Círculo Bíblico: Livro de Jó (8/10)

Círculo Bíblico: Livro de Jó

Este é o oitavo de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o Livro de Jó A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o Livro de Jó (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja mas é ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia, apenas como incentivo. 

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

Job-prayer

Jó 32

“1.Como Jó persistisse em considerar-se como um justo, estes três homens desistiram de lhe responder. 2.Então, se inflamou a cólera de Eliú, filho de Baraquel, de Buz, da família de Ram. Sua cólera inflamou-se contra Jó, por este pretender justificar-se perante Deus. 3.Inflamou-se também contra seus três amigos, por não terem achado resposta conveniente, dando assim culpa a Deus.* 4.Como fossem mais velhos do que ele, Eliú esperou enquanto falavam com Jó. 5.Mas, quando viu que não tinham mais nada para responder, encolerizou-se. 6.Então Eliú, filho de Baraquel, de Buz, tomou a palavra nestes termos: “Sou jovem em anos, e vós sois anciãos, por isso minha timidez me impediu de manifestar-vos o meu saber. 7.Dizia comigo: ‘A idade vai falar, os muitos anos farão conhecer a sabedoria’. 8.Mas é o espírito de Deus no homem, e um sopro do Todo-poderoso que dá a inteligência. 9.Não são os mais velhos que são sábios, nem os anciãos que discernem o que é justo. 10.Por isso, é que digo: ‘Escutai-me, vou mostrar-vos o que sei’. 11.Esperei enquanto faláveis, prestei atenção em vossos raciocínios. Enquanto discutíeis, 12.segui-vos atentamente. Mas ninguém refutou a Jó, nem respondeu aos seus argumentos. 13.E não digais: ‘Encontramos a sabedoria; foi Deus e não um homem quem nos instrui’. 14.Não foi a mim que dirigiu seus discursos, mas encontrarei outras respostas diferentes das vossas. 15.Ei-los calados, já não dizem mais nada; faltam-lhes as palavras. 16.Esperei que se calassem e cessassem de responder. 17.É a minha vez de responder e vou também mostrar o que sei. 18.Pois estou cheio de palavras, o espírito que está em meu peito me oprime. 19.Meu peito é como vinho arrolhado, como um barril pronto para estourar. 20.Tenho de falar, isso me aliviará. Abrirei meus lábios para responder. 21.Não farei acepção de ninguém, nem adularei este ou aquele. 22.Pois não sei bajular, do contrário, meu Criador logo me levaria.”

Jó 33

“1.E agora, Jó, ouve as minhas palavras e atende a todos os meus discursos. 2.Eis que abro a minha boca. Minha língua, sob o céu da boca, vai falar. 3.Minhas palavras brotam de um coração reto e meus lábios falarão francamente. 4.O espírito de Deus me criou e o sopro do Todo-poderoso me deu a vida. 5.Se puderes, responde-me. Toma posição e fica firme diante de mim. 6.Em face de Deus somos iguais. Como tu, eu também fui formado do barro! 7.Assim, meu temor não te assustará e o peso de minhas palavras não te acabrunhará. 8.Pois, disseste aos meus ouvidos, e ouvi estas palavras: 9.‘Sou puro, sem pecado; sou limpo, não há culpa em mim. 10.É ele que inventa pretextos contra mim e considera-me seu inimigo. 11.Prendeu meus pés no cepo e vigiou todos os meus passos’. 12.Responderei que nisto foste injusto, pois Deus é maior do que o ser humano. 13.Por que o acusas de não dar nenhuma resposta a teus discursos? 14.Ora, Deus fala de uma maneira e de outra e não prestas atenção.* 15.Por meio dos sonhos, das visões noturnas, quando o sono profundo cai sobre os homens, enquanto dormem nos seus leitos, 16.então abre os ouvidos dos mortais e os assusta com suas aparições. 17.Isso para desviá-lo do pecado e livrá-lo do orgulho, 18.para salvar-lhe a alma da cova e sua vida, da seta mortífera. 19.Pela dor também é corrigido o homem em seu leito, quando todos os seus membros são agitados, 20.quando recebe o alimento com desgosto e já não pode suportar as iguarias mais deliciosas. 21.Sua carne se consome aos olhares e seus membros emagrecidos se desvanecem. 22.Sua alma aproxima-se da sepultura e sua vida, daqueles que estão mortos. 23.Se perto dele se encontrar um anjo, um intercessor entre mil, para ensinar-lhe o que deve fazer, 24.ter piedade dele e dizer: ‘Poupai-o de descer à cova, pois recebi o resgate de sua vida’.* 25.Sua carne retomará o vigor da mocidade e ele retornará aos dias de sua adolescência. 26.Ele rezará a Deus, que lhe será propício, contemplará com alegria sua face e restituirá ao homem sua justiça. 27.Cantará diante dos homens, dizendo: ‘Pequei, violei o direito, mas Deus não me tratou conforme meus erros. 28.Poupou minha alma de descer à cova e minha alma bem viva goza a luz!’. 29.Eis o que Deus faz duas e três vezes com o ser humano, 30.a fim de tirar-lhe a alma da cova e iluminá-la com a luz da vida. 31.Presta atenção, Jó, escuta-me, cala a boca para que eu fale! 32.Se tens alguma coisa para dizer, responde-me; fala, eu gostaria de te dar razão. 33.Se não, escuta-me, cala-te, e eu te ensinarei a sabedoria”.”

Jó 34

“1.Eliú retomou a palavra nestes termos: 2.“Sábios, ouvi meu discurso; eruditos, prestai atenção. 3.Pois o ouvido discerne o valor das palavras como o paladar saboreia as iguarias. 4.Procuremos escolher o que é justo e conhecer entre nós o que é bom. 5.Jó disse: ‘Eu sou inocente, mas Deus recusa fazer-me justiça. 6.A despeito de meu direito, passo por mentiroso; minha ferida é incurável, sem que eu tenha pecado’. 7.Existe um homem como Jó, que bebe a blasfêmia como quem bebe água, 8.que anda de par com os ímpios e caminha com os perversos? 9.Pois ele disse: ‘O homem não ganha nada em ser agradável a Deus’. 10.Ouvi-me, pois, homens sensatos: longe de Deus a injustiça, longe do Todo-poderoso a iniquidade! 11.Ele trata o homem conforme seus atos e dá a cada um o que merece. 12.Pois, Deus não é injusto e o Todo-poderoso não falseia o direito. 13.Quem lhe confiou a administração da terra? Quem lhe entregou o universo? 14.Se lhe retomasse o sopro, se lhe retirasse o alento, 15.toda a carne expiraria no mesmo instante, e o homem voltaria ao pó. 16.Se tens inteligência, escuta isto, e dá ouvidos ao som de minhas palavras! 17.Acaso um inimigo do direito poderia governar? Pode o Justo, o Poderoso cometer a iniquidade? 18.Ele que disse a um rei: ‘Malvado!’. Ou aos príncipes: ‘Celerados!’. 19.Ele não tem preferência pelos grandes, nem tem mais consideração pelos ricos do que pelos pobres, pois são todos obras de suas mãos. 20.Subitamente, perecem no meio da noite; os povos vacilam e passam, o poderoso desaparece, sem o socorro de mão alguma.* 21.Pois Deus olha para a conduta de cada um e observa todos os seus passos. 22.Não há obscuridade, nem trevas onde o iníquo possa esconder-se. 23.Pois não precisa olhar duas vezes para um homem para citá-lo em justiça consigo. 24.Abate os poderosos sem inquérito e põe outros em lugar deles. 25.Pois conhece as suas obras, derruba-os à noite e são esmagados. 26.Fere-os como ímpios no lugar onde são vistos, 27.porque se afastaram dele e não quiseram conhecer nenhum de seus caminhos. 28.Fizeram chegar até Deus o clamor do pobre e tornando-o atento ao grito do infeliz. 29.Se ele dá a paz, quem poderá censurá-lo? Se oculta sua face, quem poderá contemplá-lo? 30.Assim trata ele o povo e o indivíduo de maneira que o ímpio não venha a reinar, e já não seja uma armadilha para o povo. 31.Se alguém diz a Deus: ‘Fui seduzido, não mais pecarei, 32.ensina-me o que ignoro; se cometi o mal, não mais o farei!’. 33.Julgas, então, que ele deve punir, já que rejeitaste suas ordens? És tu quem deves escolher, não eu; dize, pois, o que sabes.* 34.As pessoas sensatas me dirão, como qualquer homem sábio que me ouve: 35.‘Jó não falou conforme a razão, falta-lhe bom senso às palavras!’. 36.Pois bem, que Jó seja provado até o fim, já que suas respostas são próprias de um ímpio. 37.Porque a seus pecados acrescenta a revolta. Entre nós, com zombaria, bate as mãos e multiplica as palavras contra Deus”.*”

Jó 35

“1.Eliú retomou ainda a palavra nestes termos: 2.“Imaginas ter razão em pretender justificar-te contra Deus? 3.Quando dizes: ‘Para que me serve isto, qual é minha vantagem em não pecar?’. 4.Pois vou responder-te, a ti e a teus amigos. 5.Contempla os céus e observa as nuvens: vê como são mais altas do que tu. 6.Se pecas, que danos lhe causas? Se multiplicas tuas faltas, que mal lhe fazes? 7.Se és justo, que vantagem lhe dás? Ou que recebe ele de tua mão? 8.Tua maldade só prejudica o homem, teu semelhante; tua justiça só diz respeito a um ser humano. 9.Sob o peso da opressão, geme-se, e clama-se sob a mão dos poderosos. 10.Mas ninguém diz: ‘Onde está Deus, meu Criador, que inspira cantos de louvor em plena noite, 11.que nos instrui mais do que aos animais selvagens e nos torna mais sábios do que as aves do céu?’.* 12.Clamam, mas não são ouvidos, por causa do orgulho dos maus. 13.Por certo, Deus não ouve palavras frívolas, e o Todo-poderoso não lhes presta atenção. 14.Quando dizes que ele não se ocupa de ti, que tua causa está diante dele e que esperas sua decisão, 15.que sua cólera não castiga e que ele ignora o pecado, 16.Jó abre a boca para palavras ociosas e derrama-se em discursos impertinentes”.”

Eliú, filho de Baraquel, estava até oculto no texto, ele é mais jovem do que os outros amigos de Jó e por isso respeita-ose não fala até ver que eles e Jó não chegam a um acordo. Percebe que Jó não dá chance e parece não escutar nada do que lhe é dito. Com uma raiva ele fala e por vezes ordena que Jó se cale para que ele despeje tudo o que sente. Muitas vezes é preciso que falemos o que nos vai ao coração diante de ouvidos surdos para a palavra.

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“32,3. A Deus – o texto hebraico diz: a Jó. Como se vê, os escribas suavizaram a frase por simples escrúpulo religioso, como se ela expressasse qualquer coisa de blasfêmia.”

“33,14. De uma maneira e de outra: pelos sonhos e pelo sofrimento. 33,24. E dizer: subentenda-se – a Deus.”

“34,20. Os povos vacilam: outra tradução – ele fere os ricos. 34,33. Suas ordens: palavras acrescentadas de acordo com o sentido do texto. Nesta passagem (29-33), muito alterada, o sentido parece ser o de que a impunidade do pecador se explica, muitas vezes, pelo arrependimento ulterior. Pretenderia Jó dizer que Deus deveria punir, apesar de tudo? 34,37. Bate as mãos: verso ininteligível.”

“35,11. Mais do que aos animais: outra tradução – pelos animais, pelos pássaros. Sentido da passagem: deveríamos ser mais sensatos: gememos, mas negligenciamos de nos dirigir àquele que pode libertar-nos. Nossos gritos não são ouvidos.”

Bíblia Católica Online

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