O mistério da Paixão de Cristo não se repete

Formação

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Já me deparei com a questão de que algumas religiões insistem em dizer que nós católicos veneramos um Jesus morto. Esses questionamentos sobretudo aparecem principalmente na Quaresma e Semana Santa e não tem outro objetivo a não ser atacar a igreja. Queria eu acreditar que fosse por pura falta de conhecimento, mas levando-se em consideração que (com toda a tecnologia de informação a respeito) hoje é fácil pesquisar e descobrir os fatos, penso que a justificativa seja apena só ataque gratuito. Quando preciso e quero saber sobre qualquer assunto (principalmente outras religiões) busco sites e fontes confiáveis para pesquisar e aprender.

Dito isso, vou entrar na questão principal: Não veneramos Jesus Morto!

Cada religião possui suas tradições e simbologias. A Igreja Católica sempre exibe a cruz como lembrança do sacrifício de amor feito por Cristo para a salvação de todos nós. É simbolo e não o que nos move. Cristo vivo também aparece nas nossas igrejas, mas é claro que a lembrança do sacrifício de Jesus não pode ser esquecido nunca.

É muito claro (óbvio para mim) que a Igreja Católica Apostólica Romana só existe pelo simples fato de que Jesus está vivo e deixou a missão para Pedro quando fez sua ascensão de corpo e alma ao céu.

Não estamos esperando Jesus ressuscitar, ele já fez isso. Ninguém venera um Deus morto, pois isso nem tem sentido.

Na Semana Santa é feito a memória do sacrifico de Jesus, porque é preciso sempre lembrar de quem amou mais a cada um de nós a ponto de sacrificar o próprio filho. Isso não é dizer que veneramos a um Jesus morto e sim que não esquecemos do motivo que nos move. A palavra de Deus ecoa desde mais de 2000 anos e a igreja nunca cansou de proclamar a glória de jesus vivo. Aguardamos seu retorno glorioso.

O Catecismo da Igreja Católica explica perfeitamente que o Mistério da Paixão de Cristo não se repete mas é atualizado a cada celebração. Jesus se sacrificou apenas uma vez em expiação dos nossos pecados e os pecados do mundo todo, não repetimos o sacrifício fazemos memória.

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O ESPÍRITO SANTO RECORDA O MISTÉRIO DE CRISTO

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1099. O Espírito e a Igreja cooperam para manifestar Cristo e a sua obra de salvação na liturgia. Principalmente na Eucaristia, e analogicamente nos outros sacramentos, a liturgia é o memorial do mistério da salvação. O Espírito Santo é a memória viva da Igreja.

1100. A Palavra de Deus. O Espírito Santo lembra à assembleia litúrgica, em primeiro lugar, o sentido do acontecimento salvífico, dando vida à Palavra de Deus, que é anunciada para ser recebida e vivida:

«É enorme a importância da Sagrada Escritura na celebração da liturgia. Porque é a ela que se vão buscar as leituras que se explicam na homilia e os salmos para cantar; com o seu espírito e da sua inspiração nasceram as preces, as orações e os hinos litúrgicos: dela tiram a sua capacidade de significação as ações e os sinais».

1101. É o Espírito Santo que dá aos leitores e ouvintes, segundo a disposição dos seus corações, a inteligência espiritual da Palavra de Deus. Através das palavras, ações e símbolos, que formam a trama duma celebração, o Espírito Santo põe os fiéis e os ministros em relação viva com Cristo, Palavra e Imagem do Pai, de modo a poderem fazer passar para a sua vida o sentido daquilo que ouvem, vêem e fazem na celebração.

1102. «É pela Palavra da salvação […] que a fé é alimentada no coração dos fiéis; e é mercê da fé que tem início e se desenvolve a reunião dos fiéis». O anúncio da Palavra de Deus não se fica por um ensinamento: faz apelo à resposta da fé, enquanto assentimento e compromisso, em vista da aliança entre Deus e o seu povo. É ainda o Espírito Santo que dá a graça da fé, a fortifica e a faz crescer na comunidade. A assembleia litúrgica é, antes de mais, comunhão na fé.

1103. A anamnese. A celebração litúrgica refere-se sempre às intervenções salvíficas de Deus na história. «A economia da revelação realiza-se por meio de ações e palavras intimamente relacionadas entre si […]; as palavras […] declaram as obras e esclarecem o mistério nelas contido». Na liturgia da Palavra, o Espírito Santo «lembra» à assembleia tudo quanto Cristo fez por nós. Segundo a natureza das ações litúrgicas e as tradições rituais das Igrejas, uma celebração «faz memória» das maravilhas de Deus numa anamnese mais ou menos desenvolvida. O Espírito Santo, que assim desperta a memória da Igreja, suscita então a ação de graças e o louvor (doxologia).

O ESPÍRITO SANTO ATUALIZA O MISTÉRIO DE CRISTO

1104. A liturgia cristã não se limita a recordar os acontecimentos que nos salvaram: atualiza-os, torna-os presentes. O mistério pascal de Cristo celebra-se, não se repete; as celebrações é que se repetem. Mas em cada uma delas sobrevém a efusão do Espírito Santo, que atualiza o único mistério.

1105. A epiclese («invocação sobre») é a intercessão mediante a qual o sacerdote suplica ao Pai que envie o Espírito santificador para que as oferendas se tornem o corpo e o sangue de Cristo e para que, recebendo-as, os fiéis se tornem eles próprios uma oferenda viva para Deus.

1106 Juntamente com a anamnese, a epiclese é o coração de qualquer celebração sacramental, e mais particularmente da Eucaristia:

«Tu perguntas como é que o pão se torna corpo de Cristo, e o vinho [..] sangue de Cristo? Por mim, digo-te: o Espírito Santo irrompe e realiza isso que ultrapassa toda a palavra e todo o pensamento. […] Baste-te ouvir que é pelo Espírito Santo, do mesmo modo que é da Santíssima Virgem e pelo Espírito Santo que o Senhor, por Si mesmo e em Si mesmo, assumiu a carne».

1107. O poder transformante do Espírito Santo na liturgia apressa a vinda do Reino e a consumação do mistério da salvação. Na expectativa e na esperança. Ele faz-nos realmente antecipar a comunhão plena da Santíssima Trindade. Enviado pelo Pai, que atende a epiclese da Igreja, o Espírito dá a vida aos que O acolhem e constitui para eles, desde já, as «arras» da sua herança.

A COMUNHÃO DO ESPÍRITO SANTO

1108. A finalidade da missão do Espírito Santo em toda a ação litúrgica é pôr-nos em comunhão com Cristo, para formarmos o seu corpo. O Espírito Santo é como que a seiva da Videira do Pai, que dá fruto nos sarmentos. Na liturgia, realiza-se a mais íntima cooperação do Espírito Santo com a Igreja. Ele, Espírito de comunhão, permanece indefectivelmente na Igreja, e é por isso que a Igreja é o grande sacramento da comunhão divina que reúne os filhos de Deus dispersos. O fruto do Espírito na liturgia é, inseparavelmente, comunhão com a Santíssima Trindade e comunhão fraterna.

1109. A epiclese é também oração pelo pleno efeito da comunhão da assembleia no mistério de Cristo. «A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo» (2 Cor 13, 13) devem estar sempre connosco e dar frutos, para além da celebração eucarística. Por isso, a Igreja pede ao Pai que envie o Espírito Santo, para que faça da vida dos fiéis uma oferenda viva para Deus pela transformação espiritual à imagem de Cristo, pela preocupação com a unidade da Igreja e pela participação na sua missão, mediante o testemunho e o serviço da caridade.

Resumindo:

1110. Na liturgia da Igreja, Deus Pai é bendito e adorado como fonte de todas as bênçãos da criação e da salvação, com que nos abençoou no seu Filho, para nos dar o Espírito da adoção filial.

1111. A obra de Cristo na liturgia é sacramental, porque o seu mistério de salvação torna-se ali presente pelo poder do seu Espírito Santo; porque o seu corpo, que é a Igreja, é como que o sacramento (sinal e instrumento) no qual o Espírito Santo dispensa o mistério da salvação; e porque, através das suas ações litúrgicas, a Igreja peregrina participa já, por antecipação, na liturgia do céu.

1112. A missão do Espírito Santo na liturgia da Igreja é preparar a assembleia para o encontro com Cristo, lembrar e manifestar Cristo à fé da assembleia, tornar presente e atualizar a obra salvífica de Cristo pelo seu poder transformante e fazer frutificar o dom da comunhão na Igreja.

Catecismo da Igreja Católica (CIC 1099 – 1112)

2020, uma Quaresma inesquecível

Reflexão: Quaresma

Milton Cesar

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Durante muitos anos, a época da Quaresma era respeitada por todos. Mas isso foi mudando conforme o tempo foi passado, novas gerações nascendo e as tradições foram perdendo força.

Para ser bem justo ainda existe uma boa parcela de católicos que levam a quaresma a sério ainda hoje, e não se rendem aos apelos mundanos.

Mas com a chegada de novas denominações religiosas e também com um crescente número de ateus no mundo, é bem evidente que já não se celebra uma quaresma com todo o respeito necessário.

Como todos sabem a quaresma se inicia na quarta-feira de cinzas após o carnaval e dura exatos 40 dias até chegarmos a quinta-feira santa e fazermos memória da Sexta-feira da Paixão de Cristo.

Nas últimas décadas a sexta-feira santa virou sinônimo de “feriado prolongado”, época para se viajar, ir a praia e outras coisas que nada tem a ver com as celebrações religiosas. Virou uma data totalmente comercial com a venda de peixes (que sempre foi uma tradição na sexta santa) e depois com os Ovos de Páscoa, tudo uma exploração comercial.

A quaresma é tempo de reflexão, penitência, perdão e recolhimento, de analisar  a nossa fé, de orarmos pelo mundo todo, de jejum. É também quando chegamos ao maior mistério de Jesus Cristo: a morte e a ressurreição.

Mas com o passar dos anos as pessoas foram se esquecendo disso e se afastando cada vez mais de Cristo. Servindo a dois deuses: o dinheiro e a tecnologia. Os judeus também celebram a Páscoa (Pessach), não a mesma que nós cristãos, mas sim a festa da libertação que dura 7 dias e pode ter certeza que existe um respeito enorme pela data.

Muitos católicos tem esquecido de que é uma época de reflexão e oração, também de respeito e abandonado a própria fé. Quando chega a sexta-feira Santa querem comer peixe (bacalhau para quem consegue comprar) e também se preocupam com os famigerados Ovos de Páscoa. Mas e na missa foram?

Páscoa (Pessach)

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Pessach 2020. A partir do início da noite: quarta-feira 8 de abril

Até o início da noite: quinta-feira 16 de abril

A Páscoa judaica é conhecida pelos judeus como Pessach, palavra do hebraico que significa passagem. A Páscoa comemorada pelos judeus também é uma de suas festas religiosas mais importantes, assim como é a Páscoa para os cristãos. A Páscoa judaica é celebrada de acordo com o calendário próprio dos judeus.

calendário judeu (ou calendário hebraico) é conhecido por ser um calendário lunissolar, isto é, que se baseia nos ciclos da Lua e do Sol. A Páscoa judaica é comemorada anualmente no dia 14 de nissan (ou nisã), pelo fato de que a primeira Páscoa comemorada pelos judeus, enquanto eram escravos no Egito, aconteceu nos dias 14 e 15 de nissanhá cerca de 3500 anos.

A primeira Páscoa aconteceu no contexto da escravidão dos hebreus no Egito. Esses, originários de Abraão, estabeleceram-se em Canaã e, depois de um tempo de seca e falta de alimentos, mudaram-se para o Egito, local no qual acabaram sendo escravizados. A libertação dos hebreus foi realizada por Moisés, logo após a execução das dez pragas no Egito, segundo a narrativa judaica.

A Páscoa judaica aconteceu pouco antes da execução da décima praga, na qual o anjo da morte desceu ao Egito e matou todos os primogênitos daquela terra. O anjo da morte só não passou pelas casas daqueles que haviam seguido as ordens de Javé realizando a festa, da forma conforme havia sido ordenada, e passando o sangue do cordeiro nos umbrais de suas portas. Após a décima praga, os hebreus foram libertos da escravidão e autorizados a retornarem para Canaã.

fonte:Brasil Escola

Pois bem. Eis que chegamos a 2020 e uma pandemia (iniciada em 2019) obriga a boa parte do mundo a se recolher para não serem infectados por um vírus mortal chamado Covid-19 uma variação do Coronavírus. O medo fez com as pessoas se recolhessem, pois as mortes já se contam aos milhares em todo o mundo. No inicio muitos diziam que só matava idosos, mas ultimamente estão morrendo pessoas mais jovens.

Antes de mais nada é importante esclarecer que não estou dizendo que Deus mandou uma praga destas. Mas lembre-se: nada é por acaso.

De repente aqueles que lucravam milhões explorando algo que deveria ser de respeito e oração, como a Páscoa onde cobravam uma fortuna por um ovo de chocolate e a TV fazia propagandas aos milhares destes ovos e outras milhares de crianças sequer tinham o que comer, imagine ganharem um ovo de “páscoa” feito de chocolate que custava muito. Aqueles que vendem peixes subindo os preços nesta época do ano apenas para terem um lucro maior. Todos estão desesperados ante esta quarentena forçada.

De repente as pessoas começaram a se lembrar de Deus, começaram a rezar novamente e se lembraram que existe salvação no arrependimento.

Esta pandemia trouxe coisas ruins para todos, mas por outro lado tem feito a poluição diminuir em rios, mares e no ar. Fez as pessoas perceberem que tem pessoas que elas amam e agora tem medo de perder.

De repente a quaresma foi cumprida e será inesquecível quando tudo passar.

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“Quando estendeis vossas mãos, eu desvio de vós os meus olhos; quando multiplicais vossas preces, não as ouço. Vossas mãos estão cheias de sangue. 16.Lavai-vos, purificai-vos. Tirai vossas más ações de diante de meus olhos. 17.Cessai de fazer o mal, aprendei a fazer o bem. Respeitai o direito, protegei o oprimido; fazei justiça ao órfão, defendei a viúva.””
Isaías, 1, 15-17 – Bíblia Católica Online

“15.As nações são para ele apenas uma gota de água num balde, um grão de areia na balança; as ilhas não pesam mais que o pó,* 16.o Líbano não bastaria para o braseiro de seu altar, nem seus animais para os holocaustos. 17.Todas as nações juntas nada são diante dele: a seus olhos são como que inexistentes. 18.A quem poderíeis comparar Deus, e que imagem dele poderíeis oferecer?”
Isaías, 40,15-18 – Bíblia Católica Online

  • Gênesis 1:11 – Então disse Deus: “Cubra-se a terra de vegetação: plantas que deem sementes e árvores cujos frutos produzam sementes de acordo com as suas espécies”. E assim foi.
  • Eclesiastes 3:1-2 – Para tudo há uma ocasião certa; há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu: Tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou,
  • Lucas 12:7 – Até os cabelos da cabeça de vocês estão todos contados. Não tenham medo; vocês valem mais do que muitos pardais!
  • Lucas 21:18 – Contudo, nenhum fio de cabelo da cabeça de vocês se perderá.
  • Provérbios 15:3] – Os olhos do Senhor estão em toda parte, observando atentamente os maus e os bons.
  • Hebreus 4:13 – Nada, em toda a criação, está oculto aos olhos de Deus. Tudo está descoberto e exposto diante dos olhos daquele a quem havemos de prestar contas.
  • Ezequiel 17:24 – Todas as árvores do campo saberão que eu, o Senhor, faço cair a árvore alta e faço crescer bem alto a árvore baixa. Eu resseco a árvore verde e faço florescer a árvore seca. “Eu, o Senhor, falei, e o farei”.
  • Mateus 21:19 – Vendo uma figueira à beira do caminho, aproximou-se dela, mas nada encontrou, a não ser folhas. Então lhe disse: “Nunca mais dê frutos!” Imediatamente a árvore secou.
  • Jonas 3:6-7 – Então o Senhor Deus fez crescer uma planta sobre Jonas, para dar sombra à sua cabeça e livrá-lo do calor, o que deu grande alegria a Jonas. Mas na madrugada do dia seguinte, Deus mandou uma lagarta atacar a planta e ela secou-se.

 

Como Rezar O Santo Terço e a Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae

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O Santo Terço é um momento muito especial de oração do fiel católico. Diz a história que durante os séculos em que a missa era rezada em latim, e muitas pessoas (apesar de terem fé) não compreendiam a língua, muitas vezes por serem pobres e nem terem a oportunidade de estudar e outras até ricas também não compreenderem a língua, muitas pessoas rezavam a Ave Maria (que era uma oração conhecida) enquanto o sacerdote fazia os ritos da missa.

O Rosário começou a tomar forma como oração própria dos leigos. Entre os historiadores não há uma unanimidade, mas normalmente afirma-se que o Rosário surgiu aproximadamente a partir do ano 800, à sombra dos mosteiros, como Saltério dos leigos. Os monges rezavam os 150 salmos e os leigos, que em sua maioria não sabiam ler, aprenderam a rezar 150 Pai-nossos. Além da dificuldade na leitura, a maioria das pessoas naquele tempo não tinha acesso às Sagradas Escrituras. A imprensa ainda não havia sido inventada. Por isso, um exemplar da Bíblia custava muito caro, o que a tornava acessível a poucas pessoas.

Com o passar do tempo, formaram-se outros três saltérios com: 150 Ave-Marias; 150 louvores em honra a Jesus Cristo; e 150 louvores em honra a Virgem Maria. Em 1365, fez-se uma combinação dos quatro saltérios, dividindo as 150 Ave-Marias em 15 dezenas e colocando um Pai-nosso no início de cada uma delas. “Em 1500 ficou estabelecido, para cada dezena a meditação de um episódio da vida de Jesus ou Maria, e assim surgiu o Rosário de quinze mistérios”

Papa São João Paulo II dedicou uma encíclica ao Santo Terço. Nela, o Santo Padre afirma:

“O Rosário coloca-se ao serviço do ideal de que, pela fé, Jesus habita os corações, oferecendo o ‘segredo’ para abrir-se mais facilmente a um conhecimento profundo e empenhado de Cristo. Digamos que é o caminho de Maria, o caminho do exemplo da Virgem de Nazaré, mulher de , silêncio e escuta. É, ao mesmo tempo, o caminho de uma devoção mariana animada pela certeza da relação indivisível que liga Cristo a Sua Mãe Santíssima: os mistérios de Cristo são também, de certo modo, os mistérios da Mãe, mesmo quando não está diretamente envolvida, pelo fato de ela viver d’Ele e para Ele. Na Ave-Maria, apropriando-nos das palavras do Arcanjo Gabriel e de Santa Isabel, sentimo-nos levados a procurar sempre de novo, em Maria, nos seus braços e no seu coração, o fruto bendito do seu ventre (cf. Lc 1,42)” – Trecho da Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, do Sumo Pontífice São João Paulo

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  • Inicia-se segurando pela cruz, com a oração do Creio
  • Reza-se um Pai-Nosso, seguido de três Ave-Maria (Cada Ave-Maria é precedida de uma oração. Vide orações abaixo)
  • Recita-se: Glória ao Pai, ao Filho…
  • O terço possui 5 dezenas. A cada dezena contempla-se o mistério, seguido de 1 Pai-Nosso e 10 Ave-Maria
  • Ao final de cada dezena reza-se Glória ao Pai seguido da jaculatória Oh! meu bom Jesus… (vide orações abaixo)
  • Ao concluir as 5 dezenas, reza-se os agradecimentos

Orações do Santo Terço

Orações do Santo Terço na sequência da oração.

Oferecimento do Terço

Divino Jesus, eu vos ofereço este terço (Rosário) que vou rezar, contemplando os mistérios de nossa Redenção. Concedei-me, pela intercessão de Maria, vossa Mãe Santíssima, a quem me dirijo, as graças necessárias para bem rezá-lo para ganhar as indulgências desta santa devoção.

Creio em Deus Pai

Creio em Deus Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra, e em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia; subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai todo poderoso, donde há de vir julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna. Amém.

Pai Nosso

Pai Nosso que estais no Céu, santificado seja o Vosso nome, venha a nós o Vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossa ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.

Ave Maria

Ave Maria cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre Jesus. Santa Maria Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.

  • A primeira Ave-Maria em honra a Deus Pai que nos criou [Ave-Maria…]
  • A segunda Ave Maria a Deus Filho que nos remiu: [Ave-Maria…]
  • A terceira Ave Maria ao Espírito Santo que nos santifica: [Ave-Maria…]
  • Amém.

Glória ao Pai

  • Glória ao Pai, ao Filho e o Espírito Santo. Como era no princípio, agora é sempre. Amém.

Oh! Meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente as que mais precisarem. Amém.

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Na oração do Rosário contemplam-se todos os mistérios. No caso da oração do Terço, contempla-se um dos mistérios, conforme dias e mistérios a seguir:

Mistérios Gozosos (segundas e sábados, e nos domingos do Advento)

1- Anunciação do Arcanjo São Gabriel à nossa Senhora.
No primeiro mistério contemplemos a Anunciação do Arcanjo São Gabriel à Nossa Senhora.

2- A visita de Nossa Senhora à sua prima Santa Isabel.
No segundo mistério contemplemos a Visitação de Nossa Senhora à sua prima Santa Isabel.

3- O nascimento de Jesus em Belém.
No terceiro mistério contemplemos o Nascimento do Menino Jesus em Belém.

4- A apresentação do Menino Jesus no Tempo.
No quarto mistério contemplemos a Apresentação do Menino Jesus no templo e a Purificação de Nossa Senhora.

5- Encontro de Jesus no Templo entre os Doutores da Lei.
No quinto mistério contemplemos a Perda e o Encontro do Menino Jesus no templo.

Mistérios Dolorosos (terças e sextas-feiras, e domingos da Quaresma até a Páscoa)

1- A agonia de Jesus no Horto das Oliveiras.
No primeiro mistério contemplemos a Agonia de Cristo Nosso Senhor, quando suou sangue no Horto.

2- A flagelação de Jesus atado à coluna.
No segundo mistério contemplemos a Flagelação de Jesus Cristo atado à coluna.

3- A coroação de espinhos de Jesus.
No terceiro mistério contemplemos a Coroação de espinho de Nosso Senhor.

4- A subida dolorosa do Calvário.
No quarto mistério contemplemos Jesus Cristo carregando a Cruz para o Calvário.

5- A morte de Jesus.
No quinto mistério contemplemos a Crucificação e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Mistérios Gloriosos (quartas-feiras e domingos da Páscoa até o Advento)

1- A ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.
No primeiro mistério contemplemos a Ressurreição de Cristo Nosso Senhor.

2- A ascensão admirável de Jesus Cristo ao céu.
No segundo mistério contemplemos a Ascensão de Nosso Senhor ao Céu.

3- A vinda do Espírito Santo.
No terceiro mistério contemplemos a Vinda do Espírito Santo sobre os Apóstolos reunidos com Maria Santíssima no Cenáculo em Jerusalém.

4- A assunção de Nossa Senhora no Céu.
No quarto mistério contemplemos a Assunção de Nossa Senhora ao Céu.

5- A coroação de Nossa Senhora no Céu .
No quinto mistério contemplemos a Coroação de Nossa Senhora no Céu como Rainha de todos os anjos e santos.

Mistérios Luminosos (quinta-feira)

1- Batismo de Jesus no rio Jordão.
No primeiro mistério contemplemos o Batismo de Jesus no rio Jordão.

2- Auto revelação de Jesus nas Bodas de Caná.
No segundo mistério contemplemos a Auto-revelação de Jesus nas Bodas de Caná.

3- Anúncio do Reino de Deus.
No terceiro mistério contemplemos o Anúncio do Reino de Deus.

4- Transfiguração de Jesus.
No quarto mistério contemplemos a Transfiguração de Jesus.

5- Instituição da Eucaristia.
No quinto mistério contemplemos a Instituição da Eucaristia.

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Agradecimentos

Infinitas graças vos damos, Soberana Rainha, pelos benefícios que todos os dias recebemos de vossa mão liberais. Dignai-vos, agora e para sempre, tomar-nos debaixo do vosso poderoso amparo e para mais vos obrigar vos saudamos com uma Salve Rainha:

Salve Rainha, Mãe de Misericórdia, vida, doçura, esperança nossa, salve! A vós bradamos, os degredados filhos de Eva; a vós suspiramos gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia, pois, advogada nossa esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei, e depois deste desterro nos mostrai a Jesus, bendito fruto do vosso ventre, ó Clemente, ó Piedosa, ó Doce, sempre virgem Maria.

V. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus,
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém.

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Leia mais:

Aleteia.org

Algumas abreviaturas dos livros da Bíblia são um pouco diferentes das usadas no Brasil, como a carta foi retirada do site do Vaticano e estava em Português de Portugal achamos melhor manter como estava sem prejuízo a compreensão.

CARTA APOSTÓLICA
ROSARIUM VIRGINIS MARIAE
DO SUMO PONTÍFICE
JOÃO PAULO II
AO EPISCOPADO
AO CLERO E AOS FIÉIS
SOBRE O ROSÁRIO

INTRODUÇÃO

1. O Rosário da Virgem Maria (Rosarium Virginis Mariae), que ao sopro do Espírito de Deus se foi formando gradualmente no segundo Milênio, é oração amada por numerosos Santos e estimulada pelo Magistério. Na sua simplicidade e profundidade, permanece, mesmo no terceiro Milênio recém iniciado, uma oração de grande significado e destinada a produzir frutos de santidade. Ela enquadra-se perfeitamente no caminho espiritual de um cristianismo que, passados dois mil anos, nada perdeu do seu frescor original, e sente-se impulsionado pelo Espírito de Deus a « fazer-se ao largo » (duc in altum!) para reafirmar, melhor « gritar » Cristo ao mundo como Senhor e Salvador, como « caminho, verdade e vida » (Jo 14, 6), como « o fim da história humana, o ponto para onde tendem os desejos da história e da civilização ».(1)

O Rosário, de facto, ainda que caracterizado pela sua fisionomia mariana, no seu âmago é oração cristológica. Na sobriedade dos seus elementos, concentra a profundidade de toda a mensagem evangélica, da qual é quase um compêndio.(2) Nele ecoa a oração de Maria, o seu perene Magnificat pela obra da Encarnação redentora iniciada no seu ventre virginal. Com ele, o povo cristão frequenta a escola de Maria, para deixar-se introduzir na contemplação da beleza do rosto de Cristo e na experiência da profundidade do seu amor. Mediante o Rosário, o crente alcança a graça em abundância, como se a recebesse das mesmas mãos da Mãe do Redentor.

Os Romanos Pontífices e o Rosário

2. Muitos dos meus Predecessores atribuíram grande importância a esta oração. Merecimento particular teve, a propósito, Leão XIII que, no dia 1 de Setembro de 1883, promulgava a Encíclica Supremi apostolatus officio,(3) alto pronunciamento com o qual inaugurava numerosas outras declarações sobre esta oração, indicando-a como instrumento espiritual eficaz contra os males da sociedade. Entre os Papas mais recentes, já na época conciliar, que se distinguiram na promoção do Rosário, desejo recordar o Beato João XXIII(4) e sobretudo Paulo VI que, na Exortação apostólica Marialis cultus, destacou, em harmonia com a inspiração do Concílio Vaticano II, o carácter evangélico do Rosário e a sua orientação cristológica.

Eu mesmo não descurei ocasião para exortar à frequente recitação do Rosário. Desde a minha juventude, esta oração teve um lugar importante na minha vida espiritual. Trouxe-mo à memória a minha recente viagem à Polônia, sobretudo a visita ao Santuário de Kalwaria. O Rosário acompanhou-me nos momentos de alegria e nas provações. A ele confiei tantas preocupações; nele encontrei sempre conforto. Vinte e quatro anos atrás, no dia 29 de Outubro de 1978, apenas duas semanas depois da minha eleição para a Sé de Pedro, quase numa confidência, assim me exprimia: « O Rosário é a minha oração predileta. Oração maravilhosa! Maravilhosa na simplicidade e na profundidade. […] Pode dizer-se que o Rosário é, em certo modo, um comentário-prece do último capítulo da Constituição Lumen gentium do Vaticano II, capítulo que trata da admirável presença da Mãe de Deus no mistério de Cristo e da Igreja. De facto, sobre o fundo das palavras da “Ave Maria” passam diante dos olhos da alma os principais episódios da vida de Jesus Cristo. Eles dispõem-se no conjunto dos mistérios gozosos, dolorosos e gloriosos, e põem-nos em comunhão viva com Jesus – poderíamos dizer– através do Coração de Sua Mãe. Ao mesmo tempo o nosso coração pode incluir nestas dezenas do Rosário todos os factos que formam a vida do indivíduo, da família, da nação, da Igreja e da humanidade. Acontecimentos pessoais e do próximo, e de modo particular daqueles que nos são mais familiares e que mais estimamos. Assim a simples oração do Rosário marca o ritmo da vida humana ».(5)

Com estas palavras, meus caros Irmãos e Irmãs, inseria no ritmo quotidiano do Rosário o meu primeiro ano de Pontificado. Hoje, no início do vigésimo quinto ano de serviço como Sucessor de Pedro, desejo fazer o mesmo. Quantas graças recebi nestes anos da Virgem Santa através do Rosário: Magnificat anima mea Dominum! Desejo elevar ao Senhor o meu agradecimento com as palavras da sua Mãe Santíssima, sob cuja proteção coloquei o meu ministério petrino: Totus tuus!

Outubro 2002 – Outubro 2003: Ano do Rosário

3. Por isso, na esteira da reflexão oferecida na Carta apostólica Novo millennio ineunte na qual convidei o Povo de Deus, após a experiência jubilar, a « partir de Cristo »,(6) senti a necessidade de desenvolver uma reflexão sobre o Rosário, uma espécie de coroação mariana da referida Carta apostólica, para exortar à contemplação do rosto de Cristo na companhia e na escola de sua Mãe Santíssima. Com efeito, recitar o Rosário nada mais é senão contemplar com Maria o rosto de Cristo. Para dar maior relevo a este convite, e tomando como ocasião a próxima efeméride dos cento e vinte anos da mencionada Encíclica de Leão XIII, desejo que esta oração seja especialmente proposta e valorizada nas várias comunidades cristãs durante o ano. Proclamo, portanto, o período que vai de Outubro deste ano até Outubro de 2003 Ano do Rosário.

Deixo esta indicação pastoral à iniciativa das diversas comunidades eclesiais. Com ela não pretendo dificultar, mas antes integrar e consolidar os planos pastorais das Igrejas particulares. Espero que ela seja acolhida com generosidade e solicitude. O Rosário, quando descoberto no seu pleno significado, conduz ao âmago da vida cristã, oferecendo uma ordinária e fecunda oportunidade espiritual e pedagógica para a contemplação pessoal, a formação do Povo de Deus e a nova evangelização. Apraz-me reafirmá-lo, também, na recordação feliz de outro aniversário: os 40 anos do início do Concílio Ecumênico Vaticano II (11 de Outubro de 1962), a « grande graça » predisposta pelo Espírito de Deus para a Igreja do nosso tempo.(7)

Objecções ao Rosário

4. A oportunidade desta iniciativa emerge de distintas considerações. A primeira refere-se à urgência de fazer frente a uma certa crise desta oração, correndo o risco, no actual contexto histórico e teológico, de ser erradamente debilitada no seu valor e, por conseguinte, escassamente proposta às novas gerações. Pensam alguns que a centralidade da Liturgia, justamente ressaltada pelo Concílio Ecumênico Vaticano II, tenha como necessária consequência uma diminuição da importância do Rosário. Na verdade, como precisou Paulo VI, esta oração não só não se opõe à Liturgia, mas serve-lhe de apoio, visto que introduz nela e dá-lhe continuidade, permitindo vivê-la com plena participação interior e recolhendo seus frutos na vida quotidiana.

Pode haver também quem tema que o Rosário possa revelar-se pouco ecumênico pelo seu carácter marcadamente mariano. Na verdade, situa-se no mais claro horizonte de um culto à Mãe de Deus tal como o Concílio delineou: um culto orientado ao centro cristológico da fé cristã, de forma que, « honrando a Mãe, melhor se conheça, ame e glorifique o Filho ».(8) Se adequadamente compreendido, o Rosário é certamente uma ajuda, não um obstáculo, para o ecumenismo!

Caminho de contemplação

5. Porém, o motivo mais importante para propor com insistência a prática do Rosário reside no facto de este constituir um meio valiadíssimo para favorecer entre os crentes aquele compromisso de contemplação do mistério cristão que propus, na Carta apostólica Novo millennio ineunte, como verdadeira e própria pedagogia da santidade: « Há necessidade dum cristianismo que se destaque principalmente pela arte da oração ».(9)Enquanto que na cultura contemporânea, mesmo entre tantas contradições, emerge uma nova exigência de espiritualidade, solicitada inclusive pela influência de outras religiões, é extremamente urgente que as nossas comunidades cristãs se tornem « autênticas escolas de oração ».(10)

O Rosário situa-se na melhor e mais garantida tradição da contemplação cristã. Desenvolvido no Ocidente, é oração tipicamente meditativa e corresponde, de certo modo, à « oração do coração » ou « oração de Jesus » germinada no húmus do Oriente cristão.

Oração pela paz e pela família

6. A dar maior atualidade ao relançamento do Rosário temos algumas circunstâncias históricas. A primeira delas é a urgência de invocar de Deus o dom da paz. O Rosário foi, por diversas vezes, proposto pelos meus Predecessores e mesmo por mim como oração pela paz. No início de um Milênio, que começou com as cenas assustadoras do atentado de 11 de Setembro de 2001 e que regista, cada dia, em tantas partes do mundo novas situações de sangue e violência, descobrir novamente o Rosário significa mergulhar na contemplação do mistério d’Aquele que « é a nossa paz », tendo feito « de dois povos um só, destruindo o muro da inimizade que os separava » (Ef 2, 14). Portanto não se pode recitar o Rosário sem sentir-se chamado a um preciso compromisso de serviço à paz, especialmente na terra de Jesus, tão atormentada ainda, e tão querida ao coração cristão.

Análoga urgência de empenho e de oração surge de outra realidade crítica da nossa época, a da família, célula da sociedade, cada vez mais ameaçada por forças desagregadoras a nível ideológico e prático, que fazem temer pelo futuro desta instituição fundamental e imprescindível e, consequentemente, pela sorte da sociedade inteira. O relançamento do Rosário nas famílias cristãs, no âmbito de uma pastoral mais ampla da família, propõe-se como ajuda eficaz para conter os efeitos devastantes desta crise da nossa época.

« Eis a tua mãe! » (Jo 19, 27)

7. Numerosos sinais demonstram quanto a Virgem Maria queira, também hoje, precisamente através desta oração, exercer aquele cuidado maternal ao qual o Redentor prestes a morrer confiou, na pessoa do discípulo predileto, todos os filhos da Igreja: « Mulher, eis aí o teu filho » (Jo 19, 26). São conhecidas, ao longo dos séculos XIX e XX, várias ocasiões, nas quais a Mãe de Cristo fez, de algum modo, sentir a sua presença e a sua voz para exortar o Povo de Deus a esta forma de oração contemplativa. Em particular desejo lembrar, pela incisiva influência que conservam na vida dos cristãos e pelo reconhecimento recebido da Igreja, as aparições de Lourdes e de Fátima,(11) cujos respectivos Santuários são meta de numerosos peregrinos, em busca de conforto e de esperança.

Na senda das testemunhas

8. Seria impossível citar a multidão sem conta de Santos que encontraram no Rosário um autêntico caminho de santificação. Bastará recordar S. Luís Maria Grignion de Montfort, autor de uma preciosa obra sobre o Rosário(12); e, em nossos dias, Padre Pio de Pietrelcina, que recentemente tive a alegria de canonizar. Além disso um carisma especial, como verdadeiro apóstolo do Rosário, teve o Beato Bártolo Longo. O seu caminho de santidade assenta numa inspiração ouvida no fundo do coração: « Quem difunde o Rosário, salva-se! ».(13) Baseado nisto, ele sentiu-se chamado a construir em Pompeia um templo dedicado à Virgem do Santo Rosário no cenário dos restos da antiga cidade, ainda pouco tocada pelo anúncio cristão quando foi sepultada em 79 pela erupção do Vesúvio e surgida das suas cinzas séculos depois como testemunho das luzes e sombras da civilização clássica.

Com toda a sua obra e, de modo particular, através dos « Quinze Sábados », Bártolo Longo desenvolveu a alma cristológica e contemplativa do Rosário, encontrando particular estímulo e apoio em Leão XIII, o “Papa do Rosário”.

CAPÍTULO I

CONTEMPLAR CRISTO
COM MARIA

Um rosto resplandecente como o sol

9. « Transfigurou-Se diante deles: o seu rosto resplandeceu como o sol » (Mt 17, 2). A cena evangélica da transfiguração de Cristo, na qual os três apóstolos Pedro, Tiago e João aparecem como que extasiados pela beleza do Redentor, pode ser tomada como ícone da contemplação cristã. Fixar os olhos no rosto de Cristo, reconhecer o seu mistério no caminho ordinário e doloroso da sua humanidade, até perceber o brilho divino definitivamente manifestado no Ressuscitado glorificado à direita do Pai, é a tarefa de cada discípulo de Cristo; é por conseguinte também a nossa tarefa. Contemplando este rosto, dispomos-nos a acolher o mistério da vida trinitária, para experimentar sempre de novo o amor do Pai e gozar da alegria do Espírito Santo. Realiza-se assim também para nós a palavra de S. Paulo: « Refletindo a glória do Senhor, como um espelho, somos transformados de glória em glória, nessa mesma imagem, sempre mais resplandecente, pela ação do Espírito do Senhor » (2Cor 3, 18).

Maria, modelo de contemplação

10. A contemplação de Cristo tem em Maria o seu modelo insuperável. O rosto do Filho pertence-lhe sob um título especial. Foi no seu ventre que Se plasmou, recebendo d’Ela também uma semelhança humana que evoca uma intimidade espiritual certamente ainda maior. À contemplação do rosto de Cristo, ninguém se dedicou com a mesma assiduidade de Maria. Os olhos do seu coração concentram-se de algum modo sobre Ele já na Anunciação, quando O concebe por obra do Espírito Santo; nos meses seguintes, começa a sentir sua presença e a pressagiar os contornos. Quando finalmente O dá à luz em Belém, também os seus olhos de carne podem fixar-se com ternura no rosto do Filho, que envolveu em panos e recostou numa manjedoura (cf. Lc 2, 7).

Desde então o seu olhar, cheio sempre de reverente estupor, não se separará mais d’Ele. Algumas vezes será um olhar interrogativo, como no episódio da perda no templo: « Filho, porque nos fizeste isto? » (Lc 2, 48); em todo o caso será um olhar penetrante, capaz de ler no íntimo de Jesus, a ponto de perceber os seus sentimentos escondidos e adivinhar suas decisões, como em Caná (cf. Jo 2, 5); outras vezes, será um olhar doloroso, sobretudo aos pés da cruz, onde haverá ainda, de certa forma, o olhar da parturiente, pois Maria não se limitará a compartilhar a paixão e a morte do Unigênito, mas acolherá o novo filho a Ela entregue na pessoa do discípulo predileto (cf. Jo 19, 26-27); na manhã da Páscoa, será um olhar radioso pela alegria da ressurreição e, enfim, um olhar ardoroso pela efusão do Espírito no dia de Pentecostes (cf. At 1,14).

As recordações de Maria

11. Maria vive com os olhos fixos em Cristo e guarda cada palavra sua: « Conservava todas estas coisas, ponderando-as no seu coração » (Lc 2, 19; cf. 2, 51). As recordações de Jesus, estampadas na sua alma, acompanharam-na em cada circunstância, levando-a a percorrer novamente com o pensamento os vários momentos da sua vida junto com o Filho. Foram estas recordações que constituíram, de certo modo, o “rosário” que Ela mesma recitou constantemente nos dias da sua vida terrena.

E mesmo agora, entre os cânticos de alegria da Jerusalém celestial, os motivos da sua gratidão e do seu louvor permanecem imutáveis. São eles que inspiram o seu carinho materno pela Igreja peregrina, na qual Ela continua a desenvolver a composição da sua “narração” de evangelizadora. Maria propõe continuamente aos crentes os “mistérios” do seu Filho, desejando que sejam contemplados, para que possam irradiar toda a sua força salvífica. Quando recita o Rosário, a comunidade cristã sintoniza-se com a lembrança e com o olhar de Maria.

Rosário, oração contemplativa

12. O Rosário, precisamente a partir da experiência de Maria, é uma oração marcadamente contemplativa. Privado desta dimensão, perderia sentido, como sublinhava Paulo VI: « Sem contemplação, o Rosário é um corpo sem alma e a sua recitação corre o perigo de tornar-se uma repetição mecânica de fórmulas e de vir a achar-se em contradição com a advertência de Jesus: “Na oração não sejais palavrosos como os gentios, que imaginam que hão-de ser ouvidos graças à sua verbosidade” (Mt 6, 7). Por sua natureza, a recitação do Rosário requer um ritmo tranquilo e uma certa demora a pensar, que favoreçam, naquele que ora, a meditação dos mistérios da vida do Senhor, vistos através do Coração d’Aquela que mais de perto esteve em contacto com o mesmo Senhor, e que abram o acesso às suas insondáveis riquezas ».(14)

Precisamos de deter-nos neste profundo pensamento de Paulo VI, para dele extrair algumas dimensões do Rosário que definem melhor o seu carácter próprio de contemplação cristológica.

Recordar Cristo com Maria

13. O contemplar de Maria é, antes de mais, um recordar. Convém, no entanto, entender esta palavra no sentido bíblico da memória (zakar), que atualiza as obras realizadas por Deus na história da salvação. A Bíblia é narração de acontecimentos salvíficos, que culminam no mesmo Cristo. Estes acontecimentos não constituem somente um “ontem”; são também o “hoje” da salvação. 

Esta atualização realiza-se particularmente na Liturgia: o que Deus realizou séculos atrás não tinha a ver só com as testemunhas diretas dos acontecimentos, mas alcança, pelo seu dom de graça, o homem de todos os tempos. Isto vale, de certo modo, também para qualquer outra piedosa ligação com aqueles acontecimentos: « fazer memória deles », em atitude de fé e de amor, significa abrir-se à graça que Cristo nos obteve com os seus mistérios de vida, morte e ressurreição.

Por isso, enquanto se reafirma, com o Concílio Vaticano II, que a Liturgia, como exercício do ofício sacerdotal de Cristo e culto público, é « a meta para a qual se encaminha a ação da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua força »,(15) convém ainda lembrar que « a participação na sagrada Liturgia não esgota a vida espiritual. O cristão, chamado a rezar em comum, deve também entrar no seu quarto para rezar a sós ao Pai (cf. Mt 6, 6); mais, segundo ensina o Apóstolo, deve rezar sem cessar (cf. 1 Tes 5, 17) ».(16) O Rosário, com a sua especificidade, situa-se neste cenário diversificado da oração « incessante », e se a Liturgia, ação de Cristo e da Igreja, é ação salvífica por excelência, o Rosário, enquanto meditação sobre Cristo com Maria, é contemplação salutar. De facto, a inserção, de mistério em mistério, na vida do Redentor faz com que tudo aquilo que Ele realizou e a Liturgia atualiza, seja profundamente assimilado e modele a existência.

Aprender Cristo de Maria

14. Cristo é o Mestre por excelência, o revelador e a revelação. Não se trata somente de aprender as coisas que Ele ensinou, mas de “aprender a Ele”. Porém, nisto, qual mestra mais experimentada do que Maria? Se do lado de Deus é o Espírito, o Mestre interior, que nos conduz à verdade plena de Cristo (cf. Jo 14, 26; 15, 26;16, 13), de entre os seres humanos, ninguém melhor do que Ela conhece Cristo, ninguém como a Mãe pode introduzir-nos no profundo conhecimento do seu mistério.

O primeiro dos “sinais” realizado por Jesus – a transformação da água em vinho nas bodas de Caná – mostra-nos precisamente Maria no papel de mestra, quando exorta os servos a cumprirem as disposições de Cristo (cf. Jo 2, 5). E podemos imaginar que Ela tenha desempenhado a mesma função com os discípulos depois da Ascensão de Jesus, quando ficou com eles à espera do Espírito Santo e os animou na primeira missão. Percorrer com Ela as cenas do Rosário é como frequentar a “escola” de Maria para ler Cristo, penetrar nos seus segredos, compreender a sua mensagem.

Uma escola, a de Maria, ainda mais eficaz, quando se pensa que Ela a dá obtendo-nos os dons do Espírito Santo com abundância e, ao mesmo tempo, propondo-nos o exemplo daquela « peregrinação da fé »,(17) na qual é mestra inigualável. Diante de cada mistério do Filho, Ela convida-nos, como na sua Anunciação, a colocar humildemente as perguntas que abrem à luz, para concluir sempre com a obediência da fé: « Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra » (Lc 1, 38).

Configurar-se a Cristo com Maria

15. A espiritualidade cristã tem como seu carácter qualificador o empenho do discípulo em configurar-se sempre mais com o seu Mestre (cf. Rom 8, 29; Fil 3, 10.21). A efusão do Espírito no Batismo introduz o crente como ramo na videira que é Cristo (cf. Jo 15, 5), constitui-o membro do seu Corpo místico (cf. 1 Cor 12, 12; Rom 12, 5). Mas a esta unidade inicial, deve corresponder um caminho de assimilação progressiva a Ele que oriente sempre mais o comportamento do discípulo conforme à “lógica” de Cristo: « Tende entre vós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus » (Fil 2, 5). É necessário, segundo as palavras do Apóstolo, « revestir-se de Cristo » (Rom 13, 14; Gal 3, 27).

No itinerário espiritual do Rosário, fundado na incessante contemplação – em companhia de Maria – do rosto de Cristo, este ideal exigente de configuração com Ele alcança-se através do trato, podemos dizer, “amistoso”. Este introduz-nos de modo natural na vida de Cristo e como que faz-nos “respirar” os seus sentimentos. A este respeito diz o Beato Bártolo Longo: « Tal como dois amigos, que se encontram constantemente, costumam configurar-se até mesmo nos hábitos, assim também nós, conversando familiarmente com Jesus e a Virgem, ao meditar os mistérios do Rosário, vivendo unidos uma mesma vida pela Comunhão, podemos vir a ser, por quanto possível à nossa pequenez, semelhantes a Eles, e aprender destes supremos modelos a vida humilde, pobre, escondida, paciente e perfeita ».(18)

Neste processo de configuração a Cristo no Rosário, confiamo-nos, de modo particular, à ação maternal da Virgem Santa. Aquela que é Mãe de Cristo, pertence Ela mesma à Igreja como seu « membro eminente e inteiramente singular »(19) sendo, ao mesmo tempo, a “Mãe da Igreja”. Como tal, “gera” continuamente filhos para o Corpo místico do Filho. Fá-lo mediante a intercessão, implorando para eles a efusão inesgotável do Espírito. Ela é o perfeito ícone da maternidade da Igreja.

O Rosário transporta-nos misticamente para junto de Maria dedicada a acompanhar o crescimento humano de Cristo na casa de Nazaré. Isto permite-lhe educar-nos e plasmar-nos, com a mesma solicitude, até que Cristo esteja formado em nós plenamente (cf. Gal 4, 19). Esta ação de Maria, totalmente fundada sobre a de Cristo e a esta radicalmente subordinada, « não impede minimamente a união imediata dos crentes com Cristo, antes a facilita ».(20) É o princípio luminoso expresso pelo Concílio Vaticano II, que provei com tanta força na minha vida, colocando-o na base do meu lema episcopal: Totus tuus.(21) Um lema, como é sabido, inspirado na doutrina de S. Luís Maria Grignion de Montfort, que assim explica o papel de Maria no processo de configuração a Cristo de cada um de nós: “Toda a nossa perfeição consiste em sermos configurados, unidos e consagrados a Jesus Cristo. Portanto, a mais perfeita de todas as devoções é incontestavelmente aquela que nos configura, une e consagra mais perfeitamente a Jesus Cristo. Ora, sendo Maria entre todas as criaturas a mais configurada a Jesus Cristo, daí se conclui que de todas as devoções, a que melhor consagra e configura uma alma a Nosso Senhor é a devoção a Maria, sua santa Mãe; e quanto mais uma alma for consagrada a Maria, tanto mais será a Jesus Cristo”.(22)Nunca como no Rosário o caminho de Cristo e o de Maria aparecem unidos tão profundamente. Maria só vive em Cristo e em função de Cristo!

Suplicar a Cristo com Maria

16. Cristo convidou a dirigirmo-nos a Deus com insistência e confiança para ser escutados: « Pedi e dar-se-vos-á; procurai e encontrareis; batei e abrir-se-vos-á » (Mt 7, 7). O fundamento desta eficácia da oração é a bondade do Pai, mas também a mediação junto d’Ele por parte do mesmo Cristo (cf. 1 Jo 2, 1) e a ação do Espírito Santo, que « intercede por nós » conforme os desígnios de Deus (cf. Rom 8, 26-27). De facto, nós « não sabemos o que devemos pedir em nossas orações » (Rom 8, 26) e, às vezes, não somos atendidos « porque pedimos mal » (Tg 4, 3).

Em apoio da oração que Cristo e o Espírito fazem brotar no nosso coração, intervém Maria com a sua materna intercessão. “A oração da Igreja é como que sustentada pela oração de Maria”.(23) De facto, se Jesus, único Mediador, é o Caminho da nossa oração, Maria, pura transparência d’Ele, mostra o Caminho, e “é a partir desta singular cooperação de Maria com a ação do Espírito Santo que as Igrejas cultivaram a oração à santa Mãe de Deus, centrando-a na pessoa de Cristo manifestada nos seus mistérios”.(24) Nas bodas de Caná, o Evangelho mostra precisamente a eficácia da intercessão de Maria, que se faz porta-voz junto de Jesus das necessidades humanas: « Não têm vinho » (Jo 2,3).

O Rosário é ao mesmo tempo meditação e súplica. A imploração insistente da Mãe de Deus apoia-se na confiança de que a sua materna intercessão tudo pode no coração do Filho. Ela é “omnipotente por graça”, como, com expressão audaz a ser bem entendida, dizia o Beato Bártolo Longo na sua Súplica à Virgem.(25) Uma certeza esta que, a partir do Evangelho, foi-se consolidando através da experiência do povo cristão. O grande poeta Dante, na linha de S. Bernardo, interpreta-a estupendamente, quando canta: “Donna, se’ tanto grande e tanto vali, / che qual vuol grazia e a te não ricorre, / sua disianza vuol volar sanz’ali”.(26) No Rosário, Maria, santuário do Espírito Santo (cf. Lc1, 35), ao ser suplicada por nós, apresenta-se em nosso favor diante do Pai que a cumulou de graça e do Filho nascido das suas entranhas, pedindo connosco e por nós.

Anunciar Cristo com Maria

17. O Rosário é também um itinerário de anúncio e aprofundamento, no qual o mistério de Cristo é continuamente oferecido aos diversos níveis da experiência cristã. O módulo é o de uma apresentação orante e contemplativa, que visa plasmar o discípulo segundo o coração de Cristo. De facto, se na recitação do Rosário todos os elementos para uma meditação eficaz forem devidamente valorizados, torna-se, especialmente na celebração comunitária nas paróquias e nos santuários, uma significativa oportunidade catequética que os Pastores devem saber aproveitar. A Virgem do Rosário continua também deste modo a sua obra de anúncio de Cristo. A história do Rosário mostra como esta oração foi utilizada especialmente pelos Dominicanos, num momento difícil para a Igreja por causa da difusão da heresia. Hoje encontramo-nos diante de novos desafios. Porque não retomar na mão o Terço com a fé dos que nos precederam? O Rosário conserva toda a sua força e permanece um recurso não descurável na bagagem pastoral de todo o bom evangelizador.

CAPÍTULO II

MISTÉRIOS DE CRISTO
MISTÉRIOS DA MÃE

O Rosário, “compêndio do Evangelho”

18. À contemplação do rosto de Cristo só podemos introduzir-nos escutando, no Espírito, a voz do Pai, porque « ninguém conhece o Filho senão o Pai » (Mt 11, 27). Nas proximidades de Cesaréia de Filipe, perante a confissão de Pedro, Jesus especificará a fonte de uma tão clara intuição da sua identidade: « Não foram a carne nem o sangue quem to revelou, mas o meu Pai que está nos céus » (Mt 16, 17). É, pois, necessária a revelação do alto. Mas, para acolhê-la, é indispensável colocar-se à escuta: “Só a experiência do silêncio e da oração oferece o ambiente adequado para maturar e desenvolver-se um conhecimento mais verdadeiro, aderente e coerente daquele mistério”.(27)

O Rosário é um dos percursos tradicionais da oração cristã aplicada à contemplação do rosto de Cristo. Paulo VI assim o descreveu: « Oração evangélica, centrada sobre o mistério da Encarnação redentora, o Rosário é, por isso mesmo, uma prece de orientação profundamente cristológica. Na verdade, o seu elemento mais característico – a repetição litânica do “Alegra-te, Maria”– torna-se também ele louvor incessante a Cristo, objectivo último do anúncio do Anjo e da saudação da mãe do Batista: “Bendito o fruto do teu ventre” (Lc 1, 42). Diremos mais ainda: a repetição da Ave Maria constitui a urdidura sobre a qual se desenrola a contemplação dos mistérios; aquele Jesus que cada Ave Maria relembra é o mesmo que a sucessão dos mistérios propõe, uma e outra vez, como Filho de Deus e da Virgem Santíssima ».(28)

Uma inserção oportuna

19. De tantos mistérios da vida de Cristo, o Rosário, tal como se consolidou na prática mais comum confirmada pela autoridade eclesial, aponta só alguns. Tal seleção foi ditada pela estruturação originária desta oração, que adotou o número 150 como o dos Salmos.

Considero, no entanto, que, para reforçar o espessor cristológico do Rosário, seja oportuna uma inserção que, embora deixada à livre valorização de cada pessoa e das comunidades, lhes permita abraçar também os mistérios da vida pública de Cristo entre o Batismo e a Paixão. Com efeito, é no âmbito destes mistérios que contemplamos aspectos importantes da pessoa de Cristo, como revelador definitivo de Deus. É Ele que, declarado Filho dileto do Pai no Batismo do Jordão, anuncia a vinda do Reino, testemunha-a com as obras e proclama as suas exigências. É nos anos da vida pública que o mistério de Cristo se mostra de forma especial como mistério de luz: « Enquanto estou no mundo, sou a Luz do mundo » (Jo 9, 5).

Para que o Rosário possa considerar-se mais plenamente “compêndio do Evangelho”, é conveniente que, depois de recordar a encarnação e a vida oculta de Cristo (mistérios da alegria), e antes de se deter nos sofrimentos da paixão (mistérios da dor), e no triunfo da ressurreição (mistérios da glória), a meditação se concentre também sobre alguns momentos particularmente significativos da vida pública (mistérios da luz). Esta inserção de novos mistérios, sem prejudicar nenhum aspecto essencial do esquema tradicional desta oração, visa fazê-la viver com renovado interesse na espiritualidade cristã, como verdadeira introdução na profundidade do Coração de Cristo, abismo de alegria e de luz, de dor e de glória.

Mistérios da alegria

20. O primeiro ciclo, o dos “mistérios gozosos”, caracteriza-se de facto pela alegria que irradia do acontecimento da Encarnação. Isto é evidente desde a Anunciação, quando a saudação de Gabriel à Virgem de Nazaré se liga ao convite da alegria messiânica: « Alegra-te, Maria ». Para este anúncio se encaminha a história da salvação, e até, de certo modo, a história do mundo. De facto, se o desígnio do Pai é recapitular em Cristo todas as coisas (cf. Ef 1, 10), então todo o universo de algum modo é alcançado pelo favor divino, com o qual o Pai Se inclina sobre Maria para torná-La Mãe do seu Filho. Por sua vez, toda a humanidade está como que incluída no fiat com que Ela corresponde prontamente à vontade de Deus.

Sob o signo da exultação, aparece depois a cena do encontro com Isabel, onde a mesma voz de Maria e a presença de Cristo no seu ventre fazem « saltar de alegria » João (cf. Lc 1, 44). Inundada de alegria é a cena de Belém, onde o nascimento do Deus-Menino, o Salvador do mundo, é cantado pelos anjos e anunciado aos pastores precisamente como « uma grande alegria » (Lc 2, 10).

Os dois últimos mistérios, porém, mesmo conservando o sabor da alegria antecipam já os sinais do drama. A apresentação no templo, de facto, enquanto exprime a alegria da consagração e extasia o velho Simeão, regista também a profecia do « sinal de contradição » que o Menino será para Israel e da espada que trespassará a alma da Mãe (cf. Lc 2, 34-35). Gozoso e ao mesmo tempo dramático é também o episódio de Jesus, aos doze anos, no templo. Vemo-Lo aqui na sua divina sabedoria, enquanto escuta e interroga, e substancialmente no papel d’Aquele que “ensina”. A revelação do seu mistério de Filho totalmente dedicado às coisas do Pai é anúncio daquela radicalidade evangélica que põe inclusive em crise os laços mais caros do homem, diante das exigências absolutas do Reino. Até José e Maria, aflitos e angustiados, « não entenderam » as suas palavras (Lc 2, 50).

Por isso, meditar os mistérios gozosos significa entrar nas motivações últimas e no significado profundo da alegria cristã. Significa fixar o olhar sobre a realidade concreta do mistério da Encarnação e sobre o obscuro prenúncio do mistério do sofrimento salvífico. Maria leva-nos a aprender o segredo da alegria cristã, lembrando-nos que o cristianismo é, antes de mais, evangelion, “boa nova”, que tem o seu centro, antes, o seu mesmo conteúdo, na pessoa de Cristo, o Verbo feito carne, único Salvador do mundo.

Mistérios da luz

21. Passando da infância e da vida de Nazaré à vida pública de Jesus, a contemplação leva-nos aos mistérios que se podem chamar, por especial título, “mistérios da luz”. Na verdade, todo o mistério de Cristo é luz. Ele é a « luz do mundo » (Jo 8, 12). Mas esta dimensão emerge particularmente nos anos da vida pública, quando Ele anuncia o evangelho do Reino. Querendo indicar à comunidade cristã cinco momentos significativos – mistérios luminosos – desta fase da vida de Cristo, considero que se podem justamente individuar: 1no seu Batismo no Jordão, 2na sua auto-revelação nas bodas de Caná, 3no seu anúncio do Reino de Deus com o convite à conversão, 4na sua Transfiguração e, enfim, 5na instituição da Eucaristia, expressão sacramental do mistério pascal.

Cada um destes mistérios é revelação do Reino divino já personificado no mesmo Jesus. Primeiramente é mistério de luz o Batismo no Jordão. Aqui, enquanto Cristo desce à água do rio, como inocente que Se faz pecado por nós (cf. 2 Cor 5, 21), o céu abre-se e a voz do Pai proclama-O Filho dileto (cf. Mt 3, 17 par), ao mesmo tempo que o Espírito vem sobre Ele para investi-Lo na missão que O espera. Mistério de luz é o início dos sinais em Caná (cf. Jo 2, 1-12), quando Cristo, transformando a água em vinho, abre à fé o coração dos discípulos graças à intervenção de Maria, a primeira entre os crentes. Mistério de luz é a pregação com a qual Jesus anuncia o advento do Reino de Deus e convida à conversão (cf. Mc 1, 15), perdoando os pecados de quem a Ele se dirige com humilde confiança (cf. Mc 2, 3-13; Lc 7, 47-48), início do ministério de misericórdia que Ele prosseguirá exercendo até ao fim do mundo, especialmente através do sacramento da Reconciliação confiado à sua Igreja (cf. Jo 20, 22-23). Mistério de luz por excelência é a Transfiguração que, segundo a tradição, se deu no Monte Tabor. A glória da Divindade reluz no rosto de Cristo, enquanto o Pai O acredita aos Apóstolos extasiados para que O « escutem » (cf. Lc 9, 35 par) e se disponham a viver com Ele o momento doloroso da Paixão, a fim de chegarem com Ele à glória da Ressurreição e a uma vida transfigurada pelo Espírito Santo. Mistério de luz é, enfim, a instituição da Eucaristia, na qual Cristo Se faz alimento com o seu Corpo e o seu Sangue sob os sinais do pão e do vinho, testemunhando « até ao extremo » o seu amor pela humanidade (Jo 13, 1), por cuja salvação Se oferecerá em sacrifício.

Nestes mistérios, à excepção de Caná, a presença de Maria fica em segundo plano. Os Evangelhos mencionam apenas alguma presença ocasional d’Ela no tempo da pregação de Jesus (cf. Mc 3, 31-35; Jo 2, 12) e nada dizem de uma eventual presença no Cenáculo durante a instituição da Eucaristia. Mas, a função que desempenha em Caná acompanha, de algum modo, todo o caminho de Cristo. A revelação, que no Batismo do Jordão é oferecida diretamente pelo Pai e confirmada pelo Batista, está na sua boca em Caná, e torna-se a grande advertência materna que Ela dirige à Igreja de todos os tempos: « Fazei o que Ele vos disser » (Jo 2, 5). Advertência esta que introduz bem as palavras e os sinais de Cristo durante a vida pública, constituindo o fundo mariano de todos os “mistérios da luz”.

Mistérios da dor

22. Os Evangelhos dão grande relevo aos mistérios da dor de Cristo. A piedade cristã desde sempre, especialmente na Quaresma, através do exercício da Via Sacra, deteve-se em cada um dos momentos da Paixão, intuindo que aqui está o ápice da revelação do amor e a fonte da nossa salvação. O Rosário escolhe alguns momentos da Paixão, induzindo o orante a fixar neles o olhar do coração e a revivê-los. O itinerário meditativo abre-se com o Getsémani, onde Cristo vive um momento de particular angústia perante a vontade do Pai, contra a qual a debilidade da carne seria tentada a revoltar-se. Ali Cristo põe-Se no lugar de todas as tentações da humanidade, e diante de todos os seus pecados, para dizer ao Pai: « Não se faça a minha vontade, mas a Tua » (Lc 22, 42 e par). Este seu “sim” muda o “não” dos pais no Éden. E o quanto Lhe deverá custar esta adesão à vontade do Pai, emerge dos mistérios seguintes, nos quais, com a flagelação, a coroação de espinhos, a subida ao Calvário, a morte na cruz, Ele é lançado no maior desprezo: Ecce homo!

Neste desprezo, revela-se não somente o amor Deus, mas o mesmo sentido do homem. Ecce homo: quem quiser conhecer o homem, deve saber reconhecer o seu sentido, a sua raiz e o seu cumprimento em Cristo, Deus que Se rebaixa por amor « até à morte, e morte de cruz » (Fil 2, 8). Os mistérios da dor levam o crente a reviver a morte de Jesus pondo-se aos pés da cruz junto de Maria, para com Ela penetrar no abismo do amor de Deus pelo homem e sentir toda a sua força regeneradora.

Mistérios da glória

23. “A contemplação do rosto de Cristo não pode deter-se na imagem do crucificado. Ele é o Ressuscitado!”.(29) O Rosário sempre expressou esta certeza da fé, convidando o crente a ultrapassar as trevas da Paixão, para fixar o olhar na glória de Cristo com a Ressurreição e a Ascensão. Contemplando o Ressuscitado, o cristão descobre novamente as razões da própria fé (cf. 1 Cor 15, 14), e revive não só a alegria daqueles a quem Cristo Se manifestou – os Apóstolos, a Madalena, os discípulos de Emaús –, mas também a alegria de Maria, que deverá ter tido uma experiência não menos intensa da nova existência do Filho glorificado. A esta glória, onde com a Ascensão Cristo Se senta à direita do Pai, Ela mesma será elevada com a Assunção, chegando, por especialíssimo privilégio, a antecipar o destino reservado a todos os justos com a ressurreição da carne. Enfim, coroada de glória – como aparece no último mistério glorioso – Ela resplandece como Rainha dos Anjos e dos Santos, antecipação e ponto culminante da condição escatológica da Igreja.

No centro deste itinerário de glória do Filho e da Mãe, o Rosário põe, no terceiro mistério glorioso, o Pentecostes, que mostra o rosto da Igreja como família reunida com Maria, fortalecida pela poderosa efusão do Espírito, pronta para a missão evangelizadora. No âmbito da realidade da Igreja, a contemplação deste, como dos outros mistérios gloriosos, deve levar os crentes a tomarem uma consciência cada vez mais viva da sua nova existência em Cristo, uma existência de que o Pentecostes constitui o grande “ícone”. Desta forma, os mistérios gloriosos alimentam nos crentes a esperança da meta escatológica, para onde caminham como membros do Povo de Deus peregrino na história. Isto não pode deixar de impeli-los a um corajoso testemunho daquela « grande alegria » que dá sentido a toda a sua vida.

Dos “mistérios” ao “Mistério”: o caminho de Maria

24. Estes ciclos meditativos propostos no Santo Rosário não são certamente exaustivos, mas apelam ao essencial, introduzindo o espírito no gosto de um conhecimento de Cristo que brota continuamente da fonte límpida do texto evangélico. Cada passagem da vida de Cristo, como é narrada pelos Evangelistas, reflete aquele Mistério que supera todo o conhecimento (cf. Ef 3, 19). É o Mistério do Verbo feito carne, no Qual « habita corporalmente toda a plenitude da divindade » (Col 2, 9). Por isso, o Catecismo da Igreja Católica insiste tanto nos mistérios de Cristo, lembrando que « tudo na vida de Jesus é sinal do seu Mistério ».(30) O “duc in altum” da Igreja no terceiro Milênio é medido pela capacidade dos cristãos de « conhecerem o mistério de Deus, isto é Cristo, no Qual estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência » (Col 2, 2-3). A cada baptizado é dirigido este voto ardente da Carta aos Efésios: « Que Cristo habite pela fé nos vossos corações, de sorte que, arraigados e fundados na caridade, possais […] compreender o amor de Cristo, que excede toda a ciência, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus » (3, 17-19).

O Rosário coloca-se ao serviço deste ideal, oferecendo o “segredo” para se abrir mais facilmente a um conhecimento profundo e empenhado de Cristo. Digamos que é o caminho de Maria. É o caminho do exemplo da Virgem de Nazaré, mulher de fé, de silêncio e de escuta. É, ao mesmo tempo, o caminho de uma devoção mariana animada pela certeza da relação indivisível que liga Cristo à sua Mãe Santíssima: os mistérios de Cristo são também, de certo modo, os mistérios da Mãe, mesmo quando não está diretamente envolvida, pelo facto de Ela viver d’Ele e para Ele. Na Ave Maria, apropriando-nos das palavras do Arcanjo Gabriel e de Santa Isabel, sentimo-nos levados a procurar sempre de novo em Maria, nos seus braços e no seu coração, o « fruto bendito do seu ventre » (cf. Lc 1, 42).

Mistério de Cristo, “mistério” do homem

25. No citado testemunho de 1978 sobre o Rosário como minha oração predileta, exprimi um conceito sobre o qual desejo retornar. Dizia então que « a simples oração do Rosário marca o ritmo da vida humana ».(31)

À luz das reflexões desenvolvidas até agora sobre os mistérios de Cristo, não é difícil aprofundar esta implicação antropológica do Rosário; uma implicação mais radical do que possa parecer à primeira vista. Quem contempla a Cristo, percorrendo as etapas da sua vida, não pode deixar de aprender d’Ele a verdade sobre o homem. É a grande afirmação do Concílio Vaticano II que, desde a Carta encíclica Redemptor hominis, tantas vezes fiz objecto do meu magistério: “Na realidade, o mistério do homem só no mistério do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente”.(32)O Rosário ajuda a abrir-se a esta luz. Seguindo o caminho de Cristo, no qual o caminho do homem é « recapitulado »,(33)manifestado e redimido, o crente põe-se diante da imagem do homem verdadeiro. Contemplando o seu nascimento aprende a sacralidade da vida, olhando para a casa de Nazaré aprende a verdade originária da família segundo o desígnio de Deus, escutando o Mestre nos mistérios da vida pública recebe a luz para entrar no Reino de Deus, e seguindo-O no caminho para o Calvário aprende o sentido da dor salvífica. Contemplando, enfim, a Cristo e sua Mãe na glória, vê a meta para a qual cada um de nós é chamado, se se deixa curar e transfigurar pelo Espírito Santo. Pode-se dizer, portanto, que cada mistério do Rosário, bem meditado, ilumina o mistério do homem.

Ao mesmo tempo, torna-se natural levar a este encontro com a humanidade santa do Redentor os numerosos problemas, agruras, fadigas e projetos que definem a nossa vida. « Descarrega sobre o Senhor os teus cuidados, e Ele te sustentará » (Sal 55, 23). Meditar com o Rosário significa entregar os nossos cuidados aos corações misericordiosos de Cristo e da sua Mãe. À distância de vinte e cinco anos, ao reconsiderar as provações que não faltaram nem mesmo no exercício do ministério petrino, desejo insistir, como para convidar calorosamente a todos, a fim de que experimentem pessoalmente isto mesmo: verdadeiramente o Rosário « marca o ritmo da vida humana » para harmonizá-la com o ritmo da vida divina, na gozosa comunhão da Santíssima Trindade, destino e aspiração da nossa existência.

CAPÍTULO III

« PARA MIM, O VIVER É CRISTO »

O Rosário, caminho de assimilação do mistério

26. A meditação dos mistérios de Cristo é proposta no Rosário com um método característico, apropriado por sua natureza para favorecer a assimilação dos mesmos. É o método baseado na repetição. Isto é visível sobretudo com a Ave Maria, repetida dez vezes em cada mistério. Considerando superficialmente uma tal repetição, pode-se ser tentado a ver o Rosário como uma prática árida e aborrecida. Chega-se, porém, a uma ideia muito diferente, quando se considera o Terço como expressão daquele amor que não se cansa de voltar à pessoa amada com efusões que, apesar de semelhantes na sua manifestação, são sempre novas pelo sentimento que as permeia.

Em Cristo, Deus assumiu verdadeiramente um « coração de carne ». Não tem apenas um coração divino, rico de misericórdia e perdão, mas também um coração humano, capaz de todas as vibrações de afeto. Se houvesse necessidade dum testemunho evangélico disto mesmo, não seria difícil encontrá-lo no diálogo comovente de Cristo com Pedro depois da ressurreição: « Simão, filho de João, tu amas-Me? » Por três vezes é feita a pergunta, e três vezes recebe como resposta: « Senhor, Tu sabes que Te amo » (cf. Jo 21, 15-17). Além do significado específico do texto, tão importante para a missão de Pedro, não passa despercebida a ninguém a beleza desta tríplice repetição, na qual a solicitação insistente e a respectiva resposta são expressas com termos bem conhecidos da experiência universal do amor humano. Para compreender o Rosário, é preciso entrar na dinâmica psicológica típica do amor.

Uma coisa é clara! Se a repetição da Ave Maria se dirige diretamente a Maria, com Ela e por Ela é para Jesus que, em última análise, vai o ato de amor. A repetição alimenta-se do desejo duma conformação cada vez mais plena Cristo, verdadeiro “programa” da vida cristã. S. Paulo enunciou este programa com palavras cheias de ardor: « Para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro » (Flp 1, 21). E ainda: « Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim » (Gal 2, 20). O Rosário ajuda-nos a crescer nesta conformação até à meta da santidade.

Um método válido…

27. Não deve maravilhar-nos o facto de a relação com Cristo se servir também do auxílio dum método. Deus comunica-Se ao homem, respeitando o modo de ser da nossa natureza e os seus ritmos vitais. Por isso a espiritualidade cristã, embora conhecendo as formas mais sublimes do silêncio místico onde todas as imagens, palavras e gestos ficam superados pela intensidade duma inefável união do homem com Deus, normalmente passa pelo envolvimento total da pessoa, na sua complexa realidade psico-física e relacional.

Isto é evidente na Liturgia. Os sacramentos e os sacramentais estão estruturados com uma série de ritos, em que se faz apelo às diversas dimensões da pessoa. E a mesma exigência transparece da oração não litúrgica. A confirmá-lo está o facto de a oração mais característica de meditação cristológica no Oriente, que se centra nas palavras « Jesus Cristo, Filho de Deus, Senhor, tem piedade de mim, pecador »,(34)estar tradicionalmente ligada ao ritmo da respiração: ao mesmo tempo que isso facilita a perseverança na invocação, assegura quase uma densidade física ao desejo de que Cristo se torne a respiração, a alma e o “tudo” da vida.

…que todavia pode ser melhorado

28. Recordei na Carta apostólica Novo millennio ineunte que há hoje, mesmo no Ocidente, uma renovada exigência de meditação, que se vê às vezes promovida noutras religiões com modalidades cativantes.(35)Não faltam cristãos que, por reduzido conhecimento da tradição contemplativa cristã, se deixam aliciar por tais propostas. Apesar de possuírem elementos positivos e às vezes compatíveis com a experiência cristã, todavia escondem frequentemente um fundo ideológico inaceitável. Em tais experiências, é muito comum aparecer uma metodologia que, tendo por objectivo uma alta concentração espiritual, recorre a técnicas repetitivas e simbólicas de carácter psico-físico. O Rosário coloca-se neste quadro universal da fenomenologia religiosa, mas apresenta características próprias, que correspondem às exigências típicas da especificidade cristã.

Na realidade, trata-se simplesmente de um método para contemplar. E, como método que é, há-de ser utilizado em ordem ao seu fim, e não como fim em si mesmo. Mas, sendo fruto duma experiência secular, o próprio método não deve ser subestimado. Abona em seu favor a experiência de inumeráveis Santos. Isto, porém, não impede que seja melhorado. Tal é o objectivo da inserção, no ciclo dos mistérios, da nova série dos mysteria lucis, juntamente com algumas sugestões relativas à recitação, que proponho nesta Carta. Através delas, embora respeitando a estrutura amplamente consolidada desta oração, queria ajudar os fiéis a compreendê-la nos seus aspectos simbólicos, em sintonia com as exigências da vida quotidiana. Sem isso, o Rosário corre o risco não só de não produzir os efeitos espirituais desejados, mas até mesmo de o terço, com que habitualmente é recitado, acabar por ser visto quase como um amuleto ou objecto mágico, com uma adulteração radical do seu sentido e função.

A enunciação do mistério

29. Enunciar o mistério, com a possibilidade até de fixar contextualmente um ícone que o represente, é como abrir um cenário sobre o qual se concentra a atenção. As palavras orientam a imaginação e o espírito para aquele episódio ou momento concreto da vida de Cristo. Na espiritualidade que se foi desenvolvendo na Igreja, tanto a veneração de ícones como inúmeras devoções ricas de elementos sensíveis e mesmo o método proposto por Santo Inácio de Loiola nos Exercícios Espirituais recorrem ao elemento visível e figurativo (a chamada compositio loci), considerando-o de grande ajuda para facilitar a concentração do espírito no mistério. Aliás, é uma metodologia que corresponde à própria lógica da Encarnação: em Jesus, Deus quis tomar feições humanas. É através da sua realidade corpórea que somos levados a tomar contacto com o seu mistério divino.

É a esta exigência de concretização que dá resposta a enunciação dos vários mistérios do Rosário. Certamente, estes não substituem o Evangelho, nem fazem referência a todas as suas páginas. Por isso, o Rosário não substitui a lectio divina; pelo contrário, supõe-na e promove-a. Mas, se os mistérios considerados no Rosário, completados agora com os mysteria lucis, se limitam aos traços fundamentais da vida de Cristo, o espírito pode facilmente a partir deles estender-se ao resto do Evangelho, sobretudo quando o Rosário é recitado em momentos particulares de prolongado silêncio.

A escuta da Palavra de Deus

30. A fim de dar fundamentação bíblica e maior profundidade à meditação, é útil que a enunciação do mistério seja acompanhada pela proclamação de uma passagem bíblica alusiva, que, segundo as circunstâncias, pode ser mais ou menos longa. De facto, as outras palavras não atingem nunca a eficácia própria da palavra inspirada. Esta há-de ser escutada com a certeza de que é Palavra de Deus, pronunciada para o dia de hoje e “para mim”.

Assim acolhida, ela entra na metodologia de repetição do Rosário, sem provocar o enfado que derivaria duma simples evocação de informação já bem conhecida. Não, não se trata de trazer à memória uma informação, mas de deixar Deus “falar”. Em ocasiões solenes e comunitárias, esta palavra pode ser devidamente ilustrada com um breve comentário.

O silêncio

31. A escuta e a meditação alimentam-se de silêncio. Por isso, após a enunciação do mistério e a proclamação da Palavra, é conveniente parar, durante um côngruo período de tempo, a fixar o olhar sobre o mistério meditado, antes de começar a oração vocal. A redescoberta do valor do silêncio é um dos segredos para a prática da contemplação e da meditação. Entre as limitações duma sociedade de forte predominância tecnológica e mediática, conta-se o facto de se tornar cada vez mais difícil o silêncio. Tal como na Liturgia se recomendam momentos de silêncio, assim também na recitação do Rosário é oportuno fazer uma pausa depois da escuta da Palavra de Deus enquanto o espírito se fixa no conteúdo do relativo mistério.

O “Pai nosso”

32. Após a escuta da Palavra e a concentração no mistério, é natural que o espírito se eleve para o Pai. Em cada um dos seus mistérios, Jesus leva-nos sempre até ao Pai, para Quem Ele Se volta continuamente porque repousa no seu “seio” (cf. Jo 1,18). Quer introduzir-nos na intimidade do Pai, para dizermos com Ele: « Abbá, Pai » (Rom 8, 5; Gal 4, 6). É em relação ao Pai que Ele nos torna irmãos seus e entre nós, ao comunicar-nos o Espírito que é conjuntamente d’Ele e do Pai. O “Pai nosso”, colocado quase como alicerce da meditação cristológico-mariana que se desenrola através da repetição da Ave Maria, torna a meditação do mistério, mesmo quando é feita a sós, uma experiência eclesial.

As dez “Ave Marias”

33. Este elemento é o mais encorpado do Rosário e também o que faz dele uma oração mariana por excelência. Mas à luz da própria Ave Maria, bem entendida, nota-se claramente que o carácter mariano não só não se opõe ao cristológico como até o sublinha e exalta. De facto, a primeira parte da Ave Maria, tirada das palavras dirigidas a Maria pelo Anjo Gabriel e por Santa Isabel, é contemplação adoradora do mistério que se realiza na Virgem de Nazaré. Exprimem, por assim dizer, a admiração do céu e da terra, e deixam de certo modo transparecer o encanto do próprio Deus ao contemplar a sua obra-prima –a encarnação do Filho no ventre virginal de Maria – na linha daquele olhar contente do Gênesis (cf. Gen 1, 31), daquele primordial « pathos com que Deus, na aurora da criação, contemplou a obra das suas mãos ».(36)A repetição da Ave Maria no Rosário sintoniza-nos com este encanto de Deus: é júbilo, admiração, reconhecimento do maior milagre da história. É o cumprimento da profecia de Maria: « Desde agora, todas as gerações Me hão-de chamar ditosa » (Lc 1, 48).

O baricentro da Ave Maria, uma espécie de charneira entre a primeira parte e a segunda, é o nome de Jesus. Às vezes, na recitação precipitada, perde-se tal baricentro e, com ele, também a ligação ao mistério de Jesus que se está a contemplar. Ora, é precisamente pela acentuação dada ao nome de Jesus e ao seu mistério que se caracteriza a recitação expressiva e frutuosa do Rosário. Já Paulo VI recordou na Exortação apostólica Marialis cultus o costume, existente nalgumas regiões, de dar realce ao nome de Cristo acrescentando-lhe uma cláusula evocativa do mistério que se está a meditar.(37)É um louvável costume, sobretudo na recitação pública. Exprime de forma intensa a fé cristológica, aplicada aos diversos momentos da vida do Redentor. É profissão de fé e, ao mesmo tempo, um auxílio para permanecer em meditação, permitindo dar vida à função assimiladora, contida na repetição da Ave Maria, relativamente ao mistério de Cristo. Repetir o nome de Jesus – o único nome do qual se pode esperar a salvação (cf. At 4, 12) – enlaçado com o da Mãe Santíssima, e de certo modo deixando que seja Ela própria a sugerir-no-lo, constitui um caminho de assimilação que quer fazer-nos penetrar cada vez mais profundamente na vida de Cristo.

Desta relação muito especial de Maria com Cristo, que faz d’Ela a Mãe de Deus, a Theotòkos, deriva a força da súplica com que nos dirigimos a Ela depois na segunda parte da oração, confiando à sua materna intercessão a nossa vida e a hora da nossa morte.

O “Glória”

34. A doxologia trinitária é a meta da contemplação cristã. De facto, Cristo é o caminho que nos conduz ao Pai no Espírito. Se percorrermos em profundidade este caminho, achamo-nos continuamente na presença do mistério das três Pessoas divinas para As louvar, adorar, agradecer. É importante que o Glóriaapogeu da contemplação, seja posto em grande evidência no Rosário. Na recitação pública, poder-se-ia cantar para dar a devida ênfase a esta perspectiva estrutural e qualificadora de toda a oração cristã.

Na medida em que a meditação do mistério tiver sido – de Ave Maria em Ave Maria – atenta, profunda, animada pelo amor de Cristo e por Maria, a glorificação trinitária de cada dezena, em vez de reduzir-se a uma rápida conclusão, adquirirá o seu justo tom contemplativo, quase elevando o espírito à altura do Paraíso e fazendo-nos reviver de certo modo a experiência do Tabor, antecipação da contemplação futura: « Que bom é estarmos aqui! » (Lc 9, 33).

A jaculatória final

35. Na prática corrente do Rosário, depois da doxologia trinitária diz-se uma jaculatória, que varia segundo os costumes. Sem diminuir em nada o valor de tais invocações, parece oportuno assinalar que a contemplação dos mistérios poderá manifestar melhor toda a sua fecundidade, se se tiver o cuidado de terminar cada um dos mistérios com uma oração para obter os frutos específicos da meditação desse mistério. Deste modo, o Rosário poderá exprimir com maior eficácia a sua ligação com a vida cristã. Isto mesmo no-lo sugere uma bela oração litúrgica, que nos convida a pedir para, através da meditação dos mistérios do Rosário, chegarmos a « imitar o que contêm e alcançar o que prometem ».(38)

Uma tal oração conclusiva poderá gozar, como acontece já, de uma legítima variedade na sua inspiração. Assim, o Rosário adquirirá uma fisionomia mais adaptada às diferentes tradições espirituais e às várias comunidades cristãs. Nesta perspectiva, é desejável que haja uma divulgação, com o devido discernimento pastoral, das propostas mais significativas, talvez experimentadas em centros e santuários marianos particularmente sensíveis à prática do Rosário, para que o Povo de Deus possa valer-se de toda a verdadeira riqueza espiritual, tirando dela alimento para a sua contemplação.

O terço

36. Um instrumento tradicional na recitação do Rosário é o terço. No seu uso mais superficial, reduz-se frequentemente a um simples meio para contar e registar a sucessão das Ave Marias. Mas, presta-se também a exprimir simbolismos, que podem conferir maior profundidade à contemplação.

A tal respeito, a primeira coisa a notar é como o terço converge para o Crucificado, que desta forma abre e fecha o próprio itinerário da oração. Em Cristo, está centrada a vida e a oração dos crentes. Tudo parte d’Ele, tudo tende para Ele, tudo por Ele, no Espírito Santo, chega ao Pai.

Como instrumento de contagem que assinala o avançar da oração, o terço evoca o caminho incessante da contemplação e da perfeição cristã. O Beato Bártolo Longo via-o também como uma “cadeia” que nos prende a Deus. Cadeia sim, mas uma doce cadeia; assim se apresenta sempre a relação com um Deus que é Pai. Cadeia “filial”, que nos coloca em sintonia com Maria, a « serva do Senhor » (Lc 1, 38), e em última instância com o próprio Cristo que, apesar de ser Deus, Se fez « servo » por nosso amor (Flp 2, 7).

É bom alargar o significado simbólico do terço também à nossa relação recíproca, recordando através dele o vínculo de comunhão e fraternidade que a todos nos une em Cristo.

Começo e conclusão

37. Segundo a praxe comum, são vários os modos de introduzir o Rosário nos distintos contextos eclesiais. Em algumas regiões, costuma-se iniciar com a invocação do Salmo 69/70: « Ó Deus, vinde em nosso auxílio; Senhor, socorrei-nos e salvai-nos », para de certo modo alimentar, na pessoa orante, a humilde certeza da sua própria indigência; ao contrário, noutros lugares começa-se com a recitação do Creio em Deus Pai, querendo de certo modo colocar a profissão de fé como fundamento do caminho contemplativo que se inicia. Estes e outros modos, na medida em que dispõem melhor à contemplação, são métodos igualmente legítimos. A recitação termina com a oração pelas intenções do Papa, para estender o olhar de quem reza ao amplo horizonte das necessidades eclesiais. Foi precisamente para encorajar esta perspectiva eclesial do Rosário que a Igreja quis enriquecê-lo com indulgências sagradas para quem o recitar com as devidas disposições.

Assim vivido, o Rosário torna-se verdadeiramente um caminho espiritual, onde Maria faz de mãe, mestra e guia, e apoia o fiel com a sua poderosa intercessão. Como admirar-se de que o espírito, no final desta oração em que teve a experiência íntima da maternidade de Maria, sinta a necessidade de se expandir em louvores à Virgem Santa, quer com a oração esplêndida da Salve Rainha, quer através das invocações da Ladainha Lauretana? É o remate dum caminho interior que levou o fiel ao contacto vivo com o mistério de Cristo e da sua Mãe Santíssima.

A distribuição no tempo

38. O Rosário pode ser recitado integralmente todos os dias, não faltando quem louvavelmente o faça. Acaba assim por encher de oração as jornadas de tantos contemplativos, ou servir de companhia a doentes e idosos que dispõem de tempo em abundância. Mas é óbvio – e isto vale com mais forte razão ao acrescentar-se o novo ciclo dos mysteria lucis – que muitos poderão recitar apenas uma parte, segundo uma determinada ordem semanal. Esta distribuição pela semana acaba por dar às sucessivas jornadas desta uma certa “cor” espiritual, de modo análogo ao que faz a Liturgia com as várias fases do ano litúrgico.

Segundo a prática corrente, a segunda e a quinta-feira são dedicadas aos “mistérios da alegria”, a terça e a sexta-feira aos “mistérios da dor”, a quarta-feira, o sábado e o domingo aos “mistérios da glória”. Onde se podem inserir os “mistérios da luz”? Atendendo a que os mistérios gloriosos são propostos em dois dias seguidos –sábado e domingo – e que o sábado é tradicionalmente um dia de intenso carácter mariano, parece recomendável deslocar para ele a segunda meditação semanal dos mistérios gozosos, nos quais está mais acentuada a presença de Maria. E assim fica livre a quinta-feira precisamente para a meditação dos mistérios da luz.

Esta indicação, porém, não pretende limitar uma certa liberdade de opção na meditação pessoal e comunitária, segundo as exigências espirituais e pastorais e sobretudo as coincidências litúrgicas que possam sugerir oportunas adaptações. Verdadeiramente importante é que o Rosário seja cada vez mais visto e sentido como itinerário contemplativo. Através dele, de modo complementar ao que se realiza na Liturgia, a semana do cristão, tendo o domingo – dia da ressurreição – por charneira, torna-se uma caminhada através dos mistérios da vida de Cristo, para que Ele Se afirme, na vida dos seus discípulos, como Senhor do tempo e da história.

CONCLUSÃO

« Rosário bendito de Maria,
doce cadeia que nos prende a Deus »

39. Tudo o que foi dito até agora, manifesta amplamente a riqueza desta oração tradicional, que tem não só a simplicidade duma oração popular, mas também a profundidade teológica duma oração adaptada a quem sente a exigência duma contemplação mais madura.

A Igreja reconheceu sempre uma eficácia particular ao Rosário, confiando-lhe, mediante a sua recitação comunitária e a sua prática constante, as causas mais difíceis. Em momentos em que estivera ameaçada a própria cristandade, foi à força desta oração que se atribuiu a libertação do perigo, tendo a Virgem do Rosário sido saudada como propiciadora da salvação.

À eficácia desta oração, confio de bom grado hoje – como acenei ao princípio – a causa da paz no mundo e a causa da família.

A paz

40. As dificuldades que o horizonte mundial apresenta, neste início de novo milênio, levam-nos a pensar que só uma intervenção do Alto, capaz de orientar os corações daqueles que vivem em situações de conflito e de quantos regem os destinos das Nações, permite esperar num futuro menos sombrio.

O Rosário é, por natureza, uma oração orientada para a paz, precisamente porque consiste na contemplação de Cristo, Príncipe da paz e « nossa paz » (Ef 2, 14). Quem assimila o mistério de Cristo – e o Rosário visa isto mesmo – apreende o segredo da paz e dele faz um projeto de vida. Além disso, devido ao seu carácter meditativo com a serena sucessão das “Ave Marias”, exerce uma ação pacificadora sobre quem o reza, predispondo-o a receber e experimentar no mais fundo de si mesmo e a espalhar ao seu redor aquela paz verdadeira que é um dom especial do Ressuscitado (cf. Jo 14, 27; 20, 21).

Depois, o Rosário é oração de paz também pelos frutos de caridade que produz. Se for recitado devidamente como verdadeira oração meditativa, ao facilitar o encontro com Cristo nos mistérios não pode deixar de mostrar também o rosto de Cristo nos irmãos, sobretudo nos que mais sofrem. Como seria possível fixar nos mistérios gozosos o mistério do Menino nascido em Belém, sem sentir o desejo de acolher, defender e promover a vida, preocupando-se com o sofrimento das crianças nas diversas partes do mundo? Como se poderia seguir os passos de Cristo revelador, nos mistérios da luz, sem se empenhar a testemunhar as suas “bem-aventuranças” na vida diária? E como contemplar a Cristo carregado com a cruz ou crucificado, sem sentir a necessidade de se fazer seu “cireneu” em cada irmão abatido pela dor ou esmagado pelo desespero? Enfim, como se poderia fixar os olhos na glória de Cristo ressuscitado e em Maria coroada Rainha, sem desejar tornar este mundo mais belo, mais justo, mais conforme ao desígnio de Deus?

Em suma o Rosário, ao mesmo tempo que nos leva a fixar os olhos em Cristo, torna-nos também construtores da paz no mundo. Pelas suas características de petição insistente e comunitária, em sintonia com o convite de Cristo para « orar sempre, sem desfalecer » (Lc 18, 1), aquele permite-nos esperar que, também hoje, se possa vencer uma “batalha” tão difícil como é a da paz. Longe de constituir uma fuga dos problemas do mundo, o Rosário leva-nos assim a vê-los com olhar responsável e generoso, e alcança-nos a força de voltar para eles com a certeza da ajuda de Deus e o firme propósito de testemunhar em todas as circunstâncias « a caridade, que é o vínculo da perfeição » (Col 3, 14).

A família: os pais…

41. Oração pela paz, o Rosário foi desde sempre também oração da família e pela família. Outrora, esta oração era particularmente amada pelas famílias cristãs e favorecia certamente a sua união. É preciso não deixar perder esta preciosa herança. Importa voltar a rezar em família e pelas famílias, servindo-se ainda desta forma de oração.

Se, na Carta apostólica Novo millennio ineunte, encorajei a celebração da Liturgia da Horas pelos próprios leigos na vida ordinária das comunidades paroquiais e dos vários grupos cristãos,(39) o mesmo desejo fazer quanto ao Rosário. Trata-se de dois caminhos, não alternativos mas complementares, da contemplação cristã. Peço, pois, a todos aqueles que se dedicam à pastoral das famílias para sugerirem com convicção a recitação do Rosário.

A família que reza unida, permanece unida. O Santo Rosário, por antiga tradição, presta-se de modo particular a ser uma oração onde a família se encontra. Os seus diversos membros, precisamente ao fixarem o olhar em Jesus, recuperam também a capacidade de se olharem sempre de novo olhos nos olhos para comunicarem, solidarizarem-se, perdoarem-se mutuamente, recomeçarem com um pacto de amor renovado pelo Espírito de Deus.

Muitos problemas das famílias contemporâneas, sobretudo nas sociedades economicamente evoluídas, derivam do facto de ser cada vez mais difícil comunicar. Não conseguem estar juntos, e os raros momentos para isso acabam infelizmente absorvidos pelas imagens duma televisão. Retomar a recitação do Rosário em família significa inserir na vida diária imagens bem diferentes – as do mistério que salva: a imagem do Redentor, a imagem de sua Mãe Santíssima. A família, que reza unida o Rosário, reproduz em certa medida o clima da casa de Nazaré: põe-se Jesus no centro, partilham-se com Ele alegrias e sofrimentos, colocam-se nas suas mãos necessidades e projetos, e d’Ele se recebe a esperança e a força para o caminho.

… e os filhos

42. É bom e frutuoso também confiar a esta oração o itinerário de crescimento dos filhos. Porventura não é o Rosário o itinerário da vida de Cristo, desde a sua concepção até à morte, ressurreição e glória? Hoje torna-se cada vez mais árdua para os pais a tarefa de seguirem os filhos pelas várias etapas da sua vida. Na sociedade da tecnologia avançada, dos mass-media e da globalização, tudo se tornou tão rápido; e a distância cultural entre as gerações é cada vez maior. Os apelos mais diversos e as experiências mais imprevisíveis cedo invadem a vida das crianças e adolescentes, e os pais sentem-se às vezes angustiados para fazer face aos riscos que aqueles correm. Não é raro experimentarem fortes desilusões, constatando a falência dos seus filhos perante a sedução da droga, o fascínio dum hedonismo desenfreado, as tentações da violência, as expressões mais variadas de falta de sentido e de desespero.

Rezar o Rosário pelos filhos e, mais ainda, com os filhos, educando-os desde tenra idade para este momento diário de “paragem orante” da família, não traz por certo a solução de todos os problemas, mas é uma ajuda espiritual que não se deve subestimar. Pode-se objectar que o Rosário parece uma oração pouco adaptada ao gosto das crianças e jovens de hoje. Mas a objecção parte talvez da forma muitas vezes pouco cuidada de o rezar. Ora, ressalvada a sua estrutura fundamental, nada impede que a recitação do Rosário para crianças e jovens, tanto em família como nos grupos, seja enriquecida com atrativos simbólicos e práticos, que favoreçam a sua compreensão e valorização. Por que não tentar? Uma pastoral juvenil sem descontos, apaixonada e criativa – as Jornadas Mundiais da Juventude deram-me a sua medida! – pode, com a ajuda de Deus, fazer coisas verdadeiramente significativas. Se o Rosário for bem apresentado, estou seguro de que os próprios jovens serão capazes de surpreender uma vez mais os adultos, assumindo esta oração e recitando-a com o entusiasmo típico da sua idade.

O Rosário, um tesouro a descobrir

43. Queridos irmãos e irmãs! Uma oração tão fácil e ao mesmo tempo tão rica merece verdadeiramente ser descoberta de novo pela comunidade cristã. Façamo-lo sobretudo neste ano, assumindo esta proposta como um reforço da linha traçada na Carta apostólica Novo millennio ineunte, na qual se inspiraram os planos pastorais de muitas Igrejas particulares ao programarem os seus compromissos a curto prazo.

Dirijo-me de modo particular a vós, amados Irmãos no Episcopado, sacerdotes e diáconos, e a vós, agentes pastorais nos diversos ministérios, pedindo que, experimentando pessoalmente a beleza do Rosário, vos torneis solícitos promotores do mesmo.

Também espero em vós, teólogos, para que desenvolvendo uma reflexão simultaneamente rigorosa e sapiencial, enraizada na Palavra de Deus e sensível à vida concreta do povo cristão, façais descobrir os fundamentos bíblicos, as riquezas espirituais, a validade pastoral desta oração tradicional.

Conto convosco, consagrados e consagradas, a título especial chamados a contemplar o rosto de Cristo na escola de Maria.

Penso em vós todos, irmãos e irmãs de qualquer condição, em vós, famílias cristãs, em vós, doentes e idosos, em vós, jovens: retomai confiadamente nas mãos o terço do Rosário, fazendo a sua descoberta à luz da Escritura, de harmonia com a Liturgia, no contexto da vida quotidiana.

Que este meu apelo não fique ignorado! No início do vigésimo quinto ano de Pontificado, entrego esta Carta apostólica nas mãos sapientes da Virgem Maria, prostrando-me em espírito diante da sua imagem venerada no Santuário esplêndido que Lhe edificou o Beato Bártolo Longo, apóstolo do Rosário. De bom grado, faço minhas as comoventes palavras com que ele conclui a célebre Súplica à Rainha do Santo Rosário: « Ó Rosário bendito de Maria, doce cadeia que nos prende a Deus, vínculo de amor que nos une aos Anjos, torre de salvação contra os assaltos do inferno, porto seguro no naufrágio geral, não te deixaremos nunca mais. Serás o nosso conforto na hora da agonia. Seja para ti o último beijo da vida que se apaga. E a última palavra dos nossos lábios há-de ser o vosso nome suave, ó Rainha do Rosário de Pompeia, ó nossa Mãe querida, ó Refúgio dos pecadores, ó Soberana consoladora dos tristes. Sede bendita em todo o lado, hoje e sempre, na terra e no céu ».

Vaticano, 16 de Outubro de 2002, início do vigésimo quinto ano de Pontificado.

 

JOÃO PAULO II


Notas

(1) Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. sobre a Igreja no mundo contemporâneo Gaudium et spes, 45.

(2) Cf. Paulo VI, Exort. ap. Marialis cultus (2 de Fevereiro de 1974), 42: AAS 66 (1974), 153.

(3) Cf. Acta Leonis XIII, 3 (1884), 280-289.

(4) De modo particular, merece menção a sua Epístola apostólica sobre o Rosário « O encontro religioso », de 29 de Setembro de 1961: AAS 53 (1961), 641-647.

(5Alocução do « Angelus »: L’Osservatore Romano (ed. portuguesa: 5 de Novembro de 1978), 1.

(6) Cf. n. 29: AAS 93 (2001), 285.

(7) João XXIII, nos anos de preparação do Concílio, não deixou de convidar a comunidade cristã à recitação do Rosário pelo sucesso deste evento eclesial: cf. Carta ao Cardeal Vigário de 28 de Setembro de 1960: AAS 52 (1960), 814-817.

(8) Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 66.

(9) N. 32: AAS 93 (2001), 288.

(10Ibid., 33: l. c., 289.

(11) É sabido, e há que reafirmá-lo, que as revelações privadas não são da mesma natureza que a revelação pública, normativa para toda a Igreja. Ao Magistério cabe discernir e reconhecer a autenticidade e o valor das revelações privadas para a piedade dos fiéis.

(12O segredo maravilhoso do Santo Rosário para converter-se e salvar-se: S. Luís Maria Grignion de Montfort, Obras, 1, Escritos espirituais (Roma 1990), pp. 729-843.

(13) Beato Bártolo Longo, História do Santuário de Pompeia, (Pompeia 1990), p. 59.

(14) Exort. ap. Marialis cultus (2 de Fevereiro de 1974), 47: AAS 66 (1974), 156.

(15) Const. sobre a Sagrada Liturgia Sacrosanctum Concilium, 10.

(16Ibid., 12.

(17) Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Lumen gentium58.

(18Os Quinze Sábados do Santíssimo Rosário,27 (ed. Pompeia 1916), p. 27.

(19) Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Lumen gentium53.

(20Ibid., 60.

(21) Cf. Primeira Radiomensagem Urbi et orbi (17 de Outubro de 1978): AAS 70 (1978), 927.

(22Tratado da verdadeira devoção a Maria, 120, em: Obras. Vol. I Escritos espirituais (Roma 1990), p. 430.

(23Catecismo da Igreja Católica, 2679.

(24Ibid., 2675.

(25) A Súplica à Rainha do Santo Rosário, que se recita solenemente duas vezes ao ano, em Maio e Outubro, foi composta pelo Beato Bártolo Longo em 1883, como adesão ao convite feito aos católicos pelo Papa Leão XIII, na sua primeira Encíclica sobre o Rosário, de um empenho espiritual para enfrentar os males da sociedade.

(26Divina Comédia, Par. XXXIII, 13-15 (« Mulher, és tão grande e tanto vales, / que quem deseja uma graça e a vós não se dirige, é como se quisesse voar sem asas »).

(27) João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte (6 de Janeiro de 2001), 20: AAS 93 (2001), 279.

(28) Exort. ap. Marialis cultus (2 de Fevereiro de 1974), 46: AAS 66 (1974), 155.

(29) João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte (6 de Janeiro de 2001), 28: AAS 93 (2001), 284.

(30) N. 515.

(31) Angelus do dia 29 de Outubro de 1978: L’Osservatore Romano (ed. portuguesa: 5 de Novembro de 1978), 1.

(32) Const. past. sobre a Igreja no mundo contemporâneo Gaudium et spes, 22.

(33) Santo Ireneu de Lião, Adversus haereses, III, 18,1: PG7, 932.

(34Catecismo da Igreja Católica, 2616.

(35) Cf. n. 33: AAS 93 (2001), 289.

(36) João Paulo II, Carta aos Artistas (4 de Abril de 1999), 1: AAS 91 (1999), 1155.

(37) Cf. n. 46: AAS 66 (1974), 155. Tal costume foi louvado ainda recentemente pela Congregação do Culto Divino e da Disciplina dos Sacramentos, no Directório sobre piedade popular e liturgia. Princípios e orientações (17 de Dezembro de 2001), 201 (Cidade do Vaticano 2002), p. 165.

(38) « …concede, quæsumus, ut hæc mysteria sacratissimo beatæ Mariæ Virginis Rosario recolentes, et imitemur quod continent, et quod promittunt assequamur »: Missale Romanum (1960) in festo B. M. Virginis a Rosario.

(39) Cf. n. 34: AAS 93 (2001), 290.

 


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Originalmente publicada no site oficial do Vaticano (Vatican.va)

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Carnaval é para os cristãos?

“17.Pelo contrário, quem se une ao Senhor torna-se com ele um só espírito. 18.Fugi da fornicação. Qualquer outro pecado que o homem comete é fora do corpo, mas o impuro peca contra o seu próprio corpo. 19.Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habi­ta em vós, o qual recebes­tes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis?”
I Coríntios, 6,17-19 – Bíblia Católica Online

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O carnaval é para os cristãos?

Seguindo uma antiga tradição ascética, os monges assim o faziam. Portanto, o último dia em que poderiam comer carne antes de entrar na Quaresma era justamente a terça-feira anterior ao dia de Cinzas. Assim, costumou-se chamar, este dia de “carne vale”, que, depois de passar pelos processos de transliteração, tornou-se a palavra “carnaval”. Sob este título se reuniram tradições festivas de outras culturas.

Surge então um problema: o Carnaval acabou sendo entendido como festa dos excessos, onde tudo é permitido. Por isso, a festa, que era para ser apenas um momento de celebração e alegria, tornou-se motivo de escândalo para muitos cristãos. Ele tornou-se assim um assunto controverso: uns dizem que podem comemorar e outros anatematizam a ideia. Cada um aproveita de um modo: brincando, assistindo aos desfiles, descansando, viajando, rezando nos retiros, sem, contudo, chegar a um consenso sobre o assunto. Todos os anos faz-se a pergunta: o cristão pode ou não brincar o Carnaval?

Talvez seja a pergunta mais difícil de se responder.

Com certeza existem 3 grupos de pessoas (cristãs) que irão responder de três diferentes formas: Não, Sim e Não sei.

Porque seria tão difícil a resposta?

Simplesmente porque o Carnaval é antes de tudo uma “festa” e não existe proibições para festas na Bíblia.

Porém existem recomendações e proibições para os exageros, luxúria e tudo o que o carnaval muitas vezes traz embutido. Lembramos sempre de 1Cor 6, 17-19 .E ai está o problema e a dificuldade de se dar uma resposta mais direta.

Analisemos o SIM: seria sim permitido pelo fato de que o cristão deve sempre saber resistir as tentações e se comportar onde quer que vá. Ou seja, mesmo num ambiente, digamos, caótico, o fiel cristão deve se sobressair e não se deixar levar.

Analisemos o NÃO: não seria permitido por ser uma festa que evoca promiscuidade, bebedeira e violência em muitos casos. o clima de vale tudo não pode e não deve ser associado ao cristão. Hipocrisia? Não! Apenas um jeito que muitos fiéis escolhem em viver a sua fé, evitando o pecado a todo custo.

Analisemos o NÃO SEI: parece ser uma resposta típica de um fiel que não tem opinião formada ainda. Talvez lhe falte um pouco mais de aprofundamento e reflexão. É a resposta do fiel que vê muita coisa, digamos, errada no carnaval, mas por outro lado vê como uma forma das pessoas extravasarem.

Lembro que o carnaval antecede o maior período de oração e penitencia dentro do Ano Litúrgico da Igreja Católica: A Quaresma. Ou seja, após os dias do carnaval serão 40 dias de muita oração para quem professa a fé católica.

Valeria a pena se esbaldar no carnaval e pedir perdão na quaresma?

Eu digo que não.

Temos que lembrar que muitas vezes é preciso que analisemos friamente cada ato nosso, cada escolha e cada passo, sempre pela luz da nossa fé. Do que adianta beber exageradamente, sofrer  ou causar um acidente? Do que adianta se entregar ao sexo desenfreado e depois se descobrir com uma doença venéria? Do que adianta acharmos que serão apenas 3 ou 4 dias de folia e que isso não fará mal, se na realidade tudo tem uma consequência?

É preferível escolher um carnaval mais familiar, um retiro cristão ou uma viagem de descanso.

Isso não quer dizer que a escolha não seja sua. Ela sempre será. Mas é preciso agir sob a luz de Deus.

Vale uma reflexão que encontrei no site da Arquidiocese do Rio de Janeiro:

1. O objetivo ao brincar: se o desejo de quem for brincar é apenas se divertir, não há problema algum. Deve-se ter o cuidado de saber bem onde vai, primeiro porque não podemos interferir na liberdade dos outros, então podemos acabar passando por situações desconfortáveis, mesmo sem querer; depois, porque “a carne é fraca”, e expor-se a determinados ambientes pode acabar nos levando ao erro, mesmo que essa não seja nossa intenção;

2. O objetivo ao não brincar: muitos cristãos dizem que Carnaval é “coisa do inimigo”, e preferem se recolher, ou participando de retiros de carnaval ou simplesmente procurando lugares recolhidos com pouca ou nenhuma manifestação festiva. Se, por um lado, essas pessoas fogem às tentações e aos possíveis pecados do Carnaval, por outro correm o grande risco de cometer o pecado da soberba ao sentirem-se melhores ou mais justos do que os outros que brincam. A exposição ao pecado, embora de modo diverso, é da mesma natureza.

Qual pode ser, então, a regra de ouro? A consciência. Cada um pode e deve examinar o próprio coração, as intenções, o que gosta de fazer e se é conveniente. Não há nenhuma palavra oficial a respeito porque ninguém pode ter a pretensão de regular a liberdade dos outros. O cristão, sendo habitado pelo Espírito, use sua liberdade a serviço de Deus e para realizar Sua vontade, que é que todos nos amemos e, pelo Amor e pela Graça, e não pelos méritos, sejamos salvos e cheguemos ao conhecimento da verdade. A grande lei, sempre será, em tudo, conversar a caridade.

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A História do Carnaval

Juliana Bezerra

Professora de História

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Cidades como Veneza (Itália), Nice (França), Nova Orleans (EUA), Ilhas Canárias (Espanha), Oruro (Bolívia) e Barranquilla (Colômbia), também celebram a festa, apesar do Brasil ser conhecido como o país do Carnaval.

Origem do Carnaval: como surgiu a festa

Teoria 1: Na Babilônia

A história do Carnaval pode ter origens babilônicas. Para alguns estudiosos, o Carnaval teve origem na Babilônia através da comemoração das Saceias. Nessa festa, concedia-se a um prisioneiro que assumisse a identidade do rei por alguns dias, sendo morto ao fim da comemoração.

Igualmente, na Babilônia, havia uma celebração, no templo do deus Marduk, quando o rei era agredido e humilhado, confirmando a sua inferioridade diante da figura divina.

Teoria 2: Na Grécia

Outros historiadores acreditam que o Carnaval teve início na Grécia por volta de 600 a.C., na altura em que era comemorado o princípio da primavera.

Teoria 3: Em Roma

Há, entretanto, suposições de que a sua origem decorre da Saturnália, em Roma, ocasião na qual as pessoas se mascaravam e passavam dias a brincar, comer e beber.

A evolução do Carnaval

Com a ascensão do cristianismo, as festas pagãs ganharam novos significados. Assim, o Carnaval tornou-se a oportunidade dos fiéis despedirem-se de se alimentarem de carne. Inclusive, a palavra carnaval vem do latim carnis levale que significa “retirar a carne”.

Para a Igreja Católica, o Carnaval antecede a Quaresma, o período de quarenta dias antes da Páscoa, onde se recorda o momento no qual Jesus esteve no deserto e foi tentado pelo demônio.

Desde o início da sua comemoração, no Carnaval, as pessoas podiam esconder ou trocar de identidade.

Assim, tinham maior liberdade para se divertir, ao mesmo tempo que podiam adquirir características ou funções diferentes do que eram verdadeiramente: pobres podiam ser ricos, homens podiam ser mulheres, entre outros.

Em Veneza, os nobres usavam máscaras para poder desfrutar da festa junto do povo e manter sua identidade oculta. Esta é a origem do uso da máscara, que é uma característica marcante desta celebração.

Origem do Carnaval no Brasil

No Brasil, o Carnaval surgiu com o entrudo trazido pelos portugueses. Este consistia numa brincadeira quando as pessoas atiravam água, farinha, ovos e tinta uma nas outras.

Por sua parte, os africanos escravizados se divertiam nestes dias ao som de batuques e ritmos trazidos da África e que se mesclariam com os gêneros musicais portugueses. Esta mistura seria a origem da marchinha de carnaval e do samba, entre muitos outros ritmos musicais.

No começo do século XX, com o objetivo de civilizar a festa, a prática de lançar farinha e água foi proibida. Por isso, as pessoas começaram a importar dos carnavais de Paris e Nice o costume de jogar confetes, serpentinas e buquês de flores.

Com a popularização dos automóveis, as famílias mais abastadas do Rio de Janeiro, Salvador ou Recife, saíam com os carros e jogavam confetes e serpentinas nos passantes.

Esta tradição se manteve até a década de 30, quando se registrou o fim da fabricação dos automóveis descapotáveis e também pelo barateamento dos veículos que permitiam as classes populares entrar na festa.

Com o surgimento do choro e da releitura de ritmos europeus, o Carnaval de rua era animado pelas marchinhas. Este é um gênero musical parecido às marchas militares, porém mais rápidas e com letras de duplo sentido. Desta maneira, criticam a sociedade, a classe política e a situação do país de maneira geral.

Considera-se que a primeira marchinha de Carnaval sejam “Ó Abre Alas“, escrita em 1899 pela compositora carioca Chiquinha Gonzaga.

Surgem os “ranchos”, as “sociedades carnavalescas” e os “cordões”, agrupações de foliões que saíam pelas ruas da cidade tocando as marchinhas e fazendo todos dançarem.

Com a popularização do rádio, as marchinhas caíram no gosto popular. Vários cantores registraram estas composições, mas cabe destacar os nomes de Carmem Miranda e Francisco Alves como os maiores intérpretes do gênero.

Na década de 60, a marchinha deu lugar ao samba-enredo das escolas de samba.

Leia mais em Toda Matéria

https://www.todamateria.com.br/historia-e-origem-do-carnaval/

Leia mais:

  1. O recado de Madre Angélica

Feliz Ano Novo em Cristo

Formação: Ano Litúrgico

O admirabile commercium! Creator generis humani, anima corpus sumens, de Virgine nasci digna tus est; et procedens homo sine semine, largitus est nobis suam deitatem.

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O Ano Litúrgico de 2019 acabou e se inicia um novo ano no dia 1 de dezembro com o Primeiro Domingo do Advento. Será o Ano A (Mateus), ou seja a grande maioria das leituras do ano será tirada do Evangelho de Mateus.

Vale dizer que o ano B é o Evangelho de Marcos e o ano C é o Evangelho de Lucas. Já o Evangelho de São João é reservado para as ocasiões especiais, principalmente as grandes Festas e Solenidades. Para este Evangelho não existe um Ano Litúrgico.

Pela tradição este é o dia correto para se montar a sua árvore de Natal e decorar sua casa. Para quem é católico pelo menos. Infelizmente as pessoas seguem o que diz os shoppings e as propagandas e começam a decorar suas casas para o Natal ainda em novembro. É pecado? Não. Apenas demonstra que está faltando mais atenção nas missas e talvez você não tenha feito uma boa catequese. Na melhor das hipóteses você se esqueceu do que aprendeu (acho difícil).

Pois bem o Advento é a preparação para o nascimento de Jesus (a memória). São 4 domingos em que a igreja se prepara de maneira especial para a segunda grande celebração do ano litúrgico: o nascimento de Jesus. A primeira é a Imaculada Conceição de Nossa Senhora (8 de dezembro).

O Advento também marca o início do novo ano da igreja Católica. Em 2019 foi no dia 1º de dezembro, em 2020 será em 29 de novembro, sempre quatro domingos antes do dia 25 de dezembro.

O ano civil continua e só termina no dia 31 de dezembro, e as pessoas comemoram muitas vezes enlouquecidamente. Pior, a maioria são católicos que não percebem que o nosso novo ano já se iniciou.

A maioria das grandes religiões tem uma data especifica para marcar o início do ano. Os judeus comemoram o  , os indianos o , budistas , muçulmanos  .

Com o início do Advento também se inicia o Ano Litúrgico, que são ciclos dentro da igreja para se rezar e evangelizar através da Palavra de Deus. Sendo que estes ciclos são divididos entre: Tempo do Advento, Tempo do Natal, Primeira Parte do Tempo Comum, Tempo da Quaresma, Tempo Pascal e Segunda Parte do Tempo Comum. O ano litúrgico termina com a Festa de Cristo Rei.

Interessante se pensar que o ano litúrgico começa logo com Maria, mãe de Jesus. “Ao celebrar o ciclo anual dos mistérios de Cristo, a santa Igreja venera com particular amor a bem-aventurada mãe de Deus, Maria, que por um vínculo indissolúvel está unida à obra salvífica de seu Filho; em Maria a Igreja admira e exalta o mais excelente fruto da redenção e a contempla com alegria como puríssima imagem do que ela própria anseia e espera ser em sua totalidade. ” (CIC 1172)

A preparação para a vinda de Jesus atravessou séculos e foi preparada de tal maneira por Deus, que cada fato na história da fé está intimamente ligada ao ápice do nascimento de Jesus. (Vide CIC 522-524).

Até mesmo a cena do nascimento numa manjedoura e numa família pobre mostra muita coisa, abre e deixa claro que a salvação é para todos e mesmo os mais humildes e pobres serão agraciados. “Tornar-se criança” em relação a Deus é a condição para entrar no Reino; para isso é preciso humilhar-se, tornar-se pequeno; mais ainda: é preciso “nascer do alto” (Jo 3,7), “nascer de Deus” para tornar-nos filhos de Deus. O mistério do Natal realiza-se em nós quando Cristo “toma forma” em nós. (CIC 525-526).

Então não é um tempo sem sentido, e a preparação deve ser ainda mais intensa.

Geralmente são realizadas novenas natalinas nas casas e assim a igreja sai do seu ponto estático (o Templo) e leva esta palavra as casas dos fiéis. Penetra nas famílias levando o Advento também para os lares. Muito como um convite a vir visitar a casa de Jesus, ou melhor, visitar e esperar o nascimento do Senhor. Assim como a estrela guiou os reis pelo deserto, as novenas e principalmente os domingos do Advento são o brilho desta estrela que repousará sobre cada um e também sobre a manjedoura que acolhe o próprio Deus encarnado como homem.

Então Feliz Ano Novo cristão.

E descubra todo o significado do Advento participando das Missas e abrindo sua casa para as novenas de Natal. O que você chama de Espírito Natalino é nada mais, nada menos que a acolhida da Sagrada Família à espera da memória do nascimento de Jesus.

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Como é Calculado o Ano Litúrgico?

Muito simples, apenas somando os algarismos do ano. Para se determinar qual é o Ano A, B ou C, procede-se da maneira seguinte: Pela letra C, designa-se o ano cujo número for divisível por três, como se o ciclo começasse no primeiro ano da contagem cristã. Deste modo, o Ano 1 teria sido o Ano A, o Ano 2 o Ano B, o Ano 3 o Ano C, e os Anos 6, 9, 12… novamente o Ano C. O ano em que a soma dos algarismos for um número múltiplo de 3 é do ciclo C.

Seguindo este critério temos: 2017 = 2+0+1+7= 10 (9, múltiplo de 3, + 1), portanto, foi Ano A. O ano seguinte, 2018, logicamente, Ano B. E o ano litúrgico de 2019 será o ano C, por ser múltiplo de 3. Não existe erro! É fácil.

É evidente que cada ciclo se desenvolve conforme a estrutura do ano litúrgico, isto é, a partir da primeira semana do Advento, que ocorre no ano civil anterior.

“As leituras Bíblicas que ocorrem nas celebrações, caracterizam-se com o chamado Ano Litúrgico, criado para acompanharmos através das leituras dos textos bíblicos (Evangelho e outros livros), a vida de Jesus em ordem cronológica do nascimento até a ascensão aos céus. Assim, ouvimos nas celebrações textos que falam do anúncio do Messias, da encarnação, de seu ministério público com milagres, do chamado ao discipulado, discursos, parábolas até culminarmos com Sua morte e ressurreição nos preparando para a Parusia, ou seja, do Cristo Rei do Universo no final do ano litúrgico.

Ano Litúrgico passa por três ciclos, também chamado de anos A, B, C. Em cada ano tem uma sequência de leituras próprias, ou seja, leituras para o ano A, para o ano B e para o ano C. A ideia desta distribuição de textos bíblicos ao longo de três anos tem como objetivo se ter uma visão e leitura de toda a Bíblia.” (trecho de texto do site Rumo a Santidade)

Constituição Sacrosanctum Concilium determinou:

«Prepare se para os fiéis, com maior abundância, a mesa da Palavra de Deus: abram se mais largamente os tesouros da Bíblia, de modo que, dentro de um período de tempo estabelecido, sejam lidas ao povo as partes mais importantes da Sagrada Escritura»

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Tempo do Natal (Catecismo da Igreja Católica)

522 A vinda do Filho de Deus à terra é um acontecimento de tal imensidão que Deus quis prepará-lo durante séculos. Ritos e sacrifícios, figuras e símbolos da “Primeira Aliança”, tudo ele faz convergir para Cristo; anuncia-o pela boca dos profetas que se sucedem em Israel. Desperta, além disso, no coração dos pagãos a obscura expectativa desta vinda. (Parágrafos relacionados: 711,762)

523 São João Batista é o precursor imediato do Senhor, enviado para preparar-lhe o caminho.

“Profeta do Altíssimo” (Lc 1,76), ele supera todos os profetas, deles é o último, inaugura o Evangelho; saúda a vinda de Cristo desde o seio de sua mãe e encontra sua alegria em ser “o amigo do esposo” (Jo 3,29), que designa como “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29). Precedendo a Jesus “com o espírito e o poder de Elias” (Lc 1,17), dá-lhe testemunho por sua pregação, seu batismo de conversão e, finalmente, seu martírio. (Parágrafos relacionados: 712,720)

524 Ao celebrar cada ano a liturgia do Advento, a Igreja atualiza esta espera do Messias: comungando com a longa preparação da primeira vinda do Salvador, os fiéis renovam o ardente desejo de sua Segunda Vinda. Pela celebração da natividade e do martírio do Precursor, a Igreja se une a seu desejo: “É preciso que Ele cresça e que eu diminua” (Jo 3,30). (Parágrafo relacionado: 1171)

O MISTÉRIO DO NATAL

525 Jesus nasceu na humildade de um estábulo, em uma família pobre; as primeiras testemunhas do evento são simples pastores. É nesta pobreza que se manifesta a glória do Céu. A Igreja não se cansa de cantar a glória dessa noite: Hoje a Virgem traz ao mundo o Eterno. (Parágrafos relacionados: 437,2443)

E a terra oferece uma gruta ao Inacessível.

Os anjos e os pastores o louvam

E os magos caminham com a estrela.

Pois Vós nascestes por nós, Menino, Deus eterno!

526 “Tornar-se criança” em relação a Deus é a condição para entrar no Reino; para isso é preciso humilhar-se, tornar-se pequeno; mais ainda: é preciso “nascer do alto” (Jo 3,7), “nascer de Deus” para tornar-nos filhos de Deus. O mistério do Natal realiza-se em nós quando Cristo “toma forma” em nós. O Natal é o mistério deste “admirável intercâmbio:

O admirabile commercium! Creator generis humani, anima corpus sumens, de Virgine nasci digna tus est; et procedens homo sine semine, largitus est nobis suam deitatem (Admirável intercâmbio! O Criador da humanidade, assumindo corpo e dignou-se nascer de uma Virgem; e, tomando-se homem intervenção do homem, nos doou sua própria divindade!)

O ANO LITÚRGICO

1168 Partindo do tríduo pascal, como de sua fonte de luz, o tempo novo da Ressurreição enche todo o ano litúrgico com sua claridade. Aproximando-se progressivamente de ambas as vertentes desta fonte, o ano é transfigurado pela liturgia. É realmente “ano de graça do Senhor”. A economia da salvação está em ação moldura do tempo, mas desde a sua realização na Páscoa de Jesus e a efusão do Espírito Santo o fim da história é antecipado, “em antegozo”, e o Reino de Deus penetra nosso tempo.

1169 Por isso, a páscoa não é simplesmente uma festa entre outras: é a “festa das festas”,

“solenidade das solenidades”, como a Eucaristia é o sacramento dos sacramentos (o grande sacramento). Santo Atanásio a denomina “o grande domingo como a semana santa é chamada no Oriente “a grande semana”. O mistério da ressurreição, no qual Cristo esmagou a morte, penetra nosso velho tempo com sua poderosa energia até que tudo lhe seja submetido.

1170 No Concílio de Nicéia (em 325), todas as Igrejas chegaram a um acordo acerca de que a páscoa cristã fosse celebrada no domingo que segue a lua cheia (14 Nisan) depois do equinócio de primavera. Por causa dos diversos métodos utilizados para calcular o dia 14 de mês de Nisan, o dia da Páscoa nem sempre ocorre simultaneamente nas Igrejas ocidentais e orientais. Por isso busca-se um acordo, a fim de se chegar novamente a celebrar em uma data comum o dia da Ressurreição do Senhor.

1171 O ano litúrgico é o desdobramento dos diversos aspectos do único mistério pascal. Isto vale muito particularmente para o ciclo das festas em tomo do mistério da encarnação (Anunciação, Natal, Epifania) que comemoram o começo de nossa salvação e nos comunicam as primícias do Mistério da Páscoa.

O SANTORAL NO ANO LITÚRGICO

1172 “Ao celebrar o ciclo anual dos mistérios de Cristo, a santa Igreja venera com particular amor a bem-aventurada mãe de Deus, Maria, que por um vínculo indissolúvel está unida à obra salvífica de seu Filho; em Maria a Igreja admira e exalta o mais excelente fruto da redenção e a contempla com alegria como puríssima imagem do que ela própria anseia e espera ser em sua totalidade. ”

1193 O domingo, “dia do Senhor”, é o dia principal da celebração da Eucaristia por ser o dia da ressurreição. É o dia da assembleia litúrgica por excelência, o dia da família cristã, o dia da alegria e do descanso do trabalho. O domingo é “o fundamento e o núcleo do ano litúrgico”.

2698 A Tradição da Igreja propõe aos fiéis ritmos de oração destinados a nutrir a oração continua. Alguns são cotidianos: a oração da manhã e da tarde, antes e depois das refeições, a Liturgia das Horas. O domingo, centrado na Eucaristia, é santificado principalmente pela oração. O ciclo do ano litúrgico e suas grandes festas são os ritmos fundamentais da vida de oração dos Cristãos.

1438 Os tempos e os dias de penitência ao longo do ano litúrgico (o tempo da

Quaresma, cada sexta-feira em memória da morte do Senhor) são momentos fortes da prática penitencial da Igreja. Esses tempos são particularmente apropriados aos exercícios espirituais, às liturgias penitenciais, às peregrinações em sinal de penitência, às privações voluntárias como o jejum e a esmola, à partilha fraterna (obras de caridade e missionárias).

Ano Litúrgico 2020

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Jesus Cristo, qual o teu rosto?

Curiosidades

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Existe uma controvérsia enorme sobre qual seria o verdadeiro rosto de Jesus Cristo. Durante séculos os artistas tem retratado Jesus segundo suas interpretações, mas na maior parte dos casos, se baseiam nas pinturas europeias renascentistas que trazem Jesus branco e de longos cabelos lisos.

Muitas vezes a imagem traz um Jesus angelical. Mas se pensarmos um pico mais a fundo, e mesmo se repararmos no povo de hoje da Palestina (detalhe pouco se alterou desde a época de Cristo) dá para perceber que esse rosto branco de bochechas rosadas, com cabelos longos loiros (ou negros) lisos e barba, não representa verdadeiramente o rosto de Jesus Cristo. Isso porque o povo galileu, naquela época, há mais de 2 mil anos, estava muito longe de ter essa aparência europeia das imagens.

Intrigado com essa confusão que nos persegue há séculos e que acabou se tornando uma referência para os cristãos, o especialista em Antropologia Forense, Richard Neave, da Universidade de Manchester, na Inglaterra, resolveu desvendar o mistério por trás do verdadeiro rosto de Jesus Cristo. Usando de uma técnica chamada de Antropologia forense. Junto com um grupo de cientistas em 2001

Para isso, ele usou a mesma tecnologia usada para desvendar o rosto de assassinos e outros criminosos (não se espante e ache uma blasfêmia) e começou seu trabalho para remontar o rosto de Jesus Cristo. Para deixar tudo ainda mais real, Neave realizou uma pesquisa aprofundada a respeito das características físicas dos povos semitas da Galileia, no norte de Israel.

Crânios e mais crânios típicos dos judeus foram recebidos e estudados pela equipe do antropólogo forense e, no final, foram feitos raio-x das fatias dos crânios. Computadores, então, criaram os músculos e a pele do que seria o verdadeira rosto de Jesus Cristo quando vivia naquela época, ou melhor até hoje já que acreditamos que ele ascendeu aos céus de corpo e alma.

O rosto de Jesus Cristo

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O resultado? O rosto de Jesus Cristo, como deve ter sido na vida real, já mais de 2 mil anos, foi muito diferente do que imaginamos hoje em dia. De acordo com os estudos de Neave, Jesus era mesmo barbudo, mas tinha cabelos escuros, curtos e, muito provavelmente, cacheados, como o costume de seu povo naquela época

Ainda sobre o rosto de Jesus Cristo, de acordo com os antropólogos, estava longe de ser tão branco ou angelical como das ilustrações. Era, na verdade, um rosto comum, sem muitos atrativos, com pele escura e olhos também escuros, quase pretos. Lembrando do sol escaldante da região.

Jesus também não devia ser um homem muito alto, já que a estatura dos homens de semitas daquela época não era nada impressionante. Acredita-se que ele não tinha mais de 1,50 m de altura e era um homem mais forte que realmente é retratado, já que seu ofício de carpinteiro era um trabalho que exigia esforço físico.

O resultado foi revelado em um documentário produzido em parceria entre a BBC e o Discovery Channel. E para conduzir a reconstrução, os pesquisadores empregaram as tecnologias mais avançadas que tinham à mão na época, assim como o crânio de 2 mil anos de um homem judeu, documentos antigos e técnicas forenses.

E então, você esperava um rosto assim para Jesus?

Na verdade isso é um trabalho da ciência e não desmerece em nada a nossa imagem ideal de Jesus Cristo.Podemos até imaginá-lo parecido conosco já que todos somos imagem e semelhança de Deus.

1 – Primeiras imagens

Uma das representações mais antigas de Jesus de que se tem notícia é a que você poderá ver na imagem seguir. Datada do ano 235, a imagem foi descoberta entre os frescos que cobrem as paredes de uma sinagoga da cidade de Dura Europos, na Síria. Veja:

A figura, embora não seja muito nítida, retrata um dos milagres de Cristo, “A Cura do Paralítico”. Nela, podemos ver Jesus com os cabelos curtos e encaracolados e vestindo uma simples túnica e sandálias. O exemplo abaixo, descoberto na Espanha no ano passado, consiste em uma gravura sobre um prato de vidro do século 4 que também mostra o messias sem sua icônica barba.

2 – Os cabelos e a barba crescem

As primeiras representações de Jesus com os cabelos mais longos e com o rosto coberto de barba começaram a surgir ainda no século 4 — provavelmente inspiradas na forma como os deuses gregos e romanos eram retratados. Um dos exemplos mais antigos é a imagem a seguir, descoberta na Catacumba de Marcelino e Pedro, localizada em Roma.

3 – Menino Jesus

Imagens que retratavam Jesus ainda bebezinho começaram a surgir por volta do século 4, pelo menos, e um dos exemplos mais emblemáticos é o mosaico do século 6 que você pode conferir a seguir:

Localizada na Basílica de Santa Sofia — que fica em Istambul, na Turquia —, a obra mostra a Virgem Maria embalando Jesus em seus braços, enquanto os Imperadores Bizantinos presenteiam o Menino com a (então) cidade de Constantinopla.

4 – Cristo acompanhado

Uma das imagens mais antigas de Jesus acompanhado de seus apóstolos foi descoberta em 2010 nas Catacumbas de São Tecla, localizada em Roma. Os arqueólogos estimam que o fresco seja do final do século 4 ou início do século 5, e acreditam que a imagem — que traz todos os personagens barbados e São Paulo já ficando careca — serviu de base para muitas representações dos seguidores de Cristo que surgiram depois.

5 – Jesus beatificado

O mosaico que você pode ver a seguir foi encontrado no Mausoléu de Gala Placídia, situado em Ravena, na Itália, e data do século 5. Nele, Cristo é retratado usando as cores reais — roxo e amarelo — enquanto guarda o seu rebanho. Veja:

A obra — conhecida como “O Bom Pastor” — traz Jesus novamente sem barba, mas agora com vestimentas e aparência que remete aos antigos romanos. Além disso, ele aparece com um halo sobre sua cabeça.

6 – Crucificado

As primeiras imagens de Jesus crucificado começaram a surgir a partir do século 5, enquanto a representação mais antiga de Cristo — retratado na cruz ao lado dos ladrões — em um manuscrito apareceu em um livro do século 6 chamado “Evangelhos de Rabbula”. Veja:

7 – Morto e sepultado

Santo Sudário — fascinante relíquia religiosa , como você sabe, traz o que muitos cristãos acreditam ser a própria imagem de Cristo gravada em sua superfície.

Até hoje sua legitimidade é discutida por religiosos e cientistas de todo o mundo — afinal, o lenço de linho foi extensivamente analisado por equipes de cientistas que, primeiro, determinaram que algumas partes do tecido datam da Idade Média, sugerindo que ele seria uma elaborada farsa e, posteriormente, que o material foi produzido entre 280 a.C. e 220 d.C., ou seja, muito mais próximo da época de Cristo.

 

Fontes:

5 Filmes sobre a Paixão de Cristo

Cinco grandes filmes sobre Jesus e sua condenação, morte e ressurreição além de sua vida. Vale a pena assistir.

O Rei dos Reis de 1961 é uma mega-produção e abrange toda a história de Jesus. Já Jesus de Nazaré de 1977 é o maior filme já feito sobre Jesus também uma mega-produção até mais famosa que o Rei dos Reis. Indico também Quem Matou Jesus? (2015) produção da National Geographic é um filme-documentário muito interessante. Claro que não poderia faltar o filme A Paixão de Cristo (2004) filme polêmico de Mel Gibson que mostra sem censura as agonias do flagelo sofrido por Jesus, originalmente filmado em Aramaico. E por ultimo, mas não menos importante temos A Maior História de Todos os Tempos de 1965 outra super produção que detém a marca de ser o segundo maior filme sobre Jesus já exibido.

Estou deixando alguns links para quem quiser baixar, lembrando que são links disponibilizados na internet e não filmes que hospedei. A maioria está disponibilizada no site Onde Eu Baixo e estão disponibilizadas em Torrent

O Rei dos Reis (Dublado Torrent (1961) DVDRip Download)

Sinopse: A vida de Cristo contada com rigor histórico. Da manjedoura em que nasceu na cidade de Belém para a adoração de milhares de fiéis espalhados pelo mundo, a vida de Jesus Cristo (interpretado por Jeffrey Hunter) foi inegavelmente repleta de grandes acontecimentos. Acompanhe em O Rei dos Reis, dirigido por Nicholas Ray e escrito por Philip Yordan – adaptado de nada menos que o Novo Testamento. Você verá seus milagres, os pilares da construção de sua igreja, a escolha dos Doze Apóstolos, a última ceia, a traição de Judas (Rip Torn), o humilhante julgamento em praça pública conduzido por Pôncio Pilatos (Hurd Hatfield), a crucificação e a ressurreição. Para os cristãos, a chance de ver seu líder espiritual. Para toda a humanidade, a oportunidade de aprender mais sobre a vida de um dos ícones religiosos mais importantes da História, reconhecido como espírito valoroso independentemente da religião. O Rei dos Reis tem música do vencedor do Oscar® Miklos Rozsa e narração de Orson Welles.

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O Rei dos Reis 
Data de Lançamento: 1961 
Gêneros: Drama, Gospel, Religioso 
Idioma: Dublado / Português 
Duração: 128 Minutos
Qualidade: DVDRip
Formato: Avi
Vídeo: 10 / Áudio: 10 
Tamanho: 1.27 GB 
Imdb: 7.1 / 10 

DOWNLOAD DUBLADO DVDRIP

Jesus de Nazaré (Dublada Torrent (1977) BluRay Download)

Sinopse: A vida de Jesus de Nazaré (Robert Powell) desde o nascimento em Belém até a crucificação e ressurreição, conforme está escrito na Bíblia. Concebido pela Virgem Maria (Olivia Hussey) e passando por uma sofrida infância de peregrinação, Jesus (Robert Powell) veio a terra com a missão de salvar os homens, mas é traído e humilhado justamente por eles. Após ser preso, torturado e crucificado, ressuscita divinamente.

Jesus de Nazaré torrent download dublada bluray

Jesus de Nazaré 
Data de Lançamento: 1977 
Gêneros: Biografia, Clássico, Drama, Épico, Gospel, Histórico, Religioso 
Idioma: Dublada / Dual Áudio / Português / Inglês 
Duração: 380 Minutos
Legendas: Português
Qualidade: 1080p, 720p, BDRip, Bluray, FullHD, HD
Formato: Mkv / Mp4
Vídeo: 10 / Áudio: 10 
Tamanho: 2.31 GB / 3.14 GB 
Imdb: 8.5 / 10 

DOWNLOAD DUBLADA DUAL ÁUDIO MKV 720P  DOWNLOAD
DOWNLOAD DUBLADA DUAL ÁUDIO MKV 1080P DOWNLOAD

Quem Matou Jesus Dublado (Torrent (2015) HD Download)

Sinopse: Uma minissérie em formato de filme que narra a vida de Jesus de Nazaré. Combinação de épico com uma narrativa intimista, Quem matou Jesus? (no original, Killing Jesus) é uma minissérie de três horas do canal pago Nat Geo. Ela promete mostrar novos detalhes íntimos da história da vida de Jesus de Nazaré e o conluio político que levaram à sua brutal morte na cruz.

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Quem Matou Jesus 
Data de Lançamento: 2015 
Gêneros: Biografia, Drama, Gospel, Histórico, Religioso 
Idioma: Dublado / Português 
Duração: 2h 12 Minutos
Legendas: Português
Qualidade: 720p, HD, WEB-DL
Formato: Avi
Vídeo: 10 / Áudio: 10 
Tamanho: 912 MB 
Imdb: 4.6 / 10 

DOWNLOAD DUBLADO AVI 720P DOWNLOAD

A Paixão de Cristo (Torrent (2004) BluRay Download)

Sinopse: A PAIXÃO DE CRISTO é um filme sobre as últimas doze horas da vida de Jesus de Nazaré, antes da sua morte. O trama do filme começa no Jardim das Oliveiras (Getsêmani) onde Jesus vai orar após a Última Ceia. Traído por Judas Iscariotes, Jesus é preso e levado de volta para dentro dos muros da cidade de Jerusalém onde os líderes dos Fariseus o confrontam com falsas acusações de blasfêmia. Jesus é trazido diante de Pilatos, o Governador Romano da Palestina, que ouve as acusações feitas contra ele, pelos fariseus. Percebendo que enfrenta um conflito político e religioso, Pilatos transfere a responsabilidade da decisão para o Rei Herodes. Herodes devolve Jesus a Pilatos, que propõe que a multidão escolha entre Jesus e o criminoso Barrabás. A multidão escolhe pela liberdade de Barrabás e condenam Jesus a morte – e morte de cruz. O filme mostra como Jesus foi entregue aos soldados romanos, e cruelmente flagelado. Também mostra o sacrifício de Jesus de levar a cruz até o alto do Gólgota. Ali, Jesus é crucificado – mas antes de morrer Ele diz: “está consumado”, e entrega o seu espírito a Deus. Jesus consumou sua obra na Terra morrendo pelos nossos pecados na cruz, e quando ressuscitou dos mortos Ele nos deixou uma ordem de pregar o Evangelho. Ele terminou a Sua obra. E você, está fazendo a sua parte?

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A Paixão de Cristo 
Data de Lançamento: 2004 
Gêneros: Drama, Gospel, Religioso 
Idioma: Legendado / Aramaico / Dublado
Duração: 127 Minutos
Legendas: Sim
Qualidade: 720p, Bluray
Formato: Mp4
Vídeo: 10 / Áudio: 10 
Tamanho: 750 MB 
Imdb: / 10 

LINKS DUBLADOS
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A Maior História de Todos os Tempos (Dublado Torrent (1965) HD BluRay Download)

Sinopse: A vida de Jesus de Nazaré (Max von Sydow). Seu nascimento, as pregações, milagres, julgamento, crucificação e ressurreição.

A Maior História de Todos os Tempos torrent download dublado bluray

A Maior História de Todos os Tempos 
Data de Lançamento: 1965 
Gêneros: Biografia, Clássico, Drama, Histórico 
Idioma: Dublado / Português 
Duração: 225 Minutos
Legendas: Português
Qualidade: 720p, BDRip, Bluray, HD
Formato: Mp4
Vídeo: 10 / Áudio: 10 
Tamanho: 2.30 GB 
Imdb: 6.6 / 10 

DOWNLOAD DUBLADO DUAL ÁUDIO MKV 720P

Livro: Pilatus, o que é a verdade?

capaebook

e-Book

Foram mais de 10 anos trabalhando neste projeto.

Comecei quando meu acesso a computadores era limitado, tanto que o original deste livro foi escrito a mão. Pesquisei muito, escrevi e reescrevi diversas partes, para que tivesse o minimo de coerência.

Não é um livro religioso, mas sim um romance que mescla fatos reais e ficção para cobrir as lacunas. Costumo dizer que é uma estória dentro da história.

Hoje posso compartilhar o que me moveu de verdade. Primeiro foi a intrigante pergunta: Porque o nome Pilatos aparece nas duas versões do Creio da Igreja Católica?

Claro que poderia ter uma resposta simples pelo fato dele ter dado a sentença que condenou Jesus. Mas nem mesmo São José seu pai terreno aparece ou seus discípulos. Pensando nisso decidi escrever um artigo. Mas logo vi que eu não conseguiria apenas escrever um texto, eu precisava ir mais a fundo. E fui.

Demorei 1 ano para rascunhar a primeira versão do livro, tentando a todo custo minimizar a participação de Cristo na história, mas é impossível dissociar os dois, então contei a história numa narrativa que fizesse a visão (suposta) de Pilatos prevalecer, com todas as suas certezas e incertezas. E assim criei o livro.

Decidi colocar o titulo de Pilatus, que é como se escreveria em romano arcaico ou latim. Mas quando fui publicar decidi acrescentar o sub-titulo: O que é a verdade? – que é a pergunta que supostamente o procurador romano fez para Jesus quando este teria dito que veio dar testemunho da verdade. Acrescentei o sub-titulo mês passado.

Peregrinei por algumas editoras, aguardei respostas que nunca vieram e agora decidi que não posso deixar mais um livro na gaveta. O resultado está aqui, na Amazon.com.

Posso garantir que este livro é um projeto de muito tempo, não é um livro religioso, é acima de tudo um romance histórico.

CAPA LIVRO

Livro impresso

Afinal Pontius Pilatus poderia ser apenas mais um general do poderoso Império Romano, mas sem saber teve uma participação na maior história de todos os tempos, a história de Jesus Cristo. Acredite você ou não, é impossível ignorar que a história de Jesus é um marco na humanidade, tenha você fé ou não.

Meu livro apenas conta a história de um personagem e  tudo o que aconteceu até seu trágico fim.

Do dia 17 de março de 2019 até o dia 21 de março de 2019 o e-book está disponível de graça na Amazon.com

Gostaria muito de que todos pudessem ler e enviar comentários sobre o que achou.

Agora vou para outros projetos que estão aguardando uma finalização.

Livro Comum: Pilatus, O que é a verdade? 

e-Book Kindle: Pilatus, O que é a verdade?

anuncio do livro

Campanha da Fraternidade 2019 – Fraternidade e Políticas Públicas

CF 2019 – Fraternidade e Políticas Públicas

“Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1, 27)

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Este ano, a Campanha da Fraternidade (CF) da Igreja no Brasil vai tratar do tema: Fraternidade e Políticas Públicas inspirada pelo versículo bíblico: “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1, 27). O objetivo desta campanha é “estimular a participação em políticas públicas, à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja para fortalecer a cidadania e o bem comum, sinais da fraternidade”.

O texto-base da CF, no tópico 8 do capítulo do “Ver” chama a atenção para o fato de que falar de “Políticas Públicas” não é falar de “política” ou de “eleições”, mas significa se referir a um conjunto de ações a serem implementadas pelos gestores públicos, com vistas a promover o bem comum, na perspectiva dos mais pobres da sociedade.

Segundo o documento, historicamente, a humanidade superou diversas dificuldades com ações e decisões coletivas, portanto é possível afirmar que a participação é essencial no desenvolvimento das sociedades.

“Portanto, estar presentes nos espaços e canais de participação cidadã é ser protagonistas das Políticas Públicas e fazer ouvir as demandas e as necessidades da população”.

No capítulo do “Julgar”, os itens 162 e 163 apontam que a Doutrina Social da Igreja evidencia a necessidade de uma participação ativa, consciente dos cristãos leigos e leigas na vida da sociedade, sendo esse um de seus princípios permanentes.

“É fundamental o papel da comunidade cristã nessa participação ativa, uma vez que essa é uma ação individual. O processo deve necessariamente incluir: comunhão com os bispos responsáveis, diálogo com outros irmãos cristãos e com todas pessoas de boa vontade, a fim de se tornarem as opções e os compromissos que convém tomar para realizar as transformações sociais, políticas econômicas que apresentam como necessárias e urgentes em não poucos casos”.

A edição 26 da Revista Bote Fé, da Edições CNBB, traz um exemplo dessa participação popular. Em Itapeva (SP), um grupo de catadores de material reciclável descobriu, na prática, os tortuosos mas também felizes caminhos para acessar as políticas públicas. Na entrevista, o bispo da região dom Arnaldo Carvalheiro Neto diz que quando assumiu o governo da diocese de Itapeva em 2016, foi procurado pela cooperativa para falar sobre a realidade do lixão no município.

“Fui procurado por pessoas que estavam muito preocupadas com a realidade do lixão no município. Me apresentaram a um projeto que contemplava o lixão, a construção de um aterro sanitário e a organização dos catadores de material reciclável numa cooperativa”, recorda.

Estas ações foram previstas na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) que determinou ações como a extinção dos lixões do país e substituição por aterros sanitários, além da implantação da reciclagem, reuso, compostagem, tratamento do lixo e coleta seletiva nos municípios.

Esse é apenas um exemplo do universo de iniciativas onde os leigos e leigas podem atuar em prol de uma cidadania ativa, sendo uma mediação concreta da caridade como prevê a Doutrina Social da Igreja que propõe que os cidadãos participem da vida pública de suas cidades.

A dificuldade de reconhecer Deus na pessoa humana e o medo em lidar com as ideologias políticas têm provocado o distanciamento das construções coletivas e, consequentemente, das relações pessoais e sociais retrata o item 216 do capítulo do “Agir” do texto base da CF.

“O agir da Campanha da Fraternidade deste ano nos alerta para que essas dificuldades não sejam maiores do que as alegrias de viver a justiça e a prática da fraternidade”.

A comunicação, em especial, nas redes sociais também são formas de fomentar grupos de discussões de políticas públicas. O combate às notícias falsas é uma delas. A internet é uma ferramenta que tem proporcionado e estimulado a participação da sociedade em diálogos, discussões e proposições que não, necessariamente, precisem do encontro físico das pessoas.

“A web pode se tornar elemento fomentador de redes de ação social e criação de Políticas Públicas, que começam no ambiente virtual e se solidificam essencialmente nas áreas mais marginalizadas”, destaca o item 227 do texto base da CF.

De acordo com o texto, promover a vida e a dignidade das pessoas é inerente à religião, mas não se pode e nem se deve esquecer que tudo isso precisa ser permeado pelos valores do Evangelho.

“Jesus nos ensina a sermos Evangelho vivo, que caminha em especial ao encontro dos quais mais necessitam. Somos despertados a acolher e a proporcionar uma renovação que leve a pessoa a uma verdadeira conversão”.

 

Oração da Campanha da Fraternidade 2019

Pai misericordioso e compassivo,
que governais o mundo com justiça e amor,
dai-nos um coração sábio para reconhecer a presença do vosso Reino
entre nós.

Em sua grande misericórdia, Jesus,
o Filho amado, habitando entre nós
testemunhou o vosso infinito amor
e anunciou o Evangelho da fraternidade e da paz.

Seu exemplo nos ensine a acolher
os pobres e marginalizados, nossos irmãos e irmãs
com políticas públicas justas,
e sejamos construtores de uma sociedade humana e solidária.

O divino Espírito acenda em nossa Igreja
a caridade sincera e o amor fraterno;
a honestidade e o direito resplandeçam em nossa sociedade
e sejamos verdadeiros cidadãos do “novo céu e da nova terra”

Amém!

CF_2019.EstudoDoTextoBase

As Políticas Públicas na evolução histórica da Doutrina Social da Igreja Católica PDF

FRATERNIDADE E POLITICAS PÚBLICAS – CF 2019

Material-CF-2019-02 Escolas

 

Leia também:

Medo de um estado Teocrático

Teocracia (do grego Teo: Deus + cracia: poder) é o sistema de governo em que as ações políticas, jurídicas e policiais são submetidas às normas de algumas religiões. O poder teocrático pode ser exercido direta ou indiretamente pelos clérigos de uma religião: a sub-divisão de cargos políticos pode ser designada pelos próprios líderes religiosos (tal como foi Justiniano I) ou podem ser cidadãos laicos submetidos ao controle dos clérigos (como ocorre atualmente no Irã, onde os chefes de governoestado e poder judiciário estão submetidos ao aiatolá e ao conselho dos clérigos). Exemplos atuais de regimes desse tipo são o Vaticano, regido pela Igreja Católica e tendo como chefe de Estado um sacerdote (o Papa), e o Irã, que é controlado pelos aiatolás, líderes religiosos islâmicos, desde a Revolução Islâmica, em 1979.

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Tensão entre Israelenses e Árabes

Hoje se fala muito em duas coisas praticamente opostas liberdade e conservadorismo.

O chamado “mundo moderno” tenta mudar a definição de família a qualquer custo, e de fato já existem famílias diferentes do tradicional: homem + mulher + filhos. O que tem isso? Nada, ou muita coisa.

Na visão mais religiosa isso vai contra a ordem natural deixada por Deus, já que se acredita que foram criados (nesta ordem) o Homem, a Mulher e estes por cometerem um pecado acabaram tendo dois filhos, e depois se seguiu a tragédia do assassinato e tudo mais.

Para os chamados “de mente aberta” ou “modernos”, isso nunca aconteceu e toda esta celeuma em torno do assunto da homossexualidade é apenas conversa de gente “atrasada”. Ai seguem-se os constantes ataques as instituições religiosas e ao pensamento mais, digamos assim, conservador.

O que se percebe é uma total falta de respeito com algo básico, deixado como ensinamento até mesmo por Deus: o livre arbítrio.

Quem está errado nesta história toda? Apenas quando formos para o céu (se formos) poderemos saber. Mas o que falta é respeito pela opção do outro em ambos o caso.

O que me dá medo?

É quando alguém alcança o poder e se acha no direito de decidir o caminho de cada pessoa, baseado naquilo que ela acredita. Isso sim é perigoso.

Não podemos viver num Estado Teocrático, quando tanta coisa mais importante pode ser feita.

Vemos todos os dias noticias de violência contra mulheres, jovens e crianças em países onde apenas uma religião predomina e dita as regras para todo um povo que não pode ter opinião. Crianças sendo usadas como guerreiros travando uma guerra que não entendem.

Já esta provado que a pessoa nasce gay e não escolhe sê-lo é algo genético como ser loiro ou moreno, homem ou mulher. Não é por isso que a pessoa será mais ou menos importante, ou deverá sofrer com a intolerância.

Mas também há de se convir que nós cristãos também não precisamos atacar ninguém e muito menos sermos atacados para aceitar tudo. Cada um pode e deve ter sua opinião, desde que respeite a do irmão ou irmã.

Jesus quando caminhou na terra, escolheu pessoas diferentes entre si para serem seus seguidores, incluindo mulheres (o que naquela época era quase inadmissível e alguns países ainda insistem em diminuir o papel da mulher ainda hoje) e sempre conviveu bem, com todos.

É perigoso sermos radicais e intolerantes. Em todos os âmbitos, seja de quem é da igreja ou seja de quem não acredita em Deus. Porque todos os extremismos são ruins. Sem exceção.

Paz.

cesar nome

 

 

inquisição

Cenas da inquisição, início século XIII – Estado não intervém e igreja impõe a unicidade religiosa.

Estado teocrático é um país ou nação que possui um sistema de governo que se submete às normas de uma religião específica. As regras que gerem as ações políticas, jurídicas, de conduta moral e ética, além da força policial deste modelo de governo estão baseadas em doutrinas religiosas.

Aos Estados teocráticos podem ser atribuídos os conceitos dos Estados confessionais, ou seja, que assim como a teocracia, possuem uma religião oficial ou privilegiam um grupo religioso em comparação com outras doutrinas que podem existir na mesma sociedade. O privilégio pode ser econômico, político ou mesmo judicial.

Etimologicamente, o conceito de teocracia (que forma o Estado teocrático) surgiu do grego, em que teo significa “deus” e cracia quer dizer “governo”, ou seja, teocracia significa “Governo de Deus” ou “governo divino”.

Na maioria dos Estados teocráticos, os representantes estão ligados diretamente ou indiretamente ao clero (igreja ou doutrina religiosa), sendo considerados “porta-vozes” do deus ou deuses que “governam” e “protegem” aquela nação.

Nas civilizações antigas, por exemplo, os governantes de Estados teocráticos chegavam a se declararem descendentes diretos dos deuses, como acontecia no Antigo Egito. Os egípcios cultuavam os seus faraós como se fossem verdadeiras divindades, isto porque acreditava-se que os governantes eram filhos do grande deus Amon-Rá, portanto, também tinham “sangue divino” correndo nas veias.

O faraó, como a figura de um deus vivo, era constantemente cortejado pelos seus súditos, que desejavam a sua felicidade pessoal, pois temiam que desagradando o faraó, estivessem irritando o próprio Amon-Rá.

Atualmente, entre os Estados teocráticos existentes no mundo está o Vaticano, que é representado pela Igreja Católica; o Irã, que funciona tendo como base a República Islâmica; e Israel, que segue as doutrinas de um Estado Judeu.

Estado teocrático e Estado laico

Ao contrário do que acontece nos Estados laicos ou seculares, o Estado teocrático possui uma religião oficial, sendo proibida qualquer outra manifestação pública ou cultos que não pertençam à doutrina seguida pelo país.

O Estado laico, por sua vez, não proíbe e nem oficializa qualquer tipo de manifestação religiosa. Todas as religiões são livres de praticar o seu culto. Porém, nenhuma religião deve influenciar as decisões do governo, sendo totalmente separados os conceitos e interesses religiosos dos interesses do governo democrático.

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Wikipedia: teocracia