Círculo Bíblico: Livro de Jó (7/10)

Círculo Bíblico: Livro de Jó

Este é o sétimo de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o Livro de Jó A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o Livro de Jó (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja mas é ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia, apenas como incentivo. 

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

jo-e-os-amigos-acusadores

Jó 28

“1.Há lugares de onde se tira a prata e lugares onde o ouro é apurado. 2.O ferro é extraído do solo e o cobre é extraído de uma pedra fundida. 3.O homem pôs fim às trevas e escavou as últimas profundidades da rocha obscura e sombria. 4.Longe dos lugares habitados, um povo estrangeiro abre galerias, que são ignoradas pelos pés dos transeuntes. Suspensos, vacilam longe dos humanos. 5.A terra, que produz o pão, é sacudida em suas entranhas como se fosse pelo fogo. 6.Suas rochas encerram jazidas de safiras que contêm pepitas de ouro. 7.A águia não conhece a vereda, nem o olho do abutre a enxergou. 8.Os animais ferozes não a pisaram, nem o leão passou por ela. 9.O homem põe a mão no sílex, derruba as montanhas pela base. 10.Abre galerias nos rochedos, o olhar atento pode ver nelas todos os tesouros. 11.Explora as nascentes dos rios e põe a descoberto o que estava escondido. 12.Mas a sabedoria onde se encontra? Onde está o lugar da inteligência? 13.O homem ignora o caminho dela, ninguém a encontra na terra dos vivos. 14.O abismo diz: ‘Ela não está em mim’. ‘Não está comigo’, diz o mar. 15.Não pode ser adquirida com ouro maciço, nem pode ser comprada a peso de prata. 16.Não pode ser posta em balança com o ouro de Ofir, nem com o ônix precioso ou a safira. 17.Não pode ser comparada nem ao ouro nem ao vidro, ninguém a troca por vaso de ouro fino. 18.Quanto ao coral e ao cristal, nem se fala. A sabedoria vale mais do que as pérolas. 19.Não pode ser igualada ao topázio da Etiópia, nem pode ser equiparada ao mais puro ouro. 20.De onde vem, pois, a sabedoria? Qual é o lugar da inteligência? 21.Um véu a oculta de todos os viventes e até das aves do céu ela se esconde. 22.Declaram o inferno e a morte: ‘Apenas ouvimos falar dela’. 23.Deus conhece o caminho para encontrá-la e é ele quem sabe o seu lugar, 24.porque ele vê até os confins da terra e vê tudo o que há debaixo do céu. 25.Quando ele fixou um peso ao vento e regulou a medida das águas, 26.quando decretou as leis para a chuva, e traçou uma rota aos relâmpagos, 27.então a viu e a descreveu, penetrou-a e escrutou-a. 28.Depois disse ao homem: ‘O temor do Senhor, eis a sabedoria! Fugir do mal, eis a inteligência’.””

Jó 29

“1.Jó continuou seu discurso nestes termos: 2.“Quem me dera tornar-me tal como antes, como nos dias em que Deus me protegia, 3.quando a sua lâmpada luzia sobre a minha cabeça e à sua luz me guiava nas trevas! 4.Tal como era nos dias de meu outono, quando Deus velava como um amigo sobre minha tenda! 5.Quando o Todo-poderoso estava ainda comigo e os meus filhos, em volta de mim! 6.Quando os meus pés se banhavam no creme e o rochedo em mim derramava ondas de azeite. 7.Quando saía para ir à porta da cidade e me assentava na praça pública. 8.Viam-me os jovens e se escondiam e os velhos levantavam-se e ficavam de pé. 9.Os chefes interrompiam suas conversas e punham a mão sobre a boca. 10.Calava-se a voz dos príncipes e sua língua se colava ao céu da boca. 11.Quem me ouvia me felicitava, quem me via dava testemunho de mim.* 12.Livrava o pobre que pedia socorro e o órfão, que não tinha apoio. 13.A bênção do moribundo vinha sobre mim e eu alegrava o coração da viúva. 14.Revestia-me de justiça e a equidade era para mim como uma roupa e um turbante. 15.Era os olhos do cego e os pés daquele que manca. 16.Era o pai dos pobres e examinava a fundo a causa dos desconhecidos. 17.Quebrava o queixo do perverso e arrancava-lhe a presa de entre os dentes. 18.E dizia: ‘Morrerei no meu ninho e meus dias serão tão numerosos quanto os da fênix’.* 19.Minha raiz atinge a água e o orvalho ficará durante a noite sobre meus ramos. 20.Minha glória sempre se renovará e meu arco se reforçará em minha mão. 21.Escutavam-me, esperavam e recolhiam em silêncio meu conselho. 22.Quando acabava de falar, não acrescentavam nada e minhas palavras eram recebidas como orvalho. 23.Esperavam-me como se espera a chuva e abriam a boca, como se fosse para a chuva de primavera. 24.Sorria para aqueles que perdiam coragem; ante o meu ar benevolente, deixavam de estar abatidos. 25.Quando ia ter com eles, tinha o primeiro lugar, era importante como um rei no meio de suas tropas, como o consolador dos aflitos.”

Jó 30

“1.Agora zombam de mim os mais jovens do que eu, aqueles cujos pais eu desdenharia de colocar com os cães do meu rebanho.* 2.De que me serviria a força de seus braços, homens cujo vigor já pereceu inteiramente? 3.Reduzidos a nada pela miséria e pela fome, roem um solo árido e desolado. 4.Colhem ervas e cascas dos arbustos, e por pão têm somente a raiz das giestas. 5.São expulsos do povo e gritam com eles como se fossem ladrões. 6.Moram em barrancos medonhos, nas cavernas da terra e dos rochedos. 7.Ouvem-se seus gritos entre os arbustos e amontoam-se debaixo das urtigas. 8.São filhos de infames e de gente sem nome, que são expulsos da terra… 9.Agora, porém, sou o assunto de suas canções, tema de seus escárnios. 10.Afastam-se de mim com horror e não receiam cuspir-me no rosto. 11.Desamarraram a corda para humilhar-me, sacudiram de si todo o freio diante de mim. 12.À minha direita levanta-se a raça deles, tentam atrapalhar meus pés e abrem diante de mim o caminho da sua desgraça.* 13.Embaralham minha vereda para me perder e trabalham para a minha ruína. 14.Penetram como por uma grande brecha e irrompem entre escombros. 15.O pavor me invade. Minha esperança é varrida como se fosse pelo vento e minha felicidade passa como uma nuvem. 16.Agora minha alma se dissolve e os dias de aflição me dominaram. 17.A noite traspassa meus ossos e consome-os. Os males que me roem não dormem. 18.Com violência agarra a minha veste e aperta-me como o colarinho de minha túnica. 19.Deus jogou-me no lodo e eu me confundo com a poeira e a cinza. 20.Clamo por ti e não me respondes. Ponho-me diante de ti, e não olhas para mim. 21.Tornaste-te cruel para comigo e atacas-me com toda a força de tua mão. 22.Tu me arrebatas e me faz cavalgar o tufão, para me aniquilar na tempestade. 23.Bem sei que me levarás à morte, ao lugar onde se encontram todos os viventes. 24.Mas não é para aquele que cai que estendi a mão quando, na ruína, pedia socorro? 25.Não chorei com os oprimidos? Não teve minha alma piedade dos pobres? 26.Esperava a felicidade e veio a desgraça, esperava a luz e vieram as trevas. 27.Minhas entranhas abrasam-se sem nenhum descanso, assaltaram-me os dias de aflição. 28.Caminho no luto, sem sol; levanto-me numa multidão de gritos. 29.Tornei-me irmão dos chacais e companheiro dos avestruzes. 30.Minha pele enegrece-se e cai, e meus ossos são consumidos pela febre. 31.Minha cítara só dá acordes lúgubres, e minha flauta sons queixosos.”

Jó 31

“1.Eu havia feito um pacto com os meus olhos, para não desejar nunca olhar para uma virgem. 2.Que parte me daria Deus lá do alto, que sorte o Todo-poderoso me enviaria do céu? 3.Acaso a infelicidade não está reservada ao injusto e o infortúnio ao iníquo? 4.Não conhece Deus os meus caminhos e não conta todos os meus passos? 5.Se caminhei com a mentira e meu pé correu atrás da fraude, 6.que Deus me pese na balança da justiça e reconhecerá a minha integridade. 7.Se meus passos se desviaram do caminho e meu coração seguiu meus olhos, e se às minhas mãos se apegou qualquer mácula, 8.que semeie eu e outro o coma, e minhas plantações sejam desenraizadas! 9.Se meu coração foi seduzido por uma mulher, se fiquei à espreita à porta de meu vizinho, 10.que minha mulher gire a mó para um outro e que estranhos a possuam! 11.Pois isso seria um crime, um delito digno de julgamento, 12.um fogo que devoraria até o abismo e que teria arruinado todos os meus bens. 13.Nunca violei o direito de meu escravo ou de minha serva, em suas discussões comigo. 14.Que farei eu quando Deus se levantar? Quando me interrogar, que lhe responderei? 15.Aquele que me criou no ventre, não o criou também a ele? Um mesmo criador nos formou! 16.Acaso recusei aos pobres aquilo que desejavam e fiz desfalecer os olhos da viúva? 17.Ou comi sozinho meu pedaço de pão, sem que o órfão tivesse a sua parte? 18.Antes, desde minha infância cuidei-o como um pai e desde o ventre materno fui o seu guia. 19.Se vi perecer um homem por falta de roupa e um pobre que não tinha com que cobrir-se, 20.sem que seus rins me tenham abençoado, aquecido como estava com a lã de minhas ovelhas; 21.se levantei a mão contra o órfão, quando me via apoiado pelos juízes,* 22.que meu ombro caia de minhas costas e meu braço seja arrancado de seu cotovelo! 23.Pois o terror de Deus me invadiu e diante de sua majestade não posso subsistir. 24.Nunca pus no ouro minha segurança e jamais disse ao ouro puro: ‘És minha esperança!’. 25.Nunca me rejubilei por ser grande a minha riqueza, nem pelo fato de minha mão ter ajuntado muito. 26.Quando via o sol brilhar e a lua levantar-se em seu esplendor, 27.jamais meu coração deixou-se seduzir em segredo e minha mão não foi levada à boca para um beijo.* 28.Isso seria um crime digno de castigo, pois eu teria renegado o Deus que está no alto. 29.Nunca me alegrei com a ruína de meu inimigo, nem exultei quando a infelicidade o feriu. 30.Não permiti que minha boca pecasse, reclamando sua morte por uma imprecação. 31.Jamais as pessoas de minha tenda me disseram: ‘Há alguém que não tenha ficado satisfeito da carne?’.* 32.O estrangeiro não passava a noite fora, eu abria a minha porta ao viajante. 33.Nunca dissimulei minha culpa aos homens, escondendo em meu peito minha iniquidade, 34.como se temesse a multidão e receasse o desprezo das famílias, a ponto de me manter quieto sem pôr o pé fora da porta. 35.Oh! Se eu tivesse alguém para me ouvir! Eis a minha assinatura: que o Todo-poderoso me responda! Que o meu adversário escreva também um memorial. 36.Por certo eu o carregaria sobre meus ombros e cingiria minha fronte com ele como de uma coroa! 37.Eu lhe prestaria contas de todos os meus passos e me apresentaria diante dele altivo como um príncipe. 38.Se minha terra clamou contra mim e seus sulcos derramaram lágrimas,* 39.se comi seus frutos sem pagar, se afligi os seus donos, 40.que em vez de trigo nasçam espinhos e joio em vez de cevada!”. Aqui terminam os discursos de Jó.*”

O primeiro capitulo estudado hoje começa com Jó clamando a Deus, num tom sempre se reclamação: “2.“Quem me dera tornar-me tal como antes, como nos dias em que Deus me protegia, 3.quando a sua lâmpada luzia sobre a minha cabeça e à sua luz me guiava nas trevas!” Mal sabe ele sobre as provações que ainda virão. Ele está coberto de chagas e perdeu tudo por isso não se conforma.

cesar-nome

29,11. Alguns propõem transpor os vv. 11-20 depois do 25, para uma melhor coerência do discurso. 29,18. Fênix: dizia-se na Antiguidade, que esse pássaro fabuloso vivia 500 anos; era, diziam, queimado em seu ninho e renascia de suas cinzas. Outra tradução: Numerosos como a areia.”

“30,1. Os mais jovens: trata-se da população que circula nas portas da cidade e que atormenta Jó com suas zombarias. 30,11. Texto muito incerto.”

“31,21. Pelos juízes: literalmente – à porta da cidade, onde funcionam os tribunais. 31,27. Para um beijo: gesto de adoração idolátrica. 31,31. Jamais: para a clareza, uma negação foi suprimida nos dois versos. 31,38. Os vv. do 38 ao 40 parecem fora de seu contexto. Foi proposto inseri-los ou depois do v. 12; ou depois do v. 32. 31,40. Aqui terminam: esta frase é considerada como uma adição posterior.”

Bíblia Católica Online

jo5