Atos dos Apóstolos (Círculo Bíblico – 4/10)

Círculo Bíblico: Atos dos Apóstolos – Encontro 4/10

Este é o quarto de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o livro dos Atos dos Apóstolos. A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o livro dos Atos dos Apóstolos (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja e ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia.

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

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Não existe fiel não praticante, ou é ou não é

At 9, 1-30

O circulo bíblico é uma reflexão que nos instiga a ler a Bíblia com uma visão aberta e conhecimentos de pormenores que não dispensam a leitura orante da palavra, mas ajuda em alguns quesitos para que se entenda e se possa transmitir este entendimento de uma maneira eficaz.

Pois bem. Chegamos a um capitulo quase que central dos Atos, aqui veremos o que acontece com Saulo, o próprio vai descrever estes fatos em suas epístolas Gl 1,11-16; 1Cor 15,8-10; Fl 3,6-12, mas nota-se que o relato dele difere em muitos pontos do relato de Lucas em At 9, o que não deixa de ser óbvio pelo fato de Lucas ter ouvido falar e ele ter vivido a experiência. Vale a pena ler este capitulo e depois lermos as cartas citadas, vale como aprendizado, deveras valioso. Como acontece até hoje, quem conta aumenta um ponto.

Saulo deveria ter 28 anos quando trabalhava como perseguidor dos  cristãos. Era considerado pelo Sinédrio , pois perseguia cristãos bem distante de Jerusalém. Damasco ficava 220 Km de Jerusalém.

“Durante a viagem, estando já perto de Damasco, subitamente o cercou uma luz resplandecente vinda do céu. 4.Caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? 5.Saulo disse: Quem és, Senhor? Respondeu ele: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. [Duro te é recalcitrar contra o aguilhão. 6.Então, trêmulo e atônito, disse ele: Senhor, que queres que eu faça? Respondeu-lhe o Senhor:] Levanta-te, entra na cidade. Aí te será dito o que deves fazer. 7.Os homens que o acompanhavam enchiam-se de espanto, pois ouviam perfeitamente a voz, mas não viam ninguém. 8.Saulo levantou-se do chão. Abrindo, porém, os olhos, não via nada. Tomaram-no pela mão e o introduziram em Damasco, 9.onde esteve três dias sem ver, sem comer nem beber.” (Atos dos Apóstolos, 9, 3-9 – Bíblia Católica Online)
No relato de Lucas, Saulo é atingido por uma luz. Mas que luz seria essa? Podemos especular que seria uma percepção interior, pois os outros que o acompanhavam não viram nada. Porém há o detalhe destes acompanhantes ouvirem a voz, mas não verem a luz. Teria sido apenas Saulo convertido? O texto não revela isso, porém mostra que tão logo Saulo volta a enxergar e os judeus do Sinédrio descobrem que ele mudou de lado, a primeira ação é tentar mata-lo.

Saulo fica cego ao entrar me contato com a luz de Jesus Cristo. Castigo? Não. Aquilo que ele enxergava antes (o ódio aos cristãos) tornou-se escuridão, que só vai voltar a se tornar clara (voltar a enxergar) de novo quando entrar em contato com a comunidade de fé em Jesus através da intervenção de Ananias e por ele ser acolhido como um irmão (At 9,17). Seguindo o ensinamento de Cristo de perdoar 70 vezes 7, Saulo foi perdoado.

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Durante 3 dias Saulo ficou cego, e não comeu nem bebeu nada. depois deste tempo chegou Ananias um apóstolo importante em Damasco e veio conversar com ele, impõe-lhe as mãos e curá-lo. Saulo converteu-se e foi batizado, provavelmente seus companheiros também, apesar de não haver o relato. Lucas aqui como  bom escritor que era faz um paralelo entre a cegueira de Saulo ( 3 dias sem ver a luz) e a morte de Jesus (3 dias até a ressurreição). Saulo fica 3 dias para ver a luz e ter uma vida nova, assim como Cristo.

Sai da condição de um dos maiores perseguidores de cristãos para ser no futuro próximo um dos maiores apóstolos de Cristo. Quem fez sofrer, agora sofrerá por causa do nome de Jesus. E isso lembra da radicalidade da fé. Deus não gosta de meia fé ou de jeitinhos ou gente em cima do muro (não existe o católico não praticante, ou é ou não é). Deus faz grandes transformações e não mudanças de discursos. Saulo sim pode dizer que encontrou Jesus, pois ele estava sem fé e perseguia os que tinham fé e acabou convertido de verdade. Não trocou uma sigla, mudou totalmente de vida.

Lucas narra o encontro de Paulo com Pedro e Tiago (At 9, 26-30), existe uma divergência entre o relato de Lucas neste trecho dos Atos e o do próprio Paulo em Gl 1, 16-24 que dá como data deste encontro quase três anos de diferença (não podemos esquecer que de Damasco a Jerusalém são mais de 220 km de distância e Paulo era procurado na Cidade Santa). Mas é claro que Lucas não escreve um relato histórico, mas sim um livro que tem a intenção de mostrar como a comunidade era unida.

A comunidade de Jerusalém reage como reagiu a de Damasco no inicio da conversão de Saulo, eles tem medo e desconfiança, mas com a intervenção de Barnabé contando como Paulo pregara em Damasco, faz com que o aceitem. Mesmo assim os helenistas ainda desconfiados querem matá-lo, e por isso ele parte para sua cidade natal Tarso depois de passar por Cesaréia.

As contradições entre as declarações de Lucas, e o que Paulo vai escrever em algumas de suas cartas, são interessantes, mas não ao ponto de desqualificar o texto dos Atos.

O que há de mais importante na leitura orante dos Atos dos Apóstolos, é o fato de que as comunidades primitivas enfrentavam problemas como as comunidades cristãs atuais. Desde as opiniões diferentes quanto a questões de interpretação da mensagem de Jesus. Assim como naquela época temos os que fazem muito, e outros que não se importam tanto, assim como inveja de uns poucos das figuras de destaque.

No final do capitulo (At 9,31-43), temos algumas ações de Pedro, e a constatação de que ele ficava circulando de cidade em cidade. Lucas descreve a cura de um paralítico em Lida e a ressurreição de uma mulher chamada Tabita, em Jope (cidade próxima de Lida) .

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At 10, 1- 48

No inicio deste capitulo vemos a narrativa de um centurião, já temente a Deus que acaba se encontrando com Pedro depois de um sonho premonitório, talvez seja a primeira vez que um convertido ( exceto o etíope) era estrangeiro e seria convertido logo por Pedro, que tinha sérias restrições aos não judeus. Pedro tem que comer na casa deste homem, e pela lei judaica (ainda não abandonada por Pedro), muitas comidas eram proibidas. Dentro deste capitulo temos que destacar os versículos 14-16 que mostram Pedro sendo questionado 3 vezes, assim como ele foi no julgamento de Jesus, e ele resistindo mais uma vez. Logo depois Pedro percebe que Deus não faz distinções entre as pessoas. (At 10, 34-36)

Aqui com certeza nasce o cristianismo que seria aberto a todos os povos do mundo. Se Paulo seria o maior divulgador do cristianismo, coube a Pedro ser o 1° a aceitar outros povos na nova religião. Em Jope, onde Pedro se localizava, todo o povo percebeu que ele estava na casa de um “pagão” .

Deus com certeza escolheu Pedro para converter alguém que não era hebreu-judeu, por ele ser o que mais tinha resistências a conversão do povo pagão.

“Estando Pedro ainda a falar, o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviam a (santa) palavra. 45.Os fiéis da circuncisão, que tinham vindo com Pedro, profundamente se admiraram, vendo que o dom do Espírito Santo era derramado também sobre os pagãos; 46.pois eles os ouviam falar em outras línguas e glorificar a Deus. 47.Então Pedro tomou a palavra: Porventura pode-se negar a água do batismo a estes que receberam o Espírito Santo como nós? 48.E mandou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo. Rogaram-lhe então que ficasse com eles por alguns dias.” (Atos dos Apóstolos, 10, 45 – 48 – Bíblia Católica Online)
No versículo 45 vemos Lucas afirmar nas palavras de Pedro que o Espírito Santo é para todos, sem nenhuma distinção. Engraçado vemos este tipo de afirmação, e analisarmos o comportamento de muitas comunidades que ainda impõe a cada membro modos de agir e limites. Alguns são impedidos de trabalharem onde queiram, por certas convenções. Não quero dizer que cada um pode fazer o que quer, já que a igreja segue algumas normas importantes.

At 11, 1-30

Neste capitulo vemos as discussões em relação a conversão de Cornélio, basicamente este capitulo trata deste tema.

A conversão dos pagãos colocava em cheque uma questão que os cristãos da comunidade dos Atos ainda não haviam entendido:

“Basta converter-se a Boa Nova de Jesus e comprometer-se com ele ou primeiro seria necessário converter-se ao judaísmo e observar sua práticas?

São questões colocadas pelos que já eram judeus e encontravam uma nova fé em Jesus, porém ainda não tinham claro que era preciso escolher um lado e acolher os demais, mesmo os chamados pagãos (que não eram judeus).

Pedro volta  para Jerusalém e encontra a comunidade em alvoroço, cheia de questionamentos. Até então todos os convertidos eram de origem judaica (hebreus, gregos, a conversão de Cornélio e sua família é um fato novo. Os judeus-cristãos (se é que podemos chamar assim) não entendiam que não precisavam mais seguir duas religiões e sim só uma, mas questionaram pedro por ele ter quebrado  a lei judaica duas vezes ao entrar na casa de incircuncisos e comer com eles, eles achavam que perderiam a identidade por terem que conviver com pagãos, comer com eles, participar do mesmo teto, celebrar a partilha do pão (Eucaristia). O episódio das viúvas parecia não ter servido de aprendizado e até os antes discriminados , agora discriminavam.

Seria preciso fundar duas comunidades diferentes? A igreja dos judeus-cristãos, que seria uma igreja de primeira classe e com observância estrita da lei judaica e cristã e uma igreja pagã-cristã, que seria de segunda classe e mais livre para a entrada de “qualquer pessoa”. Esse era o desejo de Jesus?

Se levarmos em consideração esta reflexão podemos encaixar isso hoje em muitas comunidades e igrejas, onde os novos fiéis são relegados ao segundo plano por uma divisão de classes de quem já estava antes da chegada dos novos membros. É aquela questão de acharem-se donos da igreja. Eu tenho medo de quem quer dar ordens a Jesus.

Pedro não dá explicações. Relato o que aconteceu e de como toda as suas ações foram tomadas por Deus, desde a sua visão (11,5-10; 10, 11-20), o encontro com os enviados de Cornélio (11,13-14; 10, 17-24), a visão de Cornélio (11-13-14 ;10, 3-8) e a catequese com a ação do Espírito Santo entre os pagãos (11, 15-17 ;10, 34-48). Parece apenas a repetição do capitulo 10 porém tem muitos detalhes a serem levados em conta. Pedro então dá o motivo de sua liderança ao intervir na discussão: “Ele (Pedro) te dirá as palavras pelas quais serás salvo tu e toda a tua casa. 15.Apenas comecei a falar, quando desceu o Espírito Santo sobre eles, como no princípio descera também sobre nós. 16.Lembrei-me então das palavras do Senhor, quando disse: João batizou em água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo. 17.Pois, se Deus lhes deu a mesma graça que a nós, que cremos no Senhor Jesus Cristo, com que direito me oporia eu a Deus?”(Atos dos Apóstolos, 11, 14-17– Bíblia Católica Online)
Em palavras mais simples: Se a decisão foi de Deus, o que o homem pode fazer?

É justamente neste ponto que a comunidade começa a compreender que a vontade de Deus é para que todos sejam agraciados com a luz do Evangelho

At 11, 19-30

Chega-se a um ponto no capitulo onde logo após a confirmação de Pedro, os até então nazarenos começam a pregar a Boa Nova de Jesus a todos os povos. Lucas fala de Saulo novamente numa breve citação e no versículo 26 fala que foi a primeira vez que os judeus convertidos e todos os novos seguidores de Cristo passam a serem chamados de cristãos e isso acontece na comunidade de Antioquia, durante um ano de intensa pregação. Saulo e Barnabé saem em missão ao final do capitulo.

“Durante um ano inteiro eles tomaram parte nas reuniões da comunidade e instruíram grande multidão, de maneira que em Antioquia é que os discípulos, pela primeira vez, foram chamados pelo nome de cristãos. 27.Por aqueles dias desceram alguns profetas de Jerusalém a Antioquia. 28.Um deles, chamado Ágabo, levantou-se e deu a entender pelo Espírito que haveria uma grande fome em toda a terra. Esta, com efeito, veio no reinado de Cláudio. 29.Os discípulos resolveram, cada um conforme as suas posses, enviar socorro aos irmãos da Judéia. 30.Assim o fizeram e o enviaram aos anciãos por intermédio de Barnabé e Saulo.”
(Atos dos Apóstolos, 11,26-30 – Bíblia Católica Online)

Milton Cesar

Refletindo

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São Paulo

 

A leitura da Bíblia num Círculo Bíblico, tem que ser antes de tudo orante. Todas as informações que escrevo aqui são importantes apenas como base, mas a reflexão de cada um, com a interpretação baseada na oração, de como funcionava as primeiras comunidades, tem um valor ainda maior. Qual é o nosso papel como agentes e membros da comunidade de fé? Não é ditar regras ou modos de agir, mas sim auxiliar no crescimento pessoal de cada irmã e irmão, acolher e saber entender os desígnios de Deus.

Imagine quanto de surpresa houve entre a comunidade ao se depararem com alguém cujo o propósito sempre foi acabar com os cristãos, e essa pessoa ter sido mudada radicalmente pelo amor de Deus. Pense como foi difícil isso não só para a comunidade, mas também para o próprio Paulo. E ainda mais como foi aceitar que uma pessoa não fiel (caso do centurião Cornélio) adentrasse a comunidade acreditando em Jesus.

Vale avaliar se estamos dando espaço para as novas pessoas nas nossas comunidades e igrejas. O “nossa comunidade” dá a se entender que é de todos e não “minha apenas”. Será que damos espaço para quem chega se sentir acolhido, a vontade para participar ativamente da liturgia da igreja, ler, cantar e mais ainda celebrar. Ou resistimos?

Jesus acolheu a todos sem distinção e esta é a máxima. Nos Atos vemos as dificuldades da comunidade e isso deve servir para sermos ainda mais acolhedores.

Milton Cesar

Um homem chamado Paulo

 

Pintura mais antiga do rosto de Paulo, encontrada nas catacumbas romanas

Pintura mais antiga conhecida sobre São Paulo (Século IV)

Eram os primeiros anos da Igreja. Saulo, judeu da tribo de Benjamin, nascido em Tarso na Cilícia, foi fulgurado pelo encontro com o Cristo. Saulo é fariseu, mas goza de todos os direitos de cidadão romano. Educado em Jerusalém por Gamaliel, inimigo declarado de Jesus Cristo, é um dos perseguidores do diácono Estevão. Depois da morte de Estevão, participa com fúria tenaz da perseguição insurgida pelos judeus contra a Igreja de Jerusalém. Retira os cristãos e os faz aprisionar. Ele mesmo pede ao sumo sacerdote que lhe dê cartas de apresentação para as sinagogas de Damasco para conduzir prisioneiros a Jerusalém os cristãos daquela cidade.

Enquanto se encontrava na estrada de Damasco para iniciar a sua empreitada, uma luz fulgurante o derruba por terra e uma voz o interroga: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” Saulo derrubado, chega cego à cidade. Ananias, avisado por revelação divina sobre o acontecimento, o batizará. Paulo começa nas sinagogas a anunciar a ouvintes estupefatos que Jesus é o Filho de Deus, conforme a narração no livro dos Atos dos Apóstolos 9,1-22.

“Quem és, Senhor?”, havia perguntado Saulo à voz que o tinha derrubado do cavalo. “Eu sou Jesus que tu persegues”. A evidência da fulguração transformou o perseguidor dos cristãos: “Senhor, que queres que eu faça?” Do ódio ao amor o passo é breve, Jesus de Nazaré se mostra o Cristo e abate o orgulho do homem, fazendo-o instrumento escolhido para levar o seu nome aos gentios. O preço é um só: “Mostrar-te-ei quanto deverás sofrer por meu nome”. Mas absorvido no mistério de Cristo morto e ressuscitado, Paulo não verá mais a cruz senão como transfiguração da glória.

O episódio narrado não pode ser reduzido à experiência puramente interior: também os companheiros de Paulo o perceberam e ouviram “a voz”. Paulo recordou repetidamente o acontecimento: Jesus lhe aparecera (1Cor 15,8); tinha visto o Senhor (9,1), com o vulto envolvido pela glória divina (2Cor 4,6); a aparição de Damasco equivalia para ele às aparições que tiveram os apóstolos depois da ressurreição de Jesus.

Sobre o batismo de Paulo (Atos 9, 1-21), o Senhor manda Ananias, para que Paulo recupere a vista e seja batizado. Para convencer Ananias, compreensivelmente hesitante, o Senhor lhe manifesta a excepcional missão destinada a Paulo: a de ser seu mensageiro em todo o mundo, diante dos pagãos, das autoridades e dos próprios judeus.

Ele é grande modelo, seguidor de Jesus, anunciando com ardor o Evangelho.

Paulo tem plena consciência de que é servo, chamado a ser apóstolo, escolhido para o Evangelho de Deus. Com esta apresentação, começa sempre suas cartas. Ele afirmou uma vez: “Sei em quem acreditei”. Faz incansável profissão de fé em Cristo Jesus, crucificado e ressuscitado, vivo entre nós.
Neste ano Paulino, vale a pena reconhecer Paulo especialmente através de suas cartas.

São João Crisóstomo, bispo de Constantinopla, faz um retrato de Paulo e revela o traço mais sugestivo e fascinante do Apóstolo dos gentios: o seu amor a Cristo, à paixão por ele, caminho para a ressurreição e a glória: “Paulo tudo suportou por amor a Cristo. Gozar do amor de Cristo era a sua vida, o seu mundo, o seu reino, a sua promessa, tudo. O que é o homem, quão grande é a dignidade da nossa natureza e de quanta virtude é capaz a criatura humana, Paulo o demonstrou mais do que qualquer outro. É o que aprendemos de suas próprias palavras: ‘Esquecendo o que fica para trás, eu me lanço para o que está na frente’. As fraquezas, as injúrias, as necessidades, as perseguições são as armas da justiça, mostrando que delas lhe vinha grande proveito.”

A aparição no caminho de Damasco muda, em um segundo, todo o modo de pensar e de agir de Saulo, até então ardente inimigo da cruz. Nesse encontro excepcional com o Senhor, Saulo vê que o messias dos cristãos está verdadeiramente ressuscitado e glorificado, que Deus Pai aprovou a sua obra, e tudo o que Jesus disse e fez, é o cumprimento das profecias, enquanto as autoridades de seu povo erraram na interpretação das Escrituras.
Paulo descobre a “loucura” de cruz: verdade e sabedoria, porque envolve Deus mesmo e é, com a ressurreição do Senhor, a última palavra da revelação divina aos homens. (fonte Formação Canção Nova)

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Saulo é o nome hebraico usado até o capitulo 13 dos Atos. Paulo é o  nome romano que servirá para que ele circule livremente por toda a Palestina e Judéia, lembrando que sua família comprou a cidadania romana, o que era comum entre os abastados da época. A mudança de nome ocorre no capitulo 13, e simboliza uma nova vida e o apostolado entre os cristãos. Pedro também mudara o nome. Nos Atos, Saulo é citado 12 vezes como perseguidor dos cristãos, talvez Lucas tenha tido a intenção de fazer um paralelo :12 tribos de Israel, 12 discípulos de Jesus, 12 perseguições antes da conversão.

Saulo é um judeu autêntico, que sempre defendeu com ardor os mandamentos da Torá. Sabemos que a maioria das religiões são focadas nas suas tradições, e que ensinam seus filhos os valores de cada preceito. Algo louvável, que precisa ser feito, ante o ataque de outros meios de comunicação que tem ensinado valores deturpados para os jovens e crianças, e até alguns adultos, pregando a concorrência desleal, e a busca de um lucro em decorrência da desgraça do outro.

Saulo, assim como os judeus da época (talvez até hoje), esperava um rei messiânico, um messias grandioso que livraria a nação judaica do domínio romano, e não um messias que pregaria a paz e o amor ao próximo, e depois morreria de forma humilhante na cruz. É fácil notar que Judas Iscariotes também  pensava assim, e por isso mesmo entregou Jesus, na esperança de que os seguidores dele se revoltassem e libertassem o mestre.

Vale dizer que na edição 2110 de 8/7/2009 da Revista Veja, foi publicada uma reportagem que dizia :O Vaticano acredita ter encontrado, na segunda maior Basílica de Roma, os restos mortais do apóstolo Paulo, martirizado no século I. (leia a reportagem na integra no box final deste post)

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Como base de estudo foi usado:

 

Em 2018 foi lançado o filme Paulo, Apóstolo de Cristo que passou quase despercebido por muitos nos cinemas e conta a história dos últimos dias de Paulo já preso e condenado que recebe as visitas de Lucas.

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Para baixar: Paulo, Apóstolo de Cristo – Dual Audio 720P MKV – Torrent

O Vaticano acredita ter encontrado, na segunda maior basílica de Roma, os restos mortais do apóstolo Paulo, martirizado no século I

Bento XVI anunciou no domingo 28 uma descoberta que lança luz sobre os primeiros anos da Igreja Católica. Amostras retiradas da ossada existente numa tumba no subsolo da segunda maior basílica de Roma foram submetidas a testes de datação, e as conclusões são de que se trata dos restos de uma pessoa que viveu entre os séculos I e II. Elas “parecem confirmar a unânime e incontestável tradição de que são os restos mortais do apóstolo Paulo”, festejou o papa. A relevância da descoberta não está em fornecer evidências materiais sobre o homem que expandiu o cristianismo para além das fronteiras estreitas de uma seita judaica da periferia do Império Romano. Não há necessidade disso. A vida e a obra do Apóstolo dos Gentios são as mais bem documentadas entre os primeiros santos do cristianismo. O valor religioso do exame científico está em atestar a consistência da tradição católica e reforçar a Basílica de São Paulo Fora dos Muros como um local de veneração. No século IV, o imperador Constantino mandou erguer a igreja sobre um antigo cemitério romano, do lado externo das muralhas que protegiam a cidade dos bárbaros, exatamente porque o lugar era conhecido como o do túmulo de São Paulo.

Pintura mais antiga do rosto de Paulo, encontrada nas catacumbas romanas

Pintura do rosto de Paulo Século IV

Não foi a única novidade sobre o santo. No mesmo domingo, foi revelada a mais antiga imagem de São Paulo, um afresco do século IV encontrado durante as obras de restauração das catacumbas de Santa Tecla, a alguns quarteirões de distância da basílica. A pintura foi descoberta no teto de um pequeno aposento que esteve soterrado por séculos. A identificação do apóstolo foi imediata porque coincide com as características físicas descritas em textos dos primeiros cristãos, como a barba escura e fina na ponta, a calvície, o nariz grande e os olhos expressivos. Um afresco de São Pedro também foi encontrado, mas em muito pior estado de conservação.

Segundo a tradição, a Basílica de São Pedro, no Vaticano, foi erguida sobre o túmulo do primeiro papa. Essa crença foi posta à prova por arqueólogos que exploraram um túmulo existente no subsolo da construção. Submetido a testes de datação, o conteúdo revelou os restos de alguém que tinha entre 60 e 70 anos e viveu no século I. Em 1968, o papa Paulo VI anunciou com estardalhaço que se tratava, sem dúvida, dos restos de São Pedro. Paulo e Pedro foram contemporâneos e ambos morreram como mártires da Igreja. Acredita-se que São Pedro tenha sido crucificado (de cabeça para baixo, segundo a tradição) no ano 64, por ordem do imperador Nero. Graças à cidadania romana, São Paulo escapou da cruz, para ser decapitado em algum momento entre os anos 65 e 67. Reza a tradição que o corpo e a cabeça do santo foram sepultados em locais diferentes – a cabeça estaria na Basílica de São João de Latrão, também em Roma.

Em 2002, ainda sob João Paulo II, arqueólogos iniciaram a escavação do túmulo sob a Basílica de São Paulo, onde descobriram uma urna e uma placa com a inscrição “Paulo Apóstolo Mártir”. Eles fizeram um minúsculo furo numa das laterais de mármore e inseriram uma pequena sonda, que recolheu amostras da ossada que está lá dentro. O material extraído foi submetido ao teste de carbono 14, técnica utilizada para calcular a idade de materiais antigos. Junto aos restos mortais foram encontrados também alguns grãos de incenso e dois pedaços de tecido de linho, um de cor púrpura com bordados de ouro e outro azul – ambos identificados como peças luxuosas, o que reforça a suposição da existência de ricos entre os primeiros cristãos.

São Paulo era um judeu nascido entre os anos 4 e 8, possivelmente em Tarso, então uma grande cidade grega na rota entre a Europa e a Ásia. Seus pais eram escravos libertos, mas ricos o suficiente para mandar o filho estudar com um grande rabino em Jerusalém. Adulto, ele se tornou um perseguidor implacável da seita crist㠖 ainda que não esteja claro por que agia assim. Ele próprio deixou relatos sobre sua conversão, ocorrida no caminho para Damasco, depois de uma visão. Após se converter, Paulo dedica-se, com enorme sucesso, à tarefa de expandir a fé pelo Império Romano, especialmente por seu coração, Roma.

Ainda mais importante, foi ele quem formulou a doutrina de maneira teológica e separou o cristianismo do judaísmo. Para São Paulo, os pagãos não precisavam submeter-se aos rituais judaicos, como a circuncisão e as regras dietéticas, pois bastavam o batismo e a fé em Cristo. “Paulo deu ao cristianismo um caráter universal”, diz o teólogo Geraldo Hackmann, o único brasileiro na Comissão Teológica Internacional do Vaticano. A influência de São Paulo sobre a cristandade pode ser medida numericamente. Dos 27 livros do Novo Testamento, treze são atribuídos ao apóstolo. Desses, sete são considerados realmente autênticos, e os demais, escritos em seu nome por seguidores. Quase metade do livro dos Atos dos Apóstolos, escrito pelo evangelista Lucas, relata as viagens evangelizadoras de Paulo. As descobertas envolvendo seu túmulo reforçam sua presença na tradição cristã.

VEJA edição 2110 de 8/7/2009

25º Encontro (Catequese) – Matrimônio

Série: Animo, uma nova Catequese (Encontro 25/40)

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Sugestão de Folha de encontro

Sacramentos: Matrimônio

Vigésimo quinto encontro da nossa vivência na fé da nossa catequese. Continuamos falando dos sacramentos e desta vez o tema é o Sacramento do Matrimônio. Uma das sugestões é que este encontro tenha a participação de casais do Grupo de Encontro de Casais ou da pastoral do curso de noivos, ou ainda casais que tenham uma participação na comunidade com experiência (bastante tempo casados na igreja). O ideal seria mesclar casais novos e mais antigos (em tempo de matrimônio), para que o testemunho destas pessoas seja mais elucidativo do que o simples falar do sacramento, abrindo sempre para a troca de experiências.

Considero este tema um dos mais leves para se falar, sem deixar de considerar a sua importância.

Outra sugestão é que seja feito um café da manhã (leite, pão, café, margarina, presunto, mussarela).

Para iniciar sugiro que se recebam os catequizandos sobre o som da Marcha Nupcial apenas para dar um toque mais leve ao encontro.

Como oração inicial sugiro o Vinde Espírito Santo é como canto inicial Que bom que você chegou (Bruna Karla).

Caso haja convidados deve-se sempre apresentar cada um.

Como outro momento podemos perguntar a cada um o que eles acham que é o amor? (Se for o caso eles podem resumir em uma palavra)

Falar sobre o sacramento, importância como um dos sacramentos do serviço e regras para o recebimento (ver aprofundamento para o catequista)

Antes da palestra dos convidados pode-se tocar uma música, sugiro Primeiro Olhar – Anjos de Resgate

Depois os convidados podem falar sobre suas experiências de casados: como chegaram à decisão de se casar, se foi planejado ou não, e como é conviver com o outro no dia a dia. Uma conversa franca, que mostre tanto o lado bom como o lado mais difícil é a melhor forma, sem criar fantasias desnecessárias.

Como momento final pode cantar a música Laços de Amor –  Mensagem Brasil e na oração final revemos uma Ave Maria e um Pai Nosso.

Aprofundamento para o catequista

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O sacramento do Matrimônio junto com o sacramento da Ordem são os chamados Sacramentos do Serviço da Comunhão.

Comunhão vem de comum-união e o sacramento do matrimônio é basicamente isso, viver em comum união com o conjugue.

É acima de tudo no sacramento da família.

Para exemplificar a Bíblia abre logo no Gênesis com a criação de uma família, formada por Adão e Eva e logo depois por seus filhos e fecha com a visão das “núpcias do Cordeiro”(Ap 19).

Em todas as culturas existem a união, o casamento entre um homem e uma mulher. Ver CIC 1604-1605

É em Gênesis 2,18 que está a frase utilizada até hoje nas celebrações do Sacramento do Matrimônio, no momento da cerimônia de entrega do sacramento (chamado de Casamento) fala-se sempre que : “Por isso um homem deixará seu pai e sua mãe,  se une a sua mulher  e eles se tornam uma só carne. “ É uma missão e orientação.

Um dos primeiros grandes feitos de Jesus está justamente no milagre do casamento em Caná na Galileia (Bodas de Caná) onde Jesus orientado por sua mãe transforma água em vinho, mostrando que pode sempre estar ali para auxiliar os casais que creem em Deus.

No Código de Direito Canônico (CDC) cânon 1063 artigo 1 diz: “Pela pregação, pela catequese apropriada aos menores, aos jovens e adultos, mesmo pelo uso dos meios de comunicação social, com que sejam os fiéis instruídos sobre o sentido do matrimônio e o papel dos cônjuges e pais cristãos. “ Então é missão do padre e também das pastorais ajudar neste esclarecimento, apesar de que quando o código foi escrito não existir este meio de divulgação  (neste caso do blog) a orientação se encaixa por se tratar de um meio de comunicação social.

Cerimônia

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A cerimônia onde se é celebrado o Sacramento do Matrimônio é cheia de tradição e em cada cultura tem seus próprios atos.

Porém toda a cerimônia segue o que diz o Missal Romano e em todos os lugares são ditas as mesmas palavras e orações. As regras também são as mesmas em todas as Igrejas Católicas Apostólicas Romanas.

Uma das tradições é a noiva usar branco simbolizando pureza (antes também simbolizava a virgindade). Existe também o simbolo mais tradicional ainda, que são as alianças simbolizando que cada casal tem um compromisso e fez uma aliança com o outro, aliança está que não deve ser quebrada e o arco (da aliança) mostra isso. O buquê é um adorno apenas que com o tempo se tornou tradicional já que acaba sendo jogado (numa superstição) na festa para as “solteiras”. Os padrinhos e os pais em volta do altar não são meros enfeites são as testemunhas do enlace matrimonial, é pelo menos dois casais de cada lado tem que assinar o registro como testemunhas.

Regras para a concessão do Sacramento:

  1. Deve-se procurar a secretaria da paróquia e ver a data para o casamento, isso com antecedência e antes de marcar a data no cartório (muitos fazem o contrário e acabam com um problema). Importante procurar a igreja antes por uma questão de agenda do padre e da própria igreja.
  2. Entra-se com a documentação necessária com bastante antecedência (é necessário que se tenha recebido os sacramentos da iniciação cristã para poder solicitar o sacramento do matrimônio). Um dos documentos mais importantes é o que atesta que a pessoa foi batizada e este documento, chamado batistério tem que ter no máximo 6 meses da data que foi solicitado. Explicando: quando a pessoa pede o sacramento do matrimônio é necessário que seja solicitado junto a igreja em que foi batizada um batistério atualizado com no máximo 6 meses antes do pedido do sacramento. Cada um dos pretendentes deve entregar o seu. Caso A pessoa esteja longe do local onde foi batizada e não tenha como buscar este documento pode se pedir auxílio para a secretaria da igreja aonde irá se casar. O batistério atualizado serve para confirmar se nenhum dos pretendentes está casado na igreja
  3. A secretaria da igreja lança um documento chamado Proclamas, que consiste em se tornar público a intenção de cada um do casal em contrair o matrimônio na igreja, este informe é colocado em local visível na comunidade por pelo menos 1 mês, é ser anunciado durante as missas. Os Proclamas servem também para que as pessoas da comunidade possam informar caso saibam que alguns dos pretendentes não sejam realmente livres (solteiro, viúvo) e vivam outra relação fora da que pretende contrair oficialmente. Vale dizer que o cartório onde é feito a entrada para os papéis do casamento também lança um Edital de Proclamas
  4. Neste ínterim deve-se fazer o que chamamos de Curso de Noivos
  5. Depois de tudo isso: casamento agendado, autorização liberada, curso completado, é feita uma entrevista com o padre. Cada um dos pretendentes faz esta entrevista
  6. Realiza-se a cerimônia (detalhe apenas será realizada com a Certidão Civil de Casamento efetivada no cartório antes da cerimônia religiosa) Vale lembrar que é possível realizar ambas as cerimônias ao mesmo tempo, desde que o Juiz de Paz vá até a igreja e faça o casamento Civil durante a celebração religiosa, claro que isto tem um custo maior para o casal.
  7. Após a cerimônia são enviadas cópias da Certidão de Casamento Religioso para as igrejas onde cada um dos cônjuges foi batizada para averbação, além do registro no Sistema Digital da Igreja e no livro do Matrimônio da Paróquia onde foi realizado o casamento.

(Agradecimento especial pela consultoria realizada à Fabiana Aparecida, secretária da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, Sumaré, SP).

CDC (Código de Direito Canônico) 1055-1057

1055 – § 1. A aliança matrimonial, pela qual um homem e uma mulher constituem entre si uma parceria de toda a vida, por sua natureza ordenada para o bem dos cônjuges e à geração e educação dos filhos, entre os batizados, foi elevado por Cristo Senhor à dignidade de sacramento .

§2º. Portanto, entre os batizados não pode ser um contrato de casamento válido, é por isso mesmo sacramento.

Pode. 1056 – As propriedades essenciais do matrimônio são a unidade e indissolubilidade, que no matrimônio cristão obter uma firmeza especial em razão do sacramento.

Pode. 1057 – § 1. O ato que constitui o casamento é o consentimento das partes, legitimamente manifestado entre pessoas juridicamente capazes; não podem ser fornecidos por qualquer poder humano.

§2º. consentimento matrimonial é um ato de vontade pelo qual um homem e uma mulher, por aliança irrevogável, se entregam e aceitar-se a estabelecer o casamento.

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Lembrando:

  • Viúvos podem casar novamente na igreja
  • A antiga frase: “Se alguém souber de algo que impeça a realização deste matrimônio fale agora ou cale-se para sempre.” Está em desuso ultimamente visto que o Proclamas e a verificação anterior da situação de cada conjugue. Porém alguns padres ainda a usam, mais pela tradição.
  • O casamento é indissolúvel. O que Deus uniu o homem não separa, por isso mesmo é importante se ter a certeza do desejo, da coragem e de toda a responsabilidade para se receber este sacramento
  • Casamento pode ser dissolvido em casos de descoberta de algo que impeça a consumação do matrimônio é que foi deliberadamente escondido de um dos cônjuges (uma doença grave, por exemplo). Também em casos de descoberta de uma relação oculta em curso (um dos cônjuges ter uma esposa (o) e está relação ser efetiva, mesmo sem ser oficializada no papel, É também crime pois bigamia no Brasil também está sujeito às penas da lei civil). E em casos que o casamento foi feito sobre ameaça. Em caso de não consumação do matrimônio (não ter tido ato sexual por vontade própria, ou seja, não querer ter relação com o cônjuge) Para isso é preciso mover um processo no Tribunal Eclesiástico. Ver CDC 1063-1165

Temos notado que muitas pessoas acabam se casando sem ter a verdadeira intenção de constituir família, e usando um chavão muito em uso: “Se não der certo, separa.” Para a igreja esta frase não existe pois se quer crer que quando duas pessoas decidem coabitar e optam por  receberem o sacramento do Matrimônio, estas pessoas sejam maduras o suficiente para ter ciência de todas as dificuldades da convivência a dois e de como é importante o diálogo, respeito e amor entre as partes para tudo. A missão da igreja não é apenas administrar o sacramento, mas sim servir de apoio em todas as horas, e cabe ao casal não esperar que tudo se acabe antes de se apegarem a Jesus e procurarem a igreja para se apoiarem.

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Artigo 7: O Sacramento do Matrimônio

Transcrição CIC 1659-1666

1659. São Paulo diz: «Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja […] É grande este mistério, que eu refiro a Cristo e à Igreja» (Ef 5, 25.32).

1660A aliança matrimonial, pela qual um homem e uma mulher constituem entre si uma comunidade íntima de vida e de amor; foi fundada e dotada das suas leis próprias pelo Criador: Pela sua natureza, ordena-se ao bem dos cônjuges, bem como à procriação e educação dos filhos. Entre os baptizados ,foi elevada por Cristo Senhor à dignidade de sacramento.

1661. O sacramento do Matrimônio significa a união de Cristo com a Igreja. Confere aos esposos a graça de se amarem com o amor com que Cristo amou a sua Igreja; a graça do sacramento aperfeiçoa assim o amor humano dos esposos, dá firmeza à sua unidade indissolúvel e santifica-os no caminho da vida eterna.

1662O Matrimônio assenta no consentimento dos contraentes, quer dizer; na vontade de se darem mútua e definitivamente, com o fim de viverem uma aliança de amor fiel e fecundo.

1663. Uma vez que o Matrimônio estabelece os cônjuges num estado público de vida na Igreja, é conveniente que a sua celebração seja pública, integrada numa celebração litúrgica, perante o sacerdote (ou testemunha qualificada da Igreja), as testemunhas e a assembleia dos fiéis.

1664A unidade, a indissolubilidade e a abertura à fecundidade são essenciais ao Matrimônio. A poligamia é incompatível com a unidade do Matrimônio; o divórcio separa o que Deus uniu; a recusa da fecundidade desvia a vida conjugal do seu «dom mais excelente», o filho.

1665O novo casamento dos divorciados, em vida do cônjuge legítimo, é contrário ao desígnio e à Lei de Deus ensinados por Cristo. Eles não ficam separados da Igreja, mas não têm acesso à comunhão eucarística. Viverão a sua vida cristã sobretudo educando os filhos na fé.

1666O lar cristão é o lugar onde os filhos recebem o primeiro anúncio da fé. É por isso que a casa de família se chama, com razão, «Igreja doméstica», comunidade de graça e de oração, escola de virtudes humanas e de caridade cristã.

 

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Ouça as músicas sugeridas:

Que bom que você chegou – Bruna Karla

Laços de Amor – Missão Mensagem Brasil

Primeiro Olhar – Anjos de Resgate

 

Leia também:

22º Encontro (Catequese) – Eucaristia

Série: Animo, uma nova Catequese (Encontro 22/40)

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Sugestão de folha de encontro

Neste encontro sobre Sacramentos vamos falar sobre a Santa Eucaristia, o sacramento dos sacramentos. É muito importante que seja um encontro Alegre e bem temático para esclarecer qualquer dúvida sobre o assunto já que alguns vão receber também este sacramento.

Ambiente:

A sugestão é que se tenha imagens da Eucaristia, uma mesa com um belo pão caseiro, uvas e suco de uva (mais aconselhável do vinho neste caso). Velas e uma Bíblia, tudo muito bem arrumado para proporcionar um ambiente agradável e reflexivo

Iniciamos com um abraço da paz, depois rezemos um Pai-Nosso e as Bem aventuranças (ou Sermão da Montanha como também é conhecido):

“Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos céus! Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados! Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra! Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados! Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia! Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus! Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus! Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus! Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus”
São Mateus, 5,3-12a

Depois Cantemos o canto  O pão da vida.

Para iniciar sugiro que seja perguntado sobre o que eles entendem como Comunhão?

Após isso refletir com os catequizandos o sentindo de se comungar, viver em comunhão ou em comum-união parafraseando o sentido da palavra.

Entrar então no tema do encontro buscando sempre explicar o valor e a importância da Eucaristia na vida do fiel católico (observe o aprofundamento para o catequista)

Ter um momento para sanar dúvidas é muito importante.

Dividir o pão e o suco entre todos no sentido de repetir o gesto de Cristo.

Depois é hora do canto final, e a sugestão é a linda música Sacramento da Comunhão

A oração final pode ser espontânea onde cada um reza por suas intenções

Aprofundamento para o Catequista

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Sacramentos: Eucaristia

Na noite em que ia ser entregue e abraçando livremente a paixão,  ele tomou o pão deu graças e o partiu e o deu aos seus discípulos dizendo: Tomais todos e comei este é o meu corpo que será entregue por vós.” (1Cor 11,23-25) – É assim que dita a liturgia eucarística em todas as missas, baseando-se sempre no gesto que Jesus deixou quando estava com seus discípulos na chamada última ceia onde ele anunciou sua morte e deixou o pão e o vinho como símbolos do seu corpo e sangue sacrificados. Tudo isso foi a primeira comunhão de todos que o seguiam e dali por diante seria a de todos os fiéis.

Após a ressurreição de Cristo um dos gestos que o identificou junto aos discípulos foi justamente o partir do pão.

Vale salientar que antes de Cristo instituir a eucaristia ele já tinha feito várias refeições com seus seguidores, mas só após um bom tempo (praticamente 3 anos de caminhada) foi que ele fez todo o gesto. Por isso que a igreja pede que o catequizando tenha um tempo de vivência na catequese para receber este sacramento tão importante.

Como já foi dito sacramentos são sinais visíveis de Deus para o fiel. O sacramento da Eucaristia é um sacramento que pode ser renovado a cada missa e que vai estar presente na vida do católico sempre.

Transubstanciação

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É a conversão de toda a substância do pão e do vinho na substância do corpo e sangue de Cristo.  

Eucaristia não é apenas pão e vinho é sim o corpo e sangue de Cristo que ao ser abençoado pelo padre na missa passa pela transubstanciação e torna-se verdadeira carne e verdadeiro sangue de Jesus. Lembrando que o padre na missa é “in persona Christi”(na pessoa de Cristo), ou seja ele está em Cristo e Cristo está nele.

A expressão “in persona Christi” quer dizer, literalmente, na pessoa de Cristo e só pode ser atribuída aos sacerdotes e ministros ordenados. Ela significa que quando o sacerdote age, ele o faz na pessoa de Cristo, ou seja, não é ele quem está agindo, mas Cristo.

Essa conversão ocorre na oração eucarística mediante a eficácia da Palavra de Jesus e da ação do Espírito Santo. Mas as características sensíveis do pão e do vinho, ou seja as “espécies eucarísticas”,  permanecem inalteradas.

Então porque não se usa pão e vinho apenas e se utiliza a hóstia?

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Esta pergunta já me foi feita um dia e a resposta é simples: a hóstia é um pão também. Aliás na época de Jesus tinha o pão ázimo cozido sem fermento apenas com a farinha, a hóstia é feita assim, mas como existem muitos fiéis e não se pode jogar fora as sobras pois seria o mesmo que jogar o corpo de Jesus no lixo, optou-se por usar este formato de pão, no caso a hóstia, que pode ser reservado no sacrário para poder ser levado para os enfermos acamados e não estraga facilmente como um pão comum.

Porém pode ser utilizado pão comum na missa também porém ao final tudo deve ser consumido.

Para se receber a Eucaristia é necessário uma preparação no caso fazer a vivência de fé na catequese para que se possa compreender o real sentido do Sacramento, afinal trata-se de um maiores pilares da igreja. Também é preciso que se esteja com o coração puro e livre de qualquer mágoa ou pecado. Para isso antes de se receber a primeira comunhão e todos os anos o fiel deve receber também o sacramento da Penitência  (Confissão).

Um exemplo de que quem não está preparado ou tem o coração com algum tipo de pecado é que Judas Iscariotes não comungou com os demais saindo no meio do gesto de Jesus para entrega-lo.

Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação.

“Assim, todas as vezes que comeis desse pão e bebeis desse cálice lembrais a morte do Senhor, até que venha. Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor. Que cada um se examine a si mesmo, e assim coma desse pão e beba desse cálice. Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação. Esta é a razão por que entre vós há muitos adoentados e fracos, e muitos mortos. Se nos examinássemos a nós mesmos, não seríamos julgados.” 1Cor 11, 26-31

São Paulo esclarece bem quando fala da importância da comunhão e de como deve ser respeitada, a ponto de discorrer no versículo 29 sobre o fato de que só se deve comungar quem realmente pode distinguir o corpo e sangue de Cristo. Não podemos ir na missa e comungar só porque estamos lá, devemos sim sentir-se em comunhão e paz para isso.

Eis o mistério da fé

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A eucaristia é também um dos mistérios da fé, condicionada a vivência pessoal de cada pessoa na Igreja e no acreditar em Jesus Cristo. Quem não acredita não comunga da verdadeira eucaristia e sim apenas de um pedaço de pão. Já quem acredita recebe o próprio Cristo em seu corpo e com isso toda a graça do Pai. É mistério pois não conseguimos compreender como isso ocorre, e porque Jesus deixou este sacramento, porém este mesmo mistério tem feito milagres a mais de 2000 anos.

Recentemente algumas igrejas ditas pentecostais ou neo-pentecostais tem feito um dia ou dois (alguns casos mensais) onde distribuem o que chamam de Santa Ceia, nada mais é que uma imitação do que se é feito na Igreja católica. O ponto estranho é que a nossa Eucaristia sempre foi criticada pelos ditos evangélicos e agora instituíram a mesma coisa com outra roupagem, mas fazer o quê?

Na missa podemos dizer que são feitas duas partes, sendo a primeira de ensinamento e oração onde são lidas as leituras e feitos  os pedidos de perdão, orações e o louvor a Deus, e no segundo momento é onde fazemos memória do gesto de Cristo na última ceia. A missão de Jesus teve também os momentos de ensinar e depois os momentos de entrega da missão. Na última ceia Jesus anunciou sua morte, deixou a Eucaristia como meio de estar ainda mais conosco e entregou os discípulos a missão de continuar sua obra: “Fazei isso em minha memória.” Nós continuamos a cumprir o pedido de Jesus repetindo seu gesto a cada missa e seguindo evangelizando a todos os povos.

A Santa Ceia na Bíblia:

A Última Ceia foi relatada pelos quatro evangelhos sinóticos em Mt 26,17-30, Mc 14,12-26, Lc 22,7-39 e Jo 13,1; 17,26. Além disso, ela aparece também em 1 Cor 11,23-26.

O Milagre de Lanciano

Há aproximadamente treze séculos, um padre que duvidava que a hóstia consagrada é verdadeiramente o Corpo de Cristo, enquanto recitava a fórmula de consagração da eucaristia durante a missa, a hóstia milagrosamente converteu-se em carne e o vinho converteu-se em sangue. O padre que havia perdido a fé, teve um grande susto e naquele momento se deu conta do que realmente celebrava.

Uma comissão de estudos de 1971 presidida pelo professor Dr. Odoardo Linoli da Universidade de Sena constatou que a carne e o sangue contém glóbulos vermelhos e brancos ainda vivos; a carne e o sangue são do mesmo grupo sanguíneo, isto AB, muito comum entre os judeus, e constatou que é o mesmo sangue do Santo Sudário. Após este estudo não restou mais dúvida, a carne e o sangue conservados ainda hoje na cidade de Lanciano, são verdadeiramente Carne e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Para quem não conhece a fundo a Igreja Católica, não sabe que para um milagre ser aceito é feito muitos estudos e investigações quase incessantes até que todas as dúvidas sejam sanadas. As fotos abaixo são reais.

 

 

 

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