Atos dos Apóstolos (Círculo Bíblico – 6/10)

Círculo Bíblico: Atos dos Apóstolos – Encontro 6/10

Este é o sexto de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o livro dos Atos dos Apóstolos. A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o livro dos Atos dos Apóstolos (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja e ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia.

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

O Concilio de Jerusalém (O primeiro de todos)

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O Concilio de Jerusalém

 

At 15, 1 – 40

A comunidade tem mais uma discussão a respeito do que deve ou não ser feito dentro da igreja. A forte ligação com a lei judaica ainda traria muitos problemas para a comunidade cristã, e mais uma vez entrou como pauta de discussão a questão de se os chamados “gentios” (aqueles que não eram judeus) deveriam ou não ser circuncidados e abraçarem a fé judaica antes da fé cristã. Parece hoje uma bobagem, mas é de fato um tema que causava extrema celeuma na comunidade de Jerusalém e Antioquia.

Em At 15, 1 – 35 Lucas praticamente escreve sobre um momento central do livro dos Atos dos Apóstolos e da história da Igreja. Como o texto foi escrito quase 50 anos depois dos acontecimentos, ele ão faz um relato histórico, provavelmente Lucas tenha reunido neste capitulo diversos fatos que ocorreram. Mas a maior importância neste relato é o fato de ter acontecido a primeira grande reunião para deliberar, esclarecer e decidir a teoria e a prática do cristianismo. O maior fruto deste concílio é o esclarecimento de que a “salvação cristã depende exclusivamente da fé em Jesus” e que não é necessário antes ser judeu para depois tornar-se cristão. Em poucas palavras, nem os judeus e nem os pagãos ficam obrigados ao ritual da circuncisão e a observância da lei judaica.

Deste concílio, que podemos chamar de Primeiro Concílio de Jerusalém, também saiu o primeiro documento oficial do cristianismo católico em forma de uma carta que foi enviada junto com alguns apóstolos as comunidades da Antioquia: “Então pareceu bem aos apóstolos e aos anciãos com toda a comunidade escolher homens dentre eles e enviá-los a Antioquia com Paulo e Barnabé: Judas, que tinha o sobrenome de Barsabás, e Silas, homens notáveis entre os irmãos. 23.Por seu intermédio enviaram a seguinte carta: “Os apóstolos e os anciãos aos irmãos de origem pagã, em Antioquia, na Síria e Cilícia, saúde! 24.Temos ouvido que alguns dentre nós vos têm perturbado com palavras, transtornando os vossos espíritos, sem lhes termos dado semelhante incumbência. 25.Assim nós nos reunimos e decidimos escolher delegados e enviá-los a vós, com os nossos amados Barnabé e Paulo, 26.homens que têm exposto suas vidas pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo. 27.Enviamos, portanto, Judas e Silas que de viva voz vos exporão as mesmas coisas. 28.Com efeito, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor outro peso além do seguinte indispensável: 29.que vos abstenhais das carnes sacrificadas aos ídolos, do sangue, da carne sufocada e da impureza. Dessas coisas fareis bem de vos guardar conscienciosamente. Adeus! 30.Tendo-se despedido, a delegação dirigiu-se a Antioquia. Ali reuniram a assembléia e entregaram a carta. 31.À sua leitura, todos se alegraram com o estímulo que ela trazia.” (Atos dos Apóstolos, 15,22-31 – Bíblia Católica Online)

No final deste capítulo é citado novamente a presença de Marcos (que seria depois o primeiro a escrever um dos Evangelhos e este seria copiado por Mateus e o próprio Lucas). Como Marcos na verdade se chamava João Marcos ( e alguns relatos apócrifos dão conta de que foi na casa da família dele, quando este ainda era uma criança, realizada algumas ceias de Jesus e seus discípulos incluindo a ultima ceia): “Barnabé queria levar consigo também João, que tinha por sobrenome Marcos. 38.Paulo, porém, achava que não devia ser admitido quem se tinha separado deles em Panfília (durante a primeira viagem missionária de Paulo, Barnabé e o próprio Marcos que abandonou) e não os havia acompanhado no ministério. 39.Houve tal discussão que se separaram um do outro, e Barnabé, levando consigo Marcos, navegou para Chipre.” (Atos dos Apóstolos, 15, 37-39 – Bíblia Católica Online)

Vale fazer umas perguntas enquanto se lê este capitulo: 1. Evangelho é fermento libertador e não fardo opressor. Concorda?; 2. A ação missionária de nossa comunidade liberta ou oprime?; 3. Damos espaço para quem é novo na comunidade?

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São Pedro, ícone do século VI, Mosteiro de Santa Catarina do Monte Sinai

 

At 16, 1 – 40

Logo no inicio deste capítulo é introduzido a figura do apóstolo Timóteo que era filho de uma judia cristã e de pai grego, mas um detalhe chama a atenção. Apesar de no capitulo anterior ter acontecido um Concilio onde foi decidido que ninguém precisaria se converter ao judaísmo para ser cristão, a primeira coisa que Paulo faz ao chamar Timóteo para acompanhá-lo é justamente circuncidá-lo. O motivo, apesar de não ter sido escrito pode ser entendido por algumas suposições. Timóteo era fio de uma judia convertida e pai grego, provavelmente o pai já havia falecido e o costume judaico para um casamento misto (judeu e grego) era de que o filho fosse educado na religião da mãe e esta era judia, então Paulo (ainda intimamente ligado a lei judaica) acabou circuncidando Timóteo para que a comunidade judaica não o visse como um renegado. Lembrando que a evangelização feita pelos apóstolos sempre começava pelas sinagogas.

Timóteo viria a ser o maior colaborador de Paulo, junto com Lucas.

Este inicio da segunda viagem missionária de Paulo não foi tanto uma decisão da comunidade, mas sim do próprio apóstolo. Paulo é dirigido pelo Espírito Santo e por duas vezes é impedido ou proibido de ir para a Éfeso pela ação do espírito.

Justamente  em 16, 10 Lucas começa a usar a palavra “nós” narrando como se estivesse participando ativamente da viagem, porém esse fato não é comprovado.

É na principal cidade da Macedônia, Filipos, reconstruída por Filipe, pai de Alexandre Magno em 356 a.C., tornou-se colônia de Roma em 31 a.C., mas tinha alguns privilégios como administração autônoma, isenção de tributos e direitos dos cidadãos residentes em território italiano. Lucas não dá a mesma importância para a cidade, como dará Paulo durante as suas missões e suas epístolas. Não havia sinagoga na cidade mas os judeus rezavam próximo a um rio, onde os missionários Paulo e Timóteo encontraram-se com um grupo de fiéis (aparentemente a maioria mulheres) e converteram várias dando destaque para uma mulher de nome Lídia que era uma rica comerciante vinda de Tiatira, esta se converteu, foi batizada junto com toda a família e na sua casa foi fundada a comunidade de Filipos e ali ficou sendo a sede da comunidade.

Mais uma vez durante a missão os apóstolos sofrem perseguição. Paulo e Silas foram açoitados e presos, sem um julgamento e sem que seus perseguidores soubessem que estavam indo contra a lei romana  pois os apóstolos eram cidadãos romanos e nenhum judeu poderia julgar um cidadão romano naquela época. Na prisão Paulo e Silas foram acorrentados mas durante a noite as algemas caíram por força do poder de Deus.

É sempre interessante pensarmos em responder algumas perguntas:

  1. A solidariedade e a partilha caracterizam a vida da sua comunidade?
  2. Quais as semelhanças entre At 6, 13-16“No sábado, saímos fora da porta para junto do rio, onde pensávamos haver lugar de oração. Aí nos assentamos e falávamos às mulheres que se haviam reunido. 14.Uma mulher, chamada Lídia, da cidade dos tiatirenos, vendedora de púrpura, temente a Deus, nos escutava. O Senhor abriu-lhe o coração, para atender às coisas que Paulo dizia. 15.Foi batizada juntamente com a sua família e fez-nos este pedido: Se julgais que tenho fé no Senhor, entrai em minha casa e ficai comigo. E obrigou-nos a isso.” e o que acontece com as nossas atuais Comunidades Eclesiais de Bases (CEBs)?
  3. Porque a ação libertadora da fé provoca perseguição?

 

At 17, 1 – 34

A viagem de Paulo, Silas e Timóteo chega a Tessalônica, depois de passar por outras localidades. Nesta cidade ele fica por um mês, passando três sábados pregando na sinagoga e convertendo muitos judeus e também outros povos. Porém mais uma vez eles foram perseguidos, por conseguirem converter muitos “gentios” e várias mulheres: “Alguns deles creram e associaram-se a Paulo e Silas, como também uma grande multidão de prosélitos gentios, e não poucas mulheres de destaque. 5.Os judeus, tomados de inveja, ajuntaram alguns homens da plebe e com esta gente amotinaram a cidade. Assaltaram a casa de Jasão, procurando-os para os entregar ao povo.”
(Atos dos Apóstolos, 17, 4-5 – Bíblia Católica Online)

Neste ponto do capítulo somos apresentados a Jasão que aparentemente era um homem rico convertido ao cristianismo que deu acolhida a Paulo e seus companheiros. Os judeus invadiram sua casa em busca dos apóstolos e como não acharam prenderam Jasão e algumas pessoas que ali estavam. Vale prestar atenção no versículo 9“9.E só depois de receberem uma caução de Jasão e dos outros é que os deixaram ir.”  Aparentemente só após dar dinheiro aos perseguidores Jasão conseguiu a liberdade. 

Os apóstolos vão para Beréia, mas os tessalonicenses continuam a persegui-los, aqui vale fazer um parentese pois esta perseguição parece mais forte contra Paulo, e este vai então para Atenas deixando Silas e Timóteo em Beréia.

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Ruínas atuais do Areópago de Atenas

Em Atenas, uma cidade grega, ele se defronta com as dificuldades de se levar a palavra de Jesus, pois é um povo que cultua muitos deuses. Paulo é levado ao Areópago (em grego antigoἌρειος Πάγος areios pagos, “Colina de Ares“) que era a parte nordeste da Acrópole em Atenas e também o nome do próprio conselho que ali se reunia. Além de supremo tribunal, o conselho também cuidou de assuntos como educação e ciência por algum tempo.

Por volta de 50 da era cristã filósofos epicureus e estoicos que discutiam com o apóstolo Paulo o levaram ao Areópago para que lhes contassem a respeito de sua nova doutrina. Ali ele proferiu seu famoso Discurso no Areópago.

Atenas e o discurso no Areópago

Paulo pregando no Areópago de Atenas, um dos episódios de Atos 17.
1515. Por Rafael, atualmente no Victoria and Albert Museum, em Londres.

Em Atenas, Paulo se revoltou com a idolatria que encontrou. Ele pregava não apenas aos judeus, mas discutia também com filósofos epicuristas e estoicos (Atos 17,18). Curiosos, levaram-no para o Areópago, onde Paulo proferiu um de seus mais famosos sermões, preservado em At 17, 22-34.

Discurso no Areópago

Depois de cumprimentar os atenienses, Paulo afirma ter encontrado um altar ao “deus desconhecido” e afirma que este, que adoravam sem saber, «é o que eu vos anuncio. O Deus que fez o mundo e tudo o que nele há» (At 17, 23-24). Afirma ainda que o verdadeiro Deus não habita em santuários e nem precisa de nada das mãos humanas, como sacrifícios ou estátuas, pois todos os homens foram criados por Ele. Assim: «Sendo, pois, geração de Deus, não devemos pensar que a divindade é semelhante ao ouro ou à prata ou à pedra, lavrada por arte e gênio do homem. Dissimulando, pois, os tempos da ignorância, Deus manda agora que todos os homens em todo o lugar se arrependam, porquanto tem fixado um dia em que há de julgar o mundo com justiça pelo varão que para isto destinou, do que tem dado certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos.» (At 17,29). Alguns zombaram, mas muitos foram convertidos; o autor dos Atos cita entre eles Dionísio, o Areopagita, e Dâmaris.

Milton Cesar

Refletindo

A nossa fé é acima de tudo compromisso e fidelidade. Não podemos entrar no oba-oba saltitante do galho em galho religioso, pois acreditar não é procurar algo que se pode encontrar somente em Jesus. Os apóstolos e os discípulos nas suas caminhadas de evangelização jamais deixaram-se seduzir por outras doutrinas ou deixaram-se amedrontar por ameaças e perseguições, mantiveram-se fiéis a Jesus Cristo, seguindo os ensinamentos que ele deixou e compreendendo que a figura de Pedro (o primeiro Papa) era importante e acima de tudo era da vontade de Deus que ele fundasse a sua igreja, a igreja de Jesus Cristo.

Não podemos acomodar-se, acovardar-se ou fingir que não ouvimos o chamado do Espírito Santo. Somos acima de tudo evangelizadores.

Podemos sempre trazer as experiências da comunidade nascente do tempo dos Atos para nossa vida em comunidade e ver o que ainda falta para realmente sermos uma igreja única num só ideal. É preciso rezar mais e fazer uma leitura cada vez mais orante do Livro dos Atos dos Apóstolos.

Milton Cesar

 

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São Tiago Maior

São Tiago Maior, o primeiro discípulo a morrer pelo Evangelho

Nascido em Betsaida, este apóstolo do Senhor era filho de Zebedeu e de Salomé e irmão do apóstolo João, o Evangelista. Pescador juntamente com seu irmão João, foi chamado por Jesus a ser discípulo d’Ele. Aceitou o chamado do Mestre e, deixando tudo, seguiu os passos do Senhor. Dentre os doze apóstolos, São Tiago foi um grande amigo de Nosso Senhor fazendo parte daquele grupo mais íntimo de Jesus (formado por Pedro, Tiago e João) testemunhando, assim, milagres e acontecimentos como a cura da sogra de Pedro, a Transfiguração de Jesus, entre outros. Procurou viver com fidelidade o seu discipulado. No entanto, foi somente após a vinda do Espírito Santo em Pentecostes que São Tiago correspondeu concretamente aos desígnios de Deus. No livro dos Atos dos Apóstolos, vemos o belo testemunho de São Tiago, o primeiro dentre os doze apóstolos a derramar o próprio sangue pela causa do Evangelho: “Por aquele tempo, o rei Herodes tomou medidas visando maltratar alguns membros da Igreja. Mandou matar à espada Tiago, irmão de João” (At 12,1-2). Segundo uma tradição, antes de ser martirizado, São Tiago abraçou um carcereiro desejando-lhe “a Paz de Cristo”. Este gesto converteu o carcereiro que, assumindo a fé em Jesus, foi martirizado juntamente com o apóstolo. Existe ainda outra tradição sobre os lugares em que São Tiago passou, levando a Boa Nova do Reino. Dentre estes lugares, a Espanha onde, a partir do Século IX, teve início a devoção a São Tiago de Compostela.

São Tiago Maior, rogai por nós!

Tiago (o Maior), filho de Zebedeu e de Salomé, irmão mais velho do evangelista João, aparece entre os seguidores de Jesus desde o começo da pregação do Messias.

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Os dois irmãos estavam na margem do lago de Genesaré, quando Jesus os chamou. A resposta foi pronta e total: “eles abandonando o barco e seu pai, o seguiram”. Também neste particular se revela sua índole forte e ardente, pela qual tiveram de Jesus o apelido, entre elogio e reprovação, de “filhos do trovão”. Seu comportamento posterior confirma isso, pelo menos em duas ocasiões: a primeira vez diante do comportamento hostil dos samaritanos, que negaram hospitalidade a Jesus e aos seus discípulos: “Senhor – disseram Tiago e João – devemos invocar o fogo do céu para que os devore?” Mais tarde na última viagem a Jerusalém, ambos ousaram fazer aquele presunçoso pedido de sentar-se um à direita e outro à esquerda do Cristo triunfante. Em ambos os casos demonstram não terem entendido as lições de amor e de humildade do Mestre. Todavia são generosos quando se trata de jogar-se à luta. À pergunta de Jesus: “Podeis vós beber o cálice?”, Tiago foi o primeiro a responder: “Podemos”. Jesus colocou-o contra a parede e Tiago respeitou pontualmente a palavra dada. Após o dia de Pentecostes, no qual tinha vindo não o fogo destruidor do castigo, mas o fogo vivificante do amor, também Tiago como os outros apóstolos foi vítima da perseguição movida pelas autoridades judaicas: foi jogado no cárcere e flagelado, “alegrando-se muito, por ter sido digno de sofrer torturas pelo nome de Jesus” (como se lê nos Atos dos Apóstolos). Houve uma segunda perseguição, da qual foi vítima ilustre o diácono santo Estêvão, e houve uma terceira, mais cruel que as precedentes, desencadeada por Herodes Agripa para agradar aos judeus.

Este Herodes (mostrando-se digno do nome do tio, o assassino de João Batista, e do avô Herodes, dito o Grande, que tentou matar Jesus logo que nasceu), por um simples cálculo político, durante as festas pascais de 42 “começou a perseguir alguns membros da Igreja, mandou matar à espada Tiago, irmão de João, e, vendo que isto agradava aos judeus, mandou prender Pedro”.

Segundo uma tradição, não anterior ao século VI, o apóstolo Tiago teria sido o primeiro evangelizador da Espanha. Para revigorar esta tradição, no século IX o bispo Teodomiro de Iria afirmou ter reencontrado as relíquias do apóstolo e desde aquela época, Iria, que tomou o nome de Compostela, tornou-se a meta preferida de todos os peregrinos da Europa.

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Como base de estudo foi usado:

 

 

 

Batismo (Formação) Parte 2

Pastoral do Batismo (Formação 2/3)

Primeiro Encontro – Documentação, O compromisso dos pais e padrinhos

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A Documentação

Um dos grandes problemas quando alguém pede o  Sacramento do Batismo é providenciar a documentação necessária para se habilitar o batizado. Estes problemas não querem dizer que são coisas difíceis, mas sempre se esbarra nos próprios pais e padrinhos, que como eu disse anteriormente, muitas vezes desconhecessem como funciona a igreja burocraticamente, e acham que dá para fazer tudo de qualquer jeito.

Importante se perguntar:

Quando a pessoa vai solicitar um RG, CPF ou tirar sua CNH os órgãos competentes aceitam que se traga este ou aquele documento depois? Não! Então porque a igreja teria que aceitar?

Quando pedem o batismo, a documentação deve ser providenciada o mais rápido possível. E hoje em dia quem faz isso (este pedido e organização) são as secretárias paroquiais que tem mais esta responsabilidade. Vale salientar que são dois momentos distintos para se trazer os documentos: 1º para o Curso de Batismo e 2º para o recebimento do Sacramento, mas todos estes momentos devem acontecer com bastante antecedência ao Curso e depois ao Batizado. Interessante se ater a todas as datas e a agenda do padre .

É função da Pastoral do Batismo estar com todas as informações, fazer um bom planejamento anual com o padre e a secretaria e colaborar para o bom andamento da Pastoral.

Então nada de achismos  (“eu acho que pode…”) ou tentar inventar regras para favorecer esta ou aquela pessoa (isso vale para alguns padres também que exercem o seu cargo para algumas coisas que a longo prazo atrapalham, sem generalizar ). As dúvidas devem ser sanadas com a secretaria paroquial.

É comum algumas pessoas querendo fugir da preparação  (o curso) vierem com a desculpa de não terem tempo, dos padrinhos morarem longe, reclamarem da duração do curso… todas estas pessoas tem que fazer um exame de consciência e lembrarem que a Igreja Católica Apostólica Romana não é “oba-oba” e sim uma instituição séria e com regras. Quem se dispõe a querer introduzir os filhos na nossa igreja tem que começar a se colocar como membro efetivo e não turista.

Claro que se o pai, a mãe ou os padrinhos trabalham em horários que impeçam de participarem do curso, e isso possa ser comprovado, a igreja vai entender e dar um jeito de não deixar de atender estas pessoas , o que não dá para fazer é ser conivente com quem não quer ter o compromisso.

Muito importante verificar todas as pendências de documentos, conferir nomes de pais, padrinhos e batizado, endereços , logo no primeiro encontro para resolver bem antes e não sobrecarregar a secretaria.

Documentação

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DOCUMENTOS NECESSÁRIOS PARA A PREPARAÇÃO DE BATISMO (Participar do curso)
Cópia (Xerox):
1. Certidão de Nascimento ou RG da Criança
2. Certidão de Casamento Religioso dos Pais e Padrinhos
3. Comprovante de endereço dos Pais e Padrinhos

DOCUMENTOS NECESSÁRIOS PARA O BATIZADO (Celebração do Sacramento do Batismo )
Xerox:
1. Certidão de Nascimento ou RG da criança
2. Comprovante de preparação dos Pais e Padrinhos
3. Certidão de Casamento Religioso dos Pais e Padrinhos
4. RG dos Pais e Padrinhos
5. Comprovante de endereço dos Pais e Padrinhos
6. Taxa (conforme tabela da Cúria de cada Arquidiocese )

(Informações Fabiana Aparecida, secretária da Paróquia Sagrado Coração de Jesus – Sumaré -SP)

Algumas regras:

  • Toda criança de zero a 6 anos poderá receber o batismo quando seus pais desejarem. Para isso, país e padrinhos devem se inscrever na secretaria paroquial  (em algumas localidades existem um plantão da Pastoral do Batismo ) para a preparação do Batismo e participar da vida da comunidade ou até de outra paróquia da igreja Católica Apostólica Romana. Os padrinhos devem ter 18 anos completo a mais.
  • A criança pode ter um casal de padrinhos  (que é o mais comum, e neste caso estes não podem viver uma união estável sem serem casados no Civil e religioso ou serem solteiros, exemplos irmãos e amigos, ou se forem padrinhos distintos e um ser casado este deve ser casado no religioso), todos devem ter recebido os Sacramentos do Batismo, Eucaristia e Crisma e levem uma vida de acordo com a responsabilidade que pretendem assumir.

Pais e mães não podem ser padrinhos da própria criança  (acreditem tem pessoas que tentam).

  • Toda criança comida de de 7 anos, adolescente ou jovem até 17 anos que não recebeu o sacramento do Batismo deve se preparar por meio da catequese seja de Adultos ou do crisma.
  • Toda pessoa adulta à partir dos 18 anos que não recebeu o batismo e deseja receber deve participar da preparação própria para a catequese de adultos ou crisma .
  • Casos especiais devem ser comunicados a secretaria e depois ao pároco

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Preparação de Batismo (Curso)

Tenho duas ideias para o Curso de Preparação de Batismo, sendo a primeira mais fácil e a segunda mais dificil , mas não impossível :

1. Três dias de preparação : 1 missa e 2 dias de formação  (podem ser seguidos ou alternados).

Com esta opção no mínimo as pessoas que estiverem a mais tempo longe da igreja ( o que não deveria acontecer) poderão voltar a ter contato e relembrar o que os leva a serem católicos.

Logo depois da inscrição no curso são convidados a irem participar das missas e a missa anterior ao Curso pode ser uma missa de envio (tudo combinado com o padre), onde pode acontecer já uma apresentação prévia de quem estará iniciando o curso, apenas para uma acolhida da comunidade e mostrar como é importante o sacramento.

Depois mais 2 dias de curso podendo ser dias seguidos ou alternados.  Exemplo: sábado e domingo, dois sábados,  dois domingos ou dias na semana.

Depois disso sim viria a missa do Batizado conforme combinado.

As famílias estariam quatro a cinco dias envolvidas mais diretamente. E não duas horas e só.

Também é importante prestar atenção nos horários de começo e fim do curso e evitar mais de 2h00min de curso.

Uma boa acolhida com água, café,  alguma coisa para se comer lembrando que muitas vezes as crianças vão junto. Um lugar arejado, limpo e decorado.

2. Um mês de preparação : para mim seria o ideal. Em um mês poderiam ser realizados 5 encontros com a participação das famílias em pelo menos 4 missas.

Seriam 4 encontros de formação com duração de 1h30, podendo ser após a missa, dependendo dos horários. E um encontro de oração que poderia ser na igreja ou na casa de um membro

As famílias estariam em 1 mês inteiro envolvidas mais diretamente. E não duas horas e só.

Também é importante prestar atenção nos horários de começo e fim do curso e evitar mais de 2h00min de curso. Uma boa acolhida com água, café,  alguma coisa para se comer lembrando que muitas vezes as crianças vão junto. Um lugar arejado, limpo e decorado.

Depois disso viria a missa do batizado.

Por enquanto está segunda sugestão parece mais difícil de ser implementada, então vou trabalhar a primeira idéia.

Lembrando que o objetivo destas postagens é sempre sugerir, cabe a cada pastoral adaptar a sua realidade local.

 

Preparação de Batismo

Primeiro Encontro : o compromisso de País e Padrinhos

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Ambientação : Flores, vela, Bíblia. Cadeiras em forma de arco. Se for possível é muito importante disponilizar água,  suco, café, bolachas ou bolo.

Disponilizar pasta com conteúdo para os encontros. Letras das músicas,  textos e citações, estas pastas podem ser entregues no último dia.

Após os cumprimentos iniciais todo a de pé são convidados a rezarem um Pai Nosso e uma Ave Maria.

Sugiro que todos reflitam a música Pelos Prados e Campinas

No primeiro momento é hora das apresentações  (muito importante que na Pastoral do Batismo tenham mais membros para que ao menos 1 seja quem secretarie). Uma boa dinâmica é evitar a tal lista de chamadas e incentivar que cada um se apresente espontaneamente. Falando quem é,  idade e se é pai, mãe ou padrinhos e o nome do batizando.

Duas boas perguntas podem ser feitas neste momento :

  • Para os pais: porque querem batizar seus filhos e porque escolheram estes padrinhos?
  • Para os padrinhos: como conheceram a família e porque aceitaram ser padrinhos?

O Sacramento do Batismo faz parte dos Sacramentos da Iniciação Cristã (Batismo, Eucaristia, Confirmação [Crisma]) é a porta de entrada na igreja de Cristo e sua importância não pode ser medida apenas pela simples celebração, mas sim como sacramento para toda a vida, não se batiza novamente, apenas uma vez e pronto. A marca é indelével e é para sempre.

O padrinho deve acompanhar o seu afilhado com a presença, com o bom testemunho de cristão

“O santo batismo é o fundamento de toda a vida cristã, o pórtico da vida no Espírito e a porta que abre o acesso aos demais sacramentos. Pelo batismo somos libertados do pecado e regenerados como filhos de Deus, tornamos-nos membros de Cristo, e somos incorporados à Igreja e feitos participantes da sua missão: o batismo é o sacramento da regeneração pela água na Palavra” (CIC § 1213).

O cuidado na escolha dos padrinhos

O sacramento do batismo é tão importante, por isso exige um cuidado com aquele que vai apadrinhar o batizando. Costuma-se dizer que o padrinho ou a madrinha faz,  muitas vezes, o “papel” do pai ou da mãe. O que esses fazem ou deveriam fazer? Educar o filho na fé católica, nos bons costumes, nos bons valores, deve educar para a responsabilidade e para a vida. Os padrinhos devem acompanhar o seu afilhado com a presença, com o bom testemunho de cristão, inúmeras vezes assumir a responsabilidade de pais ou auxiliar aos pais em suas faltas.

Como é sério ser padrinho ou madrinha, não é verdade? Conforme o ensinamento da Igreja, a pessoa precisa viver o batismo, ou seja, ser católica, ser crismada e ter uma vida de Comunhão Eucarística. Uma pessoa assim está, provavelmente, inserida na vida da igreja paroquial, vai à Missa aos domingos, busca confissão periódica, é uma pessoa que busca, a todo custo, a santidade. Essa pessoa é santa? Não! Mas se percebe nela a sede de ser santa

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7 ideias sobre a missão que você tem com seu afilhado(a)

É sempre um presente maravilhoso ser convidado a apadrinhar alguém, pois este é um serviço de amor. Mas será que temos claro o que isso realmente significa?

Se você foi convidado a ser padrinho de batismo ou crisma de alguém, vale a pena compreender qual é sua missão e colocá-la nas mãos de Deus, que lhe dará todas as graças necessárias para acompanhar seu afilhado no caminho da fé que o próprio Senhor nos convidou a trilhar.

Apresentamos, a seguir, 7 ideias sobre a missão que você tem como padrinho/madrinha:

1. Sua vida é seu currículo

Seu testemunho de vida é fundamental para iluminar a vida do seu afilhado em seu caminho cristão.

2. Dê o melhor presente

O melhor presente que você pode dar para o seu afilhado não é algo material no aniversário ou no Natal, e sim um acompanhamento sincero da sua vida espiritual e da sua relação com Jesus.

3. Você não é um pai/mãe substituto(a)

Faz parte da sua missão acompanhar também os pais do seu afilhado, fazer parte dessa família espiritual unida pela fé.

4. Compartilhe o que você tem de melhor

Os padrinhos compartilham sua fé; portanto é preciso alimentá-la e fazê-la crescer, estar preparados para responder às dúvidas do afilhado e acompanhá-lo em seus momentos de escuridão, iluminados especialmente pela Palavra de Deus.

5. Pratique o que você ensina

Os padrinhos são chamados a ser assíduos em sua paróquia, comprometidos com sua fé e com a vida da Igreja, especialmente no que diz respeito à vivência dos sacramentos.

6. Mantenha-se próximo

Procure criar um laço afetivo real com seu afilhado e sua família, compartilhando o tempo juntos, conhecendo seu processo e seu desenvolvimento como pessoa e como cristão.

7. Assuma sua responsabilidade plenamente

O batismo abre as portas do céu ao batizado, que se torna parte da Igreja, filho de Deus e com vocação à vida eterna. Quem aceita ser padrinho ou madrinha o faz de forma permanente, como demonstração de amor, mas também como um serviço a Deus, acompanhando esse novo cristão em seu desenvolvimento e amadurecimento.

Quem aceita este desafio e esta responsabilidade o faz para sempre, pois a condição de filho de Deus é eterna; portanto sua tarefa de amor, companhia, cuidado e orientação não acaba quando seu afilhado se torna adulto, mas continua durante a vida inteira.

Pais

A escolha de bons padrinhos não exime os pais da responsabilidade de educar seus filhos na igreja e na vida, todos os 7 pontos acima também servem para os pais.

No terceiro momento deve-se liberar para o café enquanto se confere os dados dos pais, padrinhos e catecúmenos conferindo nomes e endereços corretos

Depois podemos reforçar o convite para o próximo e último encontro e refletir sobre a leitura de Jo 1, 4-11:

“4.João Batista apareceu no deserto e pregava um batismo de conversão para a remissão dos pecados. 5.E saíam para ir ter com ele toda a Judéia, toda Jerusalém, e eram batizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados. 6.João andava vestido de pêlo de camelo e trazia um cinto de couro em volta dos rins, e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. 7.Ele pôs-se a proclamar: “Depois de mim vem outro mais poderoso do que eu, ante o qual não sou digno de me prostrar para desatar-lhe a correia do calçado. 8.Eu vos batizei com água; ele, porém, vos batizará no Espírito Santo.” 9.Ora, naqueles dias veio Jesus de Nazaré, da Galiléia, e foi batizado por João no Jordão. 10.No momento em que Jesus saía da água, João viu os céus abertos e descer o Espírito em forma de pomba sobre ele. 11.E ouviu-se dos céus uma voz: “Tu és o meu Filho muito amado; em ti ponho minha afeição.””
São Marcos, 1 – Bíblia Católica Online

Coloca-se uma música de fundo (pode ser Fonte de água viva) e de olhos fechados pede-se que cada um fale o nome do filho ou afilhado e depois reza-se um Pai Nosso e uma Ave Maria.

Despede-se.

Aprofundamento

O Santo Batismo é o fundamento de toda a vida cristã

O batismo é o nascimento. Como a criança que nasce depende dos pais para viver, também nós dependemos da vida que Deus nos oferece. No batismo, a Igreja reunida celebra a experiência de sermos dependentes, filhos de Deus. Por meio desse sacramento, participamos da vida de Cristo. Jesus Cristo é o grande sinal de que Deus cuida de nós.

O santo batismo é o fundamento de toda a vida cristã, a porta da vida no Espírito, que abre o acesso aos demais sacramentos. Por meio dele, somos libertados do pecado e regenerados como filhos de Deus, tornamo-nos membros de Cristo, incorporados à Igreja e feitos participantes de sua missão: “Baptismus est sacramentum regenerationis per aquam in verbo (o batismo é o sacramento da regeneração pela água na Palavra)”.

Quando recebemos o sacramento do batismo, transformamo-nos de criaturas para filhos amados de Deus. Muitos pensam que os sacramentos em geral são obras eclesiásticas, ou seja, “invenções” da Igreja. Isso não é verdade, os sacramentos são, sem sombra de dúvidas, criados por Jesus Cristo, o próprio Deus Encarnado.

O profeta João Batista, primo de Jesus, que veio ao mundo para preparar os caminhos para a vinda do Messias, foi quem batizou as pessoas para a vinda de Cristo (cf. Mc 1,2s). Ele sabia que o seu batismo era temporário, pois logo depois dele viria seu primo Jesus, que batizaria no Espírito Santo, ou seja, o profeta batizava com água e Jesus batizava com o Espírito Santo. A Bíblia sugere o batismo de todos, o que inclui as crianças. ““Disse-lhes Pedro: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados. E recebereis o dom do Espírito Santo” (Atos 2, 38-39). A promessa diz respeito a vós, a vossos filhos e a todos os que estão longe – a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar.

Para que existe o batismo?

Adão e Eva pecaram gravemente, desobedecendo a Deus, querendo ser iguais a Ele. Foram, por isso, expulsos do Paraíso, passaram a sofrer e morreram. Deus os castigou e transmitiu a todos os filhos de Adão, ou seja, a todos os homens, o pecado original. Mas o Senhor prometeu a Adão e Eva que enviaria Seu próprio Filho, segunda Pessoa da Santíssima Trindade, que seria igualmente homem, para morrer na Cruz e pagar assim o pecado de Adão e Eva e todos os outros pecados. Não basta, entretanto, que Jesus tenha morrido na cruz. É preciso ainda que Sua morte seja aplicada sobre as almas, para que elas reencontrem a amizade de Deus, ou seja, tornem-se filhos d’Ele e tenham apagado o pecado original. Foi então para aplicar Seu Sangue derramado na cruz sobre nossas almas que Jesus instituiu esse sacramento.

Quando foi que Jesus instituiu o batismo?

Jesus o instituiu logo no início de Sua pregação, quando entrou no rio Jordão para ser batizado por São João Batista. O batismo de João não era um sacramento. Apenas quando Jesus santificou as águas do Jordão com Sua presença e que a voz do Pai se faz ouvir “”Este é meu Filho bem amado, em quem pus minhas complacências”, e que o Espírito Santo aparece sob a forma de uma pomba” (foi então uma visão da Santíssima Trindade), é que fica instituído o batismo. Essa instituição é confirmada por Jesus quando Ele diz a Seus apóstolos: ““Ide e ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.” Leia, na Bíblia, o Evangelho de São Mateus 3,13. 

Os efeitos do batismo

O batismo nos dá, pela primeira vez, a graça santificante, que é a amizade e a presença de Deus no nosso coração. Junto com a graça recebemos o dom da fé, da esperança e da caridade, assim como todas as demais virtudes que devemos procurar proteger no nosso coração. O batismo apaga o pecado original, apaga os pecados atuais e todas as penas ligadas aos pecados, ele imprime na nossa alma o caráter de cristão, fazendo de nós, filhos de Deus, membros da Santa Igreja Católica e herdeiros do Paraíso, tornando-os capazes de receber os outros sacramentos. Por isso tudo, vemos que ser batizado é absolutamente necessário para a salvação.

 

Leia mais:

20º Encontro (Catequese) – Pecado

Série: Animo, uma nova Catequese (Encontro 20/40)

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Vigésimo encontro. Metade do nosso cronograma sugerido. Hora de falar sobre pecado. Ponto de discussão hoje em dia, se existe ou não pecado ou tudo pode ser liberado.
Neste encontro vamos falar um pouco sobre pecado, os sete pecados capitais e algumas curiosidades com o número 7.
Como sugestão de inicio do encontro poderíamos fazer nossa oração inicial cantando a música Pai Nosso – Padre Marcelo Rossi que serve muito para fazermos uma abertura mais leve.
Uma sugestão é começar com uma dinâmica simples, pedir um catequizando escreva numa cartolina deixada no chão (vai ser preciso providenciar uma cartolina ou duas e canetões) todas as coisas que os outros catequizandos forem citando que eles consideram erradas. Depois deixar ali para falar um pouco mais adiante.
Falar sobre o número 7 e quantas coisas tem este número que é considerado o número da perfeição:

Falar sobre o que são os Sete Pecados Capitais e explicar que cada um tem sim uma influência na vida de cada pessoa, mas é uma influência que ataca pessoalmente cada pessoa. Avaliar com eles sobre cada uma das coisas escritas na cartolina durante a dinâmica e perguntar se eles consideram ou não pecado.

Lembrar dos 10 mandamentos:

  • 1º – Adorar a Deus e amá-lo sobre todas as coisas.
  • 2º – Não usar o Santo Nome de Deus em vão.
  • 3º – Santificar os Domingos e festas de guarda.
  • 4º – Honrar pai e mãe (e os outros legítimos superiores).
  • 5º – Não matar (nem causar outro dano, no corpo ou na alma, a si mesmo ou ao próximo)
  • 6º – Guardar castidade nas palavras e nas obras.
  • 7º – Não furtar (nem injustamente reter ou danificar os bens do próximo).
  • 8º – Não levantar falsos testemunhos (nem de qualquer outro modo faltar à verdade ou difamar o próximo)
  • 9º – Guardar castidade nos pensamentos e desejos.
  • 10º- Não cobiçar as coisas alheias

Lembrar também dos mandamentos de Jesus:

Amarás o Senhor teu Deus , de todo o teu coração, de toda a tua alma,
e de todo o teu entendimento!’ Esse é o maior e o primeiro mandamento.
O segundo é semelhante a esse:`Amarás ao teu próximo como a ti mesmo’. Mt 22, 34-40   (também em Mc 12, 29-33, Lc 10, 25-28Jo 13, 34)

Refletir sobre estes mandamentos e tudo o que implica a palavra pecado. O maior pecado é dizer não ao plano de Deus para cada um de nós, fechar-se em si mesmo ou abraçar as coisas mundanas (do mundo sem Jesus). Falando que hoje o mundo quer que pensemos no pecado como algo totalmente antiguado e sem cabimento, mas ele existe e junto dele sempre está o inimigo de Deus. Ou não é pecado cobiçar o(a) namorado(a) de outra pessoa? Não é pecado roubar? Matar? Não é pecado ficar se expondo na internet? Um católico(a) de verdade sabe cuidar do próprio corpo evitando drogas (seja qual for, até aquelas que se tomam em academias para desenvolver o corpo, até as bebidas alcoólicas e todas as outras), o corpo é o templo do espírito santo de Deus.

Importante é refletir sem um pré- julgamento ou acusações.

Dois textos bons para reflexões:

Lc 10, 25-37 –  Amar ao próximo (O Bom Samaritano)

Jo 8, 1-11 – Vá e não peques mais (A Mulher Adúltera)

Depois de tudo isso podemos fazer nosso canto final: Certeza do Céu – Comunidade Doce Mãe de Deus e a oração final

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Sugestão de folha para encontro

Aprofundamento para o catequista

“Tudo me é permitido”, mas nem tudo convém. “Tudo me é permitido”, mas eu não deixarei que nada domine. (1 Cor 6,12)

São Paulo deixa o ensinamento de que tudo é permitido, pois o próprio Deus dá o livre arbítrio a cada um, mas nem tudo convém, pois muitas coisas nos prejudicam ao invés de ajudarem

Um bom exemplo são os sete pecados capitais, que trazem itens permitidos a cada pessoa, porém sem parcimônia ou sem pensar antes de agir levam a destruição

1 – A Gula

Gula é o desejo insaciável, além do necessário, em geral por comida, bebida. Segundo tal visão, esse pecado também está relacionado ao egoísmo humano: querer ter sempre mais e mais, não se contentando com o que já tem, uma forma de cobiça. Ela seria controlada pelo uso da virtude da temperança. Do latim gula

2 – A Avareza

É o apego excessivo e descontrolado pelos bens materiais e pelo dinheiro, priorizando-os e deixando Deus em segundo plano. É considerado o pecado mais tolo por se firmar em possibilidades. Na concepção cristã, a avareza é considerada um dos sete pecados capitais, pois o avarento prefere os bens materiais ao convívio com Deus. Neste sentido, o pecado da avareza conduz à idolatria, que significa tratar algo, que não é Deus, como se fosse deus.

3 – A Luxúria

A luxúria (do latim luxuriae) é o desejo passional e egoísta por todo o prazer sensual e material. Também pode ser entendido em seu sentido original: “deixar-se dominar pelas paixões”. Consiste no apego aos prazeres carnais, corrupção de costumes; sexualidade extrema, lascívia e sensualidade. Do latim luxuria

4 – A Ira

A Ira é o intenso e descontrolado sentimento de raiva, ódio, rancor que pode ou não gerar sentimento de vingança. É um sentimento mental que conflita o agente causador da ira e o irado.

A ira torna a pessoa furiosa e descontrolada com o desejo de destruir aquilo que provocou sua ira, que é algo que provoca a pessoa. A ira não atenta apenas contra os outros, mas pode voltar-se contra aquele que deixa o ódio plantar sementes em seu coração. Seguindo esta linha de raciocínio, o castigo e a execução do causador pertencem a Deus. Do latim ira

5 – A Inveja

A inveja é considerada pecado porque uma pessoa invejosa ignora suas próprias bênçãos e prioriza o status de outra pessoa no lugar do próprio crescimento espiritual. É o desejo exagerado por posses, status, habilidades e tudo que outra pessoa tem e consegue. O invejoso ignora tudo o que é e possui para cobiçar o que é do próximo.

A inveja é freqüentemente confundida com o pecado capital da Avareza, um desejo por riqueza material, a qual pode ou não pertencer a outros. A inveja na forma de ciúme é proibida nos Dez Mandamentos da Bíblia. Do latim invidia, que quer dizer olhar com malícia.

6 – A Preguiça

A Igreja Católica apresenta a preguiça como um dos sete pecados capitais, caracterizado pela pessoa que vive em estado de falta de capricho, de esmero, de empenho, em negligência, desleixo, morosidade, lentidão e moleza, de causa orgânica ou psíquica, que a leva à inatividade acentuada. Aversão ao trabalho, frequentemente associada ao ócio, vadiagem. Do latim prigritia

7 – Soberba (Orgulho ou Vaidade)

Conhecida como soberba, é associada à orgulho excessivo, arrogância e vaidade.

Em paralelo, segundo o filósofo Santo Tomás de Aquino, a soberba era um pecado tão grandioso que era fora de série, devendo ser tratado em separado do resto e merecendo uma atenção especial. Aquino tratava em separado a questão da vaidade, como sendo também um pecado, mas a Igreja Católica decidiu unir a vaidade à soberba, acreditando que neles havia um mesmo componente de vanglória, devendo ser então estudados e tratados conjuntamente. Do latim superbia, vanitas.

O 7 na Bíblia

A semana tem 7 dias, o que tem um significado muito importante, pois quando se chega ao sétimo dia, voltamos ao primeiro e todas as vezes que o sete se “manifesta” indica o fim de um tempo e o início de outro. É como o virar de uma página.

Deus fez o Mundo em 7 dias…
E, havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que fizera, descansou nesse dia de toda a sua obra que tinha feito. Gn 2,2

Os 7 anos de fartura e miséria sobre o Egito…
Eis aí vêm sete anos de grande abundância por toda a terra do Egito.
Seguir-se-ão sete anos de fome, e toda aquela abundância será esquecida na terra do Egito, e a fome consumirá a terra; Gn 41,29-30

O Candelabro de Ouro tem 7 hastes…O Candelabro de Ouro tem 7 hastes…
e eis um candelabro todo de ouro e um vaso de azeite em cima com as suas sete lâmpadas e sete tubos, um para cada uma das lâmpadas que estão em cima do candelabro. Zc 4,2

São 7 as manifestações do Espírito de Deus…
Repousará sobre ele o Espírito do SENHOR, o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do SENHOR.  Is 11,2

Sete voltas e as muralhas caíram. Sete sacerdotes levarão cada um uma trombeta de chifre de carneiro à frente da arca. No sétimo dia, marchem todos sete vezes ao redor da cidade, e os sacerdotes toquem as trombetas Js 6,1-5

O profeta Elias fez 7 orações para que chovesse…
À sétima vez disse: Eis que se levanta do mar uma nuvem pequena como a palma da mão do homem. Então, disse ele: Sobe e dize a Acabe: Aparelha o teu carro e desce, para que a chuva não te detenha…Dentro em pouco, os céus se enegreceram, com nuvens e vento, e caiu grande chuva. 1 Rs 18,44-45

O profeta Eliseu pediu para Naamã mergulhar 7 vezes no Rio Jordão…
Então, Eliseu lhe mandou um mensageiro, dizendo: Vai, lava-te sete vezes no Jordão, e a tua carne será restaurada, e ficarás limpo. 2 Rs 5, 10

O segundo boi, de 7 anos, que Deus pediu a Gideão…
Naquela mesma noite, lhe disse o SENHOR: Toma um boi que pertence a teu pai, a saber, o segundo boi de sete anos, e derriba o altar de Baal que é de teu pai, e corta o poste-ídolo que está junto ao altar. Jz 6, 25

Perdoar 70 vezes 7  Esse foi o ensinamento deixado por Jesus. Mt 18, 21-22

As muralhas de Jericó foram rodeadas por sete dias…
Pela fé, ruíram as muralhas de Jericó, depois de rodeadas por sete dias. Hb 11,30

As 7 Taças e os 7 anjos
Ide e derramai pela terra as sete taças da cólera de Deus.
Ouvi, vinda do santuário, uma grande voz, dizendo aos sete anjos. Ap 16,1

As 7 Igrejas…
Quanto ao mistério das sete estrelas que viste na minha mão direita e aos sete candeeiros de ouro, as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas. Ap 1,20

Fontes pesquisadas:

  • Bíblia de Jerusalém
  • Catecismo da Igreja Católica
  • Católico Orante
  • Wikipedia

Mais sobre o assunto no Complemento para Estudo nº 12 aqui do blog

Atos dos Apóstolos: Que novidade é essa?

Animo, uma nova Catequese (Encontro 15/40 – Jesus Cristo – Complemento 10)

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Folheando os evangelhos em sua superfície, temos a impressão de estarmos lendo a história de Jesus. Do mesmo jeito, o livro Atos dos Apóstolos parece, à primeira vista, uma história dos primeiros seguidores de Jesus. De fato esses escritos são documentos importantes para conhecermos a época e a situação em que Jesus é os apóstolos viveram. São a expressão original da proclamação de fé das primeiras gerações de seguidores de Jesus. (Introdução – Que novidade é essa – Ser Igreja no Novo Milênio).

A história descrita nos Atos além de contar os passos dos primeiros cristãos se confunde com a própria história de Paulo. Mas logo em AT 1,8 já aparece qual é o tema e o programa do livro, Atos é por excelência o livro do Espírito Santo, o mesmo que estava em Jesus e que estará agora com os apóstolos e logo depois com todo e qualquer cristão batizado em nome do Pai, Filho e Espirito Santo. Em outras palavras, o Evangelho ou testemunho de Jesus penetrará todos os tempos e lugares.

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No livro dos Atos escrito provavelmente por Lucas, antes mesmo do seu evangelho, o que se vê é a tentativa de mostrar o destino de cada discípulo, mas depois de um tempo a conversão de Saulo, que sai de perseguidor e se transforma (de certo modo) no maior divulgador da fé cristã nos anos seguintes, acaba tomando conta de boa parte do relato, principalmente porque aparentemente o autor passa a ser seguidor de Paulo (nome adotado por Saulo, ou melhor apenas assumido já que se tratava do seu nome romano apenas).  Mesmo assim não há um prejuízo para a narrativa já que naquela época seria praticamente impossível “dar notícias “de todos os apóstolos pois alguns acabaram seguindo para outras partes do mundo.

Um dos pontos que abrem o texto é logo a narração da ascensão de Jesus e também o recebimento do Espírito Santo (Pentecostes) por todos os seguidores do Mestre.

A história de Pedro e suas pregações também é bastante explorada, sendo assim fica um livro interessante que relata bem as dificuldades da caminhada de muitas comunidades (até hoje é assim) e por isso mesmo é um ótimo livro para ser lido em mutirão usando-o como base para um grande círculo bíblico.

No espaço que temos para falar na catequese não é possível aprofundarmos o tanto que deveríamos dentro do livro, mas não podemos deixar de estudá-lo a luz da nossa vivência na fé.

Conteúdo do Livro

  • At 1
    • Palavras iniciais a Teófilo (1-5)
    • Testemunhas até os confins da terra (6-8)
    • Jesus sobe ao céu (9-11)
    • Discípulos se reúnem de comum acordo (12-14)
    • Matias é escolhido para substituir Judas (15-26)
  • At 2
    • Espírito santo é derramado durante Pentecostes (1-13)
    • Discurso de Pedro (14-36)
    • Multidões aceitam as palavras de Pedro (37-41)
      • Batizados 3.000 (41)
    • Companheirismo cristão (42-47)
  • At 3
    • Pedro cura um mendigo manco (1-10)
    • Discurso de Pedro no Pórtico de Salomão (11-26)
      • “Restabelecimento de todas as coisas” (21)
      • Profeta semelhante a Moisés (22)
  • At 4
    • Pedro e João são presos (1-4)
      • Os que acreditaram chegam a 5.000 homens (4)
    • Julgamento perante o Sinédrio (522)
      • “Não podemos parar de falar” (20)
    • Oração pedindo coragem (23-31)
    • Discípulos compartilham o que têm (32-37)
  • At 5
    • Ananias e Safira (1-11)
    • Apóstolos realizam muitos sinais (12-16)
    • Presos e libertados (17-21a)
    • Levados novamente perante o Sinédrio (21b-32)
      • ‘Obedecer a Deus em vez de a homens’ (29)
    • Conselho de Gamaliel (33-40)
    • Pregação de casa em casa (41, 42)
  • At 6
    • Sete homens escolhidos para servir (1-7)
    • Estêvão é acusado de blasfêmia (8-15)
  • At 7
    • Discurso de Estêvão perante o Sinédrio (1-53)
      • Época dos patriarcas (2-16)
      • Liderança de Moisés; idolatria de Israel (17-43)
      • Deus não mora em templos feitos por humanos (44-50)
    • Apedrejamento de Estêvão (54-60)
  • At 8
    • Saulo persegue a congregação (1-3)
    • Ministério produtivo de Filipe em Samaria (4-13)
    • Pedro e João enviados a Samaria (14-17)
    • Simão tenta comprar espírito santo (18-25)
    • Eunuco etíope (26-40)
  • At 9
    • Saulo a caminho de Damasco (1-9)
    • Ananias enviado para ajudar Saulo (10-19a)
    • Saulo prega sobre Jesus em Damasco (19b-25)
    • Saulo vai a Jerusalém (26-31)
    • Pedro cura Eneias (32-35)
    • A generosa Dorcas é ressuscitada (36-43)
  •  At 10
    • Cornélio tem uma visão (1-8)
    • Pedro tem uma visão de animais purificados (9-16)
    • Pedro visita Cornélio (17-33)
    • Pedro declara as boas novas aos gentios (34-43)
      • “Deus não é parcial” (34, 35)
    • Gentios recebem espírito santo e são batizados (44-48)
  • At 11
    • Relato de Pedro aos apóstolos (1-18)
    • Barnabé e Saulo em Antioquia da Síria (19-26)
      • Discípulos chamados de cristãos pela primeira vez (26)
    • Ágabo prediz fome (27-30)
  • At 12
    • Tiago é morto; Pedro é preso (1-5)
    • Pedro libertado milagrosamente (6-19)
    • Herodes ferido por um anjo (20-25)
  • At 13
    • Barnabé e Saulo enviados como missionários (1-3)
    • Ministério em Chipre (4-12)
    • Discurso de Paulo em Antioquia da Pisídia (13-41)
    • Ordem profética de se voltarem para as nações (42-52)
  • At 14
    • Crescimento e oposição em Icônio (1-7)
    • Considerados deuses em Listra (8-18)
    • Paulo sobrevive a apedrejamento (19, 20)
    • Fortalecendo as congregações (21-23)
    • Volta a Antioquia da Síria (24-28)
  • At 15
    • Discussão em Antioquia sobre a circuncisão (1, 2)
    • O assunto é levado a Jerusalém (3-5)
    • Anciãos e apóstolos se reúnem (6-21)
    • Carta do corpo governante (22-29)
    • Abster-se de sangue (28, 29)
    • Congregações encorajadas pela carta (30-35)
    • Paulo e Barnabé se separam (36-41)
  •  At 16
    • Paulo escolhe Timóteo (1-5)
    • Visão sobre o homem macedônio (6-10)
    • Conversão de Lídia em Filipos (11-15)
    • Paulo e Silas presos (16-24)
    • O carcereiro e os da sua casa são batizados (25-34)
    • Paulo exige uma retratação oficial (35-40)
  • At 17
    • Paulo e Silas em Tessalônica (1-9)
    • Paulo e Silas em Bereia (10-15)
    • Paulo em Atenas (16-22a)
    • Discurso de Paulo no Areópago (22b-34)
  • At 18
    • Ministério de Paulo em Corinto (1-17)
    • Volta a Antioquia da Síria (18-22)
    • Paulo parte para a Galácia e a Frígia (23)
    • O eloquente Apolo recebe ajuda (24-28)
  • At 19
    • Paulo em Éfeso; alguns são batizados novamente (1-7)
    • Atividades de ensino de Paulo (8-10)
    • Bons resultados apesar do demonismo (11-20)
    • Tumulto em Éfeso (21-41)
  • At 20
    • Paulo na Macedônia e na Grécia (1-6)
    • Ressurreição de Êutico em Trôade (7-12)
    • De Trôade a Mileto (13-16)
    • Paulo se reúne com anciãos de Éfeso (17-38)
      • Ensino de casa em casa (20)
      • “Mais felicidade em dar” (35)
  • At 21
    • A caminho de Jerusalém (1-14)
    • Chegada a Jerusalém (15-19)
    • Paulo segue o conselho dos anciãos (20-26)
    • Tumulto no templo; Paulo é preso (27-36)
    • Paulo recebe permissão de falar à multidão (37-40)
  • At 22
    • Defesa de Paulo perante a multidão (1-21)
    • Paulo usa sua cidadania romana (22-29)
    • O Sinédrio é reunido (30)
  • At 23
    • Paulo fala perante o Sinédrio (1-10)
    • Paulo encorajado pelo Senhor (11)
    • Conspiração para matar Paulo (12-22)
    • Paulo transferido para Cesareia (23-35)
  • At 24
    • Acusações contra Paulo (1-9)
    • Defesa de Paulo perante Félix (10-21)
    • O caso de Paulo é adiado por dois anos (22-27)
  • At 25
    • Julgamento de Paulo perante Festo (1-12)
      • “Apelo para César!” (11)
    • Festo apresenta o caso ao rei Agripa (13-22)
    • Paulo perante Agripa (23-27)
  •  At 26
    • Defesa de Paulo perante Agripa (1-11)
    • Paulo descreve sua conversão (12-23)
    • Reações de Festo e de Agripa (24-32)
  • At 27
    • Paulo navega para Roma (1-12)
    • Tempestade atinge o navio (13-38)
    • Naufrágio (39-44)
  • At 28
    • Na ilha de Malta (1-6)
    • Curado o pai de Públio (7-10)
    • Continua a viagem para Roma (11-16)
    • Paulo fala com os judeus em Roma (17-29)
    • Paulo prega com coragem por dois anos (30, 31)

Pontos interessantes:

  • Após At 1,13 nenhum outro discípulo, exceto Pedro e João tem seu nome citado no texto
  • Existem 32 citações do Antigo Testamento no livro
  • Atos dos Apóstolos em grego: Πράξεις των Αποστόλων; transliteração.: ton praxeis apostolon; em latim: Acta Apostolorum
  • É o quinto livro do Novo testamento dentro do cânon oficial

15º Encontro (Catequese) – Atos dos Apóstolos

Série: Animo, uma nova Catequese (Encontro 15/40)

folhadeencontromod.3-4

Sugestão para Folha de Encontro

Décimo quinto encontro e chegamos num ponto muito interessante, pois trataremos de parte da base do Crisma, que é o sacramento do Espírito Santo, nada melhor que o próprio livro do Espírito Santo para começar a ilustrar isso.

Para abrir o encontro além dos cumprimentos tradicionais, a sugestão é iniciarmos cantando a bela música Vinde Espírito Santo – Vida Reluz, uma boa canção para também refletirmos sobre a importância do espírito santo na comunidade. Logo em seguida oremos a Invocação ao Espírito Santo (Vinde Espírito Santo)

Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso Amor. Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra.
Oremos: Ó Deus que instruíste os corações dos vossos fiéis, com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos da sua consolação.Por Cristo Senhor Nosso. Amém

Depois poderemos entrar diretamente no tema, contando a história dos Atos dos Apóstolos apontando sempre os principais pontos. depois poderemos dedicar uma à parte para contar a história de São Paulo. (Veja o Aprofundamento ao Catequista)

Uma sugestão neste momento é fazer uma grande oração reflexiva. Com a música O Céu se Abre – Adoração e Vida, bom para que todos fechem os olhos e com a música tocando de fundo, os catequistas (ou um apenas) reflete sobre todos os pedidos que poderiam ser feitos para Deus,pedindo sempre que o Espírito Santo possa repousar sobre cada um. Reserve no minimo 10 minutos para este momento e depois com todos já de olhos abertos cantem a música e no final todos de mãos dadas podem estar rezando o Pai Nosso e uma Ave Maria.

 

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Aprofundamento para o catequista

Os Atos dos Apóstolos [At](Actos dos Apóstolos) (em grego: Πράξεις των Αποστόλων; transl.: ton praxeis apostolon; em latim: Acta Apostolorum) é o quinto livro do Novo Testamento. Geralmente conhecida apenas como Atos, ele descreve a história da Era Apostólica. O autor é tradicionalmente identificado como Lucas, o Evangelista. O Evangelho de Lucas e o livro de Atos formavam apenas dois volumes de uma mesma obra. O objetivo desse livro é mostrar a ação do Espírito Santo na primeira comunidade cristã e, por ela, no mundo em redor. O conteúdo do livro não corresponde ao seu título, porque não se fala de todos os apóstolos, mas somente de Pedro e de Paulo. João e Filipe aparecem apenas como figurantes. Entretanto, não são os atos desses apóstolos que achamos no livro, mas antes a história da difusão do Evangelho, de Jerusalém até Roma, pela ação do Espírito Santo. Um dos pontos importantes é o Pentecostes onde todos os seguidores foram banhados pelo fogo do Espírito Santo após a ascensão de Jesus. Outro ponto é a conversão de Saulo, um dos maiores perseguidores dos cristãos, que se tornaria Paulo e este por sua vez levaria a palavra de Deus para todos do mundo. Os detalhes do inicio da comunidade de fé, com suas dificuldades e tudo o mais também são muito interessantes e provam o quanto a fé deve ser perseverante.

Lucas e o seu conhecimento sobre Jesus é tirado sobretudo do contato com Paulo, de quem foi discípulo. O apóstolo Paulo o cita em várias passagens de suas cartas:

  • Fm 1, 24 – É um dos companheiros de trabalho
  • Cl 4, 14 – O chama de “caro médico”
  • 2Tm 4, 11 – Paulo escreve a Timóteo dizendo que todos o abandonaram, exceto um: “somente Lucas está comigo”, era um momento em que o apóstolo estava preso.

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A obra de Lucas

No complexo, as obras de Lucas se complementam e ao mesmo tempo se distinguem. O Evangelho coloca o seu foco em Jerusalém, que é o ponto de chegada de Cristo, onde ele viverá a paixão, a sua morte e ressurreição. Por outro lado os Atos dos Apóstolos mostram como a mensagem de Cristo, chegada a Jerusalém, se difunde, a partir de Jerusalém, da Pentecostes, a toda  a terra, entre os gentios, chegando no centro do mundo de então, isto é, Roma.

 

 

Objetivo dos Atos dos Apóstolos

No primeiro capítulo da obra, contando a ascensão de Cristo aos céus, Lucas (Atos 1,8) coloca na boca de Jesus as seguintes palavras, dirigidas aos seus discípulos:

“Recebereis uma foraça,  a do Espírito Santo que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e a Samaria, e até os confins da terra”.

O plano dos Atos dos Apóstolos é mostrar como essa missão dada por Jesus aos apóstolos se realiza:

  • A fé se implanta em Jerusalém (capítulos 15)
  • Depois do martírio de Estêvão começa a expansão do cristianismo, graças aos gentios, pagãos convertidos (6,18,3)
  • O Evangelho chega a Samaria (8,4-25)
  • Também em Cesareia, onde os pagãos (gentios) entram pela primeira vez na Igreja (8,2611,18)
  • A mensagem de Cristo chega à Antioquia (11,19 seguintes)
  • Primeira viagem de Paulo leva o Evangelho a Chipre e Ásia Menor (13 14)
  • Na segunda e terceira viagens de Paulo, a Palavra de Jesus chega à Macedônia e Grécia (15,3618,22) e a Éfeso (18,2321,17)
  • Finalmente a mensagem cristã chega em Roma (27 28), que, vista desde Jerusalém, significa “os confins da terra” e Lucas pode encerrar assim o seu livro.

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De Saulo a Paulo?

“Então Saulo, chamado também Paulo, cheio do Espírito Santo, cravou nele os olhos e disse-lhe…” (At 13 ) 

Saulo nunca mudou de nome

Lucas usa pela primeira vez o nome romano Paulo, e a partir deste ponto do texto em todos os seus escritos usa sempre Paulo. Lucas neste momento faz a transferência de Paulo para o primeiro plano na evangelização dos gentios; quer dizer ele não é mais um simples auxiliar de Barnabé, mas é o verdadeiro chefe da missão. É verdadeiramente Paulo seguidor de Cristo. Um judeu convertido ao cristianismo que se chamava Saulo, Batizados por Ananias em Damasco, e que deste momento em diante é o chefe da missão. (a Bíblia.org)

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Significado do nome Saulo:

 A origem do nome Saulo é hebraico, vem de Saul que passa a ser Saulo na literatura grega. O significado do nome Saulo é: “Aquele que foi conseguido por meio de orações”.

Saulo era de Tarso.

Ele não mudou de nome na verdade.

Muitos supõem equivocadamente que Deus mudou o nome de Saulo para Paulo após Saulo se converter do judaísmo para o Cristianismo, o que aconteceu durante seu encontro com Cristo no caminho para Damasco (At 9, 1-9).  Ao contrario da mudança que Jesus fez do nome de “Simão” para “Pedro”, significando o papel especial que ele teria na Igreja (Mt 16,18), no caso de Paulo não houve nenhuma mudança.

Paulo de Tarso nasceu judeu, “circuncidado no oitavo dia, da raça de Israel, da tribo de Benjamim, um hebreu parente dos hebreus, em observância da lei dos fariseus” (Fl 3,5)

O nome hebreu dado de seus pais a ele era Saulo, mas, como seu pai era um cidadão romano (e, no entanto, Saulo herdou a cidadania romana), Saulo também tinha o nome latino “Paulo” (At 16,37), o costume de dois nomes começou a se tornar comum nessa época.

Como ele nasceu em um ambiente fariseu rigoroso, o nome Saulo era o nome mais adequado para usar. Mas depois de sua conversão, Saulo decidiu mudar seu nome para anunciar o Evangelho aos gentios, então ele “limpou” o seu nome romano e se tornou conhecido como Paulo, nome que era conhecido entre os gentios.

Usando o nome romano Paulo ele tinha acesso a alguns lugares em que os judeus sem a cidadania romana não tinham e poderia assim fazer as viagens que fez. Vale salientar que a cidadania romana só era dada a quem não houvesse nascido romano a quem fizesse parte do seu exército, se casasse com um concidadão romano, tivesse alguma influência politica forte ou simplesmente comprasse. No último caso comprar a cidadania romana era muito caro o que mostra que Paulo vinha de uma família de posses.

Não podemos deixar de acreditar de que no meio dos nazarenos (como eram chamados então) Paulo era chamado de Saulo, mas a posterioridade acabou ficando com o primeiro nome, afinal qual foi uma das nações mais poderosas do mundo? Roma. Mas Paulo fez um trabalho muito importante, ele estendeu a pregação das palavras de Jesus para além da Palestina e entendeu que o amor de Cristo deveria e poderia ser compartilhado com todo o mundo.

Leia Mais:

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Evangelho Segundo São Lucas

Animo, uma nova Catequese (Encontro 13/40 – Jesus Cristo – Complemento 8)

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A Boa Nova de Lucas

O terceiro evangelho dos chamados sinóticos (semelhantes entre si, que incluem ainda os evangelhos escritos por Mateus e Marcos) é também o evangelho que mais da atenção as mulheres do tempo de Jesus, o Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas.

O livro de Lucas, ou sua primeira parte tem muitas coisas em comum com Mateus e Marcos, contudo a obra é bem diferente no seu todo.

Em primeiro lugar, por seu caráter grego. Usa a língua grega melhor que os outros, embora não elimine todos os semitismos tradicionais, em grande parte devida à influência do Antigo Testamento.  Dirige-se a leitores desligados de questões judaicas. Oferece uma mensagem mais imediatamente acessível a leitores pagãos. Em segundo lugar, apresenta-se como historiador de estilo grego: cuidadoso ao consultar os fatos, curtidas em viagens, especialmente marítimas.  Menciona um círculo de testemunhas oculares: depois, um grupo de narradores (que poderiam ser os mesmos).  Atrás vem ele para recolher e ordenar. Sem deixar de proclamar a fé, quer fazer obra de historiador. Na hora de compor suas cenas, não é puramente grego: depende de tradições evangélicas escritas e muito provavelmente orais, e segue a grande tradição narrativa hebraica.

E em terceiro lugar porque seu evangelho é nada mais que a primeira parte de uma obra maior, que continua nos Atos dos Apóstolos, também escrito por Lucas provavelmente até antes do próprio evangelho. (Introdução ao Evangelho Segundo Lucas – Bíblia do Peregrino).

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quadro cronológico do evangelho de lucas

Quadro  cronológico

O plano de escrita de Lucas retoma as grandes linhas do texto de Marcos com algumas transposições ou omissões.  Alguns episódios são deslocados (Lc 3,19-20; 4,16-3; 5,1-11; 6,12-19; 22,31-34 etc…), ora por influência de outras tradições, entre as quais deve-se notar a que se reflete igualmente no quarto evangelho. Outros episódios são omitidos, seja com O menos interessantes para os leitores pagãos (cf. Mc 9,11-13), seja para evitar duplicatas (cf. Mc 12,28-34 em comparação com Lc 10,25-28). Notar-se-á, sobretudo a ausência de um correspondente de Mc 6,45-8,26. A diferença mais notável em relação ao segundo evangelho é a longa seção mediana, formada por 9,51-18,14, que é apresentada sob a forma de subida para Jerusalém com auxílio de notações repetidas (Lc 9,51; 13,22; 17,11; cf. Mc 10,1) e onde se verá menos a lembrança real de diferentes viagens do que a insistência proposital sobre uma ideia teológica proposital cara a Lucas: A cidade Santa é o lugar em que se deve realizar a salvação (9,31; 13,33; 18,31; 19,11), foi nela que o evangelho começou (1,5s) e é lá que deve terminar (24,52s) por meio de aparições e conversão que não tem lugar na Galiléia (24,13-51, comparar 24,6 com Mc 16,7 e Mt 28,7.16-20) e é de Jerusalém que deve partir a evangelização do mundo ( Lc 24,47 e At 1,8). Em sentido mais Largo, é a subida de Jesus e do cristão para Deus. (Introdução a Lucas – Bíblia de Jerusalém)

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Lucas pintado como médico

Segundo as tradições Lucas teria sido um médico, Vale ressaltar que a medicina da época era rudimentar e ainda influenciada pelas crenças religiosas dos seus praticantes (veja o quadro descrevendo a Medicina da época).

Sabe-se que ele não era judeu e jamais teve contato direto com Jesus.

No prólogo do seu evangelho ele declara que escreveu baseado nos relatos dos Apóstolos e em pesquisas.

 

Tanto Lucas como Paulo fala de Teófilo e existem duas possíveis explicações Sobre quem seria este personagem.

  1. Poderia ser o financiador da escrita do evangelho. Afinal escrever em manuscritos de papiro ou pergaminho ficava muito caro naquela época.
  2. A tradução do nome Teófilo vem do grego “amigo de Deus” e pode indicar que os textos são escritos a qualquer cristão. Indo bem na direção da filosofia de Lucas e Paulo que se preocupavam em levar a mensagem a qualquer pessoa que aceitasse Jesus.

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Lucas teria sido um seguidor de Paulo, e por isso mesmo é lembrado em diversas cartas, inclusive em 2Tm 4 quando diz que está preso em companhia de Lucas ( este estaria prestando auxílio a Paulo preso em Cesárea – hoje Palestina) e pede que seja trazido Marcos.

Conta à tradição que ele foi perseguido pelos romanos e morreu enforcado pelos pagãos em Beócia, regia da Grécia Antiga. Ele teria 84 anos à época.

São Lucas é o padroeiro dos solteiros, pois segundo a tradição nunca se casou.

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Na liturgia:

Lucas: Símbolo: Touro. Pois logo no início de sua narrativa ele fala de Zacarias que tinha a função de ordenar os sacrifícios no templo. Lc 1,5-25

Como cada ano é dedicado a um dos evangelhos sinóticos, dentro do ciclo de 3 anos o Evangelho de Lucas é o do ano C (sendo A o de Mateus, B o de Marcos e o de João na quaresma e tempo pascal, além de vários tempos dentro da igreja)

 

A Medicina no primeiro século

Os médicos do início do cristianismo tinham ideias muito diferentes das atuais. A menstruação era considerada impura, horrorizada médicos da época e obrigava as mulheres a ficarem reclusão.

A Bíblia mostra claramente essa situação em passagens como esta:

Certa mulher que havia doze anos tinha um fluxo de sangue e muito sofrerá na mão de vários médicos. (Mc 5,25).

Não é a toa que Jesus diz: “Médico, cura-te a ti mesmo.” (Lc 4,23) e Lucas a reproduz no seu evangelho.

“TODA e qualquer doença de pele, contagiosa ou não, era considerada incurável, desde uma espinha ou mancha superficial”, escrevem Luigi Schiavo e Valmor da Silva, no livro Jesus Milagreiro e Exorcista. Seus portadores sofriam preconceito e eram isolados da família. “Aos males físicos associavam-se sentimentos de culpa.” As enfermidades eram consideradas como castigos pelos pecados cometidos e o sofrimento era a única possibilidade de cura. Mesmo assim, a melhor a só ocorria mediante a intervenção de Deus.

“Não foram raros os casos em que os doentes apanharam ou foram colocados na fogueira para ficarem livres dos pecados e dos males”, afirma o biólogo Décio Cassiano Altimari, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Texto extraído do livro Discípulos – Coleção Grandes Heróis Bíblicos – Vol. VI Revista das Religiões  (2005) – Editora Abril

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Página original do Evangelho de Lucas

Fontes:images (4)

 

  • Bíblia do Peregrino
  • Bíblia de Jerusalém
  • Bíblia Sagrada CNBB
  • Bíblia Católica Online
  • Wikipedia
  • Livro: Um Santo para Cada Dia – Edições Paulinas

13º Encontro (Catequese) – Evangelho de Lucas

Série: Animo, uma nova Catequese (Encontro 13/40)  

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Sugestão de folha de encontro

São Lucas, o Evangelista (do grego antigo Λουκᾶς, Loukás) é, segundo, a tradição, o autor do Evangelho de São Lucas e dos Atos dos Apóstolos – o terceiro e quinto livros do Novo Testamento. É o santo padroeiro dos pintores, médicos, genealogistas e curandeiros. É celebrado no dia 18 de Outubro. Chamado por Paulo de “O Médico Amado” (Colossenses 4,14), pode ter sido um dos cristãos do primeiro século que conviveu pessoalmente com os doze apóstolos. Lucas foi um médico grego que viveu na cidade grega de Antioquia, na Síria Antiga. A primeira referência a Lucas encontra-se na Epístola a Filemon de Paulo de Tarso, no versículo 24. É mencionado também na epístola aos Colossenses, 4,14 , bem como na segunda epístola a Timóteo 4,11. De todos os evangelhos é justamente o de Lucas que mais fala das mulheres que acompanhavam Jesus, sua mãe Maria e todas as outras.

Neste nosso encontro a sugestão é dinamizar um pouco mais a forma de passarmos o tema e também a integração pela dinâmica. Em tempo também é hora de começar a organizar os catecúmenos que passarão pelo Batismo, já que o tempo urge.

Sugiro sempre o inicio de uma maneira mais alegre, por isso após os cumprimentos vamos cantar  e hoje a canção também faz parte da oração. A sugestão é a bela música Cordeiro Imolado Comunidade Doce Mãe de Deus e assim que cantarmos já entramos na oração inicial que pode ser Pai Nosso, Ave Maria e o Vinde Espírito Santo.

Falar um pouco sobre as documentações e preparação para o Batismo dos que precisarão receber este sacramento. Se possível já ter a data dos cursos de pais e padrinhos e a data do recebimento do sacramento, por se tratar de adultos (jovens e adultos) é importante que seja em uma missa separada do batismo das crianças. Lembrar que isso depende da agenda que a Pastoral tiver fechado com a igreja e o padre. Então a minha sugestão é para que não seja deixado para última hora prejudicando o trabalho a ser desenvolvido. Alerto que pela minha experiência o melhor a fazer é sempre deixar tudo acertado antes porque se algum catequizando acaba sendo prejudicado por perder um sacramento isto reflete em como ele(a) verá a própria comunidade e isto também afeta a família. É importante levarmos em conta os sentimentos gerados por uma frustração desse tipo. Estamos fazendo uma vivência na fé e só será possível à partir da organização séria, primeiro da Pastoral da Catequese e depois da própria comunidade (Paróquia) onde o grupo está inserido. Não sejamos levianos ou inocentes de achar que a preparação para os sacramentos é algo que pode ser feito de forma amadora (tem que ter seriedade e muita, afinal se trata de fiéis e irmãos da nossa igreja), tudo tem que ser organizado.

Como quarto momento vamos direto ao tema. Quem foi Lucas? Acho importante frisar que na sociedade machista da época as mulheres não tinham voz, e quando iam no templo ficavam em uma edicula (espaço reservado) separado dos homens que iam prestar o culto. Falar sobre como foi Lucas quem dos evangelistas mais citou a participação das mulheres na missão de Jesus.

Citar como exemplo todo o texto de Lucas 1. Frisando Lc 1, 26-38 (Anunciação) e Lc 1, 57-66 (Zacarias acolhe a vontade de Isabel). O ideal é ler o texto todo e depois relermos estes dois pontos. Primeiro que se trata do anúncio da vinda de Jesus e depois do nascimento do último profeta antes da vinda do salvador com o detalhe de que não era comum uma mulher poder escolher o nome do filho e geralmente o nome do primogênito seguia o nome do pai e mais incomum ainda era o homem acolher a sugestão da mulher ainda mais em se tratando de um alto sacerdote do templo, caso de Zacarias. Isso já mostra como Lucas trataria a história de Jesus. Também sugiro que seja lido Lucas 24. Frisando Lc 24, 1-11 (As mulheres são as primeiras a saberem da ressurreição), depois de ler o texto releia o trecho e perceba que bem no final do seu evangelho Lucas ainda fala das mulheres e nomeia as que estavam acompanhando a missão de Jesus e descobriram que o mestre havia ressuscitado, detalhe importante “”Então elas se lembraram das palavras de Jesus” (Lc 24, 8) o que deixa claro que além dos 12 escolhidos e outros seguidores estas mulheres aprenderam diretamente com Jesus, preste atenção que Maria Madalena é citada sempre.

Mas e as mulheres tem a igualdade nos tempos de hoje?

Sugiro que seja feito esta discussão logo após falarmos de Lucas e de seu evangelho. Citar a desigualdade salarial, a violência sofrida pelas mulheres, a exploração sexual (tanto das que vão para a prostituição como das exploradas todos os dias), a exploração visual onde a mulher é vista como objeto e exposta na televisão e internet apenas como algo sexy. Qual é a opinião dos jovens e adultos que estão nesta vivência na fé. É importante uma preparação para abordagem do tema porque existe também a questão das mulheres não serem ordenadas presbíteras (padres) na nossa igreja e isso ser um dogma que precisa ainda de muita oração e compreensão, difícil. Então é um tema interessante para ser discutido pois teoricamente são estes catequizandos que estarão futuramente a frente da igreja

Dinâmica do Corpo Humano

O principal objetivo é a interação e trabalho em grupo de todos a fim de atingir a meta final.

Material: folha sulfite , cartolina de varias cores ,lápis de cor, fita crepe, tesoura sem ponta, canetinhas,  lápis de cera.

Procedimento: Para essa atividade os candidatos deverá se agrupar em 3 equipes.  Dependendo do numero de pessoas  faça  mais  ou  menos  grupos. Sempre  aplicar  com  mais de 9 pessoas, de  no  mínimo 3 pessoas por  grupo para  um melhor  resultado.

As equipes deverão desenhar em  15 minutos uma das partes do  corpo humano indicadas a seguir:

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1º grupo: cabeça e pescoço; tronco;

2º grupo : braço direito; perna direita;

3º grupo: braço esquerdo; perna esquerda.

Se o grupo for muito numeroso faça mais equipes. É muito divertido. Você deve adaptar as partes do corpo de acordo com o número de grupos, use a  criatividade.

Finalizada a tarefa, um representante de cada grupo deverá se levantar e colar com fita crepe num painel ou  parede  ou  até  mesmo  no  chão as partes desenhadas compondo o corpo humano num todo, como  um  quebra  cabeça.

Em debate coletivo argumentem sobre o resultado do trabalho que as equipes elaboraram individualmente. Pensem em estratégias que facilitem o trabalho coletivo. Faça  vários  questionamentos,  como:

  • Porque as  partes  estão  diferente se uma  parte  é  complemento  da  outra.
  • Por  que uma  equipe não   se  interagiu  com  a  outra   para um  melhor  resultado? Não foi dito que não poderiam conversar.
  • Por que agiram como se fosse uma competição?
  • Porque quem terminou primeiro não ofereceu ajuda aos outros?
  • Como  esta  dinâmica pode  te ajudar  na sua vida?

A questão é que em tudo na vida pode ser encarado como uma competição. Na verdade a ideia de ser da comunidade é justamente agirmos como irmãos, onde um auxilia o outro no objetivo maior que é seguir a Jesus. Foi o próprio Jesus quem disse que devemos amar uns aos outros como a nós mesmos. Fica a dica: ás vezes é melhor se unir a outras pessoas do que simplesmente tentar algo sozinho. Deus quer a união acima de tudo.

Depois da dinâmica podemos fazer o nosso canto final, como oração também. Primeiro rezemos a oração de São Lucas (veja no destaque) e depois vamos escutar de olhos fechados a música Restauração Padre Zeca e refletir interiormente no silêncio como poderemos ser pessoas novas. Depois podemos partir na paz.

Oração a São Lucas Evangelista


Ó São Lucas, glorioso apóstolo e evangelista, eu vos saúdo pelo Coração de Jesus; e pela alegria e doçura que o vosso coração sentiu ao ensinar, do Divino Mestre, o Pai Nosso aos apóstolos.

Alcançai-me a graça de seguir com fidelidade a Jesus, pelo seu caminho, com a sua verdade em favor da vida.

Ó meu bom São Lucas, médico, que com vossas santas mãos, invocando o nome de Deus, curastes tantos enfermos de tão graves enfermidades, rogai ao bom Jesus que me livre das enfermidades do corpo e do espírito, se for do agrado de Deus. E para maior glória por toda a eternidade.

Amém

Aprofundamento para o Catequista

São Lucas

O terceiro evangelho no cânon oficial da Bíblia é conferido a São Lucas e faz parte também dos chamados Evangelhos Sinóticos (junto com os livros de Mateus e Marcos).

Lucas foi o companheiro de Paulo, e segundo a quase unânime crença da antiga igreja, escreveu o evangelho que é designado pelo seu nome, e também os Atos dos Apóstolos.
Ele é mencionado somente três vezes pelo seu nome no Novo Testamento (Cl 4,14 – 2 Tm 4,11 – Fm 24). Pouco se sabe a respeito da sua vida. Têm alguns estudos que dão conta de que ele fez parte dos setenta discípulos, mandados por Jesus a evangelizar (Lc 10,1) – outros pensam que foi um daqueles gregos que desejavam vê-lo (Jo 12,20) – e também considerando que Lucas é uma abreviação de Lucanos, já têm alguns querendo identificá-lo com Lúcio de Cirene (At 13,1).
Dois dos Pais da igreja dizem que era sírio, natural de Antioquia. Na verdade não parece ter sido de nascimento judaico (Cl 4,11).
Era médico (Cl 4,14). Ele não foi testemunha ocular dos acontecimentos que narra no Evangelho (Lc 1,2), embora isso não exclua a possibilidade de ter estado com os que seguiam a Jesus Cristo.
Todavia, muito se pode inferir do emprego do pronome da primeira pessoa na linguagem dos Atos. Parece que Lucas se juntou a Paulo em Trôade (At 16,10), e foi com ele até à Macedônia – depois viajou com o mesmo Apóstolo até Filipos, onde tinha relações, ficando provavelmente ali por certo tempo (At 17,1).
Uns sete anos mais tarde, quando Paulo, dirigindo-se a Jerusalém, visitou Filipos, Lucas juntou-se novamente com ele (At 20,5). Se Lucas era aquele ‘irmão’, de que se fala em 2 Cor 8,18, o intervalo devia ter sido preenchido com o ativo ministério. Lucas acompanhou Paulo a Jerusalém (At 21,18) e com ele fez viagem para Roma (At 21,1). E nesta cidade esteve com o Apóstolo durante a sua primeira prisão (Cl 4,14 – Fm 24) – e achava-se aí também durante o segundo encarceramento, precisamente pouco antes da morte de Paulo (2 Tm 4,11). Uma tradição cristã apresenta como pregando o Evangelho no sul da Europa, encontrando na Grécia a morte de um mártir.

Jesus chama Maria apenas de mulher e não de mãe. Por quê?

A dura pedagogia de Jesus com sua Mãe na Sua infância, na Sua vida pública, e na Paixão do Senhor, provém da sabedoria divina, que não é compreendida por todos os homens (cf. Mt 11, 25). “Maria é a obra-prima por excelência do Altíssimo, cujo conhecimento e domínio ele reservou para si. Maria é a Mãe admirável do Filho, a quem aprouve humilhá-la e ocultá-la durante a vida para lhe favorecer a humildade, tratando-a de “Mulher” (Jo 2, 4; 19, 26), como a uma estrangeira, conquanto em seu Coração a estimasse e amasse mais que todos os anjos e homens”

Assim, Santo Agostinho e São Luís Maria Grignion de Montfort nos ajudam a compreender porque Jesus por vezes parece ser duro e desprezar sua Mãe. Agostinho nos ajuda a entender que longe de ser mal educado com a Virgem Maria, o Mestre queria chamar a nossa atenção para o fato de que Ele é Deus e pode realizar o impossível, ainda que não seja o tempo. Por sua vez, São Luís Maria nos ensina que tratando sua Mãe por “mulher”, Jesus favorecia a humildade de Nossa Senhora. Como verdadeiro pai espiritual, Jesus Cristo ensinou e continua a nos ensinar que Ele é Deus e que favoreceu a humildade da Virgem Maria em vista da sua maternidade espiritual sobre os filhos de Deus.

Monsenhor Jonas Abib fundador da Canção Nova nos traz que:

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“Quando Jesus chama Maria de mulher, está dizendo que ela é a mulher do Gênesis, a prometida que esmagaria a cabeça da serpente. Isso me facilitou, abriu o caminho para que entendesse as vezes que Jesus a chama assim. Houve outra situação em que Jesus a chamou de mulher, quando Ele estava na cruz e Ele a entregou a João: “Mulher, eis aí teu filho”. Com isso ele está dizendo: “Mulher, assim você está esmagando a cabeça da serpente”. Depois, fui verificar que, no livro do Apocalipse, Maria também é chamada de “mulher”. Esse foi o triunfo da mulher do Gênesis, aquela que tem  a vitória junto a Jesus. Maria é a mulher do Gênesis, do Apocalipse, das Bodas de Caná e dos pés da cruz. Nós também podemos chamá-la de ‘mulher’ como Jesus a chamou.

Se você já teve seu encontro com o Senhor, sabe do que eu estou falando; mas se ainda não teve essa graça, peça-a a Virgem de Nazaré. Foi necessário que eu saísse do seminário para ter um encontro com Cristo. Peçamos que a Mulher do Gênesis ao Apocalipse interceda por seu encontro pessoal com Jesus. Se você já o teve, que ela interceda pela renovação e manutenção desse encontro.”

Avaliando (isso por mim) é importante lembrar que a própria sociedade no tempo de Jesus relegava as mulheres um papel secundário e até submisso, e ele era um judeu comum apesar de toda a sua divindade, seguia a tradição como parte humana de Deus. Mas os estudos que os teólogos fazem e falam da possibilidade de que Jesus só tratava sua mãe assim para esconder sua importância é realmente interessante

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Alguns estudiosos também dizem que Lucas era um excelente pintor

 

 

Fontes: