Feliz Ano Novo em Cristo

Formação: Ano Litúrgico

O admirabile commercium! Creator generis humani, anima corpus sumens, de Virgine nasci digna tus est; et procedens homo sine semine, largitus est nobis suam deitatem.

christmas-jesus-birth-celebration-1451015165_835x547

O Ano Litúrgico de 2019 acabou e se inicia um novo ano no dia 1 de dezembro com o Primeiro Domingo do Advento. Será o Ano A (Mateus), ou seja a grande maioria das leituras do ano será tirada do Evangelho de Mateus.

Vale dizer que o ano B é o Evangelho de Marcos e o ano C é o Evangelho de Lucas. Já o Evangelho de São João é reservado para as ocasiões especiais, principalmente as grandes Festas e Solenidades. Para este Evangelho não existe um Ano Litúrgico.

Pela tradição este é o dia correto para se montar a sua árvore de Natal e decorar sua casa. Para quem é católico pelo menos. Infelizmente as pessoas seguem o que diz os shoppings e as propagandas e começam a decorar suas casas para o Natal ainda em novembro. É pecado? Não. Apenas demonstra que está faltando mais atenção nas missas e talvez você não tenha feito uma boa catequese. Na melhor das hipóteses você se esqueceu do que aprendeu (acho difícil).

Pois bem o Advento é a preparação para o nascimento de Jesus (a memória). São 4 domingos em que a igreja se prepara de maneira especial para a segunda grande celebração do ano litúrgico: o nascimento de Jesus. A primeira é a Imaculada Conceição de Nossa Senhora (8 de dezembro).

O Advento também marca o início do novo ano da igreja Católica. Em 2019 foi no dia 1º de dezembro, em 2020 será em 29 de novembro, sempre quatro domingos antes do dia 25 de dezembro.

O ano civil continua e só termina no dia 31 de dezembro, e as pessoas comemoram muitas vezes enlouquecidamente. Pior, a maioria são católicos que não percebem que o nosso novo ano já se iniciou.

A maioria das grandes religiões tem uma data especifica para marcar o início do ano. Os judeus comemoram o  , os indianos o , budistas , muçulmanos  .

Com o início do Advento também se inicia o Ano Litúrgico, que são ciclos dentro da igreja para se rezar e evangelizar através da Palavra de Deus. Sendo que estes ciclos são divididos entre: Tempo do Advento, Tempo do Natal, Primeira Parte do Tempo Comum, Tempo da Quaresma, Tempo Pascal e Segunda Parte do Tempo Comum. O ano litúrgico termina com a Festa de Cristo Rei.

Interessante se pensar que o ano litúrgico começa logo com Maria, mãe de Jesus. “Ao celebrar o ciclo anual dos mistérios de Cristo, a santa Igreja venera com particular amor a bem-aventurada mãe de Deus, Maria, que por um vínculo indissolúvel está unida à obra salvífica de seu Filho; em Maria a Igreja admira e exalta o mais excelente fruto da redenção e a contempla com alegria como puríssima imagem do que ela própria anseia e espera ser em sua totalidade. ” (CIC 1172)

A preparação para a vinda de Jesus atravessou séculos e foi preparada de tal maneira por Deus, que cada fato na história da fé está intimamente ligada ao ápice do nascimento de Jesus. (Vide CIC 522-524).

Até mesmo a cena do nascimento numa manjedoura e numa família pobre mostra muita coisa, abre e deixa claro que a salvação é para todos e mesmo os mais humildes e pobres serão agraciados. “Tornar-se criança” em relação a Deus é a condição para entrar no Reino; para isso é preciso humilhar-se, tornar-se pequeno; mais ainda: é preciso “nascer do alto” (Jo 3,7), “nascer de Deus” para tornar-nos filhos de Deus. O mistério do Natal realiza-se em nós quando Cristo “toma forma” em nós. (CIC 525-526).

Então não é um tempo sem sentido, e a preparação deve ser ainda mais intensa.

Geralmente são realizadas novenas natalinas nas casas e assim a igreja sai do seu ponto estático (o Templo) e leva esta palavra as casas dos fiéis. Penetra nas famílias levando o Advento também para os lares. Muito como um convite a vir visitar a casa de Jesus, ou melhor, visitar e esperar o nascimento do Senhor. Assim como a estrela guiou os reis pelo deserto, as novenas e principalmente os domingos do Advento são o brilho desta estrela que repousará sobre cada um e também sobre a manjedoura que acolhe o próprio Deus encarnado como homem.

Então Feliz Ano Novo cristão.

E descubra todo o significado do Advento participando das Missas e abrindo sua casa para as novenas de Natal. O que você chama de Espírito Natalino é nada mais, nada menos que a acolhida da Sagrada Família à espera da memória do nascimento de Jesus.

ano-liturgico-ciclo

Como é Calculado o Ano Litúrgico?

Muito simples, apenas somando os algarismos do ano. Para se determinar qual é o Ano A, B ou C, procede-se da maneira seguinte: Pela letra C, designa-se o ano cujo número for divisível por três, como se o ciclo começasse no primeiro ano da contagem cristã. Deste modo, o Ano 1 teria sido o Ano A, o Ano 2 o Ano B, o Ano 3 o Ano C, e os Anos 6, 9, 12… novamente o Ano C. O ano em que a soma dos algarismos for um número múltiplo de 3 é do ciclo C.

Seguindo este critério temos: 2017 = 2+0+1+7= 10 (9, múltiplo de 3, + 1), portanto, foi Ano A. O ano seguinte, 2018, logicamente, Ano B. E o ano litúrgico de 2019 será o ano C, por ser múltiplo de 3. Não existe erro! É fácil.

É evidente que cada ciclo se desenvolve conforme a estrutura do ano litúrgico, isto é, a partir da primeira semana do Advento, que ocorre no ano civil anterior.

“As leituras Bíblicas que ocorrem nas celebrações, caracterizam-se com o chamado Ano Litúrgico, criado para acompanharmos através das leituras dos textos bíblicos (Evangelho e outros livros), a vida de Jesus em ordem cronológica do nascimento até a ascensão aos céus. Assim, ouvimos nas celebrações textos que falam do anúncio do Messias, da encarnação, de seu ministério público com milagres, do chamado ao discipulado, discursos, parábolas até culminarmos com Sua morte e ressurreição nos preparando para a Parusia, ou seja, do Cristo Rei do Universo no final do ano litúrgico.

Ano Litúrgico passa por três ciclos, também chamado de anos A, B, C. Em cada ano tem uma sequência de leituras próprias, ou seja, leituras para o ano A, para o ano B e para o ano C. A ideia desta distribuição de textos bíblicos ao longo de três anos tem como objetivo se ter uma visão e leitura de toda a Bíblia.” (trecho de texto do site Rumo a Santidade)

Constituição Sacrosanctum Concilium determinou:

«Prepare se para os fiéis, com maior abundância, a mesa da Palavra de Deus: abram se mais largamente os tesouros da Bíblia, de modo que, dentro de um período de tempo estabelecido, sejam lidas ao povo as partes mais importantes da Sagrada Escritura»

cesar-nome

 

 

Tempo do Natal (Catecismo da Igreja Católica)

522 A vinda do Filho de Deus à terra é um acontecimento de tal imensidão que Deus quis prepará-lo durante séculos. Ritos e sacrifícios, figuras e símbolos da “Primeira Aliança”, tudo ele faz convergir para Cristo; anuncia-o pela boca dos profetas que se sucedem em Israel. Desperta, além disso, no coração dos pagãos a obscura expectativa desta vinda. (Parágrafos relacionados: 711,762)

523 São João Batista é o precursor imediato do Senhor, enviado para preparar-lhe o caminho.

“Profeta do Altíssimo” (Lc 1,76), ele supera todos os profetas, deles é o último, inaugura o Evangelho; saúda a vinda de Cristo desde o seio de sua mãe e encontra sua alegria em ser “o amigo do esposo” (Jo 3,29), que designa como “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29). Precedendo a Jesus “com o espírito e o poder de Elias” (Lc 1,17), dá-lhe testemunho por sua pregação, seu batismo de conversão e, finalmente, seu martírio. (Parágrafos relacionados: 712,720)

524 Ao celebrar cada ano a liturgia do Advento, a Igreja atualiza esta espera do Messias: comungando com a longa preparação da primeira vinda do Salvador, os fiéis renovam o ardente desejo de sua Segunda Vinda. Pela celebração da natividade e do martírio do Precursor, a Igreja se une a seu desejo: “É preciso que Ele cresça e que eu diminua” (Jo 3,30). (Parágrafo relacionado: 1171)

O MISTÉRIO DO NATAL

525 Jesus nasceu na humildade de um estábulo, em uma família pobre; as primeiras testemunhas do evento são simples pastores. É nesta pobreza que se manifesta a glória do Céu. A Igreja não se cansa de cantar a glória dessa noite: Hoje a Virgem traz ao mundo o Eterno. (Parágrafos relacionados: 437,2443)

E a terra oferece uma gruta ao Inacessível.

Os anjos e os pastores o louvam

E os magos caminham com a estrela.

Pois Vós nascestes por nós, Menino, Deus eterno!

526 “Tornar-se criança” em relação a Deus é a condição para entrar no Reino; para isso é preciso humilhar-se, tornar-se pequeno; mais ainda: é preciso “nascer do alto” (Jo 3,7), “nascer de Deus” para tornar-nos filhos de Deus. O mistério do Natal realiza-se em nós quando Cristo “toma forma” em nós. O Natal é o mistério deste “admirável intercâmbio:

O admirabile commercium! Creator generis humani, anima corpus sumens, de Virgine nasci digna tus est; et procedens homo sine semine, largitus est nobis suam deitatem (Admirável intercâmbio! O Criador da humanidade, assumindo corpo e dignou-se nascer de uma Virgem; e, tomando-se homem intervenção do homem, nos doou sua própria divindade!)

O ANO LITÚRGICO

1168 Partindo do tríduo pascal, como de sua fonte de luz, o tempo novo da Ressurreição enche todo o ano litúrgico com sua claridade. Aproximando-se progressivamente de ambas as vertentes desta fonte, o ano é transfigurado pela liturgia. É realmente “ano de graça do Senhor”. A economia da salvação está em ação moldura do tempo, mas desde a sua realização na Páscoa de Jesus e a efusão do Espírito Santo o fim da história é antecipado, “em antegozo”, e o Reino de Deus penetra nosso tempo.

1169 Por isso, a páscoa não é simplesmente uma festa entre outras: é a “festa das festas”,

“solenidade das solenidades”, como a Eucaristia é o sacramento dos sacramentos (o grande sacramento). Santo Atanásio a denomina “o grande domingo como a semana santa é chamada no Oriente “a grande semana”. O mistério da ressurreição, no qual Cristo esmagou a morte, penetra nosso velho tempo com sua poderosa energia até que tudo lhe seja submetido.

1170 No Concílio de Nicéia (em 325), todas as Igrejas chegaram a um acordo acerca de que a páscoa cristã fosse celebrada no domingo que segue a lua cheia (14 Nisan) depois do equinócio de primavera. Por causa dos diversos métodos utilizados para calcular o dia 14 de mês de Nisan, o dia da Páscoa nem sempre ocorre simultaneamente nas Igrejas ocidentais e orientais. Por isso busca-se um acordo, a fim de se chegar novamente a celebrar em uma data comum o dia da Ressurreição do Senhor.

1171 O ano litúrgico é o desdobramento dos diversos aspectos do único mistério pascal. Isto vale muito particularmente para o ciclo das festas em tomo do mistério da encarnação (Anunciação, Natal, Epifania) que comemoram o começo de nossa salvação e nos comunicam as primícias do Mistério da Páscoa.

O SANTORAL NO ANO LITÚRGICO

1172 “Ao celebrar o ciclo anual dos mistérios de Cristo, a santa Igreja venera com particular amor a bem-aventurada mãe de Deus, Maria, que por um vínculo indissolúvel está unida à obra salvífica de seu Filho; em Maria a Igreja admira e exalta o mais excelente fruto da redenção e a contempla com alegria como puríssima imagem do que ela própria anseia e espera ser em sua totalidade. ”

1193 O domingo, “dia do Senhor”, é o dia principal da celebração da Eucaristia por ser o dia da ressurreição. É o dia da assembleia litúrgica por excelência, o dia da família cristã, o dia da alegria e do descanso do trabalho. O domingo é “o fundamento e o núcleo do ano litúrgico”.

2698 A Tradição da Igreja propõe aos fiéis ritmos de oração destinados a nutrir a oração continua. Alguns são cotidianos: a oração da manhã e da tarde, antes e depois das refeições, a Liturgia das Horas. O domingo, centrado na Eucaristia, é santificado principalmente pela oração. O ciclo do ano litúrgico e suas grandes festas são os ritmos fundamentais da vida de oração dos Cristãos.

1438 Os tempos e os dias de penitência ao longo do ano litúrgico (o tempo da

Quaresma, cada sexta-feira em memória da morte do Senhor) são momentos fortes da prática penitencial da Igreja. Esses tempos são particularmente apropriados aos exercícios espirituais, às liturgias penitenciais, às peregrinações em sinal de penitência, às privações voluntárias como o jejum e a esmola, à partilha fraterna (obras de caridade e missionárias).

Ano Litúrgico 2020

belém-frame-868x472

O Peixe na Semana Santa

Catequese, Vivência na Fé

bacalhau

Bacalhau

Primeiro podemos ir buscar no Catecismo da Igreja Católica parte dos motivos para o jejum da Semana Santa e principalmente a abstinência de carne. Levando em consideração que a carne é um alimento que muitas pessoas tratam de uma forma especial, chegando ao ponto de muitos não comerem sem carne.

No artigo 7 (As Virtudes)  chegamos no CIC 1809 onde diz:

“A temperança é a virtude moral que modera a atração dos prazeres e proporciona o equilíbrio no uso dos bens criados. Assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos nos limites da honestidade. A pessoa temperante orienta para o bem os apetites sensíveis, guarda uma sã discrição e não se deixa arrastar pelas paixões do coração . A temperança é muitas vezes louvada no Antigo Testamento: «Não te deixes levar pelas tuas más inclinações e refreia os teus apetites» (Não te deixes levar pelas tuas más inclinações e refreia os teus apetites. Sir 18, 30). No Novo Testamento, é chamada «moderação», ou «sobriedade». Devemos «viver com moderação, justiça e piedade no mundo presente» (“Veio para nos ensinar a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver neste mundo com toda sobriedade, justiça e piedade,” Tt 2, 12).”

«Viver bem é amar a Deus de todo o coração, com toda a alma e com todo o proceder […], de tal modo que se lhe dedica um amor incorrupto e íntegro (pela temperança), que mal algum poderá abalar (fortaleza), que a ninguém mais serve (justiça), que cuida de discernir todas as coisas para não se deixar surpreender pela astúcia e pela mentira (prudência)» (Santo Agostinho, De moribus Ecclesiae catholicae).

Não existe então na própria Bíblia uma “ordem” para que se coma apenas peixe na Semana Santa, principalmente na Sexta-feira Santa, mas a tradição católica foi tomando forma e continua até hoje. Apesar da verdadeira exploração do comércio que sabendo que haverá uma procura maior de peixes e frutos do mar nesta época aumenta os preços visando o lucro. Cometem o pecado da avareza, e muitos ainda se dizem católicos.

Santo Tomás de Aquino diz que o “jejum foi estabelecido pela Igreja para reprimir as concupiscências da carne, cujo objeto são os prazeres sensíveis da mesa e das relações sexuais”. Importante recordar que, na época de Santo Tomás, a disciplina exigia esta prática não só na sexta-feira, mas também na quarta e, além da carne, englobava os ovos e os laticínios.

Os Santos Padres também incentivaram sobremaneira este hábito que acabou se consolidando. No entanto, na Idade Média, o Papa Nicolau I, no século IX, instituiu como lei aquilo que era somente um costume. E, assim, a penitência passou a ser obrigatória para todos os cristãos a partir da idade da razão (sete anos).

Ainda no período medieval, em honra à Nossa Senhora, as pessoas passaram a jejuar também aos sábados. Deste modo, o domingo, grande Dia do Senhor, era precedido por dois dias de penitência, em preparação à Páscoa semanal.

Mas o tempo fez com que parte dos costumes perdessem um pouco da sua força e o próprio significado acabasse ficando desconhecido. hoje mesmo algumas pessoas acabam ignorando o costume, algumas vezes por não saberem o real motivo, outras vezes por fazerem um turismo religioso entre várias denominações religiosas e acabarem voltando para a Igreja Católica perdendo o sentido das tradições e mais ainda o sentido do porque se fazer a abstinência de carne.

Com o tempo também, inclusive, os fiéis passaram a se questionar acerca da obrigatoriedade da abstinência na sexta e se a não observância desse preceito se constituía um pecado mortal ou leve. Diante disso, o Papa Inocente III, no século XIII, decretou que realmente é pecado grave. E no século XVII, o Papa Alexandre VII anatematizou quem dissesse que não era pecado grave.

Essa foi a disciplina até 1983, quando houve a promulgação do novo Código de Direito Canônico. No cânon 1251, lemos que é obrigatório fazer “abstinência de carne ou de outro alimento […] em todas as sextas-feiras do ano, a não ser que coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades”. Com relação a este cânon, a CNBB afirma que o fiel católico brasileiro pode substituir a abstinência de carne por uma obra de caridade, um ato de piedade ou ainda trocar a carne por um outro alimento (CNBB, Diretório da Liturgia e da organização da Igreja no Brasil)

Atualmente, a exigência da lei é para aqueles que já completaram catorze anos de idade e não a partir da idade da razão, como era no início, conforme o cânon 1252 do mesmo Código.

Historicamente, fazer da sexta-feira um dia penitencial é algo que afunda suas raízes na época apostólica. A Didaqué, uma espécie de catecismo dos primeiros cristãos, dá conta de que o jejum era feito na quarta e na sexta-feira. A Igreja do Oriente, inclusive, permanece com esse costume.

bacalhau-gadus-morhua_large.jpg

Bacalhau

O jejum

Um dos elementos que mais aparece nesse período é o jejum e a recomendação para que não se coma carne, em todas as sextas-feiras que antecedem a Páscoa, durante o tempo conhecido como quaresma. O mesmo preceito vale para a quarta-feira de cinzas, o dia em que se inaugura esse tempo de preparação para a Páscoa.

O jejum e a abstinência são sinais, também bíblicos, de conversão. O povo no tempo de Cristo jejuava sobretudo na festa da expiação. Mas há inúmeras outras passagens que lembram o jejum. Até mesmo Jesus, por ocasião das tentações no deserto, jejuou. Em atos dos Apóstolos, os responsáveis pela igreja, quando escolhiam os missionários, jejuavam (Atos 13,2-3) e Paulo, em 2 ocasiões, fala do próprio jejum (II Coríntios 6,5 e 11,27). É claro que jejum pelo jejum não tem sentido e não nos faz melhores. Basta pensar a quantos fazem jejum de maneira forçada, não porque é tempo de quaresma, mas porque não tem o que comer.

Não comer carne tem importância porque contém em si um significado, pois é, como dito acima, sinal de conversão. Não é, em si, a conversão. Quem se abstém da carne está dando um sinal que:

  • quer se afastar do pecado
  • é solidário com quem tem fome
  • sublinha a importância da Palavra de Deus como alimento para a alma
  • exprime a necessidade de colocar um freio no consumismo

Como bem lembram os profetas, o que conta, no final das contas, é a conversão do coração. Todos os gestos exteriores de nada valem se não conduzem a uma renovação do coração. Todavia eles podem ser significativos e a sua observância não deve ser motivo de gozação. Talvez não baste substituir carne por peixe, que nem sempre é mais barato, mas fazer algum gesto concreto que demonstre a nossa adesão ao projeto de Cristo, que mostre a nossa solidariedade com quem deu a vida por nós.

Gesto de conversão

Atualmente a Igreja Católica evita as palavras obrigação e proibição. Ela apenas aconselha a abstinência de carne vermelha como gesto de conversão. O jejum é uma tradição que surgiu na Idade Antiga e se consolidou na Idade Média, época em que pessoas humildes raramente provavam carne. Na época, o povo vivia em terras alheias e a carne vermelha era consumida só em banquetes, nas cortes e nas residências dos nobres. Ela tornou-se, então, símbolo da gula, associado ao pecado. Dessa forma, a Igreja orientava os fiéis a comerem carne à vontade antes da quaresma – o que deu origem aos banquetes chamados “carnevale” e ao nosso carnaval – e depois se absterem de carne, durante os 40 dias que antecediam a Páscoa. O peixe não chegou a entrar na lista da abstinência porque sua presença era irrelevante nos banquetes medievais. Com o passar dos séculos, a carne deixou de estar presente somente nos banquetes e perdeu seu caráter simbólico de pecado. A orientação atual é que os católicos que desejarem se abstenham na Quarta-Feira de Cinzas, nas sextas-feiras da Quaresma e na Sexta-Feira Santa. Pessoas enfermas, idosas e crianças são isentas dessa orientação.

Fontes: Irmã Maria Inês Carniato, da Editora Paulinas (p/ revista Galileu – Ed. Globo)

Abster-se de carne e jejuar na sexta-feira é uma prática plurissecular da Igreja e tem argumentos fortes em seu favor. O primeiro deles é que todos os cristãos precisam levar uma vida de ascese. Esta é uma regra básica da espiritualidade cristã, além de fazer bem para a vida espiritual do fiel, pode ser uma ocasião de testemunho e de catequese para outros. Recusar publicamente, por amor a Cristo, tal prazer pode ser uma forma de incutir no próximo o desejo de também conhecer o Amado, por quem se faz sacrifícios.Por fim, é importante recordar que o costume de se abster de carne na sexta-feira sempre esteve ligado à Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, portanto, é importante recuperá-lo a fim de aumentar ainda mais a devoção e a própria fé.

Peixe também é carne e sangra

348_comocriarA hemoglobina é uma proteína presente no sangue e que define sua cor, contém ferro e leva do pulmão o oxigênio necessário aos movimentos para os tecidos musculares. Nos músculos, também há outra proteína, chamada mioglobina, que ajuda a manter o oxigênio, sendo esta proteína responsável pela cor vermelha da carne”, diz a bióloga de Arraial do Cabo Leonizia Valdeci de Melo, especialista em gerenciamento socioambiental costeiro e licenciada em biologia pela Ferlagos. Os peixes possuem ainda menos mioglobina, por isso, a carne é branca. Devido à grande movimentação do atum, sua carne é avermelhada. O peixe também possui menos sangue que os outros animais, por isso ficou como uma lenda de que o “peixe não sangra, e por isso deve ser comido na sexta-feira santa”, mas na verdade o peixe também é carne e também tem sangue.

Fontes analisadas:

cesar nome

 

 

 

Livro:

Livro de Jonas (Círculo Bíblico – 4/4)

Círculo Bíblico: Livro de Jonas – 4/4

Este é o quarto de uma série de 4 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o Livro de Jonas. A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o Livro de Jonas (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja e ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia.

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)
JonasProfeta

12 Profetas, conjunto de esculturas barrocas do artista Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, produzidas em pedra-sabão entre 1795 e 1805, em Minas Gerais. Este é o profeta Jonas no Santuário Bom Jesus de Matosinhos – MG

Capitulo 4 – A Lição de Jonas

“1.Jonas ficou profundamente indignado com isso e, muito irritado, dirigiu ao Senhor esta prece: Ah, Senhor, era bem isto que eu dizia quando estava ainda na minha terra! É por isso que eu tentei esquivar-me, fugindo para Társis, 2.porque sabia que sois um Deus clemente e misericordioso, de coração grande, de muita benignidade e compaixão pelos nossos males. 3.Agora, Senhor, toma a minha alma, porque me é melhor a morte que a vida. 4.O Senhor respondeu-lhe: (Julgas que) tens razão para te afligires assim? 5.Então saiu Jonas da cidade e fixou-se a oriente da mesma cidade. Fez uma cabana para si e lá permaneceu, à sombra, esperando para ver o que aconteceria à cidade. 6.O Senhor Deus fez crescer um pé de mamona, que se levantou acima de Jonas, para fazer sombra à sua cabeça e curá-lo de seu mau humor. Jonas alegrou-se grandemente com aquela mamoneira. 7.Mas, no dia seguinte, ao romper da manhã, mandou Deus um verme que roeu a raiz da mamona, e esta secou. 8.Quando o sol se levantou, Deus fez soprar um vento ardente do oriente, e o sol dardejou seus raios sobre a cabeça de Jonas, de forma que o profeta, desfalecido, desejou a morte, dizendo: Prefiro a morte à vida. 9.O Senhor disse a Jonas: (Julgas que) fazes bem em te irritares por causa de uma planta? Jonas respondeu: Sim, tenho razão de me irar até a morte. 10.Tiveste compaixão de um arbusto, replicou-lhe o Senhor, pelo qual nada fizeste, que não fizeste crescer, que nasceu numa noite e numa noite morreu. 11.E então, não hei de ter compaixão da grande cidade de Nínive, onde há mais de cento e vinte mil seres humanos, que não sabem discernir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda, e uma inumerável multidão de animais?…”
Jonas, 4 – Bíblia Católica Online

Jn-4

 

O que podemos refletir sobre isso

O livro de Jonas termina abruptamente. Mas uma coisa dá para se perceber, o profeta não fica contente com o desfecho. Lembra muito aquelas pessoas que gostam de “dar ordens a Deus” (tenho medo destas pessoas) e julgam as outras pessoas com sentenças que parecem pragas, sentenças de dor e morte. Muitas vezes essas pessoas julgam por uma questão de religião e outras apenas por atitudes diferentes. Mas onde está a fé de cada um? Não é no coração? E quem conhece o coração de cada um? Deus e a própria pessoa!

Posso afirmar que Jonas não percebeu o grande milagre que operou guiado pelo próprio Deus, salvou cerca de 150 mil habitantes que viviam na cidade na época (3 vezes mais o número de habitantes de Babilônia). Ele não entendeu que Deus sinalizava que estava ali para todos e não apenas para um séquito de pessoas. Hoje vemos muito isso: pessoas de certas igrejas ou até mesmo de certos grupos na própria igreja julgarem que a salvação chegará apenas para elas, deveriam ler mais cuidadosamente o Livro de Jonas e perceber que Deus quer salvar a todos.

No final do livro de Jonas, não ficamos sabendo o que aconteceu com ele. Será que o motivo é para que nós escrevamos o final com a nossa própria vida?

Segundo o Livro de Jonas, os habitantes de Nínive (e povoados dependentes) mais dados à superstição e ao temor das divindades, teriam mostrado-se arrependidos de sua conduta sanguinária fazendo jejum e vestidos de sacos sarapilheira. Jonas se mostra desgostoso pela não destruição de Nínive e acaba por ser repreendido por isso.

Cerca de cem anos depois, Naum, profeta israelita do Antigo Testamento, avisa que Nínive será destruída. Interessante ver como o tempo muda as coisas e uma nova geração de pessoas volta a cometer os mesmos erros.

Milton Cesar

Signo-de-jonás

Nínive era a florescente capital do império Assírio (2Reis 19,36); e foi, ostensivamente, a casa do Rei Senaqueribe, Rei da Assíria, durante o reinado bíblico do rei Ezequias e da carreira profética de Isaías. De acordo com as escrituras, Nínive foi também o lugar onde Senaqueribe morreu nas mãos de seus dois filhos,após derrota de seu numeroso exercito(segundo a bíblia por apenas um anjo enviado por Deus [2Cr 32,21] seus filhos fugiram para a terra de Ararate. O livro do profeta Naum é quase exclusivamente uma coleta de denúncias e profecias contra essa cidade.

Quem foi Jonas

profeta-jonas

Santuário Bom Jesus de Matosinhos – MG – Brasil

 

Jonas (do hebraico יוֹנָה [Yonah]; em latim Ionas) foi, segundo a Bíblia, um profeta israelita da Tribo de Zebulom, filho de Amitai, natural de Gete-Héfer. Profetizou durante o reinado de Jeroboão II, Rei de Israel Setentrional. (II Reis 14:25; Jonas 1:1) Crê-se que tenha sido o escritor do livro bíblico do Antigo Testamento que leva o seu nome.

O Livro de Jonas é um livro profético e faz parte dos chamados profetas menores, mas isso não quer dizer que ele tenha menos importância que os demais, trata-se sim do tamanho do livro. Por exemplo o Livro de Jonas tem apenas 4 capítulos já o livro de Isaías tem 66 capítulos e este pertence ao grupo dos profetas maiores.

 

 

CATEQUESE do Papa Francisco
Sala Paulo VI – Vaticano
Quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Boletim da Santa Sé
Tradução livre: Jéssica Marçal

Queridos irmãos e irmãs, bom dia,

Na Sagrada Escritura, entre os profetas de Israel, aparece uma figura um pouco anormal, um profeta que tenta escapar do chamado do Senhor rejeitando colocar-se a serviço do plano divino da salvação. Trata-se do profeta Jonas, de quem se narra a história em um pequeno livro de apenas quatro capítulos, uma espécie de parábola portadora de um grande ensinamento, aquele da misericórdia de Deus que perdoa.

Jonas é um profeta “em saída” e também um profeta em fuga! É um profeta em saída que Deus envia “à periferia”, em Nínive, para converter os moradores daquela grande cidade. Mas Nínive, para um israelita como Jonas, representava uma realidade ameaçadora, o inimigo que colocava em perigo a própria Jerusalém e, portanto, a destruir, não a salvar. Por isso, quando Deus manda Jonas para rezar naquela cidade, o profeta, que conhece a bondade do Senhor e o seu desejo de perdoar, procura escapar da sua tarefa e foge.

Durante a sua fuga, o profeta entra em contato com alguns pagãos, os marinheiros do navio no qual ele embarcou para se afastar de Deus e da sua missão. E foge para longe, porque Nínive ficava na região do Iraque e ele foge para a Espanha, foge sério. E é justamente o comportamento daqueles homens pagãos, como depois será dos moradores de Nínive, que nos permite hoje refletir um pouco sobre esperança que, diante do perigo e da morte, se exprime em oração.

De fato, durante a travessia do mar, surge uma tremenda tempestade, e Jonas desce para o porão do navio e se abandona ao sono. Os marinheiros, em vez disso, vendo-se perdidos, “invocaram cada um o próprio deus”: eram pagãos (Jn 1, 5). O capitão do navio acorda Jonas dizendo-lhe: “O que fazes dormindo? Levanta-te, invoca o teu Deus! Talvez Deus vai pensar em nós e não pereceremos” (Jn 1, 6).

A reação destes “pagãos” é a justa reação diante da morte, diante do perigo; porque é então que o homem faz completa experiência da própria fragilidade e da própria necessidade de salvação. O instintivo horror de morrer desperta a necessidade de esperar no Deus da vida. “Talvez Deus pensará em nós e não pereceremos”: são as palavras da esperança que se torna oração, aquela súplica cheia de angústia que sai dos lábios do homem diante de um iminente perigo de morte.

Muito facilmente nós desdenhamos o dirigir-se a Deus na necessidade como se fosse apenas uma oração interessada, e por isso imperfeita. Mas Deus conhece a nossa fraqueza, sabe que nos recordamos Dele para pedir ajuda, e com o sorriso indulgente de um pai, Deus responde com benevolência.

Quando Jonas, reconhecendo as próprias responsabilidades, se joga ao mar para salvar os seus companheiros de viagem, a tempestade se acalma. A morte iminente levou aqueles homens pagãos à oração, fez com que o profeta, apesar de tudo, vivesse a própria vocação a serviço dos outros aceitando sacrificar-se por eles, e agora conduz os sobreviventes ao reconhecimento do verdadeiro Senhor e ao louvor. Os marinheiros, que tinham rezado com medo dirigindo-se aos seus deuses, agora, com sincero temor do Senhor, reconhecem o verdadeiro Deus e oferecem sacrifícios e votos. A esperança que os tinha induzido a rezar para não morrer, se revela ainda mais poderosa e trabalha uma realidade que vai também além do que eles esperavam: não somente não perecem na tempestade, mas se abrem ao reconhecimento do verdadeiro e único Senhor do céu e da terra.

Sucessivamente, também os moradores de Nínive, diante da perspectiva de serem destruídos, rezarão, movidos pela esperança no perdão de Deus. Farão penitência, invocarão o Senhor e se converterão a Ele, a começar pelo rei que, como o capitão do navio, dá voz à esperança dizendo: “Quem sabe Deus se arrependerá […] e deixará de nos perder!” (Jn 3, 9). Também para eles, como para a tripulação na tempestade, ter enfrentado a morte e ter saído salvos os levou à verdade. Assim, sob a misericórdia divina e ainda mais à luz do mistério pascal, a morte pode se tornar, como foi para São Francisco de Assis, “nossa irmã morte” e representar, para cada homem e para cada um de nós, a surpreendente ocasião de conhecer a esperança e de encontrar o Senhor. Que o Senhor nos faça entender essa relação entre oração e esperança. A oração te leva adiante na esperança e quando as coisas se tornam escuras, é preciso mais oração! E haverá mais esperança. Obrigado. 

Radicais islâmicos destroem tumba do profeta Jonas em 2014

Jornal Correio do Vale -26/07/2014

radicais-islamicos-destroem-tumba-do-profeta-jonas610x413_7963aicitonp18tqvfg5f90auqvqbb22ijn3

O grupo radical Estado Islâmico (EL), que domina partes do Iraque e da Síria, destruiu na quinta-feira uma mesquita histórica em Mosul, no norte do Iraque, segundo residentes. O local é sagrado por abrigar a tumba do profeta Jonas, que foi engolido por uma baleia nas tradições islâmicas e judaico-cristã. A mesquita foi construída sobre um sítio arqueológico do século 8 a.C.

Os militantes do EI alegaram que o local era usado para apostasia e não para oração. O EI já explodiu outros locais sagrados sunitas em Mosul. No mês passado, destruiu sete lugares de culto xiita na cidade de Tal Afar, segundo a Human Rights Watch. O EI criou um califado (Estado islâmico) nas áreas que domina nos dois países, impondo as leis segundo determina a tradição islâmica. Em Mosul, o grupo tem advertido as mulheres de que agora são obrigadas a usar véus que cubram todo o rosto, do contrário sofrerão severas punições.

fonte: Jornal Correio do Vale -26/07/2014

radicais-islamicos-destroem-tumba-do-profeta-jonas610x413_7963aicitonp18tqvfg5f1eqv1caiqdhl42c5q2

Como era o local

 

 

Livro de Jonas (Círculo Bíblico 3/4)

Círculo Bíblico: Livro de Jonas – 3/4

Este é o terceiro de uma série de 4 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o Livro de Jonas. A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o Livro de Jonas (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja e ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia.

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

jonah-and-the-whale-vrl-185371-6155669-full

Capítulo 3: Pregação e Conversão

“1.A palavra do Senhor foi dirigida pela segunda vez a Jonas nestes termos: 2.Vai a Nínive, a grande cidade, e faze-lhe conhecer a mensagem que te ordenei. 3.Jonas pôs-se a caminho e foi a Nínive, segundo a ordem do Senhor. Nínive era, diante de Deus, uma grande cidade: eram precisos três dias para percorrê-la. 4.Jonas foi pela cidade durante todo um dia, pregando: Daqui a quarenta dias Nínive será destruída. 5.Os ninivitas creram (nessa mensagem) de Deus, e proclamaram um jejum, vestindo-se de sacos desde o maior até o menor. 6.A notícia chegou ao conhecimento do rei de Nínive; ele levantou-se do seu trono, tirou o manto, cobriu-se de saco e sentou-se sobre a cinza. 7.Em seguida, foi publicado pela cidade, por ordem do rei e dos príncipes, este decreto: Fica proibido aos homens e aos animais, tanto do gado maior como do menor, comer o que quer que seja, assim como pastar ou beber. 8.Homens e animais se cobrirão de sacos. Todos clamem a Deus, em alta voz; deixe cada um o seu mau caminho e converta-se da violência que há em suas mãos. 9.Quem sabe, Deus se arrependerá, acalmará o ardor de sua cólera e deixará de nos perder! 10.Diante de uma tal atitude, vendo como renunciavam aos seus maus caminhos, Deus arrependeu-se do mal que resolvera fazer-lhes, e não o executou.”
Jonas, 3 – Bíblia Católica Online

O que podemos refletir sobre isso

o-ministerio-do-profeta-judeu-jonas

Padre Roger Araújo da Comunidade Canção Nova escreve em sua homilia da quaresma de 2014: “Nos dias de hoje, nós precisamos ser como Jonas e pregar nas cidades, nos bairros, nas igrejas, nos povoados, onde o pecado e a resistência à Palavra de Deus acontecem e dizer às pessoas que a salvação não é para um grupo apenas, não é apenas para as pessoas que estão na Igreja, que frequentam a igreja. Não, a salvação de Deus é para todos nós! Assim como a pregação de Jonas foi eficaz e o povo deixou os pecados para se voltar para Deus, a nossa pregação também precisa ser eficaz, pregação que vai com exemplo de vida e que aponta para os outros que a salvação está em Jesus. …assim como o povo de Nínive viveu quarenta dias de penitência, nós somos chamados a viver a penitência não só por nós, pela nossa conversão; pela conversão da nossa casa, da nossa família, da nossa penitência, o nosso jejum, mas sim pelos outros. Os nossos atos de misericórdia devem ser para atingir tantos outros que estão longe dos caminhos do Senhor. Tantos que vivem nas “Nínives” da vida em busca de um sentido para a própria vida. A nossa oração e a nossa penitência devem alcançar a todos quantos for possível!”

Interessante que o número 40 aparece aqui (como em muitas outras oportunidades nos livros bíblicos) e demonstra que a oração incessante e a conversão é muito eficaz. Mais interessante ainda é ver que o povo de Nínive aceitou a pregação de Jonas com mais facilidade do que ele próprio quando recebeu sua missão. Devemos sempre acreditar que nada é impossível para Deus. Tem pessoas que evitam fazer algo pela comunidade pois se sentem derrotados antes mesmo da batalha começar.

Milton Cesar

jonas

Quem foi Jonas

Jonas (do hebraico יוֹנָה [Yonah]; em latim Ionas) foi, segundo a Bíblia, um profeta israelita da Tribo de Zebulom, filho de Amitai, natural de Gete-Héfer. Profetizou durante o reinado de Jeroboão II, Rei de Israel Setentrional. (II Reis 14:25; Jonas 1:1) Crê-se que tenha sido o escritor do livro bíblico do Antigo Testamento que leva o seu nome.

O Livro de Jonas é um livro profético e faz parte dos chamados profetas menores, mas isso não quer dizer que ele tenha menos importância que os demais, trata-se sim do tamanho do livro. Por exemplo o Livro de Jonas tem apenas 4 capítulos já o livro de Isaías tem 66 capítulos e este pertence ao grupo dos profetas maiores.

”Com efeito, assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim também será o Filho do Homem para esta geração” (Lucas 11,30).

 

Livro de Jonas (Círculo Bíblico – 2/4)

Círculo Bíblico: Livro de Jonas – 2/4

Este é o segundo de uma série de 4 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o Livro de Jonas. A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o Livro de Jonas (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja e ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia.

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

1102016064_univ_lsr_xl

Capítulo 2 – O Peixe

“1.O Senhor fez que ali se encontrasse um grande peixe para engolir Jonas, e este esteve três dias e três noites no ventre do peixe. 2.Do fundo das entranhas do peixe, Jonas fez esta prece ao Senhor, seu Deus: 3.Em minha aflição, invoquei o Senhor, e ele ouviu-me. Do meio da morada dos mortos, clamei a vós, e ouvistes minha voz. 4.Lançastes-me no abismo, no meio das águas e as ondas me envolviam. Todas as vossas vagas e todas as vossas ondas passavam sobre mim. 5.E eu já dizia: fui rejeitado de diante de vossos olhos. Acaso me será dado ainda rever vosso santo templo?! 6.As águas envolviam-me até a garganta, o abismo me cercava. As algas envolviam-me a cabeça. 7.Eu tinha descido até as raízes das montanhas, até a terra cujos ferrolhos eternos (se fecharam) sobre mim. 8.Quando desfalecia a minha vida, pensei no Senhor; minha oração chegou a vós, no vosso santo templo. 9.Os que servem a ídolos vãos abandonam a fonte das graças. 10.Eu, porém, oferecerei um sacrifício com cânticos de louvor, e cumprirei o voto que fiz. Do Senhor vem a salvação. 11.Então o Senhor ordenou ao peixe, e este vomitou Jonas na praia.”
Jonas, 2 – Bíblia Católica Online

O podemos refletir sobre isso

jonas

A fuga de Jonas durou pouco, perto do que ele planejava. Logo quando caiu no mar aberto, pensou que morreria afogado, e dá para se imaginar o desespero ainda maior quando um peixe (a Bíblia não diz qual peixe, mas por convenção ficou uma como sendo uma baleia já que é o único ser possível e conhecido, capaz de engolir um homem inteiro no mar sem mastigá-lo, apesar de ser um mamífero marinho e não um peixe) o engole e ele fica por dias e noites achando que logo estaria morto. É o famoso sair da frigideira e cair no fogo.

Infelizmente Jonas só aceita o amor de Deus no momento de desespero. Assim como muitas pessoas que só entendem o verdadeiro significado de se estar na presença de Deus nos piores momentos da sua vida. Existe uma frase que diz: “Você vai para Deus pelo amor ou pela dor. ” – pena que tanta gente só encontra o amor de Deus pela dor. Por isso vemos tantas pessoas dizendo que “encontraram Jesus” ou “aceitaram a Jesus”, na verdade o amor de Jesus sempre esteve ali, mas nos momentos de alegria, muita gente não enxerga isso, já na dor, no desespero esse amor é mais fácil de se ver. Jonas é um destes. Apesar de ter ouvido o chamado de Deus, ele finge-se de surdo e tenta fugir. Mas quando enfrenta a morte por duas vezes ele finalmente se converte.

Uma boa reflexão seria cada um responder: Quando foi que você se converteu? Lembra-se como e porque?

Não é para julgar, mas para entendermos como funciona os desígnios de Deus

Milton Cesar

Quem foi Jonas

Jonas (do hebraico יוֹנָה [Yonah]; em latim Ionas) foi, segundo a Bíblia, um profeta israelita da Tribo de Zebulom, filho de Amitai, natural de Gete-Héfer. Profetizou durante o reinado de Jeroboão II, Rei de Israel Setentrional. (II Reis 14:25; Jonas 1:1) Crê-se que tenha sido o escritor do livro bíblico do Antigo Testamento que leva o seu nome.

O Livro de Jonas é um livro profético e faz parte dos chamados profetas menores, mas isso não quer dizer que ele tenha menos importância que os demais, trata-se sim do tamanho do livro. Por exemplo o Livro de Jonas tem apenas 4 capítulos já o livro de Isaías tem 66 capítulos e este pertence ao grupo dos profetas maiores.

”Com efeito, assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim também será o Filho do Homem para esta geração” (Lucas 11,30).

 

Livro de Jonas (Círculo Bíblico – 1/4)

Círculo Bíblico: Livro de Jonas – 1/4

Este é o primeiro de uma série de 4 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o Livro de Jonas. A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o Livro de Jonas (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja e ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia.

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

Quem foi Jonas

Jonas (do hebraico יוֹנָה [Yonah]; em latim Ionas) foi, segundo a Bíblia, um profeta israelita da Tribo de Zebulom, filho de Amitai, natural de Gete-Héfer. Profetizou durante o reinado de Jeroboão II, Rei de Israel Setentrional. (II Reis 14:25; Jonas 1:1) Crê-se que tenha sido o escritor do livro bíblico do Antigo Testamento que leva o seu nome.

O Livro de Jonas é um livro profético e faz parte dos chamados profetas menores, mas isso não quer dizer que ele tenha menos importância que os demais, trata-se sim do tamanho do livro. Por exemplo o Livro de Jonas tem apenas 4 capítulos já o livro de Isaías tem 66 capítulos e este pertence ao grupo dos profetas maiores.

”Com efeito, assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim também será o Filho do Homem para esta geração” (Lucas 11,30).

jonas

Capitulo 1 – A Fuga de Jonas

O livro de Jonas é além de um ensinamento poderoso, uma grande aventura também.

PROFECIA DE JONAS – A FUGA
1. A palavra do Senhor veio a Jonas, filho de Amati: 2. “Levanta-te! Vai a Nínive, aquela grande cidade, e denuncia suas injustiças, que chegaram à minha presença”.3. Jonas partiu então, mas com a intenção de escapar da presença do Senhor, fugindo para Tarsis. Desceu até Jope, onde encontrou um navio que estava de partida para lá. Pagou a passagem e embarcou, para tentar escapar da presença do Senhor. 4. Mas o Senhor mandou sobre o mar um vento forte que provocou grande agitação com ondas violentas que, parecia, iam arrebentar o navio. 5. Os marinheiros ficaram com medo e puseram-se a orar, cada qual ao próprio deus. Jogaram ao mar a carga que o navio transportava, a fim de aliviar-lhe o peso. Jonas tinha descido ao porão e, deitado, dormia a sono solto. 6. Indo até onde ele estava, o capitão disse-lhe: “Como podes estar dormindo? Levanta-te! Ora ao teu deus! Quem sabe ele se lembra de nós e não nos deixa morrer!” 7. Depois disseram uns aos outros: “Vamos tirar a sorte para ver quem é o culpado dessa desgraça que está nos acontecendo!” Tiraram a sorte, que caiu sobre Jonas. 8. Disseram-lhe, então: “Dize-nos porque nos aconteceu essa desgraça! Qual é a tua profissão? De onde vens? Qual a tua terra? Qual a tua gente?” 9. Jonas respondeu: “Sou hebreu. Adoro o Senhor, o Deus do céu e da terra, aquele que fez o mar e a terra firme”.10. Os homens ficaram muito assustados e disseram: “Mas por que fizeste isso?” Eles entenderam que Jonas estava fugindo da presença do Senhor, pois ele próprio lhes havia contado tudo. 11. Disseram-lhe: “Que vamos fazer contigo para o mar se acalmar?” O mar estava cada vez mais agitado. 12. Jonas respondeu: “Vamos! Atirai-me ao mar e ele ficará todo calmo ao vosso derredor, porque eu sei que foi por minha causa que vos veio tão forte temporal”. 13.Tentaram remar para se aproximarem de terra firme, mas não conseguiam porque o mar estava ficando cada vez mais agitado, o vento soprando em sentido contrário. 14. Clamaram, pois, ao Senhor: “Ah! Senhor, não queremos perder a vida junto com este homem! Não faças cair sobre nós um castigo indevido. Tu és o Senhor e fazes tudo o que queres”.15.Pegaram Jonas e o atiraram fora do navio. Imediatamente o mar se acalmou. 16.Aqueles homens passaram a temer muito ao Senhor, oferecendo-lhe sacrifícios e fazendo-lhe promessas.

Jonas é chamado por Deus para converter uma cidade onde o pecado estava instalado. Era uma mensagem do Criador para que todos pudessem ser salvos, porém Jonas tenta fugir, mas não consegue.

O Papa Francisco escreve em sua catequese de janeiro de 2017: “Jonas é um profeta “em saída” e também um profeta em fuga! É um profeta em saída que Deus envia “à periferia”, em Nínive, para converter os moradores daquela grande cidade. Mas Nínive, para um israelita como Jonas, representava uma realidade ameaçadora, o inimigo que colocava em perigo a própria Jerusalém e, portanto, a destruir, não a salvar. Por isso, quando Deus manda Jonas para rezar naquela cidade, o profeta, que conhece a bondade do Senhor e o seu desejo de perdoar, procura escapar da sua tarefa e foge. Durante a sua fuga, o profeta entra em contato com alguns pagãos, os marinheiros do navio no qual ele embarcou para se afastar de Deus e da sua missão. E foge para longe, porque Nínive ficava na região do Iraque e ele foge para a Espanha, foge sério. E é justamente o comportamento daqueles homens pagãos, como depois será dos moradores de Nínive, que nos permite hoje refletir um pouco sobre esperança que, diante do perigo e da morte, se exprime em oração.

De fato, durante a travessia do mar, surge uma tremenda tempestade, e Jonas desce para o porão do navio e se abandona ao sono. Os marinheiros, em vez disso, vendo-se perdidos, “invocaram cada um o próprio deus”: eram pagãos (Jn 1, 5). O capitão do navio acorda Jonas dizendo-lhe: “O que fazes dormindo? Levanta-te, invoca o teu Deus! Talvez Deus vai pensar em nós e não pereceremos” (Jn 1, 6).

A reação destes “pagãos” é a justa reação diante da morte, diante do perigo; porque é então que o homem faz completa experiência da própria fragilidade e da própria necessidade de salvação. O instintivo horror de morrer desperta a necessidade de esperar no Deus da vida. “Talvez Deus pensará em nós e não pereceremos”: são as palavras da esperança que se torna oração, aquela súplica cheia de angústia que sai dos lábios do homem diante de um iminente perigo de morte.

Muito facilmente nós desdenhamos o dirigir-se a Deus na necessidade como se fosse apenas uma oração interessada, e por isso imperfeita. Mas Deus conhece a nossa fraqueza, sabe que nos recordamos Dele para pedir ajuda, e com o sorriso indulgente de um pai, Deus responde com benevolência.

Quando Jonas, reconhecendo as próprias responsabilidades, se joga ao mar para salvar os seus companheiros de viagem, a tempestade se acalma. A morte iminente levou aqueles homens pagãos à oração, fez com que o profeta, apesar de tudo, vivesse a própria vocação a serviço dos outros aceitando sacrificar-se por eles, e agora conduz os sobreviventes ao reconhecimento do verdadeiro Senhor e ao louvor. Os marinheiros, que tinham rezado com medo dirigindo-se aos seus deuses, agora, com sincero temor do Senhor, reconhecem o verdadeiro Deus e oferecem sacrifícios e votos. A esperança que os tinha induzido a rezar para não morrer, se revela ainda mais poderosa e trabalha uma realidade que vai também além do que eles esperavam: não somente não perecem na tempestade, mas se abrem ao reconhecimento do verdadeiro e único Senhor do céu e da terra.”

Ensinamento

Jonas é um dos ápices do ensinamento do Antigo Testamento. Ele rompe até mesmo com os ensinamentos clássicos dos profetas, mostrando que as ameaças de Deus, na verdade, são expressões de uma vontade misericordiosa, que só espera a manifestação do arrependimento para dispensar o perdão. Deus quer a conversão.

Além disso, outro elemento importante é o universalismo. Os personagens pagãos (marinheiros, rei assírio, até os animais de Nínive) são bem vistos; o inimigo mais terrível de Israel (a Assíria destruiu a Samaria!) entra nos planos de Deus. Deus não é só dos judeus, mas também dos pagãos!

Qual reflexão podemos ter deste capitulo?

5b47801314c02_jonas_y_la_calabacera_3

Muitas vezes insistimos em não ouvir a vontade de Deus, e não atendemos seu chamado. Na comunidade de fé, algumas pastorais estão sempre lotadas de voluntários e outras não. Será que todos realmente estão escutando a voz de Deus e se pondo em missão ou estão apenas onde acham mais fácil? Lembre-se que seguir a Deus nem sempre é pelo caminho fácil. Vejo muitas paróquias formadas de muitas comunidades, e algumas destas comunidades com muita dificuldade de achar voluntários para o trabalho, enquanto outras já mais estabelecidas com pessoas se acotovelando para o serviço. É valido isso? Sim e não. Sim porque é trabalhar para Deus de qualquer forma, Não, porque é preciso socorrer a todos. A messe é grande e precisa de operários.

Milton Cesar

Onde fica Nínive

Foi uma cidade muito importante do Império Assírio. Foi destruída em 612 antes de Cristo. Ficava às margens do rio Tigre, na região norte da Mesopotâmia, no atual Iraque. A imagem acima mostra claramente onde estava a cidade. Uma “cidade excessivamente grande”, como é chamada no Livro de Jonas, jazia na margem oriental do rio Tigre, na antiga Assíria. Nínive (Ninawa) era um grande amontado de vários vilarejos ao longo do rio tigre. Onde atualmente existe a cidade moderna de Mossul, no estado de Ninawa do Iraque.

Onde fica Társis

Uma cidade do Leste, na costa do Oceano Índico, com base em que navios de Társis saíram de Eziongeber, no Mar Vermelho. Cartago. Um porto fenício na Espanha, localizado entre as duas bocas do rio Guadalquivir. Esta era a localização destino do navio que levou o profeta Jonas, quando ele navegou de Jope.

Onde fica Jope

A cidade bíblica de Jope é hoje conhecida como Jaffa. Este foi o principal porto da costa antes de os israelitas construírem os portos de Haifa e Ashdod. A moderna cidade de Tel Aviv foi fundada nos arredores de Jafa em 1909 e hoje abrange a antiga cidade. Tel Aviv significa ” Colina da Primavera” e mantém o mesmo nome que tinha a cidade durante o período do exílio em Babilônia (Ez 3:15). Hoje a área de Tel Aviv é a maior área metropolitana em Israel. É uma antiga cidade portuária de Israel, tida como uma das mais antigas do mundo. A partir de 1950, Jaffa foi incorporada a Tel Aviv, formando uma única municipalidade e, por esta razão, a cidade israelense leva o nome oficial de Tel Aviv-Yafo.

 

 

Atos dos Apóstolos (Círculo Bíblico – 9/10)

Círculo Bíblico: Atos dos Apóstolos – Encontro 9/10

Rembrandt_Harmensz._van_Rijn_163 Paulo

Pintura de São Paulo feita por Rembrandt

Este é o nono de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o livro dos Atos dos Apóstolos. A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o livro dos Atos dos Apóstolos (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja e ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia.

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

Jesus é o caminho

slide_7

São Paulo preso

At 24, 1 – 27

Chegamos em um ponto muito interessante do nosso Círculo Bíblico. Podemos começar tentando responder a algumas questões enquanto a leitura vai se desenvolvendo:

  1. O cristianismo é subversivo? Por que?
  2. O cristianismo é a mensagem da ressurreição. Como isso pode se tornar sério para a vida que vivemos hoje em dia?
  3. Quais as corrupções que atrapalham a justiça? Comente casos concretos e compare com a mensagem de Jesus.

Lucas fixa o texto principalmente na prisão de Paulo. Ele próprio acompanhou estes fatos. No processo de São Paulo estão jogo três coisas: o cristianismo (na figura de Paulo), o judaísmo e o próprio império romano. Lucas mostra que o judaísmo não é mais o lugar dos cristãos e indica que o futuro do cristianismo está no mundo romano, de onde de fato o futuro fará a mensagem de Jesus se espalhar pelo mundo todo.

Mas os judeus sentem que Paulo é uma ameaça. Três acusações são apresentadas contra Paulo: 1. Paulo (figurando todo o cristianismo) está perturbando a ordem em todo o mundo (romano), vale lembrar que esta é uma das acusações que pesaram contra o próprio Jesus (Lc 23, 2). 2. Paulo é considerado o líder do Partido dos Nazireus (este partido nem existia, mas os judeus chamavam assim os cristãos), o próprio Jesus era considerado um nazireu, radical e subversivo, então todos seus seguidores já eram considerados perigosos para o sistema vigente. E 3. Paulo teria profanado o Templo de Jerusalém ao introduzir pagãos no recinto sagrado (21,28).

O destino de Paulo pode ser o destino do próprio cristianismo. Mas a palavra de Jesus seria um caminho para a humanidade toda.

Paulo se defende: 1. Lembra que ficou poucos dias em Jerusalém e questiona como ele poderia causar tanta agitação em sete dias? 2. Paulo não podia negar pertencer ao partido dos Nazireus, pois o voto de nazireu (não cortar o cabelo durante um período) o fazia ser considerado membro do tal partido. Porém Paulo se defende negando que o cristianismo seja apenas uma seita radicalista dentro do judaísmo. Paulo usa o termo caminho, pois Jesus era justamente uma opção. 3. Paulo diz que foi ao templo oferecer esmolas.

Paulo se defende, mas não ataca. O governador romano Félix considerou Paulo e o cristianismo inocentes de todas as acusações e também não representavam perigo para o império romano. Assim decidiu pelo adiamento de causa. “Félix conhecia bem esta religião e, adiando a questão, disse: Quando descer o tribuno Lísias, então examinarei a fundo a vossa questão. 23.Ordenou ao centurião que o guardasse e o tratasse com brandura, sem proibir que os seus o servissem.”
Atos dos Apóstolos, 22, 22 – 23 – Bíblia Católica Online

Um dos motivos porque Felix também não condenou Paulo, foi o fato dele estar amasiado com Drusila, uma judia que se divorciara para ficar com o governador. Feliz também se interessava pelo cristianismo, apesar de não assumir. O governador também queria que Paulo lhe desse dinheiro em troca da liberdade. Como não conseguiu deixou o apóstolo preso por dois anos quando Pórcio Festo assumiu o cargo de Félix.

agripa

São Paulo diante de Festo e Agripa

At 25, 1 – 27

Lucas mostra que os romanos não condenaram Paulo. O tribuno Lísias, o governador Félix e depois o novo governador  Festo  fazem declarações de inocência do apóstolo e por definição de toda a religião dos cristãos. Paulo também será julgado com a presença do Rei Agripa. O apóstolo apela a César, como cidadão romano teria que ser atendido, a pressão dos judeus é enorme. O que fazer.

Vale questionarmos ao ler este capítulo as semelhanças com o que acontece hoje em dia: 1. Os inocentes são julgados com justiça?

740

Diante de Felix

At 26, 1 – 32

Paulo é enviado ao Rei Agripa e vai acompanhado do governador Festo e de algumas “autoridades” judaicas. Agripa não pertencia ao Sinédrio mas é uma figura extremamente importante, um rei.

Paulo então conta como foi a sua conversão e vai demonstrar passo a passo a importância de Jesus e sua mensagem. Festo, Agripa e os demais chegam a um consenso da inocência de Paulo e só não o soltam por ele ter apelado ao imperador César.

O livro dos Atos está praticamente na reta final e vale sempre a reflexão: 1. Nós católicos aproveitamos toda as ocasiões boas ou más para anunciarmos a nossa fé?

Refletindo

170px-Codex_laudianus atos papiro codex laudianus

Trecho de papiro dos Atos dos Apóstolos Codex Laudianus

É um exemplo muito claro de como a nossa fé pode ser posta a prova em momentos adversos. Ser fiel a Jesus é acima de tudo defender com coragem e sabedoria aquilo que acreditamos. Hoje vemos muitos católicos que acabam não defendendo a própria fé. Muitas vezes por não gostarem de ler ou procurar por um entendimento maior da fé, outras vezes por falhas de quem está a frente da comunidade de fé que não promove grupos de estudos ou fazem da catequese e grupos da igreja um lugar de evangelização e vivência na fé continuas. Paulo pelo contrário não muda uma virgula na sua defesa da fé em Jesus Cristo e mesmo sabendo que vai pagar por isso, não admite ser convencido do contrário.

Nas nossas comunidades existem muitos desafios a serem enfrentados, mas eles só serão vencidos com a defesa da nossa fé. Sempre em Cristo.

Milton Cesar

20160812104308-sao-marcos-evangelista

São Marcos

Marcos pertencente a tribo de Levi, era judeu de origem e de uma família tão Cristã que sempre acolheu Jesus, Maria e os apóstolos em sua casa: ‘Ele se orientou e dirigiu-se para a casa de Maria, mãe de João, chamado Marcos; estava lá uma numerosíssima assembléia a orar‘ (Atos 12, 12).

A tradição nos leva a crer que na casa de São Marcos teria acontecido a Santa Ceia celebrada por Jesus, assim com o dia de Pentecostes, onde ‘inaugurou’ a Igreja Católica. Encontramos na Bíblia que o Santo de hoje acompanhou inicialmente São Barnabé e São Paulo em viagens apostólicas, e depois São Pedro em Roma.

São Pedro, que o chama de ‘meu filho’, o teve certamente consigo em suas viagens a Roma, onde Marcos teria escrito o Evangelho. A antigüidade cristã, a começar por Pápias, chama-o de ‘intérprete de Pedro’. ‘Marcos, um intérprete de Pedro, escreveu exatamente tudo aquilo que se lembrava. Escreveu, porém, o que o Senhor disse ou fez, não segundo uma ordem. Marcos não escutou diretamente o Senhor, nem o acompanhou; ele ouvia São Pedro, que dispunha seus ensinamentos conforme as necessidades’.

Além da familiaridade com São Pedro, o evangelista Marcos pode orgulhar-se de uma longa convivência com o apóstolo São Paulo, com quem se encontrou pela primeira vez em 44, quando Paulo e Barnabé levaram a Jerusalém a generosa coleta da comunidade de Antioquia. De volta, Barnabé, levou consigo o jovem sobrinho Marcos. Após a evangelização de Chipre, quando Paulo planejou uma viagem mais trabalhosa e arriscada ao coração da Ásia Menor, entre as populações pagãs do Tauro, Marcos – conforme lemos nos Atos dos Apóstolos – ‘se separou de Paulo e Barnabé e voltou a Jerusalém’. Depois Marcos voltou ao lado de Paulo quando este estava prisioneiro em Roma.

Em 66 São Paulo nos dá a última informação sobre Marcos, escrevendo da prisão romana a Timóteo: ‘Traga Marcos com você. Posso necessitar de seus serviços‘. Os dados cronológicos da vida de São Marcos permanecem duvidosos. Ele morreu provavelmente em 68 de morte natural, segundo uma tradição e, conforme outra tradição, foi mártir em Alexandria do Egito. Os Atos de Marcos, um escrito da metade do século IV, referem que Marcos, no dia 24 de abril, foi arrastado pelos pagãos pelas ruas de Alexandria, amarrado com cordas ao pescoço. Jogado ao cárcere, no dia seguinte, sofreu o mesmo tormento atroz e sucumbiu. A venda do seu corpo por parte de dois comerciantes e mercadores de Veneza não passa de lenda (828). Porém, é graças a esta lenda que, de 976 a 1071, foi construída a estupenda basílica veneziana dedicada ao autor do segundo Evangelho, simbolizado pelo Leão. As relíquias do corpo de São Marcos estão localizadas na cidade de Veneza desde 815.

São Marcos que na Igreja primitiva fez um lindo trabalho missionário, que não deu fim diante da prisão e morte dos amigos São Pedro e São Paulo, por isso evangelizou no Poder do Espírito Alexandria, Egito e Chipre, lugar onde fundou Comunidades. Conhecido principalmente por ter sido agraciado com o carisma da inspiração e vivência comunitária que deram origem ao Evangelho querigmático de Jesus Cristo segundo Marcos.

A Igreja e o mundo precisam de cristãos como Marcos Evangelista, sendo modelo de: cristão em profunda comunhão com Deus e com os irmãos;
• missionário que anuncia e testemunha a boa nova de Jesus;
• articulador de novas comunidades e pastor dedicado ao Reino;
• escritor que procura transmitir ao mundo a vida, obra e ensinamentos de Jesus, nosso Salvador, Mestre e Senhor.

fides - Copia

Como base de estudo foi usado: