Deus tem um único filho? E nós?

Perguntai: 1

08 May 2001 --- Big daddy --- Image by © Ryszard Horowitz/CORBIS

Nos meus idos tempos como catequista, estava falando do nascimento de Jesus. E usava a palavra “filho unigênito” de Deus (Jo 3,16), quando um catequizando me perguntou:

– O que é filho unigênito?

De pronto respondi que seria o filho único de Deus. Mal sabia eu que aquela palavra geraria uma pergunta que fez o grupo todo parar e me olhar para aguardar minha resposta:

– Se Jesus é o “filho único” de Deus o que nós somos?

Para contextualizar, nos grupos de Catequese de Adultos e Crisma onde fui catequista sempre incentivei (e acho natural isso) que os catequisandos perguntassem aquilo que tiverem dúvidas e avisava que se os catequistas não soubessem no próximo encontro isso seria trazido como respostas (iríamos pesquisar e perguntar até para o padre caso as respostas não nos parecessem as mais corretas). Pois bem, partindo deste ponto, foi justamente o que fiz, pesquisei, perguntei.

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Pois bem, primeiro vale explicar que Deus criou o homem (Adão) do barro e soprou-lhe a vida pelas narinas (Gn 2), depois ele tirou uma das costelas de Adão e criou a mulher (Eva) a partir daí. Isso significa que Deus decidiu criar a mulher como companheira do homem e como parte dele. Tirou uma costela para que a mulher ficasse nem acima e nem abaixo do homem e sim fosse do meio. É só pensar que sem a costela ninguém fica perfeito. Então Deus “criou” o ser humano e soprou-lhe a vida. Criou como sua imagem e semelhança então somos filhos do criador (Gn 1, 27). Quem cria é o Pai.

Isso não significa que nos tornamos iguais ou superiores a Deus, mas somos parte dele (Hb 1, 3-4)

Com o passar dos séculos a humanidade que tinha toda a liberdade, muitas vezes foi desviando-se do caminho e em várias oportunidades quis superar o criador (veja a Torre de Babel, Sodoma e Gomorra, Dilúvio) e Deus sempre interviu.

Então o próprio Deus decidiu viver na pele o que é ser humano, de carne, osso, sangue e sentimentos e escolheu uma virgem chamada Maria da aldeia de Nazaré para ser a mãe do seu filho. Não foi uma virgem qualquer, pois virgens existiam muitas, foi uma jovem que desde o início vivia para servir a Deus. Assim o anjo foi enviado e anunciou a maria a escolha de Deus, porém não foi uma imposição pois ela poderia dizer não, mas disse sim. Assim fez-se o seu filho, que na realidade era o próprio Deus, não apenas parte, mas figura da Santíssima Trindade.

A concepção é sempre um ato que vai levar para sempre nos genes do ser gerado partes do pai e da mãe. No caso da concepção divina de Jesus não houve o ato sexual e sim algo divino. Jesus então herda os genes humanos de Maria e toda a divindade do próprio Deus. Para reforçar Jesus é criado por Maria (mãe) e José (pai adotivo de Jesus).

Unigenitus ou Monogenes

Unigênito significa “único gerado” ou “filho único”, e deriva do latim unigenitus. A palavra “unigênito” aparece em alguns textos bíblicos para traduzir o grego monogenes. A Bíblia também diz que Jesus é o Unigênito de Deus. É justamente por causa dessa afirmação que algumas pessoas ficam em dúvida com relação ao significado de unigênito na Bíblia.

O significado da palavra unigênito na Bíblia

A palavra unigênito foi utilizada para traduzir o termo grego monogenes, empregado em diversas passagens bíblicas escritas em grego também. Esse termo, quando traduzido para o latim através da palavra unigenitus, gerou algumas confusões na interpretação de seu significado.

Primeiramente precisamos entender que o termo grego original não está necessariamente ligado apenas ao sentido de nascimento ou de criação. Dependendo do contexto, unigênito pode ser interpretado como “único de sua espécie”, “único do tipo” ou “único existente”. Nesse sentido, a palavra unigênito refere-se a uma ideia de singularidade, e não de nascimento. Um ser singular único. Existe alguma dúvida de que Jesus é um ser singular 

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Jesus é o Unigênito de Deus

Nos livros do Novo Testamento o termo monogenes é utilizado nove vezes (Lucas 7,12; 8,42; 9,38; João 1,14-18; 3,16- 18; 1 João 4,9; Hebreus 11,17). Nas referências citadas, o termo é utilizado com diferentes aplicações. Esse termo é utilizado para transmitir a ideia de filho(a) único(a), para se referir a Isaque, filho de Abraão, e também para designar Jesus como o unigênito de Deus.

Com essas referências fica bem fácil entender que o termo grego pode ser aplicado de formas diferentes. Nos casos em que ele indica o filho(a) único(a) de alguém, fica evidente a ideia de nascimento. Mas quando monogenes é empregado para se referir a Jesus como unigênito do Pai, a interpretação correta deve ser o de “único existente” ou “único do tipo”.

Então somos filhos de Deus também, criados por Deus. Já Jesus é o filho único de Deus pois ele é um ser singular. 

 

 

Jesus Cristo, qual o teu rosto?

Curiosidades

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Existe uma controvérsia enorme sobre qual seria o verdadeiro rosto de Jesus Cristo. Durante séculos os artistas tem retratado Jesus segundo suas interpretações, mas na maior parte dos casos, se baseiam nas pinturas europeias renascentistas que trazem Jesus branco e de longos cabelos lisos.

Muitas vezes a imagem traz um Jesus angelical. Mas se pensarmos um pico mais a fundo, e mesmo se repararmos no povo de hoje da Palestina (detalhe pouco se alterou desde a época de Cristo) dá para perceber que esse rosto branco de bochechas rosadas, com cabelos longos loiros (ou negros) lisos e barba, não representa verdadeiramente o rosto de Jesus Cristo. Isso porque o povo galileu, naquela época, há mais de 2 mil anos, estava muito longe de ter essa aparência europeia das imagens.

Intrigado com essa confusão que nos persegue há séculos e que acabou se tornando uma referência para os cristãos, o especialista em Antropologia Forense, Richard Neave, da Universidade de Manchester, na Inglaterra, resolveu desvendar o mistério por trás do verdadeiro rosto de Jesus Cristo. Usando de uma técnica chamada de Antropologia forense. Junto com um grupo de cientistas em 2001

Para isso, ele usou a mesma tecnologia usada para desvendar o rosto de assassinos e outros criminosos (não se espante e ache uma blasfêmia) e começou seu trabalho para remontar o rosto de Jesus Cristo. Para deixar tudo ainda mais real, Neave realizou uma pesquisa aprofundada a respeito das características físicas dos povos semitas da Galileia, no norte de Israel.

Crânios e mais crânios típicos dos judeus foram recebidos e estudados pela equipe do antropólogo forense e, no final, foram feitos raio-x das fatias dos crânios. Computadores, então, criaram os músculos e a pele do que seria o verdadeira rosto de Jesus Cristo quando vivia naquela época, ou melhor até hoje já que acreditamos que ele ascendeu aos céus de corpo e alma.

O rosto de Jesus Cristo

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O resultado? O rosto de Jesus Cristo, como deve ter sido na vida real, já mais de 2 mil anos, foi muito diferente do que imaginamos hoje em dia. De acordo com os estudos de Neave, Jesus era mesmo barbudo, mas tinha cabelos escuros, curtos e, muito provavelmente, cacheados, como o costume de seu povo naquela época

Ainda sobre o rosto de Jesus Cristo, de acordo com os antropólogos, estava longe de ser tão branco ou angelical como das ilustrações. Era, na verdade, um rosto comum, sem muitos atrativos, com pele escura e olhos também escuros, quase pretos. Lembrando do sol escaldante da região.

Jesus também não devia ser um homem muito alto, já que a estatura dos homens de semitas daquela época não era nada impressionante. Acredita-se que ele não tinha mais de 1,50 m de altura e era um homem mais forte que realmente é retratado, já que seu ofício de carpinteiro era um trabalho que exigia esforço físico.

O resultado foi revelado em um documentário produzido em parceria entre a BBC e o Discovery Channel. E para conduzir a reconstrução, os pesquisadores empregaram as tecnologias mais avançadas que tinham à mão na época, assim como o crânio de 2 mil anos de um homem judeu, documentos antigos e técnicas forenses.

E então, você esperava um rosto assim para Jesus?

Na verdade isso é um trabalho da ciência e não desmerece em nada a nossa imagem ideal de Jesus Cristo.Podemos até imaginá-lo parecido conosco já que todos somos imagem e semelhança de Deus.

1 – Primeiras imagens

Uma das representações mais antigas de Jesus de que se tem notícia é a que você poderá ver na imagem seguir. Datada do ano 235, a imagem foi descoberta entre os frescos que cobrem as paredes de uma sinagoga da cidade de Dura Europos, na Síria. Veja:

A figura, embora não seja muito nítida, retrata um dos milagres de Cristo, “A Cura do Paralítico”. Nela, podemos ver Jesus com os cabelos curtos e encaracolados e vestindo uma simples túnica e sandálias. O exemplo abaixo, descoberto na Espanha no ano passado, consiste em uma gravura sobre um prato de vidro do século 4 que também mostra o messias sem sua icônica barba.

2 – Os cabelos e a barba crescem

As primeiras representações de Jesus com os cabelos mais longos e com o rosto coberto de barba começaram a surgir ainda no século 4 — provavelmente inspiradas na forma como os deuses gregos e romanos eram retratados. Um dos exemplos mais antigos é a imagem a seguir, descoberta na Catacumba de Marcelino e Pedro, localizada em Roma.

3 – Menino Jesus

Imagens que retratavam Jesus ainda bebezinho começaram a surgir por volta do século 4, pelo menos, e um dos exemplos mais emblemáticos é o mosaico do século 6 que você pode conferir a seguir:

Localizada na Basílica de Santa Sofia — que fica em Istambul, na Turquia —, a obra mostra a Virgem Maria embalando Jesus em seus braços, enquanto os Imperadores Bizantinos presenteiam o Menino com a (então) cidade de Constantinopla.

4 – Cristo acompanhado

Uma das imagens mais antigas de Jesus acompanhado de seus apóstolos foi descoberta em 2010 nas Catacumbas de São Tecla, localizada em Roma. Os arqueólogos estimam que o fresco seja do final do século 4 ou início do século 5, e acreditam que a imagem — que traz todos os personagens barbados e São Paulo já ficando careca — serviu de base para muitas representações dos seguidores de Cristo que surgiram depois.

5 – Jesus beatificado

O mosaico que você pode ver a seguir foi encontrado no Mausoléu de Gala Placídia, situado em Ravena, na Itália, e data do século 5. Nele, Cristo é retratado usando as cores reais — roxo e amarelo — enquanto guarda o seu rebanho. Veja:

A obra — conhecida como “O Bom Pastor” — traz Jesus novamente sem barba, mas agora com vestimentas e aparência que remete aos antigos romanos. Além disso, ele aparece com um halo sobre sua cabeça.

6 – Crucificado

As primeiras imagens de Jesus crucificado começaram a surgir a partir do século 5, enquanto a representação mais antiga de Cristo — retratado na cruz ao lado dos ladrões — em um manuscrito apareceu em um livro do século 6 chamado “Evangelhos de Rabbula”. Veja:

7 – Morto e sepultado

Santo Sudário — fascinante relíquia religiosa , como você sabe, traz o que muitos cristãos acreditam ser a própria imagem de Cristo gravada em sua superfície.

Até hoje sua legitimidade é discutida por religiosos e cientistas de todo o mundo — afinal, o lenço de linho foi extensivamente analisado por equipes de cientistas que, primeiro, determinaram que algumas partes do tecido datam da Idade Média, sugerindo que ele seria uma elaborada farsa e, posteriormente, que o material foi produzido entre 280 a.C. e 220 d.C., ou seja, muito mais próximo da época de Cristo.

 

Fontes: