Dos ramos ao madeiro – Parte III

Dos Ramos ao madeiro – 3/5

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Não era a primeira vez que Judas de Kerioth (Iscariotes) se encontrava com Anás, sacerdote proeminente no Sinédrio e genro de Caifás o sumo sacerdote. Em todos os outros encontros sempre tiveram a presença de mais 2 ou 3 escribas. Qual não foi sua surpresa ao deparar-se com o próprio Caifás acompanhado de Anás e mais 8 sacerdotes. Finalmente Judas entendeu que não se tratava apenas de antipatia contra o homem que ele chamava de mestre, era algo maior. Teve também certeza de que o plano que traçava em paralelo daria certo e a surpresa seria de Caifás e dos romanos com a revolta que se seguiria a prisão de Jesus.

O sumo sacerdote queria que Judas dissesse onde estava o profeta imediatamente,  mas Judas protelou dizendo que escolheria a melhor hora. Na verdade ele não sabia onde celebrariam a Páscoa por isso achou melhor obter tal informação. O preço desta traição seriam 30 moedas de prata. E após esta conversa rápida , Judas partiu apressadamente deixando os sacerdotes ansiosos.

Pedro e João por sua vez, pediram a casa de uma família de amigos para que pudessem celebrar a páscoa junto com Jesus , os discípulos e a família acolhedora. Esta família tinha uma boa situação financeira e a história iria revelar no futuro um apóstolo, na verdade um evangelista. Mas naqueles dias ainda era uma criança chamada João Marcos.

Pilatos mantinha suas tropas em alerta pois nesta época sempre apareciam pessoas para causar algum tipo de tumulto. Caifás e um pequeno grupo de sacerdotes já tinham ido até sua residência reclamar de um homem, que segundo eles pregava contra Roma. Pilatos não deu muita atenção já que sempre era importunado por este tipo de reclamação.

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Era o mês de Nisã (no hebraico נִיסָן,) vésperas da celebração do Pessach, a Páscoa Judaica (do hebraico פסח, que significa passar por cima ou passar por alto), uma das festividades mais importantes dos judeus, também conhecida como “Festa da Libertação”, que celebra a libertação dos Hebreus da escravidão no Egito em 14 de Nisã no ano aproximado de 1440 a.C , liderados por Moisés. Seria mais uma celebração comum, nenhum dos discípulos tinha ideia de como as coisas mudariam radicalmente, e nunca mais a palavra Páscoa teria o mesmo significado.

A noite começava a despontar quando os discípulos, Maria mãe de Jesus, Maria Madalena e outra Maria, mais Jesus chegaram a casa onde celebrariam o Pessach. Tudo já havia sido preparado de antemão. seria uma bela celebração e nestes 3 últimos anos, seria a primeira celebrada em plena Jerusalém. Havia ansiedade, apreensão, felicidade e medo no ar. Mas ainda assim Jesus iniciou a celebração. Antes de mais nada resolveu lavar os pés de cada um dos apóstolos. Pedro não queria aceitar pois achava desconcertante ver seu mestre fazer um ato de extrema humildade. Mas Jesus explicou o porque fazia aquilo, falando que todos devemos também saber ser humildes. E após isso deu-se inicio a ceia propriamente dita.

Milton Cesar

Poucas horas antecediam o momento da última ceia de Jesus, e existia sim uma certa tensão no ar. Mas em meio a isso, ele manteve-se calmo e ainda deu vários sinais de como o amor ao próximo é o mandamento maior. A humildade de Jesus é evidente e ele tenta passar este ensinamento aos seus discípulos. Dá para perceber como havia dificuldade de entendimento por boa parte deles. Pedro sempre questionava algumas coisas e assim ia “tirando suas dúvidas”, outros ficavam mais quietos, talvez maravilhados pelos prodígios ou receosos de contrariar o mestre. Mas de certo, o que havia era um laço muito forte entre todos, mesmo que quase nenhum estivesse preparado para o que ainda estava por vim.

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“São João, 13, 1-17

1.Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo ao Pai, como amasse os seus que estavam no mundo, até o extremo os amou. 2.Durante a ceia, – quando o demônio já tinha lançado no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de traí-lo -, 3.sabendo Jesus que o Pai tudo lhe dera nas mãos, e que saíra de Deus e para Deus voltava, 4.levantou-se da mesa, depôs as suas vestes e, pegando duma toalha, cingiu-se com ela. 5.Em seguida, deitou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido. 6.Chegou a Simão Pedro. Mas Pedro lhe disse: Senhor, queres lavar-me os pés!… 7.Respondeu-lhe Jesus: O que faço não compreendes agora, mas compreendê-lo-ás em breve. 8.Disse-lhe Pedro: Jamais me lavarás os pés!… Respondeu-lhe Jesus: Se eu não tos lavar, não terás parte comigo. 9.Exclamou então Simão Pedro: Senhor, não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça. 10.Disse-lhe Jesus: Aquele que tomou banho não tem necessidade de lavar-se; está inteiramente puro. Ora, vós estais puros, mas nem todos!… 11.Pois sabia quem o havia de trair; por isso, disse: Nem todos estais puros. 12.Depois de lhes lavar os pés e tomar as suas vestes, sentou-se novamente à mesa e perguntou-lhes: Sabeis o que vos fiz? 13.Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou. 14.Logo, se eu, vosso Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar-vos os pés uns aos outros. 15.Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, assim façais também vós. 16.Em verdade, em verdade vos digo: o servo não é maior do que o seu Senhor, nem o enviado é maior do que aquele que o enviou. 17.Se compreenderdes estas coisas, sereis felizes, sob condição de as praticardes.”
São João, 13 – Bíblia Católica Online

 

 

Pessach 

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Acontece que o Pessach celebrado durante a última ceia ocorreu às vésperas da crucificação e ressurreição de Cristo, então as duas festividades acabaram se interligando. E não é só isso: o ano litúrgico judaico não serve de base apenas para as festividades dos judeus, mas para as dos cristãos também, determinando o dia daquelas celebrações sem data fixa, que variam de acordo com eventos astronômicos.

Mas apesar de a festa cristã ter a sua origem na festa judaica, as duas têm significados diferentes. Assim, enquanto o Pessach marca a libertação do povo judeu no Egito, a Páscoa cristã representa a libertação de todos que estavam separados de Deus devido aos seus pecados, que foram perdoados através da morte e ressurreição de Jesus.

  • A celebração dessa festividade dura entre sete e oito dias, dependendo do país;
  • No início do Pessach, ocorre um jantar cerimonial — chamado Seder — cheio de simbolismos, no qual famílias e amigos se reúnem para comemorar;
  • O prato do Seder consiste em um ovo cozido, osso com carne tostado de cordeiro, hortaliças amargas (como a escarola, por exemplo), vegetais mergulhados em água com sal, salsão e um purê feito de uma mistura de maçã, pera, nozes e vinho;
  • Na véspera do Seder, todos os primogênitos devem fazer jejum para relembrar a salvação de todos os primogênitos israelitas que sobreviveram às pragas do Egito.

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Calendário Judeu

O primeiro mês do calendário judaico é o mês de Nisã (Nisan, Nissan – Março / Abril), quando se celebra a Páscoa. O ano novo judaico, porém, ocorre em Tishrei (Setembro / Outubro).

Diferentemente do Gregoriano, é baseado no movimento lunar, onde a cada lua nova temos um novo mês. Cada ciclo lunar dura aproximadamente 29 dias e 12 horas e os meses judaicos variam entre 29 e 30 dias, como também ocorre no calendário Gregoriano, onde há meses com 28,29,30 e 31 dias.

A duração do ano judaico varia entre 353 e 355 dias, ficando geralmente com 354 dias, ou seja, cerca de onze dias a menos. Para compensar esta diferença, de tempos em tempos é acrescido ao calendário judaico um mês inteiro, representado pelo mês de Adar II, que é um mês embolísmico. É por isso que o calendário judaico tem um mês a mais a cada três anos, que é quando a diferença dos onze dias formam cerca de um mês. É preciso um período de 19 anos para “ajustar” o Ano Lunar e o Ano Solar, para que ambos comecem exatamente ao mesmo tempo, sem defasagem.

Desta forma o calendário judaico está dividido em ciclos de dezenove anos. Em cada período, ou ciclo, há sete anos embolísmicos: o 3º, 6º, 8º, 11º, 14º, 17º e 19º. Assim, torna-se fácil descobrir se um ano judaico qualquer é embolísmico, ou seja, quando haverá 13 meses no ano. Divide-se o ano judaico por 19; se o resto for 3, 6, 8, 11, 14, 17 ou zero, este será um Ano Embolísmico.

Tomemos o ano de 5768, equivalente ao Gregoriano 2008: dividindo-se 5768 / 19, temos um resultado de 303, sobrando um resto de 11. Significa que é o 11º ano do 304º ciclo desde a Criação do mundo, tendo sido 5.768 (2008), portanto, um ano embolísmico, ano com 13 meses.