Quaresma e a hipocrisia das pessoas

Reflexão

Por Milton Cesar

Devo antes de começar, deixar bem claro que: A REFLEXÃO QUE VOU FAZER NÃO SE APLICA A TODOS MAS A UMA BOA PARTE!

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Pois bem, dito isso, vamos lá.

Depois dos “excessos” (dependendo do ponto de vista) do Carnaval, chega a quarta-feira de cinzas e os fiéis voltam ao seu “normal”. Digo isso porque muitos vão para as festas de carnaval e se esquecem de que são cristãos e não aplicam a máxima deixada por São Paulo na 1ª Carta a comunidade de Corinto: ““Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma.”
I Coríntios, 6,12 – Bíblia Católica Online

As pessoas parecem entorpecidas (e muitos estão) pelo clima da festa e não se importam com mais nada. Não quero dizer que seja proibido “se divertir”, porém qual o significado disso tudo?

Ai chega a quarta-feira de cinzas e os antes foliões lembram-se que são “fiéis” e acorrem as igrejas. E olha que isso não é só com os católicos, mas também com nossos irmãos evangélicos e protestantes.

Depois vem a quaresma. Quarenta dias de reflexão e penitência, para fazer memória do sofrimento de Cristo. Ai vem a hipocrisia.

Muitos se abstém de carne ao menos uma vez na semana, geralmente às sexta-feiras ou as quartas, mas ao invés de se absterem de carne apenas, e muitas vezes promoverem churrascos no sábado para compensar, porque não vão alimentar uma família faminta? Porque não fazem da quaresma uma época para arrecadarem alimentos, agasalhos, cobertas, medicamentos para quem tem necessidade?

Seria mais significativo do que ficar no gesto (muitas vezes hipócrita) de se abster de carne ou jejuar.

Isso eu chamo de hipocrisia. O tentar enganar a Deus quando ninguém o engana.

Essas mesmas pessoas que não comem carne em determinados dias da semana durante a quaresma, ou fazem jejum (pasmem) de Coca-Cola ou chocolate, são as primeiras a anunciarem isso em alto em bom tom quando tem oportunidade, de novo falta lembrar do que está escrito no Evangelho de Mateus (aliás todo o capitulo 6 poderia traduzir e bem o que estou dizendo, por isso vou transcrevê-lo ao final da postagem, mas por hora o trecho a seguir vem bem a contento): “Quando jejuardes, não tomeis um ar triste como os hipócritas, que mostram um semblante abatido para manifestar aos homens que jejuam. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa. 17.Quando jejuares, perfuma a tua cabeça e lava o teu rosto. 18.Assim, não parecerá aos homens que jejuas, mas somente a teu Pai que está presente ao oculto; e teu Pai, que vê num lugar oculto, te recompensará.””
São Mateus, 6,16-18 – Bíblia Católica Online

O que quero dizer é que a Quaresma é tempo de reflexão, mas não de se acomodar. É tempo de visitar o irmão enfermo, de fazer oração nas casas, de ajudar os necessitados. Jesus fez isso com apenas 5 pães e 2 peixes (Jo 6, 5-14). Nada desta hipocrisia de se ir na igreja nesta época, celebrar com cantos mais reflexivos e fazer isso apenas pela tradição sem dar um significado verdadeiro.

Quaresma deveria, ou melhor, deve ser sempre uma ação. Assim como Jesus fazia.

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Tudo me é permitido, porque sou filho de Deus

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Monsenhor Jonas Abib

Eu tenho a liberdade dos filhos de Deus, mas nem tudo me convém; nem tudo convém a um filho de Deus! Tudo me é permitido porque eu sou filho, mas não me deixarei dominar por coisa alguma! (cf. I Cor 6,12)

Graças a Deus, você está vendo, com essa palavra, o que Deus faz por você. Confirme mais uma vez: ”Mas o corpo não é para a devassidão, ele é para o Senhor e o Senhor é para o corpo. Ora, Deus que ressuscitou o Senhor, nos ressuscitará também pelo seu poder” (I Cor 6, 13b-14).

Quando a palavra diz que nossos corpos são membros de Cristo não é uma figura ou uma imagem. Os seus membros não são os membros de sua cabeça? Claro que são, porque quem comanda os seus membros é a sua cabeça!

Se a minha cabeça não me comandasse, se não saísse da minha cabeça um feixe nervoso e do meu cérebro não saíssem os comandos, eu não poderia fazer nada, como ler, falar, etc., os meus lábios sequer se moveriam. Porque tudo isso se faz pelos comandos que vem dos nossos cérebros. Você não estaria respirando, porque os comandos vêm do seu cérebro.

Todos os nossos membros são comandados pela nossa cabeça e nós somos membros dessa cabeça. Jesus é a nossa cabeça e nós somos os seus membros. ”Não sabeis porventura que os vossos corpos são os membros de Cristo?” (cf. I Cor 6,15a) Os nossos corpos, masculino e feminino, são membros de Cristo.

Observe o que o Senhor fez com você! Assuma isso e viva a beleza do que Ele fez por você. Você foi resgatado! Você foi resgatada! Não perca mais o que o Senhor resgatou.

Não se esqueçam: “Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém” (cf. I Cor 6,12).

Seu irmão,

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

Publicado Originalmente em 30/11/2018 -no site da  Canção Nova

São Mateus, 6

1.“Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Do contrário, não tereis recompensa junto de vosso Pai que está no céu. 2.Quando, pois, dás esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa. 3.Quando deres esmola, que tua mão esquerda não saiba o que fez a direi­ta.* 4.Assim, a tua esmola se fará em segredo; e teu Pai, que vê o escondido, irá recompensar-te. 5.Quando orardes, não façais como os hipócritas, que gostam de orar de pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa. 6.Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê num lugar oculto, te recompensará. 7.Nas vossas orações, não multipliqueis as palavras, como fazem os pagãos que julgam que serão ouvidos à força de palavras. 8.Não os imi­teis, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vós lho peçais. 9.Eis como deveis rezar: PAI NOS­SO, que estais no céu, santificado seja o vosso nome; 10.venha a nós o vosso Reino; seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. 11.O pão nosso de cada dia nos dai hoje;* 12.perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos ofenderam;* 13.e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. 14.Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, vosso Pai celeste também vos perdoará. 15.Mas, se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará. 16.Quando jejuardes, não tomeis um ar triste como os hipócritas, que mostram um semblante abatido para manifestar aos homens que je­juam. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa. 17.Quando jejuares, perfuma a tua cabeça e lava o teu rosto. 18.Assim, não parecerá aos homens que jejuas, mas somente a teu Pai que está presente ao oculto; e teu Pai, que vê num lugar oculto, te recompensará.” 19.“Não ajunteis para vós tesou­ros na terra, onde a ferrugem e as traças corroem, onde os ladrões furtam e roubam. 20.Ajuntai para vós tesouros no céu, onde não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não furtam nem roubam. 21.Porque onde está o teu tesouro, lá também está teu coração. 22.O olho é a luz do corpo. Se teu olho é são, todo o teu corpo será iluminado. 23.Se teu olho estiver em mau estado, todo o teu corpo estará nas trevas. Se a luz que está em ti são trevas, quão espessas deverão ser as trevas!” 24.“Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e à riqueza.* 25.Portanto, eis que vos digo: não vos preo­cupeis por vossa vida, pelo que comereis, nem por vosso corpo, pelo que vestireis. A vida não é mais do que o alimento e o corpo não é mais que as vestes? 26.Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam, nem recolhem nos celeiros e vosso Pai celeste as alimenta. Não valeis vós muito mais que elas? 27.Qual de vós, por mais que se esforce, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida?* 28.E por que vos inquietais com as vestes? Considerai como crescem os lírios do campo; não trabalham nem fiam. 29.Entretanto, eu vos digo que o próprio Salomão no auge de sua glória não se vestiu como um deles. 30.Se Deus veste assim a erva dos campos, que hoje cresce e amanhã será lançada ao fogo, quanto mais a vós, homens de pouca fé? 31.Não vos aflijais, nem digais: Que comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos? 32.São os pagãos que se preocupam com tudo isso. Ora, vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isso. 33.Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo. 34.Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado.”

Notas bíblicas

6,3. Não saiba: de tal modo deves guardar discrição em fazê-la.

6,11. De cada dia: poderia-se traduzir também – necessário à nossa subsistência.

6,12. Tradução literal: perdoai-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores.

6,24. Riqueza: literalmente – Mamon (A palavra Mamom vem do aramaico e significa “dinheiro” ou “riqueza”. Não era uma pessoa nem um espírito. Algumas traduções antigas ainda mantêm a palavra Mamom em Mateus 6:24, mas traduções mais modernas preferem traduzir para português, como dinheiro ou riqueza.) ; luxo, dinheiro.

6,27. Pode-se traduzir também: quem pode acrescentar um côvado à sua estatura? Como a mesma palavra grega designa estatura e duração de vida, é muito mais conforme ao sentido do contexto a tradução dessa segunda maneira.” 

Bíblia Católica Online

20º Encontro (Catequese) – Pecado

Série: Animo, uma nova Catequese (Encontro 20/40)

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Vigésimo encontro. Metade do nosso cronograma sugerido. Hora de falar sobre pecado. Ponto de discussão hoje em dia, se existe ou não pecado ou tudo pode ser liberado.
Neste encontro vamos falar um pouco sobre pecado, os sete pecados capitais e algumas curiosidades com o número 7.
Como sugestão de inicio do encontro poderíamos fazer nossa oração inicial cantando a música Pai Nosso – Padre Marcelo Rossi que serve muito para fazermos uma abertura mais leve.
Uma sugestão é começar com uma dinâmica simples, pedir um catequizando escreva numa cartolina deixada no chão (vai ser preciso providenciar uma cartolina ou duas e canetões) todas as coisas que os outros catequizandos forem citando que eles consideram erradas. Depois deixar ali para falar um pouco mais adiante.
Falar sobre o número 7 e quantas coisas tem este número que é considerado o número da perfeição:

Falar sobre o que são os Sete Pecados Capitais e explicar que cada um tem sim uma influência na vida de cada pessoa, mas é uma influência que ataca pessoalmente cada pessoa. Avaliar com eles sobre cada uma das coisas escritas na cartolina durante a dinâmica e perguntar se eles consideram ou não pecado.

Lembrar dos 10 mandamentos:

  • 1º – Adorar a Deus e amá-lo sobre todas as coisas.
  • 2º – Não usar o Santo Nome de Deus em vão.
  • 3º – Santificar os Domingos e festas de guarda.
  • 4º – Honrar pai e mãe (e os outros legítimos superiores).
  • 5º – Não matar (nem causar outro dano, no corpo ou na alma, a si mesmo ou ao próximo)
  • 6º – Guardar castidade nas palavras e nas obras.
  • 7º – Não furtar (nem injustamente reter ou danificar os bens do próximo).
  • 8º – Não levantar falsos testemunhos (nem de qualquer outro modo faltar à verdade ou difamar o próximo)
  • 9º – Guardar castidade nos pensamentos e desejos.
  • 10º- Não cobiçar as coisas alheias

Lembrar também dos mandamentos de Jesus:

Amarás o Senhor teu Deus , de todo o teu coração, de toda a tua alma,
e de todo o teu entendimento!’ Esse é o maior e o primeiro mandamento.
O segundo é semelhante a esse:`Amarás ao teu próximo como a ti mesmo’. Mt 22, 34-40   (também em Mc 12, 29-33, Lc 10, 25-28Jo 13, 34)

Refletir sobre estes mandamentos e tudo o que implica a palavra pecado. O maior pecado é dizer não ao plano de Deus para cada um de nós, fechar-se em si mesmo ou abraçar as coisas mundanas (do mundo sem Jesus). Falando que hoje o mundo quer que pensemos no pecado como algo totalmente antiguado e sem cabimento, mas ele existe e junto dele sempre está o inimigo de Deus. Ou não é pecado cobiçar o(a) namorado(a) de outra pessoa? Não é pecado roubar? Matar? Não é pecado ficar se expondo na internet? Um católico(a) de verdade sabe cuidar do próprio corpo evitando drogas (seja qual for, até aquelas que se tomam em academias para desenvolver o corpo, até as bebidas alcoólicas e todas as outras), o corpo é o templo do espírito santo de Deus.

Importante é refletir sem um pré- julgamento ou acusações.

Dois textos bons para reflexões:

Lc 10, 25-37 –  Amar ao próximo (O Bom Samaritano)

Jo 8, 1-11 – Vá e não peques mais (A Mulher Adúltera)

Depois de tudo isso podemos fazer nosso canto final: Certeza do Céu – Comunidade Doce Mãe de Deus e a oração final

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Sugestão de folha para encontro

Aprofundamento para o catequista

“Tudo me é permitido”, mas nem tudo convém. “Tudo me é permitido”, mas eu não deixarei que nada domine. (1 Cor 6,12)

São Paulo deixa o ensinamento de que tudo é permitido, pois o próprio Deus dá o livre arbítrio a cada um, mas nem tudo convém, pois muitas coisas nos prejudicam ao invés de ajudarem

Um bom exemplo são os sete pecados capitais, que trazem itens permitidos a cada pessoa, porém sem parcimônia ou sem pensar antes de agir levam a destruição

1 – A Gula

Gula é o desejo insaciável, além do necessário, em geral por comida, bebida. Segundo tal visão, esse pecado também está relacionado ao egoísmo humano: querer ter sempre mais e mais, não se contentando com o que já tem, uma forma de cobiça. Ela seria controlada pelo uso da virtude da temperança. Do latim gula

2 – A Avareza

É o apego excessivo e descontrolado pelos bens materiais e pelo dinheiro, priorizando-os e deixando Deus em segundo plano. É considerado o pecado mais tolo por se firmar em possibilidades. Na concepção cristã, a avareza é considerada um dos sete pecados capitais, pois o avarento prefere os bens materiais ao convívio com Deus. Neste sentido, o pecado da avareza conduz à idolatria, que significa tratar algo, que não é Deus, como se fosse deus.

3 – A Luxúria

A luxúria (do latim luxuriae) é o desejo passional e egoísta por todo o prazer sensual e material. Também pode ser entendido em seu sentido original: “deixar-se dominar pelas paixões”. Consiste no apego aos prazeres carnais, corrupção de costumes; sexualidade extrema, lascívia e sensualidade. Do latim luxuria

4 – A Ira

A Ira é o intenso e descontrolado sentimento de raiva, ódio, rancor que pode ou não gerar sentimento de vingança. É um sentimento mental que conflita o agente causador da ira e o irado.

A ira torna a pessoa furiosa e descontrolada com o desejo de destruir aquilo que provocou sua ira, que é algo que provoca a pessoa. A ira não atenta apenas contra os outros, mas pode voltar-se contra aquele que deixa o ódio plantar sementes em seu coração. Seguindo esta linha de raciocínio, o castigo e a execução do causador pertencem a Deus. Do latim ira

5 – A Inveja

A inveja é considerada pecado porque uma pessoa invejosa ignora suas próprias bênçãos e prioriza o status de outra pessoa no lugar do próprio crescimento espiritual. É o desejo exagerado por posses, status, habilidades e tudo que outra pessoa tem e consegue. O invejoso ignora tudo o que é e possui para cobiçar o que é do próximo.

A inveja é freqüentemente confundida com o pecado capital da Avareza, um desejo por riqueza material, a qual pode ou não pertencer a outros. A inveja na forma de ciúme é proibida nos Dez Mandamentos da Bíblia. Do latim invidia, que quer dizer olhar com malícia.

6 – A Preguiça

A Igreja Católica apresenta a preguiça como um dos sete pecados capitais, caracterizado pela pessoa que vive em estado de falta de capricho, de esmero, de empenho, em negligência, desleixo, morosidade, lentidão e moleza, de causa orgânica ou psíquica, que a leva à inatividade acentuada. Aversão ao trabalho, frequentemente associada ao ócio, vadiagem. Do latim prigritia

7 – Soberba (Orgulho ou Vaidade)

Conhecida como soberba, é associada à orgulho excessivo, arrogância e vaidade.

Em paralelo, segundo o filósofo Santo Tomás de Aquino, a soberba era um pecado tão grandioso que era fora de série, devendo ser tratado em separado do resto e merecendo uma atenção especial. Aquino tratava em separado a questão da vaidade, como sendo também um pecado, mas a Igreja Católica decidiu unir a vaidade à soberba, acreditando que neles havia um mesmo componente de vanglória, devendo ser então estudados e tratados conjuntamente. Do latim superbia, vanitas.

O 7 na Bíblia

A semana tem 7 dias, o que tem um significado muito importante, pois quando se chega ao sétimo dia, voltamos ao primeiro e todas as vezes que o sete se “manifesta” indica o fim de um tempo e o início de outro. É como o virar de uma página.

Deus fez o Mundo em 7 dias…
E, havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que fizera, descansou nesse dia de toda a sua obra que tinha feito. Gn 2,2

Os 7 anos de fartura e miséria sobre o Egito…
Eis aí vêm sete anos de grande abundância por toda a terra do Egito.
Seguir-se-ão sete anos de fome, e toda aquela abundância será esquecida na terra do Egito, e a fome consumirá a terra; Gn 41,29-30

O Candelabro de Ouro tem 7 hastes…O Candelabro de Ouro tem 7 hastes…
e eis um candelabro todo de ouro e um vaso de azeite em cima com as suas sete lâmpadas e sete tubos, um para cada uma das lâmpadas que estão em cima do candelabro. Zc 4,2

São 7 as manifestações do Espírito de Deus…
Repousará sobre ele o Espírito do SENHOR, o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do SENHOR.  Is 11,2

Sete voltas e as muralhas caíram. Sete sacerdotes levarão cada um uma trombeta de chifre de carneiro à frente da arca. No sétimo dia, marchem todos sete vezes ao redor da cidade, e os sacerdotes toquem as trombetas Js 6,1-5

O profeta Elias fez 7 orações para que chovesse…
À sétima vez disse: Eis que se levanta do mar uma nuvem pequena como a palma da mão do homem. Então, disse ele: Sobe e dize a Acabe: Aparelha o teu carro e desce, para que a chuva não te detenha…Dentro em pouco, os céus se enegreceram, com nuvens e vento, e caiu grande chuva. 1 Rs 18,44-45

O profeta Eliseu pediu para Naamã mergulhar 7 vezes no Rio Jordão…
Então, Eliseu lhe mandou um mensageiro, dizendo: Vai, lava-te sete vezes no Jordão, e a tua carne será restaurada, e ficarás limpo. 2 Rs 5, 10

O segundo boi, de 7 anos, que Deus pediu a Gideão…
Naquela mesma noite, lhe disse o SENHOR: Toma um boi que pertence a teu pai, a saber, o segundo boi de sete anos, e derriba o altar de Baal que é de teu pai, e corta o poste-ídolo que está junto ao altar. Jz 6, 25

Perdoar 70 vezes 7  Esse foi o ensinamento deixado por Jesus. Mt 18, 21-22

As muralhas de Jericó foram rodeadas por sete dias…
Pela fé, ruíram as muralhas de Jericó, depois de rodeadas por sete dias. Hb 11,30

As 7 Taças e os 7 anjos
Ide e derramai pela terra as sete taças da cólera de Deus.
Ouvi, vinda do santuário, uma grande voz, dizendo aos sete anjos. Ap 16,1

As 7 Igrejas…
Quanto ao mistério das sete estrelas que viste na minha mão direita e aos sete candeeiros de ouro, as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas. Ap 1,20

Fontes pesquisadas:

  • Bíblia de Jerusalém
  • Catecismo da Igreja Católica
  • Católico Orante
  • Wikipedia

Mais sobre o assunto no Complemento para Estudo nº 12 aqui do blog

Evangelho Segundo São João

Animo, uma nova Catequese (Encontro 14/40 – Jesus Cristo – Complemento 9)

 

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A Boa Nova segundo João

João é considerado o autor do que se tornou o quarto evangelho no cânon oficial da Bíblia. Esta posição no livro só se lhe foi dada porque ele descreve de forma diferente dos anteriores (Mateus, Marcos e Lucas) a missão de Jesus. Além de ter convivido diretamente com o filho de Deus, ele se autodenomina como “o discípulo mais amado”, João seria hoje um teólogo e seu texto reflete isso.

João também é o autor de mais 3 epístolas (cartas de João 1, 2 e 3) e do livro da Revelação ou Apocalipse (como ficou mais conhecido).

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Mateus (Mt 4,18-22, repetido por Marcos 1,16-20 e Lucas 5,1-11) narra que Jesus chamou primeiro Pedro e André e logo depois Tiago e João para segui-lo. Já no evangelho de João (Jo 1,35-51) esse chamado tem outra ordem e deixa claro que tanto André como o próprio João eram seguidores de João Batista e quando este indicou quem realmente seria o enviado de Deus (no caso Jesus) eles seguram-no imediatamente e teriam sido então os primeiros a seguidores do Messias. Esqueceu-se até de citar seu próprio irmão Tiago no restante da narrativa.

Mas em particular esta passagem traz algo até mais significativo: são as primeiras palavras ditas por Jesus neste evangelho. É ele as tem todo um significado especial (quase como um prelúdio do que viria): O que vocês estão procurando? (Jo 1,38). Esta é a pergunta feita até hoje a todos que pretendem seguir a Jesus. Nós queremos saber quem é Jesus, onde está, onde fica e ele nos pergunta sobre o que buscamos na nossa vida.

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Fragmento do Evangelho de João

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O livro de João não é composto de breves histórias, como nos outros evangelhos, mas sim de grandes episódios, em que se misturam narrativa, diálogo e discurso, assumindo, muitas vezes forma de teatro. Segue um esquema geográfico e cronológico peculiar, mencionando diversas viagens de Jesus a Jerusalém e três páscoas, diferente dos outros 3 evangelhos que só narram uma. (Introdução a João – Bíblia Sagrada -CNBB)

No evangelho de João encontramos apenas 7 milagres, que ele chama de sinais e alguns discursos que se desenvolvem lentamente repetindo sempre os mesmos temas-chave. Seu evangelho é uma espécie de meditação, que procura aprofundar e mostrar o conteúdo da catequese existente em sua comunidade. Seu evangelho visa a despertar e a alimentar a fé em Jesus Cristo o filho de Deus, a fim de que os homens tenham a vida. (Jo 20,30-31). (Introdução ao Evangelho Segundo São João – Bíblia Sagrada – Paulus)

É o único dos evangelhos em que Jesus é Deus e homem ao mesmo tempo.

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Em Patmos escrevendo o Apocalipse

Existe também alguns fatos em que o texto de João chega a contradizer o texto dos demais evangelistas. Além de João citar a celebração de três páscoas, algo que condiz com a possibilidade de que Jesus fez sua pregação em três anos. Os evangelhos sinóticos dizem que a última ceia ocorreu numa quinta-feira, o de João antecipa a data em um dia e com isso faz com que a morte de Jesus coincida com a hora em que se sacrificavam o cordeiro como oferenda no Templo de Jerusalém durante a páscoa judaica. Apesar de morrer na Cruz o Salvador aparece como vitorioso.

O evangelho de João é por excelência o texto que nos fala da divindade de Jesus. É como ele teria o poder de nos salvar.

quadro cronológico do evangelho segundo joão

Quadro cronológico

Prólogo 1,1-8
I. O ministério público de Jesus 1,19-12,50

Preparação 1,19-51
As bodas em Caná 2,1-12
Ministério em Jerusalém 2,13-3,36
Jesus e a mulher de Samaria 4,1-42
A cura do filho de um oficial do rei 4,43-54
A cura de um paralítico em Betsaida 5,1-15
Honrando o Pai e o Filho 5,16-29
Testemunhas do Filho 5,30-47
Ministério na Galiléia 6,1-71
Conflito em Jerusalém 7,1-9,41
Jesus, o bom Pastor 10,1-42
Ministério em Betânia 11,1-12,11
Entrada triunfal em Jerusalém 12,12-19
Rejeição final: descrença 12,20-50

II. O ministério de Jesus aos discípulos 13,1-17,26

Servir— um modelo 13,1-20
Pronunciamento de traição e negação 13,21-38
Preparação para a partida de Jesus 14,1-31
Produtividade por submissão 15,1-17
Lidando com rejeição 15,18-16,4
Compreendendo a partida de Jesus 16,5-33
A oração de Jesus por seus discípulos 17,1-26

III. Paixão e ressurreição de Jesus 18,1-21,23

A prisão de Jesus 18,1-14
Julgamento perante o sumo sacerdote 18,15-27
Julgamento perante Pilatos 18,28-19,16
Crucificação e sepultamento 19,17-42
Ressurreição e aparições 20,1-21,23

Epílogo 21,24-25

 

Um homem chamado João

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João era um dos filhos de Zebedeu e Salomé, junto com seu irmão Tiago (Maior) eles eram pescadores. Ele era responsável pelo conserto das redes de pesca também. Morava em Betsaida com os pais João também gostava de ouvir a pregação de João Batista e provavelmente foi um dos muitos batizados pelo profeta. Tanto por terem a mesma profissão, como por viverem na mesma região João e seu irmão já conheciam Pedro e André e este último também fora um seguidor do Batista.

Na Bíblia não existe nenhuma citação sobre a constituição de uma família pelo apóstolo ou seja provavelmente ele nunca se casou.

Tanto João como Tiago ganharam o apelido de Filhos do Trovão ou irmãos Boanerges (literalmente irmãos do trovão) provavelmente por falarem alto e serem muito agitados. O temperamento de ambos seria mais esquentados e alguns episódios falam sobre isso (cf. Mc 9,38; 10,35-40 e Lc 9,51-56) e Jesus acaba dando alguns puxões de orelha neles. Isso depõe contra algumas descrições que dão relatos de que o apóstolo seria muito amoroso e tranquilo. Ele era bem explosivo inclusive na defesa da sua fé.

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A teoria de que João seria um dos discípulos mais jovens de Jesus vem de vários pontos mas se evidência principalmente no capítulo 20,1-10 quando a narrativa da descoberta por Maria Madalena (ele não cita outras mulheres acompanhando ela como nos evangelhos sinóticos) do túmulo vazio de Jesus. João narra que ele é Pedro saíram correndo quando Maria avisa que o sepulcro está vazio (note que ele fala de Pedro e o discípulo que Jesus mais amava, ou seja ele João, já que é a denominação assumida por ele), mas ele chega primeiro (o que demonstra que ele tinha mais fôlego, por ser mais jovem) só que ao chegar ele não entrou e esperou por Pedro e só depois deste ter entrado é que João entra. Isso não foi por medo e sim pelo respeito aos mais velhos (eles deveriam tomar a frente) e também respeito pela posição de liderança exercida por Pedro. Um discípulo mais velho, teria entrado ou não teria conseguido chegar antes. Por ele ser o mais jovem recebia grande atenção do Mestre pois tinha muitas perguntas a fazer.

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Com tudo isso João foi diversas vezes citado nos outros evangelhos, em especial no de Marcos que parece gostar mais ainda das ações dele. João esteve sempre presente em momentos importantes da vida de Jesus, um destes fatos é que somente ele, Tiago e Pedro puderam testemunhar a ressurreição da filha de Jairo (Mc 5,37) e depois serão apenas os 3 a presenciarem a transfiguração de Jesus. Também presenciam a agonia do Mestre no Monte das Oliveiras antes de ser preso. É João o único discípulo a se postar próximo da Cruz junto com a Virgem Maria e Maria Madalena e é a ele entregue a missão de cuidar da mãe do Cristo.

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Maria Madalena, Maria mãe de Jesus e João

 

Após a ressurreição e ascensão de Jesus, Lucas narra os passos de João junto de Pedro pregando por toda a Judéia. É de como o discípulo teve destaque de liderança e autoridade também. Paulo narra um encontro com João em sua terceira visita a Jerusalém (após ter sido convertido) na epístola aos Gálatas (que também é o último registro dos passos do apóstolo fora seus próprios escritos)

Estudiosos especulam que João permaneceu em Jerusalém durante a Guerra Judaica até a destruição do templo pelos romanos (70 d.C. durante a chamada Primeira Guerra judaico-Romana), depois teria se mudado para Éfeso e já com uma idade avançada teria sido preso pelo imperador Domiciano e exilado na Ilha de Patmos e lá teria escrito o livro do Apocalipse (está última parte é praticamente um consenso).

sao-joao-evangelistaMártir?

O escritor cristão Tertuliano de Cartago (155 d.C. A 220 d,C,) escreve que o imperador romano Domiciano (51-96 d.C.) prendeu o apóstolo João na Ásia durante a sua perseguição aos nazarenos (futuramente chamados como cristãos) e levou-o a Roma onde ele foi jogado em óleo fervente mas saiu ileso.

Outros historiadores (na versão mais aceita) dizem que após a prisão e depois de um tempo em Roma o apóstolo foi isolado na Ilha de Patmos, na Grécia que servia também de prisão. Porém João teria sido deixado em uma gruta onde ele usava uma pedra como travesseiro e teria escrito o livro do Apocalipse. Segundo uma lenda todo o texto foi escrito seguindo as revelações de Deus dadas por uma fenda no teto da caverna. Muitos visitam todo ano o local e conseguem ver até a pedra usada como travesseiro e a fenda no teto. Esta fenda se divide em três e foi relacionada posteriormente à Santíssima Trindade.

Tudo indica que tenha morrido de morte natural com 94 anos em Éfeso.  Porém não existe uma explicação de como chegou até lá.

Uma das maiores controvérsias de todos os tempos

Pedro recebendo a missão de apascentar as ovelhas de Jesus percebe que o jovem João está presente e pergunta o que será dele e o Mestre deixa no ar que João não iria (ou irá) morrer até que Ele volte (Parusia seria o termo correto e tema de um futuro post). Trocando em miúdos Jesus anuncia que João não vai morrer. (Jo 21,18-25). Se for feita uma interligação com o que escreve Mateus no capítulo 16,28 onde Jesus anuncia que entre os que estavam ali (presentes no momento) existia os que não passariam pela morte até que vissem vir o Filho do Homem no seu reino. Fica extremamente intrigado com todas estas declarações. Por um lado a nossa racionalidade não consegue aceitar que alguém possa estar vivo a mais de 2000 anos, por outro lado como duvidar do poder de Deus em se tratando de fé? Acreditamos que Jesus fez milagres, curas, ressurreições e ele próprio ressuscitou e se elevou de corpo e alma para o céu, então seria um contrassenso não acreditarmos que Jesus possa ter dado a João a possibilidade de permanecer vivo até quando o Mestre retornar.

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Fato ainda mais controverso são os escritos de Policrates de Éfeso, um Bispo que viveu em 190 d.C. e também complementados por Eusébio de Cesaréia em História Eclesiástica 5,24 que falam sobre a morte de João, mas frisar que após o falecimento e sepultamento do apóstolo, alguns anos depois o imperador romano Constantino (convertido ao cristianismo) decidiu erigir uma igreja para João e ao abrir sua tumba para o translado do corpo está estava vazia. Detalhe os selos não haveriam sido removidos até aquele momento. Fica o mistério e a controvérsia.

 Curiosidade

 Jo 21, 20 fala da posição que João se sentou a mesa na última ceia e serviu de base para a pintura de Michelangelo  

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Detalhe de uma das muitas versões do quadro

Liturgia

  • João : Símbolo: Águia. Era o maior teólogo entre todos e seu evangelho fala sempre da Divindade e dos mistérios do altíssimo, do Filho de Deus que veio dos céus. Inicia dizendo que no princípio era o verbo e o verbo estava junto de Deus. Como a águia é o animal que voa mais alto ficou como símbolo dele. Jo 1,1-5
  • Evangelho de São João é reservado para as ocasiões especiais, principalmente as grandes Festas e Solenidades, para este evangelho não existe um ano litúrgico.
  • Festa 27 de Dezembro

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Leia Mais:

 

 

14º Encontro (Catequese) – Evangelho de João

Série: Animo, uma nova Catequese (Encontro 14/40)

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João retratado na Santa Ceia

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus.” (Jo 1)

Dentro dos evangelhos, João foi o único a não se basear no livro de Marcos e escreve o seu de maneira independente, apesar de contar a história do mesmo personagem. Por isso mesmo o Evangelho de Jesus Cristo segundo São João não faz parte dos chamados Evangelhos Sinóticos (ou semelhantes) como os de Mateus, Marcos e Lucas, e é um livro mais teológico, preocupado em mostrar a divindade do seu mestre. Junto com seu irmão Tiago (que ficaria conhecido como Tiago Maior) fez parte dos 4 primeiros discípulos a serem convidados por Jesus para segui-lo. Só a abertura do seu evangelho já mostra como João iria tratar a história de Jesus (veja na abertura da postagem). lembrando que ele também escreveu 3 cartas apostólicas e mais o Apocalipse.

Bem vindos ao nosso 14º encontro.

Espero que as sugestões destes encontros possa ajudar você ou o grupo no desenvolvimento desta proposta de vivência na fé que é a catequese. É bem difícil suavizar e modernizar a maneira de falar (escrever no meu caso) mas como eu tenho certeza de que cada catequista tem o seu jeito de falar fico até tranquilo quanto a isso.

Minha proposta é que no primeiro momento seja pedido que todos se cumprimentem com o abraço da paz, incluindo catequistas. Depois seria interessante que a oração inicial seja espontânea onde cada um possa estar falando pelo que está rezando neste momento (claro que sem forçar a barra e nem deixando este momento constrangedor).

Dependendo das condições de cada comunidade sugiro que seja deixado colado embaixo de cada cadeira um bombom (pode ser bala) ou que se ofereça bombons para eles diretamente na caixa (vale um toque: se for comprado bombons em pacotes ao invés de caixa, sai mais em conta e pode se ter a opção de todos os bombons serem iguais). Logo de cara proponho uma dinâmica, antes mesmo de entrarmos no tema.

Dinâmica Quem é Deus?

Consiste em se dar para cada catequizando uma tira de cartolina e um canetão (ou canetinha) onde cada um vai escrever a resposta em uma palavra da pergunta: Quem é Deus? Todos escrevem e colocam próximo a cruz ou a vela, ou o que tiver como ambientação no chão. Apenas próximo ao final do encontro será feito a plenária, onde cada um pega de volta a sua resposta e responde o porque escreveu esta definição.

No momento seguinte entramos no tema falando sobre João. Como se deu o seu chamado, porque ele se autodenominava “o discípulo que Jesus mais amava”, e também porque o evangelho dele é diferente dos demais.

Pedir que os catequisandos se dividam em grupos (dar o limite de pessoas para cada grupo) e dar leituras para eles lerem e dividirem entre eles como um jogral. Sugiro 5 grupos (mas dependendo do número de pessoas podem ser mais ou até menos grupos). Sugiro as leituras:

  1. Bodas de Cana: Jo 2,1-11;
  2. Cura do filho do funcionário real: Jo 4,46-54;
  3. Multiplicação dos pães: Jo 6,5-14;
  4. Cura do cego de nascença: Jo 9,1-16;
  5.  Ressurreição de Lázaro: Jo 11,1-44

Após este momento é hora de acertar as pendências como documentos para os sacramentos e sugiro que seja fechada uma data para um almoço ou jantar com os pais dos catequisandos, catequistas e o padre. A família é um eixo importante na vivência na fé. Também penso ser um bom momento para propor que eles façam a preparação de uma missa (ou celebração) onde eles serão leitores, comentaristas e farão parte das procissões que tiverem na missa (respeitando os costumes de cada comunidade e conversando com a equipe de liturgia) deste tipo de ação sempre aparecem cantores novos ou tocadores de algum instrumento, bons leitores também, além de pessoas que vão se integrar mais facilmente aos trabalhos da comunidade. Para quem é de fora parece que a Liturgia é algo muito distante da realidade e isso deve ser quebrado. Também é muito importante que os catequizandos se integrem cada vez mais com a missa, outro eixo fundamental da catequese.

Depois é o momento de fazermos a plenária da dinâmica, já como parte da oração. Cada um fala o porque definiu Deus com aquela palavra e fica em silêncio após isso. Sugiro que façamos a oração de São João Evangelista, junto com um Pai Nosso e cantemos o nosso canto final : Recado de Deus e depois podemos partir com a missão de transmitir a paz para que encontrarmos.

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Sugestão para folha de encontro

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João Batista aponta para João e André quem é o verdadeiro enviado de Deus

 

Aprofundamento para o catequista

O quarto evangelho, a princípio tem a mesma estrutura dos evangelhos sinóticos: inicialmente mostra o testemunho de João Batista sobre Jesus, depois apresenta várias passagens e acontecimentos da vida de Cristo, e termina com os relatos de sua paixão, morte e ressurreição. No entanto destaca milagres ou aspectos da pregação de Jesus que não são relatados pelos sinóticos: o início da vida pública de Jesus nas bodas de Cana; a ressurreição de Lázaro; o lava pés; a questão do paráclito; o longo discurso sobre o pão da vida que vem após a multiplicação dos pães; é o único a apresentar as três grandes festas judaicas; Jesus toma posse da fórmula “Eu sou”, que é própria de Deus. O evangelho segundo João é o evangelho mais puro, o mais radical, o mais teológico, com uma cristologia mais desenvolvida que se preocupa em apresentar a divindade de Cristo.

Para o povo judeu do AT a fé está na lei de Moisés, no culto centrado em Deus efetuado no templo, João vai colocar o eixo em Jesus. Jesus é a Lei, Jesus substitui o templo e a fé está na pessoa de Cristo.

O Autor

A tradição antiga da Igreja identificou a autoria deste evangelho como sendo de João o discípulo amado de Cristo. “Este é o discípulo que dá testemunho dessas coisas e foi quem as escreveu: e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro” (21,24).

Santo Ireneu de Lyon (+/- 125/140 d.C) é o autor mais antigo que afirma a autoria do quarto evangelho à João: “Em seguida, o discípulo do Senhor, o mesmo que repousou sobre o seu peito, publicou também o evangelho durante sua estada em Éfeso”. Provavelmente o livro foi escrito no final do primeiro século, entre os anos 90 e 100 d.C. na localidade de Éfeso. (Para nós abrasileiramos o nome do santo para Irineu de Lião)

Destinatário

Diferente dos evangelhos sinóticos que tem um destinatário concreto, Marcos escreve para Romanos, Mateus para Judeus e Lucas para Gregos, João tem um destino universal, pois escreve não para uma comunidade específica, mas para todas as comunidades cristãs.

Objetivo de João

O propósito de João é inspirar nos leitores a fé em Jesus e está claro nas conclusões finais do capítulo 20,30-31: Crer que Jesus é o Filho de Deus para se ter vida

“Eu Sou”

A fórmula “Eu Sou” como a vemos no livro do Êxodo quando Deus se apresenta à Moisés dizendo “Eu sou aquele é”, é própria do Criador, no entanto Jesus toma posse desta expressão para auto-definir-se:

  • 6,35 “Eu sou o pão da vida”
  • 9,5 “Eu sou a luz do mundo”
  • 10,7-9 “Eu sou a porta”
  • 10,11-14 “Eu sou o bom pastor”
  • 11,25 “Eu sou a ressurreição”
  • 14,6 “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”
  • 15,1 “Eu sou a videira”

O Paráclito

João não usa a palavra Espírito Santo mas a expressão Paráclito várias vezes nos discursos de despedidas dos discípulos, no entanto diferente do evangelho de Lucas que apresente Jesus como cheio do Espírito Santo para João é pelo Espírito Santo que se perpetua a presença de Jesus entre seus seguidores, é o Espírito que nos ilumina e nos dá a conhecer profundamente a pessoa de Jesus.(Espírito = Paráclito, Espírito da Verdade, Espírito Santo).

1- Espírito enviado pelo Pai: 14,15-17: “e rogai ao Pai e ele vos dará outro Paráclito, para que convosco permaneça para sempre”;

2- Espírito enviado por Cristo: 16,7: “se eu não for o Paráclito não virá a vós, mas se for envia-lo-ei à vós”;

3- Para recordar todas as coisas: 14,26: “mas o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que vos disse”;

4- Para revelar as coisas futuras e glorificar a Jesus: 16,13: “quando vier o Espírito da Verdade, ele vos guiará na verdade plena…e vos anunciará as coisas futuras”;

5- Para testemunhar a Cristo: 15,26: “quando vier o Paráclito…dará testemunho de mim”.

Conforme a tradução da Bíblia Ave Maria paráclito é uma palavra grega que significa advogado, intercessor.

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Os milagres de Jesus

João não utiliza a palavra milagres para falar das grandes realizações de Jesus mas utiliza-se da expressão grega “semeion” que significa sinais.

Sinais significam o indício revelador de alguma coisa, pode ser um milagre ou não. João apresenta seis sinais como forma de provar que Jesus é o enviado do Pai e que o que interessa realmente não é o sinal em si mas o autor deste:

Bodas de Cana: 2,1-11;

Cura do filho do funcionário real: 4,46-54;

Cura do enfermo na piscina de Betsaida: 5,2ss

Multiplicação dos pães: 6,5-14;

Cura do cego de nascença: 9,1-16;

Ressurreição de Lázaro: 11,1-44;

Sendo que o grande sinal, o de número sete, é sua própria Ressurreição (Jo 20), como forma de apresentar a perfeição dos tempos no Cristo ressuscitado.

Para o povo da Bíblia os números são muito significativos, o número 7 significa: perfeição. Por isso quando Pedro pergunta à Jesus: quantas vezes devemos perdoar, 7? Jesus responde não 7 mas, deveis perdoar 70 x 7.

Eucaristia

Para os sinóticos Jesus instituiu a Eucaristia na quinta-feira santa. João coloca na quarta-feira o relato do lava-pés, para dizer que a Eucaristia deve levar à um gesto concreto, mostra Jesus como aquele que serve, como escravo. (diakonia em grego = serviço).

Para João a Eucaristia se dá no capítulo 6,11 (multiplicação dos pães) onde o que importa e dar graças e distribuir.

Jesus é o templo

Os evangelhos sinóticos narram a expulsão dos vendilhões do Templo como acontecida na última Páscoa, no final do mistério de Jesus. Para João este fato está na primeira Páscoa (2,13ss), quando Jesus começa a pregar, pois para encontrar Deus o lugar não é mais o Templo, mas a própria figura de Jesus. A partir de agora se adora em Espírito e Verdade.

As três páscoas em João

O Evangelista João mostra que conhece profundamente a cultura judaica, apresentando no ministério de Jesus três Páscoas (três anos de vida pública), além das outras principais festas Judaicas, como o Pentecostes, Tendas e a Festa da Dedicação.

1ª Páscoa: Jo 2,13-22; acontece após o início de seu ministério com as bodas de Cana.

Festa de Pentecostes: Jo 5,1, embora o texto não revele que era pentecostes, subentende-se por que se dá logo após a descrição da primeira Páscoa. (Pentecostes em grego significa quinquagésimo, é a festa da colheita ou das primícias realizada pelos judeus cinqüenta dias após a Páscoa).

2ª Páscoa: Jo 6,4; é a Páscoa precedida da multiplicação dos pães.

Festa das Tendas ou Tabernáculos: Jo 7,2, recordava os quarenta anos de permanência do povo no deserto quando saíram do Egito.

Festa da Dedicação: Jo 10,22, dedicação ou purificação do Templo que havia sido profanado no ano 200 a.C.

3ª Páscoa: Jo 11,55; 12,1 e 13, 1, é a Páscoa da morte e Ressurreição de Jesus, esta é apresentada pelos quatro evangelistas.

Com este estilo teológico de escrever João quer mostrar que com a vinda de Jesus termina o culto antigo representado pelas festas e pelo Templo. O novo Templo agora é Jesus e a Ele se deve o culto, este é o sentido da vida de Cristo.

Jesus é o Logos

Para os sinóticos a divindade de Jesus vai se revelando aos poucos.

João apresenta Jesus desde o princípio como o messias o filho de Deus (1,1-2,14).

João ainda usa a palavra verbo para dar dinâmica a Jesus.

Títulos de Jesus

Mateus: Emanuel (1,2328,20);

Marcos: Filho de Deus (1,115,39);

Lucas: não há título específico mas Jesus é o possuído pelo Espírito Santo;

João apresenta Jesus como o cordeiro de Deus 1,2919,36.

O discípulo que Jesus amava

A expressão “o discípulo que Jesus amava” aparece em João cinco vezes, isto é um fato enigmático:

  1. No anúncio da traição (13,22): “Estava à mesa, ao lado de Jesus, um de seus discípulos, aquele que Jesus amava”;
  2. Aos pés da cruz (19,25-26): “Perto da cruz de Jesus permaneciam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria mulher de Cleofas, e Maria Madalena. Jesus, então, vendo sua mãe, e perto dela, o discípulo a quem amava”;
  3. No sepulcro (20,2): “Maria Madalena…corre, então e vai a Simão Pedro e ao outro discípulo, que Jesus amava”;
  4. Reconhece Jesus a beira do lago de Tiberíades (21,7): “Aquele discípulo que Jesus amava disse então a Pedro: É o Senhor”;
  5. Pedro vê o discípulo (21,20): “Pedro, voltando-se, viu que o seguia o discípulo que Jesus amava”.

Os que falavam com Jesus

Ao invés das parábolas João usa de vários diálogos com Jesus. Conta diversos encontros do mestre com outros personagens. Seus principais interlocutores são: Nicodemos, a Samaritana, a multidão, as irmãs de Lázaro….

Oração

Mateus e Lucas apresentam o Pai nosso.

Lucas mostra Jesus orante em muitos momentos decisivos.

João apresenta a Oração sacerdotal no capítulo 17: oração pelos 12

“Pai, é chegada a hora. Glorifica teu Filho, para que teu Filho glorifique a ti; 2.e para que, pelo poder que lhe conferiste sobre toda criatura, ele dê a vida eterna a todos aqueles que lhe entregaste. 3.Ora, a vida eterna consiste em que conheçam a ti, um só Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo que enviaste. 4.Eu te glorifiquei na terra. Terminei a obra que me deste para fazer. 5.Agora, pois, Pai, glorifica-me junto de ti, concedendo-me a glória que tive junto de ti, antes que o mundo fosse criado. 6.Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste. Eram teus e deste-mos e guardaram a tua palavra. 7.Agora eles reconheceram que todas as coisas que me deste procedem de ti. 8.Porque eu lhes transmiti as palavras que tu me confiaste e eles as receberam e reconheceram verdadeiramente que saí de ti, e creram que tu me enviaste. 9.Por eles é que eu rogo. Não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. 10.Tudo o que é meu é teu, e tudo o que é teu é meu. Neles sou glorificado. 11.Já não estou no mundo, mas eles estão ainda no mundo; eu, porém, vou para junto de ti. Pai santo, guarda-os em teu nome, que me encarregaste de fazer conhecer, a fim de que sejam um como nós. 12.Enquanto eu estava com eles, eu os guardava em teu nome, que me incumbiste de fazer conhecido. Conservei os que me deste, e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura. 13.Mas, agora, vou para junto de ti. Dirijo-te esta oração enquanto estou no mundo para que eles tenham a plenitude da minha alegria. 14.Dei-lhes a tua palavra, mas o mundo os odeia, porque eles não são do mundo, como também eu não sou do mundo. 15.Não peço que os tires do mundo, mas sim que os preserves do mal. 16.Eles não são do mundo, como também eu não sou do mundo. 17.Santifica-os pela verdade. A tua palavra é a verdade. 18.Como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. 19.Santifico-me por eles para que também eles sejam santificados pela verdade. 20.Não rogo somente por eles, mas também por aqueles que por sua palavra hão de crer em mim. 21.Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste. 22.Dei-lhes a glória que me deste, para que sejam um, como nós somos um: 23.eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e o mundo reconheça que me enviaste e os amaste, como amaste a mim. 24.Pai, quero que, onde eu estou, estejam comigo aqueles que me deste, para que vejam a minha glória que me concedeste, porque me amaste antes da criação do mundo. 25.Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu te conheci, e estes sabem que tu me enviaste. 26.Manifestei-lhes o teu nome, e ainda hei de lho manifestar, para que o amor com que me amaste esteja neles, e eu neles.” São João, 17 

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