A morte não o segurou

Páscoa

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“Ressuscitou como disse… Aleluia! A vida venceu a morte!”

Padre César Augusto dos Santos – Cidade do Vaticano
“Quando acreditarmos no poder de Deus e formos mais irmãos, adeptos da partilha e do serviço, perceberemos os sinais da Vida a todo momento, pois estaremos desde agora vivendo à luz de Deus. Feliz Páscoa a todos!”

O Evangelho de São João nos diz que no primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de Jesus e o encontrou vazio. João faz questão de ressaltar que era de madrugada e ainda estava escuro. Podemos perceber que o evangelista ao registrar que o fato aconteceu no primeiro dia da semana, quer fazer alusão à nova criação. O que ele vai relatar é uma novidade radical, é a vida nova de um homem, não um fato como a denominada ressurreição de Lázaro, que volta à vida, mas continua submetido à necessidade de cuidar de sua saúde, de se alimentar e que voltará a morrer.

João vai relatar a autêntica ressurreição, a vitória de Jesus sobre as limitações humanas, sobre suas fragilidades, sobre a morte. Jesus jamais voltará a morrer. A morte nunca mais terá poder sobre ele, porque ele, a Vida, a destruiu.

Contudo, Maria Madalena, apesar de ter escutado várias vezes Jesus dizer que ressuscitaria, a dor da morte é tal que ela se esquece das palavras do Mestre.

Apesar do corpo de Jesus já ter sido ungido na sexta-feira por José de Arimatéia e por Nicodemos, ela não consegue ficar longe do corpo morto do Senhor. A escuridão enfatizada no texto é um símbolo do estado interior de Maria. Ela está com uma vida sem sentido, sem alegria. Seus grande libertador, seu grande amigo está morto. Ela vai ao sepulcro quando ainda está escuro, na natureza e no seu interior. Mas seu coração está iluminado pelo amor, por isso ela vai até ao sepulcro.

Ela o encontra vazio. Sente-se despontada e mais desolada, perdida e impotente. Maria Madalena busca o cadáver de Jesus. Ela esqueceu totalmente a promessa dele de que iria ressuscitar.

Ela olha para o sepulcro vazio e vê dois anjos, um na cabeceira e outro nos pés. O evangelista quer nos recordar os dois anjos que foram colocados, um à cabeceira e outro aos pés da arca da aliança. Jesus é a nova aliança. Por isso a aliança de Jesus Cristo é eterna, pois ele ressuscitou.

Mas Madalena, abalada pela dor não reconhece os sinais e só vê o sepucro vazio. Somente após a segunda pergunta de Jesus, ao ouvi-lo pronunciar seu nome e deixar de olhar para o sepulcro e voltar-se para o lado contrário é que ela vê o ressuscitado.

Como Maria Madalena, também nós só veremos os sinais da ressurreição, quando levantarmos nossos olhos dos sinais de morte, e dirigirmos nosso coração para a VIDA. Enquanto estivermos afeiçoados àquilo que é egoísmo, ambição, ira, não perceberemos que a Vida está à nossa frente, e sofreremos as consequências da opção pelos atrativos mortais. Ao contrário, quando acreditarmos no poder de Deus e formos mais irmãos, adeptos da partilha e do serviço, perceberemos os sinais da Vida a todo momento, pois estaremos desde agora vivendo à luz de Deus.

Feliz Páscoa a todos!

Fonte: Vatican News

Preocupados com a voz do povo amazônico?

Sociedade, Política e Igreja

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Fomos, digamos assim, surpreendidos pela notícia de que a ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) estaria espionando Bispos e Padres da Igreja Católica por causa do Sínodo Pan-Amazônico que será realizado no Vaticano com o Papa Francisco.

Segundo o General Augusto Heleno a preocupação é com as ideias esquerdistas e a interferência de um órgão estrangeiro em assuntos de Segurança Nacional.

Primeiro: A Igreja Católica está presente no mundo todo a séculos.

Segundo : Todo mundo é livre para ter a ideia que quiser.

Esse tipo de ação (espionar para neutralizar como disse o General) é prática de ditadores e foi prática na Ditadura Militar aqui no Brasil.

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É um pouco de convencimento achar que a Igreja quer derrubar o governo sendo que o Sínodo está sendo preparado antes mesmo deste governo se quer sonhar com o poder. A Igreja Católica já fez uma Campanha da Fraternidade falando da Amazônia e o Papa Francisco se preocupa com as questões ecológicas a muito tempo. Fora o documento de Aparecida que fala sobre a Amazônia.

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Acho que a melhor frase é: Ouvir quem nunca foi ouvido talvez seja esse o elemento mais incomodante para muitos setores da sociedade.

Que medo é esse.

O beabá do Sínodo Pan-Amazônico

por Roberto Malvezzi

“Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”. Esse é o lema do Sínodo Pan-Amazônico que acontecerá em outubro de 2019, em Roma. Sínodo vem do grego e quer dizer “caminhar juntos”.

Então, faço alguns esclarecimentos sobre o Sínodo, já que faço parte como “olho de fora” do núcleo de assessoria da REPAM BRASILEIRA (Rede Eclesial Pan-Amazônica), que colabora de forma decisiva na preparação do Sínodo.

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Primeiro, em 2014 foi criada a Rede Eclesial Pan-Amazônica. Os fundadores são o Conselho Episcopal Latino Americano (CELAM), Conferência dos Religiosos da América Latina e Caribe (CLAR), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Cáritas. Já havia iniciativas anteriores nessa linha, porém, mais na dimensão episcopal. A REPAM abrange as bases da igreja e outros setores da sociedade interessados numa Ecologia Integral.

Essa criação deriva da posição do episcopado Latino-americano, definida no documento de Aparecida, que entende que “Jesus nos fala a partir da Amazônia”, isto é, seus povos e toda a exuberância da criação. É o princípio evangélico dos “sinais do tempo”.

A REPAM abrange o Brasil e os demais oito países nos quais há o bioma Amazônia: Bolívia, Equador, Colômbia, Peru, Venezuela, República da Guiana, Suriname e Guiana Francesa. Essa última não é um país, mas um território francês no continente da América do Sul. O propósito é criar uma Igreja em Rede, de povos, instituições, igrejas, que defendam os povos e a natureza amazônica.

O Papa Francisco, que foi um dos redatores do documento de Aparecida, decidiu convocar um Sínodo para toda Igreja da Amazônia, mas que é um Sínodo da Igreja Universal. Por isso, além de aproximadamente 140 bispos da Amazônia, haverá mais pessoas de outros lugares do mundo.

A REPAM não é o único grupo a preparar o Sínodo, mas cumpre um papel destacado por decisão de Roma. O próprio Francisco esteve em Puerto Maldonado, Peru, exclusivamente para ouvir os povos originários. Ele disse que ali começava o Sínodo. Ouvir quem nunca foi ouvido talvez seja esse o elemento mais incomodante para muitos setores da sociedade.Como preparação para o Sínodo, sobretudo a REPAM BRASIL, realizou uma série de seminários pelos mais diversos pontos da Amazônia, dialogando a realidade local com a encíclica Laudato Sí, do Papa Francisco. Só no Brasil foram feitos 16 seminários regionais e um 17º nacional. Porém, outros países também realizaram intensamente esses debates, reunindo povos indígenas, ribeirinhos, universidades, comunidades eclesiais, pessoas de outras religiões, enfim, todos que se preocupam com uma ecologia integral. Posteriormente chegou de Roma um questionário para colher as mais diversas opiniões dos povos sobre a Igreja que queremos e o que fazer para uma Ecologia Integral. A síntese desse questionário está em andamento e será enviado a Roma. Foi formada uma equipe de preparação do Sínodo com 20 pessoas do América do Sul e mais um grupo de Roma. Com esse material nas mãos – as dioceses também tiveram que fazer suas consultas -, será elaborado o texto base do Sínodo em Roma. No fundo, Francisco quer fazer da Amazônia uma referência para a Igreja Universal e também para a defesa da Casa Comum, a Terra. A impressão que ele passa é essa: o que acontecer com a Amazônia, acontecerá com o planeta Terra; o que acontecer com a Igreja da Amazônia, acontecerá com a Igreja Universal. Vivemos num Brasil delirante, onde as insanidades recriam até manicômios. Porém, não há qualquer mistério a respeito desse Sínodo. 

Roberto Mavezzi (Gogó) é escritor, músico, ex-coordenador nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e ativista da luta pela terra e pela água no Nordeste, em especial na região do São Francisco 

Brasil247.com

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Atos dos Apóstolos (Círculo Bíblico – 9/10)

Círculo Bíblico: Atos dos Apóstolos – Encontro 9/10

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Pintura de São Paulo feita por Rembrandt

Este é o nono de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o livro dos Atos dos Apóstolos. A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o livro dos Atos dos Apóstolos (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja e ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia.

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

Jesus é o caminho

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São Paulo preso

At 24, 1 – 27

Chegamos em um ponto muito interessante do nosso Círculo Bíblico. Podemos começar tentando responder a algumas questões enquanto a leitura vai se desenvolvendo:

  1. O cristianismo é subversivo? Por que?
  2. O cristianismo é a mensagem da ressurreição. Como isso pode se tornar sério para a vida que vivemos hoje em dia?
  3. Quais as corrupções que atrapalham a justiça? Comente casos concretos e compare com a mensagem de Jesus.

Lucas fixa o texto principalmente na prisão de Paulo. Ele próprio acompanhou estes fatos. No processo de São Paulo estão jogo três coisas: o cristianismo (na figura de Paulo), o judaísmo e o próprio império romano. Lucas mostra que o judaísmo não é mais o lugar dos cristãos e indica que o futuro do cristianismo está no mundo romano, de onde de fato o futuro fará a mensagem de Jesus se espalhar pelo mundo todo.

Mas os judeus sentem que Paulo é uma ameaça. Três acusações são apresentadas contra Paulo: 1. Paulo (figurando todo o cristianismo) está perturbando a ordem em todo o mundo (romano), vale lembrar que esta é uma das acusações que pesaram contra o próprio Jesus (Lc 23, 2). 2. Paulo é considerado o líder do Partido dos Nazireus (este partido nem existia, mas os judeus chamavam assim os cristãos), o próprio Jesus era considerado um nazireu, radical e subversivo, então todos seus seguidores já eram considerados perigosos para o sistema vigente. E 3. Paulo teria profanado o Templo de Jerusalém ao introduzir pagãos no recinto sagrado (21,28).

O destino de Paulo pode ser o destino do próprio cristianismo. Mas a palavra de Jesus seria um caminho para a humanidade toda.

Paulo se defende: 1. Lembra que ficou poucos dias em Jerusalém e questiona como ele poderia causar tanta agitação em sete dias? 2. Paulo não podia negar pertencer ao partido dos Nazireus, pois o voto de nazireu (não cortar o cabelo durante um período) o fazia ser considerado membro do tal partido. Porém Paulo se defende negando que o cristianismo seja apenas uma seita radicalista dentro do judaísmo. Paulo usa o termo caminho, pois Jesus era justamente uma opção. 3. Paulo diz que foi ao templo oferecer esmolas.

Paulo se defende, mas não ataca. O governador romano Félix considerou Paulo e o cristianismo inocentes de todas as acusações e também não representavam perigo para o império romano. Assim decidiu pelo adiamento de causa. “Félix conhecia bem esta religião e, adiando a questão, disse: Quando descer o tribuno Lísias, então examinarei a fundo a vossa questão. 23.Ordenou ao centurião que o guardasse e o tratasse com brandura, sem proibir que os seus o servissem.”
Atos dos Apóstolos, 22, 22 – 23 – Bíblia Católica Online

Um dos motivos porque Felix também não condenou Paulo, foi o fato dele estar amasiado com Drusila, uma judia que se divorciara para ficar com o governador. Feliz também se interessava pelo cristianismo, apesar de não assumir. O governador também queria que Paulo lhe desse dinheiro em troca da liberdade. Como não conseguiu deixou o apóstolo preso por dois anos quando Pórcio Festo assumiu o cargo de Félix.

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São Paulo diante de Festo e Agripa

At 25, 1 – 27

Lucas mostra que os romanos não condenaram Paulo. O tribuno Lísias, o governador Félix e depois o novo governador  Festo  fazem declarações de inocência do apóstolo e por definição de toda a religião dos cristãos. Paulo também será julgado com a presença do Rei Agripa. O apóstolo apela a César, como cidadão romano teria que ser atendido, a pressão dos judeus é enorme. O que fazer.

Vale questionarmos ao ler este capítulo as semelhanças com o que acontece hoje em dia: 1. Os inocentes são julgados com justiça?

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Diante de Felix

At 26, 1 – 32

Paulo é enviado ao Rei Agripa e vai acompanhado do governador Festo e de algumas “autoridades” judaicas. Agripa não pertencia ao Sinédrio mas é uma figura extremamente importante, um rei.

Paulo então conta como foi a sua conversão e vai demonstrar passo a passo a importância de Jesus e sua mensagem. Festo, Agripa e os demais chegam a um consenso da inocência de Paulo e só não o soltam por ele ter apelado ao imperador César.

O livro dos Atos está praticamente na reta final e vale sempre a reflexão: 1. Nós católicos aproveitamos toda as ocasiões boas ou más para anunciarmos a nossa fé?

Refletindo

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Trecho de papiro dos Atos dos Apóstolos Codex Laudianus

É um exemplo muito claro de como a nossa fé pode ser posta a prova em momentos adversos. Ser fiel a Jesus é acima de tudo defender com coragem e sabedoria aquilo que acreditamos. Hoje vemos muitos católicos que acabam não defendendo a própria fé. Muitas vezes por não gostarem de ler ou procurar por um entendimento maior da fé, outras vezes por falhas de quem está a frente da comunidade de fé que não promove grupos de estudos ou fazem da catequese e grupos da igreja um lugar de evangelização e vivência na fé continuas. Paulo pelo contrário não muda uma virgula na sua defesa da fé em Jesus Cristo e mesmo sabendo que vai pagar por isso, não admite ser convencido do contrário.

Nas nossas comunidades existem muitos desafios a serem enfrentados, mas eles só serão vencidos com a defesa da nossa fé. Sempre em Cristo.

Milton Cesar

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São Marcos

Marcos pertencente a tribo de Levi, era judeu de origem e de uma família tão Cristã que sempre acolheu Jesus, Maria e os apóstolos em sua casa: ‘Ele se orientou e dirigiu-se para a casa de Maria, mãe de João, chamado Marcos; estava lá uma numerosíssima assembléia a orar‘ (Atos 12, 12).

A tradição nos leva a crer que na casa de São Marcos teria acontecido a Santa Ceia celebrada por Jesus, assim com o dia de Pentecostes, onde ‘inaugurou’ a Igreja Católica. Encontramos na Bíblia que o Santo de hoje acompanhou inicialmente São Barnabé e São Paulo em viagens apostólicas, e depois São Pedro em Roma.

São Pedro, que o chama de ‘meu filho’, o teve certamente consigo em suas viagens a Roma, onde Marcos teria escrito o Evangelho. A antigüidade cristã, a começar por Pápias, chama-o de ‘intérprete de Pedro’. ‘Marcos, um intérprete de Pedro, escreveu exatamente tudo aquilo que se lembrava. Escreveu, porém, o que o Senhor disse ou fez, não segundo uma ordem. Marcos não escutou diretamente o Senhor, nem o acompanhou; ele ouvia São Pedro, que dispunha seus ensinamentos conforme as necessidades’.

Além da familiaridade com São Pedro, o evangelista Marcos pode orgulhar-se de uma longa convivência com o apóstolo São Paulo, com quem se encontrou pela primeira vez em 44, quando Paulo e Barnabé levaram a Jerusalém a generosa coleta da comunidade de Antioquia. De volta, Barnabé, levou consigo o jovem sobrinho Marcos. Após a evangelização de Chipre, quando Paulo planejou uma viagem mais trabalhosa e arriscada ao coração da Ásia Menor, entre as populações pagãs do Tauro, Marcos – conforme lemos nos Atos dos Apóstolos – ‘se separou de Paulo e Barnabé e voltou a Jerusalém’. Depois Marcos voltou ao lado de Paulo quando este estava prisioneiro em Roma.

Em 66 São Paulo nos dá a última informação sobre Marcos, escrevendo da prisão romana a Timóteo: ‘Traga Marcos com você. Posso necessitar de seus serviços‘. Os dados cronológicos da vida de São Marcos permanecem duvidosos. Ele morreu provavelmente em 68 de morte natural, segundo uma tradição e, conforme outra tradição, foi mártir em Alexandria do Egito. Os Atos de Marcos, um escrito da metade do século IV, referem que Marcos, no dia 24 de abril, foi arrastado pelos pagãos pelas ruas de Alexandria, amarrado com cordas ao pescoço. Jogado ao cárcere, no dia seguinte, sofreu o mesmo tormento atroz e sucumbiu. A venda do seu corpo por parte de dois comerciantes e mercadores de Veneza não passa de lenda (828). Porém, é graças a esta lenda que, de 976 a 1071, foi construída a estupenda basílica veneziana dedicada ao autor do segundo Evangelho, simbolizado pelo Leão. As relíquias do corpo de São Marcos estão localizadas na cidade de Veneza desde 815.

São Marcos que na Igreja primitiva fez um lindo trabalho missionário, que não deu fim diante da prisão e morte dos amigos São Pedro e São Paulo, por isso evangelizou no Poder do Espírito Alexandria, Egito e Chipre, lugar onde fundou Comunidades. Conhecido principalmente por ter sido agraciado com o carisma da inspiração e vivência comunitária que deram origem ao Evangelho querigmático de Jesus Cristo segundo Marcos.

A Igreja e o mundo precisam de cristãos como Marcos Evangelista, sendo modelo de: cristão em profunda comunhão com Deus e com os irmãos;
• missionário que anuncia e testemunha a boa nova de Jesus;
• articulador de novas comunidades e pastor dedicado ao Reino;
• escritor que procura transmitir ao mundo a vida, obra e ensinamentos de Jesus, nosso Salvador, Mestre e Senhor.

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Como base de estudo foi usado:

 

Atos dos Apóstolos (Círculo Bíblico – 7/10)

Círculo Bíblico: Atos dos Apóstolos – Encontro 7/10

Este é o sétimo de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o livro dos Atos dos Apóstolos. A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o livro dos Atos dos Apóstolos (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja e ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia.

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)
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Lucas e Paulo (cena do filme Paulo, Apóstolo de Cristo)

Não temas! Fala e não te cales.

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Bem no início do capítulo temos o relato de que Paulo chega a Corinto vindo de Atenas. E também descobrimos que ele é um “fabricante de tendas”, profissão lucrativa que também explica de onde veio o dinheiro para sua família comprar o titulo de cidadão romano que ele carregava. Paulo com certeza era de família judia rica, o que por si só explica a sua formação. Descobrimos a profissão do apóstolo ao sermos apresentados as figuras de Áquila e sua esposa Priscila que também eram fabricantes de tendas e acolheram Paulo deixando que ele trabalhasse junto a eles.

Áquila e Priscila tinham vindo recentemente da Itália aparentemente fugindo da perseguição imposta por Cláudio que ordenara a retirada de todos os judeus de Roma. Paulo ficou pregando todos os sábados na sinagoga convertendo gregos e judeus, até que Timóteo e Silas chegaram a Corinto, vindos de sua missão na Macedônia. Paulo se irritou com tantas acusações e blasfêmias que sofreu enquanto pregava e anunciou que iria pregar apenas aos gentios já que os judeus não o ouviam e foi para a casa de um prosélito de nome Tício Justo. Mas sem que soubesse o próprio chefe da sinagoga de nome Crispo foi convertido junto com sua família e depois disso muitos do povo de Corinto também foi convertido.

Paulo ainda inflexível e irritado com os judeus. “Numa noite, o Senhor disse a Paulo em visão: Não temas! Fala e não te cales. 10.Porque eu estou contigo. Ninguém se aproximará de ti para te fazer mal, pois tenho um numeroso povo nesta cidade. 11.Paulo deteve-se ali um ano e seis meses, ensinando a eles a palavra de Deus.”
(Atos dos Apóstolos, 18, 9 – 11 – Bíblia Católica Online)

Mais uma vez os judeus se juntaram e tentaram condenar Paulo a morte levando ele a presença de Galião procônsul de Caia (a autoridade romana da região), mas este não quis se meter nos assuntos da comunidade e não encostou em Paulo, porém os judeus espancaram o chefe local da sinagoga.

Depois de um tempo Paulo vai para Éfeso. Interessante que o relato de Lucas traz alguns detalhes, como o corte de cabelo de Paulo em Cêncris, já que seu voto de Nazireu havia acabado.

Nazireu (do hebraico nazir נזיר da raiz nazar נזר “consagrado”, “separado”), dentro da Torá é o termo que designa uma pessoa para serviços de Deus. Segundo a Bíblia, a marca mais comum da separação desta pessoa – que podia ser um homem ou uma mulher – era o uso do cabelo não cortado e a abstinência do consumo de vinho ou qualquer outro alimento feito de uva. O voto de nazireado (ou nazireato), foi institucionalizado e regulamentado na Torá no Livro de Números 6,1-21. Em virtude desta consagração, o nazireu devia abster-se de tomar certos alimentos e bebidas fermentadas, de cortar o cabelo e tocar em cadáveres, além de não comer carne em muitas circunstancias, Romanos 14,21 mostra uma carta de Paulo, em seu tempo nazireato. Estas exigências particulares parecem traduzir os seguintes princípios: manter-se mentalmente são (“abster-se de vinho e de bebida fermentada”) e em sujeição a Deus (simbolizado pelo não cortar o cabelo) e manter-se cerimonialmente puro (não tocar em cadáveres).

João Batista teria sido também um nazireu, embora o Novo Testamento nunca se refira a ele usando diretamente este termo. O seu estatuto de nazireu deduz-se devido ao seu estilo de vida ascético; em Lucas 1,15 o anjo informa a Zacarias, pai de João, que a sua mulher dará à luz um filho que “não beberá vinho nem bebida alcoólica”.

O apóstolo Paulo, junto com outros cristãos, fizeram também um voto temporário de nazireato (Atos 18,18 até Atos 21,23-26).

Este tipo de consagração é considerado pelos teólogos católicos como modelo precursor do monasticismo cristão. Já outras denominações cristãs, encaram-no como precursor do ministério religioso por tempo integral. Embora depois da destruição do segundo templo de Jerusalém o voto Nazireu oficialmente foi extinto pois ele era possível somente com o templo em funcionamento, O Segundo Templo foi o templo que o povo judeu construiu após o regresso a Jerusalém, após o Cativeiro Babilônico, no mesmo local onde o Templo de Salomão existira antes de ser destruído. Manteve-se erguido entre 515 a.C. e 70 d.C. quando foi destruído pelos Romanos, tendo sido, durante este período, o centro de culto e adoração do Judaísmo.                                                                        (Wikipedia)

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At 19, 1 -41

Neste ponto começa a terceira viagem missionária de Paulo. Ele sai de Jerusalém e vai para a Antioquia, que havia se tornado seu ponto de partida e chegada em todas as suas viagens. De Antioquia o apóstolo vai para Éfeso.

No relato de Lucas, ele fica mais focado nos desvios religiosos que ameaçavam os cristãos, um exemplo está em At 19, 13-17 onde ele fala de pessoas usando o nome de Jesus em vão para beneficio próprio e para arregimentar fiéis (lembra alguns comportamentos em certas seitas por ai hoje em dia?).

Mas é interessante saber que historicamente essa viagem de Paulo a Éfeso foi de intensa atividade, nesta cidade foram escritas muitas epístolas:

Apesar do texto de Lucas não citar, Paulo foi preso nesta época e sofreu bastante. (ver 2 Cor 1,8 e Fl)

Éfeso devia ser um centro importante de maio-cristãos judeus. Por isso Paulo acaba se encontrando com cerca de 12 seguidores de João Batista. Aparentemente Lucas quer mostrar que é preciso mais que apenas o batismo realizado por João seria preciso também ser batizado no Espírito Santo em nome de Jesus. Comparando com a prática da nossa igreja Católica, onde além do Batismo é necessário também a Confirmação (Crisma) que é o batismo no Espírito Santo, Lucas parece direcionar o que se tornou prática na igreja nascente na comunidade dos Atos. Neste capitulo também acontece o que ficou conhecido pelos teólogos como o terceiro Pentecostes (lembrando que o primeiro foi em At 2 e o segundo em At 10), mas não existe um consenso se foi apenas uma maneira de Lucas exemplificar o que seria uma norma na igreja.

O combate a idolatria aparece no final deste capitulo com a confusão causada pelos ourives, que faziam lembrancinhas Ártemis e ganhavam muito dinheiro, porém começavam a enfrentar problemas pela mensagem dos cristãos.

Uma boa pergunta para ser respondida durante o círculo bíblico seria:

Servir-se hoje da religião para explorar o povo. Isso acontece ainda hoje? Porque?

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O apóstolo Paulo

At 20, 1 – 38

Neste capitulo Paulo parte de Éfeso e mostra como o centro da fé em Jesus Cristo está na Eucaristia. Também mostra que a comunidade tem que ajudar os que mais precisam. Alguns lugares a sede da igreja (a Paróquia) tem condições de ajudar os irmãos de outras comunidades menores mas não saem de seus lugares para não perderem o status.

Justamente nos versículos 17 a 38 Paulo praticamente encerra toda a sua vida  missionária com seu discurso de despedida aos presbíteros de Éfeso. Depois de sair de Éfeso ele irá para Jerusalém onde será preso, julgado e depois levado a Roma onde seria decapitado (mas isso é para os próximos capítulos). Lucas narra o discurso de Paulo pois ele foi muito importante também para o apóstolo.

O DISCURSO FINAL DE PAULO

  1. Convocação dos presbíteros de Éfeso: Paulo quer ouvir e falar com os anciãos responsáveis pelas comunidades de Éfeso.  At 20, 17-18a
  2. A atividade de Paulo na Ásia: O apóstolo relembra toda a sua atividade nestes anos e conclui que ele fez duas coisas (como ponto principal): Serviu ao Senhor e Anunciou a sua Palavra. At 20, 18b-21
  3. Momento decisivo: Paulo se prepara para um futuro sombrio. Parece saber que está chegando seu fim.Sabe que sua ida para Jerusalém pode ser decisiva. Ele foi alertado sobre os perigos em Jerusalém, mas ele é impulsionado pelo Espírito Santo. At 20, 22-24
  4. Primeira exortação e despedida: O apóstolo sabe que cumpriu seu dever sem se omitir e tem certeza de que não voltará mais a sua comunidade na Ásia. No versículo 28 ele exorta os presbíteros a serem os guardiões da fé e cuidarem da comunidade. At 20, 25-28
  5. Qual o futuro da comunidade e uma nova exortação: Paulo faz uma previsão dos dois perigos para a comunidade, um externo e um interno. 1. Lobos, ou seja, falsos profetas que tentarão dividir a comunidade. 2. Membros da comunidade que se desviarão e tentarão desviar outros na comunidade. Os dois perigos atingirão a comunidade da mesma forma: procurando desvirtuar a comunidade do caminho da fé. Paulo orienta a que todos vigiem. At 20, 29 -31
  6. Recomendação ao Senhor: Paulo entrega a comunidade ao Senhor e à sua Palavra. Quem dirige de fato a igreja é o Evangelho. At 20, 32
  7. Outras exortações: o apóstolo propõe o seu modo de vida como exemplo a ser seguido pela comunidade de fé. De quem o pastor, o líder, o presbítero deve depender? Nem da acumulação de bens, nem da sustentação oferecida pela comunidade, Paulo orienta que o líder religioso (como ele) sobreviva à custa do seu trabalho. Lembrando que o próprio apóstolo trabalhava. At 20, 33-35
  8. Última despedida: Todos de joelhos na praia fazem uma oração em comum. E aí temos o maior ensinamento de todos: é a oração que traz força e confiança para todos que foram chamados ao pastoreio das comunidades. At 20, 36-38
Baseado em parte do livro: Como Ler Os Atos dos Apóstolos – Ivo Storniolo (Paulus Editora)

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17″Mas de Mileto mandou a Éfeso chamar os anciãos da igreja. 18.Quando chegaram, e estando todos reunidos, disse-lhes: Vós sabeis de que modo sempre me tenho comportado para convosco, desde o primeiro dia em que entrei na Ásia. 19.Servi ao Senhor com toda a humildade, com lágrimas e no meio das provações que me sobrevieram pelas ciladas dos judeus. 20.Vós sabeis como não tenho negligenciado, como não tenho ocultado coisa alguma que vos podia ser útil. Preguei e vos instruí publicamente e dentro de vossas casas. 21.Preguei aos judeus e aos gentios a conversão a Deus e a fé em nosso Senhor Jesus. 22.Agora, constrangido pelo Espírito, vou a Jerusalém, ignorando a que ali me espera. 23.Só sei que, de cidade em cidade, o Espírito Santo me assegura que me esperam em Jerusalém cadeias e perseguições. 24.Mas nada disso temo, nem faço caso da minha vida, contanto que termine a minha carreira e o ministério da palavra que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho ao Evangelho da graça de Deus. 25.Sei agora que não tornareis a ver a minha face, todos vós, por entre os quais andei pregando o Reino de Deus. 26.Portanto, hoje eu protesto diante de vós que sou inocente do sangue de todos, 27.porque nada omiti no anúncio que vos fiz dos desígnios de Deus. 28.Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastorear a Igreja de Deus, que ele adquiriu com o seu próprio sangue. 29.Sei que depois da minha partida se introduzirão entre vós lobos cruéis, que não pouparão o rebanho. 30.Mesmo dentre vós surgirão homens que hão de proferir doutrinas perversas, com o intento de arrebatarem após si os discípulos. 31.Vigiai! Lembrai-vos, portanto, de que por três anos não cessei, noite e dia, de admoestar, com lágrimas, a cada um de vós. 32.Agora eu vos encomendo a Deus e à palavra da sua graça, àquele que é poderoso para edificar e dar a herança com os santificados. 33.De ninguém cobicei prata, nem ouro, nem vestes. 34.Vós mesmos sabeis: estas mãos proveram às minhas necessidades e às dos meus companheiros. 35.Em tudo vos tenho mostrado que assim, trabalhando, convém acudir os fracos e lembrar-se das palavras do Senhor Jesus, porquanto ele mesmo disse: É maior felicidade dar que receber! 36.A essas palavras, ele se pôs de joelhos a orar. 37.Derramaram-se em lágrimas e lançaram-se ao pescoço de Paulo para abraçá-lo, 38.aflitos, sobretudo pela palavra que tinha dito: Já não vereis a minha face. Em seguida, acompanharam-no até o navio.” Atos dos Apóstolos, 20, 17-38 – Bíblia Católica Online

Refletindo

Quanto mais adentramos no livro dos Atos dos Apóstolos, mais notamos as semelhanças com as dificuldades em se viver em comunidade, com as perseguições por causa da nossa fé. Mas também temos confirmadas algumas práticas que a igreja mantém, seguindo sempre os exemplos da comunidade dos Atos. Em particular podemos fazer um paralelo com os Sacramentos do Batismo, da Eucaristia e da Confirmação (Crisma) quando notamos que na pregação e orientação de Paulo e seus companheiros sempre existe a recomendação do batismo, da confirmação no Espírito santo e do partir do pão. Nota-se também como Paulo aponta o verdadeiro comportamento de quem vai ser um líder religioso, que não tem nada a ver com o que notamos em muitas igrejas, onde o líder é quem enriquece e busca sempre os privilégios. O apóstolo Paulo fala de se sustentar com seu trabalho, e servir a igreja sem cobrar por isso. Ou seja, o líder deve ter um trabalho comum e formal e doar o seu tempo sobressalente ao anúncio da palavra. Isso por si só já deveria demover tantos (e tantas) que se autodenominam lideres religiosos e ficam sendo sustentados pela igreja, sendo que muitos tiram mais que o sustento e se tornam empresários da fé.

Milton Cesar

Silas,_apostle

São Silas (em grego: Σίλας ou Σιλουανός), também chamado por vezes de São Silvano, foi um personagem proeminente do cristianismo primitivo e que depois acompanhou Paulo em algumas de suas viagens. Ele é contado entre os Setenta Discípulos.

Há alguma disputa sobre a forma correta de seu nome. Apesar de consistentemente ser chamado de “Silas” nos Atos dos Apóstolos, seu nome em latim era Silvanus, que significa “da floresta”, e é assim que ele é saudado por Paulo (por exemplo em 2 Coríntios 1,191 Tessalonicenses 1,1 e 2 Tessalonicenses 1,1) e na Primeira Epístola de Pedro (1 Pedro 5,12). É possível que Silvanus seja a forma romanizada do original “Silas”, ou que “Silas” seja o apelido grego para Silvanus. Fitzmyer nota que Silas é a versão grega do aramaico “Seila”, uma versão do Hebreu “Saul”, que aparece em algumas inscrições palmirenses.

No entanto, uma tradição posterior distingue os Silas e Silvano e o faz bispo de Corinto e Tessalônica. Silas aparece pela primeira vez nos Atos dos Apóstolos no final da narrativa sobre Concílio de Jerusalém (At 15,22-35). Após a discussão ocorrida no concílio a respeito da controvérsia da circuncisão, os fiéis ali reunidos e mais os apóstolos decidem escolher, por eleição, os companheiros de Paulo e Barnabé na viagem até Antioquia para levar o resultado do encontro. Esta eleição foi necessária para que não houvesse dúvidas sobre a isenção dos mensageiros a respeito da mensagem, algo que temiam os judeu-cristãos, liderados por Tiago, irmão de Jesus. Os eleitos então foram Silas e Judas, “chamado Barsabá”. Ambos era consideradas importantes entre os fiéis, talvez por serem profetas (At 15,32), uma virtude tão estimada que mesmo Paulo os coloca logo depois dos apóstolos e antes dos doutores e evangelistas em sua enumeração feita em 1 Coríntios 12,28 e Efésios 4,11. Paulo, Barnabé, Judas e Silas então partem de Jerusalém levando os decretos dos apóstolos aos irmãos em Antioquia e nas províncias romanas da Síria e Cilícia. Chegando em Antioquia, eles cumprem a missão que lhes foi dada. Judas retorna para Jerusalém e desaparece da história, enquanto Silas permanece na cidade.

A partir deste momento Silas sempre aparecerá ao lado de Paulo, pela Síria e Cilícia, incentivando os cristãos. Em Listra, a eles se junta Timóteo. Eles seguem viajando, passando pela FrígiaGalácia e, através da Mísia, chegam até Trôade. Em seguida, eles passam para a Grécia e em Filipos são vítimas de uma manifestação hostil incitada pelos proprietários de uma pobre escrava que tinham exorcizado (e que dava enormes lucros aos seus patrões). Eles são presos, mas acabam libertados quando se descobre que entre eles havia dois cidadãos romanos (At 16,30). Em Tessalônica, novamente são atacados, desta vez pelos judeus, e só se salvam pelas mãos de Jasão, o senhorio da casa onde estavam hospedados, que lhes paga uma fiança. Em seguida, em Bereia, Paulo segue para Atenas, deixando ali Silas e Timóteo (At 17,14).

Como Paulo havia lhes mandado avisar para que se juntassem a ele tão logo quanto possível (At 17, 15), é possível que eles o tenham feito e ido até Atenas. A partir dali, Timóteo foi enviado à Tessalônica e Silas para Filipos ou para Bereia. O encontro em Corinto (At 18,5) seria já na volta destas viagens.

Pedro e Silas

E esta é a última vez que o nome de Silas aparece nos Atos. Ele não está entre os companheiros de Paulo em sua terceira viagem. É possível que ele tenha ido com Paulo e Timóteo até Antioquia, onde teria se encontrado com Pedro (1 Pd 5,12), que o chama de “fiel irmão” (como Silvano).

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Como base de estudo foi usado:

Atos dos Apóstolos (Círculo Bíblico – 6/10)

Círculo Bíblico: Atos dos Apóstolos – Encontro 6/10

Este é o sexto de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o livro dos Atos dos Apóstolos. A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o livro dos Atos dos Apóstolos (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja e ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia.

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

O Concilio de Jerusalém (O primeiro de todos)

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O Concilio de Jerusalém

 

At 15, 1 – 40

A comunidade tem mais uma discussão a respeito do que deve ou não ser feito dentro da igreja. A forte ligação com a lei judaica ainda traria muitos problemas para a comunidade cristã, e mais uma vez entrou como pauta de discussão a questão de se os chamados “gentios” (aqueles que não eram judeus) deveriam ou não ser circuncidados e abraçarem a fé judaica antes da fé cristã. Parece hoje uma bobagem, mas é de fato um tema que causava extrema celeuma na comunidade de Jerusalém e Antioquia.

Em At 15, 1 – 35 Lucas praticamente escreve sobre um momento central do livro dos Atos dos Apóstolos e da história da Igreja. Como o texto foi escrito quase 50 anos depois dos acontecimentos, ele ão faz um relato histórico, provavelmente Lucas tenha reunido neste capitulo diversos fatos que ocorreram. Mas a maior importância neste relato é o fato de ter acontecido a primeira grande reunião para deliberar, esclarecer e decidir a teoria e a prática do cristianismo. O maior fruto deste concílio é o esclarecimento de que a “salvação cristã depende exclusivamente da fé em Jesus” e que não é necessário antes ser judeu para depois tornar-se cristão. Em poucas palavras, nem os judeus e nem os pagãos ficam obrigados ao ritual da circuncisão e a observância da lei judaica.

Deste concílio, que podemos chamar de Primeiro Concílio de Jerusalém, também saiu o primeiro documento oficial do cristianismo católico em forma de uma carta que foi enviada junto com alguns apóstolos as comunidades da Antioquia: “Então pareceu bem aos apóstolos e aos anciãos com toda a comunidade escolher homens dentre eles e enviá-los a Antioquia com Paulo e Barnabé: Judas, que tinha o sobrenome de Barsabás, e Silas, homens notáveis entre os irmãos. 23.Por seu intermédio enviaram a seguinte carta: “Os apóstolos e os anciãos aos irmãos de origem pagã, em Antioquia, na Síria e Cilícia, saúde! 24.Temos ouvido que alguns dentre nós vos têm perturbado com palavras, transtornando os vossos espíritos, sem lhes termos dado semelhante incumbência. 25.Assim nós nos reunimos e decidimos escolher delegados e enviá-los a vós, com os nossos amados Barnabé e Paulo, 26.homens que têm exposto suas vidas pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo. 27.Enviamos, portanto, Judas e Silas que de viva voz vos exporão as mesmas coisas. 28.Com efeito, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor outro peso além do seguinte indispensável: 29.que vos abstenhais das carnes sacrificadas aos ídolos, do sangue, da carne sufocada e da impureza. Dessas coisas fareis bem de vos guardar conscienciosamente. Adeus! 30.Tendo-se despedido, a delegação dirigiu-se a Antioquia. Ali reuniram a assembléia e entregaram a carta. 31.À sua leitura, todos se alegraram com o estímulo que ela trazia.” (Atos dos Apóstolos, 15,22-31 – Bíblia Católica Online)

No final deste capítulo é citado novamente a presença de Marcos (que seria depois o primeiro a escrever um dos Evangelhos e este seria copiado por Mateus e o próprio Lucas). Como Marcos na verdade se chamava João Marcos ( e alguns relatos apócrifos dão conta de que foi na casa da família dele, quando este ainda era uma criança, realizada algumas ceias de Jesus e seus discípulos incluindo a ultima ceia): “Barnabé queria levar consigo também João, que tinha por sobrenome Marcos. 38.Paulo, porém, achava que não devia ser admitido quem se tinha separado deles em Panfília (durante a primeira viagem missionária de Paulo, Barnabé e o próprio Marcos que abandonou) e não os havia acompanhado no ministério. 39.Houve tal discussão que se separaram um do outro, e Barnabé, levando consigo Marcos, navegou para Chipre.” (Atos dos Apóstolos, 15, 37-39 – Bíblia Católica Online)

Vale fazer umas perguntas enquanto se lê este capitulo: 1. Evangelho é fermento libertador e não fardo opressor. Concorda?; 2. A ação missionária de nossa comunidade liberta ou oprime?; 3. Damos espaço para quem é novo na comunidade?

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São Pedro, ícone do século VI, Mosteiro de Santa Catarina do Monte Sinai

 

At 16, 1 – 40

Logo no inicio deste capítulo é introduzido a figura do apóstolo Timóteo que era filho de uma judia cristã e de pai grego, mas um detalhe chama a atenção. Apesar de no capitulo anterior ter acontecido um Concilio onde foi decidido que ninguém precisaria se converter ao judaísmo para ser cristão, a primeira coisa que Paulo faz ao chamar Timóteo para acompanhá-lo é justamente circuncidá-lo. O motivo, apesar de não ter sido escrito pode ser entendido por algumas suposições. Timóteo era fio de uma judia convertida e pai grego, provavelmente o pai já havia falecido e o costume judaico para um casamento misto (judeu e grego) era de que o filho fosse educado na religião da mãe e esta era judia, então Paulo (ainda intimamente ligado a lei judaica) acabou circuncidando Timóteo para que a comunidade judaica não o visse como um renegado. Lembrando que a evangelização feita pelos apóstolos sempre começava pelas sinagogas.

Timóteo viria a ser o maior colaborador de Paulo, junto com Lucas.

Este inicio da segunda viagem missionária de Paulo não foi tanto uma decisão da comunidade, mas sim do próprio apóstolo. Paulo é dirigido pelo Espírito Santo e por duas vezes é impedido ou proibido de ir para a Éfeso pela ação do espírito.

Justamente  em 16, 10 Lucas começa a usar a palavra “nós” narrando como se estivesse participando ativamente da viagem, porém esse fato não é comprovado.

É na principal cidade da Macedônia, Filipos, reconstruída por Filipe, pai de Alexandre Magno em 356 a.C., tornou-se colônia de Roma em 31 a.C., mas tinha alguns privilégios como administração autônoma, isenção de tributos e direitos dos cidadãos residentes em território italiano. Lucas não dá a mesma importância para a cidade, como dará Paulo durante as suas missões e suas epístolas. Não havia sinagoga na cidade mas os judeus rezavam próximo a um rio, onde os missionários Paulo e Timóteo encontraram-se com um grupo de fiéis (aparentemente a maioria mulheres) e converteram várias dando destaque para uma mulher de nome Lídia que era uma rica comerciante vinda de Tiatira, esta se converteu, foi batizada junto com toda a família e na sua casa foi fundada a comunidade de Filipos e ali ficou sendo a sede da comunidade.

Mais uma vez durante a missão os apóstolos sofrem perseguição. Paulo e Silas foram açoitados e presos, sem um julgamento e sem que seus perseguidores soubessem que estavam indo contra a lei romana  pois os apóstolos eram cidadãos romanos e nenhum judeu poderia julgar um cidadão romano naquela época. Na prisão Paulo e Silas foram acorrentados mas durante a noite as algemas caíram por força do poder de Deus.

É sempre interessante pensarmos em responder algumas perguntas:

  1. A solidariedade e a partilha caracterizam a vida da sua comunidade?
  2. Quais as semelhanças entre At 6, 13-16“No sábado, saímos fora da porta para junto do rio, onde pensávamos haver lugar de oração. Aí nos assentamos e falávamos às mulheres que se haviam reunido. 14.Uma mulher, chamada Lídia, da cidade dos tiatirenos, vendedora de púrpura, temente a Deus, nos escutava. O Senhor abriu-lhe o coração, para atender às coisas que Paulo dizia. 15.Foi batizada juntamente com a sua família e fez-nos este pedido: Se julgais que tenho fé no Senhor, entrai em minha casa e ficai comigo. E obrigou-nos a isso.” e o que acontece com as nossas atuais Comunidades Eclesiais de Bases (CEBs)?
  3. Porque a ação libertadora da fé provoca perseguição?

 

At 17, 1 – 34

A viagem de Paulo, Silas e Timóteo chega a Tessalônica, depois de passar por outras localidades. Nesta cidade ele fica por um mês, passando três sábados pregando na sinagoga e convertendo muitos judeus e também outros povos. Porém mais uma vez eles foram perseguidos, por conseguirem converter muitos “gentios” e várias mulheres: “Alguns deles creram e associaram-se a Paulo e Silas, como também uma grande multidão de prosélitos gentios, e não poucas mulheres de destaque. 5.Os judeus, tomados de inveja, ajuntaram alguns homens da plebe e com esta gente amotinaram a cidade. Assaltaram a casa de Jasão, procurando-os para os entregar ao povo.”
(Atos dos Apóstolos, 17, 4-5 – Bíblia Católica Online)

Neste ponto do capítulo somos apresentados a Jasão que aparentemente era um homem rico convertido ao cristianismo que deu acolhida a Paulo e seus companheiros. Os judeus invadiram sua casa em busca dos apóstolos e como não acharam prenderam Jasão e algumas pessoas que ali estavam. Vale prestar atenção no versículo 9“9.E só depois de receberem uma caução de Jasão e dos outros é que os deixaram ir.”  Aparentemente só após dar dinheiro aos perseguidores Jasão conseguiu a liberdade. 

Os apóstolos vão para Beréia, mas os tessalonicenses continuam a persegui-los, aqui vale fazer um parentese pois esta perseguição parece mais forte contra Paulo, e este vai então para Atenas deixando Silas e Timóteo em Beréia.

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Ruínas atuais do Areópago de Atenas

Em Atenas, uma cidade grega, ele se defronta com as dificuldades de se levar a palavra de Jesus, pois é um povo que cultua muitos deuses. Paulo é levado ao Areópago (em grego antigoἌρειος Πάγος areios pagos, “Colina de Ares“) que era a parte nordeste da Acrópole em Atenas e também o nome do próprio conselho que ali se reunia. Além de supremo tribunal, o conselho também cuidou de assuntos como educação e ciência por algum tempo.

Por volta de 50 da era cristã filósofos epicureus e estoicos que discutiam com o apóstolo Paulo o levaram ao Areópago para que lhes contassem a respeito de sua nova doutrina. Ali ele proferiu seu famoso Discurso no Areópago.

Atenas e o discurso no Areópago

Paulo pregando no Areópago de Atenas, um dos episódios de Atos 17.
1515. Por Rafael, atualmente no Victoria and Albert Museum, em Londres.

Em Atenas, Paulo se revoltou com a idolatria que encontrou. Ele pregava não apenas aos judeus, mas discutia também com filósofos epicuristas e estoicos (Atos 17,18). Curiosos, levaram-no para o Areópago, onde Paulo proferiu um de seus mais famosos sermões, preservado em At 17, 22-34.

Discurso no Areópago

Depois de cumprimentar os atenienses, Paulo afirma ter encontrado um altar ao “deus desconhecido” e afirma que este, que adoravam sem saber, «é o que eu vos anuncio. O Deus que fez o mundo e tudo o que nele há» (At 17, 23-24). Afirma ainda que o verdadeiro Deus não habita em santuários e nem precisa de nada das mãos humanas, como sacrifícios ou estátuas, pois todos os homens foram criados por Ele. Assim: «Sendo, pois, geração de Deus, não devemos pensar que a divindade é semelhante ao ouro ou à prata ou à pedra, lavrada por arte e gênio do homem. Dissimulando, pois, os tempos da ignorância, Deus manda agora que todos os homens em todo o lugar se arrependam, porquanto tem fixado um dia em que há de julgar o mundo com justiça pelo varão que para isto destinou, do que tem dado certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos.» (At 17,29). Alguns zombaram, mas muitos foram convertidos; o autor dos Atos cita entre eles Dionísio, o Areopagita, e Dâmaris.

Milton Cesar

Refletindo

A nossa fé é acima de tudo compromisso e fidelidade. Não podemos entrar no oba-oba saltitante do galho em galho religioso, pois acreditar não é procurar algo que se pode encontrar somente em Jesus. Os apóstolos e os discípulos nas suas caminhadas de evangelização jamais deixaram-se seduzir por outras doutrinas ou deixaram-se amedrontar por ameaças e perseguições, mantiveram-se fiéis a Jesus Cristo, seguindo os ensinamentos que ele deixou e compreendendo que a figura de Pedro (o primeiro Papa) era importante e acima de tudo era da vontade de Deus que ele fundasse a sua igreja, a igreja de Jesus Cristo.

Não podemos acomodar-se, acovardar-se ou fingir que não ouvimos o chamado do Espírito Santo. Somos acima de tudo evangelizadores.

Podemos sempre trazer as experiências da comunidade nascente do tempo dos Atos para nossa vida em comunidade e ver o que ainda falta para realmente sermos uma igreja única num só ideal. É preciso rezar mais e fazer uma leitura cada vez mais orante do Livro dos Atos dos Apóstolos.

Milton Cesar

 

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São Tiago Maior

São Tiago Maior, o primeiro discípulo a morrer pelo Evangelho

Nascido em Betsaida, este apóstolo do Senhor era filho de Zebedeu e de Salomé e irmão do apóstolo João, o Evangelista. Pescador juntamente com seu irmão João, foi chamado por Jesus a ser discípulo d’Ele. Aceitou o chamado do Mestre e, deixando tudo, seguiu os passos do Senhor. Dentre os doze apóstolos, São Tiago foi um grande amigo de Nosso Senhor fazendo parte daquele grupo mais íntimo de Jesus (formado por Pedro, Tiago e João) testemunhando, assim, milagres e acontecimentos como a cura da sogra de Pedro, a Transfiguração de Jesus, entre outros. Procurou viver com fidelidade o seu discipulado. No entanto, foi somente após a vinda do Espírito Santo em Pentecostes que São Tiago correspondeu concretamente aos desígnios de Deus. No livro dos Atos dos Apóstolos, vemos o belo testemunho de São Tiago, o primeiro dentre os doze apóstolos a derramar o próprio sangue pela causa do Evangelho: “Por aquele tempo, o rei Herodes tomou medidas visando maltratar alguns membros da Igreja. Mandou matar à espada Tiago, irmão de João” (At 12,1-2). Segundo uma tradição, antes de ser martirizado, São Tiago abraçou um carcereiro desejando-lhe “a Paz de Cristo”. Este gesto converteu o carcereiro que, assumindo a fé em Jesus, foi martirizado juntamente com o apóstolo. Existe ainda outra tradição sobre os lugares em que São Tiago passou, levando a Boa Nova do Reino. Dentre estes lugares, a Espanha onde, a partir do Século IX, teve início a devoção a São Tiago de Compostela.

São Tiago Maior, rogai por nós!

Tiago (o Maior), filho de Zebedeu e de Salomé, irmão mais velho do evangelista João, aparece entre os seguidores de Jesus desde o começo da pregação do Messias.

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Os dois irmãos estavam na margem do lago de Genesaré, quando Jesus os chamou. A resposta foi pronta e total: “eles abandonando o barco e seu pai, o seguiram”. Também neste particular se revela sua índole forte e ardente, pela qual tiveram de Jesus o apelido, entre elogio e reprovação, de “filhos do trovão”. Seu comportamento posterior confirma isso, pelo menos em duas ocasiões: a primeira vez diante do comportamento hostil dos samaritanos, que negaram hospitalidade a Jesus e aos seus discípulos: “Senhor – disseram Tiago e João – devemos invocar o fogo do céu para que os devore?” Mais tarde na última viagem a Jerusalém, ambos ousaram fazer aquele presunçoso pedido de sentar-se um à direita e outro à esquerda do Cristo triunfante. Em ambos os casos demonstram não terem entendido as lições de amor e de humildade do Mestre. Todavia são generosos quando se trata de jogar-se à luta. À pergunta de Jesus: “Podeis vós beber o cálice?”, Tiago foi o primeiro a responder: “Podemos”. Jesus colocou-o contra a parede e Tiago respeitou pontualmente a palavra dada. Após o dia de Pentecostes, no qual tinha vindo não o fogo destruidor do castigo, mas o fogo vivificante do amor, também Tiago como os outros apóstolos foi vítima da perseguição movida pelas autoridades judaicas: foi jogado no cárcere e flagelado, “alegrando-se muito, por ter sido digno de sofrer torturas pelo nome de Jesus” (como se lê nos Atos dos Apóstolos). Houve uma segunda perseguição, da qual foi vítima ilustre o diácono santo Estêvão, e houve uma terceira, mais cruel que as precedentes, desencadeada por Herodes Agripa para agradar aos judeus.

Este Herodes (mostrando-se digno do nome do tio, o assassino de João Batista, e do avô Herodes, dito o Grande, que tentou matar Jesus logo que nasceu), por um simples cálculo político, durante as festas pascais de 42 “começou a perseguir alguns membros da Igreja, mandou matar à espada Tiago, irmão de João, e, vendo que isto agradava aos judeus, mandou prender Pedro”.

Segundo uma tradição, não anterior ao século VI, o apóstolo Tiago teria sido o primeiro evangelizador da Espanha. Para revigorar esta tradição, no século IX o bispo Teodomiro de Iria afirmou ter reencontrado as relíquias do apóstolo e desde aquela época, Iria, que tomou o nome de Compostela, tornou-se a meta preferida de todos os peregrinos da Europa.

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Como base de estudo foi usado:

 

 

 

Atos dos Apóstolos (Círculo Bíblico – 5/10)

Círculo Bíblico: Atos dos Apóstolos – Encontro 5/10

Este é o quinto de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o livro dos Atos dos Apóstolos. A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o livro dos Atos dos Apóstolos (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja e ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia.

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

 

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Pedro sendo liberto pelo anjo

At 12, 1-25

Neste ponto temos o ápice da missão de Pedro dentro do livro dos Atos dos Apóstolos e também o fim da primeira etapa da história da Igreja, que até neste ponto estava centralizada em Jerusalém e apenas no mundo judaico. A cidade de Jerusalém vai permanecer como simbolo, mas o novo centro será a Antioquia na Síria e de lá o Evangelho se irradiará por toda a Ásia Menor e depois a Europa, principalmente à atividade missionária de Paulo. O capítulo todo é construído sobre o tema da perseguição.

A história da perseguição aos nazarenos é antiga, mas é neste ponto que os apóstolos começam a ser realmente perseguidos, e de maneira feroz.

Na Páscoa de 41 d.C. um novo rei chega para governar os judeus, mesmo que este reinado seja imposto por Roma. Os Indumeus eram inimigos dos hebreus, e Roma havia obrigado eles a tolerarem reis desta origem. Os outros reis não se importaram com a politica de agradar o povo judeu, mas este tinha outros planos. Herodes Agripa I, era neto de Herodes, Magno e como os demais membros da família, serviam aos interesses de César. A diferença crucial é que este sabia da preocupação dos judeus com a expansão dos cristãos, e decidiu perseguir os discípulos que até aquele momento podiam agir livremente na Palestina, um plano para ganhar a simpatia do povo judeu.

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O anjo liberta Pedro da prisão

Logo em seguida ele prende Pedro, mas sabe que ele é uma espécie de líder dos cristãos então decide fazer uma execução mais chamativa.

Pedro preso e a comunidade ora. Pedro reflete e dorme e é acordado por um anjo que o retira da cela sem ao menos abri-las. Algo que podemos ver parecido em Ex 12,11 quando Moisés se prepara para libertar o povo, e em 1 Rs 19, 4-8 quando Elias é socorrido por um anjo.

“Então Pedro tornou a si e disse: Agora vejo que o Senhor mandou verdadeiramente o seu anjo e me livrou da mão de Herodes e de tudo o que esperava o povo dos judeus.” (Atos dos Apóstolos, 12, 11 – Bíblia Católica Online)
Lógico que depois disso Herodes ficou furioso e executou os guardas, depois foi para outro local onde fez com que o povo o declarasse um deus, e no momento seguinte cai e morre (22-23),

Lucas então volta a falar de Paulo e que ele estava esta tempo todo em Jerusalém e depois parte com o primo de Barnabé, João Marcos (o evangelista). Nestes capítulos quase não temos ensinamentos mais intensos. Mas vale a pena refletirmos no fato de que a comunidade cristã começava a sofrer com perseguições vindas não só do Sinédrio, mas agora da realeza. Também é importante sabermos que depois desta parte da história os discípulos começam a levar a sua pregação para lugares mais distantes.

At 13, 1 – 36

Antioquia era a terceira cidade do Império Romano depois de Roma e Alexandria. Era o importante centro entre o Oriente e o Ocidente, lugar de mistura  de povos, culturas e religiões. Foi a partir dela que o cristianismo se irradiou para todos os lados, através das “viagens” dos apóstolos  (principalmente Paulo) que foi o caminho histórico, simbólico e espiritual do Evangelho. Foi evangelizada por cristãos que fugiram de Jerusalém e prosélitos que vinham de Chipre e Cirene. Antioquia torna-se o ponto de transição do cristianismo entre o mundo judaico e o mundo chamado pagão. Fica até uma questão sobre quem inventou a missão entre os pagãos, se foi Paulo ou se foi Antioquia. Talvez as duas respostas possam ser consideradas corretas.

A comunidade de Antioquia  foi dirigida por cinco homens: Paulo (ainda chamado de Saulo); Barnabé; Simeão conhecido como “o negro” (provavelmente africano); Lúcio de Cirene (ao Norte da África) e Manaém que foi amigo do rei Herodes Antipas (aquele que governava quando Jesus foi condenado). Numa reunião da comunidade o Espírito Santo mostra que Paulo e Barnabé tem uma missão especial. Depois de uma explicação com a comunidade, está abençoa os dois que saem a evangelizar outras localidades.  Aqui nota-se que mesmo os líderes da comunidade, confirmados pelo Espírito Santo submetem-se a aprovação da igreja e começam a primeira viagem missionária. Como Barnabé era de Chipre, provavelmente tenha sido este o motivo da viagem ter começado por esta localidade.

 

Em At 13, 4-12 os apóstolos se defrontam com a magia na Ilha de Pafos, com um mago chamado Élimas, cujo o nome real era Bar-Jesus  (filho de Jesus, e este nome era comum na época), mas Paulo o derrotou.  “6.Percorreram toda a ilha até Pafos e acharam um judeu chamado Barjesus, mago e falso profeta, 7.que vivia na companhia do procônsul Sérgio Paulo, homem sensato. Este chamou Barnabé e Saulo, e exprimiu-lhes o desejo de ouvir a palavra de Deus. 8.Mas Élimas, o Mago – pois assim é interpretado o seu nome -, se lhes opunha, procurando desviar da fé o procônsul. 9.Então Saulo, chamado também Paulo, cheio do Espírito Santo, cravou nele os olhos e disse-lhe: 10.Filho do demônio, cheio de todo engano e de toda astúcia, inimigo de toda justiça, não cessas de perverter os caminhos retos do Senhor! 11.Eis que agora está sobre ti a mão do Senhor e ficarás cego. Não verás o sol até nova ordem! Caíram logo sobre ele a escuridão e as trevas, e, andando à roda, buscava quem lhe desse a mão. 12.À vista deste prodígio, o procônsul abraçou a fé, admirando vivamente a doutrina do Senhor.”
Atos dos Apóstolos, 13, 6-12 – Bíblia Católica Online
Nos At 13, 13-52 Lucas faz uma síntese do Antigo Testamento. O relato não traz muitas notícias, o autor quer logo chegar a história em Antioquia. Conforme o costume inicial do próprio Paulo, ele vai primeiro aos lugares judaicos e neste caso vai a Sinagoga. Não fala das atividades de Jesus (diferente da Catequese de Pedro no capítulo 10) pois não foi testemunha ocular destes fatos, mas conta os últimos passos de Cristo e depois de tudo faz um convite a conversão.

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Prisão de Pedro

At 14, 1- 28

Este capítulo traz de modo mais intenso as perseguições que a comunidade cristã sofriam principalmente porque saira da sua zona de conforto  (Jerusalém) e ia ao encontro de outros povos par levar a palavra de Deus. Jerusalém era tranquila? Não! Mas era o ambiente que os discípulos já conheciam. A extensão para Antioquia também não foi tranquilam mas desde o momento em que o Espírito Santo suscitou no coração de Paulo e Barnabé o ímpeto missionário, toda essa perseguição aumentou ainda mais.

Este capítulo deve ser lido procurando responder a algumas perguntas  (e aqui vou me guiar pelas questões suscitadas no livro Como Ler os Atos dos Apóstolos de Ivo Storniolo – Paulus Editora):

  1. Por que o anúncio do Evangelho e sua prática causam perseguição?
  2. Nossa (a sua) comunidade já foi perseguida?
  3. Por que é preciso passar por tribulações para entrar no Reino de Deus?
  4. O que é preferível : depender dos outros ou ser livre?
  5. Quais as formas de idolatria atualmente alienam o nosso povo?

São perguntas respondidas com a leitura orante deste capítulo.

Milton Cesar 

Refletindo

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A caminhada dentro da igreja pode ser fácil ou difícil, porém sempre vão existir desafios. Os exemplos de Pedro quando libertado pelo anjo e então percebe a magnitude disso e também o exemplo de Paulo e Barnabé que não se acomodaram com uma situação confortável de liderança e imediatamente atenderam o chamado do Espírito Santo,  não sem antes respeitarem toda a comunidade passando pelo crivo e depois sendo abençoados,  mostram que não existe o “dono da igreja” e muito menos aqueles que ficam perpetuados numa posição. A igreja é de Jesus Cristo e seus membros devem sempre estarem abertos a acolhida e a missão de evangelizar.

Algumas pessoas querem ficar apenas numa pastoral ou grupo e se esquecem de cederem espaço e partirem para a missão de evangelizar também em outros espaços da igreja e da comunidade. O maior sinal de amor a Deus é levá-lo também a outras pessoas.

Milton Cesar

 

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Moeda com a éfige de Herodes Agripa I

Herodes Agripa I (c.10 a.C. – Cesareia44 d.C.) foi rei da Judeia de 41 até 44 d.C. Era neto de Herodes, o Grande, por seu filho Aristóbulo (não mencionado na Bíblia) e sua mãe se chamava Berenice.  Ele nasceu Marcus Julius Agripa, assim chamado em homenagem ao estadista romano Marco Vipsânio Agripa. Ele foi chamado o rei Herodes nos Atos dos Apóstolos, na Bíblia, “Herodes (Agripa)” (Ἡρώδης Ἀγρίππας). Ele era, de acordo com Josefo, conhecido em seu tempo como “Agripa, o Grande”. Ele foi feito tetrarca das províncias que haviam sido governadas por Lisânias, e eventualmente terminou governando todos os domínios que haviam sido sujeitos ao seu avô Herodes, governando como rei. Ele condenou o apóstolo Tiago à morte, e colocou Pedro na prisão. Durante um festival em honra ao imperador Cláudio, ele apareceu vestido de forma magnífica, e foi louvado pela multidão como um deus. Herodes Agripa veio a morrer da mesma doença que havia afetado seu avô, Herodes. Ele reinou quatro anos como tetrarca, três anos como rei de toda a Judéia, e morreu aos cinquenta e quatro anos de idade. Após sua morte, a Judéia foi incorporada à prefeitura da Síria, fazendo parte do Império Romano.

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A decapitação de Tiago

 

Como base de estudo foi usado:

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Atos dos Apóstolos (Círculo Bíblico – 4/10)

Círculo Bíblico: Atos dos Apóstolos – Encontro 4/10

Este é o quarto de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o livro dos Atos dos Apóstolos. A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o livro dos Atos dos Apóstolos (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja e ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia.

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

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Não existe fiel não praticante, ou é ou não é

At 9, 1-30

O circulo bíblico é uma reflexão que nos instiga a ler a Bíblia com uma visão aberta e conhecimentos de pormenores que não dispensam a leitura orante da palavra, mas ajuda em alguns quesitos para que se entenda e se possa transmitir este entendimento de uma maneira eficaz.

Pois bem. Chegamos a um capitulo quase que central dos Atos, aqui veremos o que acontece com Saulo, o próprio vai descrever estes fatos em suas epístolas Gl 1,11-16; 1Cor 15,8-10; Fl 3,6-12, mas nota-se que o relato dele difere em muitos pontos do relato de Lucas em At 9, o que não deixa de ser óbvio pelo fato de Lucas ter ouvido falar e ele ter vivido a experiência. Vale a pena ler este capitulo e depois lermos as cartas citadas, vale como aprendizado, deveras valioso. Como acontece até hoje, quem conta aumenta um ponto.

Saulo deveria ter 28 anos quando trabalhava como perseguidor dos  cristãos. Era considerado pelo Sinédrio , pois perseguia cristãos bem distante de Jerusalém. Damasco ficava 220 Km de Jerusalém.

“Durante a viagem, estando já perto de Damasco, subitamente o cercou uma luz resplandecente vinda do céu. 4.Caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? 5.Saulo disse: Quem és, Senhor? Respondeu ele: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. [Duro te é recalcitrar contra o aguilhão. 6.Então, trêmulo e atônito, disse ele: Senhor, que queres que eu faça? Respondeu-lhe o Senhor:] Levanta-te, entra na cidade. Aí te será dito o que deves fazer. 7.Os homens que o acompanhavam enchiam-se de espanto, pois ouviam perfeitamente a voz, mas não viam ninguém. 8.Saulo levantou-se do chão. Abrindo, porém, os olhos, não via nada. Tomaram-no pela mão e o introduziram em Damasco, 9.onde esteve três dias sem ver, sem comer nem beber.” (Atos dos Apóstolos, 9, 3-9 – Bíblia Católica Online)
No relato de Lucas, Saulo é atingido por uma luz. Mas que luz seria essa? Podemos especular que seria uma percepção interior, pois os outros que o acompanhavam não viram nada. Porém há o detalhe destes acompanhantes ouvirem a voz, mas não verem a luz. Teria sido apenas Saulo convertido? O texto não revela isso, porém mostra que tão logo Saulo volta a enxergar e os judeus do Sinédrio descobrem que ele mudou de lado, a primeira ação é tentar mata-lo.

Saulo fica cego ao entrar me contato com a luz de Jesus Cristo. Castigo? Não. Aquilo que ele enxergava antes (o ódio aos cristãos) tornou-se escuridão, que só vai voltar a se tornar clara (voltar a enxergar) de novo quando entrar em contato com a comunidade de fé em Jesus através da intervenção de Ananias e por ele ser acolhido como um irmão (At 9,17). Seguindo o ensinamento de Cristo de perdoar 70 vezes 7, Saulo foi perdoado.

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Durante 3 dias Saulo ficou cego, e não comeu nem bebeu nada. depois deste tempo chegou Ananias um apóstolo importante em Damasco e veio conversar com ele, impõe-lhe as mãos e curá-lo. Saulo converteu-se e foi batizado, provavelmente seus companheiros também, apesar de não haver o relato. Lucas aqui como  bom escritor que era faz um paralelo entre a cegueira de Saulo ( 3 dias sem ver a luz) e a morte de Jesus (3 dias até a ressurreição). Saulo fica 3 dias para ver a luz e ter uma vida nova, assim como Cristo.

Sai da condição de um dos maiores perseguidores de cristãos para ser no futuro próximo um dos maiores apóstolos de Cristo. Quem fez sofrer, agora sofrerá por causa do nome de Jesus. E isso lembra da radicalidade da fé. Deus não gosta de meia fé ou de jeitinhos ou gente em cima do muro (não existe o católico não praticante, ou é ou não é). Deus faz grandes transformações e não mudanças de discursos. Saulo sim pode dizer que encontrou Jesus, pois ele estava sem fé e perseguia os que tinham fé e acabou convertido de verdade. Não trocou uma sigla, mudou totalmente de vida.

Lucas narra o encontro de Paulo com Pedro e Tiago (At 9, 26-30), existe uma divergência entre o relato de Lucas neste trecho dos Atos e o do próprio Paulo em Gl 1, 16-24 que dá como data deste encontro quase três anos de diferença (não podemos esquecer que de Damasco a Jerusalém são mais de 220 km de distância e Paulo era procurado na Cidade Santa). Mas é claro que Lucas não escreve um relato histórico, mas sim um livro que tem a intenção de mostrar como a comunidade era unida.

A comunidade de Jerusalém reage como reagiu a de Damasco no inicio da conversão de Saulo, eles tem medo e desconfiança, mas com a intervenção de Barnabé contando como Paulo pregara em Damasco, faz com que o aceitem. Mesmo assim os helenistas ainda desconfiados querem matá-lo, e por isso ele parte para sua cidade natal Tarso depois de passar por Cesaréia.

As contradições entre as declarações de Lucas, e o que Paulo vai escrever em algumas de suas cartas, são interessantes, mas não ao ponto de desqualificar o texto dos Atos.

O que há de mais importante na leitura orante dos Atos dos Apóstolos, é o fato de que as comunidades primitivas enfrentavam problemas como as comunidades cristãs atuais. Desde as opiniões diferentes quanto a questões de interpretação da mensagem de Jesus. Assim como naquela época temos os que fazem muito, e outros que não se importam tanto, assim como inveja de uns poucos das figuras de destaque.

No final do capitulo (At 9,31-43), temos algumas ações de Pedro, e a constatação de que ele ficava circulando de cidade em cidade. Lucas descreve a cura de um paralítico em Lida e a ressurreição de uma mulher chamada Tabita, em Jope (cidade próxima de Lida) .

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At 10, 1- 48

No inicio deste capitulo vemos a narrativa de um centurião, já temente a Deus que acaba se encontrando com Pedro depois de um sonho premonitório, talvez seja a primeira vez que um convertido ( exceto o etíope) era estrangeiro e seria convertido logo por Pedro, que tinha sérias restrições aos não judeus. Pedro tem que comer na casa deste homem, e pela lei judaica (ainda não abandonada por Pedro), muitas comidas eram proibidas. Dentro deste capitulo temos que destacar os versículos 14-16 que mostram Pedro sendo questionado 3 vezes, assim como ele foi no julgamento de Jesus, e ele resistindo mais uma vez. Logo depois Pedro percebe que Deus não faz distinções entre as pessoas. (At 10, 34-36)

Aqui com certeza nasce o cristianismo que seria aberto a todos os povos do mundo. Se Paulo seria o maior divulgador do cristianismo, coube a Pedro ser o 1° a aceitar outros povos na nova religião. Em Jope, onde Pedro se localizava, todo o povo percebeu que ele estava na casa de um “pagão” .

Deus com certeza escolheu Pedro para converter alguém que não era hebreu-judeu, por ele ser o que mais tinha resistências a conversão do povo pagão.

“Estando Pedro ainda a falar, o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviam a (santa) palavra. 45.Os fiéis da circuncisão, que tinham vindo com Pedro, profundamente se admiraram, vendo que o dom do Espírito Santo era derramado também sobre os pagãos; 46.pois eles os ouviam falar em outras línguas e glorificar a Deus. 47.Então Pedro tomou a palavra: Porventura pode-se negar a água do batismo a estes que receberam o Espírito Santo como nós? 48.E mandou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo. Rogaram-lhe então que ficasse com eles por alguns dias.” (Atos dos Apóstolos, 10, 45 – 48 – Bíblia Católica Online)
No versículo 45 vemos Lucas afirmar nas palavras de Pedro que o Espírito Santo é para todos, sem nenhuma distinção. Engraçado vemos este tipo de afirmação, e analisarmos o comportamento de muitas comunidades que ainda impõe a cada membro modos de agir e limites. Alguns são impedidos de trabalharem onde queiram, por certas convenções. Não quero dizer que cada um pode fazer o que quer, já que a igreja segue algumas normas importantes.

At 11, 1-30

Neste capitulo vemos as discussões em relação a conversão de Cornélio, basicamente este capitulo trata deste tema.

A conversão dos pagãos colocava em cheque uma questão que os cristãos da comunidade dos Atos ainda não haviam entendido:

“Basta converter-se a Boa Nova de Jesus e comprometer-se com ele ou primeiro seria necessário converter-se ao judaísmo e observar sua práticas?

São questões colocadas pelos que já eram judeus e encontravam uma nova fé em Jesus, porém ainda não tinham claro que era preciso escolher um lado e acolher os demais, mesmo os chamados pagãos (que não eram judeus).

Pedro volta  para Jerusalém e encontra a comunidade em alvoroço, cheia de questionamentos. Até então todos os convertidos eram de origem judaica (hebreus, gregos, a conversão de Cornélio e sua família é um fato novo. Os judeus-cristãos (se é que podemos chamar assim) não entendiam que não precisavam mais seguir duas religiões e sim só uma, mas questionaram pedro por ele ter quebrado  a lei judaica duas vezes ao entrar na casa de incircuncisos e comer com eles, eles achavam que perderiam a identidade por terem que conviver com pagãos, comer com eles, participar do mesmo teto, celebrar a partilha do pão (Eucaristia). O episódio das viúvas parecia não ter servido de aprendizado e até os antes discriminados , agora discriminavam.

Seria preciso fundar duas comunidades diferentes? A igreja dos judeus-cristãos, que seria uma igreja de primeira classe e com observância estrita da lei judaica e cristã e uma igreja pagã-cristã, que seria de segunda classe e mais livre para a entrada de “qualquer pessoa”. Esse era o desejo de Jesus?

Se levarmos em consideração esta reflexão podemos encaixar isso hoje em muitas comunidades e igrejas, onde os novos fiéis são relegados ao segundo plano por uma divisão de classes de quem já estava antes da chegada dos novos membros. É aquela questão de acharem-se donos da igreja. Eu tenho medo de quem quer dar ordens a Jesus.

Pedro não dá explicações. Relato o que aconteceu e de como toda as suas ações foram tomadas por Deus, desde a sua visão (11,5-10; 10, 11-20), o encontro com os enviados de Cornélio (11,13-14; 10, 17-24), a visão de Cornélio (11-13-14 ;10, 3-8) e a catequese com a ação do Espírito Santo entre os pagãos (11, 15-17 ;10, 34-48). Parece apenas a repetição do capitulo 10 porém tem muitos detalhes a serem levados em conta. Pedro então dá o motivo de sua liderança ao intervir na discussão: “Ele (Pedro) te dirá as palavras pelas quais serás salvo tu e toda a tua casa. 15.Apenas comecei a falar, quando desceu o Espírito Santo sobre eles, como no princípio descera também sobre nós. 16.Lembrei-me então das palavras do Senhor, quando disse: João batizou em água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo. 17.Pois, se Deus lhes deu a mesma graça que a nós, que cremos no Senhor Jesus Cristo, com que direito me oporia eu a Deus?”(Atos dos Apóstolos, 11, 14-17– Bíblia Católica Online)
Em palavras mais simples: Se a decisão foi de Deus, o que o homem pode fazer?

É justamente neste ponto que a comunidade começa a compreender que a vontade de Deus é para que todos sejam agraciados com a luz do Evangelho

At 11, 19-30

Chega-se a um ponto no capitulo onde logo após a confirmação de Pedro, os até então nazarenos começam a pregar a Boa Nova de Jesus a todos os povos. Lucas fala de Saulo novamente numa breve citação e no versículo 26 fala que foi a primeira vez que os judeus convertidos e todos os novos seguidores de Cristo passam a serem chamados de cristãos e isso acontece na comunidade de Antioquia, durante um ano de intensa pregação. Saulo e Barnabé saem em missão ao final do capitulo.

“Durante um ano inteiro eles tomaram parte nas reuniões da comunidade e instruíram grande multidão, de maneira que em Antioquia é que os discípulos, pela primeira vez, foram chamados pelo nome de cristãos. 27.Por aqueles dias desceram alguns profetas de Jerusalém a Antioquia. 28.Um deles, chamado Ágabo, levantou-se e deu a entender pelo Espírito que haveria uma grande fome em toda a terra. Esta, com efeito, veio no reinado de Cláudio. 29.Os discípulos resolveram, cada um conforme as suas posses, enviar socorro aos irmãos da Judéia. 30.Assim o fizeram e o enviaram aos anciãos por intermédio de Barnabé e Saulo.”
(Atos dos Apóstolos, 11,26-30 – Bíblia Católica Online)

Milton Cesar

Refletindo

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São Paulo

 

A leitura da Bíblia num Círculo Bíblico, tem que ser antes de tudo orante. Todas as informações que escrevo aqui são importantes apenas como base, mas a reflexão de cada um, com a interpretação baseada na oração, de como funcionava as primeiras comunidades, tem um valor ainda maior. Qual é o nosso papel como agentes e membros da comunidade de fé? Não é ditar regras ou modos de agir, mas sim auxiliar no crescimento pessoal de cada irmã e irmão, acolher e saber entender os desígnios de Deus.

Imagine quanto de surpresa houve entre a comunidade ao se depararem com alguém cujo o propósito sempre foi acabar com os cristãos, e essa pessoa ter sido mudada radicalmente pelo amor de Deus. Pense como foi difícil isso não só para a comunidade, mas também para o próprio Paulo. E ainda mais como foi aceitar que uma pessoa não fiel (caso do centurião Cornélio) adentrasse a comunidade acreditando em Jesus.

Vale avaliar se estamos dando espaço para as novas pessoas nas nossas comunidades e igrejas. O “nossa comunidade” dá a se entender que é de todos e não “minha apenas”. Será que damos espaço para quem chega se sentir acolhido, a vontade para participar ativamente da liturgia da igreja, ler, cantar e mais ainda celebrar. Ou resistimos?

Jesus acolheu a todos sem distinção e esta é a máxima. Nos Atos vemos as dificuldades da comunidade e isso deve servir para sermos ainda mais acolhedores.

Milton Cesar

Um homem chamado Paulo

 

Pintura mais antiga do rosto de Paulo, encontrada nas catacumbas romanas

Pintura mais antiga conhecida sobre São Paulo (Século IV)

Eram os primeiros anos da Igreja. Saulo, judeu da tribo de Benjamin, nascido em Tarso na Cilícia, foi fulgurado pelo encontro com o Cristo. Saulo é fariseu, mas goza de todos os direitos de cidadão romano. Educado em Jerusalém por Gamaliel, inimigo declarado de Jesus Cristo, é um dos perseguidores do diácono Estevão. Depois da morte de Estevão, participa com fúria tenaz da perseguição insurgida pelos judeus contra a Igreja de Jerusalém. Retira os cristãos e os faz aprisionar. Ele mesmo pede ao sumo sacerdote que lhe dê cartas de apresentação para as sinagogas de Damasco para conduzir prisioneiros a Jerusalém os cristãos daquela cidade.

Enquanto se encontrava na estrada de Damasco para iniciar a sua empreitada, uma luz fulgurante o derruba por terra e uma voz o interroga: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” Saulo derrubado, chega cego à cidade. Ananias, avisado por revelação divina sobre o acontecimento, o batizará. Paulo começa nas sinagogas a anunciar a ouvintes estupefatos que Jesus é o Filho de Deus, conforme a narração no livro dos Atos dos Apóstolos 9,1-22.

“Quem és, Senhor?”, havia perguntado Saulo à voz que o tinha derrubado do cavalo. “Eu sou Jesus que tu persegues”. A evidência da fulguração transformou o perseguidor dos cristãos: “Senhor, que queres que eu faça?” Do ódio ao amor o passo é breve, Jesus de Nazaré se mostra o Cristo e abate o orgulho do homem, fazendo-o instrumento escolhido para levar o seu nome aos gentios. O preço é um só: “Mostrar-te-ei quanto deverás sofrer por meu nome”. Mas absorvido no mistério de Cristo morto e ressuscitado, Paulo não verá mais a cruz senão como transfiguração da glória.

O episódio narrado não pode ser reduzido à experiência puramente interior: também os companheiros de Paulo o perceberam e ouviram “a voz”. Paulo recordou repetidamente o acontecimento: Jesus lhe aparecera (1Cor 15,8); tinha visto o Senhor (9,1), com o vulto envolvido pela glória divina (2Cor 4,6); a aparição de Damasco equivalia para ele às aparições que tiveram os apóstolos depois da ressurreição de Jesus.

Sobre o batismo de Paulo (Atos 9, 1-21), o Senhor manda Ananias, para que Paulo recupere a vista e seja batizado. Para convencer Ananias, compreensivelmente hesitante, o Senhor lhe manifesta a excepcional missão destinada a Paulo: a de ser seu mensageiro em todo o mundo, diante dos pagãos, das autoridades e dos próprios judeus.

Ele é grande modelo, seguidor de Jesus, anunciando com ardor o Evangelho.

Paulo tem plena consciência de que é servo, chamado a ser apóstolo, escolhido para o Evangelho de Deus. Com esta apresentação, começa sempre suas cartas. Ele afirmou uma vez: “Sei em quem acreditei”. Faz incansável profissão de fé em Cristo Jesus, crucificado e ressuscitado, vivo entre nós.
Neste ano Paulino, vale a pena reconhecer Paulo especialmente através de suas cartas.

São João Crisóstomo, bispo de Constantinopla, faz um retrato de Paulo e revela o traço mais sugestivo e fascinante do Apóstolo dos gentios: o seu amor a Cristo, à paixão por ele, caminho para a ressurreição e a glória: “Paulo tudo suportou por amor a Cristo. Gozar do amor de Cristo era a sua vida, o seu mundo, o seu reino, a sua promessa, tudo. O que é o homem, quão grande é a dignidade da nossa natureza e de quanta virtude é capaz a criatura humana, Paulo o demonstrou mais do que qualquer outro. É o que aprendemos de suas próprias palavras: ‘Esquecendo o que fica para trás, eu me lanço para o que está na frente’. As fraquezas, as injúrias, as necessidades, as perseguições são as armas da justiça, mostrando que delas lhe vinha grande proveito.”

A aparição no caminho de Damasco muda, em um segundo, todo o modo de pensar e de agir de Saulo, até então ardente inimigo da cruz. Nesse encontro excepcional com o Senhor, Saulo vê que o messias dos cristãos está verdadeiramente ressuscitado e glorificado, que Deus Pai aprovou a sua obra, e tudo o que Jesus disse e fez, é o cumprimento das profecias, enquanto as autoridades de seu povo erraram na interpretação das Escrituras.
Paulo descobre a “loucura” de cruz: verdade e sabedoria, porque envolve Deus mesmo e é, com a ressurreição do Senhor, a última palavra da revelação divina aos homens. (fonte Formação Canção Nova)

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Saulo é o nome hebraico usado até o capitulo 13 dos Atos. Paulo é o  nome romano que servirá para que ele circule livremente por toda a Palestina e Judéia, lembrando que sua família comprou a cidadania romana, o que era comum entre os abastados da época. A mudança de nome ocorre no capitulo 13, e simboliza uma nova vida e o apostolado entre os cristãos. Pedro também mudara o nome. Nos Atos, Saulo é citado 12 vezes como perseguidor dos cristãos, talvez Lucas tenha tido a intenção de fazer um paralelo :12 tribos de Israel, 12 discípulos de Jesus, 12 perseguições antes da conversão.

Saulo é um judeu autêntico, que sempre defendeu com ardor os mandamentos da Torá. Sabemos que a maioria das religiões são focadas nas suas tradições, e que ensinam seus filhos os valores de cada preceito. Algo louvável, que precisa ser feito, ante o ataque de outros meios de comunicação que tem ensinado valores deturpados para os jovens e crianças, e até alguns adultos, pregando a concorrência desleal, e a busca de um lucro em decorrência da desgraça do outro.

Saulo, assim como os judeus da época (talvez até hoje), esperava um rei messiânico, um messias grandioso que livraria a nação judaica do domínio romano, e não um messias que pregaria a paz e o amor ao próximo, e depois morreria de forma humilhante na cruz. É fácil notar que Judas Iscariotes também  pensava assim, e por isso mesmo entregou Jesus, na esperança de que os seguidores dele se revoltassem e libertassem o mestre.

Vale dizer que na edição 2110 de 8/7/2009 da Revista Veja, foi publicada uma reportagem que dizia :O Vaticano acredita ter encontrado, na segunda maior Basílica de Roma, os restos mortais do apóstolo Paulo, martirizado no século I. (leia a reportagem na integra no box final deste post)

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Como base de estudo foi usado:

 

Em 2018 foi lançado o filme Paulo, Apóstolo de Cristo que passou quase despercebido por muitos nos cinemas e conta a história dos últimos dias de Paulo já preso e condenado que recebe as visitas de Lucas.

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Para baixar: Paulo, Apóstolo de Cristo – Dual Audio 720P MKV – Torrent

O Vaticano acredita ter encontrado, na segunda maior basílica de Roma, os restos mortais do apóstolo Paulo, martirizado no século I

Bento XVI anunciou no domingo 28 uma descoberta que lança luz sobre os primeiros anos da Igreja Católica. Amostras retiradas da ossada existente numa tumba no subsolo da segunda maior basílica de Roma foram submetidas a testes de datação, e as conclusões são de que se trata dos restos de uma pessoa que viveu entre os séculos I e II. Elas “parecem confirmar a unânime e incontestável tradição de que são os restos mortais do apóstolo Paulo”, festejou o papa. A relevância da descoberta não está em fornecer evidências materiais sobre o homem que expandiu o cristianismo para além das fronteiras estreitas de uma seita judaica da periferia do Império Romano. Não há necessidade disso. A vida e a obra do Apóstolo dos Gentios são as mais bem documentadas entre os primeiros santos do cristianismo. O valor religioso do exame científico está em atestar a consistência da tradição católica e reforçar a Basílica de São Paulo Fora dos Muros como um local de veneração. No século IV, o imperador Constantino mandou erguer a igreja sobre um antigo cemitério romano, do lado externo das muralhas que protegiam a cidade dos bárbaros, exatamente porque o lugar era conhecido como o do túmulo de São Paulo.

Pintura mais antiga do rosto de Paulo, encontrada nas catacumbas romanas

Pintura do rosto de Paulo Século IV

Não foi a única novidade sobre o santo. No mesmo domingo, foi revelada a mais antiga imagem de São Paulo, um afresco do século IV encontrado durante as obras de restauração das catacumbas de Santa Tecla, a alguns quarteirões de distância da basílica. A pintura foi descoberta no teto de um pequeno aposento que esteve soterrado por séculos. A identificação do apóstolo foi imediata porque coincide com as características físicas descritas em textos dos primeiros cristãos, como a barba escura e fina na ponta, a calvície, o nariz grande e os olhos expressivos. Um afresco de São Pedro também foi encontrado, mas em muito pior estado de conservação.

Segundo a tradição, a Basílica de São Pedro, no Vaticano, foi erguida sobre o túmulo do primeiro papa. Essa crença foi posta à prova por arqueólogos que exploraram um túmulo existente no subsolo da construção. Submetido a testes de datação, o conteúdo revelou os restos de alguém que tinha entre 60 e 70 anos e viveu no século I. Em 1968, o papa Paulo VI anunciou com estardalhaço que se tratava, sem dúvida, dos restos de São Pedro. Paulo e Pedro foram contemporâneos e ambos morreram como mártires da Igreja. Acredita-se que São Pedro tenha sido crucificado (de cabeça para baixo, segundo a tradição) no ano 64, por ordem do imperador Nero. Graças à cidadania romana, São Paulo escapou da cruz, para ser decapitado em algum momento entre os anos 65 e 67. Reza a tradição que o corpo e a cabeça do santo foram sepultados em locais diferentes – a cabeça estaria na Basílica de São João de Latrão, também em Roma.

Em 2002, ainda sob João Paulo II, arqueólogos iniciaram a escavação do túmulo sob a Basílica de São Paulo, onde descobriram uma urna e uma placa com a inscrição “Paulo Apóstolo Mártir”. Eles fizeram um minúsculo furo numa das laterais de mármore e inseriram uma pequena sonda, que recolheu amostras da ossada que está lá dentro. O material extraído foi submetido ao teste de carbono 14, técnica utilizada para calcular a idade de materiais antigos. Junto aos restos mortais foram encontrados também alguns grãos de incenso e dois pedaços de tecido de linho, um de cor púrpura com bordados de ouro e outro azul – ambos identificados como peças luxuosas, o que reforça a suposição da existência de ricos entre os primeiros cristãos.

São Paulo era um judeu nascido entre os anos 4 e 8, possivelmente em Tarso, então uma grande cidade grega na rota entre a Europa e a Ásia. Seus pais eram escravos libertos, mas ricos o suficiente para mandar o filho estudar com um grande rabino em Jerusalém. Adulto, ele se tornou um perseguidor implacável da seita crist㠖 ainda que não esteja claro por que agia assim. Ele próprio deixou relatos sobre sua conversão, ocorrida no caminho para Damasco, depois de uma visão. Após se converter, Paulo dedica-se, com enorme sucesso, à tarefa de expandir a fé pelo Império Romano, especialmente por seu coração, Roma.

Ainda mais importante, foi ele quem formulou a doutrina de maneira teológica e separou o cristianismo do judaísmo. Para São Paulo, os pagãos não precisavam submeter-se aos rituais judaicos, como a circuncisão e as regras dietéticas, pois bastavam o batismo e a fé em Cristo. “Paulo deu ao cristianismo um caráter universal”, diz o teólogo Geraldo Hackmann, o único brasileiro na Comissão Teológica Internacional do Vaticano. A influência de São Paulo sobre a cristandade pode ser medida numericamente. Dos 27 livros do Novo Testamento, treze são atribuídos ao apóstolo. Desses, sete são considerados realmente autênticos, e os demais, escritos em seu nome por seguidores. Quase metade do livro dos Atos dos Apóstolos, escrito pelo evangelista Lucas, relata as viagens evangelizadoras de Paulo. As descobertas envolvendo seu túmulo reforçam sua presença na tradição cristã.

VEJA edição 2110 de 8/7/2009