Dos ramos ao madeiro – Parte II

Dos ramos ao madeiro – 2/5

Era o segundo dia da semana quando Jesus voltou para Jerusalém, desta vez sem a entrada mais triunfal, os ramos e as saudações como rei. Logo ele e seus discípulos estavam no Templo, e Jesus expulsava os vendedores que faziam comércio às portas da casa de Deus.
Ainda naquele dia ele curou todo tipo de doentes que literalmente o haviam rodeado acreditando em todas as histórias de prodígios realizados por ele que a muito circulavam por toda a Palestina. Viram que tudo era verdade e o número de curas foi tão grande que foi impossível segurar as notícias que ecoaram por toda a Jerusalém e iriam ecoar por toda a Judéia.
Jerusalém estava cheia e a previsão de um maior número de peregrinos para a Páscoa se confirmava.
Foi nesse cenário que um grande séquito romano liderado por Pilatos adentrou a cidade e se dirigiu a Fortaleza Antônia afim de reforçar o contingente da cidade e controlar a população nesta época sempre tensa.
Os zelotes se agitavam desejando a todo custo promover uma rebelião contra Roma. Já não acreditavam que Jesus de Nazaré iria convocar a revolta, mas estavam sem um líder pois Barrabás estava preso já a alguns meses. Restava a esperança de que o plano de Judas Iscariotes fosse dar certo. Mas tudo era uma incógnita.

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Moeda mostrando a face de Tibério no anverso e a Pax no reverso.

Enquanto isso, no decorrer da semana Jesus se manteve nos arredores do Templo, pregando, curando ou sendo questionado pelos sacerdotes do Sinédrio. Foi questionado se o povo deveria pagar tributos a Roma, numa tentativa dos fariseus de colocá-lo contra o Império ou contra o povo dependendo da resposta. E Jesus pegando um denário romano (conhecido como a moeda do tributo) onde estava prensado o rosto do imperador com a inscrição :” Ti[berivs] Caesar Divi Avg[vsti] F[ilivs] Avgvstvs (“César Augusto Tibério, filho do Divino Augusto“). ”  perguntou de quem era a efígie impressa e com resposta do povo de que a face era de César, ele disse: “- De a César o que é de César e a Deus o que é de Deus .  (Mc 12, 13-17), Mt 22, 15-22Lc 20,20-26).


Num desses dias em que pregava em uma praça cercado por um grande grupo, ouviu-se uma confusão de gritos e de repente um mulher foi atirada a seus pés e acusada de adultério. Um dos acusadores era Saduceu e tinha um pequeno grupo com ele, incluindo sacerdotes que evocaram a lei de Moisés para que ela fosse apedrejada pelo pecado cometido. A multidão se agitou, muitos pegaram pedras. Jesus ficou calmo. Olhou para os olhos da mulher. Abaixou-se e escreveu algo no chão. Depois de uns minutos declarou:
“- Aquele dentre vós que não tiverem nenhum pecado, atire a primeira pedra.”
Por minutos que pareceram horas o silêncio imperou no ar. Um a um dos que tinham pegado pedras se retiraram. E Jesus se dirigiu a mulher, dando as mãos para ela e ajudando-a erguer-se disse:
“-Se eles não te condenam eu também não te condenarei. Vai. Mas não peque mais!”
A mulher se foi agradecendo com lágrimas. (Jo 8, 1-11)
E Jesus voltou a pregar até que mais uma noite despontava. E ele pediu a alguns discípulos que fossem até a casa de um já conhecido de todos e dissessem que ele e seus discípulos queriam fazer a ceia de Páscoa naquela casa. E assim começavam os preparativos para a ceia. Pedro sentiu um calafrio que percorreu seu corpo, ele não imaginava o que aconteceria nos próximos 4 dias.

Milton Cesar

Foram muitos os acontecimentos nestes dias em que Jesus, seus discípulos e seus seguidores estavam em Jerusalém,  todos muito significativos como as constantes visitas ao Templo e também as inúmeras curas realizadas. Também foram contadas muitas parábolas. Parecia (e era isso mesmo) que Jesus estava compressa de realizar o máximo possível no tempo que ainda lhe restava aqui na Terra. O momento máximo da sua missão já se prenunciava no horizonte e ele não poderia evitar  Mas ao menos poderia curar e tentar mostrar a todos qual o caminho a seguir. Muitos dos discípulos ainda vacilavam ou não entendiam tudo o que o Mestre ensinava e qual papel eles teriam após a sentença deixada por ele se cumprisse: Derrubarei este templo e o reconstruirei em 3 dias. O que muitos percebiam era como o ambiente da como o ambiente da cidade se tornava hostil, com o Sinédrio tentando provar que Jesus era um herege ou um conspirador contra Roma, também com tantos Zelotes tentando a todo custo usar Jesus como massa de manobra e começarem uma rebelião. Mas em meio a tudo isso o perdão de uma mulher acusada de cometer adultério provou que a partir daquele momento o verdadeiro mandamento seria o do amor, e amor sugere saber perdoar e amar o próximo. Aproximava-Se ainda mais o momento de Jesus se tornar o Cristo.

Milton Cesar

 

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Evangelho segundo São  João, 8, 1-16

1.Dirigiu-se Jesus para o monte das Oliveiras. 2.Ao romper da manhã, voltou ao templo e todo o povo veio a ele. Assentou-se e começou a ensinar. 3.Os escribas e os fariseus trouxeram-lhe uma mulher que fora apanhada em adultério. 4.Puseram-na no meio da multidão e disseram a Jesus: Mestre, agora mesmo esta mulher foi apanhada em adultério. 5.Moisés mandou-nos na lei que apedrejássemos tais mulheres. Que dizes tu a isso? 6.Perguntavam-lhe isso, a fim de pô-lo à prova e poderem acusá-lo. Jesus, porém, se inclinou para a frente e escrevia com o dedo na terra. 7.Como eles insistissem, ergueu-se e disse-lhes: Quem de vós estiver sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra. 8.Inclinando-se novamente, escrevia na terra. 9.A essas palavras, sentindo-se acusados pela sua própria consciência, eles se foram retirando um por um, até o último, a começar pelos mais idosos, de sorte que Jesus ficou sozinho, com a mulher diante dele. 10.Então ele se ergueu e vendo ali apenas a mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão os que te acusavam? Ninguém te condenou? 11.Respondeu ela: Ninguém, Senhor. Disse-lhe então Jesus: Nem eu te condeno. Vai e não tornes a pecar. 12.Falou-lhes outra vez Jesus: Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida. 13.A isso, os fariseus lhe disseram: Tu dás testemunho de ti mesmo; teu testemunho não é digno de fé. 14.Respondeu-lhes Jesus: Embora eu dê testemunho de mim mesmo, o meu testemunho é digno de fé, porque sei de onde vim e para onde vou; mas vós não sabeis de onde venho nem para onde vou. 15.Vós julgais segundo a aparência; eu não julgo ninguém. 16.E, se julgo, o meu julgamento é conforme a verdade, porque não estou sozinho, mas comigo está o Pai que me enviou.”
São João, 8 – Bíblia Católica Online

A César o que é de César é começo de uma frase atribuída a Jesus nos evangelhos sinóticos, onde se lê «Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.» (Mateus 22,21) (em gregoἈπόδοτε οὖν τὰ Καίσαρος Καίσαρι καὶ τὰ τοῦ Θεοῦ τῷ Θεῷ). O episódio aparece em Marcos 12Mateus 22  e Lucas 20. A frase, amplamente citada, se tornou uma espécie de resumo da relação entre o cristianismo e a autoridade secular. Na mensagem original, ela apareceu como resposta a uma questão sobre se seria lícito para um judeu pagar impostos a César e dá margem a múltiplas interpretações sobre em que circunstâncias seria desejável para um cristão se submeter à autoridade terrena.

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A moeda

O texto identifica a moeda como um denário (em gregoδηνάριον – dēnarion) e geralmente se acredita que seria portanto um denário romano com a éfige de Tibério, que passou a ser conhecida como “moeda do tributo” e se tornou, por conta da história do evangelho, um cobiçado item para colecionadores. A inscrição é Ti[berivs] Caesar Divi Avg[vsti] F[ilivs] Avgvstvs (“César Augusto Tibério, filho do Divino Augusto“). O reverso mostra uma figura feminina, geralmente identificada como sendo Lívia, representada como sendo a Pax.

Porém, já se sugeriu que o denário não era comumente encontrado na Judeia durante a vida de Jesus e que a moeda poderia ser, ao invés dele, uma tetradracma antioquiana, que também traz a éfige de Tibério, mas com Augusto no reverso. Outra sugestão comum é o denário de Augusto com Caio César e Lúcio César no reverso, enquanto que outras possibilidades incluem moedas de Júlio CésarMarco Antônio e Germânico.

No episódio do Evangelho Apócrifo de Tomé, a moeda, por sua vez, é de ouro.

Resistência ao pagamento de impostos na Judeia

Os impostos criados na Judeia por Roma criaram inúmeros conflitos. O estudioso do Novo Testamento, Willard Swartley, escreveu: “O imposto referido no texto era um específico… Era um imposto por cabeça instituído em 6 d.C. Um censo realizado na época (vide Lucas 2,2) para determinar quais os recursos dos judeus provocou a revolta por todo o país. Judas da Galileia liderou um grupo (Atos 5,37) que só foi detido com dificuldade. Muitos acadêmicos marcam o início do movimento dos zelotes neste evento”.

Enciclopédia Judaica afirma, sobre os zelotes: “Quando, no ano V,  Judas de Gamala, na Galileia, iniciou a sua oposição organizada contra Roma, ele recebeu o apoio de um dos líderes fariseus, Zadoque, um discípulo de Shammai e um dos mais furiosos patriotas e heróis populares que viveram para testemunhar a destruição de Jerusalém… A realização do censo por Quirino, o procurador romano, com o objetivo de taxar a população, foi considerado como um sinal da escravidão frente aos romanos; e o chamado entusiástico dos zelotes para a resistência renhida foi recebido de forma retumbante”. Em seu julgamento de Jesus por Pôncio Pilatos, Jesus foi acusado de promover a resistência aos impostos demandados por César (Lucas 23,1-4).   Extraído de parte do texto da Wikipedia