O Peixe na Semana Santa

Catequese, Vivência na Fé

bacalhau

Bacalhau

Primeiro podemos ir buscar no Catecismo da Igreja Católica parte dos motivos para o jejum da Semana Santa e principalmente a abstinência de carne. Levando em consideração que a carne é um alimento que muitas pessoas tratam de uma forma especial, chegando ao ponto de muitos não comerem sem carne.

No artigo 7 (As Virtudes)  chegamos no CIC 1809 onde diz:

“A temperança é a virtude moral que modera a atração dos prazeres e proporciona o equilíbrio no uso dos bens criados. Assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos nos limites da honestidade. A pessoa temperante orienta para o bem os apetites sensíveis, guarda uma sã discrição e não se deixa arrastar pelas paixões do coração . A temperança é muitas vezes louvada no Antigo Testamento: «Não te deixes levar pelas tuas más inclinações e refreia os teus apetites» (Não te deixes levar pelas tuas más inclinações e refreia os teus apetites. Sir 18, 30). No Novo Testamento, é chamada «moderação», ou «sobriedade». Devemos «viver com moderação, justiça e piedade no mundo presente» (“Veio para nos ensinar a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver neste mundo com toda sobriedade, justiça e piedade,” Tt 2, 12).”

«Viver bem é amar a Deus de todo o coração, com toda a alma e com todo o proceder […], de tal modo que se lhe dedica um amor incorrupto e íntegro (pela temperança), que mal algum poderá abalar (fortaleza), que a ninguém mais serve (justiça), que cuida de discernir todas as coisas para não se deixar surpreender pela astúcia e pela mentira (prudência)» (Santo Agostinho, De moribus Ecclesiae catholicae).

Não existe então na própria Bíblia uma “ordem” para que se coma apenas peixe na Semana Santa, principalmente na Sexta-feira Santa, mas a tradição católica foi tomando forma e continua até hoje. Apesar da verdadeira exploração do comércio que sabendo que haverá uma procura maior de peixes e frutos do mar nesta época aumenta os preços visando o lucro. Cometem o pecado da avareza, e muitos ainda se dizem católicos.

Santo Tomás de Aquino diz que o “jejum foi estabelecido pela Igreja para reprimir as concupiscências da carne, cujo objeto são os prazeres sensíveis da mesa e das relações sexuais”. Importante recordar que, na época de Santo Tomás, a disciplina exigia esta prática não só na sexta-feira, mas também na quarta e, além da carne, englobava os ovos e os laticínios.

Os Santos Padres também incentivaram sobremaneira este hábito que acabou se consolidando. No entanto, na Idade Média, o Papa Nicolau I, no século IX, instituiu como lei aquilo que era somente um costume. E, assim, a penitência passou a ser obrigatória para todos os cristãos a partir da idade da razão (sete anos).

Ainda no período medieval, em honra à Nossa Senhora, as pessoas passaram a jejuar também aos sábados. Deste modo, o domingo, grande Dia do Senhor, era precedido por dois dias de penitência, em preparação à Páscoa semanal.

Mas o tempo fez com que parte dos costumes perdessem um pouco da sua força e o próprio significado acabasse ficando desconhecido. hoje mesmo algumas pessoas acabam ignorando o costume, algumas vezes por não saberem o real motivo, outras vezes por fazerem um turismo religioso entre várias denominações religiosas e acabarem voltando para a Igreja Católica perdendo o sentido das tradições e mais ainda o sentido do porque se fazer a abstinência de carne.

Com o tempo também, inclusive, os fiéis passaram a se questionar acerca da obrigatoriedade da abstinência na sexta e se a não observância desse preceito se constituía um pecado mortal ou leve. Diante disso, o Papa Inocente III, no século XIII, decretou que realmente é pecado grave. E no século XVII, o Papa Alexandre VII anatematizou quem dissesse que não era pecado grave.

Essa foi a disciplina até 1983, quando houve a promulgação do novo Código de Direito Canônico. No cânon 1251, lemos que é obrigatório fazer “abstinência de carne ou de outro alimento […] em todas as sextas-feiras do ano, a não ser que coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades”. Com relação a este cânon, a CNBB afirma que o fiel católico brasileiro pode substituir a abstinência de carne por uma obra de caridade, um ato de piedade ou ainda trocar a carne por um outro alimento (CNBB, Diretório da Liturgia e da organização da Igreja no Brasil)

Atualmente, a exigência da lei é para aqueles que já completaram catorze anos de idade e não a partir da idade da razão, como era no início, conforme o cânon 1252 do mesmo Código.

Historicamente, fazer da sexta-feira um dia penitencial é algo que afunda suas raízes na época apostólica. A Didaqué, uma espécie de catecismo dos primeiros cristãos, dá conta de que o jejum era feito na quarta e na sexta-feira. A Igreja do Oriente, inclusive, permanece com esse costume.

bacalhau-gadus-morhua_large.jpg

Bacalhau

O jejum

Um dos elementos que mais aparece nesse período é o jejum e a recomendação para que não se coma carne, em todas as sextas-feiras que antecedem a Páscoa, durante o tempo conhecido como quaresma. O mesmo preceito vale para a quarta-feira de cinzas, o dia em que se inaugura esse tempo de preparação para a Páscoa.

O jejum e a abstinência são sinais, também bíblicos, de conversão. O povo no tempo de Cristo jejuava sobretudo na festa da expiação. Mas há inúmeras outras passagens que lembram o jejum. Até mesmo Jesus, por ocasião das tentações no deserto, jejuou. Em atos dos Apóstolos, os responsáveis pela igreja, quando escolhiam os missionários, jejuavam (Atos 13,2-3) e Paulo, em 2 ocasiões, fala do próprio jejum (II Coríntios 6,5 e 11,27). É claro que jejum pelo jejum não tem sentido e não nos faz melhores. Basta pensar a quantos fazem jejum de maneira forçada, não porque é tempo de quaresma, mas porque não tem o que comer.

Não comer carne tem importância porque contém em si um significado, pois é, como dito acima, sinal de conversão. Não é, em si, a conversão. Quem se abstém da carne está dando um sinal que:

  • quer se afastar do pecado
  • é solidário com quem tem fome
  • sublinha a importância da Palavra de Deus como alimento para a alma
  • exprime a necessidade de colocar um freio no consumismo

Como bem lembram os profetas, o que conta, no final das contas, é a conversão do coração. Todos os gestos exteriores de nada valem se não conduzem a uma renovação do coração. Todavia eles podem ser significativos e a sua observância não deve ser motivo de gozação. Talvez não baste substituir carne por peixe, que nem sempre é mais barato, mas fazer algum gesto concreto que demonstre a nossa adesão ao projeto de Cristo, que mostre a nossa solidariedade com quem deu a vida por nós.

Gesto de conversão

Atualmente a Igreja Católica evita as palavras obrigação e proibição. Ela apenas aconselha a abstinência de carne vermelha como gesto de conversão. O jejum é uma tradição que surgiu na Idade Antiga e se consolidou na Idade Média, época em que pessoas humildes raramente provavam carne. Na época, o povo vivia em terras alheias e a carne vermelha era consumida só em banquetes, nas cortes e nas residências dos nobres. Ela tornou-se, então, símbolo da gula, associado ao pecado. Dessa forma, a Igreja orientava os fiéis a comerem carne à vontade antes da quaresma – o que deu origem aos banquetes chamados “carnevale” e ao nosso carnaval – e depois se absterem de carne, durante os 40 dias que antecediam a Páscoa. O peixe não chegou a entrar na lista da abstinência porque sua presença era irrelevante nos banquetes medievais. Com o passar dos séculos, a carne deixou de estar presente somente nos banquetes e perdeu seu caráter simbólico de pecado. A orientação atual é que os católicos que desejarem se abstenham na Quarta-Feira de Cinzas, nas sextas-feiras da Quaresma e na Sexta-Feira Santa. Pessoas enfermas, idosas e crianças são isentas dessa orientação.

Fontes: Irmã Maria Inês Carniato, da Editora Paulinas (p/ revista Galileu – Ed. Globo)

Abster-se de carne e jejuar na sexta-feira é uma prática plurissecular da Igreja e tem argumentos fortes em seu favor. O primeiro deles é que todos os cristãos precisam levar uma vida de ascese. Esta é uma regra básica da espiritualidade cristã, além de fazer bem para a vida espiritual do fiel, pode ser uma ocasião de testemunho e de catequese para outros. Recusar publicamente, por amor a Cristo, tal prazer pode ser uma forma de incutir no próximo o desejo de também conhecer o Amado, por quem se faz sacrifícios.Por fim, é importante recordar que o costume de se abster de carne na sexta-feira sempre esteve ligado à Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, portanto, é importante recuperá-lo a fim de aumentar ainda mais a devoção e a própria fé.

Peixe também é carne e sangra

348_comocriarA hemoglobina é uma proteína presente no sangue e que define sua cor, contém ferro e leva do pulmão o oxigênio necessário aos movimentos para os tecidos musculares. Nos músculos, também há outra proteína, chamada mioglobina, que ajuda a manter o oxigênio, sendo esta proteína responsável pela cor vermelha da carne”, diz a bióloga de Arraial do Cabo Leonizia Valdeci de Melo, especialista em gerenciamento socioambiental costeiro e licenciada em biologia pela Ferlagos. Os peixes possuem ainda menos mioglobina, por isso, a carne é branca. Devido à grande movimentação do atum, sua carne é avermelhada. O peixe também possui menos sangue que os outros animais, por isso ficou como uma lenda de que o “peixe não sangra, e por isso deve ser comido na sexta-feira santa”, mas na verdade o peixe também é carne e também tem sangue.

Fontes analisadas:

cesar nome

 

 

 

Livro:

Dos ramos ao madeiro – Parte V (final)

Dos ramos ao madeiro -5/5

images (3)

Uma caçada iniciava-se naquela noite, com consequências que só seriam percebidas só no futuro. Mas naquele momento vários personagens estavam ansiosos.

Não era costume deixar a casa onde era celebrada o Pessach durante a noite depois da ceia, porém Jesus quebrou esta regra. Judas Iscariotes descobriu isso ao chegar com alguns soldados na intenção de entregar o seu mestre, entrou na casa e se deparou apenas com o local vazio. Saiu e ficou pensando durante um tempo onde eles poderiam estar, e lembrou-se do local de refúgio para a oração deles. Seguiu apressado para lá.

No Jardim do Getsemani , Jesus acordava mais uma vez seus discípulos que não conseguiam orar com ele. Mas ele os despertava dizendo que era chegada a hora de que seria entregue nas mãos dos homens.

Jesus havia decido sair da casa com seus discípulos porque já sabia que seria preso e não queria arriscar também a família. Já se ouvia uma movimentação cada vez mais perto quando ele despertou os discípulos. Pedro se posicionou a frente do grupo.

E de repente eles estavam de frente a um grupo de soldados e guardas do Templo, mas o que chamou atenção dos discípulos foi a presença de Judas no meio deles. Então Jesus perguntou saindo do meio dos discípulos :

“- Quem vocês procuram ?” – “A Jesus, o nazareno.” – eles responderam.

“-Sou eu!” – respondeu Jesus. Os soldados se afastaram um pouco, como que se tivessem sofrido um susto. O que era compreensível visto que Jesus era conhecido por seus prodígios. A pergunta foi feita novamente e as mesmas respostas e reações se repetiram. Então Judas aproximou-se de Jesus e deu-lhe um beijo no rosto. Este era o sinal para que os guardas tivessem certeza de que aquele era Jesus. Imediatamente eles agarraram ele. Pedro desferiu um golpe de espada e decepou a orelha de um dos guardas. Então os soldados sacaram suas espadas prontos para matarem Pedro. E Jesus interferiu usando uma autoridade que sempre utilizava, impedindo Pedro de continuar atacando e os soldados de revidarem. Abaixou-se pegou a orelha decepada do Guarda e colocou no lugar, curando imediatamente o ferimento. Este guarda chamava-se Malco e não conseguiu se mover depois disso. Estava em choque, como aquele homem que o Sinédrio queria matar poderia tê-lo curado?

e1cefc9225281bac2cf1e52380659872

Jesus foi levado preso. Judas fugiu. Muitos dos discípulos com medo se refugiaram em uma casa nos arredores de Jerusalém. Pedro resolveu ir acompanhar o desenrolar dos fatos. E durante este tempo Pedro fez exatamente o que o Mestre havia predito. Ele negou que conhecia Jesus três vezes, e na última o galo cantou. Eram por volta de 5  da manhã.

O sol rasgava o véu noturno. A cidade despertava sem saber que na casa de Caifás reuniu-se o Conselho restrito, composto de vinte e três pessoas, entre estas estavam sacerdotes e anciãos. Em geral quando o grande Conselho se reunia convidavam-se também representantes dos Fariseus,  mas daquela feita os juízes eram todos Saduceus. Na época romana o poder do Sinédrio estava somente nas mãos dos saduceus . Por volta de meio-dia Jesus já tinha sido interrogado, torturado e chicoteado. Mais uma vez se encontrava em frente a Pilatos e o povo gritava por Barrabas escolhendo a crucificação de Jesus .

O julgamento efetivo já tinha acontecido durante a madrugada, contrariando a própria lei judaica que proibia alguém de ser julgado durante a noite.

Mas com a assinatura de Pilatos , Jesus foi condenado a morte. E saia pelas ruas estreitas de Jerusalém carregando o patibulum da Cruz. Ao chegar ao Golgota foi pregado na cruz e crucificado em meio a 2 ladrões. Às 15h ele morreu . Por volta de 17h seu corpo foi retirado da Cruz por um sacerdote chamado Nicodemo e sepultado em um túmulo novo cedido pelo também sacerdote José de Arimateia.

Depois de 3 dias tudo seria diferente . O mundo todo mudaria quando Maria a mãe de Jesus , Maria de Magdala e a outra Maria se deparassem com a sepultura vazia.

Milton Cesar 

 

Sexta-feira Santa ou simplesmente a Paixão e Morte de Jesus. Somos levamos a contemplar e vivenciar o mistério da iniquidade humana na pessoa de Cristo sim, mas – e sobretudo – o mistério do Seu triunfo definitivo.

O rito da apresentação e adoração da cruz vem como consequência lógica da proclamação da Paixão de Cristo. A Igreja ergue, diante dos fiéis, o sinal do triunfo do Senhor, que havia dito: “Quando vocês levantarem o Filho do Homem, saberão que Eu sou” (Jo 8,28).

Enquanto apresenta a cruz, o celebrante canta por três vezes: “Eis o lenho da cruz, do qual pendeu a salvação do mundo”. A assembleia, cada vez, responde: “Vinde, adoremos!”. Durante a procissão da adoração, entoam-se cânticos apropriados.

Jesus morre no momento em que, no Templo, se imolam os cordeiros destinados à celebração da Páscoa. A Sua imolação é “real”, um sacrifício realizado de uma vez por todas, porque a vítima espiritual tornou inúteis as vítimas materiais.

Outros pormenores completam o quadro: de Jesus não são quebradas as pernas, em conformidade com as prescrições rituais (Ex 12,46); do Seu lado transpassado, jorra o sangue, com o qual são misteriosamente assinalados os que pertencem ao novo povo, aqueles que Deus salva (cf. Ex 12,7.13). Cristo crucificado é, pois, o “verdadeiro Cordeiro pascal”: Ele é a “nossa Páscoa” imolada (cf. 1Cor 5,7).

Os profetas, especialmente o Segundo Isaías (1ª leitura), descrevem o Servo do Senhor no momento em que realiza Sua missão de libertar o povo dos pecados e torná-lo agradável a Deus, como um cordeiro inocente, carregado dos delitos do seu povo, e que, em silêncio, se deixa conduzir ao matadouro. E é de sua morte, aceita livremente, que provém a justificação “para todos”.

O dramático diálogo com Pilatos mostra Jesus silencioso, enquanto a autoridade, neste momento a serviço do pecado do mundo que cega o povo, decide Sua morte e O condena.

Não seria completa a compreensão do mistério de Jesus se não contemplássemos também – como o Apocalipse de João – o Cordeiro glorioso, que está diante de Deus com os sinais das Suas chagas, dominador do mundo e da história (Ap 5,6ss); o Cordeiro que se imolou por amor da Igreja e para o qual ela tende cheia de amor. Na cruz se iniciaram as núpcias do Cordeiro, que terão sua realização plena na festa do céu (cf. Ap 19,7-9).

Neste dia, “em que Cristo, nossa Páscoa foi imolado” (1Cor 5,7), torna-se clara realidade o que desde há muito havia sido prenunciado em figura e mistério: a ovelha verdadeira substitui a ovelha figurativa, e mediante um único sacrifício realiza-se plenamente o que a variedade das antigas vítimas significava.

Com efeito, a obra da redenção dos homens e perfeita glorificação de Deus, prefigurada pelas Suas obras grandiosas no povo da Antiga Aliança, realizou-a Cristo Senhor, principalmente pelo mistério pascal da Sua bem-aventurada Paixão, Ressurreição dentre os mortos e gloriosa Ascensão, mistério este pelo qual, morrendo, destruiu a nossa morte, e ressuscitando, restaurou a nossa vida. Foi do lado de Cristo adormecido na cruz que nasceu o admirável Sacramento de toda a Igreja.

A celebração da “Paixão do Senhor” focaliza o significado original do sofrimento de Jesus que culmina em Sua morte na Cruz. Trata-se do amor em plenitude que é assumido na cruz. Mas, é importante ressaltar que, antes de assumir a cruz de madeira, Jesus assumiu outras grandes e difíceis cruzes.

Podemos ver neste mesmo dia muitas outras “cruzes” levadas por Nosso Senhor: uma é a “cruz” da traição de Judas e outra a da negação de Pedro. Há a “cruz” da condenação por parte de Pilatos e por parte do povo. E outras “cruzes” são a minha e a sua, meu irmão.

Portanto, celebrar a morte de Jesus na Cruz nos faz pensar nas muitas “cruzes” que, ainda hoje, colocamos sobre os Seus ombros através da injustiça, do egoísmo, da falta de ternura, da impiedade, da violência, dos vícios e assim por diante.

Faz-nos pensar também sobre as muitas “cruzes” que os filhos colocam sobre os ombros de seus pais; as “cruzes” que os pais colocam sobre os ombros frágeis de seus filhos; as “cruzes” que os esposos colocam-se mutuamente sobre os ombros um do outro e sobre seus próprios ombros; as “cruzes” que todos colocamos sobre os ombros da comunidade, da Igreja, da sociedade etc.

No entanto, não nos esqueçamos do mais importante: a Cruz de Cristo nos leva à glória da Ressurreição para a Vida Eterna.

Padre Bantu Mendonça (Canção Nova )

2

Leia também:

Dos ramos ao Madeiro – Parte IV

Dos ramos ao madeiro – 4/5

Fazei isso em minha memória. ( Mt 26,17-30Mc 14,12-26Lc 22,7-39 e Jo 13,117,26,  I Cor 11,23-26)

Esta foi uma das grandes frases ditas por Jesus naquela ceia. Pedro não havia compreendido, assim como a maioria dos presentes naquele momento. Aquela seria a refeição mais famosa de todos os tempos, mas naquele instante nada disso importava.

A ceia havia sido iniciada por Jesus logo após o sol se pôr e ela se prolongou (como era o costume) até a meia-noite. Veja bem, não era um jantar comum era um ato religioso que naquele momento quase todos os lares judaicos estavam celebrando.

Tudo tinha seu significado simbólico.

Eram cheias quatro taças de vinho em memória a libertação dos hebreus do Egito, liderados por Moisés.

Comiam-se verduras amargas molhadas em água e vinagre em memória do Êxodo do Egito. Era um ritual complexo comandado pelo dono da casa, mas neste dia quem comandou foi Jesus. Mas os moradores da casa também participaram.

Primeiro: Depois da 1ª taça de vinho servida Jesus pronunciou a benção da solenidade. Então todos comeram as ervas amargas.

Segundo: Depois da 2ª taça de vinho servida, João Marcos que era o mais jovem presente a mesa (uma criança na verdade) dirigiu-se a Jesus e perguntou (como era parte do ritual):

-Qual o significado desta celebração?

Jesus respondeu, como aprendera desde a infância, com os três pontos principais daquilo tudo, que eram:

  1. O cordeiro recorda Deus marcando as casas dos hebreus para que seus filhos fossem poupados.
  2. O pão ázimo foi comido devido à pressa da partida que não permitiu que se fizesse o pão normal com fermento.
  3. As ervas amargas era a lembrança da amargura da escravidão no Egito.

Depois desta explicação e seguindo o costume foi entoada a primeira parte do Hallel que significa cântico de louvor a Deus (Salmo 113 e Salmo 114). Era neste momento que se devia partir o pão ázimo e depois consumir o cordeiro assado. Mas Jesus fez diferente.

Partindo o pão ele declarou que ele seria o novo cordeiro de Deus e aquele pão seria sua carne, logo distribuiu o pão entre todos e depois quebrando a tradição novamente, ele serviu a 3ª taça de vinho e disse que aquele seria o seu sangue e que seria derramado por eles. Assim dividiu o vinho com todos. E proferiu uma frase que não fazia parte do contexto:

“- Fazei isso em minha memória.”

Um silêncio foi feito, tanto pelo impacto como pela tradição.

Então Jesus continuou seguindo com a consumação do cordeiro assado.

Depois a parte final do canto do Hallel (Salmos 115116117 e 118, 29) foi entoada. E a quarta parte do ritual com a 4ª taça de vinho (final) sendo servida, fez-se um louvor, uma breve oração de agradecimento que concluía a celebração.

jesus e seus apostolos2

Muitos estavam atônitos, outros pensativos quando Jesus continuou:

“- Em verdade, eu vos digo: um de vós vai me entregar esta noite.”

Foi uma explosão de murmúrios e reclamações, muitos querendo entender o que significava aquilo e outros querendo saber quem seria. Jesus olhou para Judas Iscariotes e disse o que tem que fazer faça depressa. Nesse momento alguns acharam que judas saíra em alguma missão para o mestre. Era comum ele sair pois cuidava do dinheiro do grupo e tinha afazeres como comprar provisões, ninguém imaginou que ele saiu para buscar a guarda do templo.

Pedro dizia que mesmo que os outros traíssem o mestre, ele jamais o faria e Jesus anunciou que Pedro o negaria três vezes ainda naquele dia (lembrando que provavelmente já passava da maia noite)

Depois de toda a confusão, os ânimos se acalmaram e Jesus agradeceu a hospitalidade da família que o acolheu junto a seus seguidores e pediu que apenas seus discípulos (naquela altura apenas 11) fossem com ele até o Jardim do Getsemani para orar. Todas as vezes que alguma mudança mais significativa na vida de Jesus iria ocorrer ele se isolava e pedia a seu pai (Deus) força. E assim ao chegar ao local Jesus pediu que os discípulos entrassem em oração e foi um pouco mais adiante afim de rezar sozinho.

E chorou…

Pediu a Deus que este cálice passasse sem que ele bebesse, mas sabia que não poderia. E ali lhe foi retirada toda a proteção divina, para que ele como homem de carne e osso normal pudesse passar pelas provações a que seria submetido.

Ao levantar-se e ir a seus discípulos deparou-se com eles dormindo por duas vezes, e pediu que todos acordassem perguntando se nem sequer poderiam orarem com ele por uma hora apenas. Mas parecia que o cansaço dominava a todos.

Enquanto isso Judas já havia chegado a uma sala do templo e ao falar com Anás, que já o esperava ansiosamente, saiu com um grupo de guardas do templo e mais alguns soldados romanos que estavam a serviço do Sinédrio a mando de Pilatos.

Anás por sua vez foi acordar o maior número possível de sacerdotes (muitos dormiam em instalações localizadas no próprio templo). Depois foi e acordou Caifás.

A madrugada ficou movimentada em vária direções. Era um movimento que levaria a muitos outros para mudar a história.

Milton Cesar

 

São Mateus 26, 17-46

Jesus-ÉQUIPE

“17.No primeiro dia dos Ázimos, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-lhe: Onde queres que preparemos a ceia pascal? 18.Respondeu-lhes Jesus: Ide à cidade, à casa de um tal, e dizei-lhe: O Mestre manda dizer-te: Meu tempo está próximo. É em tua casa que celebrarei a Páscoa com meus discípulos. 19.Os discípulos fizeram o que Jesus tinha ordenado e prepararam a Páscoa. 20.Ao declinar da tarde, pôs-se Jesus à mesa com os doze discípulos. 21.Durante a ceia, disse: Em verdade vos digo: um de vós me há de trair. 22.Com profunda aflição, cada um começou a perguntar: Sou eu, Senhor? 23.Respondeu ele: Aquele que pôs comigo a mão no prato, esse me trairá. 24.O Filho do Homem vai, como dele está escrito. Mas ai daquele homem por quem o Filho do Homem é traído! Seria melhor para esse homem que jamais tivesse nascido! 25.Judas, o traidor, tomou a palavra e perguntou: Mestre, serei eu? Sim, disse Jesus. 26.Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai e comei, isto é meu corpo. 27.Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos, 28.porque isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados. 29.Digo-vos: doravante não beberei mais desse fruto da vinha até o dia em que o beberei de novo convosco no Reino de meu Pai. 30.Depois do canto dos Salmos, dirigiram-se eles para o monte das Oliveiras. 31.Disse-lhes então Jesus: Esta noite serei para todos vós uma ocasião de queda; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho serão dispersadas (Zc 13,7). 32.Mas, depois da minha Ressurreição, eu vos precederei na Galiléia. 33.Pedro interveio: Mesmo que sejas para todos uma ocasião de queda, para mim jamais o serás. 34.Disse-lhe Jesus: Em verdade te digo: nesta noite mesma, antes que o galo cante, três vezes me negarás. 35.Respondeu-lhe Pedro: Mesmo que seja necessário morrer contigo, jamais te negarei! E todos os outros discípulos diziam-lhe o mesmo. 36.Retirou-se Jesus com eles para um lugar chamado Getsêmani e disse-lhes: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar. 37.E, tomando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. 38.Disse-lhes, então: Minha alma está triste até a morte. Ficai aqui e vigiai comigo. 39.Adiantou-se um pouco e, prostrando-se com a face por terra, assim rezou: Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres. 40.Foi ter então com os discípulos e os encontrou dormindo. E disse a Pedro: Então não pudestes vigiar uma hora comigo… 41.Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca. 42.Afastou-se pela segunda vez e orou, dizendo: Meu Pai, se não é possível que este cálice passe sem que eu o beba, faça-se a tua vontade! 43.Voltou ainda e os encontrou novamente dormindo, porque seus olhos estavam pesados. 44.Deixou-os e foi orar pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras. 45.Voltou então para os seus discípulos e disse-lhes: Dormi agora e repousai! Chegou a hora: o Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores… 46.Levantai-vos, vamos! Aquele que me trai está perto daqui.”
São Mateus, 26 – Bíblia Católica Online

É fácil compreender a sublimidade desta hora. Pois bem, nesta noite sagrada o Senhor lhes garante a infalibilidade por três vezes, segundo narra São João, testemunha ocular daqueles acontecimentos. Jesus começa dizendo aos Apóstolos:
“Eu rogarei ao Pai e Ele vos dará um outro Advogado, para que fique eternamente convosco. É o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós”(Jo 14,16-17).

Que garantia maior de infalibilidade Jesus poderia ter dado à Sua Igreja, do que deixar nela o Seu próprio Espírito, que Ele chama de Espírito da Verdade? Se Ele permanecerá com a Igreja, “eternamente”, como ela poderia errar em matérias essenciais à nossa salvação?

É preciso notar que Jesus disse que o Espírito Santo seria dado “para que fique eternamente convosco.” E garantiu ainda que Ele ficaria com a Igreja e estaria na Igreja. “Permanecerá convosco e estará em vós.”

Para aceitarmos que a Igreja tenha errado o caminho da verdade, como quiseram Lutero e seus seguidores, depois de 1517 anos, seria preciso antes concordar que o Espírito Santo, “o Espírito da Verdade”, tenha abandonado a Igreja. Mas isto jamais poderia ter acontecido, pois Ele foi dado para ficar “eternamente convosco”.

As promessas de Jesus para a Sua Igreja são infalíveis, porque Jesus não é um farsante e nem um mentiroso. Naquela hora memorável que antecedia a Sua paixão, Ele não estava brincando com os seus Apóstolos e com a Sua Igreja. Ele se despedia dela com as suas últimas e mais importantes promessas, para em seguida sofrer, por amor a ela, a sua dolorosa paixão.

Infelizmente o orgulho e a soberba espiritual cegam os olhos da alma e não deixam que suas vítimas enxerguem essa verdade. Em que pese os pecados dos seus filhos, mesmo assim, a Igreja jamais perdeu o domínio da verdade. (Professor Felipe Aquino – Formação Canção Nova)

 

Leia Também:

Dos ramos ao madeiro – Parte III

Dos Ramos ao madeiro – 3/5

5370113203_b66d531a84

Não era a primeira vez que Judas de Kerioth (Iscariotes) se encontrava com Anás, sacerdote proeminente no Sinédrio e genro de Caifás o sumo sacerdote. Em todos os outros encontros sempre tiveram a presença de mais 2 ou 3 escribas. Qual não foi sua surpresa ao deparar-se com o próprio Caifás acompanhado de Anás e mais 8 sacerdotes. Finalmente Judas entendeu que não se tratava apenas de antipatia contra o homem que ele chamava de mestre, era algo maior. Teve também certeza de que o plano que traçava em paralelo daria certo e a surpresa seria de Caifás e dos romanos com a revolta que se seguiria a prisão de Jesus.

O sumo sacerdote queria que Judas dissesse onde estava o profeta imediatamente,  mas Judas protelou dizendo que escolheria a melhor hora. Na verdade ele não sabia onde celebrariam a Páscoa por isso achou melhor obter tal informação. O preço desta traição seriam 30 moedas de prata. E após esta conversa rápida , Judas partiu apressadamente deixando os sacerdotes ansiosos.

Pedro e João por sua vez, pediram a casa de uma família de amigos para que pudessem celebrar a páscoa junto com Jesus , os discípulos e a família acolhedora. Esta família tinha uma boa situação financeira e a história iria revelar no futuro um apóstolo, na verdade um evangelista. Mas naqueles dias ainda era uma criança chamada João Marcos.

Pilatos mantinha suas tropas em alerta pois nesta época sempre apareciam pessoas para causar algum tipo de tumulto. Caifás e um pequeno grupo de sacerdotes já tinham ido até sua residência reclamar de um homem, que segundo eles pregava contra Roma. Pilatos não deu muita atenção já que sempre era importunado por este tipo de reclamação.

Eucaristia-ceia-do-senhor-santa-ceia

Era o mês de Nisã (no hebraico נִיסָן,) vésperas da celebração do Pessach, a Páscoa Judaica (do hebraico פסח, que significa passar por cima ou passar por alto), uma das festividades mais importantes dos judeus, também conhecida como “Festa da Libertação”, que celebra a libertação dos Hebreus da escravidão no Egito em 14 de Nisã no ano aproximado de 1440 a.C , liderados por Moisés. Seria mais uma celebração comum, nenhum dos discípulos tinha ideia de como as coisas mudariam radicalmente, e nunca mais a palavra Páscoa teria o mesmo significado.

A noite começava a despontar quando os discípulos, Maria mãe de Jesus, Maria Madalena e outra Maria, mais Jesus chegaram a casa onde celebrariam o Pessach. Tudo já havia sido preparado de antemão. seria uma bela celebração e nestes 3 últimos anos, seria a primeira celebrada em plena Jerusalém. Havia ansiedade, apreensão, felicidade e medo no ar. Mas ainda assim Jesus iniciou a celebração. Antes de mais nada resolveu lavar os pés de cada um dos apóstolos. Pedro não queria aceitar pois achava desconcertante ver seu mestre fazer um ato de extrema humildade. Mas Jesus explicou o porque fazia aquilo, falando que todos devemos também saber ser humildes. E após isso deu-se inicio a ceia propriamente dita.

Milton Cesar

Poucas horas antecediam o momento da última ceia de Jesus, e existia sim uma certa tensão no ar. Mas em meio a isso, ele manteve-se calmo e ainda deu vários sinais de como o amor ao próximo é o mandamento maior. A humildade de Jesus é evidente e ele tenta passar este ensinamento aos seus discípulos. Dá para perceber como havia dificuldade de entendimento por boa parte deles. Pedro sempre questionava algumas coisas e assim ia “tirando suas dúvidas”, outros ficavam mais quietos, talvez maravilhados pelos prodígios ou receosos de contrariar o mestre. Mas de certo, o que havia era um laço muito forte entre todos, mesmo que quase nenhum estivesse preparado para o que ainda estava por vim.

Jesus-lava-os-pés

“São João, 13, 1-17

1.Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo ao Pai, como amasse os seus que estavam no mundo, até o extremo os amou. 2.Durante a ceia, – quando o demônio já tinha lançado no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de traí-lo -, 3.sabendo Jesus que o Pai tudo lhe dera nas mãos, e que saíra de Deus e para Deus voltava, 4.levantou-se da mesa, depôs as suas vestes e, pegando duma toalha, cingiu-se com ela. 5.Em seguida, deitou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido. 6.Chegou a Simão Pedro. Mas Pedro lhe disse: Senhor, queres lavar-me os pés!… 7.Respondeu-lhe Jesus: O que faço não compreendes agora, mas compreendê-lo-ás em breve. 8.Disse-lhe Pedro: Jamais me lavarás os pés!… Respondeu-lhe Jesus: Se eu não tos lavar, não terás parte comigo. 9.Exclamou então Simão Pedro: Senhor, não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça. 10.Disse-lhe Jesus: Aquele que tomou banho não tem necessidade de lavar-se; está inteiramente puro. Ora, vós estais puros, mas nem todos!… 11.Pois sabia quem o havia de trair; por isso, disse: Nem todos estais puros. 12.Depois de lhes lavar os pés e tomar as suas vestes, sentou-se novamente à mesa e perguntou-lhes: Sabeis o que vos fiz? 13.Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou. 14.Logo, se eu, vosso Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar-vos os pés uns aos outros. 15.Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, assim façais também vós. 16.Em verdade, em verdade vos digo: o servo não é maior do que o seu Senhor, nem o enviado é maior do que aquele que o enviou. 17.Se compreenderdes estas coisas, sereis felizes, sob condição de as praticardes.”
São João, 13 – Bíblia Católica Online

 

 

Pessach 

917515599217286

Acontece que o Pessach celebrado durante a última ceia ocorreu às vésperas da crucificação e ressurreição de Cristo, então as duas festividades acabaram se interligando. E não é só isso: o ano litúrgico judaico não serve de base apenas para as festividades dos judeus, mas para as dos cristãos também, determinando o dia daquelas celebrações sem data fixa, que variam de acordo com eventos astronômicos.

Mas apesar de a festa cristã ter a sua origem na festa judaica, as duas têm significados diferentes. Assim, enquanto o Pessach marca a libertação do povo judeu no Egito, a Páscoa cristã representa a libertação de todos que estavam separados de Deus devido aos seus pecados, que foram perdoados através da morte e ressurreição de Jesus.

  • A celebração dessa festividade dura entre sete e oito dias, dependendo do país;
  • No início do Pessach, ocorre um jantar cerimonial — chamado Seder — cheio de simbolismos, no qual famílias e amigos se reúnem para comemorar;
  • O prato do Seder consiste em um ovo cozido, osso com carne tostado de cordeiro, hortaliças amargas (como a escarola, por exemplo), vegetais mergulhados em água com sal, salsão e um purê feito de uma mistura de maçã, pera, nozes e vinho;
  • Na véspera do Seder, todos os primogênitos devem fazer jejum para relembrar a salvação de todos os primogênitos israelitas que sobreviveram às pragas do Egito.

Leia mais em Site Mega Curioso

 

tabela-271

Calendário Judeu

O primeiro mês do calendário judaico é o mês de Nisã (Nisan, Nissan – Março / Abril), quando se celebra a Páscoa. O ano novo judaico, porém, ocorre em Tishrei (Setembro / Outubro).

Diferentemente do Gregoriano, é baseado no movimento lunar, onde a cada lua nova temos um novo mês. Cada ciclo lunar dura aproximadamente 29 dias e 12 horas e os meses judaicos variam entre 29 e 30 dias, como também ocorre no calendário Gregoriano, onde há meses com 28,29,30 e 31 dias.

A duração do ano judaico varia entre 353 e 355 dias, ficando geralmente com 354 dias, ou seja, cerca de onze dias a menos. Para compensar esta diferença, de tempos em tempos é acrescido ao calendário judaico um mês inteiro, representado pelo mês de Adar II, que é um mês embolísmico. É por isso que o calendário judaico tem um mês a mais a cada três anos, que é quando a diferença dos onze dias formam cerca de um mês. É preciso um período de 19 anos para “ajustar” o Ano Lunar e o Ano Solar, para que ambos comecem exatamente ao mesmo tempo, sem defasagem.

Desta forma o calendário judaico está dividido em ciclos de dezenove anos. Em cada período, ou ciclo, há sete anos embolísmicos: o 3º, 6º, 8º, 11º, 14º, 17º e 19º. Assim, torna-se fácil descobrir se um ano judaico qualquer é embolísmico, ou seja, quando haverá 13 meses no ano. Divide-se o ano judaico por 19; se o resto for 3, 6, 8, 11, 14, 17 ou zero, este será um Ano Embolísmico.

Tomemos o ano de 5768, equivalente ao Gregoriano 2008: dividindo-se 5768 / 19, temos um resultado de 303, sobrando um resto de 11. Significa que é o 11º ano do 304º ciclo desde a Criação do mundo, tendo sido 5.768 (2008), portanto, um ano embolísmico, ano com 13 meses.

 

 

 

Dos ramos ao madeiro – Parte II

Dos ramos ao madeiro – 2/5

Era o segundo dia da semana quando Jesus voltou para Jerusalém, desta vez sem a entrada mais triunfal, os ramos e as saudações como rei. Logo ele e seus discípulos estavam no Templo, e Jesus expulsava os vendedores que faziam comércio às portas da casa de Deus.
Ainda naquele dia ele curou todo tipo de doentes que literalmente o haviam rodeado acreditando em todas as histórias de prodígios realizados por ele que a muito circulavam por toda a Palestina. Viram que tudo era verdade e o número de curas foi tão grande que foi impossível segurar as notícias que ecoaram por toda a Jerusalém e iriam ecoar por toda a Judéia.
Jerusalém estava cheia e a previsão de um maior número de peregrinos para a Páscoa se confirmava.
Foi nesse cenário que um grande séquito romano liderado por Pilatos adentrou a cidade e se dirigiu a Fortaleza Antônia afim de reforçar o contingente da cidade e controlar a população nesta época sempre tensa.
Os zelotes se agitavam desejando a todo custo promover uma rebelião contra Roma. Já não acreditavam que Jesus de Nazaré iria convocar a revolta, mas estavam sem um líder pois Barrabás estava preso já a alguns meses. Restava a esperança de que o plano de Judas Iscariotes fosse dar certo. Mas tudo era uma incógnita.

1183

Moeda mostrando a face de Tibério no anverso e a Pax no reverso.

Enquanto isso, no decorrer da semana Jesus se manteve nos arredores do Templo, pregando, curando ou sendo questionado pelos sacerdotes do Sinédrio. Foi questionado se o povo deveria pagar tributos a Roma, numa tentativa dos fariseus de colocá-lo contra o Império ou contra o povo dependendo da resposta. E Jesus pegando um denário romano (conhecido como a moeda do tributo) onde estava prensado o rosto do imperador com a inscrição :” Ti[berivs] Caesar Divi Avg[vsti] F[ilivs] Avgvstvs (“César Augusto Tibério, filho do Divino Augusto“). ”  perguntou de quem era a efígie impressa e com resposta do povo de que a face era de César, ele disse: “- De a César o que é de César e a Deus o que é de Deus .  (Mc 12, 13-17), Mt 22, 15-22Lc 20,20-26).


Num desses dias em que pregava em uma praça cercado por um grande grupo, ouviu-se uma confusão de gritos e de repente um mulher foi atirada a seus pés e acusada de adultério. Um dos acusadores era Saduceu e tinha um pequeno grupo com ele, incluindo sacerdotes que evocaram a lei de Moisés para que ela fosse apedrejada pelo pecado cometido. A multidão se agitou, muitos pegaram pedras. Jesus ficou calmo. Olhou para os olhos da mulher. Abaixou-se e escreveu algo no chão. Depois de uns minutos declarou:
“- Aquele dentre vós que não tiverem nenhum pecado, atire a primeira pedra.”
Por minutos que pareceram horas o silêncio imperou no ar. Um a um dos que tinham pegado pedras se retiraram. E Jesus se dirigiu a mulher, dando as mãos para ela e ajudando-a erguer-se disse:
“-Se eles não te condenam eu também não te condenarei. Vai. Mas não peque mais!”
A mulher se foi agradecendo com lágrimas. (Jo 8, 1-11)
E Jesus voltou a pregar até que mais uma noite despontava. E ele pediu a alguns discípulos que fossem até a casa de um já conhecido de todos e dissessem que ele e seus discípulos queriam fazer a ceia de Páscoa naquela casa. E assim começavam os preparativos para a ceia. Pedro sentiu um calafrio que percorreu seu corpo, ele não imaginava o que aconteceria nos próximos 4 dias.

Milton Cesar

Foram muitos os acontecimentos nestes dias em que Jesus, seus discípulos e seus seguidores estavam em Jerusalém,  todos muito significativos como as constantes visitas ao Templo e também as inúmeras curas realizadas. Também foram contadas muitas parábolas. Parecia (e era isso mesmo) que Jesus estava compressa de realizar o máximo possível no tempo que ainda lhe restava aqui na Terra. O momento máximo da sua missão já se prenunciava no horizonte e ele não poderia evitar  Mas ao menos poderia curar e tentar mostrar a todos qual o caminho a seguir. Muitos dos discípulos ainda vacilavam ou não entendiam tudo o que o Mestre ensinava e qual papel eles teriam após a sentença deixada por ele se cumprisse: Derrubarei este templo e o reconstruirei em 3 dias. O que muitos percebiam era como o ambiente da como o ambiente da cidade se tornava hostil, com o Sinédrio tentando provar que Jesus era um herege ou um conspirador contra Roma, também com tantos Zelotes tentando a todo custo usar Jesus como massa de manobra e começarem uma rebelião. Mas em meio a tudo isso o perdão de uma mulher acusada de cometer adultério provou que a partir daquele momento o verdadeiro mandamento seria o do amor, e amor sugere saber perdoar e amar o próximo. Aproximava-Se ainda mais o momento de Jesus se tornar o Cristo.

Milton Cesar

 

mulher-adultera

Evangelho segundo São  João, 8, 1-16

1.Dirigiu-se Jesus para o monte das Oliveiras. 2.Ao romper da manhã, voltou ao templo e todo o povo veio a ele. Assentou-se e começou a ensinar. 3.Os escribas e os fariseus trouxeram-lhe uma mulher que fora apanhada em adultério. 4.Puseram-na no meio da multidão e disseram a Jesus: Mestre, agora mesmo esta mulher foi apanhada em adultério. 5.Moisés mandou-nos na lei que apedrejássemos tais mulheres. Que dizes tu a isso? 6.Perguntavam-lhe isso, a fim de pô-lo à prova e poderem acusá-lo. Jesus, porém, se inclinou para a frente e escrevia com o dedo na terra. 7.Como eles insistissem, ergueu-se e disse-lhes: Quem de vós estiver sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra. 8.Inclinando-se novamente, escrevia na terra. 9.A essas palavras, sentindo-se acusados pela sua própria consciência, eles se foram retirando um por um, até o último, a começar pelos mais idosos, de sorte que Jesus ficou sozinho, com a mulher diante dele. 10.Então ele se ergueu e vendo ali apenas a mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão os que te acusavam? Ninguém te condenou? 11.Respondeu ela: Ninguém, Senhor. Disse-lhe então Jesus: Nem eu te condeno. Vai e não tornes a pecar. 12.Falou-lhes outra vez Jesus: Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida. 13.A isso, os fariseus lhe disseram: Tu dás testemunho de ti mesmo; teu testemunho não é digno de fé. 14.Respondeu-lhes Jesus: Embora eu dê testemunho de mim mesmo, o meu testemunho é digno de fé, porque sei de onde vim e para onde vou; mas vós não sabeis de onde venho nem para onde vou. 15.Vós julgais segundo a aparência; eu não julgo ninguém. 16.E, se julgo, o meu julgamento é conforme a verdade, porque não estou sozinho, mas comigo está o Pai que me enviou.”
São João, 8 – Bíblia Católica Online

A César o que é de César é começo de uma frase atribuída a Jesus nos evangelhos sinóticos, onde se lê «Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.» (Mateus 22,21) (em gregoἈπόδοτε οὖν τὰ Καίσαρος Καίσαρι καὶ τὰ τοῦ Θεοῦ τῷ Θεῷ). O episódio aparece em Marcos 12Mateus 22  e Lucas 20. A frase, amplamente citada, se tornou uma espécie de resumo da relação entre o cristianismo e a autoridade secular. Na mensagem original, ela apareceu como resposta a uma questão sobre se seria lícito para um judeu pagar impostos a César e dá margem a múltiplas interpretações sobre em que circunstâncias seria desejável para um cristão se submeter à autoridade terrena.

roman-tribute-coin

A moeda

O texto identifica a moeda como um denário (em gregoδηνάριον – dēnarion) e geralmente se acredita que seria portanto um denário romano com a éfige de Tibério, que passou a ser conhecida como “moeda do tributo” e se tornou, por conta da história do evangelho, um cobiçado item para colecionadores. A inscrição é Ti[berivs] Caesar Divi Avg[vsti] F[ilivs] Avgvstvs (“César Augusto Tibério, filho do Divino Augusto“). O reverso mostra uma figura feminina, geralmente identificada como sendo Lívia, representada como sendo a Pax.

Porém, já se sugeriu que o denário não era comumente encontrado na Judeia durante a vida de Jesus e que a moeda poderia ser, ao invés dele, uma tetradracma antioquiana, que também traz a éfige de Tibério, mas com Augusto no reverso. Outra sugestão comum é o denário de Augusto com Caio César e Lúcio César no reverso, enquanto que outras possibilidades incluem moedas de Júlio CésarMarco Antônio e Germânico.

No episódio do Evangelho Apócrifo de Tomé, a moeda, por sua vez, é de ouro.

Resistência ao pagamento de impostos na Judeia

Os impostos criados na Judeia por Roma criaram inúmeros conflitos. O estudioso do Novo Testamento, Willard Swartley, escreveu: “O imposto referido no texto era um específico… Era um imposto por cabeça instituído em 6 d.C. Um censo realizado na época (vide Lucas 2,2) para determinar quais os recursos dos judeus provocou a revolta por todo o país. Judas da Galileia liderou um grupo (Atos 5,37) que só foi detido com dificuldade. Muitos acadêmicos marcam o início do movimento dos zelotes neste evento”.

Enciclopédia Judaica afirma, sobre os zelotes: “Quando, no ano V,  Judas de Gamala, na Galileia, iniciou a sua oposição organizada contra Roma, ele recebeu o apoio de um dos líderes fariseus, Zadoque, um discípulo de Shammai e um dos mais furiosos patriotas e heróis populares que viveram para testemunhar a destruição de Jerusalém… A realização do censo por Quirino, o procurador romano, com o objetivo de taxar a população, foi considerado como um sinal da escravidão frente aos romanos; e o chamado entusiástico dos zelotes para a resistência renhida foi recebido de forma retumbante”. Em seu julgamento de Jesus por Pôncio Pilatos, Jesus foi acusado de promover a resistência aos impostos demandados por César (Lucas 23,1-4).   Extraído de parte do texto da Wikipedia 

Dos ramos ao madeiro (Parte I)

Dos ramos ao madeiro 1/5

A decisão de voltar a cidade luz nunca agradou Pedro.

Um clima de desconfiança e um temor tomava conta dele, mesmo tendo seguido o seu mestre por mais de 3 anos. Mesmo tendo visto e vivido prodígios quase inimagináveis. Parecia que a muito eles haviam superado os limites e testado a paciência dos Romanos e do Sinédrio ao máximo. O que aconteceria a seguir?

Muitos seguidores de Cristo o acompanhavam, mas no intimo apenas um pequeno número de 12 homens, mais a mãe do mestre, Maria de Magdala e algumas poucas mulheres se faziam presentes. Mais particularmente ainda eram os 12 seguidores, os 12 discípulos. E Pedro era um dos mais velhos, um dos primeiros e aquele que ganhou o nome de Kefas (Pedra) e a profecia que ele não entendia bem, de que algo seria construído sobre ele.

Eles estavam a quase uma semana em Betânia, quando Jesus pediu que Judas de Kerioth e Bartolomeu fossem a aldeia que estava a frente e buscassem um jumentinho que nunca havia sido montado e este animal estava amarrado próximo a uma estrebaria. Judas perguntou quanto deveria pagar pelo animal, mas Jesus disse que informasse o dono que ele precisava do animal e que o devolveria logo. Então os dois saíram nesta missão.

Pedro, João e Tiago tentaram demover o mestre da ideia de ir para Jerusalém, lembrando que as pessoas queriam matá-lo na cidade. Queriam ficar em Betânia pois faltava apenas 6 dias para a Páscoa (Pessach) e Jerusalém estaria lotada.

Jesus não aceitou a sugestão e preferiu ir para Jerusalém assim mesmo.

quaresma 3

Poucas horas depois chegavam os dois discípulos e o jumentinho e Jesus se colocava a caminho de Jerusalém, acompanhado de seus discípulos, as mulheres e alguns seguidores que ainda estavam impressionados pela ressurreição recente de Lázaro (milagre este realizado por Jesus a menos de uma semana).

Por precaução Pedro colocou a espada na bainha.

Judas foi na frente.

Pedro pensava em como as coisas mudaram desde aquele dia que Jesus pediu que ele é seu irmão jogassem novamente as redes para conseguirem pescar, sendo que até aquele momento eles nada haviam pescado. E como foi surpreendente quando as redes vieram abarrotadas de peixes. Desde aquele convite para acompanhar ele é se tornar pescador de homens.
Parte do medo de Pedro se dava pelo resultado da última visita de Jesus e seus discípulos a cidade sagrada onde a multidão hostilizou o Mestre pois este anunciara ser o filho de Deus ao dizer: “Eu e o Pai somos um só. “
E a sua pregação era de paz. O que muitos esperavam naquele dia da Festa de Hanukà (chamada Festa da Dedicação que rememorava a vitória de Macabeu) era que Jesus convocasse uma insurreição contra os romanos, no tom daquela que o líder zelote Jesus Bar-Abba (Barrabás) convocava antes de ser preso. Como isso não aconteceu muitos queriam apedrejar Jesus pelo que eles consideraram blasfêmia.

ressureição de Lázaro

Lázaro ressuscitado

Mas depois disso muitas coisas aconteceram em quase 3 meses. Foram escolhidos 70 seguidores para saírem pela Judéia e expulsarem demônios e curarem pessoas em nome de Deus.
Também foram para Betânia onde Jesus ressuscitou seu amigo Lázaro, irmão de Marta e Maria.
NA sexta-feira 31 de Março, enquanto Marta servia a mesa para Jesus e seus discípulos, Maria lavou os pés de Jesus com um perfume caro e enxugou os pés com seus cabelos, para o protesto de Judas de Kerioth (Judas Iscariotes).
Mas tudo isso ficou no passado, mesmo recente, agora Pedro observava a aproximação da cidade. Conforme Jesus se aproxima de Jerusalém, ele olha para a cidade e chora por ela (no evento conhecido como em latimFlevit super illam), já prevendo o sofrimento a que passará a cidade
Era 2 de abril quando uma balbúrdia foi ouvida na entrada leste da cidade. Um homem montado num jumento adentrava os muros saudado por um grande grupo de cidadãos que erguiam ramos para felicita-lo e estendiam panos para que ele passasse. Jesus chegou à cidade e, ali, o povo retirou também suas capas e as jogou à sua frente, juntamente com ramos de palmeiras. O povo cantou parte do Salmo 117: “Senhor, dai-nos a salvação; dai-nos a prosperidade, ó Senhor! Bendito seja o que vem em nome do Senhor! Da casa do Senhor nós vos bendizemos.” (Sl 117, 25-26)
Os membros do Sinédrio entraram em pânico. Este homem era saudado como um rei. Este povo tinha visto Jesus ressuscitar Lázaro de Betânia havia poucos dias e estava maravilhado, pois tinha a certeza de que este era o Messias anunciado pelos profetas, mas esse mesmo povo tinha se enganado no tipo de Messias que Cristo era. Pensava que fosse um Messias político, libertador social, que fosse arrancar Israel das garras de Roma e devolver-lhe o apogeu dos tempos de Salomão.
Jesus atravessou a cidade já lotada pela aproximação da Festa da Páscoa, desmontou do jumentinho e adentrou o Templo seguido pelos seus discípulos. Alguns olhavam desconfiados, outros admirados.
Alguns pareciam esperar um milagre ou uma pregação, mas ele limitou-se a visitar o local demoradamente. Essa visita demorou todo o restante do dia. O sol começava a se por num crepúsculo lindo, quando Jesus anunciou a seus discípulos que voltaria a Betânia.
Nada aconteceu, nenhum prodígio e assim eles partiram.

Milton Cesar

IMG_4075

Maquete da cidade de Jerusalém nos tempos de Jesus

Infelizmente, o louvor que o povo derramou sobre Jesus não foi porque o reconheceram como o seu Salvador do pecado. Eles o saudaram devido ao seu desejo por um libertador messiânico, alguém que iria guiá-los a uma revolta contra Roma. Havia muitos que, embora não cressem em Cristo como Salvador, ainda esperavam que talvez Jesus seria para eles um grande libertador temporal. Estes são os que o saudaram como Rei com seus muitos hosanas, reconhecendo-o como o Filho de Davi que veio em nome do Senhor. Mas quando Jesus falhou em atender às suas expectativas, quando se recusou a guiá-los em uma grande revolta contra os ocupantes romanos, as multidões rapidamente se voltaram contra Ele. Dentro de poucos dias, os hosanas se transformariam em gritos de “Crucifica-o!” (Lucas 23, 20-21). Aqueles que o saudaram como um herói em breve iriam rejeitar e abandoná-lo.

images

Maria enxuga os pés de Jesus com seus cabelos

Nota:

Em Marcos e João, a entrada ocorre num domingo, com Mateus e Lucas não especificando a data. Nos evangelhos sinóticos, este episódio é seguido da Segunda limpeza do Templo e, nos quatro evangelhos, Jesus realiza vários milagres e conta diversas parábolas em Jerusalém até o dia da Última ceia.

Os cristãos celebram a entrada de Jesus em Jerusalém no Domingo de Ramos, que ocorre uma semana antes do Domingo de Páscoa.

Salmo 117

“1.Aleluia. Louvai ao Senhor, porque ele é bom; porque eterna é a sua misericórdia. 2.Diga a casa de Israel: Eterna é sua misericórdia. 3.Proclame a casa de Aarão: Eterna é sua misericórdia. 4.E vós, que temeis o Senhor, repeti: Eterna é sua misericórdia. 5.Na tribulação invoquei o Senhor; ouviu-me o Senhor e me livrou. 6.Comigo está o Senhor, nada temo; que mal me poderia ainda fazer um homem? 7.Comigo está o Senhor, meu amparo; verei logo a ruína dos meus inimigos. 8.Mais vale procurar refúgio no Senhor do que confiar no homem. 9.Mais vale procurar refúgio no Senhor do que confiar nos grandes da terra. 10.Ainda que me cercassem todas as nações pagãs, eu as esmagaria em nome do Senhor. 11.Ainda que me assediassem de todos os lados, eu as esmagaria em nome do Senhor. 12.Ainda que me envolvessem como um enxame de abelhas, como um braseiro de espinhos, eu as esmagaria em nome do Senhor. 13.Forçaram-me violentamente para eu cair, mas o Senhor veio em meu auxílio. 14.O Senhor é minha força, minha coragem; ele é meu Salvador. 15.Brados de alegria e de vitória ressoam nas tendas dos justos: 16.a destra do Senhor fez prodígios, levantou-me a destra do Senhor; fez maravilhas a destra do Senhor. 17.Não hei de morrer; viverei para narrar as obras do Senhor. 18.O Senhor castigou-me duramente, mas poupou-me à morte. 19.Abri-me as portas santas, a fim de que eu entre para agradecer ao Senhor. 20.Esta é a porta do Senhor: só os justos por ela podem passar. 21.Graças vos dou porque me ouvistes, e vos fizestes meu Salvador. 22.A pedra rejeitada pelos arquitetos tornou-se a pedra angular. 23.Isto foi obra do Senhor, é um prodígio aos nossos olhos. 24.Este é o dia que o Senhor fez: seja para nós dia de alegria e de felicidade. 25.Senhor, dai-nos a salvação; dai-nos a prosperidade, ó Senhor! 26.Bendito seja o que vem em nome do Senhor! Da casa do Senhor nós vos bendizemos. 27.O Senhor é nosso Deus, ele fez brilhar sobre nós a sua luz. Organizai uma festa com profusão de coroas. E cheguem até os ângulos do altar. 28.Sois o meu Deus, venho agradecer-vos. Venho glorificar-vos, sois o meu Deus. 29.Dai graças ao Senhor porque ele é bom, eterna é sua misericórdia.
Salmos, 117 – Bíblia Católica Online ((118 Em algumas Bíblias por causa da numeração Hebraica))