos mutuamente sobre o fundamento da vossa santíssima fé. Orai no Espírito Santo. 21.Conservai-vos no amor de Deus, aguardando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna. 22.Para com uns exercei a vossa misericórdia, repreendendo-os,* 23.e salvai-os, arrebatando-os do fogo. Dos demais tende compaixão, repassada de temor, detestando até a túnica manchada pela carne. 24.Àquele, que é poderoso para nos preservar de toda queda e nos apresentar diante de sua glória, imaculados e cheios de alegria, 25.ao Deus único, Salvador nosso, por Jesus Cristo, Senhor nosso, sejam dadas glória, magnificência, império e poder desde antes de todos os tempos, agora e para sempre. Amém.” (São Judas, 1 – Bíblia Católica Online)

“1,8. Soberania: soberania divina. As glórias: os anjos caídos. 1,9. Alusão a uma tradição judaica – Ascensão de Moisés – que os livros santos não mencionam em nenhuma parte. 1,11. Ver Nm 24 e 16; Gn 4. 1,14. Palavras tiradas do livro de Henoc, escrito judaico não inspirado. 1,19. Que semeiam a discórdia; outra tradução possível: que fazem distinções (entre alimentos puros e impuros). 1,22. O texto deste versículo e do seguinte é bastante incerto.”

Quem foi São Judas?

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Seu nome era Judas Tadeu. A pregação e o testemunho de Judas Tadeu impressionavam os pagãos que logo se convertiam. Não deve ser confundido com Judas Iscariotes, o apóstolo que traiu Jesus. Nasceu em Caná de Galileia, na Palestina. Filho de Alfeu e Maria Cleofas. Era irmão de Thiago, José, Simão e Maria Salomé. Thiago foi um dos doze apóstolos de Jesus Cristo e se tornou o primeiro bispo de Jerusalém. José era conhecido como o justo. Simão foi o segundo Bispo de Jerusalém. São Judas Tadeu foi um apóstolo de Cristo. Era primo de Jesus. Sua mãe Maria era prima de Maria Santíssima e o pai Alfeu era irmão de São José. Sua mãe e sua irmã foram citadas como as Marias (nome comum à época) que visitaram o túmulo de Jesus e descobriram que havia sumido e depois o encontraram na estrada (apesar de que os relatos dos 4 evangelistas diferem sobre quais estavam lá). Salomé lavou os pés de Jesus.

Nas Escrituras, João Evangelista relata que na última ceia, São Judas perguntou ao seu mestre: “Senhor, por que razão hás de manifestar-te a nós e não ao mundo?” Jesus lhe responde afirmando que teriam manifestações dele todos os que guardassem suas palavras e permanecessem fies a seu amor. Um dos discípulos a quem Jesus apareceu no caminho de Emaús no dia da ressurreição junto com maria e outras Marias provavelmente sua mãe e irmã.

É um dos doze citados nominalmente por Mateus e Marcos, em seus Evangelhos, e um dos mais fervorosos do grupo. Depois da ascensão de Jesus e que os Apóstolos receberam o Espírito Santo, no Cenáculo em Jerusalém, iniciou a pregação de sua fé no meio dos maiores sofrimentos e perseguições, pela Galileia. Depois viajou para a Samaria e outras populações judaicas divulgando o Evangelho. Tomou parte no primeiro Concílio de Jerusalém e em seguida passou evangelizando pela Mesopotâmia, atual Pérsia, Edessa, Arábia e Síria. Destacou-se principalmente na Armênia, Síria e Norte da Pérsia, sendo o primeiro a manifestar apoio ao rei estrangeiro, Algar de Edessa.

Na Mesopotâmia ganhou a companhia de outro apóstolo, Simão o Zelota, aparentemente viajando em companhia de quinto Apóstolo a ir ao Oriente. Segundo relata São Jerônimo, ambos foram martirizados cruelmente quando estavam na Pérsia, mortos a golpes de machado, desferidos por sacerdotes pagãos, por se recusarem a prestar culto à deusa Diana. Assim, na igreja ocidental, os dois santos são celebrados juntos em 28 de outubro. A Igreja Ortodoxa Grega, contudo, distingue Judas de Tadeu, celebrando Judas, “irmão” de Jesus, em 19 de junho, e o apóstolo Tadeu em 21 de agosto.

É invocado como advogado das causas desesperadas e dos supremos momentos de angústia. Essa devoção surgiu na França e na Alemanha no fim do século XVIII. No Brasil, a devoção a esse santo é muito popular e surgiu no início do século XX. Devido à forma como foi martirizado, sempre é representado em suas imagens segurando um livro, simbolizando a palavra que anunciou, e uma machadinha, o instrumento de seu martírio. Suas relíquias atualmente são veneradas na Basílica de São Pedro, em Roma. Sua festa litúrgica celebra-se, todos os anos, na provável data de sua morte: 28 de outubro. (E-Biografias)

Parecia muito com Jesus

São Judas Tadeu normalmente é representado com uma medalha no peito, com o rosto de Cristo impresso. Isto acontece porque se parecia com Jesus fisicamente e também espiritualmente. Além disso, o santo carrega uma chama de fogo na cabeça a qual manifesta que recebeu o Espírito Santo em Pentecostes.

Outros escultores o mostram levando uma Bíblia em referência ao livro que leva seu nome. Em sua mão aparece uma machadinha, referente ao seu martírio, ou um cajado como símbolo das grandes distâncias que percorria enquanto pregava.

Morreu mártir junto com São Simão

São Judas Tadeu pregou primeiro na Judeia, em seguida foi para a Mesopotâmia e finalmente a Pérsia, lugar no qual se reuniu com o apóstolo São Simão e juntos combateram as heresias de Zaroes e Arfexat, dois sacerdotes pagãos que levantaram o povo contra as obras dos apóstolos. Ambos os apóstolos receberam juntos a coroa do martírio e, por isso, a Igreja os celebra no mesmo dia. As relíquias dos santos estão em um altar da Basílica de São Pedro no Vaticano.

Teve uma visão de Jesus antes de morrer

Antes de morrer, São Judas olhou para São Simão e lhe disse que viu o Senhor que os chamava para Ele. Segundo a antiga tradição, mataram São Simão cortando seu corpo em dois e cortaram a cabeça de São Judas Tadeu com uma machadinha.

A Igreja não avaliza as polêmicas correntes de oração

Normalmente, circulam pela Internet e em papéis deixados nas casas ou nos templos, uma suposta “corrente ou Novena Milagrosa a São Judas Tadeu”, a qual exige que o conteúdo seja compartilhado a um número determinado de pessoas e dentro de um período de tempo para obter bênçãos e ameaça com males aqueles que não o façam. A origem é desconhecida, mas a Igreja não avaliza estas iniciativas.

A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o Livro de São Judas (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja mas é ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia, apenas como incentivo. 

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

Reflita

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Apesar de ser colocado na Bíblia como um livro, trata-se de uma carta (uma epístola) escrita por São Judas para a comunidade que estava sendo influenciada por homens que queriam desacreditar as pessoas sobre Jesus Cristo. Podemos usar como metáfora, o fato de muitas vezes estarmos dentro da igreja, comungando a nossa fé e quem é de fora tentar nos desviar do caminho e nos fazer ter sérias dúvidas sobre o que acreditamos. Como se o chamado mundano (do mundo) pudesse tirar-nos do caminho da fé. Os versículos 17 a 22 orientam sobre como proceder e não dar ouvidos aos que querem nos desviar do caminho de Deus. Em suma é uma carta para ser refletida a luz do nosso mundo atual onde cada vez mais a velocidade do dia e as pessoas que não querem acreditar em nada estão influenciando tudo, cabe a cada um permanecer na fé.

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Epístola de Judas não se refere ao apóstolo Judas, mas ao discípulo com o mesmo nome. O primeiro livro do Novo Testamento da Bíblia foi escrito, provavelmente, por volta do ano 65 depois de Cristo. Entretanto alguns acreditam o que texto teria sido escrito um pouco depois, entre 66 e 67, em função das semelhanças com a carta escrita por Pedro. Só que uma terceira corrente de pesquisadores argumenta que a explicação para os dois textos estaria em uma fonte única utilizada por Judas e por Pedro na qual leram informações sobre o risco dos falsos mestres. De todo modo, esse primeiro livro do Novo Testamento, a Epístola de Judas, é um texto escrito por Judas irmão de Tiago. Esse Judas era também meio-irmão do próprio Jesus Cristo. Ou seja, nada tem a ver com o famoso Judas apóstolo, conhecido por trair Jesus.

Epístola de Judas é um texto escrito por um discípulo tendo como supostos destinatários ou judeus convertidos ao cristianismo espalhados pela Ásia Menor. O texto, contudo, não oferece afirmativas ou informações que permitam afirmar claramente o destino da escritura. É uma suposição que parece ser a mais plausível porque o texto permite a compreensão de que os destinatários são conhecedores do Antigo Testamento e das tradições judaicas. Mas, mesmo que os destinatários não sejam claramente conhecidos, o motivo do texto é evidente: alertar contra mestres imorais e contra as heresias que colocam a fé dos cristãos em risco. Há um enfoque também contra a apostasia, pois na época havia uma onda de abandono da fé.

Constituída de um único capítulo e de apenas 25 versículos, há uma curta introdução sobre o perigo dos homens perversos. Uma curiosidade é a citação do livro apócrifo de Enoque, que gera muitas dúvidas nos pesquisadores sobre como teria sido o contato de Judas com esse conhecimento. Há também uma chamativa passagem que envolve o diabo e o Arcanjo Miguel sobre a tomada do corpo de Moisés. Em resumo, é um texto pequeno que alguns acreditam ser baseado em relatos de Jesus Cristo para seus discípulos, dentre os quais estava Judas.

Mulheres na Ressurreição de Cristo

Personagens: As Mulheres e o sepulcro vazio

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As mulheres foram as primeiras a receberem e darem a noticia da ressurreição de Jesus Cristo, fato este relatado pelos 4 evangelhos e que não pode ser contestado em nenhum momento.

A cena é sempre a mesma: o túmulo vazio, e um ou dois anjos em vestes alvas e resplandecentes, que anunciam que o Senhor está vivo e pedem às mulheres que contem a boa nova aos demais apóstolos. Quando são avisados da ressurreição, os doze discípulos não acreditam. No evangelho de João, Maria vai até Pedro e João alertá-los que o corpo de Jesus desapareceu. Os dois encontram o túmulo vazio, e apenas João tem a absoluta certeza que o Cristo renasceu dos mortos, cumprindo o que dissera. No evangelho de Lucas, apenas Pedro vai até o sepulcro.

De qualquer maneira, nos evangelhos sinópticos, podemos notar a proeminência que Maria Madalena tem sobre as demais mulheres, sendo as transmissoras da Boa Nova, ou o Evangelho, aos demais discípulos que se tornarão os apóstolos do Cristo.

Mt 28, 1 – 10 : “1.Depois do sábado, quando amanhecia o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o túmulo. 2.E eis que houve um violento tremor de terra: um anjo do Senhor desceu do céu, rolou a pedra e sentou-se sobre ela. 3.Resplandecia como relâmpago e suas vestes eram brancas como a neve. 4.Vendo isso, os guardas pensaram que morreriam de pavor. 5.Mas o anjo disse às mulheres: “Não temais! Sei que procurais Jesus, que foi crucificado. 6.Não está aqui: ressuscitou como disse. Vinde e vede o lugar em que ele repousou. 7.Ide depressa e dizei aos discípulos que ele ressuscitou dos mortos. Ele vos precede na Galileia. Lá o haveis de rever, eu vo-lo disse”. 8.Elas se afastaram prontamente do túmulo com certo receio, mas ao mesmo tempo com alegria, e correram a dar a Boa-Nova aos discípulos. 9.Nesse momento, Jesus apresentou-se diante delas e disse-lhes: “Salve!”. Aproximaram-se elas e, prostradas diante dele, beijaram-lhe os pés. 10.Disse-lhes Jesus: “Não temais! Ide dizer aos meus irmãos que se dirijam à Galileia, pois é lá que eles me verão”.” São Mateus, 28 – Bíblia Católica Online

Mc 16, 1-10:”1.Passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para ungir Jesus. 2.E no primeiro dia da semana, foram muito cedo ao sepulcro, mal o sol havia despontado.* 3.E diziam entre si: “Quem removerá a pedra do sepulcro para nós?”. 4.Levantando os olhos, elas viram removida a pedra, que era muito grande. 5.Entrando no sepulcro, viram, sentado do lado direito, um jovem, vestido de roupas brancas, e assustaram-se. 6.Ele lhes falou: “Não tenhais medo. Buscais Jesus de Nazaré, que foi crucificado. Ele ressuscitou, já não está aqui. Eis o lugar onde o depositaram. 7.Mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele vos precede na Galileia. Lá o vereis como vos disse”. 8.Elas saíram do sepulcro e fugiram trêmulas e amedrontadas. E a ninguém disseram coisa alguma por causa do medo. 9.Tendo Jesus ressuscitado de manhã, no primeiro dia da semana apareceu primeiramente a Maria de Magdala, de quem tinha expulsado sete demônios.* 10.Foi ela noticiá-lo aos que estiveram com ele, os quais estavam aflitos e chorosos.”  São Marcos, 16 – Bíblia Católica Online

Lc 24, 1 – 10 : “1.No primeiro dia da semana, muito cedo, dirigiram-se ao sepulcro com os aromas que haviam preparado. 2.Acharam a pedra removida longe da abertura do sepulcro. 3.Entraram, mas não encontraram o corpo do Senhor Jesus. 4.Não sabiam elas o que pensar, quando apareceram em frente delas dois personagens com vestes resplandecentes. 5.Como estivessem amedrontadas e voltassem o rosto para o chão, disseram-lhes eles: “Por que buscais entre os mortos aquele que está vivo? 6.Não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos de como ele vos disse, quando ainda estava na Galileia: 7.O Filho do Homem deve ser entregue nas mãos dos pecadores e crucificado, mas ressuscitará ao terceiro dia”. 8.Então, elas se lembraram das palavras de Jesus. 9.Voltando do sepulcro, contaram tudo isso aos Onze e a todos os demais. 10.Eram elas Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago; as outras suas amigas relataram aos apóstolos a mesma coisa.” 
São Lucas, 24 – Bíblia Católica Online

Jo 20, 1 – 2: “1.No primeiro dia que se seguia ao sábado, Maria Madalena foi ao sepulcro, de manhã cedo, quando ainda estava escuro. Viu a pedra removida do sepulcro. 2.Correu e foi dizer a Simão Pedro e ao outro discípulo a quem Jesus amava: “Tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram!”.” São João, 20 – Bíblia Católica Online

 

as mulheres no sepulcro

Podemos analisar as informações com atenção: Mateus diz que Maria Madalena e a “outra” Maria (sem explicar se seria Maria, mãe de Jesus) foram ao túmulo quando amanhecia o primeiro dia da semana. Já Marcos fala que no primeiro dia da semana Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé foram ao túmulo bem cedo quando o sol mal havia despontado, mas também diz que quando Jesus ressuscitou apareceu primeiro a Maria de Magdala (dando a entender que esta seria outra Maria e não Maria Madalena, mas na verdade este trecho é de um manuscrito mais antigo). Lucas fala que no primeiro dia da semana Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago foram bem cedo ao sepulcro, mas fala também que “as outras suas amigas” contaram aos discípulos então teriam outra mulheres. João é mais sucinto e fala apenas de Maria Madalena indo ao túmulo.

Podemos considerar, baseando-se nas narrativas que ocorreram três visitações das mulheres ao sepulcro e elas tiveram a primazia de descobrirem a ressurreição e também foram as primeiras a encontrar Jesus novamente vivo.

Vou usar como cronologia:

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  1. A primeira visita é a de Maria Madalena que foi narrada por João e Marcos reforça isso no versículo 9.
  2. Mateus narra a segunda visitação, quando Maria Madalena foi novamente ao
    sepulcro, mas desta vez acompanhada da outra Maria, e já estava “ficando claro”
  3. Marcos e Lucas narram a terceira visita ao sepulcro, a qual fora realizada pelas mulheres. Marcos cita Maria Madalena, Salomé e Maria, mãe de Tiago e Lucas diz que eram Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago, mas podemos concluir que sejam as mesmas por causa dos aromas que elas tinham comprado e preparado ou que ao invés de 3 eram 4 já que Lucas ainda fala de outras amigas.

Maria Madalena é citada em todos os Evangelhos, porém Maria, mãe de Jesus, não aparece em nenhum dos relatos.

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Quando as mulheres retornam do cemitério após a devoção da Páscoa, elas trouxeram notícias sobre o túmulo vazio e reportaram que “Ele não está lá e ressuscitou!”. Os apóstolos ficaram incrédulos, com alguns estudiosos atribuindo a falta de entusiasmo ao fato de a mensagem ter chegado através de mulheres. Flávio Josefo escreveu que a tradição judaica afirmava: “Não permita que evidências sejam aceitas através das mulheres por causa de sua leviandade e da temeridade de seu sexo.”

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A morte não o segurou

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“Ressuscitou como disse… Aleluia! A vida venceu a morte!”

Padre César Augusto dos Santos – Cidade do Vaticano
“Quando acreditarmos no poder de Deus e formos mais irmãos, adeptos da partilha e do serviço, perceberemos os sinais da Vida a todo momento, pois estaremos desde agora vivendo à luz de Deus. Feliz Páscoa a todos!”

O Evangelho de São João nos diz que no primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de Jesus e o encontrou vazio. João faz questão de ressaltar que era de madrugada e ainda estava escuro. Podemos perceber que o evangelista ao registrar que o fato aconteceu no primeiro dia da semana, quer fazer alusão à nova criação. O que ele vai relatar é uma novidade radical, é a vida nova de um homem, não um fato como a denominada ressurreição de Lázaro, que volta à vida, mas continua submetido à necessidade de cuidar de sua saúde, de se alimentar e que voltará a morrer.

João vai relatar a autêntica ressurreição, a vitória de Jesus sobre as limitações humanas, sobre suas fragilidades, sobre a morte. Jesus jamais voltará a morrer. A morte nunca mais terá poder sobre ele, porque ele, a Vida, a destruiu.

Contudo, Maria Madalena, apesar de ter escutado várias vezes Jesus dizer que ressuscitaria, a dor da morte é tal que ela se esquece das palavras do Mestre.

Apesar do corpo de Jesus já ter sido ungido na sexta-feira por José de Arimatéia e por Nicodemos, ela não consegue ficar longe do corpo morto do Senhor. A escuridão enfatizada no texto é um símbolo do estado interior de Maria. Ela está com uma vida sem sentido, sem alegria. Seus grande libertador, seu grande amigo está morto. Ela vai ao sepulcro quando ainda está escuro, na natureza e no seu interior. Mas seu coração está iluminado pelo amor, por isso ela vai até ao sepulcro.

Ela o encontra vazio. Sente-se despontada e mais desolada, perdida e impotente. Maria Madalena busca o cadáver de Jesus. Ela esqueceu totalmente a promessa dele de que iria ressuscitar.

Ela olha para o sepulcro vazio e vê dois anjos, um na cabeceira e outro nos pés. O evangelista quer nos recordar os dois anjos que foram colocados, um à cabeceira e outro aos pés da arca da aliança. Jesus é a nova aliança. Por isso a aliança de Jesus Cristo é eterna, pois ele ressuscitou.

Mas Madalena, abalada pela dor não reconhece os sinais e só vê o sepucro vazio. Somente após a segunda pergunta de Jesus, ao ouvi-lo pronunciar seu nome e deixar de olhar para o sepulcro e voltar-se para o lado contrário é que ela vê o ressuscitado.

Como Maria Madalena, também nós só veremos os sinais da ressurreição, quando levantarmos nossos olhos dos sinais de morte, e dirigirmos nosso coração para a VIDA. Enquanto estivermos afeiçoados àquilo que é egoísmo, ambição, ira, não perceberemos que a Vida está à nossa frente, e sofreremos as consequências da opção pelos atrativos mortais. Ao contrário, quando acreditarmos no poder de Deus e formos mais irmãos, adeptos da partilha e do serviço, perceberemos os sinais da Vida a todo momento, pois estaremos desde agora vivendo à luz de Deus.

Feliz Páscoa a todos!

Fonte: Vatican News

A Via-Sacra segundo os Evangelhos

Via-Sacra 

São Josão Paulo II

Beato Papa João Paulo II

A devoção da Via-Sacra consiste na oração mental de acompanhar o Senhor Jesus em seus sofrimentos conhecidos como a Paixão de Nosso Senhor, desde o Tribunal de Pilatos até o Monte Calvário.

Essa meditação teve origem no tempo das Cruzadas (século X). Os fiéis, que peregrinavam à Terra Santa e visitavam os lugares sagrados da Paixão de Jesus, continuaram recordando os passos da Via Dolorosa de Jerusalém em suas pátrias, unindo essa devoção à Paixão.

O Santo Padre João Paulo II introduziu nova seqüência das cenas na Via Sacra que é promovida no Coliseu, em Roma, optando pelas narrações dos Evangelistas. É esta sucessão que estamos propondo aqui, com as próprias palavras da Sagrada Escritura.

As novas Estações são:

1. Jesus ora no Horto de Getsêmani, Monte das Oliveiras
Mt 26,36-46; Mc 14,32; Lc 22,39; Jo 18,1

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“36.Retirou-se Jesus com eles para um lugar chamado Getsêmani e disse-lhes: “Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar…* 37.E, tomando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. 38.Disse-lhes, então: “Minha alma está triste até a morte. Ficai aqui e vigiai comigo”. 39.Adiantou-se um pouco e, prostrando-se com a face por terra, assim rezou: “Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia, não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres”. 40.Foi ter então com os discípulos e os encontrou dormindo. E disse a Pedro: “Então, não pudestes vigiar uma hora comigo… 41.Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca”. 42.Afastou-se pela segunda vez e orou, dizendo: “Meu Pai, se não é possível que este cálice passe sem que eu o beba, faça-se a tua vontade!” 43.Voltou ainda e os encontrou novamente dormindo, porque seus olhos estavam pesados. 44.Deixou-os e foi orar pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras. 45.Voltou, então, para os seus discípulos e disse-lhes: “Dormi agora e repousai! Chegou a hora: o Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores… 46.Levantai-vos, vamos! Aquele que me trai está perto daqui”.”

“32.Foram em seguida para o lugar chamado Getsêmani, e Jesus disse a seus discípulos: “Sentai-vos aqui, enquanto vou orar”.”

“39.Conforme o seu costume, Jesus saiu dali e dirigiu-se para o monte das Oliveiras, seguido dos seus discípulos.”

“1.Depois dessas palavras, Jesus saiu com os seus discípulos para além da torrente de Cedron, onde havia um jardim, no qual entrou com os seus discípulos.”

2. Jesus, traído por Judas, é aprisionado
Mt 26,47-56; Mc 14,43; Lc 22,47; Jo 18,2

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“47.Jesus ainda falava, quando veio Judas, um dos Doze, e com ele uma multidão de gente armada de espadas e cacetes, enviada pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo. 48.O traidor combinara com eles este sinal: “Aquele que eu beijar, é ele. Prendei-o!”. 49.Aproximou-se imediatamente de Jesus e disse: “Salve, Mestre”. E beijou-o. 50.Disse-lhe Jesus: “É, então, para isso que vens aqui?”. Em seguida, adiantaram-se eles e lançaram mão em Jesus para prendê-lo. 51.Mas um dos companheiros de Jesus desembainhou a espada e feriu um servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha. 52.Jesus, no entanto, lhe disse: “Embainha tua espada, porque todos aqueles que usarem da espada, pela espada morrerão. 53.Crês tu que não posso invocar meu Pai e ele não me enviaria imediatamente mais de doze legiões de anjos? 54.Mas como se cumpririam então as Escrituras, segundo as quais é preciso que seja assim?”. 55.Depois, voltando-se para a turba, falou: “Saístes armados de espadas e porretes para prender-me, como se eu fosse um malfeitor. Entretanto, todos os dias estava eu sentado entre vós ensinando no templo e não me prendestes.”

“43.Ainda falava, quando chegou Judas Iscariotes, um dos Doze, e com ele um bando armado de espadas e cacetes, enviado pelos sumos sacerdotes, escribas e anciãos.”

“47.Ele ainda falava, quando apareceu uma multidão de gente; e à testa deles vinha um dos Doze, que se chamava Judas. Achegou-se de Jesus para o beijar.”

“2.Judas, o traidor, conhecia também aquele lugar, porque Jesus ia frequentemente para lá com os seus discípulos”

3. A condenação de Jesus perante o Sinédrio
Mt 26,57-66; Mc 14,53; Lc 22,54; Jo 18,19

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“57.Os que haviam prendido Jesus levaram-no à casa do sumo sacerdote Caifás, onde estavam reunidos os escribas e os anciãos do povo. 58.Pedro seguia-o de longe, até o pátio do sumo sacerdote. Entrou e sentou-se junto aos criados para ver como terminaria aquilo. 59.Enquanto isso, os príncipes dos sacerdotes e todo o conselho procuravam um falso testemunho contra Jesus, a fim de o levarem à morte. 60.Mas não o conseguiram, embora se apresentassem muitas falsas testemunhas. 61.Por fim, apresentaram-se duas testemunhas, que disseram: “Este homem disse: Posso destruir o Templo de Deus e reedificá-lo em três dias”.* 62.Levantou-se o sumo sacerdote e lhe perguntou: “Nada tens a responder ao que essa gente depõe contra ti?”. 63.Jesus, no entanto, permanecia calado. Disse-lhe o sumo sacerdote: “Por Deus vivo, conjuro-te que nos digas se és o Cristo, o Filho de Deus?”. 64.Jesus respondeu: “Sim. Além disso, eu vos declaro que vereis doravante o Filho do Homem sentar-se à direita do Todo-poderoso, e voltar sobre as nuvens do céu”. 65.A essas palavras, o sumo sacerdote rasgou suas vestes, exclamando: “Que necessidade temos ainda de testemunhas? Acabastes de ouvir a blasfêmia! 66.Qual o vosso parecer?”. Eles responderam: “Merece a morte”

“53.Conduziram Jesus à casa do sumo sacerdote, onde se reuniram todos os sacerdotes, escribas e anciãos.”

“54.Prenderam-no então e conduziram-no à casa do príncipe dos sacerdotes. Pedro seguia-o de longe.”

“19.O sumo sacerdote indagou de Jesus acerca dos seus discípulos e da sua doutrina.”

4. As negações do Apóstolo Pedro
Mt 26,69-75; Mc 14,66; Lc 22,55; Jo 18,15

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“69.Enquanto isso, Pedro estava sentado no pátio. Aproximou-se dele uma das servas, dizendo: “Também tu estavas com Jesus, o Galileu”. 70.Mas ele negou publicamente, nestes termos: “Não sei o que dizes”. 71.Dirigia-se ele para a porta, a fim de sair, quando outra criada o viu e disse aos que lá estavam: “Este homem também estava com Jesus de Nazaré”. 72.Pedro, pela segunda vez, negou com juramento: “Eu nem conheço tal homem”. 73.Pouco depois, os que ali estavam aproximaram-se de Pedro e disseram: “Sim, tu és daqueles; teu modo de falar te dá a conhecer”. 74.Pedro, então, começou a fazer imprecações, jurando que nem sequer conhecia tal homem. E, neste momento, cantou o galo. 75.Pedro recordou-se do que Jesus lhe dissera: “Antes que o galo cante, tu me negarás três vezes”. E saindo, chorou amargamente.”

“66.Estando Pedro embaixo, no pátio, veio uma das criadas do sumo sacerdote.”

“55.Acenderam um fogo no meio do pátio, e sentaram-se em redor. Pedro veio sentar-se com eles.”

“15.Simão Pedro seguia Jesus, e mais outro discípulo. Este discípulo era conhecido do sumo sacerdote e entrou com Jesus no pátio da casa do sumo sacerdote,”

5. Jesus entregue a Pilatos
Jo 18,28; Mt 27,11; Mc 15,2; Lc 23,2

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“28.Da casa de Caifás conduziram Jesus ao pretório. Era de manhã cedo. Mas os judeus não entraram no pretório, para não se contaminarem e poderem comer a Páscoa.*”

“11.Jesus compareceu diante do governador, que o interrogou: “És o rei dos judeus?”. “Sim” –, respondeu-lhe Jesus.” 

“2.Este lhe perguntou: “És tu o rei dos judeus?”. Ele lhe respondeu: “Sim”.”

“2.e puseram-se a acusá-lo: “Temos encontrado este homem excitando o povo à revolta, proibindo pagar imposto ao imperador e dizendo-se Messias e rei”.”

6. A flagelação e a coroação de espinhos de Jesus. Ludíbrio.
Jo 19,1; Mt 27,24; Mc 15,15; Lc 23,24

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“1.Pilatos mandou então flagelar Jesus.”

“24.Pilatos viu que nada adiantava, mas que, ao contrário, o tumulto crescia. Fez com que lhe trouxessem água, lavou as mãos diante do povo e disse: “Sou inocente do sangue deste homem. Isto é lá convosco!”.” 

“15.Querendo Pilatos satisfazer o povo, soltou-lhes Barrabás e entregou Jesus, depois de açoitado, para que fosse crucificado. (= Mt 27,27-31 = Jo 19,2s)”

“24.Pilatos pronunciou então a sentença que lhes satisfazia o desejo.”

7. Jesus carrega a Cruz
Lc 23,25; Mt 27,31; Mc 15,20; Jo 19,16

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“25.Soltou-lhes aquele que eles reclamavam e que havia sido lançado ao cárcere por causa do homicídio e da revolta, e entregou Jesus à vontade deles”

“31.Depois de escarnecerem dele, tiraram-lhe o manto e entregaram-lhe as vestes. Em seguida, levaram-no para o crucificar.” 

“20.Depois de terem escarnecido dele, tiraram-lhe a púrpura, deram-lhe de novo as vestes e conduziram-no fora para o crucificar.”

“16.Entregou-o então a eles para que fosse crucificado.”

8. Jesus e Simão Cirineu
Lc 23,26; Mt 27,32; Mc 15,21

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“26.Enquanto o conduziam, detiveram um certo Simão de Cirene, que voltava do campo, e impuseram-lhe a cruz para que a carregasse atrás de Jesus.”

“32.Saindo, encontraram um homem de Cirene, chamado Simão, a quem obrigaram a levar a cruz de Jesus.” 

“21.Passava por ali certo homem de Cirene, chamado Simão, que vinha do campo, pai de Alexandre e de Rufo, e obrigaram-no a que lhe levasse a cruz.”

 

9. O encontro de Jesus com as mulheres de Jerusalém
Lc 23,27; Mt 27,33

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“27.Seguia-o uma grande multidão de povo e de mulheres, que batiam no peito e o lamentavam.”

“33.Chegaram ao lugar chamado Gólgota, isto é, lugar do crânio.”

 

10. A crucificação de Jesus
Jo 19,18; Mt 27,35; Mc 15,24; Lc 23,33

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“18.Ali o crucificaram, e com ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio.”

“35.Depois de o haverem crucificado, dividiram suas vestes entre si, tirando à sorte. Cumpriu-se assim a profecia do profeta: Repartiram entre si minhas vestes e sobre meu manto lançaram à sorte (Sl 21,19).” 

“24.Depois de o terem crucificado, repartiram as suas vestes, tirando à sorte sobre elas, para ver o que tocaria a cada um.”

“33.Chegados que foram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram, como também os ladrões, um à direita e outro à esquerda.”

11. Jesus e o bom ladrão
Lc 23,33; Mt 27,39; Mc 15,29; Lc 23,35

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“33.Chegados que foram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram, como também os ladrões, um à direita e outro à esquerda.”

“39.Os que passavam o injuriavam, sacudiam a cabeça e diziam:” 

“29.Os que iam passando injuriavam-no e abanavam a cabeça, dizendo: “Olá! Tu que destróis o templo e o reedificas em três dias,”

“35.A multidão conservava-se lá e observava. Os príncipes dos sacerdotes escarneciam de Jesus, dizendo: “Salvou a outros, que se salve a si próprio, se é o Cristo, o escolhido de Deus!”.”

12. Maria Santíssima e o Apóstolo João ao pé da Cruz de Jesus
Jo 19,25-27

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“25.Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. 26.Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: “Mulher, eis aí teu filho”. 27.Depois disse ao discípulo: “Eis aí tua mãe”. E dessa hora em diante o discípulo a recebeu como sua mãe.”

13. A morte de Jesus
Mt 27,45; Mc 15,33; Lc 23,44; Jo 19,28

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“45.Desde a hora sexta até a nona, cobriu-se toda a terra de trevas.” 

“33.Desde a hora sexta até a hora nona, houve trevas por toda a terra.”

“44.Era quase à hora sexta e em toda a terra houve trevas até a hora nona.”

“28.Em seguida, sabendo Jesus que tudo estava consumado, para se cumprir plenamente a Escritura, disse: “Tenho sede”.”

14. Jesus deposto no sepulcro
Mc 15,42; Mt 27,57; Lc 23,50; Jo 19,38

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“42.Quando já era tarde – era a Preparação, isto é, a véspera do sábado –,”

“57.À tardinha, um homem rico de Arimateia, chamado José, que era também discípulo de Jesus,” 

“50.Havia um homem, por nome José, membro do conselho, homem reto e justo.”

“34.mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água.”

 

Via Sacra CF 2019PDF

 

 

 

Celebrações da Semana Santa (2019)

Catequese, Vivência na Fé

Prof. Felipe Aquino

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Domingo de Ramos

O Domingo de Ramos dá início à Semana Santa e lembra a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, aclamado pelos judeus. A Igreja recorda os louvores da multidão cobrindo os caminhos para a passagem de Jesus, com ramos e matos proclamando: “Hosana ao Filho de David. Bendito o que vem em nome do Senhor”. (Lc 19, 38Mt 21, 9). Com esse gesto, portando ramos durante a procissão, os cristãos de hoje manifestam sua fé em Jesus como Rei e Senhor. 

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Tríduo Pascal 

Começa na Quinta-feira Santa. São três dias santos em que a Igreja faz memória da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo.

Quinta-feira Santa

Celebramos a Instituição do Sacramento da Eucaristia. Jesus, desejoso de deixar aos homens um sinal da sua presença antes de morrer, instituiu a eucaristia. Na Quinta-feira Santa, destacamos dois grandes acontecimentos:

Bênção dos Santos Óleos

Não se sabe com precisão, como e quando teve início a bênção conjunta dos três óleos litúrgicos. Fora de Roma, esta bênção acontecia em outros dias, como no Domingo de Ramos ou no Sábado de Aleluia. O motivo de se fixar tal celebração na Quinta-feira Santa deve-se ao fato de ser este último dia em que se celebra a missa antes da Vigília Pascal.

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Missa dos Santos Óleos: acontece na manhã da Quinta-feira Santa. O óleo de oliva misturado com perfume (bálsamo) é consagrado pelo Bispo para ser usado nas celebrações do Batismo, Crisma, Unção dos Enfermos e Ordenação. São abençoados os seguintes óleos:         

Óleo do Crisma – Uma mistura de óleo e bálsamo, significando plenitude do Espírito Santo, revelando que o cristão deve irradiar “o bom perfume de Cristo”. É usado no sacramento da Confirmação (Crisma) quando o cristão é confirmado na graça e no dom do Espírito Santo, para viver como adulto na fé. Este óleo é usado também no sacramento do sacerdócio, para ungir os “escolhidos” que irão trabalhar no anúncio da Palavra de Deus, conduzindo o povo e santificando-o no ministério dos sacramentos. A cor que representa esse óleo é o branco ouro.

Óleo dos Catecúmenos – Catecúmenos são os que se preparam para receber o Batismo, sejam adultos ou crianças, antes do rito da água. Este óleo significa a libertação do mal, a força de Deus que penetra no catecúmeno, o liberta e prepara para o nascimento pela água e pelo Espírito. Sua cor é vermelha.

Óleo dos Enfermos – É usado no sacramento dos enfermos, conhecido erroneamente como “extrema-unção”. Este óleo significa a força do Espírito de Deus para a provação da doença, para o fortalecimento da pessoa para enfrentar a dor e, inclusive a morte, se for vontade de Deus. Sua cor é roxa. 

Instituição da Eucaristia e Cerimônia do Lava-pés

 

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Com a Missa da Ceia do Senhor, celebrada na tarde de quinta-feira, a Igreja dá início ao chamado Tríduo Pascal e comemora a Última Ceia, na qual Jesus Cristo, na noite em que vai ser entregue, ofereceu a Deus-Pai o seu Corpo e Sangue sob as espécies do Pão e do Vinho, e os entregou para os Apóstolos para que os tomassem, mandando-lhes também oferecer aos seus sucessores.

Nesta missa faz-se, portanto, a memória da instituição da Eucaristia e do Sacerdócio. Durante a missa ocorre a cerimônia do Lava-Pés que lembra o gesto de Jesus na Última Ceia, quando lavou os pés dos seus apóstolos.

 Missa de Lava pés: acontece na Quinta-feira Santa à noite. O gesto de Cristo em lavar os pés dos apóstolos deve despertar a humildade, mansidão e respeito com os outros. Neste dia, faz-se memória à Última Ceia, quando Jesus instituiu a Eucaristia. Ainda na quinta-feira, o altar é despido para tirar da igreja todas as manifestações de alegria e de festa, como manifestação de um grande e respeitoso silêncio pela Paixão e Morte de Jesus.

O sermão desta missa é conhecido como sermão do Mandato ou do Novo Mandamento e fala sobre a caridade ensinada e recomendada por Jesus Cristo. No final da Missa, faz-se a chamada Procissão do Translado do Santíssimo Sacramento ao altar-mor da igreja para uma capela, onde se tem o costume de fazer a adoração do Santíssimo durante toda à noite.

Sexta-feira Santa

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Celebra-se a paixão e morte de Jesus Cristo. O silêncio, o jejum e a oração devem marcar este dia que, ao contrário do que muitos pensam, não deve ser vivido em clima de luto, mas de profundo respeito diante da morte do Senhor que, morrendo, foi vitorioso e trouxe a salvação para todos, ressurgindo para a vida eterna. Às 15 horas, horário em que Jesus foi morto, é celebrada a principal cerimônia do dia: a Paixão do Senhor. Ela consta de três partes: liturgia da Palavra, adoração da cruz e comunhão eucarística. Depois deste momento não há mais comunhão eucarística até que seja realizada a celebração da Páscoa, no Sábado Santo.

Jejum e abstinência de carne vermelha: realizados na Sexta-feira Santa, constituem uma forma de participar do sofrimento de Jesus. É um dia alitúrgico na Igreja, com a celebração da adoração da Cruz. Impera o silêncio e clima de oração, fazendo memória à paixão e morte do Senhor.

 Ofício das Trevas

Trata-se de um conjunto de leituras, lamentações, salmos e preces penitenciais. O nome surgiu por causa da forma que se utilizava antigamente para celebrar o ritual. A igreja fica às escuras tendo somente um candelabro triangular, com velas acesas que se apagam aos poucos durante a cerimônia.

Sermão das Sete Palavras

Lembra as últimas palavras de Jesus, no Calvário, antes de sua morte. As sete palavras de Jesus são: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem…”, “Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso”, “Mulher, eis aí o teu filho… Eis aí a tua Mãe”, “Tenho Sede!”, “Eli, Eli, lema sabachtani? – Meus Deus, meus Deus, por que me abandonastes?”, “Tudo está consumado!”, “Pai, em tuas mãos entrego o meu Espírito!”. Neste dia, não se celebra a Santa Missa.

Por volta das 15 horas celebra-se nas igrejas católicas a Solene Ação Litúrgica comemorativa da Paixão e Morte de Jesus Cristo. À noite as paróquias fazem encenações da Paixão de Jesus Cristo com o Sermão do Descendimento da Cruz e em seguida a Procissão do Enterro, levando o esquife com a imagem do Senhor morto.         

Sábado Santo (Aleluia)

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No Sábado Santo ou Sábado de Aleluia, a principal celebração é a “Vigília Pascal”.

Vigília Pascal

Inicia-se na noite do Sábado Santo em memória da noite santa da ressurreição gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo. É a chamada “A mãe de todas as santas vigílias”, porque a Igreja mantém-se de vigília à espera da vitória do Senhor sobre a morte. Cinco elementos compõem a liturgia da Vigília Pascal: a benção do fogo novo e do círio pascal; a proclamação da Páscoa, que é um canto de júbilo anunciando a Ressurreição do Senhor; a liturgia da Palavra, que é uma série de leituras sobre a história da Salvação; a renovação das promessas do Batismo e, por fim, a liturgia Eucarística.

Domingo de Páscoa

A palavra páscoa vem do hebreu Peseach e significa “passagem”. Era vivamente comemorada pelos judeus do antigo testamento.

A Páscoa que eles comemoram é a passagem do mar Vermelho, que ocorreu muitos anos antes de Cristo, quando Moisés conduziu o povo hebreu para fora do Egito, onde era escravo. Chegando às margens do Mar Vermelho, os judeus, perseguidos pelos exércitos do faraó teriam de atravessá-lo às pressas. Guiado por Deus, Moisés levantou seu bastão e as ondas se abriram, formando duas paredes de água, que ladeavam um corredor enxuto, por onde o povo passou. Jesus também festejava a Páscoa. Foi o que Ele fez ao cear com seus discípulos.

 

 

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Condenado à morte na cruz e sepultado, ressuscitou três dias após, num domingo, logo depois da Páscoa judaica. A ressurreição de Jesus Cristo é o ponto central e mais importante da fé cristã. Através da sua ressurreição, Jesus prova que a morte não é o fim e que Ele é, verdadeiramente, o Filho de Deus. O temor dos discípulos em razão da morte de Jesus na Sexta-Feira transforma-se em esperança e júbilo. É a partir deste momento que eles adquirem força para continuar anunciando a mensagem do Senhor. São celebradas missas festivas durante todo o domingo.

A data da Páscoa 

A fixação das festas móveis decorre do cálculo que estabelece o Domingo da Páscoa de cada ano, assim: A Páscoa deve ser celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia que segue o Equinócio da Primavera, no Hemisfério Norte (21 de março). Se esse dia ocorrer depois do dia 21 de abril, a Páscoa será celebrada no domingo anterior. Se, porém, a lua cheia acontecer no dia 21 de março, sendo domingo, será celebrada de 25 de abril. A Páscoa não acontecerá nem antes de 22 de março, nem depois de 25 de abril. Conhecendo-se a data da Páscoa, conheceremos a das outras festas móveis. 

Cordeiro

O cordeiro que os israelitas sacrificavam no templo no primeiro dia da páscoa como memorial da libertação do Egito, na qual o sangue do cordeiro foi o sinal que livrou os seus primogênitos. Este cordeiro era degolado no templo.

Os sacerdotes derramavam seu sangue junto ao altar e a carne era comida na ceia pascal. Aquele cordeiro prefigurava a Cristo, ao qual Paulo chama “nossa páscoa” (I Cor 5, 7).

João Batista, quando está junto ao rio Jordão em companhia de alguns discípulos e vê Jesus passando, aponta-o em dois dias consecutivos dizendo: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jó 1, 29 e 36).Isaías o tinha visto também como cordeiro sacrificado por nossos pecados (Cf. Is 53, 7-12).

Também o Apocalipse apresenta Cristo como cordeiro sacrificado, agora vivo e glorioso no céu. (Cf. Ap 5,6.12; 13, 8).

Ovo

O costume e tradição dos ovos estão associados com a Páscoa há séculos. Símbolo da fertilidade e nova vida. A existência da vida está intimamente ligada ao ovo, que simboliza o nascimento. O sepulcro de Jesus ocultava uma vida nova que irrompeu na noite pascal. Ofertar ovos significa desejar que a vida se renove em nós.

Coelho

Por serem animais capazes de gerar grandes ninhadas e reproduzirem-se várias vezes ao ano, sua imagem simboliza a capacidade da Igreja de produzir novos discípulos de Jesus, Filho de Deus. 

Pão e vinho

Na ceia do senhor, Jesus escolheu o pão e o vinho para dar vazão ao seu amor. Representando o seu corpo e sangue, eles são dados aos seus discípulos para celebrar a vida eterna.

Cruz

A cruz mistifica todo o significado da Páscoa na ressurreição e também no sofrimento de Cristo. No Conselho de Nicea em 325 d.c., Constantim decretou a cruz como símbolo oficial do cristianismo. Então não somente um símbolo da Páscoa, mas símbolo primordial da fé católica. 

Círio Pascal

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É uma grande vela que é acesa no fogo novo, no Sábado Santo, logo no início da celebração da Vigília Pascal. Assim como o fogo destrói as trevas, a luz que é Jesus Cristo afugenta toda atreva do erro, da morte, do pecado. É o símbolo de Jesus ressuscitado, a luz dos Povos. Após a bênção do fogo acende-se, nele, o Círio. Faz-se a inscrição dos algarismos do ano em curso; depois crava-se neste, cinco grãos de incenso que lembram as cinco chagas de Jesus e as letras “Alfa” e “Omega”, primeira e última letra do alfabeto grego, que significa o princípio e o fim de todas as coisas.

Tradições populares

Nem todas as celebrações da Semana Santa são universais. Procissão do Encontro, na Quarta-feira Santa, Procissão do Fogaréu, conhecida também como Noite da Prisão, Procissão do Enterro ou do Senhor Morto e Malhação do Judas no Sábado de Aleluia são algumas ações que não são realizadas em todas as paróquias.

A explicação, segundo padre Hernaldo, é que estas não são celebrações prescritas pela Igreja para a Semana Santa, mas fazem parte do universo da religiosidade popular e acabam sendo mais intensas em alguns lugares e em outros não.

Essas tradições podem ser vistas como práticas da piedade popular, o que a Igreja não condena. De acordo com assessor da Pastoral Litúrgica da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), padre Hernaldo Pinto Farias, a piedade popular tem o seu valor na experiência de fé do povo; são práticas que ajudam o povo a se colocar nessa intimidade com o Senhor.  “É uma forma de eles manifestarem sua fé, à sua maneira, sim, mas o que temos que fazer que a Igreja sempre solicitou é que essas práticas não sejam fins em si mesmas, ou seja, que elas conduzam à verdadeira liturgia”, ressaltou padre Hernaldo.

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Sobre Prof. Felipe Aquino

O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.

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