O Peixe na Semana Santa

Catequese, Vivência na Fé

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Bacalhau

Primeiro podemos ir buscar no Catecismo da Igreja Católica parte dos motivos para o jejum da Semana Santa e principalmente a abstinência de carne. Levando em consideração que a carne é um alimento que muitas pessoas tratam de uma forma especial, chegando ao ponto de muitos não comerem sem carne.

No artigo 7 (As Virtudes)  chegamos no CIC 1809 onde diz:

“A temperança é a virtude moral que modera a atração dos prazeres e proporciona o equilíbrio no uso dos bens criados. Assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos nos limites da honestidade. A pessoa temperante orienta para o bem os apetites sensíveis, guarda uma sã discrição e não se deixa arrastar pelas paixões do coração . A temperança é muitas vezes louvada no Antigo Testamento: «Não te deixes levar pelas tuas más inclinações e refreia os teus apetites» (Não te deixes levar pelas tuas más inclinações e refreia os teus apetites. Sir 18, 30). No Novo Testamento, é chamada «moderação», ou «sobriedade». Devemos «viver com moderação, justiça e piedade no mundo presente» (“Veio para nos ensinar a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver neste mundo com toda sobriedade, justiça e piedade,” Tt 2, 12).”

«Viver bem é amar a Deus de todo o coração, com toda a alma e com todo o proceder […], de tal modo que se lhe dedica um amor incorrupto e íntegro (pela temperança), que mal algum poderá abalar (fortaleza), que a ninguém mais serve (justiça), que cuida de discernir todas as coisas para não se deixar surpreender pela astúcia e pela mentira (prudência)» (Santo Agostinho, De moribus Ecclesiae catholicae).

Não existe então na própria Bíblia uma “ordem” para que se coma apenas peixe na Semana Santa, principalmente na Sexta-feira Santa, mas a tradição católica foi tomando forma e continua até hoje. Apesar da verdadeira exploração do comércio que sabendo que haverá uma procura maior de peixes e frutos do mar nesta época aumenta os preços visando o lucro. Cometem o pecado da avareza, e muitos ainda se dizem católicos.

Santo Tomás de Aquino diz que o “jejum foi estabelecido pela Igreja para reprimir as concupiscências da carne, cujo objeto são os prazeres sensíveis da mesa e das relações sexuais”. Importante recordar que, na época de Santo Tomás, a disciplina exigia esta prática não só na sexta-feira, mas também na quarta e, além da carne, englobava os ovos e os laticínios.

Os Santos Padres também incentivaram sobremaneira este hábito que acabou se consolidando. No entanto, na Idade Média, o Papa Nicolau I, no século IX, instituiu como lei aquilo que era somente um costume. E, assim, a penitência passou a ser obrigatória para todos os cristãos a partir da idade da razão (sete anos).

Ainda no período medieval, em honra à Nossa Senhora, as pessoas passaram a jejuar também aos sábados. Deste modo, o domingo, grande Dia do Senhor, era precedido por dois dias de penitência, em preparação à Páscoa semanal.

Mas o tempo fez com que parte dos costumes perdessem um pouco da sua força e o próprio significado acabasse ficando desconhecido. hoje mesmo algumas pessoas acabam ignorando o costume, algumas vezes por não saberem o real motivo, outras vezes por fazerem um turismo religioso entre várias denominações religiosas e acabarem voltando para a Igreja Católica perdendo o sentido das tradições e mais ainda o sentido do porque se fazer a abstinência de carne.

Com o tempo também, inclusive, os fiéis passaram a se questionar acerca da obrigatoriedade da abstinência na sexta e se a não observância desse preceito se constituía um pecado mortal ou leve. Diante disso, o Papa Inocente III, no século XIII, decretou que realmente é pecado grave. E no século XVII, o Papa Alexandre VII anatematizou quem dissesse que não era pecado grave.

Essa foi a disciplina até 1983, quando houve a promulgação do novo Código de Direito Canônico. No cânon 1251, lemos que é obrigatório fazer “abstinência de carne ou de outro alimento […] em todas as sextas-feiras do ano, a não ser que coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades”. Com relação a este cânon, a CNBB afirma que o fiel católico brasileiro pode substituir a abstinência de carne por uma obra de caridade, um ato de piedade ou ainda trocar a carne por um outro alimento (CNBB, Diretório da Liturgia e da organização da Igreja no Brasil)

Atualmente, a exigência da lei é para aqueles que já completaram catorze anos de idade e não a partir da idade da razão, como era no início, conforme o cânon 1252 do mesmo Código.

Historicamente, fazer da sexta-feira um dia penitencial é algo que afunda suas raízes na época apostólica. A Didaqué, uma espécie de catecismo dos primeiros cristãos, dá conta de que o jejum era feito na quarta e na sexta-feira. A Igreja do Oriente, inclusive, permanece com esse costume.

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O jejum

Um dos elementos que mais aparece nesse período é o jejum e a recomendação para que não se coma carne, em todas as sextas-feiras que antecedem a Páscoa, durante o tempo conhecido como quaresma. O mesmo preceito vale para a quarta-feira de cinzas, o dia em que se inaugura esse tempo de preparação para a Páscoa.

O jejum e a abstinência são sinais, também bíblicos, de conversão. O povo no tempo de Cristo jejuava sobretudo na festa da expiação. Mas há inúmeras outras passagens que lembram o jejum. Até mesmo Jesus, por ocasião das tentações no deserto, jejuou. Em atos dos Apóstolos, os responsáveis pela igreja, quando escolhiam os missionários, jejuavam (Atos 13,2-3) e Paulo, em 2 ocasiões, fala do próprio jejum (II Coríntios 6,5 e 11,27). É claro que jejum pelo jejum não tem sentido e não nos faz melhores. Basta pensar a quantos fazem jejum de maneira forçada, não porque é tempo de quaresma, mas porque não tem o que comer.

Não comer carne tem importância porque contém em si um significado, pois é, como dito acima, sinal de conversão. Não é, em si, a conversão. Quem se abstém da carne está dando um sinal que:

  • quer se afastar do pecado
  • é solidário com quem tem fome
  • sublinha a importância da Palavra de Deus como alimento para a alma
  • exprime a necessidade de colocar um freio no consumismo

Como bem lembram os profetas, o que conta, no final das contas, é a conversão do coração. Todos os gestos exteriores de nada valem se não conduzem a uma renovação do coração. Todavia eles podem ser significativos e a sua observância não deve ser motivo de gozação. Talvez não baste substituir carne por peixe, que nem sempre é mais barato, mas fazer algum gesto concreto que demonstre a nossa adesão ao projeto de Cristo, que mostre a nossa solidariedade com quem deu a vida por nós.

Gesto de conversão

Atualmente a Igreja Católica evita as palavras obrigação e proibição. Ela apenas aconselha a abstinência de carne vermelha como gesto de conversão. O jejum é uma tradição que surgiu na Idade Antiga e se consolidou na Idade Média, época em que pessoas humildes raramente provavam carne. Na época, o povo vivia em terras alheias e a carne vermelha era consumida só em banquetes, nas cortes e nas residências dos nobres. Ela tornou-se, então, símbolo da gula, associado ao pecado. Dessa forma, a Igreja orientava os fiéis a comerem carne à vontade antes da quaresma – o que deu origem aos banquetes chamados “carnevale” e ao nosso carnaval – e depois se absterem de carne, durante os 40 dias que antecediam a Páscoa. O peixe não chegou a entrar na lista da abstinência porque sua presença era irrelevante nos banquetes medievais. Com o passar dos séculos, a carne deixou de estar presente somente nos banquetes e perdeu seu caráter simbólico de pecado. A orientação atual é que os católicos que desejarem se abstenham na Quarta-Feira de Cinzas, nas sextas-feiras da Quaresma e na Sexta-Feira Santa. Pessoas enfermas, idosas e crianças são isentas dessa orientação.

Fontes: Irmã Maria Inês Carniato, da Editora Paulinas (p/ revista Galileu – Ed. Globo)

Abster-se de carne e jejuar na sexta-feira é uma prática plurissecular da Igreja e tem argumentos fortes em seu favor. O primeiro deles é que todos os cristãos precisam levar uma vida de ascese. Esta é uma regra básica da espiritualidade cristã, além de fazer bem para a vida espiritual do fiel, pode ser uma ocasião de testemunho e de catequese para outros. Recusar publicamente, por amor a Cristo, tal prazer pode ser uma forma de incutir no próximo o desejo de também conhecer o Amado, por quem se faz sacrifícios.Por fim, é importante recordar que o costume de se abster de carne na sexta-feira sempre esteve ligado à Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, portanto, é importante recuperá-lo a fim de aumentar ainda mais a devoção e a própria fé.

Peixe também é carne e sangra

348_comocriarA hemoglobina é uma proteína presente no sangue e que define sua cor, contém ferro e leva do pulmão o oxigênio necessário aos movimentos para os tecidos musculares. Nos músculos, também há outra proteína, chamada mioglobina, que ajuda a manter o oxigênio, sendo esta proteína responsável pela cor vermelha da carne”, diz a bióloga de Arraial do Cabo Leonizia Valdeci de Melo, especialista em gerenciamento socioambiental costeiro e licenciada em biologia pela Ferlagos. Os peixes possuem ainda menos mioglobina, por isso, a carne é branca. Devido à grande movimentação do atum, sua carne é avermelhada. O peixe também possui menos sangue que os outros animais, por isso ficou como uma lenda de que o “peixe não sangra, e por isso deve ser comido na sexta-feira santa”, mas na verdade o peixe também é carne e também tem sangue.

Fontes analisadas:

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Livro:

Revolução Cultural

Catequese, vivência na fé

Padre Paulo Ricardo de Azevedo Jr. É licenciado em Filosofia pelas Faculdades Unidas Católicas de Mato Grosso – FUCMAT, Campo Grande, MS (1987), bacharel em Teologia (1991) e mestre em Direito Canônico (1993) pela Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma). Também é Mestre em catequese e produz muitos vídeos para evangelização para o YouTube além das constantes aparições nas TVs católicas.  Esta série de vídeo aulas foram feitas em 2012.

 

Estai sempre prontos a responder para vossa defesa a todo aquele que vos pedir a razão de vossa esperança.” (I Pedro 3,15)

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O curso “Marxismo Cultural e Revolução Cultural” esta disponibilizado na íntegra pelo site do Padre Paulo Ricardo. Segundo descreve, este curso posiciona-se como reflexão teológica cujo objetivo é o de “identificar o que está acontecendo com a teologia e a maneira como o pensamento revolucionário está influenciando a forma de pensar a teologia, Deus, a Igreja e o sacerdócio. Porém, para se chegar à teologia é importante conhecer as raízes desta revolução, que se encontram na filosofia.”

Segundo informações disponibilizadas na descrição dos vídeos “esta é uma série de palestras que busca compilar, de forma sistemática, o tema do Marxismo Cultural que se encontra difuso em diversos vídeos e palestras no site padrepauloricardo.org. O intuito é o de apresentar a revolução cultural dentro da Igreja ou, melhor dizendo, um estudo sistemático das raízes da Teologia da Libertação e de sua atuação dentro da Igreja Católica.”

No site em que foi publicado originalmente, o curso se propõe a ser uma porta de entrada ao pensamento sociológico, à uma reflexão um pouco mais aprofundada, e porque não filosófica, do contexto social que estamos vivendo no Brasil e no mundo. Assim, como um bom desenhista ou um bom fotógrafo precisa se distanciar do objeto para compreendê-lo em outras perspectivas, que nestes videos, você possa abrir a realidade concreta e, sobretudo, santificá-la na medida do possível com sua santidade de vida. (Extraído do Blog Canção Nova) https://blog.cancaonova.com/cleberrodrigues/marxismo-e-revolucao-cultural/

Assista todas as aulas desta série de palestras:

Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior pertence ao clero da Arquidiocese de Cuiabá (Mato Grosso – Brasil).

Nasceu em Recife – PE, no dia 7 de novembro de 1967, onde pertencia à Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem. Com 11 anos de idade, sua família se transferiu para Cuiabá – MT (1979). Foi estudante de intercâmbio e concluiu o Ensino Médio em Michigan, nos EUA (1983-1984). Ingressou no seminário em 1985 e foi ordenado sacerdote no dia 14 de junho de 1992, por São João Paulo II.

É licenciado em Filosofia pelas Faculdades Unidas Católicas de Mato Grosso – FUCMAT, Campo Grande, MS (1987), bacharel em Teologia (1991) e mestre em Direito Canônico (1993) pela Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma).

Já exerceu os seguintes ofícios eclesiásticos na Arquidiocese de Cuiabá: Vigário Paroquial da Catedral-Basílica do Senhor Bom Jesus de Cuiabá (1994-1997); Reitor do Seminário Cristo Rei (1996-2010); Vigário Judicial (1998-2011); Pároco da Paróquia Nossa Senhora das Dores, em Barão de Melgaço, no pantanal de Mato Grosso (1998-2009); Secretário Geral do Sínodo Arquidiocesano de Cuiabá (2004-2008). Foi por diversos mandatos membro do Conselho de Presbíteros e do Colégio de Consultores (1994-2010).

Lecionou nas seguintes instituições: Faculdades de Filosofia e de Psicologia da Universidade Católica Dom Bosco – Campo Grande, MS (1994-1995); Instituto Regional de Teologia (ITEO) – Campo Grande – MS (1994-2000); Studium Eclesiástico Dom Aquino Corrêa – Cuiabá, MT (1999-2012).

Foi membro do Conselho Internacional de Catequese (Coincat) da Santa Sé (Congregação para o Clero), por dois períodos consecutivos (2002-2012).

Atualmente, é Vigário Paroquial da Paróquia Cristo Rei, em Várzea Grande – MT e se dedica à evangelização através dos meios de comunicação, sendo autor de diversos livros. Leciona Teologia no Instituto Bento XVI, da Diocese de Lorena, SP, desde 2011.

Virgem Maria, rogai por nós!