Círculo Bíblico: Livro de Jó (4/10)

Círculo Bíblico: Livro de Jó

Este é o quarto de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o Livro de Jó A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o Livro de Jó (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja mas é ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia, apenas como incentivo. 

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

jó e seus amigos

Jó 15

“1.Elifaz de Temã tomou a palavra nestes termos: 2.“Porventura, responde um sábio como se falasse ao vento e enche de ar o seu ventre? 3.Defende-se ele com argumentos fúteis e com palavras que não servem para nada? 4.Acabarás destruindo a piedade, reduzes a nada o respeito devido a Deus. 5.É a tua iniquidade que inspira teus discursos e adotas a linguagem dos impostores. 6.É a tua boca que te condena, e não eu; são teus lábios que dão testemunho contra ti mesmo. 7.Acaso, és o primeiro homem que nasceu, e foste tu gerado antes das colinas? 8.Assististe, porventura, ao conselho de Deus e monopolizaste a sabedoria? 9.Que sabes tu, que nós ignoremos? Que aprendeste, que não nos seja familiar? 10.Há entre nós também anciãos e encanecidos, muito mais avançados em dias do que teu pai. 11.Fazes pouco caso das consolações divinas e das doces palavras que te são dirigidas? 12.Por que te deixas levar pelo impulso de teu coração, e o que significam esses maus-olhares? 13.É contra Deus que ousas encolerizar-te e que tua boca profere tais discursos? 14.Que é o homem para que seja puro? Pode ser justo o que nasce de mulher? 15.Nem mesmo em seus santos Deus confia, nem os céus são puros a seus olhos!* 16.Quanto menos um ser abominável e corrompido, um homem que bebe a iniquidade como água! 17.Ouve-me! Vou instruir-te. Eu te contarei o que vi, 18.aquilo que os sábios ensinam, aquilo que seus pais não lhes ocultaram. 19.A eles somente foi dada terra, e no meio dos quais não tinha penetrado estrangeiro algum. 20.Em todos os dias de sua vida o mau é atormentado, os anos do opressor são em número restrito. 21.Ruídos terrificantes ressoam-lhe aos ouvidos, no seio da paz, lhe sobrevém o destruidor. 22.Ele não espera escapar das trevas, está destinado à espada. 23.Anda vagando à procura de pão, mas onde? Ele sabe que o dia das trevas está a seu lado. 24.A tribulação e a angústia vêm sobre ele como um rei que vai para o combate. 25.Pois estendeu a mão contra Deus e desafiou o Todo-poderoso. 26.Investiu contra ele com a cabeça levantada, por trás da grossura de seus escudos. 27.Cobriu de gordura o seu rosto e deixou a gordura ajuntar-se sobre seus rins. 28.Habitou em cidades desoladas, em casas que foram abandonadas, destinadas a se tornarem em ruínas. 29.Mas não se enriquecerá, nem os seus bens resistirão, não mais estenderá sua sombra sobre a terra. 30.Não escapará das trevas; o fogo queimará seus ramos e sua flor será levada pelo vento. 31.E não se fie na mentira: ficará prisioneiro dela, pois a mentira será a sua recompensa. 32.Suas ramagens secarão antes da hora, seus ramos não tornarão a ficar verdes. 33.Como a vinha, sacudirá seus frutos verdes, e, como a oliveira, deixará cair a flor. 34.Pois a raça dos ímpios é estéril, e um fogo devorará as tendas dos corruptos. 35.Quem concebe o mal gera a infelicidade: é o engano que amadurece em seu seio”.”

Jó 16

“1.Jó respondeu então nestes termos: 2.“Já ouvi muitas vezes discursos semelhantes, sois todos uns consoladores importunos. 3.Quando terão fim essas palavras atiradas ao vento? O que é que te move para responder assim? 4.Eu também poderia falar como vós, se estivésseis no meu lugar. Arranjaria discursos a vosso respeito e sacudiria a cabeça contra vós. 5.Eu vos encorajaria verbalmente e moveria os meus lábios sem nenhuma avareza. 6.Se falo, nem por isso se aplaca a minha dor; se calo, estará ela afastada de mim? 7.Mas Deus me extenuou, estou aniquilado. Toda a sua tropa me pegou.* 8.Minha magreza tornou-se testemunho contra mim, ela depõe contra mim. 9.Sua cólera me fere e me persegue. Ele range os dentes contra mim. Meus inimigos aguçam os olhos sobre mim. 10.Abrem a boca para me devorar. Batem-me na face para me ultrajar, rebelando-se todos contra mim. 11.Deus me entrega aos perversos, joga-me nas mãos dos malvados. 12.Eu estava em paz. Ele, de repente, me esmagou. Segurou-me pela nuca e me pôs em pedaços. Tomou-me como seu alvo. 13.Suas setas voam em volta de mim. Ele rasga os meus rins sem piedade, espalhando o meu fel por terra. 14.Abre em mim brecha sobre brecha, ataca-me como um guerreiro. 15.Cosi um saco sobre minha pele e rolei minha fronte no pó. 16.Meu rosto está vermelho de tanto chorar e a sombra da morte estende-se sobre minhas pálpebras. 17.Entretanto, não há violência em minhas mãos e minha oração é pura! 18.Ó terra, não cubras o meu sangue e que seu grito não seja sufocado pela tumba.* 19.Tenho desde já uma testemunha no céu, um defensor nas alturas. 20.Minha oração subiu até Deus e meus olhos choram diante dele.* 21.Que ele mesmo julgue entre o homem e Deus, entre o homem e seu semelhante! 22.Pois meus anos contados se esgotam e eu entro numa vereda por onde não passarei de novo.”

Jó 17

“1.Meu espírito vai-se consumindo, os meus dias se apagam, só me resta o sepulcro! 2.Estou de fato cercado de zombadores e meus olhos velam por causa de seus ultrajes.* 3.Sê tu mesmo a minha caução, junto a ti, pois quem ousará bater em minha mão?* 4.Pois fechaste o seu coração à inteligência; por isso, não os deixarás triunfar. 5.Há quem convide seus amigos à partilha, enquanto desfalecem os olhos de seus filhos. 6.Ele me reduziu a zombaria do povo, como aquele em cujo rosto se cospe. 7.Meus olhos se escurecem de tristeza e todo o meu corpo não é mais que uma sombra. 8.As pessoas retas estão espantadas e o inocente se irrita contra o ímpio. 9.O justo, entretanto, persiste no seu caminho, e o homem de mãos puras redobra de coragem. 10.Mas vós todos voltai e vinde; pois não acharei entre vós nenhum sábio. 11.Meus dias se esgotam, meus projetos estão aniquilados, frustraram-se os projetos do meu coração. 12.Fazem da noite, dia. A luz da manhã é para mim como trevas. 13.Deverei esperar? A região dos mortos é a minha morada! Preparo meu leito no local tenebroso. 14.Disse ao sepulcro: ‘Tu és meu pai’, e aos vermes: ‘Vós sois minha mãe e minha irmã!’. 15.Onde está, pois, minha esperança? E a minha felicidade, quem a entrevê? 16.Descerão elas comigo à região dos mortos? Afundaremos juntos no pó?”.”

Jó 18

“1.Bildad de Suás disse então nestes termos: 2.“Quando acabarás de falar a esmo? Terás a sabedoria de nos dizer depois! 3.Por que nos consideras como animais, e por que passamos por estúpidos a teus olhos? 4.Tu, que te rasgas em teu furor, por tua causa a terra ficará abandonada e o rochedo mudará de lugar? 5.Sim, a luz do ímpio se apagará e a chama de seu fogo cessará de alumiar. 6.A luz obscurece na sua tenda e sua lâmpada sobre ele se apagará. 7.Seus passos, antes firmes, serão encurtados, e seus próprios desígnios os farão tropeçar. 8.Seus pés se prendem numa rede, e ele anda sobre malhas. 9.A armadilha agarra seu calcanhar e o alçapão o aperta. 10.Uma corda se esconde na terra para pegá-lo, e uma armadilha, ao longo da vereda. 11.De todas as partes temores o amedrontam e o perseguem passo a passo. 12.A calamidade vem faminta sobre ele e a infelicidade está alerta ao seu lado. 13.A pele de seu corpo é devorada, o filho mais velho da morte devora-lhe os membros.* 14.É arrancado da tenda, onde se sentia seguro, levam-no ao rei dos terrores.* 15.Podes estabelecer-te em sua tenda, que não mais existe; o enxofre é espalhado em seu domínio. 16.Por baixo suas raízes secam, e por cima seus ramos definham. 17.Sua memória apaga-se da terra, nada mais lembra o seu nome na região. 18.É arrojado da luz para as trevas e é desterrado do mundo. 19.Não tem descendente nem posteridade em sua tribo, nem sobrevivente algum em sua morada. 20.O Ocidente está estupefato com sua sorte e o Oriente treme diante dela. 21.Eis o que acontece com as tendas dos ímpios, os lugares habitados pelo homem que não conhece a Deus”.”

Jó 19

“1.Jó respondeu, então, nestes termos: 2.“Até quando afligireis a minha alma e me atormentareis com vossos discursos? 3.Eis que já por dez vezes me ultrajastes. Não vos envergonhais de me insultar? 4.Mesmo que eu tivesse verdadeiramente pecado, minha culpa só diria respeito a mim mesmo. 5.Se vos quiserdes levantar contra mim, convencendo-me de ignomínia, 6.sabei que foi Deus quem me afligiu e me cercou com sua rede. 7.Se clamo: ‘Violência!’, ninguém me responde; levanto minha voz, e não há quem me faça justiça. 8.Ele fechou meu caminho para que eu não possa passar. E espalhou trevas pelas minhas veredas. 9.Despojou-me da minha glória, tirou-me a coroa da cabeça. 10.Demoliu-me por inteiro e pereço. Ele desenraizou minha esperança como uma árvore. 11.Acendeu a sua cólera contra mim, tratando-me como um inimigo. 12.Suas milícias se concentraram, construíram aterros para me assaltarem e acamparam em volta de minha tenda. 13.Meus irmãos foram para longe de mim, e meus amigos de mim se afastaram. 14.Meus parentes e meus íntimos desapareceram, os hóspedes de minha casa esqueceram-se de mim. 15.Minhas servas olham-me como um estranho, sou um desconhecido para elas. 16.Chamo meu escravo e ele não responde, apesar de suplicá-lo com minha própria boca! 17.Minha mulher tem horror de meu hálito, sou repugnante aos meus próprios filhos. 18.Até as crianças caçoam de mim. Quando me levanto, troçam de mim. 19.Meus íntimos me abominam e até aqueles que eu amava voltam-se contra mim. 20.Meus ossos estão colados à minha pele e à minha carne. E fujo com a pele de meus dentes.* 21.Compadecei-vos de mim, compadecei-vos de mim, ao menos vós, que sois meus amigos, pois a mão de Deus me feriu. 22.Por que me perseguis como Deus e vos mostrais insaciáveis de minha carne? 23.Quem dera se minhas palavras pudessem ser escritas! Quem dera fossem elas consignadas num livro, 24.gravadas por estilete de ferro em chumbo, esculpidas para sempre numa rocha! 25.Eu sei que meu vingador está vivo e que aparecerá, finalmente, sobre a terra. 26.Por detrás de minha pele, que envolverá isso, na minha própria carne, verei Deus.* 27.Eu mesmo o contemplarei, meus olhos o verão, e não os olhos de outro. Meus rins se consomem dentro de mim. 28.Pois, se dizes: ‘Por que o perseguimos e como encontraremos nele uma razão para condená-lo?’. 29.Temei o gume da espada, pois a cólera de Deus persegue os maus e sabereis que há uma justiça!”.”

Chegamos num ponto onde Jó reclama dos amigos que tentam em vão consolá-lo. Parece que Jó não percebe que estes amigos são enviados por Deus para estarem com ele neste momento de angústia e provação. Se fizermos uma reflexão mais cuidadosa notamos que apesar de Deus ter dito a Satanás que este poderia flagelar seu servo Jó sem matá-lo e que Ele (Deus) não iria fazer nada acreditando na fé do seu servo, o próprio Deus se encarrega de enviar servos seus (amigos de Jó) para não o abandonarem. Lembre-se que as conversas de Deus com Satanás ocorrerem no começo do livro de Jó, e é ainda estranho pensarmos que no “acordo” com satanás, Deus tenha usado de um subterfúgio para colocar três emissários seus (amigos íntimos de Jó) para não deixá-lo desanimar, apesar dele já estar desanimado, no fim do capitulo 19 (último estudado hoje), Jó fala em acreditar na justiça de Deus.

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“16,7. Mas Deus: o texto dos versículos 7 e 8 está corrompido e a tradução é incerta. 16,18. O grito do sangue pedindo vingança: ver Gn 4,10; Mt 23,35; Hb 12,24. Outra tradução: meu grito se eleve sem obstáculo. 16,20. Minha oração: outra tradução – Meus amigos zombam de mim.”
“17,2. Meus olhos: texto incerto. 17,3. Bater em minha mão: em sinal de penhor.”
“18,13. O filho mais velho da morte: a mais terrível das doenças. 18,14. Rei dos terrores: o soberano do inferno (o deus Nergal dos babilônios).”
“19,20. Com a pele: expressão proverbial de sentido incerto. 19,26. Por detrás de minha pele: tradução literal de um texto bem difícil. As antigas versões grega, siríaca e latina traduziram esse texto vendo nele uma alusão à ressurreição. O sentido geral da passagem 25-27 é o seguinte: Jó espera do céu um vingador na pessoa de Deus, que terá a última palavra na sua questão. Jó o verá com os próprios olhos e sofre de impaciência à espera dessa intervenção.”

Bíblia Católica Online

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