Celebrações da Semana Santa (2019)

Catequese, Vivência na Fé

Prof. Felipe Aquino

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Domingo de Ramos

O Domingo de Ramos dá início à Semana Santa e lembra a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, aclamado pelos judeus. A Igreja recorda os louvores da multidão cobrindo os caminhos para a passagem de Jesus, com ramos e matos proclamando: “Hosana ao Filho de David. Bendito o que vem em nome do Senhor”. (Lc 19, 38Mt 21, 9). Com esse gesto, portando ramos durante a procissão, os cristãos de hoje manifestam sua fé em Jesus como Rei e Senhor. 

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Tríduo Pascal 

Começa na Quinta-feira Santa. São três dias santos em que a Igreja faz memória da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo.

Quinta-feira Santa

Celebramos a Instituição do Sacramento da Eucaristia. Jesus, desejoso de deixar aos homens um sinal da sua presença antes de morrer, instituiu a eucaristia. Na Quinta-feira Santa, destacamos dois grandes acontecimentos:

Bênção dos Santos Óleos

Não se sabe com precisão, como e quando teve início a bênção conjunta dos três óleos litúrgicos. Fora de Roma, esta bênção acontecia em outros dias, como no Domingo de Ramos ou no Sábado de Aleluia. O motivo de se fixar tal celebração na Quinta-feira Santa deve-se ao fato de ser este último dia em que se celebra a missa antes da Vigília Pascal.

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Missa dos Santos Óleos: acontece na manhã da Quinta-feira Santa. O óleo de oliva misturado com perfume (bálsamo) é consagrado pelo Bispo para ser usado nas celebrações do Batismo, Crisma, Unção dos Enfermos e Ordenação. São abençoados os seguintes óleos:         

Óleo do Crisma – Uma mistura de óleo e bálsamo, significando plenitude do Espírito Santo, revelando que o cristão deve irradiar “o bom perfume de Cristo”. É usado no sacramento da Confirmação (Crisma) quando o cristão é confirmado na graça e no dom do Espírito Santo, para viver como adulto na fé. Este óleo é usado também no sacramento do sacerdócio, para ungir os “escolhidos” que irão trabalhar no anúncio da Palavra de Deus, conduzindo o povo e santificando-o no ministério dos sacramentos. A cor que representa esse óleo é o branco ouro.

Óleo dos Catecúmenos – Catecúmenos são os que se preparam para receber o Batismo, sejam adultos ou crianças, antes do rito da água. Este óleo significa a libertação do mal, a força de Deus que penetra no catecúmeno, o liberta e prepara para o nascimento pela água e pelo Espírito. Sua cor é vermelha.

Óleo dos Enfermos – É usado no sacramento dos enfermos, conhecido erroneamente como “extrema-unção”. Este óleo significa a força do Espírito de Deus para a provação da doença, para o fortalecimento da pessoa para enfrentar a dor e, inclusive a morte, se for vontade de Deus. Sua cor é roxa. 

Instituição da Eucaristia e Cerimônia do Lava-pés

 

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Com a Missa da Ceia do Senhor, celebrada na tarde de quinta-feira, a Igreja dá início ao chamado Tríduo Pascal e comemora a Última Ceia, na qual Jesus Cristo, na noite em que vai ser entregue, ofereceu a Deus-Pai o seu Corpo e Sangue sob as espécies do Pão e do Vinho, e os entregou para os Apóstolos para que os tomassem, mandando-lhes também oferecer aos seus sucessores.

Nesta missa faz-se, portanto, a memória da instituição da Eucaristia e do Sacerdócio. Durante a missa ocorre a cerimônia do Lava-Pés que lembra o gesto de Jesus na Última Ceia, quando lavou os pés dos seus apóstolos.

 Missa de Lava pés: acontece na Quinta-feira Santa à noite. O gesto de Cristo em lavar os pés dos apóstolos deve despertar a humildade, mansidão e respeito com os outros. Neste dia, faz-se memória à Última Ceia, quando Jesus instituiu a Eucaristia. Ainda na quinta-feira, o altar é despido para tirar da igreja todas as manifestações de alegria e de festa, como manifestação de um grande e respeitoso silêncio pela Paixão e Morte de Jesus.

O sermão desta missa é conhecido como sermão do Mandato ou do Novo Mandamento e fala sobre a caridade ensinada e recomendada por Jesus Cristo. No final da Missa, faz-se a chamada Procissão do Translado do Santíssimo Sacramento ao altar-mor da igreja para uma capela, onde se tem o costume de fazer a adoração do Santíssimo durante toda à noite.

Sexta-feira Santa

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Celebra-se a paixão e morte de Jesus Cristo. O silêncio, o jejum e a oração devem marcar este dia que, ao contrário do que muitos pensam, não deve ser vivido em clima de luto, mas de profundo respeito diante da morte do Senhor que, morrendo, foi vitorioso e trouxe a salvação para todos, ressurgindo para a vida eterna. Às 15 horas, horário em que Jesus foi morto, é celebrada a principal cerimônia do dia: a Paixão do Senhor. Ela consta de três partes: liturgia da Palavra, adoração da cruz e comunhão eucarística. Depois deste momento não há mais comunhão eucarística até que seja realizada a celebração da Páscoa, no Sábado Santo.

Jejum e abstinência de carne vermelha: realizados na Sexta-feira Santa, constituem uma forma de participar do sofrimento de Jesus. É um dia alitúrgico na Igreja, com a celebração da adoração da Cruz. Impera o silêncio e clima de oração, fazendo memória à paixão e morte do Senhor.

 Ofício das Trevas

Trata-se de um conjunto de leituras, lamentações, salmos e preces penitenciais. O nome surgiu por causa da forma que se utilizava antigamente para celebrar o ritual. A igreja fica às escuras tendo somente um candelabro triangular, com velas acesas que se apagam aos poucos durante a cerimônia.

Sermão das Sete Palavras

Lembra as últimas palavras de Jesus, no Calvário, antes de sua morte. As sete palavras de Jesus são: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem…”, “Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso”, “Mulher, eis aí o teu filho… Eis aí a tua Mãe”, “Tenho Sede!”, “Eli, Eli, lema sabachtani? – Meus Deus, meus Deus, por que me abandonastes?”, “Tudo está consumado!”, “Pai, em tuas mãos entrego o meu Espírito!”. Neste dia, não se celebra a Santa Missa.

Por volta das 15 horas celebra-se nas igrejas católicas a Solene Ação Litúrgica comemorativa da Paixão e Morte de Jesus Cristo. À noite as paróquias fazem encenações da Paixão de Jesus Cristo com o Sermão do Descendimento da Cruz e em seguida a Procissão do Enterro, levando o esquife com a imagem do Senhor morto.         

Sábado Santo (Aleluia)

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No Sábado Santo ou Sábado de Aleluia, a principal celebração é a “Vigília Pascal”.

Vigília Pascal

Inicia-se na noite do Sábado Santo em memória da noite santa da ressurreição gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo. É a chamada “A mãe de todas as santas vigílias”, porque a Igreja mantém-se de vigília à espera da vitória do Senhor sobre a morte. Cinco elementos compõem a liturgia da Vigília Pascal: a benção do fogo novo e do círio pascal; a proclamação da Páscoa, que é um canto de júbilo anunciando a Ressurreição do Senhor; a liturgia da Palavra, que é uma série de leituras sobre a história da Salvação; a renovação das promessas do Batismo e, por fim, a liturgia Eucarística.

Domingo de Páscoa

A palavra páscoa vem do hebreu Peseach e significa “passagem”. Era vivamente comemorada pelos judeus do antigo testamento.

A Páscoa que eles comemoram é a passagem do mar Vermelho, que ocorreu muitos anos antes de Cristo, quando Moisés conduziu o povo hebreu para fora do Egito, onde era escravo. Chegando às margens do Mar Vermelho, os judeus, perseguidos pelos exércitos do faraó teriam de atravessá-lo às pressas. Guiado por Deus, Moisés levantou seu bastão e as ondas se abriram, formando duas paredes de água, que ladeavam um corredor enxuto, por onde o povo passou. Jesus também festejava a Páscoa. Foi o que Ele fez ao cear com seus discípulos.

 

 

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Condenado à morte na cruz e sepultado, ressuscitou três dias após, num domingo, logo depois da Páscoa judaica. A ressurreição de Jesus Cristo é o ponto central e mais importante da fé cristã. Através da sua ressurreição, Jesus prova que a morte não é o fim e que Ele é, verdadeiramente, o Filho de Deus. O temor dos discípulos em razão da morte de Jesus na Sexta-Feira transforma-se em esperança e júbilo. É a partir deste momento que eles adquirem força para continuar anunciando a mensagem do Senhor. São celebradas missas festivas durante todo o domingo.

A data da Páscoa 

A fixação das festas móveis decorre do cálculo que estabelece o Domingo da Páscoa de cada ano, assim: A Páscoa deve ser celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia que segue o Equinócio da Primavera, no Hemisfério Norte (21 de março). Se esse dia ocorrer depois do dia 21 de abril, a Páscoa será celebrada no domingo anterior. Se, porém, a lua cheia acontecer no dia 21 de março, sendo domingo, será celebrada de 25 de abril. A Páscoa não acontecerá nem antes de 22 de março, nem depois de 25 de abril. Conhecendo-se a data da Páscoa, conheceremos a das outras festas móveis. 

Cordeiro

O cordeiro que os israelitas sacrificavam no templo no primeiro dia da páscoa como memorial da libertação do Egito, na qual o sangue do cordeiro foi o sinal que livrou os seus primogênitos. Este cordeiro era degolado no templo.

Os sacerdotes derramavam seu sangue junto ao altar e a carne era comida na ceia pascal. Aquele cordeiro prefigurava a Cristo, ao qual Paulo chama “nossa páscoa” (I Cor 5, 7).

João Batista, quando está junto ao rio Jordão em companhia de alguns discípulos e vê Jesus passando, aponta-o em dois dias consecutivos dizendo: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jó 1, 29 e 36).Isaías o tinha visto também como cordeiro sacrificado por nossos pecados (Cf. Is 53, 7-12).

Também o Apocalipse apresenta Cristo como cordeiro sacrificado, agora vivo e glorioso no céu. (Cf. Ap 5,6.12; 13, 8).

Ovo

O costume e tradição dos ovos estão associados com a Páscoa há séculos. Símbolo da fertilidade e nova vida. A existência da vida está intimamente ligada ao ovo, que simboliza o nascimento. O sepulcro de Jesus ocultava uma vida nova que irrompeu na noite pascal. Ofertar ovos significa desejar que a vida se renove em nós.

Coelho

Por serem animais capazes de gerar grandes ninhadas e reproduzirem-se várias vezes ao ano, sua imagem simboliza a capacidade da Igreja de produzir novos discípulos de Jesus, Filho de Deus. 

Pão e vinho

Na ceia do senhor, Jesus escolheu o pão e o vinho para dar vazão ao seu amor. Representando o seu corpo e sangue, eles são dados aos seus discípulos para celebrar a vida eterna.

Cruz

A cruz mistifica todo o significado da Páscoa na ressurreição e também no sofrimento de Cristo. No Conselho de Nicea em 325 d.c., Constantim decretou a cruz como símbolo oficial do cristianismo. Então não somente um símbolo da Páscoa, mas símbolo primordial da fé católica. 

Círio Pascal

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É uma grande vela que é acesa no fogo novo, no Sábado Santo, logo no início da celebração da Vigília Pascal. Assim como o fogo destrói as trevas, a luz que é Jesus Cristo afugenta toda atreva do erro, da morte, do pecado. É o símbolo de Jesus ressuscitado, a luz dos Povos. Após a bênção do fogo acende-se, nele, o Círio. Faz-se a inscrição dos algarismos do ano em curso; depois crava-se neste, cinco grãos de incenso que lembram as cinco chagas de Jesus e as letras “Alfa” e “Omega”, primeira e última letra do alfabeto grego, que significa o princípio e o fim de todas as coisas.

Tradições populares

Nem todas as celebrações da Semana Santa são universais. Procissão do Encontro, na Quarta-feira Santa, Procissão do Fogaréu, conhecida também como Noite da Prisão, Procissão do Enterro ou do Senhor Morto e Malhação do Judas no Sábado de Aleluia são algumas ações que não são realizadas em todas as paróquias.

A explicação, segundo padre Hernaldo, é que estas não são celebrações prescritas pela Igreja para a Semana Santa, mas fazem parte do universo da religiosidade popular e acabam sendo mais intensas em alguns lugares e em outros não.

Essas tradições podem ser vistas como práticas da piedade popular, o que a Igreja não condena. De acordo com assessor da Pastoral Litúrgica da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), padre Hernaldo Pinto Farias, a piedade popular tem o seu valor na experiência de fé do povo; são práticas que ajudam o povo a se colocar nessa intimidade com o Senhor.  “É uma forma de eles manifestarem sua fé, à sua maneira, sim, mas o que temos que fazer que a Igreja sempre solicitou é que essas práticas não sejam fins em si mesmas, ou seja, que elas conduzam à verdadeira liturgia”, ressaltou padre Hernaldo.

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Sobre Prof. Felipe Aquino

O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.

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Dos ramos ao Madeiro – Parte IV

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Fazei isso em minha memória. ( Mt 26,17-30Mc 14,12-26Lc 22,7-39 e Jo 13,117,26,  I Cor 11,23-26)

Esta foi uma das grandes frases ditas por Jesus naquela ceia. Pedro não havia compreendido, assim como a maioria dos presentes naquele momento. Aquela seria a refeição mais famosa de todos os tempos, mas naquele instante nada disso importava.

A ceia havia sido iniciada por Jesus logo após o sol se pôr e ela se prolongou (como era o costume) até a meia-noite. Veja bem, não era um jantar comum era um ato religioso que naquele momento quase todos os lares judaicos estavam celebrando.

Tudo tinha seu significado simbólico.

Eram cheias quatro taças de vinho em memória a libertação dos hebreus do Egito, liderados por Moisés.

Comiam-se verduras amargas molhadas em água e vinagre em memória do Êxodo do Egito. Era um ritual complexo comandado pelo dono da casa, mas neste dia quem comandou foi Jesus. Mas os moradores da casa também participaram.

Primeiro: Depois da 1ª taça de vinho servida Jesus pronunciou a benção da solenidade. Então todos comeram as ervas amargas.

Segundo: Depois da 2ª taça de vinho servida, João Marcos que era o mais jovem presente a mesa (uma criança na verdade) dirigiu-se a Jesus e perguntou (como era parte do ritual):

-Qual o significado desta celebração?

Jesus respondeu, como aprendera desde a infância, com os três pontos principais daquilo tudo, que eram:

  1. O cordeiro recorda Deus marcando as casas dos hebreus para que seus filhos fossem poupados.
  2. O pão ázimo foi comido devido à pressa da partida que não permitiu que se fizesse o pão normal com fermento.
  3. As ervas amargas era a lembrança da amargura da escravidão no Egito.

Depois desta explicação e seguindo o costume foi entoada a primeira parte do Hallel que significa cântico de louvor a Deus (Salmo 113 e Salmo 114). Era neste momento que se devia partir o pão ázimo e depois consumir o cordeiro assado. Mas Jesus fez diferente.

Partindo o pão ele declarou que ele seria o novo cordeiro de Deus e aquele pão seria sua carne, logo distribuiu o pão entre todos e depois quebrando a tradição novamente, ele serviu a 3ª taça de vinho e disse que aquele seria o seu sangue e que seria derramado por eles. Assim dividiu o vinho com todos. E proferiu uma frase que não fazia parte do contexto:

“- Fazei isso em minha memória.”

Um silêncio foi feito, tanto pelo impacto como pela tradição.

Então Jesus continuou seguindo com a consumação do cordeiro assado.

Depois a parte final do canto do Hallel (Salmos 115116117 e 118, 29) foi entoada. E a quarta parte do ritual com a 4ª taça de vinho (final) sendo servida, fez-se um louvor, uma breve oração de agradecimento que concluía a celebração.

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Muitos estavam atônitos, outros pensativos quando Jesus continuou:

“- Em verdade, eu vos digo: um de vós vai me entregar esta noite.”

Foi uma explosão de murmúrios e reclamações, muitos querendo entender o que significava aquilo e outros querendo saber quem seria. Jesus olhou para Judas Iscariotes e disse o que tem que fazer faça depressa. Nesse momento alguns acharam que judas saíra em alguma missão para o mestre. Era comum ele sair pois cuidava do dinheiro do grupo e tinha afazeres como comprar provisões, ninguém imaginou que ele saiu para buscar a guarda do templo.

Pedro dizia que mesmo que os outros traíssem o mestre, ele jamais o faria e Jesus anunciou que Pedro o negaria três vezes ainda naquele dia (lembrando que provavelmente já passava da maia noite)

Depois de toda a confusão, os ânimos se acalmaram e Jesus agradeceu a hospitalidade da família que o acolheu junto a seus seguidores e pediu que apenas seus discípulos (naquela altura apenas 11) fossem com ele até o Jardim do Getsemani para orar. Todas as vezes que alguma mudança mais significativa na vida de Jesus iria ocorrer ele se isolava e pedia a seu pai (Deus) força. E assim ao chegar ao local Jesus pediu que os discípulos entrassem em oração e foi um pouco mais adiante afim de rezar sozinho.

E chorou…

Pediu a Deus que este cálice passasse sem que ele bebesse, mas sabia que não poderia. E ali lhe foi retirada toda a proteção divina, para que ele como homem de carne e osso normal pudesse passar pelas provações a que seria submetido.

Ao levantar-se e ir a seus discípulos deparou-se com eles dormindo por duas vezes, e pediu que todos acordassem perguntando se nem sequer poderiam orarem com ele por uma hora apenas. Mas parecia que o cansaço dominava a todos.

Enquanto isso Judas já havia chegado a uma sala do templo e ao falar com Anás, que já o esperava ansiosamente, saiu com um grupo de guardas do templo e mais alguns soldados romanos que estavam a serviço do Sinédrio a mando de Pilatos.

Anás por sua vez foi acordar o maior número possível de sacerdotes (muitos dormiam em instalações localizadas no próprio templo). Depois foi e acordou Caifás.

A madrugada ficou movimentada em vária direções. Era um movimento que levaria a muitos outros para mudar a história.

Milton Cesar

 

São Mateus 26, 17-46

Jesus-ÉQUIPE

“17.No primeiro dia dos Ázimos, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-lhe: Onde queres que preparemos a ceia pascal? 18.Respondeu-lhes Jesus: Ide à cidade, à casa de um tal, e dizei-lhe: O Mestre manda dizer-te: Meu tempo está próximo. É em tua casa que celebrarei a Páscoa com meus discípulos. 19.Os discípulos fizeram o que Jesus tinha ordenado e prepararam a Páscoa. 20.Ao declinar da tarde, pôs-se Jesus à mesa com os doze discípulos. 21.Durante a ceia, disse: Em verdade vos digo: um de vós me há de trair. 22.Com profunda aflição, cada um começou a perguntar: Sou eu, Senhor? 23.Respondeu ele: Aquele que pôs comigo a mão no prato, esse me trairá. 24.O Filho do Homem vai, como dele está escrito. Mas ai daquele homem por quem o Filho do Homem é traído! Seria melhor para esse homem que jamais tivesse nascido! 25.Judas, o traidor, tomou a palavra e perguntou: Mestre, serei eu? Sim, disse Jesus. 26.Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai e comei, isto é meu corpo. 27.Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos, 28.porque isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados. 29.Digo-vos: doravante não beberei mais desse fruto da vinha até o dia em que o beberei de novo convosco no Reino de meu Pai. 30.Depois do canto dos Salmos, dirigiram-se eles para o monte das Oliveiras. 31.Disse-lhes então Jesus: Esta noite serei para todos vós uma ocasião de queda; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho serão dispersadas (Zc 13,7). 32.Mas, depois da minha Ressurreição, eu vos precederei na Galiléia. 33.Pedro interveio: Mesmo que sejas para todos uma ocasião de queda, para mim jamais o serás. 34.Disse-lhe Jesus: Em verdade te digo: nesta noite mesma, antes que o galo cante, três vezes me negarás. 35.Respondeu-lhe Pedro: Mesmo que seja necessário morrer contigo, jamais te negarei! E todos os outros discípulos diziam-lhe o mesmo. 36.Retirou-se Jesus com eles para um lugar chamado Getsêmani e disse-lhes: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar. 37.E, tomando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. 38.Disse-lhes, então: Minha alma está triste até a morte. Ficai aqui e vigiai comigo. 39.Adiantou-se um pouco e, prostrando-se com a face por terra, assim rezou: Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres. 40.Foi ter então com os discípulos e os encontrou dormindo. E disse a Pedro: Então não pudestes vigiar uma hora comigo… 41.Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca. 42.Afastou-se pela segunda vez e orou, dizendo: Meu Pai, se não é possível que este cálice passe sem que eu o beba, faça-se a tua vontade! 43.Voltou ainda e os encontrou novamente dormindo, porque seus olhos estavam pesados. 44.Deixou-os e foi orar pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras. 45.Voltou então para os seus discípulos e disse-lhes: Dormi agora e repousai! Chegou a hora: o Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores… 46.Levantai-vos, vamos! Aquele que me trai está perto daqui.”
São Mateus, 26 – Bíblia Católica Online

É fácil compreender a sublimidade desta hora. Pois bem, nesta noite sagrada o Senhor lhes garante a infalibilidade por três vezes, segundo narra São João, testemunha ocular daqueles acontecimentos. Jesus começa dizendo aos Apóstolos:
“Eu rogarei ao Pai e Ele vos dará um outro Advogado, para que fique eternamente convosco. É o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós”(Jo 14,16-17).

Que garantia maior de infalibilidade Jesus poderia ter dado à Sua Igreja, do que deixar nela o Seu próprio Espírito, que Ele chama de Espírito da Verdade? Se Ele permanecerá com a Igreja, “eternamente”, como ela poderia errar em matérias essenciais à nossa salvação?

É preciso notar que Jesus disse que o Espírito Santo seria dado “para que fique eternamente convosco.” E garantiu ainda que Ele ficaria com a Igreja e estaria na Igreja. “Permanecerá convosco e estará em vós.”

Para aceitarmos que a Igreja tenha errado o caminho da verdade, como quiseram Lutero e seus seguidores, depois de 1517 anos, seria preciso antes concordar que o Espírito Santo, “o Espírito da Verdade”, tenha abandonado a Igreja. Mas isto jamais poderia ter acontecido, pois Ele foi dado para ficar “eternamente convosco”.

As promessas de Jesus para a Sua Igreja são infalíveis, porque Jesus não é um farsante e nem um mentiroso. Naquela hora memorável que antecedia a Sua paixão, Ele não estava brincando com os seus Apóstolos e com a Sua Igreja. Ele se despedia dela com as suas últimas e mais importantes promessas, para em seguida sofrer, por amor a ela, a sua dolorosa paixão.

Infelizmente o orgulho e a soberba espiritual cegam os olhos da alma e não deixam que suas vítimas enxerguem essa verdade. Em que pese os pecados dos seus filhos, mesmo assim, a Igreja jamais perdeu o domínio da verdade. (Professor Felipe Aquino – Formação Canção Nova)

 

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