6 histórias de pessoas que tiveram contato com o Capeta

Conheça 6 histórias de gente que passou por tentações e privações na briga entre Deus e Satã pela alma dos homens

anjos-demoniosanjos-demonios2Paciência de JóUma das principais histórias desse tipo na Bíblia é a de Jó, um homem muito rico e religioso. Satanás propôs ao Todo-Poderoso que testassem a fé de Jó, alegando que é fácil adorar a Deus quando se tem de tudo. Satã fez coitado perder os bens e os filhos e pegar lepra. Ainda assim, ele manteve a fé. Foi recompensado, recuperando tudo em dobro. Livro de Jó

 

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Porco expiatório

Segundo o Evangelho de São Lucas, Jesus andava pela região de Gadara, na Palestina, quando encontrou um homem dominado não apenas por um demônio, mas vários. Por isso, seu nome era Legião. Cristo “transferiu” os espíritos ruins para porcos ali perto. Possuídos, os bichos se jogaram de um abismo, caíram num lago e se afogaram.

 

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Padre exorcista

O padre italiano Pio, nascido em 1887, afirmava ter sido incomodado por Lúcifer em diversas formas: como um cão monstruoso, uma garota nua e até um anjo. Isso porque Pio era um habilidoso exorcista. Segundo outro padre, Tarcisio de Cernivara, o próprio líder do inferno admitiu durante um desses rituais: “Você nos dá mais trabalho que São Miguel!”

 

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Disputa com a Virgem

A bósnia Mirjana Dragicevic afirma receber aparições de Maria desde 1981. Mas ela também já viu o diabo. Em 1982, ele pediu que ela renegasse a Nossa Senhora e o seguisse para ser feliz no amor. Mirjana recusou e a Virgem imediatamente apareceu para ela, dizendo que o tinhoso é a raiz de tudo de ruim que acontece conosco.

 

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Em chamas

Um dos mais longos registros de visitas diabólicas é o da portuguesa Alexandrina Maria da Costa, na primeira metade do século 20. Em diários e cartas, conta que Satã aparecia para fazê-la perder a fé. “Uma tarde, senti como se minha carne estivesse pegando fogo. Uma das pessoas presentes disse: ‘Que cheiro de queimado!’”, escreveu.

 

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Música dos infernos

A composição mais famosa do músico italiano Giuseppe Tartini teria sido inspirada pelo chifrudo. Tartini contou que certa noite, em 1713, sonhou que fez um pacto com o demo, no qual entregou a alma. Ele deu seu violino a Satã, que começou a tocar magistralmente. O músico a reproduziu: nascia assim a sonata O Trilo do Diabo.

 

CONSULTORIA Volney Berkenbrock, doutor em teologia pela Universidade de Bonn, na Alemanha, e professor de pós-graduação em ciência da religião da Universidade Federal de Juiz de Fora, e Gary E. Gilley, doutor em teologia pela Universidade de Cambridge

FONTES Livro Satã – Uma Biografia, de Henry Ansgar Kelly, documentáriosSatanás, Príncipe das Trevas e Portões para o Inferno e tese acadêmicaSpeak of the Devil: A Brief Look at the History and Origins of Iconography of the Devil from Antiquity to the Renaissance, de Eric Williams

Círculo Bíblico: Livro de Jó (10/10)

Círculo Bíblico: Livro de Jó

Este é o último de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o Livro de Jó A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o Livro de Jó (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja mas é ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia, apenas como incentivo. 

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

 

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Jó 40

“1.O Senhor, dirigindo-se a Jó, lhe disse:* 2.“Aquele que disputa com o Todo-poderoso apresente suas críticas! Aquele que discute com Deus responda!”. 3.Jó respondeu ao Senhor nestes termos: 4.“Leviano como sou, que posso responder-te? Ponho a minha mão sobre a boca. 5.Falei uma vez e não repetirei, duas vezes, e nada acrescentarei”. 6.Então, do meio da tempestade, o Senhor deu a Jó esta resposta: 7.“Cinge os teus rins como um valente; vou interrogar-te e tu me responderás.* 8.Queres reduzir a nada a minha justiça e condenar-me antes de ter razão?* 9.Acaso tens um braço semelhante ao de Deus e uma voz troante como a dele? 10.Orna-te então de grandeza e majestade, reveste-te de esplendor e de glória! 11.Espalha as ondas de tua cólera. Com um simples olhar, abate o arrogante. 12.Com um olhar, humilha o soberbo e esmaga os ímpios no mesmo lugar em que eles estão. 13.Enterra-os todos juntos debaixo da terra e amarra-lhes os rostos num lugar escondido. 14.Então, eu também te louvarei por triunfares pela força de tua mão direita. 15.Vê Beemot, que criei contigo, que nutre-se de erva como o boi.* 16.Sua força reside nos rins e seu vigor nos músculos do ventre. 17.Levanta sua cauda como um cedro. Os nervos de suas coxas são entrelaçados. 18.Seus ossos são como tubos de bronze e sua carcaça como barras de ferro. 19.É obra-prima de Deus, foi criado como o soberano de seus companheiros. 20.As montanhas fornecem-lhe a pastagem e todos os animais dos campos divertem-se em volta dele. 21.Deita-se sob os lótus, no esconderijo dos caniços e dos brejos. 22.Os lótus cobrem-no com sua sombra e os salgueiros da margem o cercam. 23.Quando o rio transborda, ele não se assusta; mesmo que o Jordão levantasse até a sua boca, ele ficaria tranquilo. 24.Quem o seguraria pela frente e lhe furaria as ventas para nelas passar cordas? 25.Poderás tu fisgar Leviatã com um anzol e amarrar-lhe a língua com uma corda?* 26.Serás capaz de passar-lhe um junco em suas ventas e de furar-lhe a mandíbula com um gancho? 27.Ele te fará muitas súplicas e te dirigirá palavras ternas? 28.Concluirá ele uma aliança contigo, a fim de que faças dele sempre teu escravo? 29.Brincarás com ele como se fosse um pássaro, ou o prenderás com a coleira, para divertir teus filhos? 30.Será ele vendido por uma sociedade de pescadores e dividido entre os negociantes? 31.Poderás crivar-lhe a pele com dardos, ou a cabeça com arpões de pesca? 32.Tenta pôr a mão sobre ele, sempre te lembrarás disso e não recomeçarás. 33.Tua esperança será lograda: bastaria a sua vista para te arrasar.”

Jó 41

“1.Ninguém é bastante ousado para provocá-lo. Quem lhe resistiria face a face? 2.Quem pôde afrontá-lo e sair com vida? Quem, debaixo de toda a extensão do céu?* 3.Não quero calar a glória de seus membros e falarei de seu vigor incomparável. 4.Quem levantou a dianteira de sua couraça? Quem penetrou na dupla linha de sua dentadura? 5.Quem lhe abriu os dois batentes da goela? Em torno dos seus dentes, só terror! 6.Sua costa é um aglomerado de escudos, cujas juntas são estreitamente ligadas: 7.uma encaixa na outra, nem sequer o ar passa por entre elas; 8.uma adere tão bem à outra, que são encaixadas sem se poderem desunir. 9.Seu espirro faz jorrar a luz e seus olhos são como as pálpebras da aurora. 10.De sua goela saem chamas e escapam centelhas ardentes. 11.De suas ventas sai fumaça como de uma panela que ferve entre chamas. 12.Seu hálito queima como brasa e a chama jorra de sua goela. 13.Em seu pescoço reside sua força, diante dele salta o espanto. 14.As dobras de seus músculos são aderentes, esticadas sobre ele, elas são inabaláveis. 15.Firme como a pedra é seu coração, firme como a mó fixa de um moinho. 16.Quando se levanta, estremecem as ondas e os vagalhões do mar se afastam. 17.Se uma espada o atinge, ela não resiste, nem a lança, nem a flecha, nem o dardo. 18.O ferro para ele é como palha e o bronze, como madeira podre. 19.A flecha não o afugenta, as pedras de funda são palhinhas para ele. 20.O martelo lhe parece um fiapo de palha e ri-se do assobio da espada. 21.Sob seu ventre há cacos pontiagudos, como uma grade de ferro que se arrasta sobre o lodo. 22.Faz ferver o abismo como uma caldeira e transforma o mar num queimador de perfumes. 23.Deixa atrás de si um sulco luminoso, como se o abismo tivesse cabeleira branca. 24.Não há nada igual a ele na terra, pois foi feito para não ter medo de nada. 25.Ele afronta tudo o que é elevado. Ele é o rei dos mais orgulhosos animais”.”

Jó 42

“1.Jó respondeu ao Senhor nestes termos: 2.“Sei que podes tudo e que nada te é impossível. 3.‘Quem é esse que obscurece assim a Providência com discursos ininteligíveis?’ É por isso que falei, sem compreendê-las, maravilhas que me superam e que não conheço. 4.‘Escuta-me, deixa-me falar, vou interrogar-te e tu me responderás.’ 5.Meus ouvidos ouviram falar de ti, mas agora meus próprios olhos te viram. 6.É por isso que me retrato e me arrependo, no pó e na cinza”. 7.Depois que o Senhor acabou de dirigir essas palavras a Jó, disse a Elifaz de Temã: “Estou irado contra ti e contra teus dois amigos, porque não falastes corretamente de mim, como Jó, meu servo. 8.Tomai, pois, sete touros e sete carneiros e vinde ter com meu servo Jó. Oferecei-os por vós em holocausto e meu servo Jó intercederá por vós. É em consideração a ele que não vos infligirei ignomínias por não terdes falado bem de mim, como Jó, meu servo”. 9.Elifaz de Temã, Baldad de Suás e Sofar de Naamat foram-se então para fazer como o Senhor lhes tinha ordenado, e o Senhor tomou em consideração as orações de Jó. 10.Enquanto Jó rezava por seus amigos, o Senhor o restabeleceu de novo em seu primeiro estado e lhe tornou em dobro tudo quanto tinha possuído. 11.Todos os seus irmãos, todas as suas irmãs, todos os seus amigos de antes vieram visitá-lo e sentaram-se com ele à mesa em sua casa. Tiveram muito dó dele e deram-lhe condolências a respeito de todas as infelicidades que o Senhor lhe enviara. E cada um deles ofereceu-lhe uma moeda de prata e um anel de ouro. 12.O Senhor abençoou os últimos tempos de Jó mais do que os primeiros. Teve Jó catorze mil ovelhas, seis mil camelos, mil juntas de bois e mil jumentas. 13.Teve ainda sete filhos e três filhas: 14.chamou a primeira Pombinha, a segunda Cássia e a terceira Azeviche. 15.Em toda aquela terra não poderiam ser encontradas mulheres mais belas do que as filhas de Jó. E seu pai lhes destinou uma parte da herança entre seus irmãos. 16.Depois disso, Jó viveu ainda cento e quarenta anos e conheceu até a quarta geração dos filhos de seus filhos. 17.Depois, velho e cheio de dias, morreu.”

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Jó e um novo recomeço

 

Jó escuta as palavras e questionamentos de Deus, e reconhece que errou ao questionar suas provações. Deus fala para os amigos de Jó que estes nunca conseguiram falar da maneira correta sobre ele. Depois perdoa Jó que ao final realmente acabou tendo paciência.

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“40,1. Os vv. 31-35, que no texto hebreu são o começo do cap. 40, parecem ter sido colocados fora de lugar. Encontram seu lugar natural no fim do cap. 41. 40,6. Reprodução textual de 38,1.3. Essa repetição provém de arranjos posteriores do texto do discurso de Deus. A sequência lógica das ideias exigiria que o texto a partir de 40,10 fosse diretamente unido a 39,30. 40,8. E condenar-me: outra tradução – e condenar-me para assegurar o teu direito? (N. do T.) 40,15. Beemot: o hipopótamo. 40,25. Leviatã: o crocodilo recebe aqui o nome do monstro mitológico, ao qual se referiu a nota do cap. 3,8. Ver também 26,13.”

“41,2. A primeira parte deste versículo está citada em Rm 11,35, porém de maneira bem diferente.”

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Círculo Bíblico: Livro de Jó (9/10)

Círculo Bíblico: Livro de Jó

Este é o nono de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o Livro de Jó A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o Livro de Jó (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja mas é ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia, apenas como incentivo. 

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

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Jó 36

“1.Depois Eliú prosseguiu nestes termos: 2.“Espera um pouco e te instruirei. Tenho ainda palavras em defesa de Deus. 3.Vou buscar longe a minha ciência, para justificar aquele que me criou. 4.Pois minhas palavras não são certamente mentirosas e estás tratando com um homem de ciência sólida. 5.Deus é poderoso, mas não é arrogante, é poderoso por sua ciência. 6.Não deixa o ímpio viver, mas faz justiça aos oprimidos. 7.Não tira seus olhos do justo e os faz assentar no trono com os reis, numa glória eterna. 8.Se forem presos em grilhões e atados com os laços da pobreza, 9.ele lhes fará conhecer as suas obras e as faltas que cometeram por orgulho. 10.Abre-lhes os ouvidos para corrigi-los e diz-lhes que renunciem à iniquidade. 11.Se escutarem e obedecerem, terminarão seus dias na felicidade e seus anos em delícias. 12.Mas se não o escutarem, morrerão de um golpe e expirarão por falta de sabedoria. 13.Os ímpios de coração são entregues à cólera e não clamam a Deus quando ele os aprisiona. 14.Por isso morrem em plena mocidade e sua vida passa como a dos efeminados.* 15.Mas Deus salvará o pobre pela sua miséria e o instrui pelo sofrimento. 16.A ti também ele retirará das fauces a angústia, numa larga liberdade e no repouso de uma mesa bem guarnecida.* 17.Mas tu te comportas como um malvado, com o risco de incorrer em sentença e penalidade. 18.Toma cuidado para que a cólera não te inflija um castigo e que o tamanho do resgate não te perca. 19.Acaso levará ele em conta teu grito na aflição e todos os esforços do vigor? 20.Não suspires pela noite da morte, que arrebata os povos de seu lugar! 21.Guarda-te de declinar para a iniquidade, e de preferir a injustiça ao sofrimento. 22.Vê, Deus é sublime em seu poder! Que senhor lhe é comparável? 23.Quem lhe fixou seus caminhos? Quem pode dizer-lhe: ‘Fizeste mal?’. 24.Antes lembra-te de glorificar sua obra, que a humanidade celebra em seus cânticos. 25.Todos os homens a contemplam, mas cada um a considera de longe. 26.Deus é grande demais para que o possamos conhecer; o número de seus anos é incalculável. 27.Atrai as gotinhas de água para transformá-las em chuva no nevoeiro. 28.As nuvens espalham essas águas e as destilam sobre a multidão humana. 29.Quem pode compreender como se expandem as nuvens e o estrépito que sai de sua tenda?* 30.Espalha à sua volta sua luz e encobre as profundezas do mar. 31.É por esse meio que governa os povos e fornece-lhes abundante alimento. 32.Nas suas mãos esconde o raio e fixa-lhe o alvo a atingir. 33.O seu estrondo o anuncia e o rebanho também pressente aquele que se aproxima.”

Jó 37

“1.Por isso, tremeu o meu coração e saltou fora de seu lugar. 2.Escutai, escutai o brado de sua voz e o estrondo que sai da sua boca! 3.Enche dele toda a extensão do céu e seus relâmpagos atingem os confins da terra! 4.Por detrás dele ruge uma voz e troveja com sua voz majestosa. Não retém mais seus raios quando se ouve sua voz. 5.Deus troveja com sua voz maravilhosa, faz prodígios que não compreendemos. 6.Diz à neve: ‘Cai sobre a terra!’. E às pancadas de chuva: ‘Sede fortes!’. 7.Ele põe selos sobre as mãos dos homens, a fim de que todos os mortais reconheçam seu criador.* 8.A fera também entra em seu covil e encolhe-se em sua toca. 9.O furacão sai da câmara do sul e do norte chega o frio. 10.Ao sopro de Deus forma-se o gelo e a superfície das águas se congela. 11.Carrega as nuvens de vapor. As nuvens lançam por toda parte seus relâmpagos, 12.que vão em todos os sentidos sob sua direção, para realizar tudo quanto ele ordena na face da terra. 13.Ora é o castigo que eles trazem, ora seus benefícios. 14.Escuta isto, Jó! Para e considera as maravilhas de Deus! 15.Sabes como Deus as opera e faz brilhar o relâmpago de sua nuvem? 16.Conheces a lei do equilíbrio das nuvens e o milagre daquele cuja ciência é infinita? 17.Por que são quentes as tuas vestes, quando repousa a terra ao sopro do meio-dia? 18.Saberás, como ele, estender as nuvens e torná-las sólidas como um espelho de metal fundido? 19.Dá-me a conhecer o que lhe diremos. Mergulhados em nossas trevas, só sabemos objetar. 20.Quem lhe repetirá o que digo? Acaso pedirá um homem a sua própria perdição? 21.Agora já não se vê a luz, o sol brilha através das nuvens. Passa, porém, um vento e as varre. 22.A luz vem do norte. Deus está envolto numa majestade temível.* 23.Não podemos alcançar o Todo-poderoso. Ele é eminente em força e em equidade; grande na justiça, ele não tem a dar contas a ninguém. 24.Que os homens, pois, o reverenciem! Ele não olha aqueles que se julgam sábios!”.*”

Jó 38

“1.Então, do seio da tempestade, o Senhor deu a Jó esta resposta:* 2.“Quem é este que obscurece a Providência com discursos sem sentido? 3.Cinge os teus rins como um valente! Vou interrogar-te e tu me responderás. 4.Onde estavas, quando lancei os fundamentos da terra? Fala, se estiveres informado disso. 5.Quem lhe deu as medidas, já que o sabes? Ou quem sobre ela estendeu o cordel?* 6.Onde se assentam suas bases? Ou quem colocou nela a pedra angular, 7.sob os alegres concertos dos astros da manhã e sob as aclamações de todos os filhos de Deus? 8.Quem fechou com portas o mar, quando brotou do seio materno, 9.quando lhe dei as nuvens por vestimenta e o enfaixava com névoas tenebrosas? 10.Eu lhe tracei limites e lhe pus portas e ferrolhos, 11.dizendo: ‘Chegarás até aqui e não irás mais longe; aqui se deterá o orgulho de tuas ondas?’. 12.Algum dia na vida deste ordens à manhã, ou indicaste à aurora o seu lugar, 13.para que ela alcançasse as extremidades da terra e dela sacudisse os ímpios?* 14.A terra se molda como a argila sob o sinete e toma cor como um vestido. 15.Aos ímpios, contudo, é recusada sua luz e se rompe o braço ameaçador.* 16.Acaso chegaste até as fontes do mar ou passaste até o fundo do abismo? 17.Apareceram-te, porventura, as portas da morte, ou viste a entrada da morada tenebrosa? 18.Tens ideia da extensão da terra? Fala, se sabes tudo! 19.Onde está o caminho para a morada da luz? Quanto às trevas, onde é o seu lugar? 20.Poderias alcançá-las em seu domínio e reconhecer as veredas de sua morada? 21.Deverias sabê-lo, pois já tinhas nascido e são numerosos os teus dias!* 22.Entraste nos depósitos da neve ou visitaste os armazéns dos granizos 23.que reservo para os tempos de tormento, para os dias de luta e de batalha? 24.Por que caminho se espalha o nevoeiro e se expande o vento do oriente sobre a terra? 25.Quem abre um canal para o aguaceiro e uma rota para os relâmpagos dos trovões, 26.para fazer chover sobre uma terra desabitada e sobre um deserto sem seres humanos, 27.para regar regiões vastas e desoladas, para nelas fazer germinar a erva verdejante? 28.Terá a chuva um pai? Quem gera as gotas do orvalho? 29.De que seio sai o gelo e quem engendra a geada do céu? 30.As águas se endurecem como pedra e a superfície do abismo se congela! 31.És tu que atas os laços das Plêiades ou desatas as correntes do Órion?* 32.És tu que fazes sair a seu tempo as constelações ou conduzes a Ursa com seus filhos? 33.Conheces as leis do céu e regulas sua influência sobre a terra? 34.Levantarás a tua voz até as nuvens e o dilúvio te obedecerá? 35.Tua ordem fará os relâmpagos surgirem e te dirão: ‘Aqui estamos?’. 36.Quem pôs sabedoria nas nuvens e inteligência no meteoro?* 37.Quem pode enumerar com sabedoria as nuvens e inclinar as odres do céu, 38.para que a poeira se transforme em massa compacta e os seus torrões se aglomerem? 39.És tu que caças a presa para a leoa ou satisfazes a fome dos leõezinhos, 40.quando estão deitados em seus covis ou quando se emboscam nas covas? 41.Quem prepara ao corvo o seu alimento, quando seus filhotes gritam a Deus, quando andam de um lado para outro por não terem o que comer?”

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“1.Sabes o tempo em que as cabras monteses dão cria nos rochedos? Observaste o parto das corças? 2.Contaste os meses de sua gravidez e sabes o tempo de seu parto? 3.Elas se agacham, dão cria e se livram de suas dores. 4.Seus filhotes tornam-se fortes e crescem nos campos, apartam-se delas e não voltam mais a elas. 5.Quem pôs o jumento selvagem em liberdade e quem rompeu os laços do asno veloz? 6.Dei-lhe o deserto por morada e a planície salgada como lugar de habitação. 7.Ele se ri do tumulto da cidade e não escuta os gritos do tropeiro. 8.Explora as montanhas da sua pastagem e nela anda buscando tudo o que é verde. 9.Quererá servir-te o boi selvagem ou passará a noite em teu estábulo? 10.Podes prendê-lo com uma corda em seu pescoço ou fenderá ele atrás de ti os teus sulcos? 11.Fiarás nele porque sua força é grande e lhe deixarás a seu cuidado o teu trabalho? 12.Confiarás nele para que te traga para a casa o que semeaste e que te encha a tua eira? 13.O avestruz bate as asas alegremente, não tem asas nem penas de bondade?* 14.Abandona os seus ovos na terra e os deixa aquecer no solo, 15.esquecendo-se que um pé poderá esmagá-los ou que animais selvagens poderão pisá-los. 16.É cruel com seus filhotes, como se não fossem seus e não se incomoda de ter sofrido em vão. 17.Pois Deus lhe negou sabedoria e não lhe concedeu inteligência. 18.Mas, quando alça voo, ri-se do cavalo e do cavaleiro. 19.És tu que dás vigor ao cavalo e foste tu que enfeitaste seu pescoço com uma crina ondulante? 20.Que o fazes saltar como um gafanhoto, relinchando terrivelmente? 21.Orgulhoso de sua força, escava a terra com a pata e atira-se à frente das armas. 22.Ri-se do medo, nada o assusta e não recua diante da espada. 23.Sobre ele ressoam a aljava, o ferro brilhante da lança e o dardo. 24.Tremendo de impaciência, devora o espaço e o som da trombeta não o deixa no lugar. 25.Ao sinal do clarim, diz: ‘Vamos!’. De longe fareja a batalha, a voz troante dos chefes e o alarido dos guerreiros. 26.É graças à tua sabedoria que o falcão alça voo e desdobra as suas asas para o sul? 27.É por tua ordem que a águia levanta voo e faz seu ninho nas alturas? 28.Ela habita nos rochedos e neles passa a noite, sobre a ponta rochosa e o cimo escarpado. 29.De lá espia sua presa, pois seus olhos penetram as distâncias. 30.Seus filhotes se alimentam de sangue e onde quer que haja cadáveres, ali está ela”.”

Eliú diz uma frase marcante: ” Mas Deus salvará o pobre pela sua miséria e o instrui pelo sofrimento.” e continua seu discurso inflamado. Até que no capitulo 38 o próprio Deus começa a falar e responder a  Jó. Fazendo perguntas, mas ainda sem deixá-lo responder. É o inicio da grande discussão que se fará entre Deus e Jó.

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“36,14. Como a dos efeminados: trata-se dos prostitutos sagrados destinados, por causa de seus vícios, a uma morte precoce. Ver Dt 23,18. 36,16. A passagem 16-21 é um texto fortemente alterado, do qual é impossível encontrar-se o sentido. Foram tentadas muitas substituições, sendo que nenhuma ainda satisfez. 36,29. Estrépito: o trovão”

“37,7. Selos: a fim de impedi-los de trabalhar fora. 37,22. A luz: outra tradução – o ouro vem do setentrião. 37,24. Não olha: outra tradução – a ele o respeito de todos os homens de coração sábio.”

“38,1. O Senhor: em resposta ao desejo de Jó de comparecer diante de Deus, o Senhor aparece, não para explicar o problema do sofrimento, mas para dar-lhe uma resposta peremptória. O universo é regido por uma inteligência infinitamente sábia: diante desse desdobramento de bondade, não cabe ao homem julgar o modo divino de proceder, mas aceitar humildemente tudo quanto Deus julga oportuno enviar-nos. 38,5. Já que o sabes: ironia. 38,13. Sacudisse: como a poeira que se sacode de um tapete. 38,15. Sua luz: é a obscuridade que é a luz dos celerados, que nunca agem em pleno dia; ver 24,13-17. 38,21. Já tinhas nascido: tom evidentemente irônico. 38,31. Que atas: és capaz de modificar as distâncias entre os astros? 38,36. Tradução incerta.”

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Círculo Bíblico: Livro de Jó (8/10)

Círculo Bíblico: Livro de Jó

Este é o oitavo de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o Livro de Jó A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o Livro de Jó (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja mas é ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia, apenas como incentivo. 

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

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Jó 32

“1.Como Jó persistisse em considerar-se como um justo, estes três homens desistiram de lhe responder. 2.Então, se inflamou a cólera de Eliú, filho de Baraquel, de Buz, da família de Ram. Sua cólera inflamou-se contra Jó, por este pretender justificar-se perante Deus. 3.Inflamou-se também contra seus três amigos, por não terem achado resposta conveniente, dando assim culpa a Deus.* 4.Como fossem mais velhos do que ele, Eliú esperou enquanto falavam com Jó. 5.Mas, quando viu que não tinham mais nada para responder, encolerizou-se. 6.Então Eliú, filho de Baraquel, de Buz, tomou a palavra nestes termos: “Sou jovem em anos, e vós sois anciãos, por isso minha timidez me impediu de manifestar-vos o meu saber. 7.Dizia comigo: ‘A idade vai falar, os muitos anos farão conhecer a sabedoria’. 8.Mas é o espírito de Deus no homem, e um sopro do Todo-poderoso que dá a inteligência. 9.Não são os mais velhos que são sábios, nem os anciãos que discernem o que é justo. 10.Por isso, é que digo: ‘Escutai-me, vou mostrar-vos o que sei’. 11.Esperei enquanto faláveis, prestei atenção em vossos raciocínios. Enquanto discutíeis, 12.segui-vos atentamente. Mas ninguém refutou a Jó, nem respondeu aos seus argumentos. 13.E não digais: ‘Encontramos a sabedoria; foi Deus e não um homem quem nos instrui’. 14.Não foi a mim que dirigiu seus discursos, mas encontrarei outras respostas diferentes das vossas. 15.Ei-los calados, já não dizem mais nada; faltam-lhes as palavras. 16.Esperei que se calassem e cessassem de responder. 17.É a minha vez de responder e vou também mostrar o que sei. 18.Pois estou cheio de palavras, o espírito que está em meu peito me oprime. 19.Meu peito é como vinho arrolhado, como um barril pronto para estourar. 20.Tenho de falar, isso me aliviará. Abrirei meus lábios para responder. 21.Não farei acepção de ninguém, nem adularei este ou aquele. 22.Pois não sei bajular, do contrário, meu Criador logo me levaria.”

Jó 33

“1.E agora, Jó, ouve as minhas palavras e atende a todos os meus discursos. 2.Eis que abro a minha boca. Minha língua, sob o céu da boca, vai falar. 3.Minhas palavras brotam de um coração reto e meus lábios falarão francamente. 4.O espírito de Deus me criou e o sopro do Todo-poderoso me deu a vida. 5.Se puderes, responde-me. Toma posição e fica firme diante de mim. 6.Em face de Deus somos iguais. Como tu, eu também fui formado do barro! 7.Assim, meu temor não te assustará e o peso de minhas palavras não te acabrunhará. 8.Pois, disseste aos meus ouvidos, e ouvi estas palavras: 9.‘Sou puro, sem pecado; sou limpo, não há culpa em mim. 10.É ele que inventa pretextos contra mim e considera-me seu inimigo. 11.Prendeu meus pés no cepo e vigiou todos os meus passos’. 12.Responderei que nisto foste injusto, pois Deus é maior do que o ser humano. 13.Por que o acusas de não dar nenhuma resposta a teus discursos? 14.Ora, Deus fala de uma maneira e de outra e não prestas atenção.* 15.Por meio dos sonhos, das visões noturnas, quando o sono profundo cai sobre os homens, enquanto dormem nos seus leitos, 16.então abre os ouvidos dos mortais e os assusta com suas aparições. 17.Isso para desviá-lo do pecado e livrá-lo do orgulho, 18.para salvar-lhe a alma da cova e sua vida, da seta mortífera. 19.Pela dor também é corrigido o homem em seu leito, quando todos os seus membros são agitados, 20.quando recebe o alimento com desgosto e já não pode suportar as iguarias mais deliciosas. 21.Sua carne se consome aos olhares e seus membros emagrecidos se desvanecem. 22.Sua alma aproxima-se da sepultura e sua vida, daqueles que estão mortos. 23.Se perto dele se encontrar um anjo, um intercessor entre mil, para ensinar-lhe o que deve fazer, 24.ter piedade dele e dizer: ‘Poupai-o de descer à cova, pois recebi o resgate de sua vida’.* 25.Sua carne retomará o vigor da mocidade e ele retornará aos dias de sua adolescência. 26.Ele rezará a Deus, que lhe será propício, contemplará com alegria sua face e restituirá ao homem sua justiça. 27.Cantará diante dos homens, dizendo: ‘Pequei, violei o direito, mas Deus não me tratou conforme meus erros. 28.Poupou minha alma de descer à cova e minha alma bem viva goza a luz!’. 29.Eis o que Deus faz duas e três vezes com o ser humano, 30.a fim de tirar-lhe a alma da cova e iluminá-la com a luz da vida. 31.Presta atenção, Jó, escuta-me, cala a boca para que eu fale! 32.Se tens alguma coisa para dizer, responde-me; fala, eu gostaria de te dar razão. 33.Se não, escuta-me, cala-te, e eu te ensinarei a sabedoria”.”

Jó 34

“1.Eliú retomou a palavra nestes termos: 2.“Sábios, ouvi meu discurso; eruditos, prestai atenção. 3.Pois o ouvido discerne o valor das palavras como o paladar saboreia as iguarias. 4.Procuremos escolher o que é justo e conhecer entre nós o que é bom. 5.Jó disse: ‘Eu sou inocente, mas Deus recusa fazer-me justiça. 6.A despeito de meu direito, passo por mentiroso; minha ferida é incurável, sem que eu tenha pecado’. 7.Existe um homem como Jó, que bebe a blasfêmia como quem bebe água, 8.que anda de par com os ímpios e caminha com os perversos? 9.Pois ele disse: ‘O homem não ganha nada em ser agradável a Deus’. 10.Ouvi-me, pois, homens sensatos: longe de Deus a injustiça, longe do Todo-poderoso a iniquidade! 11.Ele trata o homem conforme seus atos e dá a cada um o que merece. 12.Pois, Deus não é injusto e o Todo-poderoso não falseia o direito. 13.Quem lhe confiou a administração da terra? Quem lhe entregou o universo? 14.Se lhe retomasse o sopro, se lhe retirasse o alento, 15.toda a carne expiraria no mesmo instante, e o homem voltaria ao pó. 16.Se tens inteligência, escuta isto, e dá ouvidos ao som de minhas palavras! 17.Acaso um inimigo do direito poderia governar? Pode o Justo, o Poderoso cometer a iniquidade? 18.Ele que disse a um rei: ‘Malvado!’. Ou aos príncipes: ‘Celerados!’. 19.Ele não tem preferência pelos grandes, nem tem mais consideração pelos ricos do que pelos pobres, pois são todos obras de suas mãos. 20.Subitamente, perecem no meio da noite; os povos vacilam e passam, o poderoso desaparece, sem o socorro de mão alguma.* 21.Pois Deus olha para a conduta de cada um e observa todos os seus passos. 22.Não há obscuridade, nem trevas onde o iníquo possa esconder-se. 23.Pois não precisa olhar duas vezes para um homem para citá-lo em justiça consigo. 24.Abate os poderosos sem inquérito e põe outros em lugar deles. 25.Pois conhece as suas obras, derruba-os à noite e são esmagados. 26.Fere-os como ímpios no lugar onde são vistos, 27.porque se afastaram dele e não quiseram conhecer nenhum de seus caminhos. 28.Fizeram chegar até Deus o clamor do pobre e tornando-o atento ao grito do infeliz. 29.Se ele dá a paz, quem poderá censurá-lo? Se oculta sua face, quem poderá contemplá-lo? 30.Assim trata ele o povo e o indivíduo de maneira que o ímpio não venha a reinar, e já não seja uma armadilha para o povo. 31.Se alguém diz a Deus: ‘Fui seduzido, não mais pecarei, 32.ensina-me o que ignoro; se cometi o mal, não mais o farei!’. 33.Julgas, então, que ele deve punir, já que rejeitaste suas ordens? És tu quem deves escolher, não eu; dize, pois, o que sabes.* 34.As pessoas sensatas me dirão, como qualquer homem sábio que me ouve: 35.‘Jó não falou conforme a razão, falta-lhe bom senso às palavras!’. 36.Pois bem, que Jó seja provado até o fim, já que suas respostas são próprias de um ímpio. 37.Porque a seus pecados acrescenta a revolta. Entre nós, com zombaria, bate as mãos e multiplica as palavras contra Deus”.*”

Jó 35

“1.Eliú retomou ainda a palavra nestes termos: 2.“Imaginas ter razão em pretender justificar-te contra Deus? 3.Quando dizes: ‘Para que me serve isto, qual é minha vantagem em não pecar?’. 4.Pois vou responder-te, a ti e a teus amigos. 5.Contempla os céus e observa as nuvens: vê como são mais altas do que tu. 6.Se pecas, que danos lhe causas? Se multiplicas tuas faltas, que mal lhe fazes? 7.Se és justo, que vantagem lhe dás? Ou que recebe ele de tua mão? 8.Tua maldade só prejudica o homem, teu semelhante; tua justiça só diz respeito a um ser humano. 9.Sob o peso da opressão, geme-se, e clama-se sob a mão dos poderosos. 10.Mas ninguém diz: ‘Onde está Deus, meu Criador, que inspira cantos de louvor em plena noite, 11.que nos instrui mais do que aos animais selvagens e nos torna mais sábios do que as aves do céu?’.* 12.Clamam, mas não são ouvidos, por causa do orgulho dos maus. 13.Por certo, Deus não ouve palavras frívolas, e o Todo-poderoso não lhes presta atenção. 14.Quando dizes que ele não se ocupa de ti, que tua causa está diante dele e que esperas sua decisão, 15.que sua cólera não castiga e que ele ignora o pecado, 16.Jó abre a boca para palavras ociosas e derrama-se em discursos impertinentes”.”

Eliú, filho de Baraquel, estava até oculto no texto, ele é mais jovem do que os outros amigos de Jó e por isso respeita-ose não fala até ver que eles e Jó não chegam a um acordo. Percebe que Jó não dá chance e parece não escutar nada do que lhe é dito. Com uma raiva ele fala e por vezes ordena que Jó se cale para que ele despeje tudo o que sente. Muitas vezes é preciso que falemos o que nos vai ao coração diante de ouvidos surdos para a palavra.

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“32,3. A Deus – o texto hebraico diz: a Jó. Como se vê, os escribas suavizaram a frase por simples escrúpulo religioso, como se ela expressasse qualquer coisa de blasfêmia.”

“33,14. De uma maneira e de outra: pelos sonhos e pelo sofrimento. 33,24. E dizer: subentenda-se – a Deus.”

“34,20. Os povos vacilam: outra tradução – ele fere os ricos. 34,33. Suas ordens: palavras acrescentadas de acordo com o sentido do texto. Nesta passagem (29-33), muito alterada, o sentido parece ser o de que a impunidade do pecador se explica, muitas vezes, pelo arrependimento ulterior. Pretenderia Jó dizer que Deus deveria punir, apesar de tudo? 34,37. Bate as mãos: verso ininteligível.”

“35,11. Mais do que aos animais: outra tradução – pelos animais, pelos pássaros. Sentido da passagem: deveríamos ser mais sensatos: gememos, mas negligenciamos de nos dirigir àquele que pode libertar-nos. Nossos gritos não são ouvidos.”

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Círculo Bíblico: Livro de Jó (7/10)

Círculo Bíblico: Livro de Jó

Este é o sétimo de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o Livro de Jó A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o Livro de Jó (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja mas é ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia, apenas como incentivo. 

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

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Jó 28

“1.Há lugares de onde se tira a prata e lugares onde o ouro é apurado. 2.O ferro é extraído do solo e o cobre é extraído de uma pedra fundida. 3.O homem pôs fim às trevas e escavou as últimas profundidades da rocha obscura e sombria. 4.Longe dos lugares habitados, um povo estrangeiro abre galerias, que são ignoradas pelos pés dos transeuntes. Suspensos, vacilam longe dos humanos. 5.A terra, que produz o pão, é sacudida em suas entranhas como se fosse pelo fogo. 6.Suas rochas encerram jazidas de safiras que contêm pepitas de ouro. 7.A águia não conhece a vereda, nem o olho do abutre a enxergou. 8.Os animais ferozes não a pisaram, nem o leão passou por ela. 9.O homem põe a mão no sílex, derruba as montanhas pela base. 10.Abre galerias nos rochedos, o olhar atento pode ver nelas todos os tesouros. 11.Explora as nascentes dos rios e põe a descoberto o que estava escondido. 12.Mas a sabedoria onde se encontra? Onde está o lugar da inteligência? 13.O homem ignora o caminho dela, ninguém a encontra na terra dos vivos. 14.O abismo diz: ‘Ela não está em mim’. ‘Não está comigo’, diz o mar. 15.Não pode ser adquirida com ouro maciço, nem pode ser comprada a peso de prata. 16.Não pode ser posta em balança com o ouro de Ofir, nem com o ônix precioso ou a safira. 17.Não pode ser comparada nem ao ouro nem ao vidro, ninguém a troca por vaso de ouro fino. 18.Quanto ao coral e ao cristal, nem se fala. A sabedoria vale mais do que as pérolas. 19.Não pode ser igualada ao topázio da Etiópia, nem pode ser equiparada ao mais puro ouro. 20.De onde vem, pois, a sabedoria? Qual é o lugar da inteligência? 21.Um véu a oculta de todos os viventes e até das aves do céu ela se esconde. 22.Declaram o inferno e a morte: ‘Apenas ouvimos falar dela’. 23.Deus conhece o caminho para encontrá-la e é ele quem sabe o seu lugar, 24.porque ele vê até os confins da terra e vê tudo o que há debaixo do céu. 25.Quando ele fixou um peso ao vento e regulou a medida das águas, 26.quando decretou as leis para a chuva, e traçou uma rota aos relâmpagos, 27.então a viu e a descreveu, penetrou-a e escrutou-a. 28.Depois disse ao homem: ‘O temor do Senhor, eis a sabedoria! Fugir do mal, eis a inteligência’.””

Jó 29

“1.Jó continuou seu discurso nestes termos: 2.“Quem me dera tornar-me tal como antes, como nos dias em que Deus me protegia, 3.quando a sua lâmpada luzia sobre a minha cabeça e à sua luz me guiava nas trevas! 4.Tal como era nos dias de meu outono, quando Deus velava como um amigo sobre minha tenda! 5.Quando o Todo-poderoso estava ainda comigo e os meus filhos, em volta de mim! 6.Quando os meus pés se banhavam no creme e o rochedo em mim derramava ondas de azeite. 7.Quando saía para ir à porta da cidade e me assentava na praça pública. 8.Viam-me os jovens e se escondiam e os velhos levantavam-se e ficavam de pé. 9.Os chefes interrompiam suas conversas e punham a mão sobre a boca. 10.Calava-se a voz dos príncipes e sua língua se colava ao céu da boca. 11.Quem me ouvia me felicitava, quem me via dava testemunho de mim.* 12.Livrava o pobre que pedia socorro e o órfão, que não tinha apoio. 13.A bênção do moribundo vinha sobre mim e eu alegrava o coração da viúva. 14.Revestia-me de justiça e a equidade era para mim como uma roupa e um turbante. 15.Era os olhos do cego e os pés daquele que manca. 16.Era o pai dos pobres e examinava a fundo a causa dos desconhecidos. 17.Quebrava o queixo do perverso e arrancava-lhe a presa de entre os dentes. 18.E dizia: ‘Morrerei no meu ninho e meus dias serão tão numerosos quanto os da fênix’.* 19.Minha raiz atinge a água e o orvalho ficará durante a noite sobre meus ramos. 20.Minha glória sempre se renovará e meu arco se reforçará em minha mão. 21.Escutavam-me, esperavam e recolhiam em silêncio meu conselho. 22.Quando acabava de falar, não acrescentavam nada e minhas palavras eram recebidas como orvalho. 23.Esperavam-me como se espera a chuva e abriam a boca, como se fosse para a chuva de primavera. 24.Sorria para aqueles que perdiam coragem; ante o meu ar benevolente, deixavam de estar abatidos. 25.Quando ia ter com eles, tinha o primeiro lugar, era importante como um rei no meio de suas tropas, como o consolador dos aflitos.”

Jó 30

“1.Agora zombam de mim os mais jovens do que eu, aqueles cujos pais eu desdenharia de colocar com os cães do meu rebanho.* 2.De que me serviria a força de seus braços, homens cujo vigor já pereceu inteiramente? 3.Reduzidos a nada pela miséria e pela fome, roem um solo árido e desolado. 4.Colhem ervas e cascas dos arbustos, e por pão têm somente a raiz das giestas. 5.São expulsos do povo e gritam com eles como se fossem ladrões. 6.Moram em barrancos medonhos, nas cavernas da terra e dos rochedos. 7.Ouvem-se seus gritos entre os arbustos e amontoam-se debaixo das urtigas. 8.São filhos de infames e de gente sem nome, que são expulsos da terra… 9.Agora, porém, sou o assunto de suas canções, tema de seus escárnios. 10.Afastam-se de mim com horror e não receiam cuspir-me no rosto. 11.Desamarraram a corda para humilhar-me, sacudiram de si todo o freio diante de mim. 12.À minha direita levanta-se a raça deles, tentam atrapalhar meus pés e abrem diante de mim o caminho da sua desgraça.* 13.Embaralham minha vereda para me perder e trabalham para a minha ruína. 14.Penetram como por uma grande brecha e irrompem entre escombros. 15.O pavor me invade. Minha esperança é varrida como se fosse pelo vento e minha felicidade passa como uma nuvem. 16.Agora minha alma se dissolve e os dias de aflição me dominaram. 17.A noite traspassa meus ossos e consome-os. Os males que me roem não dormem. 18.Com violência agarra a minha veste e aperta-me como o colarinho de minha túnica. 19.Deus jogou-me no lodo e eu me confundo com a poeira e a cinza. 20.Clamo por ti e não me respondes. Ponho-me diante de ti, e não olhas para mim. 21.Tornaste-te cruel para comigo e atacas-me com toda a força de tua mão. 22.Tu me arrebatas e me faz cavalgar o tufão, para me aniquilar na tempestade. 23.Bem sei que me levarás à morte, ao lugar onde se encontram todos os viventes. 24.Mas não é para aquele que cai que estendi a mão quando, na ruína, pedia socorro? 25.Não chorei com os oprimidos? Não teve minha alma piedade dos pobres? 26.Esperava a felicidade e veio a desgraça, esperava a luz e vieram as trevas. 27.Minhas entranhas abrasam-se sem nenhum descanso, assaltaram-me os dias de aflição. 28.Caminho no luto, sem sol; levanto-me numa multidão de gritos. 29.Tornei-me irmão dos chacais e companheiro dos avestruzes. 30.Minha pele enegrece-se e cai, e meus ossos são consumidos pela febre. 31.Minha cítara só dá acordes lúgubres, e minha flauta sons queixosos.”

Jó 31

“1.Eu havia feito um pacto com os meus olhos, para não desejar nunca olhar para uma virgem. 2.Que parte me daria Deus lá do alto, que sorte o Todo-poderoso me enviaria do céu? 3.Acaso a infelicidade não está reservada ao injusto e o infortúnio ao iníquo? 4.Não conhece Deus os meus caminhos e não conta todos os meus passos? 5.Se caminhei com a mentira e meu pé correu atrás da fraude, 6.que Deus me pese na balança da justiça e reconhecerá a minha integridade. 7.Se meus passos se desviaram do caminho e meu coração seguiu meus olhos, e se às minhas mãos se apegou qualquer mácula, 8.que semeie eu e outro o coma, e minhas plantações sejam desenraizadas! 9.Se meu coração foi seduzido por uma mulher, se fiquei à espreita à porta de meu vizinho, 10.que minha mulher gire a mó para um outro e que estranhos a possuam! 11.Pois isso seria um crime, um delito digno de julgamento, 12.um fogo que devoraria até o abismo e que teria arruinado todos os meus bens. 13.Nunca violei o direito de meu escravo ou de minha serva, em suas discussões comigo. 14.Que farei eu quando Deus se levantar? Quando me interrogar, que lhe responderei? 15.Aquele que me criou no ventre, não o criou também a ele? Um mesmo criador nos formou! 16.Acaso recusei aos pobres aquilo que desejavam e fiz desfalecer os olhos da viúva? 17.Ou comi sozinho meu pedaço de pão, sem que o órfão tivesse a sua parte? 18.Antes, desde minha infância cuidei-o como um pai e desde o ventre materno fui o seu guia. 19.Se vi perecer um homem por falta de roupa e um pobre que não tinha com que cobrir-se, 20.sem que seus rins me tenham abençoado, aquecido como estava com a lã de minhas ovelhas; 21.se levantei a mão contra o órfão, quando me via apoiado pelos juízes,* 22.que meu ombro caia de minhas costas e meu braço seja arrancado de seu cotovelo! 23.Pois o terror de Deus me invadiu e diante de sua majestade não posso subsistir. 24.Nunca pus no ouro minha segurança e jamais disse ao ouro puro: ‘És minha esperança!’. 25.Nunca me rejubilei por ser grande a minha riqueza, nem pelo fato de minha mão ter ajuntado muito. 26.Quando via o sol brilhar e a lua levantar-se em seu esplendor, 27.jamais meu coração deixou-se seduzir em segredo e minha mão não foi levada à boca para um beijo.* 28.Isso seria um crime digno de castigo, pois eu teria renegado o Deus que está no alto. 29.Nunca me alegrei com a ruína de meu inimigo, nem exultei quando a infelicidade o feriu. 30.Não permiti que minha boca pecasse, reclamando sua morte por uma imprecação. 31.Jamais as pessoas de minha tenda me disseram: ‘Há alguém que não tenha ficado satisfeito da carne?’.* 32.O estrangeiro não passava a noite fora, eu abria a minha porta ao viajante. 33.Nunca dissimulei minha culpa aos homens, escondendo em meu peito minha iniquidade, 34.como se temesse a multidão e receasse o desprezo das famílias, a ponto de me manter quieto sem pôr o pé fora da porta. 35.Oh! Se eu tivesse alguém para me ouvir! Eis a minha assinatura: que o Todo-poderoso me responda! Que o meu adversário escreva também um memorial. 36.Por certo eu o carregaria sobre meus ombros e cingiria minha fronte com ele como de uma coroa! 37.Eu lhe prestaria contas de todos os meus passos e me apresentaria diante dele altivo como um príncipe. 38.Se minha terra clamou contra mim e seus sulcos derramaram lágrimas,* 39.se comi seus frutos sem pagar, se afligi os seus donos, 40.que em vez de trigo nasçam espinhos e joio em vez de cevada!”. Aqui terminam os discursos de Jó.*”

O primeiro capitulo estudado hoje começa com Jó clamando a Deus, num tom sempre se reclamação: “2.“Quem me dera tornar-me tal como antes, como nos dias em que Deus me protegia, 3.quando a sua lâmpada luzia sobre a minha cabeça e à sua luz me guiava nas trevas!” Mal sabe ele sobre as provações que ainda virão. Ele está coberto de chagas e perdeu tudo por isso não se conforma.

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29,11. Alguns propõem transpor os vv. 11-20 depois do 25, para uma melhor coerência do discurso. 29,18. Fênix: dizia-se na Antiguidade, que esse pássaro fabuloso vivia 500 anos; era, diziam, queimado em seu ninho e renascia de suas cinzas. Outra tradução: Numerosos como a areia.”

“30,1. Os mais jovens: trata-se da população que circula nas portas da cidade e que atormenta Jó com suas zombarias. 30,11. Texto muito incerto.”

“31,21. Pelos juízes: literalmente – à porta da cidade, onde funcionam os tribunais. 31,27. Para um beijo: gesto de adoração idolátrica. 31,31. Jamais: para a clareza, uma negação foi suprimida nos dois versos. 31,38. Os vv. do 38 ao 40 parecem fora de seu contexto. Foi proposto inseri-los ou depois do v. 12; ou depois do v. 32. 31,40. Aqui terminam: esta frase é considerada como uma adição posterior.”

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Círculo Bíblico: Livro de Jó (6/10)

Círculo Bíblico: Livro de Jó

Este é o sexto de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o Livro de Jó A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o Livro de Jó (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja mas é ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia, apenas como incentivo. 

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

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Jó 24

“1.Por que não reserva tempos para si o Todo-poderoso? E por que ignoram seus dias os que lhe são fiéis? 2.Os maus mudam as divisas das terras e fazem pastar o rebanho que roubaram. 3.Empurram diante de si o jumento dos órfãos, e tomam em penhor o boi da viúva. 4.Enxotam os pobres do caminho, todos os miseráveis da região precisam esconder-se. 5.Como asnos selvagens no deserto, saem para o trabalho, à procura do que comer, à procura do pão para seus filhos. 6.Ceifam a forragem num campo, vindimam a vinha do ímpio. 7.Passam a noite nus, sem roupa e sem cobertor contra o frio. 8.São banhados pelas chuvas das montanhas e, sem abrigo, achegam-se às rochas. 9.Arrancam o órfão do seio materno e tomam em penhor as crianças do pobre.* 10.Andam nus, por falta de roupa e esfomeados carregam feixes. 11.Espremem óleo nos celeiros, e sedentos pisam os lagares. 12.Sobe da cidade os gemidos dos moribundos. A alma dos feridos grita, mas Deus não ouve suas súplicas. 13.Outros são rebeldes à luz, não conhecem seus caminhos nem habitam em suas veredas. 14.O homicida levanta-se antes do alvorecer para matar o pobre e o indigente. O ladrão vagueia durante a noite. 15.O adúltero espreita o crepúsculo: ‘Ninguém me verá’, diz ele, e põe um véu no rosto. 16.Nas trevas, arrombam as casas. Escondem-se durante o dia, sem conhecer a luz. 17.Para eles, com efeito, a manhã é uma sombra espessa, pois estão acostumados aos terrores da noite. 18.Correm rapidamente na superfície da água, sua herança é maldita sobre a terra; já não tomarão o caminho das vinhas.* 19.Como a seca e o calor absorvem as águas da neve, assim a região dos mortos engole os pecadores. 20.O ventre que o gerou esquece-o, os vermes fazem dele as suas delícias; ninguém mais se lembrará dele. 21.A iniquidade é quebrada como uma árvore. Maltratava a mulher estéril, sem filhos e não fazia o bem à viúva. 22.Punha sua força a serviço dos poderosos. Levanta-se e já não pode mais contar com a vida. 23.Ele lhes dá segurança e apoio, mas seus olhos vigiam seus caminhos. 24.Levantam-se, subitamente já não existem; caem; como os outros, são arrebatados, são ceifados como cabeças de espigas. 25.Se assim não é, quem me desmentirá, quem reduzirá a nada as minhas palavras?”.”

Jó 25

“1.Bildad de Suás tomou então a palavra nestes termos: 2.“A ele, o poder e a majestade. Em sua alta morada faz reinar a paz. 3.Pode ser contado o número de suas legiões? Sobre quem não se levanta a sua luz? 4.Seria justo o homem diante de Deus? Seria puro aquele que nasce da mulher? 5.Se até mesmo a lua não brilha e as estrelas não são puras a seus olhos 6.quanto menos o homem, esse verme, e o filho do homem, esse vermezinho!”.*”

Jó 26

“1.Jó tomou então a palavra nestes termos: 2.“Como tens ajudado bem o fraco e socorrido o braço sem vigor! 3.Como sabes aconselhar o ignorante e dar mostras de abundante sabedoria! 4.A quem diriges este discurso? Sob a inspiração de quem falas tu? 5.As sombras agitam-se sob a terra, as águas e seus habitantes estão temerosos. 6.A região dos mortos está descoberta diante dele, os infernos estão sem véu. 7.Ele estende o firmamento sobre o vácuo e suspende a terra sobre o nada. 8.Armazena as águas em suas nuvens e as nuvens não se rasgam sob seu peso. 9.Vela a face da lua, estendendo sobre ela a sua nuvem. 10.Traçou um círculo sobre a superfície das águas, até onde a luz confina com as trevas. 11.As colunas do céu estremecem e se assustam com a sua ameaça. 12.Com sua força fendeu o mar e com sua sabedoria destruiu Raab.* 13.Seu sopro varreu os céus e sua mão feriu a serpente fugitiva.* 14.Eis que tudo isso não é mais que o contorno de suas obras e se apenas percebemos um fraco eco dessas obras, quem compreenderá o trovão de seu poder?”.”

Jó 27

“1.Jó continuou seu discurso nestes termos: 2.“Pelo Deus vivo que me recusa justiça, pelo Todo-poderoso, que enche minha alma de amargura. 3.Enquanto em mim restar alento e o sopro de Deus passar por minhas narinas, 4.meus lábios não falarão maldades e minha língua não proferirá mentiras. 5.Longe de mim dar-vos razão! Até meu último suspiro defenderei minha inocência, 6.mantenho firme minha justiça, não a abandonarei; minha consciência não acusa nenhum de meus dias. 7.Que meu inimigo seja tratado como ímpio e meu adversário, como perverso! 8.Que pode esperar o ímpio de sua oração, quando eleva para Deus a sua alma? 9.Deus escutará seu clamor, quando a angústia cair sobre ele? 10.Encontrará ele seu conforto no Todo-poderoso e invocará ele Deus em todo o tempo? 11.Eu vos ensinarei o poder de Deus, não vos ocultarei os desígnios do Todo-poderoso. 12.Mas todos vós já o sabeis; por que proferis palavras vãs? 13.Esta é a sorte que Deus reserva ao ímpio e a parte reservada ao violento pelo Todo-poderoso.* 14.Se seus filhos se multiplicam, é para a espada e seus descendentes não terão o que comer. 15.Seus sobreviventes serão sepultados na ruína e suas viúvas não os chorarão. 16.Se amontoa prata como pó e se ajunta vestimentas como barro, 17.que amontoe, mas é o justo quem as vestirá e o inocente herdará a prata. 18.Constrói sua casa como a casa da aranha, como a choupana que o vigia constrói.* 19.Deita-se rico, mas é pela última vez. Quando abre os olhos, já deixou de sê-lo. 20.O terror o invade como um dilúvio e um redemoinho o arrebata durante a noite. 21.O vento do leste o leva e o faz desaparecer, varrendo-o violentamente de seu lugar. 22.Precipitam-se sobre ele sem compaixão e é arrastado numa fuga desvairada. 23.Sua ruína é aplaudida. De sua própria casa assobiarão sobre ele.”

Nem sempre é compreensível o tanto que Jó questiona seus amigos que tentam consolá-lo, eles usam sempre da fé e falam da palavra de Deus. Jó que sempre foi um dos servos mais queridos e agraciados de Deus vacila sempre nesta fé. É importante que cada um ao ler as passagens possa comentar o que está entendendo ou não e como afetam eles pelas palavras mais irritadas de Jó.

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“25,6. A extrema brevidade do discurso de Bildad (cap. 25), por um lado, e a dificuldade de conciliar as palavras de Jó, no cap. 26, com as ideias anteriormente expostas por ele fazem supor que ou a continuação do discurso de Bildad se tenha perdido, ou que o cap. 26, erroneamente atribuído a Jó, seja sua continuação real.”  Talvez seja válido considerar que na realidade tanto o capitulo 25 quanto o 26 se tratem do discurso de Bildad

“26,12. Raab: o monstro (ver 9,13 e nota). 26,13. A serpente fugitiva: Leviatã, monstro mitológico, como se explicou em 3,8 nota.”

“27,13. Os onze versículos seguintes parecem não fazer originalmente parte do discurso de Jó. Muitos autores propõem ver neles um fragmento do discurso que falta de Sofar. Jó retoma a palavra no começo do cap. 28. 27,18. Como casa de aranha: outra tradução – Como um ninho. – Choupana: na época em que amadureciam as frutas, um guarda residia nas vinhas para vigiá-las.”

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Círculo Bíblico: Livro de Jó (5/10)

Círculo Bíblico: Livro de Jó

Este é o quinto de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o Livro de Jó A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o Livro de Jó (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja mas é ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia, apenas como incentivo. 

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

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Jó 20

“1.Sofar de Naamat falou nestes termos: 2.“É por isso que meus pensamentos me sugerem uma resposta, e estou impaciente por falar. 3.Ouvi queixas injuriosas, foram palavras vãs que responderam a meu espírito. 4.Não sabes bem que, em todos os tempos, desde que o homem foi posto na terra, 5.o triunfo dos ímpios é breve e a alegria do perverso só dura um instante? 6.Ainda mesmo que sua estatura chegasse até o céu e sua cabeça tocasse as nuvens, 7.como o seu próprio esterco, ele perecerá para sempre. Aqueles que tinham visto indagarão: ‘Onde ele está?’. 8.Como um sonho, ele voará e ninguém mais o encontrará. Ele desaparecerá como uma visão noturna. 9.O olho que o viu já não mais o verá e não o verá mais a sua morada. 10.Seus filhos deverão indenizar os pobres e suas mãos restituir suas riquezas.* 11.Seus ossos que estavam cheios de vigor juvenil deitam-se com ele no pó. 12.Se o mal lhe foi doce na boca, ele a escondeu debaixo da língua. 13.Se o saboreou e não o abandonou, mas o conservou na sua garganta, 14.esse alimento se transformará em suas entranhas e se converterá interiormente em fel de áspides. 15.Ele vomitará as riquezas que engoliu; Deus as fará sair-lhe do seu ventre. 16.Sugava veneno de áspides e a língua da víbora o matará. 17.Não mais verá correr os riachos de óleo, nem as torrentes de mel e de manteiga. 18.Vomitará seu ganho sem poder engoli-lo e não gozará o lucro de seu comércio. 19.Porque maltratou, desamparou os pobres e roubou uma casa que não tinha construído. 20.Porque sua avidez é insaciável, não salvará o que lhe era mais caro. 21.Nada escapava à sua voracidade, por isso que sua felicidade não há de durar. 22.Em plena abundância sentirá escassez e todos os golpes da infelicidade caem sobre ele. 23.Para encher-lhe o ventre Deus desencadeia o fogo de sua cólera, fazendo chover a dor sobre ele. 24.Se escapa diante da arma de ferro, o arco de bronze o traspassa. 25.Um dardo sai-lhe das costas, um aço fulgurante sai-lhe do fígado. O terror desaba sobre ele. 26.Todas as trevas ocultas lhe serão reservadas. Um fogo, que o homem não acendeu, o devora* e consome o que sobra em sua tenda. 27.Os céus revelarão sua culpa e a terra se levantará contra ele. 28.Uma torrente arrastará sua casa, será levada no dia da cólera divina. 29.Tal é a sorte que Deus reserva ao ímpio, tal é a herança que Deus lhe destina”.”

Jó 21

“1.Jó tomou então a palavra nestes termos: 2.“Ouvi atentamente minhas palavras. Que eu tenha pelo menos esse consolo de vossa parte. 3.Permiti que eu fale; quando tiver falado, zombai à vontade. 4.É de um ser humano que me queixo? E como não hei de perder a paciência? 5.Olhai para mim e ficareis estupefatos e poreis a mão sobre a boca. 6.Quando penso nisso, fico estarrecido e todo o meu corpo treme. 7.Por que os ímpios sobrevivem e, ao envelhecer, crescem em poderio? 8.Sua posteridade prospera diante deles, e seus descendentes sob seus olhos. 9.Suas casas estão em paz, livres de perigo, e a vara de Deus não os atinge. 10.Seu touro é cada vez mais fecundo, sua vaca dá cria sem nunca abortar. 11.Deixam os filhos correr como carneiros, e os seus pequenos saltam e brincam alegremente. 12.Cantam ao som do pandeiro e da cítara, divertem-se ao som da flauta. 13.Passam seus dias na alegria e descem tranquilamente à região dos mortos. 14.Ora, dizem a Deus: ‘Afasta-te de nós! Não queremos conhecer os teus caminhos! 15.Quem é o Todo-poderoso, para que o sirvamos? Que vantagem tiramos em lhe fazer orações?’. 16.A felicidade não está em suas mãos? Contudo, longe de mim esteja o modo de pensar dos ímpios! 17.Quantas vezes vemos apagar-se a lâmpada dos ímpios e a ruína desabar sobre eles? 18.Serão eles como a palha ao vento, como a cinza tragada pelo turbilhão? 19.‘Deus reserva para os filhos o castigo do pai?’ Que ele mesmo o puna, para que o sinta! 20.Que veja com os próprios olhos a sua ruína e ele mesmo beba da cólera do Todo-poderoso! 21.Pois o que lhe importa a sua casa depois dele, se o número de seus meses já está contado? 22.É a Deus que se irá ensinar a sabedoria, a ele, que julga os seres superiores? 23.Um morre em pleno vigor, feliz e tranquilo, 24.os flancos cobertos de gordura e a medula dos ossos cheia de seiva. 25.Outro, porém, morre com a amargura na alma, sem ter gozado a felicidade. 26.Juntos se deitam na terra e os vermes recobrem a ambos. 27.Por certo conheço vossos pensamentos, os julgamentos iníquos que fazeis de mim! 28.Dizeis: ‘Onde está a casa do tirano, onde está a tenda em que habitavam os ímpios?’. 29.Não interrogastes os viajantes? Contestaríeis seus testemunhos? 30.No dia da infelicidade o ímpio é poupado, no dia da cólera ele escapa. 31.Quem reprova diante dele o seu proceder e lhe pede contas de seus atos? 32.Levam-no ao sepulcro, ficarão de vigília em sua câmara funerária. 33.Os torrões do vale são-lhe leves; todos os homens irão em sua companhia e foram inumeráveis seus predecessores. 34.Que significam, pois, essas vãs consolações? Todas as vossas respostas são apenas perfídia”.”

Jó 22

“1.Elifaz de Temã tomou a palavra nestes termos: 2.“Pode o homem ser útil a Deus? O sábio só é útil a si mesmo. 3.De que serve ao Todo-poderoso que sejas justo? Tem ele interesse que teu proceder seja íntegro? 4.É por causa de tua piedade que ele te pune e entra contigo em juízo? 5.Não é enorme a tua malícia e não são inumeráveis as tuas iniquidades? 6.Sem razão penhoraste os teus irmãos e despojaste de suas vestes os miseráveis.* 7.Não davas água ao sedento, recusavas pão ao esfomeado. 8.A terra era do mais forte, e o protegido é que nela se estabelecia. 9.Despedias as viúvas de mãos vazias e quebravas os braços dos órfãos. 10.Eis por que estás cercado de laços e os terrores súbitos te amedrontam. 11.Tua luz tornou-se trevas, já não vês nada e o dilúvio das águas te engole. 12.Não está Deus nas alturas do céu? Vê a abóbada estrelada, como está alta! 13.E dizes: ‘Que sabe Deus? Pode ele julgar através de nuvens escuras? 14.As nuvens formam um véu que o impede de ver ele passeia apenas pela abóbada do céu’. 15.Queres seguir, pois, rotas antigas por onde andaram os homens iníquos? 16.Que foram arrebatados antes do tempo e cujos fundamentos foram arrastados com as águas!* 17.Exclamam a Deus: ‘Retira-te de nós! Que poderia fazer-nos o Todo-poderoso?’. 18.Foi ele, entretanto, que lhes cumulou de bens as casas. Contudo, longe de mim os conselhos dos ímpios! 19.Vendo-os, os justos se alegram e o inocente zomba deles: 20.‘Nossos inimigos estão aniquilados e o fogo devorou-lhes as riquezas!’. 21.Reconcilia-te, pois, com Deus e faze as pazes com ele: é assim que te será de novo dada a felicidade. 22.Aceita a instrução de sua boca e põe suas palavras em teu coração. 23.Se te voltares humildemente para o Todo-poderoso, se afastares a iniquidade de tua tenda, 24.se atirares as barras de ouro ao pó e o ouro de Ofir aos pedregulhos da torrente,* 25.o Todo-poderoso será teu ouro e um monte de prata para ti. 26.Então farás do Todo-poderoso as tuas delícias e levantarás teu rosto a Deus. 27.Tu lhe suplicarás, ele te ouvirá e cumprirás os teus votos. 28.Formarás os teus projetos, que terão feliz êxito e a luz brilhará em tuas veredas. 29.Pois Deus abaixa o altivo e o orgulhoso, mas socorre aquele que abaixa os olhos. 30.Ele salva o inocente, o qual é libertado pela pureza de suas mãos”.”

Jó 23

“1.Então, Jó tomou a palavra nestes termos: 2.“Sim, hoje minha queixa é uma revolta, ainda que sua mão reprima meus suspiros.* 3.Oxalá pudesse eu encontrá-lo e chegar até seu trono! 4.Exporia diante de Deus a minha causa, encheria minha boca de argumentos. 5.Saberia o que ele iria responder-me e veria o que ele teria para me dizer. 6.Oporia ele contra mim com prepotência? Não! Bastaria que lançasse os olhos em mim. 7.Seria então um justo a discutir com ele, e eu iria embora definitivamente absolvido pelo meu juiz. 8.Mas se eu for ao Oriente, lá ele não está; ao Ocidente, não o encontrarei; 9.se o procuro ao Norte, não o vejo; se me volto para o Sul, não o descubro. 10.Contudo, ele conhece o meu caminho; se me põe à prova, dela sairei puro como o ouro. 11.Meus pés seguiram os seus traços, guardei o seu caminho sem me desviar. 12.Não me afastei dos preceitos de seus lábios, guardei no meu íntimo as palavras de sua boca. 13.Ele decidiu alguma coisa, quem o fará voltar atrás? Ele faz o que bem lhe agrada. 14.Realizará seu desígnio a meu respeito e tem muitos projetos iguais a este. 15.Eis por que sua presença me atemoriza. Basta o seu pensamento para me fazer tremer. 16.Foi Deus que me fundiu o coração, o Todo-poderoso me enche de terror. 17.Sucumbo diante das trevas. Elas cobriram-me o rosto.”

Estes capítulos mostram uma grande revolta de Jó. Ele já não aceita mais as palavras de consolo ou questionamento dos amigos. Está inconsolável e deseja morrer e faz algo impensável para todos, ele desafia ao próprio Deus: “3.Oxalá pudesse eu encontrá-lo e chegar até seu trono! 4.Exporia diante de Deus a minha causa, encheria minha boca de argumentos. 5.Saberia o que ele iria responder-me e veria o que ele teria para me dizer. 6.Oporia ele contra mim com prepotência? Não! Bastaria que lançasse os olhos em mim. 7.Seria então um justo a discutir com ele, e eu iria embora definitivamente absolvido pelo meu juiz.” – vale demorar-se mais sobre o capitulo 23 (ultimo estudado neste dia). Quem tem fé e desafia o criador para, digamos assim, tirar as diferenças? Jó faz quase um chamado para a briga e acha que irá ganhar ainda por cima. O nível de dor e provação a que ele está passando é inimaginável para cada um de nós.

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“20,10. Este versículo parece estar colocado fora de seu contexto. 20,26. Um fogo: o raio.”
“22,6. Os miseráveis: literalmente – Aqueles que estavam nus. 22,16. Alusão ao dilúvio. 22,24. Outra tradução: se tens as barras de ouro por pó, o ouro de Ofir por pedregulhos…”
“23,2. Sua mão: a mão de Deus.”

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