Livro de Jonas (Círculo Bíblico – 4/4)

Círculo Bíblico: Livro de Jonas – 4/4

Este é o quarto de uma série de 4 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o Livro de Jonas. A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o Livro de Jonas (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja e ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia.

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)
JonasProfeta

12 Profetas, conjunto de esculturas barrocas do artista Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, produzidas em pedra-sabão entre 1795 e 1805, em Minas Gerais. Este é o profeta Jonas no Santuário Bom Jesus de Matosinhos – MG

Capitulo 4 – A Lição de Jonas

“1.Jonas ficou profundamente indignado com isso e, muito irritado, dirigiu ao Senhor esta prece: Ah, Senhor, era bem isto que eu dizia quando estava ainda na minha terra! É por isso que eu tentei esquivar-me, fugindo para Társis, 2.porque sabia que sois um Deus clemente e misericordioso, de coração grande, de muita benignidade e compaixão pelos nossos males. 3.Agora, Senhor, toma a minha alma, porque me é melhor a morte que a vida. 4.O Senhor respondeu-lhe: (Julgas que) tens razão para te afligires assim? 5.Então saiu Jonas da cidade e fixou-se a oriente da mesma cidade. Fez uma cabana para si e lá permaneceu, à sombra, esperando para ver o que aconteceria à cidade. 6.O Senhor Deus fez crescer um pé de mamona, que se levantou acima de Jonas, para fazer sombra à sua cabeça e curá-lo de seu mau humor. Jonas alegrou-se grandemente com aquela mamoneira. 7.Mas, no dia seguinte, ao romper da manhã, mandou Deus um verme que roeu a raiz da mamona, e esta secou. 8.Quando o sol se levantou, Deus fez soprar um vento ardente do oriente, e o sol dardejou seus raios sobre a cabeça de Jonas, de forma que o profeta, desfalecido, desejou a morte, dizendo: Prefiro a morte à vida. 9.O Senhor disse a Jonas: (Julgas que) fazes bem em te irritares por causa de uma planta? Jonas respondeu: Sim, tenho razão de me irar até a morte. 10.Tiveste compaixão de um arbusto, replicou-lhe o Senhor, pelo qual nada fizeste, que não fizeste crescer, que nasceu numa noite e numa noite morreu. 11.E então, não hei de ter compaixão da grande cidade de Nínive, onde há mais de cento e vinte mil seres humanos, que não sabem discernir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda, e uma inumerável multidão de animais?…”
Jonas, 4 – Bíblia Católica Online

Jn-4

 

O que podemos refletir sobre isso

O livro de Jonas termina abruptamente. Mas uma coisa dá para se perceber, o profeta não fica contente com o desfecho. Lembra muito aquelas pessoas que gostam de “dar ordens a Deus” (tenho medo destas pessoas) e julgam as outras pessoas com sentenças que parecem pragas, sentenças de dor e morte. Muitas vezes essas pessoas julgam por uma questão de religião e outras apenas por atitudes diferentes. Mas onde está a fé de cada um? Não é no coração? E quem conhece o coração de cada um? Deus e a própria pessoa!

Posso afirmar que Jonas não percebeu o grande milagre que operou guiado pelo próprio Deus, salvou cerca de 150 mil habitantes que viviam na cidade na época (3 vezes mais o número de habitantes de Babilônia). Ele não entendeu que Deus sinalizava que estava ali para todos e não apenas para um séquito de pessoas. Hoje vemos muito isso: pessoas de certas igrejas ou até mesmo de certos grupos na própria igreja julgarem que a salvação chegará apenas para elas, deveriam ler mais cuidadosamente o Livro de Jonas e perceber que Deus quer salvar a todos.

No final do livro de Jonas, não ficamos sabendo o que aconteceu com ele. Será que o motivo é para que nós escrevamos o final com a nossa própria vida?

Segundo o Livro de Jonas, os habitantes de Nínive (e povoados dependentes) mais dados à superstição e ao temor das divindades, teriam mostrado-se arrependidos de sua conduta sanguinária fazendo jejum e vestidos de sacos sarapilheira. Jonas se mostra desgostoso pela não destruição de Nínive e acaba por ser repreendido por isso.

Cerca de cem anos depois, Naum, profeta israelita do Antigo Testamento, avisa que Nínive será destruída. Interessante ver como o tempo muda as coisas e uma nova geração de pessoas volta a cometer os mesmos erros.

Milton Cesar

Signo-de-jonás

Nínive era a florescente capital do império Assírio (2Reis 19,36); e foi, ostensivamente, a casa do Rei Senaqueribe, Rei da Assíria, durante o reinado bíblico do rei Ezequias e da carreira profética de Isaías. De acordo com as escrituras, Nínive foi também o lugar onde Senaqueribe morreu nas mãos de seus dois filhos,após derrota de seu numeroso exercito(segundo a bíblia por apenas um anjo enviado por Deus [2Cr 32,21] seus filhos fugiram para a terra de Ararate. O livro do profeta Naum é quase exclusivamente uma coleta de denúncias e profecias contra essa cidade.

Quem foi Jonas

profeta-jonas

Santuário Bom Jesus de Matosinhos – MG – Brasil

 

Jonas (do hebraico יוֹנָה [Yonah]; em latim Ionas) foi, segundo a Bíblia, um profeta israelita da Tribo de Zebulom, filho de Amitai, natural de Gete-Héfer. Profetizou durante o reinado de Jeroboão II, Rei de Israel Setentrional. (II Reis 14:25; Jonas 1:1) Crê-se que tenha sido o escritor do livro bíblico do Antigo Testamento que leva o seu nome.

O Livro de Jonas é um livro profético e faz parte dos chamados profetas menores, mas isso não quer dizer que ele tenha menos importância que os demais, trata-se sim do tamanho do livro. Por exemplo o Livro de Jonas tem apenas 4 capítulos já o livro de Isaías tem 66 capítulos e este pertence ao grupo dos profetas maiores.

 

 

CATEQUESE do Papa Francisco
Sala Paulo VI – Vaticano
Quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Boletim da Santa Sé
Tradução livre: Jéssica Marçal

Queridos irmãos e irmãs, bom dia,

Na Sagrada Escritura, entre os profetas de Israel, aparece uma figura um pouco anormal, um profeta que tenta escapar do chamado do Senhor rejeitando colocar-se a serviço do plano divino da salvação. Trata-se do profeta Jonas, de quem se narra a história em um pequeno livro de apenas quatro capítulos, uma espécie de parábola portadora de um grande ensinamento, aquele da misericórdia de Deus que perdoa.

Jonas é um profeta “em saída” e também um profeta em fuga! É um profeta em saída que Deus envia “à periferia”, em Nínive, para converter os moradores daquela grande cidade. Mas Nínive, para um israelita como Jonas, representava uma realidade ameaçadora, o inimigo que colocava em perigo a própria Jerusalém e, portanto, a destruir, não a salvar. Por isso, quando Deus manda Jonas para rezar naquela cidade, o profeta, que conhece a bondade do Senhor e o seu desejo de perdoar, procura escapar da sua tarefa e foge.

Durante a sua fuga, o profeta entra em contato com alguns pagãos, os marinheiros do navio no qual ele embarcou para se afastar de Deus e da sua missão. E foge para longe, porque Nínive ficava na região do Iraque e ele foge para a Espanha, foge sério. E é justamente o comportamento daqueles homens pagãos, como depois será dos moradores de Nínive, que nos permite hoje refletir um pouco sobre esperança que, diante do perigo e da morte, se exprime em oração.

De fato, durante a travessia do mar, surge uma tremenda tempestade, e Jonas desce para o porão do navio e se abandona ao sono. Os marinheiros, em vez disso, vendo-se perdidos, “invocaram cada um o próprio deus”: eram pagãos (Jn 1, 5). O capitão do navio acorda Jonas dizendo-lhe: “O que fazes dormindo? Levanta-te, invoca o teu Deus! Talvez Deus vai pensar em nós e não pereceremos” (Jn 1, 6).

A reação destes “pagãos” é a justa reação diante da morte, diante do perigo; porque é então que o homem faz completa experiência da própria fragilidade e da própria necessidade de salvação. O instintivo horror de morrer desperta a necessidade de esperar no Deus da vida. “Talvez Deus pensará em nós e não pereceremos”: são as palavras da esperança que se torna oração, aquela súplica cheia de angústia que sai dos lábios do homem diante de um iminente perigo de morte.

Muito facilmente nós desdenhamos o dirigir-se a Deus na necessidade como se fosse apenas uma oração interessada, e por isso imperfeita. Mas Deus conhece a nossa fraqueza, sabe que nos recordamos Dele para pedir ajuda, e com o sorriso indulgente de um pai, Deus responde com benevolência.

Quando Jonas, reconhecendo as próprias responsabilidades, se joga ao mar para salvar os seus companheiros de viagem, a tempestade se acalma. A morte iminente levou aqueles homens pagãos à oração, fez com que o profeta, apesar de tudo, vivesse a própria vocação a serviço dos outros aceitando sacrificar-se por eles, e agora conduz os sobreviventes ao reconhecimento do verdadeiro Senhor e ao louvor. Os marinheiros, que tinham rezado com medo dirigindo-se aos seus deuses, agora, com sincero temor do Senhor, reconhecem o verdadeiro Deus e oferecem sacrifícios e votos. A esperança que os tinha induzido a rezar para não morrer, se revela ainda mais poderosa e trabalha uma realidade que vai também além do que eles esperavam: não somente não perecem na tempestade, mas se abrem ao reconhecimento do verdadeiro e único Senhor do céu e da terra.

Sucessivamente, também os moradores de Nínive, diante da perspectiva de serem destruídos, rezarão, movidos pela esperança no perdão de Deus. Farão penitência, invocarão o Senhor e se converterão a Ele, a começar pelo rei que, como o capitão do navio, dá voz à esperança dizendo: “Quem sabe Deus se arrependerá […] e deixará de nos perder!” (Jn 3, 9). Também para eles, como para a tripulação na tempestade, ter enfrentado a morte e ter saído salvos os levou à verdade. Assim, sob a misericórdia divina e ainda mais à luz do mistério pascal, a morte pode se tornar, como foi para São Francisco de Assis, “nossa irmã morte” e representar, para cada homem e para cada um de nós, a surpreendente ocasião de conhecer a esperança e de encontrar o Senhor. Que o Senhor nos faça entender essa relação entre oração e esperança. A oração te leva adiante na esperança e quando as coisas se tornam escuras, é preciso mais oração! E haverá mais esperança. Obrigado. 

Radicais islâmicos destroem tumba do profeta Jonas em 2014

Jornal Correio do Vale -26/07/2014

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O grupo radical Estado Islâmico (EL), que domina partes do Iraque e da Síria, destruiu na quinta-feira uma mesquita histórica em Mosul, no norte do Iraque, segundo residentes. O local é sagrado por abrigar a tumba do profeta Jonas, que foi engolido por uma baleia nas tradições islâmicas e judaico-cristã. A mesquita foi construída sobre um sítio arqueológico do século 8 a.C.

Os militantes do EI alegaram que o local era usado para apostasia e não para oração. O EI já explodiu outros locais sagrados sunitas em Mosul. No mês passado, destruiu sete lugares de culto xiita na cidade de Tal Afar, segundo a Human Rights Watch. O EI criou um califado (Estado islâmico) nas áreas que domina nos dois países, impondo as leis segundo determina a tradição islâmica. Em Mosul, o grupo tem advertido as mulheres de que agora são obrigadas a usar véus que cubram todo o rosto, do contrário sofrerão severas punições.

fonte: Jornal Correio do Vale -26/07/2014

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Como era o local