Círculo Bíblico: Livro de Jó (2/10)

Círculo Bíblico: Livro de Jó

Este é o segundo de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o Livro de Jó A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o Livro de Jó (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja mas é ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia, apenas como incentivo. 

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

JÓ E SEUS AMIGOS

Jó 5

“1.Chama para ver se te respondem! A qual dos santos te dirigirás?* 2.O desgosto mata o insensato e a inveja leva o tolo à morte. 3.Vi o insensato criar raízes, e de repente sua morada apodreceu. 4.Seus filhos são privados de qualquer socorro, são pisados à porta, ninguém os defende. 5.O faminto come sua colheita e a leva embora, por detrás da cerca de espinhos, e os sequiosos engolem seus bens. 6.Pois o mal não sai do pó, nem o sofrimento brota da terra. 7.É o homem que causa o sofrimento, como as faíscas voam para o alto.* 8.Por isso, eu rogarei a Deus, apresentarei minha súplica ao Senhor. 9.Ele faz coisas grandes e insondáveis, maravilhas incalculáveis. 10.Espalha a chuva sobre a terra e derrama água sobre os campos; 11.exalta os humildes e dá nova alegria aos que estão de luto; 12.frustra os projetos dos maus, cujas mãos não podem executar os planos. 13.Apanha os sábios em suas próprias manhas, e os projetos dos astutos se tornam prematuros.* 14.Em pleno dia encontram as trevas, e andam às apalpadelas ao meio-dia como se fosse noite. 15.Salva o fraco da espada da língua deles, e o pobre da mão do poderoso. 16.Volta a esperança ao infeliz, e é fechada a boca da iniquidade. 17.Bem-aventurado o homem a quem Deus corrige! Não desprezes a lição do Todo-poderoso. 18.Pois ele fere e cuida; se golpeia, sua mão cura. 19.Seis vezes te salvará da angústia, e, na sétima, o mal não te atingirá. 20.No tempo de fome, te preservará da morte, e, no combate, do poder da espada. 21.Estarás a coberto dos açoites da língua e não terás medo quando vires a ruína.* 22.Rirás das calamidades e da fome, não temerás as feras selvagens. 23.Farás um pacto com as pedras do campo, e os animais selvagens viverão em paz contigo. 24.Dentro de tua tenda conhecerás a paz; visitarás tuas terras, onde nada faltará. 25.Verás tua posteridade multiplicar-se e teus descendentes crescerem como a erva da terra. 26.Entrarás maduro no sepulcro, como um feixe de trigo que se recolhe a seu tempo. 27.Eis o que observamos. Assim é! Escuta e tira proveito!”

Jó 6

“1.Jó tomou a palavra nestes termos: 2.“Ah! Se pudessem pesar minha aflição e pôr na balança com ela meu infortúnio! 3.Ela seria mais pesada que a areia do mar: eis por que minhas palavras são desvairadas. 4.As setas do Todo-poderoso estão cravadas em mim e meu espírito bebe o veneno delas. Os terrores de Deus me assediam. 5.Porventura zurra o asno montês, quando tem erva? Muge o boi junto de sua forragem? 6.Come-se uma coisa insípida sem pôr sal? Pode alguém saborear aquilo que não tem gosto algum? 7.Minha alma recusa-se a tocar nisso, meu coração está desgostoso. 8.Quem me dera que meu voto se cumpra, e que Deus realize o que eu espero! 9.Que Deus consinta em esmagar-me, que deixe suas mãos cortarem meus dias! 10.Teria pelo menos um consolo, e eu exultaria em seu impiedoso tormento, por não ter renegado as palavras do Santo. 11.Qual é a minha força para esperar? Qual é meu fim, para me portar com paciência? 12.Será que tenho a força das pedras, ou será de bronze minha carne? 13.Não encontro socorro algum, qualquer esperança de salvação me foi tirada. 14.Recusar a piedade a um amigo é abandonar o temor do Todo-poderoso.* 15.Meus irmãos são traiçoeiros como a torrente, como as águas das torrentes que somem. 16.Rolam agitadas pelo gelo, empoçam-se com a neve derretida. 17.No tempo da seca, elas se esgotam, ao vir o calor, seu leito seca. 18.As caravanas se desviam de sua rota, penetram no deserto e perecem.* 19.As caravanas de Temã espreitavam e os comboios de Sabá contavam com elas. 20.Ficaram transtornados nas suas suposições; chegando ao lugar, ficaram confusos. 21.É assim que falhais em cumprir o que de vós se esperava nesta hora; a vista de meu infortúnio vos aterroriza. 22.Porventura, disse-vos eu: ‘Dai-me qualquer coisa de vossos bens, dai-me presentes, 23.livrai-me da mão do inimigo e tirai-me do poder dos violentos?’. 24.Ensinai-me, e me calarei, mostrai-me em que falhei! 25.Como são eficazes os discursos sensatos! Mas em que podereis surpreender-me? 26.Pretendeis censurar palavras? Palavras desesperadas, leva-as o vento. 27.Seríeis capazes de leiloar até mesmo um órfão e traficar até mesmo um amigo. 28.Vamos, peço-vos, olhai para mim face a face e não mentirei. 29.Voltai atrás e não sejais injustos; vinde: estou inocente nessa questão. 30.Haverá iniquidade em minha língua? Meu paladar não sabe discernir o mal?”

Jó 7

“1.Não é, acaso, uma luta a vida do homem sobre a terra? Seus dias não são como os de um mercenário? 2.Como um escravo que suspira pela sombra, e um assalariado que aguarda o pagamento, 3.assim também tive por sorte meses de sofrimento e noites de dor me couberam por partilha. 4.Apenas me deito, digo: ‘Quando chegará o dia?’. Logo que me levanto: ‘Quando chegará a noite?’. E até a noite me farto de angústias. 5.Minha carne se cobre de podridão e de imundície, minha pele racha e supura. 6.Meus dias passam mais depressa do que a lançadeira, e se desvanecem sem deixar esperança. 7.Lembra-te de que minha vida nada mais é do que um sopro, de que meus olhos não mais verão a felicidade;* 8.o olho que me via não mais me verá, o teu me procurará, e já não existirei. 9.A nuvem se dissipa e passa, assim quem desce à região dos mortos não subirá de novo. 10.Não voltará mais à sua casa, sua morada não mais o reconhecerá. 11.E por isso não reprimirei minha língua; falarei na angústia do meu espírito, farei queixa na tristeza de minha alma. 12.Porventura, sou eu o mar, ou algum monstro marinho, para me teres posto um guarda contra mim? 13.Se eu disser: ‘Meu leito me consolará e minha cama me aliviará’, 14.então me aterrarás com sonhos, e me assustarás com visões. 15.Preferiria ser estrangulado; antes a morte do que meus tormentos! 16.Sucumbo, deixo de viver para sempre! Deixa-me em paz, pois meus dias são apenas um sopro! 17.O que é o homem para fazeres tanto caso dele, para te dignares ocupar-te dele,* 18.para visitá-lo todas as manhãs e prová-lo a cada instante? 19.Quando cessarás de olhar para mim, sem dar-me tempo de engolir minha saliva? 20.Se pequei, que mal te fiz, ó guarda dos homens? Por que me tomaste por alvo e me tornei pesado para ti? 21.Por que não toleras meu pecado e não apagas minha culpa? Eis que vou logo me deitar por terra; tu me procurarás, já não existirei”.”

Jó 8

“1.Bildad de Suás tomou a palavra e disse: 2.Até quando dirás semelhantes coisas, e tuas palavras serão como um furacão? 3.Porventura Deus fará curvar o que é reto? E o Todo-poderoso subverterá a justiça? 4.Se teus filhos o ofenderam, ele os entregou às consequências de suas culpas.* 5.Se recorreres a Deus, e implorares ao Todo-poderoso, 6.se fores puro e reto, ele atenderá a tua oração e restaurará a morada de tua justiça. 7.Teu começo parecerá pouca coisa diante da grandeza do que se seguirá.* 8.Interroga, pois, as gerações passadas e examina com cuidado a experiência dos antepassados. 9.Porque somos de ontem e nada sabemos, e nossos dias sobre a terra passam como a sombra. 10.Elas podem instruir-te, falar-te e de seu coração tirar estas palavras: 11.“Pode o papiro crescer fora do brejo ou o junco germinar sem água? 12.Verde ainda, e sem ser colhido, ele seca antes de todas as ervas. 13.Assim acabam todos os que esquecem de Deus, pois a esperança do ímpio perecerá. 14.A sua confiança será quebrada e a sua segurança é teia de aranha. 15.Ele se apoia sobre uma casa que não se sustenta, atém-se a uma morada que não se mantém de pé. 16.Cheio de vigor, ao sol, faz brotar seus ramos em seu jardim. 17.Suas raízes se entrelaçam num montão de pedras e penetram entre as rochas. 18.Mas se é arrancado de seu lugar, este o renega e diz: ‘Não te conheço!’. 19.Eis onde termina seu destino, e outros germinarão do solo”. 20.De fato, Deus não rejeita o homem íntegro, nem dá a mão aos malvados.* 21.Ele porá de novo o riso em tua boca e em teus lábios, gritos de alegria. 22.Teus inimigos serão cobertos de vergonha e a tenda dos maus desaparecerá.”

Jó 9

“1.Jó tomou a palavra nestes termos: 2.“Sim, bem sei que é assim. Como poderia o homem ter razão diante de Deus? 3.Se quisesse disputar com ele, não lhe responderia uma vez entre mil. 4.Deus é sábio de coração e poderoso em força; quem pode afrontá-lo impunemente? 5.Ele transporta os montes, sem que o percebam; ele os desmorona em sua cólera. 6.Sacode a terra em sua base e suas colunas são abaladas. 7.Dá ordem ao sol que não se levante e põe um selo nas estrelas.* 8.Ele sozinho formou a extensão do céu e caminha sobre as alturas do mar.* 9.Ele criou a Ursa e o Órion, as Plêiades e as constelações austrais. 10.Fez maravilhas insondáveis e prodígios incalculáveis. 11.Ele passa despercebido perto de mim, toca levemente em mim, e não o percebo. 12.Quem poderá impedi-lo de arrebatar uma presa? Quem lhe dirá: ‘Que é que fazes?’. 13.Deus não retém o seu furor; diante dele jazem prosternados os auxiliares de Raab.* 14.Quem sou eu para replicar-lhe, para escolher argumentos contra ele? 15.Ainda que eu tivesse razão não poderia responder. Pediria clemência ao meu juiz. 16.Se eu o chamasse e ele não me respondesse, não acreditaria que tivesse ouvido a minha voz. 17.Ele, que me desfaz como um redemoinho, e multiplica minhas feridas sem manifestar o motivo, 18.não me deixa tomar fôlego, de tanto me fartar de amarguras. 19.Se se busca a fortaleza, é ele o forte! Se se busca o direito, quem o citará? 20.Se eu pretendesse ser justo, minha boca me condenaria; se fosse inocente, ela me declararia perverso. 21.Sou íntegro? Sim, eu o sou. Pouco me importa a vida. Aliás, desprezo a minha vida. 22.Para mim tudo é a mesma coisa. É por isso que eu disse que ele faz perecer o íntegro como o ímpio. 23.Se, de repente, um flagelo causa a morte, ele se ri do desespero dos inocentes. 24.A terra está entregue nas mãos do ímpio, e ele cobre com um véu os olhos de seus juízes… Se não é ele, quem será? 25.Os dias de minha vida são mais rápidos do que um corcel, fogem sem ter visto a felicidade. 26.Passam como os barcos de junco, como a águia que se precipita sobre a presa. 27.Se decido esquecer minha queixa, abandonar meu ar triste e voltar a ser alegre, 28.temo por todos os meus tormentos, sabendo que não me absolverás! 29.Tenho certeza de ser condenado! O que me adianta cansar-me em vão? 30.Por mais que me lavasse com águas de neve, que limpasse minhas mãos na lixívia, 31.tu me atirarias na imundície e as minhas próprias vestes teriam nojo de mim. 32.Ele não é um humano como eu a quem possa responder, com quem eu possa comparecer na justiça. 33.Pois que não há entre nós um árbitro que ponha sua mão sobre nós dois. 34.Que Deus retire seu chicote de cima de mim, para pôr um termo a seus medonhos terrores. 35.Então lhe falarei sem medo; pois, estou só comigo mesmo.*”

O círculo é feito para se fazer interrupções enquanto se lê as passagens bíblicas. Da para se refletir sobre as angústias que Jó estava passando, todas as dores. Até aqui não vemos a paciência tão atribuída a Jó. O outro de seus amigos, Bildad de Suás também toma a palavra e reflete com todos sobre os acontecimentos. Um dos pontos altos do discurso de Bildad é quando ele fala: “Se recorreres a Deus, e implorares ao Todo-poderoso, 6.se fores puro e reto, ele atenderá a tua oração e restaurará a morada de tua justiça. 7.Teu começo parecerá pouca coisa diante da grandeza do que se seguirá.” 

cesar nome

“5,1. Santos: os anjos. Expressão originada da comparação expressa em 15,15 e 4,18. 5,7. Faíscas: literalmente – filhos da chama. 5,13. A primeira parte do versículo é citada em 1Cor 3,19. 5,21. Açoites da língua: maledicências, calúnias.”
“6,14. Texto incerto. 6,18. As caravanas se desviam: atrás de miragens.”
“7,7. Lembra-te: Jó dirige-se a Deus. 7,17. O que é o homem: citação dos Salmos 8,5 e 144,3.”
“8,4. Às consequências: literalmente – às mãos. 8,7. Teu começo: a prosperidade passada. 8,20. Nem dá a mão: para ajudá-lo.”
“9,7. Põe um selo nas estrelas: refere-se a eclipses ou períodos de invisibilidade dos planetas. 9,8. As alturas: as águas que estão acima do firmamento. Ver Gn 1,7. 9,13. Auxiliares de Raab: monstros que personificam o caos. 9,35. Pois, estou só: texto ininteligível.”

Bíblia Católica Online

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