Feliz Ano Novo em Cristo

Formação: Ano Litúrgico

O admirabile commercium! Creator generis humani, anima corpus sumens, de Virgine nasci digna tus est; et procedens homo sine semine, largitus est nobis suam deitatem.

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O Ano Litúrgico de 2019 acabou e se inicia um novo ano no dia 1 de dezembro com o Primeiro Domingo do Advento. Será o Ano A (Mateus), ou seja a grande maioria das leituras do ano será tirada do Evangelho de Mateus.

Vale dizer que o ano B é o Evangelho de Marcos e o ano C é o Evangelho de Lucas. Já o Evangelho de São João é reservado para as ocasiões especiais, principalmente as grandes Festas e Solenidades. Para este Evangelho não existe um Ano Litúrgico.

Pela tradição este é o dia correto para se montar a sua árvore de Natal e decorar sua casa. Para quem é católico pelo menos. Infelizmente as pessoas seguem o que diz os shoppings e as propagandas e começam a decorar suas casas para o Natal ainda em novembro. É pecado? Não. Apenas demonstra que está faltando mais atenção nas missas e talvez você não tenha feito uma boa catequese. Na melhor das hipóteses você se esqueceu do que aprendeu (acho difícil).

Pois bem o Advento é a preparação para o nascimento de Jesus (a memória). São 4 domingos em que a igreja se prepara de maneira especial para a segunda grande celebração do ano litúrgico: o nascimento de Jesus. A primeira é a Imaculada Conceição de Nossa Senhora (8 de dezembro).

O Advento também marca o início do novo ano da igreja Católica. Em 2019 foi no dia 1º de dezembro, em 2020 será em 29 de novembro, sempre quatro domingos antes do dia 25 de dezembro.

O ano civil continua e só termina no dia 31 de dezembro, e as pessoas comemoram muitas vezes enlouquecidamente. Pior, a maioria são católicos que não percebem que o nosso novo ano já se iniciou.

A maioria das grandes religiões tem uma data especifica para marcar o início do ano. Os judeus comemoram o  , os indianos o , budistas , muçulmanos  .

Com o início do Advento também se inicia o Ano Litúrgico, que são ciclos dentro da igreja para se rezar e evangelizar através da Palavra de Deus. Sendo que estes ciclos são divididos entre: Tempo do Advento, Tempo do Natal, Primeira Parte do Tempo Comum, Tempo da Quaresma, Tempo Pascal e Segunda Parte do Tempo Comum. O ano litúrgico termina com a Festa de Cristo Rei.

Interessante se pensar que o ano litúrgico começa logo com Maria, mãe de Jesus. “Ao celebrar o ciclo anual dos mistérios de Cristo, a santa Igreja venera com particular amor a bem-aventurada mãe de Deus, Maria, que por um vínculo indissolúvel está unida à obra salvífica de seu Filho; em Maria a Igreja admira e exalta o mais excelente fruto da redenção e a contempla com alegria como puríssima imagem do que ela própria anseia e espera ser em sua totalidade. ” (CIC 1172)

A preparação para a vinda de Jesus atravessou séculos e foi preparada de tal maneira por Deus, que cada fato na história da fé está intimamente ligada ao ápice do nascimento de Jesus. (Vide CIC 522-524).

Até mesmo a cena do nascimento numa manjedoura e numa família pobre mostra muita coisa, abre e deixa claro que a salvação é para todos e mesmo os mais humildes e pobres serão agraciados. “Tornar-se criança” em relação a Deus é a condição para entrar no Reino; para isso é preciso humilhar-se, tornar-se pequeno; mais ainda: é preciso “nascer do alto” (Jo 3,7), “nascer de Deus” para tornar-nos filhos de Deus. O mistério do Natal realiza-se em nós quando Cristo “toma forma” em nós. (CIC 525-526).

Então não é um tempo sem sentido, e a preparação deve ser ainda mais intensa.

Geralmente são realizadas novenas natalinas nas casas e assim a igreja sai do seu ponto estático (o Templo) e leva esta palavra as casas dos fiéis. Penetra nas famílias levando o Advento também para os lares. Muito como um convite a vir visitar a casa de Jesus, ou melhor, visitar e esperar o nascimento do Senhor. Assim como a estrela guiou os reis pelo deserto, as novenas e principalmente os domingos do Advento são o brilho desta estrela que repousará sobre cada um e também sobre a manjedoura que acolhe o próprio Deus encarnado como homem.

Então Feliz Ano Novo cristão.

E descubra todo o significado do Advento participando das Missas e abrindo sua casa para as novenas de Natal. O que você chama de Espírito Natalino é nada mais, nada menos que a acolhida da Sagrada Família à espera da memória do nascimento de Jesus.

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Como é Calculado o Ano Litúrgico?

Muito simples, apenas somando os algarismos do ano. Para se determinar qual é o Ano A, B ou C, procede-se da maneira seguinte: Pela letra C, designa-se o ano cujo número for divisível por três, como se o ciclo começasse no primeiro ano da contagem cristã. Deste modo, o Ano 1 teria sido o Ano A, o Ano 2 o Ano B, o Ano 3 o Ano C, e os Anos 6, 9, 12… novamente o Ano C. O ano em que a soma dos algarismos for um número múltiplo de 3 é do ciclo C.

Seguindo este critério temos: 2017 = 2+0+1+7= 10 (9, múltiplo de 3, + 1), portanto, foi Ano A. O ano seguinte, 2018, logicamente, Ano B. E o ano litúrgico de 2019 será o ano C, por ser múltiplo de 3. Não existe erro! É fácil.

É evidente que cada ciclo se desenvolve conforme a estrutura do ano litúrgico, isto é, a partir da primeira semana do Advento, que ocorre no ano civil anterior.

“As leituras Bíblicas que ocorrem nas celebrações, caracterizam-se com o chamado Ano Litúrgico, criado para acompanharmos através das leituras dos textos bíblicos (Evangelho e outros livros), a vida de Jesus em ordem cronológica do nascimento até a ascensão aos céus. Assim, ouvimos nas celebrações textos que falam do anúncio do Messias, da encarnação, de seu ministério público com milagres, do chamado ao discipulado, discursos, parábolas até culminarmos com Sua morte e ressurreição nos preparando para a Parusia, ou seja, do Cristo Rei do Universo no final do ano litúrgico.

Ano Litúrgico passa por três ciclos, também chamado de anos A, B, C. Em cada ano tem uma sequência de leituras próprias, ou seja, leituras para o ano A, para o ano B e para o ano C. A ideia desta distribuição de textos bíblicos ao longo de três anos tem como objetivo se ter uma visão e leitura de toda a Bíblia.” (trecho de texto do site Rumo a Santidade)

Constituição Sacrosanctum Concilium determinou:

«Prepare se para os fiéis, com maior abundância, a mesa da Palavra de Deus: abram se mais largamente os tesouros da Bíblia, de modo que, dentro de um período de tempo estabelecido, sejam lidas ao povo as partes mais importantes da Sagrada Escritura»

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Tempo do Natal (Catecismo da Igreja Católica)

522 A vinda do Filho de Deus à terra é um acontecimento de tal imensidão que Deus quis prepará-lo durante séculos. Ritos e sacrifícios, figuras e símbolos da “Primeira Aliança”, tudo ele faz convergir para Cristo; anuncia-o pela boca dos profetas que se sucedem em Israel. Desperta, além disso, no coração dos pagãos a obscura expectativa desta vinda. (Parágrafos relacionados: 711,762)

523 São João Batista é o precursor imediato do Senhor, enviado para preparar-lhe o caminho.

“Profeta do Altíssimo” (Lc 1,76), ele supera todos os profetas, deles é o último, inaugura o Evangelho; saúda a vinda de Cristo desde o seio de sua mãe e encontra sua alegria em ser “o amigo do esposo” (Jo 3,29), que designa como “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29). Precedendo a Jesus “com o espírito e o poder de Elias” (Lc 1,17), dá-lhe testemunho por sua pregação, seu batismo de conversão e, finalmente, seu martírio. (Parágrafos relacionados: 712,720)

524 Ao celebrar cada ano a liturgia do Advento, a Igreja atualiza esta espera do Messias: comungando com a longa preparação da primeira vinda do Salvador, os fiéis renovam o ardente desejo de sua Segunda Vinda. Pela celebração da natividade e do martírio do Precursor, a Igreja se une a seu desejo: “É preciso que Ele cresça e que eu diminua” (Jo 3,30). (Parágrafo relacionado: 1171)

O MISTÉRIO DO NATAL

525 Jesus nasceu na humildade de um estábulo, em uma família pobre; as primeiras testemunhas do evento são simples pastores. É nesta pobreza que se manifesta a glória do Céu. A Igreja não se cansa de cantar a glória dessa noite: Hoje a Virgem traz ao mundo o Eterno. (Parágrafos relacionados: 437,2443)

E a terra oferece uma gruta ao Inacessível.

Os anjos e os pastores o louvam

E os magos caminham com a estrela.

Pois Vós nascestes por nós, Menino, Deus eterno!

526 “Tornar-se criança” em relação a Deus é a condição para entrar no Reino; para isso é preciso humilhar-se, tornar-se pequeno; mais ainda: é preciso “nascer do alto” (Jo 3,7), “nascer de Deus” para tornar-nos filhos de Deus. O mistério do Natal realiza-se em nós quando Cristo “toma forma” em nós. O Natal é o mistério deste “admirável intercâmbio:

O admirabile commercium! Creator generis humani, anima corpus sumens, de Virgine nasci digna tus est; et procedens homo sine semine, largitus est nobis suam deitatem (Admirável intercâmbio! O Criador da humanidade, assumindo corpo e dignou-se nascer de uma Virgem; e, tomando-se homem intervenção do homem, nos doou sua própria divindade!)

O ANO LITÚRGICO

1168 Partindo do tríduo pascal, como de sua fonte de luz, o tempo novo da Ressurreição enche todo o ano litúrgico com sua claridade. Aproximando-se progressivamente de ambas as vertentes desta fonte, o ano é transfigurado pela liturgia. É realmente “ano de graça do Senhor”. A economia da salvação está em ação moldura do tempo, mas desde a sua realização na Páscoa de Jesus e a efusão do Espírito Santo o fim da história é antecipado, “em antegozo”, e o Reino de Deus penetra nosso tempo.

1169 Por isso, a páscoa não é simplesmente uma festa entre outras: é a “festa das festas”,

“solenidade das solenidades”, como a Eucaristia é o sacramento dos sacramentos (o grande sacramento). Santo Atanásio a denomina “o grande domingo como a semana santa é chamada no Oriente “a grande semana”. O mistério da ressurreição, no qual Cristo esmagou a morte, penetra nosso velho tempo com sua poderosa energia até que tudo lhe seja submetido.

1170 No Concílio de Nicéia (em 325), todas as Igrejas chegaram a um acordo acerca de que a páscoa cristã fosse celebrada no domingo que segue a lua cheia (14 Nisan) depois do equinócio de primavera. Por causa dos diversos métodos utilizados para calcular o dia 14 de mês de Nisan, o dia da Páscoa nem sempre ocorre simultaneamente nas Igrejas ocidentais e orientais. Por isso busca-se um acordo, a fim de se chegar novamente a celebrar em uma data comum o dia da Ressurreição do Senhor.

1171 O ano litúrgico é o desdobramento dos diversos aspectos do único mistério pascal. Isto vale muito particularmente para o ciclo das festas em tomo do mistério da encarnação (Anunciação, Natal, Epifania) que comemoram o começo de nossa salvação e nos comunicam as primícias do Mistério da Páscoa.

O SANTORAL NO ANO LITÚRGICO

1172 “Ao celebrar o ciclo anual dos mistérios de Cristo, a santa Igreja venera com particular amor a bem-aventurada mãe de Deus, Maria, que por um vínculo indissolúvel está unida à obra salvífica de seu Filho; em Maria a Igreja admira e exalta o mais excelente fruto da redenção e a contempla com alegria como puríssima imagem do que ela própria anseia e espera ser em sua totalidade. ”

1193 O domingo, “dia do Senhor”, é o dia principal da celebração da Eucaristia por ser o dia da ressurreição. É o dia da assembleia litúrgica por excelência, o dia da família cristã, o dia da alegria e do descanso do trabalho. O domingo é “o fundamento e o núcleo do ano litúrgico”.

2698 A Tradição da Igreja propõe aos fiéis ritmos de oração destinados a nutrir a oração continua. Alguns são cotidianos: a oração da manhã e da tarde, antes e depois das refeições, a Liturgia das Horas. O domingo, centrado na Eucaristia, é santificado principalmente pela oração. O ciclo do ano litúrgico e suas grandes festas são os ritmos fundamentais da vida de oração dos Cristãos.

1438 Os tempos e os dias de penitência ao longo do ano litúrgico (o tempo da

Quaresma, cada sexta-feira em memória da morte do Senhor) são momentos fortes da prática penitencial da Igreja. Esses tempos são particularmente apropriados aos exercícios espirituais, às liturgias penitenciais, às peregrinações em sinal de penitência, às privações voluntárias como o jejum e a esmola, à partilha fraterna (obras de caridade e missionárias).

Ano Litúrgico 2020

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Dos ramos ao madeiro – Parte II

Dos ramos ao madeiro – 2/5

Era o segundo dia da semana quando Jesus voltou para Jerusalém, desta vez sem a entrada mais triunfal, os ramos e as saudações como rei. Logo ele e seus discípulos estavam no Templo, e Jesus expulsava os vendedores que faziam comércio às portas da casa de Deus.
Ainda naquele dia ele curou todo tipo de doentes que literalmente o haviam rodeado acreditando em todas as histórias de prodígios realizados por ele que a muito circulavam por toda a Palestina. Viram que tudo era verdade e o número de curas foi tão grande que foi impossível segurar as notícias que ecoaram por toda a Jerusalém e iriam ecoar por toda a Judéia.
Jerusalém estava cheia e a previsão de um maior número de peregrinos para a Páscoa se confirmava.
Foi nesse cenário que um grande séquito romano liderado por Pilatos adentrou a cidade e se dirigiu a Fortaleza Antônia afim de reforçar o contingente da cidade e controlar a população nesta época sempre tensa.
Os zelotes se agitavam desejando a todo custo promover uma rebelião contra Roma. Já não acreditavam que Jesus de Nazaré iria convocar a revolta, mas estavam sem um líder pois Barrabás estava preso já a alguns meses. Restava a esperança de que o plano de Judas Iscariotes fosse dar certo. Mas tudo era uma incógnita.

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Moeda mostrando a face de Tibério no anverso e a Pax no reverso.

Enquanto isso, no decorrer da semana Jesus se manteve nos arredores do Templo, pregando, curando ou sendo questionado pelos sacerdotes do Sinédrio. Foi questionado se o povo deveria pagar tributos a Roma, numa tentativa dos fariseus de colocá-lo contra o Império ou contra o povo dependendo da resposta. E Jesus pegando um denário romano (conhecido como a moeda do tributo) onde estava prensado o rosto do imperador com a inscrição :” Ti[berivs] Caesar Divi Avg[vsti] F[ilivs] Avgvstvs (“César Augusto Tibério, filho do Divino Augusto“). ”  perguntou de quem era a efígie impressa e com resposta do povo de que a face era de César, ele disse: “- De a César o que é de César e a Deus o que é de Deus .  (Mc 12, 13-17), Mt 22, 15-22Lc 20,20-26).


Num desses dias em que pregava em uma praça cercado por um grande grupo, ouviu-se uma confusão de gritos e de repente um mulher foi atirada a seus pés e acusada de adultério. Um dos acusadores era Saduceu e tinha um pequeno grupo com ele, incluindo sacerdotes que evocaram a lei de Moisés para que ela fosse apedrejada pelo pecado cometido. A multidão se agitou, muitos pegaram pedras. Jesus ficou calmo. Olhou para os olhos da mulher. Abaixou-se e escreveu algo no chão. Depois de uns minutos declarou:
“- Aquele dentre vós que não tiverem nenhum pecado, atire a primeira pedra.”
Por minutos que pareceram horas o silêncio imperou no ar. Um a um dos que tinham pegado pedras se retiraram. E Jesus se dirigiu a mulher, dando as mãos para ela e ajudando-a erguer-se disse:
“-Se eles não te condenam eu também não te condenarei. Vai. Mas não peque mais!”
A mulher se foi agradecendo com lágrimas. (Jo 8, 1-11)
E Jesus voltou a pregar até que mais uma noite despontava. E ele pediu a alguns discípulos que fossem até a casa de um já conhecido de todos e dissessem que ele e seus discípulos queriam fazer a ceia de Páscoa naquela casa. E assim começavam os preparativos para a ceia. Pedro sentiu um calafrio que percorreu seu corpo, ele não imaginava o que aconteceria nos próximos 4 dias.

Milton Cesar

Foram muitos os acontecimentos nestes dias em que Jesus, seus discípulos e seus seguidores estavam em Jerusalém,  todos muito significativos como as constantes visitas ao Templo e também as inúmeras curas realizadas. Também foram contadas muitas parábolas. Parecia (e era isso mesmo) que Jesus estava compressa de realizar o máximo possível no tempo que ainda lhe restava aqui na Terra. O momento máximo da sua missão já se prenunciava no horizonte e ele não poderia evitar  Mas ao menos poderia curar e tentar mostrar a todos qual o caminho a seguir. Muitos dos discípulos ainda vacilavam ou não entendiam tudo o que o Mestre ensinava e qual papel eles teriam após a sentença deixada por ele se cumprisse: Derrubarei este templo e o reconstruirei em 3 dias. O que muitos percebiam era como o ambiente da como o ambiente da cidade se tornava hostil, com o Sinédrio tentando provar que Jesus era um herege ou um conspirador contra Roma, também com tantos Zelotes tentando a todo custo usar Jesus como massa de manobra e começarem uma rebelião. Mas em meio a tudo isso o perdão de uma mulher acusada de cometer adultério provou que a partir daquele momento o verdadeiro mandamento seria o do amor, e amor sugere saber perdoar e amar o próximo. Aproximava-Se ainda mais o momento de Jesus se tornar o Cristo.

Milton Cesar

 

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Evangelho segundo São  João, 8, 1-16

1.Dirigiu-se Jesus para o monte das Oliveiras. 2.Ao romper da manhã, voltou ao templo e todo o povo veio a ele. Assentou-se e começou a ensinar. 3.Os escribas e os fariseus trouxeram-lhe uma mulher que fora apanhada em adultério. 4.Puseram-na no meio da multidão e disseram a Jesus: Mestre, agora mesmo esta mulher foi apanhada em adultério. 5.Moisés mandou-nos na lei que apedrejássemos tais mulheres. Que dizes tu a isso? 6.Perguntavam-lhe isso, a fim de pô-lo à prova e poderem acusá-lo. Jesus, porém, se inclinou para a frente e escrevia com o dedo na terra. 7.Como eles insistissem, ergueu-se e disse-lhes: Quem de vós estiver sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra. 8.Inclinando-se novamente, escrevia na terra. 9.A essas palavras, sentindo-se acusados pela sua própria consciência, eles se foram retirando um por um, até o último, a começar pelos mais idosos, de sorte que Jesus ficou sozinho, com a mulher diante dele. 10.Então ele se ergueu e vendo ali apenas a mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão os que te acusavam? Ninguém te condenou? 11.Respondeu ela: Ninguém, Senhor. Disse-lhe então Jesus: Nem eu te condeno. Vai e não tornes a pecar. 12.Falou-lhes outra vez Jesus: Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida. 13.A isso, os fariseus lhe disseram: Tu dás testemunho de ti mesmo; teu testemunho não é digno de fé. 14.Respondeu-lhes Jesus: Embora eu dê testemunho de mim mesmo, o meu testemunho é digno de fé, porque sei de onde vim e para onde vou; mas vós não sabeis de onde venho nem para onde vou. 15.Vós julgais segundo a aparência; eu não julgo ninguém. 16.E, se julgo, o meu julgamento é conforme a verdade, porque não estou sozinho, mas comigo está o Pai que me enviou.”
São João, 8 – Bíblia Católica Online

A César o que é de César é começo de uma frase atribuída a Jesus nos evangelhos sinóticos, onde se lê «Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.» (Mateus 22,21) (em gregoἈπόδοτε οὖν τὰ Καίσαρος Καίσαρι καὶ τὰ τοῦ Θεοῦ τῷ Θεῷ). O episódio aparece em Marcos 12Mateus 22  e Lucas 20. A frase, amplamente citada, se tornou uma espécie de resumo da relação entre o cristianismo e a autoridade secular. Na mensagem original, ela apareceu como resposta a uma questão sobre se seria lícito para um judeu pagar impostos a César e dá margem a múltiplas interpretações sobre em que circunstâncias seria desejável para um cristão se submeter à autoridade terrena.

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A moeda

O texto identifica a moeda como um denário (em gregoδηνάριον – dēnarion) e geralmente se acredita que seria portanto um denário romano com a éfige de Tibério, que passou a ser conhecida como “moeda do tributo” e se tornou, por conta da história do evangelho, um cobiçado item para colecionadores. A inscrição é Ti[berivs] Caesar Divi Avg[vsti] F[ilivs] Avgvstvs (“César Augusto Tibério, filho do Divino Augusto“). O reverso mostra uma figura feminina, geralmente identificada como sendo Lívia, representada como sendo a Pax.

Porém, já se sugeriu que o denário não era comumente encontrado na Judeia durante a vida de Jesus e que a moeda poderia ser, ao invés dele, uma tetradracma antioquiana, que também traz a éfige de Tibério, mas com Augusto no reverso. Outra sugestão comum é o denário de Augusto com Caio César e Lúcio César no reverso, enquanto que outras possibilidades incluem moedas de Júlio CésarMarco Antônio e Germânico.

No episódio do Evangelho Apócrifo de Tomé, a moeda, por sua vez, é de ouro.

Resistência ao pagamento de impostos na Judeia

Os impostos criados na Judeia por Roma criaram inúmeros conflitos. O estudioso do Novo Testamento, Willard Swartley, escreveu: “O imposto referido no texto era um específico… Era um imposto por cabeça instituído em 6 d.C. Um censo realizado na época (vide Lucas 2,2) para determinar quais os recursos dos judeus provocou a revolta por todo o país. Judas da Galileia liderou um grupo (Atos 5,37) que só foi detido com dificuldade. Muitos acadêmicos marcam o início do movimento dos zelotes neste evento”.

Enciclopédia Judaica afirma, sobre os zelotes: “Quando, no ano V,  Judas de Gamala, na Galileia, iniciou a sua oposição organizada contra Roma, ele recebeu o apoio de um dos líderes fariseus, Zadoque, um discípulo de Shammai e um dos mais furiosos patriotas e heróis populares que viveram para testemunhar a destruição de Jerusalém… A realização do censo por Quirino, o procurador romano, com o objetivo de taxar a população, foi considerado como um sinal da escravidão frente aos romanos; e o chamado entusiástico dos zelotes para a resistência renhida foi recebido de forma retumbante”. Em seu julgamento de Jesus por Pôncio Pilatos, Jesus foi acusado de promover a resistência aos impostos demandados por César (Lucas 23,1-4).   Extraído de parte do texto da Wikipedia 

Evangelho Segundo São Mateus

Animo, uma nova Catequese (Encontro 11/40 – Jesus Cristo – Complemento 6)

sao-mateus O Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus é o primeiro a aparecer no Novo Testamento, não porque foi o primeiro a ser escrito, mas sim por ser considerado o mais completo (tem 28 capítulos). “Composto conforme um plano bem claro, presta-se muito bem para a catequese. Imbuído de uma preocupação constante com a comunidade de fé, é o evangelho eclesial por excelência. A forma do evangelho que atualmente conhecemos, parece ter sido concebida para fortalecer na fé os cristãos de origem judaica, os quais estavam sendo pressionados para integrar o judaísmo que estava reorganizando-se depois da destruição do templo (70 d.C.). Mateus conscientiza os cristãos de que eles é que constituem o verdadeiro Israel, pois em Jesus a herança de Israel se tornou universal.” (Introdução ao Evangelho Segundo Mateus – Bíblia Sagrada – tradução da CNBB)

É importante frisar que Mateus foi um dos 12 apóstolos e juntamente com João foram os únicos dos evangelistas a realmente beberem da fonte da sabedoria de Jesus e a conviver com ele naqueles anos, praticamente desde o início da sua missão.

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Quadro cronológico do Evangelho de Mt

Uma das principais características deste evangelho são os 5 sermões que logo depois da narração da infância (ou parte dela) de Jesus (capítulos 1 e 2) permeiam a narração da vida, morte e ressurreição (capítulos 3 a 28). Uma curiosidade é que já existem estudos que falam sobre uma alusão destes sermões com os cinco rolos da Lei de Moisés já que praticamente todo o evangelho tenta mostrar que ser discípulo de Jesus  é a verdadeira maneira de realizar o objetivo da Lei: viver segundo a vontade de Deus. Jesus ensina a compreensão plena da Lei. (Mt 5, 17-20)

“Mateus usou como fonte o Evangelho de Marcos, composto por volta do ano 70. O autor relê e reescreve Marcos, abreviando ou acrescentando outros escritos (cf. Mc 6,30-44; Mt 14,13-21).

Em Mt 21,41 e 22,7, o autor alude a pormenores concretos da destruição de Jerusalém, a cidade santa, pelo exército romano em torno do ano 70.

No decorrer dos anos, com base na experiência e na vivência da comunidade, o Evangelho de Mateus considera, desenvolve e interpreta o desastre nacional como castigo de Deus, causado pelo pecado das elites religiosas ao rejeitar Jesus como Filho de Deus (Mt 24,1-31).

O capítulo 23 do Evangelho de Mateus evidencia o forte conflito dessas comunidades com os judeus fariseus (Mt 5,11-12; 10,17-23; 24,9-14). Mas o evangelho não chega a mencionar a expulsão dos judeu-cristãos da sinagoga, o que pode ter ocorrido por volta do ano 90 (cf. Lc 6,22; Jo 9,22; 16,2).

No fim do século I, as autoridades judaicas começaram a intensificar sua perseguição contra os grupos de judeus de tendências e tradições diferentes, especialmente contra os grupos cristãos da diáspora. As comunidades destinatárias do Evangelho de Mateus provavelmente viviam na Síria, em Antioquia. Eis alguns elementos que confirmam essa posição:

a) Em Mt 4,24, o autor relê Mc 1,28.39 e corrige “por toda a Síria”, ao invés de “por toda a Galileia”.

b) Inácio, bispo de Antioquia, martirizado por volta do ano 107 d.C., cita os textos de Mateus em suas cartas (cf. a Carta a Policarpo 2,2 e Mt 10,16b).

c) Até o momento atual, não há provas da existência de sinagogas na Galileia no primeiro século, nem antes desse período. As sinagogas surgiram fora da Palestina, na diáspora.

d) O Evangelho de Mateus atribui um papel importante a Pedro (Mt 14,28-31; 15,15; 16,22-23; 17,24-27; 18,21; 19,27), que atuou na igreja de Antioquia (cf. Gl 2,11-14).

2. Quem escreveu e para quem?

O Evangelho de Mateus é o primeiro livro do Novo Testamento, mas não foi o primeiro a ser escrito. Ele anuncia que Jesus é a realização das promessas do Antigo Testamento. Esse texto, provavelmente, constituiu a base de um conjunto de comunidades cristãs que chegaram até o fim do século II. E, por ter sido posto em primeiro lugar no cânon do Novo Testamento, deve ter sido um evangelho importante para aquele setor do cristianismo que se tornou religião oficial do império romano.

No grupo de Jesus, havia um discípulo que se chamava Mateus, nome que, em hebraico, significa “presente de Deus” e, em grego, é semelhante a mathetés, cujo sentido literal é “aprendiz”. Segundo a tradição da Igreja, o autor do evangelho seria esse Mateus. Pápias, bispo de Hierápolis, cidade da Ásia Menor, por volta do ano 130, atribui ao apóstolo Mateus a composição das palavras de Jesus. A discussão, porém, ainda continua em aberto.

A questão do nome do autor não é tão importante, pois, antes de sua redação final, os evangelhos foram ensinamentos catequéticos, orais ou escritos, sobre as palavras e os atos de Jesus. A forma como o evangelho chegou até nós é obra de um redator que organizou os documentos já existentes e elaborados comunitariamente. No caso de Mateus, o grupo de redatores seriam alguns escribas que no texto recebem destaque e são apresentados como discípulos de Jesus (Mt 8,19; 23,34).

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Estrutura do evangelho

A estruturação mais comum do Evangelho de Mateus é em cinco livros, com uma introdução sobre as origens de Jesus, os capítulos 1 e 2, e uma conclusão, com a narrativa da sua morte e ressurreição, nos capítulos 26 a 28. Cada um dos cinco livros contém uma parte narrativa e um discurso. Ao todo são dez partes. É uma forma de Mateus relembrar às suas comunidades o Pentateuco (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio) e as dez palavras do Sinai ou os dez mandamentos, apresentando Jesus como o novo Moisés.

Visualizando a estrutura:

– Introdução (1-2)

– Jesus dentro da história do povo de Deus (1,1-17).

– Jesus: um novo começo dentro de um novo Êxodo (1,18-2,23).

Primeira parte: A justiça do Reino de Deus (37)

Narração: Jesus traz o Reino de Deus (3-4).

Discurso: O sermão da montanha (5-7) – condições para entrar no Reino.

Segunda parte: Uma justiça que liberta os pobres (810)

Narração: os milagres, sinais do Reino (8-9).

Discurso: A missão (10) – como anunciar o Reino.

Terceira parte: Uma justiça que provoca conflitos (11,1-13,52)

Narração: as reações diante da prática de Jesus (1112).

Discurso: As parábolas do Reino (13,1-52) – o mistério do Reino.

Quarta parte: O novo povo de Deus (13,53-18,35)

Narração: o seguimento de Jesus (13,53-17,27).

Discurso: A comunidade dos seguidores (18,1-35) – sinal do Reino.

Quinta parte: A vinda definitiva do Reino (19-25)

Narração: o Reino é para todos os que se converterem (19-23).

Discurso: a vigilância (24-25) – o futuro do Reino.

Conclusão: A páscoa da libertação (2628).

6. Principais mensagens do Evangelho de Mateus

No Evangelho de Mateus, Jesus é o Emanuel (Mt 1,23) e se faz presente na comunidade reunida em oração: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles” (Mt 18,20). Ele garante a sua presença constante na vida das pessoas: “E eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28,20). Jesus é o Mestre que nos convida a viver a justiça e a misericórdia! Com base em alguns textos exclusivos do Evangelho de Mateus, é possível entender o projeto das comunidades que receberam esse evangelho e alguns dos principais ensinamentos de Jesus transmitidos por elas e dirigidos também às nossas comunidades hoje.” (Extraído do site Vida Pastoral)

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É neste evangelho que encontramos a lista mais bem elaborada do chamado dos discípulos.

  • Sermão da Montanha (Mt 5-7)
  • Sermão da Missão (Mt 10)
  • Sermão das Parábolas (Mt 13)
  • Sermão da Comunidade (Mt 18)
  • Sermão Escatológico (Mt 24-25)

Na liturgia o Evangelho de Mateus é o lido no ano A do tempo comum.

Parábolas:

Mateus traz várias parábolas, sendo apenas 11 exclusivas (sem registro nos evangelhos sinóticos de Lucas e Marcos)

  1. As bodas (Mt 22,1-14);
  2. A lâmpada embaixo da mesa (Mt 4, 21-23)
  3. A casa vazia (Mt 12,43-45);
  4. Coisas novas e velhas (Mt 13, 51-52);
  5. O credor incompassivo (Mt 18,23-35);
  6. As dez virgens (Mt 25,1-13);
  7. Os dois alicerces (Mt 7.24- 27)
  8. Os dois filhos (Mt 21,28-32);
  9. O fermento (Mt 13,33);
  10. A figueira (Mt 24,32-33);
  11. O joio (Mt 13,24-30,36-43);
  12. Os lavradores maus (Mt 21,33-46);
  13. Os meninos na praça (Mt 11,16-19);
  14. O pai vigilante (Mt 24,42-44);
  15. A pedra rejeitada (Mt 21,42-44);
  16. A pérola de grande valor (Mt 13,45-46);
  17. A rede (Mt 13,47-50);
  18. O semeador (Mt 13,3-9,18-23);
  19. A semente de mostarda (Mt 13,31-32)
  20. A ovelha perdida (Mt 18, 12-14)
  21. O servo fiel (Mt 24,45-51);
  22. Os talentos (Mt 25,14-30);
  23. O tesouro escondido (Mt 13,44);
  24. Os trabalhadores da vinha (Mt 20,1-16);
  25. As ovelhas e as cabras (Mt 25,31-36)
  26. Um cego que guia outro cego (Mt 15,14)
  27. Remendo novo, vinho novo (Mt 9, 16-17)

A palavra portuguesa parábola deriva-se do termo grego parabolh, ; parabolé, ou seja, “pôr ao lado de”, “comparar”. A palavra hebraica é lv’m’ ; mashal, tem sua raiz etimológica derivada de um verbo hebraico que quer dizer “ser como”, denotando uma símile ou analogia; tudo indica que no Antigo Testamento a palavra poderia ser também aplicada para “historias curtas”, mas também possui outros significados.

Vários ícones medievais sobre Mateus

Curas e Milagres

Encontramos também no Evangelho de Mateus uma grande exposição de ensinos sobre curas e milagres. Alguns dos grandes milagres operados por Jesus e relatados nesse Evangelho são:

Cura do leproso 8,1-4
Cura do servo do centurião 8,5-13
Cura da sogra de Pedro 8,14-17
Exorcismo ao anoitecer 8,16-17
Acalmando a tempestade 8,23-27
Endemoniado gadareno 8,28-34
Paralítico em Cafarnaum 9,1-8
Filha de Jairo 9,18-26
Mulher com sangramento 9,20-22
Dois cegos da Galileia 9,27-31
Exorcismo do mudo 9,32-34
Homem com a mão mirrada 12,9-13
Exorcismo de homem cego e mudo 12,22-28
Alimentando 5000 pessoas 14,13-21
Caminhando sobre as águas 14,22-33
Cura em Genesaré 14,34-36
Filha da mulher canaanita 15,21-28
Alimentando os 4000 seguidores 15,32-39

Transfiguração de Jesus 17,1-13
Menino possuído pelo Demônio 17,14-21
Moeda na boca do peixe 17,24-27
Cego próximo a Jericó 20,29-34
Amaldiçoando a figueira 21,18-22

Cada um dos evangelistas é identificado por um simbolo. Estes quatro símbolos se encontram na visão que o profeta Ezequiel teve  (Ez 1, 5 – 12). O profeta vislumbra a Glória de Deus sobre um carro (em hebraico: merkabah). E o carro tinha quatro rodas imensas que iam da terra ao céu. E em cada roda havia uma figura: a de um anjo, a de um leão, a de um boi, e a de uma águia.

 

O texto esta Assim descrito:

Distinguia-se no centro a imagem de quatro seres que aparentavam possuir forma humana. Cada um tinha quatro faces e quatro asas. Suas pernas eram direitas e as plantas de seus pés se assemelhavam às do touro, e cintilavam como bronze polido. De seus quatro lados mãos humanas saíam por debaixo de suas asas. Todos os quatro possuíam rostos, e asas. Suas asas tocavam uma na outra. Quando se locomoviam, não se voltavam: cada um andava para a frente. Quanto ao aspecto de seus rostos tinham todos eles figura humana, todos os quatro uma face de leão pela direita, todos os quatro uma face de touro pela esquerda, e todos os quatro uma face de águia. Eis o que havia no tocante as suas faces. Suas asas estendiam-se para o alto; cada qual tinha duas asas que tocavam às dos outros, e duas que lhe cobriam o corpo. Cada qual caminhava para a frente: iam para o lado aonde os impelia o espírito; não se voltavam quando iam andando.

Com o passar do tempo a tradição cristã conferiu aos evangelistas o simbolismo desses quatro animais. São Jerônimo, tradutor da Bíblia do Hebraico para o Latim viu neste simbolismo com clareza, o indicativo dos quatro Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João).

Interessante que na Catedral Metropolitana de Campinas, uma das igrejas mais antigas do estado de São Paulo e uma das poucas que restam feitas sobre taipa de pilão os quatro evangelistas estão representados no alto da igreja, junto com seus respectivos símbolos. (Veja a foto da fachada e o detalhe de Mateus).

Quem foi Mateus

O Evangelho segundo Marcos conta assim a chamada de Mateus: E tornou a sair para a beira-mar, e toda a multidão ia até ele; e ele os ensinava. Ao passar, viu Levi, o filho de Alfeu, sentado na coletoria, e disse-lhe: “segue-me”. Ele se levantou e o seguiu (Marcos 2,13-14). O seu nome aparece nas 3 listas dos apóstolos que temos (Mateus 10,3; Marcos 3,18 e Lucas 6,15). Além disso, ele também é mencionado em Atos 1,13 como membro da comunidade que continuou perseverante após a morte de Cristo.
Mateus era um cobrador de impostos. O império romano tinha pessoas espalhadas pelo reino encarregadas de recolher as taxas que o povo devia ao imperador. Essas pessoas, obviamente, não eram bem-vistas pelos próprios conterrâneos. Muitas vezes eram exploradores e cometiam injustiças. Além disso, os sacerdotes, por respeito ao primeiro mandamento, proibiam aos judeus de tocarem as moedas do império, pois traziam a imagem do imperador. Por conseqüência, os cobradores de impostos, que as tocavam com freqüência, eram considerados pecadores.

Da atividade de Mateus após o Pentecostes, logo depois da ascensão de Jesus ao céu, conhecemos muito pouco. Existe algumas correntes que dizem que o discipulo ficou na região da Judéia por mais 15 anos pregando e depois foi para a Etiópia. Recorrendo a uma tradição antiga que relata Mateus como chefe missionário. Ele não teria comparecido diante dos juízes para dar testemunho. Outras fontes, ao invés, menos verídicas, difundem-se na narração dos sofrimentos e do martírio de Mateus, dando conta de que ele foi apedrejado, queimado e decapitado na Etiópia, de onde as relíquias teriam sido transportadas, primeiro para Paetum, no Golfo de Salerno e no século X para Salerno, onde até hoje são honradas

O dia oficial de São Mateus é 21 de Setembro

São Mateus, Mateus Evangelista ou Mateus Apóstolo (מתי/מתתיהו, “Dom de Javé ou “Presente de Deus”, hebraico padrão e vocalização de Tibérias: Mattay ou Mattiyahu; grego da Septuaginta Ματθαιος, Matthaios; grego moderno: Ματθαίος, Matthaíos) é, pelo relato dos Padres da Igreja, o autor do Evangelho de Mateus e um dos Doze Apóstolo

Fontes pesquisadas:

  • Vida Pastoral
  • Bíblia Sagrada – CNBB
  • Wikipedia
  • Livro: Como Ler os evangelhos – Félix Moracho – Paulus Editora
  • Livro: Como Ler o Evangelho de Mateus – Ivo Storniolo – Paulus Editora
  • Catecismo da Igreja Católica
  • Bíblia.org
  • Livro: Um Santo Para Cada Dia – Mario Sgarbosa e Luigi Giovannini – Edições Paulinas