Atos dos Apóstolos (Círculo Bíblico – 8/10)

Círculo Bíblico: Atos dos Apóstolos – Encontro 8/10

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Este é o oitavo de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o livro dos Atos dos Apóstolos. A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o livro dos Atos dos Apóstolos (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja e ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia.

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

Seja feita a vontade do Senhor

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At 21, 1 – 40

Jerusalém, a cidade da Paz, hoje conhecida como a cidade Santa (mesmo em meio a uma guerra de anos ou séculos) foi o destino de Paulo. Mesmo sabendo que estava sendo procurado, assim como todos os lideres cristãos, ele tinha uma missão de honra e honestidade que era levar a coleta das comunidades asiáticas para as comunidades pobres de Jerusalém.

Em 21, 1 – 14 é contado sobre sua viagem e as passagens por Mileto (local do ultimo discurso), Cós, Rodes, Pátara e Tiro (onde passou sete dias com as comunidades daquela localidade) e em todos estes lugares os fiéis tentaram convencer Paulo do perigo de se ir para Jerusalém, mas mesmo que estes alertas sejam inspirados pelo Espírito Santo, a decisão de Paulo também é. O Espírito Santo inspira cada um de um jeito. O apóstolo sai de Tiro e segue para Ptolemaida e então Cesaréia onde foi hospedado na casa de Filipe, um dos sete mencionados em Atos 6, interessante que Lucas entra em detalhes sobre o discípulo contando que Filipe tinha quatro filhas que profetizavam. Paulo permanece vários dias na casa de Filipe, e um profeta chamado Ágabo faz uma pantomima, mostrando o que vai acontecer com o apóstolo em Jerusalém: pés e mãos acorrentados.

A comunidade mais uma vez tenta tirar Paulo do caminho de Jerusalém e o apóstolo entra em aflição não por medo, mas pelo choro e tristeza dos irmãos, de qualquer maneira ele está pronto para o martírio e como o próprio Jesus ele não recusava e dizia: Seja feita a vontade do Senhor.

Já em 21, 15 – 26 Paulo chega a Jerusalém em meio a uma verdadeira confusão, numa Palestina que fervia de revolta, porque os judeus se preparavam para enfrentar o poder romano e desconfiavam de tudo e todos que vinham de fora. Paulo acabava sendo suspeito por vir de fora e por exercer intensa atividade entre os pagãos. Ai entendemos  o conselho do discípulo Tiago e de toda a igreja de Jerusalém quando colocam Paulo a par do que acontece em Jerusalém, e de que os judeus convertidos ao cristianismo pensam sobre ele, pois acham que Paulo está enfraquecendo o judaísmo, ensinando os judeus que vivem fora da Palestina a não observarem a Lei de Moisés e a não praticarem mais a circuncisão. Nós sabemos hoje que Paulo jamais fez isso, ele não obrigava os pagãos a serem judeus, mas nunca desobrigou os judeus dos seus costumes. Uma calúnia que levaria Paulo a ser preso.

Tiago tinha um plano e Paulo se sujeitou humildemente a este plano que era pagar pelo voto de nazireato de quatro judeus pobres, um voto caro. Com este plano Paulo seria visto no Templo, colaborando com os judeus e tudo poderia ser resolvido. Porém na sequência (21, 27 – 40) Paulo é avistado por alguns judeus da Ásia, agarrado e levado para fora do Templo, depois foi acusado e logo preso. Logo no final do capítulo Paulo pede a palavra.

Paulo é preso no templo em Jerusalém (5)

Paulo preso no Templo de Jerusalém

At 22, 1 -30

No meio do conflito Paulo pede a palavra e faz um discurso a multidão. É muito improvável que tenha ocorrido este discurso já que as autoridades judaicas não deixariam que ele se pronunciasse. No discurso de Paulo narrado por Lucas, ele conta como foi sua conversão e o porque toda a sua missão em nome de Jesus. Já no fim do discurso, os judeus começaram a gritar e pedir a morte de Paulo. O tribuno então ordenou que ele fosse açoitado e torturado para entender o porque os judeus estavam tão irritados com ele. Porém Paulo perguntou a um centurião se um cidadão romano (caso dele) poderia ser açoitado sem ter sido julgado, e com isso escapou do castigo e foi levado ao grande conselho.

Este ponto do Círculo Bíblico é para se refletir em algumas perguntas:

  • O Espírito Santo age de muitas formas, em cada uma das pessoas. Como podemos discernir o que ele quer?
  • Estamos conscientes de que Jesus não se encontra apenas na igreja, mas em todo lugar em que o seu nome é invocado? Então qual é o motivo de frequentar a comunidade?

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At 23, 1 – 35

Julgamento de Paulo pelo Sinédrio

Quando começou a falar perante o Sinédrio, Ananias, que era o sumo sacerdote, mandou que lhe batessem na boca (At 23, 2) que era um sinal de desaprovação,  e Paulo o amaldiçoa: “Deus te ferirá também a ti, hipócrita! Tu estás aí assentado para julgar-me segundo a lei, e contra a lei mandas que eu seja ferido? 4.Os assistentes disseram: Tu injurias o sumo sacerdote de Deus.” (At 23,3 – 4). Em seguida, Paulo se aproveitou da divisão dos judeus entre fariseus e saduceus e declarou o que acreditava ser o motivo de seu julgamento: “Paulo sabia que uma parte do Sinédrio era de saduceus e a outra de fariseus e disse em alta voz.: Irmãos, eu sou fariseu, filho de fariseus. Por causa da minha esperança na ressurreição dos mortos é que sou julgado. 7.Ao dizer ele estas palavras, houve uma discussão entre os fariseus e os saduceus, e dividiu-se a assembléia. 8.(Pois os saduceus afirmam não haver ressurreição, nem anjos, nem espíritos, mas os fariseus admitem uma e outra coisa.)”
Atos dos Apóstolos, 23, 6 – 9 – Bíblia Católica Online

Uma enorme confusão se seguiu, pois os saduceus, que afirmavam que não existiam anjos e nem espíritos, queriam condená-lo enquanto os fariseus defendiam sua inocência. Com medo de Paulo ser ferido, o tribuno romano o levou de volta para a cidadela. Preso, Paulo teve uma nova visão e foi reconfortado com a previsão de que daria seu testemunho em Roma como já havia feito em Jerusalém.

Complô para assassinar Paulo

Quando Paulo estava preso, um grupo de mais de quarenta judeus articulou para assassiná-lo através de um estratagema. Eles pediram aos sacerdotes e anciãos que mandassem buscar Paulo sob o pretexto de «investigar com mais precisão a sua causa» (At 23,15), mas a intenção real era matá-lo assim que se apresentasse. Um”filho da irmã de Paulo” descobriu o plano e contou para o tio, que pediu que ele falasse com o tribuno. Este, depois de orientar que o rapaz guardasse segredo sobre o que havia lhe revelado, decidiu que Jerusalém não era mais segura (At 23,11-23).

De Jerusalém a Cesareia

Escoltado por uma verdadeira tropa formada de duzentos soldados de infantaria, setenta de cavalaria e duzentos lanceiros (At 23,23), Paulo foi enviado para o governador romano da Judeia, Félix, juntamente com uma carta do tribuno, que chamava-se “Lísias”. Os soldados acompanharam-no até Antipátrida e retornaram, deixando-o com a cavalaria. Ao chegar em Cesareia, o governador descobriu que Paulo era da Cilícia (região onde estava Tarso) mandou prendê-lo no “Pretório de Herodes” enquanto aguardava a chegada de seus acusadores, que mandou buscar em Jerusalém (At 23,24-35).

Refletindo

A perseguição por causa da fé. Mais que isto, uma perseguição por causa de uma fé diferente da sua. A comunidade cristã florescendo no tempo dos Atos vive todos os seus problemas, dilemas e questões e vê um dos seus maiores lideres (sem nos esquecermos dos discípulos) ser perseguido e preso por ter a coragem de falar do amor de Jesus.

Temos esta coragem hoje?

Mais ainda, acreditamos realmente que Jesus Cristo é a nossa salvação? Vivemos de forma plena o Evangelho?

O que vejo são pessoas turistas da fé, que hoje estão numa igreja, amanhã em outra e nunca são verdadeiros apóstolos de religião nenhuma. É comodo dizer que é católico, evangélico, protestante (para ficar nas religiões cristãs) e se declarar não praticante, ou frequentador de vez em quando. Deste comodismo nenhum discípulo ou apóstolo verdadeiro viveu ou vive. Então repito a pergunta para que cada um possa pensar:

Temos esta coragem hoje? A coragem de sermos fiéis como Paulo.

Milton Cesar

São Timóteo de Éfeso

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São Timóteo, conheceu e foi discípulo de Nosso Senhor seguindo as pegadas do Evangelista João

Timóteo (em gregoΤιμόθεος – Timótheos, que significa “honrando a Deus” ou “honrado por Deus”) foi um bispo cristão do século I d.C. que morreu por volta do ano 80 d.C. O Novo Testamento indica que Timóteo esteve com Paulo de Tarso, que era seu mentor, durante as suas viagens missionárias. Ele é considerado como sendo o destinatário das Epístolas a Timóteo. Ele está listado como um dos Setenta Discípulos.

Sua vida foi marcada pela evangelização, pela santidade de São Paulo e também de São João Evangelista. A respeito dele, certa vez, São Paulo escreveu em uma de suas cartas: “A Timóteo, filho caríssimo: graça, misericórdia, paz, da parte de Deus Pai e de Jesus Cristo, Nosso Senhor!” (II Timóteo 1,2).

Nesta carta, vamos percebendo que ele foi fruto de uma evangelização que atingiu não somente a ele, mas também sua família: “Quando me vêm ao pensamento as tuas lágrimas, sinto grande desejo de te ver para me encher de alegria. Confesso a lembrança daquela tua fé tão sincera que foi primeiro a de tua avó Lóide e de tua mãe, Eunice e, não tenho a menor dúvida, habita em ti também”. (II Timóteo 1,4-5) Por isso, São Paulo foi marcado pelo testemunho de São Timóteo, que se deixou influenciar também por São Paulo. Tornou-se, mais tarde, além de um apóstolo, um companheiro de São Paulo em muitas viagens.

Primeiro bispo de Éfeso, foi neste contexto que ele conheceu e foi discípulo de Nosso Senhor seguindo as pegadas do Evangelista João.

Conta-nos a tradição que, no ano de 95, o santo havia sido atingido por pagãos resistentes à Boa Nova do Senhor e, por isso, martirizado. São Timóteo, homem de oração, um apóstolo de entrega total a Jesus Cristo. Viveu a fé em família, mas também propagou a fé para que todos conhecessem Deus que é paz.

Peçamos a intercessão desse grande santo para que sejamos apóstolos nos tempos de hoje.

São Timóteo, rogai por nós!

 

fides - Copia

Como base de estudo foi usado: