Atos dos Apóstolos (Círculo Bíblico – 2/10)

Círculo Bíblico: Atos dos Apóstolos – Encontro 2/10

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São Pedro ou Santo Simão como é conhecido na Igreja Ortodoxa

Este é o segundo de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o livro dos Atos dos Apóstolos. A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o livro dos Atos dos Apóstolos (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja e ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia.

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

 

Quais são os pilares da comunidade nos tempos dos Atos dos apóstolos?

At 2,22-36 Querigma

Querigma numa tradução literal seria O Primeiro Anúncio, mas já na comunidade crescente e que se estruturava nos relatos do livro dos Atos é o primeiro anúncio oficial vindo da figura mais importante do cristianismo depois do próprio Cristo. O discípulo chefe de toda a igreja, Simão Pedro (Kefas). É a primeira vez depois da ascensão de Cristo que Pedro toma a palavra e é ouvido.

Neste trecho do livro podemos considerar como a essência do cristianismo pois explica a vida, a palavra e as ações dos cristãos. Uma multidão cercava os então chamados nazarenos  (seguidores do Nazareno Jesus) para ouvir algo e Pedro, líder deixado pelo próprio Jesus dirige-se a todo o povo de Israel  (simbolizado pela multidão) e relembra os últimos acontecimentos : “Israelitas, ouvi estas palavras: Jesus de Nazaré, homem de quem Deus tem dado testemunho diante de vós com milagres, prodígios e sinais que Deus por ele realizou no meio de vós como vós mesmos o sabeis, depois de ter sido entregue, segundo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de ímpios. Mas Deus o ressuscitou, rompendo os grilhões da morte, porque não era possível que ela o retivesse em seu poder.” (Atos dos Apóstolos, 2, 22-24 – Bíblia Católica Online)

As palavras de Pedro queriam mostrar que Jesus era inocente e justo, que Deus estava com ele, falando através de sua palavra e agindo através de sua ação. A maior prova foram os prodígios realizados por Jesus, sinais de que o Reino de Deus libertava o povo e levando-o a vida. Porém esse mesmo Jesus foi morto.

Porquê ?

Porque os dirigentes do Povo na época  (Romanos e o Sinédrio) nunca tiveram interesse na libertação e na vida do povo, muito menos que o povo tivesse acesso ao conhecimento. Se isso acontecesse eles iriam perder as mordomias e privilégios conseguidos e sustentados graças à exploração e opressão do povo.

Isso te lembra algo? Basta compararmos com o que acontece hoje em dia com a classe política e muitos ricos que oprimem o povo.

Jesus falhou?

Não! Mais uma vez foram às pessoas que se afastaram dos ensinamentos do Mestre.

A morte de Jesus foi acima de tudo uma morte política. Havia razões políticas e econômicas, acobertadas ideologicamente pela religião. Ele era um perigo para o sistema. Seu anúncio de verdade e de justiça,  fraternidade e partilha, ameaçava os poucos que concentravam o poder (na época os ricos sacerdotes do Sinedrio, a corte do rei Herodes e Roma como potência dominadora). Por incrível que pareça Jesus foi condenado em nome da religião. O Evangelho Segundo João 19,7 traz isso claramente : “Responderam-lhe os judeus: Nós temos uma lei, e segundo essa lei ele deve morrer, porque se declarou Filho de Deus.” Tudo influenciado pelos membros do Sinédrio que agitaram o povo. O que todos não contavam era que Jesus fosse realmente o Messias e ressuscitasse no terceiro dia. O que era encarado apenas como bravata se tornou verdade.

Comunhão fraterna – At 2,42-45

“42.Perseveravam eles na doutrina dos apóstolos, na reunião em comum, na fração do pão e nas orações. 43.De todos eles se apoderou o temor, pois pelos apóstolos foram feitos também muitos prodígios e milagres em Jerusalém e o temor estava em todos os corações. 44.Todos os fiéis viviam unidos e tinham tudo em comum. 45.Vendiam as suas propriedades e os seus bens, e dividiam-nos por todos, segundo a necessidade de cada um.” 

As primeiras comunidades eram sempre fraternas e viviam sempre em comunhão total entre si. Mas o ponto principal talvez seja a palavra perseverança . A comunidade persevera (continua, não desiste) no empenho e no compromisso assumido quando foram convertidos. Esse é um ponto para se refletir mais profundamente.

Fração do pão (Missa) – At 2,46-47

“46.Unidos de coração frequentavam todos os dias o templo. Partiam o pão nas casas e tomavam a comida com alegria e singeleza de coração, 47.louvando a Deus e cativando a simpatia de todo o povo. E o Senhor cada dia lhes ajuntava outros que estavam a caminho da salvação.” 
Ainda era uma comunidade enraizada no judaísmo, mas que não deixava de seguir o pedido de Cristo de partir o pão e celebrar em memória dele. Mas o número de seguidores ia aumentando praticamente todos os dias e logo a comunidade iria ter uma identidade própria e se separar da religião judaica. Partir o pão é a atualização do gesto de Jesus evidenciado na última ceia (At 20, 7; 1Cor 10,16;11,25). A Eucaristia era celebrada nas casas como parte de uma refeição em comunidade, sem a pompa dos templos, lembrando que muitas vezes esses atos eram feitos em certo segredo pois os cristãos eram alvos de perseguição. Mas o que fica é a alegria , característica da salvação oferecida por Jesus (Lc 1,14.44)

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Em nome de Cristo – At 3,1-26

Aqui Lucas vai começara narrar algo que continua no capítulo 4. Inicia-se com um acontecimento narrado na cura de um coxo (3,1-10), a reação do povo que aprova (3,11-26), o revide das autoridades  (4,1-22) e o fechamento com a reação de uma comunidade perseguida  (4,23-31)

Tanto Pedro quanto João continuavam a frequentar o templo e cumpriam sua orações como sempre fizeram, afinal eles ainda eram judeus. E numa destas idas um homem os aborda na porta do lugar pedindo esmola, “Pedro, porém, disse: Não tenho nem ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou: em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda!” (At 3, 6) e o homem foi curado, para espanto das pessoas que cercaram os discípulos. Mais uma vez Pedro discursa falando da condenação de Cristo e de como foi um erro cometido contra o Filho de Deus: “13.O Deus de Abraão, de Isaac, de Jacó, o Deus de nossos pais glorificou seu servo Jesus, que vós entregastes e negastes perante Pilatos, quando este resolvera soltá-lo. 14.Mas vós renegastes o Santo e o Justo e pedistes que se vos desse um homicida. 15.Matastes o Príncipe da vida, mas Deus o ressuscitou dentre os mortos: disso nós somos testemunhas.”  (At 3, 13-19). O discurso de Pedro inflamou o lugar e deixou muitos descontentes, porém muitos acabaram se convertendo ao cristianismo.

At 4, 1-7

Já no inicio do capitulo mostra que ainda dentro do templo Pedro e João foram presos, mas a comunidade cada vez maior de nazarenos elevou-se a mais de cinco mil. A ousadia dos dois discípulos de terem curado o deficiente de nascença às portas do Templo foi demais. Eles curaram em nome de Jesus e o templo era a sede dos mesmos “poderes ” que haviam condenado o Filho de Deus a morte. Como então o Sinédrio poderia deixar passar tal “afronta”? Se isso fosse feito eles admitiriam que o poder do homem de Nazaré era maior do que o deles.

” 1.Enquanto eles falavam ao povo, vieram os sacerdotes, o chefe do templo e os saduceus, 2.contrariados porque ensinavam ao povo e anunciavam, na pessoa de Jesus, a ressurreição dos mortos. 3.Prenderam-nos e os meteram no cárcere até o outro dia, pois já era tarde. 4.Muitos, porém, dos que tinham ouvido a pregação creram; e o número dos fiéis elevou-se a mais ou menos cinco mil” 
Atos dos Apóstolos, 4, 1- 4 – Bíblia Católica Online

Perseverança nos ensinamentos de Jesus – At 4,8-13

Pedro e João não temem e não recuam em suas ações. Eles são interrogados mas estão na certeza de que o Espírito estaria respondendo quando os apóstolos estivessem num tribunal. Assim havia dito Jesus  (Lc 12,11-12). Mesmo sendo pressionados eles aproveitam para acusar as autoridades e ainda a anunciar o evangelho ao povo.  Pedro não pede a conversão das autoridades do Sinédrio o seu anúncio é dirigido sobretudo ao povo.

Seguem-se vários pontos interessantes se fracionarmos a leitura e usarmos como chaves de leitura : 1. Mesmo por trás do poder existe a fraqueza  (4,14-17), 2. Obedecer a Deus apenas (4,18-22)

4,23- 31 Oração e a força da comunidade

A comunidade é a parte mais importante de toda essa narrativa. As autoridades sempre tiveram medo do povo. Se todos (até hoje) percebessem isso poderiam mudar o mundo. A comunidade nos tempos dos Atos percebe isso ão verem Pedro e João serem libertados  mesmo sem terem se curvado, mesmo sendo gente simples do meio do povo mesmo. Quando os apóstolos contam o que se passou a comunidade percebe que os poderosos não estão interessados no bem do povo. E abraçam a fé em Jesus Cristo com mais afinco.

Milton Cesar

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Refletindo 

Estes pilares deveriam ser os pilares de todas as comunidades atuais. Mas o que vemos é uma divergência enorme entre o que as comunidades cristãs deveriam ser e o que fazem, principalmente em relação a comunhão fraterna e a perseverança nos ensinamentos de Jesus. A força da mensagem de Jesus tem sido constantemente distorcida em favor de interesses de quem, hoje, se arvora mensageiro da verdade. São muitas teologias de prosperidade e riqueza e nenhuma para seguir o exemplo máximo do Senhor Jesus utilizado nas comunidades nascidas logo após a ascensão de Jesus e relatadas nos Atos dos Apóstolos. O exemplo de uma comunidade fraternal que dividia tudo para que todos fossem iguais,  cedeu lugar hoje em dia a teologias que pregam em nome de Jesus que quem não conseguir a riqueza é fraco na oração ou não é amado de Deus. Salvo algumas exceções , o que vejo são denominações ditas religiosas que mais se assemelham ao estilo do Sinédrio que condenou Jesus do que as comunidades que ele deixou. Ou alguém viu escrito nos relatos do livro dos Atos que São Pedro, São Paulo, São Marcos ou São Lucas ou de qualquer outro discípulo ou apóstolos enriquecendo às custas dos fiéis?

O livro dos Atos  é por excelência o livro do Espírito Santo, as ações se iniciam em sua grande maioria a partir do espírito santo, e ele é citado nominalmente 58 vezes durante o livro. Por isso uma comunidade sem o Espírito Santo é vazia.

Milton Cesar

São Pedro

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Discípulo de Jesus nascido em Betsaida, Galiléia, conhecido como o Príncipe dos Apóstolos e tido como primeiro chefe da Igreja Cristã em Roma e considerado pela Igreja Católica como seu primeiro Papa. As principais fontes de informação sobre sua vida são os quatro Evangelhos ( MateusMarcosLucas eJoão), onde aparece com destaque em todas as narrativas evangélicas, os Atos dos Apóstolos, as epístolas de Paulo e as duas epístolas do próprio apóstolo. Filho de Jonas e irmão do apóstolo André, seu nome original era Simão e na época de seu encontro com Cristo morava em Cafarnaum, com a família da mulher (Lc 4,38-39). Não se sabe contudo se naquele período ele estava casado, ou já era viúvo.

Pescador, tal como os apóstolos Tiago e João, trabalhava com o irmão e o pai e foi apresentado a Jesus por seu irmão, em Betânia, onde tinha ido conhecer o Cristo, por indicação de João Batista. No primeiro encontro Jesus o chamou de Cefas, que significava pedra, em aramaico, determinando, assim, ser ele o apóstolo escolhido para liderar os primeiros propagadores da fé cristã pelo mundo. Jesus, além de mudar-lhe o nome, o escolheu como chefe da cristandade aqui na terra: “E eu te digo: Tu és pedra e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares sobre a terra, será ligado também nos céus” (Mt 16, 18-19).

Convertido, despontou como líder dos doze apóstolos, foi o primeiro a perceber em Jesus o filho de Deus. Junto com seu irmão e os irmãos Tiago e João Evangelista, fez parte do círculo íntimo de Jesus entre os doze, participando dos mais importante milagres do Mestre sobre a terra. Teve, também, seus momentos controvertidos, como quando usou a espada para defender Jesus e na passagem da tripla negação, e de consagração, pois foi a ele que Cristo apareceu pela primeira vez depois de ressuscitar. Após a Ascensão, presidiu a assembléia dos apóstolos que escolheu Matias para substituir Judas Iscariotes, fez seu primeiro sermão no dia de Pentecostes e peregrinou por várias cidades.

Fundou as linhas apostólicas de Antioquia e Síria (as mais antigas sucessões do Cristianismo, precedendo as de Roma em vários anos) que sobrevivem em várias ortodoxias Sírias. Encontrou-se com São Paulo, ou Paulo de Tarso, em Jerusalém, e apoiou a iniciativa deste, de incluir os não judeus na fé cristã, sem obrigá-los a participarem dos rituais de iniciação judaica. Após esse encontro, foi preso por ordem do rei Agripa I, encaminhado à Roma durante o reinado de Nero, onde passou a viver. Ali fundou e presidiu à comunidade cristã, base da Igreja Católica Romana, e, por isso, segundo a tradição, foi executado por ordem de Nero.

Conta-se, também, que pediu para ser crucificado de cabeça para baixo, por se julgar indigno de morrer na mesma posição de Cristo. Seu túmulo se encontra sob a catedral de S. Pedro, no Vaticano, e é autenticado por muitos historiadores. É festejado no dia 29 de junho. (Fonte Canção Nova )

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Este circulo bíblico foi feito na comunidade Santo Antonio de Santana Galvão  (Paróquia São Marcos, O Evangelista) no bairro do CDHU-San Martins em Campinas-SP, no ano de 2007 e foi atualizado em 2012 e 2017. É um círculo bíblico escrito e feito por mim, e esta é a versão inédita e atualizada. Espero que seja útil, e conto com seus comentários para a melhoria do texto.

Como base de estudo foi usado:

  • Bíblia do Peregrino- Paulus
  • Bíblia de Jerusalém – Paulus
  • Bíblia da CNBB
  • Livro: Como ler os Atos dos Apóstolos- O caminho do Evangelho- Ivo Storniolo -Paulus Editora
  • Bíblia Católica Online (nos links)

 

Para ser catequista

A Paulus Editora lançou recentemente uma série de vídeos no YouTube  (deixarei todos os links disponíveis mais adiante) sobre a formação do Catequista . Baseado no livro Ministério do catequista -Elementos básicos para a formação do Pe. Humberto Robson de Carvalho e apresentado pelo Pe. Antônio Iraildo e por  Thatiana Brasil a serie chama-se Ministério do Catequista -O Livro Aberto e traz reflexões e orientações  (curtas até) sobre como trabalhar a catequese, como ser catequista e qual a importância da catequese . Um assunto que sempre defendo é a questão do catequista ser um Ministro da Catequese com uma formação mais consistente.

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Capa do livro

São vídeos interessantes. Na minha opinião poderiam ser mais aprofundados, mas o objetivo da editora é que você busque as fontes (comprando os livros sugeridos), mesmo assim Vale a pena assistir para se ter um Norte sobre o assunto.

Milton Cesar

Para você assistir (é só clicar em cima do nome)

  1. Ministério do Catequista: o livro aberto (Parte 1) – Quem é Ele?

  2. Ministério do Catequista: o livro aberto (Parte 2) – Eu tenho vocação para ser catequista?

  3. Ministério do Catequista: o livro aberto (Parte 3) – Iniciação à vida cristã
  4. Ministério do Catequista: o livro aberto (Parte 4) – Como começou a catequese?
  5. Ministério do Catequista: o livro aberto (Parte 5) – Educação na fé: Metodologia e Liturgia
  6. Ministério do Catequista: o livro aberto (Parte 6) – Catequese e ministério
  7. Ministério do Catequista: o livro aberto (Parte 7) – A espiritualidade do catequista
  8. Ministério do Catequista: o livro aberto (Parte 8) – Você aceita o desafio?

Providências que não podem ser esquecidas (Complemento 19)

Série : Animo, uma nova catequese (Encontro 36, 37 e 38/40 – Complemento 19)

 

 

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Crisma (Imagens da internet)

Desde o início desta proposta de vivência na fé que venho falando sobre alguns procedimentos que devem ser feitos, mesmo parecendo pura burocracia para que se chegue no momento das celebrações dos sacramentos e tudo esteja a contento.

  1. Documentação: é muito importante que após a inscrição na catequese toda a documentação comece a ser verificada e pedida caso necessária. Nas catequeses de adultos (e algumas vezes nas infantis) é comum que alguns catequizandos necessitem receber não só o sacramento da Eucaristia. No caso das catequeses para Adultos geralmente a preparação é para a Crisma, mas alguns dos catequizandos acabam tendo que receber antes os sacramentos do Batismo e Eucaristia. Então a preparação é para os 3 sacramentos só que nem para todos, mas é feito em conjunto e só quem tem que receber os demais vão recebe-los. Porém a documentação necessária exigida é a mesma para os 3 casos. então vamos lá:
  • Documento de Batismo (Batistério) entregue quando se recebe o sacramento do Batismo. Necessário do catequizando (se este já foi batizado) e dos padrinhos tanto de Batismo como de Crisma.
  • Documento da Primeira Eucaristia: entregue como lembrança da primeira Comunhão. Necessário dos catequizandos (quando já receberam a primeira comunhão) e dos padrinhos tanto de batismo como de Crisma
  • Certificado do Sacramento da Confirmação (Crisma): este para os padrinhos tanto de batismo como de crisma
  • Comprovante de endereço: catequizandos, padrinhos
  • RG e CPF : catequizandos, pais e padrinhos
  • Certificado de conclusão de curso de Batismo (dentro da validade de 6 meses): Pais e Padrinhos
  • O curso de preparação para os padrinhos de Crisma é dado numa reunião com o grupo de catequese e os catequizandos, além dos pais.

Os documentos que são concedidos pela igreja podem ser pedidos na secretaria da paróquia onde será realizado a celebração do sacramento, porém para se facilitar e agilizar é importante que se tenha o nome da igreja e a cidade onde foi realizada a cerimônia do sacramento já que dependendo da localidade este documento demora a chegar e pode ter um custo. É sempre bom solicitar antes,por isso sempre oriento o Grupo de Catequese a solicitar meses antes toda a documentação e evitar aborrecimentos. Um sacramento só será concedido após a realização do outro nesta sequência: Batismo, Eucaristia e Crisma.

2.  Preparação para a celebração:

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Primeira Comunhão (Imagens da internet)

  • Agendar com o pároco (padre) todas as datas para as missas dos sacramentos, sem esquecer que podem ser necessárias 3 datas: Batismo, Eucaristia e Crisma (esta última precisa de uma atenção maior já que é o Bispo que agenda quando o padre ou a Pastoral da Crisma conversa com ele, e deste agendamento depende toda a programação dos encontros)
  • Conversar sempre com o padre sobre quais serão os procedimentos adotados, por exemplo: os catequizandos que receberem o Batismo e/ou a Eucaristia terão que se confessar (receber o sacramento da penitencia) também na época da Crisma? A Eucaristia vai ser separada da celebração da Crisma (seria interessante que fosse e geralmente é)
  • Agendar reuniões com a Pastoral da Liturgia para preparar juntos as missas dos sacramentos, lembrando que a Pastoral do Batismo deve ter uma a participação na missa do Batismo. Preparar as leituras (quem vai ler), escolher as músicas e as ações dentro da celebração como procissão de entrada e ofertório. Tudo tem que ser feito com uma integração entre as pastorais para que tudo funcione bem.

3. Camisetas, velas e lembrancinhas

  • Como eu já havia sugerido, é muito comum hoje se adotar uma camiseta para o dia da celebração dos Sacramentos da Eucaristia e Crisma, por ser mais simples e mais barato do que a família ou o catequizando gastar com roupas de festa para este dia e para não haver uma diferença muito grande entre os que vão todos “chiques” e os que vão mais humildes. A camiseta com uma imagem escolhida entre todo o grupo e o nome da comunidade e do sacramento celebrado é mais bonita até. Vale ressaltar que deve-se ter cuidado com a escolha das cores. Camisetas pretas não devem ser utilizadas, já que dentro da liturgia significam luto, e receber um sacramento é o momento de pureza e alegria, geralmente as camisetas são brancas (elas saem mais em conta também), no Crisma elas podem ser vermelhas que é a cor do Espírito Santo. Para que haja uma valorização é indicado que cada catequizando pague a sua, prestando atenção naqueles que por ventura não tiverem condição de pagar para poder chamar discretamente para uma conversa e a comunidade arcar com estas camisetas,sempre sem constranger a pessoa.
  • Lembrancinhas: existem lembrancinha em forma de certificados para todos os sacramentos, elas servem também de documento pois devem ser assinadas pelo padre e conter o carimbo da comunidade ou paróquia. São vendidas nas livraria católicas como a Paulus, Vozes, Editora Santuário e outras, e não são caras. Deve-se comprar bem antes ou até mesmo produzir uma personalizada. O preenchimento tem que ser muito correto com o nome e dados do catequizando e assinado antes da celebração.
  • Velas para o Batismo e a Crisma: é importante verificar com antecedência se a comunidade tem as velas para estes sacramentos já que elas são imprescindíveis para estas missas em especifico.
  • Frisar bem a questão dos horários e datas.Os catequisandos tem que ser avisados com no minimo 2 meses de antecedência de quando serão as celebrações.
  • Quando se adota pastas com as folhas de encontro é muito interessante entregar estas pastas no final da celebração da Crisma ou em um encontro pós-celebração.
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Batismo de jovem (imagem da internet)

Uma boa organização leva a um melhor desenvolvimento do trabalho feito. Por isso sugiro que toda esta documentação esteja pedida e de preferência já recebida , logo nos primeiros 4 meses de preparação para que possa ser identificadas dificuldades e casos que é preciso a intervenção direta do padre.

Igreja Católica Apostólica Romana

Série : Animo, uma nova catequese (Encontro 35/40 – Complemento 18)

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Igreja Católica Apostólica Romana

No Credo Niceno- Constantinopolitano é dito: “Creio na igreja uma, santa, católica e apostólica.” – A pergunta a ser feita seria: Qual de nós somos católicos?

A nossa igreja é a Igreja Católica Apostólica Romana.

Nenhum católico verdadeiro é católico brasileiro (ou de qualquer país que seja), somos Católicos Apostólicos Romanos que por ventura estamos no Brasil. O Papa Bento XVI saudava assim: “Minha benção aos fiéis católicos do Brasil.”

A palavra Católico quer dizer Universal. Vem da palavra latina katholikos e o seu sentido é “estar em todo o universo” (universal). Todo o universo porque em todo o mundo a igreja católica está (mesmo onde o governo não quer, ela existe, nem que seja escondida) e o resto do universo pertence a Deus.

Apostólico: ´´e pelo fato de sermos apóstolos de Jesus cristo. Ele escolheu 12 discípulos para que o seguissem e depois estes levassem o evangelho (a boa nova, a boa notícia) a todos. Paulo foi um dos inúmeros seguidores que mesmo sem conhecer Jesus (nunca andou com ele ou o viu em carne e osso) se tornou um apóstolo dele. Cada um de nós que acredita em Cristo (mesmo sem ter visto) e que leva a sua palavra (até mesmo numa conversa informal) é um apóstolo (seguidor, na tradução mais literal)

Romano: Porque a sede da igreja é no Vaticano, em Roma (Itália). O Vaticano é um país dentro de uma cidade, onde o presidente é o Papa (hoje Papa Francisco) e de lá ele anuncia e nos guia. O Papa é o sucessor de São Pedro. O primeiro discípulo de Jesus a ser martirizado (morto) em Roma foi Pedro. A sede da igreja acabou sendo em Roma porque os romanos dominaram o mundo por muitos anos e o imperador Constantino (senhor do mundo e de Roma) acabou se curvando as palavras de Jesus e abraçou a fé cristã.

Nós católicos somos 2, 5 bilhões no mundo (só de Católicos Apostólicos Romanos). Seguidos pela segunda maior religião que é o Islã (cerca de 1,5 bilhões). Os outros 3 bilhões de pessoas se dividem entre Judeus, Budistas, Hindus, Ateus e outras religiões.

 

A igreja como organização

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A igreja se organiza assim:

  • Comunidades (são as igrejas que ficam em cada região) e que na cidade geralmente tem uma Basílica (normalmente a igreja do centro da cidade). Para citar Campinas, SP existe no centro da cidade a Catedral de Nossa Senhora da Conceição (a cidade cresceu em torno da igreja que é uma das últimas feitas em taipa de pilão existente no mundo). Existem Catedrais e Basilicas.
  • Paróquias: reúnem as comunidades de uma certa região para a coordenação comum de um pároco ou administrador paroquial (um padre ou em raros casos um diácono)
  • Forania: é a reunião das paróquias de uma grande região ou mais regiões.
  • Diocese: Reúne todas as Forania, paróquias, igrejas, basílica de uma cidade (em alguns casos até de mais de uma cidade, casos em que a cidade vizinha é um município pequeno e possui uma ou duas comunidades apenas). Geralmente é comandada por um Bispo
  • Arquidiocese: Reúne as dioceses de várias cidades de uma região. (Exemplo: a Arquidiocese de Campinas reúne as dioceses de Campinas, Elias Fausto, Hortolândia, Indaiatuba, Monte-Mor, Paulínia, Sumaré, Valinhos e Vinhedo num universo de quase 3 milhões de pessoas) comandada por um Arcebispo.
  • CNBB: Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, como o nome já diz é um órgão que reúne os Bispos (e Arcebispos) do Brasil para encontros de discussão sobre a situação e desafios a se enfrentar pela igreja. Geralmente solta documentos que ajudam a normatizar o trabalho de evangelização.
  • Vaticano: Sede da igreja, onde se reúnem os cardeais (apesar de os cardeais estarem sempre no seu pais de origem eles acabam tendo encontros importantes lá). No Vaticano fica a Basílica de São Pedro que equivale a basílica base da igreja como um todo. O Vaticano é um estado (país) neutro e independente por isso na 2ª Guerra Mundial não foi bombardeado.

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Hierarquia

A base da hierarquia da igreja é bem definida, porém em certos pontos pode parecer um tanto complicada; Veja a divisão Teórica da hierarquia:

 

Fiéis (leigos)* Todos os fiéis, incluindo os que só participam das missas, os agentes de pastoral, catequistas, cantores, ministros, etc. Sem o fiel não existe a igreja
Diácono

A tradução literal é ajudante

Existe o Diácono permanente (pessoa casada a pelo menos 10 anos que estuda e vive plenamente a vida na igreja, convidado pelo bispo ou indicado pela comunidade se prepara e recebe os votos). Usa sobre a casula uma batina (ou faixa) transversal.

Existe o diácono temporário que é o seminarista que passou pelos quase 10 anos de estudo, recebeu os votos e está se preparando para ser padre.

Nenhum dos dois casos fazem a consagração da comunhão

Padre (sacerdote, presbítero)

Seria aquele que preside

Passa por estudos que podem levar de 9 a 10 anos. Recebe os votos permanentes e pode ser (ou não) pároco de uma comunidade. Alguns padres recebem o título de Monsenhor (honraria concedida pelo Papa), Vigário Geral (tem o poder executivo da diocese, em nome do Bispo), Cônego (vive sob regra de vida em catedrais e colégios), Cura (pároco de uma Catedral), Capelão (padre militar ou dirigente de uma capela)
Bispo (tradução seria supervisor) Um padre que escolhido pelo Vaticano se torna Bispo para comandar uma diocese. Podem receber o título de Arcebispo e passarem a comandar uma Arquidiocese. Em alguns casos passa a ser Arcebispo Primaz (título de honra concedido pelo Papa a alguns prelados, geralmente o arcebispo da arquidiocese mais antiga do país/região)
Cardeal Bispos eleitos para serem os representantes de cada país no Vaticano. Também são membros do colégio cardinalício, e elegem o Papa (aliás podem se tornar Papas dependendo da eleição)
Papa O Bispo de Roma, sucessor de Pedro (não é São Pedro reencarnado, mas sim um sucessor). O Papa é o chefe da igreja, o presidente do Vaticano (como chefe de estado é recebido por outros presidentes)
Vida Consagrada

(Irmãs, Freiras, Frades, Consagrados) * entram também na parte de fiéis leigos

Existem as mulheres e homens que fazem parte de ordens religiosas e servem como frei/freira, monge/monja ou frade/frater de um convento ou mosteiro que professou votos perpétuos.

Também pessoas que se consagram em Comunidades Vidas (Pantokrator, Shalon, Canção Nova, etc.) e vivem uma vida normal cotidiana, mas aos finais de semana (ou épocas em especial) estão sempre fazendo o trabalho de evangelização dentro da comunidade.

 

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A igreja Católica Apostólica Romana no Brasil faz parte do CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs) que fazem o Ecumenismo (um diálogo entre as igrejas cristãs, sem uma disputa). Fazem parte deste conselho:

  • Igreja Católica Apostólica Romana
  • Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
  • Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil
  • Igreja Presbiteriana Unida
  • Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia
  • Aliança de Batistas do Brasil

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A igreja física

A igreja não é uma casa, um prédio. Nem apenas o Papa, Bispos, Padres estão a “serviço” da igreja. A Igreja somos todos nós.

Claro que o prédio (a igreja construída) é importante no sentido de se acolher o fiel, de se ter um local mais estruturado para se realizar a catequese, os grupos de oração e celebrar a missa. Mas a igreja continua na nossa casa, no dia a dia, na nossa vida.

1Cor 12, 20 “Há, pois, muitos membros, mas um só corpo.”

At 12,1-11.18-19 “Por aquele mesmo tempo, o rei Herodes mandou prender alguns membros da Igreja para os maltratar. 2.Assim foi que matou à espada Tiago, irmão de João. 3.Vendo que isto agradava aos judeus, mandou prender Pedro. Eram então os dias dos pães sem fermento. 4.Mandou prendê-lo e lançou-o no cárcere, entregando-o à guarda de quatro grupos, de quatro soldados cada um, com a intenção de apresentá-lo ao povo depois da Páscoa. 5.Pedro estava assim encerrado na prisão, mas a Igreja orava sem cessar por ele a Deus. 6.Ora, quando Herodes estava para o apresentar, naquela mesma noite dormia Pedro entre dois soldados, ligado com duas cadeias. Os guardas, à porta, vigiavam o cárcere. 7.De repente, apresentou-se um anjo do Senhor, e uma luz brilhou no recinto. Tocando no lado de Pedro, o anjo despertou-o: Levanta-te depressa, disse ele. Caíram-lhe as cadeias das mãos. 8.O anjo ordenou: Cinge-te e calça as tuas sandálias. Ele assim o fez. O anjo acrescentou: Cobre-te com a tua capa e segue-me. 9.Pedro saiu e seguiu-o, sem saber se era real o que se fazia por meio do anjo. Julgava estar sonhando. 10.Passaram o primeiro e o segundo postos da guarda. Chegaram ao portão de ferro, que dá para a cidade, o qual se lhes abriu por si mesmo. Saíram e tomaram juntos uma rua. Em seguida, de súbito, o anjo desapareceu. 11.Então Pedro tornou a si e disse: Agora vejo que o Senhor mandou verdadeiramente o seu anjo e me livrou da mão de Herodes e de tudo o que esperava o povo dos judeus.” “Chegaram a Éfeso, onde os deixou. Ele entrou na sinagoga e entretinha-se com os judeus.”

Mt 16, 18 “E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela.”

O nome de Pedro era Simão Bar-Jonas (filho de Jonas). Era costume devido a ocupação romana as pessoas usarem um nome hebraico e um equivalente grego. Por exemplo: a pessoa é Pedro (em português) e Peter (inglês). Simão em hebraico é Kefas (pedra rocha) e Pedro (pedra, rocha) é o equivalente em romano. Jesus dá a missão a Pedro, e isso tem um significado especial: Jerusalém (a Palestina) é uma região de cheia de grutas (pequenas cavernas) e os pastores de ovelhas passavam semanas cuidando delas nos pastos afastados da cidade e acabavam se refugiando nestas grutas durante as chuvas ou no frio (característica do deserto), assim como alguns viajantes faziam o mesmo.

Pense: Pedro (a rocha) hoje representado pelo Papa Francisco, seria o abrigo dos pastores e viajantes. Este abrigo é a igreja, os pastores (os padres) e os viajantes (cada um de nós).

sao-pedro-e-sao-paulo

São Pedro e São Paulo

A igreja católica é cheia de fatos tão interessantes e significativos que mesmo falando durante 1000 encontros não se esgotariam. A igreja foi e é perseguida. Sempre será porque nós nunca nos calamos diante do que quer que seja. Seja polêmico para uns ou não. Sempre existirão os detratores da igreja, e os que tentam a todo custo desmoralizar e atacar uma igreja que sobrevive a pelo menos 2000 anos, fundada sobre a rocha (Pedro) e sobre a vocação de levar a palavra onde for de Paulo. Tantas pessoas foram mártires porque pregavam a sua fé católica sem medo dos que não querem ouvir a boa nova.

Hoje algumas das polêmicas da igreja se tratam de:

– Contra o uso de preservativo: a igreja acredita que as pessoas vão ter relações saudáveis e não promiscuas (parceiros e parceiras aleatórios) e principalmente que estas relações aconteceram entre pessoas que receberam o sacramento do matrimônio. A lógica está em se confiar na pessoa que se tem como companheiro (a). Não existe uma proibição, mas uma orientação, recomendação e explicação. Ninguém é obrigado a seguir, mas dá para se pensar.

– Casamento entre pessoas do mesmo sexo: Como a igreja vive sob a égide da Bíblia e nela não existe nada sobre isso a igreja acaba sendo contra. Porém todos são livres para terem a vida que bem entenderem, mas não receberão o sacramento do Matrimônio na Igreja Católica apostólica Romana.

– Casamento dos Padres: O Padre faz votos de castidade ao receber o Sacramento da Ordem, tendo plena consciência disto. Se por ventura ele quiser em dado momento da vida deixar estes votos e contrair Matrimônio ele pode, basta pedir para abandonar a batina (popularmente), fazer a comunicação ao bispo e deixar de ser sacerdote (o título de padre ele não perde, mas deixa de exercer as funções de presbítero e também deixa de receber salário através da igreja).

– Pedofilia na igreja: Um pedófilo comete um crime e como tal deve ser julgado criminalmente, seja padre ou não. A igreja não compactua com estes desvios e este tipo de crime. O Papa Francisco tem cada vez mais combatido isso. E o número de casos dentro da igreja é bem menor do que em outras áreas.

 

A igreja no Brasil

Cebs

Aqui no Brasil a igreja cresceu muito mais nos anos 70 com as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Antes a igreja se concentrava mais nas grandes basílicas e igrejas mais estruturadas. A CEBs, que era um grupo de muitos fiéis, pediram aos bispos autorização e começaram a juntar as pessoas nos bairros para pedirem a presença de padres, que vinham para celebrar nas escolas, campos e futebol, sedes de bairro, e assim pouco a pouco foram construídas comunidades (terrenos foram doados, comprados com a ajuda de todos) pela mão de obra dos próprios fiéis que doavam seu tempo e força de trabalho em mutirão. Enfim a igreja deixou de ser apenas de catedrais e foi para mais perto do povo. Por isso são chamadas de comunidades (comum –unidade). A CEBs acabou também se tornando celeiro de muitas lutas por melhorias em bairros mais carentes e também surgiram líderes políticos que se aproveitaram deste cenário para se lançarem nas carreiras políticas.

Mas o tempo acabou tirando um dos pilares da CEBs do foco: a oração. A CEBs acabava se tornando um bom lugar para se discutir e lutar e se esquecia que a base da igreja é também rezar. Por isso em meados dos anos 80, um movimento iniciado nos Estados Unidos chegou ao Brasil, como resgate da fé, era a Renovação Carismática Católica (RCC), ficou muito conhecida pelos grupos de oração. Muitos padres aceitaram de bom grado este movimento, outros não. A RCC sempre foi mais adepta do louvor e adoração, sempre falando de Nossa Senhora e também do Espírito Santo (esta última parte foi confundida com o que os protestantes faziam).

RCC

Houve então um choque entre a CEBs e a RCC.

A CEBs achava que a RCC só sabia rezar e esquecia de lutar pelo povo como Jesus fazia, por outro lado a RCC considerava que a CEBs só se preocupava com a política (vale lembrar que dentro da CEBs nasceram alguns partidos políticos) e esquecia que Jesus orava antes de mais nada. Foram criando rusgas quase inalteráveis e inimizades.

Vale ressaltar que para qualquer movimento poder usar o título de Movimento Católico tem que ter a aprovação do próprio Papa com a recomendação das confederações dos bispos e os dois grupos possuíam este direito. Então no final dos anos 90 o Papa João Paulo II, ciente deste “problema” no Brasil deu uma “bronca” e ameaçou dissolver os dois movimentos se não houvesse um entendimento. Pouco a pouco este entendimento ganhou corpo e acabaram entendendo que a palavra oração é orar e agir (orar-ação).Hoje a CEBs atua principalmente no Nordeste e a RCC tomou corpo e cresceu bastante atuando em quase todas as comunidades.

Transcrição do CIC

«Redemptor noster unam se personam cum sanctam Ecelesiam, quam assumpsit, exhibuit – O nosso Redentor apresentou-Se a Si próprio como uma única pessoa unida à santa Igreja, que Ele assumiu».

«Caput et membra, quasi una persona mystica – Cabeça e membros são, por assim dizer, uma só e mesma pessoa mística»

777.A palavra «Igreja» significa «convocação». Designa a assembleia daqueles que a Palavra de Deus convoca para formar o seu povo, e que, alimentados pelo Corpo de Cristo, se tornam, eles próprios, Corpo de Cristo.

778. A Igreja é, ao mesmo tempo, caminho e meta do desígnio de Deus: prefigurada na criação, preparada na antiga Aliança, fundada pelas palavras e atos de Jesus Cristo, realizada pela sua Cruz redentora e pela sua ressurreição, manifesta-se como mistério de salvaçãopela efusão do Espírito Santo. Será consumada na glória do céu como assembleia de todos os resgatados da terra .

779. A Igreja é, ao mesmo tempo, visível e espiritual, sociedade hierárquica e Corpo Místico de Cristo. É una, mas formada por um duplo elemento: humano e divino. Aí reside o seu mistério, que só a fé pode acolher.

780.A Igreja é, neste mundo, o sacramento da salvação, o sinal e o instrumento da comunhão de Deus e dos homens.

805. A Igreja é o Corpo de Cristo. Pelo Espírito e pela sua acção nos sacramentos, sobretudo na Eucaristia, Cristo morto e ressuscitado constitui como seu Corpo a comunidade dos crentes.

806. Na unidade deste Corpo, existe diversidade de membros e de funções. Mas todos os membros estão unidos uns aos outros, parti­cularmente àqueles que sofrem, aos pobres e aos perseguidos.

807. A Igreja é este Corpo, cuja Cabeça é Cristo: ela vive d’Ele, n’Ele e para Ele; e Ele vive com ela e nela.

808. A Igreja é a Esposa de Cristo: Ele amou-a e entregou-Se por ela. Purificou-a pelo seu sangue. Fez dela a mãe fecunda de todos os filhos de Deus.

809. A Igreja é o Templo do Espírito Santo. O Espírito é como que a alma do Corpo Místico, princípio da sua vida, da unidade na diversidade e da riqueza dos seus dons e carismas.

810. «A Igreja universal aparece, assim, como “um povo que vai buscar a sua unidade à unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo“»

A IGREJA É UNA, SANTA, CATÓLICA E APOSTÓLICA

811. «Esta é a única Igreja de Cristo, que no Credo confessamos ser una, santa, católica e apostólica» . Estes quatro atributos, inseparavelmente ligados entre si indicam traços essenciais da Igreja e da sua missão. A Igreja não os confere a si mesma; é Cristo que, pelo Espírito Santo, concede à sua Igreja que seja una, santa, católica e apostólica, e é ainda Ele que a chama a realizar cada uma destas qualidades.

812. Só a fé pode reconhecer que a Igreja recebe estas propriedades da sua fonte divina. Mas as manifestações históricas das mesmas são sinais que também falam claro à razão humana. «A Igreja, lembra o I Concílio do Vaticano, em razão da sua santidade, da sua unidade católica, da sua invicta constância, é, por si mesma, um grande e perpétuo motivo de credibilidade e uma prova incontestável da sua missão divina».

I. A Igreja é una

«O SAGRADO MISTÉRIO DA UNIDADE DA IGREJA»

813.A Igreja é una, graças à sua fonte: «O supremo modelo e princípio deste mistério é a unidade na Trindade das pessoas, dum só Deus, Pai e Filho no Espírito Santo». A Igreja é una graças ao seu fundador: «O próprio Filho encarnado […] reconciliou todos os homens com Deus pela sua Cruz, restabelecendo a unidade de todos num só povo e num só Corpo» . AIgreja é una graças à sua «alma»: «O Espírito Santo que habita nos crentes e que enche e rege toda a Igreja, realiza esta admirável comunhão dos fiéis e une-os todos tão intimamente em Cristo que é o princípio da unidade da Igreja». Pertence, pois, à própria essência da Igreja que ela seja una:

«Que admirável mistério! Há um só Pai do universo, um só Logos do universo e também um só Espírito Santo, idêntico em toda a parte; e há também uma só mãe Virgem, à qual me apraz chamar Igreja».

814. Desde a origem, no entanto, esta Igreja apresenta-se com uma grande diversidade, proveniente ao mesmo tempo da variedade dos dons de Deus e da multiplicidade das pessoas que os recebem. Na unidade do povo de Deus, juntam-se as diversidades dos povos e das culturas. Entre os membros da Igreja existe uma diversidade de dons, de cargos, de condições e de modos de vida. «No seio da comunhão da Igreja existem legitimamente Igrejas particulares, que gozam das suas tradições próprias». A grande riqueza desta diversidade não se opõe à unidade da Igreja. No entanto, o pecado e o peso das suas consequências ameaçam constantemente o dom da unidade. Também o Apóstolo se viu na necessidade de exortar a que se guardasse «a unidade do Espírito pelo vínculo da paz» (Ef 4, 3).

815. Quais são os vínculos da unidade? «Acima de tudo, a caridade, que é o vínculo da perfeição» (Cl 3, 14). Mas a unidade da Igreja peregrina é assegurada também por laços visíveis de comunhão:

– a profissão duma só fé, recebida dos Apóstolos;
– a celebração comum do culto divino, sobretudo dos sacramentos;
– a sucessão apostólica pelo sacramento da Ordem, que mantém a concórdia fraterna da família de Deus .

816. «A única Igreja de Cristo […] é aquela que o nosso Salvador, depois da ressurreição, entregou a Pedro, com o encargo de a apascentar, confiando também a ele e aos outros apóstolos a sua difusão e governo […]. Esta Igreja, constituída e organizada neste mundo como uma sociedade, subsiste (subsistit in) na Igreja Católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos bispos em comunhão com ele».

O decreto do II Concílio do Vaticano sobre o Ecumenismo explicita: «Com efeito, só pela Igreja Católica de Cristo, que é “meio geral de salvação”, é que se pode obter toda a plenitude dos meios de salvação. Na verdade, foi apenas ao colégio apostólico, de que Pedro é o chefe, que, segundo a nossa fé, o Senhor confiou todas as riquezas da nova Aliança, a fim de constituir na terra um só Corpo de Cristo, ao qual é necessário que sejam plenamente incorporados todos os que, de certo modo, pertencem já ao povo de Deus» .

817. De facto, «nesta Igreja de Deus una e única, já desde os primórdios surgiram algumas cisões, que o Apóstolo censura asperamente como condenáveis. Nos séculos posteriores, porém, surgiram dissensões mais amplas. Importantes comunidades separaram-se da plena comunhão da Igreja Católica, às vezes por culpa dos homens duma e doutra parte» . As rupturas que ferem a unidade do Corpo de Cristo (a saber: a heresia, a apostasia e o cisma) devem-se aos pecados dos homens:

«Ubi peccata, ibi est multitudo, ibi schismata, ibi haereses, ibi discussiones. Ubi autem virtus, ibi singularitas, ibi unio, ex quo omnium credentium erat cor unum et anima una — Onde há pecados, aí se encontra a multiplicidade, o cisma, a heresia, o conflito. Mas onde há virtude, aí se encontra a unicidade e aquela união que faz com que todos os crentes tenham um só coração e uma só alma» .

818. Os que hoje nascem em comunidades provenientes de tais rupturas, «e que vivem a fé de Cristo, não podem ser acusados do pecado da divisão. A Igreja Católica abraça-os com respeito e caridade fraterna […]. Justificados pela fé recebida no Batismo, incorporados em Cristo, é a justo título que se honram com o nome de cristãos e os filhos da Igreja Católica reconhecem-nos legitimamente como irmãos no Senhor» .

819.  Além disso, existem fora das fronteiras visíveis da Igreja Católica, «muitos elementos de santificação e de verdade»: «a Palavra de Deus escrita, a vida da graça, a fé, a esperança e a caridade, outros dons interiores do Espírito Santo e outros elementos visíveis». O Espírito de Cristo serve-Se destas Igrejas e comunidades eclesiais como meios de salvação, cuja força vem da plenitude da graça e da verdade que Cristo confiou à Igreja Católica. Todos estes bens provêm de Cristo e a Ele conduzem e por si mesmos reclamam «a unidade católica».

A CAMINHO DA UNIDADE

820. A unidade, «Cristo a concedeu à sua Igreja desde o princípio. Nós cremos que ela subsiste, sem possibilidade de ser perdida, na Igreja Católica, e esperamos que cresça de dia para dia até à consumação dos séculos». Cristo dá sempre à sua Igreja o dom da unidade. Mas a Igreja deve orar e trabalhar constantemente para manter, reforçar e aperfeiçoar a unidade que Cristo quer para ela. Foi por esta intenção que Jesus orou na hora da sua paixão e não cessa de orar ao Pai pela unidade dos seus discípulos: «…Que todos sejam um. Como Tu, ó Pai, és um em Mim e Eu em Ti, assim também eles sejam um em Nós, para que o mundo creia que Tu Me enviaste» (Jo 17, 21). O desejo de recuperar a unidade de todos os cristãos é um dom de Cristo e um apelo do Espírito Santo.

821. Para lhe corresponder de modo adequado, exige-se:

– uma renovação permanente da Igreja, numa maior fidelidade à sua vocação. Essa renovação é a força do movimento a favor da unidade ;
– a conversão do coração, «com o fim levar uma vida mais pura segundo o Evangelho», pois o que causa as divisões é a infidelidade dos membros ao dom de Cristo;
– a oração em comum, porque «a conversão do coração e a santidade de vida. unidas às orações, públicas e privadas, pela unidade dos cristãos, devem ser tidas como a alma de todo o movimento ecumênico, e com razão podem chamar-se ecumenismo espiritual»;
– o mútuo conhecimento fraterno;
– a formação ecumênica dos fiéis, e especialmente dos sacerdotes;
– o diálogo entre os teólogos, e os encontros entre os cristãos das diferentes Igrejas e comunidades (290);
– a colaboração entre cristãos nos diversos domínios do serviço dos homens ».

822. A preocupação com realizar a união «diz respeito a toda a Igreja, fiéis e pastores». Mas também se deve «ter consciência de que este projeto sagrado da reconciliação de todos os cristãos na unidade duma só e única Igreja de Cristo, ultrapassa as forças e capacidades humanas». Por isso, pomos toda a nossa esperança «na oração de Cristo pela Igreja, no amor do Pai para connosco e no poder do Espírito Santo» .

II. A Igreja é santa

823. «A Igreja é […], aos olhos da fé, indefectivelmente santa. Com efeito, Cristo, Filho de Deus, que é proclamado «o único Santo», com o Pai e o Espírito, amou a Igreja como sua esposa, entregou-Se por ela para a santificar, uniu-a a Si como seu Corpo e cumulou-a com o dom do Espírito Santo para glória de Deus» . A Igreja é, pois, «o povo santo de Deus», e os seus membros são chamados «santos» .

824. A Igreja, unida a Cristo, é santificada por Ele. Por Ele e n’Ele toma-se também santificante. «Todas as obras da Igreja tendem, como seu fim, para a santificação dos homens em Cristo e para a glorificação de Deus». É na Igreja que se encontra «a plenitude dos meios de salvação» . É nela que «nós adquirimos a santidade pela graça de Deus».

825. «Na terra, a Igreja está revestida duma verdadeira, ainda que imperfeita, santidade». Nos seus membros, a santidade perfeita é ainda algo a adquirir: «Munidos de tantos e tão grandes meios de salvação, todos os fiéis, seja qual for a sua condição ou estado, são chamados pelo Senhor à perfeição do Pai, cada um pelo seu caminho».

826. A caridade é a alma da santidade à qual todos são chamados: «É ela que dirige todos os meios de santificação, lhes dá alma e os conduz ao seu fim»:

«Compreendi que, se a Igreja tinha um corpo composto de diferentes membros, o mais necessário, o mais nobre de todos não lhe faltava: compreendi que a igreja tinha um coração, e que esse coração estava ardendo de amor.Compreendi que só o Amor fazia agir os membros da Igreja; que se o Amor se apagasse, os apóstolos já não anunciariam o Evangelho, os mártires recusar-se-iam a derramar o seu sangue… Compreendi que o Amor encerra todas as vocações, que o Amor é tudo, que abarca todos os tempos e lugares … numa palavra, que ele é Eterno» .

827. «Enquanto que Cristo, santo e inocente, sem mancha, não conheceu o pecado, mas veio somente expiar os pecados do povo, a Igreja, que no seu próprio seio encerra pecadores, é simultaneamente santa e chamada a purificar-se, prosseguindo constantemente no seu esforço de penitência e renovação» . Todos os membros da Igreja, inclusive os seus ministros, devem reconhecer-se pecadores . Em todos eles, o joio do pecado encontra-se ainda misturado com a boa semente do Evangelho até ao fim dos tempos. A Igreja reúne, pois, em si, pecadores abrangidos pela salvação de Cristo, mas ainda a caminho da santificação:

A Igreja «é santa, não obstante compreender no seu seio pecadores, porque ela não possui em si outra vida senão a da graça: é vivendo da sua vida que os seus membros se santificam; e é subtraindo-se à sua vida que eles caem em pecado e nas desordens que impedem a irradiação da sua santidade. É por isso que ela sofre e faz penitência por estas faltas, tendo o poder de curar delas os seus filhos, pelo Sangue de Cristo e pelo dom do Espírito Santo».

828. Ao canonizar certos fiéis, isto é, ao proclamar solenemente que esses fiéis praticaram heroicamente as virtudes e viveram na fidelidade à graça de Deus, a Igreja reconhece o poder do Espírito de santidade que está nela, e ampara a esperança dos fiéis, propondo-lhes os santos como modelos e intercessores. «Os santos e santas foram sempre fonte e origem de renovação nos momentos mais difíceis da história da Igreja ». «A santidade é a fonte secreta e o padrão infalível da sua atividade apostólica e do seu dinamismo missionário».

829. «Na pessoa da Santíssima Virgem, a Igreja alcançou já aquela perfeição, sem mancha nem ruga, que lhe é própria. Mas os fiéis de Cristo têm ainda de trabalhar para crescer em santidade, vencendo o pecado. Por isso, levantam os olhos para Maria»: nela, a Igreja é já plenamente santa.

liturgia

III. A Igreja é católica

QUE QUER DIZER «CATÓLICA»?

830. A palavra «católico» significa «universal» no sentido de «segundo a totalidade» ou «segundo a integridade». A Igreja é católica num duplo sentido:

É católica porque Cristo está presente nela: «onde está Jesus Cristo, aí está a Igreja Católica» . Nela subsiste a plenitude do Corpo de Cristo unido à sua Cabeça , o que implica que ela receba d’Ele a «plenitude dos meios de salvação»  que Ele quis: confissão de fé recta e completa, vida sacramental integral e ministério ordenado na sucessão apostólica. Neste sentido fundamental, a Igreja era católica no dia de Pentecostes e sê-lo-á sempre até ao dia da Parusia.

831. É católica, porque Cristo a enviou em missão à universalidade do gênero humano :

«Todos os homens são chamados a fazer parte do povo de Deus. Por isso, permanecendo uno e único, este povo está destinado a estender-se a todo o mundo e por todos os séculos, para se cumprir o desígnio da vontade de Deus que, no princípio, criou a natureza humana na unidade e decidiu enfim reunir na unidade os seus filhos dispersos […]. Este carácter de universalidade que adorna o povo de Deus é dom do próprio Senhor. Graças a tal dom, a Igreja Católica tende a recapitular, eficaz e perpetuamente, a humanidade inteira, com todos os bens que ela contém, sob Cristo Cabeça, na unidade do Seu Espírito .

CADA UMA DAS IGREJAS PARTICULARES É «CATÓLICA»

832. «A Igreja de Cristo está verdadeiramente presente em todas as legítimas comunidades locais de fiéis que, unidas aos seus pastores, recebem, também elas, no Novo Testamento, o nome de Igrejas […]. Nelas, os fiéis são reunidos pela pregação do Evangelho de Cristo e é celebrado o mistério da Ceia do Senhor […]. Nestas comunidades, ainda que muitas vezes pequenas e pobres ou dispersas, está presente Cristo, por cujo poder se constitui a Igreja una, santa, católica e apostólica».

833. Entende-se por Igreja particular, que é em primeiro lugar a diocese (ou «eparquia»), uma comunidade de fiéis cristãos em comunhão de fé e de sacramentos com o seu bispo, ordenado na sucessão apostólica. Estas Igrejas particulares «são formadas à imagem da Igreja universal; é nelas e a partir delas que existe a Igreja Católica una e única».

834. As Igrejas particulares são plenamente católicas pela comunhão com uma de entre elas: a Igreja Romana, «que preside à caridade» . «Com esta Igreja, mais excelente por causa da sua origem, deve necessariamente estar de acordo toda a Igreja, isto é, os fiéis de toda a parte». «Desde que o Verbo Encarnado desceu até nós, todas as Igrejas cristãs de todo o mundo tiveram e têm a grande Igreja que vive aqui (em Roma)como única base e fundamento, porque, segundo as próprias promessas do Salvador, as portas do inferno nunca prevalecerão sobre ela».

835. «A Igreja universal não deve ser entendida como simples somatório ou, por assim dizer, federação de Igrejas particulares […]. Mas é antes a Igreja, universal por vocação e missão, que lançando raiz numa variedade de terrenos culturais, sociais e humanos, toma em cada parte do mundo aspectos e formas de expressão diversos» . A rica variedade de normas disciplinares, ritos litúrgicos, patrimônios teológicos e espirituais, próprios das Igrejas locais, «mostra da forma mais evidente, pela sua convergência na unidade, a catolicidade da Igreja indivisa».

QUEM PERTENCE À IGREJA CATÓLICA?

836. «Todos os homens são chamados […] à unidade católica do povo de Deus; de vários modos a ela pertencem, ou para ela estão ordenados, tanto os fiéis católicos como os outros que também acreditam em Cristo e, finalmente, todos os homens sem excepção, que a graça de Deus chama à salvação» :

837. «Estão plenamente incorporados na sociedade que é a Igreja aqueles que, tendo o Espírito de Cristo, aceitam toda a sua organização e todos os meios de salvação nela instituídos, e que, além disso, pelos laços da profissão de fé, dos sacramentos, do governo eclesiástico e da comunhão, estão unidos no todo visível da Igreja, com Cristo que a dirige por meio do Sumo Pontífice e dos bispos. Mas a incorporação não garante a salvação àquele que, por não perseverar na caridade, está no seio da Igreja «de corpo» mas não «de coração» .

838. «Com aqueles que, tendo sido baptizados, têm o belo nome de cristãos, embora não professem integralmente a fé ou não guardem a unidade de comunhão com o sucessor de Pedro, a Igreja sabe-se unida por múltiplas razões» . «Aqueles que crêem em Cristo e receberam validamente o Batismo encontram-se numa certa comunhão, embora imperfeita, com a Igreja Católica» . Quanto às Igrejas Ortodoxas, esta comunhão é tão profunda «que bem pouco lhes falta para atingir a plenitude, que permita uma celebração comum da Eucaristia do Senhor» .

A IGREJA E OS NÃO-CRISTÃOS

839. «Aqueles que ainda não receberam o Evangelho estão também, de uma de ou outra forma, ordenados ao povo de Deus» :

A relação da Igreja com o Povo Judaico. A Igreja, povo de Deus na nova Aliança, ao perscrutar o seu próprio mistério, descobre o laço que a une ao povo judaico, «a quem Deus falou primeiro». Ao invés das outras religiões não cristãs, a fé judaica é já uma resposta à revelação de Deus na antiga Aliança. É ao povo judaico que «pertencem a adoção filial, a glória, as alianças, a legislação, o culto, as promessas […] e os patriarcas; desse povo Cristo nasceu segundo a carne» (Rm 9, 4-5); porque «os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis» (Rm 11, 29).

840. Aliás, quando se considera o futuro, o povo de Deus da Antiga Aliança e o novo povo de Deus tendem para fins análogos: a esperança da vinda (ou do regresso) do Messias. Mas a esperança é, dum lado, a do regresso do Messias, morto e ressuscitado, reconhecido como Senhor e Filho de Deus: do outro, a da vinda no fim dos tempos do Messias, cujos traços permanecem velados – expectativa acompanhada pelo drama da ignorância ou do falso conhecimento de Cristo Jesus.

841. Relações da Igreja com os muçulmanos. «O desígnio de salvação envolve igualmente os que reconhecem o Criador, entre os quais, em primeiro lugar, os muçulmanos que declarando guardar a fé de Abraão, connosco adoram o Deus único e misericordioso que há-de julgar os homens no último dia» .

842.A ligação da Igreja com as religiões não cristãs é, antes de mais, a da origem e do fim comuns do género humano:

«De fato, todos os povos formam uma única comunidade; têm uma origem única, pois Deus fez que toda a raça humana habitasse à superfície da terra; têm também um único fim último, Deus, cuja providência, testemunhos de bondade e desígnio de salvação se estendem a todos, até que os eleitos sejam reunidos na cidade santa» .

843. A Igreja reconhece nas outras religiões a busca, «ainda nas sombras e sob imagens», do Deus desconhecido mas próximo, pois é Ele quem a todos dá vida, respiração e todas as coisas e quer que todos os homens se salvem. Assim, a Igreja considera tudo quanto nas outras religiões pode encontrar-se de bom e verdadeiro, «como uma preparação evangélica e um dom d’Aquele que ilumina todo o homem, para que, finalmente, tenha a vida».

844. Mas no seu comportamento religioso, os homens revelam também limites e erros que desfiguram neles a imagem de Deus:

«Muitas vezes, enganados pelo Maligno, transviaram-se nos seus raciocínios, trocando a verdade de Deus pela mentira. Preferindo o serviço da criatura ao do Criador, ou vivendo e morrendo sem Deus neste mundo, expuseram-se ao desespero final» .

845. Foi para reunir de novo todos os seus filhos, desorientados e dispersos pelo pecado, que o Pai quis reunir toda a humanidade na Igreja do seu Filho. A Igreja é o lugar onde a humanidade deve reencontrar a sua unidade e a salvação. Ela é «o mundo reconciliado»; é a nau que «navega segura neste mundo, ao sopro do Espírito Santo, sob a vela panda da Cruz do Senhor» . Segundo uma outra imagem, querida aos Padres da Igreja, ela é figurada pela arca de Noé, a única que salva do dilúvio.

«FORA DA IGREJA NÃO HÁ SALVAÇÃO»

846. Como deve entender-se esta afirmação, tantas vezes repetida pelos Padres da Igreja? Formulada de modo positivo, significa que toda a salvação vem de Cristo-Cabeça pela Igreja que é o seu Corpo:

O santo Concílio «ensina, apoiado na Sagrada Escritura e na Tradição, que esta Igreja, peregrina na terra, é necessária à salvação. De facto, só Cristo é mediador e caminho de salvação. Ora, Ele torna-Se-nos presente no seu Corpo, que é a Igreja. Ao afirmar-nos expressamente a necessidade da fé e do Batismo, Cristo confirma-nos, ao mesmo tempo, a necessidade da própria Igreja, na qual os homens entram pela porta do Batismo. É por isso que não se podem salvar aqueles que, não ignorando que Deus, por Jesus Cristo, fundou a Igreja Católica como necessária, se recusam a entrar nela ou a nela perseverar» .

847. Esta afirmação não visa aqueles que, sem culpa da sua parte, ignoram Cristo e a sua igreja:

«Com efeito, também podem conseguir a salvação eterna aqueles que, ignorando sem culpa o Evangelho de Cristo e a sua Igreja, no entanto procuram Deus com um coração sincero e se esforçam, sob o influxo da graça, por cumprir a sua vontade conhecida através do que a consciência lhes dita» .

848. «Muito embora Deus possa, por caminhos só d’Ele conhecidos, trazer à fé, «sem a qual é impossível agradar a Deus» , homens que, sem culpa sua, ignoram o Evangelho, a Igreja tem o dever e, ao mesmo tempo, o direito sagrado, de evangelizar» todos os homens.

IV. A Igreja é apostólica

857. A Igreja é apostólica, porque está fundada sobre os Apóstolos. E isso em três sentidos:

– foi e continua a ser construída sobre o «alicerce dos Apóstolos» (Ef 2, 20), testemunhas escolhidas e enviadas em missão pelo próprio Cristo;

– guarda e transmite, com a ajuda do Espírito Santo que nela habita, a doutrina , o bom depósito, as sãs palavras recebidas dos Apóstolos ;

-continua a ser ensinada, santificada e dirigida pelos Apóstolos até ao regresso de Cristo, graças àqueles que lhes sucedem no ofício pastoral: o colégio dos bispos, «assistido pelos presbíteros, em união com o sucessor de Pedro, pastor supremo da Igreja»:

«Pastor eterno, não abandonais o vosso rebanho, mas sempre o guardais e protegeis por meio dos santos Apóstolos, para que seja conduzido através dos tempos, pelos mesmos chefes que pusestes à sua frente como representantes do vosso Filho, Jesus Cristo» .

 

Resumindo:

866. A Igreja é una: tem um só Senhor, professa uma só fé, nasce dum só Batismo e forma um só Corpo, vivificado por um só Espírito, em vista duma única esperança , no termo da qual todas as divisões serão superadas.

867A Igreja é santa: é seu autor o Deus santíssimo; Cristo, seu Esposo, por ela Se entregou para a santificar; vivifica-a o Espírito de santidade. Embora encerra pecadores no seu seio, ela é «a sem-pecado feita de pecadores». Nos santos brilha a sua santidade; em Maria, ela é já totalmente santa.

868. A Igreja é católica: anuncia a totalidade da fé, tem à sua disposição e administra a plenitude dos meios de salvação; é enviada a todos os povos; dirige-se a todos os homens; abrange todos os tempos; «é, por sua própria natureza, missionária».

869A Igreja é apostólica: está edificada sobre alicerces duradouros, que são «os Doze apóstolos do Cordeiro»; é indestrutível é infalivelmente mantida na verdade: Cristo é quem a governa por meio de Pedro e dos outros apóstolos, presentes nos seus sucessores, o Papa e o colégio dos bispos.

870. «A única Igreja de Cristo, da qual professamos no Credo que é una, santa, católica e apostólica, […] é na Igreja Católica que subsiste, governada pelo sucessor de Pedro e pelos bispos que estão em comunhão com ele, embora numerosos elementos de santificação e de verdade se encontrem fora das suas estruturas» .

 

Ler:

  1. CREIO NA SANTA IGREJA CATÓLICA
  2. A IGREJA – POVO DE DEUS, CORPO DE CRISTO, TEMPLO DO ESPÍRITO SANTO

 

 

 

 

 

Ainda podemos ser santos hoje em dia?

Série : Animo, uma nova catequese (Encontro 34/40 – Complemento 17)

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São Francisco de Assis

Não existe uma forma de se alcançar a santidade, ou melhor, existe sim… E todo o segredo está no seguimento a Deus. Para a igreja católica, a santidade começa no momento em que os  10 mandamentos de Deus ( Ex 20,3-17, Dt 5,7-21) são obedecidos:

1º “Não terás outros deuses diante de mim.”

2º “Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás diante delas, nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam e uso de misericórdia com milhares dos que me amam e guardam os meus mandamentos.”

3º “Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente aquele que tomar o seu nome em vão.”

4º “Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás todo o teu trabalho; “mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus. Nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o estrangeiro que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o Senhor o céu e a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou; por isso o Senhor abençoou o dia do sábado, e o santificou.”

5º “Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá.”

6º “Não matarás.”

7º “Não adulterarás.”

8º “Não furtarás.”

9º “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.”

10º “Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo.”

Também faz parte da santidade seguir o que Jesus orienta em Mateus 22,37-40:

“Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. “Este é o grande e primeiro mandamento. “E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.”

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Esta pintura é considerada a mais fiel reprodução do verdadeiro rosto de São Francisco

São Francisco é um dos maiores exemplos de santidade e obediência a Deus e ele foi chamado no silêncio da sua oração e acabou se tornando um exemplo de vida em Cristo.

Mas a santidade é mais do que obedecer um mandamento, é mais do que “A lei pela lei” , a santidade começa no perdão ao próximo, nos atos de caridade:

As obras de misericórdia corporais são:

1ª Dar de comer a quem tem fome;

2ª Dar de beber a quem tem sede;

3ª Vestir os nus;

4ª Dar pousada aos peregrinos;

5ª Assistir aos enfermos;

6ª Visitar os presos;

7ª Enterrar os mortos.

As obras de misericórdia espirituais são:

1ª Dar bom conselho;

2ª Ensinar os ignorantes;

3ª Corrigir os que erram;

4ª Consolar os aflitos;

5ª Perdoar as injúrias;

6ª Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo;

7ª Rogar a Deus por vivos e defuntos.

Santidade está em ser fiel a Deus e bom para o próximo e para o mundo, abrir mão de si mesmo para ajudar a quem precisa e ser acima de tudo misericordioso.

Mas para nós que queremos ser santos no dia a dia, lembrar sempre que servimos a Jesus Cristo e em tudo tentar seguir o seu exemplo de vida já seria maravilhoso. Afinal somos todos pecadores, mas não queremos e não podemos continuar a ser. Seremos santos, não os santos que alcançaram os altares, mas sim santos na vida, exemplos de caráter, honestidade e amor a Deus. Pois o cristão de verdade sabe o que é errado e teme a Deus que tudo vê, tudo sabe e está em tudo e não aceita errar (cometer um crime por exemplo) seja qual for a gravidade esperando pelo perdão de Deus, pois o maior pecador é aquele que sabe o que está fazendo e mesmo assim aceita fazer.

Vamos ser santos na medida em que nossa vida se torna exemplo de conduta e fé em Deus, e acredite esta santidade será vivida na igreja, nos momentos felizes e tristes sempre com o amor do Pai.

Milton Cesar (Fides Omnium)

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“Quer saber como ser santo? Faça bem todas as coisas. Leve Jesus para todos os lugares. Convide-O para estar em todos os lugares. Santidade não é fuga do mundo, mas transformação deste mundo. É saber que podemos curtir aqui, mas sem sermos “curtidos”. É saber que podemos deixar marcas de Céu na vida de todos aqueles que estão ao nosso redor. Isso é ser santo. Fazer bem todas as coisas e amar. Esse é o segredo da santidade, a verdade de uma humanidade que vive a si própria na plenitude. O amor é tudo o que as pessoas procuram.

Somos o que queremos ser. Somos, por assim dizer, obra de nossas mãos. Em cada escolha nossa, deixamos um rastro de nosso jeito de ser pessoa e, assim, deixamos um jeito de ser santo. O amanhã depende muito de como vivemos o hoje. Não deixe a vida o levar; leve a vida! Não a desperdice!

Vamos viver com entusiasmo, com alegria, mas, sobretudo, com senso de responsabilidade.

Existem muitas pessoas que pensam viver, mas, na verdade, estão fingindo. Ao mesmo tempo, muitos acreditam que, para ser santos, devam deixar de viver. Não é nada disso. A ordem é: Viva! Viva a vida! Deseje o Céu!

É hora de nos levantarmos e propormos uma santidade linda, apresentada pela Igreja Católica há mais de dois mil anos e que é possível. Vamos santificar nossos namoros, nosso trabalho, nossas amizades, nossas baladas. É possível! O mundo e Deus esperam isso de nós! A juventude é uma riqueza que nos leva à descoberta da vida como um dom e uma tarefa.

Você se lembra do jovem do Evangelho que era muito rico e um dia perguntou para Jesus o que era preciso para ganhar a vida eterna? Se quiser, confira essa passagem em Mateus (19, 16-22); ele percebeu a riqueza de sua juventude. Foi até Jesus, o Bom Mestre, para buscar uma orientação. Mas, no momento da grande decisão, não teve coragem de apostar tudo em Jesus Cristo. Saiu dali triste e abatido. Faltou-lhe a generosidade, o que impediu uma realização plena. O jovem fechou-se em sua riqueza, tornando-se egoísta.

Não podemos desperdiçar a nossa juventude. Devemos vivê-la intensamente, apostando tudo em Jesus e sendo gente, humanos. Sempre com a certeza de que é possível sermos santos de calça jeans.

(Trecho extraído do livro “Santos de Calça Jeans” de Adriano Gonçalves).”

Palavras do Papa Francisco, 19 de Novembro de 2014

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Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Um grande dom do Concílio Vaticano II foi ter recuperado uma visão de Igreja fundada na comunhão e ter voltado a entender também o princípio da autoridade e da hierarquia em tal perspectiva. Isto ajudou-nos a compreender melhor que, enquanto baptizados, todos os cristãos têm igual dignidade diante do Senhor e são irmanados pela mesma vocação, que é a santidade (cf. Constituição Lumen gentium, 39-42). Agora, interroguemo-nos: em que consiste esta vocação universal a sermos santos? E como a podemos realizar?

Antes de tudo, devemos ter bem presente que a santidade não é algo que nos propomos sozinhos, que nós obtemos com as nossas qualidades e capacidades. A santidade é um dom, é a dádiva que o Senhor Jesus nos oferece, quando nos toma consigo e nos reveste de Si mesmo, tornando-nos como Ele é. Na Carta aos Efésios, o apóstolo Paulo afirma que «Cristo amou a Igreja e se entregou por ela para a santificar» (Ef 5, 25-26). Eis que, verdadeiramente, a santidade é o rosto mais bonito da Igreja, o aspecto mais belo: é redescobrir-se em comunhão com Deus, na plenitude da sua vida e do seu amor. Então, compreende-se que a santidade não é uma prerrogativa só de alguns: é um dom oferecido a todos, sem excluir ninguém, e por isso constitui o cunho distintivo de cada cristão.

Tudo isto nos leva a compreender que, para ser santo, não é preciso ser bispo, sacerdote ou religioso: não, todos somos chamados a ser santos! Muitas vezes somos tentados a pensar que a santidade só está reservada àqueles que têm a possibilidade de se desapegar dos afazeres normais, para se dedicar exclusivamente à oração. Mas não é assim! Alguns pensam que a santidade é fechar os olhos e fazer cara de santinho! Não, a santidade não é isto! A santidade é algo maior, mais profundo, que Deus nos dá. Aliás, somos chamados a tornar-nos santos precisamente vivendo com amor e oferecendo o testemunho cristão nas ocupações diárias. E cada qual nas condições e situação de vida em que se encontra. Mas tu és consagrado, consagrada? Sê santo vivendo com alegria a tua entrega e o teu ministério. És casado? Sê santo amando e cuidando do teu marido, da tua esposa, como Cristo fez com a Igreja. És baptizado solteiro? Sê santo cumprindo com honestidade e competência o teu trabalho e oferecendo o teu tempo ao serviço dos irmãos. «Mas padre, trabalho numa fábrica; trabalho como contabilista, sempre com os números, ali não se pode ser santo…». «Sim, pode! Podes ser santo lá onde trabalhas. É Deus quem te concede a graça de ser santo, comunicando-se a ti!». Sempre, em cada lugar, é possível ser santo, abrir-se a esta graça que age dentro de nós e nos leva à santidade. És pai, avô? Sê santo, ensinando com paixão aos filhos ou aos netos a conhecer e a seguir Jesus. E é necessária tanta paciência para isto, para ser um bom pai, um bom avô, uma boa mãe, uma boa avó; é necessária tanta paciência, e é nesta paciência que chega a santidade: exercendo a paciência! És catequista, educador, voluntário? Sê santo tornando-te sinal visível do amor de Deus e da sua presença ao nosso lado. Eis: cada condição de vida leva à santidade, sempre! Em casa, na rua, no trabalho, na igreja, naquele momento e na tua condição de vida foi aberto o caminho rumo à santidade. Não desanimeis de percorrer esta senda. É precisamente Deus quem nos dá a graça. O Senhor só pede isto: que permaneçamos em comunhão com Ele e ao serviço dos irmãos.

Nesta altura, cada um de nós pode fazer um breve exame de consciência, podemos fazê-lo agora, e cada qual responda dentro de si mesmo, em silêncio: como respondemos até agora ao apelo do Senhor à santidade? Desejo ser um pouco melhor, mais cristão, mais cristã? Este é o caminho da santidade. Quando o Senhor nos convida a ser santos, não nos chama para algo pesado, triste… Ao contrário! É o convite a compartilhar a sua alegria, a viver e a oferecer com júbilo cada momento da nossa vida, levando-o a tornar-se ao mesmo tempo um dom de amor pelas pessoas que estão ao nosso lado. Se entendermos isto, tudo mudará, adquirindo um significado novo, bonito, um significado a começar pelas pequenas coisas de cada dia. Um exemplo. Uma senhora vai ao mercado para fazer as compras, encontra uma vizinha, começam a falar e então chegam as bisbilhotices, e a senhora diz: «Não, não falarei mal de ninguém!». Este é um passo rumo à santidade, ajuda-nos a ser santos! Depois, em casa, o filho pede para te falar das suas fantasias: «Oh, estou muito cansado, hoje trabalhei tanto…». «Mas acomoda-te e ouve o teu filho que precisa disto!». Acomoda-te e ouve-o com paciência: é um passo rumo à santidade. Depois, acaba o dia, todos estamos cansados, mas há a oração. Recitemos uma prece: também este é um passo para a santidade. Então, chega o domingo e vamos à Missa, recebamos a Comunhão, às vezes precedida por uma boa confissão, que nos purifica um pouco! Este é outro passo rumo à santidade. Depois, pensemos em Nossa Senhora, tão boa e bela, e recitemos o Rosário. Também este é um passo para a santidade. Então, vou pelo caminho, vejo um pobre, um necessitado, paro, faço-lhe uma pergunta, dou-lhe algo: é um passo rumo à santidade! São pequenas coisas, mas muitos pequenos passos para a santidade. Cada passo rumo à santidade fará de nós pessoas melhores, livres do egoísmo e do fechamento em nós mesmos, abertos aos irmãos e às suas necessidades.

Caros amigos, a primeira Carta de São Pedro dirige-nos esta exortação: «Como bons dispensadores das diversas graças de Deus, cada um de vós ponha à disposição dos outros o dom que recebeu: a palavra, para anunciar as mensagens de Deus; um ministério, para o exercer com uma força divina, a fim de que em todas as coisas Deus seja glorificado por Jesus Cristo» (4, 10-11). Eis o convite à santidade! Aceitemo-lo com alegria e sustentemo-nos uns aos outros porque o caminho para a santidade não o percorremos sozinhos, cada qual por sua conta, mas juntos, no único corpo que é a Igreja, amada e santificada pelo Senhor Jesus Cristo. Vamos em frente com ânimo, neste caminho da santidade.

Papa Francisco

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A oração já é um caminho para a santidade. Rezar a Deus e pedir a oportunidade de ser mais santo, é uma das graças de Deus.

Faça a sua oração diária, mas faça silêncio para que Deus também possa falar.

O Espírito Santo (Complemento para Estudo)

Série : Animo, uma nova catequese (Encontro 32/40 – Complemento 16)

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O assunto é o Espírito Santo e ele é inesgotável em si mesmo, sendo preciso mais do que palavras, teses ou análises para poder entrarmos neste mistério e termos uma resposta a contento. A nossa igreja católica Apostólica Romana, nasceu naquele dia de Pentecostes, onde todos receberam os Dons e Frutos do Espírito Santo ungidos pelo fogo na graça concedida pelo próprio Jesus Cristo.

De fato, sem o Espírito Santo Deus está distante, Cristo é o passado, o Evangelho é letra morta, a Igreja é uma simples organização, a autoridade é dominação, a missão é propaganda, o culto é evocação, o agir cristão é uma moral de escravos. Mas, com o Espírito Santo e no Espírito Santo o Universo, é elevado e clama pelo Reino de Deus, a presença do Cristo Ressuscitado é reconhecida, o Evangelho é vida e poder, Igreja significa comunhão trinitária, a autoridade é um serviço libertador, a missão um Pentecostes, a Liturgia é memorial e antecipação do mistério, o agir humano é divinizado (Cf. Ignazio Hazim, La resurrezione e l’uomo d’oggi – Ed. Ave, Roma, 1970, pp. 25 26). O Espírito de Deus deve ser acolhido. Ele é o dom sempiterno de Deus, derramado sobre a Igreja e sobre todos os fiéis. O Espírito Santo age no mundo, suscitando o bem e a busca da verdade. Sua ação conduz as consciências para suscitar a convergência de todos os rios da existência humana para o amor de Deus e Sua presença. N’Ele, podemos acreditar no bem existente no coração das pessoas e receber as forças necessárias para buscá-Lo e valorizá-Lo. Diante de Sua ação, caem todas as resistências interiores. A atitude mais sincera, diante da ação do Espírito Santo, é a docilidade, pois uma pretensa autonomia conduz as pessoas ao orgulho. Deixar-se conduzir por amor é honestidade interior, é saber viver, até porque, de uma forma ou de outra, sempre somos influenciados por alguém, por correntes de pensamento ou doutrinas. Saibamos escolher a melhor companhia, e esta é dada de presente, enviada pelo Pai e pelo Filho segundo a promessa que nos foi feita. (extraído do site Formação Canção Nova)

Quando falamos da vida segundo o Espírito, não devemos imaginar uma vida fora da realidade, desvinculada de si mesma; aliás, a vida humana é composta pela realidade física, biológica, psíquica e espiritual. Nenhuma deve ser descartada, pois o ser humano é um todo. Devemos ter bem claro isso: somos um conjunto, mas precisamos reconhecer que, quando a vida espiritual vai mal, as outras realidades acabam indo mal; e quando se vive uma espiritualidade sadia, consegue-se superar o males físicos, biológicos e psíquicos. Quando há saúde espiritual, os males em outras áreas podem não ser sanados, mas superados pela força do Espírito. O mal físico e a violência podem nos impedir de caminhar alguns metros e nos limitar, enquanto o Espírito nos leva a distâncias longínquas, porque n’Ele somos livres.

A vida no Espírito

Hoje, sem dúvida, temos de valorizar a vida espiritual, uma vida segundo o Espírito de Deus. Em nosso tempo, uma das grandes dificuldades que as pessoas vivem é uma vida sem sabor, sem sentido, uma vida de erros, à qual chamamos de pecado. Uma vida sem o auxílio do Alto é fadada ao fracasso, susceptível às doenças psíquicas e físicas. Quantas pessoas doentes no espírito, quantas pessoas perdidas! Quantas pessoas vão à igreja, mas, desanimadas, não conseguem se levantar ou possuem dificuldades para fazer isso? (Formação Canção Nova).

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Abaixo transcreverei na integra alguns itens do Catecismo da Igreja Católica que visam colaborar no nosso estudo mais aprofundado sobre o Espírito Santo. Vale ressaltar que os números antes de cada parágrafo tratam-se dos cânons, dentro de cada texto também serão citadas passagens bíblicas e parágrafos relacionados, ao clicar em cima destes pontos vão aparecer os links para uma melhor pesquisa.

O NOME PRÓPRIO DO ESPÍRITO SANTO
691 “Espírito Santo”, este é o nome próprio daquele que adoramos e glorificamos com o Pai e o Filho. A Igreja o recebeu do Senhor e o professa no Batismo de seus novos filhos O termo “Espírito” traduz o termo hebraico “Ruah”, o qual em seu sentido primeiro, significa sopro, ar, vento. Jesus utiliza justamente a imagem sensível do vento para sugerir a Nicodemos a nossa novidade transcendente daquele que é pessoalmente o Sopro de Deus, o Espírito divino. Por outro lado, Espírito e Santo são atributos divinos comuns às três Pessoas Divinas. Mas ao juntar os dois termos, a Escritura, a Liturgia e a linguagem teológica designam a Pessoa inefável do Espírito Santo, sem equívoco possível com os outros empregos dos termos “espírito” e “santo”. (Parágrafo Relacionado 1433)
AS DENOMINAÇÕES DO ESPÍRITO SANTO
692 Ao anunciar e prometer a vinda do Espírito Santo, Jesus o denomina o “Paráclito”, literalmente: aquele que é chamado para perto de, “advocatus” (Jo 14,16.26; 15,26; 16,7). “Paráclito” é habitualmente traduzido por “Consolador”, sendo Jesus o primeiro consolador. O próprio Senhor chama o Espírito Santo”. Espírito de Verdade. “.
693 Além de seu nome próprio, que é o mais empregado nos Atos dos Apóstolos e nas Epístolas, encontram-se em São Paulo as denominações: o Espírito da promessa (Gl 3,14; Ef 1,13), o Espírito de adoção (Rm 8,15; Gl 4,6), o Espírito de Cristo (Rm 8,11), o Espírito do Senhor (2Cor 3,17), o Espírito de Deus (Rm 8,9.14;15,19; 1Cor 6,11;7,40) e, em São Pedro, o Espírito de glória (1Pd 4,14).

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OS SÍMBOLOS DO ESPÍRITO SANTO
694 A água. O simbolismo da água é significativo da ação do Espírito Santo no Batismo, pois após a invocação do Espírito Santo ela se torna a sinal sacramental eficaz do novo nascimento: assim como a gestação de nosso primeiro nascimento se operou na água, da mesma forma também a água batismal significa realmente que nosso nascimento para, a vida divina nos é dado no Espírito Santo Mas “batizados em um só Espírito” também “bebemos de um só Espírito” (1Cor 12,13): o Espírito é, pois também pessoalmente a água viva que jorra de Cristo crucificado como de sua fonte e que em nós jorra em Vida
Eterna. (Parágrafos Relacionados 1218,2652)

695 A unção. O simbolismo da unção com óleo também é significativo do Espírito Santo, a ponto de tomar-se sinônimo dele. Na iniciação cristã, ela é o sinal sacramental da confirmação, chamada com acerto nas Igrejas do Oriente de “crismação”. Mas, para perceber toda a força deste simbolismo, há que retomar à unção primeira realizada pelo Espírito Santo: a de Jesus. Cristo (“Messias” a partir do hebraico) significa “Ungido” do Espírito de Deus. Houve “ungidos” do Senhor na Antiga Aliança de modo eminente o rei Davi. Mas Jesus é o Ungido de Deus de uma forma única: a humanidade que o Filho assume é totalmente “ungida do Espírito Santo”. Jesus é constituído “Cristo” pelo Espírito Santo A Virgem Maria concebe Cristo do Espírito Santo, que pelo anjo o anuncia como Cristo por ocasião do nascimento dele e leva Simeão a vir ao Templo para ver o Cristo do Senhor; é Ele que plenifica o Cristo é o poder dele que sai de Cristo em seus atos de
cura e de salvação. É finalmente Ele que ressuscita Jesus dentre os mortos. Então, constituído plenamente “Cristo” em sua Humanidade vitoriosa da morte, Jesus difunde em profusão o Espírito Santo até “os santos” constituírem, em sua união com a Humanidade do Filho de Deus, “esse Homem perfeito… que realiza a plenitude de Cristo” (Ef 4, 13): “o Cristo total”, segundo a expressão de Santo Agostinho. (Parágrafos
Relacionados 1293436, 1504,794)

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Virá aquele que batizará com fogo…

696 O fogo. Enquanto a água significa o nascimento e a fecundidade da Vida dada no Espírito Santo o fogo simboliza a energia transformadora dos atos do Espírito Santo O profeta Elias, que “surgiu como um fogo cuja palavra queimava como uma tocha” (Eclo 48,1), por sua oração atrai o fogo do céu sobre o sacrifício do monte Carmelo, figura do fogo do Espírito Santo que transforma o que toca. João Batista, que caminha diante do Senhor com o espírito e o poder de Elias” (Lc 1,17), anuncia o Cristo como aquele que “batizará com o Espírito Santo e com o fogo” (Lc 3,16), esse Espírito do qual Jesus dirá “Vim trazer fogo à terra, e quanto desejaria que já estivesse acesso (Lc 12,49). É sob a forma de línguas “que se diriam de fogo” o Espírito Santo pousa sobre os discípulos na manhã de Pentecostes e os enche de Si. A tradição espiritual manterá este simbolismo do fogo como um dos mais expressivos da ação do Espírito Santo Não extingais o Espírito” (1Ts 5,19). (Parágrafos Relacionados 1127,2586,718)
697 A nuvem e a luz. Estes dois símbolos são inseparáveis nas manifestações do Espírito Santo Desde as teofanias do Antigo Testamento, a Nuvem, ora escura, ora luminosa, revela o Deus vivo e salvador, escondendo a transcendência de sua Glória: com Moisés sobre a montanha do Sinai, na Tenda de Reunião e durante a caminhada no deserto; com Salomão por ocasião da dedicação do Templo[. Ora, estas figuras são cumpridas por Cristo no Santo Espírito Santo. É este que paira sobre a Virgem Maria e a cobre “com sua
sombra”, para que ela conceba e dê à luz Jesus. No monte da Transfiguração, é ele que “sobrevêm na nuvem que toma” Jesus, Moisés e Elias, Pedro, Tiago e João “debaixo de sua sombra”; da Nuvem sai uma voz que diz: “Este é meu Filho, o Eleito, ouvi-o sempre” (Lc 9,34-35). É finalmente essa Nuvem que “subtrai Jesus aos olhos” dos discípulos no dia da Ascensão e que o revelará Filho do Homem em sua glória no Dia de sua Vinda. (Parágrafos Relacionados 484,554,659)
698 O selo é um símbolo próximo ao da unção. Com efeito, é Cristo que “Deus marcou com seu selo” (Jo 6,27) e é nele que também o Pai nos marca com seu selo. Por indicar o efeito indelével da unção do Espírito Santo nos sacramentos do batismo, da confirmação e da ordem, a imagem do selo (“sphragis”) tem sido utilizada em certas tradições teológicas para exprimir o “caráter” indelével impresso por estes três sacramentos que não podem ser reiterados. (Parágrafos Relacionados 1295,1296,1121)
699 A mão. E impondo as mãos que Jesus cura os doentes e abençoa as criancinhas. Em nome dele, os apóstolos farão o mesmo. Melhor ainda: é pela imposição das mãos dos apóstolos que o Espírito Santo é dado. A Epístola aos Hebreus inclui a imposição das mãos entre os “artigos fundamentais” de seu ensinamento. A Igreja conservou este sinal da efusão onipotente do Espírito Santo em suas epicleses sacramentais. (Parágrafos Relacionados 292,1288,1300,1573,1668)
700 O dedo. “E pelo dedo de Deus que (Jesus) expulsa os demônios.” Se a Lei de Deus foi escrita em tábuas de pedra “pelo dedo de Deus” (Ex 31,18), a “letra de Cristo”, entregue aos cuidados dos apóstolos” é escrita com o Espírito de Deus vivo não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, nos corações” (2Cor 3,3). O hino Veni, Creator Spiritus” (Vem, Espírito criador) invoca o Espírito Santo como “dedo da direita paterna” (digitus paternae dexterae). (Parágrafo Relacionado 2056)
701 A pomba. No fim do dilúvio (cujo simbolismo está ligado ao batismo), a pomba solta por Noé volta com um ramo novo de oliveira no bico, sinal de que a terra é de novo habitável. Quando Cristo volta a subir da água de seu batismo, o Espírito Santo, em forma de uma pomba, desce sobre Ele e sobre Ele permanece. O Espírito desce e repousa no coração purificado dos batizados. Em certas igrejas, a santa Reserva eucarística é conservada em um recipiente metálico em forma de pomba (o columbarium) suspenso
acima do altar. O símbolo da pomba para sugerir o Espírito Santo é tradicional na iconografia cristã.

714 É por isso que Cristo inaugura o anúncio da Boa Nova, fazendo sua esta passagem de Isaías (Lc 4,18-19):

O Espírito do Senhor está sobre mim,
porque ele me ungiu
para evangelizar os pobres;
curar aos de coração ferido;
enviou-me para proclamar a remissão aos presos,
e aos cegos a recuperação da vista,
para restituir a liberdade aos oprimidos
e para proclamar um ano de graça do Senhor.

715 Os textos proféticos diretamente referentes ao envio do Espírito Santo são oráculos em que Deus fala ao coração de seu Povo na linguagem da promessa, com as tônicas do “amor e da fidelidade”‘, cujo cumprimento São Pedro proclamará na manhã de Pentecostes. Segundo essas promessas, nos “últimos tempos” o Espírito do Senhor renovará o coração dos homens, gravando neles uma Lei Nova; reunirá e
reconciliará os povos dispersos e divididos; transformará a criação primeira; e Deus habitará nela com os homens na paz. (Parágrafos relacionados 214,1965)

716 O Povo dos “pobres” os humildes e os mansos, totalmente entregues aos desígnios misteriosos de seu Deus, os que esperam a justiça não dos homens, mas do Messias – é finalmente a grande obra da missão escondida do Espírito Santo durante o tempo das promessas para preparar a vinda de Cristo. É a sua qualidade de coração, purificado e iluminado pelo Espírito, que se exprime nos Salmos. Nesses pobres, o Espírito prepara para o Senhor “um povo bem-disposto”. (Parágrafo relacionado 368)

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“ALEGRA-TE, CHEIA DE GRAÇA”
721 Maria, a Mãe de Deus toda santa, sempre Virgem, é a obra prima da missão do Filho e do Espírito na plenitude do tempo pela primeira vez no plano da salvação e porque o seu Espírito a preparou, o Pai encontra a Morada em, que seu Filho e seu Espírito podem habitar entre os homens. E neste sentido que a Tradição da Igreja muitas vezes leu, com relação a Maria, os mais belos textos sobre a Sabedoria: Maria é decantada e representada na Liturgia como o “trono da Sabedoria”. Nela começam a manifestar-se as
“maravilhas de Deus” que o Espírito vai realizar em Cristo e na Igreja. (Parágrafo relacionado 484)
722 O Espírito Santo preparou Maria com sua graça. Convinha que fosse “cheia de graça” a mãe daquele em quem “habita corporalmente a Plenitude da Divindade” (Cl 2,9). Por pura graça, ela foi concebida sem pecado como a mais humilde das criaturas; a mais capaz de acolher o Dom inefável do Todo-Poderoso. É com razão que o anjo Gabriel a saúda como a “filha de Sião”: “Alegra-te”. É a ação de graças de todo o Povo de Deus, e portanto da Igreja, que ela faz subir ao Pai no Espírito Santo em seu cântico, enquanto traz em si o Filho Eterno. (Parágrafos relacionados 489,2676)
723 Em Maria, o Espírito Santo realiza o desígnio benevolente do Pai. É pelo Espírito Santo que a Virgem concebe e dá à luz o Filho de Deus. Sua virgindade transforma-se em fecundidade única pelo poder do Espírito e da fé. (Parágrafos relacionados 485,506)
724 Em Maria, o Espírito Santo manifesta o Filho do Pai tornado Filho da Virgem. Ela é a Sarça ardente da Teofania definitiva: repleta do Espírito Santo, ela mostra o Verbo na humildade de sua carne, e é aos Pobres e às primícias das nações que ela o dá a conhecer. (Parágrafos relacionados 208,2619)
725 Finalmente, por Maria o Espírito Santo começa a pôr em Comunhão com Cristo os homens, “objetos do amor benevolente de Deus”, e os humildes são sempre os primeiros a recebê-lo: os pastores, os magos, Simeão e Ana, os esposos de Caná e os primeiros discípulos. (Parágrafo relacionado 963)
726 Ao final desta missão do Espírito, Maria torna-se a “Mulher”, nova Eva, “mãe dos viventes”, Mãe do “Cristo total”. É nesta qualidade que ela está presente com os Doze, “com um só coração, assíduos à oração” (At 1,14), na aurora dos “últimos tempos” que o Espírito vai inaugurar na manhã de Pentecostes, com a manifestação da Igreja. (Parágrafos relacionados 494,2618)

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O CRISTO JESUS
727 Toda a missão do Filho e do Espírito Santo na plenitude do tempo está contida no fato de o Filho ser o Ungido do Espírito do Pai desde a sua Encarnação: Jesus é o Cristo, o Messias. Todo o segundo capitulo do Símbolo da fé deve ser lido sob esta luz. Toda a obra de Cristo é missão conjunta do Filho e do Espírito Santo Aqui mencionaremos somente o que diz respeito à promessa do Espírito Santo feita por Jesus e o dom do Espírito pelo Senhor glorificado. (Parágrafos relacionados 438,695,536)
728 Jesus não revela plenamente o Espírito Santo enquanto Ele mesmo não é glorificado por sua Morte e Ressurreição. Contudo, sugere-o pouco a pouco, mesmo em seus ensinamentos às multidões, quando revela que sua Carne será alimento para a vida do mundo sugere-o também a Nicodemos, à Samaritana e aos que participam da festa dos Tabernáculos. A seus discípulos, fala dele abertamente a propósito da oração do testemunho que deverão dar. (Parágrafo relacionado 2615)
729 É somente quando chega a Hora em que vai ser glorificado que Jesus promete a vinda do Espírito Santo, pois sua Morte e Ressurreição serão o cumprimento da Promessa feita aos Apóstolos: o Espírito de Verdade, o Paráclito, será dado pelo Pai a pedido de Jesus; Ele será enviado pelo Pai em nome de Jesus; Jesus o enviará de junto do Pai, pois ele procede do Pai. O Espírito Santo virá, nós o conheceremos, Ele estará conosco para sempre, Ele permanecerá conosco; Ele nos ensinará tudo e nos lembrará de tudo o que Cristo nos disse, e dele dará testemunho; conduzir-nos-á à verdade inteira e glorificará a Cristo. Quanto ao mundo, confundi-lo-á em matéria de pecado, de justiça e de julgamento. (Parágrafos relacionados 388,1433)
730 Finalmente chega a Hora de Jesus. Jesus entrega seu espírito nas mãos do Pai momento em que, por sua Morte, e, vencedor da morte, de maneira que, “ressuscitado dos mortos pela Glória do Pai” (Rm 6,4), dá imediatamente o Espírito Santo, “soprando” sobre seus discípulos. A partir dessa Hora, a missão de Cristo e do Espírito passa a ser a missão da Igreja: “Como o Pai me enviou, também eu vos envio” (Jo 20,21). (Parágrafo relacionado 850)

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V. O ESPÍRITO E A IGREJA NOS ÚLTIMOS TEMPOS
PENTECOSTES
731 No dia de Pentecostes (no fim das sete semanas pascais), a Páscoa de Cristo se realiza na efusão do Espírito Santo, que é manifestado, dado e comunicado como Pessoa Divina: de sua plenitude, Cristo, Senhor, derrama em profusão o Espírito. (Parágrafos relacionados 2623,767,1302)
732 Nesse dia é revelada plenamente a Santíssima Trindade. A partir desse dia, o Reino anunciado por Cristo está aberto aos que creem nele; na humildade da carne e na fé, eles participam já da comunhão da Santíssima Trindade. Por sua vinda e ela não cessa, o Espírito Santo faz o mundo entrar nos “últimos tempos”, o tempo da Igreja, o Reino já recebido em herança, mas ainda não consumado: (Parágrafos relacionados 244,672). Vimos a verdadeira Luz, recebemos o Espírito celeste, encontramos a verdadeira fé:
adoramos a Trindade indivisível, pois foi ela quem nos salvou.

Artigo 8 – Creio no Espírito Santo – CIC

 

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Jesus só revela toda a plenitude do poder do Espírito Santo quando ele faz a passagem da sua morte em expiação aos nossos pecados, sua ressurreição (todo aquele que morre em Cristo novamente viverá) e sua ascensão de corpo e alma ao céu. Não seria necessário que Jesus desse o Espírito Santo enquanto ainda estava entre nós (na sua encarnação como homem) já que ele próprio é o Pai, Filho e Espírito, então toda a graça de Deus foi dada no momento em que seu filho (ele próprio encarnado na carne) foi elevado aos céus. A única pessoa que tinha parte do Espírito Santo enquanto Jesus andava entre nós era sua mãe Maria e por isso mesmo após mais alguns anos depois da ascensão de seu filho, foi elevada aos céus numa assunção, ou seja seu corpo foi levado a presença do Pai. Tudo isso é chamado de mistério, mas pode e deve ser estudado a fundo, sempre com o respeito e os olhos da fé.

Leia mais em:

Pentecostes - Nascimento da Igreja - Copy - Copy

 

 

A Missa: Parte por Parte

Série : Animo, uma nova catequese (Encontro 30/40 – Complemento 15)

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A Missa: parte por parte

A celebração da Eucaristia, ou como nós conhecemos : a Missa, é o acontecimento em que os cristãos católicos atualizam o gesto de Jesus realizado na última ceia. Naquela noite memorável ficou profundamente marcado na mente dos apóstolos o pedido de Jesus:

“Fazei isto em minha memória! “(Lc 22,19)

Participar da missa é atualizar o pedido de Jesus, É colocar-se em atitude de entrega a Deus Pai e aos irmãos, como fez Jesus.

Jesus realizava assim a primeira missa

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Participar é comungar, é trazer Cristo para dentro de si e depois levá-lo aos irmãos.

A Santa Missa torna presente o sacrifício de Jesus realizado sobre o calvário. Mas também é lugar de se ouvir a palavra de Deus direto da Bíblia.

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A Missa é também é lugar de catequese por excelência.

Tempo e momento de louvor a Deus e também de estar em encontro com os outros irmãos e irmãs da comunidade de fé.

O que é a missa? – A missa consiste em um memorial da Páscoa de Jesus. Celebra a glória, morte e ressurreição de Jesus Cristo.

A Missa é também o momento da comunidade celebrante e não é feita somente de palavras. Ela é um todo composto de palavras, ritos, gestos, cantos, que devem estar bem integrados entre si, para que haja uma harmonia na celebração.

Mais do que uma tradição a missa é comunhão. Imagine-se num encontro com toda a sua família, basicamente este encontro ocorre em todas as missas onde todos os fiéis (irmãs e irmãos) se encontram para celebrar o Pai.

Assistir a missa pela TV ou Internet tem também seu valor, mas não substitui a participação in loco (na igreja) da celebração. O ir pessoalmente, comungar, participar é mais importante ainda.

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Padre Marcelo Rossi, mais de 1 milhão de pessoas assistindo na TV e mais de 100.000 na igreja

Usarei a montagem com um folheto de missa para exemplificar as partes da celebração, os números acompanhados de (*) serão identificados no folheto

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 O ritual

 O ritual litúrgico da missa é dividido em quatro partes: Ritos Iniciais, Liturgia da Palavra, Liturgia Sacramental e Ritos Finais.

  • Ritos Iniciais :
  • Acolhimento (comentário inicial)
  • Canto de Entrada : Pode-se fazer uma procissão de entrada para mostrar a nossa caminhada ou indicar o tema a ser celebrado. Todos de pé (*1)
  • Saudação (acolhida do presidente: padre/diácono/ministro da palavra)(*2) Fl 1,2
  • Antífona de Entrada: Geralmente o trecho de um Salmo, mas que pode ter outros temas dependendo do Tempo Litúrgico (*2)
  • Ato Penitencial: Momento de pedirmos perdão reconhecendo nossas faltas. (*3)    (Mt 7ss; Sl 50,19b)
  • Hino de Louvor: Glória (*4) (Lc 2,14)
  • Oração (ou Coleta): O presidente faz uma oração em nome da igreja reunida pela vida da comunidade, pedindo a Deus por Cristo, na unidade do Espírito Santo. Ao final todos se sentam (*5)
  1. Liturgia da Palavra:
  • Primeira Leitura: Geralmente tirada do Antigo Testamento, salvo no Tempo Pascal em que se lê nos Atos dos Apóstolos. (*6)
  • Salmo Responsorial ( Salmo de Resposta): Leitura retirada do livro dos Salmos (*7)
  • Segunda Leitura: Tirada das Cartas dos Apóstolos ou do Apocalipse (*8)
  • Aclamação ao Evangelho: Canto de aclamação. Todos de pé. (*9)
  • Evangelho: Leitura retirada dos Evangelhos Sinóticos exceto na Quaresma, Tempo Pascal e Festas onde se lê o Evangelho de João. A divisão feita pela igreja divide as leituras dos Evangelhos por anos sendo: Mateus (Ano A), Marcos (Ano B) e Lucas (Ano C). (*10)
  • Homilia: Antigamente costumava-se chamar de sermão. É o momento em que no presidente da celebração fala com a comunidade refletindo sobre as leituras e trazendo uma mensagem sobre tudo no que foi lido. Seria uma espécie de catequese para todos. Este momento todos devem estar sentados numa atitude de quem está pronto a aprender (*11)
  • Profissão de Fé (Creio) – Todos de pé (*12)
  • Oração da Assembléia ou da Comunidade (Prece dos Fiéis): Momento em que a comunidade faz seus pedidos a Deus. (*13)
  1. Liturgia Eucarística (Sacramental):
  • Preparação das Ofertas (Ofertório): (*14)

– Canto das Oferendas ou Ofertas – Todos sentados

– Momento de receber as ofertas dos fiéis

– Ofertório: Não existe mais a entrada em procissão do pala e vinho, salvo quando autorizado pelo padre ou em momentos especiais. Durante este momento a mesa é preparada com as alfaias (cálice, ambula, patena, hóstias grande e partículas ). O presidente usa o gesto de lavar as mãos, mas não como Pilatos o fez e sim como quem se prepara para a refeição. Coloca-se gotinhas de água no vinho que será consagrado e depois uma pequena partícula da hóstia grande é colocada também no cálice. O significado das gotinhas de água é cada fiel está em Cristo e a partícula é o corpo de Cristo com seu sangue. Depois das gotas de água caírem no vinho nada pode separá-los

  • Oração sobre as oferendas: “Orai irmãos e irmãs… É a oração que o presidente pedem para que todos rezem para que o sacrifício de Cristo seja aceito. “ Todos de pé (*15 e 16)
  • Oração Eucarística : Existem diversas formas de Oração Eucarística (todas numeradas e retiradas do Missal Romano, o que faz com que em todo o mundo seja feito a missa daquele dia com a mesma oração, mostrando a unidade da Igreja Católica). Neste momento podemos dividir em partes, pois logo no início o presidente da celebração anuncia: “O Senhor esteja convosco” e a comunidade confirma: “Ele está no meio de nós. “ Assim após uma breve oração é rezado o Santo ( que pode ser feito como oração ou como cântico repetindo o que os anjos fizeram ao anunciar a chegada do então menino Jesus aos pastores em Belém.  Começa o rito da comunhão com a consagração (o vinho virá sangue e o pão virá carne, é a transubstanciação) momento de repetir o gesto de Jesus na última ceia seguindo o pedido dele mesmo: “Fazei isso em minha memória…” Depois vem os pedidos pelos vivos e os mortos, o Santo Papa, Os Bispos e os Presbíteros e outros pedidos. A ultima oração é o “Por Cristo, com Cristo e em Cristo…”, vale salientar que esta é uma oração própria do sacerdote e os fiéis só fazem o Amém (Assim Seja) (*17)
  • Ritos da Comunhão:
  • Oração do Pai Nosso (Mt 6,7-12(*18)
  • Oração e Abraço da Paz
  • Fração do Pão (Cordeiro de Deus) Tem sido cantado ultimamente, mas pode ser rezado
  • Comunhão: Momento de receber Cristo. Neste momento de distribuição da Eucaristia canta-se o Cântico da Comunhão (*19)
  • Silêncio: Ouvir a voz de Deus no nosso interior. Este ano (2017) houve até uma reflexão da igreja sobre a importância do silêncio nas missas, então tem sido recomendado que não se crie cantos ou outras distrações.
  • Antifona da Comunhão – Todos de pé
  • Oração de Ação de Graças (Pós-comunhão) (*21)
  1. Ritos Finais:
  • Avisos ( caso haja necessidade )
  • Bênção Final – Todos de pé
  • Despedida: Ir em paz com o Senhor como companheiro. (*23)

A Missa não termina,porque ela não é um ato isolado na vida do católico.  Durante toda a semana o fiel tenta viver a união com seus irmãos,  através de uma vida de ajuda e fraternidade. 

Os itens *20 e 22 da imagem do folheto ficaram de fora porque em alguns modelos de folhetos estas partes são diferentes. Mas o grande cerne da misa e da liturgia está contido em todos.

Tempo Litúrgico

Existe também todo um tempo litúrgico a ser seguido, que muda conforme já falado de ano em ano. Sendo Ano A: Mateus; Ano B: Marcos; Ano C: Lucas; João celebrações especificas e tempo da Quaresma e Páscoa

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Detalhes :

Ficar sentado indica sobretudo a atitude de quem escuta e acolhe, para refletir e orar.

Ficar de pé significa respeito ao outro e estar pronto para caminhar. Expressa a atitude de quem acredita em um Jesus ressuscitado, presente na Eucaristia que saiu do túmulo  para voltar a caminhar conosco.

Ficar de joelhos é sempre um sinal de penitência  mais do que de adoração. Quem gosta de ajoelhar durante a Consagração, deve voltar a ficar de pé para a aclamação.

Também se deve guardar, nos momentos próprios, o silêncio sagrado, como parte da celebração. A natureza deste silêncio depende do momento em que ele é observado no decurso da celebração. Assim, no ato penitencial e a seguir ao convite à oração, o silêncio destina-se ao recolhimento interior; a seguir às leituras ou à homilia, é para uma breve meditação sobre o que se ouviu; depois da Comunhão, favorece a oração interior de louvor e ação de graças. Antes da própria celebração é louvável observar o silêncio na igreja, na sacristia e nos lugares que lhes ficam mais próximos, para que todos se preparem para celebrar devota e dignamente os ritos sagrados (Instrução Geral do Missal Romano nº 45)

Todo o gestual da missa tem o seu significado, desde o simples abrir de braços do padre, ao olhar, o silêncio e os momentos de falar com cada fiel. Desde o Concilio Vaticano II onde a missa deixou de ser celebrada apenas em latim e de costas para ser celebrada na língua de cada localidade e com o padre de frente (exatamente como Jesus fez) que a celebração ganhou ainda mais significado. Faça o teste, chegue mais cedo e repare em todo o gestual, em cada detalhe da missa, será uma experiência deveras enriquecedora.

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Origem da palavra missa

O substantivo missa vem do verbo latino mittere (“enviar, mandar, dispensar”), o mesmo que originou missão e míssil. Nas igrejas primitivas, nos primórdios do Cristianismo, o culto era dividido em duas partes: a primeira, composta de orações, cantos e de um sermão, era aberta a todos; a segunda (a eucaristia) era reservada aos cristãos batizados. Por isso, dizia-se ao final da 1ª parte, a fórmula “Ite, missa est”, que significa, aproximadamente, “Podem ir, [a congregação] está dispensada”. Pouco a pouco, a palavra que assinalava especificamente o momento da dispensa passou a designar toda a cerimônia.

Seria muito bom se todos chegassem na Igreja um pouco antes, não em cima da hora ou atrasados e pudessem observar o ambiente, a cor litúrgica, a Mesa da Palavra  (o ambão de onde se fazem as leituras), o altar (Mesa da Eucaristia ). Pudessem notar a cruz sobre o altar ou mais comumente ao lado dele, as velas (o círio pascal), as flores, o grupo de canto, as vestes… Tem muitas coisas para serem observadas, e cada gesto ou ato tem seu significado. Por isso também a Pastoral Litúrgica deve ter o cuidado na preparação para que na hora da celebração não tenha correrias por esquecimento ou sinais de que algumas coisas estão erradas. Penso que a missa deve ser celebrada por todos, dos fiéis, equipe da liturgia, o Padre, ministros, leitores, enfim todos devem entrar no mistério de Jesus Cristo.

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Existem também diversos subsídios litúrgicos para se acompanhar a celebração eucarística, entre eles muitos folhetos Litúrgicos-Catequéticos (Folhetos de Missa) além dos hoje populares livretos da liturgia diária. Como exemplos temos: O Domingo (Paulus), Deus Conosco (Editora Santuário), A Missa (Arquidiocese do Rio de Janeiro). Porém pela questão do custo destes semanários algumas comunidades tem optado por exibirem em telões ou mesmo utilizarem a Bíblia para as missas.

Boa fonte de pesquisa :

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Logo após o descobrimento do Brasil foi celebrada uma missa

Artigo: Milton Cesar (fidesomnium.wordpress.com)

O que foi o Concílio Vaticano II?

Conferência realizada entre 1962 e 1965 gerou transformações profundas na Igreja

Foi uma série de conferências realizadas entre 1962 e 1965, consideradas o grande evento da Igreja Católica no século 20. Com o objetivo de modernizar a Igreja e atrair os cristãos afastados da religião, o papa João XXIII convidou bispos de todo o mundo para diversos encontros, debates e votações no Vaticano. Da pauta dessas discussões constavam temas como os rituais da missa, os deveres de cada padre, a liberdade religiosa e a relação da Igreja com os fiéis e os costumes da época. “O Concílio tocou em temas delicados, que mudaram a compreensão da Igreja sobre sua presença no mundo moderno. Foram repensadas, por exemplo, as relações com as outras igrejas cristãs, o judaísmo e crenças não-cristãs”, diz o teólogo Pedro Vasconcelos, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo. Após três anos de encontros, as autoridades católicas promulgaram 16 documentos como resultado do Concílio. Muitas novidades apareceram nas questões teológicas e na hierarquia da Igreja. O papa, por exemplo, aceitou dividir parte de seu poder com outros cardeais. E as missas passaram a ser rezadas na língua de cada país – antes eram celebradas sempre em latim! Na questão dos costumes, porém, o encontro foi pouco liberal. A Igreja continuou condenando o sexo antes do casamento e defendendo o celibato (proibição de se casar e de ter relações sexuais) para os padres. No quadro ao lado, você confere o que mudou – e o que ficou na mesma – depois dessa reforma na Igreja Católica.

Mudança de hábito
Conferência realizada entre 1962 e 1965 gerou transformações profundas na Igreja

ASSUNTO – MISSA

ANTES DO CONCÍLIO – Rezada em latim, com o padre voltado para o altar, de costas para os fiéis. Apenas membros do clero comandavam a celebração

DEPOIS DO CONCÍLIO – Rezada no idioma de cada país, com o padre de frente para o público. Mulheres e homens leigos (que não são do clero) podem ajudar na celebração

ASSUNTO – SEXO

ANTES DO CONCÍLIO – Doutrina rígida, contrária ao sexo antes do casamento e ao aborto, mesmo em caso de estupro

DEPOIS DO CONCÍLIO – Manteve a mesma posição

ASSUNTO – RELACIONAMENTO COM OUTRAS RELIGIÕES

ANTES DO CONCÍLIO – Desconfiança em relação aos ensinamentos de religiões não-cristãs (islamismo, judaísmo, etc.)

DEPOIS DO CONCÍLIO – Aceita a idéia de que, por meio de outras religiões, também é possível conhecer Deus e a salvação

ASSUNTO – CULTO AOS SANTOS

ANTES DO CONCÍLIO – Proliferação de “santos” criados pela crença popular e não-canonizados pela Igreja

DEPOIS DO CONCÍLIO – “Santos” não-canonizados são abolidos. Cristo volta a ser o centro das atenções na missa

ASSUNTO – COMPORTAMENTO DO SACERDOTE

ANTES DO CONCÍLIO – Uso obrigatório da batina e de outros símbolos da Igreja. Casamento e relações sexuais são proibidos

DEPOIS DO CONCÍLIO – Cai o uso obrigatório da batina: agora, os padres podem usar trajes sociais. Segue a proibição ao casamento e ao sexo

ASSUNTO – QUESTÕES POLÍTICAS

ANTES DO CONCÍLIO – Condenação do capitalismo e esforço para evitara “contaminação” do catolicismo por idéias comunistas

DEPOIS DO CONCÍLIO – Continua a condenação ao capitalismo e ao comunismo, mas aumenta um pouco a liberdade dos teólogos para interpretar a Bíblia

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