O Peixe na Semana Santa

Catequese, Vivência na Fé

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Bacalhau

Primeiro podemos ir buscar no Catecismo da Igreja Católica parte dos motivos para o jejum da Semana Santa e principalmente a abstinência de carne. Levando em consideração que a carne é um alimento que muitas pessoas tratam de uma forma especial, chegando ao ponto de muitos não comerem sem carne.

No artigo 7 (As Virtudes)  chegamos no CIC 1809 onde diz:

“A temperança é a virtude moral que modera a atração dos prazeres e proporciona o equilíbrio no uso dos bens criados. Assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos nos limites da honestidade. A pessoa temperante orienta para o bem os apetites sensíveis, guarda uma sã discrição e não se deixa arrastar pelas paixões do coração . A temperança é muitas vezes louvada no Antigo Testamento: «Não te deixes levar pelas tuas más inclinações e refreia os teus apetites» (Não te deixes levar pelas tuas más inclinações e refreia os teus apetites. Sir 18, 30). No Novo Testamento, é chamada «moderação», ou «sobriedade». Devemos «viver com moderação, justiça e piedade no mundo presente» (“Veio para nos ensinar a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver neste mundo com toda sobriedade, justiça e piedade,” Tt 2, 12).”

«Viver bem é amar a Deus de todo o coração, com toda a alma e com todo o proceder […], de tal modo que se lhe dedica um amor incorrupto e íntegro (pela temperança), que mal algum poderá abalar (fortaleza), que a ninguém mais serve (justiça), que cuida de discernir todas as coisas para não se deixar surpreender pela astúcia e pela mentira (prudência)» (Santo Agostinho, De moribus Ecclesiae catholicae).

Não existe então na própria Bíblia uma “ordem” para que se coma apenas peixe na Semana Santa, principalmente na Sexta-feira Santa, mas a tradição católica foi tomando forma e continua até hoje. Apesar da verdadeira exploração do comércio que sabendo que haverá uma procura maior de peixes e frutos do mar nesta época aumenta os preços visando o lucro. Cometem o pecado da avareza, e muitos ainda se dizem católicos.

Santo Tomás de Aquino diz que o “jejum foi estabelecido pela Igreja para reprimir as concupiscências da carne, cujo objeto são os prazeres sensíveis da mesa e das relações sexuais”. Importante recordar que, na época de Santo Tomás, a disciplina exigia esta prática não só na sexta-feira, mas também na quarta e, além da carne, englobava os ovos e os laticínios.

Os Santos Padres também incentivaram sobremaneira este hábito que acabou se consolidando. No entanto, na Idade Média, o Papa Nicolau I, no século IX, instituiu como lei aquilo que era somente um costume. E, assim, a penitência passou a ser obrigatória para todos os cristãos a partir da idade da razão (sete anos).

Ainda no período medieval, em honra à Nossa Senhora, as pessoas passaram a jejuar também aos sábados. Deste modo, o domingo, grande Dia do Senhor, era precedido por dois dias de penitência, em preparação à Páscoa semanal.

Mas o tempo fez com que parte dos costumes perdessem um pouco da sua força e o próprio significado acabasse ficando desconhecido. hoje mesmo algumas pessoas acabam ignorando o costume, algumas vezes por não saberem o real motivo, outras vezes por fazerem um turismo religioso entre várias denominações religiosas e acabarem voltando para a Igreja Católica perdendo o sentido das tradições e mais ainda o sentido do porque se fazer a abstinência de carne.

Com o tempo também, inclusive, os fiéis passaram a se questionar acerca da obrigatoriedade da abstinência na sexta e se a não observância desse preceito se constituía um pecado mortal ou leve. Diante disso, o Papa Inocente III, no século XIII, decretou que realmente é pecado grave. E no século XVII, o Papa Alexandre VII anatematizou quem dissesse que não era pecado grave.

Essa foi a disciplina até 1983, quando houve a promulgação do novo Código de Direito Canônico. No cânon 1251, lemos que é obrigatório fazer “abstinência de carne ou de outro alimento […] em todas as sextas-feiras do ano, a não ser que coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades”. Com relação a este cânon, a CNBB afirma que o fiel católico brasileiro pode substituir a abstinência de carne por uma obra de caridade, um ato de piedade ou ainda trocar a carne por um outro alimento (CNBB, Diretório da Liturgia e da organização da Igreja no Brasil)

Atualmente, a exigência da lei é para aqueles que já completaram catorze anos de idade e não a partir da idade da razão, como era no início, conforme o cânon 1252 do mesmo Código.

Historicamente, fazer da sexta-feira um dia penitencial é algo que afunda suas raízes na época apostólica. A Didaqué, uma espécie de catecismo dos primeiros cristãos, dá conta de que o jejum era feito na quarta e na sexta-feira. A Igreja do Oriente, inclusive, permanece com esse costume.

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O jejum

Um dos elementos que mais aparece nesse período é o jejum e a recomendação para que não se coma carne, em todas as sextas-feiras que antecedem a Páscoa, durante o tempo conhecido como quaresma. O mesmo preceito vale para a quarta-feira de cinzas, o dia em que se inaugura esse tempo de preparação para a Páscoa.

O jejum e a abstinência são sinais, também bíblicos, de conversão. O povo no tempo de Cristo jejuava sobretudo na festa da expiação. Mas há inúmeras outras passagens que lembram o jejum. Até mesmo Jesus, por ocasião das tentações no deserto, jejuou. Em atos dos Apóstolos, os responsáveis pela igreja, quando escolhiam os missionários, jejuavam (Atos 13,2-3) e Paulo, em 2 ocasiões, fala do próprio jejum (II Coríntios 6,5 e 11,27). É claro que jejum pelo jejum não tem sentido e não nos faz melhores. Basta pensar a quantos fazem jejum de maneira forçada, não porque é tempo de quaresma, mas porque não tem o que comer.

Não comer carne tem importância porque contém em si um significado, pois é, como dito acima, sinal de conversão. Não é, em si, a conversão. Quem se abstém da carne está dando um sinal que:

  • quer se afastar do pecado
  • é solidário com quem tem fome
  • sublinha a importância da Palavra de Deus como alimento para a alma
  • exprime a necessidade de colocar um freio no consumismo

Como bem lembram os profetas, o que conta, no final das contas, é a conversão do coração. Todos os gestos exteriores de nada valem se não conduzem a uma renovação do coração. Todavia eles podem ser significativos e a sua observância não deve ser motivo de gozação. Talvez não baste substituir carne por peixe, que nem sempre é mais barato, mas fazer algum gesto concreto que demonstre a nossa adesão ao projeto de Cristo, que mostre a nossa solidariedade com quem deu a vida por nós.

Gesto de conversão

Atualmente a Igreja Católica evita as palavras obrigação e proibição. Ela apenas aconselha a abstinência de carne vermelha como gesto de conversão. O jejum é uma tradição que surgiu na Idade Antiga e se consolidou na Idade Média, época em que pessoas humildes raramente provavam carne. Na época, o povo vivia em terras alheias e a carne vermelha era consumida só em banquetes, nas cortes e nas residências dos nobres. Ela tornou-se, então, símbolo da gula, associado ao pecado. Dessa forma, a Igreja orientava os fiéis a comerem carne à vontade antes da quaresma – o que deu origem aos banquetes chamados “carnevale” e ao nosso carnaval – e depois se absterem de carne, durante os 40 dias que antecediam a Páscoa. O peixe não chegou a entrar na lista da abstinência porque sua presença era irrelevante nos banquetes medievais. Com o passar dos séculos, a carne deixou de estar presente somente nos banquetes e perdeu seu caráter simbólico de pecado. A orientação atual é que os católicos que desejarem se abstenham na Quarta-Feira de Cinzas, nas sextas-feiras da Quaresma e na Sexta-Feira Santa. Pessoas enfermas, idosas e crianças são isentas dessa orientação.

Fontes: Irmã Maria Inês Carniato, da Editora Paulinas (p/ revista Galileu – Ed. Globo)

Abster-se de carne e jejuar na sexta-feira é uma prática plurissecular da Igreja e tem argumentos fortes em seu favor. O primeiro deles é que todos os cristãos precisam levar uma vida de ascese. Esta é uma regra básica da espiritualidade cristã, além de fazer bem para a vida espiritual do fiel, pode ser uma ocasião de testemunho e de catequese para outros. Recusar publicamente, por amor a Cristo, tal prazer pode ser uma forma de incutir no próximo o desejo de também conhecer o Amado, por quem se faz sacrifícios.Por fim, é importante recordar que o costume de se abster de carne na sexta-feira sempre esteve ligado à Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, portanto, é importante recuperá-lo a fim de aumentar ainda mais a devoção e a própria fé.

Peixe também é carne e sangra

348_comocriarA hemoglobina é uma proteína presente no sangue e que define sua cor, contém ferro e leva do pulmão o oxigênio necessário aos movimentos para os tecidos musculares. Nos músculos, também há outra proteína, chamada mioglobina, que ajuda a manter o oxigênio, sendo esta proteína responsável pela cor vermelha da carne”, diz a bióloga de Arraial do Cabo Leonizia Valdeci de Melo, especialista em gerenciamento socioambiental costeiro e licenciada em biologia pela Ferlagos. Os peixes possuem ainda menos mioglobina, por isso, a carne é branca. Devido à grande movimentação do atum, sua carne é avermelhada. O peixe também possui menos sangue que os outros animais, por isso ficou como uma lenda de que o “peixe não sangra, e por isso deve ser comido na sexta-feira santa”, mas na verdade o peixe também é carne e também tem sangue.

Fontes analisadas:

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Livro:

Atos dos Apóstolos (Círculo Bíblico – 9/10)

Círculo Bíblico: Atos dos Apóstolos – Encontro 9/10

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Pintura de São Paulo feita por Rembrandt

Este é o nono de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o livro dos Atos dos Apóstolos. A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o livro dos Atos dos Apóstolos (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja e ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia.

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

Jesus é o caminho

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São Paulo preso

At 24, 1 – 27

Chegamos em um ponto muito interessante do nosso Círculo Bíblico. Podemos começar tentando responder a algumas questões enquanto a leitura vai se desenvolvendo:

  1. O cristianismo é subversivo? Por que?
  2. O cristianismo é a mensagem da ressurreição. Como isso pode se tornar sério para a vida que vivemos hoje em dia?
  3. Quais as corrupções que atrapalham a justiça? Comente casos concretos e compare com a mensagem de Jesus.

Lucas fixa o texto principalmente na prisão de Paulo. Ele próprio acompanhou estes fatos. No processo de São Paulo estão jogo três coisas: o cristianismo (na figura de Paulo), o judaísmo e o próprio império romano. Lucas mostra que o judaísmo não é mais o lugar dos cristãos e indica que o futuro do cristianismo está no mundo romano, de onde de fato o futuro fará a mensagem de Jesus se espalhar pelo mundo todo.

Mas os judeus sentem que Paulo é uma ameaça. Três acusações são apresentadas contra Paulo: 1. Paulo (figurando todo o cristianismo) está perturbando a ordem em todo o mundo (romano), vale lembrar que esta é uma das acusações que pesaram contra o próprio Jesus (Lc 23, 2). 2. Paulo é considerado o líder do Partido dos Nazireus (este partido nem existia, mas os judeus chamavam assim os cristãos), o próprio Jesus era considerado um nazireu, radical e subversivo, então todos seus seguidores já eram considerados perigosos para o sistema vigente. E 3. Paulo teria profanado o Templo de Jerusalém ao introduzir pagãos no recinto sagrado (21,28).

O destino de Paulo pode ser o destino do próprio cristianismo. Mas a palavra de Jesus seria um caminho para a humanidade toda.

Paulo se defende: 1. Lembra que ficou poucos dias em Jerusalém e questiona como ele poderia causar tanta agitação em sete dias? 2. Paulo não podia negar pertencer ao partido dos Nazireus, pois o voto de nazireu (não cortar o cabelo durante um período) o fazia ser considerado membro do tal partido. Porém Paulo se defende negando que o cristianismo seja apenas uma seita radicalista dentro do judaísmo. Paulo usa o termo caminho, pois Jesus era justamente uma opção. 3. Paulo diz que foi ao templo oferecer esmolas.

Paulo se defende, mas não ataca. O governador romano Félix considerou Paulo e o cristianismo inocentes de todas as acusações e também não representavam perigo para o império romano. Assim decidiu pelo adiamento de causa. “Félix conhecia bem esta religião e, adiando a questão, disse: Quando descer o tribuno Lísias, então examinarei a fundo a vossa questão. 23.Ordenou ao centurião que o guardasse e o tratasse com brandura, sem proibir que os seus o servissem.”
Atos dos Apóstolos, 22, 22 – 23 – Bíblia Católica Online

Um dos motivos porque Felix também não condenou Paulo, foi o fato dele estar amasiado com Drusila, uma judia que se divorciara para ficar com o governador. Feliz também se interessava pelo cristianismo, apesar de não assumir. O governador também queria que Paulo lhe desse dinheiro em troca da liberdade. Como não conseguiu deixou o apóstolo preso por dois anos quando Pórcio Festo assumiu o cargo de Félix.

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São Paulo diante de Festo e Agripa

At 25, 1 – 27

Lucas mostra que os romanos não condenaram Paulo. O tribuno Lísias, o governador Félix e depois o novo governador  Festo  fazem declarações de inocência do apóstolo e por definição de toda a religião dos cristãos. Paulo também será julgado com a presença do Rei Agripa. O apóstolo apela a César, como cidadão romano teria que ser atendido, a pressão dos judeus é enorme. O que fazer.

Vale questionarmos ao ler este capítulo as semelhanças com o que acontece hoje em dia: 1. Os inocentes são julgados com justiça?

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Diante de Felix

At 26, 1 – 32

Paulo é enviado ao Rei Agripa e vai acompanhado do governador Festo e de algumas “autoridades” judaicas. Agripa não pertencia ao Sinédrio mas é uma figura extremamente importante, um rei.

Paulo então conta como foi a sua conversão e vai demonstrar passo a passo a importância de Jesus e sua mensagem. Festo, Agripa e os demais chegam a um consenso da inocência de Paulo e só não o soltam por ele ter apelado ao imperador César.

O livro dos Atos está praticamente na reta final e vale sempre a reflexão: 1. Nós católicos aproveitamos toda as ocasiões boas ou más para anunciarmos a nossa fé?

Refletindo

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Trecho de papiro dos Atos dos Apóstolos Codex Laudianus

É um exemplo muito claro de como a nossa fé pode ser posta a prova em momentos adversos. Ser fiel a Jesus é acima de tudo defender com coragem e sabedoria aquilo que acreditamos. Hoje vemos muitos católicos que acabam não defendendo a própria fé. Muitas vezes por não gostarem de ler ou procurar por um entendimento maior da fé, outras vezes por falhas de quem está a frente da comunidade de fé que não promove grupos de estudos ou fazem da catequese e grupos da igreja um lugar de evangelização e vivência na fé continuas. Paulo pelo contrário não muda uma virgula na sua defesa da fé em Jesus Cristo e mesmo sabendo que vai pagar por isso, não admite ser convencido do contrário.

Nas nossas comunidades existem muitos desafios a serem enfrentados, mas eles só serão vencidos com a defesa da nossa fé. Sempre em Cristo.

Milton Cesar

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São Marcos

Marcos pertencente a tribo de Levi, era judeu de origem e de uma família tão Cristã que sempre acolheu Jesus, Maria e os apóstolos em sua casa: ‘Ele se orientou e dirigiu-se para a casa de Maria, mãe de João, chamado Marcos; estava lá uma numerosíssima assembléia a orar‘ (Atos 12, 12).

A tradição nos leva a crer que na casa de São Marcos teria acontecido a Santa Ceia celebrada por Jesus, assim com o dia de Pentecostes, onde ‘inaugurou’ a Igreja Católica. Encontramos na Bíblia que o Santo de hoje acompanhou inicialmente São Barnabé e São Paulo em viagens apostólicas, e depois São Pedro em Roma.

São Pedro, que o chama de ‘meu filho’, o teve certamente consigo em suas viagens a Roma, onde Marcos teria escrito o Evangelho. A antigüidade cristã, a começar por Pápias, chama-o de ‘intérprete de Pedro’. ‘Marcos, um intérprete de Pedro, escreveu exatamente tudo aquilo que se lembrava. Escreveu, porém, o que o Senhor disse ou fez, não segundo uma ordem. Marcos não escutou diretamente o Senhor, nem o acompanhou; ele ouvia São Pedro, que dispunha seus ensinamentos conforme as necessidades’.

Além da familiaridade com São Pedro, o evangelista Marcos pode orgulhar-se de uma longa convivência com o apóstolo São Paulo, com quem se encontrou pela primeira vez em 44, quando Paulo e Barnabé levaram a Jerusalém a generosa coleta da comunidade de Antioquia. De volta, Barnabé, levou consigo o jovem sobrinho Marcos. Após a evangelização de Chipre, quando Paulo planejou uma viagem mais trabalhosa e arriscada ao coração da Ásia Menor, entre as populações pagãs do Tauro, Marcos – conforme lemos nos Atos dos Apóstolos – ‘se separou de Paulo e Barnabé e voltou a Jerusalém’. Depois Marcos voltou ao lado de Paulo quando este estava prisioneiro em Roma.

Em 66 São Paulo nos dá a última informação sobre Marcos, escrevendo da prisão romana a Timóteo: ‘Traga Marcos com você. Posso necessitar de seus serviços‘. Os dados cronológicos da vida de São Marcos permanecem duvidosos. Ele morreu provavelmente em 68 de morte natural, segundo uma tradição e, conforme outra tradição, foi mártir em Alexandria do Egito. Os Atos de Marcos, um escrito da metade do século IV, referem que Marcos, no dia 24 de abril, foi arrastado pelos pagãos pelas ruas de Alexandria, amarrado com cordas ao pescoço. Jogado ao cárcere, no dia seguinte, sofreu o mesmo tormento atroz e sucumbiu. A venda do seu corpo por parte de dois comerciantes e mercadores de Veneza não passa de lenda (828). Porém, é graças a esta lenda que, de 976 a 1071, foi construída a estupenda basílica veneziana dedicada ao autor do segundo Evangelho, simbolizado pelo Leão. As relíquias do corpo de São Marcos estão localizadas na cidade de Veneza desde 815.

São Marcos que na Igreja primitiva fez um lindo trabalho missionário, que não deu fim diante da prisão e morte dos amigos São Pedro e São Paulo, por isso evangelizou no Poder do Espírito Alexandria, Egito e Chipre, lugar onde fundou Comunidades. Conhecido principalmente por ter sido agraciado com o carisma da inspiração e vivência comunitária que deram origem ao Evangelho querigmático de Jesus Cristo segundo Marcos.

A Igreja e o mundo precisam de cristãos como Marcos Evangelista, sendo modelo de: cristão em profunda comunhão com Deus e com os irmãos;
• missionário que anuncia e testemunha a boa nova de Jesus;
• articulador de novas comunidades e pastor dedicado ao Reino;
• escritor que procura transmitir ao mundo a vida, obra e ensinamentos de Jesus, nosso Salvador, Mestre e Senhor.

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Como base de estudo foi usado:

 

Fraternidade e Superação da Violência: Campanha da Fraternidade 2018

Chegou a quarta-feira de cinzas, depois da famigerada festa da carne (Carnaval) é hora de entrarmos de vez na Quaresma, tempo de oração, jejum, reflexão e recolhimento. Diferente da ideia comercial de que temos que comer peixe a todo custo (com isso as peixarias e mercados sobem o preço do alimento), a quaresma é um tempo para estarmos ainda mais unidos a ideia de igreja.

Afinal é a preparação para a memória que fazemos do sacrifício de Jesus Cristo que morreu como cordeiro por nossos pecados e ressuscitou ao terceiro dia.

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Cartaz oficial da CF 2018

Também é na quarta de cinzas que se inicia oficialmente a campanha da Fraternidade, e este ano o tema é: Fraternidade e Superação da Violência com o lema: Vós sois todos irmãos (Mt 23,8).

CF 2018 – FRATERNIDADE E SUPERAÇÃO DA VIOLÊNCIA – “Vós sois todos irmãos” (Mateus 23,8)

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2018

Tema: FRATERNIDADE E SUPERAÇÃO DA VIOLÊNCIA

Lema: “Vós sois todos irmãos” (Mt 23,8)

CRONOGRAMA DA CF 2018

14 de fevereiro de 2018 – QUARTA FEIRA DE CINZAS: Lançamento da CF 2018 em todo o Brasil, em âmbito nacional, regional, diocesano e paroquial, com a mensagem do Papa, da Presidência da CNBB e programas especiais.

REALIZAÇÃO DA CF 2018 – 14 de fevereiro a 25 de março de 2018

DOMINGO DE RAMOS – 25 DE MARÇO DE 2018 – Coleta Nacional da solidariedade (60% para o Fundo Diocesano de Solidariedade e 40% para o Fundo Nacional da Solidariedade).

AVALIAÇÃO DA CF 2018 (POR REGIÕES)– abril a junho de 2018 – no âmbito paroquial de 09 de abril a 13 de maio de 2018. No âmbito Diocesano de 14 de maio a 10 de junho de 2018. No âmbito regional de 11 de junho a primeiro de julho de 2018.

Avaliação nacional da CF 2018: em julho de 2018 

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OBJETIVO GERAL DA CF 2018:

Construir a fraternidade, promovendo a cultura da paz, da reconciliação e da justiça, à luz da Palavra de Deus, como caminho de superação da violência. 

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

  • Anunciar a Boa Nova da fraternidade e da paz, estimulando ações concretas que expressem a conversão e a reconciliação no espírito quaresmal.
  • Analisar as múltiplas formas de violência, especialmente as provocadas pelo tráfico de drogas considerando suas causas e consequências na sociedade brasileira.
  • Identificar o alcance da violência, nas realidades urbana e rural de nosso país, propondo caminhos de superação a partir do diálogo, da misericórdia e da justiça, em sintonia com o Ensino Social da Igreja.
  • Valorizar a família e a escola como espaços de convivência fraterna, de educação para a paz e de testemunho do amor e do perdão.
  • Identificar, acompanhar e reivindicar políticas públicas para a superação da desigualdade social e da violência.
  • Estimular as comunidades cristãs, pastorais, associações religiosas e movimentos eclesiais ao compromisso com ações que levem à superação da violência.
  • Apoiar os centros de direitos humanos, comissões de justiça e paz, conselhos paritários de direitos e organizações da sociedade civil que trabalham para a superação da violência. 

HINO DA CF 2018 

  • Neste tempo quaresmal, ó Deus da vida, a tua Igreja se propõe a superar a violência que está nas mãos do mundo e sai do íntimo de quem não sabe amar (Mc 7,21).

REFRÃO: Fraternidade é superar a violência (Mt 14,1-12-E derramar, em vez de sangue, mais perdão (Jo 20,21-23-É fermentar na humanidade o amor fraterno (Mt 13.33/:Pois Jesus disse que: “somos todos irmãos” (Mt 23,28)

  • Quem plantar a paz e o bem pelo caminho, e cultivá-los com carinho e proteção, não mais verá a violência em sua terra (Is 59,6). Levar a paz é compromisso do cristão (Ef 6,15)
  • Exclusão que leva à morte tanta gente (EG n.59) corrompe vidas e destrói a criação (LS n.70). “ Basta de guerra e violência, ó Deus clemente” (Mq 2,2). É o clamor dos filhos teus em oração.
  • Venha a nós, Senhor, teu Reino de justiça, pleno de paz, de harmonia e unidade (Mt 6,10 e Rm 15,17-15). Sonhamos ver um novo céu e nova terra: Homens na roda da feliz fraternidade (Ap 21,1-7).
  • Tua Igreja tem o coração aberto (EG n.46-49) e nos ensina o amor a cada irmão. Em Jesus Cristo, acolhe e perdoa, quem faz o mal, caiu em si, e quer perdão (Mt 18,21)

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ORAÇÃO DA CF 2018 

Deus e Pai, nós vos louvamos pelo vosso infinito amor e vos agradecemos por ter enviado Jesus, o Filho Amado, nosso irmão.

Ele veio trazer paz e fraternidade à terra e , cheio de ternura e compaixão, sempre viveu relações repletas de perdão e misericórdia.

Derrama sobre nós o Espírito Santo, para que, com o coração convertido, acolhamos o projeto de Jesus e sejamos construtores de uma sociedade justa e sem violência, para que, no mundo inteiro, cresça o vosso Reino de liberdade, verdade e de paz.

RESUMO DO TEXTO BASE CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2018

 VER A REALIDADE DA VIOLÊNCIA

Tendo suas residências guardadas por cercas elétricas, guaritas e vigias, cada vez mais também as pessoas se isolam e sentem nisso uma falsa sensação de segurança. O outro é afastado. Mantêm-se distância não só do inimigo, mas também dos possíveis amigos, como os vizinhos. Eis aí um dos maiores desafios contemporâneos no campo da segurança pública: garantir que as políticas públicas tenham em vista o aumento da solidariedade entre as pessoas, ao invés de enclausurá-las, criando empecilhos ou mesmo impedindo relações interpessoais humanizadas.

UM ALERTA PARA A SOCIEDADE BRASILEIRA:   Apesar de possuir menos de 3% da população mundial, o Brasil responde por quase 13% dos assassinatos do planeta. Em 2014 foram 59.627 mortes (conforme Ipea: consulta em http://www,ipea.gov.br/portal///index.php?option=com_content&id=27412)

AS DIVERSAS FACES DA VIOLÊNCIA – ONDE HÁ PAZ E ONDE HÁ GUERRA NO BRASIL

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 PRIMEIRO FATOR DA PAZ OU DA GUERRA:

Este número expressivo (59.627 mortes violentas no Brasil, em 2014) revela a contradição da imagem que se tem das terras brasileiras como espaço de povo pacato e ordeiro. Normalmente esta ideia surge onde o Estado se faz presente, justamente nos lugares onde residem pessoas endinheiradas, que podem pagar por segurança particular, também  contam com maior presença da segurança estatal. Nas periferias há ausência da segurança estatal ou só acontece quando há uma operação de combate a isso ou aquilo. Nestes ambientes os moradores são entregues a grupos armados, ao tráfico de drogas, etc.

 SEGUNDO FATOR DA SEGURANÇA OU INSEGURANÇA: O dinheiro demarca onde há paz ou guerra no Brasil. Quem pode pagar por segurança privada tem privilégios no espaço urbano. Visto nesta perspectiva, a segurança se torna um privilégio para poucos.

TERCEIRO FATOR DA VIOLÊNCIA NO BRASIL: O acesso à Justiça, na plenitude que a palavra “justiça” pode abarcar, acontece somente para aqueles que podem pagar bons advogados.

UM DADO ALARMANTE PARA REFLETIR:   Mais da metade da população carcerária,  mesmo depois de anos presa, ainda não compareceu diante de um juiz para julgamento.

A CULTURA DA VIOLÊNCIA:  Na cultura da violência costuma-se atribuir a culpa à vítima. Por exemplo, a estuprada é vista como mulher que se veste de forma imoral ou por não se dar ao respeito. O adolescente, por ser drogado, sofre o que merece e, muitas vezes, a morte. A cultura da violência tende a separar os bons dos maus. Comumente os maus estão nas classes inferiores ou em indivíduos situados em circunstâncias muito particulares, tais como imigrantes, migrantes ou os que têm orientação sexual diferenciada.

A CULTURA DA VIOLÊNCIA QUE GERA A POLÍTICA PAUTADA NA VIOLÊNCIA

Existem hoje, no Congresso Nacional, parlamentares identificados com segmentos econômicos e sociais fortemente interessados em propostas potencialmente geradoras de violência. Eis alguns exemplos:

Políticos defendem o uso de arma de fogo pela população civil sustentando tratar-se de um direito natural, o da autopreservação.

A corrupção é a expressão de que o dinheiro está em primeiro lugar, colocando em segundo plano a dignidade da vida humana.

Não há da parte da maioria dos políticos uma efetiva conscientização da população para que participe da atividade política para além do voto. Para inibir a maioria da população na participação política, vários políticos criminalizam os movimentos sociais que têm pontos de vista diversos daqueles que desejam aprovar projetos mais voltados aos interesses econômicos (dinheiro) que ao bem comum dos cidadãos.

AS VÍTIMAS DA VIOLÊNCIA NO BRASIL HOJE

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No mapa da violência 2016 constata-se que morrem muito mais pessoas negras que brancas. Isso pode ser verificado nos homicídios cometidos contra jovens. Em 2011 houve quase 28.000 assassinatos de jovens. Destes, quase 20.000 vítimas eram compostas por jovens negros.

As vítimas mulheres também são significativas na violência. Em 2013 houve 4.762 assassinatos de mulheres, o que significa 13 mulheres mortas por dia no Brasil naquele ano. Numa lista de 83 países, o Brasil ocupa a quinta posição entre as nações que mais assassinam mulheres.  O que é mais preocupante é que grande parte destes assassinatos acontecem no âmbito doméstico.

A pobreza – miséria, na verdade – é uma das piores formas de violência que uma criança pode enfrentar. Toda criança necessita na primeira infância de recursos educacionais, alimento, ambiente saudável e, principalmente, carinho. Infelizmente há casas sem banheiro, onde não se come nem duas vezes por dia. Uma coisa básica: não se tem guarda-roupa para organizar as vestes, que ficam jogadas pelo chão. É desta camada da população que os traficantes de pessoas encontram suas vítimas para a exploração sexual, comércio de órgãos, pornografia infantil, tornando o ser humano numa mercadoria.

Outra face da violência do Brasil atual é o narcotráfico. Os barões internacionais do tráfico são poupados. Pobres, negros e usuários das drogas são presos e jogados em prisões que jamais vão recuperá-los por não ser esta a preocupação central. Os presídios e cadeias brasileiros estão com superlotação de pequenos traficantes com idade entre 18 e 29 anos, cuja maioria não completou o ensino fundamental. Quase 70% das mulheres presas no Brasil estão nos cárceres por conta do tráfico de drogas.

Infelizmente o Brasil não tem uma política pública eficaz de combate às drogas porque a reduziu somente às investidas nos morros ou favelas, esquecendo que a promoção de emprego, cultura, educação e lazer para adolescentes e jovens são elementos vitais para este combate.

INEFICIÊNCIA DO APARATO JUDICIAL PARA O COMBATE À VIOLÊNCIA NO BRASIL

O sistema judicial brasileiro é moroso e seletivo, o que produz resultados negativos como a sensação de impunidade. Por outro lado, são mais de 650 mil presos no Brasil vivendo em condições degradantes e, grande parte, sem uma sentença definitiva por conta da morosidade judicial ou porque, sem recursos, são assessorados por defensores públicos.. Dentro das prisões progridem as organizações criminosas, que se aproveitam da inoperância do sistema judicial cedendo favores e privilégios àqueles que os obedecem na prática dos delitos dentro e fora das prisões.

POLÍCIA E VIOLÊNCIA

Não de pode negar que uma parcela da população deseja uma polícia violenta. São aquelas pessoas que julgam fazer parte da parte “boa” da sociedade. Por isso vibram quando enxergam um criminoso morto. A partir desta ideia muitos policiais reagem de forma violenta, mas muitos terminam mortos por vários fatores. Primeiro porque o Estado lhes oferece equipamentos obsoletos (armas de calibre inferior aos dos meliantes e veículos sem blindagem). Há denúncias, inclusive de coletes à prova de balas vencidos ou de baixa qualidade. Outro fator do aumento do número das mortes de policiais se dá pela baixa remuneração. Muitos militares assumem trabalhos complementares (os bicos de segurança em supermercados, lojas, etc.). Sem os equipamentos, embora obsoletos, quando estão na tropa, sem eles nos trabalhos privados ficam muito mais expostos à possibilidade da morte, uma vez que enfrentam criminosos com fuzis e outras armas potentes.

RELIGIÃO E VIOLÊNCIA:  Infelizmente no Brasil se tem constatado o aumento da violência religiosa promovida pelo fanatismo e a intolerância. As religiões de matiz africanas são as que mais sofrem perseguições e intolerância. O Brasil teve 697 denúncias de intolerância religiosa entre 2011 e 2015. Isso significa que a cada três dias houve algum tipo de violência contra as práticas religiosas africanas no Brasil.

TRÂNSITO E VIOLÊNCIA:  Todo ano, no Brasil, perto de 50.000 pessoas morrem vitimadas pelo trânsito. Muitas destas mortes poderiam ter sido evitadas obedecendo a algumas regras básicas tais como:

  • Se beber não dirija.     
  • Não use celular ao volante. 
  • Respeite o pedestre na faixa de segurança

Porém um dos fatores maiores da violência é a impunidade. Lembremos-nos da morosidade da justiça e dos inúmeros recursos possíveis para levar um julgamento por anos a fio sem que o culpado seja efetivamente punido.

JULGAR A VIOLÊNCIA PELO OLHAR BÍBLICO

  • ANTIGO TESTAMENTO

O primeiro ato de violência apresentado na Bíblia é o rompimento da relação do homem com Deus no paraíso. Este rompimento conduz à convivência violenta manifestada no assassinato de Abel pelo irmão Caim (Gn 4,1-16). A partir deste homicídio, a violência de espalha. Tudo o que foi criado por Deus, que considerou bom, ficou maculado pelo pecado e pela violência do ser humano. Lembremos que Caim ao ser perguntado por seu irmão, respondeu a Deus: “Acaso sou o guarda do meu irmão?” (Gn 4,9). Portanto, podemos concluir que a violência somente poderá ser superada pela reconciliação do homem com Deus e consequente inversão da frase de Caim, entendendo-nos todos como responsáveis uns pelos outros.

Vários textos bíblicos irão proibir o assassinato (Ex 20,13; Dt 5,17) bem como a cobiça da mulher e dos bens alheios (Ex 20,14.17; Dt 5,18.21). Para superar a violência, o ser humano deverá estar sempre com a verdade (Ex 20,16; Dt 5,20). A Lei de talião (olho por olho, dente por dente – Ex 21,24; Lv 24,20) estabeleceu uma justiça proporcional ao mal praticado, sem que houvesse uma vingança exagerada.

Outros textos da Sagrada Escritura motivam à acolhida ao estrangeiro (Ex 23,9), assim como a superar o ódio contra o irmão (Lv 19,17). O que Jesus falou, já havia sido dito tempos antes: “Amarás a teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19,18).

Os profetas é que irão refletir com mais propriedade a violência estabelecendo suas causas e eventuais remédios para combatê-la.  Ao enfrentar a violência muitos profetas a sofreram, como foi o caso de Jeremias mantido numa cisterna como prisioneiro (Jr 37-38). Elias teve que fugir para o deserto para escapar (1Rs 19,2). Amós foi expulso do santuário de Betel (Am 7.10-17). Para a superação da violência os profetas convidam seus contemporâneos para a prática da justiça e da compaixão (Am 5,24; Jr 22,3). Isaías apresenta a receita do remédio para a violência de forma explícita: “Lavai-vos, limpai-vos, tirai da minha vista as injustiças que praticais. Parai de fazer o mal, aprendei a fazer o bem, buscai o que é correto, defendei o direito do oprimido, fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva” (Is 1,16-17). Mais adiante Isaías diz que o fruto da justiça será a paz, que trará tranquilidade e segurança duradouras (Is 32,16-18).

Os livros Sapienciais apresentam de forma mais madura a superação da violência:

“Não trames o mal contra o amigo, quando ele vive contigo cheio de confiança. Não abras processo contra alguém sem motivo, se não te fez mal algum. Não invejes a pessoa injusta e não imites nenhuma de suas atitudes, pois o Senhor detesta o perverso” (Pr 3,29-32). Veja também Pr 4,14; 12,20; 13,2; 25,21).

Quase um terço dos 150 Salmos da Bíblia trata sobre a violência individual e testemunham a dor e a devastação causada pelos violentos (Veja como exemplo os Sl 7,2-3; Sl 10,7-8; Sl 27,12).

  • NOVO TESTAMENTO

À luz da palavra definitiva de Deus que nos é dada por Jesus é que toda a delicada temática da violência e da vingança na Bíblia recebe uma palavra definitiva. Jesus diz:

“Ouvistes o que foi dito: amarás a teu próximo e odiarás a teu inimigo. Eu vos digo: Amai os vossos inimigos e orais pelos que vos perseguem. Assim vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus; pois ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e cair a chuva sobre injustos e justos. Se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Os publicanos não fazem a mesma coisa? E se saudais somente os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? Sede, portanto, perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,43-48).

A perfeição solicitada em Mateus é dita no Evangelho de Lucas como misericórdia (Lc 6,35). Jesus propõe algo maior que a mera vingança. Diz o Filho de Deus:

Ouvistes o que foi dito: olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo: não ofereçais resistência ao malvado. Pelo contrário, se alguém te bater na face direita. Oferece-lhe também a esquerda” (Mt 5,38-42).

Nas bem-aventuranças, Jesus declara que aqueles que promovem a paz serão chamados filhos de Deus (Mt 5,9). A promoção da paz se torna ministério de todo cristão, uma paz deixada por Jesus:

“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou. Não é à maneira do mundo que eu a dou” (Jo 14,27).

Nas palavras de Jesus podemos encontrar a fonte da qual nasce a violência:

“Nada que, de fora, entra na pessoa pode torná-la impura. O que sai da pessoa é que a torna impura. Pois é de dentro do coração humano que saem as más intenções: imoralidade sexual, roubo, homicídios, adultérios, ambições desmedidas, perversidades, fraude, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, insensatez. Todas estas coisas saem de dentro e são elas que tornam alguém impuro” (Mt 7,14-15.21-23).

É, pois, o coração do homem que precisa ser pacificado para que possa superar a ideia que o outro é um risco a ser eliminado. A superação da violência passa necessariamente pela conversão dos atos do homem que pressupõe uma conversão do seu coração. A espiritualidade é apontada como um instrumento necessário para este processo:

“Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem” (Mt 5,44).

“…brilhe a vossa luz diante das pessoas, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,16).

Em todos estes casos a oração e a confiança em Deus são as únicas armas utilizadas pelos não violentos.

O FILHO VENCE A VIOLÊNCIA PELO AMOROSO DOM DE SI

Para os cristãos, a superação da violência se baseia em sua profissão de fé, que começa afirmando:

“Creio em Deus, Pai todo poderoso, criador do céu e da terra”.

A confissão de fé em um Pai comum é a semente da fraternal convivência entre os seres humanos. Malaquias já anunciava esta comum paternidade dizendo:

“Acaso não temos nós o mesmo Pai? Não foi o mesmo Deus quem nos criou? Por que, então, nos enganamos uns aos outros?” (Ml 2,10.16b)

A violência testemunhada desde o fratricídio de Abel por Caim é assumida por Jesus em seu corpo. Ele transforma a violência sofrida em amor ofertado. Diz São Pedro:

“Quando injuriado, não retribuía as injurias; atormentado, não ameaçava. Carregou nossos pecados em seu próprio corpo, sobre a cruz, a fim de que, mortos para os pecados, vivamos para a justiça” (1 Pd 2,23-24).

A IGREJA CONVIDA A PROMOVER A CULTURA DO DIÁLOGO

O Concílio Vaticano II diz:

“Para edificar a paz é preciso eliminar as causas das discórdias entre os homens, que são as que alimentam as guerras e, sobretudo, as injustiças. Muitas delas provêm das excessivas desigualdades econômicas e do atraso em lhes dar os remédios necessários. Outras nascem do espírito de dominação e do desprezo pelas pessoas” (GS n. 83).

Preocupado com a violência crescente, o então Papa Paulo VI, agora beatificado, criou em 1968 a comemoração do dia mundial pela paz, celebrado sempre no primeiro dia do ano. Na mensagem para o primeiro dia mundial da paz o Beato Paulo VI falou da necessidade de um espírito novo, um novo modo de pensar o homem e seus deveres e o seu destino, o qual por sua vez, se constrói com uma nova pedagogia: a educação das novas gerações para o respeito mútuo, para a fraternidade e para a colaboração entre as pessoas, em vista do progresso e do desenvolvimento. Nesta ocasião, em vista disso, indica um conjunto de valores: a sinceridade, a justiça, o amor, a liberdade das pessoas e dos povos, o reconhecimento dos direitos da pessoa humana e da independência das nações. E proclama com convicção:

“… do Evangelho pode brotar a paz, não para tornar os homens fracos e moles, mas para substituir nas suas almas os impulsos da violência e da prepotência pelas virtudes viris da razão e do coração dum humanismo verdadeiro!”

Na celebração do dia mundial da paz de 2017 o Papa Francisco disse:

“Todos nós desejamos a paz; muitas pessoas a constroem todos os dias com pequenos gestos; muitos sofrem e suportam pacientemente a dificuldade de tantas tentativas para construí-la”.

A campanha da fraternidade deste ano nos convoca a viver a prática de Jesus no exercício dos pequenos gestos que o Papa Francisco destaca na ação do Filho de Deus:> a escuta, a saída missionária, o acolhimento, o diálogo, o anúncio da paz e a denúncia da violência na dimensão pessoal e social. A lógica do amor é o único instrumento eficaz diante das ações violentas

Na busca da superação da violência como seguimento de Jesus Cristo vale lembrar que em 2007 foi beatificado como mártir o leigo austríaco Franz Jagerstatter, casado e pai de família. Ele rejeitou prestar qualquer tipo de colaboração e de apoio aos nazistas, Foi por isso condenado à morte e decapitado em 09/08/1943. Sua beatificação repropõe o convite a resistir a toda forma de violência e a consagrar todos os esforços possíveis pela causa da paz.

AGIR – AÇÕES PARA A SUPERAÇÃO DA VIOLÊNCIA

Um agir que supera a violência tem como fundamento o Evangelho que aponta para a grandeza da vida e a beleza do viver. Testemunhar a beleza da vida e a graça de vivermos todos como irmãos! Essa verdade do Evangelho deveria ecoar em nossos corações, em nossas comunidades e em nossa sociedade.

Por isso, a Campanha da Fraternidade de 2018 nos convoca a viver a prática de Jesus no exercício da escuta, da saída missionária, do acolhimento, do diálogo, do anúncio e da denúncia da violência na dimensão pessoal e social. A lógica do amor é o único instrumento eficaz diante das ações violentas.

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PISTAS DE AÇÃO CONCRETA:

A Igreja está intimamente ligada às pessoas, à sua história e aos acontecimentos que marcam a vida de todos. Fiel a Jesus Cristo, que quer que todos os povos sejam seus discípulos e vivam o mandamento do amor, para isso é preciso trilhar um caminho feito de passos como:

– A comunidade insira o tema da paz em sua liturgia e oração

– Articular por meio do Ecumenismo e do diálogo inter-religioso, momentos de oração pela paz em lugares simbólicos.

– Conhecer as realidades próximas da comunidade que apresentem conflitos, para um discernimento sobre as melhores soluções e contribuições possíveis.

– Acompanhar famílias, jovens, grupos de bairros rivais, escolas com incidência de conflitos em vista de superá-los.

– Incluir o tema da superação da violência nos programas de formação para a Iniciação Cristã, Catequese e Pastoral Juvenil.

– Promover uma Pastoral Familiar capaz de ajudar cada família a superar os problemas da violência doméstica.

– Utilizar os meios de formação como homilia, catequese, encontros, cursos, escolas da fé, para aprofundar temas relativos à superação da violência, a fim de atingir as pessoas que participam da vida da comunidade cristã.

CONCLUSÃO

Fraternidade e superação da violência indica um caminho. A misericórdia, sem dúvida, indica caminhos novos e desafiadores: “Amai os vossos inimigos e fazei o bem aos que vos odeiam. Falai bem dos que falam mal de vós e orai por aqueles que vos caluniam. Se alguém te bater numa face, oferece também a outra. Amai os vossos inimigos, fazei o bem e prestai ajuda sem esperar nada em troca. Sereis filhos do Altíssimo, porque Ele é bondoso também para com os ingratos e maus. Sede misericordiosos como vosso pai é misericordioso” (Lc 6,27-29.35-36).

A Campanha da Fraternidade, abordando a realidade, nos provoca a sermos construtores da paz e gestores da fraternidade. Superar a violência é tarefa de todo cristão, pois recebemos o mandamento do amor como vocação e missão. Fomos em Cristo adotados como filhos e filhas, recebemos a dignidade filial (Gl 4,5). Superamos a violência quando fomos tomados pela paternidade de Deus e pela filiação em Jesus. Em Cristo, somos todos irmãos.

(Extraído do Texto de apoio para estudo Paroquial – Padre Tarcísio Spirandio – Paróquia Santo Antonio e Nossa Senhora Aparecida – Itatiba Diocese de Bragança Paulista – SP. )

Leia também:

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Na história do desenvolvimento da Campanha da Fraternidade seguiu-se dentro de algumas fases que se confundem também com a História da Igreja Católica e com a História recente da sociedade brasileira.

1ª Fase: Em busca da Renovação Interna da Igreja

Renovação da Igreja

ANO TEMA LEMA
1964 Igreja em Renovação Lembre-se: Você também é Igreja
1965 Paróquia em Renovação Faça de sua paróquia uma comunidade de fé, culto e amor

Renovação do Cristão

ANO TEMA LEMA
1966 Fraternidade Somos responsáveis uns pelos outros
1967 Co-responsabilidade Somos todos iguais, somos todos irmãos
1968 Doação Crer com as mãos!
1969 Descoberta Para o outro, o próximo é você
1970 Participação Ser Cristão é Participar
1971 Reconciliação Reconciliar
1972 Serviço e Vocação Descubra a felicidade de servir

2ª Fase: A Igreja preocupa-se com a realidade social do povo, denunciando o pecado social e promovendo a justiça

ANO TEMA LEMA
1973 Fraternidade e libertação O egoísmo escraviza, o amor liberta
1974 Reconstruir a casa Onde está teu irmão?
1975 Fraternidade é repartir Repartir o Pão
1976 Fraternidade e Comunidade Caminhar juntos
1977 Fraternidade na Família Comece em sua casa
1978 Fraternidade no mundo do trabalho Trabalho e justiça para todos
1979 Por um mundo mais humano Preserve o que é de todos
1980 Fraternidade no mundo das Migrações, Exigência da Eucaristia Para onde vais?
1981 Saúde e Fraternidade Saúde para todos
1982 Educação e Fraternidade A verdade vos libertará
1983 Fraternidade e Violência Fraternidade sim, violência não
1984 Fraternidade e Vida Para que todos tenham vida

3ª Fase: A Igreja volta-se para situações existenciais do povo Brasileiro

ANO TEMA LEMA
1985 Fraternidade e Fome Pão para quem tem fome
1986 Fraternidade e Terra Terra de Deus, Terra de irmãos
1987 Fraternidade e o Menor Quem acolhe o menor, a mim acolhe
1988 Fraternidade e o Negro Ouvi o clamor deste povo!
1989 Fraternidade e a Comunicação Comunicação para a verdade e a paz
1990 Fraternidade e a Mulher Mulher e Homem: Imagem de Deus
1991 A Fraternidade e o Mundo do Trabalho Solidários na dignidade do Trabalho
1992 Fraternidade e Juventude Juventude – caminho aberto
1993 Fraternidade e Moradia Onde moras?
1994 Educação e a Família A Família, como vai?
1995 A Fraternidade e os Excluídos Eras tu, Senhor?!
1996 Fraternidade e Política Justiça e Paz se abraçarão
1997 A Fraternidade e os Encarcerados Cristo liberta de todas as prisões
1998 Fraternidade e Educação A Serviço da Vida e da Esperança
1999 Fraternidade e os desempregados Sem trabalho…Por quê?
2000 Dignidade Humana e Paz (ecumênica) Novo Milênio sem Exclusões
2001 Fraternidade e as Drogas Vida sim, Drogas não
2002 Fraternidade e Povos Indígenas Por uma terra sem males
2003 Fraternidade e Pessoas Idosas Vida, Dignidade e Esperança
2004 Fraternidade e Água Água, fonte de Vida
2005 Solidariedade e Paz (ecumênica) Felizes os que promovem a Paz
2006 Fraternidade e Pessoas com Deficiência Levanta-te, vem para o meio!
2007 Fraternidade e Amazônia Vida e Missão neste chão
2008 Fraternidade e Defesa da Vida Escolhe, pois, a Vida
2009 Fraternidade e Segurança Pública A Paz é fruto da Justiça
2010 Economia e Vida (ecumênica) Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro
2011 Fraternidade e a Vida no Planeta A criação geme em dores de parto
2012 Fraternidade e saúde pública Que a saúde se difunda sobre a terra!
2013

Fraternidade e Juventude

Eis-me aqui, envia-me!
2014 Fraternidade e Tráfico Humano É para a liberdade que Cristo nos libertou
2015 Fraternidade: Igreja e Sociedade Eu vim para servir
2016 Casa Comum, Nossa Responsabilidade Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca
2017 Fraternidade: Biomas brasileiros e defesa da vida Cultivar e guardar a criação

Revolução Cultural

Catequese, vivência na fé

Padre Paulo Ricardo de Azevedo Jr. É licenciado em Filosofia pelas Faculdades Unidas Católicas de Mato Grosso – FUCMAT, Campo Grande, MS (1987), bacharel em Teologia (1991) e mestre em Direito Canônico (1993) pela Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma). Também é Mestre em catequese e produz muitos vídeos para evangelização para o YouTube além das constantes aparições nas TVs católicas.  Esta série de vídeo aulas foram feitas em 2012.

 

Estai sempre prontos a responder para vossa defesa a todo aquele que vos pedir a razão de vossa esperança.” (I Pedro 3,15)

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O curso “Marxismo Cultural e Revolução Cultural” esta disponibilizado na íntegra pelo site do Padre Paulo Ricardo. Segundo descreve, este curso posiciona-se como reflexão teológica cujo objetivo é o de “identificar o que está acontecendo com a teologia e a maneira como o pensamento revolucionário está influenciando a forma de pensar a teologia, Deus, a Igreja e o sacerdócio. Porém, para se chegar à teologia é importante conhecer as raízes desta revolução, que se encontram na filosofia.”

Segundo informações disponibilizadas na descrição dos vídeos “esta é uma série de palestras que busca compilar, de forma sistemática, o tema do Marxismo Cultural que se encontra difuso em diversos vídeos e palestras no site padrepauloricardo.org. O intuito é o de apresentar a revolução cultural dentro da Igreja ou, melhor dizendo, um estudo sistemático das raízes da Teologia da Libertação e de sua atuação dentro da Igreja Católica.”

No site em que foi publicado originalmente, o curso se propõe a ser uma porta de entrada ao pensamento sociológico, à uma reflexão um pouco mais aprofundada, e porque não filosófica, do contexto social que estamos vivendo no Brasil e no mundo. Assim, como um bom desenhista ou um bom fotógrafo precisa se distanciar do objeto para compreendê-lo em outras perspectivas, que nestes videos, você possa abrir a realidade concreta e, sobretudo, santificá-la na medida do possível com sua santidade de vida. (Extraído do Blog Canção Nova) https://blog.cancaonova.com/cleberrodrigues/marxismo-e-revolucao-cultural/

Assista todas as aulas desta série de palestras:

Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior pertence ao clero da Arquidiocese de Cuiabá (Mato Grosso – Brasil).

Nasceu em Recife – PE, no dia 7 de novembro de 1967, onde pertencia à Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem. Com 11 anos de idade, sua família se transferiu para Cuiabá – MT (1979). Foi estudante de intercâmbio e concluiu o Ensino Médio em Michigan, nos EUA (1983-1984). Ingressou no seminário em 1985 e foi ordenado sacerdote no dia 14 de junho de 1992, por São João Paulo II.

É licenciado em Filosofia pelas Faculdades Unidas Católicas de Mato Grosso – FUCMAT, Campo Grande, MS (1987), bacharel em Teologia (1991) e mestre em Direito Canônico (1993) pela Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma).

Já exerceu os seguintes ofícios eclesiásticos na Arquidiocese de Cuiabá: Vigário Paroquial da Catedral-Basílica do Senhor Bom Jesus de Cuiabá (1994-1997); Reitor do Seminário Cristo Rei (1996-2010); Vigário Judicial (1998-2011); Pároco da Paróquia Nossa Senhora das Dores, em Barão de Melgaço, no pantanal de Mato Grosso (1998-2009); Secretário Geral do Sínodo Arquidiocesano de Cuiabá (2004-2008). Foi por diversos mandatos membro do Conselho de Presbíteros e do Colégio de Consultores (1994-2010).

Lecionou nas seguintes instituições: Faculdades de Filosofia e de Psicologia da Universidade Católica Dom Bosco – Campo Grande, MS (1994-1995); Instituto Regional de Teologia (ITEO) – Campo Grande – MS (1994-2000); Studium Eclesiástico Dom Aquino Corrêa – Cuiabá, MT (1999-2012).

Foi membro do Conselho Internacional de Catequese (Coincat) da Santa Sé (Congregação para o Clero), por dois períodos consecutivos (2002-2012).

Atualmente, é Vigário Paroquial da Paróquia Cristo Rei, em Várzea Grande – MT e se dedica à evangelização através dos meios de comunicação, sendo autor de diversos livros. Leciona Teologia no Instituto Bento XVI, da Diocese de Lorena, SP, desde 2011.

Virgem Maria, rogai por nós!

 

39 º Encontro (Catequese) – Uma conversa franca sobre a Igreja

Série: Animo, uma nova Catequese (Encontro 39/40)

Muita gente acha que ser da igreja é sempre estar em penitência, no sofrimento. Ou ter comportamentos ditos adequados (mas só para outros verem), esquecem que o ser igreja é antes de tudo ser feliz: Alegrai-vos sempre no Senhor, alegrai-vos! A igreja é também a casa de Deus, merece respeito, reverência, mas nunca sofrimento, tristeza e engana-se quem acha que a nossa igreja católica não possui regras e dogmas, e que é tudo de qualquer jeito. Nós temos mais de 2000 anos de tradição e foi esta firmeza na fé que fez a igreja chegar até aqui. Mas para todos que estão fazendo esta vivência na fé, este é o momento para termos uma conversa franca sobre a igreja. Falaremos sobre curiosidades, dogmas de fé, tradição e a alegria de ser igreja.

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Sugestão para folha de encontro

Neste encontro sugiro começar com um grande abraço da paz e o canto Vem Espírito

Depois pode-se pedir que cada um fale o que mudou na sua vida neste tempo de caminhada (deixar livre para quem quiser falar ou não)

Depois entremos no tema e falaremos sobre a igreja católica, a nossa igreja. Como é importante entendermos que o ser igreja é também um jeito de viver e esse jeito demanda aceitar algumas coisas. (veja aprofundamento para o catequista)

No terceiro momento é hora de acertar os últimos detalhes antes da celebração do Crisma, e acertar leitores e vários outros pontos da missa deste dia (já venho falando destes pontos em várias postagens anteriores)

Momento de oração:

Ambientação: velas, cruz e Bíblia

Material: papel e canetas

Desenvolvimento: todos devem escrever seu nome em uma folha de papel e uma intenção pelo que vai rezar durante a semana. Depois coloca-se os papeis próximo a Bíblia. E fazem uma oração no silêncio, depois de um tempo todos refletem sobre a música A Paz que eu sempre quis – Vida Reluz (deixar a música tocar e esperar que todos escutem, orientando para que enquanto isso fiquem em oração). Após esse momento todos pegam um dos papéis escritos anteriormente, mas não pode ser o seu próprio. A orientação é que cada um reze pela sua intenção e pela do outro que escreveu no papel durante a semana. Um irmão, deve sempre orar pelo outro.

Depois faz-se a oração final e canta-se  a música Jesus pra sempre – Comunidade Doce Mãe de Deus 

Lembrando que no próximo encontro será o ultimo desta preparação pode ser sugerido um café compartilhado onde cada um (daqueles que se disporem levem alguma coisa para ser compartilhada) ou a comunidade banque, pois será um encontro mais descontraído.

Aprofundamento para o catequista:

A igreja é o local mais indicado para o encontro dos fiéis. Não acredito quando uma pessoa se diz católica, mas não vai na igreja. Isso não é ser católico é só se dizer católico, sem ser. Isso não exclui a casa de cada um como local importante para se manter fiel. Mais ainda os locais onde frequentamos como: escola, curso, trabalho, bairro… podem e devem ser também espaços para mostrarmos a nossa fé. E quando digo mostrarmos a nossa fé, não estou dizendo ficar condenando ninguém que não seja da nossa igreja, ou ficar apontando os erros. Muito menos ser omissos quando percebemos algo que vai contra Deus.

O católico é católico 24 horas por dia, e não só nas missas ou na igreja, mas sim em todos os lugares. A Igreja Católica Apostólica Romana não é uma bagunça como alguns acham, e muito menos um espaço onde tudo pode. A igreja tem suas regras e estas regras não são um impedimento, mas sim um bom guia e comportamento para que a fé não se perca em meio as coisas do mundo.

O católico deve no minimo:

  1. Receber os Sacramentos da Iniciação Cristã (Batismo, Eucaristia e Crisma)
  2. Receber o Sacramento da Confissão (é recomendável que ao menos uma vez ao ano cada fiel faça a sua confissão)
  3. Participar das missas e celebrações
  4. Participar da igreja (existem grupos de oração, terço, jovens, perseverança (adolescentes), dízimo, catequeses, ministérios, limpeza, Batismo, ECC (Encontro de Casais com Cristo), liturgia, círculos bíblicos, novenas e várias outras pastorais)

O padre é autoridade dentro de uma comunidade, mas para o bom funcionamento é necessária a colaboração de todos e também a formação de uma equipe de administração, na verdade chamado Conselho Pastoral, onde o coordenador (ou animador como tem sido o costume chamar ultimamente) de cada Pastoral faz parte.

A igreja segue o Código de Direito Canônico que é a constituição da igreja e vale para o mundo todo. Nele estão as regras para tudo que se faz dentro da igreja (do recebimento dos sacramentos a ordenação dos padres e até da escolha do Papa). É de lá que sabemos que quem pode ser padrinho de Batismo (ou Crisma também) deve ter recebido os Sacramentos da Iniciação Cristã, deve ser solteiro ou ter recebido o Sacramento do Matrimônio (não pode viver junto apenas) e ter 18 anos ou mais. Lá diz que o crismando só está apto a receber o sacramento da Confirmação (Crisma) com 15 anos ou mais. Fala-se da indissolubilidade do Sacramento do Matrimônio,  ou seja : O que Deus uniu o homem não separa. Mas também é explicado que em alguns casos bem específicos o matrimônio pode ser anulado. Para tudo tem os procedimentos para se conceder o sacramento mas também os impedimentos.Fica claro a função dos padres, bispos e até do Papa e vários outros pontos da igreja. Por isso mesmo eu discordo da flexibilidade algumas vezes praticadas por alguns padres e/ou comunidades afim de não perder o fiel,mas estes muitas vezes só procura a igreja na hora de receber algum sacramento como Batismo ou Matrimônio, são o que chamo de católico turista.

O Católico Turista:

O Católico Turista é aquele que só vai na igreja quando precisa batizar um filho ou ser padrinho, ou vai se casar. Também tem aqueles turistas que só vão em missas de 7º dia ou na semana santa. Ou que só aparecem em festas juninas. Estes não são católicos na sua totalidade, mas precisam ser resgatados e voltarem a igreja. Até entendo que hoje em dia as exigências do trabalho atrapalham, mas é impossível não sobrar um tempo para Deus, já que a maioria das igrejas tem missas em horários e dias diversos para atender a todos. Não sou daqueles que não concordam quando alguém proclama que a fé dele é só ele e Deus e não precisa da igreja. A igreja é o lugar onde o próprio Jesus disse que estaria e esta igreja seria construída em Pedro, além dele próprio dizer que estaria onde dois ou mais estivessem reunidos. O mundo fora da igreja não leva a lugar nenhum pois as tentações são maiores, já dentro da igreja o viver o amor de Deus é intenso.

Igreja Humana e Santa

A igreja é Santa e humana.

Santa porque é a casa de Jesus, da Santíssima Trindade e onde reina o amor de Deus.

Humana porque acima de tudo é feita por nós seres humanos. E é justamente esta parte humana que precisa a cada dia mais se integrar e nascer para uma vida nova em Jesus Cristo. Ninguém vai negar todos os problemas que um grupo de pessoas juntas acabam tendo. Algumas vezes acontecem discussões, fofocas e mágoas, porque falta sempre o diálogo, mas não um diálogo comum e sim uma conversa baseada na oração e no consenso do que é melhor para a igreja. Um padre muito centralizador não colabora com o crescimento da comunidade, assim como um padre omisso também não. Pessoas que estão a frente de alguma pastoral devem também saber lidar com as divergências e ponderar sobre os melhores caminhos a se tomar, sempre orientados pela oração e com a ajuda do padre. nenhuma comunidade vai ter todas as pessoas concordando com tudo, mas é importante não ter um dos maiores pecados do mundo atual (acho que deveria entrar na lista dos pecados mortais): a fofoca. Grupos diferentes tem que saber respeitar os outros e todos devem entender que a igreja é de todos e não só de um grupo ou de uma pessoa. Somos irmãos em Cristo e devemos também cuidar da sua igreja.

Milton Cesar (Fides Omnium)

Curiosidades:

Jesus-cordeiro

O crucifixo é muito usado pelos católicos como simbolo. Nas igrejas existem crucifixos, muitos usam como adereço, principalmente no pescoço. Isso causa certa polêmica com nossos irmãos protestantes que dizem que adoram um Deus vivo. Nós católicos também amamos a Jesus vivo, mas a cruz nos lembra do sacrifício feito por Deus ao entregar seu filho único como cordeiro em expiação dos nossos pecados. Algumas pessoas também consideram utilizar a cruz como cordão com crucifixo para simbolizar que sabem do sacrifício de Jesus e sabem que devem sempre carregar a própria cruz.

Porque as igrejas tem nomes de santos?

É uma tradição da igreja dedicar muitos de seus templos a Santos e Santas, mas não são todos, e isso acontece por diversos motivos. Mas a principal é que na maioria das vezes uma igreja é construída por existe uma veneração de algum santo naquele lugar, então se mantém o nome do santo. Eu particularmente explicava nas catequeses que o nome da igreja ser o nome de um Santo(a) não quer dizer que a igreja não seja de Jesus. Só quer mostrar como Jesus era em vida, sempre se reunindo na casa de outras pessoas. Não me lembro de nenhuma narrativa bíblica dando conta de que Cristo levou seus seguidores para sua casa, mas sim de que foi acolhidos em alguma casa. Existe sempre o respeito a devoção das pessoas.

O princípio protestante de que “só a Bíblia” (Sola Scriptura)
Nada mais falso do que esse princípio. Os cristãos do primeiro século não dispunham de Bíblia. E nem os cristãos dos séculos seguintes. Na verdade, os cristãos só puderam contar com a Bíblia para consulta, como hoje, muitos anos depois da invenção da imprensa, que só aconteceu no ano de 1455. Então, será que o Senhor Jesus esperaria quase um milênio e meio para revelar sua verdadeira doutrina para o mundo? Se assim fosse, Ele teria mentido, pois disse antes de partir para o martírio que estaria com a sua Igreja até o fim do mundo (cf. Mateus 28, 19-20).
Além disso, para que a Bíblia fosse a única fonte de revelação, seria no mínimo necessário que ela mesmo se proclamasse assim; e não é o caso, pelo contrário. A Bíblia diz que a Igreja é a coluna e o sustentáculo da verdade (1 Tim 3, 15), e não as Escrituras. Nela, Jesus Cristo diz ainda: “Vocês examinam as Escrituras, buscando nelas a vida eterna. Pois elas testemunham de Mim, e vocês não querem vir a Mim, para que tenham a Vida!”(João 5, 39-40).
Sim, a Bíblia diz que as Escrituras são ÚTEIS para instruir, mas nunca diz, em versículo algum, que somente as Escrituras instruem, ou que só o que as Escrituras dizem é que vale como base para a fé. Isso é uma invenção humana sem nenhum fundamento. E a Bíblia também diz que devemos guardar a Tradição (2 Tessalonicenses 2, 15; 3,6) Extraído do blog Ecclesia Militans

Algumas siglas da igreja que você já viu, e talvez não saiba o que significa

Alfa e Ômega

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Alfa e Ômega, significa o principio e fim. Deus é o principio e fim de tudo

 JHS (IHS)

 

Se você pensou: “Jesus Hóstia Sagrada”, errou (apesar de muitas hóstia trazerem esta inscrição) na realidade, JHS (ou IHS) é a sigla da expressão: “Iesus Hominun Salvator”, que significa: “Jesus Salvador dos homens”. “JHS: Monograma de Cristo que significa “Iesus* Hominun Salvator” (Jesus Salvador dos Homens), e não Jesus Homem Salvador como alguns erroneamente traduzem. O monograma IHS é a transcrição do nome abreviado de Jesus em grego, Ιησούς (em maiúsculas, ΙΗΣΟΥΣ). O “J” corresponde à pronúncia do “I” na antiguidade, assim como o “V” era empregado como “U”.

Como surgiu este monograma JHS usado pela Igreja católica?

Ele vem do grego “IHSUS”, aparece nos evangelhos dos apóstolos Marcos e Lucas. Transliterado para a forma latina passa a ser, “Iesus Hominun Salvator” (IHS)”. A criação deste monograma é de São Bernardino de Sena, no século XV, e mais tarde o fundador dos padres jesuítas, Santo Inácio de Loyola, no século XVI, adotou como emblema da Companhia de Jesus. O símbolo foi usado como carimbo em todas as publicações dos livros e documentos da Companhia de Jesus. Com o passar dos anos a sigla passa a ser um monograma usada como um dos símbolos Católicos.

XP

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Essa sigla aparece muito no dia a dia do católico, em paramentos, em casulas e até na Sagrada Eucaristia. Ela significa “Cristo” pois as letras gregas XP (Chi-Rho) são as primeiras duas letras de Χριστός, Cristo.

O monograma citado acima foi criado pelo imperador romano Constantino para simbolizar o Cristianismo

 

ICTYS

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Essa nós não convivemos muito, mas é bem importante. O símbolo era utilizado pelos primeiros cristãos (ainda chamados de nazarenos) para que eles pudessem se identificar de uma forma discreta, pois sofriam inúmeras perseguições na época. Então a palavra grega ICTYS (peixe) passa a ser a sigla de “Iesus Christus Theou Yicus Soter”, ou Jesus Cristo Filho de Deus Salvador. E escrita em alguns lugares acabavam por identificar o lugar de culto ou casa de outro nazareno.

INRI

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Lucas23,38: “E havia uma inscrição acima dele: Este é o Rei dos Judeus” 

Escrita normalmente em crucifixos, a sigla INRI significa “Iesus Nazarenus Rex Iudaeorum” ou “Jesus de Nazaré Rei dos Judeus”. Segundo o Evangelho de São João, Pilatos teria feito redigir o texto em latim, grego (Ἰησοῦς ὁ Ναζωραῖος ὁ Bασιλεὺς τῶν Ἰουδαίων) e hebraico (ישוע הנצרת מלך היהודים). Mesmo sobre o protesto do Sinédrio a placa foi fixada na parte superior da cruz.

Escute as músicas sugeridas:

35 º Encontro (Catequese): A igreja somos nós

Série: Animo, uma nova Catequese (Encontro 35/40)

Neste encontro vamos falar sobre a Igreja. A nossa igreja Católica Apostólica Romana e algumas das diferenças com outras igrejas. Mas acima de tudo vamos falar também sobre religião, e sobre isso devemos sempre nos atentar para o fato de que tudo é uma questão de fé. Acreditar ou não.

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Sugestão de folha para encontro

Podemos começar, sempre podemos fazer uma oração, sugiro que seja feito o Creio, uma maneira mais dinâmica seria fazê-lo em forma de jogral (divide-se o texto da oração e entrega-se uma parte para cada um numerada e assim o catequizando lê e faz a oração).

Como canto inicial sugiro Um Deus apaixonado – Mensagem Brasil

O tema pode ser dividido entre contar a história da igreja (a nossa) e depois falar sobre algumas das diferenças existentes entre as demais igrejas e religiões. É muito importante um bom preparo anterior dos catequistas pois pode acontecer (não é raro) dos catequizandos trazerem muitas dúvidas (baseadas em ouvir dizer ou em experiências vividas por eles em outras igrejas ou por parentes e amigos) e quase sempre eles querem tirar estas dúvidas no encontro. Sugiro que só sejam respondidas questões que se tenham certeza, e evitar o “eu acho”. Qualquer dúvida que não tiverem (os catequistas) as respostas, devem ser levadas e respondidas (sem falta) no próximo encontro. É importante que a posição da igreja seja afirmada e para isso os catequistas devem fazer um esforço para serem precisos no que falam. (ver material de apoio sugerido)

Momento de oração:É muito importante já trazer os catequizandos para estes momentos de espiritualidade mais fortes, e a oração é sempre o melhor caminho. Faltam 5 encontros (na nossa sugestão) e é hora de nos colocarmos em oração, preparando o espírito para este grande dia. (Colocar como música de fundo Acalma o meu coração – Anderson Freire), pedir que todos fechem os olhos e pedir que todas as intenções sejam levadas a Deus, pela proteção, saúde, paz e fé de todos do grupo de catequese. De todos os familiares e padrinhos. Depois deixar que a música toque e todos possam ouvir em silêncio, ainda de olhos fechados.

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Folha com a música para ser entregue como mensagem

Depois sugiro que seja cantado a música Milagres – Adriana e Pe. Fábio de Melo 

Ai sim fazer a oração final do Pai Nosso.

Aprofundamento para o catequista

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Basílica de Nossa Senhora Aparecida

O mundo não tem apenas uma religião, isso é fato incontestável.

A palavra religião pode ser definida como um conjunto de crenças e práticas sociais relacionadas com a noção de sagrado. É um dos fenômenos mais importantes entre aqueles exclusivamente ao ser humano.

Porém é impossível definir a religião por ser uma questão de fé, que desafia a ciência (está que se arvora de ter todas as respostas)

Toda cultura ou civilização, sem exceção, desenvolveu um sistema religioso, seja ele elementar (povos nativos da América e Oceania) ou mais complexo como as religiões médio-orientais (abraâmicas como o Judaísmo, Cristianismo e Islamismo )

Principais religiões do mundo e do Brasil

Como dissemos um pouco mais acima, toda e qualquer cultura ou civilização desenvolveu um sistema religioso ou, antes, desenvolveu-se junto a esse sistema. Entre as principais religiões do mundo, encontram-se aquelas com mais complexidade de organização e maior envergadura teológica. É caso, como já citamos, das religiões abraâmicas (JudaísmoCristianismo e Islamismo) e das religiões asiáticas, como o Hinduísmo, o Budismo, o Confucionismo, o Xintoísmo e o Taoismo. No continente africano, destacam-se o Vodu e o Candomblé.

  • Cristianismo: possui aproximadamente 2,2 bilhões de adeptos no mundo – essas pessoas são consideradas cristãs. Esse nome advém de Jesus Cristo que, segundo a crença de seus seguidores, veio para trazer a salvação para o homem. Essa religião é monoteísta (adora apenas um deus). Dentro do cristianismo ocorrem divisões, formando ramificações denominadas de:
  • Catolicismo: representa as pessoas que seguem a Igreja Católica Apostólica Romana, que possui como autoridade máxima o papa. No mundo são contabilizados cerca de um bilhão de católicos.
  • Ortodoxo: é uma religião cristã oriunda de uma separação que aconteceu na Igreja Católica Romana no século XI e que se dispersou no oriente. As principais igrejas são a Católica Ortodoxa e Ortodoxa Russa.
  • Protestantes: emergiu a partir de divergências de opiniões dentro da Igreja Católica no século XVI. O surgimento dessa ramificação cristã está ligado à Reforma Protestante. Martinho Lutero foi quem liderou a revolta contra a venda de perdão por parte do clero, além de ser contrário aos dogmas praticados pela Igreja Católica, como a impossibilidade de engano por parte do papa e também a veneração a santos.
  • Islamismo: é uma religião monoteísta que surgiu no século VII, foi criada por Maomé, seu principal líder. O livro sagrado é o Corão, atualmente possui cerca de um bilhão de adeptos no mundo e é a que mais cresce. O islamismo é difundido especialmente na Ásia e na África, porém existem muitos seguidores em países como a Inglaterra e a Espanha.
  • Budismo: é uma religião criada por Buda, um príncipe chamado Sidarta Gautama. Surgiu na Índia, no século VI a.C. Dentro do budismo não existe hierarquia, até porque não há um deus, somente um líder espiritual, que é o Buda. No mundo existem cerca de 400 mil seguidores, sobretudo, na Ásia.
  • Hinduísmo: é uma religião praticada fundamentalmente na Ásia, possui um conjunto de preceitos, doutrinas religiosas baseadas nas escrituras sagradas do Vedas, livro que guarda textos, hinos, louvores e rituais.
  • Judaísmo: teve início na Palestina, ainda no século XVII a.C. É uma religião monoteísta, seu patriarca é Abraão. Atualmente são aproximadamente 14 milhões de seguidores no mundo.

Além disso, há outras variantes religiosas, como o Espiritismo, a Umbanda (que nasceu do sincretismo entre o catolicismo popular e o Candomblé) e o próprio Candomblé, herdado da África.

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No século XVI Martin Luther (Martinho Lutero) protestando contra a venda de indulgências  (perdão) e outras práticas da igreja que ele discordava, escreveu 92 teses e pregou na porta da Catedral e depois disso foi ajudado por alguns nobres que aproveitaram a oportunidade e romperam com a igreja católica. Nascia assim os chamados protestantes que nestes quase 500 anos foram diluindo-se em Evangélicos, Pentecostais e Neo-Pentecostais (principalmente no Brasil)

Lista de posição na hierarquia

Grupo Título Função Descrição
Episcopado
Papa sumo pontíficebispo de Roma, dirige a Igreja Católica
Cardeal membro do colégio cardinalício, elege o Papa
Patriarca prelado de uma Igreja Católica Oriental ou a mais elevada dignidade honorífica para uma diocese ou arquidiocese
Arcebispoprimaz título de honra concedido pelo Papa a alguns prelados, geralmente o arcebispo da arquidiocese mais antiga do país/região
Arcebispo metropolita dirige uma arquidiocese metropolitana
Bispo diocesano dirige uma diocese
Prelado dirige uma prelazia territorial ou pessoal
Presbiterado
Monsenhor título de honra concedido pelo Papa
Vigário-geral tem poder executivo da diocese, em nome do bispo
Cônego vive sob regra de vida, em catedrais e colégios
Arcediago vigário que administra parte de uma diocese
Decanoou Deão dirige uma universidade católica
Mestre-escola dirige uma escola católica
Cura pároco de uma catedral
PadrePároco dirige uma paróquia
Capelão padre militar ou que dirige uma capela
Diaconato
Diácono recebe o 1º grau da ordem, pode ser casado.
Vida Consagrada
Prior(esa) dirige uma ordem religiosa ou um priorado
Abade/Abadessa dirige um convento ou mosteiro
Religioso frei/freiramonge/monja ou frade/frater de um convento ou mosteiro que professou votos perpétuos
Juniorista frei/freiramonge/monja ou frade/frater de um convento ou mosteiro que professou votos temporários
Noviço(a) aquele(a) que se prepara para professar seus votos em uma ordem / congregação
Leigos membros não eclesiásticos da Igreja (os fiéis)
Ministro extraordinário da Comunhão responsável por ministrar a Sagrada Comunhão Eucarística de forma extraordinária, ou seja, na ausência ou necessidade dos Presbíteros. O ministro ordinário é o Presbítero presidente da celebração da Eucaristia, o primeiro ministro extraordinário é o Padre concelebrante, depois os Diáconos, depois os Acólitos, depois os Sacerdotes presentes, mas não concelebrantes, depois os Leigos devida e previamente preparados para tal honra.
Acólito(a) auxiliar de sacerdotes e diáconos
Coroinha auxiliar litúrgico dos sacerdotes e diáconos

Hierarquia medieval

A tabela a seguir apresenta, de forma abrangente e concisa, os Títulos e Funções das posições hierárquicas da Igreja Católica, classificados segundo as Ordens religiosas a que pertencem. Também são apresentados os Graus hierárquicos de cada Título, segundo critério utilizado na Idade Média.

Categoria Ordem Grupo Título Função Descrição Grau
Ordens seculares clero secular ou diocesano: votos simples; vida não enclausurada
Ordens maiores
Episcopado
Papa sumo pontíficebispo de Roma, dirige a Igreja 15
Cardeal membro do colégio cardinalício, elege o Papa 12
Patriarca prelado de importantes igrejas orientais 11 ½
Arcebispo primaz dirige a arquidiocese mais antiga da região 11 ½
Arcebispo metropolita dirige uma arquidiocese metropolitana
Prior dirige uma ordem religiosa ou militar 10
Bispo diocesano dirige uma diocese 9
Prelado dirige uma prelazia territorial ou pessoal 8
Presbiterado
Monsenhor título de honra concedido pelo Papa 7 ½
Vigário-geral poder executivo da diocese, em nome do bispo 7 ½
Vigário exerce temporariamente funções de um prelado 7
Cônego vive sob regra, em cabidos (catedral) ou colégios (paróquia)
Arcediago vigário que administra parte de uma diocese 7 ½
Decano ou Deão dirige uma universidade católica 7
Chantre responsável pelo coro 6
Mestre-escola dirige uma escola católica 6
Cura pároco de uma catedral 6
PadrePároco dirige uma paróquia 5
Capelão padre militar ou que dirige uma capela 4 ½
Diaconato
Diácono sem (ainda) ordem sacerdotal, pode ser casado 3
Subdiácono auxiliar do diácono (cargo extinto pelo Concílio Vaticano II) 2 ½
Seminarista cursa um seminário 1 ½
Ordens menores (extintas pelo Concílio Vaticano II)
Ostiário ou Porteiro responsável pelas chaves ou sinos de uma igreja 2
Leitor responsável pela leitura da Bíblia 1 ½
Acólito auxiliar de sacerdotes e diáconos 2
Exorcista auxiliar de exorcismos 2
Ordens regulares clero regular ou regrante: votos solenes, regras, vida enclausurada
Ordens monásticas vivem em mosteiros (originalmente) rurais, mais enclausurados
Prior dirige a ordem 10
AbadeAbadessa dirige um mosteiro 8
MongeMonja membro (a) de um mosteiro 4
NoviçoNoviça candidato a monge/monja 2
Ordens mendicantes vivem em centros urbanos, menos enclausurados
Prior / Prioresa dirige a ordem 10 / 7
Frade / Madresuperior(a) dirige um convento 8 / 6
Frade / Freira ou Sóror membro (a) de um convento 4 / 2
Noviço / Noviça candidato(a) a frade/freira 2 / 1 ½
Leigos membros não eclesiásticos da Igreja
Leitor faz a leitura de textos nas missas 1 ½
Diácono leigo faz algumas celebrações, pode ser solteiro, casado ou viúvo 1
Sacristão auxiliar do pároco 1
Coroinha auxiliar do sacristão ½
Fiel professante da fé católica, sem função específica 0

Escute as músicas sugeridas para este encontro:

Ler:

 

 

 

 

Igreja Católica Apostólica Romana

Série : Animo, uma nova catequese (Encontro 35/40 – Complemento 18)

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Igreja Católica Apostólica Romana

No Credo Niceno- Constantinopolitano é dito: “Creio na igreja uma, santa, católica e apostólica.” – A pergunta a ser feita seria: Qual de nós somos católicos?

A nossa igreja é a Igreja Católica Apostólica Romana.

Nenhum católico verdadeiro é católico brasileiro (ou de qualquer país que seja), somos Católicos Apostólicos Romanos que por ventura estamos no Brasil. O Papa Bento XVI saudava assim: “Minha benção aos fiéis católicos do Brasil.”

A palavra Católico quer dizer Universal. Vem da palavra latina katholikos e o seu sentido é “estar em todo o universo” (universal). Todo o universo porque em todo o mundo a igreja católica está (mesmo onde o governo não quer, ela existe, nem que seja escondida) e o resto do universo pertence a Deus.

Apostólico: ´´e pelo fato de sermos apóstolos de Jesus cristo. Ele escolheu 12 discípulos para que o seguissem e depois estes levassem o evangelho (a boa nova, a boa notícia) a todos. Paulo foi um dos inúmeros seguidores que mesmo sem conhecer Jesus (nunca andou com ele ou o viu em carne e osso) se tornou um apóstolo dele. Cada um de nós que acredita em Cristo (mesmo sem ter visto) e que leva a sua palavra (até mesmo numa conversa informal) é um apóstolo (seguidor, na tradução mais literal)

Romano: Porque a sede da igreja é no Vaticano, em Roma (Itália). O Vaticano é um país dentro de uma cidade, onde o presidente é o Papa (hoje Papa Francisco) e de lá ele anuncia e nos guia. O Papa é o sucessor de São Pedro. O primeiro discípulo de Jesus a ser martirizado (morto) em Roma foi Pedro. A sede da igreja acabou sendo em Roma porque os romanos dominaram o mundo por muitos anos e o imperador Constantino (senhor do mundo e de Roma) acabou se curvando as palavras de Jesus e abraçou a fé cristã.

Nós católicos somos 2, 5 bilhões no mundo (só de Católicos Apostólicos Romanos). Seguidos pela segunda maior religião que é o Islã (cerca de 1,5 bilhões). Os outros 3 bilhões de pessoas se dividem entre Judeus, Budistas, Hindus, Ateus e outras religiões.

 

A igreja como organização

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A igreja se organiza assim:

  • Comunidades (são as igrejas que ficam em cada região) e que na cidade geralmente tem uma Basílica (normalmente a igreja do centro da cidade). Para citar Campinas, SP existe no centro da cidade a Catedral de Nossa Senhora da Conceição (a cidade cresceu em torno da igreja que é uma das últimas feitas em taipa de pilão existente no mundo). Existem Catedrais e Basilicas.
  • Paróquias: reúnem as comunidades de uma certa região para a coordenação comum de um pároco ou administrador paroquial (um padre ou em raros casos um diácono)
  • Forania: é a reunião das paróquias de uma grande região ou mais regiões.
  • Diocese: Reúne todas as Forania, paróquias, igrejas, basílica de uma cidade (em alguns casos até de mais de uma cidade, casos em que a cidade vizinha é um município pequeno e possui uma ou duas comunidades apenas). Geralmente é comandada por um Bispo
  • Arquidiocese: Reúne as dioceses de várias cidades de uma região. (Exemplo: a Arquidiocese de Campinas reúne as dioceses de Campinas, Elias Fausto, Hortolândia, Indaiatuba, Monte-Mor, Paulínia, Sumaré, Valinhos e Vinhedo num universo de quase 3 milhões de pessoas) comandada por um Arcebispo.
  • CNBB: Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, como o nome já diz é um órgão que reúne os Bispos (e Arcebispos) do Brasil para encontros de discussão sobre a situação e desafios a se enfrentar pela igreja. Geralmente solta documentos que ajudam a normatizar o trabalho de evangelização.
  • Vaticano: Sede da igreja, onde se reúnem os cardeais (apesar de os cardeais estarem sempre no seu pais de origem eles acabam tendo encontros importantes lá). No Vaticano fica a Basílica de São Pedro que equivale a basílica base da igreja como um todo. O Vaticano é um estado (país) neutro e independente por isso na 2ª Guerra Mundial não foi bombardeado.

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Hierarquia

A base da hierarquia da igreja é bem definida, porém em certos pontos pode parecer um tanto complicada; Veja a divisão Teórica da hierarquia:

 

Fiéis (leigos)* Todos os fiéis, incluindo os que só participam das missas, os agentes de pastoral, catequistas, cantores, ministros, etc. Sem o fiel não existe a igreja
Diácono

A tradução literal é ajudante

Existe o Diácono permanente (pessoa casada a pelo menos 10 anos que estuda e vive plenamente a vida na igreja, convidado pelo bispo ou indicado pela comunidade se prepara e recebe os votos). Usa sobre a casula uma batina (ou faixa) transversal.

Existe o diácono temporário que é o seminarista que passou pelos quase 10 anos de estudo, recebeu os votos e está se preparando para ser padre.

Nenhum dos dois casos fazem a consagração da comunhão

Padre (sacerdote, presbítero)

Seria aquele que preside

Passa por estudos que podem levar de 9 a 10 anos. Recebe os votos permanentes e pode ser (ou não) pároco de uma comunidade. Alguns padres recebem o título de Monsenhor (honraria concedida pelo Papa), Vigário Geral (tem o poder executivo da diocese, em nome do Bispo), Cônego (vive sob regra de vida em catedrais e colégios), Cura (pároco de uma Catedral), Capelão (padre militar ou dirigente de uma capela)
Bispo (tradução seria supervisor) Um padre que escolhido pelo Vaticano se torna Bispo para comandar uma diocese. Podem receber o título de Arcebispo e passarem a comandar uma Arquidiocese. Em alguns casos passa a ser Arcebispo Primaz (título de honra concedido pelo Papa a alguns prelados, geralmente o arcebispo da arquidiocese mais antiga do país/região)
Cardeal Bispos eleitos para serem os representantes de cada país no Vaticano. Também são membros do colégio cardinalício, e elegem o Papa (aliás podem se tornar Papas dependendo da eleição)
Papa O Bispo de Roma, sucessor de Pedro (não é São Pedro reencarnado, mas sim um sucessor). O Papa é o chefe da igreja, o presidente do Vaticano (como chefe de estado é recebido por outros presidentes)
Vida Consagrada

(Irmãs, Freiras, Frades, Consagrados) * entram também na parte de fiéis leigos

Existem as mulheres e homens que fazem parte de ordens religiosas e servem como frei/freira, monge/monja ou frade/frater de um convento ou mosteiro que professou votos perpétuos.

Também pessoas que se consagram em Comunidades Vidas (Pantokrator, Shalon, Canção Nova, etc.) e vivem uma vida normal cotidiana, mas aos finais de semana (ou épocas em especial) estão sempre fazendo o trabalho de evangelização dentro da comunidade.

 

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A igreja Católica Apostólica Romana no Brasil faz parte do CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs) que fazem o Ecumenismo (um diálogo entre as igrejas cristãs, sem uma disputa). Fazem parte deste conselho:

  • Igreja Católica Apostólica Romana
  • Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
  • Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil
  • Igreja Presbiteriana Unida
  • Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia
  • Aliança de Batistas do Brasil

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A igreja física

A igreja não é uma casa, um prédio. Nem apenas o Papa, Bispos, Padres estão a “serviço” da igreja. A Igreja somos todos nós.

Claro que o prédio (a igreja construída) é importante no sentido de se acolher o fiel, de se ter um local mais estruturado para se realizar a catequese, os grupos de oração e celebrar a missa. Mas a igreja continua na nossa casa, no dia a dia, na nossa vida.

1Cor 12, 20 “Há, pois, muitos membros, mas um só corpo.”

At 12,1-11.18-19 “Por aquele mesmo tempo, o rei Herodes mandou prender alguns membros da Igreja para os maltratar. 2.Assim foi que matou à espada Tiago, irmão de João. 3.Vendo que isto agradava aos judeus, mandou prender Pedro. Eram então os dias dos pães sem fermento. 4.Mandou prendê-lo e lançou-o no cárcere, entregando-o à guarda de quatro grupos, de quatro soldados cada um, com a intenção de apresentá-lo ao povo depois da Páscoa. 5.Pedro estava assim encerrado na prisão, mas a Igreja orava sem cessar por ele a Deus. 6.Ora, quando Herodes estava para o apresentar, naquela mesma noite dormia Pedro entre dois soldados, ligado com duas cadeias. Os guardas, à porta, vigiavam o cárcere. 7.De repente, apresentou-se um anjo do Senhor, e uma luz brilhou no recinto. Tocando no lado de Pedro, o anjo despertou-o: Levanta-te depressa, disse ele. Caíram-lhe as cadeias das mãos. 8.O anjo ordenou: Cinge-te e calça as tuas sandálias. Ele assim o fez. O anjo acrescentou: Cobre-te com a tua capa e segue-me. 9.Pedro saiu e seguiu-o, sem saber se era real o que se fazia por meio do anjo. Julgava estar sonhando. 10.Passaram o primeiro e o segundo postos da guarda. Chegaram ao portão de ferro, que dá para a cidade, o qual se lhes abriu por si mesmo. Saíram e tomaram juntos uma rua. Em seguida, de súbito, o anjo desapareceu. 11.Então Pedro tornou a si e disse: Agora vejo que o Senhor mandou verdadeiramente o seu anjo e me livrou da mão de Herodes e de tudo o que esperava o povo dos judeus.” “Chegaram a Éfeso, onde os deixou. Ele entrou na sinagoga e entretinha-se com os judeus.”

Mt 16, 18 “E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela.”

O nome de Pedro era Simão Bar-Jonas (filho de Jonas). Era costume devido a ocupação romana as pessoas usarem um nome hebraico e um equivalente grego. Por exemplo: a pessoa é Pedro (em português) e Peter (inglês). Simão em hebraico é Kefas (pedra rocha) e Pedro (pedra, rocha) é o equivalente em romano. Jesus dá a missão a Pedro, e isso tem um significado especial: Jerusalém (a Palestina) é uma região de cheia de grutas (pequenas cavernas) e os pastores de ovelhas passavam semanas cuidando delas nos pastos afastados da cidade e acabavam se refugiando nestas grutas durante as chuvas ou no frio (característica do deserto), assim como alguns viajantes faziam o mesmo.

Pense: Pedro (a rocha) hoje representado pelo Papa Francisco, seria o abrigo dos pastores e viajantes. Este abrigo é a igreja, os pastores (os padres) e os viajantes (cada um de nós).

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São Pedro e São Paulo

A igreja católica é cheia de fatos tão interessantes e significativos que mesmo falando durante 1000 encontros não se esgotariam. A igreja foi e é perseguida. Sempre será porque nós nunca nos calamos diante do que quer que seja. Seja polêmico para uns ou não. Sempre existirão os detratores da igreja, e os que tentam a todo custo desmoralizar e atacar uma igreja que sobrevive a pelo menos 2000 anos, fundada sobre a rocha (Pedro) e sobre a vocação de levar a palavra onde for de Paulo. Tantas pessoas foram mártires porque pregavam a sua fé católica sem medo dos que não querem ouvir a boa nova.

Hoje algumas das polêmicas da igreja se tratam de:

– Contra o uso de preservativo: a igreja acredita que as pessoas vão ter relações saudáveis e não promiscuas (parceiros e parceiras aleatórios) e principalmente que estas relações aconteceram entre pessoas que receberam o sacramento do matrimônio. A lógica está em se confiar na pessoa que se tem como companheiro (a). Não existe uma proibição, mas uma orientação, recomendação e explicação. Ninguém é obrigado a seguir, mas dá para se pensar.

– Casamento entre pessoas do mesmo sexo: Como a igreja vive sob a égide da Bíblia e nela não existe nada sobre isso a igreja acaba sendo contra. Porém todos são livres para terem a vida que bem entenderem, mas não receberão o sacramento do Matrimônio na Igreja Católica apostólica Romana.

– Casamento dos Padres: O Padre faz votos de castidade ao receber o Sacramento da Ordem, tendo plena consciência disto. Se por ventura ele quiser em dado momento da vida deixar estes votos e contrair Matrimônio ele pode, basta pedir para abandonar a batina (popularmente), fazer a comunicação ao bispo e deixar de ser sacerdote (o título de padre ele não perde, mas deixa de exercer as funções de presbítero e também deixa de receber salário através da igreja).

– Pedofilia na igreja: Um pedófilo comete um crime e como tal deve ser julgado criminalmente, seja padre ou não. A igreja não compactua com estes desvios e este tipo de crime. O Papa Francisco tem cada vez mais combatido isso. E o número de casos dentro da igreja é bem menor do que em outras áreas.

 

A igreja no Brasil

Cebs

Aqui no Brasil a igreja cresceu muito mais nos anos 70 com as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Antes a igreja se concentrava mais nas grandes basílicas e igrejas mais estruturadas. A CEBs, que era um grupo de muitos fiéis, pediram aos bispos autorização e começaram a juntar as pessoas nos bairros para pedirem a presença de padres, que vinham para celebrar nas escolas, campos e futebol, sedes de bairro, e assim pouco a pouco foram construídas comunidades (terrenos foram doados, comprados com a ajuda de todos) pela mão de obra dos próprios fiéis que doavam seu tempo e força de trabalho em mutirão. Enfim a igreja deixou de ser apenas de catedrais e foi para mais perto do povo. Por isso são chamadas de comunidades (comum –unidade). A CEBs acabou também se tornando celeiro de muitas lutas por melhorias em bairros mais carentes e também surgiram líderes políticos que se aproveitaram deste cenário para se lançarem nas carreiras políticas.

Mas o tempo acabou tirando um dos pilares da CEBs do foco: a oração. A CEBs acabava se tornando um bom lugar para se discutir e lutar e se esquecia que a base da igreja é também rezar. Por isso em meados dos anos 80, um movimento iniciado nos Estados Unidos chegou ao Brasil, como resgate da fé, era a Renovação Carismática Católica (RCC), ficou muito conhecida pelos grupos de oração. Muitos padres aceitaram de bom grado este movimento, outros não. A RCC sempre foi mais adepta do louvor e adoração, sempre falando de Nossa Senhora e também do Espírito Santo (esta última parte foi confundida com o que os protestantes faziam).

RCC

Houve então um choque entre a CEBs e a RCC.

A CEBs achava que a RCC só sabia rezar e esquecia de lutar pelo povo como Jesus fazia, por outro lado a RCC considerava que a CEBs só se preocupava com a política (vale lembrar que dentro da CEBs nasceram alguns partidos políticos) e esquecia que Jesus orava antes de mais nada. Foram criando rusgas quase inalteráveis e inimizades.

Vale ressaltar que para qualquer movimento poder usar o título de Movimento Católico tem que ter a aprovação do próprio Papa com a recomendação das confederações dos bispos e os dois grupos possuíam este direito. Então no final dos anos 90 o Papa João Paulo II, ciente deste “problema” no Brasil deu uma “bronca” e ameaçou dissolver os dois movimentos se não houvesse um entendimento. Pouco a pouco este entendimento ganhou corpo e acabaram entendendo que a palavra oração é orar e agir (orar-ação).Hoje a CEBs atua principalmente no Nordeste e a RCC tomou corpo e cresceu bastante atuando em quase todas as comunidades.

Transcrição do CIC

«Redemptor noster unam se personam cum sanctam Ecelesiam, quam assumpsit, exhibuit – O nosso Redentor apresentou-Se a Si próprio como uma única pessoa unida à santa Igreja, que Ele assumiu».

«Caput et membra, quasi una persona mystica – Cabeça e membros são, por assim dizer, uma só e mesma pessoa mística»

777.A palavra «Igreja» significa «convocação». Designa a assembleia daqueles que a Palavra de Deus convoca para formar o seu povo, e que, alimentados pelo Corpo de Cristo, se tornam, eles próprios, Corpo de Cristo.

778. A Igreja é, ao mesmo tempo, caminho e meta do desígnio de Deus: prefigurada na criação, preparada na antiga Aliança, fundada pelas palavras e atos de Jesus Cristo, realizada pela sua Cruz redentora e pela sua ressurreição, manifesta-se como mistério de salvaçãopela efusão do Espírito Santo. Será consumada na glória do céu como assembleia de todos os resgatados da terra .

779. A Igreja é, ao mesmo tempo, visível e espiritual, sociedade hierárquica e Corpo Místico de Cristo. É una, mas formada por um duplo elemento: humano e divino. Aí reside o seu mistério, que só a fé pode acolher.

780.A Igreja é, neste mundo, o sacramento da salvação, o sinal e o instrumento da comunhão de Deus e dos homens.

805. A Igreja é o Corpo de Cristo. Pelo Espírito e pela sua acção nos sacramentos, sobretudo na Eucaristia, Cristo morto e ressuscitado constitui como seu Corpo a comunidade dos crentes.

806. Na unidade deste Corpo, existe diversidade de membros e de funções. Mas todos os membros estão unidos uns aos outros, parti­cularmente àqueles que sofrem, aos pobres e aos perseguidos.

807. A Igreja é este Corpo, cuja Cabeça é Cristo: ela vive d’Ele, n’Ele e para Ele; e Ele vive com ela e nela.

808. A Igreja é a Esposa de Cristo: Ele amou-a e entregou-Se por ela. Purificou-a pelo seu sangue. Fez dela a mãe fecunda de todos os filhos de Deus.

809. A Igreja é o Templo do Espírito Santo. O Espírito é como que a alma do Corpo Místico, princípio da sua vida, da unidade na diversidade e da riqueza dos seus dons e carismas.

810. «A Igreja universal aparece, assim, como “um povo que vai buscar a sua unidade à unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo“»

A IGREJA É UNA, SANTA, CATÓLICA E APOSTÓLICA

811. «Esta é a única Igreja de Cristo, que no Credo confessamos ser una, santa, católica e apostólica» . Estes quatro atributos, inseparavelmente ligados entre si indicam traços essenciais da Igreja e da sua missão. A Igreja não os confere a si mesma; é Cristo que, pelo Espírito Santo, concede à sua Igreja que seja una, santa, católica e apostólica, e é ainda Ele que a chama a realizar cada uma destas qualidades.

812. Só a fé pode reconhecer que a Igreja recebe estas propriedades da sua fonte divina. Mas as manifestações históricas das mesmas são sinais que também falam claro à razão humana. «A Igreja, lembra o I Concílio do Vaticano, em razão da sua santidade, da sua unidade católica, da sua invicta constância, é, por si mesma, um grande e perpétuo motivo de credibilidade e uma prova incontestável da sua missão divina».

I. A Igreja é una

«O SAGRADO MISTÉRIO DA UNIDADE DA IGREJA»

813.A Igreja é una, graças à sua fonte: «O supremo modelo e princípio deste mistério é a unidade na Trindade das pessoas, dum só Deus, Pai e Filho no Espírito Santo». A Igreja é una graças ao seu fundador: «O próprio Filho encarnado […] reconciliou todos os homens com Deus pela sua Cruz, restabelecendo a unidade de todos num só povo e num só Corpo» . AIgreja é una graças à sua «alma»: «O Espírito Santo que habita nos crentes e que enche e rege toda a Igreja, realiza esta admirável comunhão dos fiéis e une-os todos tão intimamente em Cristo que é o princípio da unidade da Igreja». Pertence, pois, à própria essência da Igreja que ela seja una:

«Que admirável mistério! Há um só Pai do universo, um só Logos do universo e também um só Espírito Santo, idêntico em toda a parte; e há também uma só mãe Virgem, à qual me apraz chamar Igreja».

814. Desde a origem, no entanto, esta Igreja apresenta-se com uma grande diversidade, proveniente ao mesmo tempo da variedade dos dons de Deus e da multiplicidade das pessoas que os recebem. Na unidade do povo de Deus, juntam-se as diversidades dos povos e das culturas. Entre os membros da Igreja existe uma diversidade de dons, de cargos, de condições e de modos de vida. «No seio da comunhão da Igreja existem legitimamente Igrejas particulares, que gozam das suas tradições próprias». A grande riqueza desta diversidade não se opõe à unidade da Igreja. No entanto, o pecado e o peso das suas consequências ameaçam constantemente o dom da unidade. Também o Apóstolo se viu na necessidade de exortar a que se guardasse «a unidade do Espírito pelo vínculo da paz» (Ef 4, 3).

815. Quais são os vínculos da unidade? «Acima de tudo, a caridade, que é o vínculo da perfeição» (Cl 3, 14). Mas a unidade da Igreja peregrina é assegurada também por laços visíveis de comunhão:

– a profissão duma só fé, recebida dos Apóstolos;
– a celebração comum do culto divino, sobretudo dos sacramentos;
– a sucessão apostólica pelo sacramento da Ordem, que mantém a concórdia fraterna da família de Deus .

816. «A única Igreja de Cristo […] é aquela que o nosso Salvador, depois da ressurreição, entregou a Pedro, com o encargo de a apascentar, confiando também a ele e aos outros apóstolos a sua difusão e governo […]. Esta Igreja, constituída e organizada neste mundo como uma sociedade, subsiste (subsistit in) na Igreja Católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos bispos em comunhão com ele».

O decreto do II Concílio do Vaticano sobre o Ecumenismo explicita: «Com efeito, só pela Igreja Católica de Cristo, que é “meio geral de salvação”, é que se pode obter toda a plenitude dos meios de salvação. Na verdade, foi apenas ao colégio apostólico, de que Pedro é o chefe, que, segundo a nossa fé, o Senhor confiou todas as riquezas da nova Aliança, a fim de constituir na terra um só Corpo de Cristo, ao qual é necessário que sejam plenamente incorporados todos os que, de certo modo, pertencem já ao povo de Deus» .

817. De facto, «nesta Igreja de Deus una e única, já desde os primórdios surgiram algumas cisões, que o Apóstolo censura asperamente como condenáveis. Nos séculos posteriores, porém, surgiram dissensões mais amplas. Importantes comunidades separaram-se da plena comunhão da Igreja Católica, às vezes por culpa dos homens duma e doutra parte» . As rupturas que ferem a unidade do Corpo de Cristo (a saber: a heresia, a apostasia e o cisma) devem-se aos pecados dos homens:

«Ubi peccata, ibi est multitudo, ibi schismata, ibi haereses, ibi discussiones. Ubi autem virtus, ibi singularitas, ibi unio, ex quo omnium credentium erat cor unum et anima una — Onde há pecados, aí se encontra a multiplicidade, o cisma, a heresia, o conflito. Mas onde há virtude, aí se encontra a unicidade e aquela união que faz com que todos os crentes tenham um só coração e uma só alma» .

818. Os que hoje nascem em comunidades provenientes de tais rupturas, «e que vivem a fé de Cristo, não podem ser acusados do pecado da divisão. A Igreja Católica abraça-os com respeito e caridade fraterna […]. Justificados pela fé recebida no Batismo, incorporados em Cristo, é a justo título que se honram com o nome de cristãos e os filhos da Igreja Católica reconhecem-nos legitimamente como irmãos no Senhor» .

819.  Além disso, existem fora das fronteiras visíveis da Igreja Católica, «muitos elementos de santificação e de verdade»: «a Palavra de Deus escrita, a vida da graça, a fé, a esperança e a caridade, outros dons interiores do Espírito Santo e outros elementos visíveis». O Espírito de Cristo serve-Se destas Igrejas e comunidades eclesiais como meios de salvação, cuja força vem da plenitude da graça e da verdade que Cristo confiou à Igreja Católica. Todos estes bens provêm de Cristo e a Ele conduzem e por si mesmos reclamam «a unidade católica».

A CAMINHO DA UNIDADE

820. A unidade, «Cristo a concedeu à sua Igreja desde o princípio. Nós cremos que ela subsiste, sem possibilidade de ser perdida, na Igreja Católica, e esperamos que cresça de dia para dia até à consumação dos séculos». Cristo dá sempre à sua Igreja o dom da unidade. Mas a Igreja deve orar e trabalhar constantemente para manter, reforçar e aperfeiçoar a unidade que Cristo quer para ela. Foi por esta intenção que Jesus orou na hora da sua paixão e não cessa de orar ao Pai pela unidade dos seus discípulos: «…Que todos sejam um. Como Tu, ó Pai, és um em Mim e Eu em Ti, assim também eles sejam um em Nós, para que o mundo creia que Tu Me enviaste» (Jo 17, 21). O desejo de recuperar a unidade de todos os cristãos é um dom de Cristo e um apelo do Espírito Santo.

821. Para lhe corresponder de modo adequado, exige-se:

– uma renovação permanente da Igreja, numa maior fidelidade à sua vocação. Essa renovação é a força do movimento a favor da unidade ;
– a conversão do coração, «com o fim levar uma vida mais pura segundo o Evangelho», pois o que causa as divisões é a infidelidade dos membros ao dom de Cristo;
– a oração em comum, porque «a conversão do coração e a santidade de vida. unidas às orações, públicas e privadas, pela unidade dos cristãos, devem ser tidas como a alma de todo o movimento ecumênico, e com razão podem chamar-se ecumenismo espiritual»;
– o mútuo conhecimento fraterno;
– a formação ecumênica dos fiéis, e especialmente dos sacerdotes;
– o diálogo entre os teólogos, e os encontros entre os cristãos das diferentes Igrejas e comunidades (290);
– a colaboração entre cristãos nos diversos domínios do serviço dos homens ».

822. A preocupação com realizar a união «diz respeito a toda a Igreja, fiéis e pastores». Mas também se deve «ter consciência de que este projeto sagrado da reconciliação de todos os cristãos na unidade duma só e única Igreja de Cristo, ultrapassa as forças e capacidades humanas». Por isso, pomos toda a nossa esperança «na oração de Cristo pela Igreja, no amor do Pai para connosco e no poder do Espírito Santo» .

II. A Igreja é santa

823. «A Igreja é […], aos olhos da fé, indefectivelmente santa. Com efeito, Cristo, Filho de Deus, que é proclamado «o único Santo», com o Pai e o Espírito, amou a Igreja como sua esposa, entregou-Se por ela para a santificar, uniu-a a Si como seu Corpo e cumulou-a com o dom do Espírito Santo para glória de Deus» . A Igreja é, pois, «o povo santo de Deus», e os seus membros são chamados «santos» .

824. A Igreja, unida a Cristo, é santificada por Ele. Por Ele e n’Ele toma-se também santificante. «Todas as obras da Igreja tendem, como seu fim, para a santificação dos homens em Cristo e para a glorificação de Deus». É na Igreja que se encontra «a plenitude dos meios de salvação» . É nela que «nós adquirimos a santidade pela graça de Deus».

825. «Na terra, a Igreja está revestida duma verdadeira, ainda que imperfeita, santidade». Nos seus membros, a santidade perfeita é ainda algo a adquirir: «Munidos de tantos e tão grandes meios de salvação, todos os fiéis, seja qual for a sua condição ou estado, são chamados pelo Senhor à perfeição do Pai, cada um pelo seu caminho».

826. A caridade é a alma da santidade à qual todos são chamados: «É ela que dirige todos os meios de santificação, lhes dá alma e os conduz ao seu fim»:

«Compreendi que, se a Igreja tinha um corpo composto de diferentes membros, o mais necessário, o mais nobre de todos não lhe faltava: compreendi que a igreja tinha um coração, e que esse coração estava ardendo de amor.Compreendi que só o Amor fazia agir os membros da Igreja; que se o Amor se apagasse, os apóstolos já não anunciariam o Evangelho, os mártires recusar-se-iam a derramar o seu sangue… Compreendi que o Amor encerra todas as vocações, que o Amor é tudo, que abarca todos os tempos e lugares … numa palavra, que ele é Eterno» .

827. «Enquanto que Cristo, santo e inocente, sem mancha, não conheceu o pecado, mas veio somente expiar os pecados do povo, a Igreja, que no seu próprio seio encerra pecadores, é simultaneamente santa e chamada a purificar-se, prosseguindo constantemente no seu esforço de penitência e renovação» . Todos os membros da Igreja, inclusive os seus ministros, devem reconhecer-se pecadores . Em todos eles, o joio do pecado encontra-se ainda misturado com a boa semente do Evangelho até ao fim dos tempos. A Igreja reúne, pois, em si, pecadores abrangidos pela salvação de Cristo, mas ainda a caminho da santificação:

A Igreja «é santa, não obstante compreender no seu seio pecadores, porque ela não possui em si outra vida senão a da graça: é vivendo da sua vida que os seus membros se santificam; e é subtraindo-se à sua vida que eles caem em pecado e nas desordens que impedem a irradiação da sua santidade. É por isso que ela sofre e faz penitência por estas faltas, tendo o poder de curar delas os seus filhos, pelo Sangue de Cristo e pelo dom do Espírito Santo».

828. Ao canonizar certos fiéis, isto é, ao proclamar solenemente que esses fiéis praticaram heroicamente as virtudes e viveram na fidelidade à graça de Deus, a Igreja reconhece o poder do Espírito de santidade que está nela, e ampara a esperança dos fiéis, propondo-lhes os santos como modelos e intercessores. «Os santos e santas foram sempre fonte e origem de renovação nos momentos mais difíceis da história da Igreja ». «A santidade é a fonte secreta e o padrão infalível da sua atividade apostólica e do seu dinamismo missionário».

829. «Na pessoa da Santíssima Virgem, a Igreja alcançou já aquela perfeição, sem mancha nem ruga, que lhe é própria. Mas os fiéis de Cristo têm ainda de trabalhar para crescer em santidade, vencendo o pecado. Por isso, levantam os olhos para Maria»: nela, a Igreja é já plenamente santa.

liturgia

III. A Igreja é católica

QUE QUER DIZER «CATÓLICA»?

830. A palavra «católico» significa «universal» no sentido de «segundo a totalidade» ou «segundo a integridade». A Igreja é católica num duplo sentido:

É católica porque Cristo está presente nela: «onde está Jesus Cristo, aí está a Igreja Católica» . Nela subsiste a plenitude do Corpo de Cristo unido à sua Cabeça , o que implica que ela receba d’Ele a «plenitude dos meios de salvação»  que Ele quis: confissão de fé recta e completa, vida sacramental integral e ministério ordenado na sucessão apostólica. Neste sentido fundamental, a Igreja era católica no dia de Pentecostes e sê-lo-á sempre até ao dia da Parusia.

831. É católica, porque Cristo a enviou em missão à universalidade do gênero humano :

«Todos os homens são chamados a fazer parte do povo de Deus. Por isso, permanecendo uno e único, este povo está destinado a estender-se a todo o mundo e por todos os séculos, para se cumprir o desígnio da vontade de Deus que, no princípio, criou a natureza humana na unidade e decidiu enfim reunir na unidade os seus filhos dispersos […]. Este carácter de universalidade que adorna o povo de Deus é dom do próprio Senhor. Graças a tal dom, a Igreja Católica tende a recapitular, eficaz e perpetuamente, a humanidade inteira, com todos os bens que ela contém, sob Cristo Cabeça, na unidade do Seu Espírito .

CADA UMA DAS IGREJAS PARTICULARES É «CATÓLICA»

832. «A Igreja de Cristo está verdadeiramente presente em todas as legítimas comunidades locais de fiéis que, unidas aos seus pastores, recebem, também elas, no Novo Testamento, o nome de Igrejas […]. Nelas, os fiéis são reunidos pela pregação do Evangelho de Cristo e é celebrado o mistério da Ceia do Senhor […]. Nestas comunidades, ainda que muitas vezes pequenas e pobres ou dispersas, está presente Cristo, por cujo poder se constitui a Igreja una, santa, católica e apostólica».

833. Entende-se por Igreja particular, que é em primeiro lugar a diocese (ou «eparquia»), uma comunidade de fiéis cristãos em comunhão de fé e de sacramentos com o seu bispo, ordenado na sucessão apostólica. Estas Igrejas particulares «são formadas à imagem da Igreja universal; é nelas e a partir delas que existe a Igreja Católica una e única».

834. As Igrejas particulares são plenamente católicas pela comunhão com uma de entre elas: a Igreja Romana, «que preside à caridade» . «Com esta Igreja, mais excelente por causa da sua origem, deve necessariamente estar de acordo toda a Igreja, isto é, os fiéis de toda a parte». «Desde que o Verbo Encarnado desceu até nós, todas as Igrejas cristãs de todo o mundo tiveram e têm a grande Igreja que vive aqui (em Roma)como única base e fundamento, porque, segundo as próprias promessas do Salvador, as portas do inferno nunca prevalecerão sobre ela».

835. «A Igreja universal não deve ser entendida como simples somatório ou, por assim dizer, federação de Igrejas particulares […]. Mas é antes a Igreja, universal por vocação e missão, que lançando raiz numa variedade de terrenos culturais, sociais e humanos, toma em cada parte do mundo aspectos e formas de expressão diversos» . A rica variedade de normas disciplinares, ritos litúrgicos, patrimônios teológicos e espirituais, próprios das Igrejas locais, «mostra da forma mais evidente, pela sua convergência na unidade, a catolicidade da Igreja indivisa».

QUEM PERTENCE À IGREJA CATÓLICA?

836. «Todos os homens são chamados […] à unidade católica do povo de Deus; de vários modos a ela pertencem, ou para ela estão ordenados, tanto os fiéis católicos como os outros que também acreditam em Cristo e, finalmente, todos os homens sem excepção, que a graça de Deus chama à salvação» :

837. «Estão plenamente incorporados na sociedade que é a Igreja aqueles que, tendo o Espírito de Cristo, aceitam toda a sua organização e todos os meios de salvação nela instituídos, e que, além disso, pelos laços da profissão de fé, dos sacramentos, do governo eclesiástico e da comunhão, estão unidos no todo visível da Igreja, com Cristo que a dirige por meio do Sumo Pontífice e dos bispos. Mas a incorporação não garante a salvação àquele que, por não perseverar na caridade, está no seio da Igreja «de corpo» mas não «de coração» .

838. «Com aqueles que, tendo sido baptizados, têm o belo nome de cristãos, embora não professem integralmente a fé ou não guardem a unidade de comunhão com o sucessor de Pedro, a Igreja sabe-se unida por múltiplas razões» . «Aqueles que crêem em Cristo e receberam validamente o Batismo encontram-se numa certa comunhão, embora imperfeita, com a Igreja Católica» . Quanto às Igrejas Ortodoxas, esta comunhão é tão profunda «que bem pouco lhes falta para atingir a plenitude, que permita uma celebração comum da Eucaristia do Senhor» .

A IGREJA E OS NÃO-CRISTÃOS

839. «Aqueles que ainda não receberam o Evangelho estão também, de uma de ou outra forma, ordenados ao povo de Deus» :

A relação da Igreja com o Povo Judaico. A Igreja, povo de Deus na nova Aliança, ao perscrutar o seu próprio mistério, descobre o laço que a une ao povo judaico, «a quem Deus falou primeiro». Ao invés das outras religiões não cristãs, a fé judaica é já uma resposta à revelação de Deus na antiga Aliança. É ao povo judaico que «pertencem a adoção filial, a glória, as alianças, a legislação, o culto, as promessas […] e os patriarcas; desse povo Cristo nasceu segundo a carne» (Rm 9, 4-5); porque «os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis» (Rm 11, 29).

840. Aliás, quando se considera o futuro, o povo de Deus da Antiga Aliança e o novo povo de Deus tendem para fins análogos: a esperança da vinda (ou do regresso) do Messias. Mas a esperança é, dum lado, a do regresso do Messias, morto e ressuscitado, reconhecido como Senhor e Filho de Deus: do outro, a da vinda no fim dos tempos do Messias, cujos traços permanecem velados – expectativa acompanhada pelo drama da ignorância ou do falso conhecimento de Cristo Jesus.

841. Relações da Igreja com os muçulmanos. «O desígnio de salvação envolve igualmente os que reconhecem o Criador, entre os quais, em primeiro lugar, os muçulmanos que declarando guardar a fé de Abraão, connosco adoram o Deus único e misericordioso que há-de julgar os homens no último dia» .

842.A ligação da Igreja com as religiões não cristãs é, antes de mais, a da origem e do fim comuns do género humano:

«De fato, todos os povos formam uma única comunidade; têm uma origem única, pois Deus fez que toda a raça humana habitasse à superfície da terra; têm também um único fim último, Deus, cuja providência, testemunhos de bondade e desígnio de salvação se estendem a todos, até que os eleitos sejam reunidos na cidade santa» .

843. A Igreja reconhece nas outras religiões a busca, «ainda nas sombras e sob imagens», do Deus desconhecido mas próximo, pois é Ele quem a todos dá vida, respiração e todas as coisas e quer que todos os homens se salvem. Assim, a Igreja considera tudo quanto nas outras religiões pode encontrar-se de bom e verdadeiro, «como uma preparação evangélica e um dom d’Aquele que ilumina todo o homem, para que, finalmente, tenha a vida».

844. Mas no seu comportamento religioso, os homens revelam também limites e erros que desfiguram neles a imagem de Deus:

«Muitas vezes, enganados pelo Maligno, transviaram-se nos seus raciocínios, trocando a verdade de Deus pela mentira. Preferindo o serviço da criatura ao do Criador, ou vivendo e morrendo sem Deus neste mundo, expuseram-se ao desespero final» .

845. Foi para reunir de novo todos os seus filhos, desorientados e dispersos pelo pecado, que o Pai quis reunir toda a humanidade na Igreja do seu Filho. A Igreja é o lugar onde a humanidade deve reencontrar a sua unidade e a salvação. Ela é «o mundo reconciliado»; é a nau que «navega segura neste mundo, ao sopro do Espírito Santo, sob a vela panda da Cruz do Senhor» . Segundo uma outra imagem, querida aos Padres da Igreja, ela é figurada pela arca de Noé, a única que salva do dilúvio.

«FORA DA IGREJA NÃO HÁ SALVAÇÃO»

846. Como deve entender-se esta afirmação, tantas vezes repetida pelos Padres da Igreja? Formulada de modo positivo, significa que toda a salvação vem de Cristo-Cabeça pela Igreja que é o seu Corpo:

O santo Concílio «ensina, apoiado na Sagrada Escritura e na Tradição, que esta Igreja, peregrina na terra, é necessária à salvação. De facto, só Cristo é mediador e caminho de salvação. Ora, Ele torna-Se-nos presente no seu Corpo, que é a Igreja. Ao afirmar-nos expressamente a necessidade da fé e do Batismo, Cristo confirma-nos, ao mesmo tempo, a necessidade da própria Igreja, na qual os homens entram pela porta do Batismo. É por isso que não se podem salvar aqueles que, não ignorando que Deus, por Jesus Cristo, fundou a Igreja Católica como necessária, se recusam a entrar nela ou a nela perseverar» .

847. Esta afirmação não visa aqueles que, sem culpa da sua parte, ignoram Cristo e a sua igreja:

«Com efeito, também podem conseguir a salvação eterna aqueles que, ignorando sem culpa o Evangelho de Cristo e a sua Igreja, no entanto procuram Deus com um coração sincero e se esforçam, sob o influxo da graça, por cumprir a sua vontade conhecida através do que a consciência lhes dita» .

848. «Muito embora Deus possa, por caminhos só d’Ele conhecidos, trazer à fé, «sem a qual é impossível agradar a Deus» , homens que, sem culpa sua, ignoram o Evangelho, a Igreja tem o dever e, ao mesmo tempo, o direito sagrado, de evangelizar» todos os homens.

IV. A Igreja é apostólica

857. A Igreja é apostólica, porque está fundada sobre os Apóstolos. E isso em três sentidos:

– foi e continua a ser construída sobre o «alicerce dos Apóstolos» (Ef 2, 20), testemunhas escolhidas e enviadas em missão pelo próprio Cristo;

– guarda e transmite, com a ajuda do Espírito Santo que nela habita, a doutrina , o bom depósito, as sãs palavras recebidas dos Apóstolos ;

-continua a ser ensinada, santificada e dirigida pelos Apóstolos até ao regresso de Cristo, graças àqueles que lhes sucedem no ofício pastoral: o colégio dos bispos, «assistido pelos presbíteros, em união com o sucessor de Pedro, pastor supremo da Igreja»:

«Pastor eterno, não abandonais o vosso rebanho, mas sempre o guardais e protegeis por meio dos santos Apóstolos, para que seja conduzido através dos tempos, pelos mesmos chefes que pusestes à sua frente como representantes do vosso Filho, Jesus Cristo» .

 

Resumindo:

866. A Igreja é una: tem um só Senhor, professa uma só fé, nasce dum só Batismo e forma um só Corpo, vivificado por um só Espírito, em vista duma única esperança , no termo da qual todas as divisões serão superadas.

867A Igreja é santa: é seu autor o Deus santíssimo; Cristo, seu Esposo, por ela Se entregou para a santificar; vivifica-a o Espírito de santidade. Embora encerra pecadores no seu seio, ela é «a sem-pecado feita de pecadores». Nos santos brilha a sua santidade; em Maria, ela é já totalmente santa.

868. A Igreja é católica: anuncia a totalidade da fé, tem à sua disposição e administra a plenitude dos meios de salvação; é enviada a todos os povos; dirige-se a todos os homens; abrange todos os tempos; «é, por sua própria natureza, missionária».

869A Igreja é apostólica: está edificada sobre alicerces duradouros, que são «os Doze apóstolos do Cordeiro»; é indestrutível é infalivelmente mantida na verdade: Cristo é quem a governa por meio de Pedro e dos outros apóstolos, presentes nos seus sucessores, o Papa e o colégio dos bispos.

870. «A única Igreja de Cristo, da qual professamos no Credo que é una, santa, católica e apostólica, […] é na Igreja Católica que subsiste, governada pelo sucessor de Pedro e pelos bispos que estão em comunhão com ele, embora numerosos elementos de santificação e de verdade se encontrem fora das suas estruturas» .

 

Ler:

  1. CREIO NA SANTA IGREJA CATÓLICA
  2. A IGREJA – POVO DE DEUS, CORPO DE CRISTO, TEMPLO DO ESPÍRITO SANTO