Como Rezar O Santo Terço e a Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae

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O Santo Terço é um momento muito especial de oração do fiel católico. Diz a história que durante os séculos em que a missa era rezada em latim, e muitas pessoas (apesar de terem fé) não compreendiam a língua, muitas vezes por serem pobres e nem terem a oportunidade de estudar e outras até ricas também não compreenderem a língua, muitas pessoas rezavam a Ave Maria (que era uma oração conhecida) enquanto o sacerdote fazia os ritos da missa.

O Rosário começou a tomar forma como oração própria dos leigos. Entre os historiadores não há uma unanimidade, mas normalmente afirma-se que o Rosário surgiu aproximadamente a partir do ano 800, à sombra dos mosteiros, como Saltério dos leigos. Os monges rezavam os 150 salmos e os leigos, que em sua maioria não sabiam ler, aprenderam a rezar 150 Pai-nossos. Além da dificuldade na leitura, a maioria das pessoas naquele tempo não tinha acesso às Sagradas Escrituras. A imprensa ainda não havia sido inventada. Por isso, um exemplar da Bíblia custava muito caro, o que a tornava acessível a poucas pessoas.

Com o passar do tempo, formaram-se outros três saltérios com: 150 Ave-Marias; 150 louvores em honra a Jesus Cristo; e 150 louvores em honra a Virgem Maria. Em 1365, fez-se uma combinação dos quatro saltérios, dividindo as 150 Ave-Marias em 15 dezenas e colocando um Pai-nosso no início de cada uma delas. “Em 1500 ficou estabelecido, para cada dezena a meditação de um episódio da vida de Jesus ou Maria, e assim surgiu o Rosário de quinze mistérios”

Papa São João Paulo II dedicou uma encíclica ao Santo Terço. Nela, o Santo Padre afirma:

“O Rosário coloca-se ao serviço do ideal de que, pela fé, Jesus habita os corações, oferecendo o ‘segredo’ para abrir-se mais facilmente a um conhecimento profundo e empenhado de Cristo. Digamos que é o caminho de Maria, o caminho do exemplo da Virgem de Nazaré, mulher de , silêncio e escuta. É, ao mesmo tempo, o caminho de uma devoção mariana animada pela certeza da relação indivisível que liga Cristo a Sua Mãe Santíssima: os mistérios de Cristo são também, de certo modo, os mistérios da Mãe, mesmo quando não está diretamente envolvida, pelo fato de ela viver d’Ele e para Ele. Na Ave-Maria, apropriando-nos das palavras do Arcanjo Gabriel e de Santa Isabel, sentimo-nos levados a procurar sempre de novo, em Maria, nos seus braços e no seu coração, o fruto bendito do seu ventre (cf. Lc 1,42)” – Trecho da Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, do Sumo Pontífice São João Paulo

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  • Inicia-se segurando pela cruz, com a oração do Creio
  • Reza-se um Pai-Nosso, seguido de três Ave-Maria (Cada Ave-Maria é precedida de uma oração. Vide orações abaixo)
  • Recita-se: Glória ao Pai, ao Filho…
  • O terço possui 5 dezenas. A cada dezena contempla-se o mistério, seguido de 1 Pai-Nosso e 10 Ave-Maria
  • Ao final de cada dezena reza-se Glória ao Pai seguido da jaculatória Oh! meu bom Jesus… (vide orações abaixo)
  • Ao concluir as 5 dezenas, reza-se os agradecimentos

Orações do Santo Terço

Orações do Santo Terço na sequência da oração.

Oferecimento do Terço

Divino Jesus, eu vos ofereço este terço (Rosário) que vou rezar, contemplando os mistérios de nossa Redenção. Concedei-me, pela intercessão de Maria, vossa Mãe Santíssima, a quem me dirijo, as graças necessárias para bem rezá-lo para ganhar as indulgências desta santa devoção.

Creio em Deus Pai

Creio em Deus Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra, e em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia; subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai todo poderoso, donde há de vir julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna. Amém.

Pai Nosso

Pai Nosso que estais no Céu, santificado seja o Vosso nome, venha a nós o Vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossa ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.

Ave Maria

Ave Maria cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre Jesus. Santa Maria Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.

  • A primeira Ave-Maria em honra a Deus Pai que nos criou [Ave-Maria…]
  • A segunda Ave Maria a Deus Filho que nos remiu: [Ave-Maria…]
  • A terceira Ave Maria ao Espírito Santo que nos santifica: [Ave-Maria…]
  • Amém.

Glória ao Pai

  • Glória ao Pai, ao Filho e o Espírito Santo. Como era no princípio, agora é sempre. Amém.

Oh! Meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente as que mais precisarem. Amém.

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Na oração do Rosário contemplam-se todos os mistérios. No caso da oração do Terço, contempla-se um dos mistérios, conforme dias e mistérios a seguir:

Mistérios Gozosos (segundas e sábados, e nos domingos do Advento)

1- Anunciação do Arcanjo São Gabriel à nossa Senhora.
No primeiro mistério contemplemos a Anunciação do Arcanjo São Gabriel à Nossa Senhora.

2- A visita de Nossa Senhora à sua prima Santa Isabel.
No segundo mistério contemplemos a Visitação de Nossa Senhora à sua prima Santa Isabel.

3- O nascimento de Jesus em Belém.
No terceiro mistério contemplemos o Nascimento do Menino Jesus em Belém.

4- A apresentação do Menino Jesus no Tempo.
No quarto mistério contemplemos a Apresentação do Menino Jesus no templo e a Purificação de Nossa Senhora.

5- Encontro de Jesus no Templo entre os Doutores da Lei.
No quinto mistério contemplemos a Perda e o Encontro do Menino Jesus no templo.

Mistérios Dolorosos (terças e sextas-feiras, e domingos da Quaresma até a Páscoa)

1- A agonia de Jesus no Horto das Oliveiras.
No primeiro mistério contemplemos a Agonia de Cristo Nosso Senhor, quando suou sangue no Horto.

2- A flagelação de Jesus atado à coluna.
No segundo mistério contemplemos a Flagelação de Jesus Cristo atado à coluna.

3- A coroação de espinhos de Jesus.
No terceiro mistério contemplemos a Coroação de espinho de Nosso Senhor.

4- A subida dolorosa do Calvário.
No quarto mistério contemplemos Jesus Cristo carregando a Cruz para o Calvário.

5- A morte de Jesus.
No quinto mistério contemplemos a Crucificação e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Mistérios Gloriosos (quartas-feiras e domingos da Páscoa até o Advento)

1- A ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.
No primeiro mistério contemplemos a Ressurreição de Cristo Nosso Senhor.

2- A ascensão admirável de Jesus Cristo ao céu.
No segundo mistério contemplemos a Ascensão de Nosso Senhor ao Céu.

3- A vinda do Espírito Santo.
No terceiro mistério contemplemos a Vinda do Espírito Santo sobre os Apóstolos reunidos com Maria Santíssima no Cenáculo em Jerusalém.

4- A assunção de Nossa Senhora no Céu.
No quarto mistério contemplemos a Assunção de Nossa Senhora ao Céu.

5- A coroação de Nossa Senhora no Céu .
No quinto mistério contemplemos a Coroação de Nossa Senhora no Céu como Rainha de todos os anjos e santos.

Mistérios Luminosos (quinta-feira)

1- Batismo de Jesus no rio Jordão.
No primeiro mistério contemplemos o Batismo de Jesus no rio Jordão.

2- Auto revelação de Jesus nas Bodas de Caná.
No segundo mistério contemplemos a Auto-revelação de Jesus nas Bodas de Caná.

3- Anúncio do Reino de Deus.
No terceiro mistério contemplemos o Anúncio do Reino de Deus.

4- Transfiguração de Jesus.
No quarto mistério contemplemos a Transfiguração de Jesus.

5- Instituição da Eucaristia.
No quinto mistério contemplemos a Instituição da Eucaristia.

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Agradecimentos

Infinitas graças vos damos, Soberana Rainha, pelos benefícios que todos os dias recebemos de vossa mão liberais. Dignai-vos, agora e para sempre, tomar-nos debaixo do vosso poderoso amparo e para mais vos obrigar vos saudamos com uma Salve Rainha:

Salve Rainha, Mãe de Misericórdia, vida, doçura, esperança nossa, salve! A vós bradamos, os degredados filhos de Eva; a vós suspiramos gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia, pois, advogada nossa esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei, e depois deste desterro nos mostrai a Jesus, bendito fruto do vosso ventre, ó Clemente, ó Piedosa, ó Doce, sempre virgem Maria.

V. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus,
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém.

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Aleteia.org

Algumas abreviaturas dos livros da Bíblia são um pouco diferentes das usadas no Brasil, como a carta foi retirada do site do Vaticano e estava em Português de Portugal achamos melhor manter como estava sem prejuízo a compreensão.

CARTA APOSTÓLICA
ROSARIUM VIRGINIS MARIAE
DO SUMO PONTÍFICE
JOÃO PAULO II
AO EPISCOPADO
AO CLERO E AOS FIÉIS
SOBRE O ROSÁRIO

INTRODUÇÃO

1. O Rosário da Virgem Maria (Rosarium Virginis Mariae), que ao sopro do Espírito de Deus se foi formando gradualmente no segundo Milênio, é oração amada por numerosos Santos e estimulada pelo Magistério. Na sua simplicidade e profundidade, permanece, mesmo no terceiro Milênio recém iniciado, uma oração de grande significado e destinada a produzir frutos de santidade. Ela enquadra-se perfeitamente no caminho espiritual de um cristianismo que, passados dois mil anos, nada perdeu do seu frescor original, e sente-se impulsionado pelo Espírito de Deus a « fazer-se ao largo » (duc in altum!) para reafirmar, melhor « gritar » Cristo ao mundo como Senhor e Salvador, como « caminho, verdade e vida » (Jo 14, 6), como « o fim da história humana, o ponto para onde tendem os desejos da história e da civilização ».(1)

O Rosário, de facto, ainda que caracterizado pela sua fisionomia mariana, no seu âmago é oração cristológica. Na sobriedade dos seus elementos, concentra a profundidade de toda a mensagem evangélica, da qual é quase um compêndio.(2) Nele ecoa a oração de Maria, o seu perene Magnificat pela obra da Encarnação redentora iniciada no seu ventre virginal. Com ele, o povo cristão frequenta a escola de Maria, para deixar-se introduzir na contemplação da beleza do rosto de Cristo e na experiência da profundidade do seu amor. Mediante o Rosário, o crente alcança a graça em abundância, como se a recebesse das mesmas mãos da Mãe do Redentor.

Os Romanos Pontífices e o Rosário

2. Muitos dos meus Predecessores atribuíram grande importância a esta oração. Merecimento particular teve, a propósito, Leão XIII que, no dia 1 de Setembro de 1883, promulgava a Encíclica Supremi apostolatus officio,(3) alto pronunciamento com o qual inaugurava numerosas outras declarações sobre esta oração, indicando-a como instrumento espiritual eficaz contra os males da sociedade. Entre os Papas mais recentes, já na época conciliar, que se distinguiram na promoção do Rosário, desejo recordar o Beato João XXIII(4) e sobretudo Paulo VI que, na Exortação apostólica Marialis cultus, destacou, em harmonia com a inspiração do Concílio Vaticano II, o carácter evangélico do Rosário e a sua orientação cristológica.

Eu mesmo não descurei ocasião para exortar à frequente recitação do Rosário. Desde a minha juventude, esta oração teve um lugar importante na minha vida espiritual. Trouxe-mo à memória a minha recente viagem à Polônia, sobretudo a visita ao Santuário de Kalwaria. O Rosário acompanhou-me nos momentos de alegria e nas provações. A ele confiei tantas preocupações; nele encontrei sempre conforto. Vinte e quatro anos atrás, no dia 29 de Outubro de 1978, apenas duas semanas depois da minha eleição para a Sé de Pedro, quase numa confidência, assim me exprimia: « O Rosário é a minha oração predileta. Oração maravilhosa! Maravilhosa na simplicidade e na profundidade. […] Pode dizer-se que o Rosário é, em certo modo, um comentário-prece do último capítulo da Constituição Lumen gentium do Vaticano II, capítulo que trata da admirável presença da Mãe de Deus no mistério de Cristo e da Igreja. De facto, sobre o fundo das palavras da “Ave Maria” passam diante dos olhos da alma os principais episódios da vida de Jesus Cristo. Eles dispõem-se no conjunto dos mistérios gozosos, dolorosos e gloriosos, e põem-nos em comunhão viva com Jesus – poderíamos dizer– através do Coração de Sua Mãe. Ao mesmo tempo o nosso coração pode incluir nestas dezenas do Rosário todos os factos que formam a vida do indivíduo, da família, da nação, da Igreja e da humanidade. Acontecimentos pessoais e do próximo, e de modo particular daqueles que nos são mais familiares e que mais estimamos. Assim a simples oração do Rosário marca o ritmo da vida humana ».(5)

Com estas palavras, meus caros Irmãos e Irmãs, inseria no ritmo quotidiano do Rosário o meu primeiro ano de Pontificado. Hoje, no início do vigésimo quinto ano de serviço como Sucessor de Pedro, desejo fazer o mesmo. Quantas graças recebi nestes anos da Virgem Santa através do Rosário: Magnificat anima mea Dominum! Desejo elevar ao Senhor o meu agradecimento com as palavras da sua Mãe Santíssima, sob cuja proteção coloquei o meu ministério petrino: Totus tuus!

Outubro 2002 – Outubro 2003: Ano do Rosário

3. Por isso, na esteira da reflexão oferecida na Carta apostólica Novo millennio ineunte na qual convidei o Povo de Deus, após a experiência jubilar, a « partir de Cristo »,(6) senti a necessidade de desenvolver uma reflexão sobre o Rosário, uma espécie de coroação mariana da referida Carta apostólica, para exortar à contemplação do rosto de Cristo na companhia e na escola de sua Mãe Santíssima. Com efeito, recitar o Rosário nada mais é senão contemplar com Maria o rosto de Cristo. Para dar maior relevo a este convite, e tomando como ocasião a próxima efeméride dos cento e vinte anos da mencionada Encíclica de Leão XIII, desejo que esta oração seja especialmente proposta e valorizada nas várias comunidades cristãs durante o ano. Proclamo, portanto, o período que vai de Outubro deste ano até Outubro de 2003 Ano do Rosário.

Deixo esta indicação pastoral à iniciativa das diversas comunidades eclesiais. Com ela não pretendo dificultar, mas antes integrar e consolidar os planos pastorais das Igrejas particulares. Espero que ela seja acolhida com generosidade e solicitude. O Rosário, quando descoberto no seu pleno significado, conduz ao âmago da vida cristã, oferecendo uma ordinária e fecunda oportunidade espiritual e pedagógica para a contemplação pessoal, a formação do Povo de Deus e a nova evangelização. Apraz-me reafirmá-lo, também, na recordação feliz de outro aniversário: os 40 anos do início do Concílio Ecumênico Vaticano II (11 de Outubro de 1962), a « grande graça » predisposta pelo Espírito de Deus para a Igreja do nosso tempo.(7)

Objecções ao Rosário

4. A oportunidade desta iniciativa emerge de distintas considerações. A primeira refere-se à urgência de fazer frente a uma certa crise desta oração, correndo o risco, no actual contexto histórico e teológico, de ser erradamente debilitada no seu valor e, por conseguinte, escassamente proposta às novas gerações. Pensam alguns que a centralidade da Liturgia, justamente ressaltada pelo Concílio Ecumênico Vaticano II, tenha como necessária consequência uma diminuição da importância do Rosário. Na verdade, como precisou Paulo VI, esta oração não só não se opõe à Liturgia, mas serve-lhe de apoio, visto que introduz nela e dá-lhe continuidade, permitindo vivê-la com plena participação interior e recolhendo seus frutos na vida quotidiana.

Pode haver também quem tema que o Rosário possa revelar-se pouco ecumênico pelo seu carácter marcadamente mariano. Na verdade, situa-se no mais claro horizonte de um culto à Mãe de Deus tal como o Concílio delineou: um culto orientado ao centro cristológico da fé cristã, de forma que, « honrando a Mãe, melhor se conheça, ame e glorifique o Filho ».(8) Se adequadamente compreendido, o Rosário é certamente uma ajuda, não um obstáculo, para o ecumenismo!

Caminho de contemplação

5. Porém, o motivo mais importante para propor com insistência a prática do Rosário reside no facto de este constituir um meio valiadíssimo para favorecer entre os crentes aquele compromisso de contemplação do mistério cristão que propus, na Carta apostólica Novo millennio ineunte, como verdadeira e própria pedagogia da santidade: « Há necessidade dum cristianismo que se destaque principalmente pela arte da oração ».(9)Enquanto que na cultura contemporânea, mesmo entre tantas contradições, emerge uma nova exigência de espiritualidade, solicitada inclusive pela influência de outras religiões, é extremamente urgente que as nossas comunidades cristãs se tornem « autênticas escolas de oração ».(10)

O Rosário situa-se na melhor e mais garantida tradição da contemplação cristã. Desenvolvido no Ocidente, é oração tipicamente meditativa e corresponde, de certo modo, à « oração do coração » ou « oração de Jesus » germinada no húmus do Oriente cristão.

Oração pela paz e pela família

6. A dar maior atualidade ao relançamento do Rosário temos algumas circunstâncias históricas. A primeira delas é a urgência de invocar de Deus o dom da paz. O Rosário foi, por diversas vezes, proposto pelos meus Predecessores e mesmo por mim como oração pela paz. No início de um Milênio, que começou com as cenas assustadoras do atentado de 11 de Setembro de 2001 e que regista, cada dia, em tantas partes do mundo novas situações de sangue e violência, descobrir novamente o Rosário significa mergulhar na contemplação do mistério d’Aquele que « é a nossa paz », tendo feito « de dois povos um só, destruindo o muro da inimizade que os separava » (Ef 2, 14). Portanto não se pode recitar o Rosário sem sentir-se chamado a um preciso compromisso de serviço à paz, especialmente na terra de Jesus, tão atormentada ainda, e tão querida ao coração cristão.

Análoga urgência de empenho e de oração surge de outra realidade crítica da nossa época, a da família, célula da sociedade, cada vez mais ameaçada por forças desagregadoras a nível ideológico e prático, que fazem temer pelo futuro desta instituição fundamental e imprescindível e, consequentemente, pela sorte da sociedade inteira. O relançamento do Rosário nas famílias cristãs, no âmbito de uma pastoral mais ampla da família, propõe-se como ajuda eficaz para conter os efeitos devastantes desta crise da nossa época.

« Eis a tua mãe! » (Jo 19, 27)

7. Numerosos sinais demonstram quanto a Virgem Maria queira, também hoje, precisamente através desta oração, exercer aquele cuidado maternal ao qual o Redentor prestes a morrer confiou, na pessoa do discípulo predileto, todos os filhos da Igreja: « Mulher, eis aí o teu filho » (Jo 19, 26). São conhecidas, ao longo dos séculos XIX e XX, várias ocasiões, nas quais a Mãe de Cristo fez, de algum modo, sentir a sua presença e a sua voz para exortar o Povo de Deus a esta forma de oração contemplativa. Em particular desejo lembrar, pela incisiva influência que conservam na vida dos cristãos e pelo reconhecimento recebido da Igreja, as aparições de Lourdes e de Fátima,(11) cujos respectivos Santuários são meta de numerosos peregrinos, em busca de conforto e de esperança.

Na senda das testemunhas

8. Seria impossível citar a multidão sem conta de Santos que encontraram no Rosário um autêntico caminho de santificação. Bastará recordar S. Luís Maria Grignion de Montfort, autor de uma preciosa obra sobre o Rosário(12); e, em nossos dias, Padre Pio de Pietrelcina, que recentemente tive a alegria de canonizar. Além disso um carisma especial, como verdadeiro apóstolo do Rosário, teve o Beato Bártolo Longo. O seu caminho de santidade assenta numa inspiração ouvida no fundo do coração: « Quem difunde o Rosário, salva-se! ».(13) Baseado nisto, ele sentiu-se chamado a construir em Pompeia um templo dedicado à Virgem do Santo Rosário no cenário dos restos da antiga cidade, ainda pouco tocada pelo anúncio cristão quando foi sepultada em 79 pela erupção do Vesúvio e surgida das suas cinzas séculos depois como testemunho das luzes e sombras da civilização clássica.

Com toda a sua obra e, de modo particular, através dos « Quinze Sábados », Bártolo Longo desenvolveu a alma cristológica e contemplativa do Rosário, encontrando particular estímulo e apoio em Leão XIII, o “Papa do Rosário”.

CAPÍTULO I

CONTEMPLAR CRISTO
COM MARIA

Um rosto resplandecente como o sol

9. « Transfigurou-Se diante deles: o seu rosto resplandeceu como o sol » (Mt 17, 2). A cena evangélica da transfiguração de Cristo, na qual os três apóstolos Pedro, Tiago e João aparecem como que extasiados pela beleza do Redentor, pode ser tomada como ícone da contemplação cristã. Fixar os olhos no rosto de Cristo, reconhecer o seu mistério no caminho ordinário e doloroso da sua humanidade, até perceber o brilho divino definitivamente manifestado no Ressuscitado glorificado à direita do Pai, é a tarefa de cada discípulo de Cristo; é por conseguinte também a nossa tarefa. Contemplando este rosto, dispomos-nos a acolher o mistério da vida trinitária, para experimentar sempre de novo o amor do Pai e gozar da alegria do Espírito Santo. Realiza-se assim também para nós a palavra de S. Paulo: « Refletindo a glória do Senhor, como um espelho, somos transformados de glória em glória, nessa mesma imagem, sempre mais resplandecente, pela ação do Espírito do Senhor » (2Cor 3, 18).

Maria, modelo de contemplação

10. A contemplação de Cristo tem em Maria o seu modelo insuperável. O rosto do Filho pertence-lhe sob um título especial. Foi no seu ventre que Se plasmou, recebendo d’Ela também uma semelhança humana que evoca uma intimidade espiritual certamente ainda maior. À contemplação do rosto de Cristo, ninguém se dedicou com a mesma assiduidade de Maria. Os olhos do seu coração concentram-se de algum modo sobre Ele já na Anunciação, quando O concebe por obra do Espírito Santo; nos meses seguintes, começa a sentir sua presença e a pressagiar os contornos. Quando finalmente O dá à luz em Belém, também os seus olhos de carne podem fixar-se com ternura no rosto do Filho, que envolveu em panos e recostou numa manjedoura (cf. Lc 2, 7).

Desde então o seu olhar, cheio sempre de reverente estupor, não se separará mais d’Ele. Algumas vezes será um olhar interrogativo, como no episódio da perda no templo: « Filho, porque nos fizeste isto? » (Lc 2, 48); em todo o caso será um olhar penetrante, capaz de ler no íntimo de Jesus, a ponto de perceber os seus sentimentos escondidos e adivinhar suas decisões, como em Caná (cf. Jo 2, 5); outras vezes, será um olhar doloroso, sobretudo aos pés da cruz, onde haverá ainda, de certa forma, o olhar da parturiente, pois Maria não se limitará a compartilhar a paixão e a morte do Unigênito, mas acolherá o novo filho a Ela entregue na pessoa do discípulo predileto (cf. Jo 19, 26-27); na manhã da Páscoa, será um olhar radioso pela alegria da ressurreição e, enfim, um olhar ardoroso pela efusão do Espírito no dia de Pentecostes (cf. At 1,14).

As recordações de Maria

11. Maria vive com os olhos fixos em Cristo e guarda cada palavra sua: « Conservava todas estas coisas, ponderando-as no seu coração » (Lc 2, 19; cf. 2, 51). As recordações de Jesus, estampadas na sua alma, acompanharam-na em cada circunstância, levando-a a percorrer novamente com o pensamento os vários momentos da sua vida junto com o Filho. Foram estas recordações que constituíram, de certo modo, o “rosário” que Ela mesma recitou constantemente nos dias da sua vida terrena.

E mesmo agora, entre os cânticos de alegria da Jerusalém celestial, os motivos da sua gratidão e do seu louvor permanecem imutáveis. São eles que inspiram o seu carinho materno pela Igreja peregrina, na qual Ela continua a desenvolver a composição da sua “narração” de evangelizadora. Maria propõe continuamente aos crentes os “mistérios” do seu Filho, desejando que sejam contemplados, para que possam irradiar toda a sua força salvífica. Quando recita o Rosário, a comunidade cristã sintoniza-se com a lembrança e com o olhar de Maria.

Rosário, oração contemplativa

12. O Rosário, precisamente a partir da experiência de Maria, é uma oração marcadamente contemplativa. Privado desta dimensão, perderia sentido, como sublinhava Paulo VI: « Sem contemplação, o Rosário é um corpo sem alma e a sua recitação corre o perigo de tornar-se uma repetição mecânica de fórmulas e de vir a achar-se em contradição com a advertência de Jesus: “Na oração não sejais palavrosos como os gentios, que imaginam que hão-de ser ouvidos graças à sua verbosidade” (Mt 6, 7). Por sua natureza, a recitação do Rosário requer um ritmo tranquilo e uma certa demora a pensar, que favoreçam, naquele que ora, a meditação dos mistérios da vida do Senhor, vistos através do Coração d’Aquela que mais de perto esteve em contacto com o mesmo Senhor, e que abram o acesso às suas insondáveis riquezas ».(14)

Precisamos de deter-nos neste profundo pensamento de Paulo VI, para dele extrair algumas dimensões do Rosário que definem melhor o seu carácter próprio de contemplação cristológica.

Recordar Cristo com Maria

13. O contemplar de Maria é, antes de mais, um recordar. Convém, no entanto, entender esta palavra no sentido bíblico da memória (zakar), que atualiza as obras realizadas por Deus na história da salvação. A Bíblia é narração de acontecimentos salvíficos, que culminam no mesmo Cristo. Estes acontecimentos não constituem somente um “ontem”; são também o “hoje” da salvação. 

Esta atualização realiza-se particularmente na Liturgia: o que Deus realizou séculos atrás não tinha a ver só com as testemunhas diretas dos acontecimentos, mas alcança, pelo seu dom de graça, o homem de todos os tempos. Isto vale, de certo modo, também para qualquer outra piedosa ligação com aqueles acontecimentos: « fazer memória deles », em atitude de fé e de amor, significa abrir-se à graça que Cristo nos obteve com os seus mistérios de vida, morte e ressurreição.

Por isso, enquanto se reafirma, com o Concílio Vaticano II, que a Liturgia, como exercício do ofício sacerdotal de Cristo e culto público, é « a meta para a qual se encaminha a ação da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua força »,(15) convém ainda lembrar que « a participação na sagrada Liturgia não esgota a vida espiritual. O cristão, chamado a rezar em comum, deve também entrar no seu quarto para rezar a sós ao Pai (cf. Mt 6, 6); mais, segundo ensina o Apóstolo, deve rezar sem cessar (cf. 1 Tes 5, 17) ».(16) O Rosário, com a sua especificidade, situa-se neste cenário diversificado da oração « incessante », e se a Liturgia, ação de Cristo e da Igreja, é ação salvífica por excelência, o Rosário, enquanto meditação sobre Cristo com Maria, é contemplação salutar. De facto, a inserção, de mistério em mistério, na vida do Redentor faz com que tudo aquilo que Ele realizou e a Liturgia atualiza, seja profundamente assimilado e modele a existência.

Aprender Cristo de Maria

14. Cristo é o Mestre por excelência, o revelador e a revelação. Não se trata somente de aprender as coisas que Ele ensinou, mas de “aprender a Ele”. Porém, nisto, qual mestra mais experimentada do que Maria? Se do lado de Deus é o Espírito, o Mestre interior, que nos conduz à verdade plena de Cristo (cf. Jo 14, 26; 15, 26;16, 13), de entre os seres humanos, ninguém melhor do que Ela conhece Cristo, ninguém como a Mãe pode introduzir-nos no profundo conhecimento do seu mistério.

O primeiro dos “sinais” realizado por Jesus – a transformação da água em vinho nas bodas de Caná – mostra-nos precisamente Maria no papel de mestra, quando exorta os servos a cumprirem as disposições de Cristo (cf. Jo 2, 5). E podemos imaginar que Ela tenha desempenhado a mesma função com os discípulos depois da Ascensão de Jesus, quando ficou com eles à espera do Espírito Santo e os animou na primeira missão. Percorrer com Ela as cenas do Rosário é como frequentar a “escola” de Maria para ler Cristo, penetrar nos seus segredos, compreender a sua mensagem.

Uma escola, a de Maria, ainda mais eficaz, quando se pensa que Ela a dá obtendo-nos os dons do Espírito Santo com abundância e, ao mesmo tempo, propondo-nos o exemplo daquela « peregrinação da fé »,(17) na qual é mestra inigualável. Diante de cada mistério do Filho, Ela convida-nos, como na sua Anunciação, a colocar humildemente as perguntas que abrem à luz, para concluir sempre com a obediência da fé: « Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra » (Lc 1, 38).

Configurar-se a Cristo com Maria

15. A espiritualidade cristã tem como seu carácter qualificador o empenho do discípulo em configurar-se sempre mais com o seu Mestre (cf. Rom 8, 29; Fil 3, 10.21). A efusão do Espírito no Batismo introduz o crente como ramo na videira que é Cristo (cf. Jo 15, 5), constitui-o membro do seu Corpo místico (cf. 1 Cor 12, 12; Rom 12, 5). Mas a esta unidade inicial, deve corresponder um caminho de assimilação progressiva a Ele que oriente sempre mais o comportamento do discípulo conforme à “lógica” de Cristo: « Tende entre vós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus » (Fil 2, 5). É necessário, segundo as palavras do Apóstolo, « revestir-se de Cristo » (Rom 13, 14; Gal 3, 27).

No itinerário espiritual do Rosário, fundado na incessante contemplação – em companhia de Maria – do rosto de Cristo, este ideal exigente de configuração com Ele alcança-se através do trato, podemos dizer, “amistoso”. Este introduz-nos de modo natural na vida de Cristo e como que faz-nos “respirar” os seus sentimentos. A este respeito diz o Beato Bártolo Longo: « Tal como dois amigos, que se encontram constantemente, costumam configurar-se até mesmo nos hábitos, assim também nós, conversando familiarmente com Jesus e a Virgem, ao meditar os mistérios do Rosário, vivendo unidos uma mesma vida pela Comunhão, podemos vir a ser, por quanto possível à nossa pequenez, semelhantes a Eles, e aprender destes supremos modelos a vida humilde, pobre, escondida, paciente e perfeita ».(18)

Neste processo de configuração a Cristo no Rosário, confiamo-nos, de modo particular, à ação maternal da Virgem Santa. Aquela que é Mãe de Cristo, pertence Ela mesma à Igreja como seu « membro eminente e inteiramente singular »(19) sendo, ao mesmo tempo, a “Mãe da Igreja”. Como tal, “gera” continuamente filhos para o Corpo místico do Filho. Fá-lo mediante a intercessão, implorando para eles a efusão inesgotável do Espírito. Ela é o perfeito ícone da maternidade da Igreja.

O Rosário transporta-nos misticamente para junto de Maria dedicada a acompanhar o crescimento humano de Cristo na casa de Nazaré. Isto permite-lhe educar-nos e plasmar-nos, com a mesma solicitude, até que Cristo esteja formado em nós plenamente (cf. Gal 4, 19). Esta ação de Maria, totalmente fundada sobre a de Cristo e a esta radicalmente subordinada, « não impede minimamente a união imediata dos crentes com Cristo, antes a facilita ».(20) É o princípio luminoso expresso pelo Concílio Vaticano II, que provei com tanta força na minha vida, colocando-o na base do meu lema episcopal: Totus tuus.(21) Um lema, como é sabido, inspirado na doutrina de S. Luís Maria Grignion de Montfort, que assim explica o papel de Maria no processo de configuração a Cristo de cada um de nós: “Toda a nossa perfeição consiste em sermos configurados, unidos e consagrados a Jesus Cristo. Portanto, a mais perfeita de todas as devoções é incontestavelmente aquela que nos configura, une e consagra mais perfeitamente a Jesus Cristo. Ora, sendo Maria entre todas as criaturas a mais configurada a Jesus Cristo, daí se conclui que de todas as devoções, a que melhor consagra e configura uma alma a Nosso Senhor é a devoção a Maria, sua santa Mãe; e quanto mais uma alma for consagrada a Maria, tanto mais será a Jesus Cristo”.(22)Nunca como no Rosário o caminho de Cristo e o de Maria aparecem unidos tão profundamente. Maria só vive em Cristo e em função de Cristo!

Suplicar a Cristo com Maria

16. Cristo convidou a dirigirmo-nos a Deus com insistência e confiança para ser escutados: « Pedi e dar-se-vos-á; procurai e encontrareis; batei e abrir-se-vos-á » (Mt 7, 7). O fundamento desta eficácia da oração é a bondade do Pai, mas também a mediação junto d’Ele por parte do mesmo Cristo (cf. 1 Jo 2, 1) e a ação do Espírito Santo, que « intercede por nós » conforme os desígnios de Deus (cf. Rom 8, 26-27). De facto, nós « não sabemos o que devemos pedir em nossas orações » (Rom 8, 26) e, às vezes, não somos atendidos « porque pedimos mal » (Tg 4, 3).

Em apoio da oração que Cristo e o Espírito fazem brotar no nosso coração, intervém Maria com a sua materna intercessão. “A oração da Igreja é como que sustentada pela oração de Maria”.(23) De facto, se Jesus, único Mediador, é o Caminho da nossa oração, Maria, pura transparência d’Ele, mostra o Caminho, e “é a partir desta singular cooperação de Maria com a ação do Espírito Santo que as Igrejas cultivaram a oração à santa Mãe de Deus, centrando-a na pessoa de Cristo manifestada nos seus mistérios”.(24) Nas bodas de Caná, o Evangelho mostra precisamente a eficácia da intercessão de Maria, que se faz porta-voz junto de Jesus das necessidades humanas: « Não têm vinho » (Jo 2,3).

O Rosário é ao mesmo tempo meditação e súplica. A imploração insistente da Mãe de Deus apoia-se na confiança de que a sua materna intercessão tudo pode no coração do Filho. Ela é “omnipotente por graça”, como, com expressão audaz a ser bem entendida, dizia o Beato Bártolo Longo na sua Súplica à Virgem.(25) Uma certeza esta que, a partir do Evangelho, foi-se consolidando através da experiência do povo cristão. O grande poeta Dante, na linha de S. Bernardo, interpreta-a estupendamente, quando canta: “Donna, se’ tanto grande e tanto vali, / che qual vuol grazia e a te não ricorre, / sua disianza vuol volar sanz’ali”.(26) No Rosário, Maria, santuário do Espírito Santo (cf. Lc1, 35), ao ser suplicada por nós, apresenta-se em nosso favor diante do Pai que a cumulou de graça e do Filho nascido das suas entranhas, pedindo connosco e por nós.

Anunciar Cristo com Maria

17. O Rosário é também um itinerário de anúncio e aprofundamento, no qual o mistério de Cristo é continuamente oferecido aos diversos níveis da experiência cristã. O módulo é o de uma apresentação orante e contemplativa, que visa plasmar o discípulo segundo o coração de Cristo. De facto, se na recitação do Rosário todos os elementos para uma meditação eficaz forem devidamente valorizados, torna-se, especialmente na celebração comunitária nas paróquias e nos santuários, uma significativa oportunidade catequética que os Pastores devem saber aproveitar. A Virgem do Rosário continua também deste modo a sua obra de anúncio de Cristo. A história do Rosário mostra como esta oração foi utilizada especialmente pelos Dominicanos, num momento difícil para a Igreja por causa da difusão da heresia. Hoje encontramo-nos diante de novos desafios. Porque não retomar na mão o Terço com a fé dos que nos precederam? O Rosário conserva toda a sua força e permanece um recurso não descurável na bagagem pastoral de todo o bom evangelizador.

CAPÍTULO II

MISTÉRIOS DE CRISTO
MISTÉRIOS DA MÃE

O Rosário, “compêndio do Evangelho”

18. À contemplação do rosto de Cristo só podemos introduzir-nos escutando, no Espírito, a voz do Pai, porque « ninguém conhece o Filho senão o Pai » (Mt 11, 27). Nas proximidades de Cesaréia de Filipe, perante a confissão de Pedro, Jesus especificará a fonte de uma tão clara intuição da sua identidade: « Não foram a carne nem o sangue quem to revelou, mas o meu Pai que está nos céus » (Mt 16, 17). É, pois, necessária a revelação do alto. Mas, para acolhê-la, é indispensável colocar-se à escuta: “Só a experiência do silêncio e da oração oferece o ambiente adequado para maturar e desenvolver-se um conhecimento mais verdadeiro, aderente e coerente daquele mistério”.(27)

O Rosário é um dos percursos tradicionais da oração cristã aplicada à contemplação do rosto de Cristo. Paulo VI assim o descreveu: « Oração evangélica, centrada sobre o mistério da Encarnação redentora, o Rosário é, por isso mesmo, uma prece de orientação profundamente cristológica. Na verdade, o seu elemento mais característico – a repetição litânica do “Alegra-te, Maria”– torna-se também ele louvor incessante a Cristo, objectivo último do anúncio do Anjo e da saudação da mãe do Batista: “Bendito o fruto do teu ventre” (Lc 1, 42). Diremos mais ainda: a repetição da Ave Maria constitui a urdidura sobre a qual se desenrola a contemplação dos mistérios; aquele Jesus que cada Ave Maria relembra é o mesmo que a sucessão dos mistérios propõe, uma e outra vez, como Filho de Deus e da Virgem Santíssima ».(28)

Uma inserção oportuna

19. De tantos mistérios da vida de Cristo, o Rosário, tal como se consolidou na prática mais comum confirmada pela autoridade eclesial, aponta só alguns. Tal seleção foi ditada pela estruturação originária desta oração, que adotou o número 150 como o dos Salmos.

Considero, no entanto, que, para reforçar o espessor cristológico do Rosário, seja oportuna uma inserção que, embora deixada à livre valorização de cada pessoa e das comunidades, lhes permita abraçar também os mistérios da vida pública de Cristo entre o Batismo e a Paixão. Com efeito, é no âmbito destes mistérios que contemplamos aspectos importantes da pessoa de Cristo, como revelador definitivo de Deus. É Ele que, declarado Filho dileto do Pai no Batismo do Jordão, anuncia a vinda do Reino, testemunha-a com as obras e proclama as suas exigências. É nos anos da vida pública que o mistério de Cristo se mostra de forma especial como mistério de luz: « Enquanto estou no mundo, sou a Luz do mundo » (Jo 9, 5).

Para que o Rosário possa considerar-se mais plenamente “compêndio do Evangelho”, é conveniente que, depois de recordar a encarnação e a vida oculta de Cristo (mistérios da alegria), e antes de se deter nos sofrimentos da paixão (mistérios da dor), e no triunfo da ressurreição (mistérios da glória), a meditação se concentre também sobre alguns momentos particularmente significativos da vida pública (mistérios da luz). Esta inserção de novos mistérios, sem prejudicar nenhum aspecto essencial do esquema tradicional desta oração, visa fazê-la viver com renovado interesse na espiritualidade cristã, como verdadeira introdução na profundidade do Coração de Cristo, abismo de alegria e de luz, de dor e de glória.

Mistérios da alegria

20. O primeiro ciclo, o dos “mistérios gozosos”, caracteriza-se de facto pela alegria que irradia do acontecimento da Encarnação. Isto é evidente desde a Anunciação, quando a saudação de Gabriel à Virgem de Nazaré se liga ao convite da alegria messiânica: « Alegra-te, Maria ». Para este anúncio se encaminha a história da salvação, e até, de certo modo, a história do mundo. De facto, se o desígnio do Pai é recapitular em Cristo todas as coisas (cf. Ef 1, 10), então todo o universo de algum modo é alcançado pelo favor divino, com o qual o Pai Se inclina sobre Maria para torná-La Mãe do seu Filho. Por sua vez, toda a humanidade está como que incluída no fiat com que Ela corresponde prontamente à vontade de Deus.

Sob o signo da exultação, aparece depois a cena do encontro com Isabel, onde a mesma voz de Maria e a presença de Cristo no seu ventre fazem « saltar de alegria » João (cf. Lc 1, 44). Inundada de alegria é a cena de Belém, onde o nascimento do Deus-Menino, o Salvador do mundo, é cantado pelos anjos e anunciado aos pastores precisamente como « uma grande alegria » (Lc 2, 10).

Os dois últimos mistérios, porém, mesmo conservando o sabor da alegria antecipam já os sinais do drama. A apresentação no templo, de facto, enquanto exprime a alegria da consagração e extasia o velho Simeão, regista também a profecia do « sinal de contradição » que o Menino será para Israel e da espada que trespassará a alma da Mãe (cf. Lc 2, 34-35). Gozoso e ao mesmo tempo dramático é também o episódio de Jesus, aos doze anos, no templo. Vemo-Lo aqui na sua divina sabedoria, enquanto escuta e interroga, e substancialmente no papel d’Aquele que “ensina”. A revelação do seu mistério de Filho totalmente dedicado às coisas do Pai é anúncio daquela radicalidade evangélica que põe inclusive em crise os laços mais caros do homem, diante das exigências absolutas do Reino. Até José e Maria, aflitos e angustiados, « não entenderam » as suas palavras (Lc 2, 50).

Por isso, meditar os mistérios gozosos significa entrar nas motivações últimas e no significado profundo da alegria cristã. Significa fixar o olhar sobre a realidade concreta do mistério da Encarnação e sobre o obscuro prenúncio do mistério do sofrimento salvífico. Maria leva-nos a aprender o segredo da alegria cristã, lembrando-nos que o cristianismo é, antes de mais, evangelion, “boa nova”, que tem o seu centro, antes, o seu mesmo conteúdo, na pessoa de Cristo, o Verbo feito carne, único Salvador do mundo.

Mistérios da luz

21. Passando da infância e da vida de Nazaré à vida pública de Jesus, a contemplação leva-nos aos mistérios que se podem chamar, por especial título, “mistérios da luz”. Na verdade, todo o mistério de Cristo é luz. Ele é a « luz do mundo » (Jo 8, 12). Mas esta dimensão emerge particularmente nos anos da vida pública, quando Ele anuncia o evangelho do Reino. Querendo indicar à comunidade cristã cinco momentos significativos – mistérios luminosos – desta fase da vida de Cristo, considero que se podem justamente individuar: 1no seu Batismo no Jordão, 2na sua auto-revelação nas bodas de Caná, 3no seu anúncio do Reino de Deus com o convite à conversão, 4na sua Transfiguração e, enfim, 5na instituição da Eucaristia, expressão sacramental do mistério pascal.

Cada um destes mistérios é revelação do Reino divino já personificado no mesmo Jesus. Primeiramente é mistério de luz o Batismo no Jordão. Aqui, enquanto Cristo desce à água do rio, como inocente que Se faz pecado por nós (cf. 2 Cor 5, 21), o céu abre-se e a voz do Pai proclama-O Filho dileto (cf. Mt 3, 17 par), ao mesmo tempo que o Espírito vem sobre Ele para investi-Lo na missão que O espera. Mistério de luz é o início dos sinais em Caná (cf. Jo 2, 1-12), quando Cristo, transformando a água em vinho, abre à fé o coração dos discípulos graças à intervenção de Maria, a primeira entre os crentes. Mistério de luz é a pregação com a qual Jesus anuncia o advento do Reino de Deus e convida à conversão (cf. Mc 1, 15), perdoando os pecados de quem a Ele se dirige com humilde confiança (cf. Mc 2, 3-13; Lc 7, 47-48), início do ministério de misericórdia que Ele prosseguirá exercendo até ao fim do mundo, especialmente através do sacramento da Reconciliação confiado à sua Igreja (cf. Jo 20, 22-23). Mistério de luz por excelência é a Transfiguração que, segundo a tradição, se deu no Monte Tabor. A glória da Divindade reluz no rosto de Cristo, enquanto o Pai O acredita aos Apóstolos extasiados para que O « escutem » (cf. Lc 9, 35 par) e se disponham a viver com Ele o momento doloroso da Paixão, a fim de chegarem com Ele à glória da Ressurreição e a uma vida transfigurada pelo Espírito Santo. Mistério de luz é, enfim, a instituição da Eucaristia, na qual Cristo Se faz alimento com o seu Corpo e o seu Sangue sob os sinais do pão e do vinho, testemunhando « até ao extremo » o seu amor pela humanidade (Jo 13, 1), por cuja salvação Se oferecerá em sacrifício.

Nestes mistérios, à excepção de Caná, a presença de Maria fica em segundo plano. Os Evangelhos mencionam apenas alguma presença ocasional d’Ela no tempo da pregação de Jesus (cf. Mc 3, 31-35; Jo 2, 12) e nada dizem de uma eventual presença no Cenáculo durante a instituição da Eucaristia. Mas, a função que desempenha em Caná acompanha, de algum modo, todo o caminho de Cristo. A revelação, que no Batismo do Jordão é oferecida diretamente pelo Pai e confirmada pelo Batista, está na sua boca em Caná, e torna-se a grande advertência materna que Ela dirige à Igreja de todos os tempos: « Fazei o que Ele vos disser » (Jo 2, 5). Advertência esta que introduz bem as palavras e os sinais de Cristo durante a vida pública, constituindo o fundo mariano de todos os “mistérios da luz”.

Mistérios da dor

22. Os Evangelhos dão grande relevo aos mistérios da dor de Cristo. A piedade cristã desde sempre, especialmente na Quaresma, através do exercício da Via Sacra, deteve-se em cada um dos momentos da Paixão, intuindo que aqui está o ápice da revelação do amor e a fonte da nossa salvação. O Rosário escolhe alguns momentos da Paixão, induzindo o orante a fixar neles o olhar do coração e a revivê-los. O itinerário meditativo abre-se com o Getsémani, onde Cristo vive um momento de particular angústia perante a vontade do Pai, contra a qual a debilidade da carne seria tentada a revoltar-se. Ali Cristo põe-Se no lugar de todas as tentações da humanidade, e diante de todos os seus pecados, para dizer ao Pai: « Não se faça a minha vontade, mas a Tua » (Lc 22, 42 e par). Este seu “sim” muda o “não” dos pais no Éden. E o quanto Lhe deverá custar esta adesão à vontade do Pai, emerge dos mistérios seguintes, nos quais, com a flagelação, a coroação de espinhos, a subida ao Calvário, a morte na cruz, Ele é lançado no maior desprezo: Ecce homo!

Neste desprezo, revela-se não somente o amor Deus, mas o mesmo sentido do homem. Ecce homo: quem quiser conhecer o homem, deve saber reconhecer o seu sentido, a sua raiz e o seu cumprimento em Cristo, Deus que Se rebaixa por amor « até à morte, e morte de cruz » (Fil 2, 8). Os mistérios da dor levam o crente a reviver a morte de Jesus pondo-se aos pés da cruz junto de Maria, para com Ela penetrar no abismo do amor de Deus pelo homem e sentir toda a sua força regeneradora.

Mistérios da glória

23. “A contemplação do rosto de Cristo não pode deter-se na imagem do crucificado. Ele é o Ressuscitado!”.(29) O Rosário sempre expressou esta certeza da fé, convidando o crente a ultrapassar as trevas da Paixão, para fixar o olhar na glória de Cristo com a Ressurreição e a Ascensão. Contemplando o Ressuscitado, o cristão descobre novamente as razões da própria fé (cf. 1 Cor 15, 14), e revive não só a alegria daqueles a quem Cristo Se manifestou – os Apóstolos, a Madalena, os discípulos de Emaús –, mas também a alegria de Maria, que deverá ter tido uma experiência não menos intensa da nova existência do Filho glorificado. A esta glória, onde com a Ascensão Cristo Se senta à direita do Pai, Ela mesma será elevada com a Assunção, chegando, por especialíssimo privilégio, a antecipar o destino reservado a todos os justos com a ressurreição da carne. Enfim, coroada de glória – como aparece no último mistério glorioso – Ela resplandece como Rainha dos Anjos e dos Santos, antecipação e ponto culminante da condição escatológica da Igreja.

No centro deste itinerário de glória do Filho e da Mãe, o Rosário põe, no terceiro mistério glorioso, o Pentecostes, que mostra o rosto da Igreja como família reunida com Maria, fortalecida pela poderosa efusão do Espírito, pronta para a missão evangelizadora. No âmbito da realidade da Igreja, a contemplação deste, como dos outros mistérios gloriosos, deve levar os crentes a tomarem uma consciência cada vez mais viva da sua nova existência em Cristo, uma existência de que o Pentecostes constitui o grande “ícone”. Desta forma, os mistérios gloriosos alimentam nos crentes a esperança da meta escatológica, para onde caminham como membros do Povo de Deus peregrino na história. Isto não pode deixar de impeli-los a um corajoso testemunho daquela « grande alegria » que dá sentido a toda a sua vida.

Dos “mistérios” ao “Mistério”: o caminho de Maria

24. Estes ciclos meditativos propostos no Santo Rosário não são certamente exaustivos, mas apelam ao essencial, introduzindo o espírito no gosto de um conhecimento de Cristo que brota continuamente da fonte límpida do texto evangélico. Cada passagem da vida de Cristo, como é narrada pelos Evangelistas, reflete aquele Mistério que supera todo o conhecimento (cf. Ef 3, 19). É o Mistério do Verbo feito carne, no Qual « habita corporalmente toda a plenitude da divindade » (Col 2, 9). Por isso, o Catecismo da Igreja Católica insiste tanto nos mistérios de Cristo, lembrando que « tudo na vida de Jesus é sinal do seu Mistério ».(30) O “duc in altum” da Igreja no terceiro Milênio é medido pela capacidade dos cristãos de « conhecerem o mistério de Deus, isto é Cristo, no Qual estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência » (Col 2, 2-3). A cada baptizado é dirigido este voto ardente da Carta aos Efésios: « Que Cristo habite pela fé nos vossos corações, de sorte que, arraigados e fundados na caridade, possais […] compreender o amor de Cristo, que excede toda a ciência, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus » (3, 17-19).

O Rosário coloca-se ao serviço deste ideal, oferecendo o “segredo” para se abrir mais facilmente a um conhecimento profundo e empenhado de Cristo. Digamos que é o caminho de Maria. É o caminho do exemplo da Virgem de Nazaré, mulher de fé, de silêncio e de escuta. É, ao mesmo tempo, o caminho de uma devoção mariana animada pela certeza da relação indivisível que liga Cristo à sua Mãe Santíssima: os mistérios de Cristo são também, de certo modo, os mistérios da Mãe, mesmo quando não está diretamente envolvida, pelo facto de Ela viver d’Ele e para Ele. Na Ave Maria, apropriando-nos das palavras do Arcanjo Gabriel e de Santa Isabel, sentimo-nos levados a procurar sempre de novo em Maria, nos seus braços e no seu coração, o « fruto bendito do seu ventre » (cf. Lc 1, 42).

Mistério de Cristo, “mistério” do homem

25. No citado testemunho de 1978 sobre o Rosário como minha oração predileta, exprimi um conceito sobre o qual desejo retornar. Dizia então que « a simples oração do Rosário marca o ritmo da vida humana ».(31)

À luz das reflexões desenvolvidas até agora sobre os mistérios de Cristo, não é difícil aprofundar esta implicação antropológica do Rosário; uma implicação mais radical do que possa parecer à primeira vista. Quem contempla a Cristo, percorrendo as etapas da sua vida, não pode deixar de aprender d’Ele a verdade sobre o homem. É a grande afirmação do Concílio Vaticano II que, desde a Carta encíclica Redemptor hominis, tantas vezes fiz objecto do meu magistério: “Na realidade, o mistério do homem só no mistério do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente”.(32)O Rosário ajuda a abrir-se a esta luz. Seguindo o caminho de Cristo, no qual o caminho do homem é « recapitulado »,(33)manifestado e redimido, o crente põe-se diante da imagem do homem verdadeiro. Contemplando o seu nascimento aprende a sacralidade da vida, olhando para a casa de Nazaré aprende a verdade originária da família segundo o desígnio de Deus, escutando o Mestre nos mistérios da vida pública recebe a luz para entrar no Reino de Deus, e seguindo-O no caminho para o Calvário aprende o sentido da dor salvífica. Contemplando, enfim, a Cristo e sua Mãe na glória, vê a meta para a qual cada um de nós é chamado, se se deixa curar e transfigurar pelo Espírito Santo. Pode-se dizer, portanto, que cada mistério do Rosário, bem meditado, ilumina o mistério do homem.

Ao mesmo tempo, torna-se natural levar a este encontro com a humanidade santa do Redentor os numerosos problemas, agruras, fadigas e projetos que definem a nossa vida. « Descarrega sobre o Senhor os teus cuidados, e Ele te sustentará » (Sal 55, 23). Meditar com o Rosário significa entregar os nossos cuidados aos corações misericordiosos de Cristo e da sua Mãe. À distância de vinte e cinco anos, ao reconsiderar as provações que não faltaram nem mesmo no exercício do ministério petrino, desejo insistir, como para convidar calorosamente a todos, a fim de que experimentem pessoalmente isto mesmo: verdadeiramente o Rosário « marca o ritmo da vida humana » para harmonizá-la com o ritmo da vida divina, na gozosa comunhão da Santíssima Trindade, destino e aspiração da nossa existência.

CAPÍTULO III

« PARA MIM, O VIVER É CRISTO »

O Rosário, caminho de assimilação do mistério

26. A meditação dos mistérios de Cristo é proposta no Rosário com um método característico, apropriado por sua natureza para favorecer a assimilação dos mesmos. É o método baseado na repetição. Isto é visível sobretudo com a Ave Maria, repetida dez vezes em cada mistério. Considerando superficialmente uma tal repetição, pode-se ser tentado a ver o Rosário como uma prática árida e aborrecida. Chega-se, porém, a uma ideia muito diferente, quando se considera o Terço como expressão daquele amor que não se cansa de voltar à pessoa amada com efusões que, apesar de semelhantes na sua manifestação, são sempre novas pelo sentimento que as permeia.

Em Cristo, Deus assumiu verdadeiramente um « coração de carne ». Não tem apenas um coração divino, rico de misericórdia e perdão, mas também um coração humano, capaz de todas as vibrações de afeto. Se houvesse necessidade dum testemunho evangélico disto mesmo, não seria difícil encontrá-lo no diálogo comovente de Cristo com Pedro depois da ressurreição: « Simão, filho de João, tu amas-Me? » Por três vezes é feita a pergunta, e três vezes recebe como resposta: « Senhor, Tu sabes que Te amo » (cf. Jo 21, 15-17). Além do significado específico do texto, tão importante para a missão de Pedro, não passa despercebida a ninguém a beleza desta tríplice repetição, na qual a solicitação insistente e a respectiva resposta são expressas com termos bem conhecidos da experiência universal do amor humano. Para compreender o Rosário, é preciso entrar na dinâmica psicológica típica do amor.

Uma coisa é clara! Se a repetição da Ave Maria se dirige diretamente a Maria, com Ela e por Ela é para Jesus que, em última análise, vai o ato de amor. A repetição alimenta-se do desejo duma conformação cada vez mais plena Cristo, verdadeiro “programa” da vida cristã. S. Paulo enunciou este programa com palavras cheias de ardor: « Para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro » (Flp 1, 21). E ainda: « Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim » (Gal 2, 20). O Rosário ajuda-nos a crescer nesta conformação até à meta da santidade.

Um método válido…

27. Não deve maravilhar-nos o facto de a relação com Cristo se servir também do auxílio dum método. Deus comunica-Se ao homem, respeitando o modo de ser da nossa natureza e os seus ritmos vitais. Por isso a espiritualidade cristã, embora conhecendo as formas mais sublimes do silêncio místico onde todas as imagens, palavras e gestos ficam superados pela intensidade duma inefável união do homem com Deus, normalmente passa pelo envolvimento total da pessoa, na sua complexa realidade psico-física e relacional.

Isto é evidente na Liturgia. Os sacramentos e os sacramentais estão estruturados com uma série de ritos, em que se faz apelo às diversas dimensões da pessoa. E a mesma exigência transparece da oração não litúrgica. A confirmá-lo está o facto de a oração mais característica de meditação cristológica no Oriente, que se centra nas palavras « Jesus Cristo, Filho de Deus, Senhor, tem piedade de mim, pecador »,(34)estar tradicionalmente ligada ao ritmo da respiração: ao mesmo tempo que isso facilita a perseverança na invocação, assegura quase uma densidade física ao desejo de que Cristo se torne a respiração, a alma e o “tudo” da vida.

…que todavia pode ser melhorado

28. Recordei na Carta apostólica Novo millennio ineunte que há hoje, mesmo no Ocidente, uma renovada exigência de meditação, que se vê às vezes promovida noutras religiões com modalidades cativantes.(35)Não faltam cristãos que, por reduzido conhecimento da tradição contemplativa cristã, se deixam aliciar por tais propostas. Apesar de possuírem elementos positivos e às vezes compatíveis com a experiência cristã, todavia escondem frequentemente um fundo ideológico inaceitável. Em tais experiências, é muito comum aparecer uma metodologia que, tendo por objectivo uma alta concentração espiritual, recorre a técnicas repetitivas e simbólicas de carácter psico-físico. O Rosário coloca-se neste quadro universal da fenomenologia religiosa, mas apresenta características próprias, que correspondem às exigências típicas da especificidade cristã.

Na realidade, trata-se simplesmente de um método para contemplar. E, como método que é, há-de ser utilizado em ordem ao seu fim, e não como fim em si mesmo. Mas, sendo fruto duma experiência secular, o próprio método não deve ser subestimado. Abona em seu favor a experiência de inumeráveis Santos. Isto, porém, não impede que seja melhorado. Tal é o objectivo da inserção, no ciclo dos mistérios, da nova série dos mysteria lucis, juntamente com algumas sugestões relativas à recitação, que proponho nesta Carta. Através delas, embora respeitando a estrutura amplamente consolidada desta oração, queria ajudar os fiéis a compreendê-la nos seus aspectos simbólicos, em sintonia com as exigências da vida quotidiana. Sem isso, o Rosário corre o risco não só de não produzir os efeitos espirituais desejados, mas até mesmo de o terço, com que habitualmente é recitado, acabar por ser visto quase como um amuleto ou objecto mágico, com uma adulteração radical do seu sentido e função.

A enunciação do mistério

29. Enunciar o mistério, com a possibilidade até de fixar contextualmente um ícone que o represente, é como abrir um cenário sobre o qual se concentra a atenção. As palavras orientam a imaginação e o espírito para aquele episódio ou momento concreto da vida de Cristo. Na espiritualidade que se foi desenvolvendo na Igreja, tanto a veneração de ícones como inúmeras devoções ricas de elementos sensíveis e mesmo o método proposto por Santo Inácio de Loiola nos Exercícios Espirituais recorrem ao elemento visível e figurativo (a chamada compositio loci), considerando-o de grande ajuda para facilitar a concentração do espírito no mistério. Aliás, é uma metodologia que corresponde à própria lógica da Encarnação: em Jesus, Deus quis tomar feições humanas. É através da sua realidade corpórea que somos levados a tomar contacto com o seu mistério divino.

É a esta exigência de concretização que dá resposta a enunciação dos vários mistérios do Rosário. Certamente, estes não substituem o Evangelho, nem fazem referência a todas as suas páginas. Por isso, o Rosário não substitui a lectio divina; pelo contrário, supõe-na e promove-a. Mas, se os mistérios considerados no Rosário, completados agora com os mysteria lucis, se limitam aos traços fundamentais da vida de Cristo, o espírito pode facilmente a partir deles estender-se ao resto do Evangelho, sobretudo quando o Rosário é recitado em momentos particulares de prolongado silêncio.

A escuta da Palavra de Deus

30. A fim de dar fundamentação bíblica e maior profundidade à meditação, é útil que a enunciação do mistério seja acompanhada pela proclamação de uma passagem bíblica alusiva, que, segundo as circunstâncias, pode ser mais ou menos longa. De facto, as outras palavras não atingem nunca a eficácia própria da palavra inspirada. Esta há-de ser escutada com a certeza de que é Palavra de Deus, pronunciada para o dia de hoje e “para mim”.

Assim acolhida, ela entra na metodologia de repetição do Rosário, sem provocar o enfado que derivaria duma simples evocação de informação já bem conhecida. Não, não se trata de trazer à memória uma informação, mas de deixar Deus “falar”. Em ocasiões solenes e comunitárias, esta palavra pode ser devidamente ilustrada com um breve comentário.

O silêncio

31. A escuta e a meditação alimentam-se de silêncio. Por isso, após a enunciação do mistério e a proclamação da Palavra, é conveniente parar, durante um côngruo período de tempo, a fixar o olhar sobre o mistério meditado, antes de começar a oração vocal. A redescoberta do valor do silêncio é um dos segredos para a prática da contemplação e da meditação. Entre as limitações duma sociedade de forte predominância tecnológica e mediática, conta-se o facto de se tornar cada vez mais difícil o silêncio. Tal como na Liturgia se recomendam momentos de silêncio, assim também na recitação do Rosário é oportuno fazer uma pausa depois da escuta da Palavra de Deus enquanto o espírito se fixa no conteúdo do relativo mistério.

O “Pai nosso”

32. Após a escuta da Palavra e a concentração no mistério, é natural que o espírito se eleve para o Pai. Em cada um dos seus mistérios, Jesus leva-nos sempre até ao Pai, para Quem Ele Se volta continuamente porque repousa no seu “seio” (cf. Jo 1,18). Quer introduzir-nos na intimidade do Pai, para dizermos com Ele: « Abbá, Pai » (Rom 8, 5; Gal 4, 6). É em relação ao Pai que Ele nos torna irmãos seus e entre nós, ao comunicar-nos o Espírito que é conjuntamente d’Ele e do Pai. O “Pai nosso”, colocado quase como alicerce da meditação cristológico-mariana que se desenrola através da repetição da Ave Maria, torna a meditação do mistério, mesmo quando é feita a sós, uma experiência eclesial.

As dez “Ave Marias”

33. Este elemento é o mais encorpado do Rosário e também o que faz dele uma oração mariana por excelência. Mas à luz da própria Ave Maria, bem entendida, nota-se claramente que o carácter mariano não só não se opõe ao cristológico como até o sublinha e exalta. De facto, a primeira parte da Ave Maria, tirada das palavras dirigidas a Maria pelo Anjo Gabriel e por Santa Isabel, é contemplação adoradora do mistério que se realiza na Virgem de Nazaré. Exprimem, por assim dizer, a admiração do céu e da terra, e deixam de certo modo transparecer o encanto do próprio Deus ao contemplar a sua obra-prima –a encarnação do Filho no ventre virginal de Maria – na linha daquele olhar contente do Gênesis (cf. Gen 1, 31), daquele primordial « pathos com que Deus, na aurora da criação, contemplou a obra das suas mãos ».(36)A repetição da Ave Maria no Rosário sintoniza-nos com este encanto de Deus: é júbilo, admiração, reconhecimento do maior milagre da história. É o cumprimento da profecia de Maria: « Desde agora, todas as gerações Me hão-de chamar ditosa » (Lc 1, 48).

O baricentro da Ave Maria, uma espécie de charneira entre a primeira parte e a segunda, é o nome de Jesus. Às vezes, na recitação precipitada, perde-se tal baricentro e, com ele, também a ligação ao mistério de Jesus que se está a contemplar. Ora, é precisamente pela acentuação dada ao nome de Jesus e ao seu mistério que se caracteriza a recitação expressiva e frutuosa do Rosário. Já Paulo VI recordou na Exortação apostólica Marialis cultus o costume, existente nalgumas regiões, de dar realce ao nome de Cristo acrescentando-lhe uma cláusula evocativa do mistério que se está a meditar.(37)É um louvável costume, sobretudo na recitação pública. Exprime de forma intensa a fé cristológica, aplicada aos diversos momentos da vida do Redentor. É profissão de fé e, ao mesmo tempo, um auxílio para permanecer em meditação, permitindo dar vida à função assimiladora, contida na repetição da Ave Maria, relativamente ao mistério de Cristo. Repetir o nome de Jesus – o único nome do qual se pode esperar a salvação (cf. At 4, 12) – enlaçado com o da Mãe Santíssima, e de certo modo deixando que seja Ela própria a sugerir-no-lo, constitui um caminho de assimilação que quer fazer-nos penetrar cada vez mais profundamente na vida de Cristo.

Desta relação muito especial de Maria com Cristo, que faz d’Ela a Mãe de Deus, a Theotòkos, deriva a força da súplica com que nos dirigimos a Ela depois na segunda parte da oração, confiando à sua materna intercessão a nossa vida e a hora da nossa morte.

O “Glória”

34. A doxologia trinitária é a meta da contemplação cristã. De facto, Cristo é o caminho que nos conduz ao Pai no Espírito. Se percorrermos em profundidade este caminho, achamo-nos continuamente na presença do mistério das três Pessoas divinas para As louvar, adorar, agradecer. É importante que o Glóriaapogeu da contemplação, seja posto em grande evidência no Rosário. Na recitação pública, poder-se-ia cantar para dar a devida ênfase a esta perspectiva estrutural e qualificadora de toda a oração cristã.

Na medida em que a meditação do mistério tiver sido – de Ave Maria em Ave Maria – atenta, profunda, animada pelo amor de Cristo e por Maria, a glorificação trinitária de cada dezena, em vez de reduzir-se a uma rápida conclusão, adquirirá o seu justo tom contemplativo, quase elevando o espírito à altura do Paraíso e fazendo-nos reviver de certo modo a experiência do Tabor, antecipação da contemplação futura: « Que bom é estarmos aqui! » (Lc 9, 33).

A jaculatória final

35. Na prática corrente do Rosário, depois da doxologia trinitária diz-se uma jaculatória, que varia segundo os costumes. Sem diminuir em nada o valor de tais invocações, parece oportuno assinalar que a contemplação dos mistérios poderá manifestar melhor toda a sua fecundidade, se se tiver o cuidado de terminar cada um dos mistérios com uma oração para obter os frutos específicos da meditação desse mistério. Deste modo, o Rosário poderá exprimir com maior eficácia a sua ligação com a vida cristã. Isto mesmo no-lo sugere uma bela oração litúrgica, que nos convida a pedir para, através da meditação dos mistérios do Rosário, chegarmos a « imitar o que contêm e alcançar o que prometem ».(38)

Uma tal oração conclusiva poderá gozar, como acontece já, de uma legítima variedade na sua inspiração. Assim, o Rosário adquirirá uma fisionomia mais adaptada às diferentes tradições espirituais e às várias comunidades cristãs. Nesta perspectiva, é desejável que haja uma divulgação, com o devido discernimento pastoral, das propostas mais significativas, talvez experimentadas em centros e santuários marianos particularmente sensíveis à prática do Rosário, para que o Povo de Deus possa valer-se de toda a verdadeira riqueza espiritual, tirando dela alimento para a sua contemplação.

O terço

36. Um instrumento tradicional na recitação do Rosário é o terço. No seu uso mais superficial, reduz-se frequentemente a um simples meio para contar e registar a sucessão das Ave Marias. Mas, presta-se também a exprimir simbolismos, que podem conferir maior profundidade à contemplação.

A tal respeito, a primeira coisa a notar é como o terço converge para o Crucificado, que desta forma abre e fecha o próprio itinerário da oração. Em Cristo, está centrada a vida e a oração dos crentes. Tudo parte d’Ele, tudo tende para Ele, tudo por Ele, no Espírito Santo, chega ao Pai.

Como instrumento de contagem que assinala o avançar da oração, o terço evoca o caminho incessante da contemplação e da perfeição cristã. O Beato Bártolo Longo via-o também como uma “cadeia” que nos prende a Deus. Cadeia sim, mas uma doce cadeia; assim se apresenta sempre a relação com um Deus que é Pai. Cadeia “filial”, que nos coloca em sintonia com Maria, a « serva do Senhor » (Lc 1, 38), e em última instância com o próprio Cristo que, apesar de ser Deus, Se fez « servo » por nosso amor (Flp 2, 7).

É bom alargar o significado simbólico do terço também à nossa relação recíproca, recordando através dele o vínculo de comunhão e fraternidade que a todos nos une em Cristo.

Começo e conclusão

37. Segundo a praxe comum, são vários os modos de introduzir o Rosário nos distintos contextos eclesiais. Em algumas regiões, costuma-se iniciar com a invocação do Salmo 69/70: « Ó Deus, vinde em nosso auxílio; Senhor, socorrei-nos e salvai-nos », para de certo modo alimentar, na pessoa orante, a humilde certeza da sua própria indigência; ao contrário, noutros lugares começa-se com a recitação do Creio em Deus Pai, querendo de certo modo colocar a profissão de fé como fundamento do caminho contemplativo que se inicia. Estes e outros modos, na medida em que dispõem melhor à contemplação, são métodos igualmente legítimos. A recitação termina com a oração pelas intenções do Papa, para estender o olhar de quem reza ao amplo horizonte das necessidades eclesiais. Foi precisamente para encorajar esta perspectiva eclesial do Rosário que a Igreja quis enriquecê-lo com indulgências sagradas para quem o recitar com as devidas disposições.

Assim vivido, o Rosário torna-se verdadeiramente um caminho espiritual, onde Maria faz de mãe, mestra e guia, e apoia o fiel com a sua poderosa intercessão. Como admirar-se de que o espírito, no final desta oração em que teve a experiência íntima da maternidade de Maria, sinta a necessidade de se expandir em louvores à Virgem Santa, quer com a oração esplêndida da Salve Rainha, quer através das invocações da Ladainha Lauretana? É o remate dum caminho interior que levou o fiel ao contacto vivo com o mistério de Cristo e da sua Mãe Santíssima.

A distribuição no tempo

38. O Rosário pode ser recitado integralmente todos os dias, não faltando quem louvavelmente o faça. Acaba assim por encher de oração as jornadas de tantos contemplativos, ou servir de companhia a doentes e idosos que dispõem de tempo em abundância. Mas é óbvio – e isto vale com mais forte razão ao acrescentar-se o novo ciclo dos mysteria lucis – que muitos poderão recitar apenas uma parte, segundo uma determinada ordem semanal. Esta distribuição pela semana acaba por dar às sucessivas jornadas desta uma certa “cor” espiritual, de modo análogo ao que faz a Liturgia com as várias fases do ano litúrgico.

Segundo a prática corrente, a segunda e a quinta-feira são dedicadas aos “mistérios da alegria”, a terça e a sexta-feira aos “mistérios da dor”, a quarta-feira, o sábado e o domingo aos “mistérios da glória”. Onde se podem inserir os “mistérios da luz”? Atendendo a que os mistérios gloriosos são propostos em dois dias seguidos –sábado e domingo – e que o sábado é tradicionalmente um dia de intenso carácter mariano, parece recomendável deslocar para ele a segunda meditação semanal dos mistérios gozosos, nos quais está mais acentuada a presença de Maria. E assim fica livre a quinta-feira precisamente para a meditação dos mistérios da luz.

Esta indicação, porém, não pretende limitar uma certa liberdade de opção na meditação pessoal e comunitária, segundo as exigências espirituais e pastorais e sobretudo as coincidências litúrgicas que possam sugerir oportunas adaptações. Verdadeiramente importante é que o Rosário seja cada vez mais visto e sentido como itinerário contemplativo. Através dele, de modo complementar ao que se realiza na Liturgia, a semana do cristão, tendo o domingo – dia da ressurreição – por charneira, torna-se uma caminhada através dos mistérios da vida de Cristo, para que Ele Se afirme, na vida dos seus discípulos, como Senhor do tempo e da história.

CONCLUSÃO

« Rosário bendito de Maria,
doce cadeia que nos prende a Deus »

39. Tudo o que foi dito até agora, manifesta amplamente a riqueza desta oração tradicional, que tem não só a simplicidade duma oração popular, mas também a profundidade teológica duma oração adaptada a quem sente a exigência duma contemplação mais madura.

A Igreja reconheceu sempre uma eficácia particular ao Rosário, confiando-lhe, mediante a sua recitação comunitária e a sua prática constante, as causas mais difíceis. Em momentos em que estivera ameaçada a própria cristandade, foi à força desta oração que se atribuiu a libertação do perigo, tendo a Virgem do Rosário sido saudada como propiciadora da salvação.

À eficácia desta oração, confio de bom grado hoje – como acenei ao princípio – a causa da paz no mundo e a causa da família.

A paz

40. As dificuldades que o horizonte mundial apresenta, neste início de novo milênio, levam-nos a pensar que só uma intervenção do Alto, capaz de orientar os corações daqueles que vivem em situações de conflito e de quantos regem os destinos das Nações, permite esperar num futuro menos sombrio.

O Rosário é, por natureza, uma oração orientada para a paz, precisamente porque consiste na contemplação de Cristo, Príncipe da paz e « nossa paz » (Ef 2, 14). Quem assimila o mistério de Cristo – e o Rosário visa isto mesmo – apreende o segredo da paz e dele faz um projeto de vida. Além disso, devido ao seu carácter meditativo com a serena sucessão das “Ave Marias”, exerce uma ação pacificadora sobre quem o reza, predispondo-o a receber e experimentar no mais fundo de si mesmo e a espalhar ao seu redor aquela paz verdadeira que é um dom especial do Ressuscitado (cf. Jo 14, 27; 20, 21).

Depois, o Rosário é oração de paz também pelos frutos de caridade que produz. Se for recitado devidamente como verdadeira oração meditativa, ao facilitar o encontro com Cristo nos mistérios não pode deixar de mostrar também o rosto de Cristo nos irmãos, sobretudo nos que mais sofrem. Como seria possível fixar nos mistérios gozosos o mistério do Menino nascido em Belém, sem sentir o desejo de acolher, defender e promover a vida, preocupando-se com o sofrimento das crianças nas diversas partes do mundo? Como se poderia seguir os passos de Cristo revelador, nos mistérios da luz, sem se empenhar a testemunhar as suas “bem-aventuranças” na vida diária? E como contemplar a Cristo carregado com a cruz ou crucificado, sem sentir a necessidade de se fazer seu “cireneu” em cada irmão abatido pela dor ou esmagado pelo desespero? Enfim, como se poderia fixar os olhos na glória de Cristo ressuscitado e em Maria coroada Rainha, sem desejar tornar este mundo mais belo, mais justo, mais conforme ao desígnio de Deus?

Em suma o Rosário, ao mesmo tempo que nos leva a fixar os olhos em Cristo, torna-nos também construtores da paz no mundo. Pelas suas características de petição insistente e comunitária, em sintonia com o convite de Cristo para « orar sempre, sem desfalecer » (Lc 18, 1), aquele permite-nos esperar que, também hoje, se possa vencer uma “batalha” tão difícil como é a da paz. Longe de constituir uma fuga dos problemas do mundo, o Rosário leva-nos assim a vê-los com olhar responsável e generoso, e alcança-nos a força de voltar para eles com a certeza da ajuda de Deus e o firme propósito de testemunhar em todas as circunstâncias « a caridade, que é o vínculo da perfeição » (Col 3, 14).

A família: os pais…

41. Oração pela paz, o Rosário foi desde sempre também oração da família e pela família. Outrora, esta oração era particularmente amada pelas famílias cristãs e favorecia certamente a sua união. É preciso não deixar perder esta preciosa herança. Importa voltar a rezar em família e pelas famílias, servindo-se ainda desta forma de oração.

Se, na Carta apostólica Novo millennio ineunte, encorajei a celebração da Liturgia da Horas pelos próprios leigos na vida ordinária das comunidades paroquiais e dos vários grupos cristãos,(39) o mesmo desejo fazer quanto ao Rosário. Trata-se de dois caminhos, não alternativos mas complementares, da contemplação cristã. Peço, pois, a todos aqueles que se dedicam à pastoral das famílias para sugerirem com convicção a recitação do Rosário.

A família que reza unida, permanece unida. O Santo Rosário, por antiga tradição, presta-se de modo particular a ser uma oração onde a família se encontra. Os seus diversos membros, precisamente ao fixarem o olhar em Jesus, recuperam também a capacidade de se olharem sempre de novo olhos nos olhos para comunicarem, solidarizarem-se, perdoarem-se mutuamente, recomeçarem com um pacto de amor renovado pelo Espírito de Deus.

Muitos problemas das famílias contemporâneas, sobretudo nas sociedades economicamente evoluídas, derivam do facto de ser cada vez mais difícil comunicar. Não conseguem estar juntos, e os raros momentos para isso acabam infelizmente absorvidos pelas imagens duma televisão. Retomar a recitação do Rosário em família significa inserir na vida diária imagens bem diferentes – as do mistério que salva: a imagem do Redentor, a imagem de sua Mãe Santíssima. A família, que reza unida o Rosário, reproduz em certa medida o clima da casa de Nazaré: põe-se Jesus no centro, partilham-se com Ele alegrias e sofrimentos, colocam-se nas suas mãos necessidades e projetos, e d’Ele se recebe a esperança e a força para o caminho.

… e os filhos

42. É bom e frutuoso também confiar a esta oração o itinerário de crescimento dos filhos. Porventura não é o Rosário o itinerário da vida de Cristo, desde a sua concepção até à morte, ressurreição e glória? Hoje torna-se cada vez mais árdua para os pais a tarefa de seguirem os filhos pelas várias etapas da sua vida. Na sociedade da tecnologia avançada, dos mass-media e da globalização, tudo se tornou tão rápido; e a distância cultural entre as gerações é cada vez maior. Os apelos mais diversos e as experiências mais imprevisíveis cedo invadem a vida das crianças e adolescentes, e os pais sentem-se às vezes angustiados para fazer face aos riscos que aqueles correm. Não é raro experimentarem fortes desilusões, constatando a falência dos seus filhos perante a sedução da droga, o fascínio dum hedonismo desenfreado, as tentações da violência, as expressões mais variadas de falta de sentido e de desespero.

Rezar o Rosário pelos filhos e, mais ainda, com os filhos, educando-os desde tenra idade para este momento diário de “paragem orante” da família, não traz por certo a solução de todos os problemas, mas é uma ajuda espiritual que não se deve subestimar. Pode-se objectar que o Rosário parece uma oração pouco adaptada ao gosto das crianças e jovens de hoje. Mas a objecção parte talvez da forma muitas vezes pouco cuidada de o rezar. Ora, ressalvada a sua estrutura fundamental, nada impede que a recitação do Rosário para crianças e jovens, tanto em família como nos grupos, seja enriquecida com atrativos simbólicos e práticos, que favoreçam a sua compreensão e valorização. Por que não tentar? Uma pastoral juvenil sem descontos, apaixonada e criativa – as Jornadas Mundiais da Juventude deram-me a sua medida! – pode, com a ajuda de Deus, fazer coisas verdadeiramente significativas. Se o Rosário for bem apresentado, estou seguro de que os próprios jovens serão capazes de surpreender uma vez mais os adultos, assumindo esta oração e recitando-a com o entusiasmo típico da sua idade.

O Rosário, um tesouro a descobrir

43. Queridos irmãos e irmãs! Uma oração tão fácil e ao mesmo tempo tão rica merece verdadeiramente ser descoberta de novo pela comunidade cristã. Façamo-lo sobretudo neste ano, assumindo esta proposta como um reforço da linha traçada na Carta apostólica Novo millennio ineunte, na qual se inspiraram os planos pastorais de muitas Igrejas particulares ao programarem os seus compromissos a curto prazo.

Dirijo-me de modo particular a vós, amados Irmãos no Episcopado, sacerdotes e diáconos, e a vós, agentes pastorais nos diversos ministérios, pedindo que, experimentando pessoalmente a beleza do Rosário, vos torneis solícitos promotores do mesmo.

Também espero em vós, teólogos, para que desenvolvendo uma reflexão simultaneamente rigorosa e sapiencial, enraizada na Palavra de Deus e sensível à vida concreta do povo cristão, façais descobrir os fundamentos bíblicos, as riquezas espirituais, a validade pastoral desta oração tradicional.

Conto convosco, consagrados e consagradas, a título especial chamados a contemplar o rosto de Cristo na escola de Maria.

Penso em vós todos, irmãos e irmãs de qualquer condição, em vós, famílias cristãs, em vós, doentes e idosos, em vós, jovens: retomai confiadamente nas mãos o terço do Rosário, fazendo a sua descoberta à luz da Escritura, de harmonia com a Liturgia, no contexto da vida quotidiana.

Que este meu apelo não fique ignorado! No início do vigésimo quinto ano de Pontificado, entrego esta Carta apostólica nas mãos sapientes da Virgem Maria, prostrando-me em espírito diante da sua imagem venerada no Santuário esplêndido que Lhe edificou o Beato Bártolo Longo, apóstolo do Rosário. De bom grado, faço minhas as comoventes palavras com que ele conclui a célebre Súplica à Rainha do Santo Rosário: « Ó Rosário bendito de Maria, doce cadeia que nos prende a Deus, vínculo de amor que nos une aos Anjos, torre de salvação contra os assaltos do inferno, porto seguro no naufrágio geral, não te deixaremos nunca mais. Serás o nosso conforto na hora da agonia. Seja para ti o último beijo da vida que se apaga. E a última palavra dos nossos lábios há-de ser o vosso nome suave, ó Rainha do Rosário de Pompeia, ó nossa Mãe querida, ó Refúgio dos pecadores, ó Soberana consoladora dos tristes. Sede bendita em todo o lado, hoje e sempre, na terra e no céu ».

Vaticano, 16 de Outubro de 2002, início do vigésimo quinto ano de Pontificado.

 

JOÃO PAULO II


Notas

(1) Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. sobre a Igreja no mundo contemporâneo Gaudium et spes, 45.

(2) Cf. Paulo VI, Exort. ap. Marialis cultus (2 de Fevereiro de 1974), 42: AAS 66 (1974), 153.

(3) Cf. Acta Leonis XIII, 3 (1884), 280-289.

(4) De modo particular, merece menção a sua Epístola apostólica sobre o Rosário « O encontro religioso », de 29 de Setembro de 1961: AAS 53 (1961), 641-647.

(5Alocução do « Angelus »: L’Osservatore Romano (ed. portuguesa: 5 de Novembro de 1978), 1.

(6) Cf. n. 29: AAS 93 (2001), 285.

(7) João XXIII, nos anos de preparação do Concílio, não deixou de convidar a comunidade cristã à recitação do Rosário pelo sucesso deste evento eclesial: cf. Carta ao Cardeal Vigário de 28 de Setembro de 1960: AAS 52 (1960), 814-817.

(8) Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 66.

(9) N. 32: AAS 93 (2001), 288.

(10Ibid., 33: l. c., 289.

(11) É sabido, e há que reafirmá-lo, que as revelações privadas não são da mesma natureza que a revelação pública, normativa para toda a Igreja. Ao Magistério cabe discernir e reconhecer a autenticidade e o valor das revelações privadas para a piedade dos fiéis.

(12O segredo maravilhoso do Santo Rosário para converter-se e salvar-se: S. Luís Maria Grignion de Montfort, Obras, 1, Escritos espirituais (Roma 1990), pp. 729-843.

(13) Beato Bártolo Longo, História do Santuário de Pompeia, (Pompeia 1990), p. 59.

(14) Exort. ap. Marialis cultus (2 de Fevereiro de 1974), 47: AAS 66 (1974), 156.

(15) Const. sobre a Sagrada Liturgia Sacrosanctum Concilium, 10.

(16Ibid., 12.

(17) Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Lumen gentium58.

(18Os Quinze Sábados do Santíssimo Rosário,27 (ed. Pompeia 1916), p. 27.

(19) Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Lumen gentium53.

(20Ibid., 60.

(21) Cf. Primeira Radiomensagem Urbi et orbi (17 de Outubro de 1978): AAS 70 (1978), 927.

(22Tratado da verdadeira devoção a Maria, 120, em: Obras. Vol. I Escritos espirituais (Roma 1990), p. 430.

(23Catecismo da Igreja Católica, 2679.

(24Ibid., 2675.

(25) A Súplica à Rainha do Santo Rosário, que se recita solenemente duas vezes ao ano, em Maio e Outubro, foi composta pelo Beato Bártolo Longo em 1883, como adesão ao convite feito aos católicos pelo Papa Leão XIII, na sua primeira Encíclica sobre o Rosário, de um empenho espiritual para enfrentar os males da sociedade.

(26Divina Comédia, Par. XXXIII, 13-15 (« Mulher, és tão grande e tanto vales, / que quem deseja uma graça e a vós não se dirige, é como se quisesse voar sem asas »).

(27) João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte (6 de Janeiro de 2001), 20: AAS 93 (2001), 279.

(28) Exort. ap. Marialis cultus (2 de Fevereiro de 1974), 46: AAS 66 (1974), 155.

(29) João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte (6 de Janeiro de 2001), 28: AAS 93 (2001), 284.

(30) N. 515.

(31) Angelus do dia 29 de Outubro de 1978: L’Osservatore Romano (ed. portuguesa: 5 de Novembro de 1978), 1.

(32) Const. past. sobre a Igreja no mundo contemporâneo Gaudium et spes, 22.

(33) Santo Ireneu de Lião, Adversus haereses, III, 18,1: PG7, 932.

(34Catecismo da Igreja Católica, 2616.

(35) Cf. n. 33: AAS 93 (2001), 289.

(36) João Paulo II, Carta aos Artistas (4 de Abril de 1999), 1: AAS 91 (1999), 1155.

(37) Cf. n. 46: AAS 66 (1974), 155. Tal costume foi louvado ainda recentemente pela Congregação do Culto Divino e da Disciplina dos Sacramentos, no Directório sobre piedade popular e liturgia. Princípios e orientações (17 de Dezembro de 2001), 201 (Cidade do Vaticano 2002), p. 165.

(38) « …concede, quæsumus, ut hæc mysteria sacratissimo beatæ Mariæ Virginis Rosario recolentes, et imitemur quod continent, et quod promittunt assequamur »: Missale Romanum (1960) in festo B. M. Virginis a Rosario.

(39) Cf. n. 34: AAS 93 (2001), 290.

 


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Originalmente publicada no site oficial do Vaticano (Vatican.va)

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Feliz Ano Novo em Cristo

Formação: Ano Litúrgico

O admirabile commercium! Creator generis humani, anima corpus sumens, de Virgine nasci digna tus est; et procedens homo sine semine, largitus est nobis suam deitatem.

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O Ano Litúrgico de 2019 acabou e se inicia um novo ano no dia 1 de dezembro com o Primeiro Domingo do Advento. Será o Ano A (Mateus), ou seja a grande maioria das leituras do ano será tirada do Evangelho de Mateus.

Vale dizer que o ano B é o Evangelho de Marcos e o ano C é o Evangelho de Lucas. Já o Evangelho de São João é reservado para as ocasiões especiais, principalmente as grandes Festas e Solenidades. Para este Evangelho não existe um Ano Litúrgico.

Pela tradição este é o dia correto para se montar a sua árvore de Natal e decorar sua casa. Para quem é católico pelo menos. Infelizmente as pessoas seguem o que diz os shoppings e as propagandas e começam a decorar suas casas para o Natal ainda em novembro. É pecado? Não. Apenas demonstra que está faltando mais atenção nas missas e talvez você não tenha feito uma boa catequese. Na melhor das hipóteses você se esqueceu do que aprendeu (acho difícil).

Pois bem o Advento é a preparação para o nascimento de Jesus (a memória). São 4 domingos em que a igreja se prepara de maneira especial para a segunda grande celebração do ano litúrgico: o nascimento de Jesus. A primeira é a Imaculada Conceição de Nossa Senhora (8 de dezembro).

O Advento também marca o início do novo ano da igreja Católica. Em 2019 foi no dia 1º de dezembro, em 2020 será em 29 de novembro, sempre quatro domingos antes do dia 25 de dezembro.

O ano civil continua e só termina no dia 31 de dezembro, e as pessoas comemoram muitas vezes enlouquecidamente. Pior, a maioria são católicos que não percebem que o nosso novo ano já se iniciou.

A maioria das grandes religiões tem uma data especifica para marcar o início do ano. Os judeus comemoram o  , os indianos o , budistas , muçulmanos  .

Com o início do Advento também se inicia o Ano Litúrgico, que são ciclos dentro da igreja para se rezar e evangelizar através da Palavra de Deus. Sendo que estes ciclos são divididos entre: Tempo do Advento, Tempo do Natal, Primeira Parte do Tempo Comum, Tempo da Quaresma, Tempo Pascal e Segunda Parte do Tempo Comum. O ano litúrgico termina com a Festa de Cristo Rei.

Interessante se pensar que o ano litúrgico começa logo com Maria, mãe de Jesus. “Ao celebrar o ciclo anual dos mistérios de Cristo, a santa Igreja venera com particular amor a bem-aventurada mãe de Deus, Maria, que por um vínculo indissolúvel está unida à obra salvífica de seu Filho; em Maria a Igreja admira e exalta o mais excelente fruto da redenção e a contempla com alegria como puríssima imagem do que ela própria anseia e espera ser em sua totalidade. ” (CIC 1172)

A preparação para a vinda de Jesus atravessou séculos e foi preparada de tal maneira por Deus, que cada fato na história da fé está intimamente ligada ao ápice do nascimento de Jesus. (Vide CIC 522-524).

Até mesmo a cena do nascimento numa manjedoura e numa família pobre mostra muita coisa, abre e deixa claro que a salvação é para todos e mesmo os mais humildes e pobres serão agraciados. “Tornar-se criança” em relação a Deus é a condição para entrar no Reino; para isso é preciso humilhar-se, tornar-se pequeno; mais ainda: é preciso “nascer do alto” (Jo 3,7), “nascer de Deus” para tornar-nos filhos de Deus. O mistério do Natal realiza-se em nós quando Cristo “toma forma” em nós. (CIC 525-526).

Então não é um tempo sem sentido, e a preparação deve ser ainda mais intensa.

Geralmente são realizadas novenas natalinas nas casas e assim a igreja sai do seu ponto estático (o Templo) e leva esta palavra as casas dos fiéis. Penetra nas famílias levando o Advento também para os lares. Muito como um convite a vir visitar a casa de Jesus, ou melhor, visitar e esperar o nascimento do Senhor. Assim como a estrela guiou os reis pelo deserto, as novenas e principalmente os domingos do Advento são o brilho desta estrela que repousará sobre cada um e também sobre a manjedoura que acolhe o próprio Deus encarnado como homem.

Então Feliz Ano Novo cristão.

E descubra todo o significado do Advento participando das Missas e abrindo sua casa para as novenas de Natal. O que você chama de Espírito Natalino é nada mais, nada menos que a acolhida da Sagrada Família à espera da memória do nascimento de Jesus.

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Como é Calculado o Ano Litúrgico?

Muito simples, apenas somando os algarismos do ano. Para se determinar qual é o Ano A, B ou C, procede-se da maneira seguinte: Pela letra C, designa-se o ano cujo número for divisível por três, como se o ciclo começasse no primeiro ano da contagem cristã. Deste modo, o Ano 1 teria sido o Ano A, o Ano 2 o Ano B, o Ano 3 o Ano C, e os Anos 6, 9, 12… novamente o Ano C. O ano em que a soma dos algarismos for um número múltiplo de 3 é do ciclo C.

Seguindo este critério temos: 2017 = 2+0+1+7= 10 (9, múltiplo de 3, + 1), portanto, foi Ano A. O ano seguinte, 2018, logicamente, Ano B. E o ano litúrgico de 2019 será o ano C, por ser múltiplo de 3. Não existe erro! É fácil.

É evidente que cada ciclo se desenvolve conforme a estrutura do ano litúrgico, isto é, a partir da primeira semana do Advento, que ocorre no ano civil anterior.

“As leituras Bíblicas que ocorrem nas celebrações, caracterizam-se com o chamado Ano Litúrgico, criado para acompanharmos através das leituras dos textos bíblicos (Evangelho e outros livros), a vida de Jesus em ordem cronológica do nascimento até a ascensão aos céus. Assim, ouvimos nas celebrações textos que falam do anúncio do Messias, da encarnação, de seu ministério público com milagres, do chamado ao discipulado, discursos, parábolas até culminarmos com Sua morte e ressurreição nos preparando para a Parusia, ou seja, do Cristo Rei do Universo no final do ano litúrgico.

Ano Litúrgico passa por três ciclos, também chamado de anos A, B, C. Em cada ano tem uma sequência de leituras próprias, ou seja, leituras para o ano A, para o ano B e para o ano C. A ideia desta distribuição de textos bíblicos ao longo de três anos tem como objetivo se ter uma visão e leitura de toda a Bíblia.” (trecho de texto do site Rumo a Santidade)

Constituição Sacrosanctum Concilium determinou:

«Prepare se para os fiéis, com maior abundância, a mesa da Palavra de Deus: abram se mais largamente os tesouros da Bíblia, de modo que, dentro de um período de tempo estabelecido, sejam lidas ao povo as partes mais importantes da Sagrada Escritura»

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Tempo do Natal (Catecismo da Igreja Católica)

522 A vinda do Filho de Deus à terra é um acontecimento de tal imensidão que Deus quis prepará-lo durante séculos. Ritos e sacrifícios, figuras e símbolos da “Primeira Aliança”, tudo ele faz convergir para Cristo; anuncia-o pela boca dos profetas que se sucedem em Israel. Desperta, além disso, no coração dos pagãos a obscura expectativa desta vinda. (Parágrafos relacionados: 711,762)

523 São João Batista é o precursor imediato do Senhor, enviado para preparar-lhe o caminho.

“Profeta do Altíssimo” (Lc 1,76), ele supera todos os profetas, deles é o último, inaugura o Evangelho; saúda a vinda de Cristo desde o seio de sua mãe e encontra sua alegria em ser “o amigo do esposo” (Jo 3,29), que designa como “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29). Precedendo a Jesus “com o espírito e o poder de Elias” (Lc 1,17), dá-lhe testemunho por sua pregação, seu batismo de conversão e, finalmente, seu martírio. (Parágrafos relacionados: 712,720)

524 Ao celebrar cada ano a liturgia do Advento, a Igreja atualiza esta espera do Messias: comungando com a longa preparação da primeira vinda do Salvador, os fiéis renovam o ardente desejo de sua Segunda Vinda. Pela celebração da natividade e do martírio do Precursor, a Igreja se une a seu desejo: “É preciso que Ele cresça e que eu diminua” (Jo 3,30). (Parágrafo relacionado: 1171)

O MISTÉRIO DO NATAL

525 Jesus nasceu na humildade de um estábulo, em uma família pobre; as primeiras testemunhas do evento são simples pastores. É nesta pobreza que se manifesta a glória do Céu. A Igreja não se cansa de cantar a glória dessa noite: Hoje a Virgem traz ao mundo o Eterno. (Parágrafos relacionados: 437,2443)

E a terra oferece uma gruta ao Inacessível.

Os anjos e os pastores o louvam

E os magos caminham com a estrela.

Pois Vós nascestes por nós, Menino, Deus eterno!

526 “Tornar-se criança” em relação a Deus é a condição para entrar no Reino; para isso é preciso humilhar-se, tornar-se pequeno; mais ainda: é preciso “nascer do alto” (Jo 3,7), “nascer de Deus” para tornar-nos filhos de Deus. O mistério do Natal realiza-se em nós quando Cristo “toma forma” em nós. O Natal é o mistério deste “admirável intercâmbio:

O admirabile commercium! Creator generis humani, anima corpus sumens, de Virgine nasci digna tus est; et procedens homo sine semine, largitus est nobis suam deitatem (Admirável intercâmbio! O Criador da humanidade, assumindo corpo e dignou-se nascer de uma Virgem; e, tomando-se homem intervenção do homem, nos doou sua própria divindade!)

O ANO LITÚRGICO

1168 Partindo do tríduo pascal, como de sua fonte de luz, o tempo novo da Ressurreição enche todo o ano litúrgico com sua claridade. Aproximando-se progressivamente de ambas as vertentes desta fonte, o ano é transfigurado pela liturgia. É realmente “ano de graça do Senhor”. A economia da salvação está em ação moldura do tempo, mas desde a sua realização na Páscoa de Jesus e a efusão do Espírito Santo o fim da história é antecipado, “em antegozo”, e o Reino de Deus penetra nosso tempo.

1169 Por isso, a páscoa não é simplesmente uma festa entre outras: é a “festa das festas”,

“solenidade das solenidades”, como a Eucaristia é o sacramento dos sacramentos (o grande sacramento). Santo Atanásio a denomina “o grande domingo como a semana santa é chamada no Oriente “a grande semana”. O mistério da ressurreição, no qual Cristo esmagou a morte, penetra nosso velho tempo com sua poderosa energia até que tudo lhe seja submetido.

1170 No Concílio de Nicéia (em 325), todas as Igrejas chegaram a um acordo acerca de que a páscoa cristã fosse celebrada no domingo que segue a lua cheia (14 Nisan) depois do equinócio de primavera. Por causa dos diversos métodos utilizados para calcular o dia 14 de mês de Nisan, o dia da Páscoa nem sempre ocorre simultaneamente nas Igrejas ocidentais e orientais. Por isso busca-se um acordo, a fim de se chegar novamente a celebrar em uma data comum o dia da Ressurreição do Senhor.

1171 O ano litúrgico é o desdobramento dos diversos aspectos do único mistério pascal. Isto vale muito particularmente para o ciclo das festas em tomo do mistério da encarnação (Anunciação, Natal, Epifania) que comemoram o começo de nossa salvação e nos comunicam as primícias do Mistério da Páscoa.

O SANTORAL NO ANO LITÚRGICO

1172 “Ao celebrar o ciclo anual dos mistérios de Cristo, a santa Igreja venera com particular amor a bem-aventurada mãe de Deus, Maria, que por um vínculo indissolúvel está unida à obra salvífica de seu Filho; em Maria a Igreja admira e exalta o mais excelente fruto da redenção e a contempla com alegria como puríssima imagem do que ela própria anseia e espera ser em sua totalidade. ”

1193 O domingo, “dia do Senhor”, é o dia principal da celebração da Eucaristia por ser o dia da ressurreição. É o dia da assembleia litúrgica por excelência, o dia da família cristã, o dia da alegria e do descanso do trabalho. O domingo é “o fundamento e o núcleo do ano litúrgico”.

2698 A Tradição da Igreja propõe aos fiéis ritmos de oração destinados a nutrir a oração continua. Alguns são cotidianos: a oração da manhã e da tarde, antes e depois das refeições, a Liturgia das Horas. O domingo, centrado na Eucaristia, é santificado principalmente pela oração. O ciclo do ano litúrgico e suas grandes festas são os ritmos fundamentais da vida de oração dos Cristãos.

1438 Os tempos e os dias de penitência ao longo do ano litúrgico (o tempo da

Quaresma, cada sexta-feira em memória da morte do Senhor) são momentos fortes da prática penitencial da Igreja. Esses tempos são particularmente apropriados aos exercícios espirituais, às liturgias penitenciais, às peregrinações em sinal de penitência, às privações voluntárias como o jejum e a esmola, à partilha fraterna (obras de caridade e missionárias).

Ano Litúrgico 2020

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O sangue de Maria correu na cruz

Teologia Leiga por Milton Cesar (com colaboração de Fabiana Aparecida)

 

Geralmente existe sempre um ataque a Igreja Católica, que parece incomodar por ter resistido estes mais de 2000 anos de pé, frente a exércitos e pessoas que tentam minar a fé de bilhões. Quando não acham mais o que falar, pois são desacreditados, resolvem recorrer a uma velha tática:

Atacar a Virgem Maria

Mas vejam bem, um pouco de discernimento já resolveria muita coisa e uma bela reflexão é esta proposta:

De quem foi o sangue que correu na cruz?

De quem era o sangue de Jesus?

Pare um pouco e pense…

Se Jesus era humano e divino, de quem era a carne e por consequência o sangue dele?

Da sua parte humana, ou seja da própria Virgem Maria.

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Deus é o criador onipotente, mas ele nunca foi um ser humano comum, quando criou Adão o fez do barro: “O Senhor Deus formou, pois, o homem do barro da terra, e inspirou-lhe nas narinas um sopro de vida e o homem se tornou um ser vivente. Ora, o Senhor Deus tinha plantado um jardim no Éden, do lado do oriente, e colocou nele o homem que havia criado.” e logo depois criou Eva da costela de Adão: “Então o Senhor Deus mandou ao homem um profundo sono; e enquanto ele dormia, tomou-lhe uma costela e fechou com carne o seu lugar. E da costela que tinha tomado do homem, o Senhor Deus fez uma mulher, e levou-a para junto do homem. “Eis agora aqui, disse o homem, o osso de meus ossos e a carne de minha carne; ela se chamará mulher, porque foi tomada do homem.” (Gn 2, 7-8. 21-23) .
Fica claro que ele não se “transformou” no homem ou na mulher e sim soprou a vida. Então Deus não teve um corpo com pele, ossos, sangue. Quando quis ser um homem através da concepção de Jesus, também o fez através de um ato divino: “No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi e o nome da virgem era Maria. Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo. Perturbou-se ela com estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação. O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim. Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, pois não conheço homem? Respondeu-lhe o anjo: O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus. Também Isabel, tua parenta, até ela concebeu um filho na sua velhice; e já está no sexto mês aquela que é tida por estéril, porque a Deus nenhuma coisa é impossível. Então disse Maria: Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo afastou-se dela.” (Lc 1, 26-38)
Existe uma clara diferença entre o milagre da gravidez de Isabel e de Maria. A primeira era casada com Zacarias e ambos já tinham certa idade, mas ainda assim continuavam a ser um casal. Já Maria era virgem e aguardava para se casar oficialmente com José, então nunca tinha mantido sequer uma relação sexual. Porém o que vale aqui é ver que Deus fez Maria ficar grávida através do Espírito Santo que é uma parte dele.

Nossa Senhora grávida

Mas toda a gravidez transcorreu de forma normal, com Maria engordando, provavelmente sentindo dores nas costas, pés inchados e até um certo cansaço, enquanto o feto desenvolvia-se, ia se formando com carne, pele, ossos e sangue. E este sangue era o sangue de Maria e não o de Deus.

Claro que é impossível de não lembrar de toda a divindade de Jesus, pois ele era parte da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo), e como tal possuía a sabedoria do Pai e toda a autoridade dele, para curar, ressuscitar os mortos e acima de tudo ensinar os caminhos que levam ao céu. Mas a sua parte humana tinha também o seu valor inestimável e como tal veio para ser o Cordeiro Imolado em nome dos nossos pecados.

 

Foi preso, torturado, chicoteado, coroado com espinhos e pregado numa cruz. Todo este sangue era também o sangue de sua mãe Maria.

 

Então como discutir a importância de Maria e tentar relevá-la a um papel insignificante diante disso? Até a frase muito dita por nossos irmãos protestantes: O Sangue de Jesus tem poder. – ganha um novo significado, levando-se em conta que este sangue poderoso advinha de Maria.

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Afinal se Deus quisesse apenas se parecer com um ser humano ele não teria escolhido esta jovem tão especial em plena a Galiléia e teria soprado a vida em um ser e mandado o Espírito Santo comandá-lo. Pelo contrário ele escolheu Maria e deixou que ela concebesse seu filho de carne e osso fruto do corpo dela.

O sangue de Jesus que correu na cruz era também o sangue de Maria.

“Chegando, porém, a Jesus, como o vissem já morto, não lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água.” (Jo 19, 33-34) 

Para a igreja a simbologia deste ato descrito por São João está no fato de a água significar o Batismo e o sangue a Eucaristia (este é o meu sangue que será derramado por vós) e estes dois Sacramentos da Iniciação Cristã serem a espinha dorsal dos Sacramentos da Igreja Católica.

Milton Cesar e com colaboração de Fabiana Aparecida

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Catecismo da Igreja Católica

“ALEGRA-TE, CHEIA DE GRAÇA”
721 Maria, a Mãe de Deus toda santa, sempre Virgem, é a obra prima da missão do Filho e do Espírito na plenitude do tempo pela primeira vez no plano da salvação e porque o seu Espírito a preparou, o Pai encontra a Morada em, que seu Filho e seu Espírito podem habitar entre os homens. E neste sentido que a Tradição da Igreja muitas vezes leu, com relação a Maria, os mais belos textos sobre a Sabedoria: Maria é decantada e representada na Liturgia como o “trono da Sabedoria”. Nela começam a manifestar-se as
“maravilhas de Deus” que o Espírito vai realizar em Cristo e na Igreja. (Parágrafo relacionado 484)
722 O Espírito Santo preparou Maria com sua graça. Convinha que fosse “cheia de graça” a mãe daquele em quem “habita corporalmente a Plenitude da Divindade” (Cl 2,9). Por pura graça, ela foi concebida sem pecado como a mais humilde das criaturas; a mais capaz de acolher o Dom inefável do Todo-Poderoso. É com razão que o anjo Gabriel a saúda como a “filha de Sião”: “Alegra-te”. É a ação de graças de todo o Povo de Deus, e portanto da Igreja, que ela faz subir ao Pai no Espírito Santo em seu cântico, enquanto traz em si o Filho Eterno. (Parágrafos relacionados 489,2676)
723 Em Maria, o Espírito Santo realiza o desígnio benevolente do Pai. É pelo Espírito Santo que a Virgem concebe e dá à luz o Filho de Deus. Sua virgindade transforma-se em fecundidade única pelo poder do Espírito e da fé. (Parágrafos relacionados 485,506)
724 Em Maria, o Espírito Santo manifesta o Filho do Pai tornado Filho da Virgem. Ela é a Sarça ardente da Teofania definitiva: repleta do Espírito Santo, ela mostra o Verbo na humildade de sua carne, e é aos Pobres e às primícias das nações que ela o dá a conhecer. (Parágrafos relacionados 208,2619)
725 Finalmente, por Maria o Espírito Santo começa a pôr em Comunhão com Cristo os homens, “objetos do amor benevolente de Deus”, e os humildes são sempre os primeiros a recebê-lo: os pastores, os magos, Simeão e Ana, os esposos de Caná e os primeiros discípulos. (Parágrafo relacionado 963)
726 Ao final desta missão do Espírito, Maria torna-se a “Mulher”, nova Eva, “mãe dos viventes”, Mãe do “Cristo total”. É nesta qualidade que ela está presente com os Doze, “com um só coração, assíduos à oração” (At 1,14), na aurora dos “últimos tempos” que o Espírito vai inaugurar na manhã de Pentecostes, com a manifestação da Igreja. (Parágrafos relacionados 494,2618)

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28º Encontro (Catequese) – Devoção Mariana e o Santo Rosário

Série: Animo, uma nova Catequese (Encontro 28/40)

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Chegamos ao nosso 28º, a nossa vivência na fé pela catequese se aproxima da jornada final. Com certeza é sempre um bom momento para intensificar a preparação.
Para este encontro é importante providenciar algumas coisas:
  1. Terços (para serem dados aos catequizandos) existem pacotes com 12 unidades
  2. Folhetos Como rezar o Terço (Paulus) (existem a venda nas livrarias católicas em pacotes com 50 unidades)

Estes acessórios são importantes para que os catequizandos possam ter uma familiaridade com o rosário e possa fazer uma oração ainda melhor.

Como primeiro momento deve-se deixar um ambiente limpo, decorado com flores , Bíblia e vela. Além dos terços que serão dados de presente. Seria interessante se todos pudessem se acomodar no chão em círculo.

Na oração inicial podemos sugerir que se faça um Pai Nosso e uma Ave Maria

Depois canta-se Perfeito é quem te criou – Vida Reluz

No terceiro momento podemos entrar no assunto sobre a devoção a Maria. Como é e porque existe. Falar sobre a importância da mãe de Jesus para a igreja, (ver aprofundamento para o catequista).

Como uma dinâmica rápida pode-se pedir que os catequizandos citem nomes dados a Virgem Maria e tudo ser anotado em uma cartolina.

Explicar também sobre como rezar o Santo Rosário é um ótimo exercício de fé e poderoso amparo nas horas difíceis da vida. Então pode-se entregar o terço, explicar como se reza e fazer o terço onde todos fazem a oração. (veja Como Rezar o Santo Rosário (Terço))

Como canto final podemos fazer também a oração final ao cantar Mãe Fiel (Mostra-me o caminho)- Padre Zeca

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Sugestão de folha para o encontro

Aprofundamento para o catequista

Devoção Mariana

Nascido da Virgem Maria (cf. CIC 484-511 Parágrafo 2)

O que a fé católica crê, a respeito de Maria, funda-se no que crê a respeito de Cristo. Mas o que a mesma fé ensina sobre Maria esclarece, por sua vez, a sua fé em Cristo. (CIC 487)

A RELIGIOSIDADE POPULAR (CIC 1674-1676 )

1674. Fora da liturgia dos sacramentos e dos sacramentais, a catequese deve ter em consideração as formas de piedade dos fiéis e a religiosidade popular. O sentimento religioso do povo cristão desde sempre encontrou a sua expressão em variadas formas de piedade, que rodeiam a vida sacramental da Igreja, tais como a veneração das relíquias, as visitas aos santuários, as peregrinações, as procissões, a via-sacra, as danças religiosas, o rosário, as medalhas, etc…

1675. Estas manifestações são um prolongamento da vida litúrgica da Igreja, mas não a substituem. «Devem ser organizadas, tendo em conta os tempos litúrgicos e de modo a harmonizarem-se com a liturgia, a dimanarem dela de algum modo e a nela introduzirem o povo; porque, por sua natureza, a liturgia lhes é, de longe, superior».

1676. Para manter e apoiar a religiosidade popular, é necessário um discernimento pastoral. O mesmo se diga, se for caso disso, para purificar e corrigir o sentimento religioso subjacente a essas devoções e para fazer progredir no conhecimento do mistério de Cristo. A sua prática está submetida ao cuidado e às decisões dos bispos e às normas gerais da igreja

A igreja católica tem em Maria um forte sinal devocional, é como uma marca de quem comunga da fé católica,  seria quase impossível ser da igreja e não acreditar em Nossa Senhora.

Os padres da tradição oriental chamam a Virgem Maria de Pan-hagia (pronuncia-se “pan-haguía” ) e a celebram como imune de toda mancha de pecado, tendo sido plasmada pelo Espírito Santo é firmada como nova criatura. (CIC 493)

Jesus, o único Mediador, é o Caminho de nossa oração e Maria, sua mãe, é pura transparência dele, Maria “mostra o Caminho”(“Hodoghitria”) é seu sinal, conforme a iconografia tradicional no Oriente e no Ocidente. (Ver ícone Hodoghitria )

Em aramaico o nome é Maryam  que significa soberana. Já em hebraico é Míriam que significa  “amada por Javé”

Maria foi escolhida por Deus para ser a mãe do seu filho, e podemos imaginar como só este fato é extremamente relevante para que ela tenha toda esta importância. Deus não escolheria qualquer uma, ele escolheria alguém especial, e foi o que ele fez. De uma vila desprezada em toda a Palestina chamada Nazaré, Deus viu uma jovem, ainda adolescente que era perfeita para gerar o seu primogênito. Escolheu também um homem chamado José para assumir o papel de pai terreno de Jesus.

Mas o fato mais relevante é que está jovem temente a Deus aceitou a missão de ser mãe do filho de Deus, e passou por tantos perigos que sequer esperava passar e criou este filho, viu ele fazer milagres, morrer, ressuscitar, subir aos céus e depois levá-la. Mais importante ainda, está jovem permaneceu virgem mesmo após a concepção.

Maria sempre intercedeu pelos mais necessitados, começando nas Bodas de Caná e para todos os fiéis está intercessão continua até hoje.

A igreja tem como conta de que Nossa Senhora sempre dá seus sinais aparecendo em várias partes do mundo para interceder sobre algumas situações. Vide alguns exemplos:

  • Nossa Senhora Aparecida: apareceu no Vale do Paraíba justamente quando um importante Conde iria fazer um estadia na região e quando um dos pescadores pescou a cabeça da imagem e depois o corpo logo as redes se encheram de peixes. Mas o mais interessante foi o fato da imagem vir negra e justamente os escravos viviam dias cada vez mais difíceis, ela deu esperança pois mostrou que Maria também tinha o rosto dos oprimidos. Há duas fontes sobre o achado da imagem, que se encontram no Arquivo da Cúria Metropolitana de Aparecida (anterior a 1743) e no Arquivo da Companhia de Jesus, em Roma: a história registrada pelos padres José Alves Vilela, em 1743, e João de Morais e Aguiar, em 1757, cujos documentos se encontram no Primeiro Livro de Tombo da Paróquia de Santo Antônio de Guaratinguetá. Segundo os relatos, a aparição da imagem ocorreu na segunda quinzena de outubro de 1717, quando Pedro Miguel de Almeida Portugal e Vasconcelosconde de Assumar e governante da capitania de São Paulo e Minas de Ouro, estava de passagem pela cidade de Guaratinguetá, no vale do Paraíba, durante uma viagem até Vila RicaO povo de Guaratinguetá decidiu fazer uma festa em homenagem à presença de Dom Pedro de Almeida e, apesar de não ser temporada de pesca, os pescadores lançaram seus barcos no Rio Paraíba com a intenção de oferecerem peixes ao conde. Os pescadores Domingos Garcia, João Alves e Filipe Pedroso rezaram para a Virgem Maria e pediram a ajuda de Deus. Após várias tentativas infrutíferas, desceram o curso do rio até chegarem ao Porto Itaguaçu. Eles já estavam a desistir da pescaria quando João Alves jogou sua rede novamente,em vez de peixes, apanhou o corpo de uma imagem da Virgem Maria, sem a cabeça. Ao lançar a rede novamente, apanhou a cabeça da imagem, que foi envolvida em um lenço.Após terem recuperado as duas partes da imagem, a figura da Virgem Aparecida teria ficado tão pesada que eles não conseguiam mais movê-la.A partir daquele momento, os três pescadores apanharam tantos peixes que se viram forçados a retornar ao porto, uma vez que o volume da pesca ameaçava afundar as embarcações. Esta foi a primeira intercessão atribuída à santa. 
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    A imagem de Nossa Senhora encontrada na gruta onde ela apareceu

     

  • Nossa Senhora de LourdesAs aparições de Nossa Senhora de Lourdes começaram no dia 11 de fevereiro de 1858, quando Bernadette Soubirous, camponesa com 14 anos, foi questionada por sua mãe, pois afirmava ter visto uma “dama” na gruta de Massabielle, cerca de uma milha da cidade, enquanto ela estava recolhendo lenha com a irmã e uma amiga.[1] A “dama” também apareceu em outras ocasiões para Bernadette até os dezessete anos.Bernadette Soubirous foi canonizada como santa, por suas visões da Virgem Maria. A primeira aparição da “Senhora”, relatada por Bernadette foi em 11 de fevereiro. O Papa Pio IX autorizou o bispo local para permitir a veneração da Virgem Maria em Lourdes, em 1862.

Irmã Lúcia, uma das três crianças que avistaram Nossa Senhora.

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Nossa Senhora de Međugorje, Rainha da Paz

  • Nossa Senhora de MedjugorjeNo dia 24 de Junho de 1981, Mirjana Dragicevic e Ivanka Ivankovic relataram ter recebido uma aparição da Virgem Maria na vila de Međugorje. No dia seguinte, outras quatro crianças (Marija Pavlovic, Jakov Colo, Vicka Ivankovic e Ivan Dragicevic) também relataram ter observado a presença da Santíssima Virgem. Nos anos seguintes, os seis videntes continuaram sempre a relatar aparições da Virgem Maria diariamente, e isto à medida que Međugorje se tornava num famoso local de peregrinação cristã. De acordo com relatos, desde então Nossa Senhora de Međugorje (Medjugorje) vem aparecendo diariamente para três das seis crianças. Nossa Senhora de Medjugorje é também conhecida como Rainha da Paz, pois segundo as crianças é vestida assim que ela aparece. Como é um lugar onde geralmente as crianças estavam sofrendo com a guerra, foi este o titulo escolhido. É a única aparição que ainda está em curso.
  • Nossa Senhora de GuadalupePelos relatos, a “Senhora do Céu” apareceu a Juan Diego, identificou-se como a mãe do verdadeiro Deus, fez crescer flores numa colina semidesértica em pleno inverno, as quais Juan Diego devia levar ao bispo, que exigira alguma prova de que efetivamente a Virgem havia aparecido. Juan foi instruído por ela a dizer ao bispo que construísse um templo no lugar, e deixou sua própria imagem impressa milagrosamente em seu tilma (ela também teria aparecido ao seu tio Juan Bernardino), um tecido de pouca qualidade feito a partir do cacto, que deveria se deteriorar em 20 anos mas que não mostra sinais de deterioração até ao presente. Um estudo realizado no Instituto de Biologia da Universidade Nacional Autônoma do México, em 1946, comprovou que as fibras do tecido correspondem às fibras de agave, tais fibras não duram mais do que vinte anos. Em ampliações da face de Nossa Senhora, os seus olhos, na imagem gravada, parecem refletir o que estava à sua frente em 1531 – Juan Diego, e o bispo. Porém, alguns acreditam que isto pode ser explicado pelo fenômeno da pareidolia. O assunto tem sido objeto de inúmeras investigações científicas. É venerada na Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe e a sua festa é celebrada em 12 de dezembro.
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Imagem original milagrosa de Nossa Senhora de Guadalupe na tilma de Juan Diego Cuauhtlatoatzin

O Rosário

Origem. A oração do Santo Rosário surge aproximadamente no ano 800 à sombra dos mosteiros e conventos, como “Saltério” dos leigos. … Com o passar do tempo, se formaram outros três saltérios com 150 Ave-Marias, 150 louvores em honra a Jesus Cristo e 150 louvores em honra à Virgem Maria. Hoje são 200 Ave-Marias.

O rosário era utilizado durante as missas quando estas eram feitas em latim e nem todas as pessoas sabiam falar a língua, então os fiéis ficavam rezando o rosário e paravam no momento da consagração  (por isso existia o sininho que se tocava neste momento) e após a comunhão continuavam. O terço é a terça parte de um rosário ou seja 50 Ave-Marias e 5 Pai-nosso.

Maria no Catecismo da Igreja Católica

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437.  O anjo anunciou aos pastores o nascimento de Jesus como sendo o do Messias prometido a Israel: «nasceu-vos hoje, na cidade de David, um salvador que é Cristo, Senhor»(Lc 2, 11). Desde a origem, Ele é «Aquele que o Pai consagrou e enviou ao mundo» (Jo 10, 36), concebido como «santo» no seio virginal de Maria. José foi convidado por Deus a «levar para sua casa Maria, sua esposa», grávida d’«Aquele que nela foi gerado pelo poder do Espírito Santo» (Mt 1, 20), para que Jesus, «chamado Cristo», nascesse da esposa de José, na descendência messiânica de David (Mt 1, 16)

456. Com o Credo Niceno-Constantinopolitano, respondemos confessando: «Por nós, homens, e para nossa salvação, desceu dos céus; e encarnou pelo Espírito Santo no seio da Virgem Maria e Se fez homem»

484-486. A Anunciação a Maria inaugura a «plenitude dos tempos» (Gl 4, 4), isto é, o cumprimento das promessas e dos preparativos. Maria é convidada a conceber Aquele em quem habitará «corporalmente toda a plenitude da Divindade» (Cl 2, 9). A resposta divina ao seu «como será isto, se Eu não conheço homem?» (Lc 1, 34) é dada pelo poder do Espírito: «O Espírito Santo virá sobre ti» (Lc 1, 35).

485. A missão do Espírito Santo está sempre unida e ordenada à do Filho. O Espírito Santo, que é «o Senhor que dá a Vida», é enviado para santificar o seio da Virgem Maria e para a fecundar pelo poder divino, fazendo-a conceber o Filho eterno do Pai, numa humanidade originada da sua.

486. Tendo sido concebido como homem no seio da Virgem Maria, o Filho único do Pai é «Cristo», isto é, ungido pelo Espírito Santo, desde o princípio da sua existência humana, embora a sua manifestação só se venha a fazer progressivamente: aos pastores, aos magos, a João Batista , aos discípulos. Toda a vida de Jesus Cristo manifestará, portanto, «como Deus O ungiu com o Espírito Santo e o poder» (At 10, 38).

723-726. Em Maria, o Espírito Santo realiza o desígnio benevolente do Pai. É pelo Espírito Santo que a Virgem concebe e dá à luz o Filho de Deus. A sua virgindade torna-se fecundidade única, pelo poder do Espírito e da fé.

724. Em Maria, o Espírito Santo manifesta o Filho do Pai feito Filho da Virgem. Ela é a sarça ardente da teofania definitiva: cheia do Espírito Santo, mostra o Verbo na humildade da sua carne; e é aos pobres e às primícias das nações que Ela O dá a conhecer.

725. Finalmente, por Maria, o Espírito começa a pôr em comunhão com Cristo os homens que são «objecto do amor benevolente de Deus»; e os humildes são sempre os primeiros a recebe-Lo: os pastores, os magos, Simeão e Ana, os esposos de Caná e os primeiros discípulos.

726. No termo desta missão do Espírito, Maria torna-se a «Mulher», a nova Eva «mãe dos vivos», Mãe do «Cristo total» . É como tal que Ela está presente com os Doze, «num só coração, assíduos na oração» (At 1, 14), no alvorecer dos «últimos tempos», que o Espírito vai inaugurar na manhã do Pentecostes, com a manifestação da Igreja.

Oração a Maria CIC 2675-2679

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2675. Foi a partir desta singular cooperação de Maria com a ação do Espírito Santo que as Igrejas cultivaram a oração à santa Mãe de Deus, centrando-a na pessoa de Cristo manifestada nos seus mistérios. Nos inúmeros hinos e antífonas em que esta oração se exprime, alternam habitualmente dois movimentos: um «magnifica» o Senhor pelas «maravilhas» que fez pela sua humilde serva e, através d’Ela, por todos os seres humanos; o outro confia à Mãe de Jesus as súplicas e louvores dos filhos de Deus, pois Ela agora conhece a humanidade que n’Ela foi desposada pelo Filho de Deus.

2676. Este duplo movimento de oração a Maria encontrou uma expressão privilegiada na oração da «Ave-Maria»:

«Ave, Maria (alegrai-vos, Maria)». A saudação do anjo Gabriel abre esta oração. É o próprio Deus que, por intermédio do seu anjo, saúda Maria. A nossa oração ousa retomar a saudação a Maria com o olhar que Deus pôs na sua humilde serva, alegrando-nos com a alegria que Ele n’Ela encontra.

«Cheia de graça, o Senhor é convosco»As duas palavras da saudação do anjo esclarecem-se mutuamente. Maria é cheia de graça, porque o Senhor está com Ela. A graça de que Ela é cumulada é a presença d’Aquele que é a fonte de toda a graça. «Solta brados de alegria […] filha de Jerusalém […]; o Senhor teu Deus está no meio de ti» (Sf 3, 14. 17a). Maria, em quem o próprio Senhor vem habitar, é em pessoa a filha de Sião, a arca da aliança, o lugar onde reside a glória do Senhor: é «a morada de Deus com os homens» (Ap 21, 3). «Cheia de graça», Ela dá-se toda Aquele que n’Ela vem habitar e que Ela vai dar ao mundo.

«Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus»Depois da saudação do anjo, fazemos nossa a de Isabel. «Cheia […] do Espírito Santo» (Lc 1, 41), Isabel é a primeira, na longa sequência das gerações, a declarar Maria bem-aventurada: «Feliz d’Aquela que acreditou…» (Lc 1, 45); Maria é «bendita entre as mulheres», porque acreditou no cumprimento da Palavra do Senhor. Abraão, pela sua fé, tornou-se uma bênção «para todas as nações da terra» (Gn 12, 3). Pela sua fé, Maria tornou-se a mãe dos crentes, graças a quem todas as nações da terra recebem Aquele que é a própria bênção de Deus: Jesus, «fruto bendito do vosso ventre».

2677. «Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós…»Com Isabel, também nós ficamos maravilhados: «E de onde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?» (Lc 1, 43). Porque nos dá Jesus, seu Filho, Maria é Mãe de Deus e nossa Mãe; podemos confiar-lhe todas as nossas preocupações e pedidos: Ela ora por nós como orou por si própria: «Faça-se em Mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38). Confiando-nos à sua oração, abandonamo-nos com Ela à vontade de Deus: «Seja feita a vossa vontade».

«Rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte»Pedindo a Maria que rogue por nós, reconhecemo-nos pobres pecadores e recorremos à «Mãe de misericórdia», à «Santíssima». Confiamo-nos a Ela «agora», no hoje das nossas vidas. E a nossa confiança alarga-se para lhe confiar, desde agora, «a hora da nossa morte». Que Ela esteja então presente como na morte do seu Filho na cruz e que, na hora do nosso passamento, Ela nos acolha como nossa Mãe, para nos levar ao seu Filho Jesus, no Paraíso.

2678. A piedade medieval do Ocidente propagou a oração do rosário como substituto popular da Liturgia das Horas. No Oriente, a forma litânica do akáthistos e da paráclêsis ficou mais próxima do ofício coral nas Igrejas bizantinas, ao passo que as tradições arménia, copta e siríaca preferiram os hinos e cânticos populares à Mãe de Deus. Mas, na Ave-Maria, nas theotokía, nos hinos de Santo Efrém ou de São Gregório de Narek, a tradição da oração é fundamentalmente a mesma.

2679. Maria é a orante perfeita, figura da Igreja. Quando Lhe oramos, aderimos com Ela ao desígnio do Pai, que envia o seu Filho para salvar todos os homens. Como o discípulo amado, nós acolhemos em nossa casa a Mãe de Jesus que se tornou Mãe de todos os viventes. Podemos orar com Ela e orar-Lhe a Ela. A oração da Igreja é como que sustentada pela oração de Maria. Está-lhe unida na esperança.

Demais artigos do Catecismo que tratam de Maria:

CIC 1172, 1370 , 2043, 2177 , 2146, 971, 829, 773, 963-972, 501, 64, 144, 148-149, 494, 2617,2619, 2030, 964, 165, 273, 484,490, 493-495, 966, 437, 456, 484-486, 495, 723, 411, 969, 721-726 , 488-489,508, 496-498,502-507, 717, 2674, 493, 966, 722, 2676, 510, 491-492, 963-970, , 466, 495, 509, 494,511, 721, 499-501, 967,972

Quando começou a devoção mariana? A pergunta é legítima. E a resposta é imediata e segura: a devoção à Maria começou com o próprio cristianismo. Observemos os fatos. Entremos na pequena Casa de Nazaré, a casa das nossas origens e das nossas primeiras memórias. Eis o que encontramos: o Anjo Gabriel, mandado por Deus, aparece à Maria e lhe diz: “Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo!” (Lc 1, 28).

Com estas palavras que vêm do Céu começa a devoção mariana. Quem pode negar a evidência deste fato? E quando Maria, única guardiã do anúncio do Anjo, se apresenta à Isabel, depois da longa viagem da Galileia até a Judeia, acontece outro fato singular. Isabel ouve a saudação de Maria e percebe que o menino ‘salta’ de alegria no seio, enquanto o Espírito Santo a atravessa e lhe sugere palavras de rara beleza e de surpreendente compromisso: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. E que venha a mim a mãe do meu Senhor? Pois logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação, o menino saltou de alegria no meu seio. Feliz de ti que acreditaste, porque se vai cumprir tudo o que foi dito da parte do Senhor” (Lc 1, 42-45). É a segunda expressão de devoção mariana registrada no Evangelho.

Vamos até a narração do Natal. O Evangelho de Lucas refere: “Quando os anjos se afastaram deles em direção ao Céu, os pastores disseram uns aos outros: “Vamos a Belém ver o que aconteceu e o que o Senhor nos deu a conhecer”. Foram apressadamente e encontraram Maria, José e o menino deitado na manjedoura” (Lc 2, 15-16). Imaginemos que os pastores, após terem ajoelhado diante do Menino, tenham lançado a seguir um olhar à Mãe e tenham sussurrado alguma palavra. Não é legítimo pensar que os pastores tenham exclamado: “Feliz és tu, Mãe deste Menino?!” Era uma expressão de devoção mariana.

Passemos ao evangelista Mateus, que narra a chegada dos Magos em Belém e usa estas palavras textuais: “E a estrela que tinham visto no Oriente ia diante deles, até que, chegando ao lugar onde estava o menino, parou. Ao ver a estrela, sentiram imensa alegria; e, entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, adoraram-No” (Mt 2, 9-11).

Podemos, sem muito esforço, imaginar a grande emoção dos Magos, os quais, após uma longa e aventurosa viagem, tiveram a alegria de ver o Menino tão esperado e desejado! Porém, não nos afastamos da verdade dos fatos, se imaginarmos também que os Magos, depois da adoração do Menino, tenham olhado para Maria e lhe dirigido palavras de admiração: também esta é devoção mariana, percebida nas entrelinhas do Evangelho!

Nas bodas de Caná. Conhecemos toda a encantadora história da festa das bodas, na qual Maria intervém, ao mesmo tempo com delicadeza e decisão, para salvar a alegria dos noivos. Os servos, que conheciam o exato suceder-se dos fatos certamente aproximaram-se de Maria e disseram: “Jesus escutou-te! Fala-lhe de nós e pede uma bênção para as nossas famílias!”. Também estas eram autênticas flores de devoção mariana. E os noivos não retomariam com Maria o discurso das bodas e da água transformada em vinho? Certamente teriam dito a Maria: “Obrigado! A tua intervenção salvou a nossa festa. Continua a orar por nós!”

Assim começa a devoção mariana. E continua nos séculos sem interrupção. A verdade histórica é: Maria, a partir das palavras empenhadas pronunciadas pelo Anjo Gabriel, foi imediatamente olhada com admiração. E logo a sua intercessão foi invocada por motivo do seu particular vínculo com Cristo: o vínculo da maternidade! Portanto, quando recorrermos à Maria para a invocar com filial confiança, não nos encontraremos fora do Evangelho, mas totalmente dentro dele.

ARTIGO – DOM NELSON – Qual a origem da devoção mariana? Entenda melhor

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LISTA COM ALGUNS NOMES DA VIRGEM MARIA

Nome Origem
Nossa Senhora da Abadia Imagem encontrada perto da Abadia de Bouro, na Arquidiocese de BragaPortugal
Nossa Senhora da Ajuda Relembra Maria junto à cruz, também implorando a Deus pelo gênero humano.
Nossa Senhora do Amor Divino Relembra o amor especial que Deus dedicou a Maria, escolhendo-a por sua Mãe;
Nossa Senhora do Amparo Relembra Jesus crucificado, entregando Maria como Mãe de todos os homens;
Nossa Senhora das Angústias Relembra as angústias de Maria ao presenciar a paixão e morte de Jesus;
Nossa Senhora dos Anjos Relembra Maria, como rainha das cortes celestes e também faz alusão à cidade de AssisItália, local para onde havia sido levado um pedaço do túmulo da Virgem e se ouvia sempre o canto dos anjos;
Nossa Senhora da Anunciação Visita do arcanjo Gabriel a Maria
Nossa Senhora Aparecida, ou da Conceição Aparecida. Imagem encontrada no Vale do Paraíba (São Paulo)
Nossa Senhora da Apresentação Apresentação de Maria, no Templo de Jerusalém;
Nossa Senhora Aquiropita Imagem que não foi pintada por mão humana, de devoção em Rossano, na Calábria
Nossa Senhora da Assunção Relembra a elevação de Maria, de corpo e alma, aos céus;
Nossa Senhora Auxiliadora Relembra o auxílio de Maria ao Papa Pio VII, durante o domínio napoleônico;
Nossa Senhora do Belém Relembra a maternidade de Maria, na cidade de Belém;
Nossa Senhora da Boa Hora Relembra a proteção de Maria na hora dos partos e na hora da morte;
Nossa Senhora da Boa Morte Proteção aos agonizantes;
Nossa Senhora da Boa Nova Maria é que traz aos homens a Boa Nova (Evangelho) do nascimento de Jesus;
Nossa Senhora da Boa Viagem Relembra Maria como protetora dos portugueses que partiam nas viagens de descobrimento do Novo Mundo;
Npssa Senhora do Bom Conselho Relembra Maria como grande conselheira dos Apóstolos, cultuada desde o século V, na cidade italiana de Genazzano;
Nossa Senhora do Bom Despacho Celebra o prestígio de Maria perante Deus, pelo despacho da encarnação do Verbo;
Nossa Senhora do Bom Parto / do Parto Nascimento de Jesus, tendo Maria permanecida virgem antes, durante e depois do parto.
Nossa Senhora do Bom Socorro Relembra o socorro de Maria aos cristãos, celebrado, desde o século X, em Blosville, na Normandia;
Nossa Senhora do Bom Sucesso Relembra o auxílio da Mãe de Deus para os que almejam sucesso em seus tratamentos de saúde e nos seus empreendimentos materiais;
Nossa Senhora do Brasil Relembra as inúmeras graças concedidas, por seu intermédio, aos brasileiros;
Nossa Senhora das Brotas Relembra o fato de folhas brotarem numa altar de Nossa Senhora, no início do povoamento de Cuiabá, no estado de Mato Grosso, no século XVIII;
Nossa Senhora da Cabeça Imagem encontrada no Pico da Cabeça, Serra Morena, na Andaluzia, no século XIII ;
Nossa Senhora do Cabo da Boa Esperança Relembra a proteção de Maria, no século XV, quando protegeu os portugueses, na sua esperança de chegar às Índias, dobrando o Cabo das Tormentas;
Nossa Senhora das Candeias Relembra a purificação de Maria no Templo, comemorada com uma procissão luminosa;
Nossa Senhora da Candelária Relembra a purificação de Maria no Templo, comemorada com uma procissão luminosa;
Nossa Senhora de Caravaggio Aparição da Virgem, no século XV, em Caravaggio, cidade italiana próxima a Milão.;
Nossa Senhora do Carmo, do Monte Carmelo. Relembra o convento construído em honra à Virgem, nos primeiros séculos do cristianismo, no Monte Carmelo, na Samaria;
Nossa Senhora da Carpição Originária de cerimonial de carpição ou capina de um terreno onde foi ereta uma capela dedicada à Virgem Maria, em São José dos CamposSão Paulo, no século XIX;
Nossa Senhora de Ceuta ou do Bastão Relembra o auxílio da Virgem Ana conquista de Ceuta, por Dom João I; sua imagem traz um rico bordão na mão, donde vem o termo “do Bastão”;
Nossa Senhora da Conceição / da Imaculada Conceição Relembra que Santana concebeu Maria, pura sem pecado.
Nossa Senhora da Consolação Relembra a Virgem como “Consoladora dos aflitos”, devoção iniciada por Santa Mônica;
Nossa Senhora de Copacabana Imagem esculpida por um índio, Francisco Tito Iupanqui, no século XVI, na aldeia de Copacabana, às margens do Lago Titicaca;
Nossa Senhora da Correia Relembra a correia da cintura da Virgem Maria, símbolo de pureza, com que as mulheres judias eram cingidas desde a infância;
Nossa Senhora dos Desamparados Relembra a proteção de Maria a uma confraria criada , no século XV, em ValênciaEspanha, para acolher crianças desamparadas;
Nossa Senhora Desatadora de Nós Relembra que a Virgem Maria liberta os homens das aflições da vida, desata os nós que os escravizam;
Nossa Senhora do Desterro A fuga para o Egito
Nossa Senhora Divina Pastora Devoção a Virgem Maria como pastora de almas, surgida no século XVIII, em SevilhaEspanha;
Nossa Senhora da Divina Providência Relembra que a Virgem confiou plenamente na Divina Providência, entregando-se totalmente a Deus;
Nossa Senhora das Dores Refere-se às sete dores da Virgem Maria: a profecia de Simeão, a fuga para o Egito, a perda do menino Jesus, o encontro no caminho do Calvário, a morte de Jesus, o golpe da lança e a descida da cruz, e o sepultamento de Cristo.
Nossa Senhora da Encarnação Relembra a encarnação do Verbo no seio puríssimo da Virgem;
Nossa Senhora da Escada A Virgem é comparada à “Escada de Jacó”, que liga o céu e a terra. Também faz alusão aos trinta e um degraus que davam aceso a um santuário de Lisboa.;
Nossa Senhora da Esperança Relembra a Virgem na esperança e na iminência do parto divino;
Nossa Senhora da Estrela Imagem oculta por Dom Rodrigo, último rei dos visigodos, em 711, quando da invasão árabe; sendo descoberta, quando a Vila de Marvão, em Portugal, foi liberada do domínio muçulmano; Maria é chamada “Aurora da Salvação”
Nossa Senhora da Expectação Relembra a Virgem na esperança e na iminência do parto divino;
Nossa Senhora de Fátima, do Rosário de Fátima. Aparição em Fátima (Portugal)
Nossa Senhora da Fé Relembra que a vida da Virgem foi um contínuo “Ato de Fé, sendo esta devoção medieval originária da França e Bélgica;
Nossa Senhora da Glória Relembra coroação da Virgem como rainha;
Nossa Senhora da Graça Imagem encontrada por pescadores na praia de cascaisPortugal, em 1362 e que apareceu a Catarina Álvares, Paraguaçu, no século XVI;
Nossa Senhora das Graças ou da Medalha Milagrosa Relembra uma aparição feita a Catarina Labouré, em Paris;
Nossa Senhora de Guadalupe Aparição ao índio Juan Diego, em GuadalupeMéxico, em 1531
Nossa Senhora da Guia Relembra que a Virgem Maria guiou Jesus, na sua infância e juventude; é chamada pelos ortodoxos de Odegitria.
Nossa Senhora da Lampadosa Relembra a padroeira da ilha de Lampadosa, no Mar Mediterrâneo, entre a ilha de Malta e a Tunísia;
Nossa Senhora da Lapa Imagem escondida dos muçulmanos numa lapa, no século X, pelas monjas beneditinas de Aguiar da Beira, sendo encontrada em 1498, por uma menina, que muda de nascença, começou a falar;
Nossa Senhora do Leite ou da Lactação Relembra a Virgem nutrindo o Menino-Deus com seu leite materno;
Nossa Senhora do Líbano Relembra a milenar devoção dos libaneses á Virgem Maria, e também o santuário construído, entre 1904 e 1908, no cume Haruça, no Monte Líbano, para honrar a Imaculada Conceição de Maria;
Nossa Senhora do Livramento Relembra o livramento do fidalgo português Rodrigo Homem de Azevedo, preso pelo Duque de Alba, no século XVI.;
Nossa Senhora do Loreto Refere-se à “Casa de Nazaré”, onde viveu a Virgem Maria, transladada para um bosque de loureiros, próximo a Recanati, na Itália;
Nossa Senhora de Lourdes Aparição, no século XIX, na Gruta de Massabielle, em Lourdes(França)
Nossa Senhora de Lujan Refere-se a uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, mandada esculpir no Brasil, em 1630, por um português, residente na Argentina; que ao ser transportada, encalhou as margens do Rio Lujan;
Nossa Senhora da Luz Imagem encontrada por Pedro Martins, entre uma estranha luz, que lhe apareceu em CarnidePortugal; Maria é lembrada como aquela que apresenta seu Filho Jesus como “Luz das Nações”;
Nossa Senhora Madre de Deus Relembra a maternidade divina de Maria, cultuada desde os primeiros séculos e confirmada pelo Concílio de Éfeso ;
Nossa Senhora Mãe da Igreja Relembra a proclamação de Maria como “Mãe de todo o povo de Deus”, pelo Papa Paulo VI, em 1964, durante o Concílio Vaticano II;
Nossa Senhora Mãe dos Homens Devoção surgida no convento de São Francisco das Chagas, no bairro de Xabregas, em Lisboa, relembrando que Maria além de Mãe de Deus é Mãe de todos os homens;
Nossa Senhora das Maravilhas Relembra que a vida de Maria foi uma sucessão de maravilhas, das quais a maior foi a encarnação do Verbo. Isto atesta a própria Virgem, no canto do “Magnificat”;
Nossa Senhora dos Mares Desde os primeiros séculos do cristianismo, Maria é invocada como protetora das viagens marítimas;
Nossa Senhora dos Mártires Invocada em homenagem dos cristãos que tombaram no Cerco de Lisboa (1147)
Nossa Senhora Medianeira Relembra o papel de intermediária entre o fiel e Jesus, devoção que teve origem em Veneza, durante a grande epidemia de 1630;
Nossa Senhora de Medjugorje Aparição em Medjugorje na Bósnia-Herzegovina.
Nossa Senhora Menina Relembra a infância da Virgem, do nascimento aos três anos junto a seus pais, São Joaquim e Sant’Ana; e dos três aos doze anos, no Templo de Jerusalém;
Nossa Senhora das Mercês Relembra a aparição a São Pedro Nolasco, no início do século XII, solicitando a criação de uma Ordem destinada ao resgate de cristãos feito cativos pelos muçulmanos;
Nossa Senhora dos Milagres Relembra os grandes prodígios operados pela Mãe de Deus, Onipotência suplicante e canal de todas as graças, a quem nada Deus recusa;
Nossa Senhora da Misericórdia Por conseguir inúmeros benefícios de Deus para os homens, Maria é chamada “Mãe de Misericórdia”; o título também lembra a proteção da Virgem ás Santas Casas de Misericórdia, cuja primeira do gênero foi fundada em Lisboa, em 1498;
Nossa Senhora do Monte Relembra que a Virgem é um monte altíssimo, que vence a altura de todos os outros montes, em santidade e virtude;
Nossa Senhora de Monserrate Relembra a imagem da Virgem levada a BarcelonaEspanha, nos primeiros séculos do cristianismo, sendo que durante a invasão árabe, os cristãos esconderam a imagem na escarpada montanha de Monserrate. Mais tarde, esta imagem foi milagrosamente encontrada e no local foi construída uma grande abadia beneditina;
Nossa Senhora de Muquém Relembra o auxílio da Virgem Maria a um garimpeiro português, na vila de São Tomé de Muquém, no início da mineração em Goiás;
Nossa Senhora da Natividade Relembra o nascimento da virgem Maria, que, segundo a tradição, foi num sábado, 8 de setembro, do ano 20 a.C., na cidade de Jerusalém;
Nossa Senhora dos Navegantes Maria é invocada como protetora dos navegantes, devoção que teve seu auge durante as cruzadas e, depois, durante o período das grandes navegações;
Nossa Senhora de Nazaré Relembra a vida da Virgem Maria, em Nazaré, junto à sua sagrada família;
Nossa Senhora das Neves Refere-se a um milagre, anunciado pela Virgem Maria, de que em pleno verão, na noite de 4 para 5 de agosto, nevaria em Roma, o que realmente aconteceu no local onde hoje se ergue a basílica de Santa Maria Maior;
Nossa Senhora do Ó Alusão a Nossa Senhora nas proximidades de seu parto. Houve um sermão proferido pelo Padre Vieira, onde compara as virtudes de Maria à “perfeição da letra o“, símbolo da imortalidade e de Deus, de quem Maria é mãe. Referências as sete antífonas do Ó, nas proximidades do Natal.
Nossa Senhora da Oliveira Refere-se a uma imagem levada para GuimarãesPortugal, por São Tiago, que a colocou num templo, ao lado qual havia uma oliveira. Também, a Virgem Maria é comparada na passagem bíblica: “sua glória é igual ao fruto da Oliveira” (Os 14,6);
Nossa Senhora do Parto, do Bom Parto Recorda a proteção Virgem Maria às mães que estão para dar à luz;
Nossa Senhora do Patrocínio Relembra a intercessão da Virgem Maria junto a seu Filho, em favor dos homens, como nas Bodas de Caná;
Nossa Senhora da Paz ou Rainha da Paz Relembra a intervenção da Virgem Maria na devolução da catedral de ToledoEspanha, aos cristãos;
Nossa Senhora da Pena Relembra a Virgem como inspiradora e padroeira das letras e das artes;
Nossa Senhora da Penha Relembra o milagre realizado, no início do século XVII, por intercessão da Virgem Maria invocada por Baltazar de Abreu Cardoso, fazendeiro brasileiro, que encontrou uma serpente ao subir um penhasco (penha) que levava à sua fazenda no Rio de Janeiro;
Nossa Senhora da Penha de França Relembra a aparição da Virgem Maria a Simão Vela, monge francês, na serra chamada Penha de França, no norte da Espanha;
Nossa Senhora da Purificação Relembra a purificação de Maria no Templo, comemorada com uma procissão luminosa;
Nossa Senhora Peregrina Alusão à imagem de Nossa Senhora de Fátima
Nossa Senhora do Perpétuo Socorro Relembra a Virgem Maria como socorro dos cristãos, em suas horas de necessidade. Refere-se a um quadro milagroso da ilha de Creta, que após ser roubado, foi recuperado em Roma e posto, no século XIX, sob a guarda dos padres redentoristas;
Nossa Senhora da Piedade Relembra que Jesus, após o descimento da Cruz, foi entregue aos braços de sua Mãe Santíssima.
Nossa Senhora do Pilar Refere-se a uma aparição da Virgem Maria a São Tiago, que estava evangelizando em Zaragoza. A virgem lhe apareceu sentada num pilar, donde lhe vem o nome;
Nossa Senhora de Pompéia Relembra a aparição da Virgem a Bartolo Longo, em Pompéia, no sul da Itália;
Nossa Senhora da Ponte Refere-se à comparação de Maria à ponte donde passamos da terra para o céu;
Nossa Senhora Porta do Céu Refere-se à máxima que diz: “Ninguém chega ao Pai, a não ser por Jesus; e ninguém chega ao Filho, a não ser por Maria”. Esta é uma das invocações das “Ladainhas Loretanas”, considerando, pois que o culto da Mãe de Deus é a porta que leva os fiéis ao paraíso;
Nossa Senhora do Porto Refere-se a uma imagem bizantina colocada no célebre santuário, cuja construção foi iniciada no século VI, no bairro do Porto (Le Port), em Clermont-Ferrand, na França. Uma cópia deste ícone foi levada na batalha aos mulçumanos, para a retomada da cidade do Porto, em Portugal;
Nossa Senhora do Povo Relembra a construção, pelo povo de Roma, de uma igreja dedicada à Virgem Maria, no local onde se erguera o mausoléu dos Domícios, família a qual pertencia o imperador Nero;
Nossa Senhora dos Prazeres Relembra os sete principais prazeres da vida da Virgem Maria: a anunciação, a saudação de Santa Isabel, o nascimento de seu Filho, a visita dos Reis Magos, o encontro de Jesus no Templo, a primeira aparição de Jesus ressuscitado, a sua coroação no céu;
Nossa Senhora do Presépio Relembra a maternidade de Maria, na cena do presépio, conforme a tradição franciscana;
Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos Relembra que a Virgem Maria foi mãe, mestra e rainha dos apóstolos, que lhe devotavam especial veneração;
Nossa Senhora Rainha do Céu Relembra a coroação de Maria, após sua assunção aos céus;
Nossa Senhora Rainha dos Homens Relembra que Maria é rainha de todos os homens, portanto digna de todos os louvores, por parte de todos;
Nossa Senhora Rainha, Vencedora e Três vezes Admirável de Schoenstatt Imagem da Virgem Maria, padroeira do Movimento Apostólico de Schoenstatt, e relembra a aliança de amor que o padre Joseph Kentenich(1885 – 1968), selou pela primeira, 18 de Outubro de 1914, em SchoenstattAlemanha, com a Virgem Maria.;
Nossa Senhora dos Remédios Relembra a Virgem Maria como único remédio para todos os nossos trabalhos, angústias, necessidades e doenças;
Nossa Senhora do Rocio Imagem encontrada no mar, no final do século XVII, por um pescador que vivia em Rocio, próximo a Paranaguá;
Nossa Senhora do Rosário Relembra a aparição da Virgem Maria a São Domingos de Gusmão, no século XIII, pedindo-lhe a divulgação do seu rosário de orações. A consagração definitiva do Rosário de Nossa senhora deu-se a 7 de outubro de 1571, com a vitória dos cristãos na batalha de Lepanto;
Nossa Senhora do Sagrado Coração Relembra que de Maria foi formado o coração divinal de Jesus;
Nossa Senhora da Salete (em francês: de la Sallete) Relembra a aparição da Virgem Maria, a 19 de setembro de 1846, a dois pastorinhos, na montanha de SaleteIsére, nos Alpes franceses;
Nossa Senhora da Saudade Relembra a imensa saudade que a Virgem Maria teve de seu Filho, nos três dias incompletos que seu corpo esteve no sepulcro;
Nossa Senhora da Saúde Relembra que a Virgem Maria é fonte de vigor físico e moral para os homens;
Nossa Senhora Salvação do Povo Romano Relembra que a Virgem Maria sempre socorreu o povo de Roma, em todas as suas situações de necessidade.
Nossa Senhora do Sion, do Sião. Relembra a aparição da Virgem Maria, em 1842, em Roma, a Alfredo Ratisbona, ateu de origem judaica, que se converteu ao catolicismo;
Nossa Senhora da Soledade Relembra a solidão, a tristeza e saudade da Virgem Maria, por ocasião da paixão de seu Filho;
Nossa Senhora do Terço Similar à invocação de Nossa Senhora do Rosário, mas refere-se apenas a cinco mistérios da vida de Jesus;
Nossa Senhora da Visitação Relembra a visita da Virgem Maria a sua prima Santa Isabel;
Nossa Senhora da Vitória Relembra que a Virgem Maria, vitoriosa, pode levar os cristãos à vitória em suas vidas. Em Portugal, foi introduzida a devoção por Dom João I, para comemorar a vitória na Batalha de Aljubarrota;

 

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Escute as músicas sugeridas:

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Perfeito é quem te criou – Vida Reluz

Mãe Fiel (Mostra-me o caminho)- Padre Zeca

 

Como rezar o Santo Rosário (Terço)

Série: Animo, uma nova Catequese (Encontro 28/40 – Jesus Cristo – Complemento 14)

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O Rosário completo é formado atualmente por quatro partes. Como desde o século XIX o Rosário era composto de três partes, cada parte é tradicionalmente chamada de “terço”. Cada terço, por sua vez, é composto por cinco mistérios de nossa Redenção, desta forma:

1º terço: Mistérios Gozosos – contemplam a Encarnação do Verbo e a revelação de Sua missão no mundo:

1º- Anunciação do Arcanjo Gabriel a Nossa Senhora;
2º- Visitação de Nossa Senhora a sua prima Isabel;
3º- Nascimento de Jesus;
4º- Apresentação do Menino Jesus no Templo e purificação de Nossa Senhora;
5º- Perda e encontro do Menino Jesus no Templo.

2º terço: Mistérios Luminosos – contemplam a revelação do Reino de Deus por Jesus:

1º- Batismo de Jesus no rio Jordão;
2º- Auto-revelação de Jesus nas Bodas de Caná;
3º- Anúncio do Reino de Deus, com o convite à conversão;
4º- Transfiguração de Jesus;
5º- Instituição da Eucaristia.

3º terço: Mistérios Dolorosos – contemplam a Paixão e Morte de Jesus:

1º- Agonia de Jesus no Horto;
2º- Flagelação de Jesus;
3º- Coroação de espinhos;
4º- Jesus carregando a cruz no caminho do Calvário;
5º- Crucifixão e morte de Jesus.

4º terço: Mistérios Gloriosos – contemplam a vitória de Jesus sobre a morte, o nascimento da Igreja e a glorificação de Maria:

1º– Ressurreição de Jesus;
2º– Ascensão de Jesus ao Céu;
3º– Vinda do Espírito Santo sobre os Apóstolos;
4º– Assunção de Nossa Senhora;
5º– Coroação de Nossa Senhora no Céu.

O Rosário reúne as orações básicas de nossa religião: o Credo, o Pai Nosso, a Ave-Maria, o Glória e a Salve Rainha.

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O Rosário ou o terço começam com o Sinal da Cruz, uma Oração ao Espírito Santo e um Oferecimento (intenções: agradecimentos, reparações, louvores e súplicas). A seguir:

O Terço é uma das devoções mais queridas de Nossa Senhora. Aparecendo em Fátima, ela pediu aos pastorezinhos: “Meus Filhos, rezemos o TERÇO todos os dias”.

Oferecimento do Terço

Divino Jesus, eu vos ofereço este terço (Rosário) que vou rezar, contemplando os mistérios de nossa Redenção. Concedei-me, pela intercessão de Maria, vossa Mãe Santíssima, a quem me dirijo, as graças necessárias para bem rezá-lo para ganhar as indulgências desta santa devoção. (Pode-se acrescentar o que segue, e também intenções particulares: Ofereço-Vos também em reparação aos Corações de Jesus e Maria, nas intenções do Imaculado Coração de Maria, nas intenções do Santo Padre, pelo Santo Padre e por toda a Igreja, pela santificação do clero e das famílias, pelas almas no purgatório, pelas vocações sacerdotais, religiosas, missionárias e leigas, pela Paz no mundo, pelo Brasil.)

Em seguida, segurando a cruzinha do rosário ou terço para atestar nossa fé; em todas as verdades ensinadas por Cristo, reza-se o:

Creio em Deus Pai

Creio em Deus Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra, e em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia; subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai todo poderoso, donde há de vir julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna. Amém.

Terminado o CREDO, presta-se HOMENAGEM à Santíssima Trindade com um Pai-Nosso, três Ave-Maria e um Glória-ao-Pai.

Pai Nosso

  • Pai Nosso que estais no Céu, santificado seja o Vosso nome, venha a nós o Vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossa ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.

Ave Maria

  • A primeira Ave-Maria em honra a Deus Pai que nos criou: Ave Maria cheia de graças, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.
  • A segunda Ave Maria a Deus Filho que nos remiu: Ave Maria cheia de graças, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.
  • A terceira Ave Maria ao Espírito Santo que nos santifica: Ave Maria cheia de graças, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.

Glória ao Pai

  • Glória ao Pai, ao Filho e o Espírito Santo. Como era no princípio, agora é sempre. Amém.

Oh! Meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente as que mais precisarem. Amém.

Após rezar os mistérios:

Agradecimentos

Infinitas graças vos damos, Soberana Rainha, pelos benefícios que todos os dias recebemos de vossa mão liberais. Dignai-vos, agora e para sempre, tomar-nos debaixo do vosso poderoso amparo e para mais vos obrigar vos saudamos com uma Salve Rainha:

Salve Rainha, Mãe de Misericórdia, vida, doçura, esperança nossa, salve! A vós bradamos, os degredados filhos de Eva; a vós suspiramos gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia, pois, advogada nossa esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei, e depois deste desterro nos mostrai a Jesus, bendito fruto do vosso ventre, ó Clemente, ó Piedosa, ó Doce, sempre virgem Maria.

V. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus,
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém.

Ladainha de Nossa Senhora

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Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, tende piedade de nós.
R/. Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, ouvi-nos.
R/. Jesus Cristo, atendei-nos.

Deus, Pai dos Céus, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo,
Deus Espírito Santo,
Santíssima Trindade, que sois um só Deus,

Santa Maria, rogai por nós.
Santa Mãe de Deus,
Santa Virgem das virgens,
Mãe de Jesus Cristo,
Mãe da divina graça,
Mãe puríssima,
Mãe castíssima,
Mãe intacta,
Mãe intemerata,
Mãe amável,
Mãe admirável,
Mãe do bom conselho,
Mãe do Criador,
Mãe do Salvador,
Virgem prudentíssima,
Virgem venerável,
Virgem louvável,
Virgem poderosa,
Virgem benigna,
Virgem fiel,
Espelho de justiça,
Sede da sabedoria,
Causa de nossa alegria,
Vaso espiritual,
Vaso honorífico,
Vaso insigne de devoção,
Rosa mística,
Torre de David,
Torre de marfim,
Casa de ouro,
Arca da aliança,
Porta do Céu,
Estrela da manhã,
Saúde dos enfermos,
Refúgio dos pecadores,
Consoladora dos aflitos,
Auxílio dos cristãos,
Rainha dos Anjos,
Rainha dos Patriarcas,
Rainha dos Profetas,
Rainha dos Apóstolos,
Rainha dos Mártires,
Rainha dos Confessores,
Rainha das Virgens,
Rainha de todos os Santos,
Rainha concebida sem pecado original,
Rainha assunta ao Céu,
Rainha do santo Rosário,
Rainha da família,
Rainha da paz,

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo,
R/. perdoai-nos, Senhor.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo,
R/. atendei-nos, Senhor.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo,
R/. tende piedade de nós.

V/. Rogai por nós, santa Mãe de Deus.
R/. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oremos. Derramai, ó Deus, a vossa graça em nosso coração para que conhecendo pela anunciação do anjo a encarnação do vosso Filho, cheguemos por sua paixão e cruz à glória da ressurreição.

Por Cristo, nosso Senhor

Amém.

 

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Mistérios Gozosos (segundas e sábados, e nos domingos do Advento)

1- Anunciação do Arcanjo São Gabriel à nossa Senhora.
No primeiro mistério contemplemos a Anunciação do Arcanjo São Gabriel à Nossa Senhora.

2- A visita de Nossa Senhora à sua prima Santa Isabel.
No segundo mistério contemplemos a Visitação de Nossa Senhora à sua prima Santa Isabel.

3- O nascimento de Jesus em Belém.
No terceiro mistério contemplemos o Nascimento do Menino Jesus em Belém.

4- A apresentação do Menino Jesus no Tempo.
No quarto mistério contemplemos a Apresentação do Menino Jesus no templo e a Purificação de Nossa Senhora.

5- Encontro de Jesus no Templo entre os Doutores da Lei.
No quinto mistério contemplemos a Perda e o Encontro do Menino Jesus no templo.

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Mistérios Dolorosos (terças e sextas-feiras, e domingo da Quaresma até a Páscoa)

1- A agonia de Jesus no Horto das Oliveiras.
No primeiro mistério contemplemos a Agonia de Cristo Nosso Senhor, quando suou sangue no Horto.

2- A flagelação de Jesus atado à coluna.
No segundo mistério contemplemos a Flagelação de Jesus Cristo atado à coluna.

3- A coroação de espinhos de Jesus.
No terceiro mistério contemplemos a Coroação de espinho de Nosso Senhor.

4- A subida dolorosa do Calvário.
No quarto mistério contemplemos Jesus Cristo carregando a Cruz para o Calvário.

5- A morte de Jesus.
No quinto mistério contemplemos a Crucificação e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

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Mistérios Gloriosos (quartas-feiras e domingos da Páscoa até o Advento)

1- A ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.
No primeiro mistério contemplemos a Ressurreição de Cristo Nosso Senhor.

2- A ascensão admirável de Jesus Cristo ao céu.
No segundo mistério contemplemos a Ascensão de Nosso Senhor ao Céu.

3- A vinda do Espírito Santo.
No terceiro mistério contemplemos a Vinda do Espírito Santo sobre os Apóstolos reunidos com Maria Santíssima no Cenáculo em Jerusalém.

4- A assunção de Nossa Senhora no Céu.
No quarto mistério contemplemos a Assunção de Nossa Senhora ao Céu.

5- A coroação de Nossa Senhora no Céu .
No quinto mistério contemplemos a Coroação de Nossa Senhora no Céu como Rainha de todos os anjos e santos.

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Mistérios Luminosos (quinta-feira)

1- Batismo de Jesus no rio Jordão.
No primeiro mistério contemplemos o Batismo de Jesus no rio Jordão.

2- Auto-revelação de Jesus nas Bodas de Caná.
No segundo mistério contemplemos a Auto-revelação de Jesus nas Bodas de Caná.

3- Anúncio do Reino de Deus.
No terceiro mistério contemplemos o Anúncio do Reino de Deus.

4- Transfiguração de Jesus.
No quarto mistério contemplemos a Transfiguração de Jesus.

5- Instituição da Eucaristia.
No quinto mistério contemplemos a Instituição da Eucaristia.

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O Rosário durante a semana

 

Quando não se reza o Rosário inteiro, pode-se recitar um só terço, ou então as dezenas separadamente, contanto que se complete ao menos um terço no mesmo dia.

Ao rezarmos o Rosário ao longo da semana, é costume rezá-lo desta forma:

  • os Mistérios Gozosos às segundas-feiras e sábados, e nos domingos do Advento;
  • os Mistérios Luminosos às quintas-feiras;
  • os Mistérios Dolorosos às terças e sextas-feiras, e nos domingos da Quaresma;
  • os Mistérios Gloriosos às quartas-feiras e domingos do tempo Pascal e Comum.

Listando por ordem do dia da semana:

  • Domingo: Mistérios Gloriosos (no Advento se rezam os Gozosos e na Quaresma os Dolorosos);
  • segunda-feira: Mistérios Gozosos;
  • terça-feira: Mistérios Dolorosos;
  • quarta-feira: Mistérios Gloriosos;
  • quinta-feira: Mistérios Luminosos;
  • sexta-feira: Mistérios Dolorosos;
  • sábado: Mistérios Gozosos (também se pode rezar os Gloriosos, como era costume antes da introdução dos Mistérios Luminosos por São João Paulo II).

Maria, modelo de contemplação

10. A contemplação de Cristo tem em Maria o seu modelo insuperável. O rosto do Filho pertence-lhe sob um título especial. Foi no seu ventre que Se plasmou, recebendo d’Ela também uma semelhança humana que evoca uma intimidade espiritual certamente ainda maior. À contemplação do rosto de Cristo, ninguém se dedicou com a mesma assiduidade de Maria. Os olhos do seu coração concentram-se de algum modo sobre Ele já na Anunciação, quando O concebe por obra do Espírito Santo; nos meses seguintes, começa a sentir sua presença e a pressagiar os contornos. Quando finalmente O dá à luz em Belém, também os seus olhos de carne podem fixar-se com ternura no rosto do Filho, que envolveu em panos e recostou numa manjedoura (cf. Lc 2, 7).

Desde então o seu olhar, cheio sempre de reverente estupor, não se separará mais d’Ele. Algumas vezes será um olhar interrogativo, como no episódio da perda no templo: « Filho, porque nos fizeste isto? » (Lc 2, 48); em todo o caso será um olhar penetrante, capaz de ler no íntimo de Jesus, a ponto de perceber os seus sentimentos escondidos e adivinhar suas decisões, como em Caná (cf. Jo 2, 5); outras vezes, será um olhar doloroso, sobretudo aos pés da cruz, onde haverá ainda, de certa forma, o olhar da parturiente, pois Maria não se limitará a compartilhar a paixão e a morte do Unigênito, mas acolherá o novo filho a Ela entregue na pessoa do discípulo predileto (cf. Jo 19, 26-27); na manhã da Páscoa, será um olhar radioso pela alegria da ressurreição e, enfim, um olhar ardoroso pela efusão do Espírito no dia de Pentecostes (cf. At 1,14).

 Trecho da Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae

Nossa Senhora teria ensinado o Santo Rosário a São Domingos de Gusmão, no século XII, que, a pedido do Papa Gregório IX, deveria combater os terríveis hereges cátaros na França. Com a oração do Rosário, São Domingos teria convertido cerca de cem mil deles.

Há muito tempo, os Papas valorizam e recomendam vivamente a oração do Rosário, especialmente os últimos Papas, sobretudo a partir das aparições de Lourdes (1858) e Fátima (1917). Em Fátima, Nossa Senhora disse aos Três Pastorinhos que “não há problema de ordem pessoal, familiar e nacional que a oração do Terço não possa ajudar a resolver”.

Leão XIII (1878-1903), em tempos difíceis, dedicou ao Rosário dezesseis documentos eclesiais: onze encíclicas; uma constituição apostólica; três cartas apostólicas entre outros. Paulo VI dedicou três documentos ao Rosário: a encíclica Mense (29 de abril de 1965), que recorda que “Maria é caminho para Cristo, e isso significa que o recurso contínuo a ela exige que se procure nela, para ela e com ela, Cristo Salvador, a quem devemos nos dirigir sempre”.

 

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