Mulheres na Ressurreição de Cristo

Personagens: As Mulheres e o sepulcro vazio

1102014734_univ_lsr_xl

As mulheres foram as primeiras a receberem e darem a noticia da ressurreição de Jesus Cristo, fato este relatado pelos 4 evangelhos e que não pode ser contestado em nenhum momento.

A cena é sempre a mesma: o túmulo vazio, e um ou dois anjos em vestes alvas e resplandecentes, que anunciam que o Senhor está vivo e pedem às mulheres que contem a boa nova aos demais apóstolos. Quando são avisados da ressurreição, os doze discípulos não acreditam. No evangelho de João, Maria vai até Pedro e João alertá-los que o corpo de Jesus desapareceu. Os dois encontram o túmulo vazio, e apenas João tem a absoluta certeza que o Cristo renasceu dos mortos, cumprindo o que dissera. No evangelho de Lucas, apenas Pedro vai até o sepulcro.

De qualquer maneira, nos evangelhos sinópticos, podemos notar a proeminência que Maria Madalena tem sobre as demais mulheres, sendo as transmissoras da Boa Nova, ou o Evangelho, aos demais discípulos que se tornarão os apóstolos do Cristo.

Mt 28, 1 – 10 : “1.Depois do sábado, quando amanhecia o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o túmulo. 2.E eis que houve um violento tremor de terra: um anjo do Senhor desceu do céu, rolou a pedra e sentou-se sobre ela. 3.Resplandecia como relâmpago e suas vestes eram brancas como a neve. 4.Vendo isso, os guardas pensaram que morreriam de pavor. 5.Mas o anjo disse às mulheres: “Não temais! Sei que procurais Jesus, que foi crucificado. 6.Não está aqui: ressuscitou como disse. Vinde e vede o lugar em que ele repousou. 7.Ide depressa e dizei aos discípulos que ele ressuscitou dos mortos. Ele vos precede na Galileia. Lá o haveis de rever, eu vo-lo disse”. 8.Elas se afastaram prontamente do túmulo com certo receio, mas ao mesmo tempo com alegria, e correram a dar a Boa-Nova aos discípulos. 9.Nesse momento, Jesus apresentou-se diante delas e disse-lhes: “Salve!”. Aproximaram-se elas e, prostradas diante dele, beijaram-lhe os pés. 10.Disse-lhes Jesus: “Não temais! Ide dizer aos meus irmãos que se dirijam à Galileia, pois é lá que eles me verão”.” São Mateus, 28 – Bíblia Católica Online

Mc 16, 1-10:”1.Passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para ungir Jesus. 2.E no primeiro dia da semana, foram muito cedo ao sepulcro, mal o sol havia despontado.* 3.E diziam entre si: “Quem removerá a pedra do sepulcro para nós?”. 4.Levantando os olhos, elas viram removida a pedra, que era muito grande. 5.Entrando no sepulcro, viram, sentado do lado direito, um jovem, vestido de roupas brancas, e assustaram-se. 6.Ele lhes falou: “Não tenhais medo. Buscais Jesus de Nazaré, que foi crucificado. Ele ressuscitou, já não está aqui. Eis o lugar onde o depositaram. 7.Mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele vos precede na Galileia. Lá o vereis como vos disse”. 8.Elas saíram do sepulcro e fugiram trêmulas e amedrontadas. E a ninguém disseram coisa alguma por causa do medo. 9.Tendo Jesus ressuscitado de manhã, no primeiro dia da semana apareceu primeiramente a Maria de Magdala, de quem tinha expulsado sete demônios.* 10.Foi ela noticiá-lo aos que estiveram com ele, os quais estavam aflitos e chorosos.”  São Marcos, 16 – Bíblia Católica Online

Lc 24, 1 – 10 : “1.No primeiro dia da semana, muito cedo, dirigiram-se ao sepulcro com os aromas que haviam preparado. 2.Acharam a pedra removida longe da abertura do sepulcro. 3.Entraram, mas não encontraram o corpo do Senhor Jesus. 4.Não sabiam elas o que pensar, quando apareceram em frente delas dois personagens com vestes resplandecentes. 5.Como estivessem amedrontadas e voltassem o rosto para o chão, disseram-lhes eles: “Por que buscais entre os mortos aquele que está vivo? 6.Não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos de como ele vos disse, quando ainda estava na Galileia: 7.O Filho do Homem deve ser entregue nas mãos dos pecadores e crucificado, mas ressuscitará ao terceiro dia”. 8.Então, elas se lembraram das palavras de Jesus. 9.Voltando do sepulcro, contaram tudo isso aos Onze e a todos os demais. 10.Eram elas Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago; as outras suas amigas relataram aos apóstolos a mesma coisa.” 
São Lucas, 24 – Bíblia Católica Online

Jo 20, 1 – 2: “1.No primeiro dia que se seguia ao sábado, Maria Madalena foi ao sepulcro, de manhã cedo, quando ainda estava escuro. Viu a pedra removida do sepulcro. 2.Correu e foi dizer a Simão Pedro e ao outro discípulo a quem Jesus amava: “Tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram!”.” São João, 20 – Bíblia Católica Online

 

as mulheres no sepulcro

Podemos analisar as informações com atenção: Mateus diz que Maria Madalena e a “outra” Maria (sem explicar se seria Maria, mãe de Jesus) foram ao túmulo quando amanhecia o primeiro dia da semana. Já Marcos fala que no primeiro dia da semana Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé foram ao túmulo bem cedo quando o sol mal havia despontado, mas também diz que quando Jesus ressuscitou apareceu primeiro a Maria de Magdala (dando a entender que esta seria outra Maria e não Maria Madalena, mas na verdade este trecho é de um manuscrito mais antigo). Lucas fala que no primeiro dia da semana Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago foram bem cedo ao sepulcro, mas fala também que “as outras suas amigas” contaram aos discípulos então teriam outra mulheres. João é mais sucinto e fala apenas de Maria Madalena indo ao túmulo.

Podemos considerar, baseando-se nas narrativas que ocorreram três visitações das mulheres ao sepulcro e elas tiveram a primazia de descobrirem a ressurreição e também foram as primeiras a encontrar Jesus novamente vivo.

Vou usar como cronologia:

mmadalena

  1. A primeira visita é a de Maria Madalena que foi narrada por João e Marcos reforça isso no versículo 9.
  2. Mateus narra a segunda visitação, quando Maria Madalena foi novamente ao
    sepulcro, mas desta vez acompanhada da outra Maria, e já estava “ficando claro”
  3. Marcos e Lucas narram a terceira visita ao sepulcro, a qual fora realizada pelas mulheres. Marcos cita Maria Madalena, Salomé e Maria, mãe de Tiago e Lucas diz que eram Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago, mas podemos concluir que sejam as mesmas por causa dos aromas que elas tinham comprado e preparado ou que ao invés de 3 eram 4 já que Lucas ainda fala de outras amigas.

Maria Madalena é citada em todos os Evangelhos, porém Maria, mãe de Jesus, não aparece em nenhum dos relatos.

maria_madalena_e_jesus_2

Quando as mulheres retornam do cemitério após a devoção da Páscoa, elas trouxeram notícias sobre o túmulo vazio e reportaram que “Ele não está lá e ressuscitou!”. Os apóstolos ficaram incrédulos, com alguns estudiosos atribuindo a falta de entusiasmo ao fato de a mensagem ter chegado através de mulheres. Flávio Josefo escreveu que a tradição judaica afirmava: “Não permita que evidências sejam aceitas através das mulheres por causa de sua leviandade e da temeridade de seu sexo.”

cesar nome

 

 

 

A morte não o segurou

Páscoa

8b062c11-9f31-4a65-91e6-43d0e344db34.jpg

“Ressuscitou como disse… Aleluia! A vida venceu a morte!”

Padre César Augusto dos Santos – Cidade do Vaticano
“Quando acreditarmos no poder de Deus e formos mais irmãos, adeptos da partilha e do serviço, perceberemos os sinais da Vida a todo momento, pois estaremos desde agora vivendo à luz de Deus. Feliz Páscoa a todos!”

O Evangelho de São João nos diz que no primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de Jesus e o encontrou vazio. João faz questão de ressaltar que era de madrugada e ainda estava escuro. Podemos perceber que o evangelista ao registrar que o fato aconteceu no primeiro dia da semana, quer fazer alusão à nova criação. O que ele vai relatar é uma novidade radical, é a vida nova de um homem, não um fato como a denominada ressurreição de Lázaro, que volta à vida, mas continua submetido à necessidade de cuidar de sua saúde, de se alimentar e que voltará a morrer.

João vai relatar a autêntica ressurreição, a vitória de Jesus sobre as limitações humanas, sobre suas fragilidades, sobre a morte. Jesus jamais voltará a morrer. A morte nunca mais terá poder sobre ele, porque ele, a Vida, a destruiu.

Contudo, Maria Madalena, apesar de ter escutado várias vezes Jesus dizer que ressuscitaria, a dor da morte é tal que ela se esquece das palavras do Mestre.

Apesar do corpo de Jesus já ter sido ungido na sexta-feira por José de Arimatéia e por Nicodemos, ela não consegue ficar longe do corpo morto do Senhor. A escuridão enfatizada no texto é um símbolo do estado interior de Maria. Ela está com uma vida sem sentido, sem alegria. Seus grande libertador, seu grande amigo está morto. Ela vai ao sepulcro quando ainda está escuro, na natureza e no seu interior. Mas seu coração está iluminado pelo amor, por isso ela vai até ao sepulcro.

Ela o encontra vazio. Sente-se despontada e mais desolada, perdida e impotente. Maria Madalena busca o cadáver de Jesus. Ela esqueceu totalmente a promessa dele de que iria ressuscitar.

Ela olha para o sepulcro vazio e vê dois anjos, um na cabeceira e outro nos pés. O evangelista quer nos recordar os dois anjos que foram colocados, um à cabeceira e outro aos pés da arca da aliança. Jesus é a nova aliança. Por isso a aliança de Jesus Cristo é eterna, pois ele ressuscitou.

Mas Madalena, abalada pela dor não reconhece os sinais e só vê o sepucro vazio. Somente após a segunda pergunta de Jesus, ao ouvi-lo pronunciar seu nome e deixar de olhar para o sepulcro e voltar-se para o lado contrário é que ela vê o ressuscitado.

Como Maria Madalena, também nós só veremos os sinais da ressurreição, quando levantarmos nossos olhos dos sinais de morte, e dirigirmos nosso coração para a VIDA. Enquanto estivermos afeiçoados àquilo que é egoísmo, ambição, ira, não perceberemos que a Vida está à nossa frente, e sofreremos as consequências da opção pelos atrativos mortais. Ao contrário, quando acreditarmos no poder de Deus e formos mais irmãos, adeptos da partilha e do serviço, perceberemos os sinais da Vida a todo momento, pois estaremos desde agora vivendo à luz de Deus.

Feliz Páscoa a todos!

Fonte: Vatican News

O Peixe na Semana Santa

Catequese, Vivência na Fé

bacalhau

Bacalhau

Primeiro podemos ir buscar no Catecismo da Igreja Católica parte dos motivos para o jejum da Semana Santa e principalmente a abstinência de carne. Levando em consideração que a carne é um alimento que muitas pessoas tratam de uma forma especial, chegando ao ponto de muitos não comerem sem carne.

No artigo 7 (As Virtudes)  chegamos no CIC 1809 onde diz:

“A temperança é a virtude moral que modera a atração dos prazeres e proporciona o equilíbrio no uso dos bens criados. Assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos nos limites da honestidade. A pessoa temperante orienta para o bem os apetites sensíveis, guarda uma sã discrição e não se deixa arrastar pelas paixões do coração . A temperança é muitas vezes louvada no Antigo Testamento: «Não te deixes levar pelas tuas más inclinações e refreia os teus apetites» (Não te deixes levar pelas tuas más inclinações e refreia os teus apetites. Sir 18, 30). No Novo Testamento, é chamada «moderação», ou «sobriedade». Devemos «viver com moderação, justiça e piedade no mundo presente» (“Veio para nos ensinar a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver neste mundo com toda sobriedade, justiça e piedade,” Tt 2, 12).”

«Viver bem é amar a Deus de todo o coração, com toda a alma e com todo o proceder […], de tal modo que se lhe dedica um amor incorrupto e íntegro (pela temperança), que mal algum poderá abalar (fortaleza), que a ninguém mais serve (justiça), que cuida de discernir todas as coisas para não se deixar surpreender pela astúcia e pela mentira (prudência)» (Santo Agostinho, De moribus Ecclesiae catholicae).

Não existe então na própria Bíblia uma “ordem” para que se coma apenas peixe na Semana Santa, principalmente na Sexta-feira Santa, mas a tradição católica foi tomando forma e continua até hoje. Apesar da verdadeira exploração do comércio que sabendo que haverá uma procura maior de peixes e frutos do mar nesta época aumenta os preços visando o lucro. Cometem o pecado da avareza, e muitos ainda se dizem católicos.

Santo Tomás de Aquino diz que o “jejum foi estabelecido pela Igreja para reprimir as concupiscências da carne, cujo objeto são os prazeres sensíveis da mesa e das relações sexuais”. Importante recordar que, na época de Santo Tomás, a disciplina exigia esta prática não só na sexta-feira, mas também na quarta e, além da carne, englobava os ovos e os laticínios.

Os Santos Padres também incentivaram sobremaneira este hábito que acabou se consolidando. No entanto, na Idade Média, o Papa Nicolau I, no século IX, instituiu como lei aquilo que era somente um costume. E, assim, a penitência passou a ser obrigatória para todos os cristãos a partir da idade da razão (sete anos).

Ainda no período medieval, em honra à Nossa Senhora, as pessoas passaram a jejuar também aos sábados. Deste modo, o domingo, grande Dia do Senhor, era precedido por dois dias de penitência, em preparação à Páscoa semanal.

Mas o tempo fez com que parte dos costumes perdessem um pouco da sua força e o próprio significado acabasse ficando desconhecido. hoje mesmo algumas pessoas acabam ignorando o costume, algumas vezes por não saberem o real motivo, outras vezes por fazerem um turismo religioso entre várias denominações religiosas e acabarem voltando para a Igreja Católica perdendo o sentido das tradições e mais ainda o sentido do porque se fazer a abstinência de carne.

Com o tempo também, inclusive, os fiéis passaram a se questionar acerca da obrigatoriedade da abstinência na sexta e se a não observância desse preceito se constituía um pecado mortal ou leve. Diante disso, o Papa Inocente III, no século XIII, decretou que realmente é pecado grave. E no século XVII, o Papa Alexandre VII anatematizou quem dissesse que não era pecado grave.

Essa foi a disciplina até 1983, quando houve a promulgação do novo Código de Direito Canônico. No cânon 1251, lemos que é obrigatório fazer “abstinência de carne ou de outro alimento […] em todas as sextas-feiras do ano, a não ser que coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades”. Com relação a este cânon, a CNBB afirma que o fiel católico brasileiro pode substituir a abstinência de carne por uma obra de caridade, um ato de piedade ou ainda trocar a carne por um outro alimento (CNBB, Diretório da Liturgia e da organização da Igreja no Brasil)

Atualmente, a exigência da lei é para aqueles que já completaram catorze anos de idade e não a partir da idade da razão, como era no início, conforme o cânon 1252 do mesmo Código.

Historicamente, fazer da sexta-feira um dia penitencial é algo que afunda suas raízes na época apostólica. A Didaqué, uma espécie de catecismo dos primeiros cristãos, dá conta de que o jejum era feito na quarta e na sexta-feira. A Igreja do Oriente, inclusive, permanece com esse costume.

bacalhau-gadus-morhua_large.jpg

Bacalhau

O jejum

Um dos elementos que mais aparece nesse período é o jejum e a recomendação para que não se coma carne, em todas as sextas-feiras que antecedem a Páscoa, durante o tempo conhecido como quaresma. O mesmo preceito vale para a quarta-feira de cinzas, o dia em que se inaugura esse tempo de preparação para a Páscoa.

O jejum e a abstinência são sinais, também bíblicos, de conversão. O povo no tempo de Cristo jejuava sobretudo na festa da expiação. Mas há inúmeras outras passagens que lembram o jejum. Até mesmo Jesus, por ocasião das tentações no deserto, jejuou. Em atos dos Apóstolos, os responsáveis pela igreja, quando escolhiam os missionários, jejuavam (Atos 13,2-3) e Paulo, em 2 ocasiões, fala do próprio jejum (II Coríntios 6,5 e 11,27). É claro que jejum pelo jejum não tem sentido e não nos faz melhores. Basta pensar a quantos fazem jejum de maneira forçada, não porque é tempo de quaresma, mas porque não tem o que comer.

Não comer carne tem importância porque contém em si um significado, pois é, como dito acima, sinal de conversão. Não é, em si, a conversão. Quem se abstém da carne está dando um sinal que:

  • quer se afastar do pecado
  • é solidário com quem tem fome
  • sublinha a importância da Palavra de Deus como alimento para a alma
  • exprime a necessidade de colocar um freio no consumismo

Como bem lembram os profetas, o que conta, no final das contas, é a conversão do coração. Todos os gestos exteriores de nada valem se não conduzem a uma renovação do coração. Todavia eles podem ser significativos e a sua observância não deve ser motivo de gozação. Talvez não baste substituir carne por peixe, que nem sempre é mais barato, mas fazer algum gesto concreto que demonstre a nossa adesão ao projeto de Cristo, que mostre a nossa solidariedade com quem deu a vida por nós.

Gesto de conversão

Atualmente a Igreja Católica evita as palavras obrigação e proibição. Ela apenas aconselha a abstinência de carne vermelha como gesto de conversão. O jejum é uma tradição que surgiu na Idade Antiga e se consolidou na Idade Média, época em que pessoas humildes raramente provavam carne. Na época, o povo vivia em terras alheias e a carne vermelha era consumida só em banquetes, nas cortes e nas residências dos nobres. Ela tornou-se, então, símbolo da gula, associado ao pecado. Dessa forma, a Igreja orientava os fiéis a comerem carne à vontade antes da quaresma – o que deu origem aos banquetes chamados “carnevale” e ao nosso carnaval – e depois se absterem de carne, durante os 40 dias que antecediam a Páscoa. O peixe não chegou a entrar na lista da abstinência porque sua presença era irrelevante nos banquetes medievais. Com o passar dos séculos, a carne deixou de estar presente somente nos banquetes e perdeu seu caráter simbólico de pecado. A orientação atual é que os católicos que desejarem se abstenham na Quarta-Feira de Cinzas, nas sextas-feiras da Quaresma e na Sexta-Feira Santa. Pessoas enfermas, idosas e crianças são isentas dessa orientação.

Fontes: Irmã Maria Inês Carniato, da Editora Paulinas (p/ revista Galileu – Ed. Globo)

Abster-se de carne e jejuar na sexta-feira é uma prática plurissecular da Igreja e tem argumentos fortes em seu favor. O primeiro deles é que todos os cristãos precisam levar uma vida de ascese. Esta é uma regra básica da espiritualidade cristã, além de fazer bem para a vida espiritual do fiel, pode ser uma ocasião de testemunho e de catequese para outros. Recusar publicamente, por amor a Cristo, tal prazer pode ser uma forma de incutir no próximo o desejo de também conhecer o Amado, por quem se faz sacrifícios.Por fim, é importante recordar que o costume de se abster de carne na sexta-feira sempre esteve ligado à Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, portanto, é importante recuperá-lo a fim de aumentar ainda mais a devoção e a própria fé.

Peixe também é carne e sangra

348_comocriarA hemoglobina é uma proteína presente no sangue e que define sua cor, contém ferro e leva do pulmão o oxigênio necessário aos movimentos para os tecidos musculares. Nos músculos, também há outra proteína, chamada mioglobina, que ajuda a manter o oxigênio, sendo esta proteína responsável pela cor vermelha da carne”, diz a bióloga de Arraial do Cabo Leonizia Valdeci de Melo, especialista em gerenciamento socioambiental costeiro e licenciada em biologia pela Ferlagos. Os peixes possuem ainda menos mioglobina, por isso, a carne é branca. Devido à grande movimentação do atum, sua carne é avermelhada. O peixe também possui menos sangue que os outros animais, por isso ficou como uma lenda de que o “peixe não sangra, e por isso deve ser comido na sexta-feira santa”, mas na verdade o peixe também é carne e também tem sangue.

Fontes analisadas:

cesar nome

 

 

 

Livro:

Quaresma e a hipocrisia das pessoas

Reflexão

Por Milton Cesar

Devo antes de começar, deixar bem claro que: A REFLEXÃO QUE VOU FAZER NÃO SE APLICA A TODOS MAS A UMA BOA PARTE!

5b47801314c02_jonas_y_la_calabacera_3

Pois bem, dito isso, vamos lá.

Depois dos “excessos” (dependendo do ponto de vista) do Carnaval, chega a quarta-feira de cinzas e os fiéis voltam ao seu “normal”. Digo isso porque muitos vão para as festas de carnaval e se esquecem de que são cristãos e não aplicam a máxima deixada por São Paulo na 1ª Carta a comunidade de Corinto: ““Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma.”
I Coríntios, 6,12 – Bíblia Católica Online

As pessoas parecem entorpecidas (e muitos estão) pelo clima da festa e não se importam com mais nada. Não quero dizer que seja proibido “se divertir”, porém qual o significado disso tudo?

Ai chega a quarta-feira de cinzas e os antes foliões lembram-se que são “fiéis” e acorrem as igrejas. E olha que isso não é só com os católicos, mas também com nossos irmãos evangélicos e protestantes.

Depois vem a quaresma. Quarenta dias de reflexão e penitência, para fazer memória do sofrimento de Cristo. Ai vem a hipocrisia.

Muitos se abstém de carne ao menos uma vez na semana, geralmente às sexta-feiras ou as quartas, mas ao invés de se absterem de carne apenas, e muitas vezes promoverem churrascos no sábado para compensar, porque não vão alimentar uma família faminta? Porque não fazem da quaresma uma época para arrecadarem alimentos, agasalhos, cobertas, medicamentos para quem tem necessidade?

Seria mais significativo do que ficar no gesto (muitas vezes hipócrita) de se abster de carne ou jejuar.

Isso eu chamo de hipocrisia. O tentar enganar a Deus quando ninguém o engana.

Essas mesmas pessoas que não comem carne em determinados dias da semana durante a quaresma, ou fazem jejum (pasmem) de Coca-Cola ou chocolate, são as primeiras a anunciarem isso em alto em bom tom quando tem oportunidade, de novo falta lembrar do que está escrito no Evangelho de Mateus (aliás todo o capitulo 6 poderia traduzir e bem o que estou dizendo, por isso vou transcrevê-lo ao final da postagem, mas por hora o trecho a seguir vem bem a contento): “Quando jejuardes, não tomeis um ar triste como os hipócritas, que mostram um semblante abatido para manifestar aos homens que jejuam. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa. 17.Quando jejuares, perfuma a tua cabeça e lava o teu rosto. 18.Assim, não parecerá aos homens que jejuas, mas somente a teu Pai que está presente ao oculto; e teu Pai, que vê num lugar oculto, te recompensará.””
São Mateus, 6,16-18 – Bíblia Católica Online

O que quero dizer é que a Quaresma é tempo de reflexão, mas não de se acomodar. É tempo de visitar o irmão enfermo, de fazer oração nas casas, de ajudar os necessitados. Jesus fez isso com apenas 5 pães e 2 peixes (Jo 6, 5-14). Nada desta hipocrisia de se ir na igreja nesta época, celebrar com cantos mais reflexivos e fazer isso apenas pela tradição sem dar um significado verdadeiro.

Quaresma deveria, ou melhor, deve ser sempre uma ação. Assim como Jesus fazia.

cesar nome

 

Tudo me é permitido, porque sou filho de Deus

monsenhor-jonas-abib

Monsenhor Jonas Abib

Eu tenho a liberdade dos filhos de Deus, mas nem tudo me convém; nem tudo convém a um filho de Deus! Tudo me é permitido porque eu sou filho, mas não me deixarei dominar por coisa alguma! (cf. I Cor 6,12)

Graças a Deus, você está vendo, com essa palavra, o que Deus faz por você. Confirme mais uma vez: ”Mas o corpo não é para a devassidão, ele é para o Senhor e o Senhor é para o corpo. Ora, Deus que ressuscitou o Senhor, nos ressuscitará também pelo seu poder” (I Cor 6, 13b-14).

Quando a palavra diz que nossos corpos são membros de Cristo não é uma figura ou uma imagem. Os seus membros não são os membros de sua cabeça? Claro que são, porque quem comanda os seus membros é a sua cabeça!

Se a minha cabeça não me comandasse, se não saísse da minha cabeça um feixe nervoso e do meu cérebro não saíssem os comandos, eu não poderia fazer nada, como ler, falar, etc., os meus lábios sequer se moveriam. Porque tudo isso se faz pelos comandos que vem dos nossos cérebros. Você não estaria respirando, porque os comandos vêm do seu cérebro.

Todos os nossos membros são comandados pela nossa cabeça e nós somos membros dessa cabeça. Jesus é a nossa cabeça e nós somos os seus membros. ”Não sabeis porventura que os vossos corpos são os membros de Cristo?” (cf. I Cor 6,15a) Os nossos corpos, masculino e feminino, são membros de Cristo.

Observe o que o Senhor fez com você! Assuma isso e viva a beleza do que Ele fez por você. Você foi resgatado! Você foi resgatada! Não perca mais o que o Senhor resgatou.

Não se esqueçam: “Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém” (cf. I Cor 6,12).

Seu irmão,

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

Publicado Originalmente em 30/11/2018 -no site da  Canção Nova

São Mateus, 6

1.“Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Do contrário, não tereis recompensa junto de vosso Pai que está no céu. 2.Quando, pois, dás esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa. 3.Quando deres esmola, que tua mão esquerda não saiba o que fez a direi­ta.* 4.Assim, a tua esmola se fará em segredo; e teu Pai, que vê o escondido, irá recompensar-te. 5.Quando orardes, não façais como os hipócritas, que gostam de orar de pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa. 6.Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê num lugar oculto, te recompensará. 7.Nas vossas orações, não multipliqueis as palavras, como fazem os pagãos que julgam que serão ouvidos à força de palavras. 8.Não os imi­teis, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vós lho peçais. 9.Eis como deveis rezar: PAI NOS­SO, que estais no céu, santificado seja o vosso nome; 10.venha a nós o vosso Reino; seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. 11.O pão nosso de cada dia nos dai hoje;* 12.perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos ofenderam;* 13.e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. 14.Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, vosso Pai celeste também vos perdoará. 15.Mas, se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará. 16.Quando jejuardes, não tomeis um ar triste como os hipócritas, que mostram um semblante abatido para manifestar aos homens que je­juam. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa. 17.Quando jejuares, perfuma a tua cabeça e lava o teu rosto. 18.Assim, não parecerá aos homens que jejuas, mas somente a teu Pai que está presente ao oculto; e teu Pai, que vê num lugar oculto, te recompensará.” 19.“Não ajunteis para vós tesou­ros na terra, onde a ferrugem e as traças corroem, onde os ladrões furtam e roubam. 20.Ajuntai para vós tesouros no céu, onde não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não furtam nem roubam. 21.Porque onde está o teu tesouro, lá também está teu coração. 22.O olho é a luz do corpo. Se teu olho é são, todo o teu corpo será iluminado. 23.Se teu olho estiver em mau estado, todo o teu corpo estará nas trevas. Se a luz que está em ti são trevas, quão espessas deverão ser as trevas!” 24.“Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e à riqueza.* 25.Portanto, eis que vos digo: não vos preo­cupeis por vossa vida, pelo que comereis, nem por vosso corpo, pelo que vestireis. A vida não é mais do que o alimento e o corpo não é mais que as vestes? 26.Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam, nem recolhem nos celeiros e vosso Pai celeste as alimenta. Não valeis vós muito mais que elas? 27.Qual de vós, por mais que se esforce, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida?* 28.E por que vos inquietais com as vestes? Considerai como crescem os lírios do campo; não trabalham nem fiam. 29.Entretanto, eu vos digo que o próprio Salomão no auge de sua glória não se vestiu como um deles. 30.Se Deus veste assim a erva dos campos, que hoje cresce e amanhã será lançada ao fogo, quanto mais a vós, homens de pouca fé? 31.Não vos aflijais, nem digais: Que comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos? 32.São os pagãos que se preocupam com tudo isso. Ora, vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isso. 33.Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo. 34.Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado.”

Notas bíblicas

6,3. Não saiba: de tal modo deves guardar discrição em fazê-la.

6,11. De cada dia: poderia-se traduzir também – necessário à nossa subsistência.

6,12. Tradução literal: perdoai-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores.

6,24. Riqueza: literalmente – Mamon (A palavra Mamom vem do aramaico e significa “dinheiro” ou “riqueza”. Não era uma pessoa nem um espírito. Algumas traduções antigas ainda mantêm a palavra Mamom em Mateus 6:24, mas traduções mais modernas preferem traduzir para português, como dinheiro ou riqueza.) ; luxo, dinheiro.

6,27. Pode-se traduzir também: quem pode acrescentar um côvado à sua estatura? Como a mesma palavra grega designa estatura e duração de vida, é muito mais conforme ao sentido do contexto a tradução dessa segunda maneira.” 

Bíblia Católica Online

Dos ramos ao Madeiro – Parte IV

Dos ramos ao madeiro – 4/5

Fazei isso em minha memória. ( Mt 26,17-30Mc 14,12-26Lc 22,7-39 e Jo 13,117,26,  I Cor 11,23-26)

Esta foi uma das grandes frases ditas por Jesus naquela ceia. Pedro não havia compreendido, assim como a maioria dos presentes naquele momento. Aquela seria a refeição mais famosa de todos os tempos, mas naquele instante nada disso importava.

A ceia havia sido iniciada por Jesus logo após o sol se pôr e ela se prolongou (como era o costume) até a meia-noite. Veja bem, não era um jantar comum era um ato religioso que naquele momento quase todos os lares judaicos estavam celebrando.

Tudo tinha seu significado simbólico.

Eram cheias quatro taças de vinho em memória a libertação dos hebreus do Egito, liderados por Moisés.

Comiam-se verduras amargas molhadas em água e vinagre em memória do Êxodo do Egito. Era um ritual complexo comandado pelo dono da casa, mas neste dia quem comandou foi Jesus. Mas os moradores da casa também participaram.

Primeiro: Depois da 1ª taça de vinho servida Jesus pronunciou a benção da solenidade. Então todos comeram as ervas amargas.

Segundo: Depois da 2ª taça de vinho servida, João Marcos que era o mais jovem presente a mesa (uma criança na verdade) dirigiu-se a Jesus e perguntou (como era parte do ritual):

-Qual o significado desta celebração?

Jesus respondeu, como aprendera desde a infância, com os três pontos principais daquilo tudo, que eram:

  1. O cordeiro recorda Deus marcando as casas dos hebreus para que seus filhos fossem poupados.
  2. O pão ázimo foi comido devido à pressa da partida que não permitiu que se fizesse o pão normal com fermento.
  3. As ervas amargas era a lembrança da amargura da escravidão no Egito.

Depois desta explicação e seguindo o costume foi entoada a primeira parte do Hallel que significa cântico de louvor a Deus (Salmo 113 e Salmo 114). Era neste momento que se devia partir o pão ázimo e depois consumir o cordeiro assado. Mas Jesus fez diferente.

Partindo o pão ele declarou que ele seria o novo cordeiro de Deus e aquele pão seria sua carne, logo distribuiu o pão entre todos e depois quebrando a tradição novamente, ele serviu a 3ª taça de vinho e disse que aquele seria o seu sangue e que seria derramado por eles. Assim dividiu o vinho com todos. E proferiu uma frase que não fazia parte do contexto:

“- Fazei isso em minha memória.”

Um silêncio foi feito, tanto pelo impacto como pela tradição.

Então Jesus continuou seguindo com a consumação do cordeiro assado.

Depois a parte final do canto do Hallel (Salmos 115116117 e 118, 29) foi entoada. E a quarta parte do ritual com a 4ª taça de vinho (final) sendo servida, fez-se um louvor, uma breve oração de agradecimento que concluía a celebração.

jesus e seus apostolos2

Muitos estavam atônitos, outros pensativos quando Jesus continuou:

“- Em verdade, eu vos digo: um de vós vai me entregar esta noite.”

Foi uma explosão de murmúrios e reclamações, muitos querendo entender o que significava aquilo e outros querendo saber quem seria. Jesus olhou para Judas Iscariotes e disse o que tem que fazer faça depressa. Nesse momento alguns acharam que judas saíra em alguma missão para o mestre. Era comum ele sair pois cuidava do dinheiro do grupo e tinha afazeres como comprar provisões, ninguém imaginou que ele saiu para buscar a guarda do templo.

Pedro dizia que mesmo que os outros traíssem o mestre, ele jamais o faria e Jesus anunciou que Pedro o negaria três vezes ainda naquele dia (lembrando que provavelmente já passava da maia noite)

Depois de toda a confusão, os ânimos se acalmaram e Jesus agradeceu a hospitalidade da família que o acolheu junto a seus seguidores e pediu que apenas seus discípulos (naquela altura apenas 11) fossem com ele até o Jardim do Getsemani para orar. Todas as vezes que alguma mudança mais significativa na vida de Jesus iria ocorrer ele se isolava e pedia a seu pai (Deus) força. E assim ao chegar ao local Jesus pediu que os discípulos entrassem em oração e foi um pouco mais adiante afim de rezar sozinho.

E chorou…

Pediu a Deus que este cálice passasse sem que ele bebesse, mas sabia que não poderia. E ali lhe foi retirada toda a proteção divina, para que ele como homem de carne e osso normal pudesse passar pelas provações a que seria submetido.

Ao levantar-se e ir a seus discípulos deparou-se com eles dormindo por duas vezes, e pediu que todos acordassem perguntando se nem sequer poderiam orarem com ele por uma hora apenas. Mas parecia que o cansaço dominava a todos.

Enquanto isso Judas já havia chegado a uma sala do templo e ao falar com Anás, que já o esperava ansiosamente, saiu com um grupo de guardas do templo e mais alguns soldados romanos que estavam a serviço do Sinédrio a mando de Pilatos.

Anás por sua vez foi acordar o maior número possível de sacerdotes (muitos dormiam em instalações localizadas no próprio templo). Depois foi e acordou Caifás.

A madrugada ficou movimentada em vária direções. Era um movimento que levaria a muitos outros para mudar a história.

Milton Cesar

 

São Mateus 26, 17-46

Jesus-ÉQUIPE

“17.No primeiro dia dos Ázimos, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-lhe: Onde queres que preparemos a ceia pascal? 18.Respondeu-lhes Jesus: Ide à cidade, à casa de um tal, e dizei-lhe: O Mestre manda dizer-te: Meu tempo está próximo. É em tua casa que celebrarei a Páscoa com meus discípulos. 19.Os discípulos fizeram o que Jesus tinha ordenado e prepararam a Páscoa. 20.Ao declinar da tarde, pôs-se Jesus à mesa com os doze discípulos. 21.Durante a ceia, disse: Em verdade vos digo: um de vós me há de trair. 22.Com profunda aflição, cada um começou a perguntar: Sou eu, Senhor? 23.Respondeu ele: Aquele que pôs comigo a mão no prato, esse me trairá. 24.O Filho do Homem vai, como dele está escrito. Mas ai daquele homem por quem o Filho do Homem é traído! Seria melhor para esse homem que jamais tivesse nascido! 25.Judas, o traidor, tomou a palavra e perguntou: Mestre, serei eu? Sim, disse Jesus. 26.Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai e comei, isto é meu corpo. 27.Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos, 28.porque isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados. 29.Digo-vos: doravante não beberei mais desse fruto da vinha até o dia em que o beberei de novo convosco no Reino de meu Pai. 30.Depois do canto dos Salmos, dirigiram-se eles para o monte das Oliveiras. 31.Disse-lhes então Jesus: Esta noite serei para todos vós uma ocasião de queda; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho serão dispersadas (Zc 13,7). 32.Mas, depois da minha Ressurreição, eu vos precederei na Galiléia. 33.Pedro interveio: Mesmo que sejas para todos uma ocasião de queda, para mim jamais o serás. 34.Disse-lhe Jesus: Em verdade te digo: nesta noite mesma, antes que o galo cante, três vezes me negarás. 35.Respondeu-lhe Pedro: Mesmo que seja necessário morrer contigo, jamais te negarei! E todos os outros discípulos diziam-lhe o mesmo. 36.Retirou-se Jesus com eles para um lugar chamado Getsêmani e disse-lhes: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar. 37.E, tomando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. 38.Disse-lhes, então: Minha alma está triste até a morte. Ficai aqui e vigiai comigo. 39.Adiantou-se um pouco e, prostrando-se com a face por terra, assim rezou: Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres. 40.Foi ter então com os discípulos e os encontrou dormindo. E disse a Pedro: Então não pudestes vigiar uma hora comigo… 41.Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca. 42.Afastou-se pela segunda vez e orou, dizendo: Meu Pai, se não é possível que este cálice passe sem que eu o beba, faça-se a tua vontade! 43.Voltou ainda e os encontrou novamente dormindo, porque seus olhos estavam pesados. 44.Deixou-os e foi orar pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras. 45.Voltou então para os seus discípulos e disse-lhes: Dormi agora e repousai! Chegou a hora: o Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores… 46.Levantai-vos, vamos! Aquele que me trai está perto daqui.”
São Mateus, 26 – Bíblia Católica Online

É fácil compreender a sublimidade desta hora. Pois bem, nesta noite sagrada o Senhor lhes garante a infalibilidade por três vezes, segundo narra São João, testemunha ocular daqueles acontecimentos. Jesus começa dizendo aos Apóstolos:
“Eu rogarei ao Pai e Ele vos dará um outro Advogado, para que fique eternamente convosco. É o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós”(Jo 14,16-17).

Que garantia maior de infalibilidade Jesus poderia ter dado à Sua Igreja, do que deixar nela o Seu próprio Espírito, que Ele chama de Espírito da Verdade? Se Ele permanecerá com a Igreja, “eternamente”, como ela poderia errar em matérias essenciais à nossa salvação?

É preciso notar que Jesus disse que o Espírito Santo seria dado “para que fique eternamente convosco.” E garantiu ainda que Ele ficaria com a Igreja e estaria na Igreja. “Permanecerá convosco e estará em vós.”

Para aceitarmos que a Igreja tenha errado o caminho da verdade, como quiseram Lutero e seus seguidores, depois de 1517 anos, seria preciso antes concordar que o Espírito Santo, “o Espírito da Verdade”, tenha abandonado a Igreja. Mas isto jamais poderia ter acontecido, pois Ele foi dado para ficar “eternamente convosco”.

As promessas de Jesus para a Sua Igreja são infalíveis, porque Jesus não é um farsante e nem um mentiroso. Naquela hora memorável que antecedia a Sua paixão, Ele não estava brincando com os seus Apóstolos e com a Sua Igreja. Ele se despedia dela com as suas últimas e mais importantes promessas, para em seguida sofrer, por amor a ela, a sua dolorosa paixão.

Infelizmente o orgulho e a soberba espiritual cegam os olhos da alma e não deixam que suas vítimas enxerguem essa verdade. Em que pese os pecados dos seus filhos, mesmo assim, a Igreja jamais perdeu o domínio da verdade. (Professor Felipe Aquino – Formação Canção Nova)

 

Leia Também:

Dos ramos ao madeiro – Parte II

Dos ramos ao madeiro – 2/5

Era o segundo dia da semana quando Jesus voltou para Jerusalém, desta vez sem a entrada mais triunfal, os ramos e as saudações como rei. Logo ele e seus discípulos estavam no Templo, e Jesus expulsava os vendedores que faziam comércio às portas da casa de Deus.
Ainda naquele dia ele curou todo tipo de doentes que literalmente o haviam rodeado acreditando em todas as histórias de prodígios realizados por ele que a muito circulavam por toda a Palestina. Viram que tudo era verdade e o número de curas foi tão grande que foi impossível segurar as notícias que ecoaram por toda a Jerusalém e iriam ecoar por toda a Judéia.
Jerusalém estava cheia e a previsão de um maior número de peregrinos para a Páscoa se confirmava.
Foi nesse cenário que um grande séquito romano liderado por Pilatos adentrou a cidade e se dirigiu a Fortaleza Antônia afim de reforçar o contingente da cidade e controlar a população nesta época sempre tensa.
Os zelotes se agitavam desejando a todo custo promover uma rebelião contra Roma. Já não acreditavam que Jesus de Nazaré iria convocar a revolta, mas estavam sem um líder pois Barrabás estava preso já a alguns meses. Restava a esperança de que o plano de Judas Iscariotes fosse dar certo. Mas tudo era uma incógnita.

1183

Moeda mostrando a face de Tibério no anverso e a Pax no reverso.

Enquanto isso, no decorrer da semana Jesus se manteve nos arredores do Templo, pregando, curando ou sendo questionado pelos sacerdotes do Sinédrio. Foi questionado se o povo deveria pagar tributos a Roma, numa tentativa dos fariseus de colocá-lo contra o Império ou contra o povo dependendo da resposta. E Jesus pegando um denário romano (conhecido como a moeda do tributo) onde estava prensado o rosto do imperador com a inscrição :” Ti[berivs] Caesar Divi Avg[vsti] F[ilivs] Avgvstvs (“César Augusto Tibério, filho do Divino Augusto“). ”  perguntou de quem era a efígie impressa e com resposta do povo de que a face era de César, ele disse: “- De a César o que é de César e a Deus o que é de Deus .  (Mc 12, 13-17), Mt 22, 15-22Lc 20,20-26).


Num desses dias em que pregava em uma praça cercado por um grande grupo, ouviu-se uma confusão de gritos e de repente um mulher foi atirada a seus pés e acusada de adultério. Um dos acusadores era Saduceu e tinha um pequeno grupo com ele, incluindo sacerdotes que evocaram a lei de Moisés para que ela fosse apedrejada pelo pecado cometido. A multidão se agitou, muitos pegaram pedras. Jesus ficou calmo. Olhou para os olhos da mulher. Abaixou-se e escreveu algo no chão. Depois de uns minutos declarou:
“- Aquele dentre vós que não tiverem nenhum pecado, atire a primeira pedra.”
Por minutos que pareceram horas o silêncio imperou no ar. Um a um dos que tinham pegado pedras se retiraram. E Jesus se dirigiu a mulher, dando as mãos para ela e ajudando-a erguer-se disse:
“-Se eles não te condenam eu também não te condenarei. Vai. Mas não peque mais!”
A mulher se foi agradecendo com lágrimas. (Jo 8, 1-11)
E Jesus voltou a pregar até que mais uma noite despontava. E ele pediu a alguns discípulos que fossem até a casa de um já conhecido de todos e dissessem que ele e seus discípulos queriam fazer a ceia de Páscoa naquela casa. E assim começavam os preparativos para a ceia. Pedro sentiu um calafrio que percorreu seu corpo, ele não imaginava o que aconteceria nos próximos 4 dias.

Milton Cesar

Foram muitos os acontecimentos nestes dias em que Jesus, seus discípulos e seus seguidores estavam em Jerusalém,  todos muito significativos como as constantes visitas ao Templo e também as inúmeras curas realizadas. Também foram contadas muitas parábolas. Parecia (e era isso mesmo) que Jesus estava compressa de realizar o máximo possível no tempo que ainda lhe restava aqui na Terra. O momento máximo da sua missão já se prenunciava no horizonte e ele não poderia evitar  Mas ao menos poderia curar e tentar mostrar a todos qual o caminho a seguir. Muitos dos discípulos ainda vacilavam ou não entendiam tudo o que o Mestre ensinava e qual papel eles teriam após a sentença deixada por ele se cumprisse: Derrubarei este templo e o reconstruirei em 3 dias. O que muitos percebiam era como o ambiente da como o ambiente da cidade se tornava hostil, com o Sinédrio tentando provar que Jesus era um herege ou um conspirador contra Roma, também com tantos Zelotes tentando a todo custo usar Jesus como massa de manobra e começarem uma rebelião. Mas em meio a tudo isso o perdão de uma mulher acusada de cometer adultério provou que a partir daquele momento o verdadeiro mandamento seria o do amor, e amor sugere saber perdoar e amar o próximo. Aproximava-Se ainda mais o momento de Jesus se tornar o Cristo.

Milton Cesar

 

mulher-adultera

Evangelho segundo São  João, 8, 1-16

1.Dirigiu-se Jesus para o monte das Oliveiras. 2.Ao romper da manhã, voltou ao templo e todo o povo veio a ele. Assentou-se e começou a ensinar. 3.Os escribas e os fariseus trouxeram-lhe uma mulher que fora apanhada em adultério. 4.Puseram-na no meio da multidão e disseram a Jesus: Mestre, agora mesmo esta mulher foi apanhada em adultério. 5.Moisés mandou-nos na lei que apedrejássemos tais mulheres. Que dizes tu a isso? 6.Perguntavam-lhe isso, a fim de pô-lo à prova e poderem acusá-lo. Jesus, porém, se inclinou para a frente e escrevia com o dedo na terra. 7.Como eles insistissem, ergueu-se e disse-lhes: Quem de vós estiver sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra. 8.Inclinando-se novamente, escrevia na terra. 9.A essas palavras, sentindo-se acusados pela sua própria consciência, eles se foram retirando um por um, até o último, a começar pelos mais idosos, de sorte que Jesus ficou sozinho, com a mulher diante dele. 10.Então ele se ergueu e vendo ali apenas a mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão os que te acusavam? Ninguém te condenou? 11.Respondeu ela: Ninguém, Senhor. Disse-lhe então Jesus: Nem eu te condeno. Vai e não tornes a pecar. 12.Falou-lhes outra vez Jesus: Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida. 13.A isso, os fariseus lhe disseram: Tu dás testemunho de ti mesmo; teu testemunho não é digno de fé. 14.Respondeu-lhes Jesus: Embora eu dê testemunho de mim mesmo, o meu testemunho é digno de fé, porque sei de onde vim e para onde vou; mas vós não sabeis de onde venho nem para onde vou. 15.Vós julgais segundo a aparência; eu não julgo ninguém. 16.E, se julgo, o meu julgamento é conforme a verdade, porque não estou sozinho, mas comigo está o Pai que me enviou.”
São João, 8 – Bíblia Católica Online

A César o que é de César é começo de uma frase atribuída a Jesus nos evangelhos sinóticos, onde se lê «Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.» (Mateus 22,21) (em gregoἈπόδοτε οὖν τὰ Καίσαρος Καίσαρι καὶ τὰ τοῦ Θεοῦ τῷ Θεῷ). O episódio aparece em Marcos 12Mateus 22  e Lucas 20. A frase, amplamente citada, se tornou uma espécie de resumo da relação entre o cristianismo e a autoridade secular. Na mensagem original, ela apareceu como resposta a uma questão sobre se seria lícito para um judeu pagar impostos a César e dá margem a múltiplas interpretações sobre em que circunstâncias seria desejável para um cristão se submeter à autoridade terrena.

roman-tribute-coin

A moeda

O texto identifica a moeda como um denário (em gregoδηνάριον – dēnarion) e geralmente se acredita que seria portanto um denário romano com a éfige de Tibério, que passou a ser conhecida como “moeda do tributo” e se tornou, por conta da história do evangelho, um cobiçado item para colecionadores. A inscrição é Ti[berivs] Caesar Divi Avg[vsti] F[ilivs] Avgvstvs (“César Augusto Tibério, filho do Divino Augusto“). O reverso mostra uma figura feminina, geralmente identificada como sendo Lívia, representada como sendo a Pax.

Porém, já se sugeriu que o denário não era comumente encontrado na Judeia durante a vida de Jesus e que a moeda poderia ser, ao invés dele, uma tetradracma antioquiana, que também traz a éfige de Tibério, mas com Augusto no reverso. Outra sugestão comum é o denário de Augusto com Caio César e Lúcio César no reverso, enquanto que outras possibilidades incluem moedas de Júlio CésarMarco Antônio e Germânico.

No episódio do Evangelho Apócrifo de Tomé, a moeda, por sua vez, é de ouro.

Resistência ao pagamento de impostos na Judeia

Os impostos criados na Judeia por Roma criaram inúmeros conflitos. O estudioso do Novo Testamento, Willard Swartley, escreveu: “O imposto referido no texto era um específico… Era um imposto por cabeça instituído em 6 d.C. Um censo realizado na época (vide Lucas 2,2) para determinar quais os recursos dos judeus provocou a revolta por todo o país. Judas da Galileia liderou um grupo (Atos 5,37) que só foi detido com dificuldade. Muitos acadêmicos marcam o início do movimento dos zelotes neste evento”.

Enciclopédia Judaica afirma, sobre os zelotes: “Quando, no ano V,  Judas de Gamala, na Galileia, iniciou a sua oposição organizada contra Roma, ele recebeu o apoio de um dos líderes fariseus, Zadoque, um discípulo de Shammai e um dos mais furiosos patriotas e heróis populares que viveram para testemunhar a destruição de Jerusalém… A realização do censo por Quirino, o procurador romano, com o objetivo de taxar a população, foi considerado como um sinal da escravidão frente aos romanos; e o chamado entusiástico dos zelotes para a resistência renhida foi recebido de forma retumbante”. Em seu julgamento de Jesus por Pôncio Pilatos, Jesus foi acusado de promover a resistência aos impostos demandados por César (Lucas 23,1-4).   Extraído de parte do texto da Wikipedia 

Dos ramos ao madeiro (Parte I)

Dos ramos ao madeiro 1/5

A decisão de voltar a cidade luz nunca agradou Pedro.

Um clima de desconfiança e um temor tomava conta dele, mesmo tendo seguido o seu mestre por mais de 3 anos. Mesmo tendo visto e vivido prodígios quase inimagináveis. Parecia que a muito eles haviam superado os limites e testado a paciência dos Romanos e do Sinédrio ao máximo. O que aconteceria a seguir?

Muitos seguidores de Cristo o acompanhavam, mas no intimo apenas um pequeno número de 12 homens, mais a mãe do mestre, Maria de Magdala e algumas poucas mulheres se faziam presentes. Mais particularmente ainda eram os 12 seguidores, os 12 discípulos. E Pedro era um dos mais velhos, um dos primeiros e aquele que ganhou o nome de Kefas (Pedra) e a profecia que ele não entendia bem, de que algo seria construído sobre ele.

Eles estavam a quase uma semana em Betânia, quando Jesus pediu que Judas de Kerioth e Bartolomeu fossem a aldeia que estava a frente e buscassem um jumentinho que nunca havia sido montado e este animal estava amarrado próximo a uma estrebaria. Judas perguntou quanto deveria pagar pelo animal, mas Jesus disse que informasse o dono que ele precisava do animal e que o devolveria logo. Então os dois saíram nesta missão.

Pedro, João e Tiago tentaram demover o mestre da ideia de ir para Jerusalém, lembrando que as pessoas queriam matá-lo na cidade. Queriam ficar em Betânia pois faltava apenas 6 dias para a Páscoa (Pessach) e Jerusalém estaria lotada.

Jesus não aceitou a sugestão e preferiu ir para Jerusalém assim mesmo.

quaresma 3

Poucas horas depois chegavam os dois discípulos e o jumentinho e Jesus se colocava a caminho de Jerusalém, acompanhado de seus discípulos, as mulheres e alguns seguidores que ainda estavam impressionados pela ressurreição recente de Lázaro (milagre este realizado por Jesus a menos de uma semana).

Por precaução Pedro colocou a espada na bainha.

Judas foi na frente.

Pedro pensava em como as coisas mudaram desde aquele dia que Jesus pediu que ele é seu irmão jogassem novamente as redes para conseguirem pescar, sendo que até aquele momento eles nada haviam pescado. E como foi surpreendente quando as redes vieram abarrotadas de peixes. Desde aquele convite para acompanhar ele é se tornar pescador de homens.
Parte do medo de Pedro se dava pelo resultado da última visita de Jesus e seus discípulos a cidade sagrada onde a multidão hostilizou o Mestre pois este anunciara ser o filho de Deus ao dizer: “Eu e o Pai somos um só. “
E a sua pregação era de paz. O que muitos esperavam naquele dia da Festa de Hanukà (chamada Festa da Dedicação que rememorava a vitória de Macabeu) era que Jesus convocasse uma insurreição contra os romanos, no tom daquela que o líder zelote Jesus Bar-Abba (Barrabás) convocava antes de ser preso. Como isso não aconteceu muitos queriam apedrejar Jesus pelo que eles consideraram blasfêmia.

ressureição de Lázaro

Lázaro ressuscitado

Mas depois disso muitas coisas aconteceram em quase 3 meses. Foram escolhidos 70 seguidores para saírem pela Judéia e expulsarem demônios e curarem pessoas em nome de Deus.
Também foram para Betânia onde Jesus ressuscitou seu amigo Lázaro, irmão de Marta e Maria.
NA sexta-feira 31 de Março, enquanto Marta servia a mesa para Jesus e seus discípulos, Maria lavou os pés de Jesus com um perfume caro e enxugou os pés com seus cabelos, para o protesto de Judas de Kerioth (Judas Iscariotes).
Mas tudo isso ficou no passado, mesmo recente, agora Pedro observava a aproximação da cidade. Conforme Jesus se aproxima de Jerusalém, ele olha para a cidade e chora por ela (no evento conhecido como em latimFlevit super illam), já prevendo o sofrimento a que passará a cidade
Era 2 de abril quando uma balbúrdia foi ouvida na entrada leste da cidade. Um homem montado num jumento adentrava os muros saudado por um grande grupo de cidadãos que erguiam ramos para felicita-lo e estendiam panos para que ele passasse. Jesus chegou à cidade e, ali, o povo retirou também suas capas e as jogou à sua frente, juntamente com ramos de palmeiras. O povo cantou parte do Salmo 117: “Senhor, dai-nos a salvação; dai-nos a prosperidade, ó Senhor! Bendito seja o que vem em nome do Senhor! Da casa do Senhor nós vos bendizemos.” (Sl 117, 25-26)
Os membros do Sinédrio entraram em pânico. Este homem era saudado como um rei. Este povo tinha visto Jesus ressuscitar Lázaro de Betânia havia poucos dias e estava maravilhado, pois tinha a certeza de que este era o Messias anunciado pelos profetas, mas esse mesmo povo tinha se enganado no tipo de Messias que Cristo era. Pensava que fosse um Messias político, libertador social, que fosse arrancar Israel das garras de Roma e devolver-lhe o apogeu dos tempos de Salomão.
Jesus atravessou a cidade já lotada pela aproximação da Festa da Páscoa, desmontou do jumentinho e adentrou o Templo seguido pelos seus discípulos. Alguns olhavam desconfiados, outros admirados.
Alguns pareciam esperar um milagre ou uma pregação, mas ele limitou-se a visitar o local demoradamente. Essa visita demorou todo o restante do dia. O sol começava a se por num crepúsculo lindo, quando Jesus anunciou a seus discípulos que voltaria a Betânia.
Nada aconteceu, nenhum prodígio e assim eles partiram.

Milton Cesar

IMG_4075

Maquete da cidade de Jerusalém nos tempos de Jesus

Infelizmente, o louvor que o povo derramou sobre Jesus não foi porque o reconheceram como o seu Salvador do pecado. Eles o saudaram devido ao seu desejo por um libertador messiânico, alguém que iria guiá-los a uma revolta contra Roma. Havia muitos que, embora não cressem em Cristo como Salvador, ainda esperavam que talvez Jesus seria para eles um grande libertador temporal. Estes são os que o saudaram como Rei com seus muitos hosanas, reconhecendo-o como o Filho de Davi que veio em nome do Senhor. Mas quando Jesus falhou em atender às suas expectativas, quando se recusou a guiá-los em uma grande revolta contra os ocupantes romanos, as multidões rapidamente se voltaram contra Ele. Dentro de poucos dias, os hosanas se transformariam em gritos de “Crucifica-o!” (Lucas 23, 20-21). Aqueles que o saudaram como um herói em breve iriam rejeitar e abandoná-lo.

images

Maria enxuga os pés de Jesus com seus cabelos

Nota:

Em Marcos e João, a entrada ocorre num domingo, com Mateus e Lucas não especificando a data. Nos evangelhos sinóticos, este episódio é seguido da Segunda limpeza do Templo e, nos quatro evangelhos, Jesus realiza vários milagres e conta diversas parábolas em Jerusalém até o dia da Última ceia.

Os cristãos celebram a entrada de Jesus em Jerusalém no Domingo de Ramos, que ocorre uma semana antes do Domingo de Páscoa.

Salmo 117

“1.Aleluia. Louvai ao Senhor, porque ele é bom; porque eterna é a sua misericórdia. 2.Diga a casa de Israel: Eterna é sua misericórdia. 3.Proclame a casa de Aarão: Eterna é sua misericórdia. 4.E vós, que temeis o Senhor, repeti: Eterna é sua misericórdia. 5.Na tribulação invoquei o Senhor; ouviu-me o Senhor e me livrou. 6.Comigo está o Senhor, nada temo; que mal me poderia ainda fazer um homem? 7.Comigo está o Senhor, meu amparo; verei logo a ruína dos meus inimigos. 8.Mais vale procurar refúgio no Senhor do que confiar no homem. 9.Mais vale procurar refúgio no Senhor do que confiar nos grandes da terra. 10.Ainda que me cercassem todas as nações pagãs, eu as esmagaria em nome do Senhor. 11.Ainda que me assediassem de todos os lados, eu as esmagaria em nome do Senhor. 12.Ainda que me envolvessem como um enxame de abelhas, como um braseiro de espinhos, eu as esmagaria em nome do Senhor. 13.Forçaram-me violentamente para eu cair, mas o Senhor veio em meu auxílio. 14.O Senhor é minha força, minha coragem; ele é meu Salvador. 15.Brados de alegria e de vitória ressoam nas tendas dos justos: 16.a destra do Senhor fez prodígios, levantou-me a destra do Senhor; fez maravilhas a destra do Senhor. 17.Não hei de morrer; viverei para narrar as obras do Senhor. 18.O Senhor castigou-me duramente, mas poupou-me à morte. 19.Abri-me as portas santas, a fim de que eu entre para agradecer ao Senhor. 20.Esta é a porta do Senhor: só os justos por ela podem passar. 21.Graças vos dou porque me ouvistes, e vos fizestes meu Salvador. 22.A pedra rejeitada pelos arquitetos tornou-se a pedra angular. 23.Isto foi obra do Senhor, é um prodígio aos nossos olhos. 24.Este é o dia que o Senhor fez: seja para nós dia de alegria e de felicidade. 25.Senhor, dai-nos a salvação; dai-nos a prosperidade, ó Senhor! 26.Bendito seja o que vem em nome do Senhor! Da casa do Senhor nós vos bendizemos. 27.O Senhor é nosso Deus, ele fez brilhar sobre nós a sua luz. Organizai uma festa com profusão de coroas. E cheguem até os ângulos do altar. 28.Sois o meu Deus, venho agradecer-vos. Venho glorificar-vos, sois o meu Deus. 29.Dai graças ao Senhor porque ele é bom, eterna é sua misericórdia.
Salmos, 117 – Bíblia Católica Online ((118 Em algumas Bíblias por causa da numeração Hebraica))