Círculo Bíblico: Livro de Jó (5/10)

Círculo Bíblico: Livro de Jó

Este é o quinto de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o Livro de Jó A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o Livro de Jó (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja mas é ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia, apenas como incentivo. 

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

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Jó 20

“1.Sofar de Naamat falou nestes termos: 2.“É por isso que meus pensamentos me sugerem uma resposta, e estou impaciente por falar. 3.Ouvi queixas injuriosas, foram palavras vãs que responderam a meu espírito. 4.Não sabes bem que, em todos os tempos, desde que o homem foi posto na terra, 5.o triunfo dos ímpios é breve e a alegria do perverso só dura um instante? 6.Ainda mesmo que sua estatura chegasse até o céu e sua cabeça tocasse as nuvens, 7.como o seu próprio esterco, ele perecerá para sempre. Aqueles que tinham visto indagarão: ‘Onde ele está?’. 8.Como um sonho, ele voará e ninguém mais o encontrará. Ele desaparecerá como uma visão noturna. 9.O olho que o viu já não mais o verá e não o verá mais a sua morada. 10.Seus filhos deverão indenizar os pobres e suas mãos restituir suas riquezas.* 11.Seus ossos que estavam cheios de vigor juvenil deitam-se com ele no pó. 12.Se o mal lhe foi doce na boca, ele a escondeu debaixo da língua. 13.Se o saboreou e não o abandonou, mas o conservou na sua garganta, 14.esse alimento se transformará em suas entranhas e se converterá interiormente em fel de áspides. 15.Ele vomitará as riquezas que engoliu; Deus as fará sair-lhe do seu ventre. 16.Sugava veneno de áspides e a língua da víbora o matará. 17.Não mais verá correr os riachos de óleo, nem as torrentes de mel e de manteiga. 18.Vomitará seu ganho sem poder engoli-lo e não gozará o lucro de seu comércio. 19.Porque maltratou, desamparou os pobres e roubou uma casa que não tinha construído. 20.Porque sua avidez é insaciável, não salvará o que lhe era mais caro. 21.Nada escapava à sua voracidade, por isso que sua felicidade não há de durar. 22.Em plena abundância sentirá escassez e todos os golpes da infelicidade caem sobre ele. 23.Para encher-lhe o ventre Deus desencadeia o fogo de sua cólera, fazendo chover a dor sobre ele. 24.Se escapa diante da arma de ferro, o arco de bronze o traspassa. 25.Um dardo sai-lhe das costas, um aço fulgurante sai-lhe do fígado. O terror desaba sobre ele. 26.Todas as trevas ocultas lhe serão reservadas. Um fogo, que o homem não acendeu, o devora* e consome o que sobra em sua tenda. 27.Os céus revelarão sua culpa e a terra se levantará contra ele. 28.Uma torrente arrastará sua casa, será levada no dia da cólera divina. 29.Tal é a sorte que Deus reserva ao ímpio, tal é a herança que Deus lhe destina”.”

Jó 21

“1.Jó tomou então a palavra nestes termos: 2.“Ouvi atentamente minhas palavras. Que eu tenha pelo menos esse consolo de vossa parte. 3.Permiti que eu fale; quando tiver falado, zombai à vontade. 4.É de um ser humano que me queixo? E como não hei de perder a paciência? 5.Olhai para mim e ficareis estupefatos e poreis a mão sobre a boca. 6.Quando penso nisso, fico estarrecido e todo o meu corpo treme. 7.Por que os ímpios sobrevivem e, ao envelhecer, crescem em poderio? 8.Sua posteridade prospera diante deles, e seus descendentes sob seus olhos. 9.Suas casas estão em paz, livres de perigo, e a vara de Deus não os atinge. 10.Seu touro é cada vez mais fecundo, sua vaca dá cria sem nunca abortar. 11.Deixam os filhos correr como carneiros, e os seus pequenos saltam e brincam alegremente. 12.Cantam ao som do pandeiro e da cítara, divertem-se ao som da flauta. 13.Passam seus dias na alegria e descem tranquilamente à região dos mortos. 14.Ora, dizem a Deus: ‘Afasta-te de nós! Não queremos conhecer os teus caminhos! 15.Quem é o Todo-poderoso, para que o sirvamos? Que vantagem tiramos em lhe fazer orações?’. 16.A felicidade não está em suas mãos? Contudo, longe de mim esteja o modo de pensar dos ímpios! 17.Quantas vezes vemos apagar-se a lâmpada dos ímpios e a ruína desabar sobre eles? 18.Serão eles como a palha ao vento, como a cinza tragada pelo turbilhão? 19.‘Deus reserva para os filhos o castigo do pai?’ Que ele mesmo o puna, para que o sinta! 20.Que veja com os próprios olhos a sua ruína e ele mesmo beba da cólera do Todo-poderoso! 21.Pois o que lhe importa a sua casa depois dele, se o número de seus meses já está contado? 22.É a Deus que se irá ensinar a sabedoria, a ele, que julga os seres superiores? 23.Um morre em pleno vigor, feliz e tranquilo, 24.os flancos cobertos de gordura e a medula dos ossos cheia de seiva. 25.Outro, porém, morre com a amargura na alma, sem ter gozado a felicidade. 26.Juntos se deitam na terra e os vermes recobrem a ambos. 27.Por certo conheço vossos pensamentos, os julgamentos iníquos que fazeis de mim! 28.Dizeis: ‘Onde está a casa do tirano, onde está a tenda em que habitavam os ímpios?’. 29.Não interrogastes os viajantes? Contestaríeis seus testemunhos? 30.No dia da infelicidade o ímpio é poupado, no dia da cólera ele escapa. 31.Quem reprova diante dele o seu proceder e lhe pede contas de seus atos? 32.Levam-no ao sepulcro, ficarão de vigília em sua câmara funerária. 33.Os torrões do vale são-lhe leves; todos os homens irão em sua companhia e foram inumeráveis seus predecessores. 34.Que significam, pois, essas vãs consolações? Todas as vossas respostas são apenas perfídia”.”

Jó 22

“1.Elifaz de Temã tomou a palavra nestes termos: 2.“Pode o homem ser útil a Deus? O sábio só é útil a si mesmo. 3.De que serve ao Todo-poderoso que sejas justo? Tem ele interesse que teu proceder seja íntegro? 4.É por causa de tua piedade que ele te pune e entra contigo em juízo? 5.Não é enorme a tua malícia e não são inumeráveis as tuas iniquidades? 6.Sem razão penhoraste os teus irmãos e despojaste de suas vestes os miseráveis.* 7.Não davas água ao sedento, recusavas pão ao esfomeado. 8.A terra era do mais forte, e o protegido é que nela se estabelecia. 9.Despedias as viúvas de mãos vazias e quebravas os braços dos órfãos. 10.Eis por que estás cercado de laços e os terrores súbitos te amedrontam. 11.Tua luz tornou-se trevas, já não vês nada e o dilúvio das águas te engole. 12.Não está Deus nas alturas do céu? Vê a abóbada estrelada, como está alta! 13.E dizes: ‘Que sabe Deus? Pode ele julgar através de nuvens escuras? 14.As nuvens formam um véu que o impede de ver ele passeia apenas pela abóbada do céu’. 15.Queres seguir, pois, rotas antigas por onde andaram os homens iníquos? 16.Que foram arrebatados antes do tempo e cujos fundamentos foram arrastados com as águas!* 17.Exclamam a Deus: ‘Retira-te de nós! Que poderia fazer-nos o Todo-poderoso?’. 18.Foi ele, entretanto, que lhes cumulou de bens as casas. Contudo, longe de mim os conselhos dos ímpios! 19.Vendo-os, os justos se alegram e o inocente zomba deles: 20.‘Nossos inimigos estão aniquilados e o fogo devorou-lhes as riquezas!’. 21.Reconcilia-te, pois, com Deus e faze as pazes com ele: é assim que te será de novo dada a felicidade. 22.Aceita a instrução de sua boca e põe suas palavras em teu coração. 23.Se te voltares humildemente para o Todo-poderoso, se afastares a iniquidade de tua tenda, 24.se atirares as barras de ouro ao pó e o ouro de Ofir aos pedregulhos da torrente,* 25.o Todo-poderoso será teu ouro e um monte de prata para ti. 26.Então farás do Todo-poderoso as tuas delícias e levantarás teu rosto a Deus. 27.Tu lhe suplicarás, ele te ouvirá e cumprirás os teus votos. 28.Formarás os teus projetos, que terão feliz êxito e a luz brilhará em tuas veredas. 29.Pois Deus abaixa o altivo e o orgulhoso, mas socorre aquele que abaixa os olhos. 30.Ele salva o inocente, o qual é libertado pela pureza de suas mãos”.”

Jó 23

“1.Então, Jó tomou a palavra nestes termos: 2.“Sim, hoje minha queixa é uma revolta, ainda que sua mão reprima meus suspiros.* 3.Oxalá pudesse eu encontrá-lo e chegar até seu trono! 4.Exporia diante de Deus a minha causa, encheria minha boca de argumentos. 5.Saberia o que ele iria responder-me e veria o que ele teria para me dizer. 6.Oporia ele contra mim com prepotência? Não! Bastaria que lançasse os olhos em mim. 7.Seria então um justo a discutir com ele, e eu iria embora definitivamente absolvido pelo meu juiz. 8.Mas se eu for ao Oriente, lá ele não está; ao Ocidente, não o encontrarei; 9.se o procuro ao Norte, não o vejo; se me volto para o Sul, não o descubro. 10.Contudo, ele conhece o meu caminho; se me põe à prova, dela sairei puro como o ouro. 11.Meus pés seguiram os seus traços, guardei o seu caminho sem me desviar. 12.Não me afastei dos preceitos de seus lábios, guardei no meu íntimo as palavras de sua boca. 13.Ele decidiu alguma coisa, quem o fará voltar atrás? Ele faz o que bem lhe agrada. 14.Realizará seu desígnio a meu respeito e tem muitos projetos iguais a este. 15.Eis por que sua presença me atemoriza. Basta o seu pensamento para me fazer tremer. 16.Foi Deus que me fundiu o coração, o Todo-poderoso me enche de terror. 17.Sucumbo diante das trevas. Elas cobriram-me o rosto.”

Estes capítulos mostram uma grande revolta de Jó. Ele já não aceita mais as palavras de consolo ou questionamento dos amigos. Está inconsolável e deseja morrer e faz algo impensável para todos, ele desafia ao próprio Deus: “3.Oxalá pudesse eu encontrá-lo e chegar até seu trono! 4.Exporia diante de Deus a minha causa, encheria minha boca de argumentos. 5.Saberia o que ele iria responder-me e veria o que ele teria para me dizer. 6.Oporia ele contra mim com prepotência? Não! Bastaria que lançasse os olhos em mim. 7.Seria então um justo a discutir com ele, e eu iria embora definitivamente absolvido pelo meu juiz.” – vale demorar-se mais sobre o capitulo 23 (ultimo estudado neste dia). Quem tem fé e desafia o criador para, digamos assim, tirar as diferenças? Jó faz quase um chamado para a briga e acha que irá ganhar ainda por cima. O nível de dor e provação a que ele está passando é inimaginável para cada um de nós.

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“20,10. Este versículo parece estar colocado fora de seu contexto. 20,26. Um fogo: o raio.”
“22,6. Os miseráveis: literalmente – Aqueles que estavam nus. 22,16. Alusão ao dilúvio. 22,24. Outra tradução: se tens as barras de ouro por pó, o ouro de Ofir por pedregulhos…”
“23,2. Sua mão: a mão de Deus.”

Bíblia Católica Online

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