Quaresma e a hipocrisia das pessoas

Reflexão

Por Milton Cesar

Devo antes de começar, deixar bem claro que: A REFLEXÃO QUE VOU FAZER NÃO SE APLICA A TODOS MAS A UMA BOA PARTE!

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Pois bem, dito isso, vamos lá.

Depois dos “excessos” (dependendo do ponto de vista) do Carnaval, chega a quarta-feira de cinzas e os fiéis voltam ao seu “normal”. Digo isso porque muitos vão para as festas de carnaval e se esquecem de que são cristãos e não aplicam a máxima deixada por São Paulo na 1ª Carta a comunidade de Corinto: ““Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma.”
I Coríntios, 6,12 – Bíblia Católica Online

As pessoas parecem entorpecidas (e muitos estão) pelo clima da festa e não se importam com mais nada. Não quero dizer que seja proibido “se divertir”, porém qual o significado disso tudo?

Ai chega a quarta-feira de cinzas e os antes foliões lembram-se que são “fiéis” e acorrem as igrejas. E olha que isso não é só com os católicos, mas também com nossos irmãos evangélicos e protestantes.

Depois vem a quaresma. Quarenta dias de reflexão e penitência, para fazer memória do sofrimento de Cristo. Ai vem a hipocrisia.

Muitos se abstém de carne ao menos uma vez na semana, geralmente às sexta-feiras ou as quartas, mas ao invés de se absterem de carne apenas, e muitas vezes promoverem churrascos no sábado para compensar, porque não vão alimentar uma família faminta? Porque não fazem da quaresma uma época para arrecadarem alimentos, agasalhos, cobertas, medicamentos para quem tem necessidade?

Seria mais significativo do que ficar no gesto (muitas vezes hipócrita) de se abster de carne ou jejuar.

Isso eu chamo de hipocrisia. O tentar enganar a Deus quando ninguém o engana.

Essas mesmas pessoas que não comem carne em determinados dias da semana durante a quaresma, ou fazem jejum (pasmem) de Coca-Cola ou chocolate, são as primeiras a anunciarem isso em alto em bom tom quando tem oportunidade, de novo falta lembrar do que está escrito no Evangelho de Mateus (aliás todo o capitulo 6 poderia traduzir e bem o que estou dizendo, por isso vou transcrevê-lo ao final da postagem, mas por hora o trecho a seguir vem bem a contento): “Quando jejuardes, não tomeis um ar triste como os hipócritas, que mostram um semblante abatido para manifestar aos homens que jejuam. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa. 17.Quando jejuares, perfuma a tua cabeça e lava o teu rosto. 18.Assim, não parecerá aos homens que jejuas, mas somente a teu Pai que está presente ao oculto; e teu Pai, que vê num lugar oculto, te recompensará.””
São Mateus, 6,16-18 – Bíblia Católica Online

O que quero dizer é que a Quaresma é tempo de reflexão, mas não de se acomodar. É tempo de visitar o irmão enfermo, de fazer oração nas casas, de ajudar os necessitados. Jesus fez isso com apenas 5 pães e 2 peixes (Jo 6, 5-14). Nada desta hipocrisia de se ir na igreja nesta época, celebrar com cantos mais reflexivos e fazer isso apenas pela tradição sem dar um significado verdadeiro.

Quaresma deveria, ou melhor, deve ser sempre uma ação. Assim como Jesus fazia.

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Tudo me é permitido, porque sou filho de Deus

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Monsenhor Jonas Abib

Eu tenho a liberdade dos filhos de Deus, mas nem tudo me convém; nem tudo convém a um filho de Deus! Tudo me é permitido porque eu sou filho, mas não me deixarei dominar por coisa alguma! (cf. I Cor 6,12)

Graças a Deus, você está vendo, com essa palavra, o que Deus faz por você. Confirme mais uma vez: ”Mas o corpo não é para a devassidão, ele é para o Senhor e o Senhor é para o corpo. Ora, Deus que ressuscitou o Senhor, nos ressuscitará também pelo seu poder” (I Cor 6, 13b-14).

Quando a palavra diz que nossos corpos são membros de Cristo não é uma figura ou uma imagem. Os seus membros não são os membros de sua cabeça? Claro que são, porque quem comanda os seus membros é a sua cabeça!

Se a minha cabeça não me comandasse, se não saísse da minha cabeça um feixe nervoso e do meu cérebro não saíssem os comandos, eu não poderia fazer nada, como ler, falar, etc., os meus lábios sequer se moveriam. Porque tudo isso se faz pelos comandos que vem dos nossos cérebros. Você não estaria respirando, porque os comandos vêm do seu cérebro.

Todos os nossos membros são comandados pela nossa cabeça e nós somos membros dessa cabeça. Jesus é a nossa cabeça e nós somos os seus membros. ”Não sabeis porventura que os vossos corpos são os membros de Cristo?” (cf. I Cor 6,15a) Os nossos corpos, masculino e feminino, são membros de Cristo.

Observe o que o Senhor fez com você! Assuma isso e viva a beleza do que Ele fez por você. Você foi resgatado! Você foi resgatada! Não perca mais o que o Senhor resgatou.

Não se esqueçam: “Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém” (cf. I Cor 6,12).

Seu irmão,

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

Publicado Originalmente em 30/11/2018 -no site da  Canção Nova

São Mateus, 6

1.“Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Do contrário, não tereis recompensa junto de vosso Pai que está no céu. 2.Quando, pois, dás esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa. 3.Quando deres esmola, que tua mão esquerda não saiba o que fez a direi­ta.* 4.Assim, a tua esmola se fará em segredo; e teu Pai, que vê o escondido, irá recompensar-te. 5.Quando orardes, não façais como os hipócritas, que gostam de orar de pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa. 6.Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê num lugar oculto, te recompensará. 7.Nas vossas orações, não multipliqueis as palavras, como fazem os pagãos que julgam que serão ouvidos à força de palavras. 8.Não os imi­teis, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vós lho peçais. 9.Eis como deveis rezar: PAI NOS­SO, que estais no céu, santificado seja o vosso nome; 10.venha a nós o vosso Reino; seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. 11.O pão nosso de cada dia nos dai hoje;* 12.perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos ofenderam;* 13.e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. 14.Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, vosso Pai celeste também vos perdoará. 15.Mas, se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará. 16.Quando jejuardes, não tomeis um ar triste como os hipócritas, que mostram um semblante abatido para manifestar aos homens que je­juam. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa. 17.Quando jejuares, perfuma a tua cabeça e lava o teu rosto. 18.Assim, não parecerá aos homens que jejuas, mas somente a teu Pai que está presente ao oculto; e teu Pai, que vê num lugar oculto, te recompensará.” 19.“Não ajunteis para vós tesou­ros na terra, onde a ferrugem e as traças corroem, onde os ladrões furtam e roubam. 20.Ajuntai para vós tesouros no céu, onde não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não furtam nem roubam. 21.Porque onde está o teu tesouro, lá também está teu coração. 22.O olho é a luz do corpo. Se teu olho é são, todo o teu corpo será iluminado. 23.Se teu olho estiver em mau estado, todo o teu corpo estará nas trevas. Se a luz que está em ti são trevas, quão espessas deverão ser as trevas!” 24.“Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e à riqueza.* 25.Portanto, eis que vos digo: não vos preo­cupeis por vossa vida, pelo que comereis, nem por vosso corpo, pelo que vestireis. A vida não é mais do que o alimento e o corpo não é mais que as vestes? 26.Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam, nem recolhem nos celeiros e vosso Pai celeste as alimenta. Não valeis vós muito mais que elas? 27.Qual de vós, por mais que se esforce, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida?* 28.E por que vos inquietais com as vestes? Considerai como crescem os lírios do campo; não trabalham nem fiam. 29.Entretanto, eu vos digo que o próprio Salomão no auge de sua glória não se vestiu como um deles. 30.Se Deus veste assim a erva dos campos, que hoje cresce e amanhã será lançada ao fogo, quanto mais a vós, homens de pouca fé? 31.Não vos aflijais, nem digais: Que comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos? 32.São os pagãos que se preocupam com tudo isso. Ora, vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isso. 33.Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo. 34.Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado.”

Notas bíblicas

6,3. Não saiba: de tal modo deves guardar discrição em fazê-la.

6,11. De cada dia: poderia-se traduzir também – necessário à nossa subsistência.

6,12. Tradução literal: perdoai-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores.

6,24. Riqueza: literalmente – Mamon (A palavra Mamom vem do aramaico e significa “dinheiro” ou “riqueza”. Não era uma pessoa nem um espírito. Algumas traduções antigas ainda mantêm a palavra Mamom em Mateus 6:24, mas traduções mais modernas preferem traduzir para português, como dinheiro ou riqueza.) ; luxo, dinheiro.

6,27. Pode-se traduzir também: quem pode acrescentar um côvado à sua estatura? Como a mesma palavra grega designa estatura e duração de vida, é muito mais conforme ao sentido do contexto a tradução dessa segunda maneira.” 

Bíblia Católica Online

Atos dos Apóstolos (Círculo Bíblico – 9/10)

Círculo Bíblico: Atos dos Apóstolos – Encontro 9/10

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Pintura de São Paulo feita por Rembrandt

Este é o nono de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o livro dos Atos dos Apóstolos. A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o livro dos Atos dos Apóstolos (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja e ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia.

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

Jesus é o caminho

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São Paulo preso

At 24, 1 – 27

Chegamos em um ponto muito interessante do nosso Círculo Bíblico. Podemos começar tentando responder a algumas questões enquanto a leitura vai se desenvolvendo:

  1. O cristianismo é subversivo? Por que?
  2. O cristianismo é a mensagem da ressurreição. Como isso pode se tornar sério para a vida que vivemos hoje em dia?
  3. Quais as corrupções que atrapalham a justiça? Comente casos concretos e compare com a mensagem de Jesus.

Lucas fixa o texto principalmente na prisão de Paulo. Ele próprio acompanhou estes fatos. No processo de São Paulo estão jogo três coisas: o cristianismo (na figura de Paulo), o judaísmo e o próprio império romano. Lucas mostra que o judaísmo não é mais o lugar dos cristãos e indica que o futuro do cristianismo está no mundo romano, de onde de fato o futuro fará a mensagem de Jesus se espalhar pelo mundo todo.

Mas os judeus sentem que Paulo é uma ameaça. Três acusações são apresentadas contra Paulo: 1. Paulo (figurando todo o cristianismo) está perturbando a ordem em todo o mundo (romano), vale lembrar que esta é uma das acusações que pesaram contra o próprio Jesus (Lc 23, 2). 2. Paulo é considerado o líder do Partido dos Nazireus (este partido nem existia, mas os judeus chamavam assim os cristãos), o próprio Jesus era considerado um nazireu, radical e subversivo, então todos seus seguidores já eram considerados perigosos para o sistema vigente. E 3. Paulo teria profanado o Templo de Jerusalém ao introduzir pagãos no recinto sagrado (21,28).

O destino de Paulo pode ser o destino do próprio cristianismo. Mas a palavra de Jesus seria um caminho para a humanidade toda.

Paulo se defende: 1. Lembra que ficou poucos dias em Jerusalém e questiona como ele poderia causar tanta agitação em sete dias? 2. Paulo não podia negar pertencer ao partido dos Nazireus, pois o voto de nazireu (não cortar o cabelo durante um período) o fazia ser considerado membro do tal partido. Porém Paulo se defende negando que o cristianismo seja apenas uma seita radicalista dentro do judaísmo. Paulo usa o termo caminho, pois Jesus era justamente uma opção. 3. Paulo diz que foi ao templo oferecer esmolas.

Paulo se defende, mas não ataca. O governador romano Félix considerou Paulo e o cristianismo inocentes de todas as acusações e também não representavam perigo para o império romano. Assim decidiu pelo adiamento de causa. “Félix conhecia bem esta religião e, adiando a questão, disse: Quando descer o tribuno Lísias, então examinarei a fundo a vossa questão. 23.Ordenou ao centurião que o guardasse e o tratasse com brandura, sem proibir que os seus o servissem.”
Atos dos Apóstolos, 22, 22 – 23 – Bíblia Católica Online

Um dos motivos porque Felix também não condenou Paulo, foi o fato dele estar amasiado com Drusila, uma judia que se divorciara para ficar com o governador. Feliz também se interessava pelo cristianismo, apesar de não assumir. O governador também queria que Paulo lhe desse dinheiro em troca da liberdade. Como não conseguiu deixou o apóstolo preso por dois anos quando Pórcio Festo assumiu o cargo de Félix.

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São Paulo diante de Festo e Agripa

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Lucas mostra que os romanos não condenaram Paulo. O tribuno Lísias, o governador Félix e depois o novo governador  Festo  fazem declarações de inocência do apóstolo e por definição de toda a religião dos cristãos. Paulo também será julgado com a presença do Rei Agripa. O apóstolo apela a César, como cidadão romano teria que ser atendido, a pressão dos judeus é enorme. O que fazer.

Vale questionarmos ao ler este capítulo as semelhanças com o que acontece hoje em dia: 1. Os inocentes são julgados com justiça?

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Diante de Felix

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Paulo é enviado ao Rei Agripa e vai acompanhado do governador Festo e de algumas “autoridades” judaicas. Agripa não pertencia ao Sinédrio mas é uma figura extremamente importante, um rei.

Paulo então conta como foi a sua conversão e vai demonstrar passo a passo a importância de Jesus e sua mensagem. Festo, Agripa e os demais chegam a um consenso da inocência de Paulo e só não o soltam por ele ter apelado ao imperador César.

O livro dos Atos está praticamente na reta final e vale sempre a reflexão: 1. Nós católicos aproveitamos toda as ocasiões boas ou más para anunciarmos a nossa fé?

Refletindo

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Trecho de papiro dos Atos dos Apóstolos Codex Laudianus

É um exemplo muito claro de como a nossa fé pode ser posta a prova em momentos adversos. Ser fiel a Jesus é acima de tudo defender com coragem e sabedoria aquilo que acreditamos. Hoje vemos muitos católicos que acabam não defendendo a própria fé. Muitas vezes por não gostarem de ler ou procurar por um entendimento maior da fé, outras vezes por falhas de quem está a frente da comunidade de fé que não promove grupos de estudos ou fazem da catequese e grupos da igreja um lugar de evangelização e vivência na fé continuas. Paulo pelo contrário não muda uma virgula na sua defesa da fé em Jesus Cristo e mesmo sabendo que vai pagar por isso, não admite ser convencido do contrário.

Nas nossas comunidades existem muitos desafios a serem enfrentados, mas eles só serão vencidos com a defesa da nossa fé. Sempre em Cristo.

Milton Cesar

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São Marcos

Marcos pertencente a tribo de Levi, era judeu de origem e de uma família tão Cristã que sempre acolheu Jesus, Maria e os apóstolos em sua casa: ‘Ele se orientou e dirigiu-se para a casa de Maria, mãe de João, chamado Marcos; estava lá uma numerosíssima assembléia a orar‘ (Atos 12, 12).

A tradição nos leva a crer que na casa de São Marcos teria acontecido a Santa Ceia celebrada por Jesus, assim com o dia de Pentecostes, onde ‘inaugurou’ a Igreja Católica. Encontramos na Bíblia que o Santo de hoje acompanhou inicialmente São Barnabé e São Paulo em viagens apostólicas, e depois São Pedro em Roma.

São Pedro, que o chama de ‘meu filho’, o teve certamente consigo em suas viagens a Roma, onde Marcos teria escrito o Evangelho. A antigüidade cristã, a começar por Pápias, chama-o de ‘intérprete de Pedro’. ‘Marcos, um intérprete de Pedro, escreveu exatamente tudo aquilo que se lembrava. Escreveu, porém, o que o Senhor disse ou fez, não segundo uma ordem. Marcos não escutou diretamente o Senhor, nem o acompanhou; ele ouvia São Pedro, que dispunha seus ensinamentos conforme as necessidades’.

Além da familiaridade com São Pedro, o evangelista Marcos pode orgulhar-se de uma longa convivência com o apóstolo São Paulo, com quem se encontrou pela primeira vez em 44, quando Paulo e Barnabé levaram a Jerusalém a generosa coleta da comunidade de Antioquia. De volta, Barnabé, levou consigo o jovem sobrinho Marcos. Após a evangelização de Chipre, quando Paulo planejou uma viagem mais trabalhosa e arriscada ao coração da Ásia Menor, entre as populações pagãs do Tauro, Marcos – conforme lemos nos Atos dos Apóstolos – ‘se separou de Paulo e Barnabé e voltou a Jerusalém’. Depois Marcos voltou ao lado de Paulo quando este estava prisioneiro em Roma.

Em 66 São Paulo nos dá a última informação sobre Marcos, escrevendo da prisão romana a Timóteo: ‘Traga Marcos com você. Posso necessitar de seus serviços‘. Os dados cronológicos da vida de São Marcos permanecem duvidosos. Ele morreu provavelmente em 68 de morte natural, segundo uma tradição e, conforme outra tradição, foi mártir em Alexandria do Egito. Os Atos de Marcos, um escrito da metade do século IV, referem que Marcos, no dia 24 de abril, foi arrastado pelos pagãos pelas ruas de Alexandria, amarrado com cordas ao pescoço. Jogado ao cárcere, no dia seguinte, sofreu o mesmo tormento atroz e sucumbiu. A venda do seu corpo por parte de dois comerciantes e mercadores de Veneza não passa de lenda (828). Porém, é graças a esta lenda que, de 976 a 1071, foi construída a estupenda basílica veneziana dedicada ao autor do segundo Evangelho, simbolizado pelo Leão. As relíquias do corpo de São Marcos estão localizadas na cidade de Veneza desde 815.

São Marcos que na Igreja primitiva fez um lindo trabalho missionário, que não deu fim diante da prisão e morte dos amigos São Pedro e São Paulo, por isso evangelizou no Poder do Espírito Alexandria, Egito e Chipre, lugar onde fundou Comunidades. Conhecido principalmente por ter sido agraciado com o carisma da inspiração e vivência comunitária que deram origem ao Evangelho querigmático de Jesus Cristo segundo Marcos.

A Igreja e o mundo precisam de cristãos como Marcos Evangelista, sendo modelo de: cristão em profunda comunhão com Deus e com os irmãos;
• missionário que anuncia e testemunha a boa nova de Jesus;
• articulador de novas comunidades e pastor dedicado ao Reino;
• escritor que procura transmitir ao mundo a vida, obra e ensinamentos de Jesus, nosso Salvador, Mestre e Senhor.

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Como base de estudo foi usado:

 

Atos dos Apóstolos (Círculo Bíblico – 7/10)

Círculo Bíblico: Atos dos Apóstolos – Encontro 7/10

Este é o sétimo de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o livro dos Atos dos Apóstolos. A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o livro dos Atos dos Apóstolos (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja e ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia.

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)
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Lucas e Paulo (cena do filme Paulo, Apóstolo de Cristo)

Não temas! Fala e não te cales.

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Bem no início do capítulo temos o relato de que Paulo chega a Corinto vindo de Atenas. E também descobrimos que ele é um “fabricante de tendas”, profissão lucrativa que também explica de onde veio o dinheiro para sua família comprar o titulo de cidadão romano que ele carregava. Paulo com certeza era de família judia rica, o que por si só explica a sua formação. Descobrimos a profissão do apóstolo ao sermos apresentados as figuras de Áquila e sua esposa Priscila que também eram fabricantes de tendas e acolheram Paulo deixando que ele trabalhasse junto a eles.

Áquila e Priscila tinham vindo recentemente da Itália aparentemente fugindo da perseguição imposta por Cláudio que ordenara a retirada de todos os judeus de Roma. Paulo ficou pregando todos os sábados na sinagoga convertendo gregos e judeus, até que Timóteo e Silas chegaram a Corinto, vindos de sua missão na Macedônia. Paulo se irritou com tantas acusações e blasfêmias que sofreu enquanto pregava e anunciou que iria pregar apenas aos gentios já que os judeus não o ouviam e foi para a casa de um prosélito de nome Tício Justo. Mas sem que soubesse o próprio chefe da sinagoga de nome Crispo foi convertido junto com sua família e depois disso muitos do povo de Corinto também foi convertido.

Paulo ainda inflexível e irritado com os judeus. “Numa noite, o Senhor disse a Paulo em visão: Não temas! Fala e não te cales. 10.Porque eu estou contigo. Ninguém se aproximará de ti para te fazer mal, pois tenho um numeroso povo nesta cidade. 11.Paulo deteve-se ali um ano e seis meses, ensinando a eles a palavra de Deus.”
(Atos dos Apóstolos, 18, 9 – 11 – Bíblia Católica Online)

Mais uma vez os judeus se juntaram e tentaram condenar Paulo a morte levando ele a presença de Galião procônsul de Caia (a autoridade romana da região), mas este não quis se meter nos assuntos da comunidade e não encostou em Paulo, porém os judeus espancaram o chefe local da sinagoga.

Depois de um tempo Paulo vai para Éfeso. Interessante que o relato de Lucas traz alguns detalhes, como o corte de cabelo de Paulo em Cêncris, já que seu voto de Nazireu havia acabado.

Nazireu (do hebraico nazir נזיר da raiz nazar נזר “consagrado”, “separado”), dentro da Torá é o termo que designa uma pessoa para serviços de Deus. Segundo a Bíblia, a marca mais comum da separação desta pessoa – que podia ser um homem ou uma mulher – era o uso do cabelo não cortado e a abstinência do consumo de vinho ou qualquer outro alimento feito de uva. O voto de nazireado (ou nazireato), foi institucionalizado e regulamentado na Torá no Livro de Números 6,1-21. Em virtude desta consagração, o nazireu devia abster-se de tomar certos alimentos e bebidas fermentadas, de cortar o cabelo e tocar em cadáveres, além de não comer carne em muitas circunstancias, Romanos 14,21 mostra uma carta de Paulo, em seu tempo nazireato. Estas exigências particulares parecem traduzir os seguintes princípios: manter-se mentalmente são (“abster-se de vinho e de bebida fermentada”) e em sujeição a Deus (simbolizado pelo não cortar o cabelo) e manter-se cerimonialmente puro (não tocar em cadáveres).

João Batista teria sido também um nazireu, embora o Novo Testamento nunca se refira a ele usando diretamente este termo. O seu estatuto de nazireu deduz-se devido ao seu estilo de vida ascético; em Lucas 1,15 o anjo informa a Zacarias, pai de João, que a sua mulher dará à luz um filho que “não beberá vinho nem bebida alcoólica”.

O apóstolo Paulo, junto com outros cristãos, fizeram também um voto temporário de nazireato (Atos 18,18 até Atos 21,23-26).

Este tipo de consagração é considerado pelos teólogos católicos como modelo precursor do monasticismo cristão. Já outras denominações cristãs, encaram-no como precursor do ministério religioso por tempo integral. Embora depois da destruição do segundo templo de Jerusalém o voto Nazireu oficialmente foi extinto pois ele era possível somente com o templo em funcionamento, O Segundo Templo foi o templo que o povo judeu construiu após o regresso a Jerusalém, após o Cativeiro Babilônico, no mesmo local onde o Templo de Salomão existira antes de ser destruído. Manteve-se erguido entre 515 a.C. e 70 d.C. quando foi destruído pelos Romanos, tendo sido, durante este período, o centro de culto e adoração do Judaísmo.                                                                        (Wikipedia)

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At 19, 1 -41

Neste ponto começa a terceira viagem missionária de Paulo. Ele sai de Jerusalém e vai para a Antioquia, que havia se tornado seu ponto de partida e chegada em todas as suas viagens. De Antioquia o apóstolo vai para Éfeso.

No relato de Lucas, ele fica mais focado nos desvios religiosos que ameaçavam os cristãos, um exemplo está em At 19, 13-17 onde ele fala de pessoas usando o nome de Jesus em vão para beneficio próprio e para arregimentar fiéis (lembra alguns comportamentos em certas seitas por ai hoje em dia?).

Mas é interessante saber que historicamente essa viagem de Paulo a Éfeso foi de intensa atividade, nesta cidade foram escritas muitas epístolas:

Apesar do texto de Lucas não citar, Paulo foi preso nesta época e sofreu bastante. (ver 2 Cor 1,8 e Fl)

Éfeso devia ser um centro importante de maio-cristãos judeus. Por isso Paulo acaba se encontrando com cerca de 12 seguidores de João Batista. Aparentemente Lucas quer mostrar que é preciso mais que apenas o batismo realizado por João seria preciso também ser batizado no Espírito Santo em nome de Jesus. Comparando com a prática da nossa igreja Católica, onde além do Batismo é necessário também a Confirmação (Crisma) que é o batismo no Espírito Santo, Lucas parece direcionar o que se tornou prática na igreja nascente na comunidade dos Atos. Neste capitulo também acontece o que ficou conhecido pelos teólogos como o terceiro Pentecostes (lembrando que o primeiro foi em At 2 e o segundo em At 10), mas não existe um consenso se foi apenas uma maneira de Lucas exemplificar o que seria uma norma na igreja.

O combate a idolatria aparece no final deste capitulo com a confusão causada pelos ourives, que faziam lembrancinhas Ártemis e ganhavam muito dinheiro, porém começavam a enfrentar problemas pela mensagem dos cristãos.

Uma boa pergunta para ser respondida durante o círculo bíblico seria:

Servir-se hoje da religião para explorar o povo. Isso acontece ainda hoje? Porque?

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O apóstolo Paulo

At 20, 1 – 38

Neste capitulo Paulo parte de Éfeso e mostra como o centro da fé em Jesus Cristo está na Eucaristia. Também mostra que a comunidade tem que ajudar os que mais precisam. Alguns lugares a sede da igreja (a Paróquia) tem condições de ajudar os irmãos de outras comunidades menores mas não saem de seus lugares para não perderem o status.

Justamente nos versículos 17 a 38 Paulo praticamente encerra toda a sua vida  missionária com seu discurso de despedida aos presbíteros de Éfeso. Depois de sair de Éfeso ele irá para Jerusalém onde será preso, julgado e depois levado a Roma onde seria decapitado (mas isso é para os próximos capítulos). Lucas narra o discurso de Paulo pois ele foi muito importante também para o apóstolo.

O DISCURSO FINAL DE PAULO

  1. Convocação dos presbíteros de Éfeso: Paulo quer ouvir e falar com os anciãos responsáveis pelas comunidades de Éfeso.  At 20, 17-18a
  2. A atividade de Paulo na Ásia: O apóstolo relembra toda a sua atividade nestes anos e conclui que ele fez duas coisas (como ponto principal): Serviu ao Senhor e Anunciou a sua Palavra. At 20, 18b-21
  3. Momento decisivo: Paulo se prepara para um futuro sombrio. Parece saber que está chegando seu fim.Sabe que sua ida para Jerusalém pode ser decisiva. Ele foi alertado sobre os perigos em Jerusalém, mas ele é impulsionado pelo Espírito Santo. At 20, 22-24
  4. Primeira exortação e despedida: O apóstolo sabe que cumpriu seu dever sem se omitir e tem certeza de que não voltará mais a sua comunidade na Ásia. No versículo 28 ele exorta os presbíteros a serem os guardiões da fé e cuidarem da comunidade. At 20, 25-28
  5. Qual o futuro da comunidade e uma nova exortação: Paulo faz uma previsão dos dois perigos para a comunidade, um externo e um interno. 1. Lobos, ou seja, falsos profetas que tentarão dividir a comunidade. 2. Membros da comunidade que se desviarão e tentarão desviar outros na comunidade. Os dois perigos atingirão a comunidade da mesma forma: procurando desvirtuar a comunidade do caminho da fé. Paulo orienta a que todos vigiem. At 20, 29 -31
  6. Recomendação ao Senhor: Paulo entrega a comunidade ao Senhor e à sua Palavra. Quem dirige de fato a igreja é o Evangelho. At 20, 32
  7. Outras exortações: o apóstolo propõe o seu modo de vida como exemplo a ser seguido pela comunidade de fé. De quem o pastor, o líder, o presbítero deve depender? Nem da acumulação de bens, nem da sustentação oferecida pela comunidade, Paulo orienta que o líder religioso (como ele) sobreviva à custa do seu trabalho. Lembrando que o próprio apóstolo trabalhava. At 20, 33-35
  8. Última despedida: Todos de joelhos na praia fazem uma oração em comum. E aí temos o maior ensinamento de todos: é a oração que traz força e confiança para todos que foram chamados ao pastoreio das comunidades. At 20, 36-38
Baseado em parte do livro: Como Ler Os Atos dos Apóstolos – Ivo Storniolo (Paulus Editora)

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17″Mas de Mileto mandou a Éfeso chamar os anciãos da igreja. 18.Quando chegaram, e estando todos reunidos, disse-lhes: Vós sabeis de que modo sempre me tenho comportado para convosco, desde o primeiro dia em que entrei na Ásia. 19.Servi ao Senhor com toda a humildade, com lágrimas e no meio das provações que me sobrevieram pelas ciladas dos judeus. 20.Vós sabeis como não tenho negligenciado, como não tenho ocultado coisa alguma que vos podia ser útil. Preguei e vos instruí publicamente e dentro de vossas casas. 21.Preguei aos judeus e aos gentios a conversão a Deus e a fé em nosso Senhor Jesus. 22.Agora, constrangido pelo Espírito, vou a Jerusalém, ignorando a que ali me espera. 23.Só sei que, de cidade em cidade, o Espírito Santo me assegura que me esperam em Jerusalém cadeias e perseguições. 24.Mas nada disso temo, nem faço caso da minha vida, contanto que termine a minha carreira e o ministério da palavra que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho ao Evangelho da graça de Deus. 25.Sei agora que não tornareis a ver a minha face, todos vós, por entre os quais andei pregando o Reino de Deus. 26.Portanto, hoje eu protesto diante de vós que sou inocente do sangue de todos, 27.porque nada omiti no anúncio que vos fiz dos desígnios de Deus. 28.Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastorear a Igreja de Deus, que ele adquiriu com o seu próprio sangue. 29.Sei que depois da minha partida se introduzirão entre vós lobos cruéis, que não pouparão o rebanho. 30.Mesmo dentre vós surgirão homens que hão de proferir doutrinas perversas, com o intento de arrebatarem após si os discípulos. 31.Vigiai! Lembrai-vos, portanto, de que por três anos não cessei, noite e dia, de admoestar, com lágrimas, a cada um de vós. 32.Agora eu vos encomendo a Deus e à palavra da sua graça, àquele que é poderoso para edificar e dar a herança com os santificados. 33.De ninguém cobicei prata, nem ouro, nem vestes. 34.Vós mesmos sabeis: estas mãos proveram às minhas necessidades e às dos meus companheiros. 35.Em tudo vos tenho mostrado que assim, trabalhando, convém acudir os fracos e lembrar-se das palavras do Senhor Jesus, porquanto ele mesmo disse: É maior felicidade dar que receber! 36.A essas palavras, ele se pôs de joelhos a orar. 37.Derramaram-se em lágrimas e lançaram-se ao pescoço de Paulo para abraçá-lo, 38.aflitos, sobretudo pela palavra que tinha dito: Já não vereis a minha face. Em seguida, acompanharam-no até o navio.” Atos dos Apóstolos, 20, 17-38 – Bíblia Católica Online

Refletindo

Quanto mais adentramos no livro dos Atos dos Apóstolos, mais notamos as semelhanças com as dificuldades em se viver em comunidade, com as perseguições por causa da nossa fé. Mas também temos confirmadas algumas práticas que a igreja mantém, seguindo sempre os exemplos da comunidade dos Atos. Em particular podemos fazer um paralelo com os Sacramentos do Batismo, da Eucaristia e da Confirmação (Crisma) quando notamos que na pregação e orientação de Paulo e seus companheiros sempre existe a recomendação do batismo, da confirmação no Espírito santo e do partir do pão. Nota-se também como Paulo aponta o verdadeiro comportamento de quem vai ser um líder religioso, que não tem nada a ver com o que notamos em muitas igrejas, onde o líder é quem enriquece e busca sempre os privilégios. O apóstolo Paulo fala de se sustentar com seu trabalho, e servir a igreja sem cobrar por isso. Ou seja, o líder deve ter um trabalho comum e formal e doar o seu tempo sobressalente ao anúncio da palavra. Isso por si só já deveria demover tantos (e tantas) que se autodenominam lideres religiosos e ficam sendo sustentados pela igreja, sendo que muitos tiram mais que o sustento e se tornam empresários da fé.

Milton Cesar

Silas,_apostle

São Silas (em grego: Σίλας ou Σιλουανός), também chamado por vezes de São Silvano, foi um personagem proeminente do cristianismo primitivo e que depois acompanhou Paulo em algumas de suas viagens. Ele é contado entre os Setenta Discípulos.

Há alguma disputa sobre a forma correta de seu nome. Apesar de consistentemente ser chamado de “Silas” nos Atos dos Apóstolos, seu nome em latim era Silvanus, que significa “da floresta”, e é assim que ele é saudado por Paulo (por exemplo em 2 Coríntios 1,191 Tessalonicenses 1,1 e 2 Tessalonicenses 1,1) e na Primeira Epístola de Pedro (1 Pedro 5,12). É possível que Silvanus seja a forma romanizada do original “Silas”, ou que “Silas” seja o apelido grego para Silvanus. Fitzmyer nota que Silas é a versão grega do aramaico “Seila”, uma versão do Hebreu “Saul”, que aparece em algumas inscrições palmirenses.

No entanto, uma tradição posterior distingue os Silas e Silvano e o faz bispo de Corinto e Tessalônica. Silas aparece pela primeira vez nos Atos dos Apóstolos no final da narrativa sobre Concílio de Jerusalém (At 15,22-35). Após a discussão ocorrida no concílio a respeito da controvérsia da circuncisão, os fiéis ali reunidos e mais os apóstolos decidem escolher, por eleição, os companheiros de Paulo e Barnabé na viagem até Antioquia para levar o resultado do encontro. Esta eleição foi necessária para que não houvesse dúvidas sobre a isenção dos mensageiros a respeito da mensagem, algo que temiam os judeu-cristãos, liderados por Tiago, irmão de Jesus. Os eleitos então foram Silas e Judas, “chamado Barsabá”. Ambos era consideradas importantes entre os fiéis, talvez por serem profetas (At 15,32), uma virtude tão estimada que mesmo Paulo os coloca logo depois dos apóstolos e antes dos doutores e evangelistas em sua enumeração feita em 1 Coríntios 12,28 e Efésios 4,11. Paulo, Barnabé, Judas e Silas então partem de Jerusalém levando os decretos dos apóstolos aos irmãos em Antioquia e nas províncias romanas da Síria e Cilícia. Chegando em Antioquia, eles cumprem a missão que lhes foi dada. Judas retorna para Jerusalém e desaparece da história, enquanto Silas permanece na cidade.

A partir deste momento Silas sempre aparecerá ao lado de Paulo, pela Síria e Cilícia, incentivando os cristãos. Em Listra, a eles se junta Timóteo. Eles seguem viajando, passando pela FrígiaGalácia e, através da Mísia, chegam até Trôade. Em seguida, eles passam para a Grécia e em Filipos são vítimas de uma manifestação hostil incitada pelos proprietários de uma pobre escrava que tinham exorcizado (e que dava enormes lucros aos seus patrões). Eles são presos, mas acabam libertados quando se descobre que entre eles havia dois cidadãos romanos (At 16,30). Em Tessalônica, novamente são atacados, desta vez pelos judeus, e só se salvam pelas mãos de Jasão, o senhorio da casa onde estavam hospedados, que lhes paga uma fiança. Em seguida, em Bereia, Paulo segue para Atenas, deixando ali Silas e Timóteo (At 17,14).

Como Paulo havia lhes mandado avisar para que se juntassem a ele tão logo quanto possível (At 17, 15), é possível que eles o tenham feito e ido até Atenas. A partir dali, Timóteo foi enviado à Tessalônica e Silas para Filipos ou para Bereia. O encontro em Corinto (At 18,5) seria já na volta destas viagens.

Pedro e Silas

E esta é a última vez que o nome de Silas aparece nos Atos. Ele não está entre os companheiros de Paulo em sua terceira viagem. É possível que ele tenha ido com Paulo e Timóteo até Antioquia, onde teria se encontrado com Pedro (1 Pd 5,12), que o chama de “fiel irmão” (como Silvano).

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Como base de estudo foi usado:

Atos dos Apóstolos (Círculo Bíblico – 4/10)

Círculo Bíblico: Atos dos Apóstolos – Encontro 4/10

Este é o quarto de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o livro dos Atos dos Apóstolos. A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o livro dos Atos dos Apóstolos (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja e ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia.

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

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Não existe fiel não praticante, ou é ou não é

At 9, 1-30

O circulo bíblico é uma reflexão que nos instiga a ler a Bíblia com uma visão aberta e conhecimentos de pormenores que não dispensam a leitura orante da palavra, mas ajuda em alguns quesitos para que se entenda e se possa transmitir este entendimento de uma maneira eficaz.

Pois bem. Chegamos a um capitulo quase que central dos Atos, aqui veremos o que acontece com Saulo, o próprio vai descrever estes fatos em suas epístolas Gl 1,11-16; 1Cor 15,8-10; Fl 3,6-12, mas nota-se que o relato dele difere em muitos pontos do relato de Lucas em At 9, o que não deixa de ser óbvio pelo fato de Lucas ter ouvido falar e ele ter vivido a experiência. Vale a pena ler este capitulo e depois lermos as cartas citadas, vale como aprendizado, deveras valioso. Como acontece até hoje, quem conta aumenta um ponto.

Saulo deveria ter 28 anos quando trabalhava como perseguidor dos  cristãos. Era considerado pelo Sinédrio , pois perseguia cristãos bem distante de Jerusalém. Damasco ficava 220 Km de Jerusalém.

“Durante a viagem, estando já perto de Damasco, subitamente o cercou uma luz resplandecente vinda do céu. 4.Caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? 5.Saulo disse: Quem és, Senhor? Respondeu ele: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. [Duro te é recalcitrar contra o aguilhão. 6.Então, trêmulo e atônito, disse ele: Senhor, que queres que eu faça? Respondeu-lhe o Senhor:] Levanta-te, entra na cidade. Aí te será dito o que deves fazer. 7.Os homens que o acompanhavam enchiam-se de espanto, pois ouviam perfeitamente a voz, mas não viam ninguém. 8.Saulo levantou-se do chão. Abrindo, porém, os olhos, não via nada. Tomaram-no pela mão e o introduziram em Damasco, 9.onde esteve três dias sem ver, sem comer nem beber.” (Atos dos Apóstolos, 9, 3-9 – Bíblia Católica Online)
No relato de Lucas, Saulo é atingido por uma luz. Mas que luz seria essa? Podemos especular que seria uma percepção interior, pois os outros que o acompanhavam não viram nada. Porém há o detalhe destes acompanhantes ouvirem a voz, mas não verem a luz. Teria sido apenas Saulo convertido? O texto não revela isso, porém mostra que tão logo Saulo volta a enxergar e os judeus do Sinédrio descobrem que ele mudou de lado, a primeira ação é tentar mata-lo.

Saulo fica cego ao entrar me contato com a luz de Jesus Cristo. Castigo? Não. Aquilo que ele enxergava antes (o ódio aos cristãos) tornou-se escuridão, que só vai voltar a se tornar clara (voltar a enxergar) de novo quando entrar em contato com a comunidade de fé em Jesus através da intervenção de Ananias e por ele ser acolhido como um irmão (At 9,17). Seguindo o ensinamento de Cristo de perdoar 70 vezes 7, Saulo foi perdoado.

paulo

Durante 3 dias Saulo ficou cego, e não comeu nem bebeu nada. depois deste tempo chegou Ananias um apóstolo importante em Damasco e veio conversar com ele, impõe-lhe as mãos e curá-lo. Saulo converteu-se e foi batizado, provavelmente seus companheiros também, apesar de não haver o relato. Lucas aqui como  bom escritor que era faz um paralelo entre a cegueira de Saulo ( 3 dias sem ver a luz) e a morte de Jesus (3 dias até a ressurreição). Saulo fica 3 dias para ver a luz e ter uma vida nova, assim como Cristo.

Sai da condição de um dos maiores perseguidores de cristãos para ser no futuro próximo um dos maiores apóstolos de Cristo. Quem fez sofrer, agora sofrerá por causa do nome de Jesus. E isso lembra da radicalidade da fé. Deus não gosta de meia fé ou de jeitinhos ou gente em cima do muro (não existe o católico não praticante, ou é ou não é). Deus faz grandes transformações e não mudanças de discursos. Saulo sim pode dizer que encontrou Jesus, pois ele estava sem fé e perseguia os que tinham fé e acabou convertido de verdade. Não trocou uma sigla, mudou totalmente de vida.

Lucas narra o encontro de Paulo com Pedro e Tiago (At 9, 26-30), existe uma divergência entre o relato de Lucas neste trecho dos Atos e o do próprio Paulo em Gl 1, 16-24 que dá como data deste encontro quase três anos de diferença (não podemos esquecer que de Damasco a Jerusalém são mais de 220 km de distância e Paulo era procurado na Cidade Santa). Mas é claro que Lucas não escreve um relato histórico, mas sim um livro que tem a intenção de mostrar como a comunidade era unida.

A comunidade de Jerusalém reage como reagiu a de Damasco no inicio da conversão de Saulo, eles tem medo e desconfiança, mas com a intervenção de Barnabé contando como Paulo pregara em Damasco, faz com que o aceitem. Mesmo assim os helenistas ainda desconfiados querem matá-lo, e por isso ele parte para sua cidade natal Tarso depois de passar por Cesaréia.

As contradições entre as declarações de Lucas, e o que Paulo vai escrever em algumas de suas cartas, são interessantes, mas não ao ponto de desqualificar o texto dos Atos.

O que há de mais importante na leitura orante dos Atos dos Apóstolos, é o fato de que as comunidades primitivas enfrentavam problemas como as comunidades cristãs atuais. Desde as opiniões diferentes quanto a questões de interpretação da mensagem de Jesus. Assim como naquela época temos os que fazem muito, e outros que não se importam tanto, assim como inveja de uns poucos das figuras de destaque.

No final do capitulo (At 9,31-43), temos algumas ações de Pedro, e a constatação de que ele ficava circulando de cidade em cidade. Lucas descreve a cura de um paralítico em Lida e a ressurreição de uma mulher chamada Tabita, em Jope (cidade próxima de Lida) .

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At 10, 1- 48

No inicio deste capitulo vemos a narrativa de um centurião, já temente a Deus que acaba se encontrando com Pedro depois de um sonho premonitório, talvez seja a primeira vez que um convertido ( exceto o etíope) era estrangeiro e seria convertido logo por Pedro, que tinha sérias restrições aos não judeus. Pedro tem que comer na casa deste homem, e pela lei judaica (ainda não abandonada por Pedro), muitas comidas eram proibidas. Dentro deste capitulo temos que destacar os versículos 14-16 que mostram Pedro sendo questionado 3 vezes, assim como ele foi no julgamento de Jesus, e ele resistindo mais uma vez. Logo depois Pedro percebe que Deus não faz distinções entre as pessoas. (At 10, 34-36)

Aqui com certeza nasce o cristianismo que seria aberto a todos os povos do mundo. Se Paulo seria o maior divulgador do cristianismo, coube a Pedro ser o 1° a aceitar outros povos na nova religião. Em Jope, onde Pedro se localizava, todo o povo percebeu que ele estava na casa de um “pagão” .

Deus com certeza escolheu Pedro para converter alguém que não era hebreu-judeu, por ele ser o que mais tinha resistências a conversão do povo pagão.

“Estando Pedro ainda a falar, o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviam a (santa) palavra. 45.Os fiéis da circuncisão, que tinham vindo com Pedro, profundamente se admiraram, vendo que o dom do Espírito Santo era derramado também sobre os pagãos; 46.pois eles os ouviam falar em outras línguas e glorificar a Deus. 47.Então Pedro tomou a palavra: Porventura pode-se negar a água do batismo a estes que receberam o Espírito Santo como nós? 48.E mandou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo. Rogaram-lhe então que ficasse com eles por alguns dias.” (Atos dos Apóstolos, 10, 45 – 48 – Bíblia Católica Online)
No versículo 45 vemos Lucas afirmar nas palavras de Pedro que o Espírito Santo é para todos, sem nenhuma distinção. Engraçado vemos este tipo de afirmação, e analisarmos o comportamento de muitas comunidades que ainda impõe a cada membro modos de agir e limites. Alguns são impedidos de trabalharem onde queiram, por certas convenções. Não quero dizer que cada um pode fazer o que quer, já que a igreja segue algumas normas importantes.

At 11, 1-30

Neste capitulo vemos as discussões em relação a conversão de Cornélio, basicamente este capitulo trata deste tema.

A conversão dos pagãos colocava em cheque uma questão que os cristãos da comunidade dos Atos ainda não haviam entendido:

“Basta converter-se a Boa Nova de Jesus e comprometer-se com ele ou primeiro seria necessário converter-se ao judaísmo e observar sua práticas?

São questões colocadas pelos que já eram judeus e encontravam uma nova fé em Jesus, porém ainda não tinham claro que era preciso escolher um lado e acolher os demais, mesmo os chamados pagãos (que não eram judeus).

Pedro volta  para Jerusalém e encontra a comunidade em alvoroço, cheia de questionamentos. Até então todos os convertidos eram de origem judaica (hebreus, gregos, a conversão de Cornélio e sua família é um fato novo. Os judeus-cristãos (se é que podemos chamar assim) não entendiam que não precisavam mais seguir duas religiões e sim só uma, mas questionaram pedro por ele ter quebrado  a lei judaica duas vezes ao entrar na casa de incircuncisos e comer com eles, eles achavam que perderiam a identidade por terem que conviver com pagãos, comer com eles, participar do mesmo teto, celebrar a partilha do pão (Eucaristia). O episódio das viúvas parecia não ter servido de aprendizado e até os antes discriminados , agora discriminavam.

Seria preciso fundar duas comunidades diferentes? A igreja dos judeus-cristãos, que seria uma igreja de primeira classe e com observância estrita da lei judaica e cristã e uma igreja pagã-cristã, que seria de segunda classe e mais livre para a entrada de “qualquer pessoa”. Esse era o desejo de Jesus?

Se levarmos em consideração esta reflexão podemos encaixar isso hoje em muitas comunidades e igrejas, onde os novos fiéis são relegados ao segundo plano por uma divisão de classes de quem já estava antes da chegada dos novos membros. É aquela questão de acharem-se donos da igreja. Eu tenho medo de quem quer dar ordens a Jesus.

Pedro não dá explicações. Relato o que aconteceu e de como toda as suas ações foram tomadas por Deus, desde a sua visão (11,5-10; 10, 11-20), o encontro com os enviados de Cornélio (11,13-14; 10, 17-24), a visão de Cornélio (11-13-14 ;10, 3-8) e a catequese com a ação do Espírito Santo entre os pagãos (11, 15-17 ;10, 34-48). Parece apenas a repetição do capitulo 10 porém tem muitos detalhes a serem levados em conta. Pedro então dá o motivo de sua liderança ao intervir na discussão: “Ele (Pedro) te dirá as palavras pelas quais serás salvo tu e toda a tua casa. 15.Apenas comecei a falar, quando desceu o Espírito Santo sobre eles, como no princípio descera também sobre nós. 16.Lembrei-me então das palavras do Senhor, quando disse: João batizou em água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo. 17.Pois, se Deus lhes deu a mesma graça que a nós, que cremos no Senhor Jesus Cristo, com que direito me oporia eu a Deus?”(Atos dos Apóstolos, 11, 14-17– Bíblia Católica Online)
Em palavras mais simples: Se a decisão foi de Deus, o que o homem pode fazer?

É justamente neste ponto que a comunidade começa a compreender que a vontade de Deus é para que todos sejam agraciados com a luz do Evangelho

At 11, 19-30

Chega-se a um ponto no capitulo onde logo após a confirmação de Pedro, os até então nazarenos começam a pregar a Boa Nova de Jesus a todos os povos. Lucas fala de Saulo novamente numa breve citação e no versículo 26 fala que foi a primeira vez que os judeus convertidos e todos os novos seguidores de Cristo passam a serem chamados de cristãos e isso acontece na comunidade de Antioquia, durante um ano de intensa pregação. Saulo e Barnabé saem em missão ao final do capitulo.

“Durante um ano inteiro eles tomaram parte nas reuniões da comunidade e instruíram grande multidão, de maneira que em Antioquia é que os discípulos, pela primeira vez, foram chamados pelo nome de cristãos. 27.Por aqueles dias desceram alguns profetas de Jerusalém a Antioquia. 28.Um deles, chamado Ágabo, levantou-se e deu a entender pelo Espírito que haveria uma grande fome em toda a terra. Esta, com efeito, veio no reinado de Cláudio. 29.Os discípulos resolveram, cada um conforme as suas posses, enviar socorro aos irmãos da Judéia. 30.Assim o fizeram e o enviaram aos anciãos por intermédio de Barnabé e Saulo.”
(Atos dos Apóstolos, 11,26-30 – Bíblia Católica Online)

Milton Cesar

Refletindo

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São Paulo

 

A leitura da Bíblia num Círculo Bíblico, tem que ser antes de tudo orante. Todas as informações que escrevo aqui são importantes apenas como base, mas a reflexão de cada um, com a interpretação baseada na oração, de como funcionava as primeiras comunidades, tem um valor ainda maior. Qual é o nosso papel como agentes e membros da comunidade de fé? Não é ditar regras ou modos de agir, mas sim auxiliar no crescimento pessoal de cada irmã e irmão, acolher e saber entender os desígnios de Deus.

Imagine quanto de surpresa houve entre a comunidade ao se depararem com alguém cujo o propósito sempre foi acabar com os cristãos, e essa pessoa ter sido mudada radicalmente pelo amor de Deus. Pense como foi difícil isso não só para a comunidade, mas também para o próprio Paulo. E ainda mais como foi aceitar que uma pessoa não fiel (caso do centurião Cornélio) adentrasse a comunidade acreditando em Jesus.

Vale avaliar se estamos dando espaço para as novas pessoas nas nossas comunidades e igrejas. O “nossa comunidade” dá a se entender que é de todos e não “minha apenas”. Será que damos espaço para quem chega se sentir acolhido, a vontade para participar ativamente da liturgia da igreja, ler, cantar e mais ainda celebrar. Ou resistimos?

Jesus acolheu a todos sem distinção e esta é a máxima. Nos Atos vemos as dificuldades da comunidade e isso deve servir para sermos ainda mais acolhedores.

Milton Cesar

Um homem chamado Paulo

 

Pintura mais antiga do rosto de Paulo, encontrada nas catacumbas romanas

Pintura mais antiga conhecida sobre São Paulo (Século IV)

Eram os primeiros anos da Igreja. Saulo, judeu da tribo de Benjamin, nascido em Tarso na Cilícia, foi fulgurado pelo encontro com o Cristo. Saulo é fariseu, mas goza de todos os direitos de cidadão romano. Educado em Jerusalém por Gamaliel, inimigo declarado de Jesus Cristo, é um dos perseguidores do diácono Estevão. Depois da morte de Estevão, participa com fúria tenaz da perseguição insurgida pelos judeus contra a Igreja de Jerusalém. Retira os cristãos e os faz aprisionar. Ele mesmo pede ao sumo sacerdote que lhe dê cartas de apresentação para as sinagogas de Damasco para conduzir prisioneiros a Jerusalém os cristãos daquela cidade.

Enquanto se encontrava na estrada de Damasco para iniciar a sua empreitada, uma luz fulgurante o derruba por terra e uma voz o interroga: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” Saulo derrubado, chega cego à cidade. Ananias, avisado por revelação divina sobre o acontecimento, o batizará. Paulo começa nas sinagogas a anunciar a ouvintes estupefatos que Jesus é o Filho de Deus, conforme a narração no livro dos Atos dos Apóstolos 9,1-22.

“Quem és, Senhor?”, havia perguntado Saulo à voz que o tinha derrubado do cavalo. “Eu sou Jesus que tu persegues”. A evidência da fulguração transformou o perseguidor dos cristãos: “Senhor, que queres que eu faça?” Do ódio ao amor o passo é breve, Jesus de Nazaré se mostra o Cristo e abate o orgulho do homem, fazendo-o instrumento escolhido para levar o seu nome aos gentios. O preço é um só: “Mostrar-te-ei quanto deverás sofrer por meu nome”. Mas absorvido no mistério de Cristo morto e ressuscitado, Paulo não verá mais a cruz senão como transfiguração da glória.

O episódio narrado não pode ser reduzido à experiência puramente interior: também os companheiros de Paulo o perceberam e ouviram “a voz”. Paulo recordou repetidamente o acontecimento: Jesus lhe aparecera (1Cor 15,8); tinha visto o Senhor (9,1), com o vulto envolvido pela glória divina (2Cor 4,6); a aparição de Damasco equivalia para ele às aparições que tiveram os apóstolos depois da ressurreição de Jesus.

Sobre o batismo de Paulo (Atos 9, 1-21), o Senhor manda Ananias, para que Paulo recupere a vista e seja batizado. Para convencer Ananias, compreensivelmente hesitante, o Senhor lhe manifesta a excepcional missão destinada a Paulo: a de ser seu mensageiro em todo o mundo, diante dos pagãos, das autoridades e dos próprios judeus.

Ele é grande modelo, seguidor de Jesus, anunciando com ardor o Evangelho.

Paulo tem plena consciência de que é servo, chamado a ser apóstolo, escolhido para o Evangelho de Deus. Com esta apresentação, começa sempre suas cartas. Ele afirmou uma vez: “Sei em quem acreditei”. Faz incansável profissão de fé em Cristo Jesus, crucificado e ressuscitado, vivo entre nós.
Neste ano Paulino, vale a pena reconhecer Paulo especialmente através de suas cartas.

São João Crisóstomo, bispo de Constantinopla, faz um retrato de Paulo e revela o traço mais sugestivo e fascinante do Apóstolo dos gentios: o seu amor a Cristo, à paixão por ele, caminho para a ressurreição e a glória: “Paulo tudo suportou por amor a Cristo. Gozar do amor de Cristo era a sua vida, o seu mundo, o seu reino, a sua promessa, tudo. O que é o homem, quão grande é a dignidade da nossa natureza e de quanta virtude é capaz a criatura humana, Paulo o demonstrou mais do que qualquer outro. É o que aprendemos de suas próprias palavras: ‘Esquecendo o que fica para trás, eu me lanço para o que está na frente’. As fraquezas, as injúrias, as necessidades, as perseguições são as armas da justiça, mostrando que delas lhe vinha grande proveito.”

A aparição no caminho de Damasco muda, em um segundo, todo o modo de pensar e de agir de Saulo, até então ardente inimigo da cruz. Nesse encontro excepcional com o Senhor, Saulo vê que o messias dos cristãos está verdadeiramente ressuscitado e glorificado, que Deus Pai aprovou a sua obra, e tudo o que Jesus disse e fez, é o cumprimento das profecias, enquanto as autoridades de seu povo erraram na interpretação das Escrituras.
Paulo descobre a “loucura” de cruz: verdade e sabedoria, porque envolve Deus mesmo e é, com a ressurreição do Senhor, a última palavra da revelação divina aos homens. (fonte Formação Canção Nova)

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Saulo é o nome hebraico usado até o capitulo 13 dos Atos. Paulo é o  nome romano que servirá para que ele circule livremente por toda a Palestina e Judéia, lembrando que sua família comprou a cidadania romana, o que era comum entre os abastados da época. A mudança de nome ocorre no capitulo 13, e simboliza uma nova vida e o apostolado entre os cristãos. Pedro também mudara o nome. Nos Atos, Saulo é citado 12 vezes como perseguidor dos cristãos, talvez Lucas tenha tido a intenção de fazer um paralelo :12 tribos de Israel, 12 discípulos de Jesus, 12 perseguições antes da conversão.

Saulo é um judeu autêntico, que sempre defendeu com ardor os mandamentos da Torá. Sabemos que a maioria das religiões são focadas nas suas tradições, e que ensinam seus filhos os valores de cada preceito. Algo louvável, que precisa ser feito, ante o ataque de outros meios de comunicação que tem ensinado valores deturpados para os jovens e crianças, e até alguns adultos, pregando a concorrência desleal, e a busca de um lucro em decorrência da desgraça do outro.

Saulo, assim como os judeus da época (talvez até hoje), esperava um rei messiânico, um messias grandioso que livraria a nação judaica do domínio romano, e não um messias que pregaria a paz e o amor ao próximo, e depois morreria de forma humilhante na cruz. É fácil notar que Judas Iscariotes também  pensava assim, e por isso mesmo entregou Jesus, na esperança de que os seguidores dele se revoltassem e libertassem o mestre.

Vale dizer que na edição 2110 de 8/7/2009 da Revista Veja, foi publicada uma reportagem que dizia :O Vaticano acredita ter encontrado, na segunda maior Basílica de Roma, os restos mortais do apóstolo Paulo, martirizado no século I. (leia a reportagem na integra no box final deste post)

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Como base de estudo foi usado:

 

Em 2018 foi lançado o filme Paulo, Apóstolo de Cristo que passou quase despercebido por muitos nos cinemas e conta a história dos últimos dias de Paulo já preso e condenado que recebe as visitas de Lucas.

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Para baixar: Paulo, Apóstolo de Cristo – Dual Audio 720P MKV – Torrent

O Vaticano acredita ter encontrado, na segunda maior basílica de Roma, os restos mortais do apóstolo Paulo, martirizado no século I

Bento XVI anunciou no domingo 28 uma descoberta que lança luz sobre os primeiros anos da Igreja Católica. Amostras retiradas da ossada existente numa tumba no subsolo da segunda maior basílica de Roma foram submetidas a testes de datação, e as conclusões são de que se trata dos restos de uma pessoa que viveu entre os séculos I e II. Elas “parecem confirmar a unânime e incontestável tradição de que são os restos mortais do apóstolo Paulo”, festejou o papa. A relevância da descoberta não está em fornecer evidências materiais sobre o homem que expandiu o cristianismo para além das fronteiras estreitas de uma seita judaica da periferia do Império Romano. Não há necessidade disso. A vida e a obra do Apóstolo dos Gentios são as mais bem documentadas entre os primeiros santos do cristianismo. O valor religioso do exame científico está em atestar a consistência da tradição católica e reforçar a Basílica de São Paulo Fora dos Muros como um local de veneração. No século IV, o imperador Constantino mandou erguer a igreja sobre um antigo cemitério romano, do lado externo das muralhas que protegiam a cidade dos bárbaros, exatamente porque o lugar era conhecido como o do túmulo de São Paulo.

Pintura mais antiga do rosto de Paulo, encontrada nas catacumbas romanas

Pintura do rosto de Paulo Século IV

Não foi a única novidade sobre o santo. No mesmo domingo, foi revelada a mais antiga imagem de São Paulo, um afresco do século IV encontrado durante as obras de restauração das catacumbas de Santa Tecla, a alguns quarteirões de distância da basílica. A pintura foi descoberta no teto de um pequeno aposento que esteve soterrado por séculos. A identificação do apóstolo foi imediata porque coincide com as características físicas descritas em textos dos primeiros cristãos, como a barba escura e fina na ponta, a calvície, o nariz grande e os olhos expressivos. Um afresco de São Pedro também foi encontrado, mas em muito pior estado de conservação.

Segundo a tradição, a Basílica de São Pedro, no Vaticano, foi erguida sobre o túmulo do primeiro papa. Essa crença foi posta à prova por arqueólogos que exploraram um túmulo existente no subsolo da construção. Submetido a testes de datação, o conteúdo revelou os restos de alguém que tinha entre 60 e 70 anos e viveu no século I. Em 1968, o papa Paulo VI anunciou com estardalhaço que se tratava, sem dúvida, dos restos de São Pedro. Paulo e Pedro foram contemporâneos e ambos morreram como mártires da Igreja. Acredita-se que São Pedro tenha sido crucificado (de cabeça para baixo, segundo a tradição) no ano 64, por ordem do imperador Nero. Graças à cidadania romana, São Paulo escapou da cruz, para ser decapitado em algum momento entre os anos 65 e 67. Reza a tradição que o corpo e a cabeça do santo foram sepultados em locais diferentes – a cabeça estaria na Basílica de São João de Latrão, também em Roma.

Em 2002, ainda sob João Paulo II, arqueólogos iniciaram a escavação do túmulo sob a Basílica de São Paulo, onde descobriram uma urna e uma placa com a inscrição “Paulo Apóstolo Mártir”. Eles fizeram um minúsculo furo numa das laterais de mármore e inseriram uma pequena sonda, que recolheu amostras da ossada que está lá dentro. O material extraído foi submetido ao teste de carbono 14, técnica utilizada para calcular a idade de materiais antigos. Junto aos restos mortais foram encontrados também alguns grãos de incenso e dois pedaços de tecido de linho, um de cor púrpura com bordados de ouro e outro azul – ambos identificados como peças luxuosas, o que reforça a suposição da existência de ricos entre os primeiros cristãos.

São Paulo era um judeu nascido entre os anos 4 e 8, possivelmente em Tarso, então uma grande cidade grega na rota entre a Europa e a Ásia. Seus pais eram escravos libertos, mas ricos o suficiente para mandar o filho estudar com um grande rabino em Jerusalém. Adulto, ele se tornou um perseguidor implacável da seita crist㠖 ainda que não esteja claro por que agia assim. Ele próprio deixou relatos sobre sua conversão, ocorrida no caminho para Damasco, depois de uma visão. Após se converter, Paulo dedica-se, com enorme sucesso, à tarefa de expandir a fé pelo Império Romano, especialmente por seu coração, Roma.

Ainda mais importante, foi ele quem formulou a doutrina de maneira teológica e separou o cristianismo do judaísmo. Para São Paulo, os pagãos não precisavam submeter-se aos rituais judaicos, como a circuncisão e as regras dietéticas, pois bastavam o batismo e a fé em Cristo. “Paulo deu ao cristianismo um caráter universal”, diz o teólogo Geraldo Hackmann, o único brasileiro na Comissão Teológica Internacional do Vaticano. A influência de São Paulo sobre a cristandade pode ser medida numericamente. Dos 27 livros do Novo Testamento, treze são atribuídos ao apóstolo. Desses, sete são considerados realmente autênticos, e os demais, escritos em seu nome por seguidores. Quase metade do livro dos Atos dos Apóstolos, escrito pelo evangelista Lucas, relata as viagens evangelizadoras de Paulo. As descobertas envolvendo seu túmulo reforçam sua presença na tradição cristã.

VEJA edição 2110 de 8/7/2009

Atos dos Apóstolos (Círculo Bíblico – 1/10)

Círculo Bíblico: Atos dos Apóstolos – Encontro 1/10

Este é o primeiro de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o livro dos Atos dos Apóstolos. A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o livro dos Atos dos Apóstolos (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja e ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia.

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Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

Que novidade é essa ?

Atos dos Apóstolos 
É importante acentuarmos que o livro dos Atos é a segunda parte do livro do Evangelho Segundo São Lucas, sendo que o evangelho mostra o vida de Jesus, quanto que nos Atos mostra a vida da comunidade (igreja) que dava seus primeiros passos, com dois lideres (ou vários) diferentes, tendo ao centro a cidade de Jerusalém, como ponto de partida de toda a história da fé. Se compararmos Lc 1,1-4 com At 1,1-8 vemos isso claramente.

“1.Muitos empreenderam compor uma história dos acontecimentos que se realizaram entre nós, 2.como no-los transmitiram aqueles que foram desde o princípio testemunhas oculares e que se tornaram ministros da palavra. 3.Também a mim me pareceu bem, depois de haver diligentemente investigado tudo desde o princípio, escrevê-los para ti segundo a ordem, excelentíssimo Teófilo, 4.para que conheças a solidez daqueles ensinamentos que tens recebido.” (São Lucas, 1 – Bíblia Católica Online)

“1.Em minha primeira narração, ó Teófilo, contei toda a seqüência das ações e dos ensinamentos de Jesus, 2.desde o princípio até o dia em que, depois de ter dado pelo Espírito Santo suas instruções aos apóstolos que escolhera, foi arrebatado (ao céu). 3.E a eles se manifestou vivo depois de sua Paixão, com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas do Reino de Deus. 4.E comendo com eles, ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem o cumprimento da promessa de seu Pai, que ouvistes, disse ele, da minha boca; 5.porque João batizou na água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo daqui há poucos dias. 6.Assim reunidos, eles o interrogavam: Senhor, é porventura agora que ides instaurar o reino de Israel? 7.Respondeu-lhes ele: Não vos pertence a vós saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou em seu poder, 8.mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo.” (Atos dos Apóstolos, 1 – Bíblia Católica Online)

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At 1,2
Lucas abre o livro dos Atos falando sobre o seu 1° escrito (o Evangelho), e a ação do Espirito é acentuada no inicio da missão dos apóstolos, coincidência ou não a ação do Espirito Santo também aparece no inicio da missão de Jesus (Mt 3,16; 4,1-4 ;Mc 4,1-11 e Lc 4,1-2), é ele que comanda as primeiras ações. Interessante dizer que Teófilo é uma palavra, e não um nome, e esta palavra em grego quer dizer Amigo de Deus, uma maneira de esconder em parte as intenções do texto já que os apóstolos estavam escondidos da perseguição romana à época.

Lucas está escrevendo não apenas para um amigo em especial mas para todos os cristãos do mundo grego (ou seja fora da Judéia), e é essa mensagem que acabou chegando até nós. Há uma controvérsia sobre Teófilo, alguns historiadores acham que ele foi uma espécie de divulgador da obra de Lucas e não só uma palavra em código, mas é quase certeza de que foi realmente uma palavra.
At 1, 3-6
Nesta parte do relato, Jesus ascende ao céu , diante dos apóstolos, um fato interessante é que o próprio Lucas relata no seu evangelho (Lc 24) que Jesus ressuscitou e no mesmo dia aconteceu a sua ascensão, mas nos Atos ele diz que esse fato só aconteceu 40 dias depois, talvez seja uma alusão a esse número simbólico na história do povo judeu, são 40 dias de Moisés na montanha à espera dos mandamentos (Ex24,17-18;34,26-28; Dt 9-7-9), Elias peregrinando (1Rs 19), Jesus tentado no deserto (Lc 4). Nesta parte do relato também é efetivado o batismo: “João batizou com água, vós em breve sereis batizados com o Espirito Santo”. Olha o Espirito Santo ai de novo.

No versículo 5 Jesus convoca a todos os apóstolos e discípulos a serem sua testemunha (evangelizadores) desde Jerusalém até os confins do mundo. Aparentemente Pedro não entendeu de imediato o que quer dizer “confins do mundo”. O lugar da ascensão é o mesmo em que Jesus iniciou sua oração antes de ser preso e condenado, como se onde a paixão começou tinha que terminar com a glória. Repare que Jesus não é um fantasma no meio deles, ele come com eles e deixa que Tomé o toque, está vivo em carne e osso.
At 1, 8-26
Jesus prenuncia que eles serão banhados pelo poder do Espirito-Santo e esse mesmo espirito outorga os carismas de cada um, são pessoas diferentes entre si, vale citar Rm 15,13.19; 1 Cor 2,49; 1Ts 1,5 e Hb 2,4 . Eles voltam para a cidade e decidem escolher um novo discípulo para o lugar de Judas Iscariotes, que segundo o relato havia morrido de forma trágica depois da traição. É escolhido Matias que há muito tempo já acompanhava o grupo dos discípulos, mas não havia sido chamado oficialmente, até aquele momento.
At 2, 1-4
A volta deles para Jerusalém traz um fenômeno curioso, já fruto da ação do espirito, todos eles começam a falar em línguas. Jerusalém é uma cidade peregrina e fora isso estava sob o domínio romano, o que fazia com que tivessem muitos povos diferentes na cidade. Então cada discípulo falar na língua de cada povo, era estranho e inusitado, já que eram muitos os povos. Tudo isso aconteceu no instante em que eles receberam o Espirito Santo na festa de Pentecostes, não se enganem esta festa já existia a muitos séculos para o povo judeu, e era celebrada ou comemorada 7 semanas depois da Páscoa , quando terminava a colheita (Ex 34,22) principalmente a partir do ano 70 d.C., por isso mesmo todos os discípulos e seguidores de Jesus estavam reunidos num só lugar, inclusive Maria e as mulheres, e esse fato não chamava tanta atenção das autoridades judaicas. Neste dia todos ficaram cheios do Espirito Santo, e neste momento profetizaram em línguas, isso sim um fato perigoso,mas que converteu muitas pessoas. Esse fato também foi predito em Jr 31,30-34; Ez 36,25-28 e todos os sinais da ação de Deus também (Ex 19;1Rs19,Is 66;Sl 50) e por último a coisa mais significativa está no fato de a manifestação do Espirito Santo ser com línguas de fogo, a língua instrumento da fala , da comunicação e logo depois eles: os 12, mais as mulheres e cerca de 120 seguidores saem para falar em línguas (todas as línguas) ou seja a mensagem à partir daquele momento não deverá ficar restrita ao povo judeu deve sair. Assim como nas comunidades que devem sair do comodismo e buscar levar a palavra para outras pessoas, a salvação é direito de todos.
At 2, 5-21
Esta parte do relato mostra os discípulos fazendo muitas conversões, é aqui que Pedro faz um discurso ao povo de Jerusalém, e segundo o texto mais de 3000 pessoas foram convertidas e batizadas. Os convertidos acabavam vendendo seus bens e doando para a comunidade que nascia. Aqui Pedro dá uma demonstração de coragem ao afirmar que Jesus era o messias não reconhecido, mas que venceu a morte (22,24), algo inaceitável para os sacerdotes judeus. A proposta nazarena divergia da tradição judia, pois pregava que todos podiam participar das decisões da comunidade tanto politicamente como economicamente, já que dividiam tudo entre si. O que vemos hoje é bem diferente daquela realidade inicial.
O livro dos atos serve com parâmetro para repensarmos a vida em comunidade, como era a espiritualidade daquele tempo primordial, e como é hoje em dia. É um bom estudo para começarmos a entender como surgiu a ideia de comunidade unida num só ideal , ideologia das CEB’s tanto para lutar por um mundo melhor como para se apoiar, mas importante também notar que a oração e a espiritualidade nunca ficavam em 2° plano, repare que o Espirito Santo é figura decisiva na vida da comunidade, bem ao estilo da RCC. Então as nossas comunidades tem que ter oração- orar e agir.

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Refletindo:

O que é a comunidade?

Primeiro é difícil imaginar uma comunidade sem estar unida em comunhão por um mesmo ideal, mesmo sabendo que são pessoas diferentes entre si, estas mesmas pessoas professam uma mesma fé em Jesus Cristo. Então é de advir que todas sigam o caminho de paz, amor e perdão proposto por Jesus. Não é a verdade!

Muitas vezes as diferentes personalidades se chocam de tal maneira, que a própria convivência é ameaçada. Não existe o perdão, e ele não existindo não existe a união e ele não existindo, não existe amor. Então fica um monte de gente tentando fazer do seu jeito ou falando mal até do padre (cá entre nós alguns sacerdotes também não ajudam). É preciso voltar a ideia original de igreja-comunidade, onde todos ajudam os irmãos e assim todos prosperam na fé. Prosperar na fé não é ficar rico financeiramente, isso se chama trabalho. Prosperar na fé é ter sempre uma palavra de acolhimento (não de acusação) para o irmão. Neste Círculo Bíblico você vai ver que apesar de ser uma igreja enraizada na convivência com o próprio Cristo, ela teve seus momentos de provação também, mesmo porque Pedro e Paulo eram bem diferentes.

Aqui vale uma observação minha: O falar em línguas contado nos relatos Bíblicos tanto em Mc 16,17 como em  At 2, 4- 17  “Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. 5.Achavam-se então em Jerusalém judeus piedosos de todas as nações que há debaixo do céu. 6.Ouvindo aquele ruído, reuniu-se muita gente e maravilhava-se de que cada um os ouvia falar na sua própria língua. 7.Profundamente impressionados, manifestavam a sua admiração: Não são, porventura, galileus todos estes que falam? 8.Como então todos nós os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? 9.Partos, medos, elamitas; os que habitam a Macedônia, a Judéia, a Capadócia, o Ponto, a Ásia, 10.a Frígia, a Panfília, o Egito e as províncias da Líbia próximas a Cirene; peregrinos romanos, 11.judeus ou prosélitos, cretenses e árabes; ouvimo-los publicar em nossas línguas as maravilhas de Deus! 12.Estavam, pois, todos atônitos e, sem saber o que pensar, perguntavam uns aos outros: Que significam estas coisas?” Atos dos Apóstolos, 2 – Bíblia Católica Online
Não aparece neste relato como falar numa língua que poucos entendem e que hoje muita gente diz ser a língua dos anjos quando falam em línguas. A passagem diz que todos falavam na língua de cada povo que ali estava, como se acontecesse uma tradução simultânea e todos conseguissem entender o que estava sendo profetizado. Pedro toma a palavra e diz que quem fala é Deus por isso todos compreendem. Então fica muito estranho quando você vai em uma igreja e ouve pessoas dizendo estar orando em línguas que ninguém compreende, se você lê o que Lucas escreve e ele diz que todos foram banhados pelo Espírito Santo e falavam uma língua que todos compreendiam. Apesar desta controvérsia é Paulo quem vai dizer na sua 1ª Carta aos Corintios nos capítulos 12 e 14 que existe a língua dos anjos e pouca gente compreende (ninguém o entende; no entanto, em seu espírito fala mistérios – 1 Cor 14, 2), mas ele mesmo se mostra contrariado com este dom : “Dou graças a Deus que falo em línguas mais do que todos; Ainda na igreja prefiro falar cinco palavras com o meu entendimento, para que eu possa também instruir os outros, do que dez mil palavras em língua “1 Cor 14, 18-19. Acaba sendo algo controverso visto que muitas pessoas não compreendem ou não gostam quando existe a oração em línguas nas igrejas, particularmente na Igreja Católica Apostólica Romana nos grupos de oração, mas as igrejas evangélicas e protestantes não fogem a regra (sem generalizar).

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São Lucas, nasceu em Antioquia da Síria, médico de profissão foi convertido pelo apóstolo São Paulo, do qual se tornou inseparável e fiel companheiro de missão. Colaborador no apostolado, o grande apóstolo dos gentios em diversos lugares externa a alta consideração que tinha por Lucas, como portador de zelo e fidelidade no coração. Ambos fazem várias viagens apostólicas, tornando-se um dos primeiros missionários do mundo greco-romano. Tornou-se excepcional para a vida da Igreja por ter sido dócil ao Espírito Santo, que o capacitou com o carisma da inspiração e da vivência comunitária, resultando no Evangelho Segundo Lucas e na primeira história da Igreja, conhecida como Atos dos Apóstolos.

No Evangelho segundo Lucas, encontramos o Cristo, amor universal, que se revela a todos e chama Zaqueu, Maria Madalena, garante o Céu para o “bom” ladrão e conta as lindas parábolas do pai misericordioso e do bom samaritano. Nos Atos dos Apóstolos, que poderia também se chamar Atos do Espírito Santo, deparamos com a ascensão do Cristo, que promete o batismo no Espírito Santo, fato que se cumpre no dia de Pentecostes, e é inaugurada a Igreja, que desde então vem evangelizando com coragem, ousadia e amor incansável todos os povos.

Uma tradição – que recolheu no séc. XIV Nicéforo Calisto, inspirado numa frase de Teodoro, escritor do séc. VI – diz-nos que São Lucas foi pintor e fala-nos duma imagem de Nossa Senhora saída do seu pincel. Santo Agostinho, no séc. IV, diz-nos pela sua parte que não conhecemos o retrato de Maria; e Santo Ambrósio, com sentido espiritual, diz-nos que era figura de bondade. Este é o retrato que nos transmitiu São Lucas da Virgem Maria: o seu retrato moral, a bondade da sua alma. O Evangelho de boa parte das Missas de Maria Santíssima é tomado de São Lucas, porque foi ele quem mais longamente nos contou a sua vida e nos descobriu o seu Coração. Duas vezes esteve preso São Paulo em Roma e nos dois cativeiros teve consigo São Lucas, “médico queridíssimo”. Ajudava-o no seu apostolado, consolava-o nos seus trabalhos e atendia-o e curava-o com solicitude nos seus padecimentos corporais. No segundo cativeiro, do ano 67, pouco antes do martírio, escreve a Timóteo que “Lucas é o único companheiro” na sua prisão. Os outros tinham-no abandonado. O historiador São Jerônimo afirma que Lucas viveu a missão até a idade de 84 anos, terminando sua vida com o martírio. Por isso, no hino das Laudes rezamos: “Cantamos hoje, Lucas, teu martírio, teu sangue derramado por Jesus, os dois livros que trazes nos teus braços e o teu halo de luz”. É considerado o Padroeiro dos médicos, por também ele ter exercido esse ofício, conforme diz São Paulo aos Colossenses (4,14): “Saúda-vos Lucas, nosso querido médico”. (fonte Canção Nova)

 

Como base de estudo foi usado:

  • Bíblia do Peregrino- Paulus
  • Livro: Como ler os Atos dos Apóstolos- O caminho do Evangelho- Ivo Storniolo -Paulus Editora
  • Bíblia Católica Online (nos links)

 

Este circulo bíblico foi feito na comunidade Santo Antonio de Santana Galvão ( Paróquia São Marcos, O Evangelista) no bairro do CDHU-San Martins em Campinas-SP, no ano de 2007 e foi atualizado em 2012 e 2017. É um círculo bíblico escrito e feito por mim, e esta é a versão inédita e atualizada. Espero que seja útil, e conto com seus comentários para a melhoria do texto.

20º Encontro (Catequese) – Pecado

Série: Animo, uma nova Catequese (Encontro 20/40)

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Vigésimo encontro. Metade do nosso cronograma sugerido. Hora de falar sobre pecado. Ponto de discussão hoje em dia, se existe ou não pecado ou tudo pode ser liberado.
Neste encontro vamos falar um pouco sobre pecado, os sete pecados capitais e algumas curiosidades com o número 7.
Como sugestão de inicio do encontro poderíamos fazer nossa oração inicial cantando a música Pai Nosso – Padre Marcelo Rossi que serve muito para fazermos uma abertura mais leve.
Uma sugestão é começar com uma dinâmica simples, pedir um catequizando escreva numa cartolina deixada no chão (vai ser preciso providenciar uma cartolina ou duas e canetões) todas as coisas que os outros catequizandos forem citando que eles consideram erradas. Depois deixar ali para falar um pouco mais adiante.
Falar sobre o número 7 e quantas coisas tem este número que é considerado o número da perfeição:

Falar sobre o que são os Sete Pecados Capitais e explicar que cada um tem sim uma influência na vida de cada pessoa, mas é uma influência que ataca pessoalmente cada pessoa. Avaliar com eles sobre cada uma das coisas escritas na cartolina durante a dinâmica e perguntar se eles consideram ou não pecado.

Lembrar dos 10 mandamentos:

  • 1º – Adorar a Deus e amá-lo sobre todas as coisas.
  • 2º – Não usar o Santo Nome de Deus em vão.
  • 3º – Santificar os Domingos e festas de guarda.
  • 4º – Honrar pai e mãe (e os outros legítimos superiores).
  • 5º – Não matar (nem causar outro dano, no corpo ou na alma, a si mesmo ou ao próximo)
  • 6º – Guardar castidade nas palavras e nas obras.
  • 7º – Não furtar (nem injustamente reter ou danificar os bens do próximo).
  • 8º – Não levantar falsos testemunhos (nem de qualquer outro modo faltar à verdade ou difamar o próximo)
  • 9º – Guardar castidade nos pensamentos e desejos.
  • 10º- Não cobiçar as coisas alheias

Lembrar também dos mandamentos de Jesus:

Amarás o Senhor teu Deus , de todo o teu coração, de toda a tua alma,
e de todo o teu entendimento!’ Esse é o maior e o primeiro mandamento.
O segundo é semelhante a esse:`Amarás ao teu próximo como a ti mesmo’. Mt 22, 34-40   (também em Mc 12, 29-33, Lc 10, 25-28Jo 13, 34)

Refletir sobre estes mandamentos e tudo o que implica a palavra pecado. O maior pecado é dizer não ao plano de Deus para cada um de nós, fechar-se em si mesmo ou abraçar as coisas mundanas (do mundo sem Jesus). Falando que hoje o mundo quer que pensemos no pecado como algo totalmente antiguado e sem cabimento, mas ele existe e junto dele sempre está o inimigo de Deus. Ou não é pecado cobiçar o(a) namorado(a) de outra pessoa? Não é pecado roubar? Matar? Não é pecado ficar se expondo na internet? Um católico(a) de verdade sabe cuidar do próprio corpo evitando drogas (seja qual for, até aquelas que se tomam em academias para desenvolver o corpo, até as bebidas alcoólicas e todas as outras), o corpo é o templo do espírito santo de Deus.

Importante é refletir sem um pré- julgamento ou acusações.

Dois textos bons para reflexões:

Lc 10, 25-37 –  Amar ao próximo (O Bom Samaritano)

Jo 8, 1-11 – Vá e não peques mais (A Mulher Adúltera)

Depois de tudo isso podemos fazer nosso canto final: Certeza do Céu – Comunidade Doce Mãe de Deus e a oração final

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Sugestão de folha para encontro

Aprofundamento para o catequista

“Tudo me é permitido”, mas nem tudo convém. “Tudo me é permitido”, mas eu não deixarei que nada domine. (1 Cor 6,12)

São Paulo deixa o ensinamento de que tudo é permitido, pois o próprio Deus dá o livre arbítrio a cada um, mas nem tudo convém, pois muitas coisas nos prejudicam ao invés de ajudarem

Um bom exemplo são os sete pecados capitais, que trazem itens permitidos a cada pessoa, porém sem parcimônia ou sem pensar antes de agir levam a destruição

1 – A Gula

Gula é o desejo insaciável, além do necessário, em geral por comida, bebida. Segundo tal visão, esse pecado também está relacionado ao egoísmo humano: querer ter sempre mais e mais, não se contentando com o que já tem, uma forma de cobiça. Ela seria controlada pelo uso da virtude da temperança. Do latim gula

2 – A Avareza

É o apego excessivo e descontrolado pelos bens materiais e pelo dinheiro, priorizando-os e deixando Deus em segundo plano. É considerado o pecado mais tolo por se firmar em possibilidades. Na concepção cristã, a avareza é considerada um dos sete pecados capitais, pois o avarento prefere os bens materiais ao convívio com Deus. Neste sentido, o pecado da avareza conduz à idolatria, que significa tratar algo, que não é Deus, como se fosse deus.

3 – A Luxúria

A luxúria (do latim luxuriae) é o desejo passional e egoísta por todo o prazer sensual e material. Também pode ser entendido em seu sentido original: “deixar-se dominar pelas paixões”. Consiste no apego aos prazeres carnais, corrupção de costumes; sexualidade extrema, lascívia e sensualidade. Do latim luxuria

4 – A Ira

A Ira é o intenso e descontrolado sentimento de raiva, ódio, rancor que pode ou não gerar sentimento de vingança. É um sentimento mental que conflita o agente causador da ira e o irado.

A ira torna a pessoa furiosa e descontrolada com o desejo de destruir aquilo que provocou sua ira, que é algo que provoca a pessoa. A ira não atenta apenas contra os outros, mas pode voltar-se contra aquele que deixa o ódio plantar sementes em seu coração. Seguindo esta linha de raciocínio, o castigo e a execução do causador pertencem a Deus. Do latim ira

5 – A Inveja

A inveja é considerada pecado porque uma pessoa invejosa ignora suas próprias bênçãos e prioriza o status de outra pessoa no lugar do próprio crescimento espiritual. É o desejo exagerado por posses, status, habilidades e tudo que outra pessoa tem e consegue. O invejoso ignora tudo o que é e possui para cobiçar o que é do próximo.

A inveja é freqüentemente confundida com o pecado capital da Avareza, um desejo por riqueza material, a qual pode ou não pertencer a outros. A inveja na forma de ciúme é proibida nos Dez Mandamentos da Bíblia. Do latim invidia, que quer dizer olhar com malícia.

6 – A Preguiça

A Igreja Católica apresenta a preguiça como um dos sete pecados capitais, caracterizado pela pessoa que vive em estado de falta de capricho, de esmero, de empenho, em negligência, desleixo, morosidade, lentidão e moleza, de causa orgânica ou psíquica, que a leva à inatividade acentuada. Aversão ao trabalho, frequentemente associada ao ócio, vadiagem. Do latim prigritia

7 – Soberba (Orgulho ou Vaidade)

Conhecida como soberba, é associada à orgulho excessivo, arrogância e vaidade.

Em paralelo, segundo o filósofo Santo Tomás de Aquino, a soberba era um pecado tão grandioso que era fora de série, devendo ser tratado em separado do resto e merecendo uma atenção especial. Aquino tratava em separado a questão da vaidade, como sendo também um pecado, mas a Igreja Católica decidiu unir a vaidade à soberba, acreditando que neles havia um mesmo componente de vanglória, devendo ser então estudados e tratados conjuntamente. Do latim superbia, vanitas.

O 7 na Bíblia

A semana tem 7 dias, o que tem um significado muito importante, pois quando se chega ao sétimo dia, voltamos ao primeiro e todas as vezes que o sete se “manifesta” indica o fim de um tempo e o início de outro. É como o virar de uma página.

Deus fez o Mundo em 7 dias…
E, havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que fizera, descansou nesse dia de toda a sua obra que tinha feito. Gn 2,2

Os 7 anos de fartura e miséria sobre o Egito…
Eis aí vêm sete anos de grande abundância por toda a terra do Egito.
Seguir-se-ão sete anos de fome, e toda aquela abundância será esquecida na terra do Egito, e a fome consumirá a terra; Gn 41,29-30

O Candelabro de Ouro tem 7 hastes…O Candelabro de Ouro tem 7 hastes…
e eis um candelabro todo de ouro e um vaso de azeite em cima com as suas sete lâmpadas e sete tubos, um para cada uma das lâmpadas que estão em cima do candelabro. Zc 4,2

São 7 as manifestações do Espírito de Deus…
Repousará sobre ele o Espírito do SENHOR, o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do SENHOR.  Is 11,2

Sete voltas e as muralhas caíram. Sete sacerdotes levarão cada um uma trombeta de chifre de carneiro à frente da arca. No sétimo dia, marchem todos sete vezes ao redor da cidade, e os sacerdotes toquem as trombetas Js 6,1-5

O profeta Elias fez 7 orações para que chovesse…
À sétima vez disse: Eis que se levanta do mar uma nuvem pequena como a palma da mão do homem. Então, disse ele: Sobe e dize a Acabe: Aparelha o teu carro e desce, para que a chuva não te detenha…Dentro em pouco, os céus se enegreceram, com nuvens e vento, e caiu grande chuva. 1 Rs 18,44-45

O profeta Eliseu pediu para Naamã mergulhar 7 vezes no Rio Jordão…
Então, Eliseu lhe mandou um mensageiro, dizendo: Vai, lava-te sete vezes no Jordão, e a tua carne será restaurada, e ficarás limpo. 2 Rs 5, 10

O segundo boi, de 7 anos, que Deus pediu a Gideão…
Naquela mesma noite, lhe disse o SENHOR: Toma um boi que pertence a teu pai, a saber, o segundo boi de sete anos, e derriba o altar de Baal que é de teu pai, e corta o poste-ídolo que está junto ao altar. Jz 6, 25

Perdoar 70 vezes 7  Esse foi o ensinamento deixado por Jesus. Mt 18, 21-22

As muralhas de Jericó foram rodeadas por sete dias…
Pela fé, ruíram as muralhas de Jericó, depois de rodeadas por sete dias. Hb 11,30

As 7 Taças e os 7 anjos
Ide e derramai pela terra as sete taças da cólera de Deus.
Ouvi, vinda do santuário, uma grande voz, dizendo aos sete anjos. Ap 16,1

As 7 Igrejas…
Quanto ao mistério das sete estrelas que viste na minha mão direita e aos sete candeeiros de ouro, as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas. Ap 1,20

Fontes pesquisadas:

  • Bíblia de Jerusalém
  • Catecismo da Igreja Católica
  • Católico Orante
  • Wikipedia

Mais sobre o assunto no Complemento para Estudo nº 12 aqui do blog

16º Encontro (Catequese) – As Cartas de São Paulo

Série: Animo, uma nova Catequese (Encontro 16/40)

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Sugestão para folha de encontro

Dezesseis encontros se passaram, como está a nossa vivência na fé? Já notou mudanças nos catequizandos, na comunidade ou em você mesmo? Para os catequistas muito trabalho já foi feito, para os catequizandos muita coisa nova deve ter sido absorvida. Avalie você:

  1. Estou conseguindo passar tudo o que quero? De uma forma descontraída?
  2. Os catequizandos estão gostando?
  3. Estou cumprindo os horários?
  4. A Bíblia já se tornou familiar para todos?
  5. Como estão os preparativos para os eventos extra-catequese (Batismo, Primeira Comunhão, almoço/janta com os familiares,conversas com o padre)?
  6. Já conseguiu convidados para alguns encontros?* (essa é novidade)

*A sugestão do item 6 é trazer convidados para falar sobre encontros específicos, tais como:

  • Sacramento do Matrimônio –  Um ou dois casais, casados na igreja para dar testemunho sobre esta experiência. Seria legal se fosse um casal de mais idade e um mais jovem,mas o requisito básico é que eles participem ativamente da igreja e possam trazer uma bela mensagem. Grupos de ECC (Encontros de Casais com Cristo) costumam ter casais interessantes para isso.
  • Sacramento da Ordem – O próprio padre da Paróquia ou um indicado por ele, ou até um seminarista (de repente os dois) para falar sobre esta vocação
  • Música Litúrgica – Ou a banda da comunidade ou um(a) cantor(a) do coral para falar sobre a música católica e as diferenças entre música de missa e música de louvor e adoração. Se você escolher bem este pode ser um encontro muito descontraído.

Estes são apenas exemplos de como a participação de convidados pode enriquecer os encontros, respeitando é claro o tempo. Para dar certo,é claro, precisa-se de preparação, então o convite não pode ser em cima da hora. Mesmo porque nestes encontros é recomendado que se faça uma pequena recepção, de repente com um café da manhã.

Décimo sexto encontro

Neste dia iremos falar de São Paulo apóstolo e suas cartas (epístolas). Seria ótimo começar com a nossa oração inicial: Pai Nosso, Ave Maria e o Vinde Espírito Santo. No segundo momento cantar a linda e tradicional canção Pelos Prados e Campinas (Salmo 23) – Padre Zezinho

Já no terceiro momento a história de Saulo deve ser contada (ou repetida já que no último encontro foi falada). Depois falaremos das cartas enviadas por Paulo. Uma pequena divisão de grupos pode ser feita e trechos de cartas devem ser estudados.

  1. Rm 13, 7 – 14
  2. 2Tm 1, 6-18
  3. 1Cor 13, 1-13
  4. 1Ts 4, 1-18
  5. Gl 3, 1-29
  6. Ef 4, 1-18

Depois dos grupos, da leitura e da plenária para explicar e ler para os demais cada leitura, vamos a um momento mais descontraído onde perguntaremos sobre o que cada um tem sentido nesta altura da vivência da fé. Também proponho uma dinâmica para responder a uma cruzadinha bíblica com as cartas de São Paulo

CARTAS DE PAULO

Depois das respostas podemos cantar novamente Pelos Prados e Campinas (Salmo 23) – Padre Zezinho , rezarmos de novo o Pai Nosso, Ave Maria e Vinde Espírito Santo e nos despedirmos com um forte braço da paz.

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Aprofundamento para o catequista

São Paulo foi um dos maiores divulgadores dos ensinamentos cristãos de todos os tempos, podemos com certeza aceitar que foi por causa dele que hoje podemos nos declarar católicos, já que pela sua disposição e disponibilidade em viajar e levar os ensinamentos do amor de Jesus, que tudo isso foi levado aos quatro cantos do mundo.

de perseguidor implacável dos cristãos até o dia em que galopava com seu cavalo no encalço de cristãos e ouviu um forte voz que parecia vir do próprio céu: – Saulo porque me persegues. – ele caiu imediatamente do cavalo e viu uma luz tão fulgurante que o cegou, ficou sendo tratado por um cristão e pouco a pouco recobrava a visão conforme começava a creditar em Jesus. Um erro que muitos irmãos protestantes pregam é que Paulo recebeu a graça ao acreditar em Deus, na verdade ele já acreditava em Deus mas perseguia os seguidores do próprio filho de Deus, Jesus Cristo.

Paulo além de viajar deixava sempre cartas (epístolas) para as comunidades que visitava, com orientações e exortações de fé. Repare que até hoje este exemplo é seguido quando o Papa deixa suas cartas como documentos de reflexão e orientação a igreja.

Cartas Paulinas autênticas:

paulo

1 – Romanos

2 – Primeira Coríntios

3 – Segunda Coríntios

4 – Gálatas

5 – Filipenses

6 – Filemon

7 – Primeira Tessalonicenses

Cartas deuteropaulinas paulinas :

1 – Segunda Tessalonicenses

2 – Efésios

3 – Colossenses

Cartas Pastorais (também consideradas deuteropaulinas):

1 – Tito

2 – Primeira de Timóteo

3 – Segunda de Timóteo

4 – Hebreus*

Total de cartas paulinas: 14 no cânon oficial.

*No passado existia o costume de atribuir também a Paulo a carta aos Hebreus. Mas hoje os exegetas são unânimes em afirmar que essa carta não foi escrita por ele, mas por um autor anônimo e seria uma espécie de sermão.

Há alguma discussão também sobre a autoria de algumas das cartas atribuídas a Paulo. Talvez não saíram do seu próprio punho, mas de seus discípulos ou, de qualquer forma, pessoas muito próximas dele. Discute-se sobre a autoria de Colossenses, Segunda aos Tessalonicenses, Efésios, Primeira e Segunda a Timóteo e Tito. Muitas cartas também são um conjunto de varias cartas, reunidas em uma só. Por isso são longas e possui assuntos diversos. Dificilmente naquela época se escrevia longas cartas. Sabemos que o pergaminho feito de couro de carneiro, que eram escritas as cartas era muito caro. Uma típica carta do tempo de Paulo esta na carta a Filemon. Destaca-se apenas um assunto em uma página servindo para modelo de compreensão como seriam as cartas neste tempo.

Um outro exemplo é a carta aos Filipenses que demonstra ser uma junção de 3 cartas.

1 – uma cartinha de agradecimento

2- Carta principal falando da situação.

3 – Uma carta alertando dos intrusos na comunidade.

Outro exemplo a destacar é a primeira carta aos Coríntios que aborda vários assuntos, que foram contidos em varias cartas e no final juntados em uma só carta.

 

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Quem foi São Paulo afinal?

Este tema já foi iniciado no último encontro quando falamos de atos dos Apóstolos, mas calha melhor ainda aqui. Para isso vou me servir de um texto do professor Filipe Aquino no Blog Canção Nova:

“A festa litúrgica de 25 de janeiro foi instituída pela Igreja para dar graças a Deus pelos imensos benefícios que ela recebeu de Deus através de São Paulo. O seu martírio é celebrado junto com São Pedro no dia 29 de junho. Em primeiro lugar a Igreja quer agradecer a Deus a sua conversão, depois, a sua vocação e a missão de pregar o Evangelho aos Gentios.

São Paulo (ou Saulo) nasceu em Tarso (Município de Roma) na Cilícia (Ásia menor) no início da era cristã, de família israelita, da tribo de Benjamim; muito fiel à doutrina e à tradição judaica; seu pai comprara a cidadania romana, o que era possível naquele tempo, então Saulo nasceu como cidadão romano, legalmente.

Aos 15 anos de idade foi enviado para Jerusalém onde recebeu a formação do rabino Gamaliel (At 22,3; 26,4; 5,34), e foi formado na arte rabínica de interpretar as Escrituras, e deve ter aprendido a profissão de curtidor de couro, seleiro.
Por volta do ano 36 era severo perseguidor dos cristãos, mas se converteu espetacularmente quando o próprio Senhor lhe apareceu na estrada de Jerusalém para Damasco, onde foi batizado por Ananias. Em seguida permaneceu num lugar perto de Damasco chamado Arábia.

São Paulo esteve no apedrejamento de Santo Estevão, e sem dúvida as orações desse Santo na hora da morte foram fundamentais para a graça da conversão de São Paulo.

No ano 39 se encontrou com Pedro e Tiago em Jerusalém (Gl 1,18) e depois voltou para Tarso (At 9,26-30) acabrunhado pelo fracasso do seu trabalho em Jerusalém. Ali ficou por cerca de 5 anos, até o ano 43. Nesta época, Barnabé, seu primo, que era discípulo em Antioquia, importante comunidade cristã fundada por S.Pedro, o levou para lá.

Em 44 Paulo e Barnabé foram encarregados pela comunidade de Antioquia para levar a ajuda financeira aos irmãos pobres de Jerusalém. No ano 45, por inspiração do Espírito Santo, Paulo e Marcos (o evangelista) foram enviados a pregar aos gentios (At 13,1-3).

A primeira viagem durou cerca de 3 anos (45-48) percorrendo a ilha de Chipre e parte da Ásia Menor. No ano de 49 Paulo e Barnabé vão a Jerusalém para o primeiro Concílio da Igreja, para resolver a questão da circuncisão, surgida em Antioquia. Esta presença de São Paulo em Jerusalém foi fundamental para que o Cristianismo não ficasse dependente do antigo judaísmo, como uma “seita” a mais. Graças a ele os pagãos ficaram livres da circuncisão e o Cristianismo surgiu com nova força.

A segunda viagem apostólica de São Paulo foi de 50 a 53, durante a qual Paulo escreveu, em Corinto, as duas Cartas aos Tessalonicenses (At 15,36-18,22). São as primeiras Cartas de Paulo.

A terceira viagem foi de 53 a 58. Neste período ele escreveu “as grandes epístolas”, Gálatas e I Coríntios, em Éfeso; II Coríntios, em Filipos; e aos Romanos, em Corinto. No final desta viagem Paulo foi preso por ação dos judeus e entregue ao tribuno romano Cláudio Lísias, que o entregou ao procurador romano Felix, em Cesaréia. Aí Paulo ficou preso dois anos (58-60), onde apelou para ser julgado em Roma; tinha direito a isso por ser cidadão romano. Partiu de Cesaréia no ano 60 e chegou em Roma em 61, após sério naufrágio perto da ilha de Malta.

Em Roma ficou preso domiciliar até 63. Neste período ele escreveu as chamadas “cartas do cativeiro” (Filemon, Colossenses, Filipenses e Efésios). Depois deste período Paulo deve ter sido libertado e ido até  a Espanha, “os confins do mundo” (Rm 15,24), como era seu desejo. Em seguida deve ter voltado da Espanha para o oriente, quando escreveu as Cartas pastorais a Tito e a Timóteo, por volta de 64-66.

Foi novamente preso no ano 66, no  oriente, e enviado a Roma, sendo morto em 67 face à perseguição de Nero contra os cristãos desde o ano 64. S. Paulo foi um dos homens mais importantes do cristianismo. Deixou-nos 14 Cartas.

A festa litúrgica da conversão de São Paulo apareceu no século VI e é própria da Igreja latina. O martírio do Apóstolo dos gentios é comemorado no dia 29 de junho. A celebração do dia 25 de janeiro tem por finalidade considerar as várias facetas do Apóstolo por excelência. Ele diz de si mesmo: “Eu trabalhei mais que todos os apóstolos…”, mas também: “Eu sou o menor dos apóstolos… não sou digno de ser chamado apóstolo”.

Apresenta, ele mesmo, as credenciais: viu o Senhor, Cristo ressuscitado lhe apareceu, ele é testemunho da Ressurreição de Cristo, foi enviado diretamente por Cristo. É como um dos Doze. Pertence a Jesus desde aquela hora em que, no caminho de Damasco, vencido por Cristo e prostrado em terra perguntou-lhe: “Senhor, que queres que eu faça?” Paulo então passou a pregar e propagar a fé que desejava exterminar. Em poucos segundos de contato direto Jesus o transformou de um ferrenho perseguidor no maior Apóstolo do seu Evangelho em todos os tempos.

São Paulo tirou da sua experiência esta consoladora conclusão: “Jesus veio a esta mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o primeiro. Precisamente por isso encontrei misericórdia. Em mim especialmente Jesus Cristo quis mostrar toda a sua longanimidade, para que eu sirva de exemplo a todos aqueles que pela fé nele alcançarão a vida eterna.” “Conheço um homem em Cristo que foi arrebatado até ao terceiro céu. Se no corpo ou fora do corpo, não sei. Deus o  sabe. Só sei que esse homem ouviu palavras inefáveis…” (2Cor 12,2).

São Paulo foi um Apóstolos de “fogo”; apaixonado por Jesus Cristo até a última fibra do seu corpo. Cristo era tudo para ele: “Para mim no viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Fl 1, 21). “Tudo posso Naquele que me dá forças” (Fl 4,13). “Estou pregado à cruz de Cristo. Eu vivo, mas já não sou que vivo, é Cristo que vive em mim”. (Gl 2, 19-20).

Terminou a vida dizendo: “Combati o bom combate, terminei minha carreira, guardei a fé” (1Tm 4,7) São Pedro e São Paulo foram as grandes colunas da Igreja em Roma; martirizados pelo mesmo Nero derramaram o seu sangue em Roma. Desde então a Sede da Igreja está em Roma.

Prof. Felipe Aquino”