Círculo Bíblico: Livro de Jó (3/10)

Círculo Bíblico: Livro de Jó

Este é o terceiro de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o Livro de Jó A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o Livro de Jó (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja mas é ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia, apenas como incentivo. 

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

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Jó 10

“1.A minha alma está desgostosa da vida. Dou livre curso ao meu lamento; falarei na amargura de meu coração. 2.Em lugar de me condenar, direi a Deus: ‘Mostra-me por que razão me tratas assim. 3.Encontras prazer em me oprimir, em renegar a obra de tuas mãos, em favorecer os planos dos maus? 4.Terás porventura olhos de carne, ou vês as coisas como as veem os seres humanos?* 5.Serão os teus dias como os de um mortal e teus anos como os de um humano, 6.para que procures a minha culpa e persigas o meu pecado? 7.No entanto, sabes que não sou culpado e que ninguém me pode livrar de tuas mãos. 8.As tuas mãos formaram-me e fizeram-me; mudando de ideia, queres me destruir! 9.Lembra-te de que me formaste como o barro, e agora queres devolver-me ao pó? 10.Não me derramaste como leite e me coalhaste como um queijo?* 11.De pele e carne me vestiste, de ossos e nervos me teceste. 12.Concedeste-me vida e misericórdia e tua providência conservou o meu espírito. 13.Contudo, eis o que escondias em teu coração, vejo bem o que meditavas. 14.Se peco, me observas, não perdoarás o meu pecado. 15.Se eu for culpado, ai de mim! Se for inocente, não ousarei levantar a cabeça, farto de vergonha e consciente de minha miséria. 16.Esgotado, me caças como um leão. Não cessas de desfraldar contra mim teu estranho poder. 17.Renovas contra mim teus assaltos, teu furor cresce contra mim e vigorosas tropas vêm-me cercar. 18.Por que me tiraste do ventre materno? Tivesse morrido, nenhum olho me teria visto. 19.Teria sido como se nunca tivesse existido, do ventre me teriam levado ao túmulo’. 20.Não são bem curtos os dias de minha vida? Que ele me deixe respirar um instante, 21.antes que eu parta, para não mais voltar, ao tenebroso país das sombras da morte, 22.opaca e sombria região, reino de sombra e de caos, onde a noite faz as vezes de claridade”.”

Jó 11

“1.Então, Sofar de Naamat tomou a palavra nestes termos: 2.“Ficará sem resposta o que fala muito? Terá razão o grande falador? 3.Tua loquacidade fará calar os demais? Zombarás sem que ninguém te repreenda? 4.Dizes: ‘Minha opinião é a verdadeira, sou puro aos teus olhos’. 5.Oxalá Deus pudesse falar e abrir seus lábios para te responder. 6.Se te revelasse os mistérios da sabedoria, que são ambíguos para o espírito, saberias então que Deus esquece uma parte de tua iniquidade.* 7.Pretendes sondar as profundezas divinas, atingir a perfeição do Todo-poderoso? 8.Ela é mais alta do que o céu! Que podes tu fazer? É mais profunda que os infernos! Que podes tu saber? 9.É mais longa que a terra, mais larga que o mar. 10.Se ele surge para aprisionar, se apela à justiça, quem o impedirá? 11.Pois ele conhece os malfeitores, descobre a iniquidade, presta atenção. 12.Diante disso, uma pessoa insensata pode criar juízo, e um asno tornar-se criatura humana.* 13.Se voltares teu coração para Deus, e para ele estenderes os braços; 14.se afastares de tuas mãos o mal e não abrigares a iniquidade debaixo de tua tenda, 15.então poderás erguer a fronte sem mancha; serás estável, sem mais nenhum temor. 16.Esquecerás daí por diante as tuas penas, como águas que passaram, serão apenas uma lembrança. 17.O futuro te será mais brilhante do que o meio-dia, as trevas se transformarão em aurora. 18.Terás confiança e ficarás cheio de esperança. Olhando em volta de ti, dormirás tranquilo. 19.Repousarás sem que ninguém te inquiete e muitos acariciarão o teu rosto. 20.Porém, os olhos dos maus serão consumidos, para eles, nenhum refúgio, e não terão outra esperança senão em seu último suspiro”.”

Jó 12

“1.Jó tomou a palavra nestes termos: 2.“Sois mesmo gente muito hábil, e convosco morrerá a sabedoria! 3.Tenho também o espírito como o vosso, e não vos sou inferior! Quem, pois, ignoraria o que sabeis? 4.Os amigos escarnecem daquele que invoca a Deus, para que ele lhe responda. Sim, zombam do justo e do inocente. 5.‘Vergonha para a infelicidade!’ – assim pensam os felizes. Só há desprezo para aquele cujo pé fraqueja. 6.As tendas dos bandidos gozam de paz, e segurança para aqueles que provocam a Deus, que não têm outro Deus senão o próprio braço. 7.Pergunta, pois, aos animais da terra, eles te ensinarão; e às aves do céu, e elas te instruirão. 8.Fala aos répteis da terra, e eles te responderão, e aos peixes do mar, e eles te contarão. 9.Entre todos esses seres, quem não sabe que foi a mão de Deus que fez tudo isso?’* 10.Ele que tem em mãos a alma de tudo o que vive e o sopro de vida de todo o gênero humano. 11.Não discerne o ouvido as palavras, como o paladar discerne o sabor da comida? 12.A sabedoria pertence aos cabelos brancos, e à longa vida confere a inteligência. 13.Em Deus residem a sabedoria e o poder. Ele possui o conselho e a inteligência. 14.O que ele destrói não será reconstruído, se aprisionar um homem, ninguém há que o solte. 15.Quando faz as águas pararem, há seca; se as soltar, submergirão a terra. 16.Nele há força e prudência; ele conhece o que engana e o enganado. 17.Faz os árbitros andarem descalços e torna os juízes estúpidos. 18.Ele desata a cinta dos reis e cinge-lhes os rins com uma corda. 19.Ele faz os sacerdotes andar descalços e abate os poderosos. 20.Ele tira a palavra aos mais seguros de si mesmos e retira a sabedoria dos anciãos. 21.Ele derrama desprezo sobre os nobres e afrouxa a cinta dos fortes. 22.Ele põe a claro os segredos das trevas e traz à luz a sombra da morte. 23.Ele torna grandes as nações e as destrói, multiplica os povos e depois os suprime. 24.Ele tira a razão dos chefes da terra, e os deixa perdidos no deserto sem pista. 25.Andam às apalpadelas nas trevas, privados da luz, tropeçando como um ébrio.”

Jó 13

“1.Meus olhos viram todas essas coisas, meus ouvidos as ouviram e as guardaram. 2.Aquilo que sabeis, eu também o sei, pois não vos sou inferior em nada. 3.Mas é com o Todo-poderoso que eu desejaria falar, com Deus é que eu desejaria discutir. 4.Pois vós não sois mais que impostores, não sois senão curandeiros que não prestam para nada. 5.Se pudésseis guardar silêncio, seríeis considerados sábios. 6.Escutai, pois, a minha defesa, atendei aos quesitos que vou anunciar. 7.Para defender a Deus, ireis dizer mentiras. Será preciso enganardes em seu favor? 8.Tereis, para com ele, juízos preconcebidos e vos ostenteis em ser seus advogados? 9.Não seria bom que ele vos examinasse? Iríeis enganá-lo como se engana uma pessoa qualquer? 10.Ele não deixará de vos castigar, se tomardes seu partido ocultamente. 11.Sua majestade não vos atemorizará? Seus terrores não vos esmagarão? 12.Vossos argumentos são como provérbios de cinza, vossas defesas são obras de barro. 13.Calai-vos! Deixai-me! Quero falar: aconteça depois o que acontecer! 14.Lacero a minha carne com os meus dentes, ponho minha vida em minha mão.* 15.Se ele me mata, nada mais tenho a esperar; assim mesmo, defenderei minha causa diante dele. 16.Isso já será a minha salvação, que o ímpio não seja admitido em sua presença. 17.Escutai bem meu discurso, dai ouvido às minhas explicações! 18.Estou pronto para defender minha causa e sei que sou eu quem tem razão. 19.Se alguém quiser demandar contra mim, no mesmo instante desejarei calar e morrer! 20.Poupai-me apenas duas coisas, ó Deus, e não me esconderei de tua face:* 21.afasta de mim a tua mão, e põe um termo ao medo de teus terrores. 22.Chama por mim e eu te responderei; ou, então, falarei eu, e tu terás a réplica. 23.Quantas faltas e pecados cometi eu? Dá-me a conhecer minhas faltas e minhas ofensas! 24.Por que escondes de mim a tua face e por que me consideras como um inimigo? 25.Queres, então, assustar uma folha carregada pelo vento, ou perseguir uma palha seca? 26.Pois queres ditar contra mim sentenças amargas, e queres que me sejam imputadas as faltas de minha mocidade. 27.Queres prender os meus pés no cepo, espiar todos os meus passos e contar os rastos de meus pés. 28.(E ele se gasta como um pau bichado, como um tecido devorado pela traça).*”

Jó 14

“1.O homem nascido de mulher vive pouco tempo e é cheio de misérias. 2.É como a flor que germina e logo fenece, uma sombra que foge sem parar. 3.E é sobre ele que abres os olhos, e o chamas a juízo contigo! 4.Quem fará sair o puro do impuro? Ninguém! 5.Se seus dias estão contados, se em teu poder está o número dos seus meses, e fixado um limite que ele não ultrapassará, 6.afasta dele os teus olhos e deixa-o, até que acabe o seu dia como o operário. 7.Para a árvore há esperança: cortada, pode reverdecer e os seus ramos brotam. 8.Quando sua raiz tiver envelhecido na terra e seu tronco estiver morto no solo, 9.ao contato com a água, reverdece e distenderá ramos como uma planta nova. 10.Mas quando o homem morre, fica inerte; o mortal expira, e o que é feito dele? 11.As águas podem faltar nos lagos, o rio pode secar e sumir, 12.assim o homem se deita para não mais levantar. Durante toda a duração do céu, ele não despertará, jamais sairá de seu sono. 13.Quem me dera que me escondesses na região dos mortos, ao abrigo, até que tua cólera tivesse passado, e me fixasses um limite em que te lembrasses de mim! 14.O homem, uma vez morto, porventura tornará a viver? Todo o tempo de meu combate eu esperaria, até que me vies sem substituir. 15.Tu me chamarias e eu te responderia; estenderias a tua destra para a obra de tuas mãos. 16.Mas agora contas os meus passos e observas todos os meus pecados. 17.Tu selaste como numa bolsa os meus crimes, puseste um sinal sobre minhas iniquidades.* 18.Mas a montanha desmorona e cai, e o rochedo muda de lugar; 19.as águas escavam as pedras, o aluvião leva a terra móvel: assim aniquilas a esperança do homem. 20.Tu o pões por terra, e ele se vai embora para sempre; tu o desfiguras e o expulsas. 21.Estejam os seus filhos honrados, e ele não o sabe; sejam eles humilhados, mas ele não faz caso. 22.É somente por ele que sua carne sofre, e sua alma só se lamenta por ele”.”

Os relatos de Jó sempre trazem muito de suas angústias, porém no capitulo 12 parecia que ele estava mudando de opinião e começando aceitar o que o próprio Deus lhe enviou como provação. Logo após o discurso do seu terceiro amigo Sofar de Naamat que o incita a clamar sempre a Deus. É muito difícil refletir estas passagens de Jó pelo fato do protagonista estar num momento de intenso sofrimento e fraqueja diante disso. antes porém era exemplo nos melhores momentos de sua vida. A opinião de cada um dentro do círculo bíblico é muito importante, pois a cada dia um pouco do ensinamento fica.

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“10,4. Terás olhos: terás a vista curta e a vida breve, para seres, como os homens, sem justiça, nem paciência? 10,10. Coalhaste como queijo: opinião antiga sobre a formação do embrião.”
“11,6. Deus esquece uma parte: outra tradução – Deus te pede conta. 11,12. Diante disso: o texto é incerto. Sentido: o proceder de Deus é suficientemente claro para que um espírito obtuso possa compreendê-lo.”
“12,9. Tudo isso: os fatos desconcertantes descritos nos v. 4s.”
“13,14. Esses dois provérbios têm o mesmo sentido: expor a vida. 13,20. A partir deste momento, Jó dirige-se a Deus. 13,28. A colocação normal deste versículo é depois do 14,3.”

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