31º Encontro (Catequese) – Pai, Filho e Espírito Santo

Série: Animo, uma nova Catequese (Encontro 31/40)

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Sugestão de folha para encontro

Pai, Filho e Espírito Santo

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A Catequese é uma vivência na fé por ser, na minha visão, uma das maneiras de se conhecer mais a fundo a igreja e como subsequência conhecer a Jesus Cristo. Ter fé é acima de tudo algo maravilhoso pois parte do princípio de se acreditar sem ter visto. Mas a igreja católica tem um porém, ela proporciona uma oportunidade de se ter fé vivendo uma experiência real, seja pessoal,  histórica ou analítica  (baseada no testemunho de mais de 2000 anos de história). A catequese é um dos principais lugares para se aprender, sanar dúvidas e começar a viver cada vez mais a fé. Onde cada catequista é também testemunha de como é maravilhoso conhecer Jesus e a igreja.

 

Neste trigésimo primeiro encontro o assunto é um dos grandes mistérios da fé: Deus é Pai, Filho e Espírito Santo ao mesmo tempo: Uno e Trino.

Para o ambiente seria interessante um ícone da Santíssima Trindade

Como sugestão sugiro fazermos um Pai Nosso e uma Ave Maria.

Como música sugerida Teu nome é lindo – Mensagem Brasil.

Este é um bom encontro  (caso não tenha sido feito ainda) para se ensinar como se faz o Sinal da Cruz (Pelo sinal, da Santa Cruz, Livrai-nos Deus, nosso Senhor, dos nossos inimigos…)

Falar sobre o tema :

Deus é Pai o criador, aquele que deu vida ao mundo e soprou a vida

Jesus é o Filho, a parte totalmente humana do criador. O filho unigênito que veio para morrer por nossos pecados e ressuscitou.

O Espírito Santo é o fogo abrasador que está em todos os lugares, desde o Pentecostes. O Espírito Santo é aquele que conduz o homem à verdade, que é Jesus Cristo

Um mistério da fé, onde Deus é trino, ou seja três.

Dinâmica do Cego

Esta é uma dinâmica divertida mas com um sentido reflexivo.

Será necessário 5 vendas e 10 participantes.

Venda-se 5 dos participantes.

Forma-se 5 pares, sempre 1 vendado (que será o cego) e 1 sem venda o guia.

Desenvolvimento

Marca-se um local na sala para ser o ponto de chegada. Coloca-se as 5 duplas o mais distante do ponto mas separadas. O guia (sem tocar no cego) tem que orientar apenas pela fala o amigo até o chegar ao ponto. Tem 5 minutos para isso.

Reflexão

A fé é acreditar que alguém especial pode se importar tanto conosco e ter o cuidado para zelar do nosso caminho

Canto final Humano amor de Deus – Adriana e Pe. Fábio de Melo serve também como parte da oração e para fechar Vinde Espírito Santo

Aprofundamento para o catequista

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Santíssima Trindade, pintura de Claudio Pastro em Itaici – SP

Tratar de um assunto tão complexo como o fato de Deus ser Trino: Pai, Filho e Espírito Santo é extremamente difícil. Primeiro por ser um dogma de fé, ou seja, é uma base da igreja, mas que sem o componente da nossa fé, não tem um verdadeiro sentido.

Poderia resumir ( mas não é simples assim) falando que:

Quando Deus Pai criou o mundo ele fez tudo, desde o céu,  a terra e as águas e como uma obra fez o homem, soprando a vida nas narinas do barro que moldou. Desde então ele viu o homem (e a mulher é claro) vivendo do livre arbítrio dado por Ele mesmo. Mas a sensação de pisar sobre a terra, de sentir as dores e tudo o mais o Pai onipotente não havia  tido. Então Deus, querendo saber o que era realmente a criação mais perfeita dele resolveu enviar seu Filho único, parte dele mesmo e não apenas uma criação do barro ,ou seja o próprio Deus se fez homem para viver entre nós e assim remir nossos pecados. Mas Deus também é onipresente e está onipresença é o Espírito Santo  (está em todos os lugares), mas não é só estar em todos os lugares é também impulsionar e sentir a graça de estar em Deus. A grosso modo seria isso.

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O ícone de Rublev apresenta a cena com os três anjos, semelhantes na aparência, sentados a uma mesa. A casa de Abraão aparece ao fundo, bem como um carvalho atrás dos três convidados. Embora o ícone pinte esta cena do Antigo Testamento, Rublev usou o episódio bíblico para fazer uma representação visual da Trindade que se encaixa nas estritas diretrizes da Igreja Ortodoxa Russa.

O simbolismo da imagem é complexo e procura resumir a doutrina teológica da Igreja sobre a Santíssima Trindade. Primeiro: os três anjos são idênticos em aparência, correspondendo à fé na unicidade de Deus em três Pessoas. No entanto, cada anjo veste uma roupa diferente, trazendo à mente que cada pessoa da Trindade é distinta. O fato de Rublev recorrer aos anjos para retratar a Trindade é também um lembrete da natureza de Deus, que é espírito puro.
Os anjos são mostrados da esquerda para a direita na ordem em que professamos nossa fé no Credo: Pai, Filho e Espírito Santo. O primeiro anjo veste azul, simbolizando a natureza divina de Deus, e uma sobre peça púrpura, indicando a realeza do Pai.
O segundo anjo é o mais familiar, vestindo trajes tipicamente usados por Jesus na iconografia tradicional. A cor carmesim simboliza a humanidade de Cristo, enquanto o azul é indicativo da sua divindade. O carvalho atrás do anjo nos lembra a árvore da vida, no Jardim do Éden, bem como a cruz sobre a qual o Cristo salvou o mundo do pecado de Adão.
O terceiro anjo veste o azul da divindade e uma sobrepeça verde, cor que aponta para a terra e para a missão da renovação do Espírito Santo. O verde é também a cor litúrgica usada em Pentecostes na tradição ortodoxa e bizantina. Os dois anjos à direita do ícone têm a cabeça ligeiramente inclinada em direção ao outro, ilustrando que o Filho e o Espírito procedem do Pai.
No centro do ícone há uma mesa que se assemelha a um altar. Colocado sobre a mesa, um cálice dourado contém o bezerro que Abraão preparara para seus hóspedes; o anjo central parece estar abençoando a refeição. A combinação dos elementos nos lembra o sacramento da Eucaristia.
Embora não seja a representação mais direta da Santíssima Trindade, é uma das mais profundas jamais produzidas. Permanece nas tradições ortodoxas e bizantinas a principal maneira de representar o Deus Uno e Trino. Este ícone, de fato, é tido em alta estima também na Igreja Católica Romana e é frequentemente usado por catequistas para ensinar sobre o mistério da Trindade.
E a Trindade é, em suma, um mistério – e sempre o será nesta terra. Às vezes, porém, nos são concedidos vislumbres da vida divina, e o ícone de Rublev nos permite espreitar brevemente por trás do véu. (Aletéia.org)

 

Certa vez, Santo Agostinho estava caminhando às margens do mar e viu um menino, que havia feito um buraco na areia. Com um balde pegava a água do mar e colocava dentro desse buraco. Santo Agostinho, observando-o, comenta: você nunca conseguirá colocar toda a água do mar dentro desse buraco. O menino, então, respondeu: é mais fácil colocar toda a água do mar dentro desse buraco do que entender o mistério da Trinidade. Santo Agostinho (†430) dizia que: “O Espírito Santo procede do Pai enquanto fonte primeira e, pela doação eterna deste último ao Filho, do Pai e do Filho em comunhão” (A Trindade, 15,26,47).

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O Professor Felipe Aquino fala sobre a Santíssima Trindade :

Só existe um Deus, mas n’Ele há três Pessoas divinas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo. Não pode haver mais que um Deus, pois este é absoluto. Se houvesse dois deuses, um deles seria menor que o outro, e Deus não pode ser menor que outro, pois não seria Deus.

A Trindade é Una. “Não professamos três deuses, mas um só Deus em três Pessoas: “A Trindade consubstancial” (II Conc. Constantinopla, DS 421). “O Pai é aquilo que é o Filho, o Filho é aquilo que é o Pai, o Espírito Santo é aquilo que são o Pai e o Filho, isto é, um só Deus por natureza” (XI Conc. Toledo, em 675, DS 530). “Cada uma das três pessoas é esta realidade, isto é, a substância, a essência ou a natureza divina” (IV Conc. Latrão, em 1215, DS 804).

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A Profissão de Fé do Papa Dâmaso diz: “Deus é único, mas não solitário” (Fides Damasi, DS 71). “Pai”, “Filho”, “Espírito Santo” não são simplesmente nomes que designam modalidades do ser divino, pois são realmente distintos entre si: “Aquele que é Pai não é o Filho, e aquele que é o Filho não é o Pai, nem o Espírito Santo é aquele que é o Pai ou o Filho” (XI Conc. Toledo, em 675, DS 530). São distintos entre si por suas relações de origem: “É o Pai que gera, o Filho que é gerado, o Espírito Santo que procede” (IV Conc. Latrão, e, 1215, DS 804).

A Igreja ensina que as Pessoas divinas são relativas umas às outras. Por não dividir a unidade divina, a distinção real das Pessoas entre si reside unicamente nas relações que as referem umas às outras:
“Nos nomes relativos das Pessoas, o Pai é referido ao Filho, o Filho ao Pai, o Espírito Santo aos dois; quando se fala destas três Pessoas, considerando as relações, crê-se todavia em uma só natureza ou substância” (XI Concilio de Toledo, DS 675). “Tudo é uno [n’Eles] lá onde não se encontra a oposição de relação” (Concilio de Florença, em 1442, DS 1330). “Por causa desta unidade, o Pai está todo inteiro no Filho, todo inteiro no Espírito Santo; o Filho está todo inteiro no Pai, todo inteiro no Espírito Santo; o Espírito Santo, todo inteiro no Pai, todo inteiro no Filho” (Concilio Florença, em 1442, DS 1331).

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Aos Catecúmenos de Constantinopla, S. Gregório Nazianzeno (330-379), “o Teólogo”, explicava:

“Antes de todas as coisas, conservai-me este bem depósito, pelo qual vivo e combato, com o qual quero morrer, que me faz suportar todos os males e desprezar todos os prazeres: refiro-me à profissão de fé no Pai e no Filho e no Espírito Santo. Eu vo-la confio hoje. É por ela que daqui a pouco vou mergulhar-vos na água e vos tirar dela. Eu vo-la dou como companheira e dona de toda a vossa vida. Dou-vos uma só Divindade e Poder, que existe Una nos Três, e que contém os Três de maneira distinta. Divindade sem diferença de substância ou de natureza, sem grau superior que eleve ou grau inferior que rebaixe […]. A infinita conaturalidade é de três infinitos. Cada um considerado em si mesmo é Deus todo inteiro […]. Deus os Três considerados juntos. Nem comecei a pensar na Unidade, e a Trindade me banha em Seu esplendor. Nem comecei a pensar na Trindade, e a unidade toma conta de mim (Or. 40,41).

O primeiro Catecismo, chamado “Didaqué”, do ano 90 dizia:
“No que diz respeito ao Batismo, batizai em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo em água corrente. Se não houver água corrente, batizai em outra água; se não puder batizar em água fria, façais com água quente. Na falta de uma ou outra, derramai três vezes água sobre a cabeça, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Didaqué 7,1-3).

São Clemente de Roma, Papa no ano 96, ensinava: “Um Deus, um Cristo, um Espírito de graça” (Carta aos Coríntios 46,6). “Como Deus vive, assim vive o Senhor e o Espírito Santo” (Carta aos Coríntios 58,2).

Santo Inácio, bispo de Antioquia (†107), mártir em Roma, afirmava: “Vós sois as pedras do templo do Pai, elevado para o alto pelo guindaste de Jesus Cristo, que é a sua cruz, com o Espírito Santo como corda” (Carta aos Efésios 9,1).

“Procurai manter-vos firmes nos ensinamentos do Senhor e dos Apóstolos, para que prospere tudo o que fizerdes na carne e no espírito, na fé e no amor, no Filho, no Pai e no Espírito, no princípio e no fim, unidos ao vosso digníssimo bispo e à preciosa coroa espiritual formada pelos vossos presbíteros e diáconos segundo Deus. Sejam submissos ao bispo e também uns aos outros, assim como Jesus Cristo se submeteu, na carne, ao Pai, e os apóstolos se submeteram a Cristo, ao Pai e ao Espírito, a fim de que haja união, tanto física como espiritual” (Carta aos Magnésios 13,1-2).

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São Justino, mártir no ano 151, escreveu essas palavras ao imperador romano Antonino Pio: “Os que são batizados por nós são levados para um lugar onde haja água e são regenerados da mesma forma como nós o fomos. É em nome do Pai de todos e Senhor Deus, e de Nosso Senhor Jesus Cristo, e do Espírito Santo que recebem a loção na água. Este rito foi-nos entregue pelos apóstolos” (I Apologia 61).

São Policarpo de Esmirna, que foi discípulo de S. João evangelista, mártir no ano 156, declarou: “Eu te louvo, Deus da Verdade, te bendigo, te glorifico por teu Filho Jesus Cristo, nosso eterno e Sumo Sacerdote no céu; por Ele, com Ele e o Espírito Santo, glória seja dada a ti, agora e nos séculos futuros! Amém” (Martírio de Policarpo 14,1-3).

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Teófilo de Antioquia, ano 181, confirmou: “Igualmente os três dias que precedem a criação dos luzeiros são símbolo da Trindade: de Deus [=Pai], de seu Verbo [=Filho] e de sua Sabedoria [=Espírito Santo]” (Segundo Livro a Autólico 15,3).

S. Irineu de Lião, ano 189, afirmou: “Com efeito, a Igreja espalhada pelo mundo inteiro até os confins da terra recebeu dos apóstolos e seus discípulos a fé em um só Deus, Pai onipotente, que fez o céu e a terra, o mar e tudo quanto nele existe; em um só Jesus Cristo, Filho de Deus, encarnado para nossa salvação; e no Espírito Santo que, pelos profetas, anunciou a economia de Deus […]” (Contra as Heresias I,10,1).

“Já temos mostrado que o Verbo, isto é, o Filho esteve sempre com o Pai. Mas também a Sabedoria, o Espírito estava igualmente junto d’Ele antes de toda a criação” (Contra as Heresias IV,20,4).

Tertuliano, escritor romano cristão, no ano 210: “Foi estabelecida a lei de batizar e prescrita a fórmula: ‘Ide, ensinai os povos batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo’” (Do Batismo 13).

E o Concílio de Nicéia, ano 325, confirmou toda essa verdade:

“Cremos […] em um só Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, nascido do Pai como Unigênito, isto é, da substância do Pai, Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não feito, consubstancial com o Pai, por quem foi feito tudo que há no céu e na terra. […] Cremos no Espírito Santo, Senhor e fonte de vida, que procede do Pai, com o Pai e o Filho é adorado e glorificado, o qual falou pelos Profetas” (Credo de Nicéia).” Formação Canção Nova

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Ler:

Ouça as músicas sugeridas:

  1. Teu nome é lindo – Mensagem Brasil
  2. Humano amor de Deus – Adriana e Pe. Fábio de Melo