Dos ramos ao madeiro (Parte I)

Dos ramos ao madeiro 1/5

A decisão de voltar a cidade luz nunca agradou Pedro.

Um clima de desconfiança e um temor tomava conta dele, mesmo tendo seguido o seu mestre por mais de 3 anos. Mesmo tendo visto e vivido prodígios quase inimagináveis. Parecia que a muito eles haviam superado os limites e testado a paciência dos Romanos e do Sinédrio ao máximo. O que aconteceria a seguir?

Muitos seguidores de Cristo o acompanhavam, mas no intimo apenas um pequeno número de 12 homens, mais a mãe do mestre, Maria de Magdala e algumas poucas mulheres se faziam presentes. Mais particularmente ainda eram os 12 seguidores, os 12 discípulos. E Pedro era um dos mais velhos, um dos primeiros e aquele que ganhou o nome de Kefas (Pedra) e a profecia que ele não entendia bem, de que algo seria construído sobre ele.

Eles estavam a quase uma semana em Betânia, quando Jesus pediu que Judas de Kerioth e Bartolomeu fossem a aldeia que estava a frente e buscassem um jumentinho que nunca havia sido montado e este animal estava amarrado próximo a uma estrebaria. Judas perguntou quanto deveria pagar pelo animal, mas Jesus disse que informasse o dono que ele precisava do animal e que o devolveria logo. Então os dois saíram nesta missão.

Pedro, João e Tiago tentaram demover o mestre da ideia de ir para Jerusalém, lembrando que as pessoas queriam matá-lo na cidade. Queriam ficar em Betânia pois faltava apenas 6 dias para a Páscoa (Pessach) e Jerusalém estaria lotada.

Jesus não aceitou a sugestão e preferiu ir para Jerusalém assim mesmo.

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Poucas horas depois chegavam os dois discípulos e o jumentinho e Jesus se colocava a caminho de Jerusalém, acompanhado de seus discípulos, as mulheres e alguns seguidores que ainda estavam impressionados pela ressurreição recente de Lázaro (milagre este realizado por Jesus a menos de uma semana).

Por precaução Pedro colocou a espada na bainha.

Judas foi na frente.

Pedro pensava em como as coisas mudaram desde aquele dia que Jesus pediu que ele é seu irmão jogassem novamente as redes para conseguirem pescar, sendo que até aquele momento eles nada haviam pescado. E como foi surpreendente quando as redes vieram abarrotadas de peixes. Desde aquele convite para acompanhar ele é se tornar pescador de homens.
Parte do medo de Pedro se dava pelo resultado da última visita de Jesus e seus discípulos a cidade sagrada onde a multidão hostilizou o Mestre pois este anunciara ser o filho de Deus ao dizer: “Eu e o Pai somos um só. “
E a sua pregação era de paz. O que muitos esperavam naquele dia da Festa de Hanukà (chamada Festa da Dedicação que rememorava a vitória de Macabeu) era que Jesus convocasse uma insurreição contra os romanos, no tom daquela que o líder zelote Jesus Bar-Abba (Barrabás) convocava antes de ser preso. Como isso não aconteceu muitos queriam apedrejar Jesus pelo que eles consideraram blasfêmia.

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Lázaro ressuscitado

Mas depois disso muitas coisas aconteceram em quase 3 meses. Foram escolhidos 70 seguidores para saírem pela Judéia e expulsarem demônios e curarem pessoas em nome de Deus.
Também foram para Betânia onde Jesus ressuscitou seu amigo Lázaro, irmão de Marta e Maria.
NA sexta-feira 31 de Março, enquanto Marta servia a mesa para Jesus e seus discípulos, Maria lavou os pés de Jesus com um perfume caro e enxugou os pés com seus cabelos, para o protesto de Judas de Kerioth (Judas Iscariotes).
Mas tudo isso ficou no passado, mesmo recente, agora Pedro observava a aproximação da cidade. Conforme Jesus se aproxima de Jerusalém, ele olha para a cidade e chora por ela (no evento conhecido como em latimFlevit super illam), já prevendo o sofrimento a que passará a cidade
Era 2 de abril quando uma balbúrdia foi ouvida na entrada leste da cidade. Um homem montado num jumento adentrava os muros saudado por um grande grupo de cidadãos que erguiam ramos para felicita-lo e estendiam panos para que ele passasse. Jesus chegou à cidade e, ali, o povo retirou também suas capas e as jogou à sua frente, juntamente com ramos de palmeiras. O povo cantou parte do Salmo 117: “Senhor, dai-nos a salvação; dai-nos a prosperidade, ó Senhor! Bendito seja o que vem em nome do Senhor! Da casa do Senhor nós vos bendizemos.” (Sl 117, 25-26)
Os membros do Sinédrio entraram em pânico. Este homem era saudado como um rei. Este povo tinha visto Jesus ressuscitar Lázaro de Betânia havia poucos dias e estava maravilhado, pois tinha a certeza de que este era o Messias anunciado pelos profetas, mas esse mesmo povo tinha se enganado no tipo de Messias que Cristo era. Pensava que fosse um Messias político, libertador social, que fosse arrancar Israel das garras de Roma e devolver-lhe o apogeu dos tempos de Salomão.
Jesus atravessou a cidade já lotada pela aproximação da Festa da Páscoa, desmontou do jumentinho e adentrou o Templo seguido pelos seus discípulos. Alguns olhavam desconfiados, outros admirados.
Alguns pareciam esperar um milagre ou uma pregação, mas ele limitou-se a visitar o local demoradamente. Essa visita demorou todo o restante do dia. O sol começava a se por num crepúsculo lindo, quando Jesus anunciou a seus discípulos que voltaria a Betânia.
Nada aconteceu, nenhum prodígio e assim eles partiram.

Milton Cesar

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Maquete da cidade de Jerusalém nos tempos de Jesus

Infelizmente, o louvor que o povo derramou sobre Jesus não foi porque o reconheceram como o seu Salvador do pecado. Eles o saudaram devido ao seu desejo por um libertador messiânico, alguém que iria guiá-los a uma revolta contra Roma. Havia muitos que, embora não cressem em Cristo como Salvador, ainda esperavam que talvez Jesus seria para eles um grande libertador temporal. Estes são os que o saudaram como Rei com seus muitos hosanas, reconhecendo-o como o Filho de Davi que veio em nome do Senhor. Mas quando Jesus falhou em atender às suas expectativas, quando se recusou a guiá-los em uma grande revolta contra os ocupantes romanos, as multidões rapidamente se voltaram contra Ele. Dentro de poucos dias, os hosanas se transformariam em gritos de “Crucifica-o!” (Lucas 23, 20-21). Aqueles que o saudaram como um herói em breve iriam rejeitar e abandoná-lo.

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Maria enxuga os pés de Jesus com seus cabelos

Nota:

Em Marcos e João, a entrada ocorre num domingo, com Mateus e Lucas não especificando a data. Nos evangelhos sinóticos, este episódio é seguido da Segunda limpeza do Templo e, nos quatro evangelhos, Jesus realiza vários milagres e conta diversas parábolas em Jerusalém até o dia da Última ceia.

Os cristãos celebram a entrada de Jesus em Jerusalém no Domingo de Ramos, que ocorre uma semana antes do Domingo de Páscoa.

Salmo 117

“1.Aleluia. Louvai ao Senhor, porque ele é bom; porque eterna é a sua misericórdia. 2.Diga a casa de Israel: Eterna é sua misericórdia. 3.Proclame a casa de Aarão: Eterna é sua misericórdia. 4.E vós, que temeis o Senhor, repeti: Eterna é sua misericórdia. 5.Na tribulação invoquei o Senhor; ouviu-me o Senhor e me livrou. 6.Comigo está o Senhor, nada temo; que mal me poderia ainda fazer um homem? 7.Comigo está o Senhor, meu amparo; verei logo a ruína dos meus inimigos. 8.Mais vale procurar refúgio no Senhor do que confiar no homem. 9.Mais vale procurar refúgio no Senhor do que confiar nos grandes da terra. 10.Ainda que me cercassem todas as nações pagãs, eu as esmagaria em nome do Senhor. 11.Ainda que me assediassem de todos os lados, eu as esmagaria em nome do Senhor. 12.Ainda que me envolvessem como um enxame de abelhas, como um braseiro de espinhos, eu as esmagaria em nome do Senhor. 13.Forçaram-me violentamente para eu cair, mas o Senhor veio em meu auxílio. 14.O Senhor é minha força, minha coragem; ele é meu Salvador. 15.Brados de alegria e de vitória ressoam nas tendas dos justos: 16.a destra do Senhor fez prodígios, levantou-me a destra do Senhor; fez maravilhas a destra do Senhor. 17.Não hei de morrer; viverei para narrar as obras do Senhor. 18.O Senhor castigou-me duramente, mas poupou-me à morte. 19.Abri-me as portas santas, a fim de que eu entre para agradecer ao Senhor. 20.Esta é a porta do Senhor: só os justos por ela podem passar. 21.Graças vos dou porque me ouvistes, e vos fizestes meu Salvador. 22.A pedra rejeitada pelos arquitetos tornou-se a pedra angular. 23.Isto foi obra do Senhor, é um prodígio aos nossos olhos. 24.Este é o dia que o Senhor fez: seja para nós dia de alegria e de felicidade. 25.Senhor, dai-nos a salvação; dai-nos a prosperidade, ó Senhor! 26.Bendito seja o que vem em nome do Senhor! Da casa do Senhor nós vos bendizemos. 27.O Senhor é nosso Deus, ele fez brilhar sobre nós a sua luz. Organizai uma festa com profusão de coroas. E cheguem até os ângulos do altar. 28.Sois o meu Deus, venho agradecer-vos. Venho glorificar-vos, sois o meu Deus. 29.Dai graças ao Senhor porque ele é bom, eterna é sua misericórdia.
Salmos, 117 – Bíblia Católica Online ((118 Em algumas Bíblias por causa da numeração Hebraica))