Dos ramos ao madeiro – Parte V (final)

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Uma caçada iniciava-se naquela noite, com consequências que só seriam percebidas só no futuro. Mas naquele momento vários personagens estavam ansiosos.

Não era costume deixar a casa onde era celebrada o Pessach durante a noite depois da ceia, porém Jesus quebrou esta regra. Judas Iscariotes descobriu isso ao chegar com alguns soldados na intenção de entregar o seu mestre, entrou na casa e se deparou apenas com o local vazio. Saiu e ficou pensando durante um tempo onde eles poderiam estar, e lembrou-se do local de refúgio para a oração deles. Seguiu apressado para lá.

No Jardim do Getsemani , Jesus acordava mais uma vez seus discípulos que não conseguiam orar com ele. Mas ele os despertava dizendo que era chegada a hora de que seria entregue nas mãos dos homens.

Jesus havia decido sair da casa com seus discípulos porque já sabia que seria preso e não queria arriscar também a família. Já se ouvia uma movimentação cada vez mais perto quando ele despertou os discípulos. Pedro se posicionou a frente do grupo.

E de repente eles estavam de frente a um grupo de soldados e guardas do Templo, mas o que chamou atenção dos discípulos foi a presença de Judas no meio deles. Então Jesus perguntou saindo do meio dos discípulos :

“- Quem vocês procuram ?” – “A Jesus, o nazareno.” – eles responderam.

“-Sou eu!” – respondeu Jesus. Os soldados se afastaram um pouco, como que se tivessem sofrido um susto. O que era compreensível visto que Jesus era conhecido por seus prodígios. A pergunta foi feita novamente e as mesmas respostas e reações se repetiram. Então Judas aproximou-se de Jesus e deu-lhe um beijo no rosto. Este era o sinal para que os guardas tivessem certeza de que aquele era Jesus. Imediatamente eles agarraram ele. Pedro desferiu um golpe de espada e decepou a orelha de um dos guardas. Então os soldados sacaram suas espadas prontos para matarem Pedro. E Jesus interferiu usando uma autoridade que sempre utilizava, impedindo Pedro de continuar atacando e os soldados de revidarem. Abaixou-se pegou a orelha decepada do Guarda e colocou no lugar, curando imediatamente o ferimento. Este guarda chamava-se Malco e não conseguiu se mover depois disso. Estava em choque, como aquele homem que o Sinédrio queria matar poderia tê-lo curado?

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Jesus foi levado preso. Judas fugiu. Muitos dos discípulos com medo se refugiaram em uma casa nos arredores de Jerusalém. Pedro resolveu ir acompanhar o desenrolar dos fatos. E durante este tempo Pedro fez exatamente o que o Mestre havia predito. Ele negou que conhecia Jesus três vezes, e na última o galo cantou. Eram por volta de 5  da manhã.

O sol rasgava o véu noturno. A cidade despertava sem saber que na casa de Caifás reuniu-se o Conselho restrito, composto de vinte e três pessoas, entre estas estavam sacerdotes e anciãos. Em geral quando o grande Conselho se reunia convidavam-se também representantes dos Fariseus,  mas daquela feita os juízes eram todos Saduceus. Na época romana o poder do Sinédrio estava somente nas mãos dos saduceus . Por volta de meio-dia Jesus já tinha sido interrogado, torturado e chicoteado. Mais uma vez se encontrava em frente a Pilatos e o povo gritava por Barrabas escolhendo a crucificação de Jesus .

O julgamento efetivo já tinha acontecido durante a madrugada, contrariando a própria lei judaica que proibia alguém de ser julgado durante a noite.

Mas com a assinatura de Pilatos , Jesus foi condenado a morte. E saia pelas ruas estreitas de Jerusalém carregando o patibulum da Cruz. Ao chegar ao Golgota foi pregado na cruz e crucificado em meio a 2 ladrões. Às 15h ele morreu . Por volta de 17h seu corpo foi retirado da Cruz por um sacerdote chamado Nicodemo e sepultado em um túmulo novo cedido pelo também sacerdote José de Arimateia.

Depois de 3 dias tudo seria diferente . O mundo todo mudaria quando Maria a mãe de Jesus , Maria de Magdala e a outra Maria se deparassem com a sepultura vazia.

Milton Cesar 

 

Sexta-feira Santa ou simplesmente a Paixão e Morte de Jesus. Somos levamos a contemplar e vivenciar o mistério da iniquidade humana na pessoa de Cristo sim, mas – e sobretudo – o mistério do Seu triunfo definitivo.

O rito da apresentação e adoração da cruz vem como consequência lógica da proclamação da Paixão de Cristo. A Igreja ergue, diante dos fiéis, o sinal do triunfo do Senhor, que havia dito: “Quando vocês levantarem o Filho do Homem, saberão que Eu sou” (Jo 8,28).

Enquanto apresenta a cruz, o celebrante canta por três vezes: “Eis o lenho da cruz, do qual pendeu a salvação do mundo”. A assembleia, cada vez, responde: “Vinde, adoremos!”. Durante a procissão da adoração, entoam-se cânticos apropriados.

Jesus morre no momento em que, no Templo, se imolam os cordeiros destinados à celebração da Páscoa. A Sua imolação é “real”, um sacrifício realizado de uma vez por todas, porque a vítima espiritual tornou inúteis as vítimas materiais.

Outros pormenores completam o quadro: de Jesus não são quebradas as pernas, em conformidade com as prescrições rituais (Ex 12,46); do Seu lado transpassado, jorra o sangue, com o qual são misteriosamente assinalados os que pertencem ao novo povo, aqueles que Deus salva (cf. Ex 12,7.13). Cristo crucificado é, pois, o “verdadeiro Cordeiro pascal”: Ele é a “nossa Páscoa” imolada (cf. 1Cor 5,7).

Os profetas, especialmente o Segundo Isaías (1ª leitura), descrevem o Servo do Senhor no momento em que realiza Sua missão de libertar o povo dos pecados e torná-lo agradável a Deus, como um cordeiro inocente, carregado dos delitos do seu povo, e que, em silêncio, se deixa conduzir ao matadouro. E é de sua morte, aceita livremente, que provém a justificação “para todos”.

O dramático diálogo com Pilatos mostra Jesus silencioso, enquanto a autoridade, neste momento a serviço do pecado do mundo que cega o povo, decide Sua morte e O condena.

Não seria completa a compreensão do mistério de Jesus se não contemplássemos também – como o Apocalipse de João – o Cordeiro glorioso, que está diante de Deus com os sinais das Suas chagas, dominador do mundo e da história (Ap 5,6ss); o Cordeiro que se imolou por amor da Igreja e para o qual ela tende cheia de amor. Na cruz se iniciaram as núpcias do Cordeiro, que terão sua realização plena na festa do céu (cf. Ap 19,7-9).

Neste dia, “em que Cristo, nossa Páscoa foi imolado” (1Cor 5,7), torna-se clara realidade o que desde há muito havia sido prenunciado em figura e mistério: a ovelha verdadeira substitui a ovelha figurativa, e mediante um único sacrifício realiza-se plenamente o que a variedade das antigas vítimas significava.

Com efeito, a obra da redenção dos homens e perfeita glorificação de Deus, prefigurada pelas Suas obras grandiosas no povo da Antiga Aliança, realizou-a Cristo Senhor, principalmente pelo mistério pascal da Sua bem-aventurada Paixão, Ressurreição dentre os mortos e gloriosa Ascensão, mistério este pelo qual, morrendo, destruiu a nossa morte, e ressuscitando, restaurou a nossa vida. Foi do lado de Cristo adormecido na cruz que nasceu o admirável Sacramento de toda a Igreja.

A celebração da “Paixão do Senhor” focaliza o significado original do sofrimento de Jesus que culmina em Sua morte na Cruz. Trata-se do amor em plenitude que é assumido na cruz. Mas, é importante ressaltar que, antes de assumir a cruz de madeira, Jesus assumiu outras grandes e difíceis cruzes.

Podemos ver neste mesmo dia muitas outras “cruzes” levadas por Nosso Senhor: uma é a “cruz” da traição de Judas e outra a da negação de Pedro. Há a “cruz” da condenação por parte de Pilatos e por parte do povo. E outras “cruzes” são a minha e a sua, meu irmão.

Portanto, celebrar a morte de Jesus na Cruz nos faz pensar nas muitas “cruzes” que, ainda hoje, colocamos sobre os Seus ombros através da injustiça, do egoísmo, da falta de ternura, da impiedade, da violência, dos vícios e assim por diante.

Faz-nos pensar também sobre as muitas “cruzes” que os filhos colocam sobre os ombros de seus pais; as “cruzes” que os pais colocam sobre os ombros frágeis de seus filhos; as “cruzes” que os esposos colocam-se mutuamente sobre os ombros um do outro e sobre seus próprios ombros; as “cruzes” que todos colocamos sobre os ombros da comunidade, da Igreja, da sociedade etc.

No entanto, não nos esqueçamos do mais importante: a Cruz de Cristo nos leva à glória da Ressurreição para a Vida Eterna.

Padre Bantu Mendonça (Canção Nova )

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