A Missa: Parte por Parte

Série : Animo, uma nova catequese (Encontro 30/40 – Complemento 15)

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A Missa: parte por parte

A celebração da Eucaristia, ou como nós conhecemos : a Missa, é o acontecimento em que os cristãos católicos atualizam o gesto de Jesus realizado na última ceia. Naquela noite memorável ficou profundamente marcado na mente dos apóstolos o pedido de Jesus:

“Fazei isto em minha memória! “(Lc 22,19)

Participar da missa é atualizar o pedido de Jesus, É colocar-se em atitude de entrega a Deus Pai e aos irmãos, como fez Jesus.

Jesus realizava assim a primeira missa

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Participar é comungar, é trazer Cristo para dentro de si e depois levá-lo aos irmãos.

A Santa Missa torna presente o sacrifício de Jesus realizado sobre o calvário. Mas também é lugar de se ouvir a palavra de Deus direto da Bíblia.

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A Missa é também é lugar de catequese por excelência.

Tempo e momento de louvor a Deus e também de estar em encontro com os outros irmãos e irmãs da comunidade de fé.

O que é a missa? – A missa consiste em um memorial da Páscoa de Jesus. Celebra a glória, morte e ressurreição de Jesus Cristo.

A Missa é também o momento da comunidade celebrante e não é feita somente de palavras. Ela é um todo composto de palavras, ritos, gestos, cantos, que devem estar bem integrados entre si, para que haja uma harmonia na celebração.

Mais do que uma tradição a missa é comunhão. Imagine-se num encontro com toda a sua família, basicamente este encontro ocorre em todas as missas onde todos os fiéis (irmãs e irmãos) se encontram para celebrar o Pai.

Assistir a missa pela TV ou Internet tem também seu valor, mas não substitui a participação in loco (na igreja) da celebração. O ir pessoalmente, comungar, participar é mais importante ainda.

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Padre Marcelo Rossi, mais de 1 milhão de pessoas assistindo na TV e mais de 100.000 na igreja

Usarei a montagem com um folheto de missa para exemplificar as partes da celebração, os números acompanhados de (*) serão identificados no folheto

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 O ritual

 O ritual litúrgico da missa é dividido em quatro partes: Ritos Iniciais, Liturgia da Palavra, Liturgia Sacramental e Ritos Finais.

  • Ritos Iniciais :
  • Acolhimento (comentário inicial)
  • Canto de Entrada : Pode-se fazer uma procissão de entrada para mostrar a nossa caminhada ou indicar o tema a ser celebrado. Todos de pé (*1)
  • Saudação (acolhida do presidente: padre/diácono/ministro da palavra)(*2) Fl 1,2
  • Antífona de Entrada: Geralmente o trecho de um Salmo, mas que pode ter outros temas dependendo do Tempo Litúrgico (*2)
  • Ato Penitencial: Momento de pedirmos perdão reconhecendo nossas faltas. (*3)    (Mt 7ss; Sl 50,19b)
  • Hino de Louvor: Glória (*4) (Lc 2,14)
  • Oração (ou Coleta): O presidente faz uma oração em nome da igreja reunida pela vida da comunidade, pedindo a Deus por Cristo, na unidade do Espírito Santo. Ao final todos se sentam (*5)
  1. Liturgia da Palavra:
  • Primeira Leitura: Geralmente tirada do Antigo Testamento, salvo no Tempo Pascal em que se lê nos Atos dos Apóstolos. (*6)
  • Salmo Responsorial ( Salmo de Resposta): Leitura retirada do livro dos Salmos (*7)
  • Segunda Leitura: Tirada das Cartas dos Apóstolos ou do Apocalipse (*8)
  • Aclamação ao Evangelho: Canto de aclamação. Todos de pé. (*9)
  • Evangelho: Leitura retirada dos Evangelhos Sinóticos exceto na Quaresma, Tempo Pascal e Festas onde se lê o Evangelho de João. A divisão feita pela igreja divide as leituras dos Evangelhos por anos sendo: Mateus (Ano A), Marcos (Ano B) e Lucas (Ano C). (*10)
  • Homilia: Antigamente costumava-se chamar de sermão. É o momento em que no presidente da celebração fala com a comunidade refletindo sobre as leituras e trazendo uma mensagem sobre tudo no que foi lido. Seria uma espécie de catequese para todos. Este momento todos devem estar sentados numa atitude de quem está pronto a aprender (*11)
  • Profissão de Fé (Creio) – Todos de pé (*12)
  • Oração da Assembléia ou da Comunidade (Prece dos Fiéis): Momento em que a comunidade faz seus pedidos a Deus. (*13)
  1. Liturgia Eucarística (Sacramental):
  • Preparação das Ofertas (Ofertório): (*14)

– Canto das Oferendas ou Ofertas – Todos sentados

– Momento de receber as ofertas dos fiéis

– Ofertório: Não existe mais a entrada em procissão do pala e vinho, salvo quando autorizado pelo padre ou em momentos especiais. Durante este momento a mesa é preparada com as alfaias (cálice, ambula, patena, hóstias grande e partículas ). O presidente usa o gesto de lavar as mãos, mas não como Pilatos o fez e sim como quem se prepara para a refeição. Coloca-se gotinhas de água no vinho que será consagrado e depois uma pequena partícula da hóstia grande é colocada também no cálice. O significado das gotinhas de água é cada fiel está em Cristo e a partícula é o corpo de Cristo com seu sangue. Depois das gotas de água caírem no vinho nada pode separá-los

  • Oração sobre as oferendas: “Orai irmãos e irmãs… É a oração que o presidente pedem para que todos rezem para que o sacrifício de Cristo seja aceito. “ Todos de pé (*15 e 16)
  • Oração Eucarística : Existem diversas formas de Oração Eucarística (todas numeradas e retiradas do Missal Romano, o que faz com que em todo o mundo seja feito a missa daquele dia com a mesma oração, mostrando a unidade da Igreja Católica). Neste momento podemos dividir em partes, pois logo no início o presidente da celebração anuncia: “O Senhor esteja convosco” e a comunidade confirma: “Ele está no meio de nós. “ Assim após uma breve oração é rezado o Santo ( que pode ser feito como oração ou como cântico repetindo o que os anjos fizeram ao anunciar a chegada do então menino Jesus aos pastores em Belém.  Começa o rito da comunhão com a consagração (o vinho virá sangue e o pão virá carne, é a transubstanciação) momento de repetir o gesto de Jesus na última ceia seguindo o pedido dele mesmo: “Fazei isso em minha memória…” Depois vem os pedidos pelos vivos e os mortos, o Santo Papa, Os Bispos e os Presbíteros e outros pedidos. A ultima oração é o “Por Cristo, com Cristo e em Cristo…”, vale salientar que esta é uma oração própria do sacerdote e os fiéis só fazem o Amém (Assim Seja) (*17)
  • Ritos da Comunhão:
  • Oração do Pai Nosso (Mt 6,7-12(*18)
  • Oração e Abraço da Paz
  • Fração do Pão (Cordeiro de Deus) Tem sido cantado ultimamente, mas pode ser rezado
  • Comunhão: Momento de receber Cristo. Neste momento de distribuição da Eucaristia canta-se o Cântico da Comunhão (*19)
  • Silêncio: Ouvir a voz de Deus no nosso interior. Este ano (2017) houve até uma reflexão da igreja sobre a importância do silêncio nas missas, então tem sido recomendado que não se crie cantos ou outras distrações.
  • Antifona da Comunhão – Todos de pé
  • Oração de Ação de Graças (Pós-comunhão) (*21)
  1. Ritos Finais:
  • Avisos ( caso haja necessidade )
  • Bênção Final – Todos de pé
  • Despedida: Ir em paz com o Senhor como companheiro. (*23)

A Missa não termina,porque ela não é um ato isolado na vida do católico.  Durante toda a semana o fiel tenta viver a união com seus irmãos,  através de uma vida de ajuda e fraternidade. 

Os itens *20 e 22 da imagem do folheto ficaram de fora porque em alguns modelos de folhetos estas partes são diferentes. Mas o grande cerne da misa e da liturgia está contido em todos.

Tempo Litúrgico

Existe também todo um tempo litúrgico a ser seguido, que muda conforme já falado de ano em ano. Sendo Ano A: Mateus; Ano B: Marcos; Ano C: Lucas; João celebrações especificas e tempo da Quaresma e Páscoa

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Detalhes :

Ficar sentado indica sobretudo a atitude de quem escuta e acolhe, para refletir e orar.

Ficar de pé significa respeito ao outro e estar pronto para caminhar. Expressa a atitude de quem acredita em um Jesus ressuscitado, presente na Eucaristia que saiu do túmulo  para voltar a caminhar conosco.

Ficar de joelhos é sempre um sinal de penitência  mais do que de adoração. Quem gosta de ajoelhar durante a Consagração, deve voltar a ficar de pé para a aclamação.

Também se deve guardar, nos momentos próprios, o silêncio sagrado, como parte da celebração. A natureza deste silêncio depende do momento em que ele é observado no decurso da celebração. Assim, no ato penitencial e a seguir ao convite à oração, o silêncio destina-se ao recolhimento interior; a seguir às leituras ou à homilia, é para uma breve meditação sobre o que se ouviu; depois da Comunhão, favorece a oração interior de louvor e ação de graças. Antes da própria celebração é louvável observar o silêncio na igreja, na sacristia e nos lugares que lhes ficam mais próximos, para que todos se preparem para celebrar devota e dignamente os ritos sagrados (Instrução Geral do Missal Romano nº 45)

Todo o gestual da missa tem o seu significado, desde o simples abrir de braços do padre, ao olhar, o silêncio e os momentos de falar com cada fiel. Desde o Concilio Vaticano II onde a missa deixou de ser celebrada apenas em latim e de costas para ser celebrada na língua de cada localidade e com o padre de frente (exatamente como Jesus fez) que a celebração ganhou ainda mais significado. Faça o teste, chegue mais cedo e repare em todo o gestual, em cada detalhe da missa, será uma experiência deveras enriquecedora.

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Origem da palavra missa

O substantivo missa vem do verbo latino mittere (“enviar, mandar, dispensar”), o mesmo que originou missão e míssil. Nas igrejas primitivas, nos primórdios do Cristianismo, o culto era dividido em duas partes: a primeira, composta de orações, cantos e de um sermão, era aberta a todos; a segunda (a eucaristia) era reservada aos cristãos batizados. Por isso, dizia-se ao final da 1ª parte, a fórmula “Ite, missa est”, que significa, aproximadamente, “Podem ir, [a congregação] está dispensada”. Pouco a pouco, a palavra que assinalava especificamente o momento da dispensa passou a designar toda a cerimônia.

Seria muito bom se todos chegassem na Igreja um pouco antes, não em cima da hora ou atrasados e pudessem observar o ambiente, a cor litúrgica, a Mesa da Palavra  (o ambão de onde se fazem as leituras), o altar (Mesa da Eucaristia ). Pudessem notar a cruz sobre o altar ou mais comumente ao lado dele, as velas (o círio pascal), as flores, o grupo de canto, as vestes… Tem muitas coisas para serem observadas, e cada gesto ou ato tem seu significado. Por isso também a Pastoral Litúrgica deve ter o cuidado na preparação para que na hora da celebração não tenha correrias por esquecimento ou sinais de que algumas coisas estão erradas. Penso que a missa deve ser celebrada por todos, dos fiéis, equipe da liturgia, o Padre, ministros, leitores, enfim todos devem entrar no mistério de Jesus Cristo.

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Existem também diversos subsídios litúrgicos para se acompanhar a celebração eucarística, entre eles muitos folhetos Litúrgicos-Catequéticos (Folhetos de Missa) além dos hoje populares livretos da liturgia diária. Como exemplos temos: O Domingo (Paulus), Deus Conosco (Editora Santuário), A Missa (Arquidiocese do Rio de Janeiro). Porém pela questão do custo destes semanários algumas comunidades tem optado por exibirem em telões ou mesmo utilizarem a Bíblia para as missas.

Boa fonte de pesquisa :

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Logo após o descobrimento do Brasil foi celebrada uma missa

Artigo: Milton Cesar (fidesomnium.wordpress.com)

O que foi o Concílio Vaticano II?

Conferência realizada entre 1962 e 1965 gerou transformações profundas na Igreja

Foi uma série de conferências realizadas entre 1962 e 1965, consideradas o grande evento da Igreja Católica no século 20. Com o objetivo de modernizar a Igreja e atrair os cristãos afastados da religião, o papa João XXIII convidou bispos de todo o mundo para diversos encontros, debates e votações no Vaticano. Da pauta dessas discussões constavam temas como os rituais da missa, os deveres de cada padre, a liberdade religiosa e a relação da Igreja com os fiéis e os costumes da época. “O Concílio tocou em temas delicados, que mudaram a compreensão da Igreja sobre sua presença no mundo moderno. Foram repensadas, por exemplo, as relações com as outras igrejas cristãs, o judaísmo e crenças não-cristãs”, diz o teólogo Pedro Vasconcelos, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo. Após três anos de encontros, as autoridades católicas promulgaram 16 documentos como resultado do Concílio. Muitas novidades apareceram nas questões teológicas e na hierarquia da Igreja. O papa, por exemplo, aceitou dividir parte de seu poder com outros cardeais. E as missas passaram a ser rezadas na língua de cada país – antes eram celebradas sempre em latim! Na questão dos costumes, porém, o encontro foi pouco liberal. A Igreja continuou condenando o sexo antes do casamento e defendendo o celibato (proibição de se casar e de ter relações sexuais) para os padres. No quadro ao lado, você confere o que mudou – e o que ficou na mesma – depois dessa reforma na Igreja Católica.

Mudança de hábito
Conferência realizada entre 1962 e 1965 gerou transformações profundas na Igreja

ASSUNTO – MISSA

ANTES DO CONCÍLIO – Rezada em latim, com o padre voltado para o altar, de costas para os fiéis. Apenas membros do clero comandavam a celebração

DEPOIS DO CONCÍLIO – Rezada no idioma de cada país, com o padre de frente para o público. Mulheres e homens leigos (que não são do clero) podem ajudar na celebração

ASSUNTO – SEXO

ANTES DO CONCÍLIO – Doutrina rígida, contrária ao sexo antes do casamento e ao aborto, mesmo em caso de estupro

DEPOIS DO CONCÍLIO – Manteve a mesma posição

ASSUNTO – RELACIONAMENTO COM OUTRAS RELIGIÕES

ANTES DO CONCÍLIO – Desconfiança em relação aos ensinamentos de religiões não-cristãs (islamismo, judaísmo, etc.)

DEPOIS DO CONCÍLIO – Aceita a idéia de que, por meio de outras religiões, também é possível conhecer Deus e a salvação

ASSUNTO – CULTO AOS SANTOS

ANTES DO CONCÍLIO – Proliferação de “santos” criados pela crença popular e não-canonizados pela Igreja

DEPOIS DO CONCÍLIO – “Santos” não-canonizados são abolidos. Cristo volta a ser o centro das atenções na missa

ASSUNTO – COMPORTAMENTO DO SACERDOTE

ANTES DO CONCÍLIO – Uso obrigatório da batina e de outros símbolos da Igreja. Casamento e relações sexuais são proibidos

DEPOIS DO CONCÍLIO – Cai o uso obrigatório da batina: agora, os padres podem usar trajes sociais. Segue a proibição ao casamento e ao sexo

ASSUNTO – QUESTÕES POLÍTICAS

ANTES DO CONCÍLIO – Condenação do capitalismo e esforço para evitara “contaminação” do catolicismo por idéias comunistas

DEPOIS DO CONCÍLIO – Continua a condenação ao capitalismo e ao comunismo, mas aumenta um pouco a liberdade dos teólogos para interpretar a Bíblia

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