34 º Encontro (Catequese) – Sede Santos

Série: Animo, uma nova Catequese (Encontro 34/40)

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Chegar a este ponto da nossa vivência de fé e abordar um assunto tão significativo para a igreja é muito importante. A igreja tem seus Santos e Santas e muitas vezes é criticada e principalmente mal compreendida. Afinal o que é a santidade? Algo irreal, inventado ou totalmente verídico? Mais ainda, quem são os santos da igreja (quem foram e porque foram elevados aos altares)? E  para fechar: existem santos(as) ainda hoje? Seja bem vindo ao nosso trigésimo quarto encontro.

Antes do inicio deste encontro os catequistas devem preparar a ambientação com imagens (fotos) de santos, a Bíblia, velas e flores (se possível). Também seria interessante escolher ao menos 5 santos (conforme o planejamento pode ser mais ou menos) e apresentar a história resumidaUma boa dica é escolher entre os santos que nomeiam as comunidades que fazem parte da Paróquia onde o grupo de catequese está inserido (exceto as Nossas Senhoras, Espírito-Santo e as que tenha ligação com títulos de Jesus, exemplo Bom Pastor). Pode se fazer uma dinâmica com todos os santos da paróquia, se for uma com grande número de comunidades.

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Sugestão de Folha para Encontro

Neste encontro um ponto importante na nossa oração inicial é abrir com o abraço da paz e em seguida pedir que cada um pense no seu familiar, ente querido, amigos que a oração será dedicada. Depois reza-se um Pai-Nosso, uma Ave Maria e o Vinde Espírito Santo. Ainda fazendo parte da oração pode se pedir que todos fechem os olhos e escutem a música Sede Santos (Vida Reluz) é uma grande música de reflexão também.

Tema: Perguntar se todos sabem o que são os santos e santas da igreja? Refletir sobre isso e explicar a importância deles na igreja.

Como descontração pedir que os catequizandos falem nomes de santos e santas que eles conhecem e ir anotando em cartolinas, deixar que falem o maior número possível. Depois (é quase certeza que vai acontecer) explicar quais são santos e santas e quais são títulos de Nossa Senhora (exemplo: Nossa Senhora Aparecida, Virgem Maria, Nossa Senhora das Dores, Nossa Senhora de Fátima, etc…) e de Jesus (exemplo Bom Pastor, Coração de Jesus, etc…) que não deixam de ser santos mas Maria é a mãe de todos e Jesus é o próprio Deus Pai.

Contar a história dos santos escolhidos (e ai vai de como o encontro foi planejado).

Baseando-se na Paróquia São Marcos, o Evangelista e Paróquia Santa Mônica (ambas na região norte de Campinas, SP), lembrando que é só para exemplificar, eu contaria as histórias de:

Refletir sobre a seguinte pergunta: Ainda podemos ser santos hoje em dia? Porque neste mundo de hoje tão veloz e com forte inclinação para tentar afastar-nos cada vez mais da igreja, as dificuldades para escolhermos um caminho de santidade (não confunda com a santidade dos altares) são ainda maiores. Uma boa roda de conversa sobre o assunto seria interessante (caso haja tempo hábil até uma divisão em grupos coordenada por catequistas em cada grupo é interessante também).

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Sugestão de Lembrancinha

Como oração final sugiro que seja entregue uma lembrancinha com a Oração de São Francisco e logo depois que a oração seja também o canto Oração de São Francisco – Padre Zeca. Podemos nos despedir marcando para o próximo encontro algo especial como um café da manhã.

Aprofundamento para o Catequista

Este é um tema bem interessante e difícil de ser falado, pois existe a confusão (por vezes criada por  nossos irmãos protestantes e outras por atitudes nossas mesmo) sobre se adorar imagens ou se querer substituir Jesus como único mediador junto a Deus.

O professor Felipe Aquino explica: “A Igreja Católica nunca afirmou que devemos “adorar” as imagens dos santos; mas as venerar, o que é muito diferente. A imagem é um objeto que apenas lembra a pessoa ali representada; o ídolo, por outro lado, “é o ser em si mesmo”. A quebra de uma imagem não destrói o ser que representa; já a destruição de um ídolo implica a destruição da falsa divindade. Para Deus, e somente para Ele, a Igreja presta um culto de adoração (“latria”), no qual reconhecemos Deus como Todo-Poderoso e Senhor do universo. Aos santos e anjos, a Igreja presta um culto de veneração (“dulia”), homenagem.

A imagem de um santo tem um significado profundo. Quando se olha para ela, a imagem nos lembra que a pessoa, ali representada, é santa, viveu conforme a vontade de Deus. Então, é um “modelo de vida” para todos.

A imagem lembra também que aquela pessoa está no céu, isto é, na comunhão plena com o Senhor; ela goza da chamada “visão beatífica de Deus” e intercede por nós sem cessar, como reza uma das orações eucarísticas da Missa. (Formação Canção Nova)

Os Santos e Santas da Igreja Católica foram em primeiro lugar pessoas de muita fé que viveram para servir a Deus ou tiveram uma vida de muita piedade e fé (o que por si só dá no mesmo já que Jesus é a pura piedade e amor). Estas pessoas repletas do Espírito Santo tinham a misericórdia como sinal indelével na vida e seguiam a risca o mandamento de Jesus: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao irmão como Cristo os amou. Por isso mesmo acabaram chegando ao céu e depois intercedendo por todos os que tem fé. Um santo pode ser uma pessoa que nasceu e cresceu no amor de Deus, ou que depois recebeu o chamado para a missão de Jesus (veja São Paulo, São Francisco, Santo Agostinho, entre outros) e acabou se tornando um exemplo de fé.

Para ser considerado Santo ou Santa na Igreja Católica é um processo sério e muito complexo, ninguém é considerado Santo apenas porque criou um fama, é necessário um grande processo de provas e contraprovas, justamente para não se criar “ídolos” e sim algo verdadeiro.

O processo consta, em síntese, das seguintes etapas:

1) Nomeia-se um postular da causa

2) Interrogam-se as testemunhas, caso ainda estejam vivas.

3) Pelo menos dois censores examinam os escritos do Servo de Deus, caso existam. Se a causa refere-se a alguém que não faleceu recentemente, o Bispo precisa convocar uma comissão histórica para recolher todo o material existente e julgar sua validez.

4) Simultaneamente à fase dos interrogatórios e da avaliação dos escritos, é necessário um decreto do Bispo certificando a ausência do culto público, segundo norma promulgada pelo Papa Urbano VIII.

5) Tudo isso deverá ser enviado a Roma, onde se estabelece a validade do processo, ou seja, a constatação de que nada falta para o seu prosseguimento.

6) Depois, o postulador pede que se nomeie um relator da causa, o qual, junto com o postulador e outros colaboradores, elabora a Positio, que é um livro, às vezes em vários volumes, que resume toda a documentação. Esse resumo será julgado depois pelos Cardeais, Bispos e teólogos membros da Congregação.

7) Concluída a Positio, ela deve ser entregue à Congregação para a Causa dos Santos . A Positio será então estudada por oito consultores teólogos e pelo Promotor da Fé, os quais deverão emitir seus votos “afirmativos”“suspensivos” ou “negativos”.

8 ) Se seus votos forem afirmativos, a causa passa aos Cardeais, Arcebispos e Bis

pos membros da Congregação para a Causa dos Santos. Se aprovada, a causa é apresentada de modo resumido ao Romano Pontífice.

9) O Papa é, em definitivo, o único juiz da Causa. Os passos prévios são, na realidade, meramente consultivos. Se o Papa confirma o juízo aprobatório descrito previamente, declarará venerável o Servo de Deus, título com o qual se reconhece sua heroicidade de virtudes ou seu martírio.

10) O passo seguinte é o reconhecimento do milagre depois da morte (post mortem). O milagre é discutido apenas quando se examina a possibilidade de beatificação quando a causa é devida à heroicidade de virtudes.

 

11) O Papa então, se reconhecer o milagre, declara como Beata aquela pessoa até então era considerada como Venerável. Este é o ato da Beatificação dela.

12) Para a canonização, será necessário outro milagre. Com isso conclui-se o processo

A canonização é o ato final, que compete somente ao Sumo Pontífice, o Papa, conclusivo de um processo de investigação e análise de como a pessoa viveu, do que ela fez, ensinou, escreveu, etc., e de como morreu.

Este processo era muito simples. O Bispo do local informava-se junto aos que haviam conhecido uma pessoa falecida com fama de santidade. Pedia-lhes que dessem testemunho a respeito de sua vida ou sobre milagres obtidos por sua intercessão, após o falecimento.

À medida que a Igreja foi crescendo, e com o correr dos séculos, começou-se a fazer um verdadeiro processo de canonização.

Desde os primeiros tempos, os milagres foram requeridos. E ainda hoje exige-se o milagre, além do processo em si mesmo, porque o juízo dos teólogos e dos Cardeais é um juízo humano, enquanto o milagre é considerado como a confirmação que Deus faz desse juízo.

Há dois diferentes níveis de honra para os santos indivíduos que faleceram. Aquelas pessoas que são veneradas localmente ou por ordens religiosas de padres ou freiras são beatificadas. Elas são chamadas pelo título “beato”. Somente aquelas que são canonizadas pelo Papa são realmente santos. Esta distinção é virtualmente ignorada pela maioria dos católicos. A mais completa compilação dos santos católicos, A Bibliotheca Sanctorum, está beirando os vinte volumes e alista mais de 10.000 santos. Só aproximadamente 400 deles foram oficialmente canonizados por papas.

A Congregação pelas Causas dos Santos, um dos nove ministérios da Santa Sé, supervisiona a canonização dos santos. No passado, o processo era mais extenso e minucioso do que é hoje. Antes de João Paulo II se tornar Papa, havia muitos bloqueios estrategicamente colocados no caminho da santidade. Houve realmente, no Vaticano, um ofício cujo propósito era fazer tudo que pudesse para expor o lado negativo do candidato de modo a assegurar que nenhum indivíduo fosse indevidamente honrado. Esse ofício era conhecido como o do Advogado do Diabo. Nos anos recentes, o ofício do Advogado do Diabo tem sido afastado, e o processo de canonização inteiro foi drasticamente agilizado. João Paulo II beatificou e canonizou mais indivíduos do que todos os outros papas juntos no século vinte.

Uma vez que uma pessoa é canonizada, os católicos ficam seguros de poderem rezar com confiança ao santo para que interceda com Deus em seu benefício. O nome da pessoa é acrescentado à lista de santos e é determinado um dia festivo no qual ela será honrada na celebração da Missa desse dia.

Alguns santos são indicados como intercessores especiais junto a Deus em benefício de certas causas ou grupos de pessoas. Eles são chamados Santos Padroeiros. O que se segue relaciona vários Santos Padroeiros bem conhecidos.

Alguns Santos e Santas acabam ficando, digamos assim, mais famosos em certas épocas como é o caso de Santo Expedido (Santo das Causas Urgentes), Santa Rita de Cássia (Santa das Causas Impossíveis), Santa Edwiges (Protetora dos Pobres e Endividados), Nossa Senhora Desatadora dos Nós ( Desatar os problemas da nossa vida)

 

  • Santos Padroeiros de Alguns Países:
    Argentina – Nossa Senhora de Lujan

    Austrália – São Gregório Iluminador
    Brasil – Nossa Senhora Aparecida
    Canadá – São José, Sant’Ana
    Chile – São Tiago; Nossa Senhora de Monte Carmelo
    China – São José
    Colômbia – São Pedro Claver; São Luís Bertrand
    Equador – Sagrado Coração
    Inglaterra – São Jorge
    França – Santa Joana D’Arc
    Alemanha – São Bonifácio
    Índia – Nossa Senhora da Assunção
    Irlanda – São Patrício, Santa Brígida e Santa Columba
    Itália – São Francisco de Assis; Santa Catarina de Siena
    Japão – São Pedro Batista
    México – Nossa Senhora de Guadalupe
    Filipinas – Sagrado Coração de Maria
    Portugal – Imaculada Conceição, São Francisco Bórgia, Santo Antônio de Pádua
    Rússia – Santo André
    Espanha – São Tiago, Santa Teresa
    Estados Unidos – Imaculada Conceição

Veja também:

Escute as músicas sugeridas:

 

 

Ainda podemos ser santos hoje em dia?

Série : Animo, uma nova catequese (Encontro 34/40 – Complemento 17)

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São Francisco de Assis

Não existe uma forma de se alcançar a santidade, ou melhor, existe sim… E todo o segredo está no seguimento a Deus. Para a igreja católica, a santidade começa no momento em que os  10 mandamentos de Deus ( Ex 20,3-17, Dt 5,7-21) são obedecidos:

1º “Não terás outros deuses diante de mim.”

2º “Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás diante delas, nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam e uso de misericórdia com milhares dos que me amam e guardam os meus mandamentos.”

3º “Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente aquele que tomar o seu nome em vão.”

4º “Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás todo o teu trabalho; “mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus. Nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o estrangeiro que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o Senhor o céu e a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou; por isso o Senhor abençoou o dia do sábado, e o santificou.”

5º “Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá.”

6º “Não matarás.”

7º “Não adulterarás.”

8º “Não furtarás.”

9º “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.”

10º “Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo.”

Também faz parte da santidade seguir o que Jesus orienta em Mateus 22,37-40:

“Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. “Este é o grande e primeiro mandamento. “E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.”

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Esta pintura é considerada a mais fiel reprodução do verdadeiro rosto de São Francisco

São Francisco é um dos maiores exemplos de santidade e obediência a Deus e ele foi chamado no silêncio da sua oração e acabou se tornando um exemplo de vida em Cristo.

Mas a santidade é mais do que obedecer um mandamento, é mais do que “A lei pela lei” , a santidade começa no perdão ao próximo, nos atos de caridade:

As obras de misericórdia corporais são:

1ª Dar de comer a quem tem fome;

2ª Dar de beber a quem tem sede;

3ª Vestir os nus;

4ª Dar pousada aos peregrinos;

5ª Assistir aos enfermos;

6ª Visitar os presos;

7ª Enterrar os mortos.

As obras de misericórdia espirituais são:

1ª Dar bom conselho;

2ª Ensinar os ignorantes;

3ª Corrigir os que erram;

4ª Consolar os aflitos;

5ª Perdoar as injúrias;

6ª Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo;

7ª Rogar a Deus por vivos e defuntos.

Santidade está em ser fiel a Deus e bom para o próximo e para o mundo, abrir mão de si mesmo para ajudar a quem precisa e ser acima de tudo misericordioso.

Mas para nós que queremos ser santos no dia a dia, lembrar sempre que servimos a Jesus Cristo e em tudo tentar seguir o seu exemplo de vida já seria maravilhoso. Afinal somos todos pecadores, mas não queremos e não podemos continuar a ser. Seremos santos, não os santos que alcançaram os altares, mas sim santos na vida, exemplos de caráter, honestidade e amor a Deus. Pois o cristão de verdade sabe o que é errado e teme a Deus que tudo vê, tudo sabe e está em tudo e não aceita errar (cometer um crime por exemplo) seja qual for a gravidade esperando pelo perdão de Deus, pois o maior pecador é aquele que sabe o que está fazendo e mesmo assim aceita fazer.

Vamos ser santos na medida em que nossa vida se torna exemplo de conduta e fé em Deus, e acredite esta santidade será vivida na igreja, nos momentos felizes e tristes sempre com o amor do Pai.

Milton Cesar (Fides Omnium)

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“Quer saber como ser santo? Faça bem todas as coisas. Leve Jesus para todos os lugares. Convide-O para estar em todos os lugares. Santidade não é fuga do mundo, mas transformação deste mundo. É saber que podemos curtir aqui, mas sem sermos “curtidos”. É saber que podemos deixar marcas de Céu na vida de todos aqueles que estão ao nosso redor. Isso é ser santo. Fazer bem todas as coisas e amar. Esse é o segredo da santidade, a verdade de uma humanidade que vive a si própria na plenitude. O amor é tudo o que as pessoas procuram.

Somos o que queremos ser. Somos, por assim dizer, obra de nossas mãos. Em cada escolha nossa, deixamos um rastro de nosso jeito de ser pessoa e, assim, deixamos um jeito de ser santo. O amanhã depende muito de como vivemos o hoje. Não deixe a vida o levar; leve a vida! Não a desperdice!

Vamos viver com entusiasmo, com alegria, mas, sobretudo, com senso de responsabilidade.

Existem muitas pessoas que pensam viver, mas, na verdade, estão fingindo. Ao mesmo tempo, muitos acreditam que, para ser santos, devam deixar de viver. Não é nada disso. A ordem é: Viva! Viva a vida! Deseje o Céu!

É hora de nos levantarmos e propormos uma santidade linda, apresentada pela Igreja Católica há mais de dois mil anos e que é possível. Vamos santificar nossos namoros, nosso trabalho, nossas amizades, nossas baladas. É possível! O mundo e Deus esperam isso de nós! A juventude é uma riqueza que nos leva à descoberta da vida como um dom e uma tarefa.

Você se lembra do jovem do Evangelho que era muito rico e um dia perguntou para Jesus o que era preciso para ganhar a vida eterna? Se quiser, confira essa passagem em Mateus (19, 16-22); ele percebeu a riqueza de sua juventude. Foi até Jesus, o Bom Mestre, para buscar uma orientação. Mas, no momento da grande decisão, não teve coragem de apostar tudo em Jesus Cristo. Saiu dali triste e abatido. Faltou-lhe a generosidade, o que impediu uma realização plena. O jovem fechou-se em sua riqueza, tornando-se egoísta.

Não podemos desperdiçar a nossa juventude. Devemos vivê-la intensamente, apostando tudo em Jesus e sendo gente, humanos. Sempre com a certeza de que é possível sermos santos de calça jeans.

(Trecho extraído do livro “Santos de Calça Jeans” de Adriano Gonçalves).”

Palavras do Papa Francisco, 19 de Novembro de 2014

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Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Um grande dom do Concílio Vaticano II foi ter recuperado uma visão de Igreja fundada na comunhão e ter voltado a entender também o princípio da autoridade e da hierarquia em tal perspectiva. Isto ajudou-nos a compreender melhor que, enquanto baptizados, todos os cristãos têm igual dignidade diante do Senhor e são irmanados pela mesma vocação, que é a santidade (cf. Constituição Lumen gentium, 39-42). Agora, interroguemo-nos: em que consiste esta vocação universal a sermos santos? E como a podemos realizar?

Antes de tudo, devemos ter bem presente que a santidade não é algo que nos propomos sozinhos, que nós obtemos com as nossas qualidades e capacidades. A santidade é um dom, é a dádiva que o Senhor Jesus nos oferece, quando nos toma consigo e nos reveste de Si mesmo, tornando-nos como Ele é. Na Carta aos Efésios, o apóstolo Paulo afirma que «Cristo amou a Igreja e se entregou por ela para a santificar» (Ef 5, 25-26). Eis que, verdadeiramente, a santidade é o rosto mais bonito da Igreja, o aspecto mais belo: é redescobrir-se em comunhão com Deus, na plenitude da sua vida e do seu amor. Então, compreende-se que a santidade não é uma prerrogativa só de alguns: é um dom oferecido a todos, sem excluir ninguém, e por isso constitui o cunho distintivo de cada cristão.

Tudo isto nos leva a compreender que, para ser santo, não é preciso ser bispo, sacerdote ou religioso: não, todos somos chamados a ser santos! Muitas vezes somos tentados a pensar que a santidade só está reservada àqueles que têm a possibilidade de se desapegar dos afazeres normais, para se dedicar exclusivamente à oração. Mas não é assim! Alguns pensam que a santidade é fechar os olhos e fazer cara de santinho! Não, a santidade não é isto! A santidade é algo maior, mais profundo, que Deus nos dá. Aliás, somos chamados a tornar-nos santos precisamente vivendo com amor e oferecendo o testemunho cristão nas ocupações diárias. E cada qual nas condições e situação de vida em que se encontra. Mas tu és consagrado, consagrada? Sê santo vivendo com alegria a tua entrega e o teu ministério. És casado? Sê santo amando e cuidando do teu marido, da tua esposa, como Cristo fez com a Igreja. És baptizado solteiro? Sê santo cumprindo com honestidade e competência o teu trabalho e oferecendo o teu tempo ao serviço dos irmãos. «Mas padre, trabalho numa fábrica; trabalho como contabilista, sempre com os números, ali não se pode ser santo…». «Sim, pode! Podes ser santo lá onde trabalhas. É Deus quem te concede a graça de ser santo, comunicando-se a ti!». Sempre, em cada lugar, é possível ser santo, abrir-se a esta graça que age dentro de nós e nos leva à santidade. És pai, avô? Sê santo, ensinando com paixão aos filhos ou aos netos a conhecer e a seguir Jesus. E é necessária tanta paciência para isto, para ser um bom pai, um bom avô, uma boa mãe, uma boa avó; é necessária tanta paciência, e é nesta paciência que chega a santidade: exercendo a paciência! És catequista, educador, voluntário? Sê santo tornando-te sinal visível do amor de Deus e da sua presença ao nosso lado. Eis: cada condição de vida leva à santidade, sempre! Em casa, na rua, no trabalho, na igreja, naquele momento e na tua condição de vida foi aberto o caminho rumo à santidade. Não desanimeis de percorrer esta senda. É precisamente Deus quem nos dá a graça. O Senhor só pede isto: que permaneçamos em comunhão com Ele e ao serviço dos irmãos.

Nesta altura, cada um de nós pode fazer um breve exame de consciência, podemos fazê-lo agora, e cada qual responda dentro de si mesmo, em silêncio: como respondemos até agora ao apelo do Senhor à santidade? Desejo ser um pouco melhor, mais cristão, mais cristã? Este é o caminho da santidade. Quando o Senhor nos convida a ser santos, não nos chama para algo pesado, triste… Ao contrário! É o convite a compartilhar a sua alegria, a viver e a oferecer com júbilo cada momento da nossa vida, levando-o a tornar-se ao mesmo tempo um dom de amor pelas pessoas que estão ao nosso lado. Se entendermos isto, tudo mudará, adquirindo um significado novo, bonito, um significado a começar pelas pequenas coisas de cada dia. Um exemplo. Uma senhora vai ao mercado para fazer as compras, encontra uma vizinha, começam a falar e então chegam as bisbilhotices, e a senhora diz: «Não, não falarei mal de ninguém!». Este é um passo rumo à santidade, ajuda-nos a ser santos! Depois, em casa, o filho pede para te falar das suas fantasias: «Oh, estou muito cansado, hoje trabalhei tanto…». «Mas acomoda-te e ouve o teu filho que precisa disto!». Acomoda-te e ouve-o com paciência: é um passo rumo à santidade. Depois, acaba o dia, todos estamos cansados, mas há a oração. Recitemos uma prece: também este é um passo para a santidade. Então, chega o domingo e vamos à Missa, recebamos a Comunhão, às vezes precedida por uma boa confissão, que nos purifica um pouco! Este é outro passo rumo à santidade. Depois, pensemos em Nossa Senhora, tão boa e bela, e recitemos o Rosário. Também este é um passo para a santidade. Então, vou pelo caminho, vejo um pobre, um necessitado, paro, faço-lhe uma pergunta, dou-lhe algo: é um passo rumo à santidade! São pequenas coisas, mas muitos pequenos passos para a santidade. Cada passo rumo à santidade fará de nós pessoas melhores, livres do egoísmo e do fechamento em nós mesmos, abertos aos irmãos e às suas necessidades.

Caros amigos, a primeira Carta de São Pedro dirige-nos esta exortação: «Como bons dispensadores das diversas graças de Deus, cada um de vós ponha à disposição dos outros o dom que recebeu: a palavra, para anunciar as mensagens de Deus; um ministério, para o exercer com uma força divina, a fim de que em todas as coisas Deus seja glorificado por Jesus Cristo» (4, 10-11). Eis o convite à santidade! Aceitemo-lo com alegria e sustentemo-nos uns aos outros porque o caminho para a santidade não o percorremos sozinhos, cada qual por sua conta, mas juntos, no único corpo que é a Igreja, amada e santificada pelo Senhor Jesus Cristo. Vamos em frente com ânimo, neste caminho da santidade.

Papa Francisco

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A oração já é um caminho para a santidade. Rezar a Deus e pedir a oportunidade de ser mais santo, é uma das graças de Deus.

Faça a sua oração diária, mas faça silêncio para que Deus também possa falar.