Atos dos Apóstolos (Círculo Bíblico – 3/10)

Círculo Bíblico: Atos dos Apóstolos – Encontro 3/10

Este é o terceiro de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o livro dos Atos dos Apóstolos. A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o livro dos Atos dos Apóstolos (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja e ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia.

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

 

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A compreensão do que é comunidade

At 5, 1- 16,

No inicio do capitulo 5 vemos o relato de que um homem chamado Ananias e sua esposa Safira caírem mortos aos pés de Pedro, por quererem fazer parte da comunidade, mas se negarem a repartir os bens, escondendo parte do lucro com a venda de um terreno e tentando enganar a comunidade de fé. Aqui existe uma espécie de parábola para mostrar que o crime não está no fato de não partilhar algo que é seu, mas sim na mentira ao tentar enganar a Deus. A mão de Deus pesa como no Antigo Testamento. A morte aqui pode ser entendida como espiritual. Existe para cada um de nós um questionamento: enganamos a Deus ou tentamos? Mas não conseguimos esconder nada de Deus. O relato não quer mostrar que Deus vai matar por dinheiro, mas você vai morrer espiritualmente tentando enganar o Senhor.

As primeiras comunidades cristãs eram formadas de pobres e ricos. Então como entender as exigências do Evangelho? É mais fácil para um pobre entender o conceito de dividir para todos terem? Ou do rico entender que vai ficar mais pobre dividindo para todos terem?

Cuidado! A sua resposta pode estar contaminada por algum conceito pessoal que talvez não se aplique aqui.

Para nenhum dos dois é fácil a compreensão do Evangelho. E ai estava o embate das comunidades nos primórdios da fé em Jesus Cristo. No final do capítulo 4 é citado que um homem de nome José vendeu um campo e entregou o dinheiro para ser dividido entre todos (At 4, 36 -37) esse homem recebeu o sobrenome de Barnabé e entendeu o significado do ser comunidade . Lucas cita Barnabé no final de um capítulo e ao entrar neste já fala sobre Ananias e Safira para servir de contraponto entre os dois exemplos.

At 5,17-42

A perseguição aos nazarenos começa a ser narrada mais intensamente à partir desta parte do livro.

Os Saduceus aprisionaram os apóstolos que pregavam em Jerusalém, porque eles faziam curas em plena praça pública. Mas durante a noite um anjo foi e soltou todos eles, sem abrir as portas. Esse mesmo anjo disse que eles deveriam continuar a pregar, só que desta vez no Templo. Ao chegarem na manhã seguinte foi convocado todo o Sinédrio para que esses apóstolos fossem julgados, note que assim como Jesus sofreu um julgamento as pressas, a intenção dos sacerdotes era a mesma, julgar os apóstolos sem direito a defesa, e depois pedir aos romanos que executassem todos eles. O interessante está na surpresa da descoberta da fuga milagrosa dos apóstolos e mais ainda da estranheza de que a cela estava totalmente trancada e a chave em poder de um sacerdote.

Mesmo ante isso, e a descoberta de que os apóstolos estavam no Templo, desafiando a lei onde só os sacerdotes poderiam pregar . Lógico que foram novamente trazidos ao Sinédrio e desafiaram os sacerdotes (At 5,27-32). A simples citação do nome de Jesus já fez com os sacerdotes ansiassem por matarem aqueles homens, mas surpreendentemente, um fariseu de nome Gamaliel, doutor da lei estimado intercedeu pelos apóstolos, não por concordar com a fé deles , mas por achar que a religião deles morreria em breve, e fez comparações com outros supostos messias que juntaram seguidores mas caíram no esquecimento. Mas algo que Gamaliel disse deve ser levado em conta : “Agora, pois, eu vos aconselho: não vos metais com estes homens. Deixai-os! Se o seu projeto ou a sua obra provém de homens, por si mesma se destruirá; mas se provier de Deus, não podereis desfazê-la. Vós vos arriscaríeis a entrar em luta contra o próprio Deus. ” (Atos dos Apóstolos, 5, 38 -39 – Bíblia Católica Online)
Mesmo não acreditando naqueles homens, ele tinha um certo temor, pelo fato da história do sumiço do corpo de Jesus e sua suposta ressurreição ainda serem recentes.

Estranhamente os apóstolos foram açoitados, e libertos e ainda saíram contentes por sofrerem insultos e agressões em nome de Jesus.

 

At 6, 1 -15

Chegamos a um ponto onde muitos fiéis foram acolhidos na comunidade, mas também aconteceram as primeiras divergências mais sérias. Como muitos dos novos fiéis eram de origem grega entraram em atrito com os de origem Hebraica. Vemos isso muitas vezes nas comunidades atuais onde novos membros sofrem da desconfiança dos mais velhos, e estes não aceitam de pronto novas idéias.

Aqui vale uma observação

Lucas tenta mostrar a harmonia entre a comunidade nascente, porém como em todos os lugares onde existem pessoas diferentes, o conflito é sempre eminente. No próprio grupo de discípulos de Jesus já existiam conflitos de idéias diferentes. Logo do inicio deste capítulo o que notamos é um conflito de culturas diferentes. Vale explicar o que acontecia. Parecia uma reclamação simples : as viúvas dos cristãos gregos não estão sendo atendidas pela comunidade. Não devemos esquecer que estamos falando das comunidades do inicio do cristianismo, onde a mulher ainda não era reconhecida como importante e capaz de prover o próprio sustento. Desde os relatos do Antigo Testamento a questão da mulher e principalmente das mulheres viúvas é debatido sem sucesso à época (que fique claro). Faltava gente para atender as viúvas gregas? Faltava tempo? Nenhuma destas opções.

Devemos entender que desde o começo das comunidades nos Atos haviam hebreus (cristãos de origem judaica, fiéis à Lei Judaica e ainda frequentadores do Templo e que só liam as escrituras em hebraico); helenistas (cristãos de origem grega, que viviam fora da Palestina, não eram afeitos a Lei Judaica, principalmente no que dizia respeito a circuncisão e ao Templo onde eram proibidos de entrar, sendo relegados muitas vezes ao Pátio dos Pagãos – espaço para os que não eram judeus de sangue, e liam as escrituras em grego; e prosélitos (pagãos de origem grega convertidos ao cristianismo e simpatizantes da religião judaica; além de alguns estrangeiros que seguiam apenas o evangelho de Jesus.

O maior problema é que os hebreus não comiam na mesma mesa que os helenistas e prosélitos, pois segundo a lei judaica (mesmo eles seguindo também os ensinamentos de Jesus) ficavam impuros. Os hebreus também frequentavam o Templo onde os demais grupos não podiam entrar.

Mas porque o problema declarado é em relação as viúvas gregas?

Muitos judeus helenistas vinham passar os últimos dias de vida em Jerusalém, ali acabavam morrendo e suas viúvas ficavam na miséria (em casos que não fossem ricos ou por parentes do homem morto se apossarem dos bens da família principalmente em casos que não tivessem um filho homem responsável). A comunidade cristã de Jerusalém tinha sim um caixa para cuidar das viúvas e inclusive refeições comunitárias para os pobres. É neste ponto que o problema maior começa, por causa do conflito cultural (que hoje parece sem sentido, mas na época era normal) as viúvas dos helenistas (gregos) não eram recebidas nestas refeições ou ajudadas financeiramente, justamente por causa da separação entre os judeus e os outros.

Numa comparação simples podemos ver isso hoje em dia quando imigrantes tentam uma nova vida em outros países e são barrados por causa da etnia ou até mesmo de religião.

A decisão não fica clara no relato de Lucas porém nas entrelinhas dá para se entender que o “problema” foi equacionado quando os Doze apóstolos decidem escolher 7 homens para cuidar destas questões mais materiais e econômicas. Dentre estes nenhum era hebreu (6 eram gregos: Estêvão, Filipe, Prócoro, Nicanor. Timão e Pármenas, e 1 era prosélito Nicolau de Antioquia), com isso a ajuda as viúvas e todos os necessitados independentes de religião poderia ser mais justa. 

Aqui também acontece a escolha de novos ministérios, com mais apóstolos para a acolhida e ainda assim houve muita discussão. É neste ponto do relato que ouvimos falar pela primeira vez de Estêvão, Lucas vai descrevê-lo como o modelo ideal de cristão, e ele terá papel muito importante durante parte do livro. Estêvão aqui é vitima de algo que faz mal ainda na sociedade, e dentro da comunidade é um câncer que destrói e muito,  a fofoca e a inveja. Como Estêvão se tornou um apóstolo de destaque dentro da comunidade, ele foi traído por membros que apesar de estar ali, não haviam recebido o Espírito Santo, ou não acreditavam realmente naquilo. Assim como Judas Iscariotes, estes também traíram. Estêvão então foi preso e levado ao Sinédrio.

LAPESTEV

“E apedrejavam Estêvão, que orava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito. Posto de joelhos, exclamou em alta voz: Senhor, não lhes leves em conta este pecado… A estas palavras, expirou.”
Atos dos Apóstolos, 7, 56-60

 

At 7, 1-60

No interrogatório de Estêvão a história de Moisés é recontada e serve também como comparação a história do próprio Jesus. A história do povo hebreu é o ponto de partida, o que dá a entender  que Estêvão era um estudioso da fé, mas no texto é como se ele falasse pelo Espírito Santo.

A comparação da história de Moisés com a de Jesus é bem óbvia:

  • A fuga para escapar do massacre das crianças.
  • Vieram libertar o povo pela palavra, enviados por Deus.
  • Não agiram sozinhos.
  • Subiam as montanhas para falar com Deus.

At 7,35-37 narra estes fatos mas mostra que os sacerdotes do Sinédrio condenam Estêvão, que acusa os sacerdotes de não serem fiéis a lei. Em At 7,54-60 Estêvão é apedrejado e entrega o seu espírito a Deus. Também vemos pela primeira vez a citação de um jovem que segurava os mantos dos assassinos de Estêvão e assistia impassível a tudo. Lucas aqui quis mostrar que alguém importante da comunidade saia de cena, no caso Estêvão e alguém que teria papel decisivo entrava em foco, por isso citou Saulo.

Saulo aparece discretamente no capitulo anterior, não há uma citação direta sobre ele ter ou não atirado alguma pedra em Estêvão, mas a sua participação como cúmplice é bem evidente.

ESTEVÃO

Estêvão clama a Deus enquanto é apedrejado

At 8, 1-40

Aqui a perseguição a comunidade dos Nazarenos fica declarada. O capitulo começa com Saulo e fica bem claro a posição dele assim como a dos judeus. A comunidade se dispersava por toda a região Judéia. Filipe foi para uma cidade da Samaria (hoje temos certeza de que ele foi para Cesaréia)  lá um mago de nome Simão, famoso e rico tentou comprar os dons de profecia e cura dos apóstolos, e procurou Filipe primeiro para aderir a comunidade (se não pode vencê-lo junte-se a ele ),depois com a chegada de Pedro e  João à cidade, e deles começarem a impor as mãos sobre aqueles que seriam apóstolos, ele ofereceu muito dinheiro, mas o discípulo não aceitou e ainda dispensou o mago. A riqueza muitas vezes faz com que os abastados pensem que estão acima de tudo e que seu dinheiro pode pagar até a fé e os dons dados pelo espírito santo. Existem hoje pessoas que se dizem “celebridades” que a todo momento evocam sua suposta importância, para tentarem algum tipo de vantagem ou humilhar algumas pessoas. Simão fazia parte destas pessoas, mas foi colocado no devido lugar por Filipe, Pedro e João. O capitulo 8 praticamente fala só de Filipe, e mostra sua sabedoria, deixando um pouco de lado os outros apóstolos. É interessante ver os prodígios dele e a conversão de um eunuco no fim do capitulo.

A Samaria não foi escolhida ao acaso para ser à primeira a ser evangelizada, depois de Jerusalém. Existia um ódio muito grande entre judeus e samaritanos, mas Lucas diz que os samaritanos tem um bom espírito ( vide Lc 10,25-37;17,16-18), e quem foi enviado na frente foi Filipe que é helenista (judeu-cristão de língua grega), ou seja que tinha pouca coisa a ver com as tradições judias. Ele preparou o terreno para a chegada de Pedro e João. Se tivesse sido enviado um hebreu tradicional, talvez não tivesse conquistado tantos.

Refletindo

É importante notarmos os sinais que existem na comunidade nascente nos relatos dos Atos dos Apóstolos. Mesmo numa época em que a passagem de Jesus ainda se fazia, digamos, muito aquecida, a comunidade de fé estava sempre tendo conflitos. Hora eram opiniões divergentes, hora eram conflitos de culturas e até de gerações. Os relatos que dão conta da condenação de Estêvão mostram que existiam ainda dois dos maiores problemas enfrentados em todas as comunidades de fé, algo que não deveria existir mais, mas é claro que estão presentes: a inveja e a fofoca. Como nos tornarmos Santos diante destes desafios?

Estamos falando de abandonar este tipo de sentimento (inveja) e este tipo de ação (fofoca), e viver em comum-unidade respeitando os exemplos de Cristo. É só fazermos um exame de consciência na nossa própria comunidade e analisarmos se isso não acontece ainda. Se não acontece na sua comunidade, dê Glórias a Deus, mas infelizmente eu não acredito muito que não aconteça.

Porém não é algo absoluto. 

É algo a se mudar, pois só assim vamos ser verdadeiros fiéis em Jesus Cristo. A oração é sempre o caminho.

Um círculo bíblico também deve servir para se refletir sempre sobre o crescimento saudável da igreja.

Milton Cesar

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Santo Estêvão, primeiro mártir de toda a história católica

Nos capítulos 6 e 7 dos Atos dos Apóstolos encontramos um longo relato sobre o martírio de Estêvão, que é um dos sete primeiros Diáconos nomeados e ordenados pelos Apóstolos. Santo Estêvão é chamado de Protomártir, ou seja, ele foi o primeiro mártir de toda a história católica. O seu martírio ocorreu entre o ano 31 e 36 da era cristã. Eis a descrição, tirada do livro dos Atos dos Apóstolos:

“Estêvão, porém, cheio de graça e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo. Levantaram-se então alguns da sinagoga, chamados dos Libertos e dos Cirenenses e dos Alexandrinos, e dos da Cicília e da Ásia e começaram a discutir com Estêvão, e não puderam resistir à sabedoria e ao Espírito com que ele falava. Subornaram então alguns homens que disseram: ‘Ouvimo-lo proferir palavras blasfematórias contra Moisés e contra Deus’. E amotinaram o povo e os Anciãos e Escribas e apoderaram-se dele e conduziram-no ao Sinédrio; e apresentaram falsas testemunhas que disseram: ‘Este homem não cessa de proferir palavras contra o Lugar Santo e contra a Lei; pois, ouvimo-lo dizer que Jesus, o Nazareno, destruirá este Lugar e mudará os usos que Moisés nos legou’. E todos os que estavam sentados no Sinédrio, tendo fixado os olhares sobre ele, viram o seu rosto como o rosto de um anjo”.

Num longo discurso, Estêvão evoca a história do povo de Israel, terminando com esta veemente apóstrofe:

“‘Homens de cerviz dura, incircuncisos de coração e de ouvidos, resistis sempre ao Espírito Santo, vós sois como os vossos pais. Qual dos profetas não perseguiram os vossos pais, e mataram os que prediziam a vinda do Justo que vós agora traístes e assassinastes? Vós que recebestes a Lei promulgada pelo ministério dos anjos e não a guardastes’. Ao ouvirem estas palavras, exasperaram-se nos seus corações e rangiam os dentes contra ele. Mas ele, cheio do Espírito Santo, tendo os olhos fixos no céu, viu a glória de Deus e Jesus que estava à direita de Deus e disse: ‘Vejo os céus abertos e o Filho do homem que está à direita de Deus’. E levantando um grande clamor, fecharam os olhos e, em conjunto, lançaram-se contra ele. E lançaram-no fora da cidade e apedrejaram-no. E as testemunhas depuseram os seus mantos aos pés de um jovem, chamado Saulo. E apedrejavam Estêvão que invocava Deus e dizia: ‘Senhor Jesus, recebe o meu espírito’. Depois, tendo posto os joelhos em terra, gritou em voz alta: ‘Senhor, não lhes contes este pecado’. E dizendo isto, adormeceu”.

Santo Estêvão, rogai por nós!

Fonte: Santos – Canção Nova

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Como base de estudo foi usado:

  • Bíblia do Peregrino- Paulus
  • Bíblia de Jerusalém – Paulus
  • Bíblia da CNBB
  • Livro: Como ler os Atos dos Apóstolos- O caminho do Evangelho- Ivo Storniolo -Paulus Editora
  • Bíblia Católica Online (nos links)