Atos dos Apóstolos (Círculo Bíblico – 6/10)

Círculo Bíblico: Atos dos Apóstolos – Encontro 6/10

Este é o sexto de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o livro dos Atos dos Apóstolos. A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o livro dos Atos dos Apóstolos (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja e ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia.

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

O Concilio de Jerusalém (O primeiro de todos)

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O Concilio de Jerusalém

 

At 15, 1 – 40

A comunidade tem mais uma discussão a respeito do que deve ou não ser feito dentro da igreja. A forte ligação com a lei judaica ainda traria muitos problemas para a comunidade cristã, e mais uma vez entrou como pauta de discussão a questão de se os chamados “gentios” (aqueles que não eram judeus) deveriam ou não ser circuncidados e abraçarem a fé judaica antes da fé cristã. Parece hoje uma bobagem, mas é de fato um tema que causava extrema celeuma na comunidade de Jerusalém e Antioquia.

Em At 15, 1 – 35 Lucas praticamente escreve sobre um momento central do livro dos Atos dos Apóstolos e da história da Igreja. Como o texto foi escrito quase 50 anos depois dos acontecimentos, ele ão faz um relato histórico, provavelmente Lucas tenha reunido neste capitulo diversos fatos que ocorreram. Mas a maior importância neste relato é o fato de ter acontecido a primeira grande reunião para deliberar, esclarecer e decidir a teoria e a prática do cristianismo. O maior fruto deste concílio é o esclarecimento de que a “salvação cristã depende exclusivamente da fé em Jesus” e que não é necessário antes ser judeu para depois tornar-se cristão. Em poucas palavras, nem os judeus e nem os pagãos ficam obrigados ao ritual da circuncisão e a observância da lei judaica.

Deste concílio, que podemos chamar de Primeiro Concílio de Jerusalém, também saiu o primeiro documento oficial do cristianismo católico em forma de uma carta que foi enviada junto com alguns apóstolos as comunidades da Antioquia: “Então pareceu bem aos apóstolos e aos anciãos com toda a comunidade escolher homens dentre eles e enviá-los a Antioquia com Paulo e Barnabé: Judas, que tinha o sobrenome de Barsabás, e Silas, homens notáveis entre os irmãos. 23.Por seu intermédio enviaram a seguinte carta: “Os apóstolos e os anciãos aos irmãos de origem pagã, em Antioquia, na Síria e Cilícia, saúde! 24.Temos ouvido que alguns dentre nós vos têm perturbado com palavras, transtornando os vossos espíritos, sem lhes termos dado semelhante incumbência. 25.Assim nós nos reunimos e decidimos escolher delegados e enviá-los a vós, com os nossos amados Barnabé e Paulo, 26.homens que têm exposto suas vidas pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo. 27.Enviamos, portanto, Judas e Silas que de viva voz vos exporão as mesmas coisas. 28.Com efeito, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor outro peso além do seguinte indispensável: 29.que vos abstenhais das carnes sacrificadas aos ídolos, do sangue, da carne sufocada e da impureza. Dessas coisas fareis bem de vos guardar conscienciosamente. Adeus! 30.Tendo-se despedido, a delegação dirigiu-se a Antioquia. Ali reuniram a assembléia e entregaram a carta. 31.À sua leitura, todos se alegraram com o estímulo que ela trazia.” (Atos dos Apóstolos, 15,22-31 – Bíblia Católica Online)

No final deste capítulo é citado novamente a presença de Marcos (que seria depois o primeiro a escrever um dos Evangelhos e este seria copiado por Mateus e o próprio Lucas). Como Marcos na verdade se chamava João Marcos ( e alguns relatos apócrifos dão conta de que foi na casa da família dele, quando este ainda era uma criança, realizada algumas ceias de Jesus e seus discípulos incluindo a ultima ceia): “Barnabé queria levar consigo também João, que tinha por sobrenome Marcos. 38.Paulo, porém, achava que não devia ser admitido quem se tinha separado deles em Panfília (durante a primeira viagem missionária de Paulo, Barnabé e o próprio Marcos que abandonou) e não os havia acompanhado no ministério. 39.Houve tal discussão que se separaram um do outro, e Barnabé, levando consigo Marcos, navegou para Chipre.” (Atos dos Apóstolos, 15, 37-39 – Bíblia Católica Online)

Vale fazer umas perguntas enquanto se lê este capitulo: 1. Evangelho é fermento libertador e não fardo opressor. Concorda?; 2. A ação missionária de nossa comunidade liberta ou oprime?; 3. Damos espaço para quem é novo na comunidade?

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São Pedro, ícone do século VI, Mosteiro de Santa Catarina do Monte Sinai

 

At 16, 1 – 40

Logo no inicio deste capítulo é introduzido a figura do apóstolo Timóteo que era filho de uma judia cristã e de pai grego, mas um detalhe chama a atenção. Apesar de no capitulo anterior ter acontecido um Concilio onde foi decidido que ninguém precisaria se converter ao judaísmo para ser cristão, a primeira coisa que Paulo faz ao chamar Timóteo para acompanhá-lo é justamente circuncidá-lo. O motivo, apesar de não ter sido escrito pode ser entendido por algumas suposições. Timóteo era fio de uma judia convertida e pai grego, provavelmente o pai já havia falecido e o costume judaico para um casamento misto (judeu e grego) era de que o filho fosse educado na religião da mãe e esta era judia, então Paulo (ainda intimamente ligado a lei judaica) acabou circuncidando Timóteo para que a comunidade judaica não o visse como um renegado. Lembrando que a evangelização feita pelos apóstolos sempre começava pelas sinagogas.

Timóteo viria a ser o maior colaborador de Paulo, junto com Lucas.

Este inicio da segunda viagem missionária de Paulo não foi tanto uma decisão da comunidade, mas sim do próprio apóstolo. Paulo é dirigido pelo Espírito Santo e por duas vezes é impedido ou proibido de ir para a Éfeso pela ação do espírito.

Justamente  em 16, 10 Lucas começa a usar a palavra “nós” narrando como se estivesse participando ativamente da viagem, porém esse fato não é comprovado.

É na principal cidade da Macedônia, Filipos, reconstruída por Filipe, pai de Alexandre Magno em 356 a.C., tornou-se colônia de Roma em 31 a.C., mas tinha alguns privilégios como administração autônoma, isenção de tributos e direitos dos cidadãos residentes em território italiano. Lucas não dá a mesma importância para a cidade, como dará Paulo durante as suas missões e suas epístolas. Não havia sinagoga na cidade mas os judeus rezavam próximo a um rio, onde os missionários Paulo e Timóteo encontraram-se com um grupo de fiéis (aparentemente a maioria mulheres) e converteram várias dando destaque para uma mulher de nome Lídia que era uma rica comerciante vinda de Tiatira, esta se converteu, foi batizada junto com toda a família e na sua casa foi fundada a comunidade de Filipos e ali ficou sendo a sede da comunidade.

Mais uma vez durante a missão os apóstolos sofrem perseguição. Paulo e Silas foram açoitados e presos, sem um julgamento e sem que seus perseguidores soubessem que estavam indo contra a lei romana  pois os apóstolos eram cidadãos romanos e nenhum judeu poderia julgar um cidadão romano naquela época. Na prisão Paulo e Silas foram acorrentados mas durante a noite as algemas caíram por força do poder de Deus.

É sempre interessante pensarmos em responder algumas perguntas:

  1. A solidariedade e a partilha caracterizam a vida da sua comunidade?
  2. Quais as semelhanças entre At 6, 13-16“No sábado, saímos fora da porta para junto do rio, onde pensávamos haver lugar de oração. Aí nos assentamos e falávamos às mulheres que se haviam reunido. 14.Uma mulher, chamada Lídia, da cidade dos tiatirenos, vendedora de púrpura, temente a Deus, nos escutava. O Senhor abriu-lhe o coração, para atender às coisas que Paulo dizia. 15.Foi batizada juntamente com a sua família e fez-nos este pedido: Se julgais que tenho fé no Senhor, entrai em minha casa e ficai comigo. E obrigou-nos a isso.” e o que acontece com as nossas atuais Comunidades Eclesiais de Bases (CEBs)?
  3. Porque a ação libertadora da fé provoca perseguição?

 

At 17, 1 – 34

A viagem de Paulo, Silas e Timóteo chega a Tessalônica, depois de passar por outras localidades. Nesta cidade ele fica por um mês, passando três sábados pregando na sinagoga e convertendo muitos judeus e também outros povos. Porém mais uma vez eles foram perseguidos, por conseguirem converter muitos “gentios” e várias mulheres: “Alguns deles creram e associaram-se a Paulo e Silas, como também uma grande multidão de prosélitos gentios, e não poucas mulheres de destaque. 5.Os judeus, tomados de inveja, ajuntaram alguns homens da plebe e com esta gente amotinaram a cidade. Assaltaram a casa de Jasão, procurando-os para os entregar ao povo.”
(Atos dos Apóstolos, 17, 4-5 – Bíblia Católica Online)

Neste ponto do capítulo somos apresentados a Jasão que aparentemente era um homem rico convertido ao cristianismo que deu acolhida a Paulo e seus companheiros. Os judeus invadiram sua casa em busca dos apóstolos e como não acharam prenderam Jasão e algumas pessoas que ali estavam. Vale prestar atenção no versículo 9“9.E só depois de receberem uma caução de Jasão e dos outros é que os deixaram ir.”  Aparentemente só após dar dinheiro aos perseguidores Jasão conseguiu a liberdade. 

Os apóstolos vão para Beréia, mas os tessalonicenses continuam a persegui-los, aqui vale fazer um parentese pois esta perseguição parece mais forte contra Paulo, e este vai então para Atenas deixando Silas e Timóteo em Beréia.

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Ruínas atuais do Areópago de Atenas

Em Atenas, uma cidade grega, ele se defronta com as dificuldades de se levar a palavra de Jesus, pois é um povo que cultua muitos deuses. Paulo é levado ao Areópago (em grego antigoἌρειος Πάγος areios pagos, “Colina de Ares“) que era a parte nordeste da Acrópole em Atenas e também o nome do próprio conselho que ali se reunia. Além de supremo tribunal, o conselho também cuidou de assuntos como educação e ciência por algum tempo.

Por volta de 50 da era cristã filósofos epicureus e estoicos que discutiam com o apóstolo Paulo o levaram ao Areópago para que lhes contassem a respeito de sua nova doutrina. Ali ele proferiu seu famoso Discurso no Areópago.

Atenas e o discurso no Areópago

Paulo pregando no Areópago de Atenas, um dos episódios de Atos 17.
1515. Por Rafael, atualmente no Victoria and Albert Museum, em Londres.

Em Atenas, Paulo se revoltou com a idolatria que encontrou. Ele pregava não apenas aos judeus, mas discutia também com filósofos epicuristas e estoicos (Atos 17,18). Curiosos, levaram-no para o Areópago, onde Paulo proferiu um de seus mais famosos sermões, preservado em At 17, 22-34.

Discurso no Areópago

Depois de cumprimentar os atenienses, Paulo afirma ter encontrado um altar ao “deus desconhecido” e afirma que este, que adoravam sem saber, «é o que eu vos anuncio. O Deus que fez o mundo e tudo o que nele há» (At 17, 23-24). Afirma ainda que o verdadeiro Deus não habita em santuários e nem precisa de nada das mãos humanas, como sacrifícios ou estátuas, pois todos os homens foram criados por Ele. Assim: «Sendo, pois, geração de Deus, não devemos pensar que a divindade é semelhante ao ouro ou à prata ou à pedra, lavrada por arte e gênio do homem. Dissimulando, pois, os tempos da ignorância, Deus manda agora que todos os homens em todo o lugar se arrependam, porquanto tem fixado um dia em que há de julgar o mundo com justiça pelo varão que para isto destinou, do que tem dado certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos.» (At 17,29). Alguns zombaram, mas muitos foram convertidos; o autor dos Atos cita entre eles Dionísio, o Areopagita, e Dâmaris.

Milton Cesar

Refletindo

A nossa fé é acima de tudo compromisso e fidelidade. Não podemos entrar no oba-oba saltitante do galho em galho religioso, pois acreditar não é procurar algo que se pode encontrar somente em Jesus. Os apóstolos e os discípulos nas suas caminhadas de evangelização jamais deixaram-se seduzir por outras doutrinas ou deixaram-se amedrontar por ameaças e perseguições, mantiveram-se fiéis a Jesus Cristo, seguindo os ensinamentos que ele deixou e compreendendo que a figura de Pedro (o primeiro Papa) era importante e acima de tudo era da vontade de Deus que ele fundasse a sua igreja, a igreja de Jesus Cristo.

Não podemos acomodar-se, acovardar-se ou fingir que não ouvimos o chamado do Espírito Santo. Somos acima de tudo evangelizadores.

Podemos sempre trazer as experiências da comunidade nascente do tempo dos Atos para nossa vida em comunidade e ver o que ainda falta para realmente sermos uma igreja única num só ideal. É preciso rezar mais e fazer uma leitura cada vez mais orante do Livro dos Atos dos Apóstolos.

Milton Cesar

 

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São Tiago Maior

São Tiago Maior, o primeiro discípulo a morrer pelo Evangelho

Nascido em Betsaida, este apóstolo do Senhor era filho de Zebedeu e de Salomé e irmão do apóstolo João, o Evangelista. Pescador juntamente com seu irmão João, foi chamado por Jesus a ser discípulo d’Ele. Aceitou o chamado do Mestre e, deixando tudo, seguiu os passos do Senhor. Dentre os doze apóstolos, São Tiago foi um grande amigo de Nosso Senhor fazendo parte daquele grupo mais íntimo de Jesus (formado por Pedro, Tiago e João) testemunhando, assim, milagres e acontecimentos como a cura da sogra de Pedro, a Transfiguração de Jesus, entre outros. Procurou viver com fidelidade o seu discipulado. No entanto, foi somente após a vinda do Espírito Santo em Pentecostes que São Tiago correspondeu concretamente aos desígnios de Deus. No livro dos Atos dos Apóstolos, vemos o belo testemunho de São Tiago, o primeiro dentre os doze apóstolos a derramar o próprio sangue pela causa do Evangelho: “Por aquele tempo, o rei Herodes tomou medidas visando maltratar alguns membros da Igreja. Mandou matar à espada Tiago, irmão de João” (At 12,1-2). Segundo uma tradição, antes de ser martirizado, São Tiago abraçou um carcereiro desejando-lhe “a Paz de Cristo”. Este gesto converteu o carcereiro que, assumindo a fé em Jesus, foi martirizado juntamente com o apóstolo. Existe ainda outra tradição sobre os lugares em que São Tiago passou, levando a Boa Nova do Reino. Dentre estes lugares, a Espanha onde, a partir do Século IX, teve início a devoção a São Tiago de Compostela.

São Tiago Maior, rogai por nós!

Tiago (o Maior), filho de Zebedeu e de Salomé, irmão mais velho do evangelista João, aparece entre os seguidores de Jesus desde o começo da pregação do Messias.

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Os dois irmãos estavam na margem do lago de Genesaré, quando Jesus os chamou. A resposta foi pronta e total: “eles abandonando o barco e seu pai, o seguiram”. Também neste particular se revela sua índole forte e ardente, pela qual tiveram de Jesus o apelido, entre elogio e reprovação, de “filhos do trovão”. Seu comportamento posterior confirma isso, pelo menos em duas ocasiões: a primeira vez diante do comportamento hostil dos samaritanos, que negaram hospitalidade a Jesus e aos seus discípulos: “Senhor – disseram Tiago e João – devemos invocar o fogo do céu para que os devore?” Mais tarde na última viagem a Jerusalém, ambos ousaram fazer aquele presunçoso pedido de sentar-se um à direita e outro à esquerda do Cristo triunfante. Em ambos os casos demonstram não terem entendido as lições de amor e de humildade do Mestre. Todavia são generosos quando se trata de jogar-se à luta. À pergunta de Jesus: “Podeis vós beber o cálice?”, Tiago foi o primeiro a responder: “Podemos”. Jesus colocou-o contra a parede e Tiago respeitou pontualmente a palavra dada. Após o dia de Pentecostes, no qual tinha vindo não o fogo destruidor do castigo, mas o fogo vivificante do amor, também Tiago como os outros apóstolos foi vítima da perseguição movida pelas autoridades judaicas: foi jogado no cárcere e flagelado, “alegrando-se muito, por ter sido digno de sofrer torturas pelo nome de Jesus” (como se lê nos Atos dos Apóstolos). Houve uma segunda perseguição, da qual foi vítima ilustre o diácono santo Estêvão, e houve uma terceira, mais cruel que as precedentes, desencadeada por Herodes Agripa para agradar aos judeus.

Este Herodes (mostrando-se digno do nome do tio, o assassino de João Batista, e do avô Herodes, dito o Grande, que tentou matar Jesus logo que nasceu), por um simples cálculo político, durante as festas pascais de 42 “começou a perseguir alguns membros da Igreja, mandou matar à espada Tiago, irmão de João, e, vendo que isto agradava aos judeus, mandou prender Pedro”.

Segundo uma tradição, não anterior ao século VI, o apóstolo Tiago teria sido o primeiro evangelizador da Espanha. Para revigorar esta tradição, no século IX o bispo Teodomiro de Iria afirmou ter reencontrado as relíquias do apóstolo e desde aquela época, Iria, que tomou o nome de Compostela, tornou-se a meta preferida de todos os peregrinos da Europa.

fides - Copia

Como base de estudo foi usado: