Livro de Jonas (Círculo Bíblico – 1/4)

Círculo Bíblico: Livro de Jonas – 1/4

Este é o primeiro de uma série de 4 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o Livro de Jonas. A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o Livro de Jonas (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja e ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia.

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

Quem foi Jonas

Jonas (do hebraico יוֹנָה [Yonah]; em latim Ionas) foi, segundo a Bíblia, um profeta israelita da Tribo de Zebulom, filho de Amitai, natural de Gete-Héfer. Profetizou durante o reinado de Jeroboão II, Rei de Israel Setentrional. (II Reis 14:25; Jonas 1:1) Crê-se que tenha sido o escritor do livro bíblico do Antigo Testamento que leva o seu nome.

O Livro de Jonas é um livro profético e faz parte dos chamados profetas menores, mas isso não quer dizer que ele tenha menos importância que os demais, trata-se sim do tamanho do livro. Por exemplo o Livro de Jonas tem apenas 4 capítulos já o livro de Isaías tem 66 capítulos e este pertence ao grupo dos profetas maiores.

”Com efeito, assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim também será o Filho do Homem para esta geração” (Lucas 11,30).

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Capitulo 1 – A Fuga de Jonas

O livro de Jonas é além de um ensinamento poderoso, uma grande aventura também.

PROFECIA DE JONAS – A FUGA
1. A palavra do Senhor veio a Jonas, filho de Amati: 2. “Levanta-te! Vai a Nínive, aquela grande cidade, e denuncia suas injustiças, que chegaram à minha presença”.3. Jonas partiu então, mas com a intenção de escapar da presença do Senhor, fugindo para Tarsis. Desceu até Jope, onde encontrou um navio que estava de partida para lá. Pagou a passagem e embarcou, para tentar escapar da presença do Senhor. 4. Mas o Senhor mandou sobre o mar um vento forte que provocou grande agitação com ondas violentas que, parecia, iam arrebentar o navio. 5. Os marinheiros ficaram com medo e puseram-se a orar, cada qual ao próprio deus. Jogaram ao mar a carga que o navio transportava, a fim de aliviar-lhe o peso. Jonas tinha descido ao porão e, deitado, dormia a sono solto. 6. Indo até onde ele estava, o capitão disse-lhe: “Como podes estar dormindo? Levanta-te! Ora ao teu deus! Quem sabe ele se lembra de nós e não nos deixa morrer!” 7. Depois disseram uns aos outros: “Vamos tirar a sorte para ver quem é o culpado dessa desgraça que está nos acontecendo!” Tiraram a sorte, que caiu sobre Jonas. 8. Disseram-lhe, então: “Dize-nos porque nos aconteceu essa desgraça! Qual é a tua profissão? De onde vens? Qual a tua terra? Qual a tua gente?” 9. Jonas respondeu: “Sou hebreu. Adoro o Senhor, o Deus do céu e da terra, aquele que fez o mar e a terra firme”.10. Os homens ficaram muito assustados e disseram: “Mas por que fizeste isso?” Eles entenderam que Jonas estava fugindo da presença do Senhor, pois ele próprio lhes havia contado tudo. 11. Disseram-lhe: “Que vamos fazer contigo para o mar se acalmar?” O mar estava cada vez mais agitado. 12. Jonas respondeu: “Vamos! Atirai-me ao mar e ele ficará todo calmo ao vosso derredor, porque eu sei que foi por minha causa que vos veio tão forte temporal”. 13.Tentaram remar para se aproximarem de terra firme, mas não conseguiam porque o mar estava ficando cada vez mais agitado, o vento soprando em sentido contrário. 14. Clamaram, pois, ao Senhor: “Ah! Senhor, não queremos perder a vida junto com este homem! Não faças cair sobre nós um castigo indevido. Tu és o Senhor e fazes tudo o que queres”.15.Pegaram Jonas e o atiraram fora do navio. Imediatamente o mar se acalmou. 16.Aqueles homens passaram a temer muito ao Senhor, oferecendo-lhe sacrifícios e fazendo-lhe promessas.

Jonas é chamado por Deus para converter uma cidade onde o pecado estava instalado. Era uma mensagem do Criador para que todos pudessem ser salvos, porém Jonas tenta fugir, mas não consegue.

O Papa Francisco escreve em sua catequese de janeiro de 2017: “Jonas é um profeta “em saída” e também um profeta em fuga! É um profeta em saída que Deus envia “à periferia”, em Nínive, para converter os moradores daquela grande cidade. Mas Nínive, para um israelita como Jonas, representava uma realidade ameaçadora, o inimigo que colocava em perigo a própria Jerusalém e, portanto, a destruir, não a salvar. Por isso, quando Deus manda Jonas para rezar naquela cidade, o profeta, que conhece a bondade do Senhor e o seu desejo de perdoar, procura escapar da sua tarefa e foge. Durante a sua fuga, o profeta entra em contato com alguns pagãos, os marinheiros do navio no qual ele embarcou para se afastar de Deus e da sua missão. E foge para longe, porque Nínive ficava na região do Iraque e ele foge para a Espanha, foge sério. E é justamente o comportamento daqueles homens pagãos, como depois será dos moradores de Nínive, que nos permite hoje refletir um pouco sobre esperança que, diante do perigo e da morte, se exprime em oração.

De fato, durante a travessia do mar, surge uma tremenda tempestade, e Jonas desce para o porão do navio e se abandona ao sono. Os marinheiros, em vez disso, vendo-se perdidos, “invocaram cada um o próprio deus”: eram pagãos (Jn 1, 5). O capitão do navio acorda Jonas dizendo-lhe: “O que fazes dormindo? Levanta-te, invoca o teu Deus! Talvez Deus vai pensar em nós e não pereceremos” (Jn 1, 6).

A reação destes “pagãos” é a justa reação diante da morte, diante do perigo; porque é então que o homem faz completa experiência da própria fragilidade e da própria necessidade de salvação. O instintivo horror de morrer desperta a necessidade de esperar no Deus da vida. “Talvez Deus pensará em nós e não pereceremos”: são as palavras da esperança que se torna oração, aquela súplica cheia de angústia que sai dos lábios do homem diante de um iminente perigo de morte.

Muito facilmente nós desdenhamos o dirigir-se a Deus na necessidade como se fosse apenas uma oração interessada, e por isso imperfeita. Mas Deus conhece a nossa fraqueza, sabe que nos recordamos Dele para pedir ajuda, e com o sorriso indulgente de um pai, Deus responde com benevolência.

Quando Jonas, reconhecendo as próprias responsabilidades, se joga ao mar para salvar os seus companheiros de viagem, a tempestade se acalma. A morte iminente levou aqueles homens pagãos à oração, fez com que o profeta, apesar de tudo, vivesse a própria vocação a serviço dos outros aceitando sacrificar-se por eles, e agora conduz os sobreviventes ao reconhecimento do verdadeiro Senhor e ao louvor. Os marinheiros, que tinham rezado com medo dirigindo-se aos seus deuses, agora, com sincero temor do Senhor, reconhecem o verdadeiro Deus e oferecem sacrifícios e votos. A esperança que os tinha induzido a rezar para não morrer, se revela ainda mais poderosa e trabalha uma realidade que vai também além do que eles esperavam: não somente não perecem na tempestade, mas se abrem ao reconhecimento do verdadeiro e único Senhor do céu e da terra.”

Ensinamento

Jonas é um dos ápices do ensinamento do Antigo Testamento. Ele rompe até mesmo com os ensinamentos clássicos dos profetas, mostrando que as ameaças de Deus, na verdade, são expressões de uma vontade misericordiosa, que só espera a manifestação do arrependimento para dispensar o perdão. Deus quer a conversão.

Além disso, outro elemento importante é o universalismo. Os personagens pagãos (marinheiros, rei assírio, até os animais de Nínive) são bem vistos; o inimigo mais terrível de Israel (a Assíria destruiu a Samaria!) entra nos planos de Deus. Deus não é só dos judeus, mas também dos pagãos!

Qual reflexão podemos ter deste capitulo?

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Muitas vezes insistimos em não ouvir a vontade de Deus, e não atendemos seu chamado. Na comunidade de fé, algumas pastorais estão sempre lotadas de voluntários e outras não. Será que todos realmente estão escutando a voz de Deus e se pondo em missão ou estão apenas onde acham mais fácil? Lembre-se que seguir a Deus nem sempre é pelo caminho fácil. Vejo muitas paróquias formadas de muitas comunidades, e algumas destas comunidades com muita dificuldade de achar voluntários para o trabalho, enquanto outras já mais estabelecidas com pessoas se acotovelando para o serviço. É valido isso? Sim e não. Sim porque é trabalhar para Deus de qualquer forma, Não, porque é preciso socorrer a todos. A messe é grande e precisa de operários.

Milton Cesar

Onde fica Nínive

Foi uma cidade muito importante do Império Assírio. Foi destruída em 612 antes de Cristo. Ficava às margens do rio Tigre, na região norte da Mesopotâmia, no atual Iraque. A imagem acima mostra claramente onde estava a cidade. Uma “cidade excessivamente grande”, como é chamada no Livro de Jonas, jazia na margem oriental do rio Tigre, na antiga Assíria. Nínive (Ninawa) era um grande amontado de vários vilarejos ao longo do rio tigre. Onde atualmente existe a cidade moderna de Mossul, no estado de Ninawa do Iraque.

Onde fica Társis

Uma cidade do Leste, na costa do Oceano Índico, com base em que navios de Társis saíram de Eziongeber, no Mar Vermelho. Cartago. Um porto fenício na Espanha, localizado entre as duas bocas do rio Guadalquivir. Esta era a localização destino do navio que levou o profeta Jonas, quando ele navegou de Jope.

Onde fica Jope

A cidade bíblica de Jope é hoje conhecida como Jaffa. Este foi o principal porto da costa antes de os israelitas construírem os portos de Haifa e Ashdod. A moderna cidade de Tel Aviv foi fundada nos arredores de Jafa em 1909 e hoje abrange a antiga cidade. Tel Aviv significa ” Colina da Primavera” e mantém o mesmo nome que tinha a cidade durante o período do exílio em Babilônia (Ez 3:15). Hoje a área de Tel Aviv é a maior área metropolitana em Israel. É uma antiga cidade portuária de Israel, tida como uma das mais antigas do mundo. A partir de 1950, Jaffa foi incorporada a Tel Aviv, formando uma única municipalidade e, por esta razão, a cidade israelense leva o nome oficial de Tel Aviv-Yafo.