Igreja Católica Apostólica Romana

Série : Animo, uma nova catequese (Encontro 35/40 – Complemento 18)

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Igreja Católica Apostólica Romana

No Credo Niceno- Constantinopolitano é dito: “Creio na igreja uma, santa, católica e apostólica.” – A pergunta a ser feita seria: Qual de nós somos católicos?

A nossa igreja é a Igreja Católica Apostólica Romana.

Nenhum católico verdadeiro é católico brasileiro (ou de qualquer país que seja), somos Católicos Apostólicos Romanos que por ventura estamos no Brasil. O Papa Bento XVI saudava assim: “Minha benção aos fiéis católicos do Brasil.”

A palavra Católico quer dizer Universal. Vem da palavra latina katholikos e o seu sentido é “estar em todo o universo” (universal). Todo o universo porque em todo o mundo a igreja católica está (mesmo onde o governo não quer, ela existe, nem que seja escondida) e o resto do universo pertence a Deus.

Apostólico: ´´e pelo fato de sermos apóstolos de Jesus cristo. Ele escolheu 12 discípulos para que o seguissem e depois estes levassem o evangelho (a boa nova, a boa notícia) a todos. Paulo foi um dos inúmeros seguidores que mesmo sem conhecer Jesus (nunca andou com ele ou o viu em carne e osso) se tornou um apóstolo dele. Cada um de nós que acredita em Cristo (mesmo sem ter visto) e que leva a sua palavra (até mesmo numa conversa informal) é um apóstolo (seguidor, na tradução mais literal)

Romano: Porque a sede da igreja é no Vaticano, em Roma (Itália). O Vaticano é um país dentro de uma cidade, onde o presidente é o Papa (hoje Papa Francisco) e de lá ele anuncia e nos guia. O Papa é o sucessor de São Pedro. O primeiro discípulo de Jesus a ser martirizado (morto) em Roma foi Pedro. A sede da igreja acabou sendo em Roma porque os romanos dominaram o mundo por muitos anos e o imperador Constantino (senhor do mundo e de Roma) acabou se curvando as palavras de Jesus e abraçou a fé cristã.

Nós católicos somos 2, 5 bilhões no mundo (só de Católicos Apostólicos Romanos). Seguidos pela segunda maior religião que é o Islã (cerca de 1,5 bilhões). Os outros 3 bilhões de pessoas se dividem entre Judeus, Budistas, Hindus, Ateus e outras religiões.

 

A igreja como organização

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A igreja se organiza assim:

  • Comunidades (são as igrejas que ficam em cada região) e que na cidade geralmente tem uma Basílica (normalmente a igreja do centro da cidade). Para citar Campinas, SP existe no centro da cidade a Catedral de Nossa Senhora da Conceição (a cidade cresceu em torno da igreja que é uma das últimas feitas em taipa de pilão existente no mundo). Existem Catedrais e Basilicas.
  • Paróquias: reúnem as comunidades de uma certa região para a coordenação comum de um pároco ou administrador paroquial (um padre ou em raros casos um diácono)
  • Forania: é a reunião das paróquias de uma grande região ou mais regiões.
  • Diocese: Reúne todas as Forania, paróquias, igrejas, basílica de uma cidade (em alguns casos até de mais de uma cidade, casos em que a cidade vizinha é um município pequeno e possui uma ou duas comunidades apenas). Geralmente é comandada por um Bispo
  • Arquidiocese: Reúne as dioceses de várias cidades de uma região. (Exemplo: a Arquidiocese de Campinas reúne as dioceses de Campinas, Elias Fausto, Hortolândia, Indaiatuba, Monte-Mor, Paulínia, Sumaré, Valinhos e Vinhedo num universo de quase 3 milhões de pessoas) comandada por um Arcebispo.
  • CNBB: Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, como o nome já diz é um órgão que reúne os Bispos (e Arcebispos) do Brasil para encontros de discussão sobre a situação e desafios a se enfrentar pela igreja. Geralmente solta documentos que ajudam a normatizar o trabalho de evangelização.
  • Vaticano: Sede da igreja, onde se reúnem os cardeais (apesar de os cardeais estarem sempre no seu pais de origem eles acabam tendo encontros importantes lá). No Vaticano fica a Basílica de São Pedro que equivale a basílica base da igreja como um todo. O Vaticano é um estado (país) neutro e independente por isso na 2ª Guerra Mundial não foi bombardeado.

 Pentecostes - Nascimento da Igreja - Copy - Copy

Hierarquia

A base da hierarquia da igreja é bem definida, porém em certos pontos pode parecer um tanto complicada; Veja a divisão Teórica da hierarquia:

 

Fiéis (leigos)* Todos os fiéis, incluindo os que só participam das missas, os agentes de pastoral, catequistas, cantores, ministros, etc. Sem o fiel não existe a igreja
Diácono

A tradução literal é ajudante

Existe o Diácono permanente (pessoa casada a pelo menos 10 anos que estuda e vive plenamente a vida na igreja, convidado pelo bispo ou indicado pela comunidade se prepara e recebe os votos). Usa sobre a casula uma batina (ou faixa) transversal.

Existe o diácono temporário que é o seminarista que passou pelos quase 10 anos de estudo, recebeu os votos e está se preparando para ser padre.

Nenhum dos dois casos fazem a consagração da comunhão

Padre (sacerdote, presbítero)

Seria aquele que preside

Passa por estudos que podem levar de 9 a 10 anos. Recebe os votos permanentes e pode ser (ou não) pároco de uma comunidade. Alguns padres recebem o título de Monsenhor (honraria concedida pelo Papa), Vigário Geral (tem o poder executivo da diocese, em nome do Bispo), Cônego (vive sob regra de vida em catedrais e colégios), Cura (pároco de uma Catedral), Capelão (padre militar ou dirigente de uma capela)
Bispo (tradução seria supervisor) Um padre que escolhido pelo Vaticano se torna Bispo para comandar uma diocese. Podem receber o título de Arcebispo e passarem a comandar uma Arquidiocese. Em alguns casos passa a ser Arcebispo Primaz (título de honra concedido pelo Papa a alguns prelados, geralmente o arcebispo da arquidiocese mais antiga do país/região)
Cardeal Bispos eleitos para serem os representantes de cada país no Vaticano. Também são membros do colégio cardinalício, e elegem o Papa (aliás podem se tornar Papas dependendo da eleição)
Papa O Bispo de Roma, sucessor de Pedro (não é São Pedro reencarnado, mas sim um sucessor). O Papa é o chefe da igreja, o presidente do Vaticano (como chefe de estado é recebido por outros presidentes)
Vida Consagrada

(Irmãs, Freiras, Frades, Consagrados) * entram também na parte de fiéis leigos

Existem as mulheres e homens que fazem parte de ordens religiosas e servem como frei/freira, monge/monja ou frade/frater de um convento ou mosteiro que professou votos perpétuos.

Também pessoas que se consagram em Comunidades Vidas (Pantokrator, Shalon, Canção Nova, etc.) e vivem uma vida normal cotidiana, mas aos finais de semana (ou épocas em especial) estão sempre fazendo o trabalho de evangelização dentro da comunidade.

 

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A igreja Católica Apostólica Romana no Brasil faz parte do CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs) que fazem o Ecumenismo (um diálogo entre as igrejas cristãs, sem uma disputa). Fazem parte deste conselho:

  • Igreja Católica Apostólica Romana
  • Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
  • Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil
  • Igreja Presbiteriana Unida
  • Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia
  • Aliança de Batistas do Brasil

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A igreja física

A igreja não é uma casa, um prédio. Nem apenas o Papa, Bispos, Padres estão a “serviço” da igreja. A Igreja somos todos nós.

Claro que o prédio (a igreja construída) é importante no sentido de se acolher o fiel, de se ter um local mais estruturado para se realizar a catequese, os grupos de oração e celebrar a missa. Mas a igreja continua na nossa casa, no dia a dia, na nossa vida.

1Cor 12, 20 “Há, pois, muitos membros, mas um só corpo.”

At 12,1-11.18-19 “Por aquele mesmo tempo, o rei Herodes mandou prender alguns membros da Igreja para os maltratar. 2.Assim foi que matou à espada Tiago, irmão de João. 3.Vendo que isto agradava aos judeus, mandou prender Pedro. Eram então os dias dos pães sem fermento. 4.Mandou prendê-lo e lançou-o no cárcere, entregando-o à guarda de quatro grupos, de quatro soldados cada um, com a intenção de apresentá-lo ao povo depois da Páscoa. 5.Pedro estava assim encerrado na prisão, mas a Igreja orava sem cessar por ele a Deus. 6.Ora, quando Herodes estava para o apresentar, naquela mesma noite dormia Pedro entre dois soldados, ligado com duas cadeias. Os guardas, à porta, vigiavam o cárcere. 7.De repente, apresentou-se um anjo do Senhor, e uma luz brilhou no recinto. Tocando no lado de Pedro, o anjo despertou-o: Levanta-te depressa, disse ele. Caíram-lhe as cadeias das mãos. 8.O anjo ordenou: Cinge-te e calça as tuas sandálias. Ele assim o fez. O anjo acrescentou: Cobre-te com a tua capa e segue-me. 9.Pedro saiu e seguiu-o, sem saber se era real o que se fazia por meio do anjo. Julgava estar sonhando. 10.Passaram o primeiro e o segundo postos da guarda. Chegaram ao portão de ferro, que dá para a cidade, o qual se lhes abriu por si mesmo. Saíram e tomaram juntos uma rua. Em seguida, de súbito, o anjo desapareceu. 11.Então Pedro tornou a si e disse: Agora vejo que o Senhor mandou verdadeiramente o seu anjo e me livrou da mão de Herodes e de tudo o que esperava o povo dos judeus.” “Chegaram a Éfeso, onde os deixou. Ele entrou na sinagoga e entretinha-se com os judeus.”

Mt 16, 18 “E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela.”

O nome de Pedro era Simão Bar-Jonas (filho de Jonas). Era costume devido a ocupação romana as pessoas usarem um nome hebraico e um equivalente grego. Por exemplo: a pessoa é Pedro (em português) e Peter (inglês). Simão em hebraico é Kefas (pedra rocha) e Pedro (pedra, rocha) é o equivalente em romano. Jesus dá a missão a Pedro, e isso tem um significado especial: Jerusalém (a Palestina) é uma região de cheia de grutas (pequenas cavernas) e os pastores de ovelhas passavam semanas cuidando delas nos pastos afastados da cidade e acabavam se refugiando nestas grutas durante as chuvas ou no frio (característica do deserto), assim como alguns viajantes faziam o mesmo.

Pense: Pedro (a rocha) hoje representado pelo Papa Francisco, seria o abrigo dos pastores e viajantes. Este abrigo é a igreja, os pastores (os padres) e os viajantes (cada um de nós).

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São Pedro e São Paulo

A igreja católica é cheia de fatos tão interessantes e significativos que mesmo falando durante 1000 encontros não se esgotariam. A igreja foi e é perseguida. Sempre será porque nós nunca nos calamos diante do que quer que seja. Seja polêmico para uns ou não. Sempre existirão os detratores da igreja, e os que tentam a todo custo desmoralizar e atacar uma igreja que sobrevive a pelo menos 2000 anos, fundada sobre a rocha (Pedro) e sobre a vocação de levar a palavra onde for de Paulo. Tantas pessoas foram mártires porque pregavam a sua fé católica sem medo dos que não querem ouvir a boa nova.

Hoje algumas das polêmicas da igreja se tratam de:

– Contra o uso de preservativo: a igreja acredita que as pessoas vão ter relações saudáveis e não promiscuas (parceiros e parceiras aleatórios) e principalmente que estas relações aconteceram entre pessoas que receberam o sacramento do matrimônio. A lógica está em se confiar na pessoa que se tem como companheiro (a). Não existe uma proibição, mas uma orientação, recomendação e explicação. Ninguém é obrigado a seguir, mas dá para se pensar.

– Casamento entre pessoas do mesmo sexo: Como a igreja vive sob a égide da Bíblia e nela não existe nada sobre isso a igreja acaba sendo contra. Porém todos são livres para terem a vida que bem entenderem, mas não receberão o sacramento do Matrimônio na Igreja Católica apostólica Romana.

– Casamento dos Padres: O Padre faz votos de castidade ao receber o Sacramento da Ordem, tendo plena consciência disto. Se por ventura ele quiser em dado momento da vida deixar estes votos e contrair Matrimônio ele pode, basta pedir para abandonar a batina (popularmente), fazer a comunicação ao bispo e deixar de ser sacerdote (o título de padre ele não perde, mas deixa de exercer as funções de presbítero e também deixa de receber salário através da igreja).

– Pedofilia na igreja: Um pedófilo comete um crime e como tal deve ser julgado criminalmente, seja padre ou não. A igreja não compactua com estes desvios e este tipo de crime. O Papa Francisco tem cada vez mais combatido isso. E o número de casos dentro da igreja é bem menor do que em outras áreas.

 

A igreja no Brasil

Cebs

Aqui no Brasil a igreja cresceu muito mais nos anos 70 com as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Antes a igreja se concentrava mais nas grandes basílicas e igrejas mais estruturadas. A CEBs, que era um grupo de muitos fiéis, pediram aos bispos autorização e começaram a juntar as pessoas nos bairros para pedirem a presença de padres, que vinham para celebrar nas escolas, campos e futebol, sedes de bairro, e assim pouco a pouco foram construídas comunidades (terrenos foram doados, comprados com a ajuda de todos) pela mão de obra dos próprios fiéis que doavam seu tempo e força de trabalho em mutirão. Enfim a igreja deixou de ser apenas de catedrais e foi para mais perto do povo. Por isso são chamadas de comunidades (comum –unidade). A CEBs acabou também se tornando celeiro de muitas lutas por melhorias em bairros mais carentes e também surgiram líderes políticos que se aproveitaram deste cenário para se lançarem nas carreiras políticas.

Mas o tempo acabou tirando um dos pilares da CEBs do foco: a oração. A CEBs acabava se tornando um bom lugar para se discutir e lutar e se esquecia que a base da igreja é também rezar. Por isso em meados dos anos 80, um movimento iniciado nos Estados Unidos chegou ao Brasil, como resgate da fé, era a Renovação Carismática Católica (RCC), ficou muito conhecida pelos grupos de oração. Muitos padres aceitaram de bom grado este movimento, outros não. A RCC sempre foi mais adepta do louvor e adoração, sempre falando de Nossa Senhora e também do Espírito Santo (esta última parte foi confundida com o que os protestantes faziam).

RCC

Houve então um choque entre a CEBs e a RCC.

A CEBs achava que a RCC só sabia rezar e esquecia de lutar pelo povo como Jesus fazia, por outro lado a RCC considerava que a CEBs só se preocupava com a política (vale lembrar que dentro da CEBs nasceram alguns partidos políticos) e esquecia que Jesus orava antes de mais nada. Foram criando rusgas quase inalteráveis e inimizades.

Vale ressaltar que para qualquer movimento poder usar o título de Movimento Católico tem que ter a aprovação do próprio Papa com a recomendação das confederações dos bispos e os dois grupos possuíam este direito. Então no final dos anos 90 o Papa João Paulo II, ciente deste “problema” no Brasil deu uma “bronca” e ameaçou dissolver os dois movimentos se não houvesse um entendimento. Pouco a pouco este entendimento ganhou corpo e acabaram entendendo que a palavra oração é orar e agir (orar-ação).Hoje a CEBs atua principalmente no Nordeste e a RCC tomou corpo e cresceu bastante atuando em quase todas as comunidades.

Transcrição do CIC

«Redemptor noster unam se personam cum sanctam Ecelesiam, quam assumpsit, exhibuit – O nosso Redentor apresentou-Se a Si próprio como uma única pessoa unida à santa Igreja, que Ele assumiu».

«Caput et membra, quasi una persona mystica – Cabeça e membros são, por assim dizer, uma só e mesma pessoa mística»

777.A palavra «Igreja» significa «convocação». Designa a assembleia daqueles que a Palavra de Deus convoca para formar o seu povo, e que, alimentados pelo Corpo de Cristo, se tornam, eles próprios, Corpo de Cristo.

778. A Igreja é, ao mesmo tempo, caminho e meta do desígnio de Deus: prefigurada na criação, preparada na antiga Aliança, fundada pelas palavras e atos de Jesus Cristo, realizada pela sua Cruz redentora e pela sua ressurreição, manifesta-se como mistério de salvaçãopela efusão do Espírito Santo. Será consumada na glória do céu como assembleia de todos os resgatados da terra .

779. A Igreja é, ao mesmo tempo, visível e espiritual, sociedade hierárquica e Corpo Místico de Cristo. É una, mas formada por um duplo elemento: humano e divino. Aí reside o seu mistério, que só a fé pode acolher.

780.A Igreja é, neste mundo, o sacramento da salvação, o sinal e o instrumento da comunhão de Deus e dos homens.

805. A Igreja é o Corpo de Cristo. Pelo Espírito e pela sua acção nos sacramentos, sobretudo na Eucaristia, Cristo morto e ressuscitado constitui como seu Corpo a comunidade dos crentes.

806. Na unidade deste Corpo, existe diversidade de membros e de funções. Mas todos os membros estão unidos uns aos outros, parti­cularmente àqueles que sofrem, aos pobres e aos perseguidos.

807. A Igreja é este Corpo, cuja Cabeça é Cristo: ela vive d’Ele, n’Ele e para Ele; e Ele vive com ela e nela.

808. A Igreja é a Esposa de Cristo: Ele amou-a e entregou-Se por ela. Purificou-a pelo seu sangue. Fez dela a mãe fecunda de todos os filhos de Deus.

809. A Igreja é o Templo do Espírito Santo. O Espírito é como que a alma do Corpo Místico, princípio da sua vida, da unidade na diversidade e da riqueza dos seus dons e carismas.

810. «A Igreja universal aparece, assim, como “um povo que vai buscar a sua unidade à unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo“»

A IGREJA É UNA, SANTA, CATÓLICA E APOSTÓLICA

811. «Esta é a única Igreja de Cristo, que no Credo confessamos ser una, santa, católica e apostólica» . Estes quatro atributos, inseparavelmente ligados entre si indicam traços essenciais da Igreja e da sua missão. A Igreja não os confere a si mesma; é Cristo que, pelo Espírito Santo, concede à sua Igreja que seja una, santa, católica e apostólica, e é ainda Ele que a chama a realizar cada uma destas qualidades.

812. Só a fé pode reconhecer que a Igreja recebe estas propriedades da sua fonte divina. Mas as manifestações históricas das mesmas são sinais que também falam claro à razão humana. «A Igreja, lembra o I Concílio do Vaticano, em razão da sua santidade, da sua unidade católica, da sua invicta constância, é, por si mesma, um grande e perpétuo motivo de credibilidade e uma prova incontestável da sua missão divina».

I. A Igreja é una

«O SAGRADO MISTÉRIO DA UNIDADE DA IGREJA»

813.A Igreja é una, graças à sua fonte: «O supremo modelo e princípio deste mistério é a unidade na Trindade das pessoas, dum só Deus, Pai e Filho no Espírito Santo». A Igreja é una graças ao seu fundador: «O próprio Filho encarnado […] reconciliou todos os homens com Deus pela sua Cruz, restabelecendo a unidade de todos num só povo e num só Corpo» . AIgreja é una graças à sua «alma»: «O Espírito Santo que habita nos crentes e que enche e rege toda a Igreja, realiza esta admirável comunhão dos fiéis e une-os todos tão intimamente em Cristo que é o princípio da unidade da Igreja». Pertence, pois, à própria essência da Igreja que ela seja una:

«Que admirável mistério! Há um só Pai do universo, um só Logos do universo e também um só Espírito Santo, idêntico em toda a parte; e há também uma só mãe Virgem, à qual me apraz chamar Igreja».

814. Desde a origem, no entanto, esta Igreja apresenta-se com uma grande diversidade, proveniente ao mesmo tempo da variedade dos dons de Deus e da multiplicidade das pessoas que os recebem. Na unidade do povo de Deus, juntam-se as diversidades dos povos e das culturas. Entre os membros da Igreja existe uma diversidade de dons, de cargos, de condições e de modos de vida. «No seio da comunhão da Igreja existem legitimamente Igrejas particulares, que gozam das suas tradições próprias». A grande riqueza desta diversidade não se opõe à unidade da Igreja. No entanto, o pecado e o peso das suas consequências ameaçam constantemente o dom da unidade. Também o Apóstolo se viu na necessidade de exortar a que se guardasse «a unidade do Espírito pelo vínculo da paz» (Ef 4, 3).

815. Quais são os vínculos da unidade? «Acima de tudo, a caridade, que é o vínculo da perfeição» (Cl 3, 14). Mas a unidade da Igreja peregrina é assegurada também por laços visíveis de comunhão:

– a profissão duma só fé, recebida dos Apóstolos;
– a celebração comum do culto divino, sobretudo dos sacramentos;
– a sucessão apostólica pelo sacramento da Ordem, que mantém a concórdia fraterna da família de Deus .

816. «A única Igreja de Cristo […] é aquela que o nosso Salvador, depois da ressurreição, entregou a Pedro, com o encargo de a apascentar, confiando também a ele e aos outros apóstolos a sua difusão e governo […]. Esta Igreja, constituída e organizada neste mundo como uma sociedade, subsiste (subsistit in) na Igreja Católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos bispos em comunhão com ele».

O decreto do II Concílio do Vaticano sobre o Ecumenismo explicita: «Com efeito, só pela Igreja Católica de Cristo, que é “meio geral de salvação”, é que se pode obter toda a plenitude dos meios de salvação. Na verdade, foi apenas ao colégio apostólico, de que Pedro é o chefe, que, segundo a nossa fé, o Senhor confiou todas as riquezas da nova Aliança, a fim de constituir na terra um só Corpo de Cristo, ao qual é necessário que sejam plenamente incorporados todos os que, de certo modo, pertencem já ao povo de Deus» .

817. De facto, «nesta Igreja de Deus una e única, já desde os primórdios surgiram algumas cisões, que o Apóstolo censura asperamente como condenáveis. Nos séculos posteriores, porém, surgiram dissensões mais amplas. Importantes comunidades separaram-se da plena comunhão da Igreja Católica, às vezes por culpa dos homens duma e doutra parte» . As rupturas que ferem a unidade do Corpo de Cristo (a saber: a heresia, a apostasia e o cisma) devem-se aos pecados dos homens:

«Ubi peccata, ibi est multitudo, ibi schismata, ibi haereses, ibi discussiones. Ubi autem virtus, ibi singularitas, ibi unio, ex quo omnium credentium erat cor unum et anima una — Onde há pecados, aí se encontra a multiplicidade, o cisma, a heresia, o conflito. Mas onde há virtude, aí se encontra a unicidade e aquela união que faz com que todos os crentes tenham um só coração e uma só alma» .

818. Os que hoje nascem em comunidades provenientes de tais rupturas, «e que vivem a fé de Cristo, não podem ser acusados do pecado da divisão. A Igreja Católica abraça-os com respeito e caridade fraterna […]. Justificados pela fé recebida no Batismo, incorporados em Cristo, é a justo título que se honram com o nome de cristãos e os filhos da Igreja Católica reconhecem-nos legitimamente como irmãos no Senhor» .

819.  Além disso, existem fora das fronteiras visíveis da Igreja Católica, «muitos elementos de santificação e de verdade»: «a Palavra de Deus escrita, a vida da graça, a fé, a esperança e a caridade, outros dons interiores do Espírito Santo e outros elementos visíveis». O Espírito de Cristo serve-Se destas Igrejas e comunidades eclesiais como meios de salvação, cuja força vem da plenitude da graça e da verdade que Cristo confiou à Igreja Católica. Todos estes bens provêm de Cristo e a Ele conduzem e por si mesmos reclamam «a unidade católica».

A CAMINHO DA UNIDADE

820. A unidade, «Cristo a concedeu à sua Igreja desde o princípio. Nós cremos que ela subsiste, sem possibilidade de ser perdida, na Igreja Católica, e esperamos que cresça de dia para dia até à consumação dos séculos». Cristo dá sempre à sua Igreja o dom da unidade. Mas a Igreja deve orar e trabalhar constantemente para manter, reforçar e aperfeiçoar a unidade que Cristo quer para ela. Foi por esta intenção que Jesus orou na hora da sua paixão e não cessa de orar ao Pai pela unidade dos seus discípulos: «…Que todos sejam um. Como Tu, ó Pai, és um em Mim e Eu em Ti, assim também eles sejam um em Nós, para que o mundo creia que Tu Me enviaste» (Jo 17, 21). O desejo de recuperar a unidade de todos os cristãos é um dom de Cristo e um apelo do Espírito Santo.

821. Para lhe corresponder de modo adequado, exige-se:

– uma renovação permanente da Igreja, numa maior fidelidade à sua vocação. Essa renovação é a força do movimento a favor da unidade ;
– a conversão do coração, «com o fim levar uma vida mais pura segundo o Evangelho», pois o que causa as divisões é a infidelidade dos membros ao dom de Cristo;
– a oração em comum, porque «a conversão do coração e a santidade de vida. unidas às orações, públicas e privadas, pela unidade dos cristãos, devem ser tidas como a alma de todo o movimento ecumênico, e com razão podem chamar-se ecumenismo espiritual»;
– o mútuo conhecimento fraterno;
– a formação ecumênica dos fiéis, e especialmente dos sacerdotes;
– o diálogo entre os teólogos, e os encontros entre os cristãos das diferentes Igrejas e comunidades (290);
– a colaboração entre cristãos nos diversos domínios do serviço dos homens ».

822. A preocupação com realizar a união «diz respeito a toda a Igreja, fiéis e pastores». Mas também se deve «ter consciência de que este projeto sagrado da reconciliação de todos os cristãos na unidade duma só e única Igreja de Cristo, ultrapassa as forças e capacidades humanas». Por isso, pomos toda a nossa esperança «na oração de Cristo pela Igreja, no amor do Pai para connosco e no poder do Espírito Santo» .

II. A Igreja é santa

823. «A Igreja é […], aos olhos da fé, indefectivelmente santa. Com efeito, Cristo, Filho de Deus, que é proclamado «o único Santo», com o Pai e o Espírito, amou a Igreja como sua esposa, entregou-Se por ela para a santificar, uniu-a a Si como seu Corpo e cumulou-a com o dom do Espírito Santo para glória de Deus» . A Igreja é, pois, «o povo santo de Deus», e os seus membros são chamados «santos» .

824. A Igreja, unida a Cristo, é santificada por Ele. Por Ele e n’Ele toma-se também santificante. «Todas as obras da Igreja tendem, como seu fim, para a santificação dos homens em Cristo e para a glorificação de Deus». É na Igreja que se encontra «a plenitude dos meios de salvação» . É nela que «nós adquirimos a santidade pela graça de Deus».

825. «Na terra, a Igreja está revestida duma verdadeira, ainda que imperfeita, santidade». Nos seus membros, a santidade perfeita é ainda algo a adquirir: «Munidos de tantos e tão grandes meios de salvação, todos os fiéis, seja qual for a sua condição ou estado, são chamados pelo Senhor à perfeição do Pai, cada um pelo seu caminho».

826. A caridade é a alma da santidade à qual todos são chamados: «É ela que dirige todos os meios de santificação, lhes dá alma e os conduz ao seu fim»:

«Compreendi que, se a Igreja tinha um corpo composto de diferentes membros, o mais necessário, o mais nobre de todos não lhe faltava: compreendi que a igreja tinha um coração, e que esse coração estava ardendo de amor.Compreendi que só o Amor fazia agir os membros da Igreja; que se o Amor se apagasse, os apóstolos já não anunciariam o Evangelho, os mártires recusar-se-iam a derramar o seu sangue… Compreendi que o Amor encerra todas as vocações, que o Amor é tudo, que abarca todos os tempos e lugares … numa palavra, que ele é Eterno» .

827. «Enquanto que Cristo, santo e inocente, sem mancha, não conheceu o pecado, mas veio somente expiar os pecados do povo, a Igreja, que no seu próprio seio encerra pecadores, é simultaneamente santa e chamada a purificar-se, prosseguindo constantemente no seu esforço de penitência e renovação» . Todos os membros da Igreja, inclusive os seus ministros, devem reconhecer-se pecadores . Em todos eles, o joio do pecado encontra-se ainda misturado com a boa semente do Evangelho até ao fim dos tempos. A Igreja reúne, pois, em si, pecadores abrangidos pela salvação de Cristo, mas ainda a caminho da santificação:

A Igreja «é santa, não obstante compreender no seu seio pecadores, porque ela não possui em si outra vida senão a da graça: é vivendo da sua vida que os seus membros se santificam; e é subtraindo-se à sua vida que eles caem em pecado e nas desordens que impedem a irradiação da sua santidade. É por isso que ela sofre e faz penitência por estas faltas, tendo o poder de curar delas os seus filhos, pelo Sangue de Cristo e pelo dom do Espírito Santo».

828. Ao canonizar certos fiéis, isto é, ao proclamar solenemente que esses fiéis praticaram heroicamente as virtudes e viveram na fidelidade à graça de Deus, a Igreja reconhece o poder do Espírito de santidade que está nela, e ampara a esperança dos fiéis, propondo-lhes os santos como modelos e intercessores. «Os santos e santas foram sempre fonte e origem de renovação nos momentos mais difíceis da história da Igreja ». «A santidade é a fonte secreta e o padrão infalível da sua atividade apostólica e do seu dinamismo missionário».

829. «Na pessoa da Santíssima Virgem, a Igreja alcançou já aquela perfeição, sem mancha nem ruga, que lhe é própria. Mas os fiéis de Cristo têm ainda de trabalhar para crescer em santidade, vencendo o pecado. Por isso, levantam os olhos para Maria»: nela, a Igreja é já plenamente santa.

liturgia

III. A Igreja é católica

QUE QUER DIZER «CATÓLICA»?

830. A palavra «católico» significa «universal» no sentido de «segundo a totalidade» ou «segundo a integridade». A Igreja é católica num duplo sentido:

É católica porque Cristo está presente nela: «onde está Jesus Cristo, aí está a Igreja Católica» . Nela subsiste a plenitude do Corpo de Cristo unido à sua Cabeça , o que implica que ela receba d’Ele a «plenitude dos meios de salvação»  que Ele quis: confissão de fé recta e completa, vida sacramental integral e ministério ordenado na sucessão apostólica. Neste sentido fundamental, a Igreja era católica no dia de Pentecostes e sê-lo-á sempre até ao dia da Parusia.

831. É católica, porque Cristo a enviou em missão à universalidade do gênero humano :

«Todos os homens são chamados a fazer parte do povo de Deus. Por isso, permanecendo uno e único, este povo está destinado a estender-se a todo o mundo e por todos os séculos, para se cumprir o desígnio da vontade de Deus que, no princípio, criou a natureza humana na unidade e decidiu enfim reunir na unidade os seus filhos dispersos […]. Este carácter de universalidade que adorna o povo de Deus é dom do próprio Senhor. Graças a tal dom, a Igreja Católica tende a recapitular, eficaz e perpetuamente, a humanidade inteira, com todos os bens que ela contém, sob Cristo Cabeça, na unidade do Seu Espírito .

CADA UMA DAS IGREJAS PARTICULARES É «CATÓLICA»

832. «A Igreja de Cristo está verdadeiramente presente em todas as legítimas comunidades locais de fiéis que, unidas aos seus pastores, recebem, também elas, no Novo Testamento, o nome de Igrejas […]. Nelas, os fiéis são reunidos pela pregação do Evangelho de Cristo e é celebrado o mistério da Ceia do Senhor […]. Nestas comunidades, ainda que muitas vezes pequenas e pobres ou dispersas, está presente Cristo, por cujo poder se constitui a Igreja una, santa, católica e apostólica».

833. Entende-se por Igreja particular, que é em primeiro lugar a diocese (ou «eparquia»), uma comunidade de fiéis cristãos em comunhão de fé e de sacramentos com o seu bispo, ordenado na sucessão apostólica. Estas Igrejas particulares «são formadas à imagem da Igreja universal; é nelas e a partir delas que existe a Igreja Católica una e única».

834. As Igrejas particulares são plenamente católicas pela comunhão com uma de entre elas: a Igreja Romana, «que preside à caridade» . «Com esta Igreja, mais excelente por causa da sua origem, deve necessariamente estar de acordo toda a Igreja, isto é, os fiéis de toda a parte». «Desde que o Verbo Encarnado desceu até nós, todas as Igrejas cristãs de todo o mundo tiveram e têm a grande Igreja que vive aqui (em Roma)como única base e fundamento, porque, segundo as próprias promessas do Salvador, as portas do inferno nunca prevalecerão sobre ela».

835. «A Igreja universal não deve ser entendida como simples somatório ou, por assim dizer, federação de Igrejas particulares […]. Mas é antes a Igreja, universal por vocação e missão, que lançando raiz numa variedade de terrenos culturais, sociais e humanos, toma em cada parte do mundo aspectos e formas de expressão diversos» . A rica variedade de normas disciplinares, ritos litúrgicos, patrimônios teológicos e espirituais, próprios das Igrejas locais, «mostra da forma mais evidente, pela sua convergência na unidade, a catolicidade da Igreja indivisa».

QUEM PERTENCE À IGREJA CATÓLICA?

836. «Todos os homens são chamados […] à unidade católica do povo de Deus; de vários modos a ela pertencem, ou para ela estão ordenados, tanto os fiéis católicos como os outros que também acreditam em Cristo e, finalmente, todos os homens sem excepção, que a graça de Deus chama à salvação» :

837. «Estão plenamente incorporados na sociedade que é a Igreja aqueles que, tendo o Espírito de Cristo, aceitam toda a sua organização e todos os meios de salvação nela instituídos, e que, além disso, pelos laços da profissão de fé, dos sacramentos, do governo eclesiástico e da comunhão, estão unidos no todo visível da Igreja, com Cristo que a dirige por meio do Sumo Pontífice e dos bispos. Mas a incorporação não garante a salvação àquele que, por não perseverar na caridade, está no seio da Igreja «de corpo» mas não «de coração» .

838. «Com aqueles que, tendo sido baptizados, têm o belo nome de cristãos, embora não professem integralmente a fé ou não guardem a unidade de comunhão com o sucessor de Pedro, a Igreja sabe-se unida por múltiplas razões» . «Aqueles que crêem em Cristo e receberam validamente o Batismo encontram-se numa certa comunhão, embora imperfeita, com a Igreja Católica» . Quanto às Igrejas Ortodoxas, esta comunhão é tão profunda «que bem pouco lhes falta para atingir a plenitude, que permita uma celebração comum da Eucaristia do Senhor» .

A IGREJA E OS NÃO-CRISTÃOS

839. «Aqueles que ainda não receberam o Evangelho estão também, de uma de ou outra forma, ordenados ao povo de Deus» :

A relação da Igreja com o Povo Judaico. A Igreja, povo de Deus na nova Aliança, ao perscrutar o seu próprio mistério, descobre o laço que a une ao povo judaico, «a quem Deus falou primeiro». Ao invés das outras religiões não cristãs, a fé judaica é já uma resposta à revelação de Deus na antiga Aliança. É ao povo judaico que «pertencem a adoção filial, a glória, as alianças, a legislação, o culto, as promessas […] e os patriarcas; desse povo Cristo nasceu segundo a carne» (Rm 9, 4-5); porque «os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis» (Rm 11, 29).

840. Aliás, quando se considera o futuro, o povo de Deus da Antiga Aliança e o novo povo de Deus tendem para fins análogos: a esperança da vinda (ou do regresso) do Messias. Mas a esperança é, dum lado, a do regresso do Messias, morto e ressuscitado, reconhecido como Senhor e Filho de Deus: do outro, a da vinda no fim dos tempos do Messias, cujos traços permanecem velados – expectativa acompanhada pelo drama da ignorância ou do falso conhecimento de Cristo Jesus.

841. Relações da Igreja com os muçulmanos. «O desígnio de salvação envolve igualmente os que reconhecem o Criador, entre os quais, em primeiro lugar, os muçulmanos que declarando guardar a fé de Abraão, connosco adoram o Deus único e misericordioso que há-de julgar os homens no último dia» .

842.A ligação da Igreja com as religiões não cristãs é, antes de mais, a da origem e do fim comuns do género humano:

«De fato, todos os povos formam uma única comunidade; têm uma origem única, pois Deus fez que toda a raça humana habitasse à superfície da terra; têm também um único fim último, Deus, cuja providência, testemunhos de bondade e desígnio de salvação se estendem a todos, até que os eleitos sejam reunidos na cidade santa» .

843. A Igreja reconhece nas outras religiões a busca, «ainda nas sombras e sob imagens», do Deus desconhecido mas próximo, pois é Ele quem a todos dá vida, respiração e todas as coisas e quer que todos os homens se salvem. Assim, a Igreja considera tudo quanto nas outras religiões pode encontrar-se de bom e verdadeiro, «como uma preparação evangélica e um dom d’Aquele que ilumina todo o homem, para que, finalmente, tenha a vida».

844. Mas no seu comportamento religioso, os homens revelam também limites e erros que desfiguram neles a imagem de Deus:

«Muitas vezes, enganados pelo Maligno, transviaram-se nos seus raciocínios, trocando a verdade de Deus pela mentira. Preferindo o serviço da criatura ao do Criador, ou vivendo e morrendo sem Deus neste mundo, expuseram-se ao desespero final» .

845. Foi para reunir de novo todos os seus filhos, desorientados e dispersos pelo pecado, que o Pai quis reunir toda a humanidade na Igreja do seu Filho. A Igreja é o lugar onde a humanidade deve reencontrar a sua unidade e a salvação. Ela é «o mundo reconciliado»; é a nau que «navega segura neste mundo, ao sopro do Espírito Santo, sob a vela panda da Cruz do Senhor» . Segundo uma outra imagem, querida aos Padres da Igreja, ela é figurada pela arca de Noé, a única que salva do dilúvio.

«FORA DA IGREJA NÃO HÁ SALVAÇÃO»

846. Como deve entender-se esta afirmação, tantas vezes repetida pelos Padres da Igreja? Formulada de modo positivo, significa que toda a salvação vem de Cristo-Cabeça pela Igreja que é o seu Corpo:

O santo Concílio «ensina, apoiado na Sagrada Escritura e na Tradição, que esta Igreja, peregrina na terra, é necessária à salvação. De facto, só Cristo é mediador e caminho de salvação. Ora, Ele torna-Se-nos presente no seu Corpo, que é a Igreja. Ao afirmar-nos expressamente a necessidade da fé e do Batismo, Cristo confirma-nos, ao mesmo tempo, a necessidade da própria Igreja, na qual os homens entram pela porta do Batismo. É por isso que não se podem salvar aqueles que, não ignorando que Deus, por Jesus Cristo, fundou a Igreja Católica como necessária, se recusam a entrar nela ou a nela perseverar» .

847. Esta afirmação não visa aqueles que, sem culpa da sua parte, ignoram Cristo e a sua igreja:

«Com efeito, também podem conseguir a salvação eterna aqueles que, ignorando sem culpa o Evangelho de Cristo e a sua Igreja, no entanto procuram Deus com um coração sincero e se esforçam, sob o influxo da graça, por cumprir a sua vontade conhecida através do que a consciência lhes dita» .

848. «Muito embora Deus possa, por caminhos só d’Ele conhecidos, trazer à fé, «sem a qual é impossível agradar a Deus» , homens que, sem culpa sua, ignoram o Evangelho, a Igreja tem o dever e, ao mesmo tempo, o direito sagrado, de evangelizar» todos os homens.

IV. A Igreja é apostólica

857. A Igreja é apostólica, porque está fundada sobre os Apóstolos. E isso em três sentidos:

– foi e continua a ser construída sobre o «alicerce dos Apóstolos» (Ef 2, 20), testemunhas escolhidas e enviadas em missão pelo próprio Cristo;

– guarda e transmite, com a ajuda do Espírito Santo que nela habita, a doutrina , o bom depósito, as sãs palavras recebidas dos Apóstolos ;

-continua a ser ensinada, santificada e dirigida pelos Apóstolos até ao regresso de Cristo, graças àqueles que lhes sucedem no ofício pastoral: o colégio dos bispos, «assistido pelos presbíteros, em união com o sucessor de Pedro, pastor supremo da Igreja»:

«Pastor eterno, não abandonais o vosso rebanho, mas sempre o guardais e protegeis por meio dos santos Apóstolos, para que seja conduzido através dos tempos, pelos mesmos chefes que pusestes à sua frente como representantes do vosso Filho, Jesus Cristo» .

 

Resumindo:

866. A Igreja é una: tem um só Senhor, professa uma só fé, nasce dum só Batismo e forma um só Corpo, vivificado por um só Espírito, em vista duma única esperança , no termo da qual todas as divisões serão superadas.

867A Igreja é santa: é seu autor o Deus santíssimo; Cristo, seu Esposo, por ela Se entregou para a santificar; vivifica-a o Espírito de santidade. Embora encerra pecadores no seu seio, ela é «a sem-pecado feita de pecadores». Nos santos brilha a sua santidade; em Maria, ela é já totalmente santa.

868. A Igreja é católica: anuncia a totalidade da fé, tem à sua disposição e administra a plenitude dos meios de salvação; é enviada a todos os povos; dirige-se a todos os homens; abrange todos os tempos; «é, por sua própria natureza, missionária».

869A Igreja é apostólica: está edificada sobre alicerces duradouros, que são «os Doze apóstolos do Cordeiro»; é indestrutível é infalivelmente mantida na verdade: Cristo é quem a governa por meio de Pedro e dos outros apóstolos, presentes nos seus sucessores, o Papa e o colégio dos bispos.

870. «A única Igreja de Cristo, da qual professamos no Credo que é una, santa, católica e apostólica, […] é na Igreja Católica que subsiste, governada pelo sucessor de Pedro e pelos bispos que estão em comunhão com ele, embora numerosos elementos de santificação e de verdade se encontrem fora das suas estruturas» .

 

Ler:

  1. CREIO NA SANTA IGREJA CATÓLICA
  2. A IGREJA – POVO DE DEUS, CORPO DE CRISTO, TEMPLO DO ESPÍRITO SANTO

 

 

 

 

 

33º Encontro (Catequese) – Pai-Nosso e o Creio

Série: Animo, uma nova Catequese (Encontro 33/40)

O chegar neste ponto da nossa vivência de fé já é uma vitória, pois nesta caminhada muitos foram os imprevistos e dificuldades enfrentadas. Mas este é o 33º encontro e não por acaso fiz a sugestão de falarmos sobre o Pai Nosso (a oração que Cristo ensinou) e o Creio (a oração da nossa profissão de fé). Apenas para registro 33 anos é a idade que se considera ter ocorrido a morte e depois ressurreição de Jesus.

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Sugestão de Folha para o encontro

Primeiro podemos iniciar de uma forma diferente com todos se cumprimentando com um forte abraço de paz. Depois já como oração e canto inicial sugiro a música Pai Nosso do Padre Marcelo Rossi.

Como parte do tema dividir a turma em grupos , cada grupo recebe uma cartolina com uma parte da oração do Pai Nosso para refletirem o seu significado e depois numa plenária explicarem o que entenderam desta parte da oração, como a oração é feita em mosaico conforme vai se falando, vai se montando a oração no chão. Definir um tempo para a discussão e um tempo para a plenária (possivelmente 30 minutos dará tempo de tudo isso). Após as explicações da plenária os catequistas resgatam a condição histórica em que a oração foi deixada por Jesus, lendo na Bíblia e explicam alguns pontos que ficarem em aberto.

Para o Creio a dinâmica será diferente, pois os catequistas devem falar sobre o significado e importância de cada parte da oração.

Como canto final sugiro Deus é Mais – Banda Canção Nova

Oração Final: Vinde Espírito Santo

Aprofundamento para o catequista:

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CIC 2759

Um dia, estava Jesus em oração, em certo lugar. Quando acabou, disse-lhe um dos seus discípulos: “Senhor, ensina-nos a orar, como João Batista também ensinou os seus discípulos”» (Lc 11, 1). Foi em resposta a este pedido que o Senhor confiou aos seus discípulos e à sua Igreja a oração cristã fundamental. São Lucas apresenta-nos um texto breve dessa oração (cinco petições); São Mateus, uma versão mais desenvolvida (sete petições). A tradição litúrgica da Igreja reteve o texto de São Mateus (Mt 6, 9-13):

Pai Nosso que estais nos céus, (CIC 2777 – 2802)
santificado seja o vosso Nome,
venha a nós o vosso Reino,
seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje,
perdoai-nos as nossas ofensas
assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido,
e não nos deixeis cair em tentação,
mas livrai-nos do Mal. Amém. (CIC 2803-2865)

Resumo no Catecismo da Igreja Católica

2797. A confiança simples e fiel, a segurança humilde e alegre são as disposições que convêm a quem reza o Pai-Nosso.

2798. Podemos invocar Deus como «Pai», porque no-Lo revelou o Filho de Deus feito homem, em quem, pelo Batismo, somos incorporados e adotados como filhos de Deus.

2799. A oração do Senhor põe-nos em comunhão com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo. E, ao mesmo tempo, revela-nos a nós mesmos.

2800. Rezar ao nosso Pai deve fazer crescer em nós a vontade de nos parecermos com Ele e criar em nós um coração humilde e confiante.

2801. Ao dizermos Pai «nosso», invocamos a Nova Aliança em Jesus Cristo, a comunhão com a Santíssima Trindade e a caridade divina que, através da Igreja, se estende às dimensões do mundo.

2802. A expressão «que estais nos céus» não designa um lugar, mas sim a majestade de Deus e a sua presença no coração dos justos. O céu, a Casa do Pai, constitui a verdadeira pátria, para onde caminhamos e à qual desde já pertencemos.

2857. No «Pai-nosso», as três primeiras petições têm por objecto a glória do Pai: a santificação do Nome, a vinda do Reino e o cumprimento da divina vontade. As outras quatro petições apresentam-Lhe os nossos desejos: pedidos concernentes à nossa vida para a alimentar ou para a curar do pecado, ou relativos ao nosso combate para a vitória do Bem sobre o Mal.

2858. Ao pedirmos: «santificado seja o vosso nome», entramos no desígnio de Deus, que é a santificação do seu nome – revelado a Moisés e depois em Jesus – por nós e em nós, bem como em todas as nações e em cada homem.

2859. Na segunda petição, a Igreja tem em vista principalmente o regresso de Cristo e a vinda final do reinado de Deus. Reza também pelo crescimento do Reino de Deus no «hoje» das nossas vidas.

2860. Na terceira petição, pedimos ao Pai que una a nossa vontade à do Seu Filho para cumprir o seu desígnio de salvação na vida do mundo.

2861. Na quarta petição, ao dizer «dai-nos», exprimimos, em comunhão com os nossos irmãos, a nossa confiança filial no nosso Pai dos céus. «O pão nosso» designa o alimento terrestre necessário à subsistência de nós todos, mas também significa o Pão da Vida: a Palavra de Deus e o Corpo de Cristo. Ele é recebido no «Hoje» de Deus, como alimento indispensável e (sobre) substancial do banquete do Reino, antecipado na Eucaristia.

2862. A quinta petição implora para as nossas ofensas a misericórdia de Deus, a qual não pode penetrar no nosso coração sem nós termos sido capazes de perdoar aos nossos inimigos, a exemplo e com a ajuda de Cristo.

2863. Ao dizermos: «não nos deixeis cair em tentação», pedimos a Deus que não permita que enveredemos pelo caminho que conduz ao pecado. Esta petição implora o Espírito de discernimento e de fortaleza; solicita a graça da vigilância e a perseverança final.

2864. Na última petição: «mas livrai-nos do Mal», o cristão roga a Deus, com a Igreja, que manifeste a vitória, já alcançada por Cristo, sobre o «príncipe deste mundo», Satanás, o anjo que se opõe pessoalmente a Deus e ao seu plano de salvação.

2865. Pelo «Amém» final, exprimimos o nosso «fiat» em relação às sete petições: «Assim seja…». (obs. Fiat é uma palavra de origem no latim .Usa-se no sentido de faça-se, seja, consinto nisso.)

O Pai-Nosso que nós rezamos encontra-se no Evangelho de Mateus (6,9-13). Essa versão, mais ampla em comparação à de Lucas (11,1-4), foi utilizada desde os primeiros séculos da Igreja na liturgia e na catequese.

Pai”: é a tradução da palavra aramaica abbâ. O aramaico era a língua que os judeus falavam no tempo de Jesus. Que estais no Céu”: a palavra “Céu” indica o Reino de Deus. Ao invocar o “Deus Pai”, expressamos a tensão para o Reino, quando poderemos vê-Lo “face a face” (cf. 1 João 3,2).

“Santificado seja o Vosso Nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa Vontade, assim na Terra como no Céu”. Trata-se de três pedidos, sendo fundamental o segundo: “Venha a nós o Vosso Reino”. Este Reino vem quando “fazemos a Sua Vontade” e proclamamos, assim, a “santidade do Seu Nome”. A expressão “santificado seja o vosso Nome” aponta para a realização da mensagem do profeta Ezequiel: “Santificarei o meu grande nome” (Ez 36,23).

“Assim na Terra como no Céu”: “Céu” é o lugar onde, com a presença de Deus, seu Reino sempre está presente: e nós rezamos pedindo que céu e terra se unam, para que aconteça o Reino de Deus de maneira completa.

“O Pão-Nosso de cada dia nos dai hoje”: é a necessidade material, mas com uma atitude de confiança e desapego, é a confiança em Deus.

“Perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”: é a necessidade espiritual. Trata-se de reconhecer humildemente nossos pecados. Mas o perdão, a misericórdia de Deus, manifesta-se somente se nós somos misericordiosos com o próximo: “como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.

“E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal”: é a necessidade da Igreja. Aponta, pois, para a tentação dos discípulos diante da Paixão de Jesus; e para a tentação da Igreja, no momento da perseguição. Uma tentação que a Igreja primitiva, época na qual Mateus escreve, conhecia muito bem.

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O Credo (Simbolo dos Apóstolos)

O Credo (ou Creio como nós chamamos) é aquela oração rezada após a homilia da missa que é nomeada de Profissão de Fé. Tem dois tipos sendo o Credo Niceno – Constantinopolitano só rezado em ocasiões especificas durante alguns tempos litúrgicos. É uma oração católica por excelência, já que proclama: Creio na Santa Igreja Católica.

“Desde o início de sua vida apostólica, a Igreja elaborou o que passou a ser chamado de “Símbolo dos Apóstolos”, cujo nome é o resumo fiel da fé dos apóstolos de Jesus. Foi uma maneira simples e eficaz de a Igreja exprimir e transmitir a sua fé em fórmulas breves e normativas para todos. Em seus doze artigos, o ‘Creio’ sintetiza tudo aquilo que o católico crê. É como “o mais antigo Catecismo romano”. É o antigo símbolo batismal da Igreja de Roma. Os grandes santos doutores da Igreja falaram muito do ‘Credo’. Santo Irineu (140-202), na sua obra contra os hereges gnósticos, escreveu: “A Igreja, espalhada hoje pelo mundo inteiro, recebeu dos apóstolos e de seus discípulos a fé num só Deus, Pai e Onipotente, que fez o céu e a terra (…). Essa é a doutrina que a Igreja recebeu; e essa é a fé que, mesmo dispersa no mundo inteiro, a Igreja guarda com zelo e cuidado, como se tivesse a sua sede numa única casa. E todos são unânimes em crer nela, como se ela tivesse uma só alma e um só coração. Essa fé anuncia, ensina, transmite como se falasse uma só língua.

São Cirilo de Jerusalém (315-386), bispo e doutor da Igreja, disse: “Este símbolo da fé não foi elaborado segundo as opiniões humanas, mas da Escritura inteira, de onde se recolheu o que existe de mais importante para dar, na sua totalidade, a única doutrina da fé. E assim como a semente de mostarda contém, em um pequeníssimo grão, um grande número de ramos, da mesma forma este resumo da fé encerra, em algumas palavras, todo o conhecimento da verdadeira piedade contida no Antigo e no Novo Testamento.

Santo Ambrósio (340-397), bispo de Milão, doutor da Igreja que batizou Santo Agostinho, mostra de onde vem a autoridade do ‘Símbolo dos Apóstolos’ e sua importância:

“Ele é o símbolo guardado pela Igreja Romana, aquela onde Pedro, o primeiro dos apóstolos, teve a sua Sé e para onde ele trouxe a comum expressão da fé” (CIC 194). “Este símbolo é o selo espiritual, a mediação do nosso coração e o guardião sempre presente; ele é seguramente o tesouro da nossa alma” (CIC 197). Os seus doze artigos, segundo uma tradição atestada por Santo Ambrósio, simbolizam com o número dos apóstolos o conjunto da fé apostólica (cf. CIC 191).

O símbolo da fé, o ‘Credo’, é a identificação do católico. Assim, ele é professado solenemente no dia do Senhor, no batismo e em outras oportunidades. Todo católico precisa conhecê-lo com profundidade.

O credo contra as heresias

Por causa das heresias trinitárias e cristológicas, que agitaram a Igreja nos séculos II, III e IV, ela foi obrigada a realizar concílios ecumênicos (universais) para dissipar os erros dos hereges. Os mais importantes para definir os dogmas básicos da fé cristã foram os Concílios de Niceia (325) e Constantinopla I (381). O primeiro condenou o arianismo, de Ário, sacerdote de Alexandria que negava a divindade de Jesus; o segundo condenou o macedonismo, de Macedônio, patriarca de Constantinopla que negava a divindade do Espírito Santo.

Desses dois importantes Concílios originou-se o ‘Credo’, chamado “Niceno-constantinopolitano”, o qual traz os mesmos artigos da fé do ‘Símbolo dos Apóstolos’, porém de maneira mais explícita e detalhada, especialmente no que se refere às Pessoas divinas de Jesus e do Espírito Santo.

Além desses dois símbolos da fé mais importantes, outros ‘Credos’ foram elaborados ao longo dos séculos, sempre em resposta a determinadas dificuldades ou dúvidas vividas nas Igrejas Apostólicas antigas. Um exemplo é o símbolo “Quicumque”, dito de Santo Atanásio (295-373), bispo de Alexandria; as profissões de fé dos Concílios de Toledo, Latrão, Lião, Trento e também de certos Pontífices como a do Papa Dâmaso e do Papa Paulo VI (1968). Professor Felipe Aquino no site Formação Canção Nova

O Creio já foi tema de nossos encontros e tem um complemento para estudo que você pode acessar neste link: Creio em Deus Pai Todo Poderoso – história e transcrição

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Ouça as músicas sugeridas: